Agora
Da Redação
Distribuição de energia elétrica recebe investimento de R$ 130 bilhões
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, anunciam investimentos de R$ 130 bilhões para a melhoria da distribuição de energia elétrica no país até 2030. O anúncio foi realizado durante o evento Sente a Energia, em Brasília. Os contratos de renovação contemplam 16 distribuidoras de energia que atuam em 13 estados brasileiros. Leia em TVT News.
Presidente Lula anuncia R$ 130 bilhões em investimentos para modernizar distribuição de energia elétrica no país
Durante o evento Sente a Energia, foram assinados 14 contratos. Outros dois, que contemplam Pernambuco e Espírito Santo, já foram renovados no primeiro trimestre, totalizando os R$ 130 bilhões para os 13 estados. A expectativa é de que sejam gerados mais de 100 mil empregos e que sejam capacitados 30 mil profissionais.
“Hoje, damos um passo histórico para transformar a distribuição de energia elétrica no Brasil com o anúncio de R$ 130 bilhões em investimentos até 2030, a maior rodada de renovação de concessões da história. Estamos alcançando 13 estados, gerando mais de 100 mil empregos e capacitando 30 mil profissionais. Os novos contratos trazem diretrizes que colocam o consumidor no centro das decisões, garantindo mais qualidade, eficiência e respeito no atendimento”, afirmou o ministro Alexandre Silveira.
“Estamos afirmando que bairros mais pobres terão o mesmo padrão de serviço que os bairros mais ricos e, acima de tudo, que o Brasil passa a ter instrumentos mais firmes para responsabilizar distribuidoras que não cumprirem seus compromissos com a população”, explicou o ministro.
A renovação acontece a partir do Decreto nº 12.068/2024, que regulamentou a licitação e a prorrogação das concessões de distribuição de energia elétrica e estabeleceu, ao todo, 17 diretrizes para a modernização das concessões de serviço público de distribuição de energia elétrica no país, implementando novas exigências e critérios de qualidade que são essenciais para a melhoria da qualidade de vida da população brasileira.

Os antigos contratos, firmados no final da década de 90, eram considerados pouco exigentes com relação aos critérios de qualidade no fornecimento de energia elétrica para os consumidores brasileiros. Agora, as distribuidoras se comprometeram a seguir todas as 17 diretrizes estabelecidas no Decreto.
Satisfação do consumidor de energia elétrica
Entre as principais mudanças previstas estão a inclusão da satisfação do consumidor como indicador de desempenho das distribuidoras, a obrigatoriedade de melhoria contínua da qualidade do fornecimento e a definição de metas para recomposição do serviço após eventos climáticos extremos.
O novo modelo também prevê maior fiscalização dos investimentos pelos órgãos responsáveis, ampliação da qualidade do atendimento em áreas rurais e fortalecimento da infraestrutura destinada à agricultura familiar. Além disso, as concessionárias deverão comprovar anualmente sua capacidade financeira e operacional, bem como adotar medidas de digitalização das redes elétricas, proteção de dados dos consumidores e regularização do compartilhamento de postes entre redes de energia e telecomunicações.
Energia como vetor de desenvolvimento social
Lula e Silveira também assinaram a atualização do Decreto nº 11.628/2023, que moderniza o Programa Luz para Todos (LPT) e amplia o alcance para mais de 233 mil novas famílias. O objetivo é promover o uso produtivo da energia, voltado à geração de renda e ao fortalecimento de cadeias locais, com novos critérios técnicos e monitoramento de resultados. Essas mudanças são fundamentais para o atendimento de famílias que vivem em regiões remotas da Amazônia e que têm na bioeconomia uma importante fonte de renda familiar.
“Com a ampliação, as famílias poderão receber equipamentos mais robustos para gerar renda própria. É mais valor agregado para a produção nas comunidades locais que vai beneficiar milhares de famílias que vivem em regiões remotas na Amazônia e que têm na bioeconomia uma importante fonte de sustento. Na mesma direção, estamos incorporando no Luz para Todos as cozinhas comunitárias, que trarão segurança alimentar para quem mais precisa”, ressaltou.
A atualização do Programa também fortalece o alcance social da política pública, com prioridade para mulheres chefes de família, comunidades que necessitam de infraestrutura voltada à segurança alimentar, conectividade e acesso à água, e famílias em situação de vulnerabilidade.
Conheça a série Energia Brasil, sobre transição energética
A série Energia Brasil percorre diferentes regiões do país para mostrar como as políticas públicas de energia estão transformando a economia e a vida das pessoas. A partir de histórias reais, entrevistas com especialistas, trabalhadores e beneficiários de programas sociais, a série apresenta os caminhos da transição energética brasileira: um processo que combina inovação, desenvolvimento econômico, inclusão social e sustentabilidade.
O primeiro episódio apresenta o panorama da transição energética no Brasil e os principais marcos institucionais que estruturam esse processo. A criação da Política Nacional de Transição Energética (PNTE) organiza estratégias para expandir fontes limpas, atrair investimentos e gerar empregos, consolidando o país como protagonista global em energia sustentável.
Como serão os investimentos nos 13 estados
SÃO PAULO
Quantidade de unidades consumidoras: 11,9 milhões
Benefícios para a população:
• Em Ilhabela, a implantação de uma nova subestação combinada com uma linha de transmissão subterrânea e subaquática representa uma solução moderna que equilibra desenvolvimento e preservação ambiental, garantindo energia segura sem comprometer a paisagem natural de um dos principais destinos turísticos do país.
• Em São José dos Campos, o uso de QR Code e a parceria com prefeituras mostram como tecnologia e gestão local podem trabalhar juntas para prevenir acidentes e melhorar o manejo da vegetação próxima à rede elétrica.
