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Da Redação
Quaest: Paes lidera disputa no Rio; Benedita aparece à frente para Senado
O ex-prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes (PSD) lidera a disputa pelo governo do estado nas eleições de 2026, segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta segunda-feira (27). O levantamento aponta Paes na primeira colocação em todos os cenários de primeiro turno testados e também à frente nas duas simulações de segundo turno. Saiba mais na TVT News.
Na disputa pelas duas vagas do Rio de Janeiro no Senado, a deputada federal Benedita da Silva (PT) aparece numericamente na liderança, seguida pelo ex-prefeito Marcelo Crivella (Republicanos). O levantamento, entretanto, mostra um cenário ainda bastante aberto, com elevados índices de eleitores indecisos e de votos brancos, nulos ou de pessoas que afirmam não pretender votar.
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A pesquisa ouviu 1.200 eleitores presencialmente entre os dias 21 e 25 de julho. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi contratado pela Genial Investimentos e registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número RJ-02671/2026.
Paes abre vantagem na corrida pelo governo do RJ
No primeiro cenário apresentado pela Quaest, Eduardo Paes aparece com 38% das intenções de voto. Anthony Garotinho (Republicanos) e Douglas Ruas (PL) estão empatados numericamente em segundo lugar, com 10% cada.
William Siri (PSOL) registra 2%. André Marinho (Novo), Coronel Busnello (Missão), Cyro Garcia (PSTU), Juliete Pantoja (UP) e Wilson Witzel (DC) têm 1% cada. Luan Monteiro (PCO) não pontuou.
O levantamento mostra ainda um contingente expressivo de eleitores que ainda não definiram sua escolha: 19% estão indecisos, enquanto 16% afirmam que votarão branco ou nulo ou que não pretendem votar.
Em um segundo cenário, sem a presença de Anthony Garotinho, Paes amplia a vantagem para 42%, enquanto Douglas Ruas chega a 11%. William Siri, Coronel Busnello e Wilson Witzel têm 2% cada. André Marinho, Cyro Garcia, Juliete Pantoja e Luan Monteiro aparecem com 1% cada.
A terceira simulação, sem Wilson Witzel, mantém praticamente o mesmo quadro: Paes registra 42%, contra 11% de Ruas. Siri, Busnello, Cyro Garcia e Juliete Pantoja têm 2% cada, enquanto André Marinho e Luan Monteiro marcam 1%.
O resultado indica uma distância considerável entre Paes e os adversários mais próximos. No cenário em que Garotinho e Ruas estão presentes, a diferença é de 28 pontos percentuais entre o ex-prefeito e os dois segundos colocados.
Segundo turno também mostra vantagem de Paes
A liderança de Eduardo Paes se mantém nas duas simulações de segundo turno testadas pela Genial/Quaest.
Contra Anthony Garotinho, o ex-prefeito aparece com 48%, enquanto o ex-governador registra 18%. Os indecisos somam 11%, e brancos, nulos e eleitores que não pretendem votar chegam a 23%.
Contra Douglas Ruas, Paes amplia a vantagem: 52% contra 16%. Nesse cenário, 12% permanecem indecisos e 20% dizem que votarão branco ou nulo ou não pretendem votar.
A pesquisa também revela diferenças importantes na rejeição dos principais nomes. Garotinho aparece com 62%, a maior taxa entre os três candidatos mais bem posicionados. Paes registra 40%, enquanto Ruas tem 17%.
O dado sobre o candidato do PL também chama atenção: segundo o levantamento, 70% dos entrevistados ainda não conhecem Douglas Ruas. O número ajuda a contextualizar o desempenho de 11% nos cenários em que ele aparece em segundo lugar e indica espaço para mudanças na corrida eleitoral até o início oficial da campanha.
Na comparação com a pesquisa anterior, realizada em abril, Paes avançou de 34% para 38% no cenário principal. Ruas passou de 9% para 10%, enquanto Garotinho subiu de 8% para 10%.
Desgaste do governo estadual
A pesquisa também mediu a avaliação da atual administração estadual e o sentimento do eleitorado sobre a sucessão.
