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Da Redação
Brasil, Argentina, Chile e Paraguai assinam acordo para integrar mercado aéreo
O Brasil assina nesta terça-feira (14), em Assunção, no Paraguai, um memorando de entendimento com Argentina, Chile e Paraguai que marca o início da construção de um mercado integrado de aviação civil na América do Sul. Batizada de Acordo de Liberalização Aérea Sul-Americana (Alas), a iniciativa prevê a criação de um grupo de trabalho responsável por elaborar, ao longo dos próximos 12 meses, um plano para implementar gradualmente medidas que ampliem a integração do transporte aéreo entre os quatro países. Saiba mais na TVT News.
O objetivo é reduzir barreiras regulatórias que hoje limitam a atuação das companhias aéreas aos seus mercados nacionais, criando condições para maior conectividade regional, expansão da oferta de voos e fortalecimento da concorrência no setor. A proposta se inspira no modelo adotado pela União Europeia, onde empresas aéreas podem operar com maior liberdade entre os países do bloco.
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O memorando não altera imediatamente as regras de operação das companhias, mas estabelece uma agenda de cooperação para harmonizar legislações e criar as bases jurídicas e regulatórias necessárias para uma futura abertura gradual do mercado. O documento também respeita a legislação e os procedimentos internos de cada país, de modo que eventuais mudanças dependerão de negociações posteriores e, em alguns casos, de alterações nas leis nacionais.
Entre os principais temas que serão discutidos pelo grupo de trabalho estão a harmonização das normas regulatórias, o reconhecimento mútuo de certificados, licenças e autorizações emitidos pelas autoridades aeronáuticas dos quatro países, além da padronização de procedimentos operacionais e de segurança. O acordo também prevê avanços na facilitação do transporte aéreo e no fortalecimento dos direitos dos passageiros.
Uma das mudanças previstas para etapas futuras é permitir que empresas de um dos países participantes possam operar voos domésticos em outro país integrante do acordo, mediante critérios de reciprocidade. Hoje, pela legislação brasileira, voos entre cidades do território nacional só podem ser realizados por empresas constituídas no Brasil.
Na prática, atualmente uma companhia aérea brasileira pode operar uma rota entre São Paulo e Buenos Aires, mas não pode vender passagens entre Buenos Aires e Córdoba. Da mesma forma, uma empresa argentina que opere voos para o Brasil não pode comercializar bilhetes entre duas cidades brasileiras. A proposta do Alas busca criar um ambiente regulatório que permita reduzir essas restrições gradualmente.
O projeto também prevê ampliar os chamados direitos de tráfego aéreo. Em uma etapa posterior, companhias poderão operar voos entre dois países estrangeiros sem que a aeronave precise partir ou retornar ao país onde a empresa está sediada. Um exemplo seria uma companhia brasileira realizando uma rota entre Buenos Aires, na Argentina, e Lima, no Peru.
Segundo o governo brasileiro, a maior integração deverá estimular a entrada de novos operadores no mercado, ampliar a concorrência entre as empresas aéreas e favorecer a criação de novas rotas, especialmente para regiões que atualmente possuem pouca oferta de voos comerciais. A expectativa também é fortalecer o turismo, os negócios e a circulação de pessoas e cargas entre os países sul-americanos.
O Ministério de Portos e Aeroportos avalia que a medida representa um passo importante para aumentar a conectividade regional e aproximar a infraestrutura de transporte da agenda de integração econômica da América do Sul.
Paralelamente à assinatura do memorando multilateral, o ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, também participa da assinatura de um memorando bilateral entre Brasil e Paraguai sobre serviços aéreos. A agenda em Assunção inclui ainda reuniões entre as delegações dos quatro países, uma coletiva de imprensa conjunta e encontros com representantes do governo paraguaio e das autoridades de aviação civil da região.
Como parte do processo, o Ministério de Portos e Aeroportos também deverá publicar uma portaria atualizando as diretrizes brasileiras para a negociação de acordos internacionais de serviços aéreos. Esses instrumentos definem aspectos como empresas autorizadas a operar, frequências de voos, rotas e direitos de tráfego concedidos entre os países.
Embora o mercado aéreo único ainda dependa de negociações técnicas e jurídicas ao longo do próximo ano, a assinatura do memorando representa o primeiro compromisso formal entre os quatro governos para construir um ambiente regulatório comum. Se implementado integralmente, o projeto poderá representar uma das maiores mudanças na aviação comercial sul-americana das últimas décadas, ampliando a integração regional e criando novas possibilidades para passageiros, companhias aéreas e o desenvolvimento da infraestrutura de transporte no continente.
