O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) anunciou nesta segunda-feira (3) que não será candidato ao governo de Minas Gerais nas eleições de outubro, encerrando uma disputa interna que, durante dias, colocou em lados opostos o parlamentar e a cúpula do Republicanos. A decisão foi comunicada após reunião, em Brasília, com o presidente nacional da legenda, deputado Marcos Pereira (SP), e com o presidente estadual do partido, deputado Euclydes Pettersen. Saiba mais na TVT News.
Em vídeo divulgado nas redes sociais do Republicanos, Cleitinho afirmou que a decisão foi motivada pelo momento vivido por sua família após a morte do irmão caçula, Matheus Augusto Azevedo, vítima de complicações da leucemia há pouco mais de duas semanas.
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“Quero me dirigir ao povo mineiro e pedir perdão, porque o momento não está fácil para mim e para a minha família. Não adianta eu entrar na campanha agora do jeito que estou. Não adianta eu querer cuidar de vocês se eu não cuidar de mim e da minha família”, declarou o senador, emocionado.
A decisão encerra uma das principais novelas políticas da sucessão mineira. Nos últimos dias, Cleitinho chegou a reafirmar que pretendia disputar o Palácio Tiradentes, mesmo após o Republicanos declarar publicamente que sua candidatura havia perdido viabilidade política.
Racha expôs divergências dentro do Republicanos
O impasse ganhou contornos públicos na semana passada, quando o Republicanos divulgou uma nota dura afirmando que aguardou durante meses uma definição do senador, mas que ela “nunca foi formalmente assumida”. O partido sustentou que ofereceu todas as condições para lançar Cleitinho ao governo, mas criticou a sucessão de indefinições e a ausência do parlamentar na convenção estadual realizada em 25 de julho.
Na ocasião, a legenda afirmou que “uma candidatura exige, antes de tudo, a decisão firme de quem pretende disputá-la” e concluiu que “os fatos falam por si”. A nota também sustentava que a demora obrigou aliados a reorganizarem suas estratégias eleitorais.
O presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, chegou a afirmar que Cleitinho havia “perdido o timing” para consolidar a candidatura, avaliação compartilhada por dirigentes da legenda e por partidos que negociavam alianças em Minas Gerais.
Apesar da posição oficial do partido, a assessoria do senador reagiu imediatamente e garantiu que ele continuava candidato. Familiares e aliados reforçaram a mesma versão, enquanto Cleitinho publicou nas redes sociais um vídeo produzido com inteligência artificial em que aparecia ao lado do pai e do irmão falecido, interpretado como um sinal de que manteria o projeto eleitoral.
A divergência criou uma situação inédita: o senador afirmava que disputaria o governo, enquanto a própria legenda anunciava que não pretendia lançar sua candidatura.
Liderança nas pesquisas não evitou desgaste
O embate ocorreu justamente no momento em que Cleitinho aparecia na liderança das pesquisas de intenção de voto para o governo mineiro.
Os levantamentos mais recentes da Genial/Quaest colocavam o senador à frente dos adversários tanto nos cenários de primeiro turno quanto nas simulações de segundo turno, consolidando-o como um dos nomes mais competitivos da sucessão estadual.
Ainda assim, o desempenho eleitoral não foi suficiente para superar o desgaste provocado pela demora em oficializar a candidatura.
Durante semanas, Cleitinho alternou declarações de interesse na disputa com sucessivos adiamentos sobre uma decisão definitiva. O senador também deixou de participar da convenção estadual do Republicanos, realizada dias após a morte do irmão, episódio que a direção partidária classificou posteriormente como um “fato político objetivo” que produziu consequências para a formação das alianças.
Enquanto a indefinição persistia, dirigentes do Republicanos e do PL passaram a construir uma alternativa para a eleição mineira.
Marcelo Aro ganha espaço
Com o impasse envolvendo Cleitinho, o ex-secretário de Governo de Minas Marcelo Aro (PP) avançou nas negociações para reunir em torno de sua candidatura partidos do campo conservador.
Republicanos e PL passaram a discutir apoio ao ex-secretário, redesenhando o tabuleiro eleitoral em Minas Gerais. A movimentação também interessava ao PL por causa da estratégia de construção do palanque estadual do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República.
A confirmação da desistência de Cleitinho elimina o principal foco de instabilidade dentro desse campo político e abre espaço para a consolidação das negociações em torno de Marcelo Aro.