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Da Redação

Morre Gloria Steinem, referência do feminismo e do jornalismo político

Morreu nesta quarta-feira (2), aos 92 anos, a jornalista, escritora e ativista norte-americana Gloria Steinem, uma das principais figuras da segunda onda do feminismo nos Estados Unidos. Leia em TVT News.

A morte foi comunicada pela fundação que leva seu nome. A entidade informou que ela morreu em sua casa, em Nova York, cercada por pessoas próximas, mas não divulgou a causa.

Ao longo de décadas, Steinem utilizou o jornalismo, a escrita e a atuação política para colocar no centro do debate público temas como igualdade entre homens e mulheres, direitos reprodutivos, violência doméstica e assédio sexual. Sua atuação também esteve ligada às lutas pelos direitos civis da população negra e contra a guerra do Vietnã.

A fundação afirmou que Steinem permaneceu trabalhando pela igualdade até o fim da vida. Ela ainda tinha um novo livro de memórias previsto para ser publicado nos Estados Unidos neste mês.

Jornalismo como instrumento de denúncia

Nascida em 25 de março de 1934, no estado de Ohio, Gloria Steinem teve uma infância marcada por dificuldades familiares.

Aos 10 anos, acompanhou o divórcio dos pais e passou a conviver com os problemas de saúde mental da mãe. Mais tarde, ingressou na Smith College, onde começou a desenvolver o interesse pela política e pelo jornalismo.

Depois da graduação, recebeu uma bolsa para estudar na Índia. Durante dois anos, colaborou com veículos locais e entrou em contato com princípios de mobilização social associados à atuação de Mahatma Gandhi. A experiência influenciou sua compreensão sobre organização política e participação popular.

Reportagem “A Bunny’s Tale”

De volta aos Estados Unidos, trabalhou como freelancer para jornais e revistas. Em 1963, uma reportagem mudou sua trajetória profissional: “A Bunny’s Tale”.

Para produzir a reportagem, publicada pela revista Show, Steinem se infiltrou como garçonete no Playboy Club. A experiência revelou as condições de trabalho e o tratamento machista enfrentado pelas mulheres empregadas no estabelecimento.

A reportagem confrontou a ideia defendida pelo empresário Hugh Hefner de que a Playboy representava uma revolução sexual benéfica para homens e mulheres.

O texto, escrito em formato de diário e baseado na própria experiência da jornalista, ganhou repercussão em um período de crescimento da mobilização feminista nos Estados Unidos.

A imprensa no centro da luta feminista

A atuação de Steinem se fortaleceu no mesmo período em que a chamada segunda onda feminista* ganhava espaço. Ela passou a defender publicamente mudanças na legislação e nas relações sociais que limitavam a autonomia das mulheres.

Em 1972, participou da criação da revista Ms., publicação que se tornou um dos principais espaços editoriais voltados às pautas feministas. A revista foi criada, dirigida e escrita por mulheres e levou para um público amplo assuntos que frequentemente eram ignorados pela imprensa tradicional.

Entre os temas abordados estavam a descriminalização do aborto, a igualdade de direitos, a violência doméstica e o assédio sexual. A publicação teve forte impacto desde seu primeiro número: foram 300 mil exemplares vendidos em oito dias, além de milhares de assinaturas e cartas enviadas por leitoras.

Antes disso, Steinem também havia participado da fundação da revista New York, na qual trabalhou como colunista política. Paralelamente, manteve participação em movimentos ligados aos direitos civis e à oposição à guerra do Vietnã.

Direitos reprodutivos

A defesa dos direitos reprodutivos ocupou espaço central na trajetória política de Steinem. Ela atuou durante décadas em organizações que defendiam o direito ao aborto seguro e legal nos Estados Unidos.

A pauta também estava relacionada a uma experiência pessoal. Aos 22 anos, Steinem passou por um procedimento clandestino de aborto. Anos depois, abordou o episódio em seu livro Minha Vida na Estrada, publicado em 2015, no qual escreveu sobre sua trajetória e dedicou parte da obra ao médico que realizou o procedimento.

A partir dessa experiência, a jornalista passou a tratar o acesso à saúde reprodutiva também como uma questão de autonomia, direitos e igualdade social.

Organizações e participação política

Steinem participou da criação de diversas organizações voltadas à ampliação da participação das mulheres na política e à defesa da igualdade de gênero. Entre elas estão o National Women’s Political Caucus, a Ms. Foundation for Women, a Women’s Action Alliance e o Women’s Media Center.

Sua militância não se restringiu ao movimento feminista. Ela também esteve envolvida na articulação em defesa de Angela Davis, ativista negra que foi presa e acusada de crimes nos Estados Unidos. A atuação de Steinem nesse período demonstrou a aproximação entre diferentes pautas de direitos civis e justiça social.

Ao longo da carreira, publicou livros como Outrageous Acts and Everyday Rebellions, Revolution from Within e Moving Beyond Words. Também participou de produções audiovisuais relacionadas a questões sociais, incluindo documentários e a série WOMAN, dedicada à violência contra as mulheres.

Reconhecimento e legado

A postura pública de Steinem também rompeu com expectativas sobre como uma militante feminista deveria se comportar. Sua presença na vida noturna de Nova York, suas roupas e seus relacionamentos com homens conhecidos eram frequentemente utilizados por críticos para questionar sua atuação política.

Ela enfrentou ataques tanto de setores conservadores quanto de grupos que discordavam de suas posições dentro do próprio campo político. Ainda assim, manteve sua defesa da igualdade de gênero e dos direitos das mulheres.

