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Da Redação

Por que campanhas “caras” muitas vezes perdem

Todo mundo que acompanha política conhece essa cena. A campanha tinha o maior fundo eleitoral. Mais santinhos, mais carros adesivados, mais impulsionamento, mais cabos eleitorais, mais tempo de rádio/tv. O comitê era o maior, a estrutura era a mais profissional, os eventos eram os mais cheios. E perdeu.

No dia seguinte, a explicação da equipe derrotada nunca é “erramos a estratégia”. É sempre outra coisa: faltou tempo, a máquina jogou contra, o eleitor não entendeu, a pesquisa enganou, foi falha do marketing. A derrota tem mil pais diferentes, talvez menos o verdadeiro.

Por Michel Lenz *

Campanhas: o dado que incomoda

Se dinheiro garantisse eleição, 2024 não teria acontecido do jeito que aconteceu.

Em São Paulo, Guilherme Boulos comandou a campanha mais cara da disputa, com R$ 46,1 milhões em gastos declarados ao TSE, contra R$ 29,6 milhões de Ricardo Nunes. Foi também o candidato que mais investiu em impulsionamento de redes sociais no Brasil inteiro, R$ 8,8 milhões. Perdeu.

Na mesma cidade, Pablo Marçal gastou R$ 4,9 milhões, praticamente sem acesso ao fundo eleitoral, e ficou a cerca de um ponto percentual de seguir para o segundo turno.

No Rio de Janeiro, Alexandre Ramagem foi, entre os deputados federais derrotados, o que mais gastou no país: R$ 21,8 milhões. Não chegou perto. Tabata Amaral investiu R$ 14,3 milhões em São Paulo e terminou fora do segundo turno. Beto Pereira gastou R$ 8,9 milhões em Campo Grande e não levou. Em Fortaleza, o prefeito José Sarto foi um dos maiores gastadores em impulsionamento digital do país e perdeu a reeleição.

Alguém pode objetar que Nunes também gastou muito, e é verdade. Dinheiro importa. A questão é outra: se o orçamento fosse a variável decisiva, essa lista de derrotas milionárias não existiria, alguma outra coisa decide, e essa outra coisa tem nome.

O erro de origem: confundir combustível com direção

Estratégia responde três perguntas: quem é meu eleitor, o que ele precisa ouvir, e por que de mim e não do outro.

Orçamento responde uma pergunta diferente: como e com que intensidade eu entrego essa resposta.

São planos distintos: O dinheiro é o combustível da campanha. A estratégia é a direção. Combustível determina até onde você vai. Direção determina se você chega a algum lugar. Uma campanha com tanque cheio e sem direção não fica parada: ela anda muito, gasta muito e roda em círculos, com a sensação interna de movimento constante e o resultado externo de lugar nenhum.

E há um agravante que as planilhas não mostram. Quando a campanha não tem resposta para as três perguntas, o dinheiro passa a financiar volume sem mensagem. E volume sem mensagem pode ter um efeito perverso: acabar aumentando a rejeição. O eleitor de hoje, saturado de propaganda e desconfiado da política, não interpreta onipresença como força. Interpreta como desespero, ou pior, como abuso. Cada real gasto para repetir um slogan que não responde nada trabalha ativamente contra o candidato.

Os três jeitos clássicos de perder gastando muito

Nas campanhas caras que fracassam, quase sempre aparece pelo menos um destes três erros. Em geral, os três juntos.

1. Comprar presença em vez de significado. Wind banner em todas as entradas da cidade, redes sociais impulsionadas, inserção de rádio de hora em hora. E, em todos esses espaços, a mesma frase genérica que serviria para qualquer candidato de qualquer partido em qualquer cidade do Brasil. Presença sem significado é papel de parede: depois de uma semana, ninguém mais vê. A campanha paga caro para se tornar invisível de tanto aparecer.

2. Financiar a própria bolha. O impulsionamento mira quem já segue o candidato. Os eventos lotam de quem já votaria nele. Os grupos de WhatsApp vibram entre convertidos. Os números internos parecem excelentes: alcance alto, engajamento alto, comitê animado. A campanha inteira conversa consigo mesma, com verba de sobra para tornar essa conversa cada vez mais barulhenta. A derrota surpreende todo mundo dentro do comitê e absolutamente ninguém fora dele.

