O Campeonato Brasileiro retorna nesta quarta-feira (7), após a pausa para a Data Fifa, com uma mudança visível nos uniformes dos clubes: as marcas de casas de apostas deixam de aparecer nos espaços publicitários dos times. Leia em TVT News.
A alteração ocorre após a Medida Provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que determinou a retirada das marcas de bets de uniformes, estádios e outros espaços até 5 de outubro.
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Dos 20 clubes da Série A, 14 tinham empresas de apostas como patrocinadoras máster. Com a nova regra, as equipes precisaram buscar alternativas para esta rodada, enquanto aguardam a definição do Congresso sobre a MP, que precisa ser aprovada em até 120 dias para não perder a validade.
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Entre os clubes que encontraram uma solução temporária estão São Paulo e Fluminense. As duas equipes eram patrocinadas pela Superbet e passarão a exibir a marca Superscore, plataforma de estatísticas e informações esportivas que pertence ao mesmo grupo empresarial.
Segundo comunicado divulgado pela empresa, a Superscore não apresenta publicidade, cotações ou sugestões de apostas e não promove atividades relacionadas às apostas de quota fixa.
O São Paulo enfrenta o Cruzeiro nesta quarta-feira (7), às 21h30, no Mineirão. O clube mineiro, que tinha a Betnacional como patrocinadora, deve entrar em campo sem uma marca no espaço máster do uniforme.
No Rio de Janeiro, Botafogo e Vasco devem adotar outra alternativa. No clássico desta quarta-feira, às 20h30, no Nilton Santos, o Botafogo deve substituir a VBet pelo programa de sócio-torcedor. O Vasco também deve trocar a marca da Sportingbet pela identificação de seu programa de associados.
O Fluminense, por sua vez, enfrenta o Coritiba na quinta-feira (8), às 21h30, no Maracanã. O clube paranaense já não tinha uma casa de apostas como patrocinadora máster e mantém a Foxlux, empresa brasileira de produtos para casa e construção, no uniforme.
Outro caso que sofreu mudança foi o Atlético-MG. O clube anunciou no domingo (4) o rompimento do contrato com a H2bet, que tinha validade prevista até 2027 e estabelecia repasses anuais estimados em R$ 60 milhões.
Para auxiliar os clubes mineiros afetados pela saída das empresas de apostas, o governo de Minas Gerais anunciou, no fim de setembro, R$ 32 milhões destinados a América-MG, Atlético-MG e Cruzeiro.
O Santos também já deixou o espaço máster sem uma casa de apostas. O clube suspendeu o acordo com a Novibet e disputou a partida contra o São Paulo, na última sexta-feira, com o local destinado ao principal patrocinador sem marca.
O Flamengo, que tinha a Betano como patrocinadora, também está entre os clubes diretamente afetados pela mudança. A equipe tenta reverter no Supremo Tribunal Federal (STF) a proibição das bets imposta pelo governo. Líder e atual campeão brasileiro, o time enfrenta o Santos nesta quinta-feira (8), às 19h30, na Vila Belmiro.
O fim das bets no futebol
A saída das casas de apostas ocorre em um mercado que movimentou o futebol brasileiro nos últimos anos.
Em 2025, os patrocínios das bets aos clubes da Série A somaram cerca de R$ 1,03 bilhão, segundo levantamento da consultoria Convocados. O valor representou crescimento de aproximadamente 66% em relação aos R$ 618 milhões registrados em 2024.
Bets representam 7,2% das receitas dos clubes da Série A, apesar de alerta sobre “fim do futebol”
Apesar do volume, os contratos representaram 7,2% das receitas totais dos clubes da elite nacional em 2025, que chegaram a R$ 14,3 bilhões.
O Flamengo era o clube mais dependente desses recursos. O contrato com a Betano tinha valor anual estimado em R$ 268 milhões, equivalente a cerca de 13,6% das receitas do clube em 2025.
Além dos contratos de patrocínio, a medida também impede a exposição das marcas de apostas em materiais publicitários relacionados às competições. A mudança alcança, portanto, não apenas os uniformes, mas também outros espaços utilizados pelos clubes e pelos campeonatos.
Entre os times da Série A que não tinham bets como patrocinadoras máster estão Mirassol, Athletico-PR, Bragantino, Bahia, Coritiba e Internacional. O Grêmio havia firmado contrato com uma casa de apostas em setembro, pouco antes da proibição, enquanto o Vitória teve o vínculo rescindido pela empresa que o patrocinava.