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Da Redação

Por que não decidir a eleição presidencial no primeiro turno?

Por Nilson Hashizumi *

A campanha presidencial começou oficialmente com 13 chapas registradas, mas as pesquisas indicam que a disputa real da eleição continua concentrada em apenas duas candidaturas: a do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, e a do senador Flávio Bolsonaro, do PL.

Os dois representam campos políticos bastante conhecidos do eleitorado. De um lado, Lula lidera uma frente progressista e democrática formada durante seu atual governo. Do outro, Flávio Bolsonaro procura preservar o capital político, eleitoral e emocional constituído em torno do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Pode-se gostar ou não dessa configuração. Pode-se lamentar a chamada polarização. Pode-se desejar uma terceira via, um nome novo ou uma alternativa que supostamente consiga escapar dos conflitos dos últimos anos. O problema é que eleições não são decididas pelos desejos dos comentaristas, pelas articulações partidárias nem pelas expectativas dos candidatos. São decididas pelo voto.

E, até agora, as eleitoras e os eleitores brasileiros parecem ter feito uma escolha bastante objetiva: querem decidir entre Lula e o representante do bolsonarismo.

O Datafolha divulgado em 21 de agosto mostrou Lula com 39% das intenções de voto no primeiro turno, seguido por Flávio Bolsonaro, com 33%. Muito atrás aparecem Ronaldo Caiado, com 5%; Renan Santos, com 4%; Romeu Zema, com 3%; Augusto Cury e Pablo Marçal, ambos com 2%.

As demais candidaturas oscilam entre 0% e 1%. A pesquisa ouviu 2.058 pessoas em 128 municípios e possui margem de erro de dois pontos percentuais.  Confira os resultados completos.

Mais do que uma fotografia isolada, esses números confirmam uma tendência observada há meses: a baixíssima mobilidade do segundo pelotão.

Nenhuma das candidaturas apresentadas como alternativa conseguiu, até agora, romper a barreira que separa os dois líderes dos demais concorrentes. Há uma eleição formalmente disputada por 13 chapas, mas existe outra eleição — aquela percebida concretamente pelo eleitorado — que permanece concentrada em dois projetos políticos.

O debate dos ausentes

O primeiro debate presidencial, realizado no domingo, 23 de agosto, pela Band, em parceria com Estadão, TV Cultura, Gazeta e Jovem Pan, talvez tenha oferecido a representação mais evidente dessa realidade.

Foram convidados Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Renan Santos e Augusto Cury. Apenas três compareceram: Caiado, Renan e Cury. Foi o debate inaugural com o menor número de participantes desde a eleição de 1989. A ausência dos principais candidatos e o esvaziamento do encontro foram registrados pela imprensa.

Romeu Zema desistiu de participar no último momento. Sua ausência provocou especulações sobre as dificuldades e até sobre a continuidade de uma candidatura que ainda não encontrou seu espaço na disputa nacional.

Augusto Cury também chegou a considerar a desistência quando já estava no local. Pouco depois, desistiu de desistir e entrou no estúdio. O episódio, curioso por si mesmo, acabou simbolizando a insegurança das candidaturas que tentam ocupar um espaço eleitoral aparentemente muito menor do que imaginavam.

O debate serviu menos para alterar a correlação de forças e mais para apresentar as intenções futuras de seus participantes.

Renan Santos utilizou o encontro para marcar posição. Seu discurso agressivo, carregado de provocações e frases destinadas às redes sociais, parece menos orientado por uma expectativa real de vitória em 2026 e mais pela tentativa de construir uma candidatura competitiva para 2030. Aos 4%, Renan precisa sobreviver politicamente a esta eleição antes de pensar seriamente na próxima.

Augusto Cury procura ocupar o lugar do outsider. Apresenta-se como alguém que não pertence à política tradicional e tenta transferir para o ambiente eleitoral a popularidade conquistada como escritor. Entretanto, reconhecimento de nome e capacidade de vender livros não se transformam automaticamente em confiança para governar um país. Seus 2% demonstram que, por enquanto, a candidatura desperta curiosidade, mas não adesão significativa.

