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Da Redação

Rússia pede que embaixadas estrangeiras em Kiev retirem seu pessoal diante de possível ataque

A Rússia instou as embaixadas estrangeiras a garantirem a “evacuação oportuna” de seus funcionários e cidadãos de Kiev, capital da Ucrânia, no caso de um ataque russo à cidade, informou o Ministério das Relações Exteriores de Moscou nesta quarta-feira. Leia em TVT News.

Em nota enviada às embaixadas estrangeiras, a Rússia alertou que lançaria um “ataque de retaliação” contra a capital ucraniana caso a Ucrânia interrompesse as comemorações de 9 de maio em Moscou, e instou-as a “garantir a evacuação oportuna do pessoal de missões diplomáticas e outras, bem como de cidadãos, da cidade de Kiev”.

Na Rússia, no 9 de maio se comemora o Dia da Vitória, que foi quando ocorreu a rendição da Alemanha Nazista em 1945. Trata-se de um dos feriados nacionais mais importantes do país.

Ataques russos nesta noite de segunda (05)

A ofensiva russa com drones e mísseis intensificou-se entre a noite de segunda e esta terça-feira, resultando na morte de ao menos 22 pessoas e deixando mais de 80 feridos. A onda de violência ocorre em um momento diplomático contraditório: o governo de Kiev se preparava para oficializar uma interrupção nas hostilidades, enquanto o Kremlin havia prometido uma pausa semelhante para o final da semana.

No período da tarde, cidades estratégicas em diferentes regiões do país foram alvo de bombas planadoras de alto poder destrutivo. Em Kramatorsk (leste), Zaporizhzhia (sul) e Chernihiv (norte), os bombardeios atingiram áreas civis, vitimando fatalmente 17 pessoas e ferindo outras 45. Esse balanço soma-se às cinco mortes registradas na madrugada anterior.

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O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, criticou duramente a postura de Moscou. Para o líder, o lançamento de ofensivas fatais logo após o anúncio de um cessar-fogo unilateral por parte da Rússia demonstra “cinismo absoluto”. A trégua russa está prevista para ocorrer durante dois dias, coincidindo com a celebração do 81º aniversário da vitória aliada sobre a Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial, em 9 de maio.

Zelenskyy utilizou suas redes sociais para reforçar que a interrupção definitiva do conflito depende exclusivamente da vontade russa. “A paz exige passos reais. A Ucrânia responderá na mesma moeda”, declarou o presidente, ao confirmar que seu país também observaria um cessar-fogo a partir desta terça, mas com o direito de revidar qualquer agressão.

*** Informações da AFP

Relembre o contexto da guerra: Geopolítica em Foco analisa invasão ucrâniana à Rússia: “É pastel de vento”

Cufa lança programa gratuito de cuidado emocional

A Central Única das Favelas (CUFA) lança, na próxima quinta-feira (7), um programa nacional gratuito de cuidado emocional para todo o país, ampliando uma frente de atuação que a organização já desenvolve em suas bases e em ações emergenciais humanitárias. Leia em TVT News.

Cufa lança programa nacional gratuito de cuidado emocional com acesso online

O lançamento será marcado por evento simultâneo em São Paulo e Rio de Janeiro, das 9h às 12h, com assinatura da parceria, abertura do pré-cadastro e início oficial da iniciativa. A ação acontece na CUFA Parque Santo Antônio, em São Paulo, e na CUFA Complexo da Penha, no Rio de Janeiro.

A ação tem como objetivo ampliar o acesso inicial ao acolhimento psicológico, especialmente para pessoas que muitas vezes nunca tiveram qualquer tipo de atendimento emocional ao longo da vida. Além do formato digital, a CUFA conecta o atendimento online à sua atuação nos territórios, fortalecendo o acesso local por meio de suas bases comunitárias em diferentes estados.

Como parte da mobilização nacional, a organização realizará, no domingo de Dia das Mães, uma ação especial voltada ao acolhimento emocional de mães das favelas brasileiras, utilizando o mesmo canal de acesso do programa.A iniciativa transforma o cuidado emocional em um eixo permanente de atuação da entidade, combinando tecnologia, acesso online e articulação territorial.

O programa contará com uma plataforma online que permitirá o pré-cadastro de pessoas de todo o Brasil para acesso gratuito a atendimentos psicológicos online, com capacidade inicial para atender 5 mil pessoas.
 

A operação é realizada em parceria com a Favela Seguros, empresa da Favela Holding, por meio de uma plataforma digital de cuidado e teleatendimento, que conecta usuários a profissionais de saúde e viabiliza os atendimentos online de forma acessível. Cada participante poderá receber até dois atendimentos mensais durante um período máximo de três meses. Quando necessário, os profissionais poderão orientar e encaminhar os participantes para continuidade do cuidado em serviços especializados.

A ação integra o lançamento nacional da iniciativa, que começa oficialmente na quinta-feira e seguirá funcionando de forma permanente após o Dia das Mães.“A gente já vinha fazendo esse trabalho nas nossas bases e nas ações emergenciais. O que estamos fazendo agora é organizar isso em escala”, afirma Kalyne Lima, presidente nacional da CUFA.
 

