Agora

Da Redação

Bolsa Família: pagamentos de agosto começam nesta terça-feira (18)

O pagamento do Bolsa Família de agosto começa nesta terça-feira (18/8) e segue até o dia 31, de acordo com o final do Número de Identificação Social (NIS). O Cadastro Único para Programas Sociais reúne informações socioeconômicas das famílias em situação de pobreza e é utilizado para identificar o público elegível ao programa. Neste mês, o valor médio do benefício é de R$ 678,35, e 19,28 milhões de famílias são atendidas. Saiba mais na TVT News.

Em razão de ações previstas para localidades afetadas por secas, enchentes, inundações e outros eventos climáticos extremos, com possíveis impactos associados ao fenômeno El Niño, 186 municípios recebem o pagamento unificado no primeiro dia do calendário de agosto, alcançando 940,7 mil famílias. São 122 municípios no Rio Grande do Norte, 31 na Paraíba, 15 na Bahia, seis em Roraima, cinco no Paraná, quatro em Sergipe e três no Amazonas.

>> Siga o grupo da TVT News no WhatsApp

PRIMEIRA INFÂNCIA — No pacote de benefícios incluídos no programa, 8,36 milhões de crianças de zero a seis anos recebem neste mês o Benefício Primeira Infância. Isso significa um adicional de R$ 150 destinado a cada integrante dessa faixa etária na composição familiar.

COMPLEMENTARES — O Bolsa Família também prevê outros benefícios complementares, no valor adicional de R$ 50, que chegam a 14,34 milhões de crianças e adolescentes de sete a 18 anos, além de 699,57 mil gestantes e 379 mil nutrizes.

ESPECÍFICOS — Neste mês, o Bolsa Família alcança, em seu grupo prioritário e específico, 292,32 mil famílias com pessoas em situação de rua, 263,4 mil com pessoas indígenas, 308,65 mil com quilombolas, 3 mil com crianças em situação de trabalho infantil, 56,12 mil com pessoas resgatadas de trabalho análogo ao escravo e 434,39 mil com catadores de material reciclável.

PERFIL — Entre os responsáveis familiares no Bolsa Família, 16,12 milhões são mulheres, o que representa 83,5% do total de chefes de família atendidos pelo programa.

PROTEÇÃO — Outra criação da nova versão do Bolsa Família, a Regra de Proteção permite aos beneficiários permanecerem no programa por até um ano, mesmo depois de conseguirem emprego com carteira assinada ou aumento de renda. Nesse caso, a família recebe 50% do valor. Esse parâmetro atinge, em agosto, 2,15 milhões de famílias.

Com Secom

Correios vão entregar produtos comprados do Paraguai

Os Correios iniciaram uma nova modalidade de serviço logístico que permite a consumidores brasileiros comprar produtos diretamente de sites de varejistas do Paraguai e receber as encomendas em casa. A operação é realizada pelo Correios Packet, por transporte terrestre, e contempla de início duas grandes lojas de Ciudad del Este: Cellshop e New Zone Importados. Saiba mais na TVT News.

As empresas são homologadas no Programa Remessa Conforme, da Receita Federal, e estão habilitadas a comercializar produtos para consumidores brasileiros. Com a nova operação, a estatal passa a oferecer uma estrutura logística para conectar os varejistas paraguaios ao mercado brasileiro.

>> Siga o grupo da TVT News no WhatsApp

O Correios Packet permite o transporte de encomendas de até 30 quilos entre o Paraguai e o Brasil. Os pedidos contam com rastreamento durante o trajeto e, depois de chegarem ao Centro Internacional dos Correios no país, seguem para o endereço indicado pelo consumidor.

A entrega dentro do território brasileiro ocorre nos mesmos prazos aplicados às encomendas nacionais, a partir da saída do Centro Internacional dos Correios. Dessa forma, o comprador pode fazer todo o processo pela internet e receber a mercadoria em casa.

A nova modalidade é voltada ao comércio eletrônico e busca facilitar as operações de compra e venda entre consumidores brasileiros e empresas paraguaias.

Quem compra nesse modelo agora passa a contar também com possibilidade de acompanhar o percurso da encomenda por meio do sistema de rastreamento.

Apesar da facilidade, a compra de produtos do Paraguai continua submetida às regras brasileiras para importações. As mercadorias estão sujeitas às normas da Receita Federal e à cobrança de tributos quando prevista pela legislação.

