O governo federal elevou a projeção para o salário mínimo de 2027 e agora estima que o piso nacional chegará a R$ 1.741. O valor constará no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA), que será encaminhado ao Congresso Nacional até o fim de agosto. A estimativa, porém, ainda não é definitiva e poderá mudar até dezembro, quando serão conhecidos os dados oficiais de inflação utilizados no cálculo. Leia em TVT News.
A nova previsão foi confirmada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e integrantes da equipe econômica no Palácio do Planalto. O encontro serviu para definir os principais números da proposta de Orçamento para 2027.
Se confirmado, o novo piso representará um aumento de R$ 120 em relação aos atuais R$ 1.621, pagos desde janeiro deste ano. A alta corresponde a aproximadamente 7,4%. A previsão também é superior à estimativa apresentada anteriormente pelo governo, de R$ 1.717.
O salário mínimo de 2027 começará a valer em 1º de janeiro do próximo ano, mas o valor final somente será conhecido em dezembro de 2026. Isso ocorre porque a fórmula de reajuste considera a inflação acumulada em 12 meses até novembro, além do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes.
Política de valorização considera inflação e crescimento da economia

A regra atualmente em vigor estabelece que o reajuste do salário mínimo deve considerar a inflação medida pelo INPC e o crescimento real da economia. Para o cálculo de 2027, será utilizada a variação do PIB de 2025, que foi de 2,3%, segundo o IBGE.
A projeção da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda aponta para uma inflação de 4,93% no período de 12 meses encerrado em novembro. A estimativa foi revisada para cima diante da possibilidade de impactos do fenômeno El Niño sobre os preços dos alimentos.
A política de valorização permite que o piso tenha aumento acima da inflação quando há crescimento econômico. O mecanismo também diferencia a atual política da adotada durante o governo Jair Bolsonaro, quando os reajustes seguiram apenas a inflação em determinados períodos.
Para o governo, a manutenção da regra representa uma forma de preservar o poder de compra dos trabalhadores e ampliar os efeitos da valorização sobre benefícios vinculados ao piso nacional.
Reajuste também afeta aposentadorias e benefícios sociais
O salário mínimo serve como referência para diversas despesas obrigatórias do governo federal. Entre elas estão aposentadorias e pensões pagas pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e o Benefício de Prestação Continuada (BPC).
Dario Durigan afirmou que não está prevista a desvinculação desses benefícios do salário mínimo. Com isso, o reajuste do piso também será aplicado às parcelas que têm o valor atrelado ao mínimo.
A medida tem impacto direto sobre milhões de brasileiros que recebem benefícios previdenciários ou assistenciais vinculados ao piso nacional. Ao mesmo tempo, a valorização representa uma pressão adicional sobre as contas públicas, já que o aumento das despesas obrigatórias acompanha a elevação do salário.
Estimativas apresentadas pelo governo apontam que cada R$ 1 de aumento no salário mínimo gera aproximadamente R$ 413,2 milhões em despesas adicionais. Com a revisão da projeção para R$ 1.741, a elevação do piso deverá representar uma pressão extra de cerca de R$ 9,9 bilhões no Orçamento de 2027.
Apesar desse impacto, o ministro da Fazenda afirmou que a proposta orçamentária prevê crescimento das despesas obrigatórias em ritmo inferior ao avanço do conjunto das despesas.
Dieese aponta diferença entre o piso e o necessário para uma família
Embora o governo projete o salário mínimo de R$ 1.741 para 2027, o valor continua distante da estimativa calculada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) para atender às necessidades básicas de uma família.
Em julho deste ano, o Dieese calculou que o salário mínimo necessário para uma família de quatro pessoas deveria ser de R$ 7.425,99. O valor corresponde a cerca de 4,58 vezes o piso nacional atual, de R$ 1.621.
O cálculo considera a previsão constitucional de que o salário mínimo deve ser suficiente para cobrir despesas como alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência.
A diferença entre o piso oficial e a estimativa do Dieese evidencia o peso do salário mínimo no orçamento das famílias trabalhadoras e o desafio de garantir renda suficiente para atender às necessidades básicas previstas na Constituição.
Orçamento de 2027 será enviado ao Congresso
A projeção do novo salário mínimo fará parte do PLOA de 2027, documento que estabelece a previsão de receitas e despesas do governo federal para o próximo ano. A proposta precisa ser enviada ao Congresso Nacional até 31 de agosto.
Segundo Durigan, o texto deverá prever resultado positivo para as contas públicas. A proposta de Lei de Diretrizes Orçamentárias apresentada anteriormente pelo governo estabeleceu uma meta de superávit de R$ 73,2 bilhões, equivalente a 0,5% do PIB, embora os números ainda possam sofrer alterações durante a elaboração do Orçamento.
O PLOA também deverá incorporar mudanças relacionadas à reforma tributária, que terá implementação mais ampla a partir de 2027.
O valor definitivo do salário mínimo, portanto, ainda dependerá dos indicadores econômicos que serão conhecidos até o fim do ano. A projeção de R$ 1.741 representa a estimativa atualmente adotada pelo governo para elaborar o Orçamento, mas o piso oficial será definido somente após a divulgação do INPC de novembro.