Agentes da imigração dos EUA matam cidadão colombiano no Maine
Agentes do ICE, Serviço de Imigração e Fiscalização Aduaneira dos Estados Unidos, matou a tiros um homem colombiano de 26 anos. Joan Sebastian Guerrero tinha autorização de trabalho no país, e foi alvejado quando estava em um veículo em Biddeford, uma cidade na costa do estado do Maine. O jovem deixa mulher e uma filha. Leia mais em TVT News.
Segundo defensores dos direitos dos imigrantes disseram à imprensa, ele também tinha um número de seguridade social – documento dos EUA que equivale a uma espécie de “CPF”.
Em seis dias, esta é a segunda ação letal do ICE: agentes atiram e matou um imigrante sem documentação regular em Houston, no Texas, em uma parada de trânsito, há menos de uma semana.
De acordo com o órgão, os agentes estavam monitorando o endereço de uma pessoa para deportação em Biddeford, e, quando um veículo tentou “fugir” daquele endereço, os agentes atiraram “temendo pela segurança pública”. O motorista do veículo foi atingido.
Uma câmera de monitoramento no local filmou parte da ação do ICE. Nas filmagens, vê-se um SUV colidindo e encurralando um sedã em uma esquina, parando o carro. Três agentes se aproximam então da porta do sedã e apontam armas para o passageiro.
Um pouco depois, os policiais abrem a porta e tiram o motorista, que cai no chão e é colocado na calçada. Como o vídeo não tem som, não é possível ver quando os tiros foram dados. Uma imagem da agência de notícias Reuters mostrou o carro sendo guinchado, com o que pareciam ser quatro tiros no pára-brisa.

Um morador do centro de Biddeford, Daniel Boucher, 71 anos, testemunhou o momento da abordagem e a retirada do motorista do carro. Ele afirmou à agência Reuters que estava no segundo andar de seu apartamento por volta das 7h30 da manhã no horário local quando ouviu um som parecido com fotos de artifício.
Quando correu para a janela, Boucher viu um SUV batendo em um carro menor. Boucher desceu para a rua e observou de apenas 6 metros de distância um agente com identificação do ICE descer do SUV, abrir a porta do carro e tirar o motorista de dentro do veículo. Segundo a testemunha, o homem tinha sague no rosto e na cabeça.
Ele afirma que ouviu a vítima disse “Mas eu tentei parar”, pouco antes de parecer parar de respirar.
A imprensa local informou que centenas de pessoas organizaram protestos contra a execução de Joan em Biddeford nesta segunda-feira. Manifestantes pediam a abolição do ICE, com cartazes com dizeres como “ICE fora do Maine”. O protesto também seguiy para o escritório local da senadora republicana Susan Collins, onde manifestantes gritavam pela sua não reeleição.
O agente que realizou os disparos que mataram Joan não foi identificado, mas o órgão afirma que ele foi afastado do trabalho. Tanto o FBI (Departamento Federal de Imigração) quanto a Procuradoria-Geral do Estado do Maine investigarão o caso.
Desde o início do segundo mandato de Donald Trump na presidência dos Estados Unidos, foram registrados pelo menos 21 tiroteios envolvendo agentes de imigração, 10 deles com vítimas fatais.
Imigração já havia matado imigrante em Houston há menos de uma semana
Seis dias antes da execução de Joan, agentes do serviço de imigração atiraram e mataram um homem de 52 anos em Houston, capital do estado do Texas.
Lorenzo Salgado Araujo, cidadão mexicano que morava nos Estados Unidos há décadas, foi abordado no trânsito, por volta das 7h da manhã locais do dia 7 de julho, em uma blitz de trânsito da imigração.
O ICE afirmou que Lorenzo tinha tentado atropelar um agente do ICE, mas não há evidências dessa afirmação.
No último ano, as notas à imprensa e ao público iniciais do ICE e do DHS justificando o uso de força em casos emblemáticos foram contraditas por vídeos das operações e outras evidências, em alguns casos apresentadas na justiça.
Foi o caso de Marimar Martinez, moradora da região de Chicago que, em outubro de 2025, foi acusada de atingir agentes do ICE com o carro. Martinez levou cinco tiros, mas sobreviveu.
