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Da Redação
Datafolha divulga nova pesquisa presidencial na sexta-feira (21)
O Instituto Datafolha divulga na próxima sexta-feira (21) a primeira pesquisa de intenção de voto para a Presidência da República após o início oficial da campanha eleitoral.
Encomendada pela Globo e pelo jornal Folha de S.Paulo, a pesquisa Datafolha vai entrevistar 2.058 eleitores com 16 anos ou mais em todo o país entre os dias 18 e 20 de agosto.
A pesquisa Datafolha chega em um momento importante da campanha eleitoral: pela primeira vez, o instituto testa o cenário com Pablo Marçal (PRTB) entre os 13 candidatos registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O ex-coach, que enfrenta condenações na Justiça Eleitoral e está inelegível até 2032, conseguiu registrar a candidatura no limite do prazo, mas ainda aguarda análise do TSE sobre o pedido.
O questionário inclui uma pergunta espontânea — na qual o eleitor diz o nome do candidato sem ajuda — e uma estimulada, com a lista completa de nomes. No cartão estimulado, Marçal aparece ao lado de Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão), Augusto Cury (Avante) e outros sete candidatos.
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Além da intenção de voto para o primeiro turno, o Datafolha vai simular quatro cenários de segundo turno: Lula contra Flávio Bolsonaro, Lula contra Caiado, Lula contra Zema e Lula contra Renan Santos. A pesquisa também medirá a rejeição de cada candidato, o nível de aprovação e desaprovação do governo Lula, além do interesse dos eleitores pela política.
A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O número de registro no TSE é BR-04496/2026. A última pesquisa Datafolha, divulgada em 24 de julho, apontava Lula com 40% das intenções de voto no primeiro turno, Flávio Bolsonaro com 32% e Ronaldo Caiado com 4%.
Perguntas do questionário: espontânea, estimulada e rejeição
O questionário do Datafolha começa com uma pergunta espontânea, na qual o eleitor deve dizer em quem pretende votar para presidente em outubro, sem receber qualquer lista de nomes. Em seguida, o entrevistado é apresentado a um cartão com a lista de candidatos e questionado sobre sua intenção de voto de forma estimulada.
O instituto vai trabalhar com duas versões do cartão na pergunta estimulada: no cartão 1A, Pablo Marçal aparece entre os candidatos; no cartão 1B, ele não é apresentado. A lista completa do cenário estimulado inclui Clariana Barão, Edmilson Costa, Escritor Augusto Cury, Flávio Bolsonaro, Hertz Dias, Lula, Pablo Marçal, Renan Santos, Ronaldo Caiado, Rui Costa Pimenta, Samara, Veterinário Wilson Grassi e Zema.

Além da intenção de voto, a pesquisa pergunta se o eleitor já tem seu voto totalmente definido ou se ainda pode mudar de escolha. Outra questão busca identificar se a preferência decorre da escolha pelo melhor candidato ou da tentativa de evitar a vitória de outro nome.
O Datafolha também mede a rejeição dos candidatos ao perguntar em quem o entrevistado “não votaria de jeito nenhum”, além de aferir a aprovação do governo Lula e o interesse dos brasileiros por política. O questionário ainda oferece as opções de voto em branco, nulo ou nenhum, e “não sabe”.
Dia 21 é divulgada a primeira pesquisa Datafolha após o início oficial da campanha eleitoral
Esta é a primeira pesquisa do Datafolha com intenções de voto para a Presidência divulgada após o início oficial das campanhas. O levantamento chega em um momento de movimentação intensa na corrida eleitoral, depois dos comícios de campanha em São Bernardo do Campo (SP) e na orla de Copacabana, no Rio de Janeiro, além da escolha de Alfredo Gaspar como vice na chapa de Flávio Bolsonaro.
Com 2.058 entrevistas presenciais em todo o país entre os dias 18 e 20 de agosto, o levantamento deve captar os primeiros efeitos da campanha oficial sobre as intenções de voto, em um momento em que a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro se mostra mais apertada do que em 2022.