3. Terceirizar a estratégia para os fornecedores. Onde há muito dinheiro, aparecem muitos vendedores: de mídia, de pesquisa, de disparo, de “metodologia que nunca falha”. Cada contrato traz embutida uma tese sobre como se ganha eleição, e as teses raramente conversam entre si. A campanha vira um somatório de fornecedores executando dez estratégias incompatíveis ao mesmo tempo. O problema não está em contratar quem executa, toda campanha profissional precisa disso. O problema é esperar que a direção nasça da soma dos contratos, quando ela precisa vir antes deles e acima deles. Gasta-se fortuna em atividade e nada em coerência. No fim, a pergunta que ninguém respondeu segue aberta: afinal, qual era a mensagem central?

Na campanha 2026, esses erros custam mais caro

Se esses três erros derrubam campanhas majoritárias municipais, onde o candidato disputa contra dois ou três adversários num território que ele conhece de cor, imagine o que fazem numa eleição proporcional estadual.

O candidato a deputado disputa atenção contra centenas de concorrentes, num território que pode ter dezenas de regiões com realidades distintas, atrás de um eleitor que, na maioria dos casos, decide o voto proporcional nas últimas semanas e esquece o nome antes do fim do ano. Nesse ambiente, comprar presença sem significado é rasgar dinheiro em velocidade recorde: a mensagem genérica que já não iria funcionar numa cidade se dissolve completamente num estado. Financiar a própria bolha é ainda mais traiçoeiro, porque a bolha de um candidato a deputado parece um estado inteiro nas redes e muitas vezes cabe num ginásio na vida real.

E a majoritária estadual não escapa. Governador (e também senador) disputam contra a mesma exaustão do eleitor, com orçamentos maiores, mais fornecedores oferecendo milagres e mais pressão. Quanto maior o tanque, mais longe a campanha sem direção consegue rodar em círculos.

Enquanto isso, o outro lado da moeda confirma a tese: campanhas enxutas que vencem não vencem por serem baratas. Vencem porque a escassez os obrigou a escolher. Escolher em quais territórios estar e quais deixar de lado, definir os públicos que realmente importam em vez de correr atrás de todos, e dar a cada um deles uma mensagem que faça sentido, em vez de uma frase genérica que não diz nada a ninguém. A restrição forçou exatamente a disciplina que a abundância dispensa. Quem não escolhe, não tem estratégia, e tem um grande catálogo de despesas.

A pergunta antes do orçamento

E é aqui que mora a lição prática para quem está montando campanha agora. Antes de perguntar “quanto temos”, a campanha precisa responder “o que somos e para quem”. Orçamento é uma das últimas decisões estratégicas de uma campanha séria, não a primeira.

Essas respostas, porém, não surgem espontaneamente. Elas exigem uma função que muitas campanhas caras simplesmente não têm: alguém cuja responsabilidade seja pensar a campanha antes de executá-la. Não a agência ou designer que produz peças, não o coordenador que organiza agenda, não o irmão ou o primo que conhece o candidato, não os fornecedores que vendem alcance. A função de estrategista: quem define os públicos que importam, a mensagem certa para cada um e o motivo pelo qual o eleitor deveria escolher aquele nome, e depois submete cada real gasto a esse filtro.

As campanhas milionárias que perderam em 2024 tinham quase tudo. Tinham verba, equipe, material, estrutura e presença. Provavelmente pecaram em quem estava respondendo pela direção. E direção não se compra por quilo nem se contrata na véspera: se constrói antes, com método, leitura de território e disposição para dizer não à maioria das ideias que aparecem.

Em outubro, a história vai se repetir. Campanhas estaduais e federais com orçamentos enormes vão terminar a apuração procurando culpados, e a resposta vai estar na primeira reunião que fizeram: aquela em que discutiram quanto tinham antes de saber quem eram. O dinheiro continua sendo o combustível, e campanha sem combustível não sai do comitê. Mas combustível, sozinho, nunca levou ninguém a lugar algum. A diferença entre a campanha que chega e a que roda em círculos gastando fortunas é ter alguém no comando que sabe para onde ir antes de pisar no acelerador.

