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Da Redação

Em um 4 de novembro, Túpac Amaru II liderava a “Grande Rebelião” no Peru

Foi em um 4 de novembro como hoje que Túpac Amaru II liderou uma das maiores rebeliões anticoloniais indígenas da América. Era uma noite de 1780 quando Amaru, junto a aliados, capturaram um corregedor de justiça, o espanhol Antonio de Arriaga, após um jantar em Yanaoca, no Peru. Assim, estava dado o primeiro passo da insurreição, que embora não tenha sido bem sucedida, seus símbolos serviram – e ainda servem – de referência tanto para movimentos de libertação no Peru, como movimentos sociais e políticos em toda a América Latina. Leia em TVT News.

O lendário e imortal rapper nova iorquino 2Pac, o grupo guerrilheiro dos Tupamaros no Uruguai, do qual o próprio Mujica fez parte, o Movimento Revolucionário Túpac Amaru (MRTA) do Peru do XX, ou até mesmo movimentos de camponeses na América Latina – como é o caso do MST – o que todos têm em comum é o resgate da memória de Túpac Amaru II, a liderança indígena que desafiou a ordem colonial espanhola no século XVIII.

Túpac e aliados sofreram uma das repressões mais sanguinárias e violentas da história do país. Em The Tupac Amaru Rebellion, o historiador norte-americano Charles Walker descreve como durante o armistício da segunda fase da revolta – liderada pelo primo de Túpac – facções duras do bando espanhol, como Areche, Escobedo e Mata Linares forjaram provas e violaram o acordo de paz. Disso desencadeou uma onde de prisões e execuções macabras de líderes em junho de 1973.

Para Walker, houve uma evidente tentativa da coroa espanhola em praticar um “genocídio cultural” e apagar a língua quéchua e costumes incas, mas que o “silêncio oficial” falhou diante da força da memória coletiva da resistência andina. O fato de Túpac ter sido resgatado ao longo de todos os séculos que sucederam a revolta comprova como sua luta ecoa até os dias atuais, mesmo diante dos esforços de apagamento histórico.

Contexto histórico: o Peru colonial

Seja na Mesoamérica ou na América Andina, a chegada dos europeus não foi um encontro fácil. Doenças, guerras e a conquista dizimaram a população indígena local.

O modelo espanhol de vice-reinado, que significava a divisão do território, mas com certa autonomia, consideravam as terras como províncias do Império com mesmos direitos que havia na Espanha continental.

Já no século XIV, houve revoltas indígenas contra a administração espanhola do território, como foi a Manco Inca ou Taqui Ongo. Mas a dominação foi mantida por meio de acordos com lideranças e grupos locais.

Foi apenas no final do XVIII, que eclodiu a revolta da Túpac, conhecida por “Grande Rebelião”.

O que motivou a “Grande rebelião” liderada por Túpac

Na segunda metade do XVIII, iniciou-se uma série de reformas da casa real Bourbon, de origem francesa, que na época governava a Espanha. Conhecidas como “Reformas Borbônicas”, as medidas da coroa francesa visavam o rigor fiscal com o repartimento de mercadores – que forçava indígenas a comprar produtos inúteis a preços exorbitantes –, o aumentos de impostos e a mita, que era um sistema de trabalho compulsório imposto pelos espanhóis aos indígenas.

O intuito das reformas era a reorganização do territórios, das políticas econômicas e aumento do poder da administração espanhola. A chegada do visitador José de Areche ao Peru, que tinha como fim aumentar drasticamente a arrecadação da Coroa, levou a situação ao clímax, pois, as reformas só puderam ser impostas por meio do abuso dos corregedores, que eram os representantes jurídicos da coroa.

A insurreição

A insurreição teve seu ponto de partida em 4 novembro de 1780, quando José Gabriel Condorcanqui, conhecido como Túpac Amaru II, capturou o corregedor espanhol da província de Tinta, Antonio de Arriaga.