O governo de Cláudio Castro é aprovado por 28% dos entrevistados e desaprovado por 54%. Outros 18% não souberam ou não responderam. Na avaliação geral, 18% classificam a gestão como positiva, enquanto 40% a consideram negativa.
A percepção sobre a sucessão também é desfavorável ao atual grupo político: 64% afirmam que Cláudio Castro não merece eleger um sucessor, contra 25% que consideram que ele merece continuar influenciando a administração estadual.
Entre os principais problemas do Rio de Janeiro, a segurança pública aparece disparada na primeira posição, citada por 66% dos entrevistados. Em seguida estão saúde, com 52%; políticas sociais, educação e transporte público, com 43%; emprego e renda, com 40%; habitação, com 38%; atração de empresas, com 35%; e infraestrutura e mobilidade, com 34%.
Benedita lidera numericamente corrida pelas duas vagas ao Senado

A disputa pelo Senado apresenta um cenário mais fragmentado. O Rio de Janeiro elegerá dois senadores em 2026, e a pesquisa Genial/Quaest testou dois cenários.
No primeiro, Benedita da Silva (PT) aparece com 11%, seguida por Marcelo Crivella (Republicanos), com 8%. Carlos Portinho (PL) e Márcio Canella (União Brasil) têm 4% cada. Alessandro Molon (PSB), Mônica Benício (PSOL), Pedro Paulo (PSD) e Waguinho (Republicanos) aparecem com 3% cada.
Na sequência, Marcos Dias (Podemos) e Sávio Neves (PSDB) registram 1% cada, enquanto Helio Secco (Missão) não pontua.
No segundo cenário, sem Márcio Canella e Alessandro Molon, Benedita sobe para 12%, enquanto Crivella chega a 9%. Carlos Portinho permanece com 4%, e Mônica Benício, Pedro Paulo e Waguinho também alcançam 4% cada.
A indefinição é ainda maior na disputa pelo Senado. No primeiro cenário, 22% estão indecisos, enquanto 37% declaram voto branco ou nulo ou afirmam que não pretendem votar. No segundo, os indecisos são 23% e os votos brancos, nulos e os que não pretendem votar chegam a 38%.
Assim, apesar da liderança numérica de Benedita e Crivella, os dados mostram que a definição das duas vagas está longe de consolidada. Como cada eleitor poderá escolher dois candidatos para o Senado, a disputa tem dinâmica diferente da eleição para o governo estadual.
O levantamento também ocorre após mudanças no quadro eleitoral. O ex-governador Cláudio Castro, que aparecia em pesquisas anteriores como nome para o Senado, desistiu da candidatura. Posteriormente, o TSE manteve sua inelegibilidade em razão de condenação por abuso de poder político e econômico.
Os resultados da Genial/Quaest desenham, portanto, dois cenários distintos no Rio de Janeiro. Para o governo estadual, Eduardo Paes aparece consolidado na liderança e com vantagem expressiva nas simulações de segundo turno. Já para o Senado, Benedita da Silva lidera numericamente, mas a elevada parcela de eleitores indecisos ou que não pretende votar mantém a disputa pelas duas cadeiras aberta.
A pesquisa foi realizada antes do início da campanha eleitoral e retrata o momento em que os eleitores foram entrevistados. A margem de erro de três pontos percentuais deve ser considerada na comparação entre candidatos próximos, especialmente na disputa pelo Senado.
Bora Sonhar: plataforma para jovens quer ouvir expectativas sobre o Brasil
O Bora Sonhar é uma plataforma criada para jovens de 16 a 30 anos, que visa transformar sonhos em ações concretas. Neste espaço, os participantes podem compartilhar suas ideias, identificar problemas e colaborar para construir um Brasil melhor. A proposta é simples: cada jovem pode enviar sua visão sobre a realidade em que vive, expressando suas aspirações e o que deseja mudar. Essas contribuições podem ser feitas em diferentes formatos, como vídeos, áudios ou textos, permitindo que cada um se sinta à vontade. Saiba mais na TVT News.
Além de compartilhar visões, os usuários podem participar de missões que serão lançadas ao longo da jornada. Essas missões oferecem diversas formas de interação, como dividir experiências, conhecer novas perspectivas e mobilizar outras pessoas. Cada participação gera pontos, e os jovens que acumularem mais pontos terão a oportunidade de integrar a comissão responsável por entregar o Manifesto da Juventude para as autoridades do país.
