Bancários conquistam aumento real de para 2026 e 2027 após 13 rodadas de negociação

Proposta negociada por bancários prevê reposição da inflação, manutenção de direitos e novas regras sobre saúde, tecnologia e demissões
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Proposta negociada por bancários prevê reposição da inflação, manutenção de direitos e novas regras sobre saúde, tecnologia e demissões. Foto: Seeb-SP

Após mais de dois meses de negociações, o Comando Nacional dos Bancários e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) chegaram a uma proposta para a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT). O acordo prevê reposição integral da inflação medida pelo INPC, acrescida de 0,6% de aumento real em 2026 e 2027. Leia em TVT News.

O índice será aplicado aos salários e às demais verbas previstas na convenção, incluindo a Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e os vales-refeição e alimentação. O percentual total de reajuste para 2026, no entanto, ainda depende da divulgação do INPC referente à data-base da categoria, em 1º de setembro. O índice será divulgado em 11 de setembro.

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A proposta foi construída após 13 rodadas de negociação, oito delas encerradas com propostas rejeitadas pelos trabalhadores. A última reunião começou na sexta-feira (28) e terminou apenas na noite de sábado (29), após cerca de 32 horas de negociações.

Proposta será votada pelos trabalhadores

A proposta negociada com os bancos será submetida à avaliação da categoria em assembleias marcadas para os dias 3 e 4 de setembro. A aprovação ainda depende da votação dos trabalhadores.

Além do reajuste, o acordo mantém as cláusulas da Convenção Coletiva de Trabalho e estabelece novas medidas relacionadas às condições de trabalho. Entre elas estão a participação dos sindicatos no gerenciamento de riscos psicossociais, regras para o uso de ferramentas de monitoramento digital e a garantia do direito à desconexão fora do horário de expediente.

Também foi prevista a ampliação dos canais de denúncia contra assédio. O mecanismo, que já recebe relatos de assédio moral e sexual, deverá contemplar também situações praticadas por clientes contra funcionários dos bancos.

Outro ponto do acordo envolve trabalhadores demitidos em razão do fechamento de agências. A proposta prevê um programa de requalificação e recolocação profissional, além de uma indenização adicional à prevista atualmente na convenção.

Segundo o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, entre janeiro de 2015 e maio de 2026, os maiores bancos fecharam 9,5 mil agências. Apenas no primeiro semestre deste ano, foram encerradas 669 unidades.

Negociações ocorreram em meio a impasses

Durante a campanha salarial, os representantes dos trabalhadores rejeitaram propostas que, segundo o sindicato, previam reajustes abaixo da inflação, mudanças na estrutura de negociação e redução de benefícios.

A negociação também ocorreu em um contexto de ausência da chamada ultratividade, mecanismo que mantém as regras de um acordo coletivo em vigor até a assinatura de um novo instrumento. A CCT dos bancários reúne 85% de cláusulas que, segundo o sindicato, garantem condições superiores às previstas na legislação trabalhista.

Caso a proposta seja aprovada, o sindicato calcula que a categoria terá acumulado, entre 2004 e 2027, reajuste nominal de 286,5%, correspondente a 25% de ganho real. Para o piso salarial, o ganho real acumulado chegaria a 47,1%.

As negociações específicas para a renovação dos acordos coletivos dos funcionários do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal ainda estão em andamento.

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