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Da Redação
Fim do futebol? Premier League restringe patrocínio de bets e clubes buscam novas fontes de receita
A Premier League iniciou uma nova fase em sua relação com as casas de apostas. Na atual temporada 2026/27, nenhum clube da primeira divisão inglesa pode exibir nome ou logotipo de uma empresa de apostas esportivas na parte frontal da camisa. A mudança foi aprovada voluntariamente pelos 20 clubes da competição em 2023 e passou a valer agora. Leia em TVT News.
A medida encerra um modelo comercial que durante anos teve forte presença no futebol inglês. Na temporada anterior, 11 dos 20 clubes da Premier League exibiam marcas de casas de apostas no peito, em contratos que movimentavam até 100 milhões de libras em conjunto. Entre os acordos, mesmo os de menor valor, firmados principalmente por equipes recém-promovidas, costumavam alcançar cerca de 6 milhões de libras por ano.
A estimativa apresentada pelo jornal britânico The Guardian é de que os clubes possam deixar de arrecadar até 80 milhões de libras, cerca de R$ 542 milhões, com a retirada das casas de apostas do principal espaço comercial das camisas.
A proibição, entretanto, não eliminou completamente a presença das empresas de apostas no futebol inglês. A restrição se aplica ao espaço frontal dos uniformes. Patrocínios nas mangas, materiais promocionais, placas à beira do campo e outras formas de exposição continuam permitidos.
Clubes ingleses buscam alternativas no mercado
A mudança obrigou metade dos clubes da Premier League a procurar novos parceiros comerciais. Seis equipes chegaram a lançar seus uniformes para a nova temporada sem patrocinador definido, e o Nottingham Forest foi um dos últimos clubes a encontrar uma empresa para substituir sua antiga parceria com uma casa de apostas.
O mercado financeiro passou a ocupar parte desse espaço. Seis clubes agora contam com empresas do setor como patrocinadoras. Entre elas estão Liverpool, com a Standard Chartered; Tottenham, com a AIA; Brighton, com a American Express; Everton, que fechou parceria com a CMC Markets; e Nottingham Forest, que passou a trabalhar com a Marex.
Outro setor que avançou foi o de tecnologia e inteligência artificial. O Fulham passou a ter a ClickHouse, especializada em análise de dados e inteligência artificial, como principal patrocinadora. O Crystal Palace, por sua vez, fechou acordo com a Temporal, empresa de software voltada ao desenvolvimento de tecnologias de inteligência artificial.
A presença de marcas ligadas a países africanos também aumentou. O Aston Villa firmou acordo com a Visit Rwanda, que anteriormente patrocinava a manga da camisa do Arsenal. O Sunderland também negocia uma parceria com a Visit Ghana, embora o acordo ainda não tenha sido confirmado.
A mudança de patrocinadores não ocorreu sem controvérsias. No caso do Aston Villa, organizações e ativistas criticaram a parceria com Ruanda. Segundo a Anistia Internacional do Reino Unido, citada no texto de apoio, críticos acusam o país de utilizar parcerias esportivas para melhorar sua imagem internacional diante de questionamentos relacionados aos direitos humanos.
Estratégia dos clubes também envolve o retorno de antigos patrocinadores

Uma das principais soluções encontradas pelos clubes foi ampliar acordos que já existiam. O Newcastle United, por exemplo, tinha a empresa sul-africana Knox Hydrate como patrocinadora de seu centro de treinamento. O contrato, inicialmente de 6 milhões de libras por ano, foi ampliado e a empresa passou a ocupar o espaço principal da camisa em um acordo de 60 milhões de libras por três anos.
O Bournemouth adotou estratégia semelhante ao promover a Vitality, empresa que já dava nome ao estádio do clube, para o espaço principal da camisa. O Brentford também ampliou sua parceria com a Indeed, que anteriormente estampava os uniformes de treinamento.
Para os clubes, a substituição dos contratos não ocorreu sem perda de receita. Uma estimativa apresentada antes da temporada apontava para uma possível redução líquida de 20% nas receitas relacionadas aos patrocínios. Ao mesmo tempo, representantes do mercado de publicidade esportiva avaliaram que vários acordos foram fechados em valores considerados relevantes, reduzindo o impacto financeiro inicialmente projetado.
O Aston Villa conseguiu um dos maiores contratos entre os clubes fora do chamado Big Six. A parceria com a Visit Rwanda foi estimada em 17 milhões de libras por ano, podendo chegar a 20 milhões com bônus. O clube recebia anteriormente 14 milhões de libras anuais da Betano, que passou a ocupar o espaço da manga da camisa.
Quais outras ligas têm restrições de bets?
A Premier League não é a primeira competição a restringir a publicidade de bets no futebol. Itália, Espanha e Países Baixos adotaram regras mais abrangentes, enquanto Bélgica e Austrália seguiram caminhos com diferentes níveis de restrição.
Itália proibe a publicidade de bets no futebol
Na Itália, as medidas começaram em 2018, com o chamado Decreto Dignità. A legislação proibiu publicidade, inclusive indireta, de jogos e apostas com dinheiro, além de contratos de patrocínio relacionados a eventos esportivos. A partir de 2019, as regras passaram a alcançar também acordos de patrocínio de eventos, atividades e manifestações.
Apesar da legislação, o texto de apoio aponta que empresas ligadas ao setor continuam encontrando formas de aparecer no futebol italiano. A Inter de Milão, por exemplo, tem desde 2024 a Betsson.sport como patrocinadora principal. A marca se apresenta como plataforma de informação e entretenimento esportivo, embora pertença ao grupo Betsson, que atua com apostas esportivas e cassino online.
