O deputado federal Otoni de Paula (PSD-RJ) esteve nesta terça-feira (23) no jornal TVT News – 1ª edição, e falou sobre temas como os escândalos envolvendo a igreja Lagoinha e o bispo Edir Macedo, a votação da escala 6×1 no Senado e a relação entre o movimento bolsonarista e as igrejas evangélicas e outros temas. Leia mais em TVT News. Otoni de Paula também é o convidado do próximo programa Juca Kfouri Entrevista que vai ao ar no dia 25 de junho.
Em conversa com os jornalistas Talita Galli, Laura Capriglione e Eduardo Castro, o parlamentar respondeu como se sentia com relação às recentes notícias sobre figuras evangélicas envolvidas em escândalos: enquanto pastores da igreja Lagoinha voaram em jato do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, o banco Digimais, do bispo Edir Macedo, foi alvo de operação da Polícia Federal hoje (23) por suspeição de fraudes bancárias que esconderam crise financeira dos órgãos reguladores.
“Bate uma vergonha, igual ter alguém da família envolvido em um crime, porque tem o teu sangue”.
Ele questiona: “O que justifica uma igreja ter um banco? A receita financeira de uma igreja é para entrar e sair, entrar e sair, não existe acúmulo de riqueza em uma igreja”. Ele explica: “Foi isso que o protestantismo rompeu com o catolicismo – ele veio para manifestar alguns erros históricos que a igreja de Roma cometia, e entre esses erros estava o acúmulo da riqueza”, diz Otoni.
O deputado também participa como convidado do programa Juca Kfouri Entrevista nesta quinta-feira (25), às 21h, na TVT.

Otoni sobre atuação na votação da 6×1: “Nossos verdadeiros patrões são o povo brasileiro”
Na conversa com os jornalistas, Otoni falou sobre seu posicionamento em favor do fim da escala 6×1 na Câmara dos Deputados, e sobre a influência que o empresariado nos parlamentares do campo da direita.
“Eu tenho tentado fazer uma política com honestidade, onde o nosso papel seja atender a quem nos elegeu, nossos verdadeiros patrões, que é o trabalhador, o povo brasileiro”, afirma o deputado. “Devido à proximidade do campo da direita com o empresariado, este campo cede a esse setor, deixando de lado o verdadeiro interesse do trabalhador”, diz Otoni, que acredita que as fake news são necessárias para colocar o trabalhador contra seus próprios interesses.
“Ouvimos e fomos muito pressionados com ‘isso vai quebrar o Brasil’, ‘isso vai acabar com a nossa economia’, Mas apontamentos qualificados mostram que na verdade isto era uma grande inverdade”.
Ele ainda acredita que a votação da PEC no Senado Federal não ocorrerá nesse ano. “Obviamente o Alcolumbre não vai colocar isso esse ano pra votação. Primeiro que ele não quer que isso seja carimbado como uma vitória do Governo, como uma vitória do presidente Lula. Segundo que a pressão do empresariado sobre o Senado é muito mais forte. Terceiro que, se ele colocasse esse ano, um terço do Senado vai agora passar pelo escrutínio do voto popular – então os senadores se sentiriam também obrigados a dar o mesmo voto que a Câmara deu, contra a escala 6×1. Acho que o nosso trabalhador brasileiro, já tão sofrido, vai sofrer mais um pouco para ter esse direito garantido”.
Deputado Otoni de Paula é convidado do Juca Kfouri Entrevista
Sobre a fase bolsonarista “Eu estava mais parecido com Bolsonaro do que com Jesus”
O deputado federal disse que acredita que os evangélicos deixaram de “olhar para Cristo”: “passamos a viver só o cristianismo. Talvez seja esse nosso dilema hoje, nós temos nos afastado dos princípios e dos valores de Cristo, que Cristo nunca veio fundar cristianismo: Jesus veio trazer aqui a filosofia do reino de Deus, o pensamento do reino de Deus dos céus para a terra”, explica”.
“Tem um princípio básico, que ele não complicou e que não é pra complicar mesmo: amar ao próximo como a ti mesmo”
Ele conta de quando, durante um repouso médico após passar por cirurgia bariátrica, viu um vídeo seu que lhe causou vergonha.
O deputado gravou em reação a um pedido de Lula a sindicalistas de São Paulo para que pressionassem parlamentares e seus familiares. “Eu aproveitei esse gancho, subo na tribuna e digo ao Lula e seus ‘asseclas’ – eu era bem bolsonarista -, que bandido a gente recebe a bala. Eu nunca dei um tiro na minha vida, eu tenho medo de atirar. Eu não tenho arma. Por que eu estava daquele jeito? Aí eu me vi. E eu senti vergonha, porque eu vi que eu estava mais parecido com Bolsonaro do que com Jesus”, afirma Otoni.

Ele acredita que quando a religião segue uma “ideologia”, ela fecha a porta da igreja para quem não segue essa visão. “Ela está fechando a porta do Evangelho, da Palavra, do amor, para quem não segue aquela ideologia”.
Isso explica, para ele, por que a previsão de que evangélicos seriam 30% da população brasileira não se cumpriu. “As últimas eleições afetaram a quantidade de evangélicos no Brasil, porque o número de ‘desigrejados’ depois do bolsonarismo aumentou assustadoramente. O número de pessoas que votam em Lula e que foram convidadas a saírem da igreja foram em milhares. Fomos sequestrados por um sentimento ideológico que nunca fez parte da igreja, porque a igreja não é de direita, de esquerda, de Lula, de Bolsonaro, a igreja é de Jesus”, diz o parlamentar.
Ele também critica quem, segundo ele, atrela a salvação cristã ao voto em Bolsonaro. “Não podemos mais permitir que Jesus nos salve e Bolsonaro nos valide pro céu. Jesus me salva, mas porque eu não voto em Bolsonaro minha salvação está em risco. Do que valeu o sangue de Jesus, o sacrifício do Calvário?”, provoca Otoni.

