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Da Redação

Mensagens mostram Vorcaro pedindo ajuda para evitar ações, informa Metrópoles

Mensagens recuperadas pela Polícia Federal (PF) no celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, mostram o banqueiro preocupado com uma possível ofensiva contra ele e contra a instituição financeira. As informações foram divulgadas com exclusividade pelo portal Metrópoles e depois confirmadas pela reportagem da Folha de S.Paulo.

Nos registros, Vorcaro pede a um interlocutor que atue junto ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, para evitar o que chama de uma possível “sacanagem”.

A PF trabalha com a hipótese de que o destinatário das mensagens seja o ministro Alexandre de Moraes.

Andre Mendonça aciona a PGR

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), enviou um ofício à Procuradoria-Geral da República (PGR) para que a instituição se manifeste sobre mensagens obtidas pela Polícia Federal (PF) no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.

Segundo a investigação, Vorcaro pediu ajuda a um interlocutor — que a PF suspeita ser o ministro Alexandre de Moraes — mencionando a necessidade de atuação de “Andrei e Paulo” a seu favor. As referências seriam ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Em uma das mensagens, de 30 de outubro de 2025, Vorcaro afirma que o Banco Central estava sendo pressionado pela PF e pelo Ministério Público para tomar medidas contra ele. O banqueiro escreveu: “É importante reforçar com Andrei e Paulo pra não deixar ninguém de baixo fazer uma sacanagem que aí vai tudo pro saco”. Em outro trecho, ele disse: “Se o Andrei conseguir atrasar pra outra semana, pois tem feriado, o banco não quebra”.

Vorcaro foi preso em 17 de novembro de 2025, quando se preparava para embarcar em um voo ao exterior. No dia seguinte, o Banco Master foi liquidado pelo Banco Central.

Mendonça, relator das investigações sobre o caso Master no STF, deu prazo de cinco dias para a PGR se manifestar sobre o documento da PF. Ele avalia incluir o ministro Alexandre de Moraes no inquérito, dependendo do posicionamento da PGR.

Por que Mendonça pede manifestação da PGR?

Diante das informações reunidas pela PF, André Mendonça determinou que a PGR se manifeste sobre o conteúdo das mensagens. O prazo estabelecido pelo ministro é de cinco dias.

A medida não significa, por si só, que Moraes tenha cometido irregularidade ou que tenha atuado para beneficiar Vorcaro. O que está sob análise é o conteúdo das mensagens, a identificação do interlocutor e as circunstâncias em que os contatos ocorreram.

A Folha informou que procurou Moraes, Andrei Rodrigues e Paulo Gonet, mas não havia recebido manifestação deles até a publicação da reportagem.

Entenda: mensagens revelam preocupação de Vorcaro com possível ação contra o banco

As mensagens analisadas pela PF foram registradas em 30 de outubro de 2025, pouco mais de duas semanas antes da prisão de Daniel Vorcaro. Naquele momento, segundo os registros, o banqueiro demonstrava preocupação com informações que havia recebido de pessoas ligadas ao Banco Central.

Em uma das mensagens, Vorcaro afirma que havia colocado R$ 800 milhões no Banco Master e esperava receber outros R$ 400 milhões na semana seguinte. Em seguida, relata ter recebido informações de que o Banco Central estaria sob pressão da PF e do Ministério Público para tomar uma medida contra ele.

A PF interpreta a letra “G” mencionada por Vorcaro como uma referência a Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central. Na mesma mensagem, o banqueiro cita “Andrei e Paulo”, identificados pelos investigadores como Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, e Paulo Gonet, procurador-geral da República.

Vorcaro pede que os dois sejam acionados para impedir que integrantes das instituições tomassem alguma medida contra ele. A mensagem termina com a afirmação de que ele estaria disposto a prestar esclarecimentos, desde que não houvesse, segundo suas palavras, uma “sacanagem”.