Filmagens apresentadas posteriormente mostraram que os próprios agentes do ICE poderiam ter provocado a colisão, e as acusações contra ela foram retiradas.
Renovação energética: governo aumenta mistura de etanol na gasolina para 32%
O governo federal elevou de 30% para 32% a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina. A medida que passa a valer por um período inicial de 180 dias foi aprovada nesta terça-feira (14) pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), que justificou a mudança pela necessidade de reduzir a dependência brasileira de combustíveis fósseis importados diante da volatilidade do mercado internacional de petróleo. Leia em TVT News.
Segundo o governo, o aumento da participação do etanol na gasolina amplia o uso de um combustível renovável produzido no país, fortalece a segurança energética nacional e reduz a necessidade de importação de gasolina.
A decisão, porém, também desperta questionamentos entre fabricantes de veículos, engenheiros e profissionais da manutenção automotiva, que alertam para possíveis efeitos em automóveis antigos ou importados que não foram desenvolvidos para trabalhar com uma concentração maior de etanol.
A nova composição, conhecida como E32, poderá ser prorrogada por mais 180 dias ao fim do período inicial de vigência.
Caminho da sustentabilidade: governo aposta em combustível renovável
De acordo com o CNPE, a ampliação da mistura foi tomada considerando o cenário internacional dos combustíveis e faz parte da estratégia de ampliar a participação dos biocombustíveis na matriz energética brasileira.
Em nota, o conselho afirmou que o objetivo é reduzir a dependência do país em relação à gasolina importada, além de incentivar a utilização de um combustível renovável produzido nacionalmente.
O aumento vinha sendo discutido pelo governo nos últimos meses dentro das ações relacionadas ao programa Combustível do Futuro, iniciativa que busca ampliar a participação dos biocombustíveis na matriz energética brasileira.
Segundo o colegiado, antes da aprovação foram realizados testes em laboratório e também em condições reais de utilização dos veículos.
O governo afirma que os estudos analisaram aspectos como desempenho, dirigibilidade, consumo, emissões de poluentes e partida a frio.
De acordo com o CNPE, os resultados mostraram comportamento semelhante ao observado com misturas menores de etanol, inclusive em veículos equipados apenas com motores a gasolina.
A avaliação oficial é de que não foram identificados impactos relevantes no funcionamento da frota durante os testes.
Especialistas alertam para veículos antigos, mas toda transição energética têm perdas para no futuro haver ganhos

Apesar da posição apresentada pelo governo, especialistas da área automotiva defendem cautela.
Engenheiros explicam que o aumento da quantidade de etanol pode acelerar o desgaste de componentes em veículos mais antigos ou que não receberam calibração específica para trabalhar com essa concentração do biocombustível.
Entre os principais pontos de atenção está a compatibilidade dos materiais utilizados no sistema de alimentação dos motores.
Segundo Rogério Gonçalves, diretor de combustíveis da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA), componentes metálicos e de vedação podem sofrer processos de corrosão e desgaste ao longo do tempo.
Entre as peças potencialmente afetadas estão:
- tanque de combustível;
- bomba de combustível;
- boia do tanque;
- linhas metálicas e plásticas;
- bicos injetores;
- pistões;
- câmara de combustão;
- sistemas de vedação.
O especialista explica que o etanol anidro, embora passe por processo de desidratação, mantém capacidade de absorver umidade do ambiente.
Quando essa água chega ao sistema de alimentação, aumenta a possibilidade de corrosão eletroquímica em componentes metálicos que não foram desenvolvidos para trabalhar nessas condições.
Segundo Gonçalves, as consequências podem incluir falhas no funcionamento do sistema de injeção, aumento do consumo de combustível, elevação das emissões e, em situações mais graves, danos à bomba de combustível e aos bicos injetores.
Ele ressalta, porém, que a intensidade desses efeitos varia conforme o projeto de cada motor.
Consumo também pode aumentar
Outro ponto destacado pelos especialistas é o possível aumento no consumo.
O etanol possui poder calorífico inferior ao da gasolina.
Enquanto um quilograma de gasolina pura fornece aproximadamente 10.400 quilocalorias, um quilograma de etanol hidratado entrega cerca de 6.300 quilocalorias.
Na prática, isso significa que uma quantidade maior de combustível precisa ser utilizada para gerar a mesma energia.
