As checagens em tempo real do debate presidencial entre os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro acontecerão por meio de diversas iniciativas. Entre elas, está uma rede provisória de checagem que reunirá a Intercom (Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação, a RNCD (Rede Nacional de Combate à Desinformação), a FENAJ (Federação Nacional dos Jornalistas), a SBPJor (Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo) e a AletheiaFact.org.
Além disso, alunos e professores da ECA-USP (Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo) também estão organizando uma checagem própria.
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Preservar a informação
A iniciativa vai contar com jornalistas, pesquisadores e instituições para checar ao vivo a declaração dos candidatos. Os canais da FENAJ e da RNCD no Youtube vão retransmitir as verificações.
A presidenta da Intercom, Iluska Coutinho, explica que as organizações se preocuparam ao ver um processo importante para ajudar o cidadão a tomar a sua decisão eleitoral trazer mensagens sem checagem, permitindo a propagação de preconceitos e informações incorretas. “Levando os eleitores a decisões equivocadas. A comunicação tem um papel importante de esclarecimento da sociedade. É um compromisso de permitir que as pessoas possam agir como cidadãs, com informação de qualidade, informação com contexto. Se a gente deixa a fonte apresentar informações que não são confirmadas e, em alguns casos, inverídicas, contribuimos para a desinformação”, afirmou.
As organizações estão definindo o protocolo que será utilizado nas checagens e, também, a terminologia que será utilizada, como: verdadeiro, falso, impreciso — além de evidenciar o grau de imprecisão.
“Como sociedade científica, pesquisadores, a gente entende o papel dos jornalistas profissionais que desenvolvem o trabalho deles, das agências de checagem, mas achamos que o desafio é tão grande de desinformação e os impactos negativos de desinformação são tão assustadores que todo mundo está se esforçando. [… ] estamos querendo somar esforços”
No último debate presidencial na TV Bandeirantes, a Fenaj e os sindicatos filiados à entidade criticaram o modelo da discussão e a condução do confronto.
Manifesto da ECA
A movimentação dos estudantes e egressos da ECA-USP começou ainda no primeiro turno. Renan Affonso, estudante do último ano de Jornalismo, conta que ex-alunos de Publicidade tiveram a ideia de se organizar depois que o debate no primeiro turno foi cancelado. Assim, foi criado um grupo de WhatsApp e nasceu a carta “Comunicação só de faz com a verdade”. O documento pontua a necessidade de checagem ao vivo nos debates, sugere penalidades como retirada de tempo se algum candidato propagar informação falsa ou ferir os direitos humanos, ou, a Constituição.
“A gente lançou no início do mês, começou a colher assinaturas, chegou a 1.000, 1.500, depois do debate da Band, as pessoas começaram a entender a importância dessa discussão, em um dia passamos para 10 mil assinaturas”, contou Renan.
A checagem da ECA será feita no canal do Youtube do CJEUSP. Será coordenada por cinco professores e cerca de 30 alunos da graduação e da pós que vão voluntariamente realizar a checagem.
O professor de Jornalismo, Rodrigo Ratier, explica a metodologia que será aplicada. “A gente vai trabalhar com categorias simplificadas, vão ser quatro categorias: falso, verdadeiro, enganoso e impreciso. Enganoso é quando você tem uma distorção da informação, uma descontextualização ou um equívoco de ordem numérica, suficientemente grande, para distorcer a interpretação. A gente vai fazer também uma contagem de quantas perguntas não foram respondidas”.
O modelo de fact-checking vai se basear em material jornalístico já publicado por veículos de jornalismo profissional, sejam eles de caráter comercial ou independente. Além disso, os intervalos terão análise dos professores Denis de Oliveira e Vitor Blotta.
“Fazer a checagem no departamento de Jornalismo com alunos e professores, é justamente entender a universidade como um espaço de experimentação e, também, como uma instituição que tem o dever de retornar para a sociedade, já que a gente entende que a universidade pública ela é financiada pelo dinheiro […] quem sabe, daqui a dois anos nas eleições municipais, a gente tenha também outras emissoras embarcando nessa com a gente”, opinou Renan.
Assistir a checagem
Canal da Fenaj: https://www.youtube.com/@fenajoficial
Canal da RNCD: https://www.youtube.com/@RNCDBRASIL
Live ECA USP: https://www.youtube.com/@cjeusp/streams
Checagem da FESPSP
A equipe da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo desenvoveu um sistema de checagem do debate que permite verificar, praticamente em tempo real, a veracidade e precisão dos dados citados pelos candidatos, com bases oficiais confiáveis e verificáveis.
