Nesta quarta-feira (22), o presidente Lula continua com agenda de reuniões voltadas aos setores produtivos que são afetados pelo novo tarifaço imposto pelo governo dos Estados Unidos ao Brasil. Leia em TVT News.
O presidente recebe para conversa hoje às 14h40 o CEO e Diretor Executivo da Stellantis, Antonio Filosa, conglomerado automotivo que engloba marcas como Fiat, Peugeot e Citroën.
Também participam do encontro o vice-presidente Geraldo Alckmin, a ministra da Casa Civil Miriam Belchior, o ministro da Fazenda Dario Durigan e o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa.
O presidente também deve sancionar o Projeto de Lei de Conversão nº 7, que determina a destinação de recursos a linhas de crédito do Programa Brasil Soberano.
O programa foi lançado em agosto de 2025 como um pacote de medidas econômicas para enfrentar os impactos do aumento unilateral, em até 50%, das tarifas de importação sobre produtos brasileiros anunciado pelo governo dos Estados Unidos no fim de julho do ano passado, e deverá agora ser ampliado.
No último dia 17, o governo federal anunciou que lançaria um programa de apoio às empresas brasileiras atingidas pela tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre parte das exportações nacionais.
A iniciativa foi confirmada pela equipe econômica após a oficialização do tarifaço imposto pelo governo de Donald Trump e integra a estratégia do Palácio do Planalto para reduzir os impactos sobre a produção, os empregos e a atividade econômica.
Apesar da elevação da tensão comercial entre os dois países, integrantes da equipe econômica afirmam que o Brasil continuará buscando uma solução negociada para o impasse.
Negociações seguem após confirmação do tarifaço
O novo tarifaço entra em vigor hoje, mas o governo brasileiro mantém contatos diplomáticos com Washington. Segundo Márcio Elias Rosa, o Brasil continuará defendendo o multilateralismo e buscará preservar os canais de diálogo.
Paralelamente, a estratégia de ampliar mercados consumidores para os produtos brasileiros continuará sendo desenvolvida. Dados apresentados pelo Ministério do Desenvolvimento mostram que a participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras caiu de 12,4% para 9,4% desde o primeiro pacote tarifário anunciado pelo governo Trump, movimento atribuído ao avanço das vendas para outros destinos internacionais.
O anúncio das tarifas provocou ainda um novo capítulo de atritos entre autoridades brasileiras e norte-americanas.
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não negociou de boa-fé com Washington e responsabilizou a política econômica brasileira pelo fracasso das negociações.
A resposta veio do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, que classificou as declarações como “grosseiras”, “arrogantes”, “ofensivas” e “inaceitáveis”. Segundo o chanceler, desde o início das tratativas o governo brasileiro demonstrou disposição para negociar todos os temas apresentados pelos Estados Unidos.
Vieira também afirmou que o Brasil rejeitou propostas consideradas desproporcionais, entre elas demandas por abertura ampla de setores da economia brasileira sem contrapartidas para os produtos nacionais.
Além da disputa diplomática, o comunicado divulgado pelo governo brasileiro atribuiu parte do cenário à atuação de integrantes da família Bolsonaro, mencionando a existência de uma articulação política favorável às medidas anunciadas pelos Estados Unidos. A nota afirma que a defesa da soberania nacional deve estar acima de disputas partidárias.
Lei de Reciprocidade não deve ser acionada ainda contra o tarifaço
O presidente Lula chegou a afirmar em um post nas redes sociais que o Brasil iniciaria os trâmites para acionar a Lei da Reciprocidade em relação aos Estados Unidos após a confirmação do novo tarifaço.
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, no entanto, descartou uma resposta baseada em retaliações imediatas aos Estados Unidos.
Após uma série de reuniões com representantes dos setores produtivos mais atingidos pela sobretaxa de 25%, Alckmin reforçou que a Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso Nacional, não deve ser interpretada como um instrumento de vingança comercial, mas como um mecanismo de defesa dos interesses nacionais.
“A ideia não é retaliação. Não é retaliação. Dizem que olho por olho, o que pode acontecer é os dois ficarem cegos”, afirmou o vice-presidente.
Segundo Alckmin, o governo brasileiro considera a decisão dos Estados Unidos injustificada, mas entende que a prioridade deve ser preservar os canais diplomáticos para buscar uma solução negociada.
“Do que depender do Brasil, negociação sempre para buscar resolver essas questões”, declarou.
A Lei da Reciprocidade (Lei nº 15.122/2025) foi aprovada no Congresso em abril de 2025, após o primeiro tarifaço de 50% sobre produtos de exportação brasileiros, e sancionada por Lula três meses depois, em julho.
Ela autoriza a adoção de sanções em casos em país ou bloco econômico adote medidas políticas ou práticas que interfiram nas escolhas soberanas do país por meio de medidas unilaterais comerciais, financeiras ou de investimentos, violem acordos comerciais, entre outras práticas.
Entre as medidas permitidas e regulamentadas pelo instrumento a título de reciprocidade estão restrição às importações de bens e serviços, suspensão de concessões comerciais, investimento e obrigações relativas a direitos de propriedade intelectual e suspensão de outras obrigações precistas em qualquer acordo comercial do país.

