O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) inicia oficialmente neste domingo (16) sua campanha pela reeleição à Presidência da República. O primeiro grande ato popular da disputa de 2026 será realizado a partir das 9h, no Estádio Municipal 1º de Maio, em São Bernardo do Campo (SP), espaço histórico conhecido como Vila Euclides. Saiba mais na TVT News.
A escolha do local carrega forte significado político e histórico. Foi naquele gramado, no fim da década de 1970 e início dos anos 1980, que Lula ganhou projeção nacional como uma das principais lideranças do movimento sindical brasileiro. As grandes assembleias dos metalúrgicos do ABC durante a ditadura militar transformaram o estádio em símbolo da organização dos trabalhadores, da resistência ao regime e da luta pela redemocratização.
Mais de quatro décadas depois, Lula retorna ao mesmo espaço para dar início a uma nova caminhada eleitoral. A mobilização do Partido dos Trabalhadores foi batizada de “Lula: onde tudo começou” e pretende reunir trabalhadores, militantes, famílias e apoiadores de diferentes gerações no estádio que marcou a origem política do atual presidente.
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O ato ocorre após a oficialização da chapa Lula-Alckmin, formada pelo presidente e pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, e apoiada por sete partidos: PT, PCdoB, PV, PSB, PDT, PSOL e Rede.
Na Convenção Nacional do PT, realizada em 2 de agosto, Lula já havia convocado a militância para o encontro deste domingo. “Dia 16 é o grande dia. Lá vocês vão ver o começo da grande vitória”, afirmou o presidente.
Vila Euclides: de campo de futebol a símbolo da democracia
Antes de se tornar um dos locais mais emblemáticos da história política brasileira, a Vila Euclides era um campo de futebol construído pela Fiação e Tecelagem Elni para a recreação dos funcionários. Depois do fechamento da fábrica, o terreno passou para a Prefeitura de São Bernardo do Campo e foi transformado em estádio municipal.
A inauguração oficial ocorreu em 1968, durante a ditadura militar, com o nome de Arthur da Costa e Silva, general que ocupava a Presidência da República naquele período. A denominação, entretanto, não se consolidou entre os moradores, que continuaram chamando o espaço de Vila Euclides, referência ao bairro onde está localizado.
No fim dos anos 1970, o estádio ganhou outro significado. Em meio à inflação, à deterioração dos salários e à repressão política, o local passou a receber grandes assembleias dos metalúrgicos do ABC.
Em março de 1979, uma greve mobilizou cerca de 200 mil trabalhadores de São Bernardo do Campo, Diadema, Santo André e São Caetano do Sul. A paralisação atingiu grandes montadoras instaladas na região e colocou o ABC no centro do debate político nacional.
A sede do Sindicato dos Metalúrgicos já não comportava o tamanho das assembleias. Por isso, os trabalhadores passaram a ocupar a Vila Euclides. Em uma das primeiras grandes reuniões, aproximadamente 60 mil pessoas tomaram o gramado e as arquibancadas.
Sem um palanque estruturado e sem sistema de som, Lula discursava de cima de uma mesa de escritório, utilizando um megafone. As palavras eram repetidas pelos trabalhadores que estavam mais próximos até alcançarem as pessoas espalhadas pelo estádio.
O cenário se repetiria em outras assembleias. Em uma delas, cerca de 80 mil metalúrgicos, acompanhados em muitos casos por familiares, decidiram pela continuidade da paralisação. No 1º de Maio daquele ano, aproximadamente 150 mil pessoas participaram de um grande ato no estádio.
Ao longo das greves de 1979 e 1980, pelo menos 18 grandes assembleias foram realizadas na Vila Euclides. As imagens de milhares de trabalhadores ocupando o gramado e as arquibancadas ultrapassaram as fronteiras do ABC e se tornaram registros da mobilização popular contra a ditadura.
