Da Redação
“Caosfonia” eleitoral: pesquisas medem o cenário ou influenciam a disputa?
O levantamento mais recente do Datafolha mostra um empate técnico entre os candidatos à Presidência da República Lula e Flávio Bolsonaro. O resultado ocorre em meio a acontecimentos que movimentaram o cenário político, como as investigações envolvendo Lulinha, filho do presidente; as revelações sobre o caso do Banco Master; e, mais recentemente, a crise instaurada no Supremo Tribunal Federal (STF). Mais informações em TVT News.
A cada novo fato político, envolvendo direta ou indiretamente os candidatos, as pesquisas ajudam a indicar como o eleitorado recebe essas informações e de que maneira elas podem repercutir na decisão de voto.
Afinal, o que os levantamentos de intenção de voto revelam sobre a corrida eleitoral deste ano? A TVT News conversou com Franciel Cruz, jornalista, cronista e apresentador da irreverente Live das Canjebrinas. Para ele, a grande quantidade de pesquisas, em vez de apenas medir a temperatura da disputa ou retratar o cenário do momento, tem produzido aquilo que costuma chamar de “caosfonia”: uma mistura de caos com cacofonia.
Entrevista
TVT: No levantamento mais recente do Datafolha, o candidato do Avante, Augusto Cury, foi a grande surpresa, ao subir de 2% para 8%. A que você atribui esse avanço?
Franciel Cruz: Essa semana nós tivemos a Quest também. Na Quest, o candidato, o Cury, sobe oito pontos. Acontece que, desses oito pontos, sete ele tira do balaio da extrema direita ou da direita, ele tira três de Caiado na Quest, três de Flávio, um de Renan, um de Zema. Então, quando você vai ver todo e, enfim, sai um também dos indecisos, nulos e tal.
TVT: E quanto à queda de Lula?
Franciel Cruz: Então, eu vi muita gente alvoroçada, mas se você for pegar, tanto no Datafolha quanto na Quest, que são as duas últimas pesquisas, o Lula oscila, que é uma oscilação normal de um ponto. Então, se alguém ganha seis em uma pesquisa ou oito, tem que saber de onde vieram esses votos, se vieram do mesmo balaio. Estou vendo muito alvoroço em relação a isso, é um alvoroço que eu entendo como descabido, porque, se ele estivesse tirando votos de Lula, aí tudo bem, aí seria um motivo, mas não há. Não se considera em pesquisa nem em queda, porque a pesquisa que tem menos margem de erro, que era a Atlas, por exemplo, é 1% ou 2%.

TVT: Pesquisas como as da AtlasIntel e da Quaest também apresentam cenários regionalizados e apontam para uma polarização ainda muito presente, com Lula vencendo com folga no Nordeste, por exemplo, e Flávio em vantagem no Sul e no Sudeste. Que conclusão podemos tirar desses resultados? O cenário político ainda é semelhante ao de 2018 ou ao de 2022?
Franciel Cruz: Então, eu acho que do ponto de vista estritamente eleitoral, sim, há um quadro parecido, apesar de ter uma recuperação de Lula, especialmente na região sudeste, por enquanto, pelo menos é o que demonstram as pesquisas. Então, Lula tem o melhor desempenho hoje em São Paulo do que teve em 2022, pelo menos até agora. Mas é o seguinte: esta é a eleição que Lula tem a maior possibilidade de ganhar no primeiro turno, apesar de ser uma eleição muito dura não pelo adversário, porque Flávio é muito fraco do ponto de vista de carisma, de qualquer coisa. Só que não é Flávio que está jogando. Quem está jogando é uma naco grande do PIB, é as organizações Globo e o restante da mídia hereditária, mas especialmente capitaneada pela Rede Globo, como nunca fez na história, né?
TVT: Franciel, como você avalia a metodologia das pesquisas? Você citou a AtlasIntel, que, em junho, questionou os eleitores sobre o áudio de uma conversa entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. A abordagem gerou uma série de dúvidas sobre se a pergunta havia sido formulada de maneira adequada.