O programa estabelece procedimentos específicos para empresas que vendem produtos internacionais diretamente a consumidores brasileiros, com uma proposta de tornar o processo de importação mais previsível, ampliar a transparência sobre os tributos e facilitar a fiscalização das encomendas.

Para os varejistas paraguaios, a parceria com os Correios amplia o alcance das vendas para além da região de fronteira, já que Ciudad del Este, um dos principais centros comerciais do Paraguai, recebe historicamente grande fluxo de consumidores brasileiros.

Com a possibilidade de envio direto para diferentes regiões do Brasil, lojas que atuam no comércio eletrônico podem alcançar clientes que não teriam facilidade para se deslocar até a fronteira. A solução também pode contribuir para a redução de custos e dificuldades relacionadas ao transporte das mercadorias.

A operação busca ainda estimular a formalização das vendas internacionais e fortalecer a arrecadação tributária. Ao integrar os varejistas paraguaios à estrutura logística dos Correios, o serviço cria um canal regular para o transporte das encomendas entre os dois países.

A iniciativa também reforça os fluxos comerciais entre Brasil e Paraguai, especialmente na região de fronteira.

Ligações telefônicas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro ocorreram ao menos cinco vezes em um mês

Novos detalhes sobre a relação entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foram divulgados pela newsletter Noites Húngaras, de Paulo Motoryn, ex-jornalista do Intercept Brasil. Saiba mais na TVT News.

Segundo Motoryn, registros de ligações telefônicas encontrados no mesmo conjunto de mensagens e áudios que deu origem à série “Vaza Flávio” ajudam a reconstruir episódios da relação entre os dois.

De acordo com o jornalista, os registros apontam que Flávio e Vorcaro conversaram por telefone ao menos cinco vezes em setembro de 2025. As chamadas identificadas somam 6 minutos e 20 segundos.

O levantamento, porém, não representa necessariamente o total de ligações entre os dois, já que parte das conversas pode ter ocorrido pela rede telefônica convencional e não aparece no material analisado.

>> Siga o grupo da TVT News no WhatsApp

Ligações ocorreram após cobrança sobre o filme Dark Horse

Uma das conversas telefônicas ocorreu em 8 de setembro de 2025, pouco depois de Flávio enviar a Vorcaro um áudio de 1 minuto e 31 segundos cobrando uma posição sobre recursos destinados ao filme Dark Horse.

Segundo a newsletter, o áudio foi enviado às 22h11. Na sequência, Flávio escreveu ao banqueiro que havia preferido mandar uma mensagem de voz para que ele pudesse ouvi-la com calma.

Vorcaro respondeu pedindo desculpas e afirmou que a semana anterior havia sido difícil. Em seguida, prometeu resolver a questão no dia seguinte.

Ainda às 22h12, Flávio ligou para Vorcaro. A conversa durou 2 minutos e 38 segundos, a ligação mais longa identificada no conjunto de registros. O conteúdo da conversa, no entanto, não está disponível no material analisado. A sequência ocorreu em meio às tratativas relacionadas ao financiamento do filme e às cobranças feitas pelo senador ao banqueiro.

Em 16 de setembro, os registros indicam outra sequência de contatos. Às 11h07, Vorcaro enviou uma mensagem perguntando se estava tudo bem. Cerca de 40 minutos depois, Flávio respondeu e escreveu que havia retornado.

Segundo a publicação, a sequência sugere que Vorcaro havia tentado telefonar para o senador nesse intervalo. A chamada não aparece registrada na conversa do WhatsApp, o que pode indicar que tenha sido feita pela rede convencional, fora do aplicativo de mensagens e chamadas.

Dois minutos depois, às 11h47, Vorcaro ligou para Flávio pelo WhatsApp, em conversa que durou 42 segundos.

Diante da possibilidade de chamadas realizadas fora do aplicativo, os cinco telefonemas identificados devem ser considerados um número mínimo, não sendo possível determinar, apenas com o material disponível, quantas outras conversas telefônicas ocorreram entre os dois.

Os últimos três contatos telefônicos identificados ocorreram em 24 de setembro de 2025. Naquele dia, Flávio e Vorcaro falaram às 13h38, por 45 segundos; às 17h46, durante 25 segundos; e às 22h, por 1 minuto e 50 segundos. As três chamadas somaram três minutos, e foram todas, segundo Motoryn, iniciadas por Flávio.

