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Da Redação

Bernie Sanders defende apoio à soberania do Brasil em encontro com Lula

O senador dos Estados Unidos Bernie Sanders defendeu que setores progressistas norte-americanos apoiem a autodeterminação do Brasil durante encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na noite de segunda-feira (21), em Nova York. A conversa ocorreu em meio às tensões entre os governos brasileiro e estadunidense, liderado por Donald Trump. Leia em TVT News.

Sanders também questionou Lula sobre a possibilidade de interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras. O presidente afirmou que as autoridades estão atentas a eventuais tentativas, mas que, até o momento, não há sinais concretos de uma ação relevante. Lula, contudo, não descartou que isso possa ocorrer.

O encontro aconteceu na véspera do discurso de Lula na abertura da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), também em Nova York.

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Multilateralismo e democracia

Em publicação nas redes sociais, Lula afirmou que ele e Sanders defenderam o multilateralismo, a paz e a democracia. Os dois também condenaram o aumento dos gastos militares, o aprofundamento das desigualdades e a insegurança no emprego em diferentes partes do mundo.

A reforma do Conselho de Segurança da ONU esteve entre os temas discutidos. Lula e Sanders também manifestaram preocupação com o crescimento do extremismo e defenderam maior participação de jovens e mulheres na política, além de uma governança multilateral da inteligência artificial.

Os dois ainda conversaram sobre os conflitos internacionais em curso e o papel das Nações Unidas na promoção da paz.

Inteligência artificial e saúde

Sanders tem defendido regras mais rígidas para as grandes empresas de tecnologia. Neste mês, ao lado do deputado Greg Casar, apresentou uma proposta voltada ao controle do desenvolvimento de sistemas avançados de inteligência artificial.

A conversa também incluiu o Sistema Único de Saúde (SUS), tema de interesse do senador, que defende a ampliação do acesso aos serviços de saúde nos Estados Unidos. Sanders afirmou que pretende convidar Lula para apresentar a experiência brasileira no Senado norte-americano.

O senador também compartilhou com o presidente brasileiro sua avaliação sobre a situação política e econômica dos Estados Unidos e as eleições de meio de mandato, previstas para 3 de novembro.

Além de Sanders, Lula se reuniu na segunda-feira com o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, e com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani.

Morre Zuenir Ventura, jornalista e escritor, aos 95 anos

O jornalista e escritor Zuenir Ventura morreu nesta terça-feira (22), aos 95 anos, no Rio de Janeiro. A morte foi confirmada pela família e pela Academia Brasileira de Letras (ABL), da qual era membro. O autor ficou conhecido por livros como 1968 – O Ano que Não Terminou e Cidade Partida, além de uma trajetória de mais de seis décadas na imprensa brasileira. Leia em TVT News.

Nascido em Além Paraíba, em Minas Gerais, em 1º de junho de 1931, Zuenir teve diferentes ocupações antes de se consolidar no jornalismo. Foi pintor de paredes, office-boy, jogador de basquete, arquivista e professor. Formado em Letras Neolatinas, iniciou a carreira na imprensa como arquivista do jornal Tribuna da Imprensa, em 1956.

Ao longo da carreira, trabalhou em veículos como Correio da Manhã, Jornal do Brasil, O Cruzeiro, Visão, Veja e IstoÉ. Também atuou como professor universitário e colunista do jornal O Globo.

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Livros retrataram a ditadura e a violência urbana

Publicado em 1988, 1968 – O Ano que Não Terminou tornou-se uma de suas obras mais conhecidas. No livro, Zuenir reconstrói acontecimentos políticos e culturais daquele período, marcado pela repressão da ditadura militar e pela mobilização de jovens contra o regime. A obra inspirou a minissérie Anos Rebeldes, da TV Globo.

Outro trabalho de destaque foi Cidade Partida, lançado em 1994. O livro-reportagem aborda a violência urbana no Rio de Janeiro a partir da experiência do jornalista na comunidade de Vigário Geral, após a chacina de 1993. A obra recebeu o Prêmio Jabuti de Reportagem.

A cobertura do assassinato do seringueiro e ambientalista Chico Mendes, no Acre, também marcou sua trajetória. Em 1989, Zuenir publicou no Jornal do Brasil uma série de reportagens sobre o caso, que lhe rendeu os prêmios Esso e Vladimir Herzog.

A experiência teve ainda um desdobramento pessoal: o jornalista acolheu Genésio Ferreira da Silva, então com 13 anos, principal testemunha do assassinato e ameaçado por pessoas ligadas ao crime. O menino viveu sob sua tutela até os 21 anos.

Jornalista foi eleito para a Academia Brasileira de Letras

Zuenir foi eleito para a ABL em outubro de 2014, na sucessão do escritor Ariano Suassuna. Tomou posse em março de 2015 e ocupava a Cadeira 32. Em 2008, recebeu o Troféu Especial de Imprensa da ONU pelo trabalho em defesa dos direitos humanos na imprensa, ao lado de Caco Barcellos, Henfil, José Hamilton Ribeiro e Ricardo Kotscho.

Além dos livros de reportagem, publicou crônicas, ensaios e obras de ficção, entre elas Sagrada Família, romance que se baseou em sua infância e adolescência, lançado em 2012. Em Minhas Histórias dos Outros, reuniu relatos sobre personalidades com quem conviveu, como Glauber Rocha, Betinho e Carlos Drummond de Andrade.

Zuenir morreu em casa, no Rio de Janeiro, em decorrência de uma pneumonia. Ele deixa a mulher, a jornalista Mary Akiersztein, dois filhos e dois netos. O velório está previsto para ocorrer na Academia Brasileira de Letras, nesta quarta-feira (23), e o sepultamento será no mausoléu dos imortais.

Nota de pesar do Ministério da Cultura

O Ministério da Cultura do Governo Federal emitiu uma nota de pesar pelo falecimento de Zuenir Ventura nesta terça (22). Leia a nota na íntegra:

Ministério da Cultura (MinC) lamenta a morte do jornalista e escritor Zuenir Ventura, aos 95 anos, nesta terça-feira (22). Ao longo de mais de seis décadas de carreira, Zuenir acompanhou acontecimentos importantes da história recente do Brasil e transformou parte de sua experiência como repórter em livros que se tornaram referências do jornalismo e da literatura brasileira.

Nascido em 1º de junho de 1931, em Além Paraíba (MG), Zuenir teve diferentes ocupações antes de ingressar no jornalismo. Foi pintor de parede, office-boy e arquivista, além de ter atuado como professor universitário. Começou a trabalhar na imprensa em 1956, na Tribuna da Imprensa, e, ao longo da carreira, passou por veículos como Correio da Manhã, O Cruzeiro, Visão, Veja, IstoÉ e Jornal do Brasil. Também atuou como colunista de O Globo.

Em 1988, publicou 1968 – O Ano que Não Terminou, obra que recupera acontecimentos e transformações daquele período da história brasileira e que posteriormente inspirou a minissérie Anos Rebeldes. No ano seguinte, foi ao Acre como repórter especial para acompanhar as investigações sobre o assassinato do líder seringueiro Chico Mendes. A série de reportagens resultante desse trabalho recebeu os prêmios Esso de Jornalismo e Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos.

Outro marco de sua produção foi Cidade Partida, publicado em 1994. A obra nasceu da experiência do jornalista em Vigário Geral, no Rio de Janeiro, após a chacina que deixou 21 mortos em 1993, e aborda temas como violência e desigualdade social. Em 1995, o livro conquistou o segundo lugar do Prêmio Jabuti na categoria Reportagem.

Zuenir também publicou obras como Chico Mendes: Crime e Castigo, 1968: O que Fizemos de Nós e Sagrada Família. Em 2014, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras (ABL), onde ocupou a Cadeira nº 32, na sucessão de Ariano Suassuna. Tomou posse em março de 2015.

Ao unir reportagem, memória e literatura, Zuenir Ventura construiu uma obra dedicada a registrar e interpretar diferentes momentos da vida brasileira, deixando uma contribuição para o jornalismo, a literatura e a cultura do país.

O Ministério da Cultura manifesta solidariedade aos familiares, amigos, colegas de profissão e leitores de Zuenir Ventura.

Lula discursa na ONU nesta terça-feira

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) discursa nesta terça-feira (22) na abertura do debate geral da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. Esta será a 10ª vez que o presidente brasileiro abre os trabalhos do principal encontro anual da organização. Lula já ocupou a tribuna nas edições de 2003, 2004, 2006, 2007, 2008, 2009, 2023, 2024 e 2025. Leia em TVT News.

