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Da Redação

Milei é denunciado na Argentina por usar recursos públicos em ato de apoio a Flávio Bolsonaro no Brasil

O presidente da Argentina, Javier Milei, foi denunciado criminalmente por suposto uso de recursos públicos para participar de um ato político em apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), realizado no último sábado (25), em São Paulo. A informação foi publicada pela Coluna da Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo. Leia em TVT News.

A ação foi apresentada por dois advogados argentinos, que acusam o chefe de Estado de utilizar a estrutura oficial do governo para comparecer a um evento de natureza partidária em outro país.

Segundo a denúncia, protocolada pelos advogados José Lucas Magioncalda e Juan Martín Fazio, Milei pode ter cometido os crimes de malversação de recursos públicos e descumprimento dos deveres de funcionário público ao empregar o avião presidencial, integrantes da comitiva oficial e verbas do Estado argentino para participar de um comício em favor de Flávio Bolsonaro.

Os autores da ação afirmam que uma viagem oficial não poderia ser utilizada para atividades eleitorais ou partidárias em outro país. Além disso, sustentam que as declarações feitas por Milei durante o evento extrapolaram o campo diplomático e configuraram ingerência em assuntos internos brasileiros.

Durante o discurso em São Paulo, o presidente argentino chamou Lula de “presidiário” e se referiu ao ministro Alexandre de Moraes como “lixo careca”. Moraes havia negado autorização para que Milei visitasse Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar.

Denúncia cita normas internacionais

A petição apresentada na Justiça argentina afirma que a atuação de Milei violou princípios do direito internacional relacionados à não intervenção em assuntos internos de outros Estados.

Para embasar a argumentação, os advogados citam dispositivos da Carta da Organização das Nações Unidas (ONU), da Carta da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da Resolução 2625 da Assembleia Geral da ONU, documentos que estabelecem o princípio da soberania dos países e restringem interferências políticas externas.

Além da responsabilização criminal do presidente argentino, os autores pedem que a Justiça determine o levantamento de informações sobre toda a estrutura utilizada na viagem.

Entre os documentos solicitados estão os gastos públicos realizados, a composição da comitiva presidencial, o pagamento de diárias, as ordens de voo da aeronave oficial e demais despesas relacionadas ao deslocamento. Também requerem que Milei seja interrogado após a produção das provas.

Governo brasileiro reage às declarações

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Milei e Netanyahu – Foto: @JMilei

As declarações feitas por Milei durante o ato político provocaram reação do governo brasileiro.

Na segunda-feira (27), ao ser questionado sobre as ofensas feitas pelo presidente argentino, Lula respondeu de forma irônica:

“Quem é esse cara?”

A estratégia do Palácio do Planalto, entretanto, tem sido evitar transformar os ataques em um confronto direto entre os dois presidentes.

A resposta institucional ficou sob responsabilidade do Ministério das Relações Exteriores. O chanceler Mauro Vieira convocou o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, para prestar esclarecimentos sobre as declarações de Milei.

Em sentido inverso, o governo brasileiro chamou para consultas o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli. O diplomata retornou a Brasília e se reuniu com Mauro Vieira, além de conversar brevemente com Lula durante a visita oficial do presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung.

Planalto vê articulação internacional

Nos bastidores do governo brasileiro, a avaliação é de que a participação de Milei no evento do PL faz parte de uma estratégia coordenada para fortalecer a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.

Segundo integrantes do governo, há uma aproximação entre o presidente argentino e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que estaria voltada à construção de uma frente internacional da direita para interferir no ambiente político brasileiro.

A leitura dentro do Planalto é que Milei atua alinhado aos interesses políticos de Trump e que sua presença em São Paulo buscou reforçar esse movimento.

Tarifaço de trump: estratégia política para descredibilizar governo Lula?

O governo Trump anunciou novas tarifas sobre produtos brasileiros e, paralelamente, integrantes da gestão norte-americana passaram a fazer críticas públicas ao governo Lula.

Entre elas estão declarações do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que afirmou que Lula teria colocado o “próprio ego” acima das negociações comerciais entre os dois países.

