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Da Redação

Por que a estratégia de marketing político de Lula funcionou em 2026?

Por Edson Panes de Oliveira Filho *

A vitória de Lula em 2026 passou por uma mudança de campanha. Depois de terminar o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro, o presidente reorganizou sua equipe, intensificou a comunicação digital e transformou apoiadores em participantes da disputa. Nossa avaliação é que essa combinação, associada à defesa da proteção social e a propostas ligadas à vida cotidiana, ajuda a explicar a virada.

A dimensão do movimento aparece nos números. Lula saiu de 45,16% dos votos válidos no primeiro turno para aproximadamente 51,8% no segundo.

Entre as duas votações, acrescentou cerca de 10,3 milhões de votos à sua candidatura; Flávio ampliou sua votação em aproximadamente 3,7 milhões. Esse crescimento revela uma capacidade maior de expansão eleitoral, embora os resultados agregados não permitam identificar, sozinhos, de onde veio cada voto. CNN Brasil — crescimento das candidaturas entre os turnos.

Para entender o papel do marketing político nessa vitória, precisamos observar como cada equipe articulou posicionamento, mensagem, distribuição e mobilização. Também precisamos reconhecer que comunicação, avaliação do governo, propostas, alianças e condições de comparecimento às urnas atuam conjuntamente. Nenhum episódio isolado explica toda a eleição.

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População toma as ruas da Avenida Paulista em São Paulo para comemorar a reeleição do presidente Lula – Foto: Emanuela Godoy/TVT News

Flávio começou o segundo turno com uma estratégia competitiva. Sua equipe identificou no endividamento das famílias e nos juros altos uma maneira de transformar insatisfação econômica em voto de oposição. Em 7 de outubro, o marqueteiro Duda Lima anunciou a continuidade desse eixo na propaganda.

O coordenador Rogério Marinho também estabeleceu uma concentração territorial da campanha, com prioridade a regiões consideradas promissoras para ampliar votos; Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Mato Grosso do Sul foram citados entre os alvos. Metrópoles — prioridades da campanha de Flávio.

Havia coerência nessa escolha: o candidato da oposição procurava responsabilizar o presidente pelas dificuldades financeiras percebidas pela população e apresentar a alternância como solução. A mensagem conectava uma experiência concreta — a dificuldade de pagar as contas — a uma decisão eleitoral.

Flávio também trabalhou para ampliar sua base política. Recebeu apoios de Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Augusto Cury, além de Republicanos, Novo, União Brasil e PP. Tarcísio de Freitas participou ativamente da campanha.

Na comunicação, a mobilização incluiu influenciadores e artistas sertanejos. Portanto, seria incorreto descrever sua estratégia como uma operação limitada aos eleitores já convencidos: houve uma tentativa organizada de expansão, com novos aliados e diferentes intermediários entre candidato e público. O Tempo — alianças e mobilização no segundo turno.

Lula enfrentava um problema diferente. Sua campanha precisava reagir ao resultado do primeiro turno e dar aos apoiadores uma forma mais ativa de participação. A resposta envolveu mudanças na organização: Camilo Santana assumiu a coordenação política, Rafael Fonteles passou a coordenar a comunicação e Rui Costa ficou responsável pela agenda. Jovens parlamentares com presença digital foram incorporados.

A mudança também apareceu na linguagem: vídeos mais diretos, convocações para conversar com eleitores e ligação entre publicações nas redes e atos nas ruas. Agência Pública — reorganização da campanha após o primeiro turno.

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Canal Exército do Lula passou dos 10 milhões de inscritos – Foto: Ricardo Stuckert

Do ponto de vista técnico, essa foi uma correção relevante. Uma campanha pode ter um candidato conhecido, realizações para apresentar e apoiadores numerosos, mas ainda assim oferecer poucas oportunidades de participação. Ao pedir ações concretas, a comunicação passou a atribuir uma função ao eleitor dentro da disputa.

O canal “Exército do Lula”, comandado por André Janones no WhatsApp, foi a expressão mais visível dessa operação. Já existente antes do primeiro turno, ganhou outra escala e função na etapa final. Os participantes recebiam orientações para compartilhar conteúdos, participar de transmissões, engajar em publicações e comparecer a mobilizações. Na reta final, o canal reunia aproximadamente 10,8 milhões de seguidores. UOL — mobilização digital e virada de Lula.

O valor estratégico estava na coordenação. A equipe e seus aliados conseguiam direcionar a atenção de um contingente expressivo de pessoas para determinada mensagem ou acontecimento. Isso aproximava a comunicação centralizada da campanha da circulação cotidiana de conteúdos entre conhecidos.

