O deputado federal Glauber Braga defendeu que o Brasil adote uma postura firme diante de pressões externas e elogiou o tom adotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante discurso na reunião da CELAC. Em entrevista ao Jornal TVT News Primeira Edição, o parlamentar afirmou que há uma escalada de intervenções lideradas pelos Estados Unidos na América Latina e alertou para riscos diretos à soberania brasileira. Confira mais em TVT News.
A fala de Braga converge com as críticas feitas por Lula à atual ordem internacional. No discurso, o presidente foi incisivo ao apontar o enfraquecimento do multilateralismo e a ineficácia das instâncias globais.
“O que nós estamos assistindo no mundo é a falta total e absoluta de funcionamento das Nações Unidas”, afirmou, em referência à Organização das Nações Unidas. Ele questionou diretamente o papel do Conselho de Segurança: “Os seus membros permanentes foram criados para tentar manter a paz. E são eles que estão fazendo as guerras”.
Lula também criticou a concentração de poder global e o uso da força como instrumento político. “Quem tem mais canhão, quem tem mais navio, quem tem mais avião, quem tem mais dinheiro, se acha dono do mundo?”, disse. Em outro momento, reforçou a necessidade de reação dos países em desenvolvimento: “Quando é que nós vamos dizer que isso não é normal? Quando é que nós vamos dizer que nós queremos voltar a ter uma relação civilizada entre as nações?”.
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Para Glauber Braga, esse diagnóstico se materializa em ações concretas na América Latina. Ele citou episódios recentes envolvendo Venezuela, Colômbia e México como exemplos de uma política de desestabilização. “O Brasil não é uma ilha apartada do que está acontecendo nessa política de intervenção”, afirmou. Segundo o deputado, é necessário transformar a reação em “agenda permanente” do país.

O presidente Lula também fez um resgate histórico para ilustrar o que considera práticas recorrentes de manipulação internacional. Ao mencionar negociações com o Irã, relembrou um acordo firmado em 2010 que acabou rejeitado por potências ocidentais. “Nós não podemos viver mais num mundo de mentiras”, declarou, ao questionar justificativas para conflitos armados. Ele também citou a invasão do Iraque e indagou: “Cadê as armas químicas do Saddam Hussein?”.
Outro ponto central do discurso foi a disputa por recursos naturais estratégicos. Lula alertou que países da América Latina e da África correm o risco de sofrer uma nova forma de colonização. “Depois de levarem tudo que a gente tinha, agora eles querem ser donos dos minerais críticos e das terras raras que nós temos”, afirmou. Ele defendeu que essas riquezas sejam utilizadas para promover o desenvolvimento interno: “Quem quiser que venha se instalar e produzir no país”.

Glauber Braga ecoou essa preocupação ao denunciar iniciativas recentes envolvendo interesses estrangeiros sobre terras raras brasileiras. O deputado criticou a realização de encontros e acordos sem competência legal e anunciou que ingressará com representação no Ministério Público Federal para anular atos que considera inconstitucionais. “A unidade política para reagir a essa tomada das nossas riquezas à força é fundamental”, disse.
A situação de Cuba também foi destaque na entrevista. Braga denunciou os efeitos do bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos, classificando-o como responsável por uma crise humanitária. Ele mencionou a escassez de combustível e alimentos e relatou episódios recentes de mortes em unidades de saúde devido à falta de energia.
Lula também fez críticas diretas à política externa norte-americana na região. “O que estão fazendo com Cuba agora? O que fizeram com a Venezuela? Isso é democrático?”, questionou. Em outro trecho, reforçou: “Não existe nada que permita que um país invada o outro. É a utilização da força e do poder para nos colonizar outra vez?”.
Para Braga, a resposta deve combinar denúncia internacional, solidariedade concreta e pressão política. O deputado citou iniciativas de arrecadação de recursos e defendeu que o Brasil amplie o envio de ajuda humanitária, inclusive com combustível. “A solidariedade tem que ser acompanhada de ação política para impedir que essa asfixia continue”, afirmou.
No plano interno, o parlamentar também defendeu uma mudança de postura do campo progressista. Segundo ele, é necessário adotar uma estratégia mais ofensiva no enfrentamento à extrema direita. “Não existe outra alternativa. A linha tem que ser ofensiva”, declarou, ao criticar o que considera excesso de cautela em disputas políticas recentes.
Ao final de seu discurso na CELAC, Lula sintetizou sua visão de mundo ao defender a primazia da paz e do desenvolvimento social. “A única guerra que vale a pena é contra a fome”, afirmou, ao relembrar políticas de combate à insegurança alimentar no Brasil. “Essa é a guerra que nós temos que fazer: acabar com a fome, com o analfabetismo, com a falta de energia”.
A convergência entre as falas do presidente e de Glauber Braga aponta para uma estratégia política que busca reforçar a soberania nacional, ampliar a integração regional e enfrentar pressões externas em um cenário global cada vez mais marcado por disputas geopolíticas e econômicas.