Franciel Cruz: Olha que eu não sou negacionista de pesquisa, não é essa história. É de saber que os jornais, os portais passaram a ser dominados por instituições financeiras e atualmente não são mais. As pesquisas agora estão coladas ao sistema financeiro. Você tinha o Ibope, que era contratado pela Rede Globo, tinha o Datafolha, que era contratado pelo Jornal Folha de São Paulo. Você tem a pesquisa Real Time, Btg Pactual, banco. Você tem a pesquisa são pesquisas ligadas ao sistema financeiro. Em relação à Atlas, mas essa pesquisa específica, eu não a colocaria como enviesada, porque essa pergunta, ela é só foi feita depois de todas as outras perguntas, como eles colocaram depois, não tem como estar induzindo o entrevistado desse ponto de vista. Outra questão é que Ah, pesquisa não é só retrato, é uma tendência. Você tem que olhar a tendência e tem que olhar o retrato daquele momento tal e analisando a tendência. Então não é como eh burramente o presidente do do TSE, né? Cássio Concá Nunes queria premiar as pesquisas que mais acertasse. Isso é uma idiotice fora do comum.
TVT: E quanto ao caso do Banco Master? Houve diversas tentativas de associá-lo a Lula. Você acredita que esse escândalo ainda pode prejudicar a campanha?
Franciel Cruz: Eu costumo brincar que eu trabalho de pedreiro, então eu entendo que tudo é construção na vida. (O caso Master) foi tratado de uma forma extremamente leviana num dos canais das organizações Globo (Globonews), que foi a história do PowerPoint que as pessoas já esqueceram. Colocaram a foto de Vorcaro e a sigla do PT, Galípolo, Guido Mantega e Lula. Não tem Flávio lá, não tem Bolsonaro lá. A única figurinha que está sobreposta é de Lula. Que não tinha e não tem nada a ver com a história. E aí a campanha seguia polarizada eleitoralmente, Lula um pouquinho na frente, no primeiro turno e empatado, no segundo. Até que, até que chega o Intercept e diz: “Ó, nós temos aqui uma brincadeirinha de Flávio”. Pronto. Mas agora isso tudo foi esquecido. Agora resta à campanha de Lula saber como agir e ir para o enfrentamento.
TVT: Agora vamos falar de outro candidato que também tem ganhado destaque: Renan Santos, do Missão. Ele desempenha um papel semelhante ao do Padre Kelmon em 2022, como uma figura jocosa da disputa?
Franciel Cruz: Eu vou discordar um pouco de ti para dizer que ele não é uma figura engraçada, porque o Padre Kelmon seria uma figura folclórica apenas, por mais barbaridade que dissesse, não era tão perigosa quanto esse cidadão. Porque esse cidadão, ele vocaliza o que há de mais nefasto na sociedade. São pautas de uma crueldade fora do comum. Porque a partir do momento que ele diz que vai dar um banho de sangue e aponta para a favela, ele está pregando uma guerra contra os pobres literalmente, mas não para o crime organizado. O crime organizado tá na Faria Lima, em nenhum momento ele disse que ia chegar atirando na Faria Lima. O projeto dele é de desestabilização. Então, eu acho de uma gravidade muito maior do que o padre Kelmon.
TVT: E quanto à recusa de Lula e Flávio em participar dos debates do primeiro turno? Como você avalia essa estratégia?
Franciel: Não é uma novidade. Fernando Henrique não participou, Lula não participou de debates nas eleições passadas. Do ponto de vista da história das eleições no Brasil, ele (debate) perdeu muito a relevância, porque a gente ficava esperando, o país ficava esperando o debate para saber o que ia acontecer. Só que o debate virou uma esculhambação para dizer o mínimo, né? Você tem cadeiras voando, você tem padre fantasiado, não sei o quê. Então virou uma desmoralização desse instituto do debate. Então eu não vejo que tenha prejudicado em nada não (a ausência de Lula), mas eu acho que no último debate que é o da Rede Globo, eu creio que todos irão, porque quem não for, pode perder a possibilidade de ganhar, no caso de Lula, no primeiro turno, ou no caso perder no primeiro turno se Flávio por acaso não for, né? Então eu continuo afirmando: o governo Lula está num momento ruim, mas ainda falta um mês, exatamente um mês para a eleição. Muita coisa ocorre nesse período e as pessoas têm que parar de se guiar pelo que eu chamo de Esquerda Ibis. Ibis, para quem não sabe, é um time de Pernambuco que fica louvando toda vez que perde. “Oh, que maravilha, a gente perdeu”. Aí eu digo que tem Esquerda Ibis, que é aquela que tem tesão pela derrota. Não pode ser uma pesquisa com a situação de um ponto que diz: “Ai meu Deus, o mundo acabou, não tem mais jeito “. Se você pegar no último ano ou até nos últimos 6 meses, é esse o quadro, não houve grandes modificações. Tá a mesma coisa e Lula continua ali com índice de intenção de voto espontâneo muito alto, com quase 10 pontos de frente. E uma coisa que eu queria sublinhar é o seguinte também: mas e o segundo turno? Não existe segundo turno, se não existir o primeiro. E quem ganha no primeiro desde a maldita redemocratização não é o segundo.