Na ocasião, a resposta brasileira foi dada pelo Itamaraty, sem manifestação direta do presidente da República.

A orientação agora permanece a mesma: evitar transformar os ataques pessoais em embates políticos protagonizados por Lula.

IA e boneco de papelão tentam manter pai na campanha de Flávio Bolsonaro

A presença de Jair Bolsonaro na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passou a ser objeto de discussão jurídica e a respeito do uso de novas tecnologias nas eleições de 2026. Leia em TVT News.

O debate ganhou relevância com a repercussão do uso de vídeo feito com IA durante a convenção nacional do Partido Liberal, que oficializou a candidatura de Flávio à Presidência da República.

Depois disso, a equipe do senador decidiu adotar uma postura mais cautelosa enquanto aguarda manifestações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF).

Paralelamente, aliados de Flávio Bolsonaro têm debatido estratégias tradicionais, como o uso de bonecos de papelão em tamanho real, para manter a imagem do ex-presidente presente nos eventos de campanha.

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A gravação apresentada na convenção utilizou recursos de inteligência artificial para reproduzir a voz e a aparência de Bolsonaro.

No início do vídeo, era informado que se tratava de uma simulação digital. Em seguida, a representação do ex-presidente reforçava apoio à candidatura do filho e afirmava que sua prisão domiciliar não impediria a continuidade do projeto político defendido pelo grupo.

A iniciativa, porém, provocou reações imediatas. A oposição levou o caso ao TSE e ao STF, argumentando que a exibição do vídeo pode configurar propaganda eleitoral irregular e também representar uma tentativa de contornar as restrições impostas pela Justiça ao ex-presidente, que está proibido de realizar manifestações político-eleitorais enquanto cumpre prisão domiciliar.

Embora a campanha mantenha a avaliação de que o vídeo respeitou a legislação eleitoral, a repercussão fez com que integrantes do entorno de Flávio recomendassem evitar novas peças produzidas por inteligência artificial até terem maior clareza sobre o entendimento da Justiça.

Mesmo sem participação presencial, o ex-presidente continua sendo tratado como principal referência política da candidatura do senador. A estratégia do PL busca manter a associação entre pai e filho durante toda a campanha, mantendo a ideia de continuidade do projeto político liderado por Bolsonaro.

A própria decisão de utilizar o vídeo na convenção reforça a noção de Flávio como herdeiro político do ex-presidente – na gravação, a imagem produzida digitalmente afirmava que o senador era o escolhido para dar sequência ao projeto político do grupo.

Campanha de Flávio Bolsonaro reforça desafio da presença de IA nas eleições

O episódio da convenção do PL abriu uma das primeiras grandes discussões sobre o uso de inteligência artificial na campanha eleitoral de 2026.

Embora a legislação permita o emprego da tecnologia, ela estabelece regras para impedir que conteúdos manipulados sejam utilizados para enganar eleitores ou alterar a percepção sobre candidatos.

Agora, o TSE deverá analisar se a utilização da imagem de Bolsonaro criada por IA respeitou as normas em vigor. A discussão envolve desde a identificação obrigatória de conteúdos produzidos por inteligência artificial até a maneira como esse tipo de material pode ser divulgado durante o processo eleitoral.

O debate também expõe os desafios criados pelo avanço da inteligência artificial na política. A facilidade para reproduzir vozes e imagens tornou necessária a criação de regras específicas para diferenciar conteúdos identificados como artificiais daqueles produzidos para enganar o eleitorado.

Discussão engloba restrições de Bolsonaro na domiciliar

Além das regras da propaganda eleitoral, outra questão em jogo é a das medidas cautelares impostas ao ex-presidente.

Como Bolsonaro está impedido de participar de atos políticos e de fazer manifestações eleitorais, o Supremo deverá avaliar se a reprodução digital de sua imagem e de sua voz pode ser interpretada como uma forma indireta de participação na campanha presidencial.

A expectativa dentro da campanha é que as decisões das cortes estabeleçam parâmetros para toda a disputa eleitoral deste ano. Integrantes do PL acreditam que uma definição favorável poderá abrir espaço para novas estratégias de comunicação utilizando inteligência artificial ao longo da campanha.