A última chamada ocorreu pouco depois de uma conversa sobre um possível encontro presencial. Às 21h25, Vorcaro disse que precisaria permanecer em São Paulo e perguntou se os dois poderiam se encontrar em Brasília na terça ou quarta-feira seguinte.

Flávio respondeu que estaria disponível durante a semana. Vorcaro sugeriu então a quarta-feira, às 14h30. Um minuto depois, às 22h, os dois iniciaram a ligação que durou 1 minuto e 50 segundos. Os registros não permitem confirmar se o encontro chegou a ocorrer.

Investigação sobre relação entre Flávio e Vorcaro

As ligações ganham relevância no contexto das informações já divulgadas sobre os recursos enviados por Vorcaro ao Texas relacionados ao filme Dark Horse.

Segundo a publicação de Motoryn, o material que originou a série “Vaza Flávio” permitia identificar o envio de US$ 10,6 milhões. Posteriormente, um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) obtido pela revista Piauí apontou que o valor total transferido teria chegado a US$ 12,3 milhões — uma diferença de US$ 1,7 milhão.

A sequência de mensagens, a promessa feita por Vorcaro e as ligações posteriores fazem parte do conjunto de informações que ainda precisam ser esclarecidas pelas investigações.

Os registros, por si só, não permitem afirmar que as conversas telefônicas tenham provocado diretamente a liberação dos recursos adicionais.

Outro ponto que permaneceria sem esclarecimento segundo Motoryn é a prestação de contas do dinheiro destinado ao filme.

As novas informações foram divulgadas cerca de três meses depois das primeiras revelações da série “Vaza Flávio”. Segundo Motoryn, o inquérito da Polícia Federal destinado a investigar os repasses de Vorcaro foi formalmente aberto em 23 de julho, sob relatoria do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), após autorização da Procuradoria-Geral da República.

Até o momento, poucos detalhes públicos sobre o andamento da investigação foram divulgados.

A assessoria de Flávio Bolsonaro foi procurada para comentar o contexto e o teor das ligações e para informar se o senador poderia apresentar notas fiscais e documentos relativos aos recursos destinados ao filme. Segundo a publicação, não houve resposta até o momento da divulgação do texto.

Câmara veta termo “ditadura militar” em livro sobre a Independência

Uma comissão especial da Câmara dos Deputados propôs alterações e cortes em um livro sobre a Independência do Brasil que seria publicado pela Edições Câmara. Entre as intervenções está a recomendação para substituir a expressão “ditadura militar” por termos como “regime militar” ou “governo militar”. Também foram sugeridas supressões de frases e parágrafos inteiros. Leia em TVT News.

O presidente da comissão especial responsável pela análise do livro é o deputado Lafayette Andrada (PL-MG).

A obra, intitulada Independências do Brasil, reúne textos produzidos por pesquisadores para o projeto Blog das Independências, desenvolvido entre 2022 e 2023 pela Associação Nacional de História (ANPUH), pela revista acadêmica Almanack e pela Sociedade de Estudos do Oitocentos. A proposta era reunir parte dos artigos publicados durante as atividades relacionadas ao bicentenário da Independência.

O livro foi organizado pelos professores André Machado, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Andréa Slemian, também da Unifesp, e Claudia Chaves, da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop). Além disso, cerca de 50 autores participaram da coletânea, que já havia passado por revisão, diagramação e assinatura dos contratos de cessão de direitos autorais.

O lançamento estava previsto para julho de 2025, durante o Encontro Nacional de História, mas a publicação entrou em análise de uma comissão especial criada pela Câmara para tratar das atividades relacionadas aos 200 anos do Congresso.

Comissão especial da Câmara censura passagens sobre a ditadura militar

camara-veta-termo-ditadura-militar-em-livro-sobre-a-independencia-tvt-news
Capa do livro independências que foi censurado pela Câmara dos Deputados – Foto: Divulgação

Segundo os historiadores, as sugestões da comissão não se limitaram à terminologia utilizada para descrever a ditadura militar. Ao menos 13 trechos receberam apontamentos relacionados à substituição da palavra “ditadura” e a alterações em passagens que tratavam da repressão e da tortura durante o período.

Também foram questionados trechos sobre a participação dos povos indígenas nas guerras da Independência e sobre questões contemporâneas relacionadas aos direitos indígenas e ao marco temporal.

