Pesquisa Quaest divulgada em 13 de maio mostra o presidente Lula numericamente à frente de Flávio Bolsonaro na simulação de segundo turno. TVT News ouviu especialistas em pesquisas eleitorais para entender os números. Leia análise da pesquisa Quaest de maio com a TVT News.
Pesquisa Quaest: principais resultados de maio de 2026
Eleições 2026: A Pesquisa Quaest mostra que Lula mantém força eleitoral no Nordeste e entre eleitores de menor renda, enquanto candidatos associados ao bolsonarismo têm melhor desempenho entre eleitores de renda mais alta e no Sul do país.
Aprovação do governo Lula: a Pesquisa Quaest mostra recuperação da aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com desempenho mais forte no Nordeste e entre eleitores de menor renda.
Intenção de voto espontânea para presidente: na Pesquisa Quaest, Lula segue liderando as citações espontâneas
Intenção de voto para presidente — 2º turno (cenário 1): a Pesquisa Quaest mostra Lula fazendo o X em Flávio Bolsonaro e volta a liderar numericamente as intenções de voto no segundo turno.

Quaest traz boa notícia para o governo Lula, afirma cientista político
Os números da pequisa Quaest de maio são boa notícia para o Palácio do Planalto. É o que diz o cientista político Aldo Fornazieri, coordenador do Curso de Pós-Graduação em Estratégia e Liderança Política da FESPSP (Escola de Sociologia e Política de São Paulo).
“Em ambas as avaliações, houve uma melhora de 3 pontos nas avaliações positivas e uma queda correspondente nas avaliações negativas. Neste momento da conjuntura eleitoral, quando o cenário ainda está se desenhando, a avaliação do governo e do presidente é mais importante do que as pesquisas eleitorais”, considera Aldo Fornazieri.
De acordo com o cientista político, as avaliações do governo e do presidente indicam se a sociedade quer mudança ou se quer a permanência do atual presidente. Os números mostram que a avaliação negativa ainda é superior à positiva. No caso de Lula, 49% desaprovam e 46% aprovam. A distância entre as duas curvas agora está em 3 pontos. Em abril, estava em 9 pontos. Os ganhos foram muito significativos”, analisa Fornazieiri.

“O mesmo movimento ocorre em relação à avaliação do governo: a avaliação negativa está em 39%, a positiva em 34% e a regular em 25%. A distância entre a curva negativa e a positiva agora está em 5 pontos, enquanto em abril estava em 11 pontos”, pondera o analista político.
“O que o governo precisa fazer agora é manter o esforço e reforçar a tendência de reversão da avaliação negativa pela positiva antes do início da campanha. Se isso ocorrer, Lula começará a campanha como favorito, pois a sociedade estará sinalizando que quer a continuidade do atual governo”, afirma Fornazieiri.
Pesquisa Quaest de maio é tira-teima de 2022, analisa especialista
“A Quaest mostra que vai se estabilizando um cenário pré-eleitoral para 2026 como uma antecipação do segundo turno”, analisa o coordenador do Laboratório de Opinião Pública e Mídias Digitais da FESPSP, Beto Vasques.
“O resultado da Quaest representa uma espécie de terceiro turno, de tira-teima do segundo turno de 2022 entre os sobrenomes Lula e Bolsonaro”, afirma Beto Vasques.
“É uma disputa que tende a ser acirradíssima até o final (com diferença máxima de 1,5% e eventuais alterações de posição, segundo o noticiário do período recente), com candidatos altamente populares (alto grau de conhecimento), com elevados pisos (intenção de voto) e baixos tetos (rejeições elevadas)”, analisa Vasques.
Quatro indicadores apontam essa tendência de disputa aferrada e o balé de posições entre os dois favoritos pela preferência do eleitor: 1) o grau de conhecimento de ambos é muito elevado (97% Lula vs. 93% Flávio); 2) rejeição (53% Lula vs. 54% Flávio); 3) intenções de voto espontânea (22% Lula vs. 14% Flávio), estimulada (39% Lula vs. 33% Flávio) e de simulação de segundo turno (42% Lula vs. 41% Flávio); 4) o maior medo da população (42% “mais um governo Lula” vs. 44% “volta da família Bolsonaro”).
Resultado da Quaest reforça hipótse de antecipação do voto útil, diz analista
“A Quaest deste mês de maio corrobora a hipótese de aprofundamento radical da dinâmica de antecipação do voto útil”, prevê Beto Vasques.
“Nas últimas décadas, vimos como esse processo de racionalização do voto (no “menos pior”) foi sendo sistemática e progressivamente antecipado do segundo turno para a reta final do primeiro turno nas eleições majoritárias em todo o país”, conta Vasques.
Os números mostram que o eleitor pode antecipar o voto no candidato que consideram que tenha chance de vencer logo no primeiro turno. “O que vemos agora parece responder ao mesmo fenômeno, porém em um grau ainda mais intenso: o voto útil orientando a escolha dos eleitores já não mais na véspera do primeiro turno, mas desde a fase de pré-campanha, a cinco meses do dia da eleição”, diz o analista político.
Principal dado da Quaest é a movimentação positiva do governo Lula, afirma professor
Para o cientista político e professor do Laboratório de Opinião Pública e Mídias Digitais da FESPSP, Hilton Fernandes, o principal resultado da pesquisa Quaest foi a movimentação positiva na avaliação do governo Lula.
“Apesar de ser uma variação pequena, é possível perceber que ela ocorre com mais força em determinados segmentos, como no eleitorado feminino e entre aqueles que a empresa classifica como independentes”, aponta o professor.