Desde 2020 a LaLiga proibe o patrocínio de bets em camisas e competições
Na Espanha, o governo aprovou em 2020 o Real Decreto 958/2020, que proibiu o patrocínio de casas de apostas em camisas e equipamentos esportivos. As regras também estabeleceram limitações à presença dessas empresas em equipes, competições e instalações esportivas.
Nos Países Baixos, as restrições são ainda mais amplas. Desde 1º de julho de 2025, operadores de apostas online não podem patrocinar clubes, equipes ou competições esportivas. A mudança foi precedida por medidas adotadas a partir de 2023 para limitar a publicidade não direcionada de jogos de azar.
A Bélgica adotou uma transição gradual. Desde janeiro de 2025, empresas de apostas não podem ocupar a parte frontal dos uniformes esportivos. A legislação prevê uma etapa posterior: a partir de 2028, operadores do setor não poderão patrocinar organizações esportivas profissionais.
Na Austrália, por outro lado, as mudanças ainda estão em discussão. O Parlamento analisa uma proposta que prevê a retirada da publicidade de apostas dos uniformes e dos locais esportivos, além de novas limitações à publicidade online e em outros meios de comunicação.
>> Entenda o caso brasileiro:
Lula defende integração de forças de segurança contra crime organizado em agenda no Rio
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta sexta-feira (18) uma atuação integrada das forças de segurança para combater organizações criminosas no Rio de Janeiro. Durante visita ao Complexo da Polícia Rodoviária Federal (PRF), o presidente acompanhou as Ações Integradas para o Enfrentamento ao Crime Organizado e apresentou o estado como ponto de partida de uma estratégia que pretende ampliar para outras regiões do país. Leia em TVT News.
A proposta está relacionada à PEC da Segurança Pública, enviada pelo governo ao Congresso e que aguarda votação no Senado. Segundo Lula, a integração entre Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Federal, PRF e municípios é necessária para enfrentar grupos criminosos que não seguem as divisões administrativas entre estados e cidades.
“Informação é poder e ninguém quer repartir o poder”, afirmou o presidente ao defender o compartilhamento de dados entre os órgãos de segurança. Para Lula, a existência de centenas de comandos e estruturas separadas dificulta a construção de respostas conjuntas ao crime organizado.
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Reocupação de territórios
A estratégia apresentada no Rio está organizada em três frentes: reocupação territorial, proteção dos corredores logísticos e fortalecimento da atuação municipal na segurança pública.
Dois acordos de cooperação técnica entre o Ministério da Justiça e Segurança Pública e o governo do Rio preveem ações de inteligência territorial, integração de dados, apoio tático-operacional e inteligência financeira e patrimonial. A cooperação poderá envolver a Força Nacional, PF, PRF e Polícia Penal Federal.
A proposta também prevê maior intercâmbio de informações entre os sistemas penitenciários federal e estadual, com o objetivo de dificultar a comunicação de presos com organizações criminosas que atuam fora das unidades.
Para Lula, a retomada dos territórios deve continuar depois das operações policiais. Os Planos Táticos de Reocupação Territorial preveem a combinação de segurança com infraestrutura, desenvolvimento social e econômico, acesso à Justiça, documentação civil, atendimento às vítimas e oferta de serviços públicos.
“Não tem sentido bandido mandar numa favela. Tomar conta do clube do bairro”, afirmou Lula. Segundo o presidente, as diferentes forças de segurança e os municípios precisam atuar “irmanados com o mesmo objetivo”: “Dar tranquilidade ao povo que mora na periferia”.
Combate ao dinheiro das facções
Além da ocupação territorial, Lula defendeu ações voltadas ao financiamento das organizações criminosas. Para o presidente, é necessário identificar quem organiza e lucra com as atividades ilegais, e não apenas prender pessoas que atuam diretamente nos territórios.
“É que nem garimpo. Nós nunca conseguimos pegar o dono do garimpo”, disse. Lula também afirmou que os chefes das organizações criminosas podem estar distantes das áreas onde as atividades são executadas.
Nesse eixo, a estratégia prevê a participação da Receita Federal, do Coaf, do Banco Central e de agências reguladoras. Esses órgãos poderão atuar na identificação de redes empresariais, beneficiários finais e estruturas societárias, além de medidas de bloqueio, apreensão e recuperação de patrimônio.
Proteção das rotas
A terceira frente envolve o monitoramento das principais entradas e saídas do estado. A estratégia concentra ações nas divisas do Rio com São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo e em corredores da Região Metropolitana, como Avenida Brasil, Linha Vermelha e Linha Amarela, além dos acessos ao Porto e ao Aeroporto Internacional Tom Jobim.
Entre as ferramentas previstas estão leitores automáticos de placas, drones, sistemas antidrones, monitoramento aéreo e centros integrados de comando e controle. A PF poderá atuar em investigações relacionadas a patrimônio, lavagem de dinheiro e receptação, enquanto a PRF participará do policiamento e da fiscalização dos corredores.
Uma das operações recentes citadas como exemplo dessa estratégia é a Extraordinária Protetor das Divisas. Em 15 dias de setembro, a ação conjunta entre Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo, com apoio da PRF, abordou 12.246 pessoas e 8.772 veículos.
Foram realizados 486 bloqueios, barreiras e blitz. A operação resultou em 93 prisões de adultos, quatro apreensões de menores, 12 armas retiradas de circulação, 28 veículos apreendidos ou recuperados e uma tonelada de drogas apreendida. O prejuízo estimado ao crime organizado foi de R$ 3,58 milhões.
PEC da Segurança Pública
Para Lula, a experiência no Rio pode antecipar uma mudança nacional na política de segurança por meio da PEC da Segurança Pública. A proposta busca ampliar a coordenação entre os diferentes níveis de governo e dar status constitucional ao Sistema Único de Segurança Pública (Susp).
