Nesta terça-feira (3) os americanos vão às urnas para decidir o futuro do país. Agora, nos EUA, é o momento do que se chama de eleições de “midterms”, isto é, eleições de “meio de mandato” do presidente eleito. É nessa ocasião que eleitores escolhem os membros do Congresso, que é composto pela Câmara dos Representantes e Senado. No atual cenário, o governo de Trump tem uma avaliação negativa e a expectativa é que o presidente perca poder com o resultado das eleições. Entenda em TVT News.
Cidadãos norte-americanos votam para escolher o Congresso a cada dois anos, mas apenas são chamadas de midterms as eleições que ocorrem no meio do mandato presidencial. O resultado dessas eleições serve, de termômetro de desempenho e avaliação que a população tem do presidente em exercício.
Donald Trump, presidente eleito em 2024, enfrenta uma fase conturbada, acumulando guerras e políticas tidas como extremistas, que é o caso da perseguição a imigrantes, marca do seu atual mandato. Será difícil para o presidente norte-americano recuperar, assim, o comando do Congresso.
Taxa de aprovação de Trump é baixa
A taxa de aprovação do presidente é baixa. De acordo com a pesquisa Silver Bulletin, Trump começou seu mandato com uma taxa de aprovação um pouco acima de 50%. Em dois anos, no entanto, esse número caiu para a faixa dos 40%.
A rejeição do presidente pode ser vista no resultado das principais pesquisas eleitorais, em que os democratas, partido da oposição, atualmente lideram em cinco estados que são representados pelo partido de Trump no Senado. Os republicanos perdem na Carolina do Norte, Texas, Ohio, Maine e Alasca.
Caso o quadro negativo para o partido de Trump se confirme nas urnas, podemos ter 52 cadeiras para os democratas versus 48 dos republicanos.
Vantagem apertada na maior parte das disputas
Com exceção da Carolina do Norte, onde o ex-governadore Roy Cooper tem mais ou menos 10 pontos percentuais de vantagem sobre o republicano Michael Whatley, a vantagem dos democratas não é tão grande nas pesquisas. E o futuro ainda é incerto.
Disputa pelo controle do Congresso
Além da insatisfação com o governo, o resultado das eleições pode mudar a correlação de forças no Congresso. No Senado, a disputa é mais equilibrada, mas os republicanos também enfrentam riscos.
Uma eventual perda de maioria dificultaria a articulação do governo para aprovar propostas e defender sua agenda legislativa. O resultado também poderia ampliar a pressão política sobre o presidente durante a segunda metade do mandato.
Iowa e Michigan: democratas também lideram
Os democratas também veem oportunidades em disputas estaduais que podem influenciar o equilíbrio do Senado.
Em Iowa, o democrata Josh Turek enfrenta a republicana Ashley Hinson. A possibilidade de perder a cadeira levou o Senate Leadership Fund, principal comitê de apoio aos republicanos no Senado, a ampliar em US$ 20 milhões os investimentos em publicidade no estado durante outubro.
Em Michigan, o democrata Abdul El-Sayed aparece à frente do republicano Mike Rogers, com vantagem de 2,6 pontos percentuais na média de pesquisas da RealClearPolitics. Uma vitória democrata teria peso político e simbólico, já que a cadeira está sob controle republicano há 26 anos.
Redesenho eleitoral também influencia a disputa; entenda o que mudou no mapa eleitoral
A corrida pela Câmara dos Representantes é atravessada ainda pelas mudanças nos mapas dos distritos eleitorais.
Nos últimos anos, decisões da Suprema Corte alteraram a aplicação da Lei de Direitos de Voto e abriram espaço para novas disputas sobre a divisão dos distritos em diferentes estados.
Como o redesenho costuma ser conduzido pelas Assembleias Legislativas estaduais, o partido que controla o governo local pode exercer influência sobre os limites territoriais.
Na prática, a distribuição dos eleitores pode favorecer uma legenda, concentrando os votos da oposição em determinados distritos e ampliando as chances de vitória em outros.
“Redistramento”
O processo, conhecido como redistritamento, também tem provocado disputas judiciais.
No Missouri, será utilizado o mesmo mapa eleitoral de 2024. Já na Virgínia, a Suprema Corte anulou um desenho de distritos apoiado pelos democratas que poderia ampliar a representação do partido na Câmara.
Com a disputa pelo Congresso, as mudanças nos distritos e o desgaste da política migratória, as eleições de meio de mandato se tornam um teste para a capacidade de Trump de manter apoio político.
Nesse contexto, a participação do eleitorado latino pode ter influência importante sobre o resultado e sobre os rumos da segunda metade de seu governo.
O voto latino e a política anti-imigração
Nesse cenário, o voto latino ganha relevância e pode representar um obstáculo para os candidatos republicanos.
A insatisfação de parte da população com as ações do governo contra imigrantes tem impacto direto sobre esse segmento do eleitorado.
Desde o ano passado, aumentaram as detenções de pessoas em situação migratória irregular, inclusive de indivíduos sem condenações criminais. A política de imigração passou a ser uma das principais fontes de desgaste da gestão Trump.
Para James Green, historiador e diretor do Washington Brazil Office (WBO), a atuação do governo tem influenciado o comportamento eleitoral da comunidade latina.
Segundo ele, muitos dos detidos não cometeram crimes, além de permanecerem no país após o vencimento da autorização de residência. A avaliação é que a rejeição à política migratória pode levar uma parcela maior desse eleitorado a votar contra os republicanos.
O ex-embaixador do Brasil em Washington Rubens Barbosa também considera que a política migratória se tornou um fator negativo para Trump, especialmente entre os latino-americanos. O desgaste ocorre em um momento no qual o presidente registra índices baixos de aprovação no segundo mandato.