Lula lidera nas redes sociais na largada da campanha

Levantamento da Palver mostra presidente à frente de Flávio Bolsonaro em menções no WhatsApp, Instagram e X no primeiro fim de semana da campanha eleitoral
Lula tem o “melhor primeiro dia” de campanha, segundo levantamento. Foto: Ricardo Stuckert/PR

A largada oficial da campanha eleitoral de 2026 teve o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente na disputa por atenção nas redes sociais. Levantamento da Palver, divulgado nesta segunda-feira (17), mostra que o petista concentrou mais menções do que Flávio Bolsonaro (PL) nos grupos públicos de WhatsApp, no Instagram e no X entre sábado (15) e a noite de domingo (16). Saiba mais na TVT News.

Lula reuniu 63% das menções a candidatos à Presidência nos grupos públicos de WhatsApp, 57% no Instagram e 41% no X. Flávio Bolsonaro apareceu em segundo lugar, com percentuais entre 28% e 30% nas três plataformas monitoradas.

A pesquisa acompanhou a repercussão dos primeiros atos de campanha dos dois candidatos que aparecem entre os principais nomes da disputa. Lula escolheu São Bernardo do Campo, no ABC paulista, para iniciar oficialmente a campanha, em uma atividade no estádio da Vila Euclides, local associado às greves dos metalúrgicos que marcaram sua trajetória política. Flávio Bolsonaro realizou seu ato em Copacabana, no Rio de Janeiro.

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Lula também lidera avaliação sobre o primeiro dia

Além do volume de citações, a Palver analisou as conversas sobre qual candidato teria realizado o “melhor primeiro dia” de campanha. Nesse recorte, Lula também ficou à frente de Flávio Bolsonaro nas três redes.

O presidente apareceu em 67% das mensagens sobre o tema nos grupos públicos de WhatsApp, em 64% no Instagram e em 47% no X. Flávio Bolsonaro ficou entre 31% e 40%.

A mobilização no ABC paulista contribuiu para ampliar a presença digital de Lula durante a manhã de domingo. Segundo o levantamento, o petista chegou a concentrar 82% da conversa sobre os presidenciáveis no WhatsApp naquele período.

A circulação de imagens do ato na Vila Euclides, além de vídeos e peças de campanha, ajudou a impulsionar a repercussão. A escolha do local também reforçou a narrativa de retorno às origens políticas do presidente, que ganhou projeção nacional durante as greves dos metalúrgicos do ABC no fim dos anos 1970.

Flávio Bolsonaro ganhou espaço durante a tarde, quando as imagens do ato em Copacabana passaram a circular com maior intensidade. Em determinados momentos, o senador ultrapassou 40% das menções no WhatsApp.

Apesar da reação, o desempenho de Flávio não foi suficiente para superar Lula no acumulado do período monitorado.

Volume de menções não significa apoio

O levantamento mostra, porém, que liderança em volume de citações não corresponde necessariamente a maior aprovação. Quando a análise considera apenas mensagens que manifestam apoio ou rejeição aos candidatos, os resultados são diferentes entre as plataformas.

No X, Renan Santos apresentou a maior proporção de mensagens favoráveis, com 62% de apoio. Flávio Bolsonaro ficou logo atrás, com 61%. Lula teve 47% de manifestações positivas e 53% negativas.

O Instagram apresentou um comportamento distinto. Entre as mensagens que tomavam partido por ou contra os candidatos, todos os presidenciáveis analisados tiveram percentuais positivos entre 70% e 78%. Segundo a análise, o resultado está relacionado às características da própria plataforma, que funciona como uma vitrine para candidatos e apoiadores.

No X, outro candidato que apareceu em situação desfavorável foi Ronaldo Caiado. O governador de Goiás recebeu ataques em 83% das menções direcionadas a ele. A declaração de Gilberto Kassab, apontado como vice na chapa de Caiado, de que o Centrão estaria com Lula também ganhou repercussão entre grupos de diferentes campos políticos.

WhatsApp registra maioria de mensagens negativas

Nos grupos públicos de WhatsApp, nenhum dos dois principais candidatos terminou o período analisado com maioria de manifestações favoráveis.

Flávio Bolsonaro teve 49% de mensagens positivas e 51% negativas. Lula registrou 40% de manifestações positivas e 60% negativas.

As críticas ao presidente foram impulsionadas, entre outros fatores, pelas reações às convocações para o ato na Vila Euclides. Ao mesmo tempo, a quantidade de menções ao petista permaneceu significativamente superior à registrada por Flávio Bolsonaro.

Esse contraste ajuda a diferenciar atenção nas redes sociais de aprovação eleitoral. O monitoramento da Palver mede a presença dos candidatos nas conversas digitais, e não representa uma pesquisa de intenção de voto.

Difusão em massa marca início da campanha

A análise também chama atenção para a forma como conteúdos políticos circulam no WhatsApp. Cerca de 79% das mensagens sobre presidenciáveis nos grupos públicos monitorados apresentaram padrão de difusão de conteúdo, caracterizado por comportamento unilateral e distribuição em massa, sem sinais claros de conversa espontânea.

O dado não significa que 79% das mensagens tenham sido produzidas por robôs. A metodologia utilizada pela Palver diferencia usuários com comportamento considerado orgânico daqueles cuja atuação apresenta características de disseminação sistemática de conteúdo.

Entre os usuários classificados como orgânicos, 64% das mensagens sobre Lula tinham tom crítico. No caso de Flávio Bolsonaro, 57% eram negativas.

Entre as mensagens classificadas como difusão coordenada, o percentual de críticas a Lula caiu para 58%. Já as mensagens sobre Flávio Bolsonaro ficaram praticamente divididas entre apoio e rejeição.

Os números indicam que a campanha eleitoral de 2026 começa em um ambiente digital marcado não apenas pela disputa por visibilidade, mas também pela circulação intensa e organizada de conteúdos políticos.

Renan Santos ganha espaço no X

O levantamento também mostra diferenças importantes na presença dos demais candidatos. Renan Santos, da Missão, teve participação reduzida nos grupos públicos de WhatsApp, mas apresentou desempenho mais expressivo no X.

Na plataforma, ele alcançou 9% do volume de menções e registrou a maior proporção de manifestações favoráveis entre os candidatos analisados, com 62% de apoio.

O resultado evidencia que a dinâmica da campanha varia de acordo com a rede social. Enquanto o WhatsApp concentrou grande parte da repercussão dos atos presenciais, o X apresentou uma disputa mais pulverizada e com maior peso de manifestações de apoio e ataque.

A fotografia do primeiro fim de semana da campanha, portanto, mostra Lula como o candidato que mais ocupou o debate digital nas três plataformas analisadas pela Palver. Flávio Bolsonaro apareceu em segundo lugar e conseguiu ampliar sua presença ao longo do domingo, especialmente após o ato em Copacabana.

Os dados, contudo, não permitem concluir sobre intenção de voto ou vantagem eleitoral. Eles retratam especificamente a repercussão digital dos primeiros atos e a maneira como os candidatos foram mencionados nas redes sociais no início oficial da campanha de 2026.

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