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Redes sociais foram tomadas de verde e amarelo fazendo o L – Reprodução / Redes Sociais

Pesquisadoras ouvidas pela Agência Pública destacaram justamente a importância desse compartilhamento entre pessoas e do sentimento de protagonismo gerado pelas atividades propostas. Agência Pública — análise de especialistas sobre a mobilização.

Os indicadores digitais registraram uma reação expressiva. Segundo levantamento da HypeAuditor, divulgado pela Exame, Lula acumulou 136,5 milhões de interações no Instagram entre 5 e 18 de outubro, contra 39,4 milhões de Flávio. O adversário, entretanto, preservava maior média de curtidas por publicação: 783 mil, diante de 704 mil de Lula, além de mais publicações de influenciadores mencionando seu nome.

Esses números mostram uma disputa com vantagens diferentes conforme o indicador. Interações tampouco equivalem a pessoas únicas ou votos. Exame — comparação do desempenho digital das candidaturas.

A distribuição, porém, precisava de uma mensagem capaz de sustentar o esforço. Nesse ponto, as duas candidaturas apresentavam ofertas reconhecíveis pelo eleitorado. Em pesquisa realizada em 13 e 14 de outubro, o Datafolha identificou mudança e alternância como razões citadas por 41% dos eleitores de Flávio; rejeição ao adversário, ao PT ou à esquerda apareceu em 31%.

Entre os eleitores de Lula, proteção social foi mencionada por 48%, seguida de desempenho e legado, com 22%. As respostas admitiam diferentes motivações, sem formar parcelas exclusivas. Datafolha — razões declaradas para escolher cada candidato.

A campanha de Lula encontrou uma oportunidade ao ligar essa identidade social a uma perspectiva de melhoria. A defesa dos benefícios existentes foi acompanhada por temas como descanso, transporte e condições para pequenos negócios. Assim, a continuidade podia ser apresentada também como possibilidade de avanço.

A pauta do trabalho foi especialmente importante nessa construção. Em 16 de outubro, o Congresso promulgou a emenda que encerra a escala 6×1 e reduz progressivamente a jornada máxima para 40 horas semanais, sem redução salarial. Lula participou da cerimônia e associou o descanso à saúde e à convivência familiar. A precisão importa: a emenda foi promulgada pelo Congresso, e seus efeitos seguem um período de transição; a nova jornada ainda não estava sendo usufruída pelo eleitor no momento da votação. Agência Câmara — promulgação e regras de transição.

Em 21 de outubro, o governo acrescentou à agenda a sanção de medidas para microempreendedores individuais e o envio de uma proposta de emenda constitucional para financiar a gratuidade no transporte coletivo. A tarifa zero permanecia uma proposta, e o perdão de dívidas dos MEIs teria efeitos a partir de 2027. Eram iniciativas governamentais com repercussão eleitoral, que precisam ser distinguidas das peças e ações da campanha. Ministério do Empreendedorismo — medidas para MEIs e proposta sobre transporte.

Nossa leitura é que essa agenda ofereceu conteúdo concreto à mobilização. O apoiador tinha argumentos sobre tempo, renda e acesso a serviços para levar às suas conversas. O posicionamento de Lula ganhava, assim, uma conexão entre biografia, proteção social e futuro.

Flávio enfrentou dificuldades para compatibilizar sua promessa de mudança com garantias de continuidade dos benefícios. A CNN relatou que, após declarações de Daniella Marques sobre mudanças no Bolsa Família, a campanha orientou que apenas o candidato tratasse do assunto. A mesma reportagem registrou uma revisão na preparação para o debate da Globo: Duda Lima e Fábio Portela assumiram o treinamento, enquanto aliados defendiam uma postura mais contida após a agressividade demonstrada na Band. CNN Brasil — ajustes de mensagem e preparação para o debate.

Esses episódios expõem dois desafios de marketing político: manter alinhamento entre porta-vozes e conciliar conteúdos que mobilizam a base com comportamentos que transmitam segurança a eleitores menos alinhados. Uma provocação pode render compartilhamentos e, simultaneamente, dificultar a construção de confiança.

No debate final, Lula pressionou Flávio sobre cortes de gastos e proteção social. O candidato do PL reafirmou compromissos com benefícios, reajustes e empresas públicas. Nossa interpretação é que Lula conseguiu, em diferentes momentos, colocar o adversário na posição de explicar quais mudanças faria e quais políticas preservaria. Isso não significa que Flávio pretendesse acabar com os programas: significa que a segurança desses programas se tornou um terreno central da disputa. Poder360 — convergências e compromissos apresentados no debate.

A referência de Flávio aos “nove dedos” também ofereceu uma oportunidade de reposicionamento. Lula respondeu lembrando o acidente sofrido quando trabalhava como torneiro mecânico, e o adversário pediu desculpas. O episódio permitiu ao presidente associar sua história pessoal à experiência dos trabalhadores. Seria precipitado tratá-lo como o momento que decidiu a eleição, mas ele exemplifica como uma provocação pode fortalecer um atributo do oponente. Agência Brasil — relato do último debate.