Romeu Zema deixou recentemente o governo de Minas Gerais e procura projetar nacionalmente a imagem de gestor pragmático. Seu discurso econômico possui identidade mais definida, mas suas formulações sobre educação, cultura, segurança pública e desigualdade ainda parecem insuficientes para um projeto nacional. Além disso, depois de dois mandatos à frente de um dos maiores estados do país, continua pouco conhecido por uma parcela expressiva da população.

Ronaldo Caiado é o mais experiente e o mais bem colocado entre eles. Deixou o governo de Goiás com índices elevados de aprovação e procura apresentar os resultados obtidos em seu estado como credencial para governar o Brasil. Entretanto, desempenho estadual não significa automaticamente viabilidade nacional. Caiado ainda enfrenta o mesmo obstáculo de Zema: é muito conhecido em seu território de origem, mas permanece distante do cotidiano de milhões de brasileiros.

Treze candidaturas, duas escolhas

A fragmentação das candidaturas não significa necessariamente diversidade política real.

Quando observamos os 13 nomes registrados, percebemos que várias candidaturas disputam parcelas semelhantes do eleitorado conservador, liberal ou antipetista. No campo progressista também existem candidaturas menores, embora o voto esteja muito mais concentrado em Lula.

Essa concentração é importante, mas ainda não garante uma vitória no primeiro turno.

Para ser eleito sem uma segunda votação, um candidato precisa alcançar mais da metade dos votos válidos. Lula aparece com 39% das intenções totais no Datafolha. Considerados os votos brancos, nulos e os indecisos, encontra-se mais próximo da maioria dos votos válidos do que o número bruto inicialmente sugere, mas ainda precisa crescer.

Portanto, vencer no primeiro turno não é uma realidade dada. É uma possibilidade política que precisaria ser construída.

Isso dependeria, principalmente, da concentração dos votos progressistas, da redução dos indecisos e da capacidade da campanha de dialogar com eleitores que rejeitam o bolsonarismo, mas ainda não decidiram apoiar Lula.

Também dependeria de uma pergunta muito objetiva: se o segundo turno tende a reproduzir exatamente a mesma disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro, por que esperar mais quatro semanas para tomar uma decisão que já está colocada diante do país?

Segundo turno não é desperdício — mas pode ser dispensável

É preciso reconhecer que o segundo turno é uma conquista democrática. Sua realização jamais deve ser tratada simplesmente como desperdício. Ele existe para assegurar que o presidente seja escolhido pela maioria dos votos válidos quando nenhum candidato alcance essa maioria na primeira votação.

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A decisão se a eleição será decidida no primeiro turno é tomada por cada eleitora e cada eleitor diante da urna. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Mas a democracia também permite que a população encerre a eleição no primeiro turno.

Se a maioria já estiver convencida, não há obrigação política de prolongar uma disputa apenas para cumprir o roteiro imaginado pelos candidatos que não conseguiram se tornar competitivos.

Um segundo turno mobiliza novamente a Justiça Eleitoral, partidos, servidores, mesários, forças de segurança, imprensa e milhões de eleitoras e eleitores. Exige novos deslocamentos, amplia os gastos das campanhas e prolonga por quase um mês um ambiente de tensão política que afeta o funcionamento das instituições, da economia e da própria vida cotidiana.

Não é argumento suficiente para eliminar uma etapa prevista constitucionalmente. Mas é uma razão legítima para perguntar se essa etapa será realmente necessária.

Além disso, a experiência recente demonstra que as semanas adicionais de campanha nem sempre servem para aprofundar o debate sobre programas de governo. Muitas vezes, tornam-se território fértil para ataques pessoais, desinformação, manipulação emocional, notícias falsas e acirramento da hostilidade entre brasileiros.

Uma decisão sobre o futuro, não sobre o cansaço

A vitória de Lula no primeiro turno não deve ser defendida apenas porque as pessoas estão cansadas da polarização. Cansaço não constitui projeto de país.

Ela precisa ser sustentada por razões políticas concretas: a defesa da democracia, a continuidade dos programas sociais, a valorização do salário-mínimo, o combate à fome, a reconstrução das políticas públicas, a geração de empregos, a proteção do meio ambiente, o fortalecimento do SUS, a ampliação das oportunidades educacionais e a retomada do protagonismo internacional do Brasil.

