Agora
Da Redação
Atos pelo fim da escala 6×1 acontecem em todo o país nesta segunda
Com o retorno dos trabalhos no Congresso após o recesso parlamentar, centrais sindicais e movimentos populares promovem nesta segunda-feira (10) um novo Dia Nacional de Mobilização pelo fim da escala 6×1.
Os atos acontecem em diversas cidades brasileiras para pressionar senadores a votarem a redução da jornada de trabalho sem cortes salariais.
As atividades incluem panfletagens, diálogo com trabalhadores em terminais de ônibus, trens e metrôs, distribuição de materiais informativos e faixaços. O objetivo é ampliar o apoio popular às propostas que tramitam no Legislativo e cobrar agilidade na votação.
“Com o fim do recesso parlamentar, vamos intensificar a pressão sobre os senadores, dialogar com os trabalhadores nos locais de trabalho e nas redes sociais e cobrar que o Senado coloque em votação a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1”, afirmou Renato Zulato, secretário-geral da CUT.
Além dos atos presenciais, a campanha conta com a ferramenta digital “Na Pressão” (napressao.org.br), que permite enviar mensagens diretas aos senadores. A plataforma lista o posicionamento de cada parlamentar – contra, indeciso ou a favor – e facilita o contato por estado, partido ou nome.
Locais confirmados para os atos pelo fim da escala 6×1 desta segunda (10):
- Brasília (DF) – Setor Bancário Sul, Quadra 1, às 10h
- Curitiba (PR) – Esquina da Democracia (Rua XV de Novembro com Monsenhor Celso), às 17h
- Teresina (PI) – Em frente ao prédio da FIEPI (Av. Industrial Gil Martins), às 8h30
- Recife (PE) – Em frente à FIEPE (Av. Cruz Cabugá, 767 – Santo Amaro), às 15h
- Porto Alegre (RS) – Viaduto Júlio de Castilhos (em frente à Rodoviária), às 7h
- São Paulo (SP) – Largo da Concórdia e Estação Brás, às 6h
A mobilização pelo fim da escala 6×1 ganha força com o retorno das atividades legislativas. A expectativa é que a pressão popular resulte em avanços concretos na pauta que defende a redução da jornada de trabalho sem redução salarial.

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Saiba como pressionar senadores para votar o fim da escala 6×1
Depois da vitória na Câmara dos Deputados, a campanha “Brasil Quer Mais Tempo” intensifica a pressão sobre parlamentares para acelerar a votação das propostas que tratam do fim da escala 6×1.
A mobilização reúne trabalhadores, sindicatos e movimentos sociais em defesa da redução da jornada semanal sem redução salarial.
Clique aqui para participar da Campanha Brasil Quer Mais Tempo

O que é a campanha Brasil Quer Mais Tempo
A iniciativa funciona como uma força-tarefa digital e presencial para pressionar os senadores a apoiarem a PEC 221/2019 e outras propostas relacionadas à redução da jornada de trabalho. A campanha incentiva trabalhadores a enviarem mensagens aos parlamentares e acompanharem o posicionamento de cada bancada.
Aponte o celular para o QR Code e faça parte da campanha pelo fim da escala 6×1

Como votar na plataforma da campanha pelo fim da escala 6×1
- Acesse o site oficial da campanha Brasil Quer Mais Tempo – https://brasilquermaistempo.com.br/
- Clique na opção para participar da mobilização.
- Informe seus dados básicos, como nome e estado.

Eleições no Brasil podem ter interferência direta dos EUA
As eleições gerais do Brasil serão disputadas em outubro, mas, neste ano, já ocorreram pleitos nacionais em outros países latino-americanos como Costa Rica, Colômbia e Peru, todas vencidas pela extrema direita. A TVT News conversou com especialistas para saber como está o cenário político na América Latina, se ele influencia no Brasil, ou, se é o nosso país que é grande força pendular da região.
Influência dos EUA nas eleições da América Latina
Desde que Donald Trump retornou à Casa Branca no início de 2025, forças conservadoras ou de extrema direita alinhadas aos interesses de Washington venceram todas as eleições presidenciais disputadas na América Latina.
A isso, se somam a intervenção militar na Venezuela, com o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira dama Cilia Flores, e o cerco com ameaça de invasão à Cuba.
Para o sociólogo Francisco Prandi, uma vitória do Lula manteria um governo progressista sitiado internamente e uma certa ilha de progressismo, principalmente, na América do Sul.
“Só sobraram [à esquerda] o Brasil, Uruguai e a Venezuela, que está sob esse cerco dos Estados Unidos. Com muito pouca margem de manobra, mas ainda assim, é uma retaguarda para esses outros movimentos progressistas.”

Rose Martins, mestra em economia política internacional, vê mais do que uma influência da extrema direita trumpista no Brasil, mas um processo de interferência.
“Tem a ver com o documento de segurança nacional dos Estados Unidos, que foi lançado no final do ano passado, do que eles pensam como estratégia para nossa região, que eles querem que esteja sobre o domínio dos Estados Unidos e que, o que eles chamam de potências estranhas, no caso, a China e a Rússia, sejam expulsas da região”.
Ela cita o caso do Hondurasgate, áudios que foram revelados numa investigação jornalística, que mostram como Estados Unidos e Israel querem interferir nas eleições na América Latina.
“Eles já estão fazendo uma pressão que, começa com essa questão de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Isso cria uma pressão para o governo brasileiro, porque pode ser utilizado, muito facilmente, pelo Donald Trump, os instrumentos de pressão militar sobre o Brasil, tanto no nosso território como na fronteira”, avaliou Rose.

Ela acredita que essa estratégia tem chances de ser mais direta. “Se eles não conseguirem, porque nós temos também temos um sistema eleitoral consolidado, a gente pode ter um outro capítulo que é não reconhecerem o resultado das eleições no Brasil, como o Trump já fez, por exemplo, na Venezuela”.
Sobre a influência dos EUA, Prandi avalia que é diferente de outras ondas de direita. “A gente já teve outras ondas de direita, o governo Fujimori [Peru], Uribe na Colômbia com uma vinculação muito forte com paramilitares. A novidade é que esses governos, não estão se alinhando à política geral dos Estados Unidos, eles estão se alinhando especificamente com a política do governo Trump”.
Segundo o sociólogo, a jogada de Javier Milei, que chamou o presidente Lula de ladrão e corrupto durante convenção eleitoral do Partido Liberal (PL) visa criar um ambiente de incertezas. “Passar uma imagem que o Lula não sabe negociar, vai ficar isolado”.

Rose também cita a intromissão dos Estados Unidos sobre o debate da liberdade de expressão, já reforçado por Elon Musk quando o Twitter foi banido do Brasi.
“As big techs tem um papel nessa estratégia, que é ser muito conivente com discursos de ódio nas redes sociais, com os discursos da extrema direita […] o consulado de São Paulo recebeu influencers de extrema direita para dar um curso sobre liberdade de expressão. Essa coisa de dizer que o Brasil é uma ditadura de esquerda, que o judiciário brasileiro opera junto com o governo beneficiando um partido de esquerda, um presidente de esquerda”, frisou.
Marco Rubio sucessor de Trump?

