O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participa nesta terça-feira (25) da solenidade em homenagem ao Dia do Soldado, no Quartel-General do Exército, em Brasília. A cerimônia começa às 10h, na Avenida do Exército, no Setor Militar Urbano, e reúne autoridades do governo e os chefes das Forças Armadas. Leia em TVT News.
A presença do presidente em eventos relacionados ao Dia do Soldado faz parte da agenda institucional da Presidência da República. Neste ano, porém, a cerimônia ocorre em um contexto de aproximação entre o governo federal e as Forças Armadas, após um período de maior tensão nas relações entre o Executivo e os militares.
Lula assumiu o terceiro mandato em 2023 ainda sob os efeitos políticos dos ataques às sedes dos Três Poderes, em Brasília, em 8 de janeiro daquele ano. Desde então, a relação com os militares passou por mudanças, com articulações conduzidas pelo ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, e a inclusão de projetos estratégicos de Defesa no planejamento do governo.
Investimentos em Defesa entram no debate
A participação de Lula na solenidade acontece também em um momento em que o presidente tem defendido maior atenção aos investimentos na área de Defesa. Durante a convenção nacional do PT, realizada no início de agosto em São Paulo, Lula afirmou que o país precisa tratar o setor como uma área estratégica.
Ao defender a necessidade de investimentos, o presidente mencionou a extensão das fronteiras brasileiras, a costa marítima e a importância da Amazônia. Segundo Lula, o Brasil possui 16,8 mil quilômetros de fronteira terrestre, cerca de 8 mil quilômetros de fronteira marítima, além da maior floresta tropical do planeta e aproximadamente 12% da água doce do mundo.
Apesar da defesa de novos investimentos, dados do sistema Siga Brasil citados no material de base mostram que o governo Lula destinou menos recursos para investimentos específicos nas Forças Armadas do que o governo Jair Bolsonaro.
Entre 2023 e 2026, foram reservados R$ 40,7 bilhões para investimentos no Exército, na Marinha e na Aeronáutica. Entre 2019 e 2022, durante o governo Bolsonaro, o valor destinado a essa finalidade foi de R$ 45,7 bilhões. A diferença representa uma redução de aproximadamente 11%.
Os números consideram recursos destinados a melhorias e investimentos nas três Forças e não representam o total do orçamento do Ministério da Defesa.



Submarino nuclear é prioridade anunciada por Lula
Entre os projetos considerados estratégicos pelo governo está o desenvolvimento do primeiro submarino brasileiro com propulsão nuclear.
Na semana anterior à cerimônia do Dia do Soldado, Lula visitou o Centro Industrial Nuclear de Aramar, em Iperó, no interior de São Paulo, e defendeu a continuidade dos recursos destinados ao projeto.
Na ocasião, o presidente afirmou que o governo buscará recursos para concluir o submarino. Para Lula, o projeto está relacionado à soberania nacional, ao desenvolvimento tecnológico e à geração de empregos.
A defesa do empreendimento faz parte de uma política mais ampla de fortalecimento de projetos estratégicos das Forças Armadas. Lula também criticou a falta de continuidade no financiamento dessas iniciativas ao longo dos governos.
A questão orçamentária tem sido um dos pontos de discussão dentro do governo quando o assunto é Defesa. Ao mesmo tempo em que afirma ser necessário ampliar os investimentos no setor, o presidente precisa conciliar essas prioridades com as demais áreas do orçamento federal.
Relação com os militares mudou após o 8 de janeiro
A relação de Lula com as Forças Armadas passou por um período de forte tensão depois dos ataques de 8 de janeiro de 2023. Na ocasião, grupos golpistas invadiram e depredaram as sedes do Supremo Tribunal Federal, do Congresso Nacional e do Palácio do Planalto.
A participação de militares nos acontecimentos e as discussões sobre a atuação das Forças Armadas durante a crise provocaram debates dentro e fora do governo. Desde então, a administração federal buscou reorganizar a relação institucional com Exército, Marinha e Aeronáutica.
O Ministério da Defesa teve papel importante nesse processo. José Múcio Monteiro atuou na interlocução com os comandantes militares e na construção de uma relação mais estável entre o governo e as Forças.
A inclusão da Defesa no Novo PAC, anunciada em 2023, também representou uma tentativa de inserir projetos estratégicos militares no planejamento de investimentos do governo federal.
A cerimônia desta terça-feira ocorre, portanto, em meio a esse processo de reconstrução das relações institucionais entre o Palácio do Planalto e os comandos militares.