• O projeto B-SMART simboliza um salto de inovação: a substituição de medidores tradicionais por inteligentes permite mais eficiência, redução de perdas e um serviço mais transparente para o consumidor.
BAHIA
Quantidade de unidades consumidoras: 6,4 milhões.
Benefícios para a população:
• Reforço da infraestrutura elétrica. Investimentos robustos para duplicar a capacidade instalada da região.
• O litoral da Bahia receberá um conjunto estratégico de obras na rede elétrica para garantir algo essencial: energia de qualidade e confiável em todos os momentos. O projeto contempla a implantação de 18 novas subestações e a modernização e ampliação de outras 10 unidades, com incorporação de tecnologias avançadas e automação. Essas melhorias reforçam a qualidade e a continuidade do fornecimento de energia para os cerca de 2,9 milhões de clientes da região e para os mais 10 milhões de visitantes que passam todo ano pelo litoral do estado.
• Reforço no Sistema Elétrico do Circuito do Carnaval de Salvador. Serão executadas cerca de 20 km de obras de modernização e implantação de rede subterrânea nos circuitos e em áreas adjacentes para assegurar a segurança e confiabilidade dos foliões do maior Carnaval de trio elétrico do mundo.
RIO DE GRANDE DO NORTE
Quantidade de unidades consumidoras: 1,6 milhão.
Benefícios para a população:
• O Litoral Norte ganhará a nova Subestação Estivas e a linha de distribuição João Câmara II–Zabelê.
• Todo o corredor turístico de Muriú, Pitangui e São Miguel do Gostoso receberá energia robusta para expansão imobiliária, veraneio e turismo.
• Na região Oeste do Estado, ampliação da capacidade de atendimento a áreas com atividades de irrigação e produção de petróleo.
• O Litoral Sul terá a nova Subestação Tabatinga que levará energia reforçada para Nísia Floresta, Parnamirim e São José de Mipibu, que é uma região de forte apelo turístico, com praias procuradas no Réveillon, Carnaval, hotéis, condomínios e expansão imobiliária.
PARAÍBA
Quantidade de unidades consumidoras: 1,5 milhão.
Benefícios para a população:
• A Paraíba receberá investimentos para expandir a rede elétrica, com mais de 250 mil novas ligações, garantindo energia para o crescimento econômico e melhoria da qualidade de vida. Um destaque importante são as ligações para as moradias do Minha Casa, Minha Vida, que beneficiarão diretamente cerca de 8 mil famílias nos próximos dois anos.
• Na Região Metropolitana de João Pessoa, impulsionada pelo turismo, serão construídos 27 km de linhas e 3 subestações, aumentando a confiabilidade do sistema. • Já no Sertão, com crescimento populacional e geração de energia, serão construídas subestações e 66 km de linhas, ampliando o atendimento e o escoamento da energia.
MATO GROSSO DO SUL
Quantidade de unidades consumidoras: 1,1 milhão.
Benefícios para a população:
• Modernização e expansão da rede elétrica em Mato Grosso do Sul, garantindo um sistema mais confiável e preparado para o crescimento na construção e ampliação de subestações e construção de novas linhas.
• As ações incluem novas subestações, ampliações e linhas de energia em regiões estratégicas como Dourados, Campo Grande e Corumbá, acompanhando o avanço do agronegócio, da indústria e do setor imobiliário.
• Essas obras impulsionam diretamente a produção de cana-de-açúcar, grãos e frutas, garantindo mais segurança para o agricultor, mais estabilidade para a produção e melhores condições para gerar renda e sustentar as famílias.
• A implantação das novas subestações e as ampliações da rede irão beneficiar diretamente 321 mil pessoas e 84 assentamentos em todo o estado.
MATO GROSSO
Quantidade de unidades consumidoras: 1,6 milhão
Benefícios para a população:
• Serão construídas 19 novas subestações e 14.102 km de rede de média tensão e 1.758 km de redes de baixa tensão que levarão energia pela primeira vez para 315 mil famílias, negócios e propriedades rurais, cortando cidades, distritos e comunidades rurais, atendendo importantes regiões como: Pantanal, Xingu, Araguaia e a Amazônia Legal Mato-Grossense.
• Os projetos também beneficiarão a região de Sinop/Sorriso ao apoiar a expansão do agronegócio (especialmente soja e milho).
SERGIPE
Quantidade de unidades consumidoras: 815 mil
Benefícios para a população:
• Destaque para construção de 106 km de linhas de alta tensão na região da Bacia Leiteira, fortalecendo a produção e a competitividade local.
• Ao todo, os investimentos irão ampliar e fortalecer a rede de distribuição nos 63 municípios, garantindo estrutura para o crescimento do estado, impulsionando novos negócios e permitindo a ligação de mais de 103 mil novos clientes.
• No Agreste, uma nova subestação e ampliações da rede, beneficiando mais de 40 mil clientes e melhorando a qualidade do fornecimento.
RIO GRANDE DO SUL
Quantidade de unidades consumidoras: 3 milhões.
Benefícios para a população:
• Destaca-se a construção da Linha de Distribuição Bom Princípio visa viabilizar o atendimento elétrico à Região do Vale dos Sinos, beneficiando cerca de 960 mil habitantes dessa Região, além de dar suporte à outras subestações que possuem vulnerabilidade estrutural e são pontos críticos da distribuidora.
• Construção de novas subestações que beneficiarão 28 mil clientes em 4 municípios do estado, fortalecendo o agronegócio da região.

PARÁ
Quantidade de unidades consumidoras: 2,6 milhões.
Benefícios para a população:
• Linha de distribuição Tucuruí (RB) – Parada do Bento 138 kV (2º Circuito). O projeto é essencial para reduzir o carregamento da linha existente, que opera atualmente com restrições severas.