Seis dias depois, Arriaga foi executado em praça na praça principal de Tungasuca, evento que marcou o início formal da grande sublevação indígena.

Túpac Amaru, cacique de Surimana, Pampamarca e Tungasuca, exercia a atividade de arriero, isto é, tropeiro, condutor ou carreteiro que transporta mercadorias utilizando animais de carga. Ele possuia 350 mulas e declarava-se descendente do último Inca, o que lhe garantia autoridade moral e grande capacidade de mediador cultural entre os mundos espanhol e indígena.

Primeira fase do conflito

A primeira fase do conflito desenrolou-se na região de Cusco entre 1780 e 1781, sob o comando conjunto de Túpac Amaru e de sua esposa Micaela Bastidas, que supervisionava a logística, o abastecimento e a disciplina no acampamento rebelde, contando também com a liderança de figuras femininas como Tomasa Tito Condemayta, cacica de Acos.

O movimento buscou inicialmente articular uma coalizão multiétnica e multiclasse que unisse indígenas, mestiços e crioulos, decretando a libertação dos escravos negros e lutando contra os abusos do sistema colonial – como os corregedores, o repartimento compulsório de mercadorias, as alcabalas, aduanas e os trabalhos forçados nas mitas, minas e obrajes –, ao mesmo tempo que mantinha lealdade formal ao rei Carlos III e à Igreja Católica.

Batalha de Sangará e cidade de Cusco sitiada

As forças rebeldes alcançaram vitórias importantes, como na batalha de Sangarará, e avançaram a ponto de sitiar a cidade de Cusco, embora não tenham conseguido ocupá-la. Contudo, a “radicalização” popular e a libertação de escravizados assustaram a elite crioula*, que retirou seu apoio. Por outro lado, a excomunhão decretada pelo bispo de Cusco, Juan Manuel Moscoso y Peralta, enfraqueceu a autoridade dos líderes sobre os indígenas e gerou deserções.

Geografia dos Andes

Além disso, os combates ocorreram sob condições geográficas e climáticas duríssimas nos Andes, em altitudes superiores a 3.500 metros e sob frio intenso, provocando escassez de alimentos, epidemias e fome, ao tempo em que o conflito escalou para uma espiral de extrema brutalidade e desumanização mútua entre os bandos.

Walker descreve em sua obra o envio de um exército virreinal espanhol de 17.000 homens, que resultou na derrota rebelde na batalha de Tinta e na captura dos principais chefes da insurreição.

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A Batalha de Tinta aconteceu na cidade de Cajamarca, no norte do país – Mapa reprodução

Líderes capturados e sentença de Túpac

Em 18 de maio de 1781, após sentença proferida pelo visitador José Antonio de Areche, Túpac Amaru foi obrigado a assistir à execução de sua esposa Micaela Bastidas, de seu filho Hipólito, de Tomasa Tito Condemayta e de outros aliados na praça de armas de Cusco.

Logo em seguida, o líder rebelde teve a língua cortada e foi amarrado a quatro cavalos para ser desmembrado; diante do fracasso em esquartejá-lo por esse meio, o verdugo procedeu à sua decapitação, sendo seu corpo queimado e reduzido a cinzas no cerro de Picchu.

Segunda fase do conflito

Com a morte de Túpac Amaru, a rebelião entrou em sua segunda fase (1782-1783), deslocando seu centro de gravidade para o Altiplano sob o comando de Diego Cristóbal, primo do líder falecido.

Divergências entre tupamaristas e kataristas

Nessa região, o movimento buscou articular-se com a revolta katarista encabeçada por Túpac Katari (Julián Apasa), sua esposa Bartolina Sisa e sua irmã Gregoria Apaza, contudo a aliança fracassou devido a divergências ideológicas e de liderança, visto que os tupamaristas mantinham um projeto unificado em torno da utopia inca aberta a crioulos, enquanto os kataristas constituíam um movimento camponês descentralizado sem conotação incaica.

Essa etapa foi marcada por um aprofundamento das atrocidades, massacres e pelo clima de terror generalizado em ambas as partes.