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Livro investiga o protagonismo feminino na extrema direita brasileira
Em um ano marcado pela disputa eleitoral e pelas discussões sobre os rumos da política brasileira, olhar para a atuação das mulheres na extrema direita também ajuda a entender as mudanças na política nacional. É nesse cenário que será lançado, em setembro, o livro Mulheres e extrema direita no Brasil, das pesquisadoras Christina Vital da Cunha e Jacqueline Moraes Teixeira, publicado em parceria com a Fundação Heinrich Böll. Saiba mais na TVT News.
A obra, que já está disponível para pré-venda no site da editora Elefante, analisa a participação das mulheres na construção de redes políticas, na circulação de valores conservadores e na disputa por espaços de poder. Em vez de tratá-las como coadjuvantes de lideranças masculinas, as autoras investigam suas trajetórias e formas próprias de atuação política. São mulheres que constroem alianças, organizam redes, mobilizam comunidades e atribuem novos sentidos à participação feminina na esfera pública.
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O resultado é um livro que ajuda a compreender uma característica central do conservadorismo, mostrando a relação entre protagonismo político feminino e defesa de valores tradicionais relacionados à família, aos papéis de gênero e às relações sociais. As autoras mostram também como esses valores podem se transformar em instrumentos de mobilização política e contribuir para a construção de redes e alianças. Nesse contexto, o feminismo aparece como antagonista, revelando uma tensão central: as mulheres ampliam seu protagonismo político enquanto defendem projetos que podem reforçar papéis tradicionais de gênero.
O lançamento acontece às vésperas das eleições de 2026, em um momento em que temas como conservadorismo, religião, direitos das mulheres e participação política ganham novamente espaço no debate público.
A obra oferece uma chave de leitura para um fenômeno que ganhou força nos últimos anos: a transformação de mulheres em agentes importantes da organização e da comunicação da extrema direita brasileira.
“A atuação das mulheres na extrema direita ultrapassa a política institucional e alcança comunidades, igrejas, redes sociais e relações familiares. Compreender esse protagonismo exige reconhecer a diversidade das trajetórias femininas e observar que a presença de mulheres nos espaços de poder não significa, por si só, avanço na igualdade de gênero. É fundamental analisar quais direitos, relações sociais e projetos de sociedade são fortalecidos por essa participação”, afirma Marilene de Paula, coordenadora de programas da Fundação Heinrich Böll, e autora do prefácio.
Mais do que contar as trajetórias de mulheres ligadas a esse campo político, o livro procura entender os valores e as formas de atuação que estão por trás desse envolvimento, contribuindo para a reflexão, principalmente sobre política e gênero. A publicação integra uma agenda de produção de conhecimento que a Fundação Heinrich Böll vem desenvolvendo sobre democracia, direitos humanos, gênero e avanço de movimentos autoritários.
Sobre as autoras:
Christina Vital da Cunha é bolsista de produtividade do CNPq, professora do Departamento de Sociologia e do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal Fluminense (UFF), onde coordena o Laboratório de Estudos Sócio-Antropológicos em Política, Arte e Religião (Lepar). É membro fundador e integrante do Comitê Laicidade e Democracia na Associação Brasileira de Antropologia. É autora de Oração de traficante: uma etnografia e co-autora de livros como Religião e política: medos sociais, extremismo religioso e as eleições 2014 (2017), Religião e política: uma análise da participação de parlamentares evangélicos sobre o direito de mulheres e de LGBTS no Brasil (2012), além de organizar coletâneas e produzir artigos dedicados às relações entre religião, política, direitos, eleições e extrema direita. É editora do periódico científico Religião & Sociedade desde 2017.
