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Da Redação

Bad Bunny cede música para campanha de Lula em defesa da soberania

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) incorporou uma música do cantor porto-riquenho Bad Bunny a uma nova peça eleitoral que aborda a defesa da soberania brasileira e faz críticas à aproximação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o governo de Donald Trump. Segundo a campanha petista, a equipe do artista autorizou o uso da canção. Leia em TVT News.

A faixa escolhida é “Lo Que Le Pasó a Hawaii”, do álbum DeBÍ TiRAR MáS FOToS. A música aborda temas relacionados à perda territorial, à influência dos Estados Unidos, à gentrificação e à preservação da identidade cultural de Porto Rico. Na peça eleitoral, a campanha adapta a letra para apresentar a discussão sobre soberania no contexto brasileiro.

Um dos trechos utilizados no vídeo afirma: “Querem tomar o rio, e também a praia, querem as terras raras, querem que a gente saia. Não largue a bandeira, não esqueça o que vivi, não quero que façam contigo, o que fazem por aí”.

A escolha da música ocorre em meio à utilização do tema da soberania como um dos eixos da campanha de Lula.

O presidente também abordou o assunto em discurso na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, na terça-feira (22), quando fez críticas aos Estados Unidos sem mencionar diretamente o país.

Campanha adapta música de Bad Bunny

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Montagem com trechos da campanha eleitoral de Lula inspirada na música de Bad Bunny – Reprodução

A propaganda eleitoral começa com a voz do ator Wagner Moura, que apresenta uma interpretação sobre a origem do sobrenome Silva e sua relação com a chegada dos portugueses ao território brasileiro.

“Quando os portugueses chegaram, em 1500, encontraram a selva. Selva em latim é Silva”, afirma Moura na peça.

Na sequência, o ator relaciona a expressão à forma como os colonizadores identificavam as pessoas nascidas no território.

“Quem nascia aqui, para eles, era ‘da selva’. O povo brasileiro sempre foi ‘da Silva’”, diz.

Depois da introdução, começa a versão adaptada da música de Bad Bunny. O vídeo apresenta imagens de apoiadores do bolsonarismo carregando bandeiras dos Estados Unidos e referências a medidas e declarações relacionadas ao governo Trump.

A campanha também associa Flávio Bolsonaro à aproximação com o presidente norte-americano e coloca a discussão sobre soberania nacional no centro da peça.

O vídeo termina com uma declaração de Lula: “O Brasil tem um único dono: o povo brasileiro”.

Música fala sobre Porto Rico e imperialismo dos EUA

“Lo Que Le Pasó a Hawaii” estabelece uma comparação entre processos históricos relacionados ao Havaí e a situação de Porto Rico.

Na música, Bad Bunny aborda o receio de que a ilha perca características de sua identidade diante da influência dos Estados Unidos.

A letra trata de questões como a chegada crescente de norte-americanos, a valorização dos imóveis, a transformação de bairros e costumes e o aumento do custo de vida.

O Havaí aparece como referência para discutir alterações na população local e na cultura provocadas pela ocupação estrangeira, pelo turismo e pela valorização imobiliária.

A música expressa o temor de que os porto-riquenhos possam se tornar estrangeiros em sua própria terra.

O álbum DeBÍ TiRAR MáS FOToS também aborda temas relacionados à colonização, ao deslocamento populacional e às mudanças culturais associadas à influência estrangeira.

A faixa escolhida pela campanha de Lula segue essa abordagem ao tratar da relação entre identidade, território e influência dos Estados Unidos.

Bad Bunny e o debate sobre identidade porto-riquenha

Bad Bunny também esteve envolvido em episódios de repercussão política nos Estados Unidos.

Em fevereiro, ele comandou o show do intervalo do Super Bowl LX, realizado em Santa Clara, na Califórnia. A apresentação contou com referências à cultura porto-riquenha e à identidade latino-americana, além das participações de Lady Gaga e Ricky Martin.

O espetáculo recebeu críticas do presidente Donald Trump. Após a apresentação, Trump classificou o show como “absolutamente terrível, uma das piores DE SEMPRE!” e também criticou o fato de Bad Bunny cantar em espanhol, afirmando que “ninguém entende uma palavra do que esse cara está dizendo”.

Antes disso, o cantor já havia criticado políticas migratórias do governo Trump. A relação entre Bad Bunny, a identidade de Porto Rico e o debate sobre a influência dos Estados Unidos passou a fazer parte da repercussão em torno de seu trabalho.

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Agenda do Planalto registra ex-advogado de Vorcaro em reunião com Mourão, vice de Bolsonaro

O advogado Walfrido Warde, ex-defensor de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, aparece nos registros oficiais do Palácio do Planalto em uma reunião com Hamilton Mourão, então vice-presidente da República durante o governo Jair Bolsonaro (PL). A visita ocorreu em 2021, quando Warde participou de uma palestra sobre soberania, clima e desenvolvimento sustentável. Leia em TVT News.