Embora o bispo Moscoso e a facção moderada espanhola tenham promovido um armistício com Diego Cristóbal, a linha dura colonial integrada por Areche, Escobedo e Mata Linares acabou por impor-se, organizando espionagem e manipulando provas para sabotar o acordo de paz.

Em consequência, os líderes da segunda fase foram julgados e executados no Cusco em 19 de julho de 1783. Após o término dos combates, as autoridades virreinais deflagraram uma severa campanha de erradicação cultural que proibia o uso da língua quéchua, das vestimentas nobres incas como o unco e a mascapaycha, dos retratos dos antigos reis, do instrumento musical pututo e dos títulos hereditários de cacique.

Apesar dessa tentativa de supressão ser considerada um genocídio cultural e uma fantasia fadada ao fracasso pela incapacidade colonial de apagar a identidade andina, o silêncio oficial imposto de início deu lugar à preservação da memória de Túpac Amaru como um símbolo permanente de libertação.


* A elite criola (ou criolla) era o grupo social formado pelos descendentes de de europeus (principalmente esponhóis) nascidos na América durante o período colonial.

Não deixe pra 2028: Justiça Eleitoral reabre cadastro e retoma serviço de mudança de domicílio eleitoral

A Justiça Eleitoral reabriu o cadastro eleitoral em todo o país nesta terça-feira (3). Com a retomada dos serviços, eleitores podem voltar a solicitar a emissão do primeiro título de eleitor, a transferência de domicílio eleitoral, a atualização de dados cadastrais e a regularização da situação eleitoral. Leia em TVT News.

Os serviços podem ser acessados pelo Autoatendimento Eleitoral, disponível no portal do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ou presencialmente em cartórios eleitorais, centrais e postos de atendimento.

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Serviços disponibilizados

  • emissão do primeiro título de eleitor;
  • transferência de domicílio eleitoral;
  • atualização e correção de dados cadastrais;
  • regularização da situação eleitoral

Pela internet, o eleitor deve selecionar o serviço desejado, preencher o requerimento e anexar a documentação exigida.

O acompanhamento da solicitação também pode ser feito pela plataforma. Em alguns casos, a Justiça Eleitoral poderá exigir comparecimento presencial.

O aplicativo e-Título continua disponível para consulta de informações eleitorais e acesso à versão digital do documento.

O serviço inclui a emissão da certidão de quitação eleitoral pelo portal do TSE. O documento comprova que o eleitor está em dia com suas obrigações eleitorais e pode ser exigido em situações como posse em cargo público e matrícula em instituições de ensino.

O cadastro eleitoral estava fechado desde 7 de maio para permitir a preparação das Eleições 2026.

Com Agência Brasil

Governo envia ao Congresso MP que regulamenta o “imposto do pecado”

A medida provisória com a alíquota do Imposto Seletivo deve chegar nesta terça-feira (3) ao Congresso. É o chamado “imposto do pecado” previsto na Reforma Tributária e que vai incidir sobre produtos considerados prejudiciais à saúde e ao meio ambiente. E aí a gente fala de bebidas alcóolicas, refrigerantes, cigarros, apostas e extração de minerais, entre eles. Leia em TVT News.

Como é preciso respeitar a noventena – prazo mínimo de 90 dias para entrar em vigor – a medida só deverá começar a valer em primeiro de fevereiro do ano que vem.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que a alíquota deve ser menor do que as expectativas.

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“O que eu tô dizendo é que deve ficar abaixo das expectativas que estão sendo geradas para a soma de CBS mais IBS dos estados. Nós vamos ter que fazer essas revisões com o tempo, portanto é um primeiro número que mantém a carga tributária conforme aprovado pelo Congresso e vai nos dar as condições de novo de fazer um debate claro, já mais baixo do que o governo anterior propôs, para que a gente siga revendo as exceções, os regimes favorecidos, de modo que a gente tenha uma alíquota menor com o tempo”.

