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Da Redação
Após telefonema entre Lula e Trump, negociadores de Brasil e EUA retomam diálogo sobre tarifaço na próxima semana
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) confirmou que se reunirá na próxima semana com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, para discutir o tarifçao, as tarifas aplicadas pelo governo americano sobre produtos brasileiros.
O encontro, que ocorrerá por videoconferência, foi agendado após um telefonema entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump na manhã desta sexta-feira (21). Segundo o ministro, Greer fez contato imediatamente após a conversa entre os dois mandatários para buscar uma agenda com o brasileiro.
Ligação entre presidentes dura mais de uma hora e tem tom cordial
O telefonema entre Lula e Trump teve duração superior a uma hora e foi descrito como “cordial”. Durante a conversa, os dois presidentes trataram das taxas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil. De acordo com nota da Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), Lula enfatizou que as alegações que basearam a medida – como desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, Pix, etanol e importações de produtos com trabalho forçado – “são infundadas”.

O governo brasileiro tem sustentado essa posição nas mesas de negociação desde o início do processo. Aliados do presidente avaliam que as medidas têm teor político e têm denunciado a atuação de adversários, como Eduardo Bolsonaro e Flávio Bolsonaro, para provocar a taxação. Apesar disso, a avaliação no entorno petista é que o processo de reciprocidade não deve avançar neste ano, e defendem cautela para evitar decisões precipitadas.
Brasil notificou EUA sobre reciprocidade na semana passada
Na semana anterior, o governo brasileiro informou ter notificado os Estados Unidos sobre o início do processo de reciprocidade em razão do tarifaço imposto aos produtos do país. O Brasil foi atingido por duas tarifas pela gestão Trump: uma de 25%, específica para o país, e outra de 12,5%, que alcança também outras nações. As taxas se somam, embora haja exceções para determinados produtos da pauta exportadora.

A tarifa adicional de 25% imposta pelos EUA a parte dos produtos brasileiros começou a valer em 22 de julho. De acordo com o MDIC, a medida atinge 15% do volume exportado para os EUA em 2025, o que equivale a US$ 5,8 bilhões. Os setores mais impactados são madeira, móveis, máquinas e equipamentos, calçados, produtos cerâmicos e açúcar.
Entenda o tarifaço dos EUA sobre o Brasil
O novo tarifaço foi adotado após uma investigação do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) sobre supostas práticas “desleais” do Brasil que prejudicariam empresas americanas. A administração Trump citou argumentos como o Pix, o desmatamento e a corrupção – todos rebatidos pelo governo brasileiro.

Além da tarifa específica de 25%, o Brasil foi atingido por uma sobretaxa aplicada sob a alegação de que, junto com outras 59 nações, o país falharia em barrar a entrada de importações fabricadas com trabalho forçado. Desse grupo, 54 países foram tarifados em 12,5% e outros seis com 10%. Os argumentos também são rechaçados pela gestão Lula.
A retomada das negociações é vista pelo ministro como um bom sinal. “Precisávamos, de fato, retomar as negociações, era isso o que o Brasil sempre buscou, trazer ele de volta à mesa”, afirmou. O encontro da próxima semana, ainda sem data definida, deverá restabelecer o diálogo entre as equipes técnicas dos dois países.
Fim da escala 6×1 e PEC da segurança pública terão relatores aliados ao Governo Lula
O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Otto Alencar (PSD-BA), acertou com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), a definição dos relatores das duas propostas de emenda à Constituição consideradas prioritárias pelo governo Lula: a PEC do fim da escala 6×1 e a PEC da Segurança Pública.
O senador Omar Aziz (PSD-AM) ficará com a relatoria da PEC que reduz a jornada de trabalho, enquanto o senador Rogério Carvalho (PT-SE) comandará a análise da proposta sobre segurança pública. As duas matérias foram encaminhadas nesta sexta-feira (21) para a CCJ, em um movimento que consolida a reaproximação entre o Planalto e o comando do Senado.
Nomeações selam acordo entre Planalto e Senado
A escolha dos nomes foi resultado direto da retomada do diálogo entre Lula e Alcolumbre nos últimos dias. O presidente do Senado se reuniu com o chefe do Executivo por três vezes em um período de dez dias, o que destravou pautas que estavam paralisadas na Casa. Com o encaminhamento das propostas para a CCJ, o governo agora busca aprovar as medidas no esforço concentrado do Congresso previsto para o final de agosto e início de setembro.