A presença brasileira na abertura segue uma tradição iniciada em 1955. Desde então, o Brasil é o primeiro país a discursar no debate geral, seguido pelo país-sede. A prática está relacionada à atuação de Oswaldo Aranha, que presidiu a Assembleia Geral da ONU em 1947, nos primeiros anos da organização.

Ao longo de mais de duas décadas, alguns temas permaneceram presentes nos discursos de Lula, entre eles a defesa da paz, o combate à fome e a necessidade de reformar o Conselho de Segurança da ONU. Apesar da permanência dessas questões, a abordagem do presidente mudou conforme o cenário internacional e as prioridades de cada período de governo.

Acompanhe o discurso do Lula no jornal da TVT:

Acompanhe em tempo real

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu o discurso afirmando que a ONU atravessa um dos momentos mais críticos de sua história. Segundo ele, a organização perdeu capacidade de agir diante dos conflitos e de proteger populações vulneráveis.

“O sentimento que me move hoje é o da indignação. A ONU está falhando em uma de suas missões mais elevadas: a de livrar a humanidade do flagelo da guerra.”

Lula afirmou que a credibilidade da organização está em seu nível mais baixo e criticou a falta de ação do Conselho de Segurança. Para o presidente, o atual cenário deixa países sem capacidade militar à mercê das decisões das grandes potências.

“Somos todos reféns do imobilismo de um Conselho de Segurança que não cumpre o seu papel.”

Conflitos e corrida armamentista

Ao tratar do cenário internacional, Lula afirmou que 2025 registrou o maior número de conflitos armados desde a Segunda Guerra Mundial. Ele também criticou o volume de recursos destinado à corrida armamentista e alertou para o risco de conflitos regionais assumirem proporções maiores.

“Trilhões de dólares financiam uma nova corrida armamentista. Tensões geopolíticas ameaçam transformar conflitos regionais em uma conflagração de proporções globais.”

O presidente defendeu que os integrantes do Conselho de Segurança assumam responsabilidade diante desse cenário e voltem a se reunir para buscar soluções diplomáticas.

“Não desconheço a realidade do poder, mas as concessões e a lei do mais forte já passaram dos limites. Isso não é idealismo, é o mais puro realismo.”

Guerra em Gaza e conflitos no Oriente Médio

Lula dedicou parte do discurso à situação no Oriente Médio. Ao falar sobre Gaza, afirmou que gerações de palestinos carregarão as consequências do conflito e responsabilizou o governo de Benjamin Netanyahu pelas mortes de mulheres e crianças.

Ao mesmo tempo, mencionou os ataques do Hamas e afirmou que civis israelenses também foram vítimas do radicalismo e da intolerância.

“Gerações de palestinos carregarão a dor e o trauma deixados pelo genocídio praticado pelo governo de Netanyahu contra mulheres e crianças em Gaza. Civis israelenses pagaram o preço do radicalismo e da intolerância expressos nos atos terroristas do Hamas.”

O presidente também defendeu a solução de dois Estados e criticou a expansão dos assentamentos na Cisjordânia. Segundo ele, ameaças de destruição e escaladas militares não produzem estabilidade na região.

Lula ainda mencionou o estreito de Ormuz e afirmou que a passagem, importante para o comércio internacional, acabou transformada em uma frente de guerra.

Guerra da Rússia e Ucrânia: defesa da diplomacia

Sobre a guerra entre Rússia e Ucrânia, Lula destacou os impactos internacionais do conflito, especialmente sobre os preços de combustíveis, fertilizantes e alimentos.

“A guerra entre a Rússia e a Ucrânia se arrasta há anos, em um drama humanitário que continua a ceifar vidas.”

Para o presidente, a saída para os conflitos deve ser buscada pela negociação. Lula citou o Grupo de Amigos da Paz, iniciativa criada por Brasil e China, como exemplo de articulação internacional voltada ao diálogo.

“Todos sabemos que não haverá vencedores no campo de batalha. A diplomacia é a única opção.”

América Latina, soberania e democracia

Ao falar sobre a América Latina e o Caribe, Lula defendeu que os países da região mantenham relações baseadas em cooperação e desenvolvimento, sem submissão a interesses externos.

“Sobretudo em um contexto de recrudescimento de tentações hegemônicas, o Brasil não cabe no quintal de ninguém.”

O presidente também criticou interferências externas em processos eleitorais e afirmou que diferenças ideológicas não deveriam impedir uma maior integração entre os países latino-americanos.

“A democracia está novamente em xeque. Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais.”

Na sequência, mencionou Venezuela, Nicarágua, Haiti e Cuba. Sobre os venezuelanos, afirmou que o povo do país deve ter o direito de decidir seu próprio destino. Também criticou a situação política da Nicarágua e o embargo econômico contra Cuba.

Combate ao crime organizado

Lula também dedicou parte do pronunciamento ao combate ao crime organizado. O presidente afirmou que o Brasil não pretende transferir a responsabilidade pela segurança de suas fronteiras e pela proteção da população a outros países.

“As pessoas estão cansadas da violência, mas não vamos terceirizar a responsabilidade de defender as nossas fronteiras e de garantir à população o direito de viver sem medo.”

Ele defendeu a cooperação internacional para combater o fluxo de armas e dinheiro que abastece organizações criminosas e citou uma proposta apresentada pessoalmente ao presidente dos Estados Unidos para enfrentar a lavagem de dinheiro realizada por criminosos brasileiros no exterior.

“Não precisamos de porta-aviões vigiando as nossas águas. Precisamos de cooperação para estancar o fluxo de armas e dinheiro que abastece o crime organizado.”

Lula também mencionou operações realizadas no Brasil contra organizações criminosas, apreensões de drogas, bens e recursos ilícitos e a aprovação da lei antifacção.

“Estamos enfrentando todos os escalões da criminalidade, inclusive os magnatas do crime.”

Na sequência, associou o combate ao crime organizado ao enfrentamento da corrupção:

“Crime organizado e corrupção andam juntos. O combate à corrupção continuará implacável, doa a quem doer. Ninguém está acima da lei.”

Mudanças climáticas e transição energética

A crise climática também ocupou espaço no pronunciamento. Lula criticou o que classificou como perda de centralidade do tema nos debates internacionais e defendeu uma retomada das ações contra o aquecimento global.

“É hora de retomar a ofensiva e impor uma derrota ao negacionismo.”

O presidente citou o derretimento das geleiras do Himalaia e os possíveis efeitos de fenômenos climáticos, como um Super El Niño, sobre diferentes regiões do planeta. Segundo ele, os impactos atingem principalmente as populações mais vulneráveis.

Lula também apresentou o Brasil como um país capaz de combinar crescimento econômico e redução das emissões. Mencionou a produção de petróleo, a pesquisa por novas reservas e a manutenção da agenda ambiental.

“Não renunciaremos à agenda ambiental.”

Ele ainda defendeu a valorização econômica da floresta em pé e citou o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, lançado na COP30, como parte dessa estratégia.

Inteligência Artificial, Big Techs e bets

Na área tecnológica, Lula defendeu a regulamentação das grandes empresas de tecnologia e da Inteligência Artificial. O presidente afirmou que a ausência de regras e transparência traz riscos para a sociedade.

“Seria uma omissão histórica imperdoável não enfrentar o desafio da regulamentação das Big Techs e da Inteligência Artificial.”

Lula também criticou o que chamou de “tecno-oligarcas” e defendeu que o desenvolvimento tecnológico seja acompanhado de responsabilidade.

Ao falar sobre as bets, afirmou que o setor transforma o vício em fonte de lucro e relacionou a expansão das apostas ao endividamento e a problemas familiares.

“A indústria bilionária das bets transforma o vício em lucro. Sua disseminação vertiginosa está endividando e destruindo lares.”

O presidente ainda defendeu medidas de proteção a crianças, adolescentes e mulheres no ambiente digital e afirmou que o governo pretende garantir remuneração a artistas, músicos e produtores de conteúdo audiovisual. Também criticou pressões de multinacionais sobre o Pix.

Desigualdade, trabalho e direitos das mulheres

Ao abordar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, Lula relacionou desigualdade e subdesenvolvimento a decisões políticas. Defendeu políticas de distribuição de renda, investimentos em educação e saúde e redução de privilégios.

“É possível colocar o pobre no orçamento e fazer os ricos pagarem a sua parte.”

O presidente também afirmou que mudanças sociais não devem significar perda de direitos ou retrocessos e defendeu um Estado democrático capaz de formular políticas públicas.

No campo do trabalho, Lula falou sobre as transformações nas relações profissionais e defendeu o fim da escala 6×1, com dois dias de descanso por semana.

“O trabalhador precisa de tempo para descansar, se qualificar e conviver com a família.”

