O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu nesta segunda-feira (27), em Brasília, o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, em visita oficial marcada pelo fortalecimento da parceria estratégica entre os dois países. O encontro ocorre em um momento em que o governo brasileiro busca ampliar mercados internacionais diante do aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e reforça a estratégia de diversificação das relações comerciais. Leia em TVT News.
Durante declaração à imprensa após a reunião, Lula destacou a importância da visita, lembrou a recepção que recebeu em Seul, em fevereiro deste ano, e afirmou que a relação bilateral entra em uma nova etapa.
“Em Seul, Coreia e Brasil se tornaram parceiros estratégicos. Hoje, estamos construindo uma parceria mais ambiciosa e preparada para responder aos desafios de um mundo em rápida transformação”, afirmou o presidente.
A visita acontece cerca de cinco meses após a viagem de Estado realizada por Lula à Coreia do Sul. Segundo o governo brasileiro, o objetivo é ampliar a cooperação em áreas como comércio, inovação, tecnologia, defesa, educação e investimentos.
Logo no início do pronunciamento, Lula fez questão de agradecer a recepção recebida durante sua passagem pela Coreia.
“Eu quero começar essa declaração à imprensa dizendo a vocês a alegria pessoal que eu estou com a vinda do presidente Lee e da primeira-dama ao Brasil. O tratamento que eles deram à nossa delegação brasileira em fevereiro deste ano foi uma cortesia e um tratamento tão extraordinários que eu espero poder aqui, se não devolver 100% da gentileza e do carinho, dar pelo menos uns 90% do tratamento que nós recebemos lá.”
O presidente também ressaltou que fazia 11 anos que o Brasil não recebia uma visita de Estado de um chefe de governo sul-coreano e destacou o papel da comunidade coreana instalada no país, especialmente em São Paulo, onde vivem mais de 50 mil pessoas de origem coreana.
Ásia ganha espaço na estratégia comercial brasileira


Foto: Ricardo Stuckert
Ao abordar a política externa brasileira, Lula afirmou que a aproximação com países asiáticos passou a ser prioridade desde o início de seu atual mandato. Segundo ele, a região ocupa posição central na economia mundial e representa oportunidades para ampliar mercados para produtos brasileiros.
“Nos últimos três anos e meio, o Brasil retomou sua presença na Ásia, centro dinâmico da economia mundial.”
O presidente lembrou que visitou China, Índia, Indonésia, Japão, Malásia, Vietnã e Coreia do Sul, além de destacar que o Brasil restabeleceu canais de diálogo de alto nível com economias asiáticas.
“Abrimos mercados para produtos brasileiros, ampliamos a cooperação em tecnologia, energia e indústria e participamos, pela primeira vez em nível presidencial, de uma Cúpula da ASEAN.”
Para Lula, fortalecer relações com a Ásia significa ampliar a inserção brasileira em uma região que concentra parte expressiva da inovação tecnológica e do crescimento econômico global.
A Coreia do Sul, segundo o presidente, ocupa posição estratégica nesse cenário por reunir forte capacidade industrial, investimentos em pesquisa e desenvolvimento tecnológico e avanços em educação.
“Poucos países transformaram sua realidade com tanta rapidez e consistência. Em algumas décadas, o investimento em educação, inovação e capacidade industrial fizeram da Coreia uma referência mundial.”
Além da cooperação econômica, Lula destacou a aproximação cultural entre os dois países, mencionando o crescimento do interesse dos brasileiros pela cultura coreana, impulsionado pela música, pelo cinema, pela gastronomia e pelas produções audiovisuais conhecidas como doramas.
“Os jovens brasileiros são apaixonados pela Coreia. Cresce, ano a ano, o número de estudantes de coreano em universidades, centros culturais e Institutos King Sejong no Brasil.”
O presidente também citou o reconhecimento concedido pela Unesco ao Teatro Amazonas, em Manaus, e ao Theatro da Paz, em Belém, classificados como Patrimônio Mundial Cultural durante reunião realizada na cidade sul-coreana de Busan. Segundo Lula, a decisão representa um reconhecimento internacional da riqueza cultural da Amazônia brasileira.
A agenda oficial também prevê compromissos culturais da primeira-dama Janja Lula da Silva ao lado da primeira-dama Kim Hye-kyung em São Paulo, incluindo participação em atividades ligadas à Mostra de Cinema Coreano no Brasil.
Leia também:
>> Datafolha: 52% acreditam que Trump quer favorecer Flávio Bolsonaro com tarifaço