A alíquota do Imposto Seletivo já foi encaminhada pelo Ministério da Fazenda e será divulgada após reunião com o presidente Lula. Ela já está prevista na proposta orçamentária do ano que vem. Previsão de arrecadação de R$ 41,9 bilhões, número que deve ser menor por conta da proibição das bets, medida que veio no final de setembro. Depois, portanto, que o orçamento foi enviado ao Congresso.

Com Agência Brasil
Priscilla Mazenotti – repórter da Rádio Nacional

Texas: Democratas James Talarico e Gina Hinojosa conquistam vitórias históricas no estado

Os democratas James Talarico e Gina Hinojosa protagonizaram duas vitórias históricas nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, as chamadas “midterms”, no Texas. Leia em TVT News.

Em um estado tradicionalmente dominado pelo Partido Republicano, os dois derrotaram adversários ligados ao presidente Donald Trump e contribuíram para a expressiva derrota da legenda governista nas urnas.

Eleito senador, Talarico encerrou um intervalo de 38 anos sem que os democratas conquistassem uma cadeira texana na Casa. Já Gina Hinojosa venceu a disputa pelo governo estadual, tornando-se a primeira mulher latina a assumir o comando do Texas e a primeira democrata eleita para o cargo em 36 anos.

As vitórias foram celebradas pelos dois políticos nesta quarta (4). Em vídeo publicado nas redes sociais, eles aparecem brindando diante de apoiadores que comemoraram o resultado. “Nós conseguimos. Pelo Texas”, escreveu Hinojosa.

O resultado no Texas integra a onda de vitórias democratas nas eleições legislativas, que também garantiu ao partido maioria nas duas Casas do Congresso americano. A derrota representa um revés para Trump, que passa a enfrentar uma oposição fortalecida no Legislativo durante a segunda metade de seu mandato.

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James Talarico: evangélico, ex-professor e crítico da política migratória de Trump

Aos 37 anos, James Talarico foi eleito senador pelo Texas e se tornou o primeiro democrata a conquistar uma das vagas do estado no Senado desde 1988. Ele derrotou o republicano Ken Paxton, que havia recebido o apoio de Donald Trump durante a disputa interna do partido, após superar o senador John Cornyn nas primárias.

Deputado estadual desde 2018, Talarico é ex-professor de língua inglesa e literatura em escolas públicas. Também é seminarista presbiteriano e afirma que sua fé fundamenta sua defesa da democracia, dos direitos humanos e da liberdade individual.

O democrata defende pautas como medidas para reduzir o preço de medicamentos prescritos, incluindo a insulina, e ampliar o acesso a tratamentos de saúde.

Na área migratória, Talarico critica a atuação do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE), agência responsável pela fiscalização migratória nos Estados Unidos e alvo de protestos contra as operações de deportação do governo Trump.

“O ICE deveria estar combatendo os cartéis, não nossas comunidades. O ICE deveria estar deportando membros de gangues, não pequenos empresários. O ICE deveria estar caçando traficantes de pessoas, não mães e bebês”, escreveu o senador eleito nas redes sociais.

Descendente de uma família que vive no Texas há oito gerações, Talarico defende uma política migratória que combine controle de fronteiras com acolhimento de refugiados e solicitantes de asilo. Para ele, a imigração também representa uma contribuição para a economia americana.

O democrata ainda direciona críticas à concentração de riqueza e à influência de grandes empresários sobre a política. Durante a campanha, afirmou que a principal divisão dos Estados Unidos não está entre esquerda e direita, mas entre os mais ricos e a população trabalhadora.

Gina Hinojosa: primeira governadora latina do Texas

A democrata Gina Hinojosa venceu o republicano Greg Abbott, que tentava conquistar um quarto mandato consecutivo à frente do governo do Texas. Com 57,1% dos votos, ela superou o adversário, que recebeu 41,6%, e encerrou uma sequência de 36 anos sem vitórias democratas na disputa pelo Executivo estadual.

