Artigo da Presidenta do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região, Neiva Ribeiro, sobre as negociações da Campanha Nacional Unificada dos Bancários e a paralisação do dia 20 de agosto, especial para a TVT News.
Por Neiva Ribeiro *
Na oitava negociação da Campanha Nacional Unificada dos Bancários 2026, realizada nesta terça-feira (18), a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) não apresentou proposta econômica para a categoria.
Bancários fazem paralisação em todo o país no dia 20 de agosto
Diante da falta de avanços nas negociações, os bancários de todo o país realizam uma paralisação de 24 horas nesta quinta-feira (20).
A mobilização foi aprovada em assembleias realizadas na segunda-feira (17) e representa uma resposta da categoria à postura dos bancos nas negociações da Campanha Nacional.
Até o momento, os banqueiros não apresentaram uma proposta que contemple as reivindicações dos trabalhadores para salários, participação nos lucros e resultados (PLR), benefícios e demais cláusulas econômicas da Convenção Coletiva de Trabalho.
A categoria reivindica 5% de aumento real (reposição da inflação mais 5% de reajuste) para salários e demais verbas; aumento no piso salarial da categoria; aumento maior para VA e VR; e valorização da PLR.
“Os bancos estão com a nossa pauta de reivindicações desde o dia 24 de junho. A mesa de negociações começou no dia 2 de julho e, desde então, tiveram a oportunidade de apresentar uma proposta. Porém, até agora, faltando duas semanas para a data-base, não apresentaram nada. Isso não é compatível com o setor mais lucrativo do país, que lucrou R$ 174 bilhões somente em 2025. Os trabalhadores estão mobilizados por aumento real, valorização da PLR e recomposição dos vales alimentação e refeição”, disse a presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Neiva Ribeiro.
Na Consulta Nacional dos Bancários 2026, que ouviu mais de 54 mil bancários, o aumento real, acima da inflação, foi apontado como prioridade da categoria, citado por 93% dos respondentes. Em seguida, aparece o aumento da PLR, com 63%, e o reajuste maior no vale-refeição (VR) e vale-alimentação (VA), com 51%.
Negociações com a Fenaban serão retomadas na segunda-feira, 24 de agosto
Em assembleia realizada na noite de segunda-feira (17), a categoria aprovou a paralisação nesta quinta (20) com 97,66% dos votos em São Paulo, Osasco e região; e 97% dos votos nacionalmente.
A assembleia foi convocada após a sétima rodada de negociação, quando a Fenaban não apresentou proposta de índice de reajuste para salários e demais verbas, mesmo tendo assumido este compromisso na negociação anterior.
Para completar, os banqueiros colocaram na mesa propostas que atacam a unidade e os direitos da categoria: modelo de reajuste diferenciado em três faixas salariais (menores salários, salários intermediários e maiores salários); e congelamento do piso de ingresso.
Banqueiros podem pagar as reinvidicações dos bancários
- Entre 2003 e 2025, o lucro líquido dos maiores bancos brasileiros cresceu 178% acima da inflação;
- Entre 2020 e 2025, a variação real do lucro no setor bancário apresentou grande crescimento: 61% nos bancos privados, 10% nos bancos públicos; 1.580% nos bancos digitais;

- Em 2025, os cinco maiores bancos tiveram lucro de R$ 124 bilhões;
- A rentabilidade média dos bancos, desde 2003, fica invariavelmente muito acima da inflação. Mesmo após a pandemia, a rentabilidade média ficou três vezes acima do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo);
- A taxa de juros reais, diferença entre a taxa de juros e a inflação, no Brasil, é uma das maiores do mundo. Portanto, análises que envolvam comparação de rentabilidade dos bancos com a taxa de juros Selic devem levar em conta a especificidade brasileira. Mesmo com a Selic em patamar muito elevado (média de 14,33% em 2025), a ROE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido) média dos bancos supera a taxa. Após a pandemia, ficou, em média, 2,3 vezes acima e, desde 2022, está 1,2 vezes acima;
- O Patrimônio Líquido (PL) somado dos dois setores mais rentáveis que os bancos, em 2025, somou R$ 48 bilhões. O PL do setor bancário foi de cerca de R$ 1,2 trilhão, ou seja, 25 vezes maior.
Sobre a autora

* Neiva Ribeiro é a atual presidenta do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região. É formada em Letras pela Universidade Guarulhos, pós-graduada em Gestão Pública pela Fesp-SP, e em Gestão Universitária pela Unisal. É funcionária do Bradesco desde 1989. Ingressou na direção do Sindicato em 2000.
Foi diretora-geral da Faculdade 28 de Agosto de Ensino e Pesquisa, secretária de Formação e secretária-geral da entidade.