Exército reduz em mais de 50% presença de militares na eleições

Exército terá 50 militares candidatos em 2026, uma redução de 53% em relação a 2022; apenas cinco integrantes da ativa disputarão cargos eletivos
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Redução reflete o esforço da cúpula militar para diminuir a politização das Forças Armadas. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O Exército Brasileiro terá, em 2026, o menor número de militares concorrendo a cargos eletivos desde as eleições de 2018. Segundo levantamento da própria Força obtido pela colunista Bela Megale, do jornal O Globo, serão 50 integrantes do Exército na disputa deste ano. Desses, apenas cinco estão na ativa; os demais são militares da reserva. Saiba mais na TVT News.

O número representa uma queda de mais de 53% em relação às eleições de 2022, quando 107 integrantes do Exército disputaram cargos políticos. A redução também é significativa na comparação com 2018, ano em que 115 militares da Força concorreram a eleições. Naquele pleito, o então capitão reformado Jair Bolsonaro foi eleito presidente da República.

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Os dados foram levantados pelo Exército após o encerramento do prazo para registro das candidaturas, em 15 de agosto, e encaminhados ao Ministério da Defesa. Segundo a coluna, integrantes da pasta avaliam que a redução reflete o esforço da cúpula militar para diminuir a politização das Forças Armadas.

Despolitização das Forças Armadas

A tentativa de afastar a atividade política da rotina dos quartéis é uma das prioridades anunciadas pelo ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, desde sua indicação pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para comandar a pasta.

A preocupação ganhou força após os anos de forte presença de militares no governo federal durante a gestão de Jair Bolsonaro. Além de Bolsonaro, centenas de integrantes das Forças Armadas ocuparam cargos na administração federal, enquanto militares da ativa e da reserva passaram a disputar eleições em número elevado.

O comandante do Exército, general Tomás Paiva, também colocou a despolitização da instituição entre suas prioridades. Poucos meses depois de assumir o comando da Força, ele afirmou que pretendia “afastar a política do Exército”.

A posição representa uma mudança em relação ao cenário observado nos últimos ciclos eleitorais, quando a presença de militares na política brasileira cresceu de maneira expressiva.

Queda nas candidaturas de militares

Os números de 2026 mostram uma trajetória de redução. Em 2018, 115 integrantes do Exército concorreram a cargos eletivos. Quatro anos depois, em 2022, foram 107. Agora, o contingente caiu para 50 candidatos.

A redução não significa, necessariamente, o desaparecimento da participação de militares na política. O levantamento considera apenas integrantes do Exército e não inclui candidatos oriundos da Marinha e da Aeronáutica.

Também é necessário distinguir militares da ativa daqueles que já passaram para a reserva. A legislação eleitoral brasileira estabelece regras específicas para integrantes das Forças Armadas que pretendem concorrer a cargos eletivos, justamente por causa da necessidade de preservar a neutralidade das instituições militares.

Em 2026, apenas cinco militares da ativa do Exército estarão entre os candidatos. A ampla maioria dos concorrentes já está na reserva.

Governo Lula tentou impedir candidaturas de militares da ativa

Durante o atual governo, chegou a ser discutida uma proposta para impedir que militares da ativa disputassem eleições. A medida faria parte de uma agenda mais ampla de reorganização das relações entre Forças Armadas, instituições de Estado e política partidária.

A proposta, porém, não avançou no Congresso Nacional.

O debate ganhou relevância depois da participação expressiva de militares na política durante o governo Bolsonaro. A discussão envolve o equilíbrio entre o direito individual de participação política e a necessidade de preservar a hierarquia, a disciplina e a neutralidade das Forças Armadas.

A redução registrada pelo Exército ocorre, portanto, sem que tenha sido aprovada uma proibição geral para candidaturas de militares da ativa.

Eleições de 2026

O levantamento do Exército foi concluído após o encerramento do período de registro de candidaturas para as eleições de 2026. O resultado indica uma mudança importante no perfil da participação política dos integrantes da Força.

A quantidade de candidatos é menos da metade da registrada em 2022 e representa uma queda ainda maior em relação a 2018. O cenário também ocorre em meio ao esforço da atual cúpula militar para reforçar a separação entre a atividade profissional das Forças Armadas e a disputa político-partidária.

A redução das candidaturas de integrantes do Exército, contudo, não encerra o debate sobre a presença de militares na política brasileira. A participação das Forças Armadas na vida pública continua sendo tema central para a democracia, especialmente após o aumento da presença de militares em cargos políticos e no governo federal nos últimos anos.

Para o Ministério da Defesa, a diminuição registrada em 2026 pode ser interpretada como resultado do esforço institucional de afastar a política dos quartéis. A tendência, porém, deverá ser acompanhada ao longo do processo eleitoral para avaliar se a redução se mantém também nos próximos pleitos.

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