O presidente voltou a defender a criação de um Ministério da Segurança Pública após a aprovação da PEC, mas afirmou que a nova estrutura precisará contar com recursos para funcionar. “Criar o ministério não é para fazer enfeite, porque se não tiver dinheiro, o ministério não vai fazer nada.”
A estratégia também prevê participação dos municípios. No Rio, 300 agentes estão em formação para integrar a Força Municipal. Somados às turmas anteriores, o contingente chega a aproximadamente 900 agentes.
Ao apresentar a proposta, Lula afirmou que o Rio representa o início de uma mudança no modelo de segurança pública que pretende levar ao restante do país.
Lula vai à ONU: quando e qual será o tema do discurso de abertura
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva viajará a Nova York entre domingo (20) e terça-feira (22) para participar da 81ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU). O principal compromisso será o discurso de abertura do Debate Geral, marcado para terça-feira (22). Leia em TVT News.
Tradicionalmente, o Brasil é o primeiro país a discursar no Debate Geral desde 1955. Neste ano, Lula deverá defender a importância do multilateralismo diante da multiplicação de conflitos internacionais e apresentar a posição brasileira sobre os principais temas da agenda internacional.
O discurso ainda está em elaboração, mas auxiliares do presidente afirmam que Lula deverá dedicar parte da fala à defesa da soberania brasileira e fazer referências indiretas ao que o governo considera tentativas externas de interferência no processo eleitoral do país.
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Lula deve fazer críticas indiretas aos EUA
Segundo informações de auxiliares, Lula não deverá citar diretamente os Estados Unidos nem o presidente Donald Trump. Ainda assim, a expectativa é de que haja recados aos EUA e a outros países que, na avaliação do governo brasileiro, tentam influenciar as eleições do Brasil.
Além dos Estados Unidos, Argentina e Israel são citados pela equipe de Lula nesse contexto. Para os auxiliares do presidente, os EUA representam a maior ameaça à reeleição de Lula, principalmente pelo peso das grandes empresas de tecnologia, as chamadas big techs, e pela atuação norte-americana na geopolítica.
Apesar das referências ao cenário eleitoral, o processo eleitoral brasileiro não deverá ser o tema central da fala. Segundo a diplomacia brasileira, o assunto ganhou relevância diante da avaliação de que a democracia e o multilateralismo estão sob ataque.
Nos últimos dias, Lula tem afirmado que pretende deixar claro a Trump que não aceita interferência norte-americana nas eleições brasileiras.
Multilateralismo e reforma da ONU estarão na agenda
Outro eixo previsto para o discurso é a defesa do multilateralismo, uma das linhas centrais da política externa brasileira. Lula deverá defender a negociação como caminho para solucionar disputas entre países, além do respeito ao direito internacional humanitário e ao princípio de não interferência em assuntos internos de outros Estados.
A reforma das Nações Unidas, especialmente do Conselho de Segurança, também deverá ser abordada. O Brasil defende há anos mudanças na composição e no funcionamento do órgão e critica sua dificuldade de responder aos conflitos internacionais.
A 81ª sessão da Assembleia Geral tem como tema “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas”. A sessão é presidida pelo ministro das Relações Exteriores de Bangladesh, Khalilur Rahman.
Encontro com António Guterres
Além do discurso, Lula terá uma reunião com o secretário-geral da ONU, António Guterres. Será a última Semana de Alto Nível da Assembleia Geral com Guterres no cargo, já que seu segundo mandato termina em 31 de dezembro de 2026.
A agenda presidencial prevê a chegada de Lula a Nova York na noite de domingo (20). Na segunda-feira (21), estão previstos encontros bilaterais, ainda em definição. Na terça-feira, além do discurso na Assembleia Geral e da reunião com Guterres, o presidente retornará ao Brasil.
Esta será a 11ª participação de Lula na Assembleia Geral da ONU como presidente da República. Ao longo de seus três mandatos, ele não participou apenas da edição de 2010.
Lula e Trump podem se encontrar em Nova York
Lula e Trump podem se cruzar durante o intervalo entre os discursos de abertura da Assembleia Geral. Até o momento, não há movimentação dos dois governos para uma reunião bilateral às margens do evento.
A expectativa é que os presidentes se encontrem nos corredores da Assembleia, como ocorreu no ano passado. Na ocasião, Trump afirmou que havia existido uma “química” entre os dois.
O possível encontro ocorre em um momento de tensão nas relações entre Brasil e Estados Unidos, marcadas pela imposição de novas tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros e por declarações de Trump relacionadas à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Mauro Vieira participa de reuniões ministeriais
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, permanecerá em Nova York durante toda a semana e participará de reuniões ministeriais de diferentes grupos e organizações, incluindo BRICS, IBAS, G77, G4, L69 e CPLP.
Também estão previstas reuniões da CELAC e do Consenso de Brasília. Vieira presidirá, ainda, dois encontros ministeriais: o da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, em 23 de setembro, e o da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (ZOPACAS), no dia 24.
O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, também participará de atividades em Nova York, entre os dias 21 e 23, relacionadas a segurança alimentar, proteção social, financiamento para o desenvolvimento e cooperação internacional.
Presidente Lula viaja a Nova York entre 20 e 22 de setembro e fará a abertura da assembleia geral da ONU na terça-feira; soberania, multilateralismo e reforma da ONU devem estar entre os temas
A delegação brasileira participará ainda de reuniões do Conselho de Segurança da ONU e de encontros sobre a situação da Palestina e a solução de dois Estados, combate à desigualdade, consolidação da paz e direito internacional humanitário.
Além de Mauro Vieira e Wellington Dias, estão previstas atividades com a ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck; o ministro dos Povos Indígenas, Luiz Eloy Terena; e a ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros.
