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Da Redação

Duda Salabert sofre tentativa de homicídio durante fiscalização de extração ilegal de minério na Grande BH

A deputada federal Duda Salabert (PSOL-MG) e Felipe Gomes sofreram uma tentativa de homicídio na noite desta quinta-feira (3), enquanto fiscalizavam uma denúncia de extração ilegal de minério na divisa entre Belo Horizonte e Nova Lima, nas proximidades do BH Shopping.

Ao chegarem ao local, foram surpreendidos e rendidos por três homens, um deles armado, que tentaram levá-los para dentro da área de mineração. Os dois reagiram e conseguiram escapar. Felipe foi espancado e Duda saltou de um barranco para chegar à avenida e pedir socorro. A deputada sofreu deslocamento no ombro e outros ferimentos e precisou ser hospitalizada.

O ataque aconteceu durante a fiscalização de uma atividade que ocorre a poucos quilômetros do centro de Belo Horizonte e escancara a gravidade da atuação criminosa em torno da mineração na região.

Estão roubando minério, moendo nossas montanhas e comprometendo nossa água a cinco quilômetros do centro de Belo Horizonte. Isso não acontece escondido. Todos sabem. Essa máfia da mineração movimenta muito dinheiro, corrompe agentes públicos e age com a certeza da impunidade. É essa rede de crime, dinheiro e corrupção que permite que nossas montanhas sejam destruídas diante dos olhos do poder público. Muitos fecham os olhos. Nós não vamos fechar os nossos.”

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O ataque aconteceu durante a fiscalização de uma atividade que ocorre a poucos quilômetros do centro de Belo Horizonte e escancara a gravidade da atuação criminosa em torno da mineração na região – Fotos: Cadu Passos

Como está a deputada Duda Salabert

A deputada Duda recebeu atendimento no Hospital Mater Dei e já teve alta. O caso será levado às autoridades estaduais e federais, com pedido de investigação rigorosa e identificação dos responsáveis.

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Obras do Cinturão das Águas do Ceará avançam para garantir mais segurança hídrica ao estado

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, visitou, nesta sexta-feira (4/9), o lote 3 das obras do Cinturão das Águas do Ceará. Acompanharam o presidente durante a visita, os ministros da Casa Civil, Miriam Belchior; da Integração e Desenvolvimento Regional, Waldez Góes; e da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães; entre outras autoridades. Leia em TVT News.

O sistema possui 145,3 km de extensão, composto por canais a céu aberto, túneis e sifões. Sua função é conduzir a água proveniente da Barragem Jati, localizada no município de Jati e integrante do Eixo Norte do Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF), até as nascentes do Rio Cariús, em Nova Olinda, na região do Alto Jaguaribe.

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Atualmente com 93,2% de execução das obras, o projeto – com recursos de R$ 1,8 bilhão da União e R$ 660 milhões no Novo PAC – traz segurança hídrica para diversos usos, obedecendo à seguinte ordem de prioridade: abastecimento humano, indústria, turismo, dessedentação animal e agricultura irrigada, além de contribuir para a segurança hídrica da Região Metropolitana de Fortaleza.

As obras do empreendimento capta água do Eixo Norte do Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF), no Reservatório Jati, e segue até o Rio Cariús, em Nova Olinda (CE), totalizando 145 quilômetros de extensão. A área de influência do empreendimento, após o Trecho I construído e em operação, abastecerá 24 municípios entre Jati e o rio Cariús, beneficiando 561 mil pessoas no estado do Ceará.

Além disso, o Trecho Emergencial pode contribuir com o abastecimento da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), por meio do sistema existente do Eixão das Águas, beneficiando mais de 4 milhões de habitantes da região. Esse trecho também já foi liberado.

LOTES – O projeto dos 145 quilômetros do canal foi dividido em lotes. O primeiro lote de obras, concluído em 2021, vai de Jati até o quilômetro 39. O segundo lote, concluído em 2022, abrange o percurso dos quilômetros 39 a 75. No terceiro lote, o trecho que vai dos quilômetros 75 a 90 foi concluído em junho deste ano e contou com a mobilização de 531 trabalhadores e 152 equipamentos.

