Caso Ana Clara: atuação de Flávio Bolsonaro na defesa de PM vira tema de debate com Lula

Senador integrou a defesa do policial militar acusado de matar a menina de cinco anos em Niterói; processo ainda aguardava julgamento em outubro de 2026
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Cartaz nas ruas do RJ lembram o assassinato da menina Ana Clara, de 5 anos, morta com um tiro de fuzil; o acusado pelo disparo é um PM que foi defendido por Flávio Bolsonaro - 📸 Foto: @niobiomemes / Reprodução Mídia Ninja

O caso de Ana Clara Gomes Machado, menina de cinco anos morta por um disparo durante uma ação da Polícia Militar em Niterói, no Rio de Janeiro, voltou ao centro do debate político após o confronto entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), realizado pela TV Band no domingo (18). Leia em TVT News.

Durante o encontro, Lula questionou o adversário sobre sua atuação como advogado do policial militar acusado pela morte da criança.

A participação de Flávio na defesa do cabo da PM Bruno Dias Delarolli veio à tona neste mês por meio de uma reportagem da série Revelando. Desde então, o episódio passou a ser explorado pela campanha petista e ganhou repercussão nas redes sociais e nos mecanismos de busca.

“Você era senador da República e foi interferir para que um policial que matou uma criança de cinco anos com uma bala de fuzil não fosse preso. Me explica por que você fez isso?”, questionou Lula durante o debate.

Flávio respondeu que não se deve criminalizar o exercício da advocacia e afirmou que o policial ainda não havia sido julgado.

Como Ana Clara morreu

Ana Clara Gomes Machado tinha cinco anos quando foi atingida por um disparo em 2 de fevereiro de 2021, na comunidade Monan Pequeno, no bairro de Pendotiba, em Niterói.

Segundo as informações reunidas sobre o caso, a menina havia acabado de acordar e brincava na calçada de casa quando foi baleada. O irmão dela, de dois anos, estava nas proximidades.

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Ana Clara tinha apenas cinco anos quando foi morta por um disparo de fuzil em Niterói (RJ), em 2021. O policial militar acusado pela morte da menina teve Flávio Bolsonaro como advogado de defesa – 📸 Foto: @niobiomemes

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) apontou o cabo Bruno Dias Delarolli, integrante do 12º Batalhão da Polícia Militar, como responsável pelo disparo fatal. O agente foi acusado de homicídio doloso, classificação aplicada quando há intenção de matar ou quando o autor assume o risco de provocar a morte.

O policial alegou que estava em uma situação de confronto com criminosos armados. A investigação, entretanto, contestou essa versão. Conforme os elementos periciais citados nos relatos sobre o caso, foram encontrados vestígios de munição calibre 7,62, compatível com o fuzil utilizado pelo militar, sem identificação de cápsulas de pistola que sustentassem a hipótese de troca de tiros.

Delarolli foi preso em flagrante, mas passou a responder ao processo em liberdade em novembro de 2021.

Flávio Bolsonaro entrou na defesa em 2024

A participação de Flávio Bolsonaro no caso começou em 2024, quando o senador passou a integrar a equipe jurídica responsável pela defesa do policial militar. Naquele momento, a Justiça já havia determinado que o acusado fosse submetido ao Tribunal do Júri, responsável pelo julgamento de crimes dolosos contra a vida.

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Em 2009, Flávio Bolsonaro era deputado estadual pelo Rio foi o único a votar contra proposta aprovada pela Alerj; hoje, candidato à Presidência promete endurecer penas para agressores de mulheres. Foto: Lula Marques/Agência Brasil

A entrada do parlamentar na defesa ocorreu depois de uma derrota da equipe jurídica no Superior Tribunal de Justiça (STJ), que rejeitou uma tentativa de reverter a decisão de levar Delarolli a julgamento popular.

Flávio assinou um novo recurso para contestar a determinação. Outras medidas judiciais também foram apresentadas pela defesa, mas a decisão de submeter o policial ao júri foi mantida.

O caso ganhou dimensão política porque a atuação do senador foi questionada por Lula durante o debate presidencial. O presidente cobrou explicações sobre a participação do adversário na defesa do agente acusado pela morte da criança.

A atuação de Flávio ocorreu no exercício da advocacia. O direito à ampla defesa é assegurado pela Constituição Federal a todas as pessoas acusadas de crimes, incluindo a possibilidade de apresentar recursos e contestar decisões judiciais. Esse direito, porém, não elimina a discussão pública sobre as escolhas políticas e profissionais de representantes eleitos.

Mais de cinco anos após a morte de Ana Clara, o julgamento ainda não havia ocorrido até outubro de 2026, conforme as informações apresentadas nos relatos sobre o processo.

Entenda o caso Ana Clara e Flávio Bolsonaro

Caso sobe no Google Trends após debate presidencial

A discussão entre Lula e Flávio impulsionou o interesse público pelo caso. Na manhã de segunda-feira (19), a expressão “flavio bolsonaro caso ana clara” apareceu entre os assuntos mais pesquisados no Brasil no Google Trends, com mais de 1 milhão de buscas associadas à tendência nas últimas 24 horas, segundo levantamento citado pelo Congresso em Foco.

O termo chegou à terceira posição entre as principais tendências de pesquisa no país, com crescimento superior a 1.000%. O aumento ocorreu após o debate da Band, quando Lula questionou diretamente o senador sobre sua atuação na defesa do policial.

A repercussão também foi ampliada pela circulação de trechos do documentário O Julgamento que Nunca Aconteceu, da série Revelando. A produção reúne depoimentos de familiares e informações sobre a investigação da morte da menina.

O episódio voltou a ocupar espaço no debate eleitoral em um momento de disputa acirrada pela Presidência da República. As pesquisas mencionadas nos textos de referência indicavam empate técnico entre os candidatos: levantamento Datafolha apontava Flávio com 47% das intenções de voto e Lula com 45%, enquanto a rodada da Quaest registrava 46% para o senador e 44% para o presidente. Ambos os levantamentos tinham margem de erro de dois pontos percentuais.

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