Uma das grandes vantagens do Bora Sonhar é a possibilidade de encontrar uma comunidade que compartilhe interesses semelhantes. As visões postadas serão analisadas com base no engajamento recebido, ajudando a formar grupos de jovens que se preocupam com temas como meio ambiente, inclusão social e muito mais. Essa interação não só promove o fortalecimento de ideias, mas também cria um espaço seguro e diversificado para troca de experiências.
A plataforma também oferece trilhas de aprendizado, com conteúdos que aprofundam temas relevantes para a realidade dos jovens. Isso fortalece as propostas e enriquece o conhecimento dos participantes, permitindo que suas ideias sejam ainda mais impactantes.
As propostas desenvolvidas passarão por um processo de avaliação que considera a viabilidade, o engajamento e a diversidade de temas. As melhores ideias serão selecionadas e farão parte do Manifesto da Juventude, que será apresentado a representantes do governo. O Bora Sonhar não é apenas uma oportunidade de expressão; é um movimento que valoriza a participação ativa da juventude na construção de um futuro melhor.
A iniciativa nasceu a partir da preocupação das Centrais Sindicais em conhecer os sonhos e angústias da juventude brasileira e, a partir disso, buscaram parceria com o Instituto Lula para desenvolver o projeto. Lideranças jovens da política nacional, como a vereadora Luna Zarattini, a secretária de Juventude da CUT, Cristiana Paiva, e a coordenadora do Coletivo Estadual de Juventude da APEOESP, Isabela Gisse Rainho também fazem parte do projeto.
Lula defende soberania durante lançamento da candidatura de Haddad
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste sábado (25), durante o lançamento da candidatura de Fernando Haddad (PT) ao governo de São Paulo, que o Brasil não aceitará interferências externas nas eleições de 2026. Em discurso, Lula também alertou para o uso da inteligência artificial na disseminação de desinformação durante a campanha eleitoral e convocou a população a defender a soberania nacional.
Segundo o presidente, a disputa do próximo ano será marcada por tentativas de manipulação nas redes sociais. “Talvez essa seja a primeira eleição do Brasil em que os adversários, por não terem tamanho, por não terem biografia, por não terem propostas, vão usar inteligência artificial para tentar ludibriar a boa-fé do povo de São Paulo”, afirmou.
Lula disse ainda que seus adversários recorrerão à tecnologia para espalhar informações falsas e fazer promessas que não pretendem cumprir. “Os nossos adversários vão trabalhar muito nas redes digitais com inteligência artificial para inventar coisas que eles não fizeram, para inventar coisas que eles não são e para fazer promessas que eles jamais irão cumprir. Porque a base da sustentação da campanha deles é uma coisa chamada mentira, e mentira só conta quem não tem biografia”, declarou.
Em outro momento do discurso, o presidente direcionou críticas à tentativa de interferência estrangeira no processo eleitoral brasileiro e reforçou que a decisão sobre os rumos do país cabe exclusivamente aos eleitores.
“Que não venha ninguém de fora querer meter o dedo nas nossas eleições. Eu não sou de fazer bravata, mas quero dizer uma coisa que aprendi com a minha mãe: andar de cabeça erguida, ter vergonha e caráter.”
Lula prosseguiu afirmando que o Brasil manterá relações diplomáticas com todos os países, mas sem abrir mão da soberania nacional.
“Quem quiser de fora vir se meter nas eleições brasileiras, eu já vou avisando logo: vão apanhar muito aqui nas eleições. Quem vai decidir o destino desse país são 157 milhões de eleitores. Quem vai decidir o destino de São Paulo são os eleitores de São Paulo. O Brasil é soberano, quer paz, quer trabalhar e quer viver decentemente.”
O presidente também fez um chamado à mobilização popular diante do cenário político e das pressões internacionais.
“É preciso que a juventude brasileira levante a cabeça, é preciso que as mulheres levantem a cabeça, é preciso que os homens levantem a cabeça. Esse país é nosso e aqui ninguém mete o bedelho.”