De acordo com a apuração do Metrópoles, a PF concluiu que o interlocutor que recebeu essa mensagem seria Alexandre de Moraes. A Folha informou que a identificação não havia sido feita inicialmente, mas passou a ser uma hipótese dos investigadores após a análise do material.

Na iminência de uma ofensiva, Vorcaro tenta evitar prisão e quebra do banco

O conjunto das mensagens indica que Vorcaro parecia estar preocupado, naquele período, tanto com a situação financeira do Banco Master quanto com uma possível ação policial contra ele.

Segundo as mensagens divulgadas pela imprensa (Metrópoles, Folha de S.Paulo e O Estado de S.Paulo), o banqueiro afirma que, se as medidas fosse postergada por alguns dias, o banco teria condições de evitar uma quebra.

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Mendonça enviou Vorcaro para Papudinha após delação ser rejeitada pela segunda vez. Foto: Divulgacao

O contexto ajuda a dimensionar a preocupação de Vorcaro: ele acabou preso pela primeira vez em 17 de novembro de 2025, quando se preparava para embarcar em um voo internacional. No dia seguinte, o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master.

A Folha relata que as mensagens analisadas pela PF começaram a ser registradas em 30 de outubro, semanas antes da prisão. O material indica que Vorcaro acompanhava informações sobre a movimentação de órgãos públicos e buscava formas de impedir que a ofensiva contra ele e o banco avançasse.

As informações desta nota foram baseadas nas reportagens da Folha de S.Paulo, Metrópoles e UOL/TAB, que tiveram acesso a diferentes informações sobre o relatório da Polícia Federal e a decisão do ministro André Mendonça.

Meta derruba perfis de Renan Santos após determinação de Toffoli no TSE

A empresa Meta, responsável pelas redes sociais Facebook e Instagram, suspendeu os perfis de Renan Santos, candidato à Presidência pelo Missão, por determinação do ministro Dias Toffoli, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A Meta comunicou à Corte que cumpriu a ordem e retirou as contas indicadas pelo magistrado dessas plataformas, além de impedir que os perfis apareçam nos sistemas de recomendação das plataformas. Leia em TVT News.

A decisão do TSE também levou o TikTok a suspender contas do candidato. O canal de Renan Santos no YouTube também está indisponível.

As contas foram alvo da medida porque não haviam sido informadas à Justiça Eleitoral no momento do registro da candidatura: em 7 de agosto, a campanha declarou apenas um perfil no X e um site, e só doze dias depois, apresentou à Corte uma relação com outras 18 contas.

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Toffoli considerou que a comunicação posterior dos perfis poderia representar descumprimento das regras eleitorais para a propaganda digital e apontou indícios de irregularidades na conduta da campanha. A medida foi determinada no contexto do processo que analisa o registro da candidatura de Renan Santos e de seu vice, Aroldo Medina.

As regras permitem que a Justiça e as próprias plataformas acompanhem as contas utilizadas pelos candidatos e adotem medidas contra a disseminação irregular de propaganda eleitoral.

Outras restrições determinadas

Além da retirada dos perfis, o ministro Dias Toffoli também determinou, no âmbito do TSE, a interrupção dos repasses do Fundo Eleitoral destinados à chapa e proibiu que recursos eventualmente já recebidos sejam utilizados enquanto a decisão estiver valendo.

Renan Santos e Aroldo Medina também ficam impedidos de participar de debates e entrevistas em rádio, televisão, podcasts e outros meios de comunicação durante a vigência da determinação.

O candidato continua podendo utilizar as contas que foram apresentadas regularmente no registro eleitoral.

Empresas terão de conservar informações

Além de bloquear os perfis, as plataformas foram orientadas a manter os registros relacionados às contas desde 7 de agosto.

A determinação inclui conteúdos publicados, dados de anúncios e impulsionamentos, informações sobre alcance e registros referentes à atuação dos sistemas de recomendação. O objetivo é preservar elementos que possam ser utilizados na análise do caso pela Justiça Eleitoral.