O senador Otto Alencar afirmou que a definição dos relatores foi construída em conjunto com Alcolumbre e que agora aguarda o cronograma de trabalhos dos dois parlamentares para verificar a viabilidade de aprovação ainda neste período. A movimentação ocorre em um momento em que o governo tenta acelerar a tramitação de propostas antes das eleições, aproveitando a janela de articulação política aberta pela aproximação com o presidente do Senado.
O que propõe a PEC do fim da escala 6×1
A Proposta de Emenda à Constituição que acaba com a escala 6×1 reduz a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais e garante aos trabalhadores pelo menos dois dias de descanso remunerado por semana, sendo um deles preferencialmente aos domingos. O texto aprovado pela Câmara dos Deputados estabelece um período de transição de até 14 meses, sem redução nos salários.

Nos primeiros dois meses após a promulgação, a jornada máxima cairá para 42 horas semanais. Depois desse período, as empresas terão mais 12 meses para reduzir o limite para 40 horas. O fim da escala 6×1, com a garantia de duas folgas semanais, começará a valer 60 dias depois da promulgação. Os dias de descanso não precisam ser consecutivos, mas um deles deve ocorrer preferencialmente aos domingos.
A PEC não impede que empresas mantenham atividades durante todos os dias da semana. A mudança é voltada à jornada de cada trabalhador, o que permite que estabelecimentos que funcionam aos sábados, domingos e feriados organizem escalas diferentes entre seus funcionários, desde que respeitem o limite semanal e os dois dias de descanso.
O que prevê a PEC da Segurança Pública
A PEC da Segurança Pública amplia a atuação federal no combate ao crime organizado e inclui na Constituição Federal um sistema único de segurança pública, com atuação descentralizada e responsabilidades compartilhadas entre União, estados e municípios. O texto aprovado pelos deputados mantém as polícias civis, militares e penais e os corpos de bombeiros subordinados aos governadores.
A Polícia Federal passará a ter atribuição constitucional expressa para combater organizações criminosas e milícias privadas com atuação interestadual ou internacional. A Polícia Rodoviária Federal também terá sua área de atuação ampliada: além das rodovias federais, a corporação poderá atuar em ferrovias e hidrovias.
A proposta também insere na Constituição o Fundo Nacional de Segurança Pública e o Fundo Penitenciário Nacional, assegurando a existência desses mecanismos e estabelecendo uma base permanente para o financiamento das políticas de segurança e do sistema prisional. O texto prevê ainda instrumentos para fortalecer a atuação estatal contra facções e organizações criminosas consideradas de alta periculosidade.
Um ponto que ficou de fora da versão final foi a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos para crimes cometidos com violência ou grave ameaça. O trecho foi retirado antes da votação final na Câmara, a pedido do governo e do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), e deverá ser discutido em outra proposta.
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Lula visita obras da BR-116 e da Ponte do São Raimundo em Governador Valadares (MG)
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, visitou nesta sexta-feira, 21 de agosto, as obras de duplicação da rodovia BR-116 e da Ponte sobre o Rio Doce (Ponte do São Raimundo), localizadas no município de Governador Valadares (MG). As intervenções são executadas pela concessionária Ecovias Rio Minas, responsável pela administração do trecho. Leia em TVT News.
Com investimentos de aproximadamente R$ 309 milhões, os trabalhos foram iniciados em junho de 2025 entre os km 408 e 421,6, com o objetivo de ampliar a capacidade de tráfego e reduzir o congestionamento local. O projeto total prevê a geração de cerca de dois mil empregos diretos e indiretos, com absorção de mão de obra prioritariamente pelos municípios cortados pela rodovia, levando crescimento econômico e desenvolvimento para a região.
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ESTRUTURA — As obras contemplam um conjunto de intervenções infraestruturais ao longo do trecho delimitado:
- 9,1 quilômetros de pistas duplicadas;
- 5,2 quilômetros de vias marginais;
- Duas novas pontes, incluindo a nova estrutura sobre o Rio Doce;
- Dois novos viadutos e construção de passagens inferiores com início em 2026;
- Seis passarelas para pedestres e readequação de acessos segundo as diretrizes de acessibilidade da norma NBR 9.050/2004;
- Seis pontos de ônibus, 12 acessos e dois retornos.