Em seu discurso, Lula pediu que sua candidatura à reeleição seja vinculada aos nomes de Fernando Haddad, Marina Silva e Simone Tebet, que disputam o Senado por São Paulo.
Ao lançar candidatura de Haddad, aliados criticam Trump e Tarcísio
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, reforçou o discurso de defesa da soberania brasileira e fez críticas diretas ao governo dos Estados Unidos. Para ele, o país precisa de governantes que enfrentem pressões externas e não se submetam a interesses estrangeiros.
Edinho afirmou que Trump tem utilizado tarifas comerciais como instrumento de coerção contra outros países e disse que São Paulo necessita de um governador comprometido com a defesa dos interesses nacionais. Sem citar nominalmente o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), o associou ao alinhamento com a direita internacional e criticou lideranças que priorizam as redes sociais em detrimento da formulação de políticas públicas.
Fernando Haddad concentrou boa parte de seu discurso em críticas ao atual governo paulista – o candidato afirmou que São Paulo perdeu protagonismo econômico e social nos últimos anos e atribuiu esse cenário às políticas adotadas pela atual administração estadual.
Entre os temas levantados pelo petista estão o desempenho da economia paulista, indicadores da educação, a segurança pública e o programa de privatizações conduzido pelo governo Tarcísio.
Haddad também ironizou a participação do governador em agendas ao lado do presidente argentino Javier Milei, afirmando que São Paulo precisa de um projeto voltado aos interesses da população e não alinhado à extrema direita internacional.
Brasil chama embaixador na Argentina, após grosserias de Milei
O governo brasileiro reagiu com firmeza às declarações do presidente da Argentina, Javier Milei, durante a convenção nacional do Partido Liberal (PL), realizada no sábado (25), em São Paulo. No dia seguinte, domingo (26), o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) convocou o embaixador argentino no Brasil, Daniel Raimondi, para transmitir a “repulsa” do governo brasileiro às manifestações do chefe de Estado argentino. Na mesma ocasião, o Brasil determinou o retorno a Brasília do embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, para consultas sobre a relação bilateral. Saiba mais na TVT News.
As duas medidas representam um gesto diplomático de forte descontentamento. A convocação do embaixador argentino para uma reunião com o chanceler Mauro Vieira sinaliza a cobrança de explicações formais do governo de Javier Milei. Já o chamado do representante brasileiro na Argentina para consultas é uma medida considerada mais dura na diplomacia e demonstra o grau de insatisfação do governo brasileiro com a conduta do presidente argentino em território nacional.
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Em nota oficial, o Itamaraty afirmou que não há precedentes para o comportamento adotado por Milei.
“Não há precedentes de um presidente estrangeiro que, em território nacional, enfeixe agressões e ofensas ao Chefe de Estado, às instituições democráticas, inclusive ao Poder Judiciário, e ao povo brasileiro.”
A manifestação do Ministério das Relações Exteriores também classificou o episódio como “infamante” e destacou a importância histórica da relação entre os dois países.
“É especialmente lamentável que esse episódio infamante envolva o presidente de um país com que o Brasil mantém 203 anos de amizade e cooperação e que tem, no Brasil, o seu principal sócio comercial.”
A resposta do governo Luiz Inácio Lula da Silva ocorre depois de um discurso de aproximadamente 30 minutos em que Milei atacou diretamente o presidente brasileiro, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e o Judiciário brasileiro.
Milei chama Moraes de “lixo careca” e ataca Lula
Convidado para participar da convenção que oficializou Flávio Bolsonaro como candidato do PL à Presidência da República, Javier Milei utilizou o palco do evento partidário para fazer uma série de ataques ao governo brasileiro e às instituições do país.
O presidente argentino chamou Alexandre de Moraes de “lixo careca”, em referência à decisão do ministro que negou autorização para que Milei visitasse Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. Moraes é relator do processo envolvendo o ex-presidente no Supremo Tribunal Federal.
Milei também classificou Bolsonaro como alguém “injustamente preso” e afirmou que a decisão de Moraes seria uma demonstração daquilo que chamou de “caráter vingativo” das autoridades responsáveis pela prisão do ex-presidente.