Para março de 2027, estão previstas a conclusão das obras dos quilômetros 90 a 111, no lote 3; e dos quilômetros 111 a 145, do lote 4. A implantação dos túneis, que compreende o lote 5 do projeto, foi concluída em 2022.

O Cinturão das Águas do Ceará conecta-se a outros projetos de segurança hídrica em curso na região:

PROGRAMA ÁGUA DOCE – O Programa Água Doce (PAD) é uma iniciativa do Governo Federal, coordenada pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), em parceria com o Governo do Estado do Ceará, por meio da Secretaria dos Recursos Hídricos (SRH). O objetivo das obras é ampliar o acesso à água potável para populações do semiárido.

No Ceará, já são 277 sistemas de dessalinização instalados, beneficiando 277 comunidades, em 49 municípios, com valor total investido de R$ 69,8 milhões. Além disso, 17 novos sistemas serão instalados através do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), além de outros 31 pelo Ministério das Cidades.

Os sistemas implantados utilizam tecnologia de dessalinização da água de poços subterrâneos salobros, garantindo água própria para o consumo humano e contribuindo para a melhoria da qualidade de vida das comunidades atendidas. Entre 2023 e 2026, foram contemplados 13 municípios, somando 4.524 famílias beneficiadas no período. São eles: Acopiara, Apuiarés, Aracoiaba, Araripe, Aurora, Barreira, Chorozinho, Morada Nova, Ocara, Solonópole, Quixadá, Quixeramobim e Umirim.

PROJETO MALHA D’ÁGUA – O Projeto Malha D’água prevê uma rede de 33 sistemas adutores que irão captar água diretamente de mananciais estratégicos, tratá-la em Estações de Tratamento de Água (ETAs) e distribuí-la a cidades e distritos. Quando totalmente pronto, beneficiará 178 municípios e 697 distritos, atendendo a mais de 5,5 milhões de cearenses — 63% da população estadual.

A primeira etapa, em andamento, é o Sistema Banabuiú–Sertão Central, com 688 km de extensão, que atenderá nove municípios e 38 distritos. Com investimento superior a R$ 5 bilhões, o projeto garantirá água tratada, reduzirá a dependência de carros-pipa e promoverá desenvolvimento regional. O primeiro sistema adutor encontra-se com mais de 86% executado.

DUPLICAÇÃO DO EIXÃO DAS ÁGUAS – O Eixão das Águas é uma das obras mais emblemáticas do Ceará, com 255 km de extensão, ligando o Açude Castanhão à Região Metropolitana de Fortaleza. Ele integra diferentes bacias hidrográficas e abastece cerca de 4 milhões de habitantes, além do Complexo Industrial e Portuário do Pecém. Sua estrutura envolve canais, sifões, adutoras e estações de bombeamento.

Atualmente, o Eixão passa por obras de duplicação que vão dobrar sua capacidade de 11 m³/s para 22 m³/s. Isso ampliará a segurança hídrica da capital e do interior, fortalecendo a economia, a indústria e a qualidade de vida de 50% da população do Estado. É um pilar da garantia hídrica do Ceará no presente e no futuro com R$ 1,2 bilhão de investimentos. O projeto encontra-se com mais de 81,57% executado.

RAMAL DO SALGADO – Obra de execução federal, o Ramal do Salgado integra o Eixo Norte da Transposição do São Francisco e levará água do Ramal do Apodi até o rio Salgado, importante afluente do Jaguaribe. São 35 km de canais, aquedutos, túneis e galerias, passando por municípios como Ipaumirim e Lavras da Mangabeira. A obra, orçada em R$ 357 milhões, vai conectar as águas do São Francisco ao Castanhão, o maior reservatório do Ceará.

Com ele, cerca de 5 milhões de pessoas em 54 municípios terão maior garantia de abastecimento, inclusive na Região Metropolitana de Fortaleza. O Ramal do Salgado fortalece a rede de integração hídrica nacional e estadual, assegurando água para consumo humano e atividades produtivas. O projeto encontra-se com 64,16% executado.

Nikolas Ferreira divulga documento falso da PF que o inocentaria sobre teor de conversas com Vorcaro

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) compartilhou nas redes sociais um documento falso atribuído à Polícia Federal (PF) que supostamente afastaria a existência de indícios de crimes nas conversas mantidas por ele com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A falsificação foi identificada pelo UOL Confere, que verificou o uso de inteligência artificial na elaboração do arquivo. Leia em TVT News.