NOVA PONTE — A nova ponte sobre o Rio Doce tem 477 metros de extensão, composta por vãos de até 55 metros sobre a água e 30 metros sobre a terra. A estrutura é construída com vigas pré-moldadas de concreto, laje de conexão e pilares fixados diretamente em rocha. A pista contará com duas faixas de rolamento, acostamento e passagem para pedestres. Atualmente, a duplicação da ponte alcançou cerca de 50% de execução.
FASES — Em março de 2026, a concessionária iniciou a fase de duplicação do trecho entre o km 421+400 e o km 414, que se estende até a região da Ponte do São Raimundo. As etapas preliminares englobam a limpeza de vegetação, remoção da camada superficial do solo, montagem do canteiro de obras e implantação de sinalização provisória para segurança viária.
DESENVOLVIMENTO REGIONAL — A previsão de término de todo o conjunto de intervenções é para o ano de 2026. A duplicação deste trecho é considerada estratégica para o desenvolvimento regional, ao proporcionar melhorias na fluidez do tráfego, ampliar as condições de segurança viária e apoiar o crescimento econômico de Governador Valadares e municípios do entorno.
SOLUÇÕES — O projeto prevê a implementação de soluções de infraestrutura tecnológica e sustentável:
- Uso de asfalto reciclado: Utilização do Material Asfáltico Reciclado (RAP), obtido do fresado do pavimento da própria rodovia para confecção de novas misturas.
- Iluminação inteligente: Sistema automatizado para ajuste de intensidade conforme a luz ambiente, com término previsto para 2027 (quinto ano da concessão).
- Monitoramento e conectividade: Instalação de câmeras CFTV com transmissão em tempo real ao Centro de Controle Operacional, painéis de mensagens variáveis e implantação de sinal 4G ao longo da rodovia.
PROJETO RIO MINAS — As obras de duplicação da rodovia BR-116 e da Ponte do São Raimundo fazem parte do projeto de concessão rodoviária Ecovias Rio Minas, que totaliza R$ 15 bilhões de investimentos no primeiro ciclo de obras. A iniciativa conta com financiamento de R$ 7,3 bilhões do BNDES, contratado em janeiro de 2025, e
cofinanciamento do mercado de capitais (50% da 1ª série, que é de R$ 675 milhões), além de financiamento de R$ 500 milhões do Banco do Nordeste.
726,9 KM — O projeto abrange 726,9 km de rodovias federais (BR-493/RJ, BR-465/RJ e BR-116/RJ/MG), ligando a Região Metropolitana do Rio de Janeiro a Governador Valadares. A previsão é de que as obras geram mais de 24 mil empregos diretos e indiretos. O projeto envolve a única rota terrestre de contorno da Baía de Guanabara e de
conexão ao Porto de Itaguaí — corredor de escoamento de minério, grãos, café e produtos industriais entre Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Match Eleitoral da Folha permite que candidatos de SP apresentem posições a eleitores
Candidatos a deputado federal e a senador por São Paulo poderão participar do Match Eleitoral, ferramenta desenvolvida pela Folha para ajudar eleitores a identificar quais postulantes apresentam maior afinidade com suas próprias posições. A iniciativa será disponibilizada para as eleições de 2026 e terá como base respostas dos candidatos e dos eleitores a um conjunto de perguntas sobre economia, política e comportamento. Leia em TVT News.
Para integrar a plataforma, os candidatos precisam entrar em contato com o Datafolha e participar da entrevista. O instituto será responsável por coletar as respostas que formarão o banco de dados utilizado pela ferramenta. Ao todo, são 22 perguntas, com tempo estimado de aproximadamente 15 minutos para conclusão.
Os candidatos interessados em participar devem procurar o Datafolha pelos telefones (11) 97129-9015, (11) 3224-3811 ou (11) 3224-2152. Também é possível solicitar a entrevista pelo e-mail [email protected].
Como funciona o Match Eleitoral
A ferramenta deverá ser lançada em setembro. Quando estiver disponível, o eleitor responderá às mesmas perguntas apresentadas aos candidatos. Entre os temas estão questões relacionadas à defesa dos direitos humanos, meio ambiente, desenvolvimento econômico e outros assuntos políticos e sociais.
Uma das perguntas previstas, por exemplo, aborda se a defesa dos direitos humanos é fundamental para combater as injustiças da sociedade. Outra trata da relação entre proteção ambiental e desenvolvimento dos negócios no país.