Eleições não serão tema central
Apesar das referências à interferência externa, o processo eleitoral brasileiro não deverá ocupar o centro do discurso de Lula. A avaliação do governo é que o assunto ganhou relevância diante do entendimento da diplomacia brasileira de que a democracia e o multilateralismo estão sob ataque.
Nos últimos dias, Lula tem afirmado que pretende reforçar a Trump que não aceita interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras. A manifestação deve ocorrer em meio às discussões sobre a relação entre os dois países.
Lula e Trump podem se encontrar na ONU
Lula e Trump podem se cruzar durante o intervalo entre os discursos de abertura da 81ª sessão da Assembleia Geral da ONU. Até o momento, não há movimentação entre os dois governos para a realização de uma reunião bilateral durante o evento.
A expectativa é que os presidentes se encontrem nos corredores da Assembleia, como ocorreu no ano passado. Na ocasião, Trump afirmou que havia existido uma “química” entre os dois.
A relação entre Brasil e Estados Unidos tem sido marcada recentemente pela imposição de novas tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros e por declarações de Trump relacionadas à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Artistas se engajam na campanha de Lula e lançam mobilizações nas redes
Artistas de diferentes áreas da cultura brasileira passaram a ocupar as redes sociais e os palcos com manifestações públicas de apoio à candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição. Nas últimas semanas, nomes como Maria Bethânia, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Malu Mader declararam voto no presidente repetindo a frase “Bora, Lula”.
A movimentação reúne nomes da música, televisão, cinema e teatro e ocorre a menos de três semanas do primeiro turno das eleições de 2026. Também há mobilizações voltadas a candidaturas ao Senado e ações relacionadas ao debate sobre as apostas online, tema que ganhou espaço nas redes sociais após o governo federal discutir novas restrições às bets.
Artistas que apoiam Lula: veja os principais pontos
- Artistas declararam voto em Lula: Maria Bethânia, Caetano Veloso, Malu Mader e outros nomes da cultura manifestaram publicamente apoio ao presidente. Bethânia declarou durante um show: “Eu voto Lula presidente”.
- O que os artistas falaram: as manifestações abordam temas como democracia, cultura, produção audiovisual, geração de empregos e valorização da produção cultural brasileira.
- A estratégia de vira voto voltou ao debate: a campanha “Vira Voto”, com artistas em apoio a Lula, voltou às redes.
- Apostas online também entraram no debate: artistas e movimentos culturais já haviam se mobilizado contra as bets, enquanto o governo Lula discute novas medidas para restringir jogos e publicidade do setor.
Artistas ampliam os apoios a Lula
A mobilização mais recente ganhou força com vídeos publicados pelo perfil 342 Artes. Em uma das gravações, artistas aparecem individualmente repetindo a frase “Bora, Lula”, em uma manifestação coletiva de apoio à candidatura à reeleição.
Participam do vídeo Xamã, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Sophie Charlotte, Jota.pê, Malu Mader, Leona Cavalli, Giovanna Nader, Paulinho da Viola, Zezé Polessa, Maria Flor, Betty Gofman, Fernanda Abreu, Duda Beat, Paula Burlamaqui, Tony Bellotto e Enrique Díaz.
A iniciativa reúne artistas de diferentes gerações e segmentos da cultura brasileira. O coletivo 342 Artes é associado a mobilizações políticas envolvendo integrantes da classe artística e também participou da campanha “Vira Voto” nas eleições de 2022 e, recentemente, levou o povo às ruas contra PEC da Blindagem.
Além do vídeo coletivo, artistas fizeram manifestações individuais. Maria Bethânia declarou voto em Lula durante apresentação no Coala Festival, em São Paulo, no dia 12 de setembro. A cantora fez o gesto de “L” com a mão e disse: “Eu voto Lula presidente”.
No dia seguinte, Caetano Veloso também fez o gesto de “L” durante um show no Distrito Federal e declarou apoio ao presidente.
Malu Mader relaciona voto em Lula à política cultural
A atriz Malu Mader também declarou voto em Lula em um vídeo publicado nas redes sociais em 17 de setembro.
Na gravação, a atriz relacionou sua posição política à retomada da produção audiovisual brasileira. Ela afirmou que voltou a ver filmes sendo produzidos e empregos sendo gerados no setor cultural.
Malu também relatou ter vivido um período em que, segundo sua avaliação, artistas foram tratados como “inimigos” e projetos culturais ficaram parados. Para a atriz, a produção cultural está relacionada ao trabalho, à economia e à identidade do país.
Artistas também apoiam candidaturas ao Senado
A mobilização do 342 Artes não se restringe à disputa presidencial. Gilberto Gil, Caetano Veloso e Paulinho da Viola participaram de vídeos de apoio a candidaturas femininas ao Senado.
Entre os nomes apoiados estão Marina Silva, candidata ao Senado por São Paulo, Eliziane GAma, candidata pelo Maranhão e Manuela d’Avila pelo Rio Grande do Sul. Nos vídeos divulgados nas redes sociais, os três artistas destacam a trajetória da candidata e defendem maior presença de mulheres na política.
A participação de artistas em campanhas eleitorais amplia uma prática que já esteve presente em diferentes eleições, quando nomes conhecidos da música, do cinema e da televisão utilizaram suas redes e apresentações públicas para declarar suas preferências políticas.
Artistas fazem campanha de vira voto
Nas redes sociais, o engajamento foi além das declarações formais de voto. Os artistas têm usado suas plataformas e sua influência para participar ativamente do movimento “vira voto”. O objetivo é alcançar eleitores indecisos e promover o diálogo sobre a importância da participação popular e da defesa da cultura.
Todo mundo virando voto por menos armas e mais educação.
— Sandroka13 (@sandraselmasr) September 17, 2026
LULA NO PRIMEIRO TURNO pic.twitter.com/uZ79IpuApZ
Campanha contra bets toma conta das redes sociais
A campanha contra a publicidade de casas de apostas, conhecidas como bets, ganhou destaque nas redes sociais após o presidente Lula defender medidas de restrição ao setor.
