Empresa que intermediou recursos investigados no caso de ‘Dark Horse’ funciona em loja de noivas

Instituto contratado com verba destinada ao letramento digital aparece na investigação sobre o caminho de recursos até a produtora do filme sobre Jair Bolsonaro
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PGR também considerou existirem elementos suficientes para a abertura formal da investigação sobre o filme. Foto: Divulgação

Uma das empresas apontadas pela Polícia Federal como parte do caminho percorrido por recursos públicos que teriam chegado à produtora responsável pelo filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro (PL), está registrada em um endereço onde funciona, na prática, uma loja de vestidos de noiva e roupas para festas, em Guarulhos, na Grande São Paulo. Leia em TVT News.

A situação envolve o Instituto Super Poder Educacional, empresa citada na investigação que apura uma suposta triangulação de recursos públicos destinados originalmente a projetos de letramento digital e empreendedorismo.

De acordo com registros da Receita Federal e da Junta Comercial de São Paulo, a empresa está instalada desde 2023 em uma sala comercial na avenida Doutor Timóteo Penteado, no bairro Vila Hulda.

No endereço, porém, funciona uma loja especializada em vestidos de noiva e roupas para festas. Segundo informações obtidas no local pela reportagem da Folha de S.Paulo, o estabelecimento funciona ali há pelo menos três anos e meio e não possui relação com o Instituto Super Poder Educacional.

A empresa aparece na investigação autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino, que permitiu a realização de uma operação da Polícia Federal para apurar repasses relacionados à produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme “Dark Horse”.

A apuração investiga recursos públicos provenientes de duas frentes: verbas federais viabilizadas por emendas parlamentares do deputado Mario Frias (PL-SP) e contratos envolvendo recursos da Prefeitura de São Paulo.

Emenda previa letramento digital e empreendedorismo

Segundo os elementos reunidos pela investigação, o deputado Mario Frias destinou R$ 1 milhão, por meio de emenda parlamentar, para atividades ligadas ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. O objetivo previsto para os recursos era financiar ações de letramento digital e empreendedorismo voltadas à capacitação de adultos e adolescentes.

>> Mario Frias agradeceu Daniel Vorcaro por apoio a filme Dark Horse

O dinheiro foi destinado à execução de contratos com o Instituto Conhecer Brasil (ICB), ligado à empresária Karina Ferreira Gama, também proprietária da Go Up Entertainment.

Além dos recursos federais, o ICB recebeu R$ 108 milhões da Prefeitura de São Paulo para a oferta de pontos de wi-fi em bairros da periferia.

No caso da verba federal, a investigação apontou que o ICB subcontratou duas empresas: a Dinâmica Editora e Distribuidora, sediada em Rio Claro, no interior paulista, e o Instituto Super Poder Educacional, registrado no endereço onde funciona a loja de noivas em Guarulhos.

As duas empresas receberam, juntas, R$ 700 mil entre fevereiro e março do ano passado.

A Dinâmica pertence ao empresário Dayvid Moreira Medeiros, que responde a processo sob suspeita de fraude em licitação na Paraíba. Já o Instituto Super Poder Educacional tem como sócia Pamella Cristina Dias.

Segundo a Polícia Federal, os dois empresários possuem vínculos em outro empreendimento. Pamella Dias atua como coordenadora editorial da HD Cultural, empresa que tem Medeiros como sócio.

Polícia investiga caminho dos recursos até produtora

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PF e CGU investigam possível desvio de recursos públicos e miram deputado Mario Frias que destinou emendas ao Instituto Conhecer Brasil, de Karina Gama – Reprodução/Instagram

De acordo com a investigação, os valores recebidos pelas empresas foram posteriormente transferidos para a Go Up Entertainment por meio de outra companhia, a NTT Brasil.

A empresa pertence a Heric Fabiano Dias, irmão de Pamella Cristina Dias, sócia do Instituto Super Poder Educacional.

Entre os dias 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025, a NTT Brasil transferiu R$ 750 mil para a Go Up. A Polícia Federal apura se esses recursos têm relação com os valores recebidos anteriormente pelas empresas subcontratadas no âmbito do convênio federal.

As transferências para a produtora ocorreram durante o período de filmagens de “Dark Horse”, obra baseada no atentado sofrido por Jair Bolsonaro durante a campanha presidencial de 2018.

A investigação também aponta que, no mesmo período, Mario Frias transferiu R$ 645 mil diretamente para a conta da produtora. Segundo a decisão que autorizou a operação policial, esse movimento levantou questionamentos sobre a origem e o suporte financeiro das transferências realizadas em um intervalo inferior a dois meses.

A Polícia Federal apontou ainda uma possível incompatibilidade entre os valores movimentados e a renda declarada pelo deputado, mencionada na investigação como sendo de R$ 44 mil.

‘Dark Horse’ também aparece em outras investigações

O filme sobre Jair Bolsonaro já havia sido citado em outras informações divulgadas durante a apuração sobre seu financiamento.

Áudios publicados pelo site The Intercept mostraram que o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, pediu recursos ao empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master, supostamente para financiar a produção cinematográfica.

A operação autorizada pelo STF busca esclarecer se o filme também recebeu recursos que teriam origem em desvios de emendas parlamentares.

Em outra frente, a Polícia Federal apura se parte do dinheiro investigado foi enviada aos Estados Unidos para custear despesas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que busca apoio do governo de Donald Trump contra a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

As investigações seguem em andamento e deverão analisar a origem dos recursos, os contratos firmados pelas entidades envolvidas e o caminho percorrido pelos valores até a produtora responsável por “Dark Horse”.

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