É sobre esses temas que a campanha precisa conversar com a sociedade.

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Lula incentiva a vacinação. Foto: Ricardo Stuckert

O argumento do primeiro turno somente será legítimo se estiver associado à defesa de um projeto capaz de melhorar a vida das pessoas. Não se trata de silenciar adversários, impedir debates ou diminuir a importância das demais candidaturas. Trata-se de reconhecer a vontade majoritária quando ela se manifestar.

O Datafolha mostra Lula vencendo Caiado por 47% a 40%, Zema por 48% a 38% e Renan Santos por 47% a 37% em eventuais segundos turnos. Contra Flávio Bolsonaro, Lula aparece numericamente à frente, por 47% a 43%, embora o resultado configure empate técnico no limite da margem de erro. Os diferentes cenários foram divulgados em 21 de agosto.

Portanto, a vitória não está garantida. E justamente por não estar garantida, cada voto terá importância decisiva.

As candidaturas intermediárias ainda terão tempo para tentar demonstrar sua viabilidade. Precisarão, porém, apresentar algo mais consistente do que a promessa genérica de superar a polarização. Terão de convencer milhões de brasileiros de que representam um projeto melhor, mais seguro e mais realizável.

Até agora, não conseguiram.

Se a disputa final será entre Lula e Flávio Bolsonaro; se os demais candidatos continuam eleitoralmente estacionados; se o campo progressista reconhece em Lula a liderança capaz de derrotar o bolsonarismo; e se existe uma maioria disposta a preservar a democracia e avançar nas políticas sociais, então a pergunta precisa ser feita desde já:

Por que não decidir a eleição presidencial no primeiro turno?

Encerrar a eleição em 4 de outubro não significaria fugir do debate. Significaria transformar uma maioria potencial em uma decisão política clara.

A resposta não será dada pelas pesquisas, pelos institutos ou pelos analistas. Será dada por cada eleitora e cada eleitor diante da urna.

Sobre o autor

NILSON HASHIZUMI

Nilson Hashizumi é estrategista de marketing político e corporativo, jornalista, fotógrafo, gestor de cultura e preparador de candidatos, grupos e agremiações políticas, com MBA em Comunicação Governamental e Marketing Político.

Co-fundador da Alcateia Política, orientou, coordenou e defendeu candidatos majoritários em São Paulo e Pará e candidatos proporcionais em São Paulo e Minas Gerais.

Orientado a resultados, trabalha com visão de processos na gestão da comunicação on e off-line para a construção de reputação, imagem e formação de opinião. Atuou por mais de 30 anos na iniciativa privada, organizações da sociedade civil e entidades de classe antes de atuar em favor de entes políticos. Associado ao CAMP.

Especialista em campanhas e comunicação governamental, integra estratégias on-line e off-line na construção de imagem pública

Defende que reputação é patrimônio — construída pela trajetória, sustentada pela coerência e reconhecida pela confiança.


Os artigos dos colunistas expressam as opiniões individuais da autora ou do autor e não, necessariamente, refletem a opinião da TVT News

Quaest para Senado em SP traz Marina (9%), Derrite (8%) e Tebet (7%)

A ex-ministra Marina Silva (Rede) aparece, numericamente, à frente na disputa por uma das duas vagas de São Paulo no Senado, com 9% das intenções de voto, segundo pesquisa Quaest divulgada nesta terça-feira (25).

O levantamento mostra uma corrida acirrada, com vários candidatos próximos dentro da margem de erro. Leia em TVT News.

Na sequência, aparecem Guilherme Derrite (PP), com 8%; Simone Tebet (PSB), com 7%; e André do Prado (PL), também com 7%. Como São Paulo elegerá dois senadores em 2026, o cenário indica uma disputa aberta pelas cadeiras.

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Disputa pelo Senado está acirrada

Além dos quatro primeiros colocados, a pesquisa aponta Ricardo Salles (Novo) com 6% das intenções de voto. Outros candidatos aparecem com percentuais menores, enquanto uma parcela significativa dos eleitores ainda não definiu sua escolha.