Em 2013, recebeu do então presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a Medalha Presidencial da Liberdade, principal condecoração civil do país.

A trajetória de Gloria Steinem ajudou a ampliar o espaço ocupado pelas mulheres no jornalismo, na política e no debate público. Ao transformar experiências pessoais em discussões sobre estruturas sociais, ela contribuiu para colocar questões antes tratadas como privadas no centro das disputas por direitos.

Sua morte encerra uma trajetória de mais de sete décadas de atuação pública, mas deixa uma produção intelectual e política que continua presente nas discussões sobre igualdade de gênero, direitos reprodutivos, participação política e combate à violência contra as mulheres.

*O que foi a segunda onda feminista?

A segunda onda do feminismo surge nos Estados Unidos e Europa Ocidental em meados da década de 1960, intensificando-se na década de 1970 e estendendo seus reflexos e debates até o início do século XXI. Posteriormente, houve a ciruculação dessas ideias para a América Latina – como em movimentos ligados a resistência às ditaduras militares – e também África, Caribe e Sudoeste Asiático.

O termo foi cunhado pela feminista Martha Weinman Lear em um artigo de 1968 no jornal New York Times, usando a metáfora da “onda” para fazer referência às lutas anteriores pelo sufrágio, isto é, direito ao voto, e anunciar que outro momento de grande mobilização de mulheres estava se formando.

Contexto Histórico e Surgimento

Após a Segunda Guerra Mundial, período no qual milhares de mulheres assumiram postos de trabalho tradicionalmente masculinos, houve fortes campanhas para convencer as mulheres a retornarem às posições submissas e de “donas de casa”.

Essas campanhas, no entanto, eram voltadas, sobretudo, para as mulheres brancas e de classe média, que tradicionalmente não trabalhavam. Mulheres pobre e negras, embora também fossem afetadas pelo discurso da separação dos papéis de gênero, trabalhavam por necessidade para sustentar filhos e família, exercendo, assim, uma dupla jornada de trabalho: em casa e fora.

No década de 1960, transformações sociais profundas estavam em curso e elas se deram porn meio da educação, literatura e lutas sociais.

Uma nova geração de mulheres instruídas passou a circular, e a publicação de textos, reportagens – como as de Gloria Steinem – e livros feministas explodiu. Obras como O Segundo Sexo (1949), de Simone de Beauvoir, e A Mística Feminina (1963), de Betty Friedan – que discutia o “mal que não tem nome” vivido pelas mulheres restritas ao modelo do lar –, foram fundamentais para esse despertar.

Nos Estados Unidos, o movimento coincidiu com a luta pelos direitos civis. Já em países da África e do Caribe, as lutas contra o colonialismo levaram à organização de mulheres que passaram a questionar simultaneamente o sexismo e o racismo. Na América Latina, sob o jugo de golpes de Estado e ditaduras militares, a luta feminista esteve ligada à resistência democrática e à busca por melhorias nas condições de vida (como creches, transporte público e combate à carestia).

A mobilização global fez com que a Organização das Nações Unidas (ONU) decretasse 1975 como o “Ano Internacional da Mulher” e estabelecesse a “Década das Mulheres” (1976-1985).

“O Pessoal é Político” e as Demandas Principais

A frase “O Pessoal é Político”, cunhada por Carol Hanisch em 1969, sintetizou a ideia de que as opressões vivenciadas no ambiente privado e doméstico estavam intimamente ligadas às desigualdades políticas gerais.

Paralelamente, disseminou-se a ideia de sororidade e a expressão “a irmandade de mulheres é poderosa” (sisterhood is powerful), defendida por ativistas como Kathie Sarachild e Robin Morgan.

As pautas desse período foram ricas e diversas: valorização do trabalho doméstico, igualdade salarial, direitos reprodutivos (acesso a métodos contraceptivos e aborto seguro), combate à violência doméstica, ao estupro, ao assédio e a luta contra a esterilização compulsória de mulheres negras e pobres.

Divisões Teóricas e a Interseccionalidade

Tradicionalmente, a segunda onda é associada a três grandes linhas teóricas:

  • Feminismo Radical: Sustentava que a raiz de toda opressão estava no patriarcado, um sistema de dominação masculina em que a família e o papel da mulher na procriação eram as fontes primárias da subordinação feminina. Essa linha, nos dias atuais, está associada a difusão da transfobia.
  • Feminismo Socialista e Marxista: Apontava o capitalismo e o advento da propriedade privada como as bases da opressão, submetendo a mulher a uma tripla exploração (na reprodução humana, nas atividades domésticas gratuitas e na força de trabalho).
  • Feminismo Liberal: Consolidado nos anos 1980, focava em reformas jurídico-políticas para combater a desigualdade salarial, punir a violência e obter políticas estatais de apoio à maternidade e à liberdade individual.

No entanto, essa divisão clássica oculta a riqueza de outras perspectivas fundamentais que desafiaram a narrativa hegemônica de mulheres brancas de classe média:

  • Feminismo Negro e Latino: Apontava que os sistemas de opressão (racismo, sexismo e classe) operam de forma integrada. O Coletivo Combahee River (1974), por exemplo, defendia que a libertação das mulheres negras traria a liberdade de todas as pessoas, pois exigia o fim de todas as formas de opressão interligadas.
  • Feminismo Lésbico: Questionava a imposição da heterossexualidade como norma social, interpretando-a como um pilar de sustentação (“hetero-poder”) do patriarcado e do capitalismo.
  • Ecofeminismo: Formulava conexões entre a dominação das mulheres e a exploração destrutiva da natureza, promovidas por sistemas dualistas e hierárquicos de pensamento

Falta protocolo contra violência na escola, avaliam professores  

Em julho deste ano, uma professora de uma escola estadual em São José dos Campos, interior de São Paulo, publicou um vídeo em redes sociais denunciando que um aluno colocou vidro em seu copo de água. Em abril, na mesma cidade, uma professora foi chutada após retirar a prova de um aluno de 14 anos por suspeita de cola. Ao cair, a profissional sofreu uma convulsão. Esses são só alguns dos casos de violência contra professores registrados pela imprensa nos últimos meses. Saiba mais em TVT News.

