A Colômbia autorizou a realização de operações militares conjuntas com os Estados Unidos para combater grupos ligados ao narcotráfico. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (12) pelo secretário de Defesa norte-americano, Pete Hegseth, durante uma reunião no Panamá da chamada Coalizão das Américas contra Cartéis, iniciativa que reúne cerca de 20 países do Hemisfério Ocidental. Leia em TVT News.
Segundo Hegseth, a autorização partiu do novo governo colombiano, liderado pelo presidente Abelardo de la Espriella, que também decidiu integrar a coalizão antidrogas liderada pelo governo de Donald Trump. Ainda não foi divulgada uma data para o início das operações.
“Por meio do recém-empossado presidente (…), a Colômbia já solicitou que o Departamento de Guerra se junte à Colômbia em sua luta contra o narcoterrorismo, autorizando operações militares conjuntas para destruir os terroristas e as redes de terror”, afirmou Hegseth.
A declaração foi feita antes de uma reunião com o novo ministro da Defesa colombiano, Jorge Eduardo Mora, major-general da reserva. A cooperação anunciada representa uma aproximação entre os governos de Bogotá e Washington na área de segurança e ocorre poucos dias depois da posse de De la Espriella.
Durante o discurso de posse, na sexta-feira (7), o presidente colombiano prometeu endurecer o combate às organizações criminosas e às chamadas culturas ilícitas. Ele também afirmou que pretende combater “sem trégua o narcoterrorismo e todas as organizações criminosas” e descartou negociações de paz com grupos armados.
EUA preveem US$ 1 bilhão para segurança
A aproximação entre os dois governos também envolve recursos. Na sexta-feira, o Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou planos de destinar US$ 1 bilhão à Colômbia para ações de segurança.
O país é considerado o maior produtor de cocaína do mundo, enquanto os Estados Unidos são apontados como o maior mercado consumidor da droga. Segundo levantamento da Fundação Ideias para a Paz, baseado em dados oficiais de 2025, grupos ilegais que têm no narcotráfico uma de suas principais fontes de financiamento reúnem cerca de 25 mil integrantes em território colombiano.
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A política de segurança anunciada pelo novo governo colombiano representa uma mudança em relação à gestão anterior, de Gustavo Petro. Durante a posse, De la Espriella responsabilizou o antecessor pelo crescimento dos grupos armados e defendeu uma atuação mais repressiva contra essas organizações.
A entrada da Colômbia na coalizão liderada pelos Estados Unidos ocorre em um contexto de expansão da política de segurança do governo Trump na América Latina.
Hegseth amplia discurso contra organizações criminosas
Durante a reunião no Panamá, Hegseth comparou grupos envolvidos com o tráfico de drogas a organizações classificadas pelos Estados Unidos como terroristas, como a Al-Qaeda e o Estado Islâmico.
O secretário também defendeu uma ampliação da cooperação militar entre os países do continente e apresentou uma versão atualizada da Doutrina Monroe, política formulada no século XIX que estabelecia a oposição dos Estados Unidos à interferência de potências estrangeiras nas Américas.
Hegseth chamou sua proposta de “Doutrina Donroe”, em referência ao sobrenome de Donald Trump. Segundo ele, os Estados Unidos pretendem “defender” o Hemisfério Ocidental de ameaças externas, incluindo organizações ligadas ao narcotráfico e influências estrangeiras.
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A estratégia adotada por Washington tem provocado críticas. O governo norte-americano ampliou operações militares contra embarcações suspeitas de transportar drogas e realizou ações armadas na região. Segundo o material de base, mais de 200 pessoas morreram nessas operações desde setembro do ano passado.
Críticos classificam parte dessas ações como possíveis violações do direito internacional e crimes de guerra. Hegseth, por sua vez, atacou o Tribunal Penal Internacional e estimulou integrantes da coalizão a deixarem a instituição.
Panamá defende coalizão liderada pelos EUA
O encontro ocorreu na Cidade do Panamá, em um momento de crescente disputa geopolítica dos Estados Unidos na América Latina. O presidente panamenho, José Raúl Mulino, afirmou durante a reunião que o tráfico de drogas representa a maior ameaça enfrentada pela região.
Mulino também rejeitou preocupações de que a coalizão pudesse representar uma ameaça à soberania dos países participantes. Para o presidente do Panamá, as organizações criminosas transnacionais envolvidas no tráfico de drogas e de pessoas são as que colocam em risco a soberania dos países.
O Panamá ocupa posição estratégica na política regional dos Estados Unidos por abrigar o Canal do Panamá, por onde passa cerca de 5% do comércio marítimo mundial. A região também está no centro da disputa de influência entre Washington e Pequim.
A participação colombiana na coalizão, portanto, ocorre em meio a uma reorganização das alianças políticas e de segurança na América Latina. A autorização para operações militares conjuntas amplia a presença dos Estados Unidos nas ações de combate ao narcotráfico dentro da Colômbia, mas os detalhes sobre como a cooperação será executada ainda não foram divulgados.