Estudo revela o que os brasileiros assistem no cinema e no streaming

Filmes nacionais saltaram de 3,0% para 10,5% da bilheteria em 2024, mas perderam espaço nos rankings de streaming
estudo-revela-o-que-os-brasileiros-assistem-no-cinema-e-no-streaming-brasileiros-voltaram-ao-cinema-para-ver-filmes-nacionais-foto-marcelo-camargo-agencia-brasil-tvt-news
Brasileiros voltaram ao cinema para ver filmes nacionais. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Quais os gêneros mais vistos pelos brasileiros? As produções nacionais estão ganhando ou perdendo espaço no streaming? Quem ocupa o centro das histórias que chegam ao público? As respostas a estas e muitas outras perguntas estão em O que o Brasil assiste: análise Tomun do mercado audiovisual 2023-2024, publicação da Tomun, empresa de inteligência de dados para o audiovisual, que será lançada no fim de julho. Saiba mais na TVT News.

Ao longo de dois anos, o estudo acompanhou o que chega às telas e o que o público de fato escolhe assistir, tanto nos cinemas quanto no streaming. Um dos aspectos inéditos da pesquisa é aprofundar essa análise sob a perspectiva do gênero cinematográfico, recorte não contemplado nas estatísticas do setor, além de trazer indicadores de diversidade de quem protagoniza as obras brasileiras, e um levantamento inédito sobre acessibilidade no consumo audiovisual.

>> Siga o grupo da TVT News no WhatsApp

O retrato mais surpreendente do estudo está no streaming. Como as plataformas não divulgam dados de audiência, a pesquisa monitorou por dois anos os rankings Top 10 dos principais serviços do país. Embora os rankings não permitam medir diretamente a audiência das plataformas, sua análise oferece um indicador relevante do desempenho dos títulos ao longo do tempo. Nesse período, os filmes brasileiros perderam quase metade da presença nos rankings e a participação nacional nos catálogos também recuou. As séries brasileiras, por outro lado, mantiveram desempenho consistente, sustentadas por novelas, minisséries, produções policiais e realities. Nos filmes, o destaque nacional foi o subgênero true crime.

Nas salas de cinema, o movimento foi o oposto: os brasileiros voltaram ao cinema para ver filmes nacionais. Foram 11 milhões de ingressos a mais vendidos em 2024, em comparação com 2023. Deste total, nove em cada dez foram comprados para assistir a produções brasileiras. Com isso, a participação do filme nacional na bilheteria saltou de 3,0% para 10,5%.

A animação dominou as salas em 2024, com quatro em cada dez ingressos vendidos. Entre os filmes nacionais, a biografia foi o gênero mais visto em 2023; já em 2024, a comédia assumiu a ponta. No drama, o gênero de ficção com mais títulos em cartaz, pouco mais de um em cada dez supera a marca de 10 mil ingressos. Já o terror vive o oposto: é um dos gêneros com maior proporção de filmes que encontram público. O Brasil produziu 13 títulos do gênero no período.

A publicação também investiga quem ocupa o centro das histórias brasileiras, analisando aspectos como raça e gênero dos protagonistas das séries e filmes nacionais. No recorte racial, o quadro ficou estável: protagonistas negros estão em cerca de três em cada dez filmes nos dois anos, tanto nos cinemas quanto no streaming. No eixo de acessibilidade, uma pesquisa realizada com usuários desses recursos mostrou que mais de dois terços já deixaram de assistir a um filme ou série por falta deles.

Para a análise, a Tomun desenvolveu métricas e classificações próprias e realizou levantamentos primários, como o monitoramento do streaming e a pesquisa com usuários de recursos de acessibilidade. O material forma uma base de consulta aberta a pesquisadores, estudantes, gestores públicos, produtores e empresas do setor.

“O audiovisual brasileiro precisa de dados consistentes para entender suas transformações e planejar o futuro. Reunimos informações que não existiam e as organizamos em bases acessíveis, com a ambição de qualificar debates, apoiar decisões de mercado ou a formulação de políticas públicas”, afirma Aline Zambrini, sócia e diretora executiva da Tomun.

Fernando Cabral, fundador e analista da Tomun, explica a escolha do gênero cinematográfico como eixo do estudo: “Todo mundo pensa em gênero. O roteirista ao escrever, o produtor, o distribuidor, o exibidor e até o público ao escolher o filme. Nosso levantamento organiza os dados de consumo do jeito que o mercado já pensa. Parece óbvio, mas as estatísticas do setor não trazem esse recorte”.

A publicação completa será disponibilizada gratuitamente no fim de julho no site da Tomun. Para recebê-la no lançamento, basta escrever para [email protected].

Metodologia

O estudo combina bases públicas com levantamentos, classificações e métricas originais da Tomun. Para o cinema, utiliza os dados de bilheteria da Ancine e do Observatório Brasileiro do Cinema e do Audiovisual (OCA), cruzados com a classificação de gênero cinematográfico de cada título, desenvolvida pela equipe. No streaming, a análise adota o conceito de “visibilidade”: a presença de títulos nos rankings Top 10 das principais plataformas em operação no Brasil – Netflix, Amazon Prime Video, Globoplay, Apple TV+, Max e Paramount+, considerando a posição ocupada e o tempo de permanência nas listas. O eixo de acessibilidade se baseia em pesquisa realizada com usuários de recursos de acessibilidade.

A publicação “O que o Brasil assiste: análise Tomun do mercado audiovisual 2023-2024” integra projeto contemplado no Edital LPG nº 14/2023 – Apoio às Pequenas e Microempresas Audiovisuais, da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo, realizado com recursos da Lei Paulo Gustavo.

Você também pode se interessar:

Assuntos Relacionados