O secretário de Estado Marco Rubio, filho de imigrantes cubanos que chegaram ao estado da Florida antes mesmo da Revolução Cubana, já disputou a indicação presidencial em 2016 e, é visto como o responsável pelo atual intervencionismo americano.
Para Prandi, a disputa entre quem vai ser o sucessor de Trump está entre o vice-presidente James David Vance e o secretário de Estado Marco Rubio. Enquanto Vance é um grande defensor do “América First” (América primeiro), Rubio está mais preocupado com a América Latina. Em uma eventual presidência de Rubio essa política intervencionista seria mantida.
“O Marco Rubio construiu a vida política dele dedicada a defender sanções agressões contra Cuba, Venezuela e Nicarágua. Ele depende de criar essa hostilidade com qualquer governo que ele considere inimigo na região, isso inclui o Brasil”, enfatizou Prandi.
Rose Martins vê Marco Rubio como um ator mais importante que Trump para tornar a América Latina um quintal dos Estados Unidos.
“Ele não é exatamente um trumpista […] mas, é, claro, ele está alinhado com essa política de retomada da hegemonia norte-americana. É um cara que caminha junto com o Donald Trump para tornar a América Latina uma área de influência restrita dos Estados Unidos, sem a participação de nenhuma outra potência[…] o objetivo é que esses países sigam a cartilha de segurança nacional dos Estados Unidos”, concluiu a internacionalista.
Argentina e o drama trabalhista

A argentina mudou os ventos à esquerda, primeiro elegendo Maurício Macri e, depois com a presidência de Javier Milei, que sinaliza cada vez mais apoio a Flávio Bolsonaro. No último mês, Milei participou do lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência e fez críticas à Lula.
Em entrevista, a jornalista especialista em América Latina e pesquisadora Carla Perelló, deixa claro que a situação na Argentina preocupa.
Ela aponta o fato de o congresso querer voltar a discutir a reforma política, que pode eliminar as primárias abertas — uma instância de eleição para as candidaturas que é aberta e as pessoas decidem os candidatos. No Brasil, os partidos decidem por meio das convenções, lá é uma votação obrigatória.
“Milei quer eliminar essa instância, porque funciona às vezes como uma espécie de pesquisa e, às vezes, permite a oposição construir uma força maior”, avaliou.
A questão trabalhista é outro ponto. A reforma trabalhista de Milei foi aprovada no Senado, em fevereiro, sob vários protestos de alas progressistas. O texto, que entre as mudanças, acabou com as multas por falta de registro em carteira, foi denunciada na Organização Internacional do Trabalho pela Central Operária e, também, na justiça do país.

“Até 60 empresas fecharam por dia, só em abril de 2026. Mais de 100 mil pessoas saíram do mercado de trabalho formal. Cerca de 70 mil foram demitidos pelo Estado Nacional. Até o ano passado, ele [Milei] publicava todos os meses quantas pessoas tinham sido demitidas do Estado ”, criticou.
Para a jornalista, isso resulta em uma população cada vez mais pobre. “Cada vez com menos possibilidades de trabalho. Trabalho tem entre aspas. Não tem qualidade. As pessoas têm mais de três trabalhos e, às vezes, não conseguem comprar comida para o mês inteiro”.
Sobre os rachas no peronismo, Carla explica que existe uma grande diferença entre a ex-presidenta Cristina Kirchner e o setor dela — do filho dela com Máximo Kirchner — com o atual governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof, mas ela se preocupa que isso impacte a abstenção.
Para finalizar, Carla pontua que Milei tem destruído o estado e isso é um experimento para América Latina como foi Bolsonaro. “Ele [Milei] disse que destruiria o estado de dentro. E isso que ele está fazendo. O Milei é o líder e representante da extrema direita internacional junto com Trump, junto com Netanyahu e é o maior inimigo da população argentina”.
No âmbito internacional, Milei rejeitou a tentativa de um genocídio na Palestina, a ideia da escravidão como o maior genocídio da história e “aí ele quebrou laços históricos que a Argentina tinha criado com os países de África”, concluiu Carla.
Venezuela e a intereferência imperialista

Em janeiro, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro e sua esposa Cilia Flores foram presos pelos Estados Unidos. Para o sociólogo, Francisco Prandi, o processo contra o Nicolás Maduro é um processo fraudulento do começo ao fim. “O cartel de Los Soles, que era a razão principal pela qual ele estava sendo acusado, simplesmente, não existe e isso a própria justiça americana reconheceu”, lembrou.
Sobre a teoria que afirma que os irmãos Rodrigues (Delcy e Jorge) teriam pactuado no Catar com a inteligência norte-americana e permitido a ocupação da Venezuela, ele questiona o porquê até o momento não ouve interferência nas comunas.
“Continua havendo consultas nacionais populares, que são esse embrião de o poder popular que o rstado venezuelano construiu ao longo desses anos. Por que eles não mudaram a estrutura formativa das Forças Armadas? O Chaves ainda está com um brasão do exército, ele ainda é reivindicado, Bolívar é reivindicado”, argumentou.
Segundo Pradi, há uma mudança na linha política e passou-se de uma linha de confronto para uma linha pragmática de sobrevivência. “ A aposta que Delcy Rodriguez passa é ‘vamos tentar fazer melhorias econômicas e a partir disso reconstruir um apoio popular. Para isso, a gente precisa de uma convivência com os Estados Unidos’. Se isso vai dar certo, se não vai dar certo, é o futuro e, principalmente, a luta política interna que vai dizer, porque isso cria ruídos no chavismo”.
Colômbia e a questão da fraude

Na avaliação de Sebastian Ronderos, professor em Teoria Social e Política na Fundação Getúlio Vargas (FGV) e pesquisador da Vrije Universiteit Brussel, da Bélgica, a onda reacionária que agora ascende na América Latina, ajuda a estruturar vias simbólicas para direita brasileira, mas uma vitória do Lula fortalece e abre um espaço para reestruturar também setores progressistas.
“A questão é, que um futuro governo Lula, seria um momento de maior isolamento do progressismo brasileiro desde a primeira eleição do Lula”.
Para ele, depois da derrota do Petro, Cláudia Sheinbaum e Lula são os dois grandes atores, disputando, institucionalmente, projetos progressistas na região “A participação direta do Trump na eleição da Argentina foi muito favorável. Na Colômbia e no Brasil, por exemplo, eu acho que o Trump entendeu que não deve agir de forma tão direta e tão aberta, porque me parece teve a leitura acertada de que isso estava favorecendo os setores de esquerda”.
O governo Lula tem usado o ataque ao pix por parte do governo Trump e o tarifaço de 25% sobre os produtos brasileiros para descredibilizar a família Bolsonaro e fazer uma grande defesa da soberania.
O então presidente de esquerda Gustavo Petro, que perdeu as eleições para o ultradireitista Abelardo de la Espriella, afirmou que as eleições foram fraudadas. Ronderos concorda que, sempre se tem indícios de processos indevidos de fraude nas eleições da Colômbia, com compra de votos e mortos votando.
A Colômbia tem um sistema de votação em papel, que depois é articulada e agregada através de um software e o pesquisador afirma haver indícios ainda não comprovados de hackeio por parte de empresas, algumas ligadas a Israel, mas que alerta que “ há uma carência de evidências contundentes, por meio das quais, se possa afirmar que, por exemplo, na Colômbia o De la Espriella ganhou por causa de fraude.”
A analista internacional Rose Martins fala para além da denúncia de Petro da contagem de votos. “ Teve dentro da Colômbia a atuação das big techs, o dinheiro do lobby sionista que escoou através da embaixada dos Estados Unidos, uma pressão retórica também, que contou com uma outra figura de extrema direita da região que é o Noboa, presidente do Equador. Então, acho que eles estão se juntando, em um arcabouço de pressão”, disse.
A Colômbia acusou o Equador de interferência, depois do país resolver eliminar tarifas sobre importações às vésperas das eleições colombianas.
Roderos vê a ascensão da direita na Colômbia como uma reação ao primeiro governo de esquerda da história do país.
“A Colômbia nunca [antes] teve um governo de esquerda. Houve processos políticos com a capacidade de ganhar eleições, mas todos os candidatos foram sempre assassinados. Desde Eliécer Gaitán, que foi assassinado em 1948, até no comezinho dos anos 1990, quando foram assassinados três candidatos presidenciais. Então, a Colômbia viveu agora um momento atípico onde setores progressistas, de origens mais populares, conseguiram chegar até a representação executiva”.
Outro ponto citado pelo professor, é a redistribuição de renda e uma recomposição na demografia socioeconômica feita por Petro, além do processo de paz e desmobilização das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
“Se cria o processo de paz, depois vem um governo da direita que se soma a pandemia, onde a proposta era acabar com os acordos de paz, não houve uma implementação dos acordos e deixou um vácuo gigantesco de recursos, disputa de diferentes atores armados. […] Petro entra no momento, no qual, há o incremento da produção de coca, uma rearticulação de setores armados muito mais ligados ao tráfico que com interesses políticos”, pontuou Ronderos.
O analista cobra ainda que a América Latina olhe mais o processo de violência política, que é comum na Colômbia. “É um chamado de atenção que me parece importante para nos mantermos atentos a como processos de fraude, ou mudanças institucionais através de reestruturações constitucionais, podem vir também da mão de processo de extermínio de setores sociais e políticos”, alertou.
Cuba: o risco da ilha