Depois que o eleitor concluir o questionário, suas respostas serão cruzadas com aquelas fornecidas pelos candidatos que participaram previamente do levantamento. O sistema apresentará então uma escala de afinidade entre o perfil do eleitor e as posições declaradas pelos postulantes.
A proposta é oferecer mais uma ferramenta de consulta durante o processo eleitoral, permitindo que o eleitor tenha acesso às posições dos candidatos de forma organizada e possa verificar quais respostas se aproximam mais das suas próprias escolhas.
Informações também estarão nas páginas dos candidatos
A participação no Match Eleitoral também permitirá que os candidatos tenham uma área específica dentro de suas fichas no site da Folha. A chamada aba Match Eleitoral reunirá as respostas apresentadas pelos postulantes.
O espaço também terá informações declaradas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), permitindo que o eleitor consulte os dados dos candidatos em conjunto com suas respostas às perguntas da ferramenta.
Dessa forma, o projeto não funciona apenas como um questionário de afinidade. Ele também cria um banco público de informações sobre os candidatos que decidirem participar, concentrando as respostas em uma área específica da plataforma.
Ferramenta já foi usada em outras eleições
O Match Eleitoral não será aplicado pela primeira vez em 2026. A ferramenta já foi utilizada pela Folha nas eleições gerais de 2018 e 2022 e também na eleição municipal de São Paulo, em 2024.
Para a próxima disputa, a participação está aberta a candidatos a deputado federal e ao Senado pelo estado de São Paulo. A inclusão no banco de dados depende da realização da entrevista com o Datafolha.
Com a campanha eleitoral de 2026 se aproximando, a ferramenta passa a integrar o conjunto de recursos digitais disponíveis para consulta dos eleitores. O lançamento previsto para setembro permitirá que o público responda às perguntas e confira a correspondência entre suas respostas e as posições informadas pelos candidatos participantes.
O G1 também criou uma ferramenta para o eleitor consultar informações oficiais de todos os candidatos das eleições de 2026
A ferramenta “Quem são os candidatos”, lançada pelo g1, reúne em um só lugar informações oficiais sobre os políticos que disputam as eleições de 2026. A plataforma utiliza dados fornecidos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e permite consultar candidaturas aos cargos de presidente, governador, senador, deputado federal, deputado estadual e deputado distrital.
O eleitor pode pesquisar quem são os candidatos de seu estado ou procurar uma candidatura específica. A busca pode ser feita pelo nome do político ou pelo número que será usado na urna eletrônica. Também há filtros que permitem localizar candidatos por partido, gênero, cor, ocupação, grau de instrução e faixa de patrimônio declarado à Justiça Eleitoral.
Além da busca geral, a plataforma criou uma página própria para cada candidato. Nesses espaços, o eleitor pode consultar informações sobre a candidatura registrada no TSE, o programa de governo, os bens declarados à Justiça Eleitoral e o histórico de participações anteriores em eleições.
Outro recurso permite acompanhar a movimentação financeira das campanhas. As páginas dos candidatos mostram quanto cada campanha recebeu e quanto gastou. Os valores são obtidos a partir das prestações de contas que os candidatos precisam enviar ao TSE e serão atualizados diariamente durante o período eleitoral.
A ferramenta também permite comparar diferentes perfis de candidatos a partir dos filtros disponíveis. Assim, o eleitor pode, por exemplo, selecionar determinado estado e cargo e consultar quais candidaturas estão registradas para aquela disputa, além de verificar informações pessoais e eleitorais declaradas à Justiça Eleitoral.
Segundo os dados do TSE apresentados pelo g1, mais de 20 mil pedidos de candidatura foram registrados para as eleições de 2026. O número reúne as candidaturas aos diferentes cargos que estarão em disputa neste ano.
A plataforma integra a cobertura especial do g1 para as eleições de 2026 e funciona como um banco de informações sobre os candidatos. A consulta pode ajudar o eleitor a conhecer quem disputa cada cargo, verificar os dados declarados à Justiça Eleitoral e acompanhar a movimentação financeira das campanhas ao longo do processo eleitoral.
Moraes autoriza Bolsonaro a voltar a receber visitas de Carlos e Jair Renan
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta sexta-feira (21) que o ex-presidente Jair Bolsonaro volte a receber os filhos Carlos Bolsonaro e Jair Renan Bolsonaro na residência onde cumpre prisão domiciliar. A decisão restabelece o regime de visitas dos dois filhos sem a necessidade de uma nova autorização judicial para cada encontro. Leia em TVT News.