O presidente argentino ainda atacou diretamente Lula. Em diferentes momentos do discurso, referiu-se ao presidente brasileiro como “presidiário” e criticou suas políticas econômicas e sociais. Milei afirmou que o governo brasileiro estaria promovendo desequilíbrio econômico com o objetivo de obter apoio eleitoral e disse esperar que Lula “pague” nas urnas pelas políticas adotadas.
O argentino também acusou o governo brasileiro de representar um risco e afirmou que Lula teria “voltado ao poder radicalizado”. As declarações foram feitas diante de militantes e dirigentes do PL, partido que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência.
Além das críticas a Lula e Moraes, Milei voltou a defender sua agenda econômica ultraliberal e fez ataques ao socialismo. O presidente argentino tentou apresentar a candidatura de Flávio Bolsonaro como parte de uma suposta mudança política regional, associando o movimento da direita latino-americana à experiência de seu próprio governo.
Durante o discurso em São Paulo, Milei chegou ainda a utilizar linguagem ofensiva contra setores da esquerda, em uma fala marcada por ataques políticos e críticas ao campo progressista.

STF reage a ataques de Milei
As declarações de Javier Milei também provocaram reação do Supremo Tribunal Federal. O presidente da Corte, ministro Edson Fachin, classificou como desrespeitosa a manifestação do presidente argentino contra Alexandre de Moraes.
Em nota, Fachin afirmou que se tratava de uma referência desrespeitosa a um magistrado da mais alta Corte do país, feita em território brasileiro e relacionada a uma decisão judicial tomada de acordo com a Constituição e as leis brasileiras.
“Ao reafirmar a plena autonomia do Judiciário brasileiro, a Presidência do STF deplora manifestações incompatíveis com a civilidade que deve caracterizar as relações entre os Estados.”
A declaração reforçou um dos principais pontos da reação do Itamaraty: a defesa da soberania das instituições brasileiras diante da manifestação de um chefe de Estado estrangeiro dentro do território nacional.
Embaixador brasileiro retorna a Brasília
O embaixador do Brasil na Argentina, Julio Bitelli, chegou a Brasília na manhã desta segunda-feira (27) e deverá se reunir com o chanceler Mauro Vieira. Ele ficará à disposição do ministro e do presidente Lula para prestar informações sobre o relacionamento bilateral e avaliar os próximos passos da diplomacia brasileira.
Ainda não há previsão para o retorno de Bitelli a Buenos Aires.
A convocação para consultas é diferente de uma ruptura diplomática ou da retirada definitiva do embaixador. Trata-se de um instrumento utilizado para demonstrar forte descontentamento e permitir que o governo avalie a situação antes de definir eventuais novas medidas.
Ao mesmo tempo, o Itamaraty convocou o embaixador argentino Daniel Raimondi para uma reunião com Mauro Vieira. O chanceler fez questão de receber pessoalmente o diplomata, em um gesto que reforça a gravidade atribuída pelo governo brasileiro às declarações de Milei.
A combinação das duas medidas — chamar o embaixador brasileiro para consultas e convocar o representante argentino para esclarecimentos — representa uma das reações diplomáticas mais contundentes do Brasil em relação a um país vizinho nos últimos anos.
Crise ocorre em meio a relação histórica entre Brasil e Argentina
O episódio ganha peso adicional porque Brasil e Argentina mantêm uma relação bilateral construída ao longo de mais de dois séculos, com intensa integração econômica, política e comercial. A Argentina é um dos principais parceiros comerciais brasileiros e os dois países são peças centrais do processo de integração sul-americana.
Por isso, o Itamaraty destacou expressamente, na nota oficial, os 203 anos de amizade e cooperação entre as duas nações e o papel do Brasil como principal sócio comercial da Argentina.
A crise também ocorre em um momento de forte aproximação política entre Javier Milei e setores da direita brasileira. O presidente argentino participou diretamente do lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro, demonstrando apoio político ao senador e pré-candidato do PL.
Antes do evento, Milei também foi recebido pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, no Palácio dos Bandeirantes. Na ocasião, o presidente argentino recebeu a Ordem do Ipiranga, considerada a mais alta honraria concedida pelo Estado de São Paulo.
A presença de Milei em um evento partidário brasileiro e seus ataques a autoridades nacionais ampliaram, portanto, o alcance político e diplomático da crise.