Prandi não descarta que Donald Trump pode tentar invadir Cuba já que “ele é literalmente, o doidinho com o dedo no botão da bomba atômica”.
No entanto, acredita que a oposição é muito forte e que teria resistência. “Se tem uma coisa que americano não tolera, é, caixão chegando em avião com a bandeira dos Estados Unidos. E isso já aconteceu no Irã […] se houver uma resistência muito forte, eu acho que a situação interna do governo Trump pode se deteriorar ”, opinou.
México

Na contramão de alguns países da América Latina, o México com Claudia Sheinbaum reduziu a jornada de trabalho para 40 horas semanais. Desde 2021, aumentou em 122,3% o salário mínimo segundo a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). Além disso, formalizou mais de um milhão de trabalhadores de aplicativos.
Rose Martins destaca que o governo de Claudia Sheinbaum é a mais avançada experiência do ponto de vista da esquerda e conseguiu um fato extraordinário: eleger os juízes das corte superiores. “Eles fizeram uma reforma no judiciário e se você assiste os discursos da Cláudia, ela sempre bate na tecla que o governo dela não é um governo neoliberal. Então eles têm uma política econômica clara”.
Assim como o Brasil, Prandi destaca o peso econômico do México e cita alguma lições que o partido Movimento Regeneração Nacional (Morena) deixou. “ Na ausência de uma conjuntura revolucionária, é possível ser reformista, mas além de tudo é possível você mobilizar organizando […] no período do Obrador, eles tinham conseguido formar quase que 100 mil militantes por ano na escola de formação política deles” , lembrou.
Risco da democracia brasileira
Prandi avalia que o Brasil precisa se atentar a possíveis ameaças à democracia em vez de dizer que as coisas não chegam aqui já que temos instituições sólidas. Ele cita, por exemplo, o tarifaço e o fato do governo Trump ter decidido revogar o visto da embaixadora brasileira Maria Luiza Viotti.
O sociólogo lembra do golpe militar em Honduras, em 2009, que derrubou Manuel Zelaya. Outro caso foi o golpe parlamentar em 2012, que derrubou o Fernando Lugo, no Paraguai. “Diante de denúncia sólida de fraude nas eleições do Peru, nas eleições da Colômbia, o Brasil não tem o direito de fingir que nada é com a gente de novo […] essas eleições, para além de não estarem decididas, vão ser eleições duríssimas e eu acho que com o ineditismo de intervenção que a gente nunca viu antes aqui no Brasil”, avaliou.
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Debate Tarcísio x Haddad na band: acompanhe os melhores momentos
O primeiro debate entre os candidatos ao governo de São Paulo nas Eleições 2026 coloca frente a frente Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) neste domingo (9), às 20h, com organização do grupo Bandeirantes.
O encontro marca a reedição do confronto de 2022, agora já no primeiro turno. No debate do Paraná, Sérgio Moro desistiu de última hora.
Confira os melhores momentos do debate Tarcísio x Haddad
O debate tem 3 blocos, com perguntas diretas entre os candidatos e também com perguntas dos jornalistas da Bandeirantes.
Resumo do terceiro bloco: Haddad trouxe privatizações e negacionismo
No terceiro bloco, Haddad soube trazer mais o tema das privatizações para confrontar Tarcísio. Diferente do primeiro bloco, em que o candidato do PT não levou Tarcísio às cordas com os casos de violência policial, no terceiro bloco, Tarcísio ficoui incomodado com o tema das privatizações, principalmente da Sabesp.
Tarcísio teve dificudade de responder à pergunta sobre o valor das contas d’água e argumentou com dados técnicos, mas de difícil compreensão pelo público.
Já no final, Tarcísio recorreu ao tema preferido da Direita e trouxe a pergunta sobre a Lava Jato. Haddad insistiu que não houve novos investimentos no Estado, dizendo Tarcísio tem muita maquete e pouca entrega. Tarcísio retrucou nos segundos finais falando que trabalha em parceria com Ricardo Nunes, que foi reeleito.
Nas considerações finais, Tarcísio disse que vai usar inteligência artificial e prometeu mais entregas
Haddad, fez comparações entre Tarcísio e Bolsonaro com as entregas do governo Lula e lembrou do escândalo do wi-fi com a produtora do filme Dark Horse.
Fernando Haddad
Tarcísio de Freitas
Terceiro bloco é de confronto direto entre os candidatos
- Haddad começa falando das privatizações e das parceiras com o setor privado. Ele diz que não é contra a parceria com o setor privado, lembrando o exemplo do Prouni e pergunta a Tarcísio sobre qual avaliação do goverador do que Haddad chama de programa “voraz de privatização“
- Tarcísio volta a falar do pacto da Matemática que quer colocar no Estado e defendeu as parcerias com o setor privado na Educação, argumentando que faz privatizações por necessidade.
- Haddad cita os erros na privatização da CPTM, concedida à Trívia Trens, e da Sabesp.
- Tarcísio voltou a defender a privatização da Sabep, dizendo que houve melhoras no sistema de saneamento.
- Tarcísio criticou o Free Flow nas rodavias concedidas pelo governo Federal e Haddad diz que o problema não é o Free Flow, mas a forma como Tarcísio implementou os pedágios. E voltou a pergunta sobre a privatização da Sabesp
- Para sair das cordas sobre privatização, Tarcísio voltou a nacionalizar o debate falando da taxa de juros.
- Tarcísio pergunta da tabela SUS: Tarcísio argumenta que o estado de SP remunera melhor
- Antes de falar da tabela SUS, Haddad volta a lembrar que o TCU e TCE apontam falhas nas privatizações
- Na pergunta de Tarcísio sobre resiliência hídrica, Haddad traz a questão do negacionismo. Haddad lembra que o grupo político ao qual pertence Tarcísio, o bolsonarismo, nega as mudanças climáticas e faz campanha contra vacinas, o que implicou no aumento dos casos de sarampo.
- Segundo a lógica dos confrontos com o PT, Tarcísio traz, novamente, a pergunta sobre Lava Jato, questionando se o PT fez o “mea culpa“.
- Os candidatos encaminharam o debate para números sobre investimentos.
- Tarcísio faz elogio a Ricardo Nunes.
Depois dos confrontos diretos, cada candidato fez suas considerações finais.
“Tarcísio, eu ouvi mal ou você falou que depois da privatização da Sabesp a conta ia baixar?”
Fernando Haddad
Resumo do segundo bloco do debate Tarcísio x Haddad
No segundo bloco, cada candidato respondeu às perguntas dos jornalistas das bandeirantes e os temas foram parceria com governo Federal, no túnel Santos – Guarujá, tarifaço, agronegócio e segurança pública.
Os melhores momentos foi quando Haddad disse que governador tem de usar o boné certo, se referindo a Tarcísio ter colocado o boné do grupo político de Trump (o Maga). No final do bloco, a platéia se manifestou sobre a suposta presença de traficante no evento da Favela do Moinho. Haddad disse que não sabia, e que se o governador sabia, deveria ter prendido.
Fernando Haddad
Tarcísio de Freitas
Segundo bloco foi de perguntas dos jornalistas
No início do segundo bloco do debate Tarcísio x Haddad, a pergunta foi sobre o túnel Santos – Guarujá. Tarcísio reconhece a importância do BNDES e Haddad disse que tem orgulho de ter feito parte do governo mais republicano da história.
Tarifaço
A segunda pergunta é sobre o tarifaço, como São Paulo foi afetado pelas taxas de Trump.
- Haddad responde lembrando que o bolsonarismo resolveu apoiar o agressor.
- Haddad fala, indiretamente, do boné, dizendo que brasileiro tem de usar o chapéu da soberania
- Tarcísio disse que lamenta o tarifaço e que ele prejudica as empresas paulistas.
A terceira pergunta foi sobre agronegócio e nenhum candidato confrontou o outro