A liberação ocorre após o encerramento do período de 30 dias em que as visitas ao ex-presidente haviam sido suspensas. A medida havia sido determinada por Moraes em julho, depois que o senador Flávio Bolsonaro divulgou nas redes sociais uma carta escrita pelo pai. Na avaliação do ministro, a publicação contrariou as restrições impostas ao ex-presidente, que incluem a proibição de utilizar redes sociais diretamente ou por meio de terceiros.
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Encontros não podem ter finalidade eleitoral
Apesar da retomada das visitas, Moraes manteve a proibição de que os encontros sejam utilizados para atividades de caráter político ou eleitoral. Também continua proibida a divulgação de manifestos políticos ou eleitorais produzidos durante as visitas, inclusive quando a publicação ocorrer por intermédio de terceiros.
A decisão estabelece que Carlos e Jair Renan poderão voltar a visitar o pai, mas dentro das condições determinadas pelo STF. O ministro ressaltou que o cumprimento das regras é condição para a manutenção da prisão domiciliar concedida a Bolsonaro.
A restrição ocorre em um contexto de crescente movimentação política da família Bolsonaro durante o período eleitoral. Carlos Bolsonaro é candidato ao Senado por Santa Catarina, enquanto Jair Renan disputa uma vaga de deputado federal. Flávio Bolsonaro, por sua vez, é pré-candidato à Presidência da República.
A determinação de Moraes busca impedir que a residência onde Bolsonaro cumpre prisão domiciliar seja utilizada como espaço para articulações político-eleitorais ou para a produção e divulgação de conteúdo que contorne as restrições impostas ao ex-presidente.
Flávio segue impedido de visitar o pai
A autorização concedida a Carlos e Jair Renan não se aplica a Flávio Bolsonaro. O senador continua proibido de visitar o pai em razão da suspensão de 90 dias determinada por Moraes. O prazo se estende para depois do primeiro turno das eleições.
A punição está relacionada à divulgação da carta de Jair Bolsonaro. O documento foi publicado por Flávio nas redes sociais e trazia manifestação política do ex-presidente em apoio à candidatura do filho à Presidência. Para Moraes, o episódio indicou uma tentativa de utilizar as redes sociais de terceiros para contornar a proibição de comunicação política estabelecida no regime de prisão domiciliar.
O episódio já havia provocado outras restrições. Em agosto, Moraes negou um pedido da defesa para que Bolsonaro recebesse os três filhos no Dia dos Pais. Na ocasião, o ministro considerou que a suspensão das visitas ainda estava em vigor.
Regras continuam valendo
Além de Carlos e Jair Renan, Bolsonaro pode receber advogados, médicos e fisioterapeutas. As demais visitas precisam de autorização prévia do Supremo.
Bolsonaro cumpre prisão domiciliar no âmbito da ação penal que apurou a tentativa de golpe de Estado. Moraes também deixou claro que o descumprimento das condições impostas pode provocar uma nova análise do regime de prisão. Segundo o ministro, a violação das determinações judiciais pode levar à adoção de medidas mais rígidas, incluindo a reversão da prisão domiciliar e o retorno ao regime fechado.
TVT News não esquece: 100 dias do escândalo dos áudios de Flávio Bolsonaro para Vorcaro
Em 13 de maio, o cenário político brasileiro foi abalado por uma das mais contundentes revelações jornalísticas da década. O The Intercept Brasil publicou a reportagem que expôs a negociação direta entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, para financiar o filme Dark Horse — cinebiografia sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Mais de três meses depois, o escândalo Dark Horse não apenas se mantém em evidência como se multiplicou em desdobramentos judiciais, investigações da Polícia Federal, novas revelações que aprofundam o emaranhado de suspeitas em torno da relação entre a família Bolsonaro e o banqueiro preso.
O que começou como um áudio vazado transformou-se em um dos maiores casos de suspeita de corrupção e financiamento irregular da política brasileira contemporânea.
O nome de Vorcaro aparece ainda em outras investigações, enquanto Flávio Bolsonaro é alvo de apurações distintas, como a da CGU sobre uma emenda de R$ 4 milhões destinada ao Vasco da Gama
Documentos também indicam que US$ 2 milhões foram enviados pela Entre Investimentos ao Havengate Development Fund, estrutura administrada por pessoas ligadas ao advogado de Eduardo Bolsonaro nos EUA. Ao todo, US$ 10,6 milhões teriam chegado ao fundo..
