Bad Bunny cede música para campanha de Lula em defesa da soberania

Faixa “Lo Que Le Pasó a Hawaii” foi adaptada para o contexto brasileiro e acompanha peça que critica a aproximação de Flávio Bolsonaro com Trump
SAN JUAN, PORTO RICO – 23 DE AGOSTO: Bad Bunny se apresenta ao vivo durante sua turnê “DeBÍ TiRAR Más FOToS Tour Cerramos En Casa”, no Estádio Hiram Bithorn, em 23 de agosto de 2026, em San Juan, Porto Rico. Gladys Vega/Getty Images/AFP (Foto de Gladys Vega / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP).

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) incorporou uma música do cantor porto-riquenho Bad Bunny a uma nova peça eleitoral que aborda a defesa da soberania brasileira e faz críticas à aproximação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o governo de Donald Trump. Segundo a campanha petista, a equipe do artista autorizou o uso da canção. Leia em TVT News.

A faixa escolhida é “Lo Que Le Pasó a Hawaii”, do álbum DeBÍ TiRAR MáS FOToS. A música aborda temas relacionados à perda territorial, à influência dos Estados Unidos, à gentrificação e à preservação da identidade cultural de Porto Rico. Na peça eleitoral, a campanha adapta a letra para apresentar a discussão sobre soberania no contexto brasileiro.

Um dos trechos utilizados no vídeo afirma: “Querem tomar o rio, e também a praia, querem as terras raras, querem que a gente saia. Não largue a bandeira, não esqueça o que vivi, não quero que façam contigo, o que fazem por aí”.

A escolha da música ocorre em meio à utilização do tema da soberania como um dos eixos da campanha de Lula.

O presidente também abordou o assunto em discurso na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, na terça-feira (22), quando fez críticas aos Estados Unidos sem mencionar diretamente o país.

Campanha adapta música de Bad Bunny

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Montagem com trechos da campanha eleitoral de Lula inspirada na música de Bad Bunny – Reprodução

A propaganda eleitoral começa com a voz do ator Wagner Moura, que apresenta uma interpretação sobre a origem do sobrenome Silva e sua relação com a chegada dos portugueses ao território brasileiro.

“Quando os portugueses chegaram, em 1500, encontraram a selva. Selva em latim é Silva”, afirma Moura na peça.

Na sequência, o ator relaciona a expressão à forma como os colonizadores identificavam as pessoas nascidas no território.

“Quem nascia aqui, para eles, era ‘da selva’. O povo brasileiro sempre foi ‘da Silva’”, diz.

Depois da introdução, começa a versão adaptada da música de Bad Bunny. O vídeo apresenta imagens de apoiadores do bolsonarismo carregando bandeiras dos Estados Unidos e referências a medidas e declarações relacionadas ao governo Trump.

A campanha também associa Flávio Bolsonaro à aproximação com o presidente norte-americano e coloca a discussão sobre soberania nacional no centro da peça.

O vídeo termina com uma declaração de Lula: “O Brasil tem um único dono: o povo brasileiro”.

Música fala sobre Porto Rico e imperialismo dos EUA

“Lo Que Le Pasó a Hawaii” estabelece uma comparação entre processos históricos relacionados ao Havaí e a situação de Porto Rico.

Na música, Bad Bunny aborda o receio de que a ilha perca características de sua identidade diante da influência dos Estados Unidos.

A letra trata de questões como a chegada crescente de norte-americanos, a valorização dos imóveis, a transformação de bairros e costumes e o aumento do custo de vida.

O Havaí aparece como referência para discutir alterações na população local e na cultura provocadas pela ocupação estrangeira, pelo turismo e pela valorização imobiliária.

A música expressa o temor de que os porto-riquenhos possam se tornar estrangeiros em sua própria terra.

O álbum DeBÍ TiRAR MáS FOToS também aborda temas relacionados à colonização, ao deslocamento populacional e às mudanças culturais associadas à influência estrangeira.

A faixa escolhida pela campanha de Lula segue essa abordagem ao tratar da relação entre identidade, território e influência dos Estados Unidos.

Bad Bunny e o debate sobre identidade porto-riquenha

Bad Bunny também esteve envolvido em episódios de repercussão política nos Estados Unidos.

Em fevereiro, ele comandou o show do intervalo do Super Bowl LX, realizado em Santa Clara, na Califórnia. A apresentação contou com referências à cultura porto-riquenha e à identidade latino-americana, além das participações de Lady Gaga e Ricky Martin.

O espetáculo recebeu críticas do presidente Donald Trump. Após a apresentação, Trump classificou o show como “absolutamente terrível, uma das piores DE SEMPRE!” e também criticou o fato de Bad Bunny cantar em espanhol, afirmando que “ninguém entende uma palavra do que esse cara está dizendo”.

Antes disso, o cantor já havia criticado políticas migratórias do governo Trump. A relação entre Bad Bunny, a identidade de Porto Rico e o debate sobre a influência dos Estados Unidos passou a fazer parte da repercussão em torno de seu trabalho.

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