João* é professor da rede pública há mais de 30 anos. Ele relata ter passado por várias situações de ameaças dentro da sala de aula. Uma das ameaças foi por parte da mãe de um aluno que invadiu a escola. “Me ofendeu, me xingava, eu tentando dialogar, explicar que o filho tinha mau comporamento e tinha encaminhado ele para a direção da escola”. No episódio, ele foi ameaçado também pelo pai do aluno, por meio de telefone.

“Senti minha língua enrolar, o braço retorcer, precisei procurar auxílio médico, fui sozinho, não tive o apoio da instituição. Depois registrei boletim de ocorrência. Fui informado pela autoridade policial que os pais do aluno tinham antecedentes criminais […] eu não conseguia dormir, tinha pesadelos, sinto toda aquela dor, tudo aquilo que vivi”, rememorou. 

Ele precisou mudar de unidade escolar, mas no novo local, ao tentar mediar um conflito de estudantes do 9° anos, levou uma cadeirada. “Atingiu com força minhas mãos e braços. Foi constatado rompimento no ombro e na mão e, isso tem me causado muita dor e incômodos e me abalado muito emocionalmente”, desabafou.  O nervoso pelas agressões causou sequelas em João como pressão alta. “Tive alterações no meu metabolismo, cheguei a perder até a visão”. 

Rede de proteção

O secretário de políticas para os trabalhadores da educação do Sindsep (Sindicato dos Servidores Municipais de São Paulo), Maciel Nascimento, afirma que não existe um protocolo estabelecido nas escolas municipais caso o professor seja vítima de violência.

“Há uma ideia de preservação da imagem do professor, da centralidade do território dessa ação educacional, no caso de um município, as Diretorias Regionais de Educação, no caso do estado, que são as Unidades Regionais de Ensino e a gente acaba tocando o processo de forma interna para que isso não amplie”.  

Roberto Guido, presidente interino da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Estado de São Paulo) concorda. Para ele, o que o governo Tarcísio chama de rede de proteção, não existe. “A gente orienta que se faça boletim de ocorrência, mas a maioria das vezes, nesses casos, o professor ou a professora é desestimulado a fazer porque, o que interessa para a escola, é se apresentar como um paraíso de paz num ambiente de guerra.” 

Segundo Guido quando se faz o boletim, ou quando o caso toma proporções maiores por causa da mídia, existe, eventualmente, a transferência do estudante “provavelmente eles vão ser indiciados, ou vão sofrer algum tipo de processo”. 

Os tipos de violência são variados. O secretário do Sindsep resgata um exemplo que ficou conhecido no ano passado: um pai rasgou o desenho de um Orixá. A atividade fazia parte das propostas pedagógicas e estava amparada na lei que torna obrigatório o ensino da cultura afro-brasileira e indígena.  Após rasgar o desenho, o pai acionou a Polícia Militar que entrou armada na escola acuando profissionais da educação.  

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Crianças fizeram desenhos após leitura coletiva de livro sobre mitologia africana. Atividade obrigatória por lei levou PMs a entrarem com metralhadora na escola. Imagens: reprodução capa do livro Ciranda em Aruanda e atividade pedagógica

Segundo Nascimento, na época, foi feito um debate com a Secretaria Municipal de Educação da cidade de São Paulo e com prefeitura. Em conjunto com os educadores chegou-se a elaborar um protocolo do enfrentamento ao racismo e xenofobia na educação. No entanto, o sindicalista afirma que “nem sempre essa situação ocorre envolvendo a questão étnico-racial”.   

João acredita que deveria ter protocolos para proteger o professor e orientá-lo a como proceder em situações com essas, mas denuncia que acontece o contrário. “A atual gestão tem exercido uma política de punição de profissionais que adoecem, muitas vezes são submetidos a uma readaptação e, estão tendo cortes no salário em mais de 30% no momento que mais precisam com gastos com despesas médicas, e sem direito aos prêmios de gratificação.” 

Após os casos de violência, ele faz acompanhamento com psicológo e está afastado. “Eu sempre tive paixão pelo meu trabalho, espero em algum momento voltar”, contou. 

Tipos de violência 

Para Maciel Nascimento o crescimento da violência contra os professores é agravado com o crescimento do fascismo na sociedade. “A violência se dá de várias formas, inclusive, naquele recadinho que o pai coloca no caderno da criança […] há uma atuação silenciosa de assédio sobre esses profissionais que, cada dia mais, estão afastados da questão pedagógica e aproximados das questões tecnológicas, como, por exemplo, preencher relatórios”. 

Ainda sobre a violência, que na visão dos entrevistados vem do próprio Estado, recentemente, a Secretaria Municipal de educação autorizou a filmagem de um documentário da produtora conservadora “Brasil Paralelo” dentro da Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) Patrícia Galvão. O documentário questionava, por exemplo, a obrigatoriedade legal da matrícula.  “A ação e a violência, por vezes, ela não parte só do pai ou do aluno. A própria secretaria comete diariamente várias violências em relação aos profissionais”, relatou Nascimento.  