O documento apresentava uma suposta análise das conversas entre o parlamentar e Vorcaro e afirmava que as interações teriam ocorrido em contexto “pessoal e profissional”. A PF, porém, negou ser responsável pelo material.

A publicação também provocou uma reação na Câmara. A deputada Erika Hilton (PSOL-SP) afirmou que denunciou Nikolas à Justiça Eleitoral pela divulgação do documento falsificado. Segundo Erika, que fez a denúncia em conjunto com as candidatas candidatas Ana Elisa e Bella Gonçalves, Nikolas teria utilizado um arquivo produzido com inteligência artificial para se apresentar como inocente após a divulgação de informações sobre sua relação com Vorcaro.

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Documento tinha sinais de falsificação

Um dos principais indícios de que o arquivo não era autêntico está na presença de uma marca d’água associada a uma ferramenta de geração de conteúdo da OpenAI. A análise realizada pelo UOL Confere identificou que o documento havia sido produzido com auxílio de inteligência artificial.

O texto também continha erros de português e informações incompatíveis com os registros conhecidos sobre o caso. Entre eles estava a expressão “contato salvado como Nikolas Dep”, utilizada na descrição de um dos supostos elementos analisados.

Outro problema estava na data apresentada no arquivo. O documento indicava 18 de novembro de 2025 como a data da extração dos dados, embora afirmasse tratar de informações obtidas a partir do celular de Vorcaro.

A data, contudo, não corresponde ao dia da prisão do banqueiro. Vorcaro foi preso em 17 de novembro de 2025, durante uma ação da Polícia Federal. Assim, caso a extração mencionada no documento tivesse ocorrido de fato, ela seria posterior à prisão, no dia seguinte. A inconsistência reforça os indícios de que o arquivo não corresponde a um relatório oficial da PF.

Erika denuncia publicação à Justiça Eleitoral

Em publicação nas redes sociais, Erika Hilton classificou o arquivo como um “laudo fraudado” e afirmou que ela e as deputadas Ana Elisa e Bella Gonçalves acionaram a Justiça Eleitoral contra Nikolas.

A deputada argumentou que a divulgação de um documento falso atribuído a uma instituição pública não pode ser utilizada para influenciar o debate durante o período eleitoral. Erika também afirmou que a produção do material por inteligência artificial agrava a situação.

PF nega autoria do arquivo

Procurada pelo UOL Confere, a Polícia Federal afirmou que o documento não foi produzido pela instituição.

Mesmo assim, o arquivo foi divulgado por Nikolas Ferreira em seus stories no Instagram, onde permaneceu disponível por algum tempo antes de ser retirado. A publicação alcançou potencialmente um grande público, já que o deputado possui cerca de 22 milhões de seguidores na plataforma.

A assessoria do parlamentar afirmou ao UOL Confere que Nikolas apenas republicou o conteúdo encontrado em um portal e que o retirou depois de descobrir que se tratava de um material falso.

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Áudios levantam questionamentos sobre relação com Vorcaro

A circulação do documento ocorreu depois da divulgação de gravações que mostram Nikolas Ferreira pedindo ajuda a Vorcaro para tratar de um assunto relacionado a um amigo e ex-assessor.

O áudio foi divulgado pelo ICL Notícias e mostra o deputado solicitando ao banqueiro auxílio para a liberação de um ativo minerário. A existência da gravação contrasta com a tentativa do documento falso de apresentar as conversas entre os dois como interações sem indícios de irregularidades.

O episódio ocorre em meio às investigações envolvendo Vorcaro e o Banco Master e à divulgação de diferentes documentos e mensagens relacionados ao ex-banqueiro. A falsificação atribuída à PF, entretanto, não constitui documento oficial da investigação e não pode ser utilizada como prova sobre a relação entre Nikolas Ferreira e Vorcaro.