Jacqueline Moraes Teixeira Jacqueline Moraes Teixeira é bolsista de produtividade do CNPQ, professora do Departamento de Saúde e Sociedade e do Programa de Pós Graduação em Saúde Pública na Faculdade de Saúde Pública da USP. Também é professora no Programa de Pós Graduação em Sociologia (PPGSOL) da UnB. É coordenadora do CRESPO (Cultura, Religião, Sujeitos e Políticas) e pesquisadora do Cebrap. Integra a diretoria da Associação Brasileira de Antropologia (ABA) e o Comitê de Políticas Públicas da Anpocs. Compõe a câmara de pesquisadores principais do MECILA (Maria Sibylla Merian Centre Conviviality-Inequality In Latin America). Atualmente é assessora da Pró Reitoria de Inclusão e Pertencimento da USP. É autora do livro “A mulher universal: corpo, gênero e pedagogia da prosperidade” (2016 primeira edição; e 2021 segunda edição) e do livro A conduta Universal: governo de si e políticas de gênero na Igreja Universal (ed appris – no prelo). Participa do Comitê científico da Revista Cadernos Pagu, da Coletânea Antropologia Hoje (Editora Hucitec).
Marilene de Paula, autora do Prefácio do livro, é historiadora formada pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), mestre em Bens Culturais e Projetos Sociais pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e coordenadora de Programa da Fundação Heinrich Böll. É organizadora das publicações: “Democracia sob pressão: reflexões sobre a extrema direita com as chaves do passado, presente e futuro” (2025) e “Religião, democracia e a extrema direita” (2024). Atua em temas como democracia, participação social, segurança pública, racismo estrutural, direitos das mulheres e enfrentamento ao avanço de agendas antidemocráticas. Ao longo de sua trajetória, participou da organização de campanhas e debates contra a brutalidade policial e em defesa dos direitos humanos, além de organizar e editar publicações sobre religião, democracia e extrema direita.
SERVIÇO:
Mulheres e extrema direita no Brasil
Autoras: Christina Vital da Cunha e Jacqueline Moraes Teixeira
Parceria: Fundação Heinrich Böll
Editora Elefante
Pré-venda: https://editoraelefante.com.br/o-que-e-e-como-funciona-a-pre-venda-da-elefante/
Sobre a Fundação Heinrich Böll
A Fundação Heinrich Böll é uma organização política alemã, presente em mais de 35 países e conectada ao Partido Verde da Alemanha, atuando no Brasil há mais de 25 anos no fortalecimento da democracia, dos direitos humanos, da justiça social e da democracia de gênero. De forma independente e em parceria com organizações da sociedade civil, movimentos sociais, pesquisadoras e pesquisadores, a fundação promove debates, apoia a produção de conhecimento e contribui para ampliar a participação social e a defesa de direitos. A promoção dos direitos das mulheres e o enfrentamento das desigualdades de gênero ocupam um lugar central e permanente nessa atuação.
Morre Glória Menezes
A atriz Glória Menezes faleceu nesta terça-feira (18), aos 91 anos, em São Paulo. A assessoria da artista confirmou a informação, sem divulgar a causa da morte. Conheça a história da atriz com a TVT News.
Com trajetória de mais de seis décadas no teatro, no cinema e na televisão, a gaúcha de Pelotas construiu uma das carreiras mais expressivas da dramaturgia brasileira.
Na Globo, esteve em mais de 40 telenovelas, com personagens que atravessaram gerações. Seu nome de registro era Nilcedes Soares de Magalhães; o artístico, segundo ela, unia a universalidade de “Glória” à sonoridade de “Menezes”, que também totalizava treze letras — número que a atriz considerava de sorte. Ao longo da vida, dividiu as telas e os palcos com Tarcísio Meira, com quem foi casada por décadas.

Conheça a carreira de Glória Menezes
Nascida em Pelotas (RS) em 1934, Glória Menezes – com nome de registro era Nilcedes Soares de Magalhães – iniciou a trajetória artística no teatro amador ainda nos anos 1950, após formar-se na Escola de Artes Dramáticas da USP.