O cenário é diferente de levantamentos anteriores, que apresentavam Marina Silva e Simone Tebet com percentuais mais elevados. Em pesquisa Datafolha divulgada na semana passada, Marina e Tebet tinham 12% cada, enquanto André do Prado aparecia com 10%.

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Em São Paulo, a chapa é formada por Simone Tebet e Marina Silva como candidatas ao Senado e Haddad e França como candidatos à governador e vice. Foto: Ricardo Stuckert/PR

A pesquisa Quaest reforça, portanto, a indefinição na corrida pelas duas cadeiras paulistas. Como os percentuais estão próximos, oscilações ao longo da campanha podem alterar a composição dos candidatos que aparecem nas primeiras posições.

Cada eleitor paulista poderá votar em dois candidatos ao Senado na eleição de outubro de 2026. Os dois nomes mais votados serão eleitos para mandatos de oito anos.

A disputa também reproduz a polarização política da eleição presidencial. Marina Silva e Simone Tebet estão alinhadas à candidatura de Lula, enquanto André do Prado e Guilherme Derrite integram o grupo político ligado ao governador Tarcísio de Freitas e ao campo que apoia Flávio Bolsonaro.

A pesquisa ocorre após o início oficial da campanha eleitoral e em um momento de intensa movimentação dos candidatos ao Senado. Com duas vagas em jogo e diferenças pequenas entre os principais nomes, a tendência é de uma disputa acirrada até outubro.

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Como votam os paulistas para governador e presidente, de acordo com a Quaest

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), aparece na liderança da disputa pelo governo estadual, com 40% das intenções de voto, segundo pesquisa Quaest divulgada nesta terça-feira (25). O ex-prefeito de São Paulo e ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), aparece em segundo lugar, com 27%. Leia em TVT News.

A diferença entre os dois é de 13 pontos percentuais. O levantamento mostra ainda outros candidatos com percentuais menores, além de uma parcela significativa do eleitorado que ainda não definiu o voto.

A pesquisa também mediu a corrida presidencial entre os eleitores paulistas e encontrou empate entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), ambos com 30%, em um cenário diferente da disputa pelo governo estadual.

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Tarcísio segue à frente em SP

O resultado mantém Tarcísio à frente de Haddad na disputa pelo governo paulista. Em levantamento anterior da Quaest, divulgado em julho, o governador tinha 41% e o petista, 26%.

A nova pesquisa ocorre em um cenário de intensa disputa eleitoral no estado. Tarcísio busca a reeleição, enquanto Haddad tenta retornar ao comando do governo paulista depois de ter sido derrotado pelo atual governador no segundo turno de 2022.

O levantamento também mede a avaliação dos eleitores sobre a atual administração estadual e a percepção em relação aos principais candidatos.

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Pesquisa considerou cenários de segundo turno

A pesquisa também avaliou possíveis confrontos em segundo turno. Tarcísio aparece à frente de Haddad nas simulações, mantendo vantagem sobre o adversário petista. O cenário indica que, caso os dois avancem para a segunda etapa, o atual governador parte de uma posição favorável.

Além da disputa entre Tarcísio e Haddad, a Quaest avaliou outros possíveis confrontos. Os números mostram que a corrida pelo Palácio dos Bandeirantes ainda pode sofrer alterações ao longo da campanha, especialmente com a definição das alianças e o início do horário eleitoral gratuito.

A pesquisa foi realizada pela Quaest com eleitores de São Paulo e tem margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

Corrida para presidência está empatada em SP

Além da corrida pelo governo do estado, a pesquisa Quaest avaliou a disputa pela Presidência entre os eleitores de São Paulo. Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) aparecem empatados com 30% das intenções de voto no primeiro turno. O resultado mostra um cenário mais equilibrado do que o registrado na disputa pelo governo estadual, em que Tarcísio de Freitas lidera com 40%, contra 27% de Fernando Haddad (PT).

O levantamento reforça a importância de São Paulo para a eleição nacional, já que o estado concentra o maior eleitorado do país. A proximidade entre Lula e Flávio também contrasta com a vantagem do governador na corrida estadual e evidencia que as disputas para os diferentes cargos apresentam dinâmicas próprias entre os eleitores paulistas.