O episódio coloca o governo brasileiro diante do desafio de preservar os canais institucionais com a Argentina sem deixar sem resposta declarações consideradas ofensivas às autoridades e às instituições do país. A decisão de chamar o embaixador Julio Bitelli para consultas e convocar Daniel Raimondi ao Itamaraty sinaliza que Brasília considera as manifestações de Milei um episódio grave, mas mantém, neste momento, os canais diplomáticos entre os dois países.
A expectativa agora é que as consultas em Brasília e a reunião entre Mauro Vieira e o embaixador argentino contribuam para definir os próximos passos da relação entre os governos Lula e Milei. O caso também evidencia como a aproximação do presidente argentino com a direita brasileira passou a produzir efeitos que ultrapassam a disputa política e atingem diretamente a diplomacia entre Brasil e Argentina.
Lula e Xi Jinping reforçam parceria entre Brasil e China em meio a rearranjo do comércio internacional
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversou por telefone neste domingo (26) com o presidente da China, Xi Jinping, em uma ligação que durou mais de uma hora e marcou um novo movimento de aproximação entre Brasília e Pequim. Leia em TVT News.
A conversa ocorreu em um momento de mudanças no cenário do comércio internacional, após a imposição de novas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, e resultou em uma sinalização de fortalecimento da cooperação econômica, tecnológica e diplomática entre os dois países.
Segundo comunicado divulgado pelo Palácio do Planalto, Lula e Xi Jinping reafirmaram o compromisso de aprofundar as relações bilaterais, acelerar as negociações para um possível acordo entre Mercosul e China e ampliar a cooperação em áreas estratégicas, como inteligência artificial, satélites, beneficiamento de minerais críticos e comércio de fertilizantes.
Embora o governo brasileiro não tenha informado oficialmente que o tarifaço norte-americano foi discutido durante o telefonema, a conversa ocorreu poucos dias após a entrada em vigor das novas sobretaxas impostas pelos Estados Unidos e em meio ao discurso do governo federal de ampliar mercados e reduzir a dependência comercial de parceiros tradicionais.
Durante a ligação, Lula reiterou que o Brasil continuará trabalhando pela diversificação de mercados e pela ampliação das relações econômicas com diferentes regiões do mundo. A posição reforça uma estratégia adotada pelo governo desde o início do mandato, baseada na ampliação das parcerias internacionais e na defesa de uma política externa voltada ao multilateralismo.
Em sua rede X, Lula publicou contando sobre a coneversa com o presidente da China:
Mantive na noite deste domingo, 26 de julho, uma conversa telefônica de mais de uma hora de duração com o presidente da China, Xi Jinping.
— Lula (@LulaOficial) July 27, 2026
Durante o telefonema, tratamos da implementação das sinergias entre os projetos nacionais de desenvolvimento dos dois países. Reiteramos o…
Cooperação econômica
Além do fortalecimento do comércio bilateral, os dois presidentes discutiram projetos voltados para setores considerados estratégicos para o desenvolvimento econômico dos dois países.
De acordo com o Planalto, Brasil e China pretendem ampliar a cooperação em inteligência artificial, desenvolvimento de satélites, processamento de minerais críticos, insumos considerados fundamentais para a indústria de alta tecnologia e para a transição energética, e comércio de fertilizantes, área relevante para o agronegócio brasileiro.
Os líderes também defenderam a aceleração das negociações para um acordo comercial entre o Mercosul e a China. Segundo o comunicado oficial, ambos concordaram que as tratativas devem considerar as flexibilidades necessárias para atender às especificidades de cada parte.
Caso avance, um eventual acordo poderá representar uma ampliação das relações comerciais entre o bloco sul-americano e a maior economia asiática, que já ocupa posição de principal parceiro comercial do Brasil.
Outro tema destacado foi o bom desempenho recente do comércio bilateral, além dos efeitos positivos das iniciativas culturais promovidas pelos dois países ao longo deste ano.
Lula e Xi também ressaltaram a importância do acordo de isenção de vistos para viagens de curta duração, avaliando que a medida tende a estimular tanto o turismo quanto novos investimentos e oportunidades de negócios.