A comparação técnica das campanhas pode ser organizada desta forma:

DimensãoLulaFlávio Bolsonaro
PosicionamentoProteção social, experiência e ampliação de direitosMudança, oposição ao governo e alívio econômico
MobilizaçãoAtividades coordenadas para apoiadores, conectadas às ruasRede de aliados, influenciadores e lideranças regionais
Mensagem econômicaPreservação de benefícios e melhoria da vida cotidianaDívidas, juros e crítica ao custo de vida
AdaptaçãoReorganização de equipe, linguagem e participaçãoAmpliação de alianças e ajustes de postura
VulnerabilidadeDependência de lideranças digitais e excessos nos ataquesTensões entre agressividade, moderação e garantias sociais

Uma avaliação profissional também exige examinar os limites da comunicação vencedora. Em 14 de outubro, o TSE determinou a retirada de um vídeo de Janones no Instagram que apresentava uma redução das aposentadorias por Flávio como consequência certa, sem fundamento suficiente, segundo a decisão.

Esse caso deve ser separado da investigação sobre o canal no WhatsApp: a área técnica informou não ter localizado, nas publicações examinadas entre 2 e 11 de outubro, as afirmações apontadas naquele processo. A vitória eleitoral não elimina a necessidade de precisão nas mensagens. SBT News — decisão sobre o vídeo; Agência Brasil — análise técnica sobre o canal.

Na avaliação da Alcateia, a estratégia de Lula funcionou porque integrou melhor identidade política, mensagem e participação. A reorganização após o primeiro turno tornou a campanha mais responsiva. A defesa da proteção social ofereceu uma referência reconhecível. As pautas do trabalho e da vida cotidiana deram material à conversa. A operação digital criou oportunidades para que apoiadores participassem da distribuição e da mobilização.

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Domingo, nosso encontro é com a democracia. Que a consciência guie nossa escolha, que a memória fortaleça nossa responsabilidade e que o nosso voto defenda um Brasil com mais direitos, justiça social, igualdade e liberdade – Foto: Ricardo Stuckert

Flávio construiu uma campanha forte, identificou dificuldades econômicas relevantes e ampliou alianças. Seu desafio foi apresentar a mudança como uma alternativa suficientemente segura, enquanto administrava diferentes discursos sobre benefícios e uma postura que oscilava entre confronto e moderação.

Lula conseguiu transformar a reação ao primeiro turno em uma campanha com mais participação e argumentos mais próximos da experiência cotidiana. Consideramos essa articulação uma contribuição importante para a vitória. A conclusão mais sólida, no dia seguinte à eleição, é que sua comunicação ajudou a organizar e ampliar uma força eleitoral — ainda sem ser possível calcular quantos votos cada ação produziu.


Sobre o autor

Edson Panes de Oliveira Filho


Edson Panes de Oliveira Filho é advogado e estrategista politico, Especialista em Direito Eleitoral, com MBA em Direito Empresarial, MBA em Gestão de Pessoas e MBA em Comunicação Governamental e Marketing Político, proprietário da CRIA Marketing Digital e Politico e cofundador do Alcateia Política.


Os artigos dos colunistas expressam as opiniões individuais da autora ou do autor e não, necessariamente, refletem a opinião da TVT News

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Local de prova do Enem 2026: veja como consultar e confira as datas

Os candidatos inscritos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026 já podem consultar os locais de aplicação das provas. O endereço está disponível no cartão de confirmação de inscrição, acessível pela Página do Participante, com login da conta Gov.br. Leia em TVT News.

Para consultar o documento, é necessário acessar o portal oficial do Enem e entrar com CPF e senha cadastrados na conta Gov.br.

Além do endereço onde fará o exame, o cartão reúne o número de inscrição, as datas e os horários das provas, o idioma escolhido para a avaliação de língua estrangeira – inglês ou espanhol – e informações sobre pedidos de atendimento especializado e uso de nome social.

Como se preparar para o dia da prova

A apresentação do cartão de confirmação não é obrigatória nos dias do exame, mas o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) recomenda que os participantes imprimam o documento e o levem consigo para consultar os dados, caso necessário.

Depois de verificar o local, é importante conferir o endereço, calcular a distância e estimar o tempo de deslocamento. Se possível, vale fazer o percurso com antecedência, considerando as condições de trânsito e de transporte público aos domingos.

>> Plataforma MEC Enem supera 1,1 milhão de alunos cadastrados

Os portões serão abertos às 12h e fechados às 13h, no horário de Brasília. A orientação é chegar com antecedência para evitar imprevistos. A aplicação começa às 13h30.