Já Guido destaca que os professores são cada vez mais submetidos a situações de violência e conflito dentro das escolas. “Muitas vezes essa reprodução da violência social dentro da escola é a forma como o Estado oferece o serviço público como um todo, ao não oferecer condições de trabalho adequada aos professores, não providenciar funcionários na quantidade necessária para dar apoio à ação pedagógica.” 

A consequência das diversas violências é que os professores cada vez mais desenvolvem problemas psicológicos como enfermidades como depressão e burnout.  

Para o presidente interino da Apeoesp, as escolas reproduzem uma dinâmica em que a comunidade fica afastada e o governo do estado tenta resolver com as propostas de escolas cívico-militares. “São falsas soluções porque objetivam uniformizar as atitudes, quando as pessoas são diferentes, há diferenças de classe, etnia,  nacionalidade, gênero.”  

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Educadores enxergam escola cívico-militar como falsa solução para problemas de violência na escola/ Foto:
Antonio Cruz/ Agência Brasil

Guido critica o aumento da violência no Estado de São Paulo e acredita que isso tem reflexo no âmbito escolar. “Nós temos [violência] nas redes sociais, por isso que é fundamental, que a gente trabalhe pela regulamentação das redes, para que a gente não tenha crianças e adolescentes submetidas a uma violência virtual, e que, muitas vezes, acaba também sendo apresentando no âmbito real. 

Faltam registros  

O diretor do Sindsep alerta que o registro da violência muitas vezes fica em um livro de comunicado interno na escola. “Não existe um dado que a gente possa acompanhar a partir de um instrumental criado pela secretaria e foi isso que a gente [o Sindsep] propôs que tenha um que tenha um instrumental que saia da unidade escolar, caminhe para a diretoria regional de educação e seja encaminhado à secretaria. A gente precisa levantar esses dados, precisamos saber exatamente em que território essas questões estão acontecendo.” 

Prevenção  

Nascimento propõe um diálogo institucional com a população usuária. “A prefeitura precisa dialogar, desenvolver campanhas. Hoje me parece que a gente quebrou, inverteu valores, a escola precisa, não só desenvolver o processo pedagógico, mas também desenvolver a discussão de valores. E aí, entra a questão, não é papel da escola discutir valores. Isso precisa vir de casa”.  

Ele que também faz parte do Fórum Municipal de Educação acredita que o novo Plano Municipal de Educação precisa discutir a violência nas escolas.  “A gente começa a olhar também para os municípios e pensar em estratégias, que venham através de uma lei aprovada, construindo com participação social, com gestão democrática”. 

Para Guido, a assistência psicológica não é suficiente e ainda muito precária nas escolas. “ Não é um programa que a gente possa considerar como sério para o tamanho da gravidade do problema que a gente tem e  não tem em toda a escola […]” , criticou.

Outro lado  

Questionada se existe um protocolo para a violência nas escolas, a SME (Secretaria Municipal de Educação) informou em nota que promeve políticas de prevenção.  

“A Secretaria Municipal de Educação (SME) promove uma série de políticas públicas voltadas à prevenção das violências e à promoção da Cultura de Paz nas unidades educacionais. Entre as iniciativas estão o Programa entre Nós: Convivência Ética e Democrática na Escola e na Sociedade, desenvolvido em parceria com a Unicamp, o fortalecimento das Comissões de Mediação de Conflitos (CMCs) e demais ações formativas, realizadas em parceria com instituições como o Instituto Vladimir Herzog. 

Em situações de violência contra profissionais da educação, a SME oferece apoio e orienta que o caso seja comunicado à direção da unidade educacional e às respectivas Diretorias Regionais de Educação (DREs), para o devido acompanhamento e adoção das providências cabíveis. Nos casos que possam configurar crime, a orientação é também acionar as autoridades policiais e registrar Boletim de Ocorrência. 

As unidades educacionais contam ainda com o suporte das DREs, do Núcleo de Apoio e Acompanhamento para a Aprendizagem (NAAPA), composto por psicólogos e psicopedagogos, do Gabinete Integrado de Proteção Escolar (GIPE) e do Comitê de Proteção Escolar. 

Em complemento às ações da SME, a Secretaria Municipal de Gestão disponibiliza o Programa de Orientação e Proteção em Saúde Mental dos Servidores (REDE SOMOS), voltado à promoção e à proteção da saúde mental dos servidores públicos municipais. O programa acolheu 887 servidores em 2025 e 2026 e realizou 2.753 ações de promoção à saúde, incluindo reuniões, palestras, lives temáticas e contatos com a rede pública para atendimento. Atualmente, são 370 interlocutores distribuídos pelas Secretarias e Subprefeituras.” 

Já a Secretaria Estadual de Educação afirmou que acompanha a rotina das escolas pelo “Programa para Melhoria da Convivência e Proteção Escolar”. 

“A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) acompanha diariamente a rotina das escolas estaduais por meio do Programa para Melhoria da Convivência e Proteção Escolar (Conviva-SP), o qual atua no monitoramento, gestão e integração de ocorrências e ações de prevenção à violência nas escolas da rede estadual. 

As estratégias da pasta estão amparadas no Protocolo Conviva 179, que estabelece uma série de iniciativas na gestão de riscos e orienta as direções e coordenações escolares na condução de cada caso. O documento contextualiza a atuação dos Professores Orientadores de Convivência, responsáveis pela mediação de conflitos diários nas unidades, e dos profissionais do Programa Psicólogos nas Escolas. 