• O projeto melhora a estabilidade de tensão, sustenta o forte crescimento da carga e é estratégico para o atendimento da região do Marajó. Deve beneficiar 650 mil habitantes, com 134 km de linha e ampliação de 212 MVA.
MARANHÃO
Quantidade de unidades consumidoras: 7 milhões.
Benefícios para a população:
• O Projeto Serra do Penitente irá oferecer maior resiliência e aprimorar a qualidade do suprimento elétrico da região, atendendo o crescimento do mercado, além de garantir o atendimento ao mercado vegetativo diante do crescimento exponencial de novas cargas e possibilitar a liberação imediata de cargas prospectadas na região do sul maranhense.
• Investimentos em 15 subestações para ampliar a capacidade de atendimento e tornam o fornecimento de energia mais estável e confiável em mais de 65 municípios
RIO DE JANEIRO
Quantidade de unidades consumidoras: 4,3 milhões.
Benefícios para a população:
• Expansão e modernização das redes de distribuição para garantir a melhoria contínua da qualidade do fornecimento nos municípios de Seropédica e Paracambi. • Investimento para a construção da Linha de transmissão 108, que visa elevar a confiabilidade do atendimento elétrico da Ilha do Governador.
• Projeto-piloto de Cidade Inteligente (Smart Ilha), voltado à modernização e digitalização das redes elétricas da Ilha do Governador.
Dia das mães: mulheres realizam 75% do trabalho não remunerado do mundo
Dia das mães está chegando… Vamos falar sobre economia do cuidado e do trabalho não remunerado?
De acordo com pesquisa da ONG Think Olga, mulheres brasileiras dedicam, em média, 21 horas semanais a tarefas domésticas e de cuidado não remuneradas, equivalente a mais de 1.100 horas por ano. Já o IBGE aponta que elas gastam quase 10 horas a mais por semana que os homens nessas atividades. No mundo, mulheres realizam 75% do trabalho não remunerado. Leia em TVT News.
O trabalho de cuidado, que compreende a manutenção do domicílio e a assistência a filhos, idosos, pessoas doentes ou com deficiência, é um pilar estruturante das sociedades. Essa atividade, realizada majoritarimente por mulheres, no entanto, permanece invisibilizada. De acordo com o relatório “Tempo de Cuidar”, publicado pela organização global Oxfam, as mulheres realizam mais de três quartos de todo o trabalho de cuidado não remunerado no planeta.
Os dados globais indicam que esse esforço equivale a 12,5 bilhões de horas trabalhadas todos os dias sem qualquer contrapartida financeira. Quanto dinheiro essas horas trabalhadas ajudaram a movimentar?
O papel das mães no cotidiano familiar
Dentro dessa estrutura de tarefas não pagas, a figura das mães aparece como o ponto central de referência para o funcionamento do núcleo familiar. Mesmo em casos em que existe uma rede de apoio ou a presença de outros responsáveis, as mães costumam deter a carga mental e a responsabilidade primária pela saúde e bem-estar dos dependentes.

A prática cotidiana revela que, em muitas famílias, as mães são as principais guardiãs de informações médicas e escolares. Quando há necessidade de uma consulta ao pediatra, administração de medicamentos ou acompanhamento de sintomas, o sistema familiar frequentemente depende da memória e da organização materna. Em situações em que outros membros da família assumem o cuidado direto, é comum a necessidade de buscar instruções prévias com as mães sobre dosagens, horários e histórico clínico, evidenciando que a gestão do cuidado não é compartilhada de maneira equânime.
Desigualdade social
O relatório da Oxfam relaciona o trabalho de cuidado não remunerado à manutenção da desigualdade social e à concentração de riqueza. Enquanto 2.153 bilionários detêm mais dinheiro do que os 4,6 bilhões de pessoas mais pobres do mundo, o sistema econômico atual depende da retaguarda oferecida por cuidadoras, faxineiras e enfermeiras. Estas profissionais, além de lidarem com a carga doméstica em seus próprios lares, no mercado de trabalho são frequentemente mal pagas e possuem poucos benefícios.
A subestimação desse trabalho é visível no suporte que ele oferece ao desenvolvimento nacional. O trabalho de cuidado possibilita que outros indivíduos, muitas vezes em posições de liderança e alta remuneração, tenham a tranquilidade necessária para desempenhar suas funções e tomar decisões. Sem a infraestrutura de apoio doméstico e familiar garantida pelas mulheres, a dinâmica produtiva tradicional sofreria interrupções severas.
Envelhecimento populacional: quem cuidará dos nossos idosos?
A demanda por cuidados deve sofrer um aumento significativo nos próximos anos, impulsionada pelo envelhecimento da população e pelo crescimento demográfico. Estima-se que, até 2030, cerca de 2,3 bilhões de pessoas no mundo precisarão de assistência, um crescimento de 200 milhões de indivíduos em relação a 2015.
No Brasil, as projeções do IBGE indicam que, em 2050, aproximadamente 77 milhões de pessoas dependerão de cuidados. Esse número representa pouco mais de um terço da população estimada para o período, englobando crianças e idosos que demandarão mãos amparadoras para lidar com as privações naturais do corpo envelhecido ou com as necessidades do desenvolvimento infantil.
A artista visual Camila Silva desenvolveu um mini doc sobre a realidade de sua família. A história gira em torno do cuidado que filhas e netas tem com a anciã da família. Luciana, uma professora aposentada de 56 anos, e Thelma, que tem 50 anos e trabalha em uma empresa de internet e também faz uma graduação, revezam turnos de cuidado da mãe, que tem 87 anos.
