Keiko Fujimori tem eleição confirmada no Peru

Após semanas de apuração, Fujimori (Força Popular) teve eleição confirmada pelo Júri Nacional Eleitoral do país nesta sexta-feira (3)
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Keiko Fujimori tem eleição confirmada no Peru. Foto: Congreso da República do Peru

Depois de semanas de apuração dos resultados nas eleições presidenciais no Peru, Keiko Fujimori (Força Popular) teve sua eleição confirmada pelo Júri Nacional Eleitoral do país nesta sexta-feira (3). Leia mais na TVT News.

O segundo turno das eleições locais ocorreu no dia 7 de junho.

O Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) concluiu a contagem dos votos na segunda-feira (29/6). A candidata da direita venceu com 50,135% dos votos contra 49,865% do adversário da esquerda, Roberto Sánchez (Juntos por el Peru).

A diferença final entre os candidatos foi de 49.641 votos.

A presidenta eleita recebeu as felicitações do presidente Lula pela vitória, em post na rede social X. O mandatário brasileiro disse:

“Parabenizo a presidenta-eleita Keiko Fujimori por sua vitória nas eleições presidenciais peruanas. Desejo-lhe pleno êxito na condução de seu mandato e na importante tarefa de agregar o povo peruano em torno de um projeto comum de desenvolvimento.

O Peru é um país irmão, com o qual o Brasil compartilha extensa fronteira e profundos laços humanos. Estamos prontos para avançar numa agenda bilateral ambiciosa, focada na ampliação do comércio e dos investimentos, na integração da infraestrutura logística e digital, na superação da fome e da pobreza, na proteção da Amazônia e no combate ao crime organizado transnacional.

Conte com o Brasil para construirmos juntos uma América do Sul mais próspera, integrada, democrática e soberana.”

País tenta encerrar ciclo de instabilidade

A eleição do Peru ocorreu em meio a uma longa crise institucional – nos últimos anos, o país se tornou um dos politicamente mais instáveis da América Latina.

Desde 2016, sucessivos presidentes foram alvo de processos de impeachment, renunciaram aos cargos ou acabaram presos. O resultado foi uma constante troca de governantes e o enfraquecimento das instituições políticas.

Especialistas apontam que a fragmentação partidária é um dos motores dessa instabilidade. O cientista político Steven Levitsky descreve o Peru como uma “democracia sem partidos”, caracterizada por legendas frágeis, sem estrutura nacional consolidada e frequentemente organizadas apenas para disputar eleições.

A própria disputa deste ano refletiu esse cenário. No primeiro turno, realizado em abril, nenhum candidato conseguiu atingir 20% dos votos válidos. Keiko Fujimori avançou para o segundo turno com cerca de 17%, enquanto Roberto Sánchez obteve aproximadamente 12%, evidenciando a fragmentação do sistema político peruano.

Reedição de disputas decididas por margens mínimas

Para Keiko Fujimori, a disputa atual também representou uma oportunidade de reverter derrotas anteriores decididas por diferenças muito pequenas.

Em 2021, ela perdeu a Presidência para Pedro Castillo por apenas 0,26 ponto percentual. Cinco anos antes, em 2016, foi derrotada por Pedro Pablo Kuczynski por uma diferença de 0,24 ponto percentual.

Quem é Keiko Fujimori

Filha de Alberto Fujimori, que governou o país de forma autoritária entre 1990 e 2000, Keiko Fujimori disputa a Presidência da República pela quarta vez.

Sua plataforma eleitoral concentrou-se majoritariamente no discurso de endurecimento contra a criminalidade urbana, temática que figura como a principal preocupação dos setores que compõem o eleitorado das grandes metrópoles, em especial na capital, Lima.

Ao avaliar o andamento da apuração das atas eleitorais, a candidata adotou um tom moderado e pediu paciência aos seus correligionários. “Até o momento, não há nenhum vencedor nesta disputa”, declarou em pronunciamento à imprensa em Lima.

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