Copa do Brasil semifinais definidas com torcidas da “união DPA”; entenda

Nesta quinta-feira, ocorreu o jogo de volta do Gre-Nal na Arena do Grêmio, que definiu o último clássificado para as semi-finais da Copa do Brasil. O jogo de ida, no Beira-Rio, terminou com o frustrante placar de 0 a 0, deixando o resultado final em aberto. Com a vantagem de jogar em casa, o Grêmio não decepcionou e encerrou a partida de ontem com a goleada de 3 a 1 contra o Colorado. Com Palmeiras, Vasco e Galo classificados, os confrontos das semifinais reunirão quatro torcidas aliadas da “união DPA (Dedo Pro Alto). Leia em TVT News.

As datas ainda não foram definidas, mas as semifinais serão disputadas em novembro. De um lado, teremos Palmeiras x Vasco, do outro, Atlético-MG e Grêmio. O vencedor dos confrontos disputarão a final em 6 de dezembro, em jogo único.

Na reta final do campeonato, a disputa é acirrada, mesmo assim um clima de amistoso estará presente nas arquibancadas, já que todos os clubes possuem torcidas organizadas que fazem parte da União Dedo Pro Alto (DPA), que é um dos grandes grupos de torcidas aliadas no país, tendo como rival a UPC, União Punho Cruzado, que tem torcidas como a Independente (SP), Jovem Fla (RJ) e Máfia Azul (MG).

Do lado da DPA, a aliança também se consolidou com o nome de “União Sinistra” e engloba as torcidas da Mancha Verde (SP), a Força Jovem (RJ), a Galoucura (MG), a Geral do Grêmio (RS) e a TUP (SP). Além das torcidas dos times semifinalistas, no entanto, ainda existem diversas torcidas nessa união, somando, no total, 22 torcidas.

De acordo com o Observatório Social do Futebol, essa é a lista completa dos integrantes da União DPA:

  • Força Jovem do Vasco (RJ)
  • Ira Jovem Vasco (RJ)
  • Torcida Jovem do Botafogo (RJ)
  • Mancha Alvi-Verde (SP)
  • Galoucura (MG)
  • Império Alviverde (PR)
  • Mancha Azul (SC)
  • Mancha Verde (RS)
  • Geral do Grêmio (RS)
  • Força Jovem do Goiás (GO)
  • Ira Jovem Gama (DF)
  • Bamor Nova Era (BA)
  • Trovão Azul (SE)
  • Mancha Negra (AL)
  • Mancha Azul (AL)
  • Explosão Inferno Coral (PE)
  • Torcida Jovem do Botafogo (PB) 
  • Garra Alvinegra (RN)
  • Cearamor (CE)
  • Esporão do Galo (PI)
  • Tubarões da Fiel (MA)
  • Torcida Uniformizada Terror Bicolor (PA)

Como surgiram as principais uniões de torcidas organizadas? A DPA e UPC?

Mesmo se enfrentando como adversários, a união entre as torcidas atravessa décadas e vai muito além das arquibancadas.

Em diferentes momentos, torcedores organizados estabeleceram relações de amizade, apoio e proteção, que deram origem aos grandes blocos nacionais e regionais.

Atualmente, existem 61 torcidas organizadas, que são distribuídas em cinco grandes agrupamentos: União Punho Cruzado, União Dedo pro Alto, União Punho Colado e outros coletivos regionais, conhecidos como Lado A e Lado B.

A formação dessas alianças esteve ligada, em grande parte, à necessidade de apoio durante deslocamentos nos jogos fora de casa, encontros entre torcidas e situações de conflito.

Com o passar dos anos, os vínculos criaram redes que passaram a envolver recepção de torcedores visitantes, organização de festas, troca de materiais e apoio logístico.

Apoio em confrontos

Essas alianças também se relacionaram com episódios de confronto entre grupos rivais.

A lógica de proteção entre torcidas acabou, em determinados contextos, associada à preparação para enfrentamentos, disputas territoriais e conflitos em dias de jogos.

As amizades entre organizadas ajudaram a formar uma espécie de sistema de alianças que ultrapassou as fronteiras dos clubes.

Gaviões da Fiel e Jovem Santos de fora

Entre as dez maiores torcidas organizadas do país, duas não integram esses blocos: os Gaviões da Fiel, do Corinthians, e a Torcida Jovem, do Santos.