Segundo os engenheiros, tanto veículos flex quanto automóveis movidos exclusivamente a gasolina podem apresentar aumento de consumo.
Ainda assim, eles ressaltam que a diferença pode ser pequena para muitos motoristas, já que diversos fatores influenciam o rendimento diário dos veículos, como temperatura ambiente, trânsito, estilo de condução e manutenção preventiva.
Os testes oficiais de consumo são realizados em laboratório, utilizando dinamômetros e ciclos padronizados, o que nem sempre representa exatamente as condições encontradas nas ruas.
Anfavea pede mais testes
A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) afirmou ser favorável ao fortalecimento dos biocombustíveis e reconheceu a importância do etanol para a redução das emissões de gases de efeito estufa.
No entanto, a entidade defende que qualquer alteração na mistura obrigatória seja precedida por um cronograma amplo de ensaios técnicos.
Segundo o presidente da Anfavea, Igor Calvet, o principal objetivo é garantir segurança ao consumidor e assegurar que motores, sensores e componentes suportem a nova concentração de etanol prevista nas normas técnicas.
A posição foi construída em conjunto com o Sindipeças, entidade que representa os fabricantes de autopeças.
Para o setor automotivo, a ampliação dos testes oferece maior segurança tanto para as montadoras quanto para os consumidores.
Setor sucroenergético defende aumento
Já a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) afirma que a mudança foi construída dentro do programa Combustível do Futuro, com participação de representantes do governo, centros de pesquisa e setores da indústria automotiva e energética.
Segundo a entidade, estudos conduzidos pelo Instituto Mauá de Tecnologia analisaram desempenho, consumo, dirigibilidade, funcionamento geral e partida a frio em veículos leves e motocicletas movidos exclusivamente a gasolina.
De acordo com a Unica, os resultados demonstraram que a utilização do E32 é tecnicamente viável e não apresentou aumento de desgaste nem prejuízos ao funcionamento dos veículos analisados.
A associação também afirma que o setor possui capacidade para atender à demanda adicional provocada pela nova mistura.
A estimativa é de que sejam necessários aproximadamente 1 bilhão de litros extras de etanol anidro por ano. Em contrapartida, a produção nacional poderá crescer cerca de 4 bilhões de litros, impulsionada tanto pela expansão das usinas de cana-de-açúcar quanto pelo avanço da produção de etanol de milho.
Além disso, a entidade calcula que a nova composição poderá reduzir a importação anual de aproximadamente 800 milhões de litros de gasolina, fortalecendo a participação de combustíveis renováveis produzidos no Brasil.
Governo aposta em segurança energética
Ao ampliar a participação do etanol na gasolina, o governo busca reduzir a exposição do país às oscilações do mercado internacional de petróleo e ampliar o uso de fontes renováveis de energia.
Enquanto o CNPE sustenta que os testes realizados demonstram segurança para a adoção do E32, representantes da indústria automotiva defendem monitoramento permanente da medida e novos estudos para acompanhar seus efeitos sobre diferentes modelos de veículos.
Na prática, os impactos deverão variar conforme a idade do automóvel, a tecnologia embarcada e o nível de adaptação do motor ao maior teor de etanol. Para consumidores, fabricantes e oficinas especializadas, os próximos meses servirão para avaliar como a mudança se comportará no uso cotidiano da frota brasileira.
Sociedade se mobiliza contra flexibilização de horários em Congonhas
Os impactos da flexibilização do horário de funcionamento do Aeroporto de Congonhas, que vão muito além do barulho causado pelas operações aéreas de pousos e decolagens para a vizinhança do entorno, serão discutidos na Assembleia Legislativa de São Paulo, no próximo dia 16 de julho, às 17h. A iniciativa é de oito instituições de moradores da região e dos deputados Marcolino e Jilmar Tatto. Saiba mais na TVT News.
Atualmente o Aeroporto de Congonhas funciona das 6h às 23h. A justificativa de parte das companhias aéreas para a ampliação das operações vem acompanhada de argumentos de que a medida pode solucionar o problema de atrasos e filas para os passageiros. O movimento diário no local é de cerca de 75 mil passageiros por dia, com média de 500 voos diários.