Ele relacionou a mudança também à divisão das tarefas domésticas, afirmando que a redução da jornada poderia aliviar uma sobrecarga que ainda recai sobre as mulheres.

Lula encerrou esse trecho defendendo um país em que mulheres possam ocupar espaços de poder e participar do mercado de trabalho sem enfrentar barreiras relacionadas ao gênero, além de reforçar a necessidade de combater o feminicídio.

ONU e a defesa do multilateralismo

Na parte final do discurso, Lula retomou a história da ONU e destacou a atuação da organização em temas como descolonização, direitos humanos, desenvolvimento sustentável, proteção de migrantes e refugiados e combate ao racismo e à intolerância religiosa.

“A ONU nasceu sob o signo da esperança.”

Para Lula, as transformações promovidas pela organização foram resultado da ação de lideranças que se recusaram a aceitar guerras, colonialismo e sistemas de segregação como inevitáveis.

“Diante da paralisia das Nações Unidas, precisamos reencontrar a vontade política para que volte a ser o templo da paz.”

Eleições brasileiras e defesa da democracia

No encerramento, Lula voltou-se para o cenário político brasileiro e afirmou que milhões de eleitores irão às urnas para escolher presidente, governadores e representantes do Legislativo.

O presidente apresentou a eleição como uma disputa relacionada ao futuro da democracia brasileira e mencionou a atuação de redes de desinformação e a influência de interesses estrangeiros.

“Teremos um pleito transparente e competitivo, em que todos os candidatos desfrutam da mais ampla liberdade de expressão.”

Lula afirmou ainda que o Brasil possui um sistema eleitoral que, segundo ele, é capaz de garantir o processo e defendeu a atuação da imprensa livre e de uma cidadania plural.

“A democracia brasileira pertence aos brasileiros.”

O discurso terminou com uma afirmação sobre a soberania nacional:

“O Brasil continuará sendo um país soberano. Ninguém…!!! Ninguém nos afastará desse caminho.”

Veja o discurso completo:

“Dirijo-me em particular ao secretário das Nações Unidas. Ao longo de seus dois mandatos, António Guterres
foi testemunha direta dos crescentes desmandos da superpotência.

Seu presidente, essa é a décima ocasião em em que abro o debate geral dessa assembleia. Desde que ocupei pela primeira vez essa tribuna em 2003, esse é o momento mais crítico das Nações Unidas.

O sentimento que me move hoje é o da indignação. A ONU está falhando em uma de suas missões mais elevadas: a de livrar a humanidade do flagelo da guerra.

Sua credibilidade nunca esteve tão baixa. Sua capacidade de proteger os mais vulneráveis, os que não têm exércitos nem arsenais, nunca foi tão pequena.

Somos todos reféns do imobilismo de um Conselho de Segurança que não cumpre o seu papel.

(…)

O ano de 2025 registrou o maior número de conflitos armados desde a Segunda Guerra Mundial. Trilhões de dólares financiam uma nova corrida armamentista. Tensões geopolíticas ameaçam transformar conflitos regionais em uma conflagração de proporções globais.

Os que têm e detêm as rédeas das decisões cruciais devem atuar com responsabilidade e senso de urgência. Os líderes que integram o Conselho de Segurança precisam se reunir. Não desconheço a realidade do poder, mas as concessões e a lei do mais forte já passaram dos limites. Isso não é idealismo, é o mais puro realismo.

A guerra não é continuação da política por outros meios; é a falência total da política. Num mundo interdependente, liderar é conciliar o interesse da pátria com o da humanidade. Essa é a constatação de alguém que representa uma nação amante da paz e da liberdade, alguém que lutou contra uma ditadura militar e defendeu seu país contra um golpe de Estado.

É a convicção de um operário eleito três vezes presidente e que retirou o Brasil do mapa da fome. Esta Assembleia corrigiu recentemente distorções históricas. Reconheceu o tráfico de africanos escravizados como o mais grave crime contra a humanidade. (Palmas.)

Aprovou a representação mais precisa do mapa-múndi. Agora, deve se debruçar sobre temas determinantes para o futuro da humanidade. Somos chamados a optar entre o unilateralismo e o multilateralismo, democracia ou extremismo, soberania ou subordinação.

Essas escolhas demandam coragem, vontade política e clareza de objetivos. Isso é o que se espera de um estadista.

(…)

Gerações de palestinos carregarão a dor e o trauma deixados pelo genocídio praticado pelo governo de Netanyahu contra mulheres e crianças em Gaza. Civis israelenses pagaram o preço do radicalismo e da intolerância expressos nos atos terroristas do Hamas.

A relatora especial da ONU não pode ser silenciada por dizer a verdade. Os assentamentos ilegais na Cisjordânia tornam cada vez menos viável a solução de dois Estados, essencial para que israelenses e palestinos possam viver em paz. Ameaçar civilizações de extinção não trará estabilidade para o Oriente Médio. O estreito de Ormuz transformou-se em uma trincheira da guerra, quando deveria permanecer como uma passagem vital para o comércio internacional.

Famílias em todo o mundo pagam o preço do aumento dos preços dos combustíveis, fertilizantes e alimentos. A guerra entre a Rússia e a Ucrânia se arrasta há anos, em um drama humanitário que continua a ceifar vidas.

Todos sabemos que não haverá vencedores no campo de batalha. A diplomacia é a única opção. Iniciativas como o Grupo de Amigos da Paz, criado por Brasil e China, revelam que há forças na comunidade internacional dispostas a trabalhar pelo diálogo.

Na América Latina e no Caribe, a proximidade geográfica com a maior potência militar do mundo é inescapável. Sobretudo em um contexto de recrudescimento de tentações hegemônicas, o Brasil não cabe no quintal de ninguém.

Precisamos de parceiros com uma agenda positiva que fomente o desenvolvimento. Diferenças ideológicas não devem ser obstáculo para uma maior integração entre vizinhos. Os países da região reconheceram os horrores dos regimes de exceção. Percorremos um longo caminho para restaurar a vontade popular.

A democracia está novamente em xeque. Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais.

A divisão do mundo em zonas de influência e investidas neocoloniais por recursos estratégicos constituem gestos anacrônicos. O povo venezuelano merece decidir seu próprio destino. A Nicarágua não irá resolver seus problemas impedindo o povo de disputar as eleições.

A crise no Haiti continua a testar a indiferença da comunidade internacional. Em Cuba, o mundo assiste estarrecido à punição coletiva imposta a 10 milhões de pessoas por um embargo econômico, num cerco energético ilegal.

Senhor Presidente, o Brasil não subestima o desafio representado pelo crime organizado. Estamos preparados para enfrentar as organizações criminosas que aterrorizam nossas comunidades.

Trabalhadores são roubados, mães perdem seus filhos, policiais não voltam para suas casas. As pessoas estão cansadas da violência, mas não vamos terceirizar a responsabilidade de defender as nossas fronteiras e de garantir à população o direito de viver sem medo.

Não precisamos de porta-aviões vigiando as nossas águas. Precisamos de cooperação para estancar o fluxo de armas e dinheiro que abastece o crime organizado.

Esse é o espírito da proposta que entreguei pessoalmente ao presidente dos Estados Unidos. Queremos combater a lavagem de dinheiro realizada por criminosos brasileiros no exterior.

Por muito tempo, os estados brasileiros atuaram cada um à sua maneira. E o crime aproveitou a falta de coordenação. Mas isso está mudando. Criamos novas zonas de cooperação policial e internacional na Amazônia.

(…)

Em 2025, realizamos a maior operação contra o crime organizado no Brasil. Batemos recordes de apreensão de drogas, bens e recursos ilícitos. Estamos enfrentando todos os escalões da criminalidade, inclusive os magnatas do crime.

A lei antifacção que acabamos de aprovar impõe ao crime organizado penas superiores às previstas para o terrorismo.

Crime organizado e corrupção andam juntos. O combate à corrupção continuará implacável, doa a quem doer. Ninguém está acima da lei.

Senhoras e senhores,

Os pilares do multilateralismo estão sendo corroídos. A Organização Mundial do Comércio respira por aparelhos. Quando os governos capitulam frente aos que usam tarifas como armas de coerção e chantagem, as consequências são nefastas.

Na era da desinformação, os obscurantistas resistem às evidências da ciência. Nunca esqueceremos as milhões de vidas perdidas pelo descaso no enfrentamento da Covid-19. Campanhas contra vacinas estão trazendo de volta doenças que julgávamos erradicadas. Enfraquecer a Organização Mundial da Saúde torna a todos mais vulneráveis.

Até pouco tempo, a resposta à mudança do clima estava consolidada no centro da agenda internacional. Este ano, o tema desapareceu dos debates do G7 e do G20, foros que reúnem os maiores emissores de carbono. É hora de retomar a ofensiva e impor uma derrota ao negacionismo.