“Tem que verificar se ela está comendo, incentivar ela a comer, dar as medicações, orientar ela no banho, separar as roupas que ela vai colocar. Precisa ficar de olho nas coisas que ela está fazendo, dar bastante atenção para ela, conversar, tem que relevar, orientar, levar na bricnadeira alçgumas coisas, lavo cozinho para ela. (…) Você tem que ter um processo muiotas vezes de convencimento para que ela faça alguma coisa…”, conta Luciana em documentário sobre o seu trabalho de cuidado com a mãe.
“Nos dias em que eu estou cuidando da minha mãe eu chego cedo na casa dela, eu preparo o café e quando ela acorda o café já está na mesa. Ela toma o cafézinho dela e em seguiuda os remédios. Também é necessário fazer o almoço dela e garantir que ela coma tudo”, contou Thelma.
A dedicação exaustiva a tarefas de manutenção da vida sem o devido reconhecimento financeiro ou social gera impactos profundos na saúde das trabalhadoras. O relatório da Oxfam destaca que as cuidadoras enfrentam frequentemente problemas físicos e emocionais decorrentes de jornadas extensas e horários irregulares.
A falta de benefícios e a baixa remuneração no setor formal do cuidado, somadas às horas de trabalho gratuito no setor informal (doméstico), impedem que muitas mulheres, especialmente as mães, tenham tempo disponível para o aperfeiçoamento profissional, lazer ou autocuidado. Essa estrutura perpetua um ciclo de desigualdade em que o tempo dedicado ao bem-estar alheio limita as oportunidades de ascensão socioeconômica de quem cuida.
Historiadora aborda a importância do trabalho doméstico em movimentos de resistência a ditadura
Mesmo que o trabalho doméstico seja fundamental para a estruturação das sociedades, raramente ele é abordado em estudos históricos. Rafaela Bastos, mestranda em História pela Unifesp, pesquisa sobre o trabalho doméstico em organizações de resistência a ditadura militar, como a VPR.
Em seu estudo “Pilotando o fogão e o tanque: Dinâmicas de trabalho doméstico na Vanguarda
Popular Revolucionária (1968-1971)”, Bastos usa a Teoria da Reprodução Social (TRS) para argumentar que o trabalho doméstico é a base invisível que sustenta a produção e manutenção da força de trabalho, sendo, portanto, essencial para a organização de qualquer sociedade.
No contexto da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), esse trabalho foi o que permitiu a sobrevivência e a atuação militar dos guerrilheiros homens. Historiadores ignoraram essa questão por décadas porque as memórias sobre a Ditadura Militar foram hegemonizadas por depoimentos de militantes intelectuais, geralmente oriundos do movimento estudantil ou artístico.
Essa perspectiva privilegiou as ações armadas e discussões teóricas, deixando de lado o cotidiano e os trabalhadores que garantiam a infraestrutura. Segundo a autora, a historiografia focou no “extraordinário” e negligenciou o “ordinário”, resultando em um silêncio sobre como a divisão sexual do trabalho se manteve viva dentro das organizações revolucionárias.
Bastos contou à TVT que, no mestrado, está organizando a vida de duas mulheres em específico envolvidas com a VPR que exerceram funções de trabalho doméstico para a organização:
“Atamilca Ortiz Novaes era uma mulher indígena. Ela foi esposa do Walter Ribeiro Novaes, um militante da VPR responsável pela infraestrutura. (…) Já Tereza Ângelo foi uma militante da VPR, que militou ao lado de seu compalheiro, Gerson Theodoro, que participou da expropriação do embaixador da Alemanha e no final da organização chegou a ocupar um cargo de dirigente”.
Fuvest 2027: pedidos de isenção e redução da taxa de inscrição começam em 11 de maio
A FUVEST abre, às 12h de 11 de maio, o período para solicitação de isenção ou redução da taxa de inscrição do Vestibular 2027 da USP. Os pedidos deverão ser realizados exclusivamente on-line, no site da fundação, até as 12h de 10 de julho. Saiba os detalhes na TVT News.
A fundação recomenda que os candidatos consultem previamente o regulamento e organizem a documentação necessária com antecedência para evitar problemas no envio das solicitações.
Neste ano, uma das novidades é a concessão de isenção integral da taxa de inscrição para estudantes vinculados a cursinhos populares mantidos por entidades estudantis das unidades USP, independentemente da renda familiar, desde que a condição seja devidamente comprovada.
Também terão direito à isenção total os candidatos com renda pessoal bruta ou renda bruta familiar per capita de até R$ 2.431,50. Já aqueles com renda pessoal bruta ou renda bruta familiar per capita de até R$ 4.863,00 poderão solicitar redução de 50% da taxa de inscrição, desde que atendam aos critérios estabelecidos no regulamento.
Além da comprovação de renda, os candidatos deverão demonstrar vínculo com a rede pública de ensino e escolas gratuitas, enquadrando-se em uma das seguintes condições:
- Toda a rede pública de ensino do Brasil.
- Escolas de educação gratuita.
- Sistema do SESI, SENAI e SENAC.
- Escolas privadas, com bolsa integral ou superior a 50%.
Resultado e recursos
O resultado dos pedidos será divulgado individualmente na Área do Candidato a partir das 12h de 3 de agosto. Aqueles que desejarem contestar o resultado poderão apresentar recurso entre as 12h de 3 de agosto e as 12h de 7 de agosto. A decisão final será divulgada em 17 de agosto.
Guia de Inclusão da Fuvest
Na semana passada, a FUVEST lançou o Guia de Inclusão do Vestibular 2027, documento que reúne informações sobre recursos de acessibilidade, atendimento especializado e políticas de inclusão disponíveis durante o processo seletivo.
O material apresenta orientações para candidatos com deficiência visual e auditiva, transtorno do espectro autista, dislexia, TDAH e outras condições que demandem atendimento específico durante as provas.