O que é o escândalo Dark Horse e qual a relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro
O escândalo Dark Horse tem como ponto de partida a reportagem “ÁUDIO: Flávio Bolsonaro negociou com Daniel Vorcaro R$ 134 milhões” para a produção do filme Dark Horse.
O áudio e as mensagens obtidas com exclusividade pelo The Intercept Brasil mostram Flávio Bolsonaro em diálogo direto com Vorcaro. Em 16 de novembro de 2025, o senador enviou ao banqueiro a seguinte mensagem: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”.
Um dia depois, Vorcaro foi preso enquanto tentava fugir do país por operar um esquema de fraude que gerou um rombo de R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). No dia seguinte, o Banco Central liquidou o Banco Master.
Segundo a reportagem do Intercept, documentos e mensagens indicam que pelo menos US 10,6milhões foram transferidos entre fevereiro e maio de 2025 em seis operações para financiar o projeto cinematográfico. Os registros incluem um cronograma de desembolso, comprovante bancário e cobranças relacionadas às parcelas.
O envolvimento de Vorcaro foi negociado diretamente por Flávio Bolsonaro, mas contou com outros perosnagens, como o irmão e deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o deputado federal Mario Frias (PL-SP), ex-secretário da Cultura no governo Bolsonaro.
O que Flávio temia: em áudio obtido pelo Intercept, o senador expressou preocupação com o fracasso do projeto: “Imagina a gente dando calote num Jim Caviezel, num Cyrus [Nowrasteh, diretor do filme], os caras pô, renomadíssimos lá no cinema americano, mundial. Pô, ia ser muito ruim. Todo efeito positivo que a gente tem certeza que vai vir com esse filme pode ter o efeito elevado a menos um aí, cara.”
O financiamento chama atenção pelo tamanho. Documentos apontam custo declarado superior a R$ 75 milhões, enquanto a negociação com Vorcaro previa aproximadamente R$ 134 milhões. A Ancine também identificou irregularidades relacionadas à produção.
Flávio Bolsonaro amigão de Vorcaro do Banco Master
As revelações sobre a relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro vão muito além de um único encontro ou áudio. A investigação mostrou que os dois tiveram pelo menos dois encontros presenciais durante as negociações ligadas ao filme Dark Horse.

Encontros secretos e versões contraditórias
Até então, era conhecida apenas a reunião realizada no fim de novembro de 2025, quando Flávio Bolsonaro foi à residência de Vorcaro em São Paulo. O senador afirmou que o encontro tinha como objetivo “dar um ponto final” nas negociações. No entanto, o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, revelou que houve pelo menos outra reunião presencial entre os dois, ocorrida no primeiro semestre de 2025, em uma mansão alugada por Vorcaro em Brasília, sem testemunhas.
A versão de Flávio sobre o encontro em São Paulo também foi contestada. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, admitiu publicamente que o senador procurou Vorcaro após a prisão domiciliar do banqueiro para tentar garantir a continuidade do financiamento. Segundo Valdemar, Flávio foi “visitar depois para ver se conseguia o restante do dinheiro”.
A declaração de Valdemar contradiz frontalmente a versão anterior do próprio Flávio, que afirmou ter ido a São Paulo apenas para “botar um ponto final nessa história”.
Pressionou e priorizou: mensagens revelam empenho
Em 2 de junho de 2026, o Intercept Brasil publicou nova etapa da série Vaza Flávio, revelando que Vorcaro tratou os pagamentos do filme Dark Horse como prioridade absoluta após cobranças de Flávio.
As mensagens mostram que, em 20 de janeiro de 2025, o empresário Thiago Miranda — responsável por aproximar Flávio e Vorcaro — enviou uma mensagem ao banqueiro cobrando o primeiro aporte: “Cara, hoje é a data limite daquele primeiro aporte filme. Preciso acelerar. Estamos no laço.”.
Miranda encaminhou uma mensagem de Flávio pedindo que pressionasse o jurídico do investidor: “Fala Thiago, te escrevo a pedido do pessoal do nosso filme pra vc dar um gás na resposta do jurídico do investidor”.

No dia seguinte, Fabiano Zettel, cunhado e homem de confiança de Vorcaro, informou ao banqueiro que havia 55,5 milhões em pagamentos pendentes. Vorcaro perguntou se o filme estava incluído. A resposta foi negativa. Então o banqueiro determinou: “Esse é o mais importante disparado”, acrescentando que a operação “não pode falhar mais”.