A Meta confirmou ao TSE que cumpriu as providências determinadas e afirmou que poderá adotar novas medidas caso receba outras ordens judiciais.

Até a última atualização, Renan Santos não havia comentado a suspensão das contas nem a manifestação apresentada pela Meta ao tribunal.

PIB cresce 0,5% no segundo trimestre, puxado pela agropecuária

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026, na comparação com os três primeiros meses do ano, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (1º). Leia em TVT News.

O resultado representa uma desaceleração do ritmo de expansão da economia, mas mantém o país em trajetória de crescimento. Na comparação com o mesmo trimestre de 2025, a alta foi de 2%. Essa é a segunda maior alta do PIB no mundo no segundo semestre de 2026.

Em valores correntes, a economia brasileira movimentou R$ 3,4 trilhões entre abril e junho. O desempenho do trimestre foi sustentado principalmente pela agropecuária, enquanto indústria e serviços tiveram avanços mais modestos. Pelo lado da demanda, o consumo das famílias apresentou retração, em contraste com a alta dos investimentos e do consumo do governo.

O PIB é um dos principais indicadores utilizados para medir o tamanho da atividade econômica de um país. O cálculo considera o valor dos bens e serviços produzidos em determinado período e permite acompanhar a evolução da economia.

Agropecuária lidera crescimento

Entre os grandes setores da economia, a agropecuária apresentou o melhor resultado no segundo trimestre, com crescimento de 2,8% em relação ao primeiro trimestre. Na comparação com o mesmo período de 2025, a expansão chegou a 6,8%.

O resultado foi favorecido pelo desempenho da pecuária e de produtos agrícolas, que registraram aumento nas estimativas de produção e ganhos de produtividade. Entre as culturas destacadas pelo IBGE estão o café, cuja produção cresceu 15,1% na comparação anual, e a soja, com alta de 5,3%.

Nem todas as culturas, porém, apresentaram expansão. A produção de arroz caiu 11,3%, enquanto o algodão recuou 6,7%. A produção de milho permaneceu estável.

O IBGE ressalta que esses números das lavouras são comparados com o mesmo trimestre do ano anterior porque não há séries com ajuste sazonal específicas para cada cultura. Por isso, os dados não permitem determinar quanto cada produto contribuiu individualmente para o crescimento trimestral de 2,8% da agropecuária.

Indústria avança pouco e extração de petróleo se destaca

A indústria cresceu 0,1% no segundo trimestre, na comparação com os três primeiros meses do ano. O resultado foi impulsionado pelas indústrias extrativas, que tiveram expansão de 3,4%.

Na comparação com o segundo trimestre de 2025, o avanço das atividades extrativas foi de 12%, impulsionado principalmente pelo aumento da extração de petróleo e gás. No acumulado do primeiro semestre, esse segmento apresentou crescimento de 12,5%.

O desempenho, entretanto, foi desigual dentro da indústria. A indústria de transformação recuou 0,4% no trimestre e acumulou queda de 0,9% na comparação anual. Eletricidade e gás, água, esgoto e gestão de resíduos também registraram retração de 1,1% no trimestre.

A construção caiu 0,4% entre o primeiro e o segundo trimestre, mas, na comparação com o mesmo período de 2025, apresentou crescimento de 1%.

Serviços têm alta de 0,2%

O setor de serviços cresceu 0,2% no segundo trimestre. Entre as atividades, o maior avanço trimestral foi registrado em informação e comunicação, com alta de 2,1%.

Também cresceram transporte, armazenagem e correio, com 1,1%, e atividades imobiliárias, com 0,2%. Comércio e outras atividades de serviços ficaram estáveis.

Na direção contrária, administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social recuaram 0,4%. As atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados tiveram queda de 0,3%.

Na comparação anual, os serviços cresceram 1,5%. Todas as atividades apresentaram resultado positivo nesse período, com destaque novamente para informação e comunicação, que avançou 8,4%.