Outro artigo teve o título “quando o Haiti foi aqui” questionado, enquanto passagens sobre a Guerra do Paraguai também receberam propostas de alteração.

Até mesmo uma referência ao samba-enredo da Mangueira de 2019 foi alvo de corte. O trecho trazia a crítica da escola de samba à historiografia tradicional e defendia a necessidade de revisitar as versões consolidadas sobre a história brasileira.

Um dos textos que mais sofreram intervenções foi o da historiadora Janaína Cordeiro, professora da Universidade Federal Fluminense (UFF), sobre as comemorações dos 150 anos da Independência, realizadas em 1972, durante a ditadura militar. Segundo os organizadores, algumas alterações propostas modificavam ou suavizavam o sentido original de passagens do artigo.

Os historiadores argumentam que analisar como a Independência foi lembrada em diferentes períodos também faz parte da compreensão histórica do processo. Por isso, rejeitar referências ao contexto político em que determinadas comemorações ocorreram, segundo os autores, reduziria o alcance das análises apresentadas no livro.

Historiadores não conseguem acordo com a Câmara para a publicação do livro

Os organizadores do livro afirmaram que os cortes representam uma tentativa de alterar interpretações produzidas por pesquisadores especializados.

Para Andréa Slemian, uma das organizadoras, a situação também representa uma desqualificação do trabalho acadêmico dos autores.

Após receberem as sugestões da comissão, os pesquisadores indicaram quais alterações poderiam ser aceitas por razões editoriais e quais consideravam incompatíveis com o conteúdo dos artigos. As negociações se prolongaram por aproximadamente um ano, mas não houve acordo.

A comissão especial presidida pelo deputado Lafayette de Andrada (PL-MG) reúne outros 14 parlamentares. Foi durante a análise da obra que os autores receberam as propostas de substituição de termos e supressão de conteúdos.

A Câmara dos Deputados informou que houve discussão sobre ajustes nos textos, mas afirmou que não foi alcançada uma versão final considerada adequada para publicação institucional.

“Como historiadores/as não podemos aceitar a publicação do livro com esses vetos absurdos e historiograficamente equivocados por pessoas que, sem se dedicarem profissionalmente à História, visivelmente pretendem adulterar ou mesmo amenizar interpretações sobre o passado”, declararam os autores, em carta aberta.⁠

Câmara informou que o o livro não será publicado

Em manifestação sobre o caso, a Câmara afirmou que as decisões sobre seleção e publicação de obras pela Edições Câmara fazem parte da autonomia administrativa e editorial da instituição. Posteriormente, informou que, diante do encerramento do ciclo de comemorações do Bicentenário da Independência e das atuais prioridades editoriais, a publicação do livro não está prevista.

Os organizadores defendem que a obra seja publicada sem os cortes propostos pela comissão. Para os historiadores, a disputa em torno do conteúdo expõe um conflito entre a produção acadêmica baseada em pesquisas históricas e a intervenção de uma comissão parlamentar sobre a forma como determinados episódios do passado brasileiro serão apresentados em uma publicação institucional

Leia também:

Quaest mostra influência dos partidos, emoções e sonhos dos eleitores para 2026

A nova rodada da pesquisa Quaest revela como fatores políticos e aspectos pessoais podem influenciar a relação dos brasileiros com a disputa presidencial de 2026. O levantamento, contratado pela TV Globo e pelo jornal O Globo, ouviu 2.004 eleitores e trouxe recortes sobre a importância dos partidos na escolha do voto, as emoções provocadas pelos possíveis candidatos e os principais sonhos da população. Leia em TVT News.

Os dados da Quaest mostram um eleitorado dividido sobre o peso das legendas partidárias na decisão eleitoral. Para 38% dos entrevistados, o partido ao qual pertence o candidato influencia muito a escolha do voto para presidente. Outros 22% afirmam que a sigla influencia pouco, enquanto 37% dizem que não sofrem influência do partido. Uma parcela de 3% não soube responder ou não respondeu.

O resultado indica que a legenda é um fator relevante para uma parcela expressiva do eleitorado, mas não determina a escolha de todos. A diferença entre aqueles que atribuem muita influência ao partido e os que dizem não considerar esse aspecto é de apenas um ponto percentual.

Esperança é a emoção mais citada diante dos candidatos

A pesquisa Quaest também perguntou aos eleitores qual emoção sentem diante dos possíveis candidatos à Presidência da República em 2026. Esperança aparece na primeira posição, mencionada por 34% dos entrevistados.