Quando serão as provas do Enem 2026?

O exame será aplicado em dois domingos, nos dias 8 e 15 de novembro.

8 de novembro – primeiro dia

  • 45 questões de Linguagens, sendo 40 de Língua Portuguesa e cinco de inglês ou espanhol;
  • 45 questões de Ciências Humanas;
  • Redação.

A aplicação termina às 19h.

15 de novembro – segundo dia

  • 45 questões de Matemática;
  • 45 questões de Ciências da Natureza.

A aplicação termina às 18h30.

Os horários seguem o fuso de Brasília. Em ambos os dias, os participantes só poderão sair levando o caderno de questões nos últimos 30 minutos antes do encerramento da prova.

O que levar para o Enem

Para realizar o exame, é necessário apresentar documento oficial de identificação com foto. São aceitos documentos digitais, como e-Título, Carteira Nacional de Habilitação (CNH) Digital e RG Digital, desde que apresentados nos aplicativos oficiais. Capturas de tela não são válidas. Depois de entrar na sala, o uso do celular permanece proibido.

Também é necessário levar caneta esferográfica de tinta preta, com tubo transparente. A recomendação é levar uma reserva para o caso de falha.

Os participantes podem levar água em garrafa transparente, sem rótulo, e lanche. Os alimentos poderão ser vistoriados pelos fiscais. Como a prova tem duração de várias horas, usar roupas confortáveis e calçados adequados também pode ajudar a enfrentar o período de aplicação.

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TSE aceita arredondamento para PSOL/Rede cumprir cláusula de barreira

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu, por unanimidade, reconhecer que a federação formada por PSOL e Rede Sustentabilidade cumpriu a cláusula de barreira nas eleições de 2026. Com a decisão, anunciada na terça-feira (27), as duas siglas mantêm o acesso aos recursos públicos destinados aos partidos e ao tempo gratuito de propaganda no rádio e na televisão em 2027. Leia em TVT News.

O impasse estava na votação para deputado federal no Espírito Santo. A federação alcançou o percentual mínimo exigido pela legislação em oito estados, mas registrou 1,4912% dos votos válidos no território capixaba, abaixo do patamar de 1,5% necessário para cumprir o critério em nove unidades da Federação.

Ao analisar um pedido administrativo apresentado pela federação, o TSE aceitou arredondar o índice para 1,5%, permitindo que PSOL e Rede também contabilizem o Espírito Santo entre os estados em que atingiram o mínimo exigido.

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Ministro defendeu aplicação de norma técnica

O relator do caso, ministro Kassio Nunes Marques, defendeu a aplicação de um critério de arredondamento baseado em norma da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Pelo entendimento adotado, percentuais superiores a 1,45% podem ser arredondados para 1,5%.

Os demais ministros acompanharam o relator, e a decisão foi unânime. Com isso, a federação superou o requisito de distribuição estadual da votação e garantiu a continuidade dos benefícios previstos na legislação eleitoral.

Como funciona a cláusula de barreira

A cláusula de barreira, também chamada de cláusula de desempenho, estabelece uma votação mínima para que partidos e federações tenham acesso a benefícios como recursos do Fundo Partidário, financiamento eleitoral e propaganda gratuita no rádio e na televisão.

Nas eleições de 2026, uma das possibilidades para cumprir a regra era obter pelo menos 2,5% dos votos válidos nacionais para deputado federal, com um mínimo de 1,5% em pelo menos nove estados. A legislação também prevê uma alternativa baseada na eleição de ao menos 13 deputados federais distribuídos por nove unidades da Federação.

A federação PSOL/Rede já havia superado o percentual nacional exigido, mas precisava resolver a diferença registrada no Espírito Santo para atender ao critério de distribuição territorial.

Outras siglas não cumpriram os requisitos

Segundo as informações divulgadas sobre o julgamento, a federação PRD/Solidariedade e os partidos PDT e Avante não atingiram os requisitos da cláusula de barreira. Com isso, ficam sem acesso aos recursos e benefícios vinculados ao cumprimento da regra.

O descumprimento da cláusula, no entanto, não impede que parlamentares eleitos tomem posse nem determina o fechamento das legendas. A regra afeta principalmente as condições de financiamento e funcionamento partidário previstas na legislação eleitoral.

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Flávio Bolsonaro divulga carta golpista

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), foragido da Justiça brasileira nos Estados Unidos, divulgou nesta quarta-feira (28) uma carta em que se apresenta como “o verdadeiro presidente eleito do Brasil” e afirma ter sido vítima de “fraude eleitoral”.

O texto, enviado por aliados, é uma peça de propaganda política que tenta converter uma derrota eleitoral incontestável em uma suposta perseguição, aproximando o senador de figuras como o venezuelano Juan Guaidó. A fuga de Flávio Bolsonaro ocorreu horas após ele descumprir a ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, para entregar seus passaportes.