Consumo das famílias recua

Pelo lado da demanda, o consumo das famílias caiu 0,4% no segundo trimestre em relação ao período anterior. O movimento ocorre apesar do avanço da massa salarial real e do crédito destinado às pessoas físicas observado no período.

Na comparação com o segundo trimestre de 2025, entretanto, o consumo das famílias apresentou alta de 0,5%.

O coordenador de Contas Nacionais do IBGE, Ricardo Montes de Moraes, afirmou que não é possível estabelecer uma relação direta entre o aumento da renda e do crédito e o comportamento do consumo. Segundo ele, os recursos adicionais podem ser destinados pelas famílias a outras finalidades, e os dados do PIB não permitem identificar isoladamente o peso de fatores como juros e câmbio sobre as decisões de consumo.

Enquanto as famílias reduziram seus gastos no trimestre, o consumo do governo cresceu 0,4%. Os investimentos tiveram expansão de 1,2%.

No setor externo, as exportações recuaram 0,8%, enquanto as importações aumentaram 1,8%.

PIB acumula alta de 1,9% no primeiro semestre

Considerando os seis primeiros meses de 2026, o PIB brasileiro cresceu 1,9% em relação ao mesmo período do ano passado.

A agropecuária acumulou alta de 3,6% no semestre, enquanto a indústria avançou 1,6% e os serviços cresceram 1,8%.

Na demanda interna, o consumo das famílias aumentou 1,1% no primeiro semestre. O consumo do governo teve expansão de 2,9%, enquanto os investimentos ficaram estáveis.

As exportações cresceram 5,5% nos primeiros seis meses do ano, e as importações avançaram 3,4%.

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>> Flávio Bolsonaro pretende se contrapor ao fim da escala 6×1

Vorcaro pagou mais à Dark Horse do que Flávio Bolsonaro admitiu, diz revista Piauí

Um novo relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) mostra que os pagamentos de Daniel Vorcaro para o filme Dark Horse, negociados a pedido de Flávio Bolsonaro, continuaram depois de maio de 2025, contrariando uma declaração pública do candidato à Presidência. Entenda o novo desdobramento do escândalo Dark Horse, com a TVT News.

Segundo reportagem da revista Piauí, Vorcaro transferiu US$ 1,66 milhão, em setembro daquele ano, para o fundo norte-americano que administrava os recursos da produção. Com a nova parcela, o total conhecido passou de US$ 10,6 milhões para US$ 12,3 milhões, mais de R$ 65 milhões na cotação da época.

A reportagem da revista Piauí também encontrou indícios de uma oitava parcela, que elevaria o total para US$ 14 milhões, cerca de R$ 72 milhões. O novo episódio amplia as dúvidas sobre a dimensão dos pagamentos de Vorcaro e sobre o destino dos recursos relacionados ao filme.

Quais são as novas revelações sobre a ligação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro

Os principais pontos do caso e o que é o escândalo Dark Horse

  • Um relatório do Coaf obtido pela Piauí registra um pagamento de US$ 1.666.667 feito por Vorcaro em 16 de setembro de 2025.
  • O repasse ocorreu oito dias depois de Flávio Bolsonaro cobrar Vorcaro pelas parcelas atrasadas do financiamento.
  • O novo pagamento elevou o total conhecido de US$ 10,6 milhões para US$ 12,3 milhões.
  • Uma mensagem de outubro de 2025 indica que Vorcaro teria feito mais uma liberação, ainda sem comprovação documental apresentada pela Piauí.
  • Se essa parcela também tiver sido efetivada, o total chegaria a US$ 14 milhões, aproximadamente R$ 72 milhões.
  • O acordo entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro previa US$ 24 milhões para o projeto, equivalentes a cerca de R$ 134 milhões na cotação daquele período.
  • Os recursos foram enviados ao Havengate Development Fund, fundo sediado no Texas e administrado por pessoas ligadas ao advogado Paulo Calixto, próximo de Eduardo Bolsonaro.
  • A Polícia Federal investiga se os recursos foram efetivamente utilizados na produção de Dark Horse ou se parte deles teve outra destinação.

