Um ano após a criação do Gás do Povo, pesquisa do Instituto Locomotiva para o Sindigás mostra amplo respaldo da sociedade a políticas públicas voltadas à ampliação do acesso ao gás de cozinha. Segundo o levantamento, 93% dos brasileiros são favoráveis a iniciativas para ajudar famílias de baixa renda a comprar o produto. O apoio chega a 91% entre as classes A e B e a 95% entre as classes C, D e E. Leia em TVT News.
Lançado em setembro de 2025, o Gás do Povo avançou em sua implementação ao longo do último ano e, em fevereiro de 2026, tornou-se uma política pública permanente. O programa busca ampliar o acesso ao GLP pelas famílias em situação de vulnerabilidade, utilizando a estrutura regular de abastecimento existente no país.
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A percepção da sociedade sobre a importância desse acesso vai além do apoio direto à política. Para 88% dos brasileiros, deve ser prioridade do governo garantir que famílias de baixa renda consigam comprar botijões com segurança, enquanto 84% defendem que o acesso ao GLP seja tratado como política pública de proteção social.
Os resultados também evidenciam a relação entre acesso à energia, alimentação e qualidade de vida. Para 90% dos entrevistados, o GLP ajuda milhões de brasileiros a terem uma alimentação adequada e 88% consideram o produto parte da segurança alimentar do país. Além disso, 86% afirmam que nenhuma família deveria precisar cozinhar com lenha, carvão ou materiais improvisados por falta de acesso ao gás.
A redução do uso de fontes rudimentares para cocção é um dos aspectos relevantes no acompanhamento de políticas de combate à pobreza energética. O desafio não se limita, portanto, à concessão do benefício, mas envolve avaliar em que medida a ampliação do acesso ao GLP se traduz efetivamente em maior utilização de uma fonte de energia segura e adequada pelas famílias beneficiárias.

Para o presidente do Sindigás, Sergio Bandeira de Mello, os efeitos concretos sobre a vida das famílias devem ocupar espaço cada vez maior na avaliação das políticas públicas de acesso à energia.
“O maior resultado de uma política pública é aquele que efetivamente chega à vida das pessoas. Ampliar o acesso ao GLP é fundamental, mas também precisamos acompanhar se esse acesso está contribuindo para reduzir o uso da lenha e de combustíveis improvisados e proporcionando às famílias mais segurança, saúde e qualidade de vida. Esses são indicadores importantes para medir o sucesso de uma política de combate à pobreza energética.”
O que é o programa Gás do Povo
Gás do Povo é uma política energética nacional. Resolução do Conselho Nacional de Política Energética determinou que o programa Gás do Povo deve ser uma política pública federal de interesse da Política Energética Nacional. Trata-se de uma mudança conceitual mas, na prática, essa determinação confere maior importância institucional ao projeto, o que torna seu desmonte mais complexo.

As regras de acesso ao programa Gás do Povo são focadas na população de maior vulnerabilidade. O programa garante para famílias com renda per capita mensal igual ou inferior a meio salário-mínimo, mantendo a prioridade absoluta para os beneficiários do Programa Bolsa Família.
De acordo com o regulamento do programa, a quantidade de recargas gratuitas de 13 kg será de quatro por ano para famílias de duas a três pessoas; para as famílias com quatro ou mais pessoas, será de seis ao ano.
Sobre a pesquisa
Realizada pelo Instituto Locomotiva para o Sindigás, a pesquisa ouviu 1.510 brasileiros maiores de 18 anos que utilizam gás de botijão ou encanado. O levantamento foi realizado entre 23 e 27 de julho de 2026, com amostra controlada por gênero, faixa etária, renda familiar e região, tendo como parâmetro a PNADC-IBGE. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais, para mais ou para menos, em um intervalo de confiança de 95%.