Torcida do Palmeiras e Vasco: uma das alianças mais antigas do futebol

Uma das histórias mais antigas relacionadas às amizades entre torcidas envolve Palmeiras e Vasco. A origem remonta a 1942, em um período de forte tensão política em torno do Palestra Itália, que precisou abandonar o antigo nome e assumir a identidade de Palmeiras.

Durante a partida que decidiu o Campeonato Paulista daquele ano, o ambiente era de pressão sobre o clube paulista. Adalberto Mendes, capitão do Exército e dirigente do Vasco, entrou em campo carregando a bandeira do Brasil para proteger o time palmeirense das vaias.

O gesto ocorreu em meio ao clima de hostilidade diante das reclamações da arbitragem, que expulsou um jogador do São Paulo e deu um pênalti para o alviverde.

A relação entre torcedores dos dois clubes ganhou outra dimensão em 1951, durante a Copa Rio. Depois de o Vasco ser eliminado nas semifinais, aproximadamente 100 mil torcedores cariocas foram ao Maracanã acompanhar a decisão entre Palmeiras e Juventus.

A presença vascaína chamou atenção porque os torcedores passaram a apoiar o clube paulista. Registros daquele dia mostram torcedores do Vasco acompanhando a conquista palmeirense nas arquibancadas.

Décadas depois, outro episódio reforçou essa relação. Em 1979, torcedores vascaínos ajudaram palmeirenses que haviam ficado cercados durante uma confusão com rivais no Rio de Janeiro. O episódio passou a integrar a memória da amizade entre as duas torcidas.

A DPA começa a se organizar a partir dos anos 80

A partir dos anos 1980, as lideranças de diferentes torcidas passaram a estruturar de maneira mais prática as relações que já existiam. Um dos objetivos era oferecer apoio aos torcedores durante viagens para outras cidades.

A dinâmica ganhou força na década seguinte, quando a Galoucura, torcida organizada do Atlético-MG, passou a integrar oficialmente a parceria Palmeiras e Vasco. A entrada do grupo mineiro ampliou a rede e aproximou torcedores de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

Cartas e documentos produzidos pelas torcidas durante esse período registram parte desse processo. As correspondências eram utilizadas para manter contato entre as lideranças, organizar deslocamentos e trocar materiais relacionados às organizadas.

A relação também envolvia a comercialização e a troca de produtos, como camisas, bonés e adesivos. Dessa forma, uma rede que inicialmente estava baseada em relações de amizade e apoio passou a ter mecanismos próprios de comunicação e colaboração.

No caso da relação entre Palmeiras e Vasco, a proximidade ganhou até uma expressão física em São Paulo. Desde 1996, uma loja oficial do Vasco funciona nas proximidades do estádio do Palmeiras, no bairro que concentra a comunidade palmeirense.

A convivência entre as torcidas continuou sendo registrada em episódios posteriores. Em 2018, o Palmeiras conquistou o Campeonato Brasileiro em São Januário. O ambiente de respeito entre as torcidas foi acompanhado, posteriormente, por uma homenagem da torcida palmeirense ao Vasco. No Allianz Parque, torcedores do Palmeiras produziram um mosaico com a Cruz de Malta, símbolo vascaíno.

A entrada da Galoucura e a expansão nacional

A participação da Galoucura ajudou a transformar uma relação que tinha forte presença entre São Paulo e Rio de Janeiro em uma articulação de alcance nacional.

Durante os anos 1990, a torcida do Atlético-MG formalizou a aproximação com os demais grupos por meio de correspondências e apoio logístico no Mineirão. Torcedores paulistas e cariocas passaram a contar com suporte dos mineiros durante suas viagens a Belo Horizonte.

A relação permaneceu ao longo das décadas seguintes. Em 2017, integrantes da torcida atleticana fizeram uma homenagem no gramado ao estender uma bandeira da Mancha Verde após a morte do fundador da torcida palmeirense.

No Sul do país, a Geral do Grêmio também passou a ocupar posição de destaque nessa rede de amizades. A torcida gremista mantém relação com os grupos envolvidos na aliança e costuma receber torcedores aliados em Porto Alegre.

Essas relações podem aparecer em momentos que contrastam com a rivalidade entre os clubes. Quando duas equipes se enfrentam, as torcidas continuam defendendo seus respectivos times dentro do estádio. Fora dele, porém, os grupos aliados podem organizar recepções e atividades conjuntas.