A greve que projetou Lula nacionalmente
A mobilização dos metalúrgicos enfrentou forte repressão do regime militar. A Justiça do Trabalho declarou a greve ilegal e forças policiais ocuparam as ruas da região.
Em março de 1979, o governo interveio nos sindicatos dos metalúrgicos do ABC, afastando Lula e outros dirigentes. Mesmo fora da direção sindical, os trabalhadores continuaram organizados e realizaram novas mobilizações.
O movimento contribuiu para fortalecer o chamado novo sindicalismo e para ampliar a participação política dos trabalhadores. A experiência acumulada nas greves do ABC também esteve entre os processos que levaram à fundação do Partido dos Trabalhadores, em 1980.
Lula, então presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema, tornou-se uma liderança nacional. A partir dali, sua trajetória política se expandiria do movimento sindical para as disputas eleitorais e, posteriormente, para a Presidência da República.
Depois das greves, o estádio passou a se chamar oficialmente Estádio 1º de Maio, em referência ao Dia do Trabalhador e à história de mobilização operária construída naquele espaço.
“O Brasil pronto para mais”

O retorno de Lula à Vila Euclides também marca a apresentação pública de uma nova etapa da comunicação da campanha. O slogan escolhido para a disputa presidencial de 2026 é “O Brasil pronto para mais”.
A mensagem procura associar a candidatura à continuidade das políticas desenvolvidas durante o atual governo e à perspectiva de novos avanços econômicos e sociais. A estratégia de comunicação também busca apresentar a chapa como uma alternativa de continuidade e expansão das conquistas reivindicadas pela campanha.
A identidade visual de Lula e Alckmin incorpora, além do vermelho tradicionalmente associado ao PT, as cores verde, amarelo e azul da bandeira brasileira. A escolha amplia o uso de símbolos nacionais na comunicação eleitoral da chapa.
O slogan também dá nome à coligação formada para a disputa presidencial. A aliança reúne a Federação PT-PCdoB-PV, além de PSB, PDT e a Federação PSOL-Rede.
A chapa Lula-Alckmin já foi apresentada à Justiça Eleitoral, incluindo as fotografias oficiais que serão utilizadas nas urnas eletrônicas. O primeiro turno das eleições de 2026 está marcado para 4 de outubro. Caso seja necessário, o segundo turno ocorrerá em 25 de outubro.

Um reencontro entre passado e futuro
A campanha “Lula: onde tudo começou” aposta justamente na ligação entre a trajetória política do presidente e a história do movimento dos trabalhadores. A mobilização procura reunir gerações diferentes em um espaço que, décadas atrás, foi ocupado por milhares de metalúrgicos em defesa de melhores salários, direitos e liberdade.
Para quem acompanhou as greves do ABC, o ato representa o reencontro com um dos capítulos mais importantes da trajetória de Lula. Para as gerações mais jovens, a atividade também pretende recuperar a memória de um período em que a organização dos trabalhadores contribuiu para enfraquecer a ditadura e fortalecer o processo de redemocratização.
A escolha da Vila Euclides, portanto, transforma o lançamento da campanha em uma atividade carregada de simbolismo. O mesmo gramado que recebeu grandes assembleias de trabalhadores será novamente ocupado por uma mobilização política, agora no início da disputa presidencial de 2026.
A campanha de Lula começa, assim, retomando um dos principais marcos de sua trajetória: o movimento sindical do ABC. Mais de 40 anos depois das greves que ajudaram a projetar o então líder metalúrgico para o cenário nacional, o presidente volta à Vila Euclides para iniciar a busca por um novo mandato.
Serviço
Lançamento da campanha Lula 2026
Data: domingo, 16 de agosto
Horário: a partir das 9h
Local: Estádio Municipal 1º de Maio, Vila Euclides, São Bernardo do Campo (SP)
Chapa: Lula e Geraldo Alckmin
Slogan: “O Brasil pronto para mais”
