Pesquisa Datafolha divulgada nesta segunda-feira (27) mostra que 52% dos entrevistados acreditam que o tarifaço adotado pelo governo norte-americano de Donald Trump tem como objetivo fortalecer a candidatura do parlamentar Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. Leia em TVT News.
O levantamento foi realizado nos dias 22 e 23 de julho com 2.004 pessoas com mais de 16 anos em todas as regiões do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o estudo está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o código BR-01166/2026.
Segundo os dados do Datafolha, 37% dos entrevistados afirmam que as medidas comerciais adotadas pelos Estados Unidos não têm relação com uma tentativa de beneficiar Flávio Bolsonaro. Outros 11% disseram não saber responder.
Datafolha investigou a relação entre Trump e Bolsonaro influencia percepção dos eleitores
A pesquisa Datafolha também revela diferenças expressivas conforme a preferência eleitoral dos entrevistados. Entre os eleitores que declaram voto em Flávio Bolsonaro, 29% afirmam acreditar que Trump pretende favorecer o senador por meio das tarifas comerciais.
Já entre os entrevistados que dizem votar no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), esse percentual sobe para 73%, indicando que a avaliação sobre as intenções do governo norte-americano está fortemente relacionada ao posicionamento político dos eleitores.
O levantamento mostra ainda que a maior parte da população já acompanha o tema. Ao todo, 63% dos entrevistados afirmaram conhecer o tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil. Desse grupo, 25% disseram estar bem informados sobre o assunto, enquanto 34% classificaram seu nível de conhecimento como razoável.
Tarifaço de Donald Trump a produtos brasileiros

A crise comercial ganhou força após o governo de Donald Trump anunciar, em julho, uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros em razão de uma investigação comercial conduzida pelos Estados Unidos. Dias depois, Washington acrescentou uma nova sobretaxa de 12,5%, desta vez relacionada a alegações de abusos trabalhistas.
Durante a primeira fase da crise comercial entre os dois países, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), irmão de Flávio, atuou nos Estados Unidos em defesa da aproximação com o governo norte-americano. A relação da família Bolsonaro com Trump passou a ser apontada como um dos elementos centrais do debate político sobre as medidas adotadas pela Casa Branca.
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Trump já havia utilizado anteriormente a situação política da família Bolsonaro como argumento para justificar sanções comerciais contra o Brasil. Em outra etapa da crise, o presidente norte-americano chegou a mencionar o processo envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro ao anunciar sobretaxas sobre produtos brasileiros, além de determinar punições contra integrantes do governo federal e do Supremo Tribunal Federal.
Responsabilidade pelo tarifaço divide opiniões, mas maioria associa objetivo político à medida
Além de investigar a percepção sobre as motivações da tarifa imposta pelos Estados Unidos, o Datafolha também mediu como os brasileiros distribuem a responsabilidade pela crise comercial entre os dois países. O levantamento revela um cenário fragmentado, em que diferentes atores políticos são apontados como responsáveis pelo agravamento das tensões.
Quando questionados sobre quem tem razão no debate em torno da origem do conflito, 34% dos entrevistados concordaram com a avaliação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que atribui responsabilidade ao senador Flávio Bolsonaro. Outros 26% afirmaram que o parlamentar está correto ao responsabilizar o governo federal pela situação. Há ainda 24% que consideram que nenhum dos dois lados apresenta uma explicação satisfatória, enquanto 11% entendem que ambos têm parte da razão. Outros 6% não souberam responder.
Já sobre quem seria o principal responsável pela punição comercial anunciada por Washington, o presidente Lula foi citado por 35% dos entrevistados. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aparece em seguida, com 28%. Os irmãos Flávio e Eduardo Bolsonaro somam 23% das respostas, sendo 13% para Flávio e 10% para Eduardo. Outros 10% disseram não saber apontar um responsável.
Negociação é apontada como melhor caminho para superar a crise
Outro aspecto investigado pelo Datafolha foi a forma como os brasileiros avaliam a reação do governo brasileiro diante das tarifas impostas pelos Estados Unidos. Nesse ponto, Datafolha aponta ampla preferência pela busca de uma solução negociada.
Segundo o levantamento, 74% dos entrevistados defendem que o Brasil priorize negociações diplomáticas para tentar reverter ou minimizar os impactos das medidas adotadas por Washington. Apenas 17% acreditam que o governo brasileiro deveria responder com retaliações equivalentes aos produtos norte-americanos, enquanto somente 2% consideram que o país deveria aceitar as tarifas sem qualquer reação.
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O resultado reforça uma percepção de que, apesar das divergências sobre as causas da crise, a maioria da população prefere preservar o diálogo entre os dois países e evitar uma escalada das tensões comerciais.
A pesquisa Datafolha também perguntou como os brasileiros avaliam a atuação do presidente Lula diante do episódio. Para 51% dos entrevistados, o governo fez menos do que poderia para evitar o tarifaço. Outros 29% consideram que a condução foi adequada, enquanto 12% avaliam que o presidente foi além do necessário em suas ações. O restante não soube responder.