Enquanto isso, a orientação interna é evitar ampliar os questionamentos jurídicos logo no início da corrida eleitoral. A avaliação é que novas peças produzidas com a tecnologia poderiam gerar disputas judiciais sucessivas e desviar o foco da campanha.

Recentemente, a leitura por Flávio de uma carta manuscrita atribuída ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais levou a uma representação do deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) no STF pedindo a revogação da prisão domiciliar humanitária concedida a Bolsonaro.

A domiciliar foi mantida, mas o Supremo decidiu pela suspensão do direito de visita de Flávio Bolsonaro a seu pai por 90 dias.

Na ocasião, a principal questão discutida foi se a carta representa uma forma de comunicação indireta com o público, prática expressamente vedada na decisão que manteve Bolsonaro em prisão domiciliar, e se a manifestação configura uma tentativa de burlar as restrições impostas ao ex-presidente.

Terremoto de magnitude 7,1 atinge sul do Japão, deixa feridos e provoca danos em infraestrutura

Um terremoto de magnitude preliminar 7,1 atingiu a província de Kumamoto, no sul do Japão, nesta terça-feira (28), provocando feridos, desabamentos, incêndios, interrupção de serviços públicos e mobilizando autoridades em uma ampla operação de emergência. Leia em TVT News.

O tremor levou milhares de moradores a deixarem suas casas e reacendeu a preocupação com a ocorrência de novos abalos em uma das regiões mais suscetíveis à atividade sísmica no planeta.

Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o terremoto ocorreu a cerca de 10 quilômetros de profundidade, característica que tende a intensificar os efeitos sentidos na superfície. A agência norte-americana classificou o nível de tremor do solo como “severo”, equivalente ao grau 8 em uma escala de intensidade que vai de 1 a 10.

Em pronunciamento à imprensa, a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, informou que o governo ainda realiza o levantamento completo dos danos humanos e materiais, mas confirmou que já havia registro de pessoas feridas.

Já fomos informados de que houve feridos”, afirmou a premiê. “Houve cortes de energia e incêndios em algumas áreas, além de danos a estradas e pontes e o desabamento de prédios. Acima de tudo, peço a todos que tomem medidas para se protegerem, incluindo a retirada para um local seguro.

Imagens transmitidas pela emissora pública NHK do Japão mostraram diversos pontos da província de Kumamoto com edifícios parcialmente destruídos, incêndios, grandes rachaduras em rodovias e vias urbanas, além do descarrilamento de um trem de carga.

As autoridades também determinaram a retirada preventiva de mais de 150 mil pessoas para centros de acolhimento espalhados pela região, diante da possibilidade de novos tremores e de deslizamentos de terra.

Shopping desaba e há relatos de desaparecidos

Entre as ocorrências mais graves está o desabamento parcial do Aeon Mall Kumamoto, localizado na cidade de Kashima, no Japão. Segundo informações divulgadas pela imprensa japonesa, dezenas de pessoas podem ter ficado presas sob os escombros.

A polícia informou ter recebido chamados relatando uma forte explosão no momento do colapso da estrutura. Equipes de resgate trabalham na busca por sobreviventes enquanto seguem as operações de remoção dos destroços.

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As primeiras informações apontam que entre 20 e 30 pessoas podem estar desaparecidas no local. Autoridades locais também investigam relatos de um número significativo de vítimas fatais, embora os dados ainda não tenham sido oficialmente confirmados.

Até o momento, pelo menos 50 pessoas foram hospitalizadas em decorrência do terremoto, segundo balanço preliminar divulgado pelas autoridades do Japão.

Energia, transporte e comunicações são afetados no Japão

O terremoto provocou impactos em diversos serviços essenciais. A companhia Kyushu Electric Power informou que aproximadamente 40 mil residências ficaram sem fornecimento de energia elétrica após o tremor.

As interrupções também atingiram o sistema de telecomunicações. As operadoras KDDI e Docomo registraram falhas nos serviços de telefonia móvel devido à falta de energia e aos danos em linhas de transmissão.