Segurança pública e crime organizado volta a ser tema
A última pergunta de jornalistas do segundo bloco voltou a trazer o tema do crime organizado.
A plateia se manifestou quando Tarcísio disse que havia uma traficante no palco no evento da favela do Moinho, o que Haddad respondeu que isso era deselegante. “Se você sabia que ela era traficante, porque não foi lá e prendeu?”, eu não sabia.
Resumo do primeiro bloco do debate Tarcísio x Haddad
Depois da primeira pergunta sobre Educação em que Haddad questionou Tarcísio sobre erros no projeto pedagógico, o debate caminhou para segurança pública.
Haddad não perguntou diretamente sobre os diversos casos de violência policial na gestão Tarcísio, o que poderia ter colocado o governador em situação mais constrangedora.
Ao final, Tarcísio nacionalizou o debate ao entrar na discussão sobre créditos e financiamento do governo federal. Haddad lembrou como foi o governo Lula que resolveu a questão da Favela do Moinho.
Tarcísio agradeceu ao Bolsonaro e Haddad pergunou sobre indicações de Eduardo Bolsonaro.
Momento de maior confronto foi sobre a discussão de adesão de São Paulo ao programa de parcelamento de dívidas do governo Federal.

Primeira pergunta do debate Tarcísio e Haddad é sobre Educação
A primeira pegunta do debate se refere às notas do Ideb e as propostas de cada um
- Tarcísio começa o debate agradecendo a Deus, como ele diz que “sempre faz em tudo”, já fazendo apelo para o público evangélico.
- Tarcísio diz que vai focar na Matemática e traz números do ensino técnico e da formação integral.
- Haddad responde dizendo que é grave a situação da educação no estado de São Paulo. Segundo ele, o projeto pedagógico no Estado de SP está errado. Oacendo de Haddad foi para a família.

Primeiro bloco de perguntas diretas entre os candidatos
Neste bloco, cada candidato tem 20 minutos para administrar o tempo com perguntas e respostas.
- Tarcísio aproveita o começo do bloco das perguntas diretas para tentar trazer números do ensino técnico;
- A pergunta de Tarcísio é sobre a cracolândia. O governador trouxe o tema segurança pública;
- Haddad diz que Tarcísio tem dificuldades de reconher o mérito de outros, como no caso do programa Haddad de acolhimentos aos viciados em crack.
- O candidato do PT aproveita o tema para trazer a questão do feminicídio em São Paulo.
- Governador argumenta que SP reduziu números do feminicídio, mas insistiu na questão do centro de SP, perguntando se Haddad vai continuar com a política de trazer a administração para o centro da cidade.
- Ainda no tópico Segurança, Haddad pergunta sobre as escolhas de Tarcísio que não resolveram problemas da segurança pública e infiltração do crime organizado.
- Mesmo o tema sendo segurança pública, Haddad, até agora, não citou os casos de violência policial na gestão Tarcísio
- Haddad volta a falar de Educação, dizendo que a plataforma contratada está atrapalhando o trabalho do professor
- Para responder à questão do Centro Administrativo, uma das bandeiras de Tarcísio, Haddad diz que o interior está se sentindo desprestigiado e lembrou que terreno da Favela do Moinho só teve solução com a participação do governo federal
Tarcísio, você agradeceu ao governo federal pela legalização do terreno da Favela do Moinho?
Fernando Haddad
- Primeira discussão: a primeira discussão mais quente foi sobre dívida pública e financiamento do governo federal; de um lado, Tarcísio disse que o governo Federal não ajudou SP e Haddad argumenta que o governador não quis aderir por não querer tirar foto ao lado de Lula.
- Bolsonaro entrou em cena. Tarcísio agradece Bolsonaro por ter lhe aberto as portas e ter transformado um técnico em ministro.
- Haddad pergunta se Tarcísio vai manter as indicações de Eduardo Bolsonaro na secretaria de Segurança Pública. Tarcísio diz que não há parentes diretos, “mas uma prima distante”
- Haddad pergunta sobre Derrite e Tarcísio responde com números que mostram avanços na Segurança Pública
- Na parte final do bloco, Tarcísio resolveu nacionalizar o debate perguntando sobre conselhos para Lula, falando sobre créditos e endividamento.
- O tempo do primeiro bloco de confronto direto se aproxima do fim e Tarcísio administrou melhor o tempo: Tarcísio pode falar por mais de um minuto para falar sem confrontos.
Quais as regras do debate Tarcísio x Haddad na Band
A Band ajustou as diretrizes do programa para dar mais flexibilidade aos participantes e reduzir o engessamento tradicional do formato. O debate contará com blocos que favorecem o confronto direto, com espaço para perguntas, respostas e réplicas entre os candidatos.
A principal novidade está na gestão do tempo: em cada rodada de perguntas, quem responde terá um banco de 20 minutos para administrar livremente entre a resposta inicial e a tréplica. Esse modelo permite aprofundar temas complexos e oferece ao eleitor uma visão mais clara das diferenças entre os projetos em disputa.
Que estados têm debate entre candidatos a governador?
Neste domingo, 9 de agosto, o Grupo Bandeirantes promove debates eleitorais para o governo de 13 Estados e do Distrito Federal. Em São Paulo, o confronto entre Tarcísio e Haddad é o mais aguardado da noite.
Além de São Paulo, o Grupo Bandeirantes realiza debates neste domingo em outros 12 Estados e no Distrito Federal. Confira os principais confrontos:
- Distrito Federal: seis candidatos participam, incluindo Celina Leão (PP) e José Roberto Arruda (PSD)
- Rio de Janeiro: Eduardo Paes (PSD), Anthony Garotinho (Republicanos), Douglas Ruas (PL), Willian Siri (PSOL) e André Marinho (Novo)
- Bahia: Jerônimo Rodrigues (PT), ACM Neto (União Brasil) e Ronaldo Mansur (PSOL)
- Piauí: Rafael Fonteles (PT), Joel Rodrigues (Progressistas), Lúcia Santos (PSDB), Gustavo Henrique (Avante) e Gisvaldo
- No Paraná, Sérgio Moro cancelou a ida ao debate
Todos os debates estão marcados para começar às 20h, com regras que variam de acordo com o número de candidatos em cada Estado.
Estados com debates neste domingo
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Como funciona a votação da PEC do fim da escala 6×1
O fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, sem redução de salário foram aprovados em dois turnos na Câmara dos Deputados, com votações expressivas (472 votos a favor no 1° turno e 469 no 2° turno).
O próximo passo é a tramitação no Senado, onde a PEC deverá passar pelo mesmo ritual: ser apreciada em comissão e depois votada em plenário.
Para aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) no Senado Federal, são necessários 49 votos favoráveis, o equivalente a 3/5 do total de 81 senadores.
Além desse quórum qualificado, a tramitação exige a aprovação em dois turnos.
O que está em debate no Congresso
A discussão envolve a PEC 221/2019, a PEC 8/2025 e o PL 1838/2026. As propostas tratam da redução da jornada semanal e da reorganização das escalas de trabalho.