Além de representar a retomada do governo pelo Partido Democrata, a eleição de Hinojosa marca um feito inédito: ela será a primeira mulher latina a governar o Texas, estado que faz fronteira com o México e tem forte presença da população de origem hispânica.

Advogada especializada em direitos civis e questões trabalhistas, Hinojosa é deputada estadual desde 2016. Antes de ingressar na política, atuou em processos relacionados aos direitos dos trabalhadores e ao financiamento de campanhas eleitorais. Também presidiu o Partido Democrata do Texas.

A vitória sobre Abbott representa uma mudança importante no cenário político estadual. O republicano estava no comando do Texas desde 2015 e tentava ampliar sua permanência no cargo, em um estado que se consolidou como um dos principais redutos conservadores dos Estados Unidos.

Governo Bolsonaro tentou vender respiradores no exterior em meio à pandemia, revela ICL

O governo de Jair Bolsonaro tentou abrir mercado no exterior para respiradores produzidos no Brasil durante um dos períodos mais críticos da pandemia de Covid-19.

Em 17 de junho de 2020, o Itamaraty, então comandado por Ernesto Araújo, acionou dez embaixadas para identificar potenciais compradores, estimar quantos aparelhos poderiam ser vendidos e preparar uma ação de promoção comercial.

A revelação é da reportagem de Cleber Lourenço e Jamil Chade, publicada pelo ICL Notícias, baseada em um lote de telegramas diplomáticos obtido pela Fiquem Sabendo por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI).

A circular reservada que determinou a busca por compradores foi classificada pelo próprio Itamaraty como “urgentíssimo” — no mesmo dia em que o Brasil registrou 1.269 mortes por Covid-19 em 24 horas.

Saiba mais sobre a crueldade da extrema direita na TVT News.

A crueldade da extrema direita durante a pandemia: o que revelam os documentos

A reportagem do ICL, assinada por Cleber Lourenço e Jamil Chade, escancara uma das faces mais perversas da gestão Bolsonaro no enfrentamento à pandemia.

Os telegramas diplomáticos mostram que, enquanto o país acumulava 46.510 óbitos e mais de 955 mil casos confirmados, e seis estados tinham ocupação superior a 80% nos leitos de UTI, o governo federal mobilizava a máquina pública para buscar compradores de respiradores no exterior.

  • Data da ofensiva comercial: 17 de junho de 2020, quando o Brasil registrava 1.269 mortes por Covid-19 em apenas 24 horas.
  • Justificativa oficial: o Itamaraty alegou a “possibilidade de que, em breve, a produção brasileira de ventiladores pulmonares supere a demanda interna” — sem apresentar dados, projeções ou estudos que comprovassem esse excedente.
  • Países acionados: embaixadas na Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela.
  • Contradição com a realidade: até o fim de maio de 2020, apenas 1.612 dos 14,1 mil respiradores previstos em contratos federais haviam sido entregues.
  • Alerta ignorado: informes confidenciais da Abin da mesma época alertavam para a falta de respiradores em Manaus e previam o colapso do sistema de saúde.

Documentos revelam uma das maiores perversidades cometidas pelo governo Bolsonaro durante a pandemia

A descoberta foi possível a partir de um lote de telegramas diplomáticos obtido pela agência de jornalismo de dados Fiquem Sabendo por meio da Lei de Acesso à Informação. Entre os documentos analisados está a circular reservada que determinou a busca por compradores, classificada pelo Itamaraty como “urgentíssimo”.

A determinação era clara: as embaixadas deveriam consultar governos, hospitais e empresas para levantar a “demanda presente e futura” por respiradores brasileiros, incluindo o número de aparelhos desejados e as especificações técnicas exigidas em cada país. Segundo a circular, as informações serviriam para avaliar uma eventual “ação de promoção comercial” dos equipamentos.