No transporte, a empresa ferroviária JR Kyushu suspendeu a circulação de diversas linhas, incluindo os trens-bala que conectam importantes cidades da ilha de Kyushu.

O aeroporto de Kumamoto também interrompeu temporariamente suas operações. A pista foi fechada para inspeções de segurança, enquanto companhias aéreas cancelaram ou desviaram voos previstos para a região.

Além das restrições na infraestrutura de transporte, empresas com unidades industriais em Kumamoto adotaram medidas preventivas.

A fabricante taiwanesa TSMC, considerada a maior produtora de semicondutores sob encomenda do mundo, retirou funcionários de sua fábrica localizada na região enquanto avalia possíveis impactos estruturais nas instalações.

Já a Sony informou que acompanha a situação de sua unidade industrial e monitora continuamente as condições de segurança antes de decidir sobre a retomada integral das atividades.

Japão mantém alerta para novos tremores

Após o terremoto, a Agência Meteorológica do Japão (JMA) alertou que moradores das áreas mais atingidas devem permanecer atentos à possibilidade de novos abalos ao longo da próxima semana. Segundo o órgão, há risco elevado de tremores secundários de grande intensidade e de deslizamentos de terra, principalmente em regiões montanhosas que sofreram rachaduras provocadas pelo sismo.

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Inicialmente, a JMA chegou a emitir um alerta de tsunami para ondas de até um metro de altura na costa sul do país. Horas depois, no entanto, a agência cancelou o aviso após novas avaliações indicarem que não havia risco significativo para o litoral.

Também não foram registradas anormalidades nas usinas nucleares localizadas na região, informou a autoridade reguladora do setor. O monitoramento das instalações segue em andamento como medida preventiva.

País convive com intensa atividade sísmica

O Japão está entre os países mais sujeitos à ocorrência de terremotos em todo o mundo. Localizado sobre o chamado Anel de Fogo do Pacífico, faixa geológica caracterizada pelo encontro de placas tectônicas, intensa atividade vulcânica e frequentes terremotos, o arquipélago registra milhares de tremores todos os anos.

Segundo dados geológicos, cerca de 20% dos terremotos com magnitude igual ou superior a 6 ocorrem em território japonês. Em média, pequenos abalos sísmicos são registrados a cada poucos minutos, embora a maior parte deles não provoque danos significativos graças aos rigorosos padrões de engenharia adotados pelo país.

As construções japonesas seguem normas específicas de resistência a terremotos, e os sistemas de alerta permitem que parte da população seja avisada poucos segundos antes da chegada das ondas sísmicas, reduzindo riscos em escolas, empresas, estações ferroviárias e indústrias.

Mesmo assim, eventos de maior intensidade continuam representando desafios para as autoridades, especialmente quando atingem áreas densamente povoadas.

Kumamoto ainda guarda lembranças da tragédia de 2016

O novo terremoto também trouxe à memória um dos episódios mais marcantes da história recente da província de Kumamoto.

Há dez anos, a região foi atingida por uma sequência de fortes terremotos que deixaram 275 mortos e cerca de 2.700 feridos, segundo dados oficiais. Milhares de edificações foram destruídas ou sofreram danos estruturais, incluindo o histórico Castelo de Kumamoto, um dos principais patrimônios culturais do Japão.

Desde então, governos locais investiram em reforço estrutural, sistemas de monitoramento e planos de evacuação. Mesmo com esses avanços, o novo tremor demonstra que o risco permanece constante para milhões de japoneses que vivem em áreas de intensa atividade tectônica.

Enquanto equipes de resgate continuam procurando desaparecidos e auxiliando moradores afetados, o governo japonês mantém mobilizadas forças de emergência, bombeiros, policiais e equipes médicas para prestar atendimento às vítimas e restabelecer os serviços essenciais interrompidos pelo terremoto.

Governo Lula aciona OMC contra tarifaço de Trump e formaliza disputa comercial com os Estados Unidos

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva formalizou nesta segunda-feira (27) um pedido de consultas à Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. Leia em TVT News.