Leia mais com a TVT News

O que a carta golpista de Flávio Bolsonaro diz — e por que cada argumento não se sustenta

A carta de Flávio Bolsonaro se organiza em torno de quatro eixos principais, todos frágeis do ponto de vista factual e jurídico.

  • “Fraude eleitoral” e “10 milhões de votos”: o senador afirma que uma “impossibilidade matemática” permitiu que Lula acrescentasse mais de 10 milhões de votos entre turnos. A explicação é eleitoral, não fraudulenta: Lula cresceu 10,29 milhões de votos porque houve queda na abstenção (de 21,08% para 19,22%, a menor em 20 anos) e redução de votos brancos e nulos.

  • Os boletins das 499.205 urnas do 2º turno de 2026 estão publicados (cada seção eleitoral tem uma urna e um boletim). Quem somar os votos de todos eles chega exatamente ao resultado oficial do TSE, em todos os municípios e nas cidades do exterior.

Cerca de 2,9 milhões de eleitores que não foram às urnas no primeiro turno compareceram no segundo, e a redução de brancos e nulos acrescentou outros 4,8 milhões de votos válidos. Flávio também cresceu (3,68 milhões), mas em proporção menor. Não há “impossibilidade matemática”: há comparecimento e transferência de votos.

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Resultado final do TSE com Lula reeleito

  • “Decisão do STF por cima do TSE”: o senador alega que uma decisão do Supremo estendeu a votação “no apagar das luzes”. A prorrogação do horário em locais com filas é um procedimento administrativo previsto e não altera o cômputo de votos já depositados. A alegação de “nulidade” não encontra amparo em nenhuma decisão do TSE ou do STF que tenha anulado votos ou alterado o resultado.

  • “Perseguição política” e “juiz suspeito”: Flávio Bolsonaro chama Alexandre de Moraes de “juiz implicado em escândalo” e diz que a ordem para entrega dos passaportes foi um “sequestro”.

O senador é alvo de dois inquéritos no STF — um sobre lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz e bets, e outro sobre o financiamento do filme “Dark Horse” com recursos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A ordem de Moraes decorre desses inquéritos, não de uma suposta perseguição política.

  • “Não fugi, saí pelo Brasil”: a carta afirma que o senador deixou o país para “liderar a oposição” e não por temor à prisão. No entanto, Flávio Bolsonaro cruzou a fronteira com a Argentina na noite de terça-feira (27), horas depois de descumprir o prazo para entregar os passaportes, e embarcou em um jato privado com a família.

A saída foi clandestina, sem registro nos postos de migração, e ele não comunicou às autoridades brasileiras. O discurso de “exílio político” não se sustenta diante do descumprimento de uma ordem judicial.

Nem mesmo Flávio acredita na carta e publica outra versão

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) publicou uma nova versão de sua carta e mudou as frases em que se autoproclamava presidente do Brasil. No novo documento, Flávio se define como “o líder do Brasil”, e não mais como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Essa foi a única alteração promovida pelo ex-presidenciável. Ele manteve o Brazil com Z e o brasão com o nome antigo do Brasil.

O Brasil se chamava Estados Unidos do Brasil (ou República dos Estados Unidos do Brasil) de 1889 a 1967.

  • 15 de novembro de 1889: Com a Proclamação da República, a denominação foi adotada oficialmente, inspirada no modelo federativo dos Estados Unidos da América.
  • Constituição de 1891: Consolidou formalmente o nome República dos Estados Unidos do Brazil (com “z”).
  • 15 de março de 1967: A Constituição promulgada durante a ditadura militar mudou o nome oficial do país para República Federativa do Brasil, alteração que foi reforçada por leis complementares em 1968

  • “Brasão” na carta de Flávio diz Estados Unidos do Brazil (Brasil com Z), à esquerda e o verdadeiro brasão traz República Federativa do Brasil

Trump diz que não vai se envolver

Trump diz que não vai se “envolver” após Flávio Bolsonaro afirmar em carta golpista que é o “verdadeiro presidente” do Brasil.

“Não vou comentar sobre isso. Não vou me envolve”, disse Trump aos jornalistas.

O teor golpista da carta: Guaidó, Martí e a tentativa de autoproclamação

A carta de Flávio Bolsonaro cita nominalmente Juan Guaidó, Edmundo González e María Corina Machado, além de José Martí, Rui Barbosa e Charles de Gaulle. A aproximação é deliberada e perigosa: ao colocar Guaidó no mesmo parágrafo que Martí, o senador tenta transformar a autoproclamação de um presidente derrotado em uma tradição histórica de “resistência democrática”.