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Estarão entre os participantes da audiência pública, integrantes da Associação dos Moradores do Entorno do Aeroporto de Congonhas (Amea), Sociedade dos Amigos do Planalto Paulista, Associação dos Moradores de Vila Nova Conceição, Associação dos Moradores Amigos Jardim Lusitânia (Sojal), Associação Viva Moema, Amigos Novo Mundo Associados (Anma), Associação Viva Paraíso e Associação de Moradores da Vila Mariana, que serão diretamente impactados pela flexibilização.
“A promoção desse debate foi uma iniciativa dos moradores da região, que relatam já as dificuldades que enfrentam no dia a dia com o barulho constante causado pelo aeroporto de Congonhas. Há uma grande preocupação em relação ao aumento dos voos, além do trânsito e da perda de qualidade de vida que qualquer mudança no que já está consolidado, poderá causar. A flexibilização precisa ser amplamente debatida com as pessoas que serão diretamente afetadas por qualquer mudança e todas as dúvidas esclarecidas”, afirmou o deputado Marcolino.
A audiência pública é aberta a todos os interessados e está confirmada participação de representante da Agência Nacional da Aviação Civil (Anac) e outros órgãos e instituições de fiscalização e gestão dos aeroportos no evento.
Campanha Nacional denuncia fechamento de quase 100 mil postos de trabalho e cobra suspensão das demissões
Artigo da Presidenta do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região, Neiva Ribeiro, sobre as reivindicações apresentadas pelo Comando Nacional dos Bancários durante a segunda rodada de negociações da Campanha Nacional 2026, especial para a TVT News.
Campanha Nacional dos bancários exige suspensão das demissões e do fechamento de agências
O fechamento de quase 100 mil postos de trabalho e de cerca de 10 mil agências bancárias em apenas 11 anos esteve no centro das reivindicações apresentadas pelo Comando Nacional dos Bancários durante a segunda rodada de negociações da Campanha Nacional 2026.
Por Neiva Ribeiro
Presidenta do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região
Diante desse cenário, os representantes dos trabalhadores voltaram a exigir da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) a suspensão das demissões e do fechamento de agências durante todo o processo de negociação, alertando que essa política compromete o emprego, precariza as condições de trabalho, reduz o acesso da população aos serviços bancários e aprofunda a exclusão financeira, especialmente nas regiões mais vulneráveis.
Os dados apresentados pelo movimento sindical revelam que, entre 2015 e maio de 2026, os bancos eliminaram 93,3 mil empregos e reduziram em 42% a rede de atendimento presencial, com o fechamento de cerca de 9,5 mil agências em todo o país. Na prática, isso representa aproximadamente 30 agências encerradas por semana ao longo do período.
Para o Comando Nacional, os números demonstram que o setor financeiro segue na contramão do restante da economia brasileira. Enquanto o país registrou a criação de mais de 5 milhões de empregos formais desde 2023 e alcançou níveis históricos de ocupação, os bancos mantêm uma política permanente de redução de pessoal, mesmo acumulando resultados recordes.

A situação é ainda mais preocupante quando se observa o comportamento dos maiores bancos do país. Somente no último ano, Santander, Itaú, Bradesco e Banco do Brasil extinguiram, juntos, mais de 15 mil postos de trabalho. O movimento sindical considera que esse processo caracteriza demissões em massa, com impactos diretos sobre os trabalhadores, a qualidade do atendimento e o acesso da população aos serviços bancários.
Ao mesmo tempo em que reduzem empregos e fecham agências, os bancos continuam ampliando seus lucros. Apenas em 2025, os cinco maiores bancos do país registraram lucro líquido de R$ 124 bilhões, reforçando a avaliação do Comando Nacional de que os ganhos de produtividade obtidos com a digitalização e o avanço tecnológico não estão sendo compartilhados com os trabalhadores nem revertidos em melhores serviços para a sociedade.
Outro dado apresentado na mesa de negociação mostra que o trabalho bancário não desapareceu, mas vem sendo transferido para outras formas de atendimento. Entre 2015 e 2025, o número de contratos com correspondentes bancários cresceu 49%, indicando que parte das atividades antes realizadas nas agências passou a ser executada por trabalhadores sem os mesmos direitos garantidos pela categoria bancária. Paralelamente, cooperativas de crédito ampliam sua presença em regiões onde os bancos tradicionais encerraram suas operações.

O impacto das demissões também atinge de forma desproporcional as mulheres. Entre 2020 e maio de 2026, elas representaram 79% dos postos de trabalho eliminados, totalizando 25,5 mil vagas encerradas. Como consequência, a participação feminina na categoria caiu de 49% para menos de 47% entre 2024 e 2025, comprometendo os avanços conquistados nas políticas de igualdade de oportunidades.