A iniciativa marca a abertura oficial de uma disputa no sistema de solução de controvérsias da entidade e representa a resposta diplomática do Brasil às medidas adotadas pela administração de Donald Trump, que elevaram a taxação sobre parte das exportações nacionais.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), o pedido questiona duas tarifas anunciadas pelo governo norte-americano ao longo de julho. A primeira, de 25%, foi aplicada após uma investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, mecanismo utilizado por Washington para apurar práticas consideradas desleais por parceiros comerciais. Dias depois, o governo Trump acrescentou uma nova tarifa de 12,5%, alegando falhas de diversos países, entre eles o Brasil, na fiscalização de produtos supostamente ligados ao trabalho forçado.

Na avaliação do governo brasileiro, as medidas violam compromissos assumidos pelos Estados Unidos no âmbito do comércio internacional. Em nota oficial, o Itamaraty afirmou que as tarifas são “injustificadas e incompatíveis com as obrigações dos EUA no âmbito do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio de 1994 (GATT 1994) e do Entendimento Relativo às Normas e Procedimentos sobre Solução de Controvérsias da OMC“.

A abertura do procedimento ocorre em um momento de intensificação das tensões comerciais entre Brasília e Washington. As novas sobretaxas atingem aproximadamente 16,5% das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano, segundo estimativas do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Em alguns setores, o impacto pode ser ainda maior. Produtos como máquinas e equipamentos, móveis, madeira, calçados e confecções podem ser alcançados simultaneamente pelas duas tarifas, elevando a carga adicional para 37,5%. Para empresários desses segmentos, o aumento dos custos reduz a competitividade dos produtos brasileiros e dificulta a manutenção de contratos no mercado dos Estados Unidos.

Primeira etapa do sistema de solução de controvérsias da OMC

O chamado pedido de consultas representa a fase inicial do mecanismo de resolução de disputas da OMC. Durante esse período, Brasil e Estados Unidos têm até 60 dias para buscar uma solução negociada antes da abertura de um painel arbitral.

Caso não haja entendimento, o governo brasileiro poderá solicitar a criação desse painel, responsável por analisar se as medidas adotadas pelos Estados Unidos são compatíveis com as regras multilaterais do comércio internacional.

Apesar da formalização do processo, integrantes da diplomacia brasileira reconhecem que o caminho enfrenta obstáculos relevantes. Desde 2019, o órgão de apelação da OMC permanece praticamente paralisado após o bloqueio promovido pelos próprios Estados Unidos à nomeação de novos juízes durante o primeiro governo Trump.

Sem essa instância funcionando plenamente, decisões emitidas pelos painéis podem permanecer indefinidamente sem conclusão definitiva, reduzindo a efetividade prática do sistema de resolução de conflitos da organização.

Mesmo assim, o governo brasileiro considera importante registrar formalmente sua contestação às medidas adotadas por Washington.

Nos bastidores da diplomacia, a avaliação é de que recorrer ao sistema multilateral demonstra o compromisso do Brasil com as instituições internacionais e reforça a defesa das regras que orientam o comércio global, mesmo diante das limitações atuais do mecanismo.

Governo Lula aposta no multilateralismo

O acionamento da OMC integra uma estratégia mais ampla adotada pelo governo Lula desde o início da escalada comercial promovida pelos Estados Unidos.

Após o anúncio das novas tarifas, o Palácio do Planalto informou que utilizaria todos os instrumentos disponíveis para responder às medidas norte-americanas. Entre eles está a Lei da Reciprocidade, aprovada para permitir respostas comerciais proporcionais quando parceiros internacionais adotarem restrições consideradas discriminatórias contra produtos brasileiros.

Além das iniciativas internas, o governo decidiu recorrer às instituições multilaterais para contestar juridicamente as sobretaxas impostas por Washington.

A decisão reafirma uma diretriz da política externa brasileira de privilegiar mecanismos internacionais de negociação e solução de conflitos em vez da adoção imediata de medidas unilaterais de retaliação.