A pesquisa ouviu 1.800 eleitores entre 21 e 24 de agosto e tem margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

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Tarcísio diz que vai enviar dados à PF e nega atrasar investigações de Dark Horse

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta terça (25) que a Polícia Civil do estado vai cumprir a determinação do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), para compartilhar com a Polícia Federal (PF) as provas obtidas na investigação sobre a produtora do filme Dark Horse. Tarcísio também negou que a apuração paulista esteja sendo deliberadamente atrasada. Leia em TVT News.

Segundo o governador, a polícia paulista atua de acordo com os procedimentos previstos em lei e seguirá as decisões judiciais relacionadas ao caso. “Se tem uma determinação judicial, a determinação vai ser cumprida”, afirmou durante um evento em São Paulo.

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Polícia Civil é alvo de críticas

As declarações ocorreram após críticas de opositores ao governo paulista, que questionaram a demora na investigação conduzida pela Polícia Civil. A operação que resultou na apreensão de documentos e equipamentos ligados à produtora ocorreu em junho.

Tarcísio classificou as acusações de demora proposital como um “desrespeito” à polícia de São Paulo. Segundo ele, a corporação é uma instituição de Estado e não de governo e conta com profissionais responsáveis pela condução do caso.

A investigação estadual apura possíveis irregularidades em um contrato firmado entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), ligado à empresária Karina Ferreira da Gama, que também é responsável pela produtora Go Up Entertainment, responsável por Dark Horse. O contrato previa a instalação de pontos de wi-fi em comunidades da capital. Há suspeitas de desvio de recursos públicos.

PF terá acesso às provas

A Polícia Federal investiga uma frente diferente do caso: a possível utilização irregular de emendas parlamentares no financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro. Na segunda-feira (24), Flávio Dino autorizou o compartilhamento das provas recolhidas pela Polícia Civil paulista com os investigadores federais.

A autorização inclui documentos apreendidos, relatórios produzidos a partir das análises, dados brutos extraídos de equipamentos eletrônicos e informações relacionadas à cadeia de custódia das provas. Com isso, a PF terá acesso integral ao material obtido na operação realizada em São Paulo.

As duas investigações possuem objetos distintos, mas o compartilhamento pode ajudar a PF a esclarecer a origem e o destino dos recursos relacionados à produção de Dark Horse. A produção também é alvo de outra apuração federal sobre recursos repassados pelo empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.

Copa do Brasil começa hoje com clássico mineiro; veja jogos, horários e onde assistir

As quartas de final da Copa do Brasil começam nesta terça-feira (25) com um dos maiores clássicos do futebol brasileiro. Cruzeiro e Atlético-MG se enfrentam às 21h, no Mineirão, em Belo Horizonte, pelo primeiro jogo da disputa por uma vaga na semifinal. A partida terá transmissão do SporTV e do Premiere. Leia em TVT News.

A fase reúne oito clubes e terá três clássicos estaduais: Cruzeiro x Atlético-MG, Palmeiras x Santos e Internacional x Grêmio. O outro confronto será entre Vasco e Vitória. Os jogos de ida serão realizados nesta semana, enquanto as partidas de volta acontecem entre 1º e 3 de setembro.

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O vencedor de Cruzeiro x Atlético-MG enfrentará na semifinal quem passar de Internacional x Grêmio. Do outro lado da chave, o classificado de Vasco x Vitória terá pela frente Palmeiras ou Santos.

Veja os jogos das quartas de final

Jogos de ida

Terça-feira (25/8)
21h – Cruzeiro x Atlético-MG – Mineirão – SporTV e Premiere

Quarta-feira (26/8)
21h30 – Vasco x Vitória – São Januário – TV Globo, SporTV, Premiere e Amazon Prime
21h30 – Palmeiras x Santos – Nubank Parque – TV Globo, SporTV, Premiere e Amazon Prime

Quinta-feira (27/8)
20h – Internacional x Grêmio – Beira-Rio – Amazon Prime

Jogos de volta

Terça-feira (1º/9)
21h – Atlético-MG x Cruzeiro – Arena MRV – SporTV e Premiere

Quarta-feira (2/9)
21h30 – Vitória x Vasco – Barradão – TV Globo, SporTV, Premiere e Amazon Prime
21h30 – Santos x Palmeiras – Vila Belmiro – TV Globo, SporTV, Premiere e Amazon Prime

Quinta-feira (3/9)
20h – Grêmio x Internacional – Arena do Grêmio – Amazon Prime

Cruzeiro x Atlético-MG abre as quartas

O clássico mineiro coloca frente a frente duas equipes que chegam às quartas de final em situações distintas no Campeonato Brasileiro, mas com bons números no período recente.