Na sequência, 30% afirmaram sentir preocupação. O levantamento aponta ainda que 12% associam a disputa eleitoral à frustração, enquanto 9% relatam confiança diante dos possíveis candidatos.

Outras emoções aparecem em proporções menores nesta rodada da Quaest. A indiferença foi citada por 6% dos entrevistados, enquanto entusiasmo aparece com 3%. Já raiva foi mencionada por 2%. Outros 2% disseram não sentir nenhuma das emoções apresentadas e 2% não souberam ou não responderam.

Os números mostram, portanto, uma percepção marcada por sentimentos distintos. Embora esperança e confiança somem 43%, preocupação e frustração alcançam 42% quando consideradas conjuntamente. O levantamento não relaciona essas emoções a candidatos específicos, mas registra a maneira como os eleitores se posicionam diante dos possíveis nomes que poderão disputar a Presidência.

Saúde aparece como principal sonho dos brasileiros

Outro recorte da pesquisa buscou identificar aquilo que os brasileiros apontam como seu principal sonho. Ter saúde aparece no topo da lista, com 19% das respostas.

Em segundo lugar está o desejo de ter um lugar sem violência para viver, mencionado por 15%. A felicidade da família e dos amigos aparece em terceiro, com 12%.

A pesquisa Quaest também aponta demandas relacionadas à moradia e à educação. Ter uma casa própria foi citado por 10% dos entrevistados, mesmo percentual dos que apontaram como principal sonho ter uma educação boa para si e para a família.

O desejo de garantir condições básicas de vida também aparece entre as principais respostas. Para 8%, o principal sonho é ter comida na mesa todos os dias. Outros 5% desejam ter o próprio negócio, enquanto a mesma proporção afirma sonhar em ver os filhos na faculdade.

Questões financeiras também estão presentes. Não ter mais dívidas foi apontado por 4% dos entrevistados. Já ficar rico aparece com 3%, mesmo percentual daqueles que mencionaram ter um emprego bom ou viajar e conhecer novos lugares.

Outros sonhos, não especificados nas opções principais apresentadas pela pesquisa, somam 3%.

Os resultados ajudam a dimensionar quais preocupações e aspirações aparecem entre os eleitores no período que antecede a eleição presidencial. Além da relação com partidos e candidatos, as respostas apontam para temas concretos da vida cotidiana, como saúde, segurança, moradia, educação, alimentação, emprego e situação financeira.

Metodologia da Quaest

A pesquisa Quaest foi realizada com 2.004 eleitores, entre segunda e quinta-feira, segundo as informações divulgadas sobre o levantamento. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

O levantamento foi contratado pela TV Globo e pelo jornal O GLOBO e está registrado na Justiça Eleitoral sob o número BR-06773/2026.

Leia também:

Livro de ex-comandante da Aeronáutica confirma tentativa de golpe de Jair Bolsonaro em 2022

O ex-comandante da Força Aérea Brasileira (FAB), tenente-brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Junior, entrega um testemunho inédito sobre os bastidores do período mais tenso da história recente do Brasil.

Em “Eu disse NÃO: uma trincheira antigolpista” (Autêntica Editora), o militar de quase cinco décadas de carreira revela como resistiu às pressões de Jair Bolsonaro para que as Forças Armadas aderissem ao golpe de Estado após a derrota do então presidente nas eleições de 2022.

O livro, que chega às livrarias em 15 de setembro, é a primeira obra escrita por um integrante da alta cúpula militar daquele período a expor os bastidores da crise que ameaçou a democracia brasileira. 

O relato em primeira pessoa percorre desde o início do governo Bolsonaro, em 2019, atravessa a gestão da pandemia de Covid-19 e desemboca na crise militar de 2021 — quando o então presidente trocou o ministro da Defesa e os três comandantes das Forças Armadas.

Baptista Junior revela em suas páginas que a resiliência das instituições em 2022 não foi automática, mas resultado de escolhas individuais de oficiais de alta patente em posições estratégicas. 

O testemunho do oficial foi utilizado nos autos da ação penal 2668 no Supremo Tribunal Federal (STF), que resultou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos e três meses de reclusão.

