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Da Redação

Desenrola 3: como será a nova fase do programa de renegociação de dívidas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta sexta-feira, 25 de setembro, Medida Provisória que institui a terceira fase do programa de renegociação de dívidas de pessoas físicas, o Desenrola 3.

Diferentemente das fases anteriores, nesta, a União comprará, em leilão, carteiras de dívidas que não foram pagas, com deságio mínimo de 90% e repassará esse mesmo desconto diretamente ao devedor, que poderá quitar a dívida à vista ou parcelar o saldo remanescente.

Como vai funcionar o programa de renegociação de dívidas, o desenrola 3


Levantamento do Tesouro Nacional aponta que, em agosto de 2026, o saldo de dívidas não pagas registradas nos birôs de crédito (com até 5 anos de atraso) somava R$ 592 bilhões, com 83,9 milhões de pessoas negativadas – 56% delas mulheres –, média de 4 dívidas por pessoa e ticket médio de R$ 7 mil por
pessoa (R$ 1,7 mil por dívida).

Cerca de 55% do estoque corresponde a dívidas não bancárias, como água, luz, telefonia e varejo; 20% referem-se especificamente a serviços de água, luz e energia.

A terceira fase do desenrola dá continuidade a um programa que já alcançou 25 milhões de pessoas.

Quais os resultados das duas primeiras fases do desenrola


Em suas duas primeiras fases, o programa desenrola apresentou os seguintes resultados:


● Primeira fase (dívidas bancárias e não bancárias negativadas desde 2019): mais de 8 milhões de operações de renegociação, R$ 53 bilhões em dívidas renegociadas e 15 milhões de pessoas e famílias atendidas.
● Segunda fase (dívidas bancárias com inadimplência entre 90 dias e 2 anos): mais de 5,5 milhões de operações de renegociação, R$ 22 bilhões em dívidas renegociadas e 10 milhões de pessoas e famílias atendidas.

O que é a compra de carteiras


O novo desenrola prevê a compra, em leilão, de carteiras de dívidas bancárias e não bancárias de até R$ 10 mil (valor original), inadimplidas há mais de 720 e menos de 1.645 dias – aproximadamente entre 2 anos e 4 anos e meio —, contados a partir de 25 de setembro de 2026.

Critérios adicionais de renda e de priorização de devedores poderão ser definidos por ato do Ministério da Fazenda.

Os leilões poderão ser realizados em lotes e segmentados por natureza da dívida — bancária ou não bancária — ao longo de 2026, 2027 e 2028. Os leilões classificam as propostas pelo maior desconto ofertado e exigem que o credor entregue a totalidade dos créditos elegíveis de cada devedor, sem seleção parcial.

A operacionalização poderá contar com a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil, inclusive por meio de fundos de investimento em direitos creditórios (FIDC) dos quais a União participará como cotista.

O desconto obtido pela União é repassado integralmente ao devedor, que poderá quitar a dívida à vista com o mesmo percentual de deságio, ou parcelar o saldo remanescente, acrescido de juros, em condições a serem definidas pelo Conselho Monetário Nacional.


O que o governo Lula espera com o Desenrola 3


● Até R$ 150 bilhões em dívidas inadimplidas poderão ser elegíveis à compra pela União — parcela do estoque de R$ 592 bilhões em dívidas registradas nos birôs de crédito.
● Estimativa de R$ 75 bilhões em dívidas efetivamente renegociadas, considerando adesão parcial de credores e devedores.
● Até 15 milhões de pessoas poderão ser beneficiadas pela nova fase do programa.
● O custo máximo de aquisição das carteiras pela União é limitado a R$ 15 bilhões, considerando o deságio mínimo legal de 90%. Os recursos serão previstos nos Projetos de Lei Orçamentária Anual de 2027 e 2028 (PLOA 27 e PLOA 28).

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Ministro da Fazenda, Dario Durigan, anuncia o Desenrola 3 no mesmo evento de assinatura da MP do fim das bets – Foto: Ricardo Stuckert

Cronograma do desenrola 3:


● Setembro/2026: publicação da MP (texto final, que altera a Lei nº 14.690/2023).
● Novembro/2026: publicação do chamamento para entrega de propostas.
● Dezembro/2026: entrega de propostas pelos credores.
● Janeiro/2027: homologação das propostas selecionadas.
● Fevereiro/2027: assinatura de contratos e início do repasse do deságio aos
devedores (quitação à vista ou parcelamento).