Sobre o autor

Michel Lenz

Apaixonado por estratégia, inovação, ideias e projetos, pelos tatames e a filosofia do jiu-jitsu, sua vida é a família (Papai de Alice). Estrategista de Marketing e Comunicação, Secretário de Gestão Estratégica e Inovação em Três de Maio-RS, Fundador e Ex-CEO da IntMark – Inteligência de Marketing, Cofundador da Alcateia Política, Sócio/CMO da #Ninjas! Contabilidade, Professor de Jiu-Jitsu na Union Team.

Possui MBA em Marketing Político e Comunicação Governamental, MBA em Gestão de Marketing e Comunicação, Bacharel em Sistemas de Informação. Atua com marketing político desde 2016 com campanhas eleitorais e mandato, como estrategista de campanha, estrategista de marketing e comunicação e coordenador de equipe, além de realizar diagnósticos de presença digital. Acesse: michellenz.com.br


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Mesa única: a força da unidade dos bancários

Artigo da Presidenta do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região, Neiva Ribeiro, sobre a importância e o signifcado da mesa única na campanha nacional, especial para a TVT News.

Por Neiva Ribeiro

Presidenta do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região

A Campanha Nacional Unificada dos Bancários de 2026 trouxe um alerta que não pode ser ignorado. Durante as negociações, a Fenaban voltou a colocar em xeque a mesa única de negociação, uma das maiores conquistas da categoria.

Na quarta rodada, chegou a afirmar que as negociações poderiam ser encerradas naquele momento, em uma tentativa de separar os bancos públicos dos privados.

A reação do Comando Nacional dos Bancários foi imediata. A defesa da mesa única não é apenas uma questão de método de negociação, mas de preservação de um modelo que garantiu, ao longo de décadas, direitos, valorização e unidade para toda a categoria.

A negociação coletiva nacional dos bancários é reconhecida como uma das experiências mais bem-sucedidas do país. Foi graças à organização nacional dos trabalhadores que, em 1992, foi assinada a primeira Convenção Coletiva de Trabalho, assegurando salários e direitos iguais para os bancários dos bancos privados em todo o território nacional.

Em 2003, essa conquista foi ampliada com a consolidação da mesa única, incorporando também os bancos públicos federais e fortalecendo ainda mais a capacidade de negociação da categoria.

Essa construção não foi simples. Foi resultado de anos de mobilização e resistência dos trabalhadores diante de um cenário extremamente adverso. Entre 1995 e 2003, os bancários sofreram perdas salariais expressivas: 8,6% nos bancos privados, 36,3% no Banco do Brasil e 40% na Caixa Econômica Federal.

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Ao longo dos anos, a mesa única permitiu superar diferenças entre instituições, construir consensos e garantir avanços que beneficiaram trabalhadores de bancos públicos e privados. Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

Durante o governo Fernando Henrique Cardoso, a política econômica foi marcada pelo desemprego, pelas privatizações, pelo arrocho salarial e pela precarização das relações de trabalho, afetando toda a classe trabalhadora.

Foi justamente diante desse contexto que a unidade da categoria demonstrou sua força. Ao longo dos anos, a mesa única permitiu superar diferenças entre instituições, construir consensos e garantir avanços que beneficiaram trabalhadores de bancos públicos e privados.

Essa unidade também foi decisiva para enfrentar os ataques aos direitos trabalhistas promovidos nos governos Temer e Bolsonaro. Foi ela que permitiu atravessar os desafios impostos pela pandemia, preservar empregos, manter direitos históricos e conquistar novos avanços em uma conjuntura extremamente difícil.

De 2004 a 2025, a mobilização e a organização dos trabalhadores garantiram aumentos salariais acima da inflação, assegurando, no período, ganho real de 23,44% nos salários. No piso, esse aumento foi ainda maior: 45,33%. Assim como nos vales-refeição (38,1%) e alimentação (39,7%). Os reajustes diferenciados nas cláusulas econômicas são resultados de negociações específicas que visam melhorar os direitos conquistados pela categoria.

Por isso, qualquer tentativa de fragmentar a negociação representa um retrocesso. Separar os trabalhadores significa enfraquecer sua capacidade de negociação e abrir espaço para a redução de direitos conquistados ao longo de décadas.