Lula falou sobre o impacto das bets e alertou para o endividamento causado pelas apostas. “É como se fosse uma droga. As bets não podem ser tratadas como diversão quando estão levando pessoas ao endividamento”, declarou o presidente.
Os clubes de futebol reagiram com uma nota conjunta, afirmando que as medidas representariam um “golpe fatal” no esporte. Entre os clubes que aderiram ao manifesto estão Grêmio, Santos, Palmeiras, São Paulo, Corinthians, Flamengo, Cruzeiro, Fluminense, Vasco, Botafogo e Chapecoense.
A reação dos torcedores foi dura. Uma análise de 90.123 interações (X + Instagram) sobre o posicionamento dos clubes mostrou que 88% criticaram a defesa das bets, enquanto apenas 5,1% manifestaram apoio. Cerca de 19,6% das respostas mencionaram a dependência financeira ou o interesse econômico dos clubes, e 13,5% fizeram referência aos impactos sociais das apostas, como vício, endividamento e efeitos sobre famílias.
A possibilidade de restrição gerou forte reação no meio esportivo. Os principais clubes de futebol do país lançaram uma nota conjunta em defesa dos patrocínios milionários das casas de apostas. No entanto, a posição dos dirigentes esportivos foi duramente criticada pelas próprias torcidas.
Nas redes sociais, o cenário se inverteu: torcedores e influenciadores digitais demonstraram forte apoio às medidas estudadas por Lula contra as bets. O público tem apontado os graves problemas financeiros e sociais causados pelo vício em jogos de azar, reforçando que a saúde pública e a economia popular devem estar acima dos interesses de patrocínio das equipes.
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Fim do futebol? Torcidas reagem à postura dos clubes sobre bets
Nesta noite de quinta-feira (17), clubes brasileiros da série A se uniram para defender a não proibição das bets que, segundo a nota divulgada em conjunto, seria equivalente ao “fim do futebol brasileiro”. A manifestação dos times ocorreu após a divulgação da notícia de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva estaria preparando uma Medida Provisória para proibir cassinos online e bets. Leia em TVT News.
A MP do governo Lula, no entanto, deixa de fora o patrocínio de clubes, campeonatos esportivos e apostas esportivas, o que significa que a medida não afetaria os times. Além disso, a proposta ainda precisaria ser aprovada no Congresso e, se aprovada, existe ainda a cláusula de vigência de 180 dias na medida, que é o tempo para que ela passe a valer.
Mesmo que a MP não afete os times, a nota em conjunto saiu no mesmo dia da notícia relacionada ao projeto do Ministério da Fazenda, antecipando a defesa para que o patrocínio de bets em clubes esportivos mantido. O texto divulgado pelos times de futebol defendem que, sem as bets, os impactos financeiros seriam tão grandes que poderia resultar no fim do futebol.
Entre os clubes que divulgaram a nota a favor da permanência do mercado das bets estão Flamengo, Fluminense, Botafogo, Vasco, Palmeiras, São Paulo, Santos, Cruzeiro e Corinthians. Federações estaduais também aderiram à mobilização, como a Federação Paulista de Futebol.
Os clubes reconheceram os impactos sociais relacionados às apostas, mas defendem mesmo assim a permanência desse mercado com medidas de “redução de dano”, como o fortalecimento da fiscalização e de medidas de prevenção.
A nota da Federação Paulista de Futebol argumenta que o dinheiro das bets é fundamental para manter estruturas administrativas, centros de treinamento, jogadores, projetos sociais, futebol feminino e formação de futuros talentos. E termina de forma apelativa:
“O torcedor não pode pagar essa conta. Se acabar com o mercado regulado, as apostas não acabam. O que acaba é o futebol!”.
Alguns clubes fizeram notas oficiais em seus sites ou para a imprensa, então: Apenas 5 clubes do Brasileirão não participaram da campanha contra a proibição das bets no futebol brasileiro:
— DataFut (@DataFutebol) September 18, 2026
Internacional
Bahia
Remo
Athletico Paranaense
Coritiba pic.twitter.com/3xpFkI4qGw
Em vez de apoio nas redes, a maioria dos torcedores receberam a nota dos clubes de forma negativa
A nota divulgada pelos clubes repercutiu bastante nas redes sociais entre os torcedores, que questionaram o argumento sobre a dependência que o futebol brasileiro teria das bets e que, sem elas, seria o fim.
O Portal 91 de ciência de dados no futebol analisa as estatísticas e sentimento das torcidas nas redes. Ao analisar a repercussão da declaração dos clubes em apoio as bets, o portal identificou 90.123 interações (X + Instagram) sobre o assunto.
Em 31.761 dessas interações foi possível identificar uma posição clara sobre o posicionamento dos clubes:
- 88,0% dos usuários nas redes sociais criticaram o posicionamento
- 6,9% adotaram uma posição intermediária
- 5,1% manifestaram apoio
- 19,6% das respostas mencionaram a dependência financeira ou o interesse econômico dos clubes
- 13,5% fizeram referência aos impactos sociais das apostas, como vício, endividamento e efeitos sobre famílias
- 10,5% recorreram a um argumento histórico: o futebol brasileiro existia antes da expansão das bets. A própria expressão “fim do futebol brasileiro”, utilizada para dimensionar os possíveis impactos econômicos das restrições, passou a ser apropriada de forma irônica nas redes.
Alguns jornalistas e comentaristas esportivos usaram as redes para se posicionar. Gian Oddi, da Espn, disse ter dificuldade para acietar o argumento de que, sem as bets, os apostadores migrariam para a clandestinidade, já que esse tipo de aposta já existem há décadas no Brasil.