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Lula determina o fim das bets no Brasil

O presidente Lula editou nesta sexta-feira, 25 de setembro, Medida Provisória que acaba com a exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas de quota fixa no país, as chamadas bets. A decisão alcança tanto as apostas esportivas quanto os jogos online, em ambientes físicos e virtuais, e se aplica também às concessões e autorizações estaduais e distritais. A proibição não abrange as demais modalidades lotéricas já autorizadas em lei.

Entenda a MP que acaba com as bets no Brasil com a TVT News.

Confira o cronograma do fim das bets


● Hoje (25/9): publicação da MP; início da proibição de novos aportes nas plataformas.
● Até 5/10 (segunda-feira), 23h59: prazo para retirada voluntária dos valores pelos apostadores.
● A partir de 6/10 (terça-feira): os sites e aplicativos de apostas saem do ar.
● Entre os dias 7 e 8/10: as bets devem informar às instituições financeiras os saldos remanescentes, discriminados por CPF.
● De 9 a 14/10: prazo para devolução dos saldos aos apostadores pelos bancos.
● A partir de 14/10: havendo obstáculo que impeça os bancos de devolver os valores, a Caixa Econômica Federal recebe os recursos e providencia a devolução aos apostadores.

Qual o canal de denúncias sobre bets e apostas

Fim das bets: veja os principais pontos da MP

  • Saúde pública: o governo afirma que os danos associados às apostas já produzem impactos sobre o SUS e sobre a vida financeira e social das famílias.
  • A partir de 25 de setembro: ficam proibidos novos aportes de dinheiro nas plataformas de apostas.
  • Até 5 de outubro, às 23h59: os sites permanecem disponíveis para que apostadores resgatem os valores existentes nas contas.
  • A partir de 6 de outubro: os sites de bets e cassinos online deverão ser bloqueados e retirados do ar.
  • Publicidade: novos contratos de publicidade não poderão ser firmados. Contratos já acertados poderão ser executados até 5 de outubro.
  • Jogo do Tigrinho: os cassinos online também estão incluídos na proibição, portanto jogos como o Tigrinho não estão permitidos.
  • Dinheiro nas bets: quem tiver saldo deverá acessar a plataforma até 5 de outubro para solicitar o resgate.
  • Desenrola 3: no mesmo evento, Lula anunciou o novo programa de negociação de dívidas.

Quando as bets acabam no Brasil?

Imediatamente. A partir da publicação da proposta, fica expressamente vedado qualquer novo aporte financeiro por parte dos usuários. As plataformas não podem aceitar transferências como Pix, cartões ou boletos.

Com a Medida Provisória, as bets até então autorizadas não poderão oferecer apostas nem fazer qualquer tipo de publicidade no país. As empresas têm até 5/10 para retirar material publicitário e de patrocínio veiculado em meios físicos e em peças de publicidade exterior.

Fim das bets é política de interesse público

A extinção das autorizações decorre de motivo de interesse público e não gera direito a indenização por lucros cessantes, por investimentos realizados ou por expectativa de continuidade da atividade, tampouco à devolução total ou parcial do valor pago pelas outorgas.

Até o momento, foram concedidas 85 outorgas para exploração de apostas de quota fixa no país, cada uma no valor de R$ 30 milhões, totalizando R$ 2,55 bilhões pagos pelas empresas durante o processo de concessão.

Como será a ficalização das bets?

O Ministério da Fazenda e o Ministério da Justiça atuarão para o bloqueio de sites ilegais. O Ministério da Fazenda conta com um laboratório virtual dedicado à identificação e ao bloqueio mais rápido de plataformas irregulares.

Após a identificação dos sites, a SPA comunica a Anatel para o bloqueio dos domínios, com medidas que incluem também a remoção de aplicativos e a restrição dos meios de pagamento utilizados por operadores ilegais.