O escândalo Dark Horse começou em maio de 2026, quando o site The Intercept Brasil revelou áudios e mensagens que mostravam Flávio Bolsonaro negociando diretamente com Daniel Vorcaro o financiamento da cinebiografia sobre Jair Bolsonaro.

Documentos posteriormente divulgados indicaram que pelo menos US$ 10,6 milhões haviam sido pagos em seis operações entre fevereiro e maio de 2025.

“Libera mais uma”: revista Piauí mostra que pagamentos de Vorcaro foram maiores do que admitiu Flávio Bolsonaro

O ponto central da nova reportagem da Piauí é a existência de um pagamento que não havia aparecido nas informações divulgadas anteriormente.

Em entrevista à GloboNews, Flávio Bolsonaro havia afirmado que o último pagamento feito por Vorcaro para o filme tinha ocorrido em maio de 2025. O relatório do Coaf, porém, registra uma nova transferência em 16 de setembro: US$ 1.666.667 enviados ao Havengate Development Fund, estrutura utilizada para movimentar recursos destinados ao filme.

O pagamento ocorreu oito dias depois de Flávio cobrar o banqueiro pelas parcelas que estavam atrasadas. Com isso, o valor conhecido dos repasses passou de US$ 10,6 milhões para US$ 12,3 milhões.

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Reprodução de arte da revista Piauí detalhando as parcelas pagas por Daniel Vorcaro para atender ao pedido de Flávio Bolsonaro

A Piauí também teve acesso a uma conversa de 22 de outubro de 2025 entre Vorcaro e o publicitário Thiago Miranda, que participou da captação de recursos para o filme. Miranda pergunta ao banqueiro se ele conseguiria “liberar as parcelas do filme”. Vorcaro responde que havia liberado mais uma naquele dia e, em seguida, pede que suas desculpas pelos atrasos sejam transmitidas a Flávio.

A existência dessa oitava parcela ainda depende de comprovação. Mas, caso tenha sido efetivamente paga, o montante desembolsado por Vorcaro chegaria a US$ 14 milhões, cerca de R$ 72 milhões.

Procurado pela revista, Flávio Bolsonaro não respondeu às perguntas sobre o total dos pagamentos. Sua assessoria afirmou que a questão deveria ser direcionada à produtora do filme.

Além do relatório do Coaf, quais indícios de que Vorcaro pagaria mais parcelas?

O relatório do Coaf não é o único elemento que indica que os pagamentos poderiam ter continuado depois de maio de 2025.

A própria sequência de mensagens entre os envolvidos mostra que o financiamento não estava encerrado naquele momento. Em setembro, Flávio voltou a cobrar Vorcaro sobre parcelas atrasadas. Oito dias depois, aparece o registro de um novo pagamento de US$ 1,66 milhão.

Em outubro, a conversa entre Vorcaro e Thiago Miranda reforça a hipótese de continuidade dos repasses. Miranda pergunta sobre as parcelas do filme e Vorcaro responde que havia acabado de liberar mais uma. A mensagem é acompanhada da informação de que Flávio também entraria em contato com o banqueiro.

Outro elemento é o próprio acordo financeiro. Segundo os documentos revelados anteriormente, Vorcaro havia se comprometido a aportar US$ 24 milhões no projeto. Antes da nova descoberta da Piauí, eram conhecidos US$ 10,6 milhões pagos. Com o repasse de setembro, esse número passou a US$ 12,3 milhões, ainda distante do total originalmente negociado.

A sequência deixa uma questão em aberto: quantas parcelas foram efetivamente pagas e quanto dinheiro chegou de fato à produção de Dark Horse?

Quais são as suspeitas?

As suspeitas não se limitam ao tamanho dos pagamentos de Vorcaro. As investigações procuram esclarecer o caminho percorrido pelo dinheiro e seu destino final.

