Movimentos feministas, entidades de mulheres e organizações da sociedade civil lançam nesta quarta-feira (18), na capital paulista, a campanha “Tarcísio Inimigo das Mulheres”. A iniciativa pretende denunciar o enfraquecimento das políticas públicas voltadas às mulheres durante a gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), além de abrir diálogo com a população sobre os impactos dessas medidas no cotidiano das paulistas. Leia em TVT News.
O lançamento da campanha “Tarcísio Inimigo das Mulheres” ocorre às 18h, no auditório da APEOESP, na Praça da República, região central da cidade de São Paulo. Segundo os movimentos envolvidos, a campanha surge em um contexto de agravamento da violência de gênero no estado e de redução de investimentos públicos do governo Tarcísio em áreas consideradas fundamentais para a proteção e a autonomia das mulheres.
Segundo os dados da Secretaria da Segurança Pública, em 2025, sob a gestão de Tarcísio de Freitas, o estado de São Paulo registrou o maior número de casos de feminicídio desde 2018. Entre janeiro e dezembro foram 270 casos, ou seja, uma mulher foi assassinada em média a cada 32 horas.
Tainara Souza Santos, Evelyn de Souza Saraiva, Camila Aparecida Montoro Cruz e tantas outras mulheres foram alvo de violência cometida por ex-companheiros no ano passado.
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No primeiro trimestre de 2026, os casos seguiram em alta, e São Paulo registrou um feminicídio a cada 25 horas no estado. Nesse período, foram registrados 86 casos, o que significa um crescimento de 41% em relação ao primeiro trimestre de 2025 e 72% em comparação ao primeiro trimestre de 2022.
De acordo com os organizadores, o objetivo é apresentar dados oficiais da gestão Tarcísio de Freitas que, na avaliação das entidades, demonstram um aumento da vulnerabilidade feminina em diferentes dimensões da vida social, incluindo segurança pública, trabalho, renda, educação, mobilidade urbana e acesso a serviços essenciais.
A mobilização também pretende construir um processo permanente de denúncia ao governo de Tarcísio e conscientização sobre os efeitos das políticas estaduais para as mulheres, especialmente aquelas que vivem nas periferias urbanas e enfrentam situações de desigualdade econômica e social.
Violência contra as mulheres está no centro das críticas
A campanha “Tarcísio Inimigo das Mulheres” denuncia que o estado atravessa o período mais violento para as mulheres em uma década.
Para os movimentos feministas, o aumento da violência exige ampliação da rede de proteção e fortalecimento dos serviços especializados. O diagnóstico apresentado pela campanha aponta, porém, para uma direção oposta.
Redução do orçamento caminha na contramão do esperado diante do aumento de casos
Entre as críticas à gestão de Tarcísio está a redução de recursos destinados à Secretaria de Políticas para as Mulheres no orçamento estadual de 2025.
Segundo os dados divulgados pelas entidades, houve corte de 54,4% na previsão orçamentária da pasta.
A diminuição dos investimentos do governo Tarcísio, argumentam os organizadores da campanha, compromete a capacidade de atendimento às mulheres vítimas de violência e enfraquece políticas voltadas à prevenção e acolhimento.
Outro ponto destacado é o funcionamento das Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs).
As entidades afirmam que muitas unidades ainda não operam adequadamente durante 24 horas, especialmente nas regiões periféricas do estado, dificultando o acesso das vítimas aos serviços de proteção.
Escala 6×1 em pauta
As críticas ao governo estadual também alcançam as condições de trabalho enfrentadas pelas mulheres paulistas.
Segundo o material da campanha, a gestão estadual tem se alinhado a setores empresariais e parlamentares favoráveis à manutenção da escala de trabalho 6×1.
Jornada com apenas um dia de descanso é mais prejudicial para as trabalhadoras
Para os movimentos feministas, esse modelo afeta especialmente as mulheres, que frequentemente acumulam responsabilidades profissionais e tarefas domésticas.
Em 14 de março, uma rodada de pesquisa Datafolha mostrou que mulheres e jovens são mais favoráveis ao fim da jornada 6×1. 77% mulheres entrevistadas pela pesquisa são favoráveis, enquanto entre os homens o índice é de 64%.

As organizadoras destacam que a sobrecarga de trabalho tem impactos sobre a saúde física e mental das trabalhadoras, além de reduzir o tempo disponível para lazer, qualificação profissional e convivência familiar.
