A greve das Etecs e Fatecs ocorreu em cerca de 70 unidades. Além disso, os trabalhadores se mobilizaram na tarde de terça-feira (15), em ato em frente ao Centro Paula Souza que marcou o posicionamento e as reinvindicações da categoria. A paralisação teve efeito e, hoje, as aulas já foram retomadas. A categoria pressiona a autarquia a se comprometer com recomposição salarial, vale-alimentação, plano de saúde e política salarial permanente. Saiba mais em TVT News.
A greve geral convocada pelo Sinteps (Sindicato dos Trabalhadores do Centro Paula Souza) realizada na última terça-feira (15), teve adesão total em algumas unidades e parcial em outras.
Com a pressão, o Sinteps se sentou à mesa de negociação com representantes do Ceeteps (Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza) e, ao final da reunião, obteve compromissos concretos em pontos centrais da pauta da data-base 2026.
Compromisssos conquistados
Representantes do Ceeteps assumiram o compromisso de levar as reivindicações que extrapolam a competência da autarquia diretamente à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação e ao Governo do Estado de São Paulo. Os compromissos assumidos foram:
- Recomposição das perdas inflacionárias de 2026
O Centro Paula Souza se comprometeu a encaminhar e defender, junto à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação e ao Governo do Estado, a reivindicação de recomposição das perdas inflacionárias sofridas pela categoria neste ano e que prejudicaram a qualidade de vida dos trabalhadores e trabalhadoras das Etecs e Fatecs.
- Política salarial permanente na Lei da Carreira
Ficou assumido o compromisso de defender a criação de uma política salarial permanente para os trabalhadores do Centro Paula Souza, prevista expressamente na legislação da carreira por meio de Lei Complementar, nos moldes do que já existe para USP, Unesp e Unicamp. A proposta do Sinteps é que o índice aplicado ao Piso Salarial Profissional Nacional do Magistério sirva de referência para o reajuste da categoria, acabando com a dependência de decisões pontuais de cada governo.
- Vale-alimentação próprio para todos os trabalhadores
O Ceeteps se comprometeu a realizar os estudos administrativos, jurídicos, financeiros e orçamentários necessários à criação do benefício, que será estendido a toda a categoria, e a considerar seu impacto já na proposta orçamentária de 2027, atualmente em elaboração. O compromisso inclui também defender a inclusão expressa do vale-alimentação na Lei da Carreira.
- Plano de saúde institucional
O benefício já está autorizado desde 2014, pela Lei Complementar nº 1.240, mas nunca saiu do papel por falta de previsão orçamentária. O Ceeteps assumiu o compromisso de dimensionar o custo do plano e incluir os recursos necessários na proposta orçamentária de 2027, transformando uma autorização de 12 anos atrás em benefício real.
- Turmas menores como alternativa ao fechamento de cursos
Diante da preocupação do Sinteps com o fechamento de turmas por baixa procura no vestibulinho, o Sindicato propôs que, antes de suspender cursos com relevância social, econômica ou vocacional para a região, o Ceeteps forme turmas com número reduzido de alunos. A proposta foi recebida positivamente pelos representantes da autarquia, que sinalizaram ser um caminho possível a ser estudado.
- Continuidade das demais pautas da data-base 2026
O Ceeteps se comprometeu a encaminhar às instâncias estaduais competentes, as demais reivindicações apresentadas pelo Sinteps ao longo da negociação.
Negociação é resultado da greve
O Sindicato classifica a negociação como resultado direto da mobilização da categoria e que será acompanhado de perto para garantir que os pontos conversados sejam formalizados e efetivamente garantidos para os trabalhadores das Etecs e Fatecs.
Apesar do avanço, o Sinteps deixa claro que a mobilização não terminou. Os compromissos assumidos na reunião foram verbais, feitos pelos representantes presentes. Por isso, o Sindicato protocolou um memorial detalhado solicitando que o presidente do Ceeteps Prof. Clóvis de Souza Dias, formalize institucionalmente cada um dos pontos discutidos, por meio de Termo de Compromisso ou documento equivalente, além de manter o Sinteps informado sobre todos os encaminhamentos feitos à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação e ao governo do estado.
Segundo Fernando Salvador, presidente do sindicato dos trabalhadores, transformar os compromissos em documentos formais, com prazos e responsáveis definidos, é o que vai garantir que a conquista de 15 de setembro não fique apenas no discurso. “A mensagem da mobilização foi clara sobre a insatisfação da categoria. Isso mostra a força da união e a importância da mobilização organizada. Seguiremos cobrando e acompanhando para que cada compromisso assumido na mesa de negociação se transforme em direito garantido”, concluiu.
Com informações de Sinteps.