O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) registrou lucro recorrente de R$ 9,2 bilhões no primeiro semestre de 2026, alta de 25% em relação aos primeiros seis meses de 2025. O resultado foi divulgado nesta quarta-feira (12), em São Paulo, e reforça a expansão da atuação do banco público no financiamento da economia brasileira. Saiba mais na TVT News.
No acumulado dos últimos 12 meses encerrados em junho, o lucro recorrente chegou a R$ 17,1 bilhões, o maior resultado da história do BNDES. O desempenho considera os resultados recorrentes da instituição, excluindo efeitos extraordinários que não necessariamente se repetem nos períodos seguintes.
Além do crescimento do lucro, o banco atingiu marcas históricas em seus ativos e na carteira de crédito. Os ativos totais chegaram a R$ 1,058 trilhão, maior valor nominal já registrado pelo BNDES, com crescimento de 10% desde dezembro de 2025. Já a carteira de crédito alcançou R$ 684 bilhões, alta de 14% em relação ao ano anterior e o maior patamar desde 2016.
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O diretor financeiro e de Mercado de Capitais do BNDES, Alexandre Abreu, destacou a evolução dos resultados recorrentes da instituição. Segundo ele, o desempenho anualizado representa novamente um recorde histórico.
Crédito cresce 52% no primeiro semestre
O avanço do resultado financeiro ocorreu simultaneamente à ampliação da atuação do BNDES como agente de financiamento do desenvolvimento. Entre janeiro e junho, as aprovações de crédito somaram R$ 110,6 bilhões, crescimento de 52% em comparação com o primeiro semestre de 2025.
Antes da aprovação, as consultas de crédito — primeira etapa do processo de financiamento — alcançaram R$ 237,7 bilhões, alta de 72% na comparação anual. Já os desembolsos chegaram a R$ 74,8 bilhões, aumento de 37%.
Considerando as aprovações de crédito e as operações garantidas, o volume total de recursos injetados na economia chegou a R$ 154 bilhões no semestre. Desse montante, R$ 43,4 bilhões correspondem a garantias.
Os números indicam uma aceleração da demanda por financiamento por meio do banco público, especialmente em setores ligados à infraestrutura e à atividade produtiva. O aumento das consultas também mostra que o volume de empresas e projetos em busca de recursos cresceu de maneira significativa no período.
Infraestrutura lidera expansão
Entre os setores financiados pelo BNDES, a infraestrutura apresentou o maior crescimento nas aprovações. Foram R$ 46 bilhões aprovados, alta de 91% em relação ao primeiro semestre de 2025.
O resultado acompanha a importância do investimento em infraestrutura para a atividade econômica, incluindo projetos relacionados a transporte, energia, saneamento e outros segmentos estratégicos. A ampliação do crédito nessa área representa uma das principais frentes de atuação do banco para estimular investimentos de longo prazo.
O agronegócio também teve forte expansão. As aprovações para o setor chegaram a R$ 24,8 bilhões, crescimento de 46% na comparação com o mesmo período do ano passado.
Na indústria, foram aprovados R$ 22,5 bilhões, aumento de 24%. Já comércio e serviços receberam R$ 17,3 bilhões em aprovações, crescimento de 27%.
A distribuição dos recursos mostra que a expansão do BNDES alcançou diferentes setores da economia, com destaque para áreas diretamente relacionadas à produção, ao investimento e à infraestrutura.
Apoio a micro, pequenas e médias empresas
Outro destaque do balanço foi o volume de recursos destinado às micro, pequenas e médias empresas (MPMEs). As aprovações para esse segmento chegaram a R$ 108,2 bilhões no primeiro semestre, maior valor registrado para o período na história do banco.
Desse total, R$ 64,8 bilhões correspondem a aprovações de crédito, enquanto R$ 43,4 bilhões representam garantias prestadas por fundos garantidores em operações realizadas por agentes financeiros.
O mecanismo de garantias amplia o acesso ao crédito para empresas que, em determinadas circunstâncias, poderiam encontrar dificuldades para obter financiamento diretamente no sistema financeiro. Dessa forma, os recursos do BNDES podem alcançar um número maior de empreendimentos.
Lucro líquido chega a R$ 14,9 bilhões
Além do lucro recorrente de R$ 9,2 bilhões, o BNDES registrou lucro líquido de R$ 14,9 bilhões no primeiro semestre, considerando ganhos com alienações de participações não coligadas registrados diretamente em lucros acumulados. O valor representa crescimento de 12% em relação ao mesmo período de 2025.
Entre os efeitos não recorrentes que contribuíram para o resultado estão R$ 1,6 bilhão em dividendos e juros sobre capital próprio, provenientes de empresas como Petrobras e JBS.
O banco também registrou R$ 3,9 bilhões em resultados com vendas de ações, com destaque para R$ 2,8 bilhões relacionados à Petrobras e R$ 800 milhões à Copel. Esses resultados, porém, não fazem parte do lucro recorrente e, portanto, devem ser analisados separadamente do desempenho operacional permanente da instituição.
O retorno recorrente sobre o patrimônio líquido (ROE) ficou em 19,2%, alta de 0,4 ponto percentual em relação ao primeiro semestre de 2025.
Inadimplência permanece baixa
Outro indicador apresentado pelo BNDES foi a inadimplência da carteira. O índice de operações com atraso superior a 90 dias ficou em 0,05% no primeiro semestre de 2026. Houve aumento de 0,02 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano passado, mas o nível permanece baixo.
A carteira de participações societárias do banco, por sua vez, totalizou R$ 85,4 bilhões.
O conjunto dos indicadores aponta para um cenário de expansão simultânea dos resultados financeiros e da atuação do BNDES no financiamento da economia. O crescimento das aprovações, dos desembolsos e das consultas ocorre ao lado da manutenção de baixos níveis de inadimplência.
Com lucro recorrente de R$ 9,2 bilhões no primeiro semestre, R$ 17,1 bilhões em 12 meses, ativos superiores a R$ 1 trilhão e forte crescimento das aprovações de crédito, o BNDES chega à segunda metade de 2026 com indicadores históricos e maior presença no financiamento de infraestrutura, agronegócio, indústria, comércio, serviços e pequenas e médias empresas.