Em 1959, fez sua primeira novela, “Um Lugar ao Sol”, e no mesmo ano conheceu Tarcísio Meira nos bastidores da peça “Feiticeiras de Salém” – com quem viveu uma das uniões mais conhecidas da TV brasileira por quase seis décadas.
No cinema, estrelou “O Pagador de Promessas” (1962), vencedor da Palma de Ouro em Cannes. Na televisão, estreou na Globo em 1967 com “Sangue e Areia” e, ao longo de mais de 60 anos de carreira, participou de mais de 40 novelas da emissora, além de trabalhos no teatro e no cinema. Seu último trabalho na TV foi em 2015.

Principais destaques e novelas de Glória Menezes
Glória Menezes atravessou diferentes fases da teledramaturgia brasileira com personagens marcantes. Entre seus papéis de maior repercussão estão:
- “Irmãos Coragem” (1970) – interpretou uma mulher com três personalidades: a recatada Lara, a extravagante Diana e a equilibrada Márcia;
- “Pai Herói” (1979) – viveu a marcante Ana Preta;
- “Guerra dos Sexos” (1983) – contracenou com Tarcísio Meira, com final ousado ao lado de Mário Gomes;
- “Rainha da Sucata” (1990) – deu vida à socialite falida Laurinha Figueroa;
- “Torre de Babel” (1998) – interpretou a dona de casa desesperada Marta Toledo;
- “O Beijo do Vampiro” (2002) – viveu a feiticeira Zoroastra;
- “Senhora do Destino” (2004) – foi a Baronesa de Bonsucesso, que sofria do Mal de Alzheimer.
Além disso, protagonizou com Tarcísio o seriado “Tarcísio & Glória” (1988) e atuou em novelas como “Brega & Chique” (1987), “Deus nos Acuda” (1992), “A Próxima Vítima” (1995), “Páginas da Vida” (2006) e “A Favorita” (2008). No teatro, destacou-se em “Navalha na Carne” (1981) e “Um Dia Muito Especial” (1988).
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Registro de Pablo Marçal à Presidência será analisado pelo TSE
O registro de candidatura de Pablo Marçal à Presidência da República deverá ser analisado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nas próximas semanas. Mesmo estando inelegível por decisão da Justiça Eleitoral de São Paulo, o empresário foi oficializado pelo PRTB para disputar o Palácio do Planalto. Saiba mais na TVT News.
As informações são da coluna de Malu Gaspar no jornal O Globo. Segundo Malu, ministros do TSE defendem uma análise rápida do caso para garantir segurança jurídica aos eleitores antes do avanço da campanha.
Marçal foi condenado pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) à inelegibilidade por oito anos por uso indevido dos meios de comunicação durante a campanha à Prefeitura de São Paulo, em 2024. Em 5 de agosto, a Corte paulista rejeitou por unanimidade um recurso apresentado pela defesa e manteve a punição.
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Por que Marçal está inelegível
A condenação de Pablo Marçal está relacionada à estratégia adotada durante a campanha de 2024, quando Marçal promoveu os chamados “campeonatos de cortes” e ofereceu incentivos financeiros para apoiadores que produzissem e divulgassem seus conteúdos nas redes sociais.
O TRE-SP considerou que a prática configurou uso indevido dos meios de comunicação. A decisão também manteve uma multa de R$ 420 mil.
Mesmo com a condenação, Marçal apresentou o registro de candidatura dentro do prazo estabelecido pela Justiça Eleitoral. O pedido, porém, não significa que ele esteja definitivamente apto a disputar a eleição. Cabe ao TSE decidir se a candidatura poderá permanecer.
Outro obstáculo envolve sua filiação partidária. Marçal havia deixado o PRTB e se filiado ao União Brasil em março. Para voltar ao antigo partido, conseguiu uma decisão liminar da Justiça Eleitoral de Santana de Parnaíba autorizando sua filiação ao PRTB, o que permitiu que a legenda apresentasse seu nome para a disputa presidencial.