O Cruzeiro derrotou o Flamengo por 2 a 1 na última rodada do Brasileirão e assumiu a liderança da classificação do segundo turno. A equipe soma 12 pontos em 15 disputados, com aproveitamento de 80%.

O Atlético-MG, por sua vez, empatou por 0 a 0 com o Internacional. No recorte desde a retomada do futebol brasileiro, o Galo aparece com 62,96% de aproveitamento e ainda não foi derrotado nesse período.

O primeiro duelo será no Mineirão. A volta está marcada para 1º de setembro, às 21h, na Arena MRV. O Atlético-MG terá o mando de campo na segunda partida.

O clássico também coloca em disputa uma vaga em uma semifinal que pode reunir outro Gre-Nal. Quem avançar entre Cruzeiro e Atlético-MG enfrentará o vencedor de Internacional x Grêmio.

Vasco x Vitória: times vivem momentos diferentes

Na quarta-feira (26), às 21h30, Vasco e Vitória entram em campo em São Januário.

O Vasco chega ao confronto pressionado pelo desempenho no Campeonato Brasileiro. A equipe perdeu por 4 a 1 para o Palmeiras e chegou a oito jogos sem vencer na competição. Com 22 pontos em 23 rodadas, tem sua pior pontuação nesse momento do Brasileirão desde 2015.

A última vitória vascaína no campeonato ocorreu em 10 de maio, por 1 a 0 sobre o Athletico-PR. Desde então, foram cinco derrotas e três empates.

O Vitória também vem de derrota no Brasileiro. O time perdeu o Ba-Vi para o Bahia por 2 a 0, no Barradão, e ocupa a 12ª posição, com 29 pontos. A Copa do Brasil passa a ser uma oportunidade para o clube mudar o foco após o resultado negativo no clássico estadual.

A segunda partida entre Vitória e Vasco será em 2 de setembro, às 21h30, no Barradão, em Salvador.

Palmeiras x Santos coloca líder do Brasileiro contra equipe ameaçada

Também na quarta-feira, às 21h30, Palmeiras e Santos fazem o clássico paulista no Nubank Parque. O jogo terá transmissão da TV Globo, SporTV, Premiere e Amazon Prime.

O Palmeiras chega ao confronto em uma posição confortável no Campeonato Brasileiro. Na última rodada, goleou o Vasco por 4 a 1 e ampliou sua vantagem na liderança da competição para seis pontos, chegando a 51.

O Santos vive situação oposta. O empate por 1 a 1 com o Mirassol manteve a equipe na 14ª colocação, com 26 pontos, apenas dois acima da zona de rebaixamento.

A equipe santista teve oportunidades para vencer, mas voltou a sofrer com um problema recorrente: a dificuldade nas finalizações. Neymar participou diretamente da criação de algumas das principais chances, mas o time não conseguiu transformar o domínio em vitória.

O jogo de volta será em 2 de setembro, às 21h30, na Vila Belmiro.

Gre-Nal coloca Inter e Grêmio frente a frente

A rodada de ida termina na quinta-feira (27), às 20h, com Internacional x Grêmio no Beira-Rio. O confronto será transmitido pelo Amazon Prime.

O clássico gaúcho reúne dois clubes que também enfrentam dificuldades no Campeonato Brasileiro. Internacional e Grêmio têm 25 pontos e estão próximos da zona de rebaixamento. O Colorado ocupa a 16ª posição, enquanto o Tricolor aparece em 15º, pelos critérios de desempate.

O Internacional chega ao mata-mata depois de empatar em 0 a 0 com o Atlético-MG. A equipe está à porta do Z-4 e encara o Gre-Nal como uma das partidas mais importantes da temporada. O técnico Paulo Pezzolano classificou o confronto como o “jogo do ano”.