A informação veio a público após divulgação de mensagens nas quais Warde diz a Vorcaro ter se encontrado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 22 de janeiro de 2025. Segundo os registros consultados, essa reunião não consta nas agendas oficiais do Planalto.

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Mensagem sobre encontro com Lula

Em mensagens enviadas a Vorcaro, Warde afirmou que havia estado com Lula em 22 de janeiro de 2025. Segundo o advogado, o presidente teria agradecido por um uísque enviado pelo banqueiro e mandado um abraço. O Palácio do Planalto, porém, nega que o encontro tenha ocorrido e afirma que Lula não recebeu presente de Vorcaro nem enviou recado a ele.

O único compromisso de Warde localizado nas agendas oficiais do Planalto foi a visita ao gabinete de Mourão, em 2021. Na ocasião, ele participou do encontro como presidente do Instituto para Reforma das Relações entre Estado e Empresa (IREE).

Lula recebeu Vorcaro em dezembro de 2024

Embora o suposto encontro com Warde não apareça nos registros oficiais, Lula recebeu Daniel Vorcaro no Palácio da Alvorada em 4 de dezembro de 2024. A reunião ocorreu pouco mais de um mês antes da data mencionada pelo advogado nas mensagens e teve como tema a situação do Banco Master.

Warde deixou a defesa de Vorcaro em janeiro de 2026, após o banqueiro decidir negociar um acordo de delação premiada. O advogado era contrário à estratégia.

Operação Crédito Oculto: Durigan diz que Receita mira braços financeiros do crime organizado

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quinta-feira (24) que a Receita Federal vai ampliar o uso de sistemas automatizados e inteligência artificial para identificar estruturas do sistema financeiro utilizadas, segundo as investigações, para ocultar patrimônio e lavar dinheiro ligado ao crime organizado. Leia em TVT News.

A declaração ocorreu durante coletiva de imprensa sobre a Operação Crédito Oculto, terceira fase da Operação Carbono Oculto.

Entre os alvos da Operação Crédito Oculto está o Banco Genial e o Grupo Entre, apontado nas informações da operação como uma estrutura utilizada por Daniel Vorcaro para enviar US$ 12,33 milhões destinados ao financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro.

A ação desta quinta-feira investiga uma rede utilizada para movimentação e ocultação de recursos, além de mirar um esquema de lavagem de dinheiro relacionado ao setor de combustíveis e à aquisição de uma distribuidora.

Segundo Durigan, o foco da nova etapa é avançar sobre estruturas financeiras que, de acordo com os investigadores, teriam sido utilizadas para dar aparência regular a recursos de origem ilícita. Para o ministro, o trabalho da Receita passa a olhar não apenas para as empresas diretamente envolvidas nos negócios, mas também para os mecanismos financeiros usados para movimentar os valores.

“Então o sistema financeiro, grande medida que é responsável, agentes do sistema financeiro, responsável por dar essa racionalidade para esses instrumentos, ocultando a real propriedade”, afirmou.

Operação busca seguir o caminho do dinheiro

Durigan explicou que a Operação Crédito Oculto é tratada como a terceira fase da Carbono Oculto. Na primeira etapa, segundo o ministro, a investigação chegou à administradora de fundos REAG, posteriormente liquidada pelo Banco Central, e a uma usina sucroalcooleira.

A segunda fase, denominada Fluxo Oculto, ampliou a investigação para fintechs. O objetivo, de acordo com Durigan, era identificar de forma mais detalhada os caminhos percorridos pelo dinheiro.

“Então, na segunda fase, na Fluxo Oculto, a gente chegou em algumas fintechs que estavam sendo usadas como instrumentos para isso”, explicou.

Agora, na terceira etapa, o governo afirma ter identificado novos elos da estrutura financeira. Entre eles está a empresa Entre, apontada por Durigan como uma administradora de recursos que teria sido utilizada para ocultar patrimônio e estruturar operações relacionadas à aquisição de uma distribuidora de combustíveis.

De acordo com o ministro, a estrutura investigada envolvia uma sequência de empresas, fundos e operações financeiras. O dinheiro passaria por diferentes instrumentos antes de chegar aos negócios adquiridos, dificultando a identificação de quem seriam os reais proprietários e beneficiários.

“Você tem uma usina de etanol, uma usina sucroalcooleira, que toma operações, manda dinheiro para fundos de investimento, esses fundos cascateiam títulos e recursos para outros fundos, usam o sistema financeiro”, afirmou.

Governo mira estruturas do mercado financeiro

Para Durigan, um dos pontos centrais da investigação é identificar como fundos de investimento, administradoras de recursos, bancos e gestoras podem ser utilizados para criar camadas de proteção sobre o patrimônio.