OMC tem atuação reduzida por políticas de Trump

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Documento revela ainda que Washington pretendia obter uma abertura praticamente irrestrita do mercado brasileiro. Foto: Divulgação/Casa Branca

Embora o pedido de consultas represente um passo formal na disputa, integrantes da diplomacia brasileira avaliam que as chances de uma solução definitiva por meio da OMC são reduzidas nas atuais circunstâncias. O principal motivo é a paralisação do Órgão de Apelação da entidade, responsável por revisar decisões dos painéis de especialistas.

O mecanismo deixou de funcionar em 2019, quando o governo Trump, ainda em seu primeiro mandato, bloqueou a nomeação de novos juízes. Desde então, diversos processos permanecem sem conclusão definitiva, já que qualquer decisão pode ser objeto de recurso para um órgão que não está em funcionamento.

Mesmo diante desse cenário, o governo brasileiro considera que recorrer ao sistema multilateral possui importância política e diplomática. A iniciativa registra oficialmente a posição do Brasil diante das medidas adotadas pelos Estados Unidos e reforça a defesa das regras que orientam o comércio internacional.

Histórico do tarifaço de Trump em 2026

A primeira tarifa contestada pelo Brasil foi anunciada em 15 de julho, após investigação conduzida pelo governo norte-americano sobre políticas brasileiras relacionadas ao comércio digital, ao sistema de pagamentos Pix, à proteção da propriedade intelectual, ao acesso ao mercado de etanol e a temas ambientais.

Dias depois, em 23 de julho, Washington anunciou uma nova sobretaxa de 12,5%, desta vez justificando a decisão por supostas falhas de diversos países no combate ao trabalho forçado em cadeias produtivas internacionais.

Para o governo brasileiro, nenhuma das justificativas apresentadas pelos Estados Unidos sustenta a adoção das medidas. O entendimento é de que as tarifas possuem caráter unilateral e desrespeitam compromissos assumidos pelos próprios norte-americanos perante a OMC.

O aumento das barreiras comerciais ocorre em um momento de mudanças no cenário internacional, marcado pela intensificação de disputas econômicas entre grandes potências e pela retomada de políticas protecionistas em diferentes regiões do mundo.

FUP repudia violência contra Manuela D’Àvila

O Coletivo Nacional de Mulheres Petroleiras da Federação Única dos Petroleiros (FUP) manifesta seu mais firme repúdio ao ato de violência política de gênero praticado pelo candidato bolsonarista ao Governo do Rio Grande do Sul, Zucco, que exibiu um adesivo com o rosto da candidata ao Senado Manuela D’Ávila (PSOL-RS) riscado em vermelho, como se ela fosse um alvo.

Não se trata de uma provocação, de uma divergência política ou de uma “brincadeira” de campanha. Trata-se de um gesto carregado de ódio, que busca intimidar, silenciar e ameaçar mulheres que ocupam espaços de poder e de decisão. Transformar o rosto de uma mulher em alvo é um símbolo de violência que extrapola os limites da disputa política e atinge diretamente a democracia.

Nós, mulheres petroleiras, conhecemos de perto o peso da misoginia. Sabemos o que significa atuar em ambientes historicamente masculinos, enfrentar o questionamento permanente de nossa capacidade e lutar diariamente para que nossa voz seja respeitada. A violência dirigida à Manuela D’Ávila atinge todas as mulheres que ousam ocupar espaços historicamente negados a nós.

“Não admitimos que o ódio contra as mulheres seja tratado como estratégia política. Exibir o rosto de uma mulher como um alvo incentiva a violência, legitima a misoginia e afronta a democracia. Nossa solidariedade a Manuela D’Ávila é também um compromisso com todas as mulheres que enfrentam, diariamente, a violência por ousarem existir, liderar e participar da vida pública”, afirma a coordenadora do Coletivo Nacional de Mulheres Petroleiras e diretora da FUP, Nalva Faleiro.

“A violência política de gênero é uma tentativa de impor o medo e afastar as mulheres dos espaços de decisão. Não aceitaremos que esse tipo de prática seja naturalizado ou utilizado como instrumento de disputa eleitoral.   Seguiremos denunciando toda forma de violência, misoginia e intolerância. Nenhuma mulher deve ser transformada em alvo por exercer seu direito de existir, de se posicionar e de disputar os rumos do nosso país”, ressaltou a coordenadora-geral da FUP, Cibele Vieira.