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Presidente Lula e o prefeito de Recife, João Campos, seguram cartaz que pede o fim das bets – Foto: Ricardo Stuckert

A MP cria ainda o Comitê Institucional de Fiscalização e Combate à Exploração Ilegal de Apostas, coordenado pela Casa Civil, para promover a articulação e a coordenação das ações das autoridades competentes para a prevenção, a fiscalização e a repressão à oferta, a exploração e a publicidade das bets.

As sanções aplicáveis a pessoas físicas e jurídicas que descumprirem as determinações vão de advertência a multas que podem chegar a R$ 2 bilhões, além de suspensão parcial ou total das atividades, no caso das pessoas jurídicas.

Bets se tornaram um problema de saúde pública

As apostas online passaram a representar uma nova e crescente demanda de saúde pública. O problema vai além da perda financeira: o transtorno do jogo está associado a ansiedade, depressão, perda de controle, alterações no sono e no humor, conflitos familiares, isolamento, prejuízos às relações pessoais e profissionais e maior
uso de álcool e outras drogas.

A mortalidade por suicídio é 15 vezes maior entre pessoas com transtorno do jogo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). A dificuldade financeira é o principal fator associado ao suicídio entre apostadores.
O risco de desenvolver dependência é três vezes maior entre pessoas socioeconomicamente vulneráveis e 150% maior entre jogadores online.

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Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, mostrou, durante anúncio da MP do fim das bets, os impactos do vício em apostas na saúde pública – Foto: Ricardo Stuckert

Em 2023, mais de 28 milhões de brasileiros haviam apostado nos 12 meses anteriores à pesquisa, e 10,9
milhões apresentavam padrão de jogo de risco ou problemático. Os efeitos já aparecem na demanda pelo SUS. Entre 2018 e 2025, os atendimentos relacionados a jogo patológico e problemas com apostas cresceram cerca de 140%, e a projeção é de aumento de mais 104% até 2028.

Estudo do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde estima em R$ 38,8 bilhões anuais o custo social associado aos jogos, dos quais R$ 30,6 bilhões — quase 79% — estão ligados à saúde, incluindo suicídios, perda de qualidade de vida associada à depressão e tratamentos médicos.

A exposição começa cedo e também afeta familiares. Pesquisa em escolas públicas e privadas mostrou que 20,4% dos estudantes já apostaram online; o contato pode começaraos 11 anos e, entre os meninos do 3º ano do Ensino Médio, a proporção chega a 49,7%.

Entre as mulheres que apostam ou já apostaram, 65% disseram não ter procurado ajuda por vergonha; entre as que não apostam, 12% relatam impactos decorrentes do jogo de familiares.

Governo Lula cria projeto de Lei para tipificar crimes que envolvem bets

Além da Medida Provisória, o governo elaborou Projeto de Lei para definir conceitos e tipificar crimes relativos às apostas de quota fixa. A proposta tipifica cinco condutas:


● exploração de bets, ainda que autorizado por autoridade estrangeira (reclusão de 4 a 6 anos);
● divulgação de apostas de quota fixa ou captação de apostadores (reclusão de 2 a 4 anos e multa);
● uso de dados pessoais para captação de apostadores (reclusão de 2 a 4 anos e multa, com aumento de pena se os dados envolverem histórico de apostas, saúde ou forem de criança ou adolescente);
● facilitação financeira da exploração de apostas de quota fixa (reclusão de 2 a 4 anos e multa); e
● fornecimento de aplicação de internet para apostas de quota fixa (reclusão de 2 a 4 anos e multa, com aumento se a aplicação burlar verificação de idade ou localização, ou for dirigida a criança ou adolescente).


Conheça as histórias de quem perdeu a vida com as bets

Quem tem dinheiro nas bets deve fazer o quê?

Quem possui saldo em uma plataforma deverá solicitar o resgate até as 23h59 de 5 de outubro.

Depois desse prazo, começa uma etapa de identificação dos valores. Nos dias 6 e 7 de outubro, as empresas deverão fechar os saldos individualizados por CPF e informar aos bancos os dados necessários para a devolução.

Entre as informações previstas estão:

  • o CPF do apostador;
  • o valor existente na conta;
  • o banco de origem da movimentação;
  • os dados necessários para realizar a devolução.