A comparação com Guaidó é o núcleo do teor golpista. Em 2019, Guaidó se autoproclamou presidente interino da Venezuela com base em uma interpretação extensiva da Constituição venezuelana e no reconhecimento imediato de governos estrangeiros, notadamente os Estados Unidos.

O resultado foi a tentativa de criar um governo paralelo, com o controle de ativos estatais venezuelanos no exterior, sem qualquer respaldo eleitoral ou institucional interno. Flávio Bolsonaro não é Guaidó: ele perdeu uma eleição com 48,2% dos votos contra 51,8% de Lula, e não há qualquer movimento institucional, militar ou diplomático que sustente uma autoproclamação.

Colocar José Martí na mesma frase que Guaidó é uma inversão histórica. Martí foi um intelectual e revolucionário que lutou pela independência de Cuba no século XIX e morreu em combate; Guaidó é um político que tentou um governo paralelo por meio de reconhecimento estrangeiro.

A carta usa Martí como verniz moral para uma operação de poder que não tem qualquer paralelo com a luta anticolonial. O mesmo vale para Rui Barbosa e De Gaulle: ambos exerceram papéis institucionais reconhecidos em seus países, enquanto Flávio Bolsonaro é um senador foragido que tenta se apresentar como líder de uma oposição que não o reconhece como tal — parte da própria direita, como Tarcísio de Freitas, já reconheceu a vitória de Lula.

A carta, portanto, é uma peça de engenharia política que tenta converter a fuga em “exílio” e a derrota em “resistência”. O objetivo é criar um discurso de governo paralelo que não existe na realidade institucional brasileira.

As fotos da chegada falam mais do que a carta

A carta de Flávio Bolsonaro se apresenta como um manifesto de um líder que “saiu pelo Brasil” para continuar a luta. As imagens da chegada a Miami, porém, contam outra história.

Um exilado político que se apresenta como “verdadeiro presidente eleito” aproveitaria os holofotes, as câmeras e os microfones da imprensa para denunciar, na sua tese, a perseguição política que o teria forçado a deixar o país. O que um exilado político busca é palco.

Flávio Bolsonaro, ao contrário, fez o oposto: desembarcou no aeroporto executivo de Opa-Locka escondido atrás de guarda-chuvas, com o rosto coberto, enquanto um funcionário abria o guarda-chuva para impedir que as câmeras o registrassem.

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Pessoas se protegem com guarda-chuvas ao saírem do Aeroporto Executivo de Opa-Locka, logo após a chegada de Flavio Bolsonaro e sua família a Miami, na Flórida, em 28 de outubro de 2026.. (Foto de Ricardo Arduengo / AFP)

A família saiu pela pista, em um carro preto que já esperava ao lado do jato, sem passar pelo saguão onde jornalistas aguardavam. Policiais pediram que a imprensa se afastasse.

A cena é a de um criminoso em fuga, não a de um líder político em exílio. A diferença entre um exilado e um foragido está justamente no uso do espaço público: o primeiro quer ser visto; o segundo quer desaparecer. Flávio Bolsonaro escolheu desaparecer.

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Flavio Bolsonaro desembarca de uma aeronave após chegar ao Aeroporto Executivo de Opa-Locka, em Miami, Flórida, no dia 28 de outubro de 2026. (Foto de Ricardo ARDUENGO / AFP)

Os 10 milhões de votos de Lula: o que realmente aconteceu

A explicação para o crescimento de Lula entre o primeiro e o segundo turno é eleitoral e está documentada por dados do TSE.

Lula recebeu 10,29 milhões de votos a mais no segundo turno em relação ao primeiro, um crescimento de 19,1%. Flávio Bolsonaro cresceu 3,68 milhões (6,6%). A diferença de 6,6 milhões na comparação entre os turnos foi o que selou a virada.

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Campanha de Lula teve povo na rua -Foto: Ricardo Stuckert

O crescimento de Lula se explica por três fatores combinados: (1) queda da abstenção, com 2,9 milhões de eleitores a mais comparecendo às urnas; (2) redução de votos brancos e nulos, que acrescentou 1,83 milhão de votos válidos; e (3) transferência de votos de candidatos eliminados no primeiro turno, que majoritariamente apoiaram Flávio, mas cujos eleitores não migraram integralmente para o senador. Não houve “fraude”: houve comparecimento e voto útil.

Os crimes e investigações que pesam contra Flávio Bolsonaro

A fuga de Flávio Bolsonaro não apaga os processos que ele responde no Supremo Tribunal Federal. O senador é alvo de duas investigações criminais que continuam em tramitação mesmo após a saída do país.

Lavagem de dinheiro e bets: o senador é investigado ao lado do advogado Willer Tomaz por suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo plataformas de apostas esportivas. Moraes determinou o bloqueio de até R$ 6 bilhões de Tomaz e quebrou seus sigilos bancário, fiscal e cambial.