A atuação da Secretaria de Segurança Pública (SSP) é parte integrante dos esforços por mais segurança nas escolas. A qualquer momento, as escolas podem solicitar reforço da Ronda Escolar para realizar a segurança no perímetro das unidades e auxiliar na mediação de ocorrências na parte interna.  

Por meio do Programa Viva Bem, a Seduc-SP disponibiliza atendimento on-line com psicólogos e psiquiatras aos servidores da rede, reforçando o compromisso da Secretaria com a valorização dos profissionais da educação, a promoção da cultura de paz e a construção de um ambiente cada vez mais seguro para toda a comunidade escolar.” 

*nome fictício, pois a vítima preferiu não se identificar 

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Fim da taxa das blusinhas: acompanhe a votação na Câmara

Câmara dos Deputados vota a MP do fim da taxa das blusinhas. Acompanhe a votação com a TVT News.

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Entenda a MP do fim da taxa das blusinhas

Comissão mista aprovou a Medida Provisória (MP) 1357/26, que isenta do Imposto de Importação as compras internacionais de até 50 dólares, conhecida como “taxa das blusinhas“. O texto segue agora para votação no Plenário da Câmara dos Deputados. Acompanhe com a TVT News e informaçõs da Agência Câmara de Notícias.

A proposta também zera a alíquota de importação para medicamentos destinados a doenças raras e negligenciadas sem similar nacional.

Além disso, o parecer cria um sistema de avaliação periódica sobre os impactos da isenção no setor produtivo brasileiro. Pela proposta aprovada, o governo já terá que fazer um relatório para avaliar os impactos da medida daqui a três meses. Depois disso, os relatórios poderão ser semestrais. O Congresso Nacional fará uma avaliação anual.

A relatora, senadora Leila Barros (PDT-DF), afirmou que a isenção beneficia famílias de baixa renda, em especial as mulheres. “Não é razoável que justamente a brasileira que não tem a possibilidade de viajar ao exterior para fazer suas compras seja mais penalizada quando encontra, pela internet, uma forma de acessar produtos a preços mais compatíveis com a sua renda.”

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A senadora declarou ainda que a preocupação do empresariado nacional com a entrada de produtos importados será atenuada com a reforma tributária, que vai desonerar as cadeias produtivas da cobrança de imposto sobre imposto.

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Senadora Leila Barros (PDT-DF): isenção beneficia mulheres de baixa renda – Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

Qual o texto da MP do fim da taxa das blusinhas

A isenção para remessas de até 50 dólares vigora desde maio. Pelo texto aprovado, o Poder Executivo deverá publicar um relatório preliminar de avaliação em três meses e, em seguida, estudos semestrais. O Congresso Nacional fará uma análise anual.

Os documentos deverão monitorar:

  • emprego e renda, com foco em setores com uso intensivo de mão de obra;
  • competitividade do comércio varejista e da indústria nacional;
  • preços e acesso a bens de consumo popular;
  • volume, valor e origem das remessas por faixa de tributação;
  • concorrência entre itens importados e nacionais; e
  • arrecadação de tributos federais e estaduais.

A avaliação dará ênfase aos seguintes segmentos:

  • têxtil e vestuário;
  • calçados e componentes;
  • acessórios;
  • brinquedos; e
  • cosméticos.

Importação: quais são as regras para plataformas digitais

Para compras internacionais entre 50 e 3 mil dólares, o imposto é de 60% com desconto fixo de 20 dólares, mas o texto aprovado permite a redução para 30% nesta faixa.

As plataformas de comércio eletrônico terão que adotar mecanismos contra fraudes fiscais, fracionamento irregular de remessas e subfaturamento de preços.

Entre as obrigações estão:

  • rastreamento e checagem de dados cadastrais de vendedores estrangeiros;
  • monitoramento de padrões suspeitos;
  • registro eletrônico das operações comerciais;
  • cooperação direta com a Receita Federal;
  • canais para denúncia de mercadorias ilegais ou que violem direitos autorais;
  • retirada de produtos piratas e banimento de infratores; e
  • envio de relatórios trimestrais ao Conselho Nacional de Combate à Pirataria e aos Delitos contra a Propriedade Intelectual.

As empresas que descumprirem as normas estarão sujeitas a multas, suspensão de atividades e até proibição definitiva de operar no país.

O texto também determina que a cotação da moeda estrangeira será calculada com base na data da compra e autoriza o Poder Executivo a criar limites de quantidade para remessas de até 3 mil dólares.

Fonte: Agência Câmara de Notícias

Reportagem revela novos repasses de Vorcaro e contradições no financiamento de filme sobre Bolsonaro

Uma reportagem do jornalista Breno Pires publicada pela revista piauí revelou novos detalhes sobre o financiamento de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro, com destaque para repasses feitos pelo banqueiro Daniel Vorcaro depois do período em que Flávio Bolsonaro afirmou que os pagamentos haviam sido encerrados. A apuração teve acesso a um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), além de documentos e conversas relacionadas à produção. Leia em TVT News.

Segundo o relatório do Coaf obtido pela piauí, Vorcaro transferiu US$ 1,666 milhão em 16 de setembro de 2025 para o Havengate Development Fund, fundo sediado nos Estados Unidos que administrava recursos destinados ao filme. O pagamento ocorreu oito dias depois de Flávio ter cobrado do banqueiro parcelas que estavam atrasadas. Com a transferência, o valor identificado como repassado por Vorcaro passou de US$ 10,6 milhões para US$ 12,3 milhões – na cotação da época, um valor de mais de R$ 65 milhões.