“Facilidade para se apostar e o estímulo constante para que se aposte são as causas”
Oddi aponta que, mesmo que as apostas clandestinas já existiam, o cenário “caótico de vidas ceifadas e famílias destruídas é um fenômeno recente”. O jornalista argumenta que a facilidade para se apostar e o estímulo constante para que se aposte é o principal fator para a epidemia de viciados em jogos de apostas que vivemos.
“A morte do futebol brasileiro? Se vier a ocorrer porque a incompetência dos clubes os fez depender do vício alheio para sobreviver, que assim seja”, disse Oddi.
Tenho dificuldade para aceitar o argumento de que, sem as bets regularizadas, os apostadores migrariam para a clandestinidade.
— Gian Oddi (@gianoddi) September 18, 2026
Apostas de futebol clandestinas existem há décadas no Brasil (vide Máfia do Apito), mas o cenário caótico de vidas ceifadas e famílias destruídas é…
Futebol precisa da miséria do torcedor para existir?
O avanço das apostas online, conhecidas como bets, atingem diretamente o orçamento das famílias brasileiras, a saúde mental e a atividade econômica.
Pesquisas recentes apontam aumento da participação da população nas plataformas, crescimento dos casos de comportamento de risco e maior procura por atendimento médico e psicológico relacionado aos jogos.
1,4 milhão de brasileiros desenvolveram dependência em apostas
O III Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (LENAD III) estima que 7,3% da população brasileira, equivalente a 10,9 milhões de pessoas, apresenta padrão de jogo de risco ou problemático. O levantamento aponta ainda que aproximadamente 1,4 milhão de brasileiros desenvolveram dependência relacionada às apostas.
Entre as modalidades de jogo mais utilizadas aparecem as loterias, citadas por 71,3% dos entrevistados, seguidas pelos sites de apostas online, com 32,1%, e pelo jogo do bicho, com 28,9%.
Procura por atendimento médico e psicológioco relacionados às apostas cresce 104% entre 2018 e 2025
Segundo o Guia de cuidados para pessoas com problemas relacionados a jogos de apostas, do Ministério da Saúde, foram registrados 10.553 atendimentos relacionados a jogo patológico e mania de jogo e aposta entre janeiro de 2018 e maio de 2025.
No período analisado, houve crescimento de 104% nos atendimentos. Do total, 4.316 foram realizados em regime ambulatorial, incluindo atendimentos nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps).
O Ministério da Saúde ressalva que os registros não especificam se o jogo patológico ou a mania de jogo e aposta estavam relacionados especificamente às bets. A pasta também alerta para a possibilidade de subnotificação e projeta que a demanda por atendimento continue crescendo.
Em março deste ano, o governo federal criou uma estratégia específica de teleatendimento para pessoas com problemas relacionados a jogos e apostas. O serviço começou com capacidade de 600 atendimentos mensais, mas, diante da procura, foi ampliado para até 100 mil teleatendimentos por mês.
Desde o fim de março, 27.703 pessoas se cadastraram no serviço, segundo o Ministério da Saúde.
Outro indicador é a procura pela ferramenta de autoexclusão das plataformas de apostas, disponibilizada pelo governo federal em dezembro do ano passado. De acordo com informações da Agência Brasil, mais de 1 milhão de pessoas já se inscreveram no serviço.
R$ 62,5 bilhões saíram do orçamento das famílias por conta das apostas online
Um levantamento do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz), em parceria com o Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento (Cicef), calculou o volume de recursos que deixou o orçamento dos apostadores.
Segundo a terceira edição do Boletim Fiscal dos Estados Brasileiros, as bets provocaram uma saída líquida de R$ 62,5 bilhões das famílias brasileiras em 2025.
A chamada saída líquida corresponde à diferença entre o dinheiro colocado pelos apostadores nas plataformas e os valores que retornaram na forma de prêmios. O cálculo, portanto, procura medir quanto permaneceu no setor depois de considerados os pagamentos aos jogadores.
Entre outubro de 2024 e março de 2026, o estudo estimou uma perda média de R$ 4,7 bilhões por mês. Em 2025, os R$ 62,5 bilhões representaram aproximadamente 0,68% da renda disponível das famílias.
O levantamento foi elaborado a partir de dados do Banco Central, das Estatísticas de Pagamentos por Atividade Econômica (Epae) e de análises próprias.
A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), que representa empresas do setor, contestou os resultados. Em nota, a entidade afirmou que o estudo contém “erros graves”, desconsidera fatores macroeconômicos e apresentou como contraponto uma receita bruta oficial de R$ 37 bilhões em 2025.
Bets e as finanças domésticas: 53% dos apostadores já atrasaram alguma conta para apostar
A pesquisa Pulso Apostas 2026, realizada pelo instituto Hibou com 2.470 brasileiros maiores de idade das classes ABCD, aponta que 53% dos apostadores já atrasaram alguma conta para priorizar o dinheiro destinado às bets.
Entre eles, 25% disseram ter atrasado contas uma vez e 28% afirmaram que isso ocorreu algumas vezes.
O estudo também mostra que 59% dos jogadores já cortaram gastos domésticos para financiar apostas. Nesse grupo, 14% disseram ter feito isso uma vez e 45% relataram que o comportamento ocorreu algumas vezes.
Os valores apostados podem parecer pequenos quando considerados isoladamente. Cerca de 36% dos entrevistados disseram gastar entre R$ 21 e R$ 50 por aposta, enquanto 24% afirmaram utilizar até R$ 20.
O problema aparece quando a prática se torna frequente e passa a disputar espaço com despesas básicas. O dinheiro destinado à alimentação, contas da casa, transporte, educação ou outras necessidades pode ser redirecionado para as plataformas quando o jogo passa a ocupar uma parcela crescente do orçamento.