Defender a mesa única não significa ignorar as especificidades de cada instituição financeira. Pelo contrário. O modelo atual permite que exista uma Convenção Coletiva Nacional, garantindo direitos comuns para toda a categoria, ao mesmo tempo em que mesas específicas tratam das demandas próprias dos bancos públicos e privados.

É exatamente esse equilíbrio que faz da negociação dos bancários uma referência para o movimento sindical brasileiro. A Convenção Coletiva Nacional protege centenas de milhares de trabalhadores, oferece segurança jurídica às relações de trabalho e produz impactos positivos para milhões de famílias e para a própria economia do país.

A mesa única é fruto da organização coletiva, da mobilização e da capacidade de diálogo construída ao longo de décadas. Não é um privilégio, mas uma conquista histórica da categoria bancária.

Por isso, reafirmamos a defesa desse modelo de negociação. A unidade dos trabalhadores sempre foi a principal responsável pelas vitórias da categoria e continuará sendo o caminho para enfrentar os desafios do presente, manter direitos e construir novas conquistas.oria.

Sobre a autora

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Neiva Ribeiro, presidente do Sindicato dos Bancários

Neiva Ribeiro é a atual presidenta do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região. É formada em Letras pela Universidade Guarulhos, pós-graduada em Gestão Pública pela Fesp-SP, e em Gestão Universitária pela Unisal. É funcionária do Bradesco desde 1989. Ingressou na direção do Sindicato em 2000.

Foi diretora-geral da Faculdade 28 de Agosto de Ensino e Pesquisa, secretária de Formação e secretária-geral da entidade. 

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Em reunião no Planalto, Stellantis informa investimento de R$ 30 bilhões e ampliação de empregos

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, participou nesta quarta-feira, 22 de julho, de reunião com o CEO e diretor executivo da Stellantis, Antonio Filosa, na qual foi apresentado um plano de investimentos R$ 30 bilhões no Brasil, entre 2025 e 2030, em novos produtos, tecnologias e ampliação da geração de empregos, tanto nas fábricas quanto na cadeia de fornecedores.

Também foi anunciado a contratação de 2 mil novos empregados como resultado dos investimentos e da ampliação da produção no Brasil. Leia em TVT News.

A empresa compra, anualmente, cerca de R$ 60 bilhões em insumos de fornecedores brasileiros, reforçando o impacto da indústria automotiva na economia nacional. A companhia informou que 95% da produção é nacional. Todo o aço, plástico e componentes químicos utilizados nos veículos são fornecidos por empresas brasileiras, enquanto motores e transmissões são produzidos pela própria montadora no país.

A companhia informou que 95% da produção é nacional. Todo o aço, plástico e componentes químicos utilizados nos veículos são fornecidos por empresas brasileiras, enquanto motores e transmissões são produzidos pela própria montadora no país.

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NOVA INDÚSTRIA — A Nova Indústria Brasil (NIB) foi citada na reunião como estratégia para fortalecer uma indústria inovadora, sustentável, competitiva e voltada à exportação. Além disso, foi ressaltado que a reforma tributária deve impulsionar o setor industrial ao eliminar a cumulatividade de créditos tributários e desonerar integralmente os investimentos e as exportações.

NOVOS EMPREGOS — Em relação a contratação de 2 mil novos empregados como resultado dos investimentos e da ampliação da produção no Brasil, 1,5 mil serão novas vagas em Betim (MG) e outras 500 no Rio de Janeiro, impulsionadas pela produção do modelo Avenger, que será fabricado pela primeira vez no estado. Atualmente, a Stellantis emprega cerca de 35 mil trabalhadores no Brasil e estima que sua cadeia de fornecimento gere outros 350 mil postos de trabalho.

A expansão da operação também deve gerar cerca de 20 mil novos empregos em toda a cadeia produtiva. A ampliação da capacidade industrial inclui a implantação do segundo turno na unidade do Rio de Janeiro e do terceiro turno na fábrica de Betim.

