PF faz operação contra suspeitos de desvio de cota parlamentar ligados a Sóstenes

Deputado não é alvo da ação, autorizada por Flávio Dino; PF cumpriu cinco mandados de busca e apreensão
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Pessoas ligadas a Sóstenes são alvo de operação da PF. Foto: Lula Marques/EBC

A Polícia Federal realizou nesta terça-feira (1º/7) uma operação contra pessoas ligadas ao deputado Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara, por suspeita de desvio de recursos da cota parlamentar. Veja mais em TVT News.

A ação cumpriu cinco mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, em Goiás e em Minas Gerais, e foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do STF. Sóstenes não foi alvo da operação.

A ação integra a terceira fase da Operação Rent a Car – a Galho Fraco II -, investigação da Polícia Federal que apura suspeitas de desvio de recursos públicos por meio de cotas parlamentares.

A operação de hoje da PF mirou nas pessoas que foram responsáveis pelos saques do dinheiro encontrado em imóvel do parlamentar em dezembro, bem como um advogado de Minas Gerais que apresentou uma explicação sobre a aquisição de um imóvel que Sóstenes teria vendido – e de onde teria vindo o montante em espécie.

Segundo a Polícia Federal, as investigações apontam indícios da existência de um possível esquema envolvendo agentes públicos, particulares e pessoas jurídicas que teriam sido utilizadas para dar aparência de legalidade à movimentação de recursos públicos.

De acordo com a corporação, a apuração busca esclarecer a participação de cada um dos envolvidos, bem como o fluxo dos valores supostamente desviados e os mecanismos utilizados para ocultar a origem e a destinação dos recursos.

Os investigadores também afirmam ter identificado indícios de tentativas de ocultação ou alteração de provas durante o curso da investigação. Na avaliação da PF, essas condutas podem caracterizar, em tese, o crime de fraude processual, hipótese que deverá ser analisada no decorrer das investigações e poderá ampliar o escopo da apuração conforme o avanço da coleta de provas.

Ação é desdobramento de busca em apartamento de Sóstenes em dezembro

Embora Sóstenes não seja alvo desta etapa, a apuração se deu em relação a pessoas de seu entorno. Na fase anterior, deflagrada em dezembro de 2025, agentes cumpriram mandados de busca em endereços ligados ao deputado. Durante a operação, a PF apreendeu mais de R$ 460 mil em dinheiro vivo, encontrado em um imóvel vinculado ao parlamentar, o que levou ao aprofundamento das investigações.

À época, Sóstenes negou qualquer irregularidade e afirmou ser alvo de perseguição por sua posição política. Segundo o deputado, os valores apreendidos eram provenientes da venda de um imóvel realizada dias antes da operação. A investigação segue sob relatoria do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal.

À época, a PF cumpriu sete mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no Distrito Federal e no estado do Rio de Janeiro.

Segundo agentes da força policial, os valores em espécie encontrados estavam dentro de um saco preto, em um armário no flat do deputado, na capital federal.

De acordo com as investigações, os deputados Sóstenes e Jordy atuaram de forma coordenada com servidores comissionados e particulares para o desviar e posterior ocultar dinheiro público. A verba era direcionada para empresas de fachada, entre elas, uma locadora de veículos.

A ação também foi um desdobramento da operação Rent a Car, deflagrada em dezembro de 2024.

Segundo monitoramento do site da transparência, os deputados do partido do ex-presidente preso Jair Bolsonaro somam o maior gasto em cota parlamentar.

Os gastos do líder da bancada do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante, era um dos cinco maiores entre os parlamentares do mesmo partido. Somente ele gastou cerca de R$ 71,6 mil em cota parlamentar.

A cota parlamentar é um recurso público disponibilizado para os deputados e senadores para cobrir as despesas ligadas ao exercício do mandato. A União desembolsa esse valor para cobrir passagens aéres, gasolina, aluguel de carro, hospedagens, alimentação, escritório parlamentar e contratação de consultoriais.

Trata-se de um recurso exclusivo para o trabalho e não pode ser utilizado com fins pessoais, também considerado um valor extra do salário.

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