“São braços financeiros do crime organizado, ajudam a lavar dinheiro de maneira circular”, disse o ministro.

Segundo ele, a movimentação pode começar com recursos provenientes de atividades criminosas ou do setor de combustíveis e passar por diferentes estruturas financeiras antes de retornar aos mesmos grupos interessados nos ativos.

Durigan também afirmou que existem estruturas utilizadas para separar formalmente os bens de seus beneficiários econômicos. Na avaliação apresentada pelo ministro, esse mecanismo cria uma forma de blindagem patrimonial que dificulta a identificação de quem controla efetivamente os recursos e propriedades.

“O que nós estamos identificando são fundos de investimento que não têm legitimidade econômica, que não atuam de maneira normal, de maneira como um fundo de investimento tem que funcionar”, declarou.

O ministro afirmou ainda que alguns fundos seriam utilizados dentro de outros fundos, ligados a administradoras de recursos ou instituições financeiras, criando novas camadas de separação entre os recursos e seus beneficiários.

Receita pretende automatizar identificação

Durante a coletiva, Durigan destacou que a Receita Federal pretende utilizar os dados acumulados nas investigações para desenvolver sistemas capazes de identificar automaticamente padrões semelhantes.

“Eu não tenho dúvida que daqui para frente, com as informações que a gente vem angariando, estruturando sistemas próprios para que a gente automatize esse tipo de identificação”, afirmou.

Segundo o ministro, a utilização de inteligência artificial deve permitir que estruturas financeiras suspeitas sejam identificadas com maior rapidez.

“Essa lavanderia no Brasil, daqui por diante, com sistemas automatizados, usando inteligência artificial da Receita, vão ser mais prontamente identificados”, disse.

Durigan afirmou que o trabalho continuará em parceria com órgãos de investigação e persecução criminal. Na coletiva, citou a atuação conjunta da Receita Federal com o Ministério Público de São Paulo, o GAECO, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal.

Para o ministro, o objetivo é avançar sobre o que chamou de “andar de cima” do sistema financeiro e compreender como diferentes estruturas são conectadas para movimentar recursos, ocultar patrimônio e dificultar a identificação dos responsáveis.

“É um trabalho que nós não vamos deixar de fazer, pelo contrário, nós vamos aprofundar em termos de automatização do nosso lado da Receita Federal, permitindo que a gente tenha fases novas e mesmo outras operações para além da Carbono Oculto de maneira mais célere e automática no país”, afirmou Durigan.

A Operação Crédito Oculto, segundo os elementos apresentados pelo governo, representa uma nova etapa da investigação sobre o uso de estruturas financeiras em operações ligadas ao setor de combustíveis. O foco, nesta fase, é ampliar o rastreamento dos recursos e identificar os mecanismos utilizados para ocultar patrimônio e os reais beneficiários das operações.

Sucesso no YouTube, programa 3P chega à TVT dia 24 

A partir desta semana, a TVT passa a exibir o programa 3P – Papo de Preta Progressista, com a jornalista Roberta Garcia em dois dias: às segundas e quintas, sempre a partir das 21h.  

O programa, já consolidado no YouTube (canal @pretaprogressista) com mais de 70 episódios gravados em três temporadas, agora chega à TV como um espaço de conversa sobre temas diversos a de vivências reais.  

Política, economia, educação, cultura, segurança pública, direitos, comportamento e ciência fazem parte da pauta do 3P. A diversidade de assuntos também está presente no perfil dos convidados e convidadas, que compartilham seus conhecimentos a partir de suas próprias vivências. 

“Minha intenção sempre foi partir de um lugar específico sem transformar o programa em um espaço fechado. O 3P olha para o Brasil a partir de diferentes vozes e quer conversar com pessoas de diferentes gerações, territórios e trajetórias”, explica Roberta Garcia. 

Entre os nomes que já passaram pelo programa estão Anielle Franco, Jurema Werneck e Renato Nogueira, além de pesquisadores, artistas, jornalistas, juristas, economistas, profissionais da educação, políticos e representantes de diferentes setores da sociedade. 

A nova etapa do 3P na TVT se soma à exibição pela Cultne TV e pela TV Kirimurê, além da distribuição nas plataformas digitais. Os conteúdos também podem ser acompanhados pelos canais @pretaprogressista, @iclnoticias e @avoztrabalhadora no YouTube. 

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“Este é um excelente exemplo de conteúdos que queremos na TVT: plural, diverso e profundamente comprometido com a realidade do nosso país, dando espaço a múltiplos olhares, saberes e trajetórias para construir um debate verdadeiramente democrático e enriquecedor para o público”, diz o presidente da TVT, Maurício Junior. 

Sobre a apresentadora do 3P, Roberta Garcia 

Roberta Garcia é jornalista, apresentadora e articuladora política, com mais de 25 anos de carreira. Sua trajetória reúne passagens por importantes veículos da imprensa brasileira, entre televisão, jornalismo digital e produção.  

Foi apresentadora e repórter da TV Globo por 8 anos, tem passagens pela ESPN, TV Cultura, UOL, além de atuar como produtora executiva. Desde 2023, integra o time de apresentadores do ICL. Roberta atua, também, como articuladora política no Movimento Mulheres Negras Decidem, além de ser criadora e apresentadora do 3P – Papo de Preta Progressista. 

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Apresentadora do 3P, Roberta Garcia é jornalista e articuladora política – Foto: Arquivo TVT News

Como sintonizar a TVT 

É possível acessar ao conteúdo da TVT de várias formas: pela TV e internet. 

  • Pela Samsung Plus TV, canal 2047 
  • Na TV, na Grande São Paulo, basta sintonizar com antena digital no Canal 44.1 
  • Na TV por assinatura, canal 512 para o ABC Paulista.  
  • Em todo o Brasil, na TV parabólica digital (banda Ku) canal 555. 
  • A TVT também pode ser sintonizada em parceria com a TV comunitária do estado da Bahia 

Além do sinal em TV aberta digital, a TVT também pode ser vista no YouTube, no Facebook, no TikTok e no Instagram e Kwai. Na Internet, também está no site tvtnews.com.br 

Sobre a TVT 

A TVT é uma emissora educativa outorgada à Fundação Sociedade Comunicação Cultura e Trabalho, entidade cultural sem fins lucrativos, mantida pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e pelo Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região.  

Entre os princípios estão a luta pelos valores democráticos, o combate à desinformação, ao ódio e à intolerância das redes sociais que corroem a democracia. O foco é na valorização do interesse dos trabalhadores e na informação de acontecimentos que afetam a vida das pessoas, no Brasil e no mundo. 

Estreia do programa 3P na TVT 

  • Estreia de 3 P – Papo de Preta Progressista, dia 24, às18h30, no YouTube e às segundas e quintas, 21h, na TV; 

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Flávio Bolsonaro viajou em avião de Daniel Vorcaro, revela revista Piauí

O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, utilizou um avião executivo pertencente ao banqueiro Daniel Vorcaro para retornar da Flórida, nos Estados Unidos, para Brasília em 19 de janeiro de 2025.

A informação foi publicada pela revista Piauí, em reportagem do jornalista Breno Pires. A aeronave, um Legacy 650 de prefixo PP-NLR, é a mesma que transportou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, em agosto do mesmo ano, conforme revelado pelo jornal O Globo.

Leia mais sobre Flávio Bolsonaro no avião de Vorcaro na TVT News, com informações da reportagem da revista Piauí.

O que você precisa saber sobre Flávio Bolsonaro no avião de Vorcaro

  • Por que Flávio usou o avião: A viagem foi feita em família, com a mulher, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, e as duas filhas do casal. O senador retornava de uma passagem pela Flórida na véspera da posse de Donald Trump.
  • Quem mais estava no avião: Além da família, o amigo e advogado Willer Tomaz viajou no mesmo jato. Tomaz é investigado pela Polícia Federal no esquema de desvios bilionários do INSS e confirmou à Piauí ser dono de uma das três cotas da aeronave.
  • O avião é o mesmo usado por Moraes: A aeronave PP-NLR é a mesma que, sete meses depois, foi filmada transportando o ministro Alexandre de Moraes. O escritório de Viviane Barci confirmou a contratação do táxi aéreo, mas negou vínculo pessoal com Vorcaro.
  • Laranjas e mansão ligada a Flávio: Uma empregada doméstica, Lídia Maria Figueiredo Mazelli, aparece como presidente de 14 empresas ligadas a Willer Tomaz, incluindo uma relacionada a uma mansão em Angra dos Reis associada a Flávio Bolsonaro.
  • Para entender: O vídeo do Fábio Porchat, da série “Revelando”, mostra as ligações entre a igreja Lagoinha, o banco Master e Flávio Bolsonaro.

Flávio Bolsonaro usou o avião de Daniel Vorcaro

A reportagem da Piauí apurou que a empresa Prime You, que tinha Daniel Vorcaro como um dos sócios, já era dona de um terço das cotas da aeronave na data do voo. A aquisição foi realizada no fim de 2024. A Prime You também era a operadora do jato, por meio da Prime Aviation Táxi Aéreo e Serviços.

A piauí cruzou registros de tráfego aéreo, dados de pousos e decolagens e informações do Registro Aeronáutico Brasileiro para identificar a aeronave.

Segundo informações da própria empresa, Vorcaro foi sócio da Prime You de 2021 até setembro de 2025. Um relatório da Polícia Federal mostra que cada uma das cotas de 33,33% valia 5,5 milhões de dólares em maio de 2025. Nessa época, a empresa negociava a transferência da participação para o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher de Alexandre de Moraes, negociação que não se concretizou.

Quem mais estava no avião de Vorcaro

Além de Flávio Bolsonaro, sua mulher e suas duas filhas, o advogado e empresário Willer Tomaz estava a bordo. Tomaz é apontado pela Polícia Federal como uma peça central no esquema de fraudes em benefícios do INSS, investigado na Operação Sem Desconto.

Tomaz confirmou à Piauí que era dono de uma das três cotas do avião. Ele declarou que o uso era estritamente privado e que oferecia caronas cordiais a amigos sem custos ou contrapartidas. Afirmou ainda que jamais fez negócios com Daniel Vorcaro e que só soube que o banqueiro era cotista da mesma aeronave em abril de 2026, quando denunciou o contrato e entrou em litígio formal com a operadora Prime You.

A relação entre Tomaz e Flávio Bolsonaro já era pública. Em 2021, durante a CPI da Covid, o senador se referiu ao advogado como “meu amigo”. Reportagens mostram que os dois fizeram pelo menos cinco viagens internacionais juntos em 2025. Tomaz também cedeu um imóvel de uma empresa ligada a ele para uso de Flávio durante a campanha presidencial de 2026.

O avião é o mesmo que Alexandre de Moraes usou

O jato Legacy 650 de prefixo PP-NLR ficou nacionalmente conhecido após o jornal O Globo revelar, em setembro de 2026, um vídeo que mostra o ministro Alexandre de Moraes e sua esposa, Viviane Barci, desembarcando da aeronave no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro.

O escritório de advocacia de Viviane Barci confirmou a contratação do serviço de táxi aéreo, mas negou qualquer vínculo pessoal com Vorcaro, afirmando que ele nunca esteve presente nos voos. A reportagem da Piauí identificou que a aeronave usada por Flávio Bolsonaro em janeiro de 2025 é exatamente a mesma que, sete meses depois, transportou o ministro do STF.

A dona formal do avião era a Fraction 024, cujo capital se dividia em três partes iguais. Uma era de Tomaz, outra de Laércio Cosentino, fundador da TOTVS, e a terceira foi comprada pela Prime You no fim de 2024.

Os elos entre Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz

A proximidade entre Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz já era conhecida antes da revelação sobre o voo.

Durante a CPI da Covid, Flávio Bolsonaro se referiu publicamente a Tomaz como seu amigo. Em 2022, o senador tentou indicar o advogado para uma vaga no Conselho Nacional de Justiça, mas a indicação não avançou.

Em 2025, os dois fizeram viagens internacionais juntos, incluindo uma safari na África do Sul. Segundo a piauí, a viagem de janeiro de 2025 à Flórida também ocorreu em meio à estadia dos dois no Hard Rock Hotel & Casino, na região de Miami.

A relação também envolve imóveis. Em agosto de 2026, a piauí revelou que Flávio Bolsonaro utilizou durante a campanha em São Paulo um apartamento comprado por uma empresa de Tomaz de Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro.

No caso do avião, a reportagem de Breno Pires acrescenta mais um elemento a essa relação: Tomaz era proprietário de uma das três cotas da aeronave e estava no mesmo voo de Flávio Bolsonaro e sua família em janeiro de 2025.

De carona no Avião de Vorcaro: Flávio Bolsonaro, Willer Tomaz e a laranja

Uma reportagem da newsletter Noites Húngaras em parceria com o ICL Notícias revelou que Lídia Maria Figueiredo Mazelli, de 61 anos, trabalhou por cerca de um ano e meio no escritório de Willer Tomaz, entre março de 2019 e setembro de 2020. Após deixar o emprego, passou a responder, ao menos no papel, como dirigente de 14 empresas ligadas ao antigo patrão.

Entre as empresas está a WT Administração de Imóveis e Bens, relacionada a uma mansão na Ilha Comprida, em Angra dos Reis. A mansão foi usada por Flávio Bolsonaro. O imóvel, avaliado em cerca de R$ 10 milhões, esteve no centro de uma disputa judicial e passou a ter a posse transferida para uma empresa ligada a Tomaz.

Lídia foi localizada na periferia do Distrito Federal e negou conhecer Willer Tomaz. Ela afirmou aos jornalistas que trabalha como doméstica e disse desconhecer que seu nome aparecesse à frente das empresas.

A reportagem identificou o nome de Lídia em 14 empresas, incluindo negócios relacionados a imóveis, aviação, comunicação, investimentos, mineração e meios de pagamento. Uma dessas empresas opera um hangar para jatos executivos em Brasília. Outra, a RioPag, atua no processamento de pagamentos de casas de apostas credenciadas pela Loteria do Estado do Rio de Janeiro.

Os elos entre Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz

A proximidade entre o senador e o advogado investigado vai além das viagens. Durante a campanha presidencial de 2026, Flávio Bolsonaro utilizou um imóvel de uma empresa ligada a Tomaz. Antes de passar para a empresa do advogado, o imóvel havia sido propriedade de Fabiano Zettel, cunhado e apontado operador financeiro de Daniel Vorcaro.

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Advogado próximo de Flávio Bolsonaro foi alvo da Operação Sem Desconto, que investiga fraudes em benefícios do INSS. Foto: Divulgação/Willer Tomaz Advogados Associados.

A Polícia Federal também identificou que Tomaz teria colocado uma aeronave à disposição do senador. Um relatório da corporação aponta Flávio Bolsonaro como “liderança e sustentáculo” das atividades do grupo investigado nas fraudes do INSS.

Procurado anteriormente pelo GLOBO sobre os deslocamentos, Flávio afirmou manter com Willer uma “relação de amizade legítima”. O senador disse que “qualquer tentativa de insinuar irregularidade a partir dessa afinidade pessoal é mera ilação, sem qualquer fundamento nos fatos”.

Para entender: veja também o vídeo do Fábio Porchat

O ator e roteirista Fábio Porchat apresentou o segundo episódio da série “Revelando”, intitulado “Grandes Igrejas, Master Negócios“. O programa procura reconstruir as relações entre personagens ligados ao caso, partindo do casamento entre Natália Vorcaro e Fabiano Zettel, realizado sob a bênção do pastor André Valadão, da Igreja Batista Lagoinha.

Entre os nomes mencionados estão os pastores André Valadão e Fabiano Zettel, o deputado Nikolas Ferreira, a advogada Viviane Barci de Moraes, o senador Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. A produção afirma trabalhar com documentos, dados, pesquisas, reportagens jornalísticas e conexões entre personagens e acontecimentos para construir os episódios.

O perfil oficial da série no Instagram foi retirado do ar pela Meta após a repercussão do episódio, mas voltou ao ar horas depois. O vídeo completo permanece disponível no YouTube e chegou ao primeiro lugar entre os vídeos mais vistos do dia na plataforma, checando a quase 5 milhões de visualizações.

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Carbono Oculto: Receita Federal e Gaeco fazem operação que mira conexão da Faria Lima com PCC

Nesta quinta-feira, 24, a Receita Federal, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, a Procuradoria Geral do Estado de São Paulo, a Polícia Militar e a Polícia Civil deflagraram a Operação Crédito Oculto, desdobramento da Operação Carbono Oculto, contando com o apoio do Gaeco dos estados do Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina.

Conheça os detalhes da Operação Crédito Oculto com a TVT News e informações da Receita Federal.

Entenda o que é a operação Crédito Oculto, da Receita Federal

  • O que é a oeração: a Receita Federal e o Gaeco (Ministério Público de São Paulo) deflagraram, em 24 de setembro de 2026, a 3ª fase da Operação Carbono Oculto, batizada de “Operação Crédito Oculto”.
  • Objetivo: a investigação apura um esquema de lavagem de dinheiro e organização criminosa ligado ao setor de combustíveis, especificamente na aquisição da distribuidora Tobras Distribuidora de Combustíveis Ltda., conhecida como Terrana.
  • Quais os indícios de crimes: o grupo teria utilizado fundos de investimento, empresas de fachada e operações financeiras para assumir o controle da distribuidora e ocultar patrimônio. Mais de R$ 120 milhões teriam circulado por empresas e contas usadas como “contas de passagem”.
  • Alvos da operação: entre os alvos das buscas estão Humberto Arthur Tupinambá Neto (executivo do Banco Genial), os irmãos André e Bruno Tupinambá, e o empresário Antonio Carlos Freixo Junior, dono da Entre Investimentos.
  • Abrangência: Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos em 7 estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Santa Catarina e Espírito Santo.
  • Conexão com fases anteriores: As suspeitas baseiam-se em relatórios do Coaf, documentos bancários e mensagens extraídas de celulares apreendidos em fases anteriores da operação.
  • Kássio Nunes e setor setor de álcool e açúcar: essa conexão não aparece nominalmente na nota da Receita sobre a Operação Crédito Oculto, mas está relacionada a outra frente de investigação envolvendo o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o ministro do STF Kassio Nunes Marques.
  • Antônio Carlos Freixo Junior, conhecido como “Mineiro”, é dono da Entre Investimentos e aparece entre os alvos da nova fase da Carbono Oculto. A Entre Investimentos foi utilizada para movimentações relacionadas ao financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro.
    • Daniel Vorcaro teria enviado recursos para a produção do filme por meio da Entre Investimentos, empresa registrada em nome de Antônio Carlos Freixo Junior. A informação foi relacionada à versão apresentada publicamente por Flávio Bolsonaro

Em resumo, o fio das conexões

  • Carbono Oculto → Crédito Oculto: investigação sobre estruturas financeiras usadas para ocultar beneficiários, movimentar recursos e viabilizar negócios no setor de combustíveis.
  • Usina sucroalcooleira → distribuidora: a Receita afirma que a estrutura de ocultação da usina teria sido posteriormente utilizada para viabilizar a aquisição da distribuidora.
  • Vorcaro → setor sucroalcooleiro: o Banco Master mantinha uma carteira bilionária de precatórios do setor, e mensagens de Vorcaro revelaram interesse em decisões judiciais envolvendo usinas.
  • Vorcaro → Kassio Nunes: mensagens da PF mencionam Kassio e seu filho Kevin Marques em contexto de pagamentos e também registram o interesse do Master em processos do setor sucroalcooleiro; os citados negam irregularidades.
  • Vorcaro → Entre Investimentos → Dark Horse: investigações apontam a Entre Investimentos, de Antônio Carlos Freixo Junior, como veículo utilizado para recursos destinados ao filme sobre Jair Bolsonaro; a PF investiga as movimentações.

Operação Crédito Oculto: Receita Federal e Gaeco identificam novas conexões financeiras de investigados da Operação Carbono Oculto

A ação cumpre mandados de busca e apreensão em endereços vinculados a 13 pessoas físicas e 19 pessoas jurídicas, em sete estados: 26 delas em São Paulo e uma em cada um dos estados do Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina. 

O objetivo da operação é desvendar a utilização de estruturas complexas de lavagem de capitais para a aquisição de uma das maiores distribuidoras de combustíveis do país. Houve sobreposição de estruturas pela organização criminosa, para, inicialmente, ocultar o controle de uma empresa sucroalcooleira e, depois, a aquisição de uma distribuidora de combustíveis, conforme as seguintes operações:

Ocultação do controle de empresa sucroalcooleira

A primeira estrutura foi criada para ocultar e dissimular os reais proprietários de uma usina sucroalcooleira no interior do estado de São Paulo, identificada pela operação Carbono Oculto.

Posteriormente, outro operador financeiro, titular de fintechs e outras empresas, teria utilizado a infraestrutura societária e financeira do seu grupo empresarial, não apenas para a movimentação financeira das empresas da organização criminosa, como para criar novas camadas de ocultação sobre a titularidade da usina sucroalcooleira, entre outras fraudes. 

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Aquisição da distribuidora de combustíveis foi viabilizada por outra estrutura financeira composta por banco, fundos de investimento, escritório de advocacia, holdings, empresas patrimoniais e empresas de fachada, organizada para distanciar os recursos ilícitos utilizados na operação e os seus verdadeiros financiadores e beneficiários econômico – Foto: Receita Federal

Embora a titularidade formal da empresa sucroalcooleira estivesse distribuída entre fundos de investimento e outras empresas aparentemente independentes, os elementos reunidos indicam que a estrutura foi organizada para preservar o controle econômico dela sem que os reais beneficiários fossem revelados. 

Um dos principais achados envolve uma operação de aproximadamente R$ 370 milhões em direitos creditórios da usina. Segundo os levantamentos, uma empresa ligada à sociedade de investimentos adquiriu os créditos mediante a transferência de cotas de um fundo de investimento em direitos creditórios (FIDC). A análise financeira indicou que parcela relevante dos recursos empregados na aquisição das cotas se originou de fundos de investimento controlados pelo mesmo grupo investigado. A estrutura teria criado um fluxo financeiro circular, conferindo aparência de legitimidade à operação e dificultando a identificação dos reais beneficiários.

A ocultação da titularidade da usina sucroalcooleira, em duas etapas e por dois grupos de operadores do mercado financeiro, foi providencial não apenas para blindar a usina sucroalcooleira, mas também instrumentalizá-la para a estruturação de um novo negócio jurídico pela organização criminosa: a aquisição de uma das maiores distribuidora de combustíveis do país. 

Aquisição de distribuidora de combustíveis

As análises econômico-financeiras apontam que a aquisição da distribuidora de combustíveis foi viabilizada por outra estrutura financeira composta por banco, fundos de investimento, escritório de advocacia, holdings, empresas patrimoniais e empresas de fachada, organizada para distanciar os recursos ilícitos utilizados na operação e os seus verdadeiros financiadores e beneficiários econômicos.

A usina teria recepcionado em suas contas bancárias 100 milhões de reais enviados pela organização criminosa para financiar a aquisição. Seguindo modus operandi já apontado pelo Ministério Público de São Paulo, os valores passaram “em poucos minutos” por múltiplas contas gráficas de três empresas do grupo ocultadas por contas bolsões em fintechs, usadas como meras “contas de passagem”, até aportarem na conta da usina sucroalcooleira. 

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Apurações apontam indícios de ocultação patrimonial e dissimulação da origem de recursos para aquisição de distribuidora de combustíveis – Foto: Receita Federal

A usina sucroalcooleira passou a integrar a carteira de um novo fundo de investimento criado especificamente para o negócio jurídico. O valor de 100 milhões de reais foi aportado no fundo de investimento.

Depois, a fraude foi arquitetada por intermédio de um certificado de depósito bancário vinculado (CDBV). O fundo de investimento realizou a aquisição de um CDB perante um banco tradicional que, por sua vez, utilizou o dinheiro para realizar uma operação “casada” com a emissão de duas cédulas de crédito bancário para duas empresas de fachada da própria organização criminosa. Essas empresas se capitalizaram mediante o negócio jurídico simulado e foram utilizadas para ocultar e dissimular os verdadeiros beneficiários finais do negócio jurídico, ou seja, a aquisição da distribuidora de combustíveis. 

Também foram utilizados recursos para adquirir integralmente as cotas de um fundo imobiliário. Os imóveis que davam suporte econômico à operação já haviam sido previamente transferidos para empresas patrimoniais e, posteriormente, para fundos imobiliários. Dessa forma, os bens permaneciam sob o controle econômico do grupo investigado, mas deixavam de figurar diretamente em seu patrimônio pessoal, dificultando a identificação de seus reais proprietários e proporcionando blindagem patrimonial.

Segundo os elementos reunidos na investigação, a fintech, a empresa sucroalcooleira, os fundos de investimento, as holdings e as empresas-veículo desempenhavam funções complementares na estrutura.

A fintech permitia a circulação e fragmentação dos recursos. A empresa sucroalcooleira recepcionava e incorporava os valores à atividade econômica formal. Já os fundos assumiam a posição econômica de financiadores de fato, as holdings realizavam as aquisições e as empresas-veículo serviam como camada adicional de separação entre a origem dos recursos e os reais beneficiários dos ativos adquiridos. 

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Foram cumpridos mandados de busca e apreensão contra 13 pessoas físicas e 19 pessoas jurídicas, em sete estados. Em São Paulo estão 26 dos alvos; os demais estão distribuídos entre os outros seis estados – Foto: Receita Federal

Os fundos imobiliários foram utilizados para concentrar imóveis vinculados aos investigados. Além de fornecer garantias e suporte econômico às operações, esses veículos mantinham bens de alto valor em patrimônios segregados, fora da titularidade direta dos investigados, ampliando a blindagem patrimonial e dificultando a visualização do patrimônio efetivamente controlado pelo grupo.

Portanto, a investigação constata a construção e a interligação de múltiplas estruturas de lavagem de capitais, não apenas pela organização criminosa atuante em todo o setor de combustíveis, mas essencialmente por operadores do mercado financeiro que prestam serviços de lavagem de capitais, consistindo em verdadeiras convergências criminosas à disposição de múltiplos grupos criminosos. 

Empresa financeira envolvida com as operações movimentou R$ 11,6 bilhões 

A empresa financeira empregada na aquisição simulada da empresa sucroalcooleira movimentou cerca de R$ 11,6 bilhões entre 2021 e 2025. O volume financeiro, considerado em conjunto com as demais evidências, reforça os indícios de uso de uma estrutura financeira e de investimentos para ocultação patrimonial, dissimulação da origem de recursos e lavagem de capitais.

Com informações da Receita Federal

O que dizem os citados

Leia o posicionamento do Banco Genial

Nota do Banco Genial sobre a operação da Receita Federal

O Banco Genial esclarece que Humberto Tupinambá não integra a Diretoria e não é sócio da instituição desde maio de 2026, quando ocorreu sua destituição.

Todas as informações relacionadas às operações envolvendo o Fundo Radford, inclusive aquelas relacionadas às empresas Berna e Branson Holdings, que estavam em poder da instituição foram fornecidas pela própria Genial ao GAECO-SP. Em relação às operações mencionadas, também foram realizadas as comunicações cabíveis ao COAF, nos termos da legislação e da regulamentação aplicáveis.

No âmbito dessas operações, a Genial atuou dentro das atribuições que lhe competiam, observando os procedimentos, normas e regulamentos aplicáveis, considerando as informações disponíveis à instituição à época.

A partir do conhecimento dos fatos, a instituição adotou medidas adicionais de governança e controle, incluindo a instauração de processo de Inspetoria interna, a revisão da governança das operações de crédito, o afastamento do então diretor dos respectivos processos decisórios e sua posterior destituição. A Genial também contou com o apoio de especialistas externos para a revisão e o aprimoramento de seus processos e controles.

Após a deflagração da Operação Carbono Oculto, a Genial renunciou à administração do Fundo Radford e manteve sua postura de colaboração com as autoridades, fornecendo as informações e os documentos solicitados.

A instituição permanece à disposição das autoridades competentes para colaborar com as investigações e prestar todos os esclarecimentos que se façam necessários.

Confira imagens da Operação Carbono Oculto

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