Xi Jinping manifesta apoio ao Brasil contra interferências externas
Segundo informações divulgadas pela agência estatal chinesa Xinhua, Xi Jinping afirmou durante a conversa que a China apoia o Brasil na rejeição de interferências externas e está disposta a fortalecer ainda mais a coordenação estratégica entre os dois países nos fóruns internacionais.
O presidente chinês afirmou que, diante das transformações no cenário global, Brasil e China, como integrantes do chamado Sul Global, têm condições de desempenhar papel relevante na defesa da justiça internacional, da reforma dos mecanismos de governança global e da ampliação da cooperação entre países em desenvolvimento.
A manifestação ocorre em um contexto de aumento das disputas comerciais internacionais e de debates sobre o reposicionamento das economias emergentes nas relações multilaterais.
Embora o comunicado brasileiro não faça referência direta às tarifas impostas pelos Estados Unidos, a declaração de Xi Jinping foi interpretada como uma demonstração de apoio político ao governo brasileiro em meio às tensões comerciais recentes.
Conflitos internacionais também entraram na pauta
A conversa entre Lula e Xi Jinping não se limitou aos temas econômicos. Os presidentes também discutiram a situação internacional e manifestaram preocupação com a multiplicação de conflitos armados em diferentes regiões do planeta.
Segundo o Palácio do Planalto, ambos destacaram os impactos das guerras sobre a segurança alimentar e energética global, além das consequências humanitárias decorrentes desses confrontos.
No caso do Oriente Médio, Lula e Xi Jinping demonstraram preocupação com a continuidade da crise humanitária na Faixa de Gaza e avaliaram que as restrições à navegação nos estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb produzem efeitos negativos sobre a economia mundial, afetando cadeias comerciais e fluxos internacionais de mercadorias.
Outro tema abordado foi a guerra entre Rússia e Ucrânia. Os dois líderes defenderam que o Grupo de Amigos da Paz, iniciativa criada por Brasil e China em 2024 no âmbito das Nações Unidas, pode contribuir para a retomada das negociações diplomáticas voltadas ao encerramento do conflito.
Críticas ao funcionamento do Conselho de Segurança da ONU
Durante a conversa, Lula e Xi Jinping também avaliaram o atual funcionamento das Nações Unidas, especialmente do Conselho de Segurança.
Segundo o comunicado divulgado pelo governo brasileiro, ambos consideraram que o órgão não tem conseguido responder de forma adequada às principais crises internacionais, limitando sua capacidade de promover soluções diplomáticas para conflitos armados.
Os dois presidentes observaram ainda que o próximo secretário-geral da ONU encontrará um cenário internacional marcado por disputas geopolíticas, crises humanitárias e desafios relacionados à governança global.
Ao final do telefonema, Lula e Xi Jinping reafirmaram o compromisso de Brasil e China com a defesa do multilateralismo e concordaram em manter articulação permanente nos principais fóruns internacionais, como a ONU, os Brics e outros espaços de cooperação internacional.
Datafolha: 52% acreditam que Trump quer favorecer Flávio Bolsonaro com tarifaço
Pesquisa Datafolha divulgada nesta segunda-feira (27) mostra que 52% dos entrevistados acreditam que o tarifaço adotado pelo governo norte-americano de Donald Trump tem como objetivo fortalecer a candidatura do parlamentar Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. Leia em TVT News.
O levantamento foi realizado nos dias 22 e 23 de julho com 2.004 pessoas com mais de 16 anos em todas as regiões do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o estudo está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o código BR-01166/2026.
Segundo os dados do Datafolha, 37% dos entrevistados afirmam que as medidas comerciais adotadas pelos Estados Unidos não têm relação com uma tentativa de beneficiar Flávio Bolsonaro. Outros 11% disseram não saber responder.
Datafolha investigou a relação entre Trump e Bolsonaro influencia percepção dos eleitores
A pesquisa Datafolha também revela diferenças expressivas conforme a preferência eleitoral dos entrevistados. Entre os eleitores que declaram voto em Flávio Bolsonaro, 29% afirmam acreditar que Trump pretende favorecer o senador por meio das tarifas comerciais.
