A apreensão de uma arma com um dos seguranças de Jair Bolsonaro (PL) durante blitz em Brasília na última segunda-feira (15) gerou apreensão entre aliados do ex-presidente de que a prorrogação de sua prisão domiciliar seja negada pelo Supremo Tribunal Federal. Leia em TVT News.
A apreensão serviu como alerta ao ministro Alexandre de Moraes, que abriu prazo de 24 horas para a defesa se explicar. O prazo da prisão domiciliar humanitária temporária vence no próximo dia 25. O benefício foi garantido ao ex-presidente por 90 dias no dia 24 de março, por causa de suas condições de saúde.
O ministro considerava a possibilidade de estender a estadia de Jair em casa por mais 90 dias, por avaliar que a custódia estava ocorrendo sem intercorrências ou indícios de descumprimento, apesar de Bolsonaro atuar nas articulações para o pleito eleitoral de 2026. Segundo auxiliares de ministros aliados de Moraes, a prorrogação seria um “aceno” ao bom comportamento do ex-presidente desde março.
A questão envolvendo a posse e o pedido de conserto da arma de Jair – uma pistola Glock G17, de calibre 9 milímetros -, no entanto, criou apreensão entre seus aliados. O episódio evoca situações delicadas como a violação da tornozeleira eletrônica por Bolsonaro com um ferro de solda em novembro do ano passado.
A pistola também lembrou a muitos o episódio da prisão de Roberto Jefferson em 2022, quando o ex-deputado fez uso de tiros de fuzil e granadas contra policiais que vinham cumprir o mandato em sua residência e acabou indiciado sob suspeita de quatro tentativas de homicídio.
A avaliação do entorno de Moraes agora é de que, se a explicação da defesa não for convincente, Bolsonaro pode ser mandado de volta ao 19º Batalhão da Polícia Militar, conhecido como Papudinha, onde cumpria pena antes de março. O ministro já afirmou em outras ocasiões que o batalhão tem plenas condições para o atendimento médico de Jair, mesmo em caso de emergências.
Episódio de arma motiva pedido de revogação da prisão domiciliar
A apreensão da pistola de Jair durante a blitz motivou pedido do deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) pela revogação da prisão domiciliar de Jair Bolsonaro (PL).
O vice-líder do governo na Câmara dos Deputados afirmou, em peça encaminhada ao ministro Alexandre de Moraes, que a manutenção de uma arma de fogo no local de cumprimento de custódia é incompatível com o benefício.
Lindbergh pede, caso a revogação não seja concedida, que o Supremo não garanta a prorrogação do benefício da prisão domiciliar humanitária por mais 90 dias, após o vencimento do atual prazo no dia 25.
Defesa admite que arma pertence a Bolsonaro
Os advogados de Bolsonaro admitiram em sua defesa que a arma era dele, mas negam qualquer irregularidade, já que a decisão pela sua condenação não teria determinado a entrega de eventuais armas de que fosse proprietário.
A peça também afirmou que os integrantes da equipe de segurança do ex-presidente haviam decidido retirar o percussor da arma, peça essencial para o disparo, sem o seu conhecimento. Isso porque, devido ao uso de medicamentos psiquiátricos por Jair, sua equipe temeria um eventual acidente causado por alguma alteração cognitiva.
O prazo da domiciliar temporária vence no próximo dia 25. O magistrado vinha cogitando a hipótese de renová-la por mais 90 dias, por considerar que a custódia estava sendo cumprida sem intercorrências ou indícios de descumprimento, mesmo em meio ao avanço das articulações para a campanha eleitoral.
- Apreensão de arma de Bolsonaro reduz chance de Moraes prorrogar prisão domiciliar
- Ministro avaliava renovar benefício devido ao bom comportamento do ex-presidente, mas entrou em alerta
- Defesa deverá explicar por que conserto de pistola foi demandado às vésperas do fim do prazo
Uma arma registrada no nome de Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar em Brasília, levou o Supremo Tribunal Federal (STF) a cobrar explicações da defesa do ex-presidente nesta terça-feira (16).
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