Duda Salabert sofre tentativa de homicídio durante fiscalização de extração ilegal de minério na Grande BH
A deputada federal Duda Salabert (PSOL-MG) e Felipe Gomes sofreram uma tentativa de homicídio na noite desta quinta-feira (3), enquanto fiscalizavam uma denúncia de extração ilegal de minério na divisa entre Belo Horizonte e Nova Lima, nas proximidades do BH Shopping.
Ao chegarem ao local, foram surpreendidos e rendidos por três homens, um deles armado, que tentaram levá-los para dentro da área de mineração. Os dois reagiram e conseguiram escapar. Felipe foi espancado e Duda saltou de um barranco para chegar à avenida e pedir socorro. A deputada sofreu deslocamento no ombro e outros ferimentos e precisou ser hospitalizada.
O ataque aconteceu durante a fiscalização de uma atividade que ocorre a poucos quilômetros do centro de Belo Horizonte e escancara a gravidade da atuação criminosa em torno da mineração na região.
“Estão roubando minério, moendo nossas montanhas e comprometendo nossa água a cinco quilômetros do centro de Belo Horizonte. Isso não acontece escondido. Todos sabem. Essa máfia da mineração movimenta muito dinheiro, corrompe agentes públicos e age com a certeza da impunidade. É essa rede de crime, dinheiro e corrupção que permite que nossas montanhas sejam destruídas diante dos olhos do poder público. Muitos fecham os olhos. Nós não vamos fechar os nossos.”

Como está a deputada Duda Salabert
A deputada Duda recebeu atendimento no Hospital Mater Dei e já teve alta. O caso será levado às autoridades estaduais e federais, com pedido de investigação rigorosa e identificação dos responsáveis.
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Obras do Cinturão das Águas do Ceará avançam para garantir mais segurança hídrica ao estado
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, visitou, nesta sexta-feira (4/9), o lote 3 das obras do Cinturão das Águas do Ceará. Acompanharam o presidente durante a visita, os ministros da Casa Civil, Miriam Belchior; da Integração e Desenvolvimento Regional, Waldez Góes; e da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães; entre outras autoridades. Leia em TVT News.
O sistema possui 145,3 km de extensão, composto por canais a céu aberto, túneis e sifões. Sua função é conduzir a água proveniente da Barragem Jati, localizada no município de Jati e integrante do Eixo Norte do Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF), até as nascentes do Rio Cariús, em Nova Olinda, na região do Alto Jaguaribe.
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Atualmente com 93,2% de execução das obras, o projeto – com recursos de R$ 1,8 bilhão da União e R$ 660 milhões no Novo PAC – traz segurança hídrica para diversos usos, obedecendo à seguinte ordem de prioridade: abastecimento humano, indústria, turismo, dessedentação animal e agricultura irrigada, além de contribuir para a segurança hídrica da Região Metropolitana de Fortaleza.
As obras do empreendimento capta água do Eixo Norte do Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF), no Reservatório Jati, e segue até o Rio Cariús, em Nova Olinda (CE), totalizando 145 quilômetros de extensão. A área de influência do empreendimento, após o Trecho I construído e em operação, abastecerá 24 municípios entre Jati e o rio Cariús, beneficiando 561 mil pessoas no estado do Ceará.
Além disso, o Trecho Emergencial pode contribuir com o abastecimento da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), por meio do sistema existente do Eixão das Águas, beneficiando mais de 4 milhões de habitantes da região. Esse trecho também já foi liberado.
LOTES – O projeto dos 145 quilômetros do canal foi dividido em lotes. O primeiro lote de obras, concluído em 2021, vai de Jati até o quilômetro 39. O segundo lote, concluído em 2022, abrange o percurso dos quilômetros 39 a 75. No terceiro lote, o trecho que vai dos quilômetros 75 a 90 foi concluído em junho deste ano e contou com a mobilização de 531 trabalhadores e 152 equipamentos.
Para março de 2027, estão previstas a conclusão das obras dos quilômetros 90 a 111, no lote 3; e dos quilômetros 111 a 145, do lote 4. A implantação dos túneis, que compreende o lote 5 do projeto, foi concluída em 2022.
O Cinturão das Águas do Ceará conecta-se a outros projetos de segurança hídrica em curso na região:
PROGRAMA ÁGUA DOCE – O Programa Água Doce (PAD) é uma iniciativa do Governo Federal, coordenada pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), em parceria com o Governo do Estado do Ceará, por meio da Secretaria dos Recursos Hídricos (SRH). O objetivo das obras é ampliar o acesso à água potável para populações do semiárido.