A natureza nos recorda a cada dia que o planeta é um só. As geleiras do Himalaia estão derretendo. Um Super El Niño pode provocar chuvas torrenciais, secas e incêndios florestais em diferentes partes do globo. Seus efeitos golpearão sobretudo os mais vulneráveis.

O Brasil vem demonstrando que é possível aliar crescimento econômico com redução de emissões. Conquistamos nossa autossuficiência em petróleo e seguiremos pesquisando o potencial de novas reservas, como as da Margem Equatorial. Não renunciaremos à agenda ambiental.

Levaremos adiante o Mapa do Caminho para a descarbonização da economia brasileira. O Fundo Florestas Tropicais para Sempre, lançado na COP30 em Belém, mostra que é possível mudar antigos paradigmas. A floresta vale mais em pé do que destruída.

Continuaremos reduzindo o desmatamento, que caiu pela metade na Amazônia e atingiu o menor nível em 11 anos. Temos autoridade moral para rejeitar medidas protecionistas disfarçadas de apego à causa ambiental.

O Brasil é referência mundial em energia verde. Temos os minerais críticos e as terras raras de que o mundo precisa para realizar a transição energética. Nossas riquezas naturais pertencem ao povo brasileiro — e é em benefício dele que serão exploradas.

O acesso a nossos minerais terá como contrapartida obrigatória a geração de valor em nosso território, a transferência de tecnologia e o suprimento de setores estratégicos nacionais.

Senhor Presidente,

Vivemos uma revolução tecnológica sem precedentes, com grandes riscos e oportunidades. Seria uma omissão histórica imperdoável não enfrentar o desafio da regulamentação das Big Techs e da Inteligência Artificial.

Um punhado de tecno-oligarcas quer ressuscitar uma versão de neoliberalismo digital, sem regras nem transparência. Estão promovendo uma corrida sem freios éticos, à revelia da ONU e do Painel Científico sobre Inteligência Artificial.

Como adverte o Papa Leão XIV, “as decisões sobre tecnologia nunca devem ser separadas da consciência e da responsabilidade”.

Empresas que conhecem os riscos de seus produtos transferem para as famílias a impossível tarefa de enfrentar os algoritmos. A indústria bilionária das bets transforma o vício em lucro. Sua disseminação vertiginosa está endividando e destruindo lares.

O Brasil não vai tolerar esse modelo de negócio. Aprovamos uma das legislações mais avançadas do mundo para proteger crianças, adolescentes e mulheres no ambiente digital.

Vamos assegurar a justa remuneração de artistas, músicos e criadores de conteúdo audiovisual. Não vamos ceder às pressões de multinacionais que querem privatizar o nosso Pix, uma infraestrutura de pagamentos pública e gratuita que fez da inclusão financeira uma realidade para milhões de brasileiros.

Senhoras e senhores,

Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável são alvo de ataques de forças reacionárias, que desejam naturalizar injustiças. A desigualdade e o subdesenvolvimento resultam de escolhas políticas.

É possível colocar o pobre no orçamento e fazer os ricos pagarem a sua parte. É necessário cortar privilégios e investir em educação e saúde gratuitas e de qualidade.

Existe, em todo o mundo, um anseio legítimo por mudanças. Mas mudar não é retroceder. Não é subtrair direitos. Não é reeditar teorias de supremacia racial ou de submissão feminina. Não é recolonizar o Sul Global.

Mudar é avançar para um futuro de mais participação e mais conquistas. É criar e compartilhar soluções públicas efetivas para os desafios do desenvolvimento por meio de um Estado democrático, forte, eficiente e capaz.

É apostar no espírito de solidariedade e na cooperação com a África, a Ásia e a América Latina e o Caribe. Iniciativas como a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza e o Painel Internacional sobre Desigualdade nascem dessa vontade política.

O Brasil tem pressa de se tornar uma nação desenvolvida e socialmente justa. Adotamos um modelo econômico que se assenta na distribuição de renda, na geração de empregos e na valorização do salário.

Apostamos na melhoria da produtividade, na ampliação do crédito e na construção de uma rede robusta de proteção social. O Brasil voltou a crescer de modo sustentado.

Somos o terceiro maior destino de investimento estrangeiro direto. Apesar do tarifaço contra nossa economia, este ano bateremos novo recorde de exportações.

Ainda há muito a ser feito. O mundo do trabalho está em transformação. Pessoas idosas querem permanecer ativas. Jovens desejam empreender. O trabalhador precisa de tempo para descansar, se qualificar e conviver com a família.

No Brasil, concretizar esse objetivo passa pelo fim da chamada escala 6×1, para garantir ao trabalhador dois dias livres por semana. Essa mudança é fundamental para aliviar a sobrecarga doméstica que ainda recai sobre as mulheres.

Estamos construindo um Brasil onde as mulheres não precisam pedir licença para ocupar espaços de poder ou se inserir no mercado de trabalho. Um país livre do feminicídio, onde nenhuma mulher, dentro ou fora de casa, viva sob a ameaça da violência.

Essa é uma causa que o mundo todo precisa abraçar.

Senhor Presidente,

Ao receber o Nobel da Paz, Martin Luther King afirmou que “aquilo que pessoas voltadas para si mesmas destruíram, outras pessoas voltadas para o próximo podem reconstruir”.

A ONU nasceu sob o signo da esperança. Ao longo de oito décadas, contribuiu com a descolonização, promoveu os direitos humanos e apoiou o desenvolvimento sustentável.

Protegeu migrantes e refugiados, condenou o racismo, o antissemitismo e a intolerância religiosa.

Essas foram conquistas de lideranças que ocuparam este pódio movidas pela indignação diante das injustiças de seu tempo. Homens e mulheres que se recusaram a aceitar a guerra como destino, o colonialismo como direito, o apartheid como sistema legítimo.

Foi dessa capacidade de dizer “não” às desigualdades que nasceram algumas das maiores transformações que vivemos.

Diante da paralisia das Nações Unidas, precisamos reencontrar a vontade política para que volte a ser o templo da paz.

Quero concluir com uma mensagem sobre o meu país a todos os que nos ouvem.

No dia 4 de outubro, milhões de brasileiras e brasileiros vão às urnas para definir o seu destino. Não vão apenas eleger o presidente da República, governadores estaduais e representantes do Poder Legislativo. Vão decidir entre democracia e negacionismo. Se o Brasil vai avançar rumo a um futuro de mais oportunidades ou regressar a um passado de exclusão.

Teremos um pleito transparente e competitivo, em que todos os candidatos desfrutam da mais ampla liberdade de expressão. Sabemos que alguns abusam dessa liberdade para se associar a interesses estrangeiros contrários ao país.

Não subestimamos o desafio das redes de desinformação que pretendem desvirtuar o debate público durante a campanha. Mas possuímos um sistema eleitoral moderno e robusto.

Sob o olhar atento de uma cidadania plural e de uma imprensa livre, não permitiremos que os inimigos da democracia, internos e externos, atentem contra a vontade popular.

A democracia brasileira pertence aos brasileiros.

O Brasil continuará sendo um país soberano.

Ninguém…!!! Ninguém nos afastará desse caminho.

Que Deus nos abençoe a todos.

Muito obrigado.”

Lula volta a defender reforma do Conselho de Segurança

A reforma do Conselho de Segurança aparece nos discursos analisados desde a primeira participação de Lula na abertura da Assembleia Geral. Atualmente, o órgão possui cinco membros permanentes, Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido e França, que têm poder de veto.

Qualquer alteração na Carta da ONU depende do aval desses países, o que está entre os pontos relacionados à discussão sobre mudanças na estrutura da organização.

Em 2003, Lula classificou o papel da ONU na promoção da paz e da justiça como “insubstituível”. Anos depois, o tom mudou. Em 2024, o presidente afirmou que a organização estava cada vez mais “esvaziada e paralisada”. No discurso de 2025, disse que sua autoridade estava “em xeque”.

A mudança também aparece na agenda dos pronunciamentos. Entre 2003 e 2008, Lula abordava temas como os subsídios agrícolas concedidos por países ricos, a Rodada de Doha, os biocombustíveis e os efeitos da crise financeira. A partir de seu retorno à tribuna, em 2023, passaram a ganhar espaço assuntos como a extrema direita, as mudanças climáticas, a regulação das grandes plataformas digitais, a inteligência artificial e a defesa da soberania.

Gaza e os conflitos internacionais

A questão palestina também passou por mudanças na forma como foi abordada por Lula. Em 2004, o presidente afirmou que o povo palestino estava distante de alcançar a autodeterminação. Em 2024, utilizou a expressão “punição coletiva” para se referir à situação em Gaza. No ano seguinte, falou em “genocídio”.