Os “cartões amarelos” de Bolsonaro e a pressão sobre o comandante

A colunista do jornal O Globo, Bela Megale, adiantou uma das revelações do livro. Em uma das tensas reuniões com a cúpula das Forças Armadas no Palácio do Alvorada, após a derrota nas eleições de 2022, Jair Bolsonaro dirigiu-se ao então comandante da Aeronáutica com um recado que soou como ameaça: “Já te dei dois cartões amarelos”.

Para Baptista Junior, a declaração foi uma tentativa clara de pressão diante dos posicionamentos legalistas que ele havia adotado publicamente. 

Em entrevistas aos jornais O GLOBO e à Folha de S.Paulo no fim de 2022, o comandante enfatizou que as Forças Armadas cumpririam a lei e prestariam continência ao presidente eleito, independentemente de quem fosse — afirmações que contrariavam as expectativas de Bolsonaro e motivaram os “cartões amarelos”.

ex-comandante-da-aeronautica-revela-detalhes-da-trama-golpista-objetivos-medida-de-excecao-nao-eram-para-garantir-a-paz-social-disse-brigadeiro-foto-marcelo-camargo-abr-tvt-news
“Objetivos da medida de exceção não eram para garantir a paz social”, disse brigadeiro. Foto: Marcelo Camargo/ABR

Baptista Junior integrava o chamado “grupo dos quatro” — reuniões constantes entre ele, o general Freire Gomes (comandante do Exército), o almirante Almir Garnier (comandante da Marinha) e o general Paulo Sergio (ministro da Defesa). 

O militar da Aeronáutica detalha como esses encontros foram marcados por confrontos e divergências profundas sobre as medidas a serem adotadas diante da contestação eleitoral encampada pelo ex-presidente.

Em meio a esse ambiente, Baptista Junior conta no livro que chegou a dizer a Bolsonaro que ele não permaneceria no cargo após 1º de janeiro de 2023.

Livro traz 3 momentos em que a tentativa de glope foi frustrada

O militar traz no livro detalhes de três momentos em que a tentativa de golpe acabou frustrada. Ele confirmou encontros no Palácio da Alvorada e no Ministério da Defesa em que se discutiram medidas de exceção e os termos de uma minuta golpista — da qual se recusou a receber cópia. 

livro-de-comandante-da-aeronautica-confirma-tentativa-de-golpe-de-jair-bolsonaro-em-2022-tenente-brigadeiro-do-ar-carlos-de-almeida-baptista-junior-tvt-news
“Eu disse NÃO”: tenente-brigadeiro Baptista Junior revela em livro as pressões de Bolsonaro para golpe. Imagem: Reprodução / Editora Autêntica

Baptista Junior contou que o general Freire Gomes alertou Bolsonaro de que ele seria preso se insistisse no golpe para impedir a posse de Lula. E revelou que o almirante Almir Garnier, então chefe da Marinha, colocou tropas da Força à disposição do plano golpista. Garnier foi posteriormente condenado pela Primeira Turma do STF a 24 anos de prisão por sua participação na tentativa de golpe de Estado.

Quem é o tenente-brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Junior

Carlos de Almeida Baptista Junior ingressou na Força Aérea Brasileira em 1975 e formou-se Oficial Aviador pela Academia da Força Aérea em 1981. Piloto de Caça e de Reconhecimento, acumulou mais de 4.500 horas de voo e dedicou quase cinco décadas de serviço à Aeronáutica.

Comandante da FAB entre abril de 2021 e janeiro de 2023, ele enfrentou uma etapa de forte tensão e uma atmosfera hostil protagonizada por Bolsonaro e a cúpula das Forças Armadas — um período em que a manutenção da ordem democrática dependeu, em parte, de decisões tomadas nos quartéis.

ex-chefe-da-fab-confirma-que-freire-gomes-ameacou-prender-bolsonaro-se-voce-tentar-isso-eu-vou-ter-que-lhe-prender-foi-isso-que-ele-disse-foto-isac-nobrega-pr-tvt-news
Baptista Junior relata reunião com a cúpula mlitar: “Se você tentar isso, eu vou ter que lhe prender. Foi isso que ele disse”. Foto: Isac Nóbrega/PR

Baptista Junior fala com a segurança e autoridade de quem esteve na sala de decisão — não como espectador, mas como um dos atores que, segundo seu próprio relato, ajudou a manter as Forças Armadas longe do rompimento. 

Seu livro é descrito como um “testemunho raro, sincero e corajoso sobre a real espessura da crise institucional brasileira e sobre o que, afinal, fez com que a ruptura não se concretizasse”.