Uma das questões está na estrutura usada para movimentar os recursos. O dinheiro não era transferido diretamente das empresas associadas a Vorcaro para a produtora do filme. Segundo a Piauí, os recursos passavam pela Entre Investimentos e Participações e chegavam ao Havengate Development Fund, sediado no Texas. O fundo era administrado por Paulo Calixto, advogado ligado a Eduardo Bolsonaro.

Documentos já revelados pelo Intercept Brasil mostraram ainda que Eduardo Bolsonaro teve participação formal na estrutura de produção de Dark Horse. Contratos o identificavam como produtor-executivo, com responsabilidades relacionadas à gestão financeira do projeto.

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Após visita de Eduardo e Flávio Bolsonaro, envolvidos em esquema de desvio de dinheiro do Master, Trump decidiu por novo tarifaço – Foto: Instagram @bolsonarosp

Outro ponto investigado é a prestação de contas. A produtora afirmou que o filme consumiu aproximadamente R$ 75 milhões. Um laudo apresentado pela empresa, porém, não detalhou os fornecedores nem comprovou individualmente os pagamentos com notas fiscais. Também não foram divulgados de forma completa os nomes e valores dos demais investidores.

A Polícia Civil e a Polícia Federal apuram diferentes aspectos do caso. Entre as questões estão a origem dos recursos, o caminho percorrido pelo dinheiro e a possibilidade de que parte dos valores tenha tido finalidade diferente da produção cinematográfica. Até o momento, essas hipóteses permanecem sob investigação.

Volume de dinheiro de Vorcaro para Dark Horse é muito maior que grandes produções do cinema nacional

Os valores envolvidos no financiamento de Dark Horse chamam atenção quando comparados aos orçamentos de grandes produções brasileiras.

O filme O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho e estrelado por Wagner Moura, teve orçamento estimado em R$ 28 milhões, segundo dados publicados em 2026. Já Ainda Estou Aqui, vencedor do Oscar de melhor filme internacional, teve custo estimado em aproximadamente R$ 50 milhões em estudo sobre o financiamento do cinema brasileiro.

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Karina Ferreira Gama, sócia da produtora de Dark Horse e presidente da ONG Instituto Conhecer Brasil – Orçamento para o filme sobre Bolsonaro seria maior do que produções que concorreram ao Oscar – Foto: Instagram/Reprodução

Assim, os mais de R$ 65 milhões em pagamentos de Vorcaro já identificados para Dark Horse superam o orçamento estimado dessas duas produções. Se a oitava parcela mencionada na reportagem da Piauí for confirmada, o total chegaria a aproximadamente R$ 72 milhões.

O valor também supera os orçamentos máximos de até R$ 50 milhões previstos em acordos recentes para grandes produções nacionais, segundo o setor de distribuição cinematográfica.

Há, portanto, uma diferença relevante entre o que já foi desembolsado por Vorcaro e o que foi efetivamente comprovado como gasto na produção. A produtora afirma ter utilizado R$ 75 milhões no filme, mas a falta de uma prestação de contas detalhada mantém aberta a questão sobre a origem e a aplicação de cada parcela.

Investigação suspeita que o dinheiro de Vorcaro foi usado para manter Eduardo Bolsonaro nos EUA

A movimentação dos recursos também colocou Eduardo Bolsonaro no centro das investigações.

O ex-deputado passou a viver nos Estados Unidos em fevereiro de 2025. No mesmo mês, Vorcaro começou a enviar parcelas para o Havengate. A primeira transferência identificada foi de US$ 2 milhões, realizada em 13 de fevereiro de 2025.

A Polícia Federal investiga se parte dos recursos destinados ao filme pode ter sido utilizada para custear despesas de Eduardo nos Estados Unidos. A hipótese ainda não foi comprovada.