Para o discurso desta terça-feira, a previsão é de que Lula trate das guerras na Ucrânia e no Oriente Médio e da situação em Gaza, dentro de uma abordagem voltada aos conflitos internacionais e ao papel do multilateralismo.

O texto preparado para a fala também deve abordar a soberania nacional e a defesa da democracia. Segundo informações apresentadas por integrantes do governo e diplomatas envolvidos na preparação do discurso, esses temas devem ocupar espaço relevante na manifestação do presidente.

Soberania e relação com os Estados Unidos

A versão mais recente do discurso não faz referência direta ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nem ao chamado Escudo das Américas, iniciativa de segurança norte-americana na região que é interpretada pelo governo brasileiro como uma reedição do Plano Colômbia, com foco na repressão e no afastamento da China do hemisfério.

Isso não significa, porém, que temas relacionados à relação entre Brasil e Estados Unidos estejam fora da fala. Lula deverá defender a soberania brasileira, repudiar interferências externas e defender a cooperação internacional em áreas de interesse comum.

Nas relações comerciais, a expectativa é de que o presidente critique a adoção unilateral de barreiras tarifárias pelos Estados Unidos. A orientação apresentada para o discurso é evitar que essa crítica se transforme em um confronto direto com o governo norte-americano.

A posição busca combinar a defesa da autonomia brasileira com a tentativa de manter abertas as relações diplomáticas e comerciais com Washington.

Combate ao crime organizado entra na agenda

Outro assunto que ganhou espaço na preparação do discurso é o combate ao crime organizado. Lula deverá defender a cooperação entre países no enfrentamento às organizações criminosas, ao mesmo tempo em que deve sustentar que as políticas de segurança adotadas dentro do território brasileiro precisam respeitar a soberania nacional.

O tema ganhou maior sensibilidade nas relações com os Estados Unidos depois que o governo Trump classificou o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

Nesse contexto, o governo brasileiro demonstra preocupação com possíveis iniciativas externas que possam ser interpretadas como interferência em assuntos domésticos. A expectativa é que Lula trate da necessidade de cooperação internacional sem abrir mão da autonomia do Estado brasileiro para definir suas próprias políticas de segurança.

Dez discursos e mudanças no cenário internacional

A participação desta terça-feira será a décima abertura de Assembleia Geral da ONU feita por Lula. Ao longo desse período, seus pronunciamentos acompanharam transformações no cenário internacional e também mudanças na agenda política brasileira.

Temas presentes desde os primeiros discursos, como paz, fome e reforma do Conselho de Segurança, continuam no roteiro. Ao mesmo tempo, questões que ganharam força nos últimos anos, como democracia, soberania, mudanças climáticas, inteligência artificial e regulação das plataformas digitais, passaram a ocupar mais espaço.

Para 2026, a fala deve reunir esses diferentes eixos, com atenção aos conflitos internacionais, à situação em Gaza, à reforma das instituições multilaterais, à defesa da democracia, à soberania dos países e à cooperação no combate ao crime organizado.

Por tradição, após Lula, o segundo discurso da abertura será feito pelo representante dos Estados Unidos, Donald Trump. O encontro desta terça-feira, portanto, também colocará em sequência as manifestações dos presidentes dos dois países sobre temas que envolvem relações internacionais, comércio, segurança e soberania.

Trump lança canal próprio após restringir acesso de veículos à Casa Branca

O governo de Donald Trump lançou a chamada “Trump TV”, um canal no YouTube com programação dedicada às atividades e declarações do presidente dos Estados Unidos. A transmissão começou na noite de segunda-feira (21), com a promessa de disponibilizar conteúdos sobre a administração do republicano durante 24 horas por dia, sete dias por semana. Leia em TVT News.

O lançamento ocorreu poucos dias depois de o governo restringir o acesso de jornalistas da CNN, MSNBC/MS NOW e do site Politico à Casa Branca. Os veículos afetados afirmam que a medida viola direitos previstos pela Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos, que protege a liberdade de imprensa, e ingressaram na Justiça contra a decisão.

A nova plataforma foi apresentada pela Casa Branca como um espaço para concentrar vídeos, discursos e outros registros relacionados ao governo Trump. Na descrição publicada no YouTube, o canal afirma reunir os “maiores momentos” da gestão, além das principais declarações e destaques, com transmissão contínua e atualizações em tempo real.

Canal promete programação 24 horas por dia

A Casa Branca anunciou a criação da “Trump TV” por meio de publicações nas redes sociais. A divulgação foi acompanhada por um vídeo produzido com recortes de séries e filmes conhecidos, entre eles “Breaking Bad”, “Bob Esponja”, “Os Simpsons”, “Friends”, “Seinfeld” e “Esqueceram de Mim”.

Apesar do anúncio, os textos de divulgação não apresentam uma programação detalhada do canal. A proposta informada pelo governo é manter uma transmissão permanente com conteúdos relacionados ao presidente e às ações de sua administração.

Cerca de uma hora depois do lançamento, a transmissão exibiu novamente a cerimônia de posse do segundo mandato de Trump, realizada em 20 de janeiro de 2025.

A descrição do canal no YouTube apresenta a plataforma como uma forma de acompanhar os principais acontecimentos do governo em um mesmo espaço. A proposta inclui vídeos considerados relevantes pela própria administração, declarações do presidente e outros registros atualizados.

Restrição à imprensa antecedeu lançamento

A criação do canal ocorreu após uma série de medidas que restringiram a presença de veículos de imprensa na cobertura da Casa Branca.

Na sexta-feira (18), Trump anunciou o banimento de CNN, MS NOW e Politico da cobertura na sede do Executivo. Jornalistas desses veículos foram impedidos de entrar na Casa Branca. As empresas reagiram recorrendo à Justiça e sustentam que a decisão do governo desrespeita as garantias constitucionais relacionadas à liberdade de imprensa.

Na segunda-feira (21), a CNN também foi retirada da função de representante do chamado pool de imprensa responsável pela cobertura televisiva da Casa Branca.

Há anos, cinco grandes redes de televisão, ABC, CBS, CNN, Fox News e NBC, dividem a responsabilidade pela cobertura televisiva dos compromissos presidenciais. O sistema permite compartilhar custos e distribuir as imagens dos eventos para organizações de notícias nos Estados Unidos e em outros países.

As emissoras se revezam nessa função. A CNN, por exemplo, estava escalada para acompanhar a viagem de Trump à Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York.

Reaçãlo à censura: emissoras suspendem cobertura conjunta

Como reação às restrições impostas pelo governo, as principais redes de televisão concordaram em suspender a cobertura conjunta dos compromissos presidenciais.

O grupo que participa do sistema de revezamento inclui CNN, NBC, ABC, CBS e Fox. A decisão ocorreu em meio à disputa entre a Casa Branca e os veículos que tiveram suas credenciais de acesso restringidas.

Mesmo com a suspensão da cobertura conjunta, os compromissos de Trump na segunda-feira continuaram sendo acompanhados por profissionais de outros segmentos da imprensa. Jornalistas da imprensa escrita, do rádio e de agências de notícias, além de fotógrafos, permaneceram realizando a cobertura das atividades presidenciais.

Trump diz combater “fake news”

Trump apresentou outra justificativa para as medidas contra os veículos de comunicação. Em uma publicação em sua rede social, o presidente afirmou que as empresas representam uma “ameaça à segurança nacional”.

Segundo Trump, o governo estaria promovendo uma ofensiva contra as chamadas “fake news”. O presidente afirmou que esse tipo de conteúdo teria crescido no país e classificou o fenômeno como uma ameaça que precisaria ser interrompida.

Lula na ONU: acompanhe o discurso ao vivo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursa nesta terça-feira (22) na abertura da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. A fala está prevista para começar por volta das 10h (horário de Brasília), e a TVT transmite o discurso ao vivo na TV e nas plataformas digitais.

Lula na ONU: anote na agenda

  • Horário do discurso: por volta das 10h (horário de Brasília)
  • O que Lula vai falar: defesa da soberania nacional, não interferência externa, reforma da ONU, combate ao crime organizado e inteligência artificial
  • Como assistir: pela TVT News ao vivo: canal aberto para a Grande São Paulo (canal 44.1), na parabólica digital (canal 555), no canal 2047 na Samsung TV Plus, no canal @redetvt no YouTube e redes sociais (@redetvt).  além da transmissão oficial da ONU

Ao vivo: Lula na ONU

Confira o discurso completo:

Discurso do Presidente Lula na abertura da 81ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas

Meus cumprimentos ao Presidente da Assembleia Geral, Embaixador Khalilur Rahman, de Bangladesh. Saúdo cada um dos Chefes de Estado e de Governo e delegadas e delegados presentes. Dirijo-me em particular ao Secretário-Geral das Nações Unidas.