Foto ao lado de capanga de Vorcaro
Em 30 de julho de 2026, Flávio Bolsonaro aparece em uma foto ao lado de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apelidado de “Sicário” — o homem encarregado por Vorcaro para praticar ameaças e ações violentas contra desafetos. A imagem teria sido tirada em 2022, em um hotel na zona sul do Rio de Janeiro.

Em nota, Flávio afirmou que “como figura pública e extremamente popular, recebe todos os dias pedidos de dezenas de pessoas pelas ruas para fotos” e disse que não conhece Sicário. A foto passou por cinco ferramentas de detecção de inteligência artificial e análise do InVID, sem que fossem encontrados indícios de manipulação. Mourão cometeu suicídio ao ser preso em março de 2026.
Relembre as investigações sobre o dinheiro que Flávio Bolsonaro pediu a Vorcaro
O dinheiro negociado entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro para o filme Dark Horse tornou-se alvo de múltiplas frentes de investigação.
PF avalia inclusão de Flávio na lista da Interpol
Em 30 de julho de 2026, a TVT News revelou que a Polícia Federal avalia pedir a inclusão do senador Flávio Bolsonaro na chamada difusão prateada da Interpol, mecanismo internacional criado para auxiliar na localização de bens e ativos relacionados a investigações criminais. A suspeita é de que os valores tenham sido integralmente remetidos ao exterior e, eventualmente, possam ter sido utilizados para uma finalidade diferente da apresentada inicialmente.
O inquérito foi autorizado pelo ministro André Mendonça, do STF, depois de a PF solicitar a abertura da investigação e a Procuradoria-Geral da República (PGR) considerar que havia elementos suficientes.
Fundo Havengate: o elo entre Vorcaro, Flávio e Eduardo Bolsonaro
Os recursos destinados ao filme Dark Horse seriam canalizados por meio do fundo Havengate, responsável pela estrutura financeira da produção. O fundo era controlado por Paulo Calixto, advogado ligado ao deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro.
A notícia-crime que pede a investigação de Flávio Bolsonaro foi protocolada pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) e busca apurar a ligação entre os recursos do Dark Horse, as investigações da Operação Compliance Zero (que apura suspeitas envolvendo o Banco Master) e a atuação internacional de Eduardo Bolsonaro.
O presidente do STF, ministro Edson Fachin, definiu André Mendonça como relator do caso, seguindo parecer da área técnica e da PGR.

Fundo ligado a Vorcaro vendeu empreendimento inexistente
Investigações apontam que um fundo ligado a Daniel Vorcaro vendeu um empreendimento que, na realidade, não existia — mais um capítulo da teia de suspeitas que envolve o ex-banqueiro e sua relação com o financiamento do filme.
Flávio Bolsonaro visitou Vorcaro para ver se conseguia o restante do dinheiro
A declaração de Valdemar Costa Neto — de que Flávio foi a São Paulo “para ver se conseguia o restante do dinheiro” — aprofunda o desgaste político em torno da produção. O próprio Flávio havia negado inicialmente que Vorcaro tivesse injetado dinheiro na produção de Dark Horse, versão contestada após a divulgação dos áudios pelo Intercept.
Valores que Flávio pediu para Vorcaro são fora da realidade do cinema nacional
As planilhas indicam que o filme sobre Bolsonaro custou espantosos R$ 75 milhões, um valor que não encontra paralelo no mercado cinematográfico do país. Diante de tais cifras, a Agência Nacional do Cinema (Ancine) entrou no caso, viu irregularidade flagrante na estruturação financeira de Dark Horse e multou a produtora responsável.
Ancine vê irregularidade e multa produtora
A Agência Nacional do Cinema (Ancine) identificou irregularidades na produção de Dark Horse e aplicou multa à produtora, aprofundando as suspeitas sobre a gestão dos recursos.

Filme Dark Horse custou R$ 75 milhões, segundo produtora
Ainda assim, o valor declarado permanece inferior aos R$ 134 milhões que teriam sido discutidos nas negociações entre Vorcaro e Flávio Bolsonaro.
Ex-diretor da Globo diz que Vorcaro tinha mais poder em Dark Horse do que em “Ainda Estou Aqui”
A influência de Daniel Vorcaro no projeto Dark Horse foi tamanha que, segundo um ex-diretor da Globo, o banqueiro exercia mais poder sobre a produção do que a emissora teve sobre “Ainda Estou Aqui” — um dos filmes brasileiros de maior sucesso recente.