A informação contrasta com declaração dada anteriormente por Flávio à GloboNews em entrevista logo após as revelações do Intercept sobre a relação do filme Dark Horse com Vorcaro. Questionado, o senador afirmou que o último pagamento de Vorcaro havia sido realizado em maio de 2025. Procurado por Breno Pires para explicar a diferença entre a declaração e os dados do Coaf, Flávio não respondeu aos questionamentos e orientou a revista a procurar a produtora do filme.

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Conversas indicam possível novo pagamento

A reportagem também encontrou registros de conversas que podem indicar um pagamento adicional em outubro de 2025. Em 22 de outubro, Flávio procurou Vorcaro enquanto as gravações estavam em andamento e cobrou novamente a liberação das parcelas.

Pouco depois, segundo a apuração da piauí, o publicitário e ex-sócio do Portal Leo Dias Thiago Miranda, que participava da captação de recursos para o filme, perguntou a Vorcaro se ele conseguiria liberar as parcelas. O banqueiro respondeu que havia liberado mais uma naquele dia. Caso esse pagamento de US$ 1,6 milhão tenha de fato sido realizado, o total repassado chegaria a aproximadamente US$ 14 milhões. A certeza sobre o repasse desse valor adicional depende da confirmação da efetivação da transferência, conforme a reportagem da piauí.

O acordo entre Vorcaro e os responsáveis pelo filme previa, segundo a reportagem, o aporte de US$ 24 milhões. A primeira transferência identificada ocorreu em fevereiro de 2025, no valor de US$ 2 milhões. Os recursos eram enviados ao Havengate, e não diretamente à produtora Go Up Entertainment.

Investigação acompanha caminho dos recursos

Outro ponto levantado pela reportagem é a forma pouco ortodoxa como o dinheiro chegava ao fundo nos Estados Unidos. De acordo com a apuração, os recursos eram enviados por meio da Entre Investimentos e Participações, empresa de Antonio Freixo Junior, conhecido como “Mineiro”, antes de chegarem ao Havengate, administrado pelo advogado Paulo Calixto.

Parte dos valores também ia para os Estados Unidos para só então retornar ao Brasil, onde a gravação era efetivamente realizada.

A Polícia Federal investiga o percurso dos recursos também para verificar se todo o dinheiro destinado ao projeto foi efetivamente utilizado na produção. Entre os pontos sob análise está o papel de Eduardo Bolsonaro, que aparece em documentos americanos relacionados ao filme ora como produtor executivo, ora como financiador. Ainda não há comprovação, até o momento, de que dinheiro de Vorcaro tenha sido desviado para custear a permanência de Eduardo nos Estados Unidos.

A piauí também questionou a produtora sobre a movimentação financeira do projeto. Segundo a revista, a Go Up apresentou documentação na qual afirma ter recebido e utilizado os recursos destinados ao filme, mas permanecem dúvidas sobre o detalhamento dessas despesas. A apuração de Breno Pires amplia, assim, as informações disponíveis sobre os pagamentos de Vorcaro e sobre a estrutura utilizada para movimentar o dinheiro destinado a Dark Horse.

A Go Up Entertainment, responsável por Dark Horse, é comandada pela empresária Karina Ferreira da Gama, que também está ligada ao Instituto Conhecer Brasil (ICB). A Polícia Civil de São Paulo investiga um contrato de R$ 108 milhões firmado entre o ICB e a Prefeitura de São Paulo para a instalação de pontos de Wi-Fi em comunidades. A apuração envolve suspeitas de irregularidades na execução do acordo, possível desvio de recursos e confusão patrimonial entre entidades ligadas à empresária.

Karina também é citada na investigação sobre um contrato de R$ 108 milhões firmado pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB), ligado à empresária, com a Prefeitura de São Paulo para a instalação de pontos de Wi-Fi em comunidades. Segundo a reportagem, o instituto atuaria como uma espécie de empresa de passagem, contratando prestadores para executar os serviços, sem estrutura própria ou experiência anterior compatível com o contrato.

A Polícia Civil apura possíveis irregularidades na execução do acordo, o destino dos recursos e uma eventual confusão patrimonial entre as entidades relacionadas à empresária. A Go Up e Karina negam irregularidades.

Bienal Internacional do Livro de São Paulo recebe debates do CRB-8 sobre bibliotecas, leitura e transformação social

Entre os dias 4 e 13 de setembro, o Conselho Regional de Biblioteconomia do Estado de São Paulo (CRB-8) participa da 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, integrando uma programação que reúne literatura, educação, cultura, leitura e debates sobre o papel das bibliotecas e do acesso à leitura na sociedade. Leia em TVT News.

Durante os dez dias de evento, o estande do Conselho abrigará uma série de encontros, debates, lançamentos de obras e apresentações culturais, aproximando profissionais da informação, educadores, escritores e leitores em geral.

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Pesquisa sobre bibliotecas escolares será divulgada

Com o tema “Território livre: bibliotecas como espaço da democracia”, a agenda abrange temas centrais da atualidade, como a intersecção entre literatura e saúde mental, educação inclusiva, afrofuturismo, fanzines, quadrinhos, saraus de poesia marginal e literatura de cordel, além de debates decisivos sobre políticas públicas para bibliotecas.