Financiamento do filme “Dark Horse”: Flávio Bolsonaro é alvo de inquérito que apura pagamentos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para a produção da cinebiografia de Jair Bolsonaro. Conversas reveladas pelo The Intercept mostraram o senador pedindo dinheiro a Vorcaro para financiar as gravações.

Transações incompatíveis com a renda: Festa com lobistas e prostitutas na pandemia: em julho de 2020, o senador participou de um churrasco em lancha no Lago Paranoá com lobistas da Precisa Medicamentos e garotas de programa, e recebeu um Rolex ao fim do encontro.

Defesa de assassino de criança: como advogado, atuou na defesa do cabo Bruno Delaroli, acusado de matar Ana Clara com tiros de fuzil em 2021, e entrou com recursos que anularam o júri popular.

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Júri popular do policial militar acusado de matar menina Ana Clara, de cinco anos, em Niterói foi adiado para maio de 2027; senador integrou a defesa e recorreu contra a decisão que determinou o julgamento. Foto: Alexandre Barbosa/TVT News

Ajuda a milicianos: condecorou e destinou emenda a pessoas ligadas ao “Escritório do Crime”, incluindo um condenado pelo assassinato da vereadora Marielle Franco.

Festa com lobistas e prostitutas na pandemia: em julho de 2020, o senador participou de um churrasco em lancha no Lago Paranoá com lobistas da Precisa Medicamentos e garotas de programa, e recebeu um Rolex ao fim do encontro.

Flávio Bolsonaro fez festa com prostitutas e lobistas na pandemia, diz Piauí
Reprodução do site crimetarussa.com que traz resumo os crimes em que Flávio Bolsonaro tem o nome envolvido – Imagem: Reprodução
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A aeronave que transportava Flavio Bolsonaro chega ao Aeroporto Executivo Opa-Locka, em Miami, Flórida, no dia 28 de outubro de 2026. O candidato presidencial de direita derrotado no Brasil, Flavio Bolsonaro, desembarcou hoje de um avião particular na Flórida (Foto de Ricardo Arduengo / AFP)

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Conmebol rejeita reclamação do Flamengo pela inclusão de Rojo na semifinal da Libertadores

A Conmebol rejeitou, nesta quarta-feira, a reclamação do Flamengo referente à suposta escalação irregular do zagueiro argentino Marcos Rojo na partida de volta da semifinal da Copa Libertadores — confronto que o Estudiantes de La Plata venceu nos pênaltis, garantindo seu lugar na final contra o Palmeiras.

A decisão da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) assegura que o “Pincha” (Estudiantes) dispute a final do torneio contra o “Verdão” (Palmeiras), no dia 28 de novembro, em Montevidéu — ressalvando-se, contudo, a pendência de uma decisão definitiva por parte do Tribunal Arbitral do Esporte (TAS).

A Comissão Disciplinar decidiu “rejeitar integralmente o protesto apresentado pelo Clube de Regatas do Flamengo em 23 de outubro de 2026, relativo à suposta escalação irregular” do jogador do Estudiantes, informou a Conmebol em um comunicado.

O TAS autorizou, em caráter provisório, a participação do zagueiro na partida de volta da semifinal — realizada na última quinta-feira, no Rio de Janeiro —, após o clube argentino recorrer à instância superior diante da negativa da Conmebol.

Ao permitir a atuação do veterano zagueiro de 36 anos, a mais alta instância da justiça esportiva, no entanto, “negou o pedido do Estudiantes para anular as consequências esportivas e disciplinares que pudessem advir” de sua decisão final, conforme explicou o Flamengo no sábado.

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O goleiro uruguaio do Estudiantes, Fernando Muslera (nº 16, à direita), comemora após a vitória na disputa por pênaltis durante a partida de volta da semifinal da Copa Libertadores entre o Flamengo (Brasil) e o Estudiantes de La Plata (Argentina), no estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, Brasil, em 22 de outubro de 2026. (Foto de MAURO PIMENTEL / AFP)

A decisão definitiva do TAS — que poderia favorecer o Flamengo e colocar em xeque a classificação do Estudiantes — ainda não foi proferida.

O Flamengo, atual campeão da Libertadores, busca obter a vitória nos tribunais devido à suposta escalação irregular do ex-zagueiro do Manchester United, que, antes das semifinais, foi transferido do Racing para o Estudiantes. A equipe de La Plata venceu o jogo de volta da semifinal por 3 a 2 nos pênaltis, no Maracanã, após dois empates sem gols.

O clube argentino celebrou a decisão da Conmebol desta quarta-feira.

“Nos vemos no dia 28, família!”, escreveu em sua conta no X, em alusão à data da final.

O Estudiantes buscará, em Montevidéu, seu quinto título da Libertadores — o primeiro desde 2009.