Já entre os entrevistados que dizem votar no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), esse percentual sobe para 73%, indicando que a avaliação sobre as intenções do governo norte-americano está fortemente relacionada ao posicionamento político dos eleitores.
O levantamento mostra ainda que a maior parte da população já acompanha o tema. Ao todo, 63% dos entrevistados afirmaram conhecer o tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil. Desse grupo, 25% disseram estar bem informados sobre o assunto, enquanto 34% classificaram seu nível de conhecimento como razoável.
Tarifaço de Donald Trump a produtos brasileiros

A crise comercial ganhou força após o governo de Donald Trump anunciar, em julho, uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros em razão de uma investigação comercial conduzida pelos Estados Unidos. Dias depois, Washington acrescentou uma nova sobretaxa de 12,5%, desta vez relacionada a alegações de abusos trabalhistas.
Durante a primeira fase da crise comercial entre os dois países, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), irmão de Flávio, atuou nos Estados Unidos em defesa da aproximação com o governo norte-americano. A relação da família Bolsonaro com Trump passou a ser apontada como um dos elementos centrais do debate político sobre as medidas adotadas pela Casa Branca.
>> STF condena Eduardo Bolsonaro no processo do tarifaço
>> PF decide demitir Eduardo Bolsonaro por abandono de cargo
Trump já havia utilizado anteriormente a situação política da família Bolsonaro como argumento para justificar sanções comerciais contra o Brasil. Em outra etapa da crise, o presidente norte-americano chegou a mencionar o processo envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro ao anunciar sobretaxas sobre produtos brasileiros, além de determinar punições contra integrantes do governo federal e do Supremo Tribunal Federal.
Responsabilidade pelo tarifaço divide opiniões, mas maioria associa objetivo político à medida
Além de investigar a percepção sobre as motivações da tarifa imposta pelos Estados Unidos, o Datafolha também mediu como os brasileiros distribuem a responsabilidade pela crise comercial entre os dois países. O levantamento revela um cenário fragmentado, em que diferentes atores políticos são apontados como responsáveis pelo agravamento das tensões.
Quando questionados sobre quem tem razão no debate em torno da origem do conflito, 34% dos entrevistados concordaram com a avaliação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que atribui responsabilidade ao senador Flávio Bolsonaro. Outros 26% afirmaram que o parlamentar está correto ao responsabilizar o governo federal pela situação. Há ainda 24% que consideram que nenhum dos dois lados apresenta uma explicação satisfatória, enquanto 11% entendem que ambos têm parte da razão. Outros 6% não souberam responder.
Já sobre quem seria o principal responsável pela punição comercial anunciada por Washington, o presidente Lula foi citado por 35% dos entrevistados. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aparece em seguida, com 28%. Os irmãos Flávio e Eduardo Bolsonaro somam 23% das respostas, sendo 13% para Flávio e 10% para Eduardo. Outros 10% disseram não saber apontar um responsável.
Negociação é apontada como melhor caminho para superar a crise
Outro aspecto investigado pelo Datafolha foi a forma como os brasileiros avaliam a reação do governo brasileiro diante das tarifas impostas pelos Estados Unidos. Nesse ponto, Datafolha aponta ampla preferência pela busca de uma solução negociada.
Segundo o levantamento, 74% dos entrevistados defendem que o Brasil priorize negociações diplomáticas para tentar reverter ou minimizar os impactos das medidas adotadas por Washington. Apenas 17% acreditam que o governo brasileiro deveria responder com retaliações equivalentes aos produtos norte-americanos, enquanto somente 2% consideram que o país deveria aceitar as tarifas sem qualquer reação.
>> Especialistas apontam estabilidade na pesquisa Datafolha
O resultado reforça uma percepção de que, apesar das divergências sobre as causas da crise, a maioria da população prefere preservar o diálogo entre os dois países e evitar uma escalada das tensões comerciais.
A pesquisa Datafolha também perguntou como os brasileiros avaliam a atuação do presidente Lula diante do episódio. Para 51% dos entrevistados, o governo fez menos do que poderia para evitar o tarifaço. Outros 29% consideram que a condução foi adequada, enquanto 12% avaliam que o presidente foi além do necessário em suas ações. O restante não soube responder.

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