Outro ponto central do documento é a explicação das políticas de ações afirmativas adotadas pela USP. Atualmente, 50% das vagas são destinadas a estudantes oriundos de escolas públicas, sendo parte delas reservada a pessoas pretas, pardas e indígenas, como forma de ampliar o acesso e reduzir desigualdades históricas. O guia também orienta sobre o uso do nome social, assegurando o respeito à identidade de gênero das pessoas candidatas em todas as etapas do vestibular.
Mais informações e acesso ao guia estão disponíveis no site oficial da FUVEST: https://www.fuvest.br/vestibular-da-usp
Paraná confirma dois casos de hantavírus e investiga outros 11
O estado do Paraná confirmou dois casos de hantavírus e mantém outros 11 sob investigação, segundo informações divulgadas nesta sexta-feira (8) pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). De acordo com o governo estadual, os registros confirmados envolvem moradores dos municípios de Pérola d’Oeste, no Sudoeste do estado, e Ponta Grossa, nos Campos Gerais. Além disso, outras 21 notificações já foram descartadas pelas autoridades sanitárias. Saiba mais na TVT News.
Os pacientes diagnosticados são um homem de 34 anos, residente em Pérola d’Oeste, e uma mulher de 28 anos, moradora de Ponta Grossa. A secretaria informou que ambos recebem acompanhamento e reiterou que a situação está sob controle no estado, sem registro de óbitos relacionados à doença neste ano.
Em nota, o secretário estadual da Saúde, César Neves, afirmou que a rede pública está preparada para identificar e responder rapidamente a novos casos suspeitos. Segundo ele, a hantavirose é monitorada de forma permanente pelos órgãos de vigilância em saúde.
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“A hantavirose é uma doença monitorada rigorosamente pela Divisão de Vigilância de Zoonoses e Intoxicações da Sesa. Estamos acompanhando de perto e garantimos que os profissionais de saúde estão capacitados para identificar e tratar com rapidez qualquer suspeita da doença”, declarou.
O caso de Pérola d’Oeste chama atenção também pela proximidade geográfica com a Argentina, país que vem registrando aumento expressivo das infecções por hantavírus. Dados divulgados pelas autoridades sanitárias argentinas apontam 101 casos desde junho de 2025, quase o dobro do mesmo período anterior.
No caso de Ponta Grossa, a Secretaria Municipal de Saúde informou que a paciente provavelmente foi contaminada em outro município, que não teve o nome revelado. A investigação epidemiológica segue em andamento para identificar circunstâncias e local provável de infecção.
Em 2025, o Paraná havia confirmado apenas um caso da doença, no município de Cruz Machado. O histórico recente, segundo a Sesa, demonstra que a enfermidade permanece rara no estado, embora exija vigilância constante por seu potencial de gravidade.
A confirmação dos casos ocorre em meio à repercussão internacional sobre mortes relacionadas ao hantavírus em um cruzeiro que partiu da Argentina com destino a Cabo Verde. Pelo menos três passageiros morreram durante a viagem, levando a Organização Mundial da Saúde (OMS) a divulgar informações públicas sobre a doença. Apesar disso, autoridades paranaenses reforçaram que os casos registrados no estado não têm qualquer relação com o episódio do navio.
Sintomas e riscos
Os sintomas iniciais da hantavirose costumam ser semelhantes aos de uma gripe forte, o que pode dificultar o diagnóstico precoce. Entre os sinais mais frequentes estão febre, dores no corpo, dor de cabeça, mal-estar e sintomas gastrointestinais, como náusea e vômitos.
Nos casos mais graves, a infecção pode evoluir para a chamada síndrome cardiopulmonar por hantavírus, provocando falta de ar, tosse seca, queda de pressão arterial e insuficiência respiratória aguda.
Ao g1, a infectologista Gabriela Gehring explicou que nem todas as pessoas contaminadas desenvolvem quadros severos, mas a possibilidade de agravamento exige atenção médica rápida.
“Assim como outros vírus, nem todos os casos evoluem para formas graves. Algumas pessoas apresentam sintomas inespecíficos, enquanto outras podem desenvolver insuficiência respiratória”, afirmou.
Segundo especialistas, não existe medicamento específico para combater o hantavírus. O tratamento é baseado em suporte clínico e hospitalar, com monitoramento respiratório e cardiovascular, especialmente em unidades de maior complexidade quando necessário.
Prevenção
As autoridades de saúde orientam a população a redobrar cuidados, sobretudo em áreas rurais ou locais fechados que possam abrigar roedores silvestres. Entre as principais recomendações estão:
- manter terrenos e quintais limpos;
- evitar acúmulo de entulho e lixo;
- guardar alimentos em recipientes fechados;
- usar luvas e calçados fechados em limpezas;
- impedir acesso de roedores a depósitos e residências;
- evitar varrer locais fechados e empoeirados.
A recomendação técnica é realizar limpeza úmida em galpões, paióis, silos e depósitos, reduzindo a suspensão de poeira contaminada no ar.
Pessoas que apresentarem sintomas após contato com ambientes de risco devem procurar atendimento médico imediatamente.
O que é o hantavírus
O hantavírus é um grupo de vírus transmitido principalmente por roedores silvestres infectados. A infecção humana acontece, na maioria das vezes, pela inalação de partículas presentes na urina, fezes ou saliva desses animais, especialmente em locais fechados e pouco ventilados.
Nas Américas, a manifestação mais comum e preocupante é a síndrome cardiopulmonar por hantavírus, considerada grave e potencialmente fatal. O período de incubação geralmente varia de duas a quatro semanas.