Apostas já fazem parte da rotina de 38% dos brasileiros
A mesma pesquisa indica que as apostas online já fazem parte da rotina de 38% dos brasileiros entrevistados.
Entre os que apostam, 39% afirmaram jogar algumas vezes por mês, 22% semanalmente e 11% várias vezes por semana.
O levantamento também identificou diferentes formas de relação com as apostas. Cerca de 46% dos entrevistados se classificaram como apostadores casuais. Outros 30% não souberam definir o próprio perfil, enquanto 18% disseram concentrar-se em mercados simples e 6% afirmaram atuar como analistas de probabilidades.
A busca por dinheiro fácil aparece como principal motivação, citada por 47% dos entrevistados.
Ao mesmo tempo, 80% dos participantes concordaram que a atividade pode causar dependência.
A pesquisa identificou sinais de descontrole financeiro ou emocional em 15% dos apostadores. Para 6%, esses impactos negativos ocorrem com frequência; para outros 9%, aparecem de maneira esporádica.
O estudo foi realizado digitalmente entre 28 e 31 de agosto deste ano e tem margem de erro de 1,9 ponto percentual.
Impacto negativo no PIB: Bets retiraram entre R$ 120 bilhões e R$ 141 bilhões da atividade econômica brasileira em 2025
Um estudo do economista Guilherme Klein, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pesquisador do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades da Universidade de São Paulo (Made-USP), calculou os possíveis efeitos das apostas sobre o Produto Interno Bruto, a arrecadação pública e a desigualdade.
Segundo a pesquisa, as bets teriam retirado entre R$ 120 bilhões e R$ 141 bilhões da atividade econômica brasileira em 2025, o equivalente a aproximadamente 0,9% a 1,1% do PIB.
O estudo estima que esse montante corresponda a entre 40% e 50% de todo o crescimento da economia brasileira naquele ano, calculado em 2,3%.
Dinheiro de apostas deixa de circular em outras atividades de consumo e investimento, prejudicando a economia
A lógica apresentada é que o dinheiro direcionado às apostas deixa de circular em outras atividades de consumo e investimento. Assim, além da perda financeira dos jogadores, o estudo procura dimensionar possíveis efeitos sobre o conjunto da economia.
Klein também comparou a estimativa com os impactos projetados para o chamado tarifaço norte-americano sobre produtos brasileiros. Segundo o estudo, o impacto econômico estimado das bets seria aproximadamente cinco vezes maior que a estimativa citada para as tarifas.
As entidades que representam o setor de apostas, porém, afirmam que os resultados precisam ser analisados com cautela e defendem o aprofundamento da discussão sobre os impactos econômicos e sociais da atividade.
R$ 220,6 bilhões foram destinados a plataformas de bets em 2025
Os brasileiros depositaram R$ 220,6 bilhões nas plataformas de bets em 2025. Desse total, aproximadamente R$ 36,9 bilhões corresponderam às perdas dos apostadores convertidas em receita bruta.
Outros R$ 183,7 bilhões foram destinados ao pagamento de prêmios e à oferta de bônus sacáveis.
Leia o comunicado na íntegra
“O FIM DO FUTEBOL BRASILEIRO
O futebol acompanha com atenção as discussões sobre o mercado de apostas no Brasil e reconhece os desafios que sua expansão traz. Os impactos sociais, especialmente sobre as pessoas mais vulneráveis, exigem atenção permanente do Poder Público, das empresas e de todos os setores envolvidos.
Por isso, é fundamental aprimorar as medidas de proteção, fiscalização, educação e prevenção, para reduzir riscos e garantir um mercado responsável.
O Brasil escolheu enfrentar esse desafio pela regulamentação. A regulamentação estabeleceu regras rígidas para as empresas autorizadas a atuar no país, com regras claras que permitem ao Estado fiscalizar o mercado, responsabilizar quem descumpre a lei e combater a atuação de plataformas clandestinas.
Importante ressaltar que, nos últimos anos, o investimento das empresas de apostas autorizadas tornou-se uma das principais fontes de receita do esporte. Este investimento impulsionou o futebol brasileiro de tal forma a dominar o cenário sul-americano em competições como a CONMEBOL Libertadores e a CONMEBOL Sul Americana e a colocar clubes brasileiros em posição de protagonismo.
Essa presença não se limita aos maiores clubes. Os recursos também alcançam equipes de menor expressão, divisões de acesso e competições com menor exposição comercial. Para muitos destas agremiações, especialmente aquelas localizadas no interior do país, não existe hoje outro segmento econômico capaz de substituir imediatamente esse investimento.
Essas receitas são fundamentais para manter estruturas administrativas, centros de treinamento, profissionais, projetos sociais e departamentos que não gerem recursos suficientes para se sustentar de maneira independente, como parte do futebol feminino e a formação de futuros talentos, os primeiros investimentos ameaçados quando a receita cai de forma abrupta.
Assim, os rumores sobre mudanças abruptas na regulamentação do mercado de apostas têm gerado enorme preocupação em todos os clubes, federações e entidades de administração do esporte.Uma mudança abrupta nas regras reduziria a capacidade de investimento dos clubes e criaria desequilíbrios dentro e fora do país. Contratos regularmente firmados, planejamentos plurianuais e compromissos financeiros foram estabelecidos sob um marco regulatório construído pelo próprio Estado.
Para responder a um mercado que já existia e movimentava ilegalmente bilhões de reais, o país instituiu um ambiente regulado. Empresas foram autorizadas, passaram a recolher impostos e assumiram obrigações relacionadas à proteção do consumidor, ao bloqueio de menores, à prevenção de práticas abusivas e ao combate à lavagem de dinheiro e à manipulação de competições. Foi justamente a regulamentação do mercado que retirou o Brasil da liderança do ranking mundial de casos de manipulação.