Disputa política no Senado pode atrasar votação
O debate enfrenta resistência de setores do Centrão e da direita, que apresentaram emendas e regras de transição para adiar mudanças na jornada de trabalho
Fim da escala 6×1 é possível: tire suas dúvidas sobre o tema
tomando conta do Brasil.
O que é o fim da escala 6×1?
O debate sobre o fim da escala 6×1 — modelo em que o trabalhador atua seis dias consecutivos para folgar apenas um — está no centro da discussão nacional.
A proposta é uma bandeira histórica da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e demais centrais sindicais, que apontam ganhos concretos:
- Melhoria na qualidade de vida
- Redução do adoecimento e do absenteísmo
- Aumento da produtividade
- Estímulo ao consumo
- Possível geração de novos empregos
Levantamento da Nexus, Pesquisa e Inteligência de Dados, mostra que 73% dos brasileiros são favoráveis ao fim da escala 6×1, desde que não haja redução salarial. Ou seja: a sociedade entende que trabalhar para viver é diferente de viver para trabalhar.
Quais os impactos do fim da escala 6×1?
De acordo com nota técnica do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), o impacto econômico do fima da escala 6×1 é mínimo:
- Na indústria e no comércio, o custo operacional adicional seria inferior a 1%.
- A redução da jornada para 40 horas semanais elevaria o custo do trabalho celetista em média 7,84%, mas, considerando o peso da mão de obra no custo total dos setores, o impacto se dilui.
- Mesmo em setores com alta dependência de mão de obra, como vigilância e limpeza, o impacto é administrável e pode ser enfrentado com políticas de transição.
O próprio Ipea destaca que aumento de custo do trabalho não significa automaticamente queda na produção ou aumento do desemprego.
Um estudo do Dieese, encomendado pela Contraf-CUT, aponta que a implementação da jornada de quatro dias, entre os bancários que hoje realizam a jornada média de 37 horas semanais, teria o potencial de criar mais de 108 mil vagas no setor, ou 25% do total de vagas que existem atualmente.
“O fim da escala 6×1 pode gerar mais empregos e garantir ao trabalhador tempo para estudar, cuidar da saúde e ter lazer”, afirmou o secretário-geral da CUT, Renato Zulato
Para ele, reduzir jornadas exaustivas é uma medida concreta para abrir vagas e permitir que trabalhadores tenham tempo para qualificação e convivência familiar. “Não se trata apenas de tecnologia, mas de qualidade de vida”, afirmou, ao defender mudanças estruturais.

Já um estudo divulgado em 2024 pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) apontou que a Inteligência Artificial (IA) afetará 60% dos empregos em todo o mundo: metade de forma positiva e metade de forma negativa, ou seja, eliminando a participação humana em vários setores.
Renato Zulato também alertou para os impactos da inteligência artificial no mercado de trabalho. Segundo ele, a transformação digital já altera rotinas produtivas e pode ampliar desigualdades se não houver políticas públicas de qualificação.
“Estamos vivendo a era da inteligência artificial. Se não houver reflexão e políticas de inclusão, parte da população será excluída dos novos processos produtivos e sociais”, disse o secretário geral da CUT.
É possível acabar com a escala 6×1?
Pesquisa da Unicamp corrobora visão do governo Lula, que defende modernização das relações de trabalho como parte da agenda de desenvolvimento social e econômico.
Fim da escala 6×1: estudo aponta que redução da jornada pode gerar 4,5 milhões de empregos
Um levantamento da economista Marilane Teixeira, pesquisadora do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), mostra que a redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 36 horas, com o fim da escala 6×1, tem potencial de gerar até 4,5 milhões de novos empregos no Brasil e elevar em cerca de 4% os níveis de produtividade no país.
O estudo faz parte do Dossiê 6×1, documento elaborado por 63 autores — entre professores, pesquisadores, auditores fiscais do Trabalho e representantes sindicais — que reúne 37 artigos sobre os impactos econômicos e sociais da medida.
A conclusão central do dossiê é direta: o Brasil está pronto para trabalhar menos. O diagnóstico contraria projeções pessimistas do mercado e derruba o argumento de que a mudança poderia provocar queda no PIB ou agravar a insolvência das empresas.
“Não vai ser agora, com avanços tecnológicos, num contexto de pleno emprego, com crescimento econômico e o nível de tecnologia que temos, que não vai ser possível no Brasil reduzir para 40 horas”, afirma Marilane Teixeira.

O que os dados mostram sobre o fim da escala 6×1
Com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) do IBGE, o dossiê revela que aproximadamente 21 milhões de trabalhadores brasileiros cumprem jornada superior às 44 horas previstas na CLT. Outros 76,3% das pessoas ocupadas no país trabalham mais de 40 horas por semana — o que derruba a narrativa de que o brasileiro trabalha pouco.
A pesquisadora também chama atenção para os custos humanos da sobrecarga: em 2024, o Brasil registrou meio milhão de afastamentos por doenças psicossociais decorrentes de condições desfavoráveis no trabalho — apenas no emprego formal.
A redução da jornada atingiria diretamente 76 milhões de trabalhadores caso a escala 4×3 seja adotada, e beneficiaria cerca de 45 milhões na hipótese de migração para a jornada de 40 horas semanais em escala 5×2.
Ipea diz que é possível acabar com a escala 6×1
O estudo da Unicamp se soma a outras análises que sustentam tecnicamente a posição do governo. Uma nota técnica do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), publicada em fevereiro de 2026, concluiu que os custos da redução da jornada para 40 horas seriam comparáveis aos de reajustes históricos do salário mínimo — medidas que não geraram desemprego. Nos grandes setores empregadores, como indústria e comércio, o impacto no custo operacional seria inferior a 1%.

