Filho de João Goulart lança livro sobre assassinato do pai pela ditadura

Obra reúne documentos e depoimentos sobre a vigilância sofrida por Jango no exílio e as suspeitas de adulteração de medicamento pela ditadura
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João Goulart e Maria Thereza Goulart no famoso Comício da Central do Brasil , em que defendeu as reformas de base - Imagem: Arquivo Nacional / Fundo documental: Correio da Manhã

O que realmente causou a morte de João Goulart? Com o óbito declarado em 6 de dezembro de 1976, na Argentina, por infarto fulminante, mas sem comprovações ou evidências que corroborassem essa conclusão, o caso se tornou tema de uma investigação conduzida décadas depois por seu próprio filho, João Goulart Filho, em parceria com o jornalista Alex Solnik. Leia em TVT News.

Em As duas mortes de Jango – O crime que a ditadura tentou esconder, publicado pela Matrix Editora, os autores reconstituem a trajetória política do ex-presidente, o monitoramento a que foi submetido durante o exílio e os relatos que levantaram suspeitas de uma adulteração de remédio.

Após a morte de Jango, não houve autópsia nem exame toxicológico antes do sepultamento. Foi apenas no âmbito das investigações sobre violações de direitos humanos durante a Ditadura Militar, em 2013, que os restos mortais do ex-presidente foram exumados. Divulgado em 2014, o laudo pericial foi inconclusivo e insuficiente para descartar a hipótese de assassinato, o que instigou a busca de seu filho por fatos, esclarecimentos e justiça.

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Goulart Filho considera a trajetória política do pai “meteórica” e, neste livro, ajuda a reconstruir esse período histórico como uma investigação em movimento. Ao acompanhar os últimos dias de Jango, mostra de um lado a tentativa de encerrar rapidamente o caso sob a versão de um infarto; de outro, a memória de um presidente deposto que mobilizava multidões e dividia opiniões.

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Foto: Divulgação

Os autores percorrem a atuação política de Jango desde a aproximação com Getúlio Vargas e a participação na construção do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) até a Presidência da República, entre 1961 e 1964. As Reformas de Base, a crise política que antecedeu o golpe militar e a decisão do então presidente de não organizar uma resistência armada também são relatadas.

A obra também examina articulações políticas de Jango fora do Brasil, em prol da redemocratização, bem como o monitoramento a que ele e pessoas de seu círculo próximo teriam sido submetidos durante o exílio.

Os registros descritos no título apontam para uma rede de vigilância que envolvia agentes ligados aos serviços de inteligência do Brasil, do Uruguai e do Chile, além de referências à CIA, mostrando também os bastidores da chamada Operação Escorpião, articulada dentro da estrutura repressiva da Operação Condor.

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Transporte dos despojos do ex-presidente João Goulart (Jango) – Fotos: Tereza Sobreira/Ministério da Defesa

A hipótese de assassinato aparece nos relatos do ex-agente do serviço secreto uruguaio Mário Neira Barreiro. O depoimento explica a ação de troca de medicamentos, atribui a operação a integrantes dos serviços de inteligência e menciona a participação de um médico-legista.

As duas mortes de Jango é primeira obra a sustentar, com base no conjunto de indícios e registros examinados, a verdadeira causa da morte de João Goulart, em contraposição àquela oficialmente apresentada. Uma leitura indicada para quem se interessa por História e jornalismo investigativo, e para quem quer saber mais sobre crimes encobertos pela ditadura militar brasileira.

Ficha técnica
Título
: As duas mortes de Jango – O crime que a ditadura tentou esconder
Autoria: João Goulart Filho e Alex Solnik  
Editora: Matrix Editora
ISBN: 978-65-5616-716-9
Páginas: 160
Preço: R$ 56,00
Onde encontrar: Amazon, Matrix Editora e livrarias de todo o país

Sobre os autores

João Vicente Fontella Goulart (também conhecido como João Goulart Filho) é autor dos livros “Entre anjos e demônios: poemas do exílio” e “Jango e eu: memórias de um exílio sem volta”, indicado ao Prêmio Jabuti. Filho do ex-presidente João Goulart e de Maria Thereza Goulart, passou a infância e a adolescência no exílio, entre Uruguai e Inglaterra, após o golpe militar de 1964 que depôs seu pai. Formou-se em Filosofia pela PUC do Rio Grande do Sul. Foi um dos fundadores do Partido Democrático Trabalhista (PDT), ao lado do tio Leonel Brizola. Em 1982, elegeu-se deputado estadual pelo Rio Grande do Sul pelo PDT, cumprindo mandato de 1983 a 1987. Em 2018, candidatou-se à Presidência da República pelo Partido Pátria Livre (PPL). Filiou-se posteriormente ao PCdoB, do qual é o presidente em Brasília. Fundou e é o presidente do Instituto João Goulart, dedicado à pesquisa histórica e à defesa da soberania nacional.

Alex Solnik é natural de Drogobytch, na Ucrânia, e mora no Brasil desde 1958. É jornalista profissional desde 1977. Trabalhou nas revistas Isto É, Senhor, Careta, Status, Manchete, Interview, no Jornal da Tarde, Última Hora, Correio Braziliense, Folha da Tarde, Panorama e O Nacional. É autor de “Os Pais do Cruzado Contam por Que Não Deu Certo”, “O cofre do Adhemar”, “A guerra do apagão”, “A última batalha de Napoleão”, “O dia em que conheci Brilhante Ustra”, e coautor, com Paulo Caruso, dos quadrinhos da série “Bar Brasil”, nas revistas Careta e Senhor, e dos livros “Bar Brasil, Bar Brasil na Nova República” e “Ecos do Ipiranga”.

Sobre a Matrix Editora 

Apostar em novos talentos, formatos e leitores. Essa é a marca da Matrix Editora, desde a sua fundação em 1999. A Matrix é hoje uma das mais respeitadas editoras do país, com mais de 1.100 títulos publicados e oito novos lançamentos todos os meses. A editora se especializou em livros de não-ficção, como biografias e livros-reportagem, além de obras de negócios, motivacionais e livros infantis. Os títulos editados pela Matrix são distribuídos para livrarias de todo o Brasil e também são comercializados no site www.matrixeditora.com.br.  

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