Inviabilizar esse modelo não fará com que as apostas deixem de existir. Apenas abrirá o caminho para que os consumidores migrem integralmente para plataformas clandestinas, que não pagam impostos, não respeitam limites, não oferecem instrumentos de proteção e não colaboram com as autoridades.
A consequência não será apenas uma porta escancarada para as apostas clandestinas, mas um golpe fatal para o futebol brasileiro, levando muitos clubes à insolvência. Isso, sem falar na insegurança jurídica e profissional que a medida acarretaria, especialmente para contratos regularmente firmados e planejamentos construídos sob o marco regulatório aprovado pelo Congresso Nacional e estabelecido pelo próprio Estado.
O que o futebol entende que deve ser feito, com o máximo rigor, é combater a ilegalidade, fortalecer a fiscalização e aperfeiçoar os mecanismos de proteção, sem colocar em risco um mercado que foi regulamentado pelo próprio Estado. O futebol se coloca à disposição do Governo Federal, do Congresso Nacional, das Autoridades Estaduais e Municipais para colaborar em mecanismos mais eficientes de educação e conscientização.
O futebol está mobilizado, reconhece suas responsabilidades e quer participar da solução, de uma forma racional e consciente.
O TORCEDOR NÃO PODE PAGAR ESSA CONTA.
SE ACABAR COM O MERCADO REGULADO, AS APOSTAS NÃO ACABAM.
O FUTEBOL É QUE ACABA”
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Site Jamesons declara apoio a Lula com referências da cultura nerd
O perfil Jamesons, voltado para notícias e debates sobre cultura nerd no X e em seu site, divulgou seu posicionamento político para as eleições de 2026 declarando apoio à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva. Leia em TVT News.
Na publicação, a página defende que conteúdos de cultura pop também podem abordar temas políticos e relaciona obras como Superman, One Piece e Homem-Aranha a questões como autoritarismo, preconceito, desigualdade social e defesa da democracia.
O texto rebate o argumento de que uma página dedicada à cultura nerd não deveria falar sobre política, listando a própria história de personagens e universos populares que envolvem discussões sobre poder, resistência e marginalização. A publicação usa a Aliança Rebelde, de Star Wars, e os mutantes de X-Men como exemplos de narrativas que tratam de autoritarismo, perseguição e exclusão.
🚨 NOSSO POSICIONAMENTO!
— Jamesons (@SiteJamesons) September 18, 2026
Tem gente que diz que “página nerd não deve falar de política”. Mas será que não deve mesmo?
Nessas eleições, temos um posicionamento claro. E queremos compartilhar com vocês a nossa visão de mundo, para que ninguém tenha dúvidas.
Segue o fio 🧶 pic.twitter.com/XrRYuxlZa0
Ao justificar seu posicionamento eleitoral, o Jamesons criticou família Bolsonaro e mencionou a condução da pandemia de Covid-19, a tentativa de golpe de Estado e declarações consideradas homofóbicas. O perfil também cita o caso de Jefferson Anderson Feijó da Cruz, vítima de uma agressão em 2018, como exemplo dos efeitos da violência motivada por preconceito.
A publicação defende na postagem que o Estado deve atuar no combate ao racismo, ao machismo, à homofobia e a outras formas de intolerância, além de defender políticas públicas voltadas à redução da desigualdade e ao combate à fome, além de um Estado de bem-estar social.
O “fio” de posts chegou a ser compartilhada pelo perfil do presidente Lula na rede social:
Que fio poderoso, @SiteJamesons.
— Lula (@LulaOficial) September 18, 2026
X-Men, Star Wars, Superman… a mensagem sempre foi a mesma: quem tem poder tem a responsabilidade de proteger os mais vulneráveis.
É isso que estamos construindo. Obrigado por lembrar a todos que ser nerd também é ser cidadão. ✊ https://t.co/okMImnUabC
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Lula, Dilma e políticas de combate à homofobia
Entre os argumentos utilizados pelo perfil estão referências a medidas adotadas durante os governos de Lula e Dilma Rousseff na área dos direitos da população LGBT. O governo Lula lançou, em 2004, o programa Brasil sem Homofobia, elaborado em articulação com organizações da sociedade civil e voltado ao combate à violência e à discriminação contra a população LGBT. O programa previa ações em áreas como educação, segurança, saúde e cultura.
O Jamesons também menciona iniciativas do governo Dilma relacionadas ao enfrentamento da violência e da discriminação contra pessoas LGBT. Em 2013, o governo federal lançou o Sistema Nacional LGBT, destinado a articular políticas públicas de proteção e promoção de direitos dessa população. Em 2015, o governo criou ainda uma comissão interministerial para combater a violência contra LGBT.
Fome Zero aparece entre as referências
Outra política citada pelo Jamesons é o Fome Zero, lançado pelo governo Lula em janeiro de 2003. O programa foi apresentado como uma estratégia de combate à fome e à pobreza e reunia medidas emergenciais e estruturais relacionadas à segurança alimentar, emprego, renda, educação e agricultura familiar.
Ao mencionar o programa, o perfil associa o combate à fome à ideia de que o Estado deve atuar para reduzir desigualdades. O Fome Zero foi uma das principais prioridades anunciadas no início do primeiro mandato de Lula.
“Página nerd de esquerda”
Ao final da publicação, o Jamesons afirma ser uma “página nerd de esquerda” e produzir conteúdos sobre notícias, debates e combate às fake news. O perfil também reconhece que o posicionamento político poderia provocar perda de seguidores, mas afirma que decidiu manter a manifestação pública.
A página reitera que o apoio ao projeto político está relacionado aos valores que acreditam estar presentes nas obras de cultura pop que acompanham, como democracia, tolerância, respeito, soberania nacional, defesa dos trabalhadores e atuação do Estado no combate à desigualdade.
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