O trabalho é realizado em parceria com a FIA Business School, da Fundação Instituto de Administração (FIA), da USP.
Checagem acontece dois minutos da citação de dados por um candidato
Dois minutos depois da citação aos dados por um candidato, o sistema já classifica sua veracidade e precisão e, ao mesmo tempo, mostra todas as fontes que usou para a checagem e classificação da fala.
O link abaixo permite acesso ao sistema, e traz o exemplo de sua aplicação ao primeiro debate, para facilitar o entendimento e permitir a avaliação da confiabilidade do sistema.
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Além disso, o sistema estará disponível para qualquer cidadão ou eleitor que queira acompanhar o debate. É um serviço de utilidade pública, gratuito, sem qualquer patrocínio ou vínculo partidário.
- O link para acesso do site de checagens é: debatometro.com.br
Onde ver o debate da Globo
- TV Globo: exibição ao vivo na TV aberta, após o Jornal Nacional.
- GloboNews: transmissão simultânea pelo canal de notícias por assinatura.
- g1: transmissão simultânea pela internet, no portal de notícias.
- Globoplay: disponível em simulcast durante o debate e, na íntegra, após o encerramento.
A TVT News também fará cobertura ao vivo no site e redes sociais, com contextualização das principais informações e dados apresentados pelos candidatos
Quais as regras do debate da Globo?
A Globo definiu uma dinâmica com quatro blocos, sendo três com temas determinados e um de tema livre, além das considerações finais. A ordem das perguntas será definida por sorteios ao vivo, e a proposta é aprofundar os planos de governo dos candidatos.

Primeiro bloco: serão seis rodadas com assuntos relacionados às diferentes regiões do país e a um tema prioritário de âmbito nacional. Cada candidato terá três minutos por rodada, divididos entre pergunta, resposta, réplica e tréplica.
Segundo e terceiro blocos: os candidatos escolherão os temas das perguntas entre as opções exibidas em um telão, mantendo a mesma dinâmica de tempo dos três minutos por rodada.
Quarto bloco: tema livre. Cada candidato terá oito minutos de fala, sem limite de intervenções, e poderá se movimentar livremente pelo seu lado do cenário.
Movimentação no palco: nos três primeiros blocos, o candidato que estiver com a palavra poderá circular pelo cenário, enquanto o adversário deverá permanecer em seu púlpito até chegar a sua vez de falar. A regra foi adotada após o debate da Band, quando Flávio Bolsonaro se posicionou atrás de Lula em diferentes momentos. No quarto bloco, a movimentação é liberada apenas pelo próprio lado do cenário.
Como ver a checagem do debate da Globo?
A TV Globo não fará checagem de fatos ao vivo na transmissão da TV aberta, ou seja, não haverá intervenções para corrigir ou contestar as declarações dos candidatos durante o debate. A verificação ficará concentrada nas plataformas digitais do grupo e em iniciativas de outros veículos e entidades.
O g1 mobilizará uma equipe de mais de 30 jornalistas do projeto Fato ou Fake para verificar as declarações durante o encontro. As publicações serão feitas nas páginas do g1 e dos jornais O Globo, Valor Econômico e Extra, além do portal da rádio CBN.
A GloboNews exibirá um programa especial após o debate com os resultados apurados. O trabalho de checagem utiliza três classificações: #FATO, #NÃOÉBEMASSIM e #FAKE.
Onde ver a checagem do Debate Lula x Flávio Bolsonaro
Diferentes organizações e veículos de imprensa montaram estruturas de verificação em tempo real para acompanhar as falas dos candidatos. Entre as iniciativas confirmadas estão:
- UOL Confere: checagem ao vivo pelo Canal UOL no YouTube, a partir das 21h, com reações e comentários de colunistas. Após o debate, um texto com a checagem completa será publicado no site do UOL.
- ICL Notícias: checagem de fatos ao vivo pelo canal do veículo no YouTube, com participação de Eduardo Moreira, Deborah Magagna, Juliana Dal Piva e Paulo Motoryn.
- ECA-USP: professores e estudantes de jornalismo da Escola de Comunicações e Artes da USP farão checagem em tempo real, com transmissão pelo canal do Departamento de Jornalismo e Editoração (CJE) no YouTube, a partir das 21h.
- FENAJ e entidades: a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), em conjunto com a Rede Nacional de Combate à Desinformação (RNCD) e a ALCAR, transmitirá a checagem simultânea pelo YouTube.
- TVT News: o portal também acompanhará a checagem do debate, com atualizações em sua página de últimas notícias.