Pesquisa Sebrae diz que 51% dos empreendedores acreditam que não haverá impacto com fim da 6×1
O estudo do Sebrae revela que 51% dos proprietários de micro e pequenas empresas, além de microempreendedores individuais (MEI), acreditam que fim da escala 6×1 não afetará seus negócios. Já 11% acreditam que a medida impactará positivamente seus negócios.
De acordo com a 12ª edição da Pesquisa Pulso dos Pequenos Negócios, realizada pelo Sebrae, cresceu o número de empreendedores que avaliam que o fim da escala 6×1 não trará impactos negativos para o funcionamento de suas empresas.

Este índice demonstra um avanço em relação ao levantamento anterior, feito em 2024, quando 47% dos entrevistados compartilhavam dessa visão. O levantamento atual foi realizado entre os dias 19 de fevereiro e 18 de março de 2026, contando com a participação de 8.273 respondentes de todos os estados brasileiros e do Distrito Federal.
Menos empreendedores enxergam proposta de forma negativa
A pesquisa também aponta uma redução na resistência à proposta.
O grupo de empreendedores que visualiza um impacto negativo na mudança recuou de 32% em 2024 para 27% em 2026. Em contrapartida, a parcela que acredita em benefícios reais com o fim da escala 6×1 subiu de 9% para 11%.
Perfil de empreendedores ouvidos
Dentro dos segmentos específicos de atuação, a Economia Criativa lidera a percepção de ganhos com a nova jornada, com 24% de respostas positivas. Na sequência, aparecem os setores de Logística e Transporte (17%) e a Indústria Alimentícia (16%). Outros ramos como academias, beleza e agronegócio também figuram entre os que não preveem prejuízos em suas atividades operacionais.
Pesquisa Quaest: Lula lidera entre mulheres e no Nordeste; Flávio vence no Sul
A pesquisa Genial/Quaest de agosto de 2026 mostra diferenças importantes no cenário de segundo turno entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), especialmente quando o eleitorado é dividido por gênero, região, idade, escolaridade, renda e religião. Lula lidera entre mulheres, no Nordeste, entre os mais pobres e com menor escolaridade; Flávio avança entre homens, entre os mais ricos e no Sul. Confira os recortes da pesquisa Quaest com a TVT News.
Lula mantém vantagem entre mulheres, enquanto Flávio lidera entre homens
No recorte por sexo, a pesquisa Quaest mostra uma diferença clara entre os dois grupos. Entre as mulheres, Lula aparece com 47% das intenções de voto, contra 35% de Flávio Bolsonaro. O levantamento indica ainda 13% de votos brancos, nulos ou de eleitores que não pretendem votar e 5% de indecisos.[
Entre os homens, o quadro se inverte: Flávio Bolsonaro registra 44%, enquanto Lula tem 40%. A diferença, portanto, é menor do que a observada entre as mulheres.

A série também mostra que a vantagem de Flávio entre os homens já havia sido maior em momentos anteriores, enquanto Lula ampliou sua posição ao longo do período.
O dado sugere que a campanha de Lula tem maior penetração entre o eleitorado feminino, possivelmente associada a programas de transferência de renda e defesa de direitos das mulheres.

Por outro lado, Flávio Bolsonaro encontra mais respaldo entre os homens, segmento que tradicionalmente avalia com mais peso questões como combate à violência e liberalismo econômico.
Nordeste concentra maior vantagem de Lula, enquanto Flávio lidera no Sul
O recorte regional da Quaest evidencia a distância entre Nordeste e Sul. No Nordeste, Lula aparece com 64%, contra 25% de Flávio Bolsonaro no cenário apresentado pela pesquisa. Já no Sul, Flávio chega a 56%, enquanto Lula soma 29%.
A série regional detalha ainda a evolução das intenções de voto. No Nordeste, Lula permanece à frente durante todo o período apresentado. No Sul, Flávio mantém vantagem e chega a 56% no dado mais recente. No Sudeste, a disputa é mais equilibrada, enquanto Centro-Oeste e Norte também apresentam oscilações relevantes entre os candidatos.
Série histórica mostra Lula à frente de Flávio no segundo turno
A série histórica do cenário Lula x Flávio Bolsonaro começa com vantagem mais ampla do petista. Em agosto, Lula aparecia com 48%, contra 32% de Flávio. Ao longo dos meses, a distância diminuiu, com Flávio chegando a 42% e Lula a 40% em determinado momento.
Na medição mais recente apresentada na tela, Lula registra 44%, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 39%. Brancos, nulos e eleitores que não pretendem votar somam 13%, e os indecisos aparecem em 4%. A série mostra, portanto, uma disputa que se estreitou em comparação com o início do levantamento.
Eleitores independentes formam segmento mais disputado
No recorte por posicionamento político, os eleitores independentes apresentam uma disputa bem mais equilibrada. A série da Quaest mostra Lula perdendo votos entre os independentes desde a última pesquisa (de 40% para 33%), enquanto Flávio Bolsonaro foi de 27% para 30%.
Entre eleitores que se consideram lulistas, Lula mantém percentuais próximos de 97% a 98%. Entre eleitores que se consideram bolsonaristas, Flávio alcança patamares superiores a 90%. O grupo independente, portanto, aparece como um dos segmentos menos cristalizados da disputa.
Lula lidera entre eleitores de 60 anos ou mais
Por faixa etária, a vantagem de Lula é mais ampla entre os eleitores com 60 anos ou mais. No dado mais recente, ele registra 48%, contra 34% de Flávio Bolsonaro.
Entre pessoas de 35 a 59 anos, Lula e Flávio Bolsonaro estão empatados com 42% cada. Já entre os eleitores de 16 a 34 anos, Lula tem 44% e Flávio, 38%. O recorte da pesquisa Quaest indica maior equilíbrio nas faixas intermediárias e vantagem mais larga do petista entre os mais velhos.

Escolaridade divide o eleitorado entre Lula e Flávio
Lula tem mais votos entre eleitores com menor escolaridade.
Entre os eleitores com ensino fundamental, Lula aparece com 53%, enquanto Flávio registra 31%.
No ensino médio, os dois estão mais próximos, com Lula em 39% e Flávio em 44%.
O quadro muda entre aqueles com ensino superior. Nesse segmento, Flávio Bolsonaro aparece com 46%, contra 34% de Lula.

Renda também altera o equilíbrio da disputa
Entre os eleitores de domicílios com renda de até dois salários mínimos, Lula tem 54%, contra 30% de Flávio Bolsonaro. Na faixa entre mais de dois e cinco salários mínimos, os dois ficam mais próximos: 41% para Lula e 43% para Flávio.
Entre os que vivem em domicílios com renda superior a cinco salários mínimos, Flávio chega a 44%, enquanto Lula registra 36%. A pesquisa Quaest mostra que Lula é mais votado entre os mais pobres.

Lula lidera entre católicos; Flávio abre vantagem entre evangélicos
O recorte religioso apresenta uma das maiores diferenças da pesquisa. Entre católicos, Lula aparece com 49%, contra 37% de Flávio Bolsonaro. O petista mantém vantagem ao longo da série apresentada.
Entre evangélicos, ocorre o inverso: Flávio registra 48%, contra 33% de Lula. A diferença entre os dois grupos religiosos ajuda a explicar parte da heterogeneidade observada na disputa nacional.