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O programa contará com uma plataforma online que permitirá o pré-cadastro de pessoas de todo o Brasil para acesso gratuito a atendimentos psicológicos online. Foto: Redes Sociais / Favela Seguros

“A Favela Seguros nasceu de um propósito muito claro: milhões de brasileiros ainda vivem sem acesso ao mínimo de proteção. Os sistemas tradicionais nunca foram pensados para quem está nesses territórios, e isso precisa mudar. Esse projeto é, para mim, mais do que um negócio, é um compromisso. A gente quer levar dignidade, segurança e acesso a quem mais precisa. E iniciativas como essa mostram que é possível ampliar o cuidado, chegar antes e construir, de forma consistente, uma nova lógica de proteção no Brasil,” afirma Helder Molina, CEO do Grupo MAG e da Favela Seguros.

“Durante muito tempo, a favela apareceu nas discussões públicas apenas pela ausência: ausência de acesso, de cuidado, de oportunidade e de proteção. A Favela Holding nasce justamente para inverter essa lógica, criando soluções capazes de colocar esses territórios no centro da inovação social, econômica e tecnológica do país.”, afirma Celso Athayde.

“Quando estruturamos um projeto como esse, não estamos falando apenas de atendimento psicológico. Estamos falando da construção de modelos que usam tecnologia, escala e presença territorial para levar dignidade a quem historicamente ficou fora das prioridades do sistema. E quando olhamos para as mães das favelas, estamos falando das pessoas que sustentam emocionalmente milhares de famílias e quase nunca encontram espaço para cuidar de si”, explica Athayde.

SERVIÇO:

Lançamento simultâneo do programa, assinatura da parceria e abertura do pré-cadastro

Data: Quinta-feira, 7 de maio

Horário: Das 9h às 12h

Locais:

  • São Paulo – CUFA Parque Santo Antônio: Rua José Rodrigues Maciel, 210/637
  • Rio de Janeiro – CUFA Complexo da Penha: Estrada José Rucas, 1266 — Vila Cruzeiro, Penha

Sobre a Favela Seguros

A Favela Seguros é uma iniciativa criada a partir da parceria entre a Favela Holding e a MAG Seguros, com apoio social da CUFA, com o objetivo de promover a inclusão financeira e social nas favelas brasileiras.

A empresa oferece produtos desenhados especificamente para atender às necessidades dos moradores desses territórios, como assistência funeral, telemedicina, sorteios semanais de R$ 10 mil e indenização de até R$ 50 mil para proteção das famílias. A Favela Seguros também capacita moradores para atuarem como representantes de vendas focados em proteção financeira e familiar em seus territórios, criando oportunidades de trabalho e fomentando o empreendedorismo local.
 

Tratamentos inadequados podem agravar asma em adultos, mostra estudo

Um levantamento realizado com cerca de 400 pacientes atendidos em Unidades Básicas de Saúde (UBS) mostrou que 60% dos adultos com asma apresentaram função pulmonar reduzida devido ao uso de tratamentos defasados, como o uso de bombinhas de resgate. No caso das crianças, o índice chegou a 33%. Leia em TVT News.

Os dados foram revelados por uma pesquisa do Projeto CuidAR, conduzida pelo Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre (RS), em parceria com o Ministério da Saúde.

A pesquisa demonstra que a maior parte das pessoas atendidas na Atenção Primária à Saúde (APS) é medicada com tratamentos não recomendados e, portanto, está sujeita a danos pulmonares significativos.

Os broncodilatadores de curta ação (SABA), conhecidos como “bombinhas de resgate”, são usados como único medicamento para tratar pessoas com asma por mais da metade dos pacientes consultados.

O principal problema das bombinhas, de acordo com as diretrizes mundiais da Iniciativa Global para Asma (GINA, em inglês), é sua ineficiência a longo prazo. Segundo a entidade, os SABA apenas mascaram a inflamação, o que aumenta o risco de exacerbações graves e de mortalidade.

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Estudo

De acordo com o estudo do Projeto CuidAR, os adultos que apresentam função pulmonar reduzida não tiveram o dano revertido com a aplicação de broncodilatadores durante a espirometria, teste que avalia a capacidade pulmonar. O responsável técnico do estudo, pneumologista pediátrico Paulo Pitrez, confirma esse cenário.

“Nosso estudo mostra que tanto crianças quanto adultos começaram o teste de função pulmonar com o pulmão funcionando abaixo do esperado antes de usar a bombinha. Após o remédio, um terço das crianças e a maioria dos adultos não conseguiram normalizar a função pulmonar, o que sugere que, em muitos casos, o dano ao pulmão já pode ser irreversível devido à falta de tratamento adequado ao longo dos anos,” aponta Pitrez.

Atualmente, o tratamento recomendado para pessoas que têm asma exige o uso de um broncodilatador de longa ação (LABA), combinado com anti-inflamatórios de inalação. Contudo, Pitrez diz que grande parte das UBSs segue utilizando métodos defasados que focam no alívio momentâneo da doença.