No Ceará, já são 277 sistemas de dessalinização instalados, beneficiando 277 comunidades, em 49 municípios, com valor total investido de R$ 69,8 milhões. Além disso, 17 novos sistemas serão instalados através do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), além de outros 31 pelo Ministério das Cidades.
Os sistemas implantados utilizam tecnologia de dessalinização da água de poços subterrâneos salobros, garantindo água própria para o consumo humano e contribuindo para a melhoria da qualidade de vida das comunidades atendidas. Entre 2023 e 2026, foram contemplados 13 municípios, somando 4.524 famílias beneficiadas no período. São eles: Acopiara, Apuiarés, Aracoiaba, Araripe, Aurora, Barreira, Chorozinho, Morada Nova, Ocara, Solonópole, Quixadá, Quixeramobim e Umirim.
PROJETO MALHA D’ÁGUA – O Projeto Malha D’água prevê uma rede de 33 sistemas adutores que irão captar água diretamente de mananciais estratégicos, tratá-la em Estações de Tratamento de Água (ETAs) e distribuí-la a cidades e distritos. Quando totalmente pronto, beneficiará 178 municípios e 697 distritos, atendendo a mais de 5,5 milhões de cearenses — 63% da população estadual.
A primeira etapa, em andamento, é o Sistema Banabuiú–Sertão Central, com 688 km de extensão, que atenderá nove municípios e 38 distritos. Com investimento superior a R$ 5 bilhões, o projeto garantirá água tratada, reduzirá a dependência de carros-pipa e promoverá desenvolvimento regional. O primeiro sistema adutor encontra-se com mais de 86% executado.
DUPLICAÇÃO DO EIXÃO DAS ÁGUAS – O Eixão das Águas é uma das obras mais emblemáticas do Ceará, com 255 km de extensão, ligando o Açude Castanhão à Região Metropolitana de Fortaleza. Ele integra diferentes bacias hidrográficas e abastece cerca de 4 milhões de habitantes, além do Complexo Industrial e Portuário do Pecém. Sua estrutura envolve canais, sifões, adutoras e estações de bombeamento.
Atualmente, o Eixão passa por obras de duplicação que vão dobrar sua capacidade de 11 m³/s para 22 m³/s. Isso ampliará a segurança hídrica da capital e do interior, fortalecendo a economia, a indústria e a qualidade de vida de 50% da população do Estado. É um pilar da garantia hídrica do Ceará no presente e no futuro com R$ 1,2 bilhão de investimentos. O projeto encontra-se com mais de 81,57% executado.
RAMAL DO SALGADO – Obra de execução federal, o Ramal do Salgado integra o Eixo Norte da Transposição do São Francisco e levará água do Ramal do Apodi até o rio Salgado, importante afluente do Jaguaribe. São 35 km de canais, aquedutos, túneis e galerias, passando por municípios como Ipaumirim e Lavras da Mangabeira. A obra, orçada em R$ 357 milhões, vai conectar as águas do São Francisco ao Castanhão, o maior reservatório do Ceará.
Com ele, cerca de 5 milhões de pessoas em 54 municípios terão maior garantia de abastecimento, inclusive na Região Metropolitana de Fortaleza. O Ramal do Salgado fortalece a rede de integração hídrica nacional e estadual, assegurando água para consumo humano e atividades produtivas. O projeto encontra-se com 64,16% executado.
Nikolas Ferreira divulga documento falso da PF que o inocentaria sobre teor de conversas com Vorcaro
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) compartilhou nas redes sociais um documento falso atribuído à Polícia Federal (PF) que supostamente afastaria a existência de indícios de crimes nas conversas mantidas por ele com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A falsificação foi identificada pelo UOL Confere, que verificou o uso de inteligência artificial na elaboração do arquivo. Leia em TVT News.
O documento apresentava uma suposta análise das conversas entre o parlamentar e Vorcaro e afirmava que as interações teriam ocorrido em contexto “pessoal e profissional”. A PF, porém, negou ser responsável pelo material.
A publicação também provocou uma reação na Câmara. A deputada Erika Hilton (PSOL-SP) afirmou que denunciou Nikolas à Justiça Eleitoral pela divulgação do documento falsificado. Segundo Erika, que fez a denúncia em conjunto com as candidatas candidatas Ana Elisa e Bella Gonçalves, Nikolas teria utilizado um arquivo produzido com inteligência artificial para se apresentar como inocente após a divulgação de informações sobre sua relação com Vorcaro.