Participaram da reunião:

  • Luiz Inácio Lula da Silva, Presidente da República;
  • Vice-Presidente da República Geraldo Alckmin;
  • Ministra da Casa Civil, Miriam Belchior;
  • Ministro da Fazenda, Dario Durigan;
  • Ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa;
  • CEO e Diretor Executivo da Stellantis, Antonio Filosa;
  • Presidente da Stellantis para a América do Sul, Herlander Zola;
  • Vice-Presidente Global de Relações Institucionais e Comunicação Corporativa, Clara Ingen-Housz;
  • Vice-Presidente Sênior de Relações Governamentais América do Sul, Marcio de Lima Leite;
  • Vice-Presidente AI Transformation América do Sul, Erica Schwambach;
  • Vice-Presidente de Relações Governamentais Brasil, Antonio Sergio Martins Mello;
  • Diretor de Relações Governamentais, Pedro Rubião.

Com Agência Gov

22 de julho é o dia internacional do trabalho doméstico

O Dia Internacional do Trabalho Doméstico, 22 de julho, coloca em evidência uma das categorias mais numerosas e, ao mesmo tempo, mais vulneráveis do mercado de trabalho brasileiro. Leia em TVT News.

A data reforça a necessidade de ampliar a formalização, garantir proteção social e fortalecer ações de prevenção contra acidentes, assédio, discriminação e outras violações de direitos que ainda atingem milhões de trabalhadoras e trabalhadores em todo o país.

Em 2026, as ações de conscientização adotaram como tema “Saúde e Segurança São Direitos Humanos”, destacando que profissionais do trabalho doméstico têm direito a exercer suas atividades em ambientes seguros, saudáveis e livres de violência. A campanha também busca ampliar o conhecimento sobre direitos trabalhistas e incentivar a regularização dos vínculos de emprego.

O trabalho doméstico remunerado desempenha papel fundamental no funcionamento da sociedade. As atividades incluem cuidados com crianças, pessoas idosas e pessoas com deficiência, além de serviços de limpeza, preparo de alimentos, manutenção das residências e condução de veículos. Esses serviços permitem que milhões de famílias conciliem suas rotinas pessoais e profissionais, tornando a categoria indispensável para a economia.

Apesar dessa importância, os indicadores revelam que grande parte desses profissionais ainda enfrenta baixos salários, elevada informalidade e dificuldades de acesso à proteção previdenciária.

Mulheres negras seguem maioria na categoria

Os dados mais recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do IBGE, referentes ao quarto trimestre de 2025, mostram que cerca de 5,6 milhões de pessoas atuam no trabalho doméstico remunerado no Brasil.

O levantamento evidencia um forte recorte de gênero e raça. Aproximadamente 92% da categoria é formada por mulheres, o equivalente a cerca de 5,1 milhões de trabalhadoras. Entre elas, 68% são mulheres negras, demonstrando como desigualdades históricas continuam presentes no mercado de trabalho.

Os números também revelam diferenças salariais expressivas. O rendimento médio mensal das trabalhadoras domésticas foi de R$ 1.335, valor 59% inferior ao recebido, em média, pelas demais mulheres ocupadas.

Quando o recorte considera raça, a disparidade permanece. As trabalhadoras negras registraram rendimento médio de R$ 1.274, enquanto as não negras receberam, em média, R$ 1.463.

>> Mulheres realizam 75% do trabalho não remunerado do mundo

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Fonte: DIEESE

Informalidade limita acesso a direitos

Outro dado que chama atenção é o elevado índice de informalidade.

Segundo a PNAD Contínua, aproximadamente 76% das trabalhadoras domésticas não possuem carteira assinada. Além disso, 65% não contribuem para a Previdência Social, situação que dificulta o acesso a benefícios previdenciários e compromete a segurança financeira em casos de doença, acidentes, aposentadoria ou licença.

A formalização do vínculo empregatício permanece como uma das principais estratégias para ampliar a proteção social da categoria. O registro por meio da Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) e do eSocial garante acesso aos direitos previstos na legislação trabalhista e oferece maior estabilidade nas relações de trabalho.

Pobreza ainda faz parte da realidade de muitas trabalhadoras

Os indicadores sociais também mostram o impacto da precarização sobre as famílias que dependem do trabalho doméstico.

Segundo os dados apresentados, 25% da categoria vive em situação de pobreza, sendo que 19% encontram-se em condição de pobreza e 6% em extrema pobreza.

Outro aspecto relevante é que 58% das profissionais são chefes de família, tornando sua renda a principal fonte de sustento do domicílio. Esse cenário evidencia como a valorização do trabalho doméstico está diretamente relacionada ao combate às desigualdades sociais e econômicas.