A desigualdade salarial também aparece entre os temas centrais da campanha. De acordo com os dados apresentados, as mulheres paulistas recebem, em média, 21,6% menos do que os homens.
Para os movimentos, a combinação entre disparidade salarial, trabalho de cuidado não remunerado e dificuldades de acesso a políticas públicas reforça desigualdades históricas que atingem principalmente mulheres negras, periféricas e chefes de família.
Privatizações encabeçadas por Tarcísio
Outro eixo da campanha aborda os efeitos das privatizações realizadas ou defendidas pelo governo estadual de Tarcísio.
Segundo os organizadores, a privatização da Sabesp já produz impactos sobre o orçamento doméstico das famílias paulistas. O material cita o reajuste de 6,11% nas tarifas de água previsto para 2026 e relata problemas recorrentes de abastecimento em bairros periféricos.
Na avaliação dos movimentos, as mulheres estão entre as mais afetadas por esse cenário, uma vez que historicamente assumem grande parte das tarefas relacionadas ao cuidado doméstico e à administração da rotina familiar.
O transporte público também está entre as preocupações levantadas. As entidades afirmam que falhas operacionais, interrupções e descarrilamentos têm se tornado frequentes após os processos de concessão e privatização de linhas de trens e metrô.
Segundo a campanha, esses problemas ampliam o tempo gasto em deslocamentos e afetam diretamente trabalhadoras que dependem do transporte coletivo para acessar emprego, educação e serviços públicos.
Educação e acesso à formação
Em 2024, a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) aprovou a redução do percentual mínimo de investimento estadual em educação, que passou de 30% para 25%.
As entidades argumentam que a medida pode comprometer políticas educacionais e ampliar dificuldades já enfrentadas por estudantes da rede pública.
Também são alvo de críticas o fechamento de turmas do Ensino Noturno e da Educação de Jovens e Adultos (EJA), modalidades frequentemente procuradas por mulheres que conciliam estudo, trabalho e cuidados familiares.
Segundo os movimentos, essas decisões atingem diretamente mães trabalhadoras que buscam concluir a educação básica ou ampliar oportunidades de inserção profissional.
A campanha ainda questiona a expansão das escolas cívico-militares. Para as organizadoras, esse modelo não enfrenta adequadamente problemas como assédio, discriminação e violência de gênero no ambiente escolar.
Política de cuidados e serviços públicos
A campanha também dedica atenção à área dos cuidados, tema que tem ganhado destaque nos debates sobre igualdade de gênero.
Os movimentos afirmam que a ausência de investimentos em serviços públicos de saúde, assistência social e acolhimento transfere para as mulheres responsabilidades que deveriam ser compartilhadas pelo Estado.
Segundo as entidades, a sobrecarga relacionada ao cuidado de crianças, idosos, pessoas com deficiência e familiares doentes continua recaindo majoritariamente sobre as mulheres.
O material divulgado critica ainda a não adesão do governo paulista a iniciativas federais voltadas à construção de políticas públicas de cuidados.
Para os movimentos, a ausência dessas medidas contribui para aprofundar desigualdades e dificultar a autonomia econômica feminina.
Mobilização busca ampliar debate público
As organizadoras afirmam que o lançamento desta quarta-feira será um espaço aberto para escuta, debate e articulação entre movimentos sociais, sindicatos, entidades estudantis e organizações feministas.
A expectativa é reunir mulheres de diferentes regiões do estado para discutir os impactos das políticas estaduais e construir ações de mobilização ao longo dos próximos meses.
Segundo os movimentos envolvidos, a campanha pretende dialogar não apenas com militantes e organizações já engajadas na pauta dos direitos das mulheres, mas também com setores mais amplos da sociedade.
A iniciativa ocorre em um momento em que o debate sobre violência de gênero, desigualdade salarial, acesso à educação e políticas de cuidado ocupa lugar cada vez mais relevante nas discussões públicas sobre direitos sociais e cidadania.
O lançamento da campanha “Tarcísio Inimigo das Mulheres” acontece às 18h desta quarta-feira (18), no auditório da APEOESP, localizado na Praça da República, 282, no centro da capital paulista.
SERVIÇO:

● O quê: Lançamento da Campanha “Tarcísio Inimigo das Mulheres!”
● Quando: 18 de junho, às 18h.
● Onde: Auditório da APEOESP – Praça da República, 282, Centro, São Paulo – SP.