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Documento tinha sinais de falsificação
Um dos principais indícios de que o arquivo não era autêntico está na presença de uma marca d’água associada a uma ferramenta de geração de conteúdo da OpenAI. A análise realizada pelo UOL Confere identificou que o documento havia sido produzido com auxílio de inteligência artificial.
O texto também continha erros de português e informações incompatíveis com os registros conhecidos sobre o caso. Entre eles estava a expressão “contato salvado como Nikolas Dep”, utilizada na descrição de um dos supostos elementos analisados.
Outro problema estava na data apresentada no arquivo. O documento indicava 18 de novembro de 2025 como a data da extração dos dados, embora afirmasse tratar de informações obtidas a partir do celular de Vorcaro.
A data, contudo, não corresponde ao dia da prisão do banqueiro. Vorcaro foi preso em 17 de novembro de 2025, durante uma ação da Polícia Federal. Assim, caso a extração mencionada no documento tivesse ocorrido de fato, ela seria posterior à prisão, no dia seguinte. A inconsistência reforça os indícios de que o arquivo não corresponde a um relatório oficial da PF.
Documento apresentado por Nikolas Ferreira é falso. Confira a análise da Juliana Dal Piva.
— ICL Notícias (@ICLNoticias) September 3, 2026
O ICL Notícias 2ª ed vai ao ar de segunda a sexta ao vivo, das 17:30h às 19h, nos canais do Instituto Conhecimento Liberta. Acompanhe o nosso jornalismo independente nas redes e no portal. pic.twitter.com/qKv1g32i3y
Erika denuncia publicação à Justiça Eleitoral
Em publicação nas redes sociais, Erika Hilton classificou o arquivo como um “laudo fraudado” e afirmou que ela e as deputadas Ana Elisa e Bella Gonçalves acionaram a Justiça Eleitoral contra Nikolas.
A deputada argumentou que a divulgação de um documento falso atribuído a uma instituição pública não pode ser utilizada para influenciar o debate durante o período eleitoral. Erika também afirmou que a produção do material por inteligência artificial agrava a situação.
🚨 PRISÃO DO NIKOLAS JÁ!
— ERIKA HILTON 5070 ✨ (@ErikakHilton) September 4, 2026
Eu, a @AanaElisast e a @BellaGoncalvs estamos denunciando o deputado Nikolas Ferreira à Justiça Eleitoral por publicar um laudo FRAUDADO da Polícia Federal para se dizer inocente após as revelações sobre suas ligações com Vorcaro.
O que Nikolas fez é… pic.twitter.com/tI8O6qpspr
PF nega autoria do arquivo
Procurada pelo UOL Confere, a Polícia Federal afirmou que o documento não foi produzido pela instituição.
Mesmo assim, o arquivo foi divulgado por Nikolas Ferreira em seus stories no Instagram, onde permaneceu disponível por algum tempo antes de ser retirado. A publicação alcançou potencialmente um grande público, já que o deputado possui cerca de 22 milhões de seguidores na plataforma.
A assessoria do parlamentar afirmou ao UOL Confere que Nikolas apenas republicou o conteúdo encontrado em um portal e que o retirou depois de descobrir que se tratava de um material falso.

Áudios levantam questionamentos sobre relação com Vorcaro
A circulação do documento ocorreu depois da divulgação de gravações que mostram Nikolas Ferreira pedindo ajuda a Vorcaro para tratar de um assunto relacionado a um amigo e ex-assessor.
O áudio foi divulgado pelo ICL Notícias e mostra o deputado solicitando ao banqueiro auxílio para a liberação de um ativo minerário. A existência da gravação contrasta com a tentativa do documento falso de apresentar as conversas entre os dois como interações sem indícios de irregularidades.
O episódio ocorre em meio às investigações envolvendo Vorcaro e o Banco Master e à divulgação de diferentes documentos e mensagens relacionados ao ex-banqueiro. A falsificação atribuída à PF, entretanto, não constitui documento oficial da investigação e não pode ser utilizada como prova sobre a relação entre Nikolas Ferreira e Vorcaro.
Copa do Brasil semifinais definidas com torcidas da “união DPA”; entenda
Nesta quinta-feira, ocorreu o jogo de volta do Gre-Nal na Arena do Grêmio, que definiu o último clássificado para as semi-finais da Copa do Brasil. O jogo de ida, no Beira-Rio, terminou com o frustrante placar de 0 a 0, deixando o resultado final em aberto. Com a vantagem de jogar em casa, o Grêmio não decepcionou e encerrou a partida de ontem com a goleada de 3 a 1 contra o Colorado. Com Palmeiras, Vasco e Galo classificados, os confrontos das semifinais reunirão quatro torcidas aliadas da “união DPA (Dedo Pro Alto). Leia em TVT News.