Diante desse cenário, o Comando Nacional reivindicou a suspensão das demissões e do fechamento de agências durante as negociações, o fim das terceirizações das atividades bancárias, o retorno das homologações nos sindicatos, indenização adicional em caso de demissão, a criação de um banco de talentos para bancários, estabilidade para mulheres vítimas de violência doméstica e o fortalecimento das políticas de qualificação e requalificação profissional na área de tecnologia da informação.
A Fenaban rejeitou os pedidos de suspensão das demissões, de interrupção do fechamento de agências, da estabilidade durante o processo negocial, da proteção às mulheres vítimas de violência doméstica e da indenização adicional nas dispensas.
Por outro lado, informou que irá analisar as propostas de retomada das homologações nos sindicatos, de ampliação das ações de qualificação em tecnologia e da criação de um banco de talentos para trabalhadores do setor.
Reivindicações da Campanha Nacional permanecem
Mesmo diante da negativa dos bancos, nossas reivindicações permanecem. Continuaremos acompanhando de perto os casos de demissões e fechamento de agências em todo o país, denunciando os impactos dessa política sobre os trabalhadores e a população.
Também reforçamos a importância da mobilização da categoria nas próximas plenárias, reuniões e demais atividades da Campanha Nacional. A participação de cada bancário e bancária é fundamental para fortalecer a luta em defesa do emprego, da rede de atendimento e dos direitos da categoria.
As negociações da Campanha Nacional dos Bancários 2026 terão continuidade nos próximos dias. As próximas mesas estão agendadas para 16 de julho, quando serão debatidos os temas igualdade de oportunidades, endividamento e monitoramento; 21 de julho, com foco em saúde e condições de trabalho; e 30 de julho, quando entram em pauta a remuneração e as cláusulas econômicas da categoria.
Sobre a autora

Neiva Ribeiro é a atual presidenta do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região. É formada em Letras pela Universidade Guarulhos, pós-graduada em Gestão Pública pela Fesp-SP, e em Gestão Universitária pela Unisal. É funcionária do Bradesco desde 1989. Ingressou na direção do Sindicato em 2000.
Foi diretora-geral da Faculdade 28 de Agosto de Ensino e Pesquisa, secretária de Formação e secretária-geral da entidade.
SUS oferta insulina glargina para crianças, adolescentes e idosos
O Ministério da Saúde está substituindo gradualmente a insulina NPH pela glargina no Sistema Único de Saúde (SUS). A medida beneficiará pacientes de 2 a 18 anos incompletos com diabetes tipo 1 e pessoas com 70 anos ou mais diagnosticadas com diabetes tipo 1 ou tipo 2.
Saiba mais na TVT News.
Até essa segunda-feira (13), o Ministério da Saúde já havia encaminhado mais de 254 mil tubetes de insulina glargina a 16 estados. Também foram distribuídas 52.350 canetas reutilizáveis para a aplicação do medicamento. Todas as unidades da Federação devem receber o medicamento até o fim de julho.
O acesso ao medicamento ocorrerá mediante avaliação clínica e prescrição médica, com oferta nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) de todo o país.
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Considerada opção terapêutica mais moderna, a insulina glargina tem ação prolongada e, na maioria dos casos, requer apenas uma aplicação diária.
Outros esquemas de tratamento podem exigir até três aplicações no mesmo período.
Segundo o ministério, o uso da insulina glargina proporiona controle mais estável da glicemia e reduz o risco de episódios de hipoglicemia.
A expectativa é que a mudança proporcione mais segurança e qualidade de vida aos pacientes atendidos pelo SUS.
Acesso
Para acessar a insulina glargina, o paciente deve procurar a UBS mais próxima de sua residência com a receita médica devidamente emitida e carimbada.
No caso de crianças e adolescentes, pais, responsáveis ou cuidadores também podem pedir a substituição da insulina NPH pela nova opção terapêutica.
Os usuários serão atendidos por uma equipe multiprofissional, responsável por avaliar o quadro clínico e verificar a possibilidade de transição do tratamento.
Junto com a insulina glargina, será disponibilizada uma caneta reutilizável para aplicação, com validade de três anos, além das agulhas necessárias para a administração do produto.
Via Agência Brasil

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