Ao longo de seus dois mandatos, António Guterres foi testemunha direta dos crescentes desmandos das superpotências.

Senhor Presidente,

Esta é a décima ocasião em que abro o Debate Geral desta Assembleia. Desde que ocupei pela primeira vez esta tribuna, em 2003, este é o momento mais crítico das Nações Unidas.

O sentimento que me move hoje é o da indignação.

A ONU está falhando em uma das suas missões mais elevadas: a de livrar a humanidade do flagelo da guerra. Sua credibilidade nunca esteve tão baixa. Sua capacidade de proteger os mais vulneráveis – os que não têm exército, nem arsenais – nunca foi tão pequena.

Somos todos reféns do imobilismo de um Conselho de Segurança que não cumpre o seu papel.

Em 1946, já na primeira sessão desta Assembleia, o Brasil alertava para o alto preço que a comunidade internacional pagaria pelo direito de veto. Esse vício de origem da Carta da ONU conferiu às grandes potências o privilégio da insensatez.

A esse pecado original soma-se agora uma profunda crise de liderança. O ano de 2025 registrou o maior número de conflitos armados desde a Segunda Guerra Mundial.

Trilhões de dólares financiam uma nova corrida armamentista. Tensões geopolíticas ameaçam transformar confrontos regionais em uma conflagração de proporções globais.

Os que detêm as rédeas das decisões cruciais devem atuar com responsabilidade e sentido de urgência. Os líderes dos países que integram o Conselho de Segurança precisam se reunir.

Não desconheço as realidades do poder.

Mas as concessões à lei do mais forte já passaram dos limites. Isso não é idealismo. É o mais puro realismo.

A guerra não é a continuação da política por outros meios. É a falência total da política.

Num mundo interdependente, liderar é conciliar os interesses da pátria com os da humanidade.

Essa é a constatação de alguém que representa uma nação amante da paz e da liberdade.

Alguém que lutou contra uma ditadura militar e defendeu seu país contra um golpe de Estado. É a convicção de um operário eleito três vezes presidente e que retirou o Brasil do Mapa da Fome.

Esta Assembleia corrigiu recentemente distorções históricas.

Reconheceu o tráfico de africanos escravizados como o mais grave crime contra a humanidade. Aprovou a representação mais precisa do mapa-múndi.

Agora deve se debruçar sobre temas determinantes para o futuro da humanidade.

Somos chamados a optar entre:

  • multilateralismo ou unilateralismo;
  • democracia ou extremismo;
  • soberania ou subordinação.

Essas escolhas demandam coragem, vontade política e clareza de objetivos. Isso é o que se espera de um Estadista.

Yasser Arafat e Yitzhak Rabin foram estadistas. Desafiaram o passado para projetar um futuro de paz.

Foram derrotados pelo ódio.

Gerações de palestinos carregarão a dor e o trauma deixados pelo genocídio praticado pelo governo Netanyahu contra mulheres e crianças em Gaza. Civis israelenses pagaram o preço do radicalismo e da intolerância dos atos terroristas do Hamas.

Perseguir o Tribunal Penal Internacional e seus integrantes é um estímulo para que esses crimes fiquem impunes.

A relatora especial da ONU, Francesca Albanese, não pode ser silenciada por dizer a verdade.

Os assentamentos ilegais na Cisjordânia tornam cada vez menos viável a solução de dois Estados, essencial para que israelenses e palestinos possam viver em segurança.

Ameaçar civilizações de extinção não trará estabilidade para o Oriente Médio.

O Estreito de Ormuz transformou-se em trincheira da guerra, quando deveria permanecer uma passagem vital para o comércio internacional.

Famílias em todo o mundo pagam pelo aumento dos preços de combustíveis, fertilizantes e alimentos.

A guerra entre Rússia e Ucrânia se arrasta há cinco anos, em um drama humanitário que continua a ceifar vidas.

Todos sabemos que não haverá vencedores no campo de batalha.

A diplomacia é a única opção.

Iniciativas como o Grupo de Amigos da Paz, criado por Brasil e China, revelam que há forças na comunidade internacional dispostas a trabalhar pelo diálogo.

Na América Latina e Caribe, a proximidade geográfica com a maior potência militar do mundo é inescapável. Sobretudo num contexto de recrudescimento de tentações hegemônicas.

O Brasil não cabe no quintal de ninguém.

Precisamos de parceiros com uma agenda positiva, que fomente o desenvolvimento.

Diferenças ideológicas não devem ser obstáculos para maior integração entre vizinhos.

Os países da região conheceram os horrores dos regimes de exceção. Percorremos um longo caminho para restaurar a vontade popular.

A democracia está novamente em xeque.

Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais.

A divisão do mundo em zonas de influência e investidas neocoloniais por recursos estratégicos constituem gestos anacrônicos.

O povo venezuelano merece definir o próprio destino.

A Nicarágua não vai resolver os seus problemas impedindo a oposição de disputar eleições.

A crise no Haiti continua a testar os limites da indiferença da comunidade internacional.

Em Cuba, o mundo assiste estarrecido à punição coletiva imposta a 10 milhões de pessoas por um embargo econômico e um cerco energético ilegais.

Senhor Presidente,

O Brasil não subestima o desafio representado pelo crime organizado.

Estamos preparados para enfrentar as organizações criminosas que aterrorizam nossas comunidades.

Trabalhadores são roubados. Mães perdem seus filhos. Policiais não voltam para suas casas.

As pessoas estão cansadas da violência.

Mas não vamos terceirizar a responsabilidade de defender nossas fronteiras e de garantir à população o direito de viver sem medo.

Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas. Precisamos de cooperação para estancar o fluxo de armas e de dinheiro que abastecem o crime.

Esse é o espírito da proposta que entreguei pessoalmente ao Presidente dos Estados Unidos.

Queremos combater a lavagem de dinheiro realizada por criminosos brasileiros no exterior.

Por muito tempo, os estados brasileiros atuaram cada um à sua maneira. O crime se aproveitou da falta de coordenação.

Mas isso está mudando.

Criamos em Manaus o Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, reunindo autoridades de segurança pública dos nove países amazônicos.

Em 2025, realizamos a maior operação contra o crime organizado da história do Brasil.

Batemos recorde de apreensão de drogas e de bens e recursos ilícitos.

Estamos enfrentando todos os escalões da criminalidade, inclusive os magnatas do crime.

A Lei Antifacção que acabamos de aprovar impõe ao crime organizado penas superiores às previstas para o terrorismo.

Crime organizado e corrupção andam juntos.

O combate à corrupção continuará implacável, doa a quem doer. Ninguém está acima da lei.

Senhoras e senhores,

Os pilares do multilateralismo estão sendo corroídos.

A Organização Mundial do Comércio respira por aparelhos.

Quando os governos capitulam frente aos que usam tarifas como armas de coerção e chantagem, as consequências são nefastas.

Na era da desinformação, os obscurantistas resistem às evidências da ciência.

Nunca esqueceremos das milhões de vidas perdidas pelo descaso no enfrentamento da Covid-19.

Campanhas contra vacinas estão trazendo de volta doenças que julgávamos erradicadas.

Enfraquecer a Organização Mundial da Saúde torna a todos mais vulneráveis.

Até pouco tempo, a resposta à mudança do clima estava consolidada no centro da agenda internacional.

Este ano, o tema desapareceu dos debates do G7 e do G20, foros que reúnem os maiores emissores de carbono.

É hora de retomar a ofensiva e impor uma derrota ao negacionismo.

A natureza nos recorda a cada dia que o planeta é um só.

As geleiras do Himalaia estão derretendo.

Um Super El Niño pode provocar chuvas torrenciais, secas e incêndios florestais em diferentes partes do globo.

Seus efeitos golpearão sobretudo os mais vulneráveis.

O Brasil vem demonstrando que é possível aliar crescimento econômico com redução de emissões.

Conquistamos nossa autossuficiência em petróleo e seguiremos pesquisando o potencial de novas reservas, como as da Margem Equatorial.

Não renunciaremos à agenda ambiental.

Levaremos adiante o Mapa do Caminho para a descarbonização da economia brasileira.

O Fundo Florestas Tropicais para Sempre, lançado na COP30 em Belém, mostra que é possível mudar antigos paradigmas.

A floresta vale mais em pé do que destruída.

Continuaremos reduzindo o desmatamento, que caiu pela metade na Amazônia e atingiu o menor nível em 11 anos.

Temos autoridade moral para rejeitar medidas protecionistas disfarçadas de apego à causa ambiental.

O Brasil é referência mundial em energia verde.