As datas ainda não foram definidas, mas as semifinais serão disputadas em novembro. De um lado, teremos Palmeiras x Vasco, do outro, Atlético-MG e Grêmio. O vencedor dos confrontos disputarão a final em 6 de dezembro, em jogo único.
Na reta final do campeonato, a disputa é acirrada, mesmo assim um clima de amistoso estará presente nas arquibancadas, já que todos os clubes possuem torcidas organizadas que fazem parte da União Dedo Pro Alto (DPA), que é um dos grandes grupos de torcidas aliadas no país, tendo como rival a UPC, União Punho Cruzado, que tem torcidas como a Independente (SP), Jovem Fla (RJ) e Máfia Azul (MG).
Do lado da DPA, a aliança também se consolidou com o nome de “União Sinistra” e engloba as torcidas da Mancha Verde (SP), a Força Jovem (RJ), a Galoucura (MG), a Geral do Grêmio (RS) e a TUP (SP). Além das torcidas dos times semifinalistas, no entanto, ainda existem diversas torcidas nessa união, somando, no total, 22 torcidas.
De acordo com o Observatório Social do Futebol, essa é a lista completa dos integrantes da União DPA:
- Força Jovem do Vasco (RJ)
- Ira Jovem Vasco (RJ)
- Torcida Jovem do Botafogo (RJ)
- Mancha Alvi-Verde (SP)
- Galoucura (MG)
- Império Alviverde (PR)
- Mancha Azul (SC)
- Mancha Verde (RS)
- Geral do Grêmio (RS)
- Força Jovem do Goiás (GO)
- Ira Jovem Gama (DF)
- Bamor Nova Era (BA)
- Trovão Azul (SE)
- Mancha Negra (AL)
- Mancha Azul (AL)
- Explosão Inferno Coral (PE)
- Torcida Jovem do Botafogo (PB)
- Garra Alvinegra (RN)
- Cearamor (CE)
- Esporão do Galo (PI)
- Tubarões da Fiel (MA)
- Torcida Uniformizada Terror Bicolor (PA)
Como surgiram as principais uniões de torcidas organizadas? A DPA e UPC?
Mesmo se enfrentando como adversários, a união entre as torcidas atravessa décadas e vai muito além das arquibancadas.
Em diferentes momentos, torcedores organizados estabeleceram relações de amizade, apoio e proteção, que deram origem aos grandes blocos nacionais e regionais.
Atualmente, existem 61 torcidas organizadas, que são distribuídas em cinco grandes agrupamentos: União Punho Cruzado, União Dedo pro Alto, União Punho Colado e outros coletivos regionais, conhecidos como Lado A e Lado B.
A formação dessas alianças esteve ligada, em grande parte, à necessidade de apoio durante deslocamentos nos jogos fora de casa, encontros entre torcidas e situações de conflito.
Com o passar dos anos, os vínculos criaram redes que passaram a envolver recepção de torcedores visitantes, organização de festas, troca de materiais e apoio logístico.
Apoio em confrontos
Essas alianças também se relacionaram com episódios de confronto entre grupos rivais.
A lógica de proteção entre torcidas acabou, em determinados contextos, associada à preparação para enfrentamentos, disputas territoriais e conflitos em dias de jogos.
As amizades entre organizadas ajudaram a formar uma espécie de sistema de alianças que ultrapassou as fronteiras dos clubes.
Gaviões da Fiel e Jovem Santos de fora
Entre as dez maiores torcidas organizadas do país, duas não integram esses blocos: os Gaviões da Fiel, do Corinthians, e a Torcida Jovem, do Santos.
Torcida do Palmeiras e Vasco: uma das alianças mais antigas do futebol
Uma das histórias mais antigas relacionadas às amizades entre torcidas envolve Palmeiras e Vasco. A origem remonta a 1942, em um período de forte tensão política em torno do Palestra Itália, que precisou abandonar o antigo nome e assumir a identidade de Palmeiras.
Durante a partida que decidiu o Campeonato Paulista daquele ano, o ambiente era de pressão sobre o clube paulista. Adalberto Mendes, capitão do Exército e dirigente do Vasco, entrou em campo carregando a bandeira do Brasil para proteger o time palmeirense das vaias.
O gesto ocorreu em meio ao clima de hostilidade diante das reclamações da arbitragem, que expulsou um jogador do São Paulo e deu um pênalti para o alviverde.
