A Colômbia vive um momento de forte polarização política após a divulgação da apuração preliminar do segundo turno das eleições presidenciais. Os dados do chamado “preconteo”, sistema de contagem rápida utilizado pelas autoridades eleitorais do país, indicam a vitória do advogado e empresário Abelardo de la Espriella sobre o senador Iván Cepeda, aliado do atual presidente Gustavo Petro. Leia em TVT News.
Segundo os números divulgados pelas autoridades eleitorais colombianas, De la Espriella obteve 12.959.515 votos, enquanto Cepeda alcançou 12.708.695. A diferença ficou abaixo de 250 mil votos em um pleito marcado por ampla participação popular e disputa acirrada entre projetos políticos distintos para o futuro do país.
Apesar da vantagem apontada na contagem preliminar, o resultado ainda não é considerado oficial. Pela legislação colombiana, a definição formal ocorre apenas após o processo de escrutínio, etapa em que juízes e autoridades eleitorais revisam as atas de votação para verificar possíveis inconsistências.
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O escrutínio teve início nesta segunda-feira (22) e pode levar alguns dias para ser concluído. No primeiro turno das eleições, o processo demorou cerca de dois dias.
Em pronunciamento após a divulgação dos números preliminares, Abelardo de la Espriella declarou vitória.
“Agradecemos a Deus por esse milagre”, afirmou durante transmissão ao vivo nas redes sociais. O empresário também alegou ter enfrentado dificuldades durante o processo eleitoral e afirmou que sua candidatura conseguiu “derrotar o regime“, expressão utilizada por ele para se referir ao governo de Gustavo Petro.
Ainda em sua rede X, Espirella comemorou dizendo que a “dignidade” e a “esperança” teriam triunfado:

Já o senador Iván Cepeda adotou tom cauteloso e afirmou que aguardará o resultado oficial.
“Com o escrutínio oficial, reconheceremos o resultado“, declarou a apoiadores em Bogotá.
O presidente Gustavo Petro também pediu prudência e ressaltou que nenhum vencedor pode ser proclamado antes da conclusão da apuração oficial.
“Não se pode proclamar nenhum presidente. É o escrutínio que determina quem é o presidente. Obedeço aos juízes. Tranquilidade aos cidadãos, por favor. A realidade nos mostra um país partido ao meio, e ingerência estrangeira nos tira a liberdade. Impõe-se um acordo nacional se queremos manter a pátria e a paz nos anos que estão por vir“, escreveu Petro nas redes sociais.
Nesta segunda (22), no entanto, Petro veio a público para contestar a transparência do processo eleitoral, afirmando que “muitos formulários foram alterados” e que “removeram o carimbo do tempo e o cadeado Hash dos algoritmos” para alterar os votos.
O Conselho Nacional Eleitoral da Colômbia, por outro lado, havia informado que a votação ocorreu de forma tranquila e contou com acompanhamento de observadores internacionais.
Caso o resultado preliminar seja confirmado, o país passará por uma mudança significativa em relação ao ciclo político iniciado em 2022, quando Gustavo Petro se tornou o primeiro presidente de esquerda da história colombiana.
Quem é Abelardo de la Espriella

Aos 48 anos, Abelardo de la Espriella chega à Presidência sem nunca ter ocupado um cargo público eletivo. Advogado, empresário e figura conhecida na mídia colombiana, ele construiu sua candidatura apresentando-se como um político de fora das estruturas tradicionais de poder.
Nascido em Bogotá, em 1978, foi criado em Montería, no norte da Colômbia. Formou-se em Direito pela Universidade Sergio Arboleda e construiu uma carreira empresarial que, segundo ele próprio, inclui investimentos em diversos setores, como mercado imobiliário, alimentação, bebidas, pecuária, vestuário e serviços jurídicos.
Durante a campanha, De la Espriella adotou um discurso fortemente centrado no combate ao crime organizado, ao narcotráfico e à corrupção. Conhecido pelo apelido de “El Tigre”, tornou a segurança pública o principal eixo de sua candidatura.
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Ele prometeu uma ofensiva militar contra grupos armados ilegais, narcotraficantes e dissidências guerrilheiras. Também defendeu a construção de megapresídios inspirados nas políticas adotadas pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele.
“Não haverá processos de paz. Criminosos que não se submeterem serão eliminados, conforme permitido por lei“, afirmou durante a campanha.
O empresário também declarou admiração por líderes como Donald Trump, nos Estados Unidos, Javier Milei, na Argentina, e o próprio Bukele. Naturalizado norte-americano, De la Espriella viveu em Miami e é filiado ao Partido Republicano dos Estados Unidos.
Outro ponto central de sua plataforma política é a redução do tamanho do Estado. O candidato prometeu diminuir em 40% a estrutura estatal, reduzir impostos corporativos e promover cortes de gastos públicos.
Segundo ele, o objetivo é estimular investimentos privados, ampliar a geração de empregos e impulsionar o crescimento econômico.
Além disso, propõe ampliar a exploração de petróleo, gás e mineração, setores considerados estratégicos por sua equipe econômica.
Figura conhecida da mídia colombiana
Muito antes de ingressar na disputa presidencial, De la Espriella já era uma personalidade pública conhecida na Colômbia.
Como advogado, participou de casos de grande repercussão envolvendo empresários, políticos, artistas, vítimas de violência e disputas ambientais.
Entre os clientes mais conhecidos está Alex Saab, empresário colombiano acusado pelo governo dos Estados Unidos de atuar como operador financeiro do governo venezuelano de Nicolás Maduro.
De la Espriella afirma que sua relação profissional com Saab começou antes das acusações e que ambos deixaram de trabalhar juntos anos atrás.
O advogado também atuou em processos envolvendo vítimas dos impactos ambientais da mina de níquel Cerro Matoso, além de representar mulheres vítimas de violência de gênero e figuras políticas de diferentes correntes ideológicas.
Paralelamente à atuação jurídica, desenvolveu forte presença nas redes sociais, onde construiu uma imagem de empresário bem-sucedido, defensor de valores conservadores e crítico das instituições políticas tradicionais.
Sua estratégia digital é apontada por analistas como um dos fatores que contribuíram para ampliar sua visibilidade nacional antes mesmo do lançamento oficial da candidatura presidencial.
Polêmicas e críticas
Ao longo da campanha, De la Espriella também esteve envolvido em episódios que geraram críticas de adversários e setores da sociedade civil.
Declarações consideradas machistas e comentários interpretados como homofóbicos provocaram reações negativas e debates públicos. Em alguns casos, o candidato afirmou que suas falas haviam sido retiradas de contexto ou feitas em tom de humor.
Analistas políticos classificam seu movimento como representante de uma direita populista, marcada pelo discurso antiestablishment, defesa de pautas conservadoras e forte ênfase na segurança pública.
Embora rejeite o rótulo de extrema direita, sua candidatura recebeu apoio de setores conservadores e de lideranças políticas ligadas a governos anteriores da Colômbia.
Se a vitória for confirmada após o escrutínio oficial, Abelardo de la Espriella passará a integrar um grupo de líderes conservadores eleitos recentemente na América Latina. O resultado também representará uma mudança de rumo político após o mandato de Gustavo Petro e recolocará no centro do debate colombiano temas como segurança pública, papel do Estado, política econômica e acordos de paz.