Estratégia lembra candidatura de Lula em 2018
A estratégia adotada pelo PRTB remete ao caminho seguido pelo PT em 2018, quando Luiz Inácio Lula da Silva teve sua candidatura registrada mesmo estando inelegível.
Naquele ano, o partido apresentou o pedido no último dia do prazo. O Ministério Público Eleitoral contestou a candidatura, e o TSE julgou o processo antes do início da propaganda eleitoral no rádio e na televisão.
Em 31 de agosto de 2018, a Corte indeferiu o registro de Lula por 6 votos a 1. O petista acabou substituído por Fernando Haddad na disputa.
Embora os dois casos envolvam candidatos considerados inelegíveis, as situações jurídicas são diferentes. Lula estava impedido de concorrer em razão de uma condenação criminal, enquanto Marçal enfrenta uma condenação da Justiça Eleitoral relacionada à eleição municipal de 2024.
TSE pode acelerar julgamento
O processo de Marçal será relatado pela ministra Estela Aranha. De acordo com Malu Gaspar, a expectativa é que os julgamentos dos registros presidenciais recebam prioridade no tribunal, já que a campanha eleitoral já está em andamento e a demora em decidir pode aumentar o impacto sobre eleitores, partidos e demais candidatos.
A eventual rejeição do registro pelo TSE ainda poderá ser questionada judicialmente. Marçal poderá buscar outras instâncias, inclusive o Supremo Tribunal Federal (STF), caso existam fundamentos jurídicos para isso.
A candidatura também é vista por integrantes da Justiça Eleitoral como uma possível estratégia política para prolongar a presença do empresário na corrida presidencial, mesmo diante da inelegibilidade já determinada pelo TRE-SP.
Endividados para sobreviver, argentinos se afundam na inadimplência
Por Sonia Avalos, da Agence France-Presse (AFP)
Pressionada por uma dívida que contraiu há um ano e que não consegue pagar, Andrea sente angústia e vergonha. Ela não é a única: a inadimplência das famílias na Argentina triplicou em doze meses e atingiu o seu nível mais alto em 20 anos durante o governo de Javier Milei.
O principal problema é o estancamento da renda e a disparada do custo de vida, sobretudo devido às tarifas sobre serviços muito acima da inflação desde que o presidente ultraliberal chegou ao poder em dezembro de 2023.
Cerca de 5,8 milhões de argentinos são considerados inadimplentes, ou seja, com mais de 90 dias de atraso no pagamento de suas dívidas, segundo o Banco Central. Metade deles consta na lista de dívidas incobráveis.
Andrea trabalhava em uma fábrica de papel que fechou e, sem sucesso, tentou se reinventar vendendo comida caseira, contou à AFP essa mulher de 32 anos que tem uma filha.
A compra de um forno para alavancar o negócio destruiu suas finanças: “Atrasei os pagamentos e, em poucos meses, a dívida se tornou impagável”. De um milhão de pesos (R$ 3.495) foi para cinco (R$ 17.475), e hoje ela mal consegue pagar a mensalidade da escola da filha.
A inadimplência bancária das famílias passou de 4,5% para 12,8% entre maio do ano passado e o mesmo mês em 2026, com apenas uma leve desaceleração em junho, para 12,7%.
No total, cerca de 21 milhões de argentinos, de uma população de 46 milhões, têm algum tipo de dívida.
Segundo Milei, o problema é “um acordo entre privados”. O presidente afirma que ninguém obriga as pessoas a se endividarem.
“Colocaram uma arma na cabeça deles para fazer isso?”, questionou em uma entrevista.
Os maiores atrasos são em empréstimos pessoais e cartões de crédito, que concentram mais de 70% dos inadimplentes, níveis inéditos “desde a crise de 2001”, a pior colapso econômico da Argentina, assinalou um relatório do Centro de Economia Política.