Em entrevista ao jornal O Globo, Baptista Junior explica o lançamento do livro

O ex-comandante da Força Aérea Brasileira (FAB), tenente-brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Junior, concedeu entrevista exclusiva para a jornalista Bela Megale, do jornal O Globo e conta os motivos que o levaram a escrever o livro que confirma a tentativa de golpe por Jair Bolsonaro.

Confira os principais trechos da entrevista à Bela Megale.

Lançamento do livro em meio à polarização

Questionado sobre por que escolheu lançar o livro durante o período eleitoral, Baptista Junior afirmou que não tinha a menor intenção de influenciar as eleições.

Ele disse que não escreveu a obra para ser um instrumento de propaganda eleitoral de nenhum dos candidatos e que, no último capítulo, argumentava que os brasileiros também são culpados pelas mazelas do país, o que passa pelo voto, não apenas para presidente.

Por isso, avaliou que seria positivo se algumas pessoas pudessem ler e refletir sobre essa questão antes do pleito, para não se colocarem nem como vítimas nem como culpadas.

Sobre o fato de não ter publicado o livro antes, o ex-comandante explicou que não poderia fazê-lo enquanto ainda estava na ativa. T

ambém afirmou que não lançaria a obra durante o andamento das ações do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a tentativa de golpe, pois seria inimaginável testemunhar e escrever um livro logo em seguida. Além disso, lembrou que o processo de escrita e de encontrar uma editora leva tempo. Quando viu a possibilidade de lançá-lo antes das eleições, considerou que seria bom.

Momentos de tensão e a conversa com Bolsonaro após o 8 de janeiro

Questionado sobre o momento mais tenso que viveu na tentativa de golpe, Baptista Junior afirmou que os dias 14, 22 e 24 de novembro de 2022 foram muito tensos. Ele explicou que foi quando o presidente Bolsonaro acreditou na possibilidade de o Instituto Voto Legal ter encontrado um erro nas urnas.

Sobre a última conversa com Bolsonaro depois do 8 de janeiro, o ex-comandante relatou que, cerca de dez dias após os ataques, viu na televisão uma tarja embaixo de uma entrevista do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, dizendo que muitos dos erros de Bolsonaro eram culpa dos militares. Ele tirou uma foto da tela e a enviou para Bolsonaro, que estava nos Estados Unidos.

Em seguida, o ex-presidente ligou para ele. Baptista Junior contou que alertou Bolsonaro sobre o que estava acontecendo, dizendo que, depois de tudo aquilo, quem levaria toda a carga seriam as Forças Armadas e que ele poderia ter acabado com aquilo.

Segundo o ex-comandante, Bolsonaro respondeu que não seria capaz de mudar o pensamento daquelas pessoas. Para Baptista Junior, porém, Bolsonaro poderia ter mandado todo mundo para casa e reconhecido a derrota.

Balanço: confiabilidade das Forças e custo pessoal

Perguntado se os militares ganharam ou perderam com Bolsonaro na Presidência, Baptista Junior avaliou que as Forças perderam confiabilidade. Ele explicou que sempre houve uma parte da sociedade, até pelo processo histórico, que não tinha um bom alinhamento ou uma boa percepção das Forças Armadas, mas que agora esse leque se ampliou.

Ainda assim, disse confiar que as Forças Armadas vão recuperar essa confiabilidade mantendo sua postura de Estado, de que não estão ali para defender A ou B.

Sobre o maior custo pessoal por manter a postura legalista, o ex-comandante confessou que sentiu muito perder amigos, mas afirmou que sua amizade com essas pessoas não poderia depender de elas ficarem fazendo uma revolução ou um golpe de Estado em grupos de WhatsApp, fragilizando a postura legalista da Força Aérea que serviram ou da instituição que disseram amar e proteger.

O pior, porém, foi ouvir um grande amigo mandar um major atacar os comandantes da Força Aérea e do Exército e suas famílias. Para Baptista Junior, colocar a família nisso passou do limite, e ele disse ter certeza de que Walter Braga Netto se arrependeu.

Saiba mais sobre o livro “Eu disse NÃO: uma trincheira antigolpista”

“Eu disse NÃO: uma trincheira antigolpista” (Autêntica Editora, 240 páginas) narra em primeira pessoa o período entre abril de 2021 e janeiro de 2023 — o momento mais tenso da relação entre Bolsonaro e a cúpula militar. 