Quando será a final da Libertadores 2026?

A final da Copa Libertadores 2026 será disputada entre Palmeiras e Estudiantes em jogo único.

  • Data: 28 de novembro de 2026 (sábado)
  • Local: Estádio Centenário, em Montevidéu, Uruguai
  • Horário: O horário exato do pontapé inicial ainda será confirmado pela Conmebol

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O zagueiro paraguaio do Palmeiras, camisa 15, Gustavo Gómez, comemora exibindo uma placa com os dizeres “90 minutos no Allianz Parque é muito tempo” após a vitória do Palmeiras sobre o Liga de Quito, do Equador, no jogo de volta da semifinal da Copa Libertadores, no Allianz Parque, em São Paulo, Brasil, em 30 de outubro de 2025. (Foto de Miguel Schincariol / AFP)

Para assistir à decisão da Libertadores ao vivo, você terá as seguintes opções de transmissão no Brasil:

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ONU rejeita bloqueio dos Estados Unidos contra Cuba por 130 votos

A Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou nesta quarta-feira uma resolução que pede o fim do bloqueio imposto pelos Estados Unidos a Cuba desde 1960. O texto recebeu 130 votos favoráveis, 17 contrários e 25 abstenções. Todos os países de língua portuguesa votaram pelo encerramento das sanções. Leia em TVT News.

A votação ocorre em meio ao agravamento da crise energética e das dificuldades humanitárias na ilha caribenha, após o governo do presidente Donald Trump reforçar as restrições. Segundo Francisco Pichon, coordenador da ONU em Cuba, a situação aumenta o risco de colapso humanitário.

A decisão da Assembleia Geral mantém a posição expressa em votações anteriores, mas o apoio à resolução foi menor do que no ano passado, quando 165 países votaram a favor, sete contra e 12 se abstiveram.

Votos na Assembleia da ONU – Foto: Reprodução

Bloqueio afeta saúde e acesso a medicamentos

Os efeitos das restrições também atingem o sistema de saúde cubano. Em maio, representantes da ONU informaram que mais de 100 mil procedimentos cirúrgicos haviam sido adiados.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou para os impactos da falta de energia nos serviços de saúde.

As autoridades cubanas também relatam atrasos em campanhas de vacinação e dificuldades para garantir o fornecimento regular de medicamentos a pacientes com doenças crônicas.

Especialistas independentes e representantes das Nações Unidas para os direitos humanos têm criticado o embargo e outras sanções unilaterais dos Estados Unidos, apontando riscos aos direitos à saúde, à alimentação, à vida e ao desenvolvimento.

Miguel Díaz-Canel celebrou a votação em suas redes

Em suas redes, o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel celebrou a decisão da ONU: “O mundo voltou a se pronunciar majoritariamente contra o bloqueio, inclusive acima das mais grosseiras pressões e chantagens dos EUA para mudar o rumo desta votação”.

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Publicação de Miguel Díaz-Canel no X – Foto: Reprodução

Resolução defende soberania e liberdade de comércio

A resolução apresentada por Cuba reafirma princípios como a igualdade soberana entre os Estados, a não intervenção em assuntos internos e a liberdade de comércio e navegação internacionais.

O documento manifesta preocupação com os efeitos extraterritoriais de medidas norte-americanas, incluindo a Lei Helms-Burton, promulgada em 1996.

Segundo o texto, essas restrições podem afetar a soberania de outros países, os interesses de pessoas e empresas submetidas às suas jurisdições e as relações comerciais internacionais.

A Assembleia Geral pede que os países evitem adotar medidas desse tipo e insta os governos que ainda aplicam sanções contra Cuba a revogá-las.

Estados Unidos contestam críticas ao embargo

O debate na ONU também foi marcado por um confronto entre representantes de Cuba e dos Estados Unidos. Na terça-feira, o ministro cubano das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez Parrilla, interrompeu a fala do embaixador norte-americano, Mike Waltz, para apresentar uma questão de ordem.

A discussão levou à suspensão temporária da sessão, retomada posteriormente sem novos incidentes.

Waltz rejeitou a interpretação de que o embargo seja responsável pela crise cubana e atribuiu a situação ao governo da ilha.

O representante norte-americano também negou a existência de um bloqueio, citando exportações dos Estados Unidos para Cuba e o comércio com outros países e organizações internacionais.

A resolução da Assembleia Geral não encerra, por si só, as sanções norte-americanas, mas renova o apelo internacional para que sejam revogadas.

Desde 1992, a ONU já aprovou 33 resoluções pedindo o fim do embargo. O apoio atingiu seu maior patamar em 2015, 2016 e 2017, quando 191 países votaram a favor, durante a aproximação entre os governos de Cuba e dos Estados Unidos sob a presidência de Barack Obama.

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