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Regulação das redes ajudaria evitar interferência nas eleições

As plataformas de redes sociais devem estabelecer mecanismos para detectar e mitigar riscos de interferência indevida na integridade de processos democráticos, inclusive em eleições. Esse é um dos pontos destacados pelo documento “Diretrizes para a Regulação de Plataformas de Redes Sociais”, elaborado pelo CGI (Comitê Gestor da Internet). Saiba mais em TVT News.

O documento estabelece parâmetros sobre a responsabilidade das empresas por conteúdos de terceiros, limites ao uso de inteligência artificial, regras de transparência algorítmica e combate a abusos de mercado e é um guia para orientar novos projetos de lei e subsidiar decisões do Congresso Nacional, do Judiciário e de órgãos reguladores.

Sobre as eleições o documento recomenda “vedar e monitorar práticas como monetização e impulsionamento e anúncios de conteúdo antidemocrático e de canais contumazes ou reincidentes nesse tipo de conteúdo e a contratação de disparos em massa em rede social de mensagens”. Além disso, defende “vedar, em contexto eleitoral, estratégias de uso enganoso de mecanismos de buscas e monitorar e mitigar riscos de cibersegurança, como invasão ou comprometimento de contas e perfis de participantes de processos eleitorais, democráticos ou institucionais do Estado brasileiro”.

A assessora de políticas públicas digitais do CGI, Julia Oms explica que o modelo das plataformas digitais é baseado no engajamento com o público e com a publicidade. “Por isso, numa das diretrizes de responsabilidade, a gente coloca que você deve ter um regime de responsabilidade diferenciado e gradativo para conteúdos que são monetizados, porque o CGI entende que a monetização que a plataforma permite está inserida em uma lógica de incentivo das plataformas à produção desse conteúdo. Dessa forma, uma medida de prevenção de conteúdos danosos seria interromper a monetização de conteúdos desinformativos e com potencial de danos relacionados à desinformação climática, ao funcionamento de processo político democrático e à saúde pública”, explicou.

A interrupção de monetização é recomendada para casos onde existe uma dúvida sobre o conteúdo, quando não se tem dúvida, a recomendação é a remoção.

Uma das condições importantes para a regulação é que as plataformas mantenham representação legal ou escritório próprio no Brasil se o serviço for ofertado ao público brasileiro. “Fatores que podem ser considerados para orientar tal condição são a quantidade de usuários brasileiros, a existência de relações comerciais com brasileiros e a presença de conteúdos ofertados em Língua Portuguesa”, orienta a cartilha.

O professor de Políticas Públicas da UFABC (Universidade Federal do ABC), Sérgio Amadeu afirma que as plataformas da Meta têm regras obscuras e uma gestão invisível. “ Nós podemos estar, na verdade, vivendo um momento, no qual, conteúdos da extrema direita possam estar sendo muito mais distribuídos do que conteúdos das forças democráticas. Então, como que você vai provar que existe o mínimo de equanimidade, o mínimo de condições básicas da democracia na distribuição desses conteúdos? Nós não temos como saber como eles estão sendo, manipulados, modulados ou organizados pelos donos da plataforma”, enfatizou.

Autor do livro “Democracia e os Códigos Invisíveis: como os algoritmos estão modulando comportamentos e escolhas políticas”, Amadeu afirma que a regulação é fundamental para se ter o mínimo de condições similares entre quem disputa os mandatos. “É preciso ter condições mínimas de equidade. Isso é a base da democracia. A equidade e a transparência e não existe isso nas plataformas”.

Fábio Porchat é censurado

O humorista Fábio Porchat teve o perfil da série “Revelando”, em que traz episódios explicando as ligações entre o Banco Master, a Igreja Batista da Lagoinha e políticos como Flávio Bolsonaro, Nicolas Ferreira e ministros do Supremo Tribunal.

Em vídeo que denunciou a derrubada, Porchat contesta “só ontem a página teve mais de 6 milhões de visualizações, 140 mil compartilhamentos e 33 mil comentários”. O vídeo chegou a ser o primeiro colocado do Youtube no Brasil. A página voltou ao ar e, segundo vídeo do próprio Porchat, os acessos caíram.