A relação entre torcedores dos dois clubes ganhou outra dimensão em 1951, durante a Copa Rio. Depois de o Vasco ser eliminado nas semifinais, aproximadamente 100 mil torcedores cariocas foram ao Maracanã acompanhar a decisão entre Palmeiras e Juventus.
A presença vascaína chamou atenção porque os torcedores passaram a apoiar o clube paulista. Registros daquele dia mostram torcedores do Vasco acompanhando a conquista palmeirense nas arquibancadas.
Décadas depois, outro episódio reforçou essa relação. Em 1979, torcedores vascaínos ajudaram palmeirenses que haviam ficado cercados durante uma confusão com rivais no Rio de Janeiro. O episódio passou a integrar a memória da amizade entre as duas torcidas.
A DPA começa a se organizar a partir dos anos 80
A partir dos anos 1980, as lideranças de diferentes torcidas passaram a estruturar de maneira mais prática as relações que já existiam. Um dos objetivos era oferecer apoio aos torcedores durante viagens para outras cidades.
A dinâmica ganhou força na década seguinte, quando a Galoucura, torcida organizada do Atlético-MG, passou a integrar oficialmente a parceria Palmeiras e Vasco. A entrada do grupo mineiro ampliou a rede e aproximou torcedores de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.
Cartas e documentos produzidos pelas torcidas durante esse período registram parte desse processo. As correspondências eram utilizadas para manter contato entre as lideranças, organizar deslocamentos e trocar materiais relacionados às organizadas.
A relação também envolvia a comercialização e a troca de produtos, como camisas, bonés e adesivos. Dessa forma, uma rede que inicialmente estava baseada em relações de amizade e apoio passou a ter mecanismos próprios de comunicação e colaboração.
No caso da relação entre Palmeiras e Vasco, a proximidade ganhou até uma expressão física em São Paulo. Desde 1996, uma loja oficial do Vasco funciona nas proximidades do estádio do Palmeiras, no bairro que concentra a comunidade palmeirense.
A convivência entre as torcidas continuou sendo registrada em episódios posteriores. Em 2018, o Palmeiras conquistou o Campeonato Brasileiro em São Januário. O ambiente de respeito entre as torcidas foi acompanhado, posteriormente, por uma homenagem da torcida palmeirense ao Vasco. No Allianz Parque, torcedores do Palmeiras produziram um mosaico com a Cruz de Malta, símbolo vascaíno.
A entrada da Galoucura e a expansão nacional
A participação da Galoucura ajudou a transformar uma relação que tinha forte presença entre São Paulo e Rio de Janeiro em uma articulação de alcance nacional.
Durante os anos 1990, a torcida do Atlético-MG formalizou a aproximação com os demais grupos por meio de correspondências e apoio logístico no Mineirão. Torcedores paulistas e cariocas passaram a contar com suporte dos mineiros durante suas viagens a Belo Horizonte.
A relação permaneceu ao longo das décadas seguintes. Em 2017, integrantes da torcida atleticana fizeram uma homenagem no gramado ao estender uma bandeira da Mancha Verde após a morte do fundador da torcida palmeirense.
No Sul do país, a Geral do Grêmio também passou a ocupar posição de destaque nessa rede de amizades. A torcida gremista mantém relação com os grupos envolvidos na aliança e costuma receber torcedores aliados em Porto Alegre.
Essas relações podem aparecer em momentos que contrastam com a rivalidade entre os clubes. Quando duas equipes se enfrentam, as torcidas continuam defendendo seus respectivos times dentro do estádio. Fora dele, porém, os grupos aliados podem organizar recepções e atividades conjuntas.
É nesse contexto que surgem festas compartilhadas em dias de jogos. Os grupos podem reunir seus cantos e bandeiras para marcar a relação de amizade, mantendo a disputa esportiva entre os clubes.
Amizade entre torcidas não elimina a rivalidade entre clubes
A existência dessas alianças cria uma situação particular no futebol brasileiro. Dois clubes podem disputar uma partida decisiva enquanto suas torcidas organizadas mantêm relações de amizade.
Palmeiras, Vasco, Atlético-MG e Grêmio, por exemplo, já protagonizaram confrontos importantes em competições nacionais. A rivalidade esportiva não impediu a construção de vínculos entre seus grupos de torcedores.
Entre os confrontos de maior relevância estão a Supercopa do Brasil de 1990, vencida pelo Grêmio contra o Vasco; a final do Campeonato Brasileiro de 1997, quando o Vasco superou o Palmeiras; a decisão da Copa do Brasil de 2016, em que o Grêmio derrotou o Atlético-MG; e a final da Copa do Brasil de 2020, vencida pelo Palmeiras contra o Grêmio.