Lula abre vantagem sobre Caiado no segundo turno
No cenário entre Lula e Ronaldo Caiado, a série histórica apresentada pela Quaest mostra Lula à frente em todas as medições. No dado mais recente, Lula aparece com 45%, enquanto Caiado registra 37%.
A diferença atual é de oito pontos percentuais. Ao longo da série, Lula chegou a registrar 47%, enquanto Caiado oscilou entre 31% e 37%, mostrando crescimento do governador de Goiás no decorrer do período.
Lula mantém vantagem entre os principais segmentos sociais
No recorte por segmentos sociais, Lula aparece à frente em grupos como beneficiários do Bolsa Família, eleitores de menor renda e pessoas identificadas com diferentes categorias sociais. Entre beneficiários do programa, por exemplo, o petista chega a 65%, contra 24% de Caiado.
A disputa fica mais equilibrada em alguns grupos de maior renda e escolaridade. A tela mostra Caiado chegando a 46% entre eleitores com ensino superior, enquanto Lula aparece com 37% nesse segmento.
Caiado concentra vantagem entre eleitores de direita
No posicionamento político, Lula domina entre lulistas e mantém vantagem entre eleitores de esquerda não lulistas. Entre independentes, o cenário é mais equilibrado, com Lula oscilando na faixa de 30% a 40%.
Caiado, por outro lado, apresenta percentuais elevados entre eleitores de direita não bolsonaristas e bolsonaristas. No grupo de direita não bolsonarista, chega a 85%; entre bolsonaristas, registra 79% na medição mais recente.
Nordeste favorece Lula; Sul e Centro-Oeste/Norte são mais competitivos
O Nordeste apresenta ampla vantagem de Lula sobre Caiado. No dado mais recente, Lula aparece com 64%, contra 25% do governador.
No Sul, Caiado alcança 46%, contra 33% de Lula. No Centro-Oeste/Norte, o governador também lidera, com 46%, diante de 41% do petista. No Sudeste, a diferença é menor, com Lula em 40% e Caiado em 38%.
Lula lidera entre mulheres, enquanto Caiado cresce entre homens
Entre as mulheres, Lula aparece com 50%, contra 29% de Caiado. O resultado mostra uma vantagem de 21 pontos percentuais para o petista nesse segmento.
Entre os homens, a disputa é mais apertada: Caiado chega a 46%, enquanto Lula registra 41%. A diferença de gênero aparece, portanto, também no confronto entre Lula e Caiado.
Lula lidera nas três faixas etárias
Entre os eleitores de 16 a 34 anos, Lula aparece com 47%, contra 34% de Caiado. Na faixa de 35 a 59 anos, o petista registra 45%, enquanto Caiado chega a 40%.
Entre os eleitores de 60 anos ou mais, Lula tem 46% e Caiado, 35%. O levantamento, portanto, aponta vantagem de Lula nas três faixas etárias analisadas.
Escolaridade mostra disputa mais equilibrada no ensino médio
No ensino fundamental, Lula registra 54%, contra 28% de Caiado. Entre aqueles com ensino médio, a diferença é bem menor: Lula tem 41%, enquanto Caiado aparece com 41%.
No ensino superior, o quadro se inverte: Caiado aparece com 45%, contra 37% de Lula. O recorte mostra que a escolaridade produz diferenças importantes no cenário entre os dois candidatos.
Lula lidera entre as menores rendas e Caiado entre as maiores
Entre eleitores com renda domiciliar de até dois salários mínimos, Lula chega a 58%, contra 27% de Caiado. Na faixa de mais de dois a cinco salários mínimos, Lula tem 42% e Caiado, 37%.
Já entre eleitores de domicílios com renda superior a cinco salários mínimos, Caiado aparece com 48%, contra 37% de Lula. A pesquisa repete, nesse confronto, o padrão de maior vantagem de Lula entre as menores faixas de renda e de maior competitividade entre as maiores rendas.
Lula lidera entre católicos; Caiado tem vantagem entre evangélicos
Entre católicos, Lula registra 51%, contra 35% de Caiado. O petista mantém vantagem ao longo da série apresentada pela Quaest.
Entre evangélicos, o quadro se inverte. Caiado aparece com 45%, enquanto Lula soma 34%. O recorte religioso reproduz, portanto, uma divisão relevante do eleitorado também observada no confronto com Flávio Bolsonaro.
Bolsa Família amplia vantagem de Lula sobre Caiado
Entre beneficiários do Bolsa Família, Lula registra 65%, contra 24% de Caiado. A diferença chega a 41 pontos percentuais nesse grupo.
Entre os não beneficiários, a disputa é muito mais equilibrada: Lula aparece com 41%, enquanto Caiado tem 40%. O recorte mostra como a condição de beneficiário do programa está associada a uma diferença maior nas intenções de voto.

Como foi feita a pesquisa Quaest
A pesquisa Genial/Quaest foi realizada com 2.004 entrevistas com brasileiros de 16 anos ou mais, entre 31 de julho e 3 de agosto de 2026. A margem de erro estimada é de 2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. As entrevistas foram presenciais, realizadas nos domicílios por meio de questionários estruturados.
A amostragem foi feita em três estágios: sorteio de municípios pelo método de probabilidade proporcional ao tamanho, seleção de setores censitários e definição do número de entrevistas por setor.
Foram consideradas cotas de região, sexo, idade, escolaridade e renda. A Quaest informa ainda a aplicação de pós-estratificação por meio de algoritmo iterativo de calibração, além de modelo de MRP para estimativas de subgrupos.
O levantamento está identificado no material como pesquisa registrada sob o número BR-06591/2026. A própria ficha informa que o registro foi protocolado na Justiça Eleitoral em 30 de julho de 2026. O TSE mantém sistema público para consulta das pesquisas eleitorais registradas e determina o registro das pesquisas destinadas à divulgação pública.
A amostra da pesquisa Quaest é formada por 53% de mulheres e 47% de homens; 31% têm de 16 a 34 anos, 45% de 35 a 59 anos e 24% têm 60 anos ou mais. Em escolaridade, são 41% com ensino fundamental, 40% com ensino médio e 19% com ensino superior.
A distribuição por renda é de 31% até dois salários mínimos, 42% entre mais de dois e cinco salários mínimos e 27% acima de cinco salários mínimos. Por religião, 50% são católicos, 29% evangélicos, 6% pertencem a outras religiões e 15% não têm religião. A amostra também é distribuída regionalmente entre Sudeste (41%), Nordeste (27%), Sul (15%), Norte (9%) e Centro-Oeste (8%).
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Lula lança campanha à reeleição no Estádio da Vila Euclides, berço do sindicalismo no ABC
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) dará início oficial à sua campanha de reeleição em 16 de agosto de 2026, no Estádio 1º de Maio, na Vila Euclides, em São Bernardo do Campo (SBC), a partir das 9h.
O lançamento da campanha na Vila Euclides tem site para confirmação de presença e credenciamento de imprensa.
A escolha do local, o berço político de Lula e do PT, resgata o espaço onde o líder sindical construiu sua trajetória política nas décadas de 1970 e 1980. O primeiro dia de campanha nas ruas, conforme o calendário eleitoral, terá como palco o mesmo chão que viu a emergência de um movimento operário que marcou a resistência à ditadura militar.
Confira a divulgação do PT sobre o lançamento da campanha na Vila Euclides
“O Estádio 1º de Maio, a histórica Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, foi escolhido para o lançamento da campanha de Lula em 2026. Não é só uma questão de local. É história, é memória, é o mesmo chão onde Lula se projetou como liderança sindical antes de virar liderança nacional”, afirma o presidente do Diretório do PT da Lapa, o sociólogo Pedro Alem Santinho.