O que alegava o governo Bolsonaro para vender respiradores

O Itamaraty justificou a iniciativa diante da “possibilidade de que, em breve, a produção brasileira de ventiladores pulmonares supere a demanda interna”. O telegrama, no entanto, não apresentava dados, projeções ou estudos que comprovassem a existência desse excedente — tratava-se de uma alegação do próprio documento oficial, não de um fato verificado.

A hipótese de sobra de respiradores contrastava com os atrasos na produção e na entrega de equipamentos dentro do próprio país. Estados reclamavam que abriram leitos contando com aparelhos prometidos pelo Ministério da Saúde que não chegaram. A ideia de vender respiradores ia na direção contrária ao que diziam os informes confidenciais da Abin, que alertavam para a falta dos aparelhos em Manaus e previam o colapso do sistema de saúde.

Relembre: número de mortos e internados na pandemia durante o governo Bolsonaro

Os números oficiais já são alarmantes, mas a dimensão real da tragédia é ainda maior. Ao longo de cinco anos, o Brasil teve 39 milhões de casos de Covid-19 confirmados e mais de 714 mil óbitos decorrentes da doença, segundo o painel do Ministério da Saúde. Em 2020, primeiro ano da pandemia, foram 194 mil mortes; em 2021, mais de 424 mil pessoas morreram.

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Covid-19 deixou 149 mil crianças e adolescentes órfãos em 2020 e 2021 – Foto: Altemar Alcantara/Semcom/Prefeitura de Manaus

No entanto, uma atualização da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelou que a pandemia de Covid-19 matou três vezes mais pessoas entre 2020 e 2023 do que os números oficialmente divulgados. Enquanto os dados oficiais brasileiros estacionaram na marca de 702.116 óbitos confirmados por teste, a metodologia de “mortalidade excedente” aplicada pela OMS indica que o Brasil registrou mais de 628 mil mortes acima do esperado para o período.

A subnotificação e as mortes indiretas — vítimas de outras doenças graves que morreram em função do colapso do sistema de saúde — explicam esse aumento expressivo.

Número de mortos na pandemia de covid-19 no Brasil

O Brasil registrou oficialmente 716.238 mortes e 39.279.090 casos confirmados de COVID-19 desde o início da pandemia até novembro de 2026, de acordo com o Painel Coronavírus Brasil do Ministério da Saúde e registros históricos da Pandemia de COVID-19 no Brasil – Wikipédia.

Resumo dos Dados Oficiais:

  • Total de óbitos acumulados: 716.238 a 716.626 mortes (dados atualizados pelo SUS / Secretarias Estaduais de Saúde).
  • Total de casos acumulados: Mais de 39,2 milhões de diagnósticos confirmados.
  • Ano mais letal: 2021, que concentrou o maior número de vítimas fatais (superando 420 mil mortes naquele ano)

O que provocava a falta de respiradores

A falta de respiradores foi um dos maiores gargalos no atendimento a pacientes graves de Covid-19 no Brasil. Em março de 2020, o pneumologista Luiz Fernando Ferreira Pereira já alertava: “o número de respiradores hoje está no limite”.

Os respiradores são essenciais para casos graves da doença, pois ajudam o corpo a fazer a troca gasosa no pulmão, levando oxigênio e eliminando o gás carbônico do organismo. Como a doença não tinha medicamento específico de comprovada eficácia e segurança, a melhor opção para os casos graves era o uso de respiradores e de medicamentos para prolongar a vida dos pacientes e lhes dar tempo para recuperação.

A escassez foi agravada por uma disputa global por equipamentos. Aviões com 600 mil respiradores artificiais encomendados por um consórcio formado pelos nove estados do Nordeste ficaram retidos no Aeroporto de Miami, nos Estados Unidos.

Faltavam também respiradores e seus componentes, fármacos e insumos para testes e pesquisa. Pelo menos seis estados e diversas prefeituras editaram atos administrativos para requisitar insumos e produtos como respiradores durante a pandemia.

Brasil tinha falta de respiradores – e governo Bolsonaro ainda queria vender

A escassez de respiradores (ventiladores pulmonares) e equipamentos médicos foi um dos maiores gargalos do sistema de saúde brasileiro no início da pandemia de COVID-19, em 2020, conforme apontado em relatórios da revista Veja.

