Benedita lidera disputa para o Senado no RJ, diz Paraná Pesquisas

Levantamento mostra deputada do PT à frente na corrida por uma das vagas ao Senado, enquanto aliados de Bolsonaro e de Cláudio Castro patinam
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Sem Crivella na disputa, petista amplia vantagem e chega a 35,9%. Foto: Ricardo Stuckert/PR

A deputada federal Benedita da Silva (PT) aparece como principal favorita na disputa por uma das duas vagas que estarão em jogo para o Senado Federal pelo Rio de Janeiro em 2026. É o que revela levantamento divulgado nesta quinta-feira (4) pelo instituto Paraná Pesquisas, que também expõe as dificuldades enfrentadas pelo campo bolsonarista e pelo PL para encontrar um sucessor competitivo após a saída de cena do ex-governador Cláudio Castro. Saiba mais na TVT News.

A pesquisa foi realizada entre os dias 1º e 3 de junho com 1.680 eleitores em 62 municípios fluminenses. A margem de erro é de 2,4 pontos percentuais e o nível de confiança é de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número RJ-05645/2026.

Os números mostram que Benedita chega ao início da corrida eleitoral em posição privilegiada. No primeiro cenário estimulado para o Senado, a parlamentar petista alcança 34,2% das intenções de voto, liderando com folga. Na sequência aparecem o ex-prefeito do Rio Marcelo Crivella (Republicanos), com 26%, e o deputado estadual Márcio Canella (União Brasil), com 21,3%. O deputado federal Pedro Paulo (PSD) registra 20,7%.

Como os eleitores podem escolher até dois candidatos para o Senado, os percentuais ultrapassam 100%.

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Em um segundo cenário, sem a presença de Crivella, Benedita amplia sua vantagem e chega a 35,9%. A disputa pela segunda vaga fica aberta entre Márcio Canella, que soma 23,6%, e Pedro Paulo, com 22,8%, configurando empate técnico dentro da margem de erro.

Os resultados ganham relevância por serem os primeiros divulgados após a desistência de Cláudio Castro de concorrer ao Senado. Embora estivesse inelegível em razão de irregularidades relacionadas ao processo eleitoral de 2022, o ex-governador ainda mantinha movimentações políticas para tentar viabilizar uma candidatura. O cenário mudou nas últimas semanas após novas investigações da Polícia Federal e o aprofundamento do desgaste provocado pelo escândalo envolvendo o Banco Master.

O caso ganhou repercussão nacional depois da revelação de operações bilionárias realizadas pelo Rioprevidência junto ao banco controlado pelo empresário Daniel Vorcaro. As suspeitas em torno da gestão dos recursos previdenciários do estado passaram a contaminar politicamente o grupo liderado por Castro, dificultando a construção de uma candidatura competitiva ligada diretamente ao ex-governador.

O reflexo desse desgaste aparece de forma clara nos números da pesquisa. Os representantes do PL testados pelo instituto tiveram desempenho modesto. No primeiro cenário, o deputado federal Carlos Jordy alcança apenas 10,4%, distante dos primeiros colocados. Já no segundo cenário, o senador Carlos Portinho registra 8,9%, ficando atrás não apenas de Benedita, Canella e Pedro Paulo, mas também de outros candidatos de menor projeção estadual.

Os resultados evidenciam um problema estratégico para o partido de Jair Bolsonaro justamente em um dos estados considerados historicamente mais importantes para a direita brasileira. Sem Cláudio Castro, o PL ainda não encontrou um nome capaz de herdar seu capital político e disputar em igualdade de condições as vagas para o Senado.

A situação também revela uma fragmentação do campo conservador. Além dos candidatos do PL, nomes como Crivella, Waguinho e Canella disputam o mesmo eleitorado, contribuindo para a dispersão dos votos e dificultando a consolidação de uma candidatura única do bloco bolsonarista.

Paes tem ampla vantagem na disputa pelo governo

Enquanto a disputa para o Senado permanece aberta para a segunda vaga, o cenário para o governo estadual mostra uma liderança muito mais consolidada. Segundo a Paraná Pesquisas, o prefeito da capital, Eduardo Paes (PSD), aparece com ampla vantagem sobre todos os adversários.

No principal cenário testado, Paes alcança 48,3% das intenções de voto, índice que o coloca próximo de uma vitória em primeiro turno. Em segundo lugar surge Douglas Ruas (PL), com apenas 12,6%, seguido por Anthony Garotinho (Republicanos), que registra 9,2%.

Na sequência aparecem André Marinho (Novo), com 4,2%; o ex-governador Wilson Witzel, com 3,1%; Bombeiro Rafa Luz (Missão), com 2,6%; e William Siri (PSOL), com 0,6%.

A larga vantagem de Eduardo Paes reforça o cenário de enfraquecimento político do grupo atualmente instalado no Palácio Guanabara. Após quase uma década de influência crescente da direita e da extrema direita na política fluminense, os números sugerem uma reorganização das forças eleitorais no estado.

Para o campo progressista, a liderança de Benedita da Silva na disputa pelo Senado e o desempenho competitivo de aliados em diferentes cenários indicam a possibilidade de ampliar sua representação política no Rio de Janeiro. Já para o PL e seus aliados, a pesquisa acende um sinal de alerta sobre os efeitos do desgaste acumulado por Cláudio Castro e pelas crises que atingem seu grupo político às vésperas da sucessão estadual.

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