Embora a transmissão entre humanos seja extremamente rara, alguns registros já foram associados à cepa Andes, identificada na América do Sul. De forma geral, a OMS considera baixo o risco de disseminação ampla da doença, mas recomenda vigilância contínua e medidas preventivas, especialmente em regiões onde há circulação do vírus entre roedores.
Em 2025, cerca de 18 milhões de famílias receberam auxílio do governo
Cerca de 18 milhões de famílias receberam dinheiro de algum programa do governo federal em 2025. Esse dado representa 22,7% dos mais de 79 milhões de domicílios do país.
Saiba mais na TVT News.
Em 2024, a proporção era maior, 23,6%. Já em 2019, último ano antes da pandemia de covid-19, 17,9% dos lares eram beneficiários de algum tipo de programa social.
Essa diferença representa a inclusão de 5,5 milhões de famílias abrangidas por programas de ajuda em seis anos.
As informações fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada nesta sexta-feira (8) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Rio de Janeiro.
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O IBGE considerou programas federais, como o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), que paga um salário mínimo por mês ao idoso com 65 anos ou mais ou à pessoa com deficiência de qualquer idade. Também foram incluídas ajudas assistenciais de estados e municípios.
A pesquisa mostra que de 2019 para 2020, ano da pandemia, houve aumento no número de beneficiados, ao alcançar 22,2 milhões de famílias – 31,4% dos domicílios. Nos anos seguintes, houve redução, mas sempre em nível superior ao pré-pandemia.
Veja a evolução dos números:
| Ano | Família beneficiadas |
| 2019 | 17,9% |
| 2020 | 31,4% |
| 2021 | 25% |
| 2022 | 20,7% |
| 2023 | 23% |
| 2024 | 23,6% |
| 2025 | 22,7% |
O analista do IBGE Gustavo Geaquinto Fontes explica que a redução na proporção de domicílios beneficiários dos programas sociais no último ano está relacionada ao mercado de trabalho aquecido.
“O aumento da renda do trabalho pode impactar em menor necessidade de parte das pessoas para que tenha renda mínima e não estaria mais contemplada por programas sociais.”
O especialista lembra que o nível de desemprego em 2025 foi o menor já registrado pela série histórica do IBGE, iniciada em 2012.
Valor do rendimento
De acordo com o levantamento, em 2025, o rendimento médio de programas sociais do governo era de R$ 870, pouco abaixo de 2024 (R$ 875). Já em relação a 2019 (R$ 508), o valor cresceu 71,3%, já descontada a inflação do período.
O instituto observa que, em decorrência da pandemia, a partir de 2020, governos aumentaram a abrangência dos programas sociais.
Na esfera federal, o principal deles, o Bolsa Família – que na gestão anterior recebeu nomes como Auxílio Emergencial e Auxílio Brasil – serviu de ajuda para pessoas que não puderam trabalhar e chegou ao valor mínimo de R$ 600, válido até os dias atuais.
Resultados
O resultado da Pnad ajuda a perceber que os programas sociais estão focados em famílias com menores rendimentos, sejam de trabalho ou outras fontes, como aposentadorias, pensões e seguro-desemprego.
Em 2025, o rendimento médio mensal por pessoa nos lares que recebiam algum tipo de ajuda era de R$ 886. Já nos domicílios não beneficiários, era mais que o triplo (R$ 2.787).
Ao discriminar qual a fonte de rendimento, a pesquisa comprova que o Bolsa Família é o de maior abrangência. De todos os lares do país, 17,2% tinham o cartão do Bolsa Família. O número representa 13,6 milhões de casas.
O critério inicial para uma pessoa ser beneficiária do Bolsa Família é ter renda mensal familiar de até R$ 218 por pessoa (valor que a família ganha por mês, dividido pelo número de pessoas).
O benefício base é de R$ 600, que pode ser aumentado em casos de haver criança e grávida na família, por exemplo.
O segundo programa social mais presente é o BPC, recebido por 5,3% dos domicílios. Outros programas sociais, incluindo os de estados e municípios, contemplaram 2,4% das famílias brasileiras.
Regiões
A presença de algum tipo de benefício reflete a desigualdade de renda regional. No Nordeste, 39,8% das famílias recebiam dinheiro de programa social. Isso representa quatro em cada dez. No Norte, eram 38,8%.
Já no Sul, eram apenas 10,8% dos domicílios. Em seguida aparecem o Sudeste (14,8%) e o Centro-Oeste (17%).
Em relação ao Bolsa Família, alguns estados do Norte e do Nordeste têm quase metade dos domicílios abrangidos pelo programa. Já o maior estado do país, São Paulo, e a região Sul são os que têm menor proporção de famílias beneficiárias.
Veja a lista das 10 unidades da Federação com maior proporção de domicílios atendidos pelo Bolsa Família:
- Pará: 46,1%
- Maranhão: 45,6%
- Piauí: 45,3%
- Alagoas: 41,7%
- Amazonas: 40,8%
- Ceará: 40,3%
- Paraíba: 40,2%
- Bahia: 38,7%
- Acre: 38,6%
- Pernambuco: 37,6%
Bruno de Freitas Moura – Repórter da Agência Brasil
Dieese lança jornada de debates pela redução da jornada e o fim da escala 6×1
Com o objetivo de fortalecer a mobilização pela redução da jornada de trabalho sem redução salarial e pelo fim da escala 6×1, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), com participação da CUT e demais centrais sindicais, lançou nesta quinta-feira (7), em São Paulo, a Jornada Nacional de Debates “Disputar a Renda, Reduzir a Jornada – o trabalho no centro do desenvolvimento”. Saiba mais na TVT News.
O evento de lançamento reuniu sindicalistas de várias centrais e sindicatos na sede do Dieese e contou com a apresentação de um estudo detalhado sobre o tema que traz informações e dados sobre o mercado de trabalho brasileiro, sob a ótica da jornada de trabalho e seus impactos aos trabalhadores e trabalhadoras.