Temos os minerais críticos e as terras raras de que o mundo precisa para realizar a transição energética.

Nossas riquezas naturais pertencem ao povo brasileiro — e é em benefício dele que serão exploradas.

O acesso a nossos minerais terá como contrapartida obrigatória a geração de valor em nosso território, a transferência de tecnologia e o suprimento de setores estratégicos nacionais.

Senhor Presidente,

Vivemos uma revolução tecnológica sem precedentes, com grandes riscos e oportunidades.

Seria uma omissão histórica imperdoável não enfrentar o desafio da regulamentação das Big Techs e da Inteligência Artificial.

Um punhado de tecno-oligarcas quer ressuscitar uma versão de neoliberalismo digital, sem regras nem transparência.

Estão promovendo uma corrida sem freios éticos à revelia da ONU e do Painel Científico sobre Inteligência Artificial.

Como adverte o Papa Leão XIV, “as decisões sobre tecnologia nunca devem ser separadas da consciência e da responsabilidade”.

Empresas que conhecem os riscos de seus produtos transferem para as famílias a impossível tarefa de enfrentar os algoritmos.

A indústria bilionária das bets transforma o vício em lucro.

Sua disseminação vertiginosa está endividando e destruindo lares.

O Brasil não vai tolerar esse modelo de negócio.

Aprovamos uma das legislações mais avançadas do mundo para proteger crianças, adolescentes e mulheres no ambiente digital.

Vamos assegurar a justa remuneração de artistas, músicos e criadores de conteúdo audiovisual.

Não vamos ceder às pressões de multinacionais que querem privatizar o nosso Pix, uma infraestrutura de pagamentos pública e gratuita que fez da inclusão financeira uma realidade para milhões de brasileiros.

Senhoras e senhores,

Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável são alvo de ataques de forças reacionárias, que desejam naturalizar injustiças.

A desigualdade e o subdesenvolvimento resultam de escolhas políticas.

É possível colocar o pobre no orçamento e fazer os ricos pagarem a sua parte.

É necessário cortar privilégios e investir em educação e saúde gratuitas e de qualidade.

Existe, em todo o mundo, um anseio legítimo por mudanças.

Mas mudar não é retroceder.

Não é subtrair direitos.

Não é reeditar teorias de supremacia racial ou de submissão feminina.

Não é recolonizar o Sul Global.

Mudar é avançar para um futuro de mais participação e mais conquistas.

É criar e compartilhar soluções públicas efetivas para os desafios do desenvolvimento por meio de um Estado democrático, forte, eficiente e capaz.

É apostar no espírito de solidariedade e na cooperação com a África, a Ásia e a América Latina e Caribe.

Iniciativas como a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza e o Painel Internacional sobre Desigualdade nascem dessa vontade política.

O Brasil tem pressa de se tornar uma nação desenvolvida e socialmente justa.

Adotamos um modelo econômico que se assenta na distribuição de renda, na geração de empregos e na valorização do salário.

Apostamos na melhoria da produtividade, na ampliação do crédito e na construção de uma rede robusta de proteção social.

O Brasil voltou a crescer de modo sustentado.

Somos o terceiro maior destino de investimento estrangeiro direto.

Apesar do tarifaço contra nossa economia, este ano bateremos novo recorde de exportações.

Ainda há muito a ser feito.

O mundo do trabalho está em transformação.

Pessoas idosas querem permanecer ativas. Jovens desejam empreender.

O trabalhador precisa de tempo para descansar, se qualificar e conviver com a família.

No Brasil, concretizar esse objetivo passa pelo fim da chamada escala 6×1 para garantir ao trabalhador 2 dias livres por semana.

Essa mudança é fundamental para aliviar a sobrecarga doméstica que ainda recai sobre as mulheres.

Estamos construindo um Brasil onde as mulheres não precisam pedir licença para ocupar espaços de poder ou se inserir no mercado de trabalho.

Um país livre do feminicídio, onde nenhuma mulher, dentro ou fora de casa, viva sob a ameaça da violência.

Essa é uma causa que o mundo todo precisa abraçar.

Senhor Presidente,

Ao receber o Nobel da Paz, Martin Luther King afirmou que “aquilo que pessoas voltadas para si mesmas destruíram, outras pessoas voltadas para o próximo podem reconstruir”.

A ONU nasceu sob o signo da esperança.

Ao longo de oito décadas, contribuiu com a descolonização, promoveu os direitos humanos e apoiou o desenvolvimento sustentável.

Protegeu migrantes e refugiados, condenou o racismo, o antissemitismo e a intolerância religiosa.

Essas foram conquistas de lideranças que ocuparam este pódio movidos pela indignação diante das injustiças de seu tempo.

Homens e mulheres que se recusaram a aceitar a guerra como destino, o colonialismo como direito, o apartheid como sistema legítimo.

Foi dessa capacidade de dizer “não” às desigualdades que nasceram algumas das maiores transformações que vivemos.

Diante da paralisia das Nações Unidas, precisamos reencontrar a vontade política para que volte a ser o templo da paz.

Quero concluir com uma mensagem sobre o meu país a todos os que nos ouvem.

No dia quatro de outubro, milhões de brasileiras e brasileiros vão às urnas para definir o seu destino.

Não vão apenas eleger o presidente da República, governadores estaduais e representantes do Poder Legislativo.

Vão decidir entre democracia e negacionismo. Se o Brasil vai avançar rumo a um futuro de mais oportunidades ou regressar a um passado de exclusão.

Teremos um pleito transparente e competitivo, em que todos os candidatos desfrutam da mais ampla liberdade de expressão.

Sabemos que alguns abusam dessa liberdade para se associar a interesses estrangeiros contrários ao país.

Não subestimamos o desafio das redes de desinformação que pretendem desvirtuar o debate público durante a campanha.

Mas possuímos um sistema eleitoral moderno e robusto.

Sob o olhar atento de uma cidadania plural e de uma imprensa livre, não permitiremos que os inimigos da democracia, internos e externos, atentem contra a vontade popular.

A democracia brasileira pertence aos brasileiros.

O Brasil continuará sendo um país soberano.

Ninguém…!!! Ninguém nos afastará desse caminho.

Que Deus nos abençoe a todos.

Muito obrigado.

Que horas é o discurso do Lula na ONU

A fala de Lula está marcada para começar por volta das 10h no horário de Brasília (9h no horário local de Nova York). Por tradição, o Brasil é o primeiro país a discursar na Assembleia Geral desde 1955, seguido pelos Estados Unidos, que neste ano serão representados pelo presidente Donald Trump.

A previsão é que Lula fale por cerca de 20 minutos. O texto do discurso ainda pode passar por ajustes até a véspera do evento.

TVT transmite o discurso do Lula na ONU

A TVT News fará a cobertura completa do discurso de Lula na ONU. O conteúdo estará disponível no site da TVT e em suas redes sociais, com análise e repercussão em tempo real.

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Cobertura especial da TVT News para o discurso de Lula na ONU

Além da TVT, o discurso também será transmitido pela TV On-line da ONU, pelo canal oficial da organização no YouTube.

Este é o 10º discurso do Lula na ONU

Esta será a décima vez que Lula discursa na abertura da Assembleia Geral da ONU. Ele já ocupou a tribuna da organização em 2003, 2004, 2006, 2007, 2008, 2009, 2023, 2024 e 2025.

A tradição de o Brasil abrir o debate geral começou em 1955, quando o país se voluntariou para ser o primeiro a discursar. A posição é considerada estratégica porque garante ao Brasil um dos momentos de maior atenção da sessão, com todos os países ainda reunidos no plenário.

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Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante a Conferência Internacional de Alto Nível para a Solução Pacífica da Questão da Palestina e a Implementação da Solução de Dois Estados. Sede das Nações Unidas, Salão da Assembleia Geral – Nova York (EUA). Foto: Ricardo Stuckert / PR

O que Lula vai falar na ONU

O discurso de 2026 deve enfatizar a defesa da soberania nacional e dos demais países, além do princípio da não interferência externa nos processos eleitorais. Lula também deve fazer referências à democracia no mundo e trazer recados a países que, na avaliação do governo brasileiro, tentam influenciar o processo eleitoral brasileiro.

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Lula discursa na ONU na abertura da Assembleia Geral. Foto: Foto: Ricardo Stuckert / PR

O combate ao crime organizado transnacional também deve aparecer, com menção a acordos bilaterais de cooperação com países vizinhos e com os Estados Unidos. Outros temas, como conflitos internacionais e inteligência artificial, podem ser abordados.