Taxas de 1.000% ao ano na Argentina
O presidente do Banco da Província de Buenos Aires, Juan Cuattromo, disse à AFP que “o crescimento da inadimplência não é consequência de decisões individuais, é o resultado de um contexto macroeconômico que deteriorou a renda, o emprego e a atividade econômica”.
“É desesperador, acordo e vou dormir pensando em como vou pagar”, diz Claudia Debaste, empregada de 40 anos cujo poder de compra desmoronou no mesmo ritmo em que cresceram suas dívidas.
“Comecei usando o cartão para gastos comuns, pagar contas de serviços, transporte, supermercado, farmácia”, explica à AFP esta mãe solo, que entrou em inadimplência há quatro meses e busca um refinanciamento.
A curva de inadimplência das famílias aumentou quase cinco vezes desde novembro de 2024, um período em que o acesso ao crédito era fácil e sustentou certo nível de consumo, apesar das taxas que chegaram perto de 1.000% ao ano em carteiras digitais não bancárias.
Na semana passada, o dirigente de esquerda Gabriel Solano denunciou criminalmente o diretor-presidente do Mercado Livre, Marcos Galperín, por usura por meio dos empréstimos de sua carteira digital Mercado Pago, a mais usada na Argentina.

“Escravidão financeira” dos argentinos
Também há adolescentes endividados. “Nada de esperar para ser adultos”, propõe o slogan de uma carteira virtual que oferece, a partir dos 13 anos, “empréstimos rápidos e totalmente online, com poucos requisitos, para contar com dinheiro em espécie na hora”.
Os mais prejudicados são os jovens de até 30 anos. Segundo estatísticas do Banco Provincia, quase quatro em cada 10 jovens entre 18 e 21 anos não conseguem pagar seus créditos e, desse grupo, nove em cada 10 se endividaram antes de obter seu primeiro emprego formal.

A feira livre no bairro onde Diego Maradona nasceu continua crescendo: cada vez mais moradores vendem o que têm — ou o que encontram na rua — para sobreviver, em meio ao agravamento da crise econômica na Argentina, às vésperas das eleições. Foto: LUIS ROBAYO / AFP
Também há créditos informais para trabalhadores informais, cujas taxas começam em 260% ao ano, quadruplicando as taxas bancárias.
“As próprias plataformas de entrega nos oferecem empréstimos com taxas abusivas”, disse à AFP Leandro Hidalgo, entregador e representante sindical do setor.
As cobranças são descontadas dos pagamentos semanais. E se não se paga? “Eles bloqueiam a conta, como se fosse uma demissão”, disse.
“É uma ‘escravidão financeira’, porque nos endividamos para sobreviver com o mesmo salário”, afirmou.
Duas destas plataformas, Pedidos Ya e Gurpi, procuradas pela AFP, não responderam.
Bancos estatais e privados lançaram linhas de resgate com taxas reduzidas atreladas à inflação, embora com requisitos difíceis de cumprir.
Reportagem de Sonia Avalos, da AFP
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Memphis fica no Corinthians após reviravolta nas negociações
A novela envolvendo Memphis Depay e o Corinthians chegou ao fim com a permanência do atacante holandês no clube. Depois de o Timão comunicar que não pretendia renovar o contrato, as negociações foram retomadas e terminaram em um novo acordo, que prevê vínculo até meados de 2028. Leia em TVT News.
Segundo informações divulgadas pela ESPN, o compromisso pode representar um custo total de R$ 135,5 milhões para o Corinthians, considerando a renegociação de valores pendentes do contrato anterior, os novos contratos de trabalho e de imagem e acordos comerciais.
A reviravolta ocorreu após semanas de impasse. O clube havia sinalizado que a situação financeira seria um obstáculo para a continuidade do atacante. A dívida relacionada ao contrato anterior estava entre os principais pontos da negociação. Para permanecer no Parque São Jorge, Memphis aceitou reduzir em R$ 21 milhões o valor que o Corinthians ainda precisava pagar.