Para Amadeu, é nítido que o grupo Meta segue instruções da extrema direita norte-americana, que tem interesses muito concretos na eleição brasileira e a favor dos interesses de Donald Trump.

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Sérgio Amadeu vê interesses da Meta ligados a governo Trump. /Foto: Casa Branca/Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

“Tinha que ter regras claras de todo o conteúdo impulsionado, ter o valor explicitado desse impulsionamento. Grande parte da campanha eleitoral não é feita pelos comitês oficiais é feita por apoiadores que recebem recursos. […] recentemente, divulgaram que os partidos no Brasil estão gastando praticamente 1 bilhão de reais com propaganda eleitoral nas plataformas. Mas isso é a propaganda oficial. E a não oficial? É muito mais do que 1 bilhão. E a gente não sabe, porque a opacidade é total em relação as plataformas”, criticou.

A Secretaria Nacional de Justiça na condição de coordenadora do Observatório Nacional de Violência contra Jornalistas e Comunicadores oficiou a Meta cobrando esclarecimentos sobre a suspensão do perfil “Revelando”.

No ofício, a secretaria informa que “novamente se verifica a adoção de medida de remoção de conta cujo fundamento e parâmetros de aplicação não se mostram claros a par das informações publicamente disponíveis”.

A instituição exige o esclarecimento dos motivos que fundamentaram a desativação ou remoção do perfil. Entre os pontos que a secretária exige resposta está saber se a remoção decorreu de “identificação automatizada de conteúdo, de denúncia realizada por usuário(s), ou por identificação automatizada de conteúdo, de denúncia realizada por usuário(s) ou terceiro(s), de análise humana ou de procedimento que combine esses mecanismos”.

Segundo Juliana casos como esses poderiam ser evitados se as empresas adotassem essas diretrizes. “Nesse sentido, se eventualmente a gente considerar que esse conteúdo foi removido de forma automatizada em virtude de denúncias coordenadas, por exemplo, a nossa diretriz de salvaguarda para liberdade de expressão, se torna ainda mais relevante, porque se você considerar, que esse perfil ‘Revelando’ estava produzindo conteúdos jornalísticos, eles deveriam estar também protegidos por essas camadas, por esse nível de proteção a mais, por estarem mais expostos a riscos de derrubada”, avaliou.

Direitos humanos

O livreto também traz uma sessão de diretrizes sobre direitos humanos. A orientação é de que as redes sociais adotem medidas preventivas para enfrentar as violações contra direitos humanos e propagação de discurso de ódio, com cuidados adicionais para proteger populações socialmente vulneráveis. Entre as medidas sugeridas, estão: termos de uso que definam os parâmetros para a moderação de conteúdo, contemplando medidas aplicáveis a conteúdos relacionados a violações a direitos humanos, relatórios de transparência sobre remoções relacionadas a discurso de ódio e demais violações e canais de denúncia ágeis.

“Se de um lado elas têm o dever de retirar conteúdos desinformativos em relação, por exemplo, a urnas eleitorais, a saúde pública, por outro lado elas tem que também cuidar para que esse sistema de moderação de conteúdo previna riscos de remoção indevida e prejudique também a liberdade de expressão. Nesse sentido, a gente coloca na diretriz 39 a importância do devido processo na moderação de conteúdo, que deve envolver transparência sobre motivação da decisão, direito do usuário que teve seu conteúdo removido de solicitar revisão dessa decisão. Se essa decisão foi feita de forma automática, ele também tem direito de pedir uma revisão humana”, explica Juliana Oms.

Ela dá o exemplo de pessoas que utilizam as redes sociais para vender produtos e tem o perfil removido. “Causa um prejuízo imenso ao sustento de vida, nesse sentido, a gente também coloca um dever de reparação pelos danos da remoção indevida.”

Outra sugestão é que a moderação seja feita em camadas com níveis de proteção extra para perfis que respeitam as regras, mas estão mais sujeitos a denúncias e derrubadas por causa da exposição.

“A gente pode pensar que cargos políticos. Você pode ter uma deputada que está sendo perseguida por determinado grupo e ela está se sofrendo muitas denúncias, só que é uma pessoa tem um interesse público enorme de que ela esteja ali, divulgando seu trabalho. Ou mesmo, perfis de conteúdos jornalísticos que, também, podem sofrer ataques coordenados de denúncia. Nesse sentido, a gente coloca uma recomendação para moderação em camadas em nível de proteção a perfil, mas tudo isso tem que ser feito de forma transparente”, concluiu.