Com Federação Única dos Petroleiros.

Unesco reconhece Teatros da Amazônia como Patrimônio Mundial Cultural

O Theatro da Paz, em Belém (PA), e o Teatro Amazonas, em Manaus (AM), receberam o título de Patrimônio Mundial Cultural da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). A candidatura conjunta foi aprovada na madrugada desta segunda-feira (27).

Inaugurados no final do século XIX, quando a Amazônia vivia um intenso desenvolvimento econômico em função da extração do látex e comercialização da borracha, os dois teatros reúnem estruturas com materiais europeus e propósitos culturais similares, embora 18 anos separem a inauguração das duas casas.

Pela proximidade histórica, a candidatura dos dois espaços culturais foi apresentada em conjunto, sob a designação de Teatros da Amazônia. 

Patrimônios brasileiros

A inscrição é a 26ª inserção de bens culturais, naturais ou mistos brasileiros na lista internacional da Unesco.

Também receberam esse reconhecimento as cidades Brasília e Ouro Preto,  centros históricos como os de Salvador e São Luís, bens naturais como o Complexo de Conservação da Amazônia Central e bens mistos como as culturas e biodiversidades de Paraty e Ilha Grande.

Theatro da Paz

Localizado em Belém, capital do Pará, o Theatro da Paz foi inaugurado em 1878, a partir do projeto arquitetônico do engenheiro José Tibúrcio Pereira Magalhães. Sua principal inspiração foi o Teatro alla Scala, de Milão, na Itália.

A construção se deu entre os anos de 1869 e 1874, mas, devido a denúncias envolvendo custos e governos, o espaço cultural só pôde ser inaugurado ao final do inquérito que investigava as irregularidades.

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Theatro da Paz recebeu o TEDx Amazônia em 2025. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Em termos arquitetônicos, foi concebido para misturar o estilo neoclássico com elementos amazônicos, em uma estrutura pensada para ser um teatro de ópera, com a presença de um fosso para a orquestra capaz de permitir uma perfeita equalização da música tocada ao vivo com a voz dos cantores da ópera.

Passou por reformas para corrigir problemas estruturais para aproximar mais o projeto inicial ao estilo neoclássico e a inserção de uma caixa d´água de 40 mil litros abaixo do fosso, que servia tanto para abastecer o sistema de resfriamento do local como para melhorar a acústica da sala de espetáculos..

É considerado o primeiro teatro de ópera da Amazônia e um dos primeiros teatros líricos do Brasil. Tem o título de teatro-monumento e patrimônio histórico, dado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Teatro Amazonas

Inaugurado em 1896, no Centro Histórico de Manaus, o Teatro Amazonas partiu do projeto arquitetônico do deputado provincial Antônio José Fernandes Júnior, escolhido pelo Gabinete Português de Engenharia e Arquitetura de Lisboa, em 1883.

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Teatro Amazonas. Foto: Arquivo/Marcelo Camargo/Agência Brasil

O projeto também demorou a sair do papel devido aos altos custos da obra e a um impasse sobre o terreno escolhido para abrigar o espaço cultural. O trabalho de construção foi coordenado pelo arquiteto italiano Celestial Sacardim.

O teatro tem estilo arquitetônico renascentista e a maior parte do material usado em sua estrutura foi importado da Europa. A exemplo das 36 mil peças nas cores da bandeira brasileira, importadas da Alsácia, na França, para compor a cúpula central no topo do prédio.

Internamente, o decorador pernambucano Crispim Amaral optou pelo uso de elementos neoclássicos associados a outros estilos, atribuindo uma arquitetura eclética ao local. O italiano Domenico de Angelis foi responsável pela decoração do Salão Nobre, inclusive pelo afresco denominado A Glorificação das Bellas Artes na Amazônia.

O Teatro Amazonas preserva até os dias de hoje grande parte dos elementos arquitetônicos e a decoração original e é tombado pelo Iphan como Patrimônio Histórico Nacional desde 1966.

Por Fabíola Sinimbú – Repórter da Agência Brasil