Trabalho análogo ao escravo

Além da informalidade, os órgãos responsáveis pela fiscalização mantêm ações voltadas ao enfrentamento do trabalho doméstico realizado em condições análogas à escravidão.

Pela legislação brasileira, essa violação não depende da restrição da liberdade de circulação da vítima. A caracterização pode ocorrer em situações como jornadas exaustivas, ausência de períodos adequados de descanso, condições degradantes de moradia e trabalho, falta de pagamento regular de salários, isolamento social, retenção de documentos ou exploração baseada em dívidas.

As ações preventivas procuram identificar essas situações e assegurar que os direitos previstos na legislação sejam respeitados.

Formalização fortalece proteção social

As campanhas de conscientização realizadas em torno da data também orientam empregadores e trabalhadores sobre a importância da regularização das relações de trabalho.

O registro no eSocial e na Carteira de Trabalho é apontado como instrumento essencial para assegurar direitos trabalhistas, ampliar a cobertura previdenciária e promover relações mais transparentes entre empregadores e empregados.

Além da formalização, as iniciativas destacam a necessidade de combater práticas discriminatórias e fortalecer políticas públicas voltadas à valorização do trabalho doméstico.

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Juiz federal nos EUA marca data de julgamento de Nicolás Maduro

Um juiz federal dos Estados Unidos agendou hoje a data do julgamento do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, presos em Nova York desde seu sequestro pelos EUA em solo venezuelano. Leia em TVT News.

A data marcada para o começo do julgamento é 1º de junho de 2027, e foi estipulada pelo juiz federal do caso, Alvin Hellerstein. Maduro e Cilia estavam presentes na audiência. As acusações que pesam sobre os dois incluem tráfico de drogas.

A decisão do juiz vem depois de pedidos da promotoria e da defesa de Maduro.

Na audiência, o advogado de Maduro, Barry Pollack, afirmou que pedirá o arquivamento do caso, defendendo que o presidente venezuelano deveria ter imunidade por ser chefe de um Estado soberano. O juiz Hellerstein marcou uma audiência para 17 de novembro para que a defesa apresente uma argumentação sobre isso.

A carta enviada ao tribunal também dizia que Maduro poderá apresentar uma segunda rodada de moções até janeiro de 2027, após os procuradores entregarem eventuais provas classificadas para análise da defesa.

Presidente venezuelano Nicolás Maduro está nos EUA desde captura

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, está nos EUA desde janeiro, após sua captura por forças dos Estados Unidos em Caracas.

Maduro apareceu cercado por agentes do FBI enquanto descia pela escada de um avião do governo americano em uma instalação da Guarda Nacional do estado de Nova York. Em seguida, foi escoltado lentamente ao longo da pista.

A operação militar que realizou seu sequestro envolveu cerca de 150 aeronaves e foi planejada por meses, disseram as autoridades norte-americanas.

A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, do grupo político do agora presidente deposto e raptado Nicolás Maduro, passou a ocupar a presidência interina do país.

Seleção ideal da Copa do Mundo 2026 tem Vozinha, Messi, Mbappé e Haaland

A Fifa divulgou nesta quarta-feira (22) a seleção ideal da Copa do Mundo de 2026, formada a partir de votação popular realizada no site oficial da entidade. O time reúne alguns dos principais destaques do Mundial, como Lionel Messi, Kylian Mbappé, Erling Haaland e Rodri, mas também trouxe uma surpresa que chamou a atenção dos torcedores: o goleiro Vozinha, de Cabo Verde, foi o atleta mais votado para a posição e garantiu presença entre os 11 escolhidos. Leia em TVT News.

A equipe eleita reflete o desempenho de jogadores que tiveram papel de destaque ao longo da competição, encerrada com o título da Espanha. A campeã mundial terminou empatada com a França como a seleção com maior número de representantes na escalação ideal, com três atletas cada. A Argentina, vice-campeã, colocou dois nomes, enquanto Inglaterra, Noruega e Cabo Verde tiveram um representante cada.

O Brasil ficou fora da seleção ideal da Copa do Mundo. Nenhum jogador brasileiro apareceu entre os mais votados pelos torcedores, cenário que acompanha a campanha abaixo das expectativas da equipe na competição.