Trabalhadores nas plataformas

Ainda, as diretrizes falam sobre condições de trabalho decente nas plataformas. As redes sociais devem dar garantirias ao trabalho para e a partir de suas plataformas — que abrangem, por exemplo, atividades relacionadas à moderação de conteúdo, treinamento de inteligência artificial. “Imagina esses trabalhadores tendo que assistir vídeos relacionados a conteúdos de suicídio, conteúdos de abuso sexual para remover isso da plataforma […] a diretriz recomenda que o trabalho a partir de suas plataformas seja adequadamente remunerado, exercido em condições de liberdade, cuidado e segurança, aquilo do que que é a definição de trabalho decente”, afirmou a representante do CGI.

Ainda segundo Júlia, o documento aborda as condições adequadas para aqueles usuários que não são trabalhadores contratados pelas plataformas mas que desenvolvem atividades econômicas e profissionais por meio delas. “Qualquer alteração no algoritmo dessa empresa, qualquer remoção, vai interferir a vida do trabalho, sustento dessas pessoas, nesse sentido, essa diretriz também recomenda proteções para esses usuários profissionais”, concluiu.

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Quem é Peixe, miliciano condenado no caso Marielle, que intermediou emenda de Flávio Bolsonaro

Robson Calixto da Fonseca, miliciano conhecido como “Peixe”, aparece em investigações da Polícia Federal sobre a destinação de recursos públicos para uma ONG do Rio de Janeiro. Segundo as apurações citadas nos textos de apoio, ele manteve tratativas com Maria de Fátima Bezerra Castro, assessora do senador Flávio Bolsonaro (PL), para viabilizar uma emenda parlamentar de quase R$ 200 mil ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (Ifop). Leia em TVT News.

A atuação de Peixe nesse episódio veio à tona a partir de mensagens encontradas pela Polícia Federal em seu celular. Os diálogos mostram que ele procurou a assessora em outubro de 2023 para pedir que Flávio Bolsonaro destinasse recursos à entidade. Em uma das mensagens, escreveu: “Amiga, vê com o nosso senador se consegue nos ajudar”.

Maria de Fátima respondeu pedindo que ele encaminhasse a solicitação por e-mail ou ofício. Em seguida, também orientou Peixe a reforçar pessoalmente o pedido com Flávio Bolsonaro durante um evento no Rio de Janeiro. A emenda, no valor de R$ 199.999,79, foi destinada ao Ifop em novembro daquele ano.

Quem é Robson Calixto, o Peixe

Peixe foi assessor de Domingos Brazão na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e posteriormente no Tribunal de Contas do Estado do Rio (TCE-RJ). De acordo com os textos de apoio, a Procuradoria-Geral da República (PGR) apontou Calixto como operador e intermediário das relações mantidas pelos irmãos Domingos e Chiquinho Brazão.

As investigações do caso Marielle também atribuíram a ele funções relacionadas aos negócios dos irmãos Brazão, incluindo atividades envolvendo imóveis e loteamentos irregulares. A PGR apontou ainda que Peixe teria atuado como procurador informal e “laranja” do grupo.

Em fevereiro de 2026, o Supremo Tribunal Federal condenou Robson Calixto a nove anos de prisão por organização criminosa armada no caso do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. Ele não foi condenado pelos homicídios, mas pela participação na organização criminosa.

O nome de Peixe também apareceu em relatos encaminhados ao Disque-Denúncia em 2018. Segundo relatório da Polícia Federal citado nos textos, ele era apontado como responsável por arrecadar valores provenientes de extorsões praticadas por milicianos na região da Taquara, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro.

Na delação premiada, Ronnie Lessa, que confessou ter assassinado Marielle e Anderson, descreveu Peixe como homem de confiança e “faz tudo” de Domingos Brazão. Lessa também afirmou que Calixto teria participado de articulações relacionadas ao crime e providenciado a submetralhadora utilizada no assassinato. Peixe negou essa acusação.

