TSE suspende campanha de Renan Santos à Presidência por irregularidades em redes sociais

Ação incluir a suspensão da propaganda, bloqueio de recursos e proibição de debates para Renan Santos; candidato Wilson Grassi recebeu a mesma punição
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Campanha de Renan Santos à Presidência é suspensa pelo TSE após chapa informar 18 perfis em redes sociais 12 dias após o prazo - Imagem: Reprodução Instagram Partido Missão

O ministro Dias Toffoli, do STF e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), suspendeu neste domingo (30) a campanha digital de Renan Santos (Missão) à Presidência da República.

A decisão, divulgada nesta segunda-feira (31), determina a interrupção da propaganda eleitoral, o bloqueio de repasses do Fundo Eleitoral e a proibição de participação em debates em rádio, televisão, podcasts e outros meios de comunicação. O candidato do Democrata, Wilson Grassi, sofreu a mesma punicção. Entenda com a TVT News.

A medida atinge também o candidato a vice-presidente, Aroldo Medina, e foi motivada pela omissão de informações sobre perfis em redes sociais usados pela campanha. Toffoli, que é o relator do pedido de registro de candidatura de Renan, já havia adiado o julgamento do processo no último fim de semana, após apontar indícios de irregularidades.

Entenda o caso: o que foi investigado na campanha de Renan Santos

A suspensão da campanha de Renan Santos ocorreu por descumprimento das regras eleitorais que obrigam candidatos a informar à Justiça Eleitoral, no momento do registro de candidatura, todas as contas em redes sociais que serão utilizadas para propaganda eleitoral.

No pedido de registro apresentado ao TSE em 7 de agosto, Renan Santos e seu vice informaram apenas uma conta na rede social X e um site. Doze dias depois, em 19 de agosto, a chapa apresentou à Corte uma lista com 18 perfis em redes sociais.

Segundo o ministro Toffoli, essa “omissão estratégica” das informações sobre as redes sociais compromete a legitimidade da campanha digital. O magistrado afirmou que o candidato que omite informações sobre perfis de campanha e as apresenta depois do prazo comete desvio de finalidade.

A legislação prevê que as plataformas de redes sociais devem retirar páginas políticas dos algoritmos de recomendação durante o período eleitoral — medida que depende da identificação prévia das contas pela Justiça Eleitoral. Com a omissão dos perfis no registro inicial, esse controle ficou prejudicado.

Além da suspensão da propaganda, Toffoli determinou a suspensão de repasses de recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) à chapa majoritária e a proibição de participar de debates. A decisão também prevê multa de R$ 10.000 por hora e por perfil em caso de descumprimento, além da exigência de que as plataformas excluam os perfis irregulares dos sistemas de recomendação e forneçam dados de postagens e impulsionamentos.

A campanha de Renan Santos ainda poderá se manifestar sobre o caso. Depois disso, o TSE poderá retomar a análise do pedido de registro de candidatura.

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Toffoli suspende propaganda eleitoral de Renan Santos e bloqueia recursos. Foto: Reprodução/TV Globo

Quais são as regras do TSE sobre redes sociais

As normas eleitorais estabelecem que os candidatos devem informar à Justiça Eleitoral os endereços eletrônicos das páginas, perfis e contas utilizadas durante a campanha.

Uma resolução do TSE determina ainda que endereços eletrônicos preexistentes que não tenham sido informados no registro da candidatura só podem ser utilizados para propaganda eleitoral 48 horas depois de serem registrados na Justiça Eleitoral.

Quem é Renan Santos

Esta é a primeira eleição presidencial disputada por Renan Santos, que representa o Missão, partido criado em 2025 e levado às urnas pela primeira vez. O Missão é um desobrando do MBL, fundado por Renan Satnos no contexto das manifestações pelo impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT), em 2015 e 2016.

Entre as propostas de Renan Santos está a substituição da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) por acordos negociados diretamente entre trabalhadores e empregadores e acabar com a Justiça do Trabalho. No programa, o candidato ainda inclui a formação de uma reserva nacional baseada em criptomoedas.

Toffoli também suspende campanha de Wilson Grassi por irregularidades em redes sociais

O ministro Dias Toffoli, do TSE, também suspendeu a campanha digital de Wilson Grassi (Democrata) à Presidência da República. A decisão, assinada no domingo (30) e divulgada nesta segunda-feira (31), seguiu o mesmo entendimento aplicado ao candidato Renan Santos.

A suspensão ocorreu porque oito perfis em redes sociais usados pela campanha de Grassi só foram informados ao TSE em 28 de agosto — dezessete dias após o pedido de registro de candidatura, protocolado em 11 de agosto. Pela legislação eleitoral, perfis já existentes que serão utilizados na campanha precisam ser declarados no momento do registro; aqueles criados depois têm prazo de 24 horas para serem comunicados à Justiça.

Toffoli entendeu que o atraso permite que essas contas continuem sendo tratadas pelas plataformas como perfis comuns, mantendo-se elegíveis para recomendação algorítmica — o que pode gerar vantagem sobre candidaturas que cumpriram o prazo. O TSE já havia classificado esse tipo de atraso como possível “omissão estratégica”.

Com a decisão, foram suspensos os repasses do Fundo Eleitoral à chapa de Grassi, que já havia recebido cerca de R$ 3,3 milhões do fundo, e proibida a participação do candidato em debates em rádio, televisão, podcasts ou outros meios de comunicação.

As plataformas terão seis horas para suspender os perfis irregulares e retirá-los dos sistemas de recomendação, e 24 horas para fornecer ao TSE dados sobre postagens, impulsionamentos, anúncios, alcance e valores envolvidos, sob pena de multa.

Grassi e o partido Democrata também terão 24 horas para informar a data de criação de cada perfil, quando passaram a ser usados para fins eleitorais e se há outras contas vinculadas à campanha. A decisão é cautelar e o descumprimento pode levar ao indeferimento do registro de candidatura.

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