Uma carta assinada por mais de 54 bispos católicos de diferentes dioceses brasileiras faz um alerta sobre os riscos da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) para a democracia, a soberania nacional e o bem comum. Divulgado nesta quinta-feira, o documento convoca os fiéis a votarem em defesa dos valores humanitários e dos direitos dos mais pobres. Leia em TVT News.
Intitulado “Ao povo de Deus”, o texto aponta contradições entre propostas atribuídas à candidatura de Flávio Bolsonaro e os princípios da doutrina social da Igreja Católica. Embora não cite o senador nominalmente, a carta apresenta referências ao seu posicionamento político e ao histórico de seu grupo familiar.
“Não se trata apenas de uma escolha eleitoral, tantas vezes já praticada no Brasil, mas da possibilidade de uma mudança profunda nos rumos da nação”, afirmam os religiosos. O documento classifica o cenário eleitoral como “muito grave” e evoca experiências do século 20 que deixaram, segundo a carta, “cruéis e amargas lembranças”.
Direitos trabalhistas e soberania nacional
Entre os pontos destacados pelos bispos está a posição contrária ao fim da escala de trabalho 6×1. Para os religiosos, a candidatura que se opõe à mudança “não reconhece a dignidade do trabalhador” e poderá retomar o tema caso chegue ao governo.
A carta também critica o que descreve como uma promessa de submissão aos Estados Unidos e menciona a participação de um dos candidatos em uma articulação para taxar produtos brasileiros, em referência ao tarifaço determinado pelo presidente norte-americano Donald Trump.
Os bispos ainda relacionam a candidatura a declarações que consideram ameaças à ordem constitucional. O documento menciona o risco de concentração de poder político e institucional, com a possibilidade de um governo apoiado por maioria absoluta no Congresso Nacional e no Supremo Tribunal Federal (STF).
Armas, meio ambiente e combate à pobreza
A defesa da liberação do acesso às armas aparece entre as pautas que, segundo os signatários, entram em conflito com as orientações da Igreja. A proteção ambiental e o enfrentamento da pobreza também são apontados como questões centrais para a avaliação das propostas eleitorais.
Ao comparar os projetos em disputa, os religiosos reconhecem que a outra candidatura também está sujeita a críticas, mas destacam seu compromisso com a população pobre, a preservação ambiental e o respeito às regras democráticas.

“Gostar ou não do atual Governo não pode ser razão para entregar o país nas mãos de quem manifesta tamanha contradição com os ensinamentos de nossa Igreja”, afirma a carta, sem mencionar diretamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A manifestação reforça que, para os signatários, a escolha eleitoral deve considerar os efeitos das propostas políticas sobre a democracia, os direitos sociais, os trabalhadores e as populações em situação de vulnerabilidade.
Entre os 35 bispos que assinam o documento estão dom Evaristo Pascoal Spengler, da Diocese de Roraima; dom Adolfo Pereira, da Diocese do Alto Solimões; e dom Joaquim Hudson de Souza Ribeiro, de Manaus.