Na manhã desta terça-feira (23), a Polícia Federal cumpriu nove mandados de busca e apreensão em locais ligados ao Digimais, instituição bancária cujo dono é o bispo Edir Macedo. Leia em TVT News.
As ações ocorrem dentro da Operação Miragem, que investiga crimes financeiros. Edir Macedo também é fundador da Igreja Universal do Reino de Deus e dono da RecordTV.
A operação da Polícia Federal tem como objetivo desarticular suposto esquema fraudulento no Digimais – as suspeitas são de que os envolvidos no caso tenham manipulado demonstrativos contábeis e registros para ocultar a situação financeira do banco.
Com essas manipulações, o banco de Edir Macedo buscava ludibriar os órgãos de controle para seguir com operações irregulares. A operação incluiu uma decisão pelo bloqueio de até R$ 670 milhões em bens dos alvos e a quebra do sigilo bancário e fiscal dos investigados.
Aquisição do Digimais por Macedo ocorreu em 2020
O bispo da Igreja Universal fez sua entrada no mundo bancário em 2020, quando comprou o antigo banco Renner.
Edir Macedo então alterou o nome do banco para Digimais e transferiu sua sede do Rio Grande do Sul para São Paulo.
O banco passou por grande deterioração em suas condições financeiras, além de reinvestimentos e tentativas de venda. O BTG Pactual chegou a fechar acordo de intenção de compra com a instituição, mas não há certeza no momento sobre a continuidade do negócio.
Ontem (22), na véspera da Operação Miragem, a agência de classificação de risco Fitch piorou e retirou a avaliação do banco Digimais, alegando falta de informações atuais sobre a instituição e muitas incertezas, como projetos judiciais que envolvem ativos originários do Banco Master.
Com essas indefinições no ar, o banco investiu R$ 3 bilhões em fundos de investimento cujas demonstrações financeiras não puderam ser conferidas por falta de documentos. Esse valor representa 73% do total que o banco investiu nesse tipo de ativo, conforme a auditoria do Clifton Larson Allen Brasil alertou no balanço do Digimais do segundo semestre de 2025. A auditoria também revelou investimentos do Digimais em cotas de fundos de participações recém-criados, que tiveram valorização de 178% em curto período de tempo.
A aquisição foi de 357,6 milhões em cotas desses fundos no segundo semestre do ano passado, e as participações passaram a valer R$ 997,5 milhões em dezembro.
A valorização dos ativos gerou um resultado positivo de R$ 639,8 milhões para o banco de Edir Macedo no semestre. Os auditores, porém, ressaltam que não foi possível avaliar a razoabilidade desse ganho nem eventuais ajustes decorrentes das reavaliações, já que os fundos envolvidos ainda não haviam divulgado demonstrações financeiras auditadas quando o balanço foi publicado.
Alvos incluem diretores e prestadores de serviço do banco de Edir Macedo
A Operação Miragem incluiu uma lista de alvos de busca e apreensão, como diretores e conselheiros do Digimais e diretores da gestora de fundos ID Serviços Financeiros.
Foram cumpridos mandados em endereços ligados a Marcelo de Lima Brasil, diretor jurídico do Digimais; João Alves de Campos, presidente interino do banco; Rodrigo Ruggero, diretor contábil do banco; João Luiz Urbaneja, bispo da Igreja Universal do Reino de Deus e conselheiro do Digimais; Thiago Rodrigues Urbaneja, bispo da Igreja Universal do Reino de Deus e conselheiro do Digimais; José Roberto Giancoli Filho, gestor de fundo do Digimais adminsitrado pela ID Serviços Financeiros; Rodrigo Balassiano, diretor da ID Serviços Financeiros; Banco Digimais; e ID Serviços Financeiros.
O Banco Digimais tem mais de 145 mil clientes, 70% deles no Sudeste. Mais de 63% dos clientes do banco são mulheres, e o site do banco alega que já foram emprestados mais de R$ 1 bilhão em operações de crédito pela instituição.
No ano passado, a instituição começou a realizar operações de crédito consignado; a carteira de crédito do banco passou a totalizar 42% nesse tipo de operação e outros 52% no financiamento de veículos.
Mais de 69 convênios públicos também fazem parte da carteira do Digimais, incluindo convênios com a Prefeitura de São Paulo e o governo de São Paulo, que representam 60% e 25% da carteira de convênios de consignado da instituição.