É nesse contexto que surgem festas compartilhadas em dias de jogos. Os grupos podem reunir seus cantos e bandeiras para marcar a relação de amizade, mantendo a disputa esportiva entre os clubes.

Amizade entre torcidas não elimina a rivalidade entre clubes

A existência dessas alianças cria uma situação particular no futebol brasileiro. Dois clubes podem disputar uma partida decisiva enquanto suas torcidas organizadas mantêm relações de amizade.

Palmeiras, Vasco, Atlético-MG e Grêmio, por exemplo, já protagonizaram confrontos importantes em competições nacionais. A rivalidade esportiva não impediu a construção de vínculos entre seus grupos de torcedores.

Entre os confrontos de maior relevância estão a Supercopa do Brasil de 1990, vencida pelo Grêmio contra o Vasco; a final do Campeonato Brasileiro de 1997, quando o Vasco superou o Palmeiras; a decisão da Copa do Brasil de 2016, em que o Grêmio derrotou o Atlético-MG; e a final da Copa do Brasil de 2020, vencida pelo Palmeiras contra o Grêmio.

Os resultados mostram como a amizade entre torcidas não significa alinhamento entre os clubes. Dentro de campo, cada equipe mantém seus objetivos e sua disputa por títulos. A relação entre as organizadas, por outro lado, é construída fora da competição.

Para PF, Mendonça teria atuado no STF para livrar golpistas do 8 de janeiro, diz reportagem do ICL

Relatórios internos de inteligência da Polícia Federal levantaram a hipótese de que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), teria atuado para modificar a correlação de forças dentro da Corte e criar um cenário favorável a uma eventual anistia para envolvidos nos atos de 8 de janeiro e na tentativa de golpe de Estado. A informação sobre análises da PF foi publicada nesta sexta-feira (4) pelo ICL Notícias, em reportagem assinada por Cleber Lourenço. Leia em TVT News.

Os documentos são relatórios internos de inteligência da e não possuem valor probatório. Segundo o material, eles reúnem informações documentadas, relatos e avaliações dos analistas, com diferentes níveis de confiabilidade.

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Relatórios levantam hipótese sobre mudança na composição do STF

De acordo com os documentos aos quais o ICL teve acesso, os analistas da PF relacionaram diferentes episódios envolvendo a atuação de Mendonça a uma possível tentativa de ampliar sua influência dentro do Supremo.

A análise considera, entre outros pontos, um suposto tratamento diferente dado pelo ministro a pessoas atingidas por investigações, dependendo de seu perfil político. A PF avaliou a possibilidade de que essa diferença tivesse sido deliberada e visasse a produzir efeitos sobre o cenário político.

A partir dessas observações, os relatórios passaram a trabalhar com a hipótese de uma estratégia tendo por objetivo a alteração no equilíbrio interno do STF. Na avaliação registrada pelos analistas, o afastamento de ministros que tiveram participação no enfrentamento da tentativa de golpe poderia mudar a composição da Corte e influenciar uma futura discussão sobre anistia.

Nesse raciocínio, a PF considerou a possibilidade de que uma eventual “recomposição de forças” no tribunal pudesse contribuir para a aprovação de uma anistia relacionada aos crimes cometidos em 8 de janeiro. A reportagem ressalta, contudo, que essa interpretação é uma hipótese construída pelos analistas, e não uma conclusão comprovada sobre a intenção do ministro.

Moraes encaminhou documentos a Fachin

Os relatórios foram elaborados durante episódios de atrito entre a Polícia Federal e o gabinete de Mendonça relacionados à condução de investigações como as operações Sem Desconto, sobre fraudes no INSS, e Compliance Zero, que apura o caso do Banco Master.

O material chegou às mãos do ministro Alexandre de Moraes depois que ele determinou, em 1º de setembro, que a direção-geral da PF encaminhasse documentos de inteligência que citassem integrantes do Supremo. A solicitação ocorreu dentro do chamado inquérito das fake news.

Após analisar os documentos, Moraes apontou possíveis indícios de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade envolvendo Mendonça. Também levantou suspeitas sobre eventual quebra de imparcialidade e favorecimento de grupos políticos. O ministro encaminhou o material ao presidente do STF, Edson Fachin.

