O Literatura Espalhada, projeto da FESPSP (Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo), completa 18 anos em 2026 com mais de 20 mil livros doados e promove, a partir do meio-dia de quinta-feira (29/10), a distribuição gratuita de mais de 1.000 exemplares de obras literárias pelas ruas do Centro Histórico da capital paulista. Leia em TVT News.
A concentração será às 11h30, no campus da instituição, na Rua General Jardim, 522, Vila Buarque, e a entrega das publicações ocorrerá durante uma caminhada que o grupo realizará até às 13h30. Liderada por estudantes das graduações de Sociologia e Política, Biblioteconomia e Administração, a iniciativa também terá um sarau literário no período noturno na sede da Fundação.
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A professora doutora Eliana Asche, docente da FESPSP há mais de 25 anos e coordenadora do Espaço Cultural da instituição, explica o percurso da caminhada. “O grupo de estudantes e professores seguirá em cortejo até a rua Amaral Gurgel, sob o Minhocão [via elevada Presidente João Goulart] e, de lá, seguirá até a praça da República”, conta.
A previsão é reunir 60 participantes. “Priorizamos a população em situação de rua, mas a distribuição é aberta a quem se interessar. Ao longo do percurso os participantes do cortejo entregam livros e conversam com a população sobre as obras distribuídas”, diz Asche.
Na praça da República, ponto final da caminhada, haverá declamação de poemas e leitura em voz alta de trechos de livros. O grupo ostentará uma faixa com a mensagem “Literatura é um direito de todos”.
Realizado duas vezes ao ano, o Literatura Espalhada celebra o Dia Nacional do Livro, em 29 de outubro, e o Dia Mundial do Livro, em 23 de abril. Ao longo dos anos, as doações ampliaram a quantidade e a diversidade das obras disponíveis. O projeto conta com um espaço para armazenar os exemplares e também oferece livros à comunidade interna.
Sarau
amplia participação do corpo discente Outra novidade será a realização de um sarau literário no campus, organizado pelos estudantes do período noturno. A proposta surgiu como alternativa para que eles também pudessem participar da programação. Asche celebra a maneira como os próprios alunos abraçaram a ideia e assumiram a organização da atividade. O sarau terá caráter experimental e poderá integrar as próximas edições do projeto.
Conversa despretensiosa
O Literatura Espalhada teve início em 2008, a partir de uma conversa em sala de aula, durante um curso livre de literatura e redação. Participaram daquele encontro estudantes de Sociologia, Eliana Asche e o professor doutor Ivan Russeff, ex-docente de Literatura e Língua Portuguesa na FESPSP.
Durante as leituras de livros, contos e fragmentos de obras, uma discussão sobre textos literários evoluiu rapidamente para um intenso debate acerca da dificuldade de acesso da população mais pobre à literatura.
“Um dos estudantes contou que, em Londres, havia pessoas que deixavam livros no transporte público para que outros passageiros os levassem”, lembra Asche. “Foi então que o grupo passou a discutir possíveis formatos para replicar aquela iniciativa. Juntamos uns 20 ou 30 livros disponíveis naquele momento, tudo o que estava ao alcance das nossas mãos, e saímos para distribuí-los sob o Minhocão. Foi tudo muito rápido e espontâneo.”
Uma das primeiras lembranças de Russeff é de uma banca de livros instalada entre a secretaria e a portaria da Fundação, onde os exemplares ficavam disponíveis para quem quisesse levá-los. “A circulação de exemplares ganhou outra dimensão quando passamos a sair para oferecê-los nas ruas”, recorda o educador, que atribui à professora Asche papel central na concepção e na organização do projeto.
Ao refletir sobre o sentido do Literatura Espalhada, Russeff relaciona o acesso à literatura à formação humana. Para ele, a leitura e a arte podem despertar aspectos da experiência que as condições de vida sufocam ou deixam em segundo plano.
Na primeira caminhada, os participantes se misturaram às pessoas que viviam em barracas e abrigos improvisados sob o Minhocão. “Ficamos surpresos e alegres ao descobrimos que, em uma dessas moradias precárias, havia uma biblioteca comunitária”, diz Asche.
Das ruas a outros espaços de leitura
A trajetória do Literatura Espalhada também se relaciona com outras iniciativas de incentivo à leitura na FESPSP. Segundo Asche, o nome do projeto vem sendo adotado para reunir atividades literárias da instituição, entre elas o Clube de Leitura Jorge Nagle e ações em escolas públicas.
Nesse percurso, o mesmo grupo também realizou o Leitura Livre, projeto que levou literatura e incentivou o hábito da leitura em presídios de São Paulo. A experiência incluía leitura de textos da literatura brasileira e declamação de poemas.
O trabalho nos presídios está relacionado a outra proposta mencionada pela professora, ainda não realizada: promover leituras em voz alta ou leituras dramáticas em hospitais de longa permanência e casas de repouso. A concretização da ideia ainda depende de recursos, ressalta Asche.
Serviço
Literatura Espalhada – Edição comemorativa de 18 anos
Data: 29 de outubro, quinta-feira, às 11h30
Concentração: campus da FESPSP, na Vila Buarque, em São Paulo
Entrega dos livros: entre o meio-dia e as 13h30
Percurso: saída da FESPSP, passagem pela rua Amaral Gurgel, sob o Minhocão, e chegada à praça da República Sarau literário: no campus da FESPSP, às 19h