O que é Estádio da Vila Euclides
O Estádio 1º de Maio, popularmente conhecido como Estádio da Vila Euclides, está localizado em São Bernardo do Campo, no coração do ABC paulista. O espaço se tornou um símbolo da luta operária no Brasil. Durante o regime militar, o estádio chegou a carregar oficialmente o nome do general Costa e Silva, presidente do período mais duro da ditadura. Foi ali, porém, que os trabalhadores ressignificaram o lugar, transformando-o em tribuna para reivindicações por direitos e democracia.
Chegou a hora de voltar onde tudo começou. Dia 16 de agosto, às 9h, temos um encontro marcado com o povo brasileiro.
— Lula (@LulaOficial) August 1, 2026
Ali, onde tudo começou. No estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo. Faça parte dessa história! 🇧🇷 pic.twitter.com/z1vaRwYLdx
O sociólogo Pedro Alem Santinho explica o contexto daquela época.
Em maio de 1978, os trabalhadores da fábrica da Scania entraram, bateram o cartão, vestiram o uniforme, mas não ligaram as máquinas. Aquele gesto simples tinha uma força enorme. As máquinas dependiam do trabalho humano. Quando os trabalhadores cruzaram os braços, mostraram que a produção, a riqueza e o funcionamento da sociedade dependiam deles.
A mobilização se espalhou pelas fábricas da Ford, Mercedes-Benz, Volkswagen e por dezenas de empresas do ABC. Em março de 1979, cerca de 200 mil metalúrgicos entraram em greve. A sede do sindicato não comportava mais as assembleias, e foi assim que os trabalhadores passaram a se reunir no Estádio de Vila Euclides, como registram o Instituto Lula e o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.
Ali, sem grandes estruturas, sem palco adequado e, em alguns momentos, debaixo de chuva, Lula falava de cima de uma mesa para milhares de trabalhadores. Mas a importância da Vila Euclides não vem só dos discursos de uma liderança. Aquelas assembleias transformaram trabalhadores tratados apenas como mão de obra em sujeitos políticos, capazes de discutir salários, direitos, democracia e o futuro do país.

O que aconteceu no Estádio da Vila Euclides, durante as greves do final dos anos 70
No final da década de 1970, o Brasil vivia sob uma ditadura militar. Não havia liberdade política plena, os sindicatos sofriam intervenção do governo e as greves eram duramente reprimidas. Os trabalhadores enfrentavam salários corroídos pela inflação, jornadas pesadas e pouca participação nas decisões que afetavam suas vidas.
Foi nesse contexto que os metalúrgicos do ABC começaram a se organizar. Em maio de 1978, trabalhadores da fábrica da Scania cruzaram os braços. A mobilização se espalhou pelas fábricas da Ford, Mercedes-Benz, Volkswagen e dezenas de outras empresas do ABC. Em março de 1979, cerca de 200 mil metalúrgicos entraram em greve.
A sede do sindicato não comportava mais as assembleias. Foi assim que os trabalhadores passaram a se reunir no Estádio da Vila Euclides. Ali, Lula falava para milhares de trabalhadores. O que tornou aquele lugar histórico foi a presença organizada dos trabalhadores.
Em 1980, a repressão aumentou. O sindicato sofreu intervenção, Lula e outras lideranças foram presos com base na Lei de Segurança Nacional. Mesmo assim, mais de cem mil pessoas foram às manifestações daquele período.
Ainda em 1979, o mesmo estádio foi palco do lançamento da “Carta de Princípios” do PT, na presença de 130 mil pessoas. Um ano depois, o partido foi fundado.
O que representa Lula lançar a campanha para presidente em no estádio 1° de maio
Lançar a campanha à reeleição na Vila Euclides não é uma escolha apenas geográfica. É a decisão de iniciar a disputa de 2026 onde a trajetória política de Lula nasceu.
Para integrantes da campanha, o objetivo é começar a campanha deste ano, que pode ser a última do presidente, onde tudo começou. O estádio que foi palco da resistência contra a ditadura e do nascimento do PT agora recebe o candidato à reeleição em um momento em que o país volta a enfrentar desafios democráticos.

A escolha também tem peso eleitoral. O estado de São Paulo é um dos mais importantes na disputa presidencial, e Lula tem intensificado agendas na região para tentar diminuir a vantagem da direita. A convenção nacional do PT, que deve oficializar o nome de Lula como candidato, ocorre em 2 de agosto em São Paulo. O candidato a vice na chapa será o atual vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB).
Onde fica o Estádio da Vila Euclides
O Estádio 1º de Maio está localizado na Vila Euclides, um bairro de São Bernardo do Campo, na região do ABC paulista. A cidade é um dos principais polos industriais do país e berço do movimento sindical que marcou a resistência à ditadura militar.
A campanha e a corrida que começam no estádio da Vila Euclides
O lançamento da campanha na Vila Euclides ocorre em um cenário eleitoral competitivo. Pesquisa Datafolha divulgada em julho aponta Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL) empatados em intenções de voto no estado de São Paulo. A campanha de Lula tem intensificado agendas no estado para reduzir a vantagem da direita.
Desde 2023, o governo Lula tem devolvido ao país políticas que o bolsonarismo tentou desmontar: a valorização real do salário mínimo, o fortalecimento do SUS depois de anos de sucateamento, a retomada de programas de habitação e transferência de renda, a reconstrução de uma política de proteção ao trabalhador.
Nenhuma dessas conquistas está garantida para sempre. Todas dependem de disputa permanente, inclusive nas urnas. É por isso que o lançamento da campanha de reeleição de Lula em 2026 vai acontecer justamente na Vila Euclides.

“Não é coincidência de calendário. É o mesmo território onde o povo aprendeu que direito não é presente de governante, é conquista que se defende organizada. A disputa de 2026 não é entre dois projetos de governo quaisquer. É entre quem foi condenado pelo próprio Supremo por tentar derrubar a democracia à força e quem defende que o povo continue decidindo, no voto, o destino do país”, afirma o sociólogo Pedro Alem Santinho
“Começar a campanha na Vila Euclides significa lembrar que direitos não foram dados de graça pelos poderosos, foram conquistados na organização, na solidariedade, na luta coletiva. E significa dizer que política não é propriedade dos ricos, dos grandes grupos econômicos, de quem usa o Estado para defender privilégio”, analisa o sociólogo.
“Em 1979, os trabalhadores entraram naquele estádio para defender salários e direitos, e acabaram ajudando a mudar a história do Brasil. Derrotar o bolsonarismo em 2026 não é sobre reeleger uma pessoa. É sobre repetir, na urna, o que os metalúrgicos do ABC fizeram quando pararam as máquinas: mostrar que o poder não é dos que tentam tomá-lo pela força, é do povo que se organiza para decidir seu próprio destino”, conclui o dirigente do PT.
Galeria de imagens de Lula no estádio 1° de maio





Conheça todas as imagens das campanhas de Lula da história
Desde a primeira campanha de Lula para governador, até a atual identidade visual para as eleições 2026, veja todos os logos:

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