Relação com a assessora de Flávio Bolsonaro

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Mensagens mostram assessora do senador Flávio Bolsonaro tratando de repasse de quase R$ 200 mil com Robson Calixto, condenado no caso Marielle e ligado aos irmãos Brazão. Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

A relação entre Peixe e Maria de Fátima Bezerra Castro é um dos pontos investigados pela Polícia Federal. O contato da assessora estava salvo no celular de Calixto como “Fafá Flávio Bolsonaro”. Segundo a investigação, ela funcionava como interlocutora entre Peixe e o gabinete do senador.

Após o primeiro contato, Peixe voltou a cobrar a liberação dos recursos em diferentes ocasiões. Em novembro de 2023, escreveu que não queria que o projeto do Ifop fosse interrompido e pediu novamente que o senador destinasse a verba.

O pagamento ocorreu em 29 de novembro de 2023. O dinheiro deveria financiar a compra de chuteiras para crianças atendidas pelo projeto esportivo “Jogadores do Futuro”.

Meses depois, segundo as mensagens analisadas pela PF, a assessora voltou a procurar Peixe para pedir quatro ingressos para o desfile das escolas campeãs no Carnaval do Rio. A investigação classificou a solicitação como possível “vantagem indevida”. Peixe teria procurado um terceiro para conseguir as entradas.

Emenda é alvo de investigação

O Ifop recebeu, ao todo, R$ 2 milhões em recursos públicos mencionados nos textos de apoio: R$ 200 mil indicados por Flávio Bolsonaro, R$ 300 mil por Chris Tonietto e R$ 1,5 milhão por Chiquinho Brazão. A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União investigam suspeitas de desvio de recursos, peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

O Tribunal de Contas da União também identificou indícios de irregularidades na utilização da verba destinada por Flávio Bolsonaro. Segundo a auditoria, o instituto não teria demonstrado busca por condições mais vantajosas nas compras nem preocupação suficiente com economia e eficiência.

No projeto beneficiado pela emenda do senador, pais de alunos afirmaram que as chuteiras previstas não foram entregues. A investigação também identificou a contratação de um escritório de advocacia pertencente a integrantes ligados à própria direção do instituto para atuar na coordenação do projeto esportivo.

Flávio Bolsonaro afirmou, por meio de sua assessoria, que a emenda foi destinada dentro da legislação vigente e dos critérios técnicos do Ministério do Esporte. Segundo o senador, a responsabilidade pela execução dos recursos é da entidade beneficiária e eventuais irregularidades devem ser apuradas pelos órgãos de controle.

O Ifop afirmou desconhecer a participação de Peixe na obtenção da verba e negou manter relações com ele ou com a família Brazão. A entidade disse ter contratado uma assessoria especializada para apresentar projetos a parlamentares.

Mudança proposta por Flávio Bolsonaro no Imposto de Renda poderia beneficiar escritório do senador

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apresentou, em novembro de 2025, uma emenda a um projeto que alterava as regras do Imposto de Renda para excluir da nova tributação lucros e dividendos distribuídos por sociedades de prestação de serviços profissionais. A mudança poderia beneficiar o próprio parlamentar, que mantém uma sociedade individual de advocacia. Leia em TVT News.

A emenda foi apresentada em 5 de novembro de 2025 ao PL 1.087/2025, proposta enviada pelo governo federal que ampliava a faixa de isenção do Imposto de Renda e criava uma tributação mínima para pessoas físicas de alta renda. O projeto foi aprovado pelo Congresso e deu origem à Lei 15.270, de 26 de novembro de 2025.

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O que Flávio propôs

A emenda apresentada pelo senador previa que lucros e dividendos pagos por sociedades de prestação de serviços profissionais, submetidas à fiscalização de conselho profissional, não fossem incluídos na retenção do Imposto de Renda.

A mesma exceção seria aplicada no cálculo anual do Imposto de Renda da Pessoa Física Mínimo (IRPFM), mecanismo criado para aumentar a tributação efetiva sobre contribuintes de alta renda.

Na versão aprovada do projeto, a regra geral previa retenção de 10% sobre lucros e dividendos superiores a R$ 50 mil pagos por uma mesma empresa a uma mesma pessoa física em um mês.