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“Vida de resort”: imóvel de Eduardo Bolsonaro é localizado em uma das regiões mais ricas do Texas. Foto: Reprodução

O que chamou a atenção dos investigadores foi a combinação de fatores: Eduardo vivia nos EUA, tinha ligação com Paulo Calixto, administrador do fundo Havengate, e documentos do projeto o identificavam como produtor-executivo ou financiador. Ao mesmo tempo, o fundo recebeu recursos enviados por meio da estrutura financeira associada aos pagamentos de Vorcaro.

Em mensagens reveladas anteriormente, Eduardo também discutiu com Thiago Miranda a conveniência de manter os recursos nos Estados Unidos. Segundo o Intercept, ele defendia que o dinheiro fosse enviado diretamente para os EUA para evitar que uma empresa brasileira tivesse de fazer remessas internacionais de grande valor.

Isso não prova que o dinheiro de Vorcaro tenha financiado despesas pessoais de Eduardo. Essa é justamente uma das questões que a investigação tenta esclarecer.

Relembre o escândalo Dark Horse

O caso veio a público em maio de 2026, quando o Intercept Brasil revelou áudios e mensagens em que Flávio Bolsonaro negociava com Daniel Vorcaro recursos para a produção de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro.

Inicialmente, Flávio havia negado a relação financeira com Vorcaro. Depois da divulgação dos áudios, reconheceu que havia negociado o financiamento, mas afirmou que não havia irregularidade e que se tratava de dinheiro privado.

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Reprodução da conversa com o pedido de dinheiro de Flávio Bolsonaro para Daniel Vorcaro, do Banco Master, obtida pelo Intercet. O dinheiro seria para a produção do filme sobre seu pai, Jair Bolsonaro, “Dark Horse” Reprodução / Intercept

Os documentos revelaram que Vorcaro teria se comprometido a pagar US$ 24 milhões, aproximadamente R$ 134 milhões na cotação daquele período. Até então, eram conhecidos seis pagamentos que somavam US$ 10,6 milhões, equivalentes a cerca de R$ 61 milhões.

O caso ganhou novas dimensões com a descoberta de que parte dos recursos passou pelo Havengate, fundo sediado no Texas e administrado por pessoas ligadas a Paulo Calixto, advogado próximo de Eduardo Bolsonaro.

Também surgiram questionamentos sobre o papel de Eduardo na produção, a prestação de contas da produtora, a origem dos demais recursos e a possibilidade de utilização de dinheiro destinado ao filme para outras finalidades.

Em agosto, a TVT News fez um balanço dos primeiros 100 dias do escândalo e mostrou que diferentes frentes de investigação continuavam abertas, incluindo apurações da Polícia Federal, Polícia Civil e órgãos de controle.

Agora, a reportagem da Piauí acrescenta uma nova peça ao caso: um pagamento de US$ 1,66 milhão feito por Vorcaro em setembro de 2025, quando Flávio Bolsonaro já havia afirmado publicamente que o último repasse havia ocorrido em maio.

A descoberta eleva para mais de R$ 65 milhões o valor conhecido dos pagamentos de Vorcaro para Dark Horse e abre a possibilidade de que o total tenha chegado a aproximadamente R$ 72 milhões. O destino integral desse dinheiro continua sendo objeto de investigação.

Com informações da reportagem de Breno Pires, publicada pela revista Piauí em 1º de setembro de 2026.

Flávio Bolsonaro pretende se contrapor ao fim da escala 6×1

O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, interrompeu parcialmente a agenda de campanha nesta terça-feira para permanecer em Brasília e acompanhar as articulações do Congresso em torno da proposta que prevê o fim da escala 6×1. Leia em TVT News.

A movimentação ocorre em meio à tentativa do senador de apresentar uma posição alternativa à redução da jornada de trabalho defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Flávio pretende evitar uma oposição direta a uma pauta que conta com apoio expressivo da população. O candidato defende uma proposta baseada na liberdade de negociação entre trabalhadores e empregadores, sem estabelecer uma nova jornada diretamente no texto constitucional.