Jornada de debates: a proposta é construir uma ampla campanha de mobilização social e sindical em defesa da aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas e estabelece o fim da escala 6×1. As atividades acontecerão em estados onde o Dieese possui escritórios regionais e combinarão debates, formação política, produção de conteúdo, articulação sindical e mobilizações populares.
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Segundo a coordenadora-técnica do Dieese, Adriana Marcolino, a Jornada Nacional foi organizada para fornecer instrumentos políticos, técnicos e de comunicação ao movimento sindical em um momento considerado decisivo para a tramitação da proposta no Congresso Nacional. A data prevista para a votação final no plenário do Congresso Nacional sobre o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho é o dia 27 de maio de 2026.
“A primeira preocupação da Jornada Nacional é colaborar com instrumentos, argumentos e dados para que o movimento sindical possa fazer essa luta”, afirmou Adriana durante o lançamento.

Ela explicou que a discussão sobre redução da jornada não pode ser tratada apenas como um debate sobre tempo de trabalho, mas como uma disputa direta sobre a riqueza produzida pela classe trabalhadora e apropriada pelo setor financeiro e pelos grandes grupos econômicos.
“A desigualdade de renda também está relacionada à jornada e à forma como os empregadores superexploram os trabalhadores com jornadas exaustivas”, disse.
Fim da escala 6×1: material de trabalho
Para subsidiar os debates e municiar o movimento sindical com argumentos sobre o tema, o Dieese preparou um estudo que traz dados, informações e conclusões sobre o mercado de trabalho. Adriana destacou, ao apresentar o estudo, que o cenário atual é marcado por aumento da intensidade do trabalho, ampliação da precarização e deterioração das condições de vida da população trabalhadora.
Ela explicou que o avanço das tecnologias e o crescimento da produtividade não foram convertidos em melhoria da qualidade de vida da classe trabalhadora. Pelo contrário, houve intensificação do ritmo de trabalho, maior controle sobre o tempo dos trabalhadores e expansão de modelos de contratação precários.
Ainda de acordo com Adriana, todos os subsídios servirão para fortalecer a atuação sindical nas redes sociais, nos locais de trabalho, nas categorias e junto à população. O objetivo é ampliar o alcance do debate e consolidar pressão social sobre os parlamentares.
Adriana também alertou para o curto prazo de tramitação da proposta no Congresso Nacional e ressaltou que as próximas semanas serão decisivas para garantir a aprovação da PEC.
“Temos um tempo muito curto para conseguir essa conquista”, afirmou.
Segundo ela, será necessária uma verdadeira força-tarefa nacional envolvendo sindicatos, movimentos sociais, dirigentes e trabalhadores para garantir pressão permanente sobre deputados e senadores.
Prazo curto
Vice-presidenta nacional da CUT e presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Juvandia Moreira afirmou que as próximas semanas serão decisivas para garantir a aprovação da proposta de redução da jornada de trabalho sem redução salarial e do fim da escala 6×1 e destacou que o movimento sindical terá pouco tempo para ampliar a pressão sobre o Congresso Nacional.
Ela alertou que o calendário já prevê votação do relatório no dia 26 de maio e apreciação da matéria no dia 27, o que exige mobilização intensa das centrais sindicais, sindicatos e movimentos sociais em todo o país. “É uma jornada rápida, curta e fundamental”, afirmou.
Juvandia ressaltou que a pauta avançou por conta da mobilização construída pelo movimento sindical nos últimos anos, incluindo o plebiscito popular realizado em 2025, que reuniu cerca de 2 milhões de assinaturas em defesa da redução da jornada e da taxação dos super-ricos e o papel do governo federal no avanço da pauta.

“A gente só tem essa pauta colocada nesse cenário nacional porque estamos no governo do presidente Lula”, declarou, reforçando que o governo apoiou a proposta e encaminhou o Projeto de Lei 1838/20267, em regime de urgência, permitindo que o debate avançasse no Congresso. Foi após esse inciativa que o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, decidiu dar andamento às PEC´s sobre o tema.
Por isso, para Juvandia, a reta final da tramitação exige presença permanente das entidades sindicais nas ruas, nas redes sociais e junto aos parlamentares, ela afirmou.
“É hora de mobilizar”, afirmou, defendendo ações conjuntas das centrais sindicais nos estados, atos públicos e pressão direta sobre deputados e senadores.
Apoio popular
Juvandia lembra que a pauta já conquistou apoio majoritário da população. Ela citou pesquisas que apontam cerca de 70% de apoio popular ao fim da escala 6×1 e afirmou que parlamentares já sentem o impacto político da discussão.
“Os deputados estão com medo também. Quem votar contra pode ter impacto grande na eleição”, declarou.
A dirigente rebateu ainda os argumentos do setor empresarial de que a redução da jornada provocaria desemprego ou fechamento de empresas. “É terrorismo”, afirmou. “Falaram a mesma coisa quando foi reduzido de 48 para 44 horas.”
Qualidade de vida
Em sua fala, além de ressaltar o impacto para as mulheres, a dirigente explicou reduzir a jornada significa ampliar tempo para descanso, convivência familiar, estudo, saúde e qualidade de vida, além de melhorar a produtividade e reduzir o absenteísmo, ou seja, ausências, atrasos ou saídas antecipadas de funcionários no trabalho.
Por que a redução é desenvolvimento
Durante o lançamento da Jornada Nacional, o Dieese apresentou estudo técnico que fundamenta a defesa da redução da jornada de trabalho como instrumento de desenvolvimento econômico e social.