Na sexta-feira (4), Fachin decidiu retirar o pedido de Moraes do inquérito das fake news e encaminhá-lo para outro procedimento, que ficará sob responsabilidade da Presidência do Supremo. O ministro estabeleceu prazo de cinco dias úteis para que a Procuradoria-Geral da República e Mendonça se manifestem.

A decisão de Fachin é uma medida de instrução e não representa conclusão sobre a existência das irregularidades apontadas nem confirma as hipóteses presentes nos relatórios.

PF cita atuação de Mendonça em relação a Moraes

Outro ponto mencionado nos documentos é a postura atribuída a Mendonça diante de informações envolvendo outros ministros do STF.

Segundo a reportagem, a PF afirma que Mendonça teria demonstrado interesse no avanço de uma investigação envolvendo Alexandre de Moraes e pedido mais de uma vez que os investigadores adotassem uma iniciativa formal nesse sentido.

Em relação aos ministros Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques, por outro lado, os relatórios registram uma postura considerada mais defensiva por parte de Mendonça diante de informações que poderiam envolvê-los. Para os analistas, a combinação desses episódios contribuiu para a hipótese de uma atuação assimétrica.

A reportagem também menciona o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, classificado nos documentos como um possível “alvo estratégico”. A avaliação estaria relacionada ao peso político do senador e à prerrogativa da Presidência do Senado de conduzir pedidos de impeachment contra ministros do STF.

PF aponta ‘imputação sem lastro’ contra Lulinha em relatório enviado ao STF, revela UOL

Relatórios de inteligência da Polícia Federal (PF) questionam conclusões produzidas sobre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, durante as investigações dos casos Master e INSS. Segundo apuração das jornalistas Daniela Lima e Tatiana Farah, do UOL, documentos internos da corporação apontaram que houve referência ao filho do presidente Lula sem que, naquele momento da apuração, existissem elementos que sustentassem sua ligação direta com as fraudes em descontos associativos de aposentados.

Os relatórios de inteligência da Polícia Federal foram citados pelo ministro Alexandre de Moraes em queixa contra André Mendonça e apontam que conclusões sobre o filho do presidente Lula foram produzidas sem provas. Documento interno da corporação reconhece ausência de indícios contra Lulinha

‘Imputação sem lastro’ contra Lulinha

De acordo com a apuração de Daniela Lima, “em mais de um trecho, a PF assinala que integrantes da corporação vinculados à investigação subordinada a Mendonça registraram em relatórios conclusões sem lastro probatório envolvendo Lulinha e a lobista Roberta Luchsinger.

O relatório da inteligência da PF sobre a condução dos casos afirma que um tópico foi dedicado à sistematização de referências a Fábio Luís, pessoa que “não é investigada, não figura em nenhuma lista de medidas e sobre quem a própria peça consigna que ‘até o presente momento não há indícios de que esteja diretamente envolvido nas condutas relativas a descontos associativos fraudulentos'”.

“A peça efetivamente dedica espaço à consolidação de referências a esse mesmo terceiro, admitindo não haver lastro para vinculá-lo”, diz o documento. “A denominação, se confirmada, passaria a corroborar orientação investigativa não declarada.”

O ICL Notícias, em reportagem de Cleber Lourenço, detalha que a inteligência da PF identificou conclusões consideradas superiores às evidências disponíveis e chegou a classificar uma delas como “imputação sem lastro”.Os documentos também levantam a possibilidade de uma “orientação investigativa não declarada” em relação ao filho do presidente e apontam problemas na metodologia usada, como “introdução que antecipa conclusões”, inserção de grande quantidade de capturas de tela sem cruzamento e “afirmações categóricas não sustentadas no corpo do documento”.

Tratamento assimétrico nas investigações

A PF também afirma no texto que não há como provar que Roberta Luchsinger tinha ciência de que recursos recebidos de pessoas investigadas no escândalo do INSS “provinham de fraude nos descontos associativos”.

No relatório de inteligência citado por Moraes, o ministro repete entendimento da PF de que houve tratamento assimétrico nas investigações, oscilando de acordo com o viés político das pessoas citadas no caso do INSS.