Os resultados mostram como a amizade entre torcidas não significa alinhamento entre os clubes. Dentro de campo, cada equipe mantém seus objetivos e sua disputa por títulos. A relação entre as organizadas, por outro lado, é construída fora da competição.
Para PF, Mendonça teria atuado no STF para livrar golpistas do 8 de janeiro, diz reportagem do ICL
Relatórios internos de inteligência da Polícia Federal levantaram a hipótese de que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), teria atuado para modificar a correlação de forças dentro da Corte e criar um cenário favorável a uma eventual anistia para envolvidos nos atos de 8 de janeiro e na tentativa de golpe de Estado. A informação sobre análises da PF foi publicada nesta sexta-feira (4) pelo ICL Notícias, em reportagem assinada por Cleber Lourenço. Leia em TVT News.
Os documentos são relatórios internos de inteligência da e não possuem valor probatório. Segundo o material, eles reúnem informações documentadas, relatos e avaliações dos analistas, com diferentes níveis de confiabilidade.
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Relatórios levantam hipótese sobre mudança na composição do STF
De acordo com os documentos aos quais o ICL teve acesso, os analistas da PF relacionaram diferentes episódios envolvendo a atuação de Mendonça a uma possível tentativa de ampliar sua influência dentro do Supremo.
A análise considera, entre outros pontos, um suposto tratamento diferente dado pelo ministro a pessoas atingidas por investigações, dependendo de seu perfil político. A PF avaliou a possibilidade de que essa diferença tivesse sido deliberada e visasse a produzir efeitos sobre o cenário político.
A partir dessas observações, os relatórios passaram a trabalhar com a hipótese de uma estratégia tendo por objetivo a alteração no equilíbrio interno do STF. Na avaliação registrada pelos analistas, o afastamento de ministros que tiveram participação no enfrentamento da tentativa de golpe poderia mudar a composição da Corte e influenciar uma futura discussão sobre anistia.
Nesse raciocínio, a PF considerou a possibilidade de que uma eventual “recomposição de forças” no tribunal pudesse contribuir para a aprovação de uma anistia relacionada aos crimes cometidos em 8 de janeiro. A reportagem ressalta, contudo, que essa interpretação é uma hipótese construída pelos analistas, e não uma conclusão comprovada sobre a intenção do ministro.
Moraes encaminhou documentos a Fachin
Os relatórios foram elaborados durante episódios de atrito entre a Polícia Federal e o gabinete de Mendonça relacionados à condução de investigações como as operações Sem Desconto, sobre fraudes no INSS, e Compliance Zero, que apura o caso do Banco Master.
O material chegou às mãos do ministro Alexandre de Moraes depois que ele determinou, em 1º de setembro, que a direção-geral da PF encaminhasse documentos de inteligência que citassem integrantes do Supremo. A solicitação ocorreu dentro do chamado inquérito das fake news.
Após analisar os documentos, Moraes apontou possíveis indícios de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade envolvendo Mendonça. Também levantou suspeitas sobre eventual quebra de imparcialidade e favorecimento de grupos políticos. O ministro encaminhou o material ao presidente do STF, Edson Fachin.
Na sexta-feira (4), Fachin decidiu retirar o pedido de Moraes do inquérito das fake news e encaminhá-lo para outro procedimento, que ficará sob responsabilidade da Presidência do Supremo. O ministro estabeleceu prazo de cinco dias úteis para que a Procuradoria-Geral da República e Mendonça se manifestem.
A decisão de Fachin é uma medida de instrução e não representa conclusão sobre a existência das irregularidades apontadas nem confirma as hipóteses presentes nos relatórios.
PF cita atuação de Mendonça em relação a Moraes
Outro ponto mencionado nos documentos é a postura atribuída a Mendonça diante de informações envolvendo outros ministros do STF.
Segundo a reportagem, a PF afirma que Mendonça teria demonstrado interesse no avanço de uma investigação envolvendo Alexandre de Moraes e pedido mais de uma vez que os investigadores adotassem uma iniciativa formal nesse sentido.
Em relação aos ministros Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques, por outro lado, os relatórios registram uma postura considerada mais defensiva por parte de Mendonça diante de informações que poderiam envolvê-los. Para os analistas, a combinação desses episódios contribuiu para a hipótese de uma atuação assimétrica.
A reportagem também menciona o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, classificado nos documentos como um possível “alvo estratégico”. A avaliação estaria relacionada ao peso político do senador e à prerrogativa da Presidência do Senado de conduzir pedidos de impeachment contra ministros do STF.

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