“A melhora entre as mulheres é particularmente interessante, pois pode refletir uma resistência ao discurso de ódio, base da polarização, e aponta para fatores que podem ser decisivos na eleição. Será importante compreender como esse grupo se comportará nas próximas rodadas de pesquisa”, considera Hilton.
Hilton destaca que Ronaldo Caiado, do União Brasil, não conseguiu melhorar a intenção de voto mesmo após a recente exposição na propaganda partidária veiculada em rádio e TV, o que confirma o foco da atenção dos eleitores nos dois principais candidatos.
“As próximas rodadas de pesquisas serão importantes para mostrar se a melhora na avaliação do governo foi uma variação pontual ou se irá se confirmar”, explica Hilton.
Encontro com Trump favoreceu imagem de Lula
Para o cientista político Jairo Pimentel, professor do Laboratório de Opinião Pública e Mídias Digitais da FESPSP
A Quaest mostra um Lula em recuperação. “A melhora da aprovação parece estar menos ligada a uma mudança estrutural do eleitorado e mais a uma melhora do ambiente conjuntural e do noticiário”, interpreta Pimentel.
“Nos últimos meses, o governo vinha sofrendo desgaste com notícias ruins que contaminaram indicadores como avaliação de governo e percepção sobre a direção do país. Agora, a percepção de um noticiário positivo subiu de 23% para 32%, ajudando Lula a reduzir parcialmente a pressão negativa”, explica o professor.

O encontro com Trum favoreceu a imagem positiva do governo Lula. “O encontro com Donald Trump teve papel importante nesse processo, reforçando a imagem presidencial e deslocando temporariamente o foco do debate doméstico negativo — um efeito próximo ao chamado rally effect, que tende a beneficiar incumbentes em momentos internacionais relevantes”, analisa Pimentel.

“Essa melhora aparece sobretudo entre moderados, independentes e mulheres, segmentos mais sensíveis ao clima político e institucional. Ao mesmo tempo, persistem fragilidades estruturais importantes, especialmente na economia: 69% ainda percebem alta nos preços dos alimentos e perda de poder de compra em relação ao ano anterior”, pondera Jairo Pimentel.
Lula mais competitivo
O professor do Laboratório de Opinião Pública a FESPSP considera que Lula está mais competitvo. “Houve redução do pessimismo econômico, com queda daqueles que acreditam que a economia vai piorar nos próximos 12 meses. O quadro, portanto, sugere que Lula conseguiu interromper uma trajetória de desgaste e voltar a uma posição competitiva para 2026, mas ainda sem alcançar uma zona de conforto eleitoral”, aplica Pimentel.