O tenente-brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Junior acompanhou de perto as pressões para que as Forças Armadas aderissem a uma tentativa de ruptura institucional, que teria seu desfecho nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.

A obra remonta ao início do governo Bolsonaro, em 2019, atravessa a gestão da pandemia e desemboca na crise militar de 2021, quando o então presidente trocou o ministro da Defesa e os três comandantes das Forças. No período eleitoral de 2022, o relato passa pela pressão sobre o sistema eleitoral e pelas reuniões de alta tensão da disputa presidencial, até os meses decisivos entre os dois turnos e a posse de Luiz Inácio Lula da Silva.

livro-de-comandante-da-aeronautica-confirma-tentativa-de-golpe-de-jair-bolsonaro-em-2022-tenente-brigadeiro-do-ar-carlos-de-almeida-baptista-junior-tvt-news
Ex-comandante da FAB revela em livro pressão de Bolsonaro para golpe . Imagem: Reprodução Autêntica Editora

O autor justifica a decisão de escrever o livro a partir da percepção de um fenômeno social inquietante: pesquisa do Instituto AtlasIntel, realizada entre 6 e 9 de janeiro de 2023, revelou que 39,7% da população não acreditava na vitória de Lula sobre Bolsonaro. “Em um dado ainda mais preocupante, 36,8% dos entrevistados declararam ser favoráveis a uma intervenção militar que anulasse o resultado das eleições de 2022”, afirma o oficial.

Onde comprar o livro sobre como Bolsonaro pressionou pelo golpe:

Relembre a tentativa de golpe e o papel das Forças Armadas

Em 8 de janeiro de 2023, o Brasil assistiu a uma das mais graves investidas contra o Estado Democrático de Direito desde o fim da ditadura empresarial-militar. 

anistia-stf-marca-para-8-de-abril-julgamento-de-militares-golpistas-se-a-denuncia-for-recebida-a-acao-penal-entrara-na-fase-de-instrucao-foto-joedson-alves-abr-tvt-news
Bolsonaristas na tentativa de golpe de estado em 8 de janeiro. Foto: Joédson Alves/Agencia Brasil

Milhares de pessoas, motivadas por discursos golpistas e por uma campanha sistemática de desinformação, invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes em Brasília, na tentativa de romper a ordem democrática e impedir o funcionamento das instituições republicanas.

Os ataques não foram atos isolados. Tiveram início em meados de 2021, com um ataque deliberado às urnas eletrônicas e ao sistema eleitoral, e culminaram no 8 de janeiro. 

A radicalização do movimento foi marcada pela recusa do resultado das eleições de 2022, pela conivência de setores civis e militares e pela disseminação de discursos que naturalizavam a ruptura institucional como solução política.

O papel das Forças Armadas nesse contexto foi decisivo. Como revela Baptista Junior, a adesão dos militares ao plano golpista não foi unânime. O comandante da Aeronáutica e o general Freire Gomes, do Exército, resistiram às pressões de Bolsonaro, enquanto o almirante Almir Garnier, da Marinha, colocou tropas à disposição do plano.

O STF já responsabilizou 1.399 pessoas pelos crimes cometidos no contexto da tentativa de golpe. Desse total, 564 celebraram Acordos de Não Persecução Penal, 420 foram condenadas a penas privativas de liberdade e multas que somam cerca de R$ 30 milhões em danos morais coletivos, e outros 415 tiveram penas substituídas por prestação de serviços.

garnier-nega-envolvimento-em-trama-golpista-me-ative-a-minha-funcao-almir-garnier-negou-ter-colocado-tropas-a-disposicao-foto-gustavo-moreno-stf-tvt-news
Almir Garnier negou ter colocado tropas à disposição, mas foi condenado pela tentativa de golpe de Estado. Foto: Gustavo Moreno/STF

A condenação do almirante Almir Garnier a 24 anos de prisão, em setembro de 2025, foi um marco na responsabilização dos militares envolvidos na trama. O ex-comandante da Marinha foi considerado culpado em todos os cinco crimes apontados pela Procuradoria-Geral da República: golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, organização criminosa armada, dano qualificado contra patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado.

O relato de Baptista Junior em “Eu disse NÃO” é mais um importante documento sobre o 8 de janeiro — a visão de dentro de quem, no momento decisivo, disse não à ruptura e ajudou a preservar a democracia brasileira.