Panorama e Dados Críticos

  • Capacidade inicial: O Brasil contava com cerca de 65.411 respiradores no total (sendo aproximadamente 46.663 no SUS e 18.748 na rede privada), com pouco mais de 61 mil aptos para uso no começo da crise. [1]
  • Desigualdade municipal: Um levantamento do UOL revelou que cerca de 60% dos municípios brasileiros (onde viviam milhões de pessoas) não possuíam nenhum respirador disponível em suas redes locais de saúde em março de 2020.
  • Atrasos e entregas: De acordo com dados veiculados pela CNN Brasil, as compras centralizadas pelo governo federal sofreram grandes atrasos no primeiro semestre de 2020, deixando estados e municípios em situação crítica de lotação de UTIs.

Tentativa de Exportação e Controvérsias

  • Documentos revelados pelo site Fiquem Sabendo indicaram que, em junho de 2020 — período em que o país registrava mais de mil mortes diárias —, o Itamaraty acionou embaixadas para sondar a venda de respiradores produzidos no Brasil para o mercado externo, mesmo com leis internas que restringiam a exportação de insumos médicos.

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Jorge e Mateus têm shows cancelados em Fortaleza e Recife após comentários políticos

Os shows da dupla sertaneja Jorge e Mateus nas festas de Réveillon de Fortaleza (CE) e Recife (PE) foram cancelados nesta terça (3), após uma onda de críticas nas redes sociais. As manifestações questionavam o posicionamento político do cantor Jorge, que declarou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) nas eleições presidenciais de 2026. Leia em TVT News.

A dupla havia sido anunciada como atração das celebrações de fim de ano nas duas capitais. A repercussão levou internautas a cobrar das prefeituras a retirada dos artistas da programação, com comentários contrários à presença dos músicos nas festas.

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Apoio a Flávio Bolsonaro motivou críticas

A polêmica ganhou força depois que Jorge participou, em 20 de outubro, de um encontro com artistas sertanejos em Nerópolis, Goiás, em apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro. Na ocasião, o cantor apareceu em um vídeo cantando uma música com o trecho “Pode chorar, mas eu não voto no PT”.

As imagens voltaram a circular nas redes sociais após o resultado das eleições. Usuários passaram a questionar a contratação da dupla para os eventos públicos e a publicar mensagens como “não são bem-vindos em Fortaleza e Recife” e “respeitem o Nordeste”.

Prefeitos anunciam retirada da dupla

Em Fortaleza, o prefeito Evandro Leitão (PT) comunicou o cancelamento da participação da dupla nos shows de Réveillon 2027. Sem mencionar diretamente o posicionamento político do cantor, ele afirmou que a repercussão da polêmica havia desviado o foco da celebração. Segundo a prefeitura, a contratação foi encerrada por acordo, de forma legal.

No Recife, o prefeito Victor Marques (PCdoB) também anunciou a retirada dos músicos da programação de shows da Virada Recife 2027. A apresentação estava prevista para 27 de dezembro. Ao justificar a decisão, o gestor afirmou que não havia mais clima para a participação da dupla na festa.

Jorge nega declarações contra nordestinos

Após os cancelamentos, Jorge publicou uma nota nas redes sociais nesta quarta-feira (4). O cantor negou ter feito declarações ofensivas contra o Nordeste e sua população. Ele afirmou que as falas atribuídas a ele não são verdadeiras e declarou ter carinho, admiração e respeito pela região.

O artista também destacou que o pronunciamento era individual e não deveria envolver Mateus ou a trajetória da dupla. Na manifestação, disse ter gratidão pelo acolhimento recebido nos estados nordestinos ao longo da carreira e defendeu o respeito às diferentes opiniões.

Até a publicação das primeiras notícias sobre o caso, apenas Jorge havia se manifestado publicamente sobre a controvérsia.

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