“É imperativo mudarmos esse paradigma, não só por meio da implementação de estratégias preventivas e farmacológicas atualizadas no SUS, mas também através da conscientização da população, que não deve ignorar a gravidade da doença, principalmente em um cenário de longo prazo,” afirma o médico.

O estudo também quantifica que a falta de tratamento adequado afeta de forma negativa a vida da população com asma, que, no Brasil, concentra aproximadamente 20 milhões de pessoas, segundo a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia.

Ao longo dos últimos 12 meses, em média, 60% dos pacientes analisados perderam dias de estudo ou trabalho devido à asma. O absenteísmo atinge mais de 80% das crianças e adolescentes, e 50% dos adultos, afetando o aprendizado e a produtividade.

Outro dado da pesquisa diz respeito à condição de saúde da população com asma. Quase 70% dos participantes relataram três ou mais crises recentes, quase metade precisou ir ao pronto-socorro e, entre esses, 10% foram hospitalizados.

Segundo um estudo publicado no Jornal Brasileiro de Pneumologia, a mortalidade pela doença também tem crescido, resultando em uma média de seis mortes diárias no país.

Expansão do projeto

A pesquisa também propõe formas de reduzir as taxas de hospitalização e a implementação de um novo tipo de exame nos hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS).

O estudo avalia a implementação de um dispositivo que mede o pico de fluxo expiratório dos pacientes no serviço público de saúde. O aparelho é chamado de Peak Flow e surge como uma alternativa viável à espirometria tradicional. 

Segundo os pesquisadores, o dispositivo é de fácil manuseio e custa cerca de R$ 200, valor mais baixo que o do exame tradicional completo, que chega a custar R$ 15 mil.

O Projeto CuidAR também procura reverter o quadro de atendimento inadequado nas UBSs por meio da educação continuada de profissionais da saúde.

Fonte: Matheus Crobelatti/ Agência Brasil

Governo registra recorde na titulação de quilombos entre 2023 e 2026

A política de reparação histórica e garantia de direitos das comunidades tradicionais avança no Brasil com a ampliação dos processos de regularização fundiáriade quilombos. Desde o começo do governo Lula, foram publicados 70 decretos de titulação de terras quilombolas, que representa aproximadamente 40% das 159 titulações que ocorreram desde 2006. Leia em TVT News.

A ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros, apresenta nesta quinta-feira (7), a partir das 8h, os resultados das ações prioritárias da pasta no programa “Bom Dia, Ministra”. Entre os principais dados da gestão está o andamento da titulação de territórios de quilombos, que alcançou o maior volume de atos assinados em um mesmo governo na história recente do país.

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Expansão das Casas da Igualdade Racial e avanços em titulações quilombolas são destaques do “Bom Dia, Ministra” com Rachel Barros – Reprodução

De acordo com as informações oficiais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou recentemente dois decretos voltados à regularização fundiária, contemplando as comunidades de Curuanha e Luziense, ambas localizadas no estado de Sergipe. Esses novos atos consolidam uma mudança no ritmo das demarcações para os quilombos nos últimos anos.

Balanço histórico e avanço na titulação de quilombos

O acompanhamento dos dados da política de igualdade racial revela uma concentração significativa de atos de regularização nos últimos três anos. O balanço das ações apresenta a seguinte distribuição:

  • Total desde 2006: Foram publicados 159 decretos voltados à titulação de territórios de quilombos no país.
  • Período de 2023 a 2026: Foram editados 70 decretos, o que correspondia a 44% do total histórico.
  • Atualização recente: Com a inclusão das assinaturas para as comunidades sergipanas de Curuanha e Luziense, o número no período atual subiu para 72 atos assinados.

O volume de decretos emitidos entre 2023 e 2026 representa o maior patamar de titulações registrado por uma única gestão desde o início da vigência dessa política pública de reparação no Brasil.

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Mais de R$ 26 milhões foram destinados a políticas voltadas para quilombolas, comunidades tradicionais de matriz africana, povos de terreiro e ciganos. Foto: Associação Quilombo da Maranbaia

Casas da Igualdade Racial e acolhimento em territórios

Além da regularização das terras de quilombos, as ações de promoção de direitos humanos incluem o fortalecimento das redes de acolhimento urbano e regional. O Ministério da Igualdade Racial detalha a expansão das Casas da Igualdade Racial, espaços estruturados para o atendimento a vítimas de racismo e para a promoção de direitos da população negra e das comunidades tradicionais.

Essas unidades oferecem serviços de orientação jurídica e apoio psicossocial, servindo como canal de encaminhamento para as redes públicas de saúde, educação, assistência social, cultura e direitos humanos. A estrutura também funciona como centro de difusão cultural, realizando oficinas, rodas de conversa e atividades voltadas à preservação e valorização da história afro-brasileira. A primeira unidade foi aberta no Rio de Janeiro, em março de 2026, seguida por inaugurações em Fortaleza (CE) e Pelotas (RS).

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Ações afirmativas e o Plano Juventude Negra Viva

No campo da