Os dados apresentados mostram que o Brasil produz riqueza suficiente para reduzir a jornada sem reduzir salários.
Segundo o estudo, o país possui atualmente 102,9 milhões de pessoas ocupadas e um Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 10,9 trilhões. Apesar disso, a distribuição da renda produzida continua extremamente desigual.
O Dieese destacou que parte significativa dessa riqueza é apropriada pelo sistema financeiro ou remetida ao exterior.
Somente em 2025, o Brasil enviou US$ 44 bilhões em lucros e dividendos para fora do país.
Ao mesmo tempo, o endividamento das famílias brasileiras atingiu o recorde de 80,4%, demonstrando deterioração das condições de vida da população trabalhadora.
Durante a apresentação, Adriana Marcolino afirmou que o debate sobre redução da jornada está diretamente relacionado à disputa pela renda produzida no país.
Segundo ela, os ganhos de produtividade registrados nas últimas décadas não foram convertidos em melhoria proporcional das condições de vida da classe trabalhadora.
“O aumento da produtividade ficou concentrado no capital”, afirmou.
O estudo apresentado pelo Dieese também desmonta a tese patronal de que jornadas mais longas significam salários maiores.
Os dados revelam ainda que trabalhadores submetidos a jornadas entre 41 e 44 horas semanais recebem, em média, menos do que aqueles que trabalham exatamente 40 horas.
Os setores com maior incidência de jornadas superiores a 40 horas — como agropecuária, comércio e construção civil — também não são os setores de maiores salários.
Outro eixo importante da apresentação foi a relação entre jornada de trabalho e saúde. Os dados também mostram crescimento de 27% nos transtornos mentais relacionados ao trabalho, com incidência duas vezes maior entre mulheres.
Ainda segundo o levantamento, as mulheres acumulam, em média, 58 horas semanais entre trabalho remunerado e trabalho doméstico. Entre os homens, a soma chega a 50,6 horas.
O Dieese destacou ainda os impactos provocados pelo tempo excessivo de deslocamento.
Atualmente, cerca de 1,3 milhão de pessoas gastam mais de duas horas diárias apenas no trajeto entre casa e trabalho.
Durante a apresentação, Adriana ressaltou que produtividade não pode ser confundida com exploração intensiva da força de trabalho.
Audiências públicas e calendário de mobilização
O calendário de debates e mobilizações nos estados para discutir a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1 terá como datas:
- 07 de maio: Paraíba (Seminário), São Paulo e Distrito Federal (Mobilização).
- 12 de maio: Santa Catarina.
- 13 de maio: Bahia, Ceará, Mato Grosso do Sul e Paraná.
- 14 de maio: São Paulo (Seminário no Palácio do Trabalhador – Força Sindical, às 09h30), Espírito Santo, Rio de Janeiro e Sergipe.
- 15 de maio: Rio Grande do Sul (Seminário às 10h) e Pará.
- 16 de maio: Maranhão (Seminário).
- 19 de maio: Pernambuco e Rio Grande do Sul.
- 20 de maio: Rio Grande do Norte.
- 21 de maio: Belo Horizonte (Seminário às 10h).
- 22 de maio: Manaus (Seminário).
- 28 de maio: Paraíba.
Essas atividades fazem parte da Jornada Nacional de Debates e de seminários promovidos pelo DIEESE em conjunto com as centrais sindicais.
Durante a apresentação do cronograma da campanha, Adriana Marcolino destacou que o Congresso Nacional terá uma agenda intensa de debates e audiências públicas ao longo das próximas semanas.
Segundo ela, as audiências públicas da comissão especial que analisa a PEC 221/2019 (de autoria do deputado Reginaldo Lopes do PT-MG) e a PEC 8/2025 (de autoria da deputada Erika Hilton do Psol de SP) serão realizadas todas as terças e quartas-feiras até a votação final da proposta.
A orientação das centrais sindicais é manter presença permanente em Brasília durante todo o período de tramitação. O calendário apresentado durante o lançamento prevê:
- 12 de maio — debate sobre impactos econômicos, produtividade e financiamento;
- 13 de maio (manhã) — apresentação de experiências concretas de redução da jornada;
- 13 de maio (tarde) — diálogo social com movimentos e entidades;
- 18 de maio — audiência com representantes patronais;
- 19 de maio (manhã) — debate sobre mulheres, saúde e dupla jornada;
- 19 de maio (tarde) — participação das centrais sindicais e entidades de trabalhadores;
- 25 de maio — discussão sobre trabalho rural;
- 26 de maio — votação do parecer na comissão especial;
- 27 de maio — votação no plenário e mobilização nacional convocada pelas centrais sindicais.
Dieese: instrumento fundamental de luta
Presidente do Dieese, José Gonzaga afirmou que a Jornada Nacional de Debates faz parte da missão histórica da entidade de assessorar o movimento sindical brasileiro e contribuir para melhorar as condições de vida da classe trabalhadora.
“O Dieese tem a missão de educar, formar e indicar caminhos. E o caminho é a unidade, a solidariedade e estarmos juntos em defesa dos interesses dos trabalhadores”, afirmou.
Gonzaga destacou que o Dieese possui papel estratégico na produção de estudos, pesquisas e dados que subsidiam as lutas sindicais em todo o país.
Segundo ele, a entidade ajuda a transformar reivindicações históricas dos trabalhadores em propostas concretas, sustentadas tecnicamente e capazes de enfrentar os argumentos do setor patronal.
O dirigente afirmou que a redução da jornada possui potencial para gerar impactos positivos em diversas áreas da vida social.
“Redução da jornada significa mais saúde, mais tempo para estudar, mais tempo com a família, mais qualidade de vida e mais desenvolvimento”, afirmou.
Por André Accarini, da CUT Nacional

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