Entre os destaques está o debate “Escola sem biblioteca não é legal”, previsto para o dia 6 de setembro, domingo, das 17h às 19h, com a participação da presidenta do CRB-8, Ana Cláudia Martins; da presidenta do Conselho Federal de Biblioteconomia (CFB), Dalgisa Andrade Oliveira; do bibliotecário Marcos Antonio de Araújo, coordenador da Comissão Temporária de Bibliotecas Escolares do CRB-8; e da professora e escritora Mércia Magalhães.

Mediado pelo diretor técnico do CRB-8, Guilherme Belíssimo, o debate contará com a participação da coordenadora-geral de Materiais Didáticos da Secretaria de Educação Básica do MEC, Jaqueline Melo.
O encontro coloca em evidência a importância das bibliotecas escolares e das políticas públicas para garantir o acesso de estudantes à leitura e à informação.

O debate ocorre em um contexto em que os dados da recente pesquisa do CRB-8 apontam para a distância entre o que determina a legislação brasileira e a realidade encontrada nas escolas paulistas.

A pesquisa, realizada pelo Conselho em 2025, analisou 912 escolas das redes estadual e municipal de São Paulo e identificou um cenário marcado pela ausência de bibliotecas formalmente constituídas e de bibliotecários. Em muitas unidades, as chamadas “salas de leitura” acabam ocupando o lugar das bibliotecas escolares, sem a estrutura e a atuação profissional previstas pela legislação.

A questão ganha ainda mais relevância diante do cenário nacional. Dados levantados pela Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon), com base no Censo Escolar de 2022, indicam que apenas cerca de um terço das escolas públicas brasileiras possui biblioteca.

“A universalização das bibliotecas escolares ainda está muito distante do que determina a lei. Essa falta aprofunda desigualdades de acesso à leitura que já existem. O mais preocupante é que muitas famílias sequer sabem que seus filhos têm direito a uma biblioteca na escola. Sem conhecer esse direito, os pais não têm como cobrar do poder público o seu cumprimento. É preciso informar a sociedade para que ela possa participar, fiscalizar e exigir bibliotecas estruturadas nas escolas”, defende a presidenta do CRB-8, Ana Cláudia Martins.

Quando o livro alcança a rua

A programação também abre espaço para discutir experiências que aproximam as bibliotecas de diferentes públicos. No dia 8 de setembro, das 17h às 18h, a mesa “Onde o livro alcança a rua” aborda a relação entre biblioteca, população em situação de rua e aporofobia.

A atividade contará com a participação de Regina Fazioli, vice-presidenta do CRB-8, ao lado de Meire Rose Stankevicius Bassi e do Padre Julio Lancellotti, reconhecido por sua atuação junto à população em situação de rua.

A discussão amplia a compreensão sobre o papel das bibliotecas como espaços públicos de acolhimento, acesso à informação e garantia de direitos, especialmente para pessoas que enfrentam situações de vulnerabilidade e exclusão social.

A programação inclui ainda o bate-papo “Escrevivência e a formação antirracista de leitores”, no dia 10 de setembro, além de atividades voltadas à mediação de leitura, literatura periférica e afrocentrada, bibliotecas antirracistas, clubes de leitura, bibliodiversidade, literatura de cordel e quadrinhos.

Quem forma os leitores do futuro?
Além da programação promovida pelo CRB-8, a Bienal também recebe, no dia 4 de setembro, às 18h, o debate Papo de Mercado, que terá como tema “Quem forma os leitores do futuro? O papel estratégico das bibliotecas em um ecossistema do livro em transformação”. A mesa reunirá Ana Cláudia Martins, presidenta do CRB-8; Valéria Valls, bibliotecária e pesquisadora; e Nadja Cézar, representante do Ministério da Cultura, com mediação de Bel Santos Mayer. A conversa vai discutir o papel estratégico das bibliotecas, tanto físicas quanto digitais, na formação de leitores, na descoberta de autores e obras e na articulação entre os diferentes agentes da cadeia do livro, especialmente diante das transformações tecnológicas e das mudanças nos hábitos de leitura e consumo.

Serviço:
28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo
4 a 13 de setembro: CRB8 SP
Distrito Anhembi – São Paulo- Estande do CRB-8: CC28
Confira aqui a programação completa: https://www.instagram.com/CRB8SP/
https://www.bienaldolivrosp.com.br

AtlasIntel/Estadão: Paes lidera corrida pelo governo do Rio; Lula e Flávio travam disputa apertada pela Presidência

A pesquisa AtlasIntel/Estadão divulgada nesta quinta-feira (3) revela dois cenários distintos entre os eleitores do Rio de Janeiro. Na disputa pelo governo estadual, Eduardo Paes (PSD) mantém uma liderança expressiva e supera com folga seu principal adversário, Douglas Ruas (PL). Na corrida pela Presidência da República, o cenário é mais equilibrado: Lula (PT) aparece à frente no primeiro turno, mas fica tecnicamente empatado com Flávio Bolsonaro (PL) em uma eventual disputa de segundo turno. Mais informações em TVT News.

O levantamento ouviu 1.784 eleitores do estado do Rio de Janeiro entre os dias 26 e 31 de agosto de 2026, por meio de recrutamento digital aleatório. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número RJ-04067/2026.

Paes abre 16 pontos sobre Douglas Ruas

No principal cenário de primeiro turno para o governo do Rio de Janeiro, Eduardo Paes lidera com 43,6% das intenções de voto. Douglas Ruas aparece na segunda posição, com 27,6%, uma diferença de 16 pontos percentuais.

O ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos) ocupa o terceiro lugar, com 10,7%. Na sequência aparecem Coronel Busnello (Missão), com 5,6%; André Marinho (Novo), com 4,3%; e William Siri (PSOL), com 3,2%.