Com a renegociação, a dívida bruta de R$ 77,9 milhões caiu para R$ 56,9 milhões. Desse montante, o jogador deverá receber aproximadamente R$ 42 milhões líquidos, distribuídos em quatro parcelas semestrais, previstas para janeiro e agosto de 2027 e janeiro e agosto de 2028.
>> 1º de maio teve Belo, MC Hariel com Memphis Depay, Pixote e muito mais, veja detalhes
O novo contrato também muda a estrutura de bonificações. Memphis não terá mais pagamentos relacionados a metas individuais, como ocorria no vínculo anterior. Em compensação, poderá receber valores vinculados ao desempenho coletivo do Corinthians, incluindo conquistas de títulos e classificações.
A renovação do vínculo envolve ainda dois contratos, um de trabalho e outro de imagem. Juntos, eles representam mais R$ 78,6 milhões. O acordo também inclui contrapartidas comerciais, entre elas a utilização de dois camarotes da Neo Química Arena e datas destinadas à realização de eventos particulares.
O propósito não se encerrou… ✍🏽#Purpose#ChosenByFavela#VaiCorinthians pic.twitter.com/8kwfuJOAiH
— Corinthians (@Corinthians) August 18, 2026
Pressão, protestos e a permanência de Memphis
A permanência do atacante ocorreu em meio a uma forte pressão de torcedores pela renovação.
Memphis demonstrou interesse em continuar no Corinthians, enquanto o clube passou por um período de indefinição sobre a possibilidade de manter um dos principais nomes do elenco.
O presidente Osmar Stabile afirmou que sofreu ameaças durante o processo. Segundo o dirigente, informações pessoais dele e de familiares foram divulgadas nas redes sociais. Ele também relatou invasões de contas bancárias e episódios em que pessoas teriam exibido facas e armas de fogo.
Antes da conclusão do acordo, houve ainda protestos em frente à residência de Stabile. O episódio ampliou a pressão sobre a direção corintiana em um momento de dificuldades financeiras e de forte cobrança por resultados dentro e fora de campo.
Na noite de segunda-feira (17), conselheiros do Corinthians deram aval para a renovação durante reunião no Parque São Jorge. Depois do encontro, Stabile confirmou que assinaria o novo vínculo.
Stabile manteve a defesa de que a opção por não renovar com Memphis se deu por conta da situação econômica do clube
O presidente voltou a justificar a resistência inicial pela situação econômica do clube. O Corinthians possui dívida superior a R$ 2,7 bilhões e enfrenta três transfer bans ativos, além de ser alvo de investigações do Ministério Público. Nesse cenário, a diretoria buscou reduzir o impacto financeiro do novo compromisso.
Apesar do custo elevado, a permanência de Memphis também representa uma aposta esportiva e comercial. O atacante é uma das principais referências técnicas do elenco e tem forte presença internacional, o que pode ser explorado pelo clube na busca por receitas e parceiros.
Expectativa é que Memphis esteja disponível para o jogo contra o Rosario Central na Argentina nesta quinta-feira (20)
Agora, a prioridade da diretoria é concluir a regularização do jogador no Boletim Informativo Diário (BID) da CBF. A intenção é deixar Memphis disponível para o técnico Fernando Diniz no confronto contra o Rosario Central, da Argentina, na quinta-feira (20), às 21h30, na Neo Química Arena, pelo jogo de volta das oitavas de final da Libertadores.
A permanência também encerra um período de incerteza para o atacante. Desde sua chegada ao Corinthians, Memphis construiu uma relação próxima com a torcida e manifestou publicamente a intenção de continuar no futebol brasileiro mesmo diante das dificuldades enfrentadas pelo clube.
Com o novo acordo, o holandês terá mais duas temporadas pela frente no Corinthians. A diretoria, por sua vez, terá o desafio de equilibrar o investimento no jogador com a necessidade de reorganizar as contas de uma instituição que atravessa uma grave crise financeira.

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