Eleições 2026: Quaest divulga nova pesquisa para presidente nesta segunda (21)

A Quaest divulga, nesta segunda-feira (21), uma nova pesquisa de intenção de voto para a Presidência da República. O levantamento, contratado pela Globo e pelo jornal O Globo, ouviu 2.004 pessoas entre os dias 17 e 20 de setembro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. A pesquisa está registrada no TSE sob o número BR-06004/2026. Saiba mais sobre a pesquisa Quaest com a TVT News.

Lula x Flávio Bolsonaro no 1° turno

  • Lula, 37%;
  • Flávio Bolsonaro, 33%;
  • Cury, 6%;
  • Caiado, 4%;
  • Renan, 3%;
  • Zema, 1%

Há uma semana, Lula (PT) tinha 36%, e Flávio Bolsonaro (PL), 31%.

Veja abaixo os números da pesquisa estimulada, em que a Quaest mostra aos eleitores entrevistados os nomes dos candidatos.

  • Lula (PT): 37% (eram 36% na pesquisa anterior)
  • Flávio Bolsonaro (PL): 33% (eram 31%)
  • Escritor Augusto Cury (Avante): 6% (eram 7%)
  • Ronaldo Caiado (PSD): 4% (eram 4%)
  • Renan Santos (Missão): 3% (eram 4%)
  • Romeu Zema (Novo): 1% (eram 1%)
  • Samara Martins (UP): 1% (era zero)
  • Clariana Barão (DC):0 (era zero)
  • Edmilson Costa (PCB): 0 (era zero)
  • Hertz Dias (PSTU): 0 (era zero)
  • Rui Costa Pimenta (PCO): 0 (era zero)
  • Veterinário Wilson Grassi (Democrata):0 (era zero)
  • Leonardo Avalanche (PRTB): 0 (não estava na pesquisa anterior*)
  • Indecisos: 8% (eram 10%)
  • Branco/nulo/não vai votar: 7% (eram 7%)

Lula x Flávio Bolsonaro no 2° turno

  • Flávio Bolsonaro aparece com 42% e Lula tem 41% no segundo turno

Quaest mostra empate técnico considerando a margem de erro de 2 pontos percentuais; no dia 14 de setembro o senador marcava 42% e Lula, 40%

Decisão do voto

Entre os entrevistados que indicaram um candidato, 79% dizem que a escolha é definitiva e 21% afirmam que ainda podem mudar a decisão do voto.

Quem tem maior rejeição

A Quaest perguntou aos entrevistados quais candidatos eles conheciam e não votariam de jeito nenhum:

  • Flávio Bolsonaro (PL): 56% (eram 55%)
  • Lula (PT): 55% (eram 55%)
  • Romeu Zema (Novo): 43% (eram 40%)
  • Ronaldo Caiado (PSD): 40% (eram 42%)
  • Renan Santos (Missão): 35% (eram 30%)
  • Escritor Augusto Cury (Avante): 28% (eram 26%)
  • Rui Costa Pimenta (PCO): 25% (eram 24%)
  • Samara Martins (UP): 13% (eram 13%)
  • Edmilson Costa (PCB): 13% (eram 12%)
  • Veterinário Wilson Grassi (Democrata): 10% (eram 11%)
  • Hertz Dias (PSTU): 11% (eram 11%)
  • Clariana Barão (DC): 9% (eram 11%)
  • Leonardo Avalanche (PRTB): 7%

Aprovação e avaliação do governo

  • 50% desaprovam o governo Lula (eram 50%)
  • 44% aprovam o governo Lula (eram 43%)
  • Não sabe/não respondeu: 6% (eram 7%)

Avaliação do governo Lula

  • Negativa: 42% (eram 38%)
  • Positiva: 33% (eram 32%)
  • Regular: 23% (eram 27%)
  • Não sabe/não respondeu: 2% (eram 3%)

O que dá mais medo

  • Mais um mandato de Lula: 43% (eram 44%)
  • Volta da família Bolsonaro ao poder: 42% (eram 42%)
  • Tenho medo dos dois: 7% (eram 7%)

Primeira pesquisa após reajuste anunciado por Lula no Bolsa Família

Aumento do Bolsa Família anunciado na quinta, antes da coleta dos dados pela Quaest, ainda não mostrou resultados. Na simulação de segundo turno apenas entre os beneficiários do programa, Lula oscilou de 58% para 56% e Bolsonaro foi de 27% para 30%.

Resumo da pesquisa Quaest para presidente

  • Faltam 13 dias para o primeiro turno, que acontece em 4 de outubro.
  • Primeiro turno traz Lula com 37% e Flávio Bolsonaro com 33%
  • Flávio Bolsonaro aparece com 42% e Lula tem 41% no segundo turno
  • O campo da pesquisa Quaest foi realizado entre os dias 17 e 20 de setembro de 2026.
  • A corrida eleitoral para presidente em 2026 segue polarizada entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), com empate técnico nas principais pesquisas.

Como Lula e Flávio Bolsonaro estão na pesquisa Quaest para o 1° turno

Como Lula e Flávio Bolsonaro estão na pesquisa Quaest para o 2° turno

Pesquisa para presidente hoje: Quaest é divulgada neste dia 21

A nova rodada da Quaest chega em um momento de equilíbrio na disputa. Na pesquisa anterior, divulgada em 14 de setembro, Lula aparecia com 36% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro tinha 31% e Augusto Cury (Avante) marcava 7%. No segundo turno, Flávio aparecia numericamente à frente, com 42% contra 40% de Lula, em empate técnico.

Qual a metodologia da pesquisa Quaest

A pesquisa Quaest ouviu 2.004 pessoas de 16 anos ou mais, entre os dias 17 e 20 de setembro de 2026. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi contratado pela Globo e por O Globo e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-06004/2026.

Números da pesquisa Quaest da semana anterior

Na rodada divulgada em 14 de setembro, a Quaest mostrou Lula com 36% das intenções de voto no primeiro turno, Flávio Bolsonaro com 31% e Augusto Cury com 7%. No cenário de segundo turno, Flávio aparecia com 42% e Lula com 40%, configurando empate técnico dentro da margem de erro de 2 pontos percentuais.

Números da pesquisa Datafolha da semana anterior

A pesquisa Datafolha divulgada em 17 de setembro apontou Lula com 39% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro registrava 36%. No segundo turno, Lula tinha 46% e Flávio 44%, também em empate técnico. O levantamento ouviu eleitores entre os dias 15 e 16 de setembro.

O que mostra a pesquisa BTG Pactual / Nexus divulgada hoje (21)

A pesquisa BTG/Nexus, também divulgada nesta segunda-feira (21), mostra Lula com 46% das intenções de voto no segundo turno, contra 45% de Flávio Bolsonaro, em empate técnico. No primeiro turno, Lula aparece com 40% e Flávio com 37%. A Nexus entrevistou 2.006 eleitores por telefone entre os dias 18 e 20 de setembro, com margem de erro de 2 pontos percentuais. A pesquisa está registrada no TSE sob o protocolo BR-00485/2026.

Como Lula e Flávio Bolsonaro aparecem na pesquisa espontânea da BTG / Nexus

Na pergunta espontânea, sem apresentação dos nomes dos candidatos, os resultados são:

  • Lula: 40%
  • Flávio Bolsonaro: 34%
  • Augusto Cury: 4%
  • Renan Santos: 3%
  • Ronaldo Caiado: 3%
  • Zema: 1%
  • Outros: 2%
  • Branco/nulo/nenhum: 6%
  • Não sabe/não respondeu: 8%

A 15ª rodada testou cinco cenários de segundo turno:

CenárioResultado
Lula x Flávio BolsonaroLula 46% x 45% Flávio
Lula x Ronaldo CaiadoLula 45% x 45% Caiado
Lula x ZemaLula 47% x 41% Zema
Lula x Renan SantosLula 47% x 39% Renan
Lula x Augusto CuryLula 44% x 43% Cury

Artistas se engajam na campanha de Lula e lançam mobilizações nas redes

Artistas de diferentes áreas da cultura brasileira passaram a ocupar as redes sociais e os palcos com manifestações públicas de apoio à candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição. Nas últimas semanas, nomes como Maria Bethânia, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Malu Mader declararam voto no presidente repetindo a frase “Bora, Lula”.

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Artistas lançam campanha de vira voto e apoio a Lula. Movimento 342 Artes reúne nomes como Xamã, Sophie Charlote, Caetano, Gil e Malu Mader em vídeo “Bora, Lula” – Imagem: Reprodução 342 Artes

Consulte as pesquisas registradas no TSE

Para verificar o registro oficial de todas as pesquisas eleitorais, acesse o sistema de Consulta às Pesquisas Registradas no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE): https://www.tse.jus.br/eleicoes/pesquisa-eleitorais/consulta-as-pesquisas-registradas

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