Lulinha é investigado em três inquéritos distintos sob suspeita de tráfico de influência e ligação com Roberta Luchsinger, arrolada como lobista do Careca do INSS, Antônio Carlos Camilo Antunes, um dos principais acusados do esquema que fraudou o INSS.

Segundo-Moraes,-há-fortes-indícios-da-prática-de-improbidade-administrativa,-abuso-de-autoridade-e-crime-de-responsabilidade-PF-por-parte-de-Mendonça.-Foto:-Luiz-Silveira/STF-|-TVT-News
Segundo Moraes, há “fortes indícios da prática de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade” por parte de Mendonça. Foto: Luiz Silveira/STF

Advogados preparam pedidos de nulidade e suspeição de Mendonça

A jornalista Daniela Lima, do Canal UOL, informou que advogados dos principais citados no caso Master e de políticos envolvidos no escândalo do INSS já preparam pedidos de nulidade e de suspeição do ministro André Mendonça.

Segundo a jornalista, os relatórios de inteligência produzidos na PF registraram o que integrantes da corporação classificaram como uma “atuação anômala” de Mendonça na condução das investigações.Daniela Lima afirmou que o material abriu espaço para uma “enxurrada” de manifestações no STF, com pedidos que podem questionar a validade das apurações.

De acordo com Daniela Lima, “todos os advogados dos principais citados no caso Master e de políticos envolvidos no escândalo do INSS, como o senador Weverton, já estão preparando as petições de nulidade e suspeição de André Mendonça, com base no material que veio a público”.

O que são os relatórios da PF enviados ao STF

Os relatórios de inteligência da Polícia Federal que embasam a decisão do ministro Alexandre de Moraes contra o ministro André Mendonça documentam o que a corporação classifica como “circunstâncias anômalas” na condução dos inquéritos que investigam os escândalos Master e INSS no Supremo Tribunal Federal.

O documento citado na decisão de Moraes é um relatório interno que a própria PF classifica como “sem valor probatório”.A peça não é assinada por nenhum delegado e faz uma “análise de cenário” sobre suspeitas de “possível avanço sobre competência do plenário e sobre prerrogativa de membro do Ministério Público”.

De acordo com a apuração das jornalistas Daniela Lima e Tatiana Farah, do UOL, o relatório aponta viés político na produção de documentos sobre Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho mais velho do presidente Lula.

Jornalistas fazem ressalvas sobre o peso jurídico do documento

A colunista Marcela Mattos avaliou que o documento “cai como uma luva” para os investigados, mas disse que o próprio relatório traz ressalvas sobre seu peso jurídico e possui caráter decisório nem valor probatório, apresentando juízos elaborados pelo analista responsável.

“No próprio relatório da Polícia Federal, esse parecer menciona que ele não tem nenhum caráter decisório, não tem nenhum tipo de valor probatório e são juízos do analista”, afirmou Marcela Mattos.

O colunista João Paulo Charleaux também fez ressalvas sobre o peso do documento. Ele afirmou que ainda falta esclarecer como um relatório interno, que pode ter caráter exploratório e inconclusivo, chegou às mãos de um ministro do STF e virou base de acusação contra outro colega da Corte.

“Uma acusação dessa magnitude, dessa gravidade, não pode ter como base um documento que é considerado de importância menor dentro da instituição. Exploratório, especulativo, inconclusivo, intermediário”, afirmou Charleaux.

Daniela explicou que os relatórios de inteligência seguem uma norma interna da PF e são produzidos como insumo para a própria corporação, com o objetivo de aprimorar processos e alertar para riscos. Segundo ela, os responsáveis pela elaboração são protegidos, mas o presidente do STF poderá ter acesso à identificação dos autores.

A apresentadora afirmou que o material reúne relatos de ao menos quatro integrantes da PF sobre decisões sigilosas de Mendonça que, segundo eles, estariam “estrangulando” o trabalho da corporação nas investigações.Segundo Daniela, os relatórios reúnem episódios que vão de suspeitas de vazamento e direcionamento de investigações a conversas diretas entre o relator e advogados de investigados, inclusive envolvendo propostas de delação premiada.

Para a apresentadora, o material abriu caminho para pedidos de nulidade, arquivamento de inquéritos e suspeição de Mendonça, o que pode colocar em risco as apurações e a responsabilização dos envolvidos nos casos Master e INSS.

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