Cyro Garcia (PSTU) registra 0,7%, enquanto Juliete (UP) aparece com 0,2%. Luan Monteiro (PCO) não foi mencionado pelos entrevistados. Os votos brancos e nulos somam 2,4%, e 1,7% não soube responder.

Apesar da ampla vantagem, Paes não alcança, nesse cenário, a maioria dos votos válidos necessária para vencer no primeiro turno.

Os números também mostram que Douglas Ruas já concentra mais de um quarto do eleitorado e se consolida como o principal representante do campo bolsonarista na eleição estadual.

Sem Garotinho, candidato do PL cresce

A AtlasIntel também testou um cenário sem a presença de Anthony Garotinho. Nessa simulação, Paes permanece praticamente estável, passando de 43,6% para 43,9%.

Douglas Ruas é o principal beneficiado pela retirada do ex-governador e avança cinco pontos percentuais, de 27,6% para 32,6%. A diferença entre os dois primeiros colocados, que era de 16 pontos, cai para 11,3 pontos percentuais.

O movimento indica que uma parcela significativa dos eleitores de Garotinho tende a migrar para o candidato do PL. Ruas absorve cinco dos 10,7 pontos registrados pelo ex-governador no cenário principal.

Mesmo assim, Paes conserva uma vantagem superior a dez pontos e mantém a liderança isolada.

Paes venceria Douglas Ruas no segundo turno

Em uma eventual disputa de segundo turno entre os dois candidatos mais bem colocados, Eduardo Paes aparece com 51,9% das intenções de voto, contra 38,2% de Douglas Ruas.

Os votos brancos e nulos somam 8,3%, enquanto 1,7% dos entrevistados não soube responder.

A vantagem de Paes chega a 13,7 pontos percentuais. Considerando somente os votos válidos, o ex-prefeito teria 57,6%, contra 42,4% do candidato do PL.

A simulação reforça o favoritismo de Paes na corrida estadual. Embora Douglas Ruas concentre aproximadamente um terço do eleitorado no cenário sem Garotinho, o candidato ainda enfrenta dificuldade para ampliar sua votação além do campo conservador e bolsonarista.

Paes é considerado mais preparado em todas as áreas

A vantagem de Eduardo Paes não se limita às intenções de voto. No comparativo entre os dois principais candidatos, o representante do PSD é considerado mais preparado do que Douglas Ruas em todas as dez áreas de governo avaliadas pela pesquisa.

As diferenças variam de três a 24 pontos percentuais. A disputa mais equilibrada aparece no enfrentamento à criminalidade e ao tráfico de drogas, tema em que a distância entre os dois é de apenas três pontos.

A maior vantagem de Paes está em turismo, cultura e eventos, área na qual ele supera Ruas por 24 pontos percentuais.

Os resultados indicam que o candidato do PSD mantém uma imagem de maior capacidade administrativa, enquanto Douglas Ruas apresenta seu desempenho mais competitivo justamente na segurança pública, uma das principais bandeiras do campo bolsonarista.

Lula lidera corrida presidencial no Rio

Na disputa pela Presidência da República, Lula aparece com 41,1% das intenções de voto no Rio de Janeiro. Flávio Bolsonaro ocupa a segunda posição, com 36,9%.

A diferença entre os dois é de 4,2 pontos percentuais. Considerando a margem de erro de dois pontos para cada lado.

O resultado mostra uma polarização mais acentuada no Rio na corrida presidencial do que na disputa pelo governo estadual. Enquanto Paes apresenta uma vantagem confortável sobre Douglas Ruas, para presidente, o campo governista e o bolsonarismo estão muito próximos.

Flávio e Lula aparecem empatados no segundo turno

Em uma eventual disputa direta pela Presidência, Flávio Bolsonaro registra 45,2% das intenções de voto no Rio de Janeiro, enquanto Lula aparece com 44,4%.

A diferença é de apenas 0,8 ponto percentual, muito inferior à margem de erro da pesquisa. Os dois estão, portanto, tecnicamente empatados.

Considerando somente os votos válidos, Flávio teria 50,4%, contra 49,6% de Lula. Também nesse recorte, a diferença não permite apontar um vencedor.

Embora lidere o primeiro turno no estado, Lula não mantém vantagem na simulação contra Flávio Bolsonaro de votos válidos. O resultado sugere que o candidato do PL consegue atrair, no confronto direto, uma parcela maior dos eleitores que inicialmente escolheriam outros nomes.

A pesquisa também testou Lula contra outros adversários. Segundo o levantamento, o petista não é superado por nenhum deles nas demais simulações de segundo turno. O confronto com Flávio Bolsonaro é o mais equilibrado e o único no qual Lula aparece numericamente atrás, ainda que em situação de empate técnico.

Disputa estadual e nacional apresentam dinâmicas diferentes

Os números revelam que o eleitorado fluminense adota comportamentos diferentes nas duas eleições. Na corrida estadual, Eduardo Paes reúne apoio suficiente para liderar com ampla vantagem, enquanto Douglas Ruas se consolida na segunda posição, mas ainda precisa romper a barreira do eleitorado mais identificado com o bolsonarismo.

Na disputa presidencial, a polarização é mais intensa. Lula e Flávio Bolsonaro concentram juntos 78% das intenções de voto no primeiro turno e chegam ao confronto direto separados por menos de um ponto percentual.

O levantamento mostra, portanto, um cenário de favoritismo de Eduardo Paes para o governo estadual e de equilíbrio entre Lula e Flávio Bolsonaro na corrida presidencial entre os eleitores do Rio de Janeiro.