Os tentáculos de Vorcaro: a influência do banqueiro
A influência de Daniel Vorcaro não se limitou ao financiamento do filme Dark Horse. O ex-banqueiro do Banco Master estendeu seus tentáculos por diferentes esferas — da mídia ao Judiciário, da política à administração pública.
Léo Dias apagou matéria sobre Dark Horse após bronca de Vorcaro
O jornalista Léo Dias teria apagado uma matéria sobre Dark Horse após receber uma “bronca” de Vorcaro — evidência do poder de intimidação do banqueiro sobre veículos de imprensa.
Kassio Nunes suspende pesquisa que apontou queda de Flávio Bolsonaro
O ministro do STF, Kassio Nunes Marques, suspendeu uma pesquisa que apontava queda nas intenções de voto de Flávio Bolsonaro após o vazamento das conversas com Vorcaro — movimento que gerou questionamentos sobre a independência do Judiciário.
Emenda de Flávio Bolsonaro ao Vasco é alvo da CGU
Uma emenda parlamentar de Flávio Bolsonaro destinada ao Club de Regatas Vasco da Gama tornou-se alvo de investigação da Controladoria-Geral da União (CGU), ampliando o escrutínio sobre o uso de recursos públicos pelo senador.

PF: Vorcaro planejou agressão para calar jornalista
A Polícia Federal investiga se Daniel Vorcaro planejou uma agressão contra um jornalista para silenciá-lo — mais um capítulo da atuação violenta do banqueiro contra quem ousasse expor suas atividades.
Suspeitas que ainda não foram respondidas da relação de Vorcaro com bolsonaristas
Apesar de três meses de investigações, múltiplas perguntas sobre a relação entre Daniel Vorcaro e o bolsonarismo permanecem sem resposta.
Distrito Federal contratou ONG produtora de Dark Horse
O Distrito Federal contratou uma ONG ligada à produtora do filme Dark Horse — o que levanta suspeitas sobre o uso de dinheiro público para financiar indiretamente a produção.

Polícia Civil investiga desvio de verbas para Dark Horse
A Polícia Civil realiza operações para apurar supostos desvios de verbas públicas destinadas a projetos que teriam relação com a produção de Dark Horse.
Produtora Dark Horse emitiu R$ 165 milhões em notas irregulares
A produtora Go Up Entertainment teria emitido R$ 165 milhões em notas fiscais irregulares, segundo investigações — valor que supera em muito o custo declarado do filme.
Mario Frias agradeceu Vorcaro por apoio a Dark Horse
O deputado Mario Frias, que dizia não ter “nenhum centavo” do Banco Master no filme, foi flagrado em áudio agradecendo a Vorcaro pelo apoio. Na gravação, Frias chama o banqueiro de “meu brother” e afirma que o filme “vai mexer com o coração de muita gente”.
ONG ligada a filme de Bolsonaro cobrava o dobro em contrato de Wi-Fi com a Prefeitura de SP
Uma ONG ligada à produção de Dark Horse cobrava o dobro do valor de mercado em um contrato de Wi-Fi com a Prefeitura de São Paulo — mais um indício de que o filme serviu como “infraestrutura econômica e política do bolsonarismo”, como avaliou o cientista político Paulo Niccoli Ramirez.
Três meses após os áudios, origem e destino dos recursos seguem sob apuração
Três meses após a revelação do áudio de Flávio Bolsonaro para Daniel Vorcaro, o escândalo Dark Horse deixou de ser apenas um caso de financiamento suspeito de um filme para se transformar em um emblema das conexões entre poder político, grandes finanças e suspeitas de corrupção que marcam a política brasileira contemporânea.
- Leia também: PF avalia incluir Flávio Bolsonaro em lista da Interpol para rastrear dinheiro do filme Dark Horse
Enquanto as investigações avançam — da PF ao STF, da Interpol à CGU —, as perguntas sobre o destino dos R$ 61 milhões, o papel da família Bolsonaro e os tentáculos de Vorcaro continuam a exigir respostas que ainda não vieram.
O principal ponto ainda sem resposta é a destinação completa dos recursos: quanto efetivamente foi usado no filme, quem foram os beneficiários finais e se alguma parcela teve finalidade diferente da produção cinematográfica. Flávio Bolsonaro afirma que os recursos foram usados integralmente no filme.

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