Vozinha é a principal surpresa da seleção

O maior destaque da votação foi o goleiro Vozinha, de Cabo Verde. Apesar de Unai Simón ter sido eleito pela Fifa como o melhor goleiro do Mundial, a preferência dos torcedores foi pelo arqueiro cabo-verdiano, que recebeu 39,6% dos votos e terminou como o atleta mais votado entre todos os integrantes da seleção ideal.

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A escolha evidencia o impacto das atuações de Vozinha durante a Copa do Mundo. Suas defesas em momentos decisivos fizeram com que conquistasse grande apoio popular, superando concorrentes de seleções tradicionais e garantindo espaço entre os principais nomes do torneio.

Além de representar Cabo Verde, Vozinha foi o único jogador de uma seleção africana presente na equipe ideal da competição.

Espanha e França lideram a seleção

Campeã mundial, a Espanha colocou três jogadores entre os escolhidos pelos torcedores. Os laterais Pedro Porro e Cucurella aparecem nas extremidades da defesa, enquanto Rodri ocupa o meio-campo.

Rodri também recebeu o prêmio oficial de melhor jogador da Copa do Mundo de 2026, consolidando um torneio de alto nível tanto defensivamente quanto na organização das jogadas da equipe espanhola.

A França igualou o número de representantes da Espanha. O zagueiro Upamecano, o meia-atacante Michael Olise e o atacante Kylian Mbappé foram escolhidos para a seleção ideal.

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Mbappé encerrou o Mundial como artilheiro da competição, com dez gols, desempenho que o colocou naturalmente entre os principais destaques da votação.

Olise também teve participação decisiva ao longo do torneio. Com sete assistências, terminou como o principal garçom da Copa e ganhou espaço entre os meio-campistas escolhidos pelo público.

Argentina mantém protagonismo com Messi

Mesmo sem conquistar o título, a Argentina colocou dois atletas na seleção ideal.

Lionel Messi voltou a ser um dos grandes protagonistas de um Mundial. Autor de oito gols durante a competição, o camisa 10 liderou a equipe argentina até a decisão e terminou entre os atacantes mais votados pelos torcedores.

Na defesa, Lisandro Martínez foi escolhido para formar a dupla de zaga ao lado de Upamecano.

A presença de Messi reforça sua permanência entre os principais nomes do futebol mundial, mesmo em uma edição da Copa marcada pela ascensão de novas gerações de atletas.

Haaland e Bellingham representam a nova geração

A Inglaterra aparece representada por Jude Bellingham. O meio-campista teve participação destacada durante toda a competição e integra o setor responsável pela criação das jogadas ao lado de Rodri e Olise.

No ataque, Erling Haaland completa o trio ofensivo ao lado de Messi e Mbappé.

O atacante da Noruega marcou sete gols durante a Copa do Mundo e teve atuações decisivas ao longo da campanha de sua seleção. Entre seus gols mais lembrados estão dois marcados diante do Brasil, resultado que contribuiu para sua escolha pelos torcedores.

A principal ausência entre os atacantes foi Harry Kane. Mesmo encerrando o torneio com seis gols, o inglês acabou ficando atrás de Haaland na votação popular.

Cubarsí e Unai Simón de fora

Além da ausência de jogadores brasileiros, alguns atletas premiados oficialmente pela Fifa ficaram fora da seleção ideal.

O caso mais evidente foi o de Unai Simón. Apesar de ter recebido o prêmio de melhor goleiro da Copa do Mundo, acabou superado por Vozinha na votação aberta ao público.

Outro nome ausente foi o zagueiro espanhol Cubarsí. Ele havia sido eleito o melhor jogador jovem do Mundial, mas não apareceu entre os defensores escolhidos pelos torcedores, que preferiram Lisandro Martínez e Upamecano.

Confira a seleção ideal da Copa do Mundo de 2026

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Reprodução/ Fifa

A equipe escolhida pelos torcedores ficou formada por:

Goleiro: Vozinha (Cabo Verde)

Defensores: Pedro Porro (Espanha), Lisandro Martínez (Argentina), Upamecano (França) e Cucurella (Espanha)

Meio-campistas: Rodri (Espanha), Jude Bellingham (Inglaterra) e Michael Olise (França)

Atacantes: Lionel Messi (Argentina), Kylian Mbappé (França) e Erling Haaland (Noruega)