Jamieson Greer, o chefe do Escritório do Representante Comercial da Casa Branca (USTR), comunicou a interlocutores do governo federal que já entregou ao presidente norteamericano Donald Trump a recomendação final para um novo tarifaço sobre as exportações do Brasil para os EUA. Leia mais em TVT News.
Greer também afirmou, entretanto, que a lista de exceções para as novas tarifas foi ampliada.
O USTR teve a quinta reunião com o governo brasileiro nesta terça (14), com a participação do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) do Brasil.
Durante a reunião, Greer deu as negociações por encerradas e reclamou da falta de empenho do Brasil, segundo apuração da CNN.
Os relatos ao canal também afirmam que os argumentos de Greer em prol das tarifas foram objeto de imediata contestação pelas autoridades presentes, como o ministro Márcio Elias Rosa (MDIC) e pelos embaixadores Mauricio Lyrio (um dos negociadores de primeira linha do Itamaraty) e Audo Faleiro (assessor internacional da Presidência da República).
Os negociadores do Brasil explicitaram a ausência de argumentos técnicos que dessem substância às investigações conduzidas pelo órgão dos Estados Unidos no bojo da Seção 301, que listam denúncias como suposto aumento do desmatamento no Brasil, afirmação objetivamente contraditas pela queda no desmatamento da Amazônia, por exemplo.
As autoridades brasileiras ressaltaram ainda que, ao sugerirem a redução das tarifas de importação sobre o etanol em contrapartida à ampliação do acesso do açúcar brasileiro ao mercado dos Estados Unidos, o USTR rejeitou a proposta de imediato.
De acordo com duas fontes ouvidas pela CNN, Jamieson Greer também disse que não haverá uma “lista dinâmica” de exceções às novas tarifas, o que foi entendido como uma sinalização de que, diferentemente do que ocorreu no tarifaço de 2025, a lista de produtos isentos não será gradualmente ampliada.
Greer disse ter tomado nota dos argumentos trazidos pelo setor privado e pelo governo do Brasil a respeito de um aumento no rol das exceções já no anúncio do tarifaço.
Na reunião mais recente, os representantes do governo destacaram o caráter complementar de grande parte do comércio bilateral, ressaltando que subsidiárias de empresas norte-americanas exportam componentes e peças produzidos no Brasil para suas matrizes nos Estados Unidos.
O argumento teria sido recebido de forma positiva pelo USTR, reforçando a expectativa do governo Lula de que um número maior de produtos industrializados fique de fora da cobrança das tarifas.
Atualmente, em valores, o tarifaço recai sobre 21% das exportações brasileiras para os EUA, e o Brasil tem otimismo em relação à redução desse impacto.
No encerramento da reunião virtual, Greer sinalizou interesse em manter aberto o canal de diálogo com o governo brasileiro. Antes do fim do encontro, ouviu das autoridades brasileiras a seguinte mensagem: “Nós estamos aqui”.
Audiência pública sobre tarifas ocorreu nos EUA no início do mês
O tarifaço de 25% proposto pelo governo dos Estados Unidos (EUA) sobre produtos brasileiros entrou em sua fase decisiva no dia 6 de julho, com o início das audiências públicas promovidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).
Enquanto representantes da indústria e do agronegócio defendem a suspensão da medida, o governo brasileiro decidiu enviar diplomatas à audiência apenas como observadores, mantendo sua aposta nas negociações diretas com Washington antes da decisão final.
Apesar da presença de diplomatas brasileiros, o governo optou por não se inscrever para fazer pronunciamentos durante a audiência sobre o tarifaço. A avaliação do Palácio do Planalto e do Itamaraty era de que o espaço não constituía foro adequado para negociações entre os dois governos, representando mais uma oportunidade para que empresas, entidades e demais interessados apresentassem seus argumentos técnicos sobre os impactos da medida.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores, a participação da embaixada possuía caráter exclusivamente observador, visando a acompanhar as manifestações sem alterar a estratégia diplomática brasileira, centrada nas negociações diretas.
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Integrantes do governo afirmaram que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acompanha pessoalmente as tratativas e orientou a equipe econômica e diplomática a manter o esforço por uma solução negociada antes do prazo final estabelecido pelo governo norte-americano.
Enquanto as audiências ocorriam em Washington, representantes dos governos brasileiro e norte-americano se preparavam para nova rodada de negociações técnicas e políticas sobre a proposta de tarifaço.
Na semana anterior, o secretário-executivo do MDIC Márcio Elias Rosa havia se reunido com Jamieson Greer, e entregado uma proposta de encaminhamento sobre os seis pontos questionados pelos norte-americanos na investigação comercial.
Entre os temas levantados pelo USTR estão alegações envolvendo propriedade intelectual, acordos comerciais firmados pelo Brasil, tarifas de importação, acesso ao mercado de etanol, desmatamento e políticas relacionadas ao comércio digital e aos meios eletrônicos de pagamento, incluindo críticas ao Pix.
O governo brasileiro sustentou que boa parte dessas acusações não possui relação direta com comércio internacional ou está baseada em interpretações equivocadas das normas brasileiras e das regras da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Na resposta formal encaminhada ao governo dos Estados Unidos na última semana, o chanceler Mauro Vieira também afirmou que questionamentos envolvendo decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e o funcionamento do Pix dizem respeito à política interna brasileira, não podendo fundamentar sanções comerciais.
Nos bastidores, integrantes do governo avaliavam que a recomendação do USTR de impor um novo tarifaço a produtos brasileiros possuía forte componente político. A percepção era reforçada pelo fato de que os argumentos apresentados nos documentos que deram origem à investigação, em 2025, e aqueles que recomendaram a aplicação das tarifas, divulgados neste ano, eram praticamente os mesmos, apesar das negociações realizadas ao longo dos últimos meses.