Críticos da ideia de Flávio sobre “liberdade de negociação entre patrão e empregado” argumentam que em uma relação hierárquica essa liberdade não existe, pois sempre será o chefe quem terá o poder de negociação. A noção de que o empregado possa negociar e escolher horários e escalas, portanto, é algo que na prática não existe.

Em entrevista à Record no domingo, o candidato afirmou que o trabalhador deveria poder escolher quantas horas deseja trabalhar e receber de acordo com a quantidade de horas trabalhadas.

“Eu defendo a liberdade do trabalhador. O trabalhador vai trabalhar quantas horas ele quiser. Ele vai ter a flexibilidade, a liberdade de decidir e vai ser remunerado pela quantidade de horas que ele quer trabalhar”, declarou.

A posição coloca Flávio diante de um desafio eleitoral. Segundo pesquisa Quaest realizada em julho, 69% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6×1.

Uma oposição explícita à proposta poderia aproximar o candidato de setores empresariais contrários à redução da jornada, mas também abrir espaço para que Lula e aliados apresentem a direita como contrária a uma reivindicação apoiada pela maioria dos entrevistados.

Flávio acompanha articulações em Brasília

A permanência do candidato na capital federal acontece durante um período de esforço concentrado do Congresso. A proposta que altera a jornada de trabalho está em tramitação no Senado e precisa passar pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) antes de chegar ao plenário.

A previsão é de que a CCJ analise a proposta na quarta-feira. Flávio, porém, não deve acompanhar a sessão porque terá deixado Brasília para retomar compromissos eleitorais no Rio Grande do Sul.

Enquanto isso, o líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), trabalha para dificultar a tramitação acelerada da PEC. Entre as estratégias previstas estão pedidos de vista, análise das emendas apresentadas e resistência a acordos que reduzam os prazos para apreciação da matéria.

A proposta precisa ser aprovada em dois turnos no Senado e também deverá passar pela Câmara dos Deputados para entrar em vigor.

Fim da 6×1 virou bandeira eleitoral

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Prioridade do Governo Lula é o fim da escala 6×1 – Foto: Ricardo Suckert

O debate sobre a escala de trabalho ganhou espaço na campanha presidencial depois de Lula incorporar o fim da 6×1 entre suas principais bandeiras. O governo defende uma redução da jornada e a alteração do modelo que permite uma rotina regular de seis dias de trabalho para apenas um dia de descanso.

A discussão também envolve impactos sobre as relações trabalhistas e os custos para empresas. Setores empresariais demonstram preocupação com os efeitos de uma redução obrigatória da jornada, enquanto organizações de trabalhadores defendem mais tempo de descanso e melhores condições de vida.

Nesse cenário, Flávio tenta se posicionar sem aderir integralmente à proposta apresentada pelo governo. A alternativa defendida pelo candidato é ampliar a possibilidade de negociação sobre a duração da jornada e a remuneração.

A estratégia busca diferenciar sua campanha da posição de Lula, mas sem assumir uma postura que possa ser interpretada como oposição direta ao fim da escala 6×1.

Debate ocorre junto a outras votações no Congresso

Além da discussão sobre a jornada de trabalho, o Congresso analisa nesta terça-feira uma medida provisória relacionada às compras internacionais. Flávio não deve participar da votação da matéria.

A medida provisória precisa ser apreciada até 8 de setembro. Caso perca a validade, volta a cobrança federal de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50.

Na quarta-feira, Flávio deve deixar Brasília e seguir para o Rio Grande do Sul. O candidato tem compromissos ligados ao agronegócio e também fará gravações para o horário eleitoral de aliados, entre eles Luciano Zucco (PL-RS), candidato ao governo estadual.

A escala 6×1, entretanto, permanece no centro das discussões políticas no Congresso. Para o governo, o avanço da proposta representa uma mudança nas condições de trabalho no país. Para a oposição, a questão passou a exigir uma resposta que considere o apoio popular à redução da jornada e, ao mesmo tempo, preserve sua defesa de maior flexibilidade nas relações trabalhistas.