Jovens Criativos mostra jovens que transformam arte em identidade e trabalho

Série da TVT acompanha jovens artistas paulistas que transformam diversas formas de arte em caminhos de expressão e geração de renda
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Luna mistura breaking, vogue e dança contemporânea em performances que afirmam identidade e ocupam espaços na cena das danças urbanas. Série da TVT acompanha jovens artistas paulistas que transformam diversas formas de arte em caminhos de expressão e geração de renda. Foto: Reprodução/Rede TVT

“Somos jovens e batalhamos a oportunidade de ter na arte a nossa identidade e sobrevivência.” É a partir dessa frase que a série Jovens Criativos, da TVT, apresenta trajetórias de artistas que transformaram diferentes linguagens culturais em caminhos de trabalho, expressão e construção de identidade. Leia em TVT News.

Dividida em dois programas, exibidos nos dias 20 e 27 de agosto, a produção percorre territórios periféricos de São Paulo e mostra iniciativas desenvolvidas por jovens na música, fotografia, quadrinhos, moda, dança, artesanato e cultura urbana.

As histórias revelam não apenas o processo criativo, mas também os desafios para transformar a arte em profissão. Editais públicos, trabalhos paralelos, redes de colaboração, empreendedorismo e parcerias aparecem como estratégias utilizadas para garantir a continuidade da produção cultural.

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Episódio 1 mostra jovens que misturam quadrinhos, moda, música e ancestralidade

O primeiro programa reúne trajetórias de artistas que utilizam a criação para falar de identidade, memória e território. Entre eles está Jéssica Grock, quadrinista, poeta, educadora e artista gráfica que construiu sua carreira de maneira independente.

Seu primeiro quadrinho, “Me Leve Quando Sair”, nasceu da relação com o irmão e aborda memória, afeto e a mudança provocada pela distância. Desenhada a lápis, a obra recebeu um prêmio de novo talento roteirista. Outros trabalhos da artista transitam pelo terror, humor e crítica social, como “Babilônia”, “Piracema”, “Concreto” e “Sabão Patos”.

Jéssica também criou a Taca, uma pequena gráfica especializada em tiragens reduzidas, onde produz livros, zines e outros materiais. A iniciativa ampliou sua liberdade criativa e abriu novas possibilidades de renda, junto às oficinas e feiras das quais participa.

A artista também discute o impacto da inteligência artificial sobre o mercado de ilustração. Segundo ela, o avanço da tecnologia já reduziu oportunidades de trabalho e afetou profissionais que dependiam da produção de imagens para sobreviver.

O episódio acompanha ainda Wilda Afro, responsável pela marca Afroperifa, criada em Perus. A moda aparece como instrumento de valorização da identidade negra e periférica e também como atividade econômica que movimenta outros trabalhadores do território.

A marca reúne costureiras, artistas, designers, modelos e profissionais do audiovisual. Uma das coleções apresentadas, “União e Firmeza Permanente”, recupera a história dos Queixadas, grupo ligado às greves da antiga fábrica de cimento de Perus.

A cantora, compositora, dançarina e fotógrafa Gabi Vieira, de Diadema, também integra o episódio. Em 2025, ela lançou o álbum “Transita”, com nove músicas autorais que refletem diferentes momentos de sua vida, incluindo independência, afetos e identidade.

Gabi conta como a música se tornou uma forma de transformar experiências pessoais em criação e fala sobre as dificuldades de administrar a própria carreira. A fotografia, atualmente sua principal fonte de renda, ajuda a financiar a produção musical, que também conta com recursos de políticas públicas como as leis Aldir Blanc e Paulo Gustavo e o ProAC.

A produção fecha o programa com Lauriana Barbosa, atriz e artista plástica de São Bernardo do Campo. Sua obra é marcada pela ancestralidade e pelas religiões de matriz africana. Na exposição “Engoma”, ela utiliza objetos, esculturas e materiais táteis para abordar orixás, entidades, vida, morte e encruzilhadas.

Episódio 2: fotografia, rima, dança, música e artesanato

O segundo programa coloca no centro artistas que ocupam as ruas, palcos e espaços culturais para construir novas representações das periferias.

O fotógrafo André Coelho, morador da Vila São Pedro, em São Bernardo do Campo, registra pessoas e cenas cotidianas das periferias. Seu trabalho ganhou grande alcance nas redes sociais e já reúne mais de 500 mil seguidores.

A partir da própria experiência como morador da periferia, André procura construir outro olhar sobre esses territórios, distante dos estereótipos que frequentemente associam a periferia à violência. Para ele, fotografar moradores em situações cotidianas também é uma forma de produzir autoestima e representatividade.

O episódio acompanha ainda Init MC, artista de Diadema que encontrou nas batalhas de rima o caminho para desenvolver sua carreira. Campeão de diferentes competições, ele levou a experiência dos duelos para a música e o audiovisual, utilizando as palavras para abordar identidade, racismo, autoestima e transformação social.

A Luna, de Perus, mostra como a dança pode ser espaço de afirmação. Ela começou no breaking e passou a combinar a linguagem com vogue, dança contemporânea e danças afro. Como mulher trans, questiona padrões estabelecidos na cena das danças urbanas e busca ampliar o espaço para pessoas LGBTQIA+.

O programa também acompanha Lucas Deboleta, educador musical e regente de coros infantis. Ex-aluno do Instituto Baccarelli, ele retornou ao projeto como professor e hoje utiliza a música na formação de crianças. Sua trajetória evidencia como projetos culturais podem criar oportunidades profissionais para jovens que passam por essas iniciativas.

Por fim, Pichuá, artista migrante do Cerrado que vive no Parque Taipas, apresenta uma produção que mistura artesanato, rima, contação de histórias e produção cultural. Os trabalhos recuperam memórias familiares e saberes aprendidos com mães e avós.

Pichuá também participa de redes que conectam artistas independentes de diferentes periferias. Para ele, a arte é uma forma de reorganizar a própria vida, criar vínculos e conquistar espaço no mercado de trabalho.

Ao reunir essas trajetórias, Jovens Criativos mostra que a economia criativa vai além do produto final. Nas periferias, ela também significa construir autonomia, preservar memórias, disputar representatividade e transformar a própria realidade por meio da arte.

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