A relação com Flávio Bolsonaro decorre do fato de o senador manter uma sociedade individual de advocacia. Como a exceção proposta abrangia sociedades de prestação de serviços profissionais submetidas à fiscalização de conselho profissional, o escritório do parlamentar estaria entre as estruturas potencialmente alcançadas pela mudança.

Projeto criou nova tributação sobre altas rendas

O PL 1.087/2025 tinha como principais medidas a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda e a criação de uma tributação mínima para pessoas físicas de alta renda.

A proposta também estabeleceu novas regras para a tributação de lucros e dividendos. A mudança passou a fazer parte da legislação após a aprovação do projeto pelo Congresso e a sanção da Lei 15.270/2025.

A emenda de Flávio buscava retirar as sociedades de prestação de serviços profissionais desse mecanismo de tributação, desde que submetidas à fiscalização de seus respectivos conselhos profissionais.

Atuação no Senado

Flávio participou da discussão do projeto no Senado em novembro de 2025. No registro oficial da Casa, o parlamentar aparece como autor de pronunciamento durante a sessão que debateu o PL 1.087/2025, com temas relacionados à desoneração fiscal e ao Imposto de Renda.

A proposta apresentada pelo senador não foi incorporada à regra final aprovada pelo Congresso.

Em cenário acirrado, estabilidade de indicadores pode favorecer Lula na reta final

SÃO PAULO —  Na reta final da disputa presidencial, a nova rodada da pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta (24/09) traz boas e más notícias para ambos os candidatos na liderança, segundo os analistas políticos do Labop FESPSP (Laboratório de Opinião Pública e Mídias Digitais da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo). Leia em TVT News.

Por um lado, os resultados confirmam a consolidação do cenário de estabilidade e de polarização cristalizada dos votos no presidente e no senador, configurando, de certo modo, a reedição do pleito de 2022, quando a oposição obteve vitória apertada de apenas 1,8% a mais de votos do que o incumbente da época. Por outro, essa mesma estabilidade consistente do presidente na liderança numérica com 47% das intenções de voto no segundo turno, contra 45% do senador Flávio Bolsonaro, mostra que depois de semanas com a exposição da crise do Supremo, não houve alteração nas intenções de voto dos principais candidatos.

No entendimento do cientista político Hilton Fernandes, divergindo de outros institutos, o Datafolha sinaliza vantagem estratégica para a campanha governista, ao mostrar resiliência de Lula diante do intenso noticiário político recente. O incumbente se mantém “consistentemente à frente de Flávio Bolsonaro, ainda que empatados na margem de erro no cenário de segundo turno (47% contra 45% de Flávio) e no limite da margem de erro no primeiro turno (40% contra 36%)”, diz Fernandes.

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Mesmo com melhora discreta, a percepção da administração federal também trouxe fôlego técnico para o atual mandatário. Em uma eleição tão acirrada, em que cada ponto pode ser determinante para a vitória, a queda de 2 pontos percentuais na avaliação negativa do governo, passando de 42% para 40%, enquanto a positiva se manteve em 34%, não deixa de ser uma boa notícia para a campanha de Lula, avalia o cientista político.

Metodologias diferentes, resultados diversos

Hilton explica que o comportamento das pesquisas do Datafolha na contramão de levantamentos de outros institutos divulgados nesta mesma semana acende o debate sobre as diferentes metodologias de amostragem. O desenho amostral do Datafolha, por entrevistas em pontos de fluxo nas cidades, pode explicar a manutenção da vantagem lulista.

A última pesquisa Datafolha registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número BR-00304/2026 foi realizada entre os dias 22 e 24 de setembro com 2.002 eleitores. Seus resultados apresentam margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%.

Quem decidirá a eleição para presidente

Com a rejeição também empatada rigorosamente em 45%, a definição do pleito deve caminhar para segmentos específicos do eleitorado, avalia o analista político Beto Vasques, coordenador do Labop. A escolha do próximo presidente está agora, portanto, nas mãos dos eleitores pendulares — aqueles sem posição ideológica que ora pendem para um candidato e ora para outro e que são muito sensíveis ao noticiário — e no perfil da abstenção no dia da eleição.