O Grêmio também atravessa um momento complicado. A equipe perdeu por 1 a 0 para o Bragantino e não vence fora de casa no Brasileirão. Em 12 partidas como visitante, conquistou apenas quatro pontos.

O duelo de volta será em 3 de setembro, às 20h, na Arena do Grêmio.

Premiação

Além da disputa esportiva, os clubes têm uma motivação financeira relevante. A classificação para as quartas de final garantiu mais R$ 4 milhões a cada equipe. Como todos os oito times chegaram à competição na quinta fase, eles acumulam R$ 9 milhões em premiações.

Quem avançar à semifinal receberá mais R$ 9 milhões. O campeão da Copa do Brasil ficará com R$ 78 milhões, enquanto o vice-campeão receberá R$ 34 milhões.

A edição de 2026 também terá uma mudança tecnológica a partir desta fase: o impedimento semiautomático será utilizado nas partidas das quartas de final. Todos os estádios dos clubes envolvidos estão equipados com o sistema.

A Copa do Brasil terá as semifinais nas semanas de novembro. A decisão está marcada para 6 de dezembro, em jogo único.

Febre do Nilo Ocidental: entenda a doença, os sintomas e onde há maior risco

A confirmação dos primeiros casos humanos de febre do Nilo Ocidental em São Paulo voltou a chamar atenção para uma doença ainda pouco conhecida no Brasil. Leia em TVT News.

A infecção é provocada pelo vírus do Nilo Ocidental, um arbovírus transmitido principalmente pela picada de mosquitos infectados, sobretudo os do gênero Culex, conhecidos popularmente como pernilongos.

Em geral, a infecção não provoca sintomas. Quando eles aparecem, a manifestação costuma ser leve, mas uma parcela dos pacientes pode desenvolver complicações neurológicas graves, como encefalite, meningite e paralisia flácida aguda.

A doença não é transmitida diretamente de uma pessoa para outra por meio da picada de um mosquito que tenha picado uma pessoa infectada. O ciclo principal envolve aves silvestres e mosquitos.

As aves funcionam como hospedeiras amplificadoras do vírus: ao serem infectadas, podem transmitir o vírus aos mosquitos que se alimentam de seu sangue. Esses insetos, por sua vez, podem infectar seres humanos e outros animais.

Humanos e equídeos, como cavalos, são considerados hospedeiros acidentais e terminais. Isso significa que, após a infecção, a quantidade de vírus presente no organismo e o período de circulação geralmente não são suficientes para que um mosquito se infecte ao picá-los e dê continuidade ao ciclo.

São Paulo confirma primeiros casos humanos

O estado de São Paulo confirmou dois casos de febre do Nilo Ocidental. Segundo o Centro de Vigilância Epidemiológica Prof. Alexandre Vranjac (CVE-SP), da Secretaria de Estado da Saúde, os pacientes são uma mulher de 34 anos, de Ribeirão Preto, e uma jovem de 18 anos, de São José do Rio Preto.

A paciente de Ribeirão Preto relatou uma viagem recente para a região amazônica e já se recuperou. A moradora de São José do Rio Preto permanece sob cuidados médicos.

Os dois casos foram confirmados por exames laboratoriais realizados pelo Instituto Adolfo Lutz. As equipes de saúde ainda investigam onde ocorreu a infecção, informação importante para identificar possíveis áreas de circulação do vírus e orientar as ações de vigilância e prevenção.

De acordo com a diretora do CVE-SP, Tatiana Lang D’Agostini, a confirmação dos casos reforça a necessidade de acompanhamento epidemiológico permanente.

Além dos registros paulistas, o Ministério da Saúde informou a confirmação de dois casos em Santa Catarina. Um deles resultou na morte de uma mulher de 77 anos, moradora de Imbituba. O outro paciente, de 56 anos e residente em Caçador, apresentou manifestações neurológicas, foi internado e posteriormente recebeu alta. Também há registro de um caso provável no Piauí.

Quais são os locais de maior risco?

A presença do vírus está relacionada ao ciclo entre aves silvestres e mosquitos. Por isso, o risco de exposição tende a ser maior em áreas rurais e silvestres onde esses animais e vetores estão presentes.

A atenção também deve ser reforçada entre pessoas que trabalham ou passam longos períodos ao ar livre. Entre os grupos que podem ter maior exposição estão agricultores, jardineiros, trabalhadores da construção civil, médicos veterinários, agrônomos, zootecnistas, biólogos, paisagistas e entomologistas.

O risco não significa que todas as pessoas que vivem ou trabalham nessas regiões serão infectadas. A transmissão depende da presença do vírus, de mosquitos capazes de transmiti-lo e das condições ambientais que favoreçam o contato entre os vetores e a população.

A vigilância de animais também tem importância para identificar áreas onde o vírus pode estar circulando. Adoecimento ou morte de aves silvestres e de equídeos acompanhados de sintomas neurológicos são eventos que devem ser comunicados aos serviços de saúde.

Quais são os sintomas?

Estima-se que aproximadamente 20% das pessoas infectadas desenvolvam sintomas. Na maior parte desses casos, as manifestações são leves.

Entre os sinais mais comuns estão febre de início súbito, mal-estar, dor de cabeça, dores musculares, dor nos olhos, falta de apetite, náuseas, vômitos, manchas na pele e aumento dos gânglios linfáticos.

Em uma parcela bem menor dos infectados, a doença pode atingir o sistema nervoso. A estimativa é de que cerca de uma em cada 150 pessoas infectadas desenvolva uma forma neurológica grave.

Nessas situações, podem surgir confusão mental, alteração do nível de consciência, fraqueza muscular, tremores, convulsões e paralisia. Encefalite e meningite também estão entre as possíveis complicações.

A ocorrência de sintomas neurológicos associados a um quadro febril exige avaliação médica imediata, principalmente quando existe histórico de exposição a áreas onde o vírus ou seus vetores possam estar presentes.

Como é feito o diagnóstico?

A confirmação depende da avaliação clínica e de exames laboratoriais. Um dos exames utilizados é a pesquisa de anticorpos IgM contra o vírus do Nilo Ocidental, realizada em amostras de sangue ou de líquido cefalorraquidiano.

Também podem ser empregados métodos moleculares, como o RT-PCR, além de outras técnicas laboratoriais. O diagnóstico pode apresentar dificuldades porque existem outras doenças com manifestações semelhantes, entre elas dengue, febre amarela, Zika, chikungunya, leptospirose e algumas infecções que também afetam o sistema nervoso.

Por isso, informações sobre sintomas, histórico de deslocamentos e possível exposição a mosquitos são importantes para orientar a investigação.

Não há vacina disponível para humanos no Brasil

Não existe, atualmente, vacina recomendada no Brasil para prevenção da febre do Nilo Ocidental em seres humanos, nem tratamento antiviral específico.

Nos quadros leves, o atendimento é voltado ao controle dos sintomas, com repouso, hidratação e acompanhamento médico. Quando há comprometimento neurológico, pode ser necessária internação hospitalar e, nos casos mais graves, atendimento em UTI, com suporte respiratório, reposição de líquidos e tratamento das complicações.

A prevenção depende principalmente da redução da exposição aos mosquitos. O uso de repelente, telas em portas e janelas e roupas que reduzam a área de pele exposta pode ajudar, especialmente para quem permanece em áreas rurais ou ao ar livre.

Também é importante evitar recipientes que acumulem água e contribuir para a melhoria das condições ambientais. O controle dos mosquitos envolve ações do poder público para eliminar criadouros, melhorar o saneamento e realizar o manejo ambiental adequado.

No caso do Culex, medidas de saneamento são especialmente relevantes, já que esses mosquitos podem se reproduzir em ambientes com água contaminada, como fossas, lagoas poluídas e remansos de rios.

A identificação de animais mortos ou doentes com sintomas neurológicos também pode contribuir para a vigilância. A população e profissionais de diferentes áreas podem registrar ocorrências envolvendo aves silvestres e equídeos pelo aplicativo SISS-Geo, ferramenta que permite o encaminhamento das informações aos diferentes níveis do Sistema Único de Saúde.

Com os primeiros casos humanos confirmados em São Paulo e registros recentes em Santa Catarina, a investigação sobre a origem das infecções e a circulação do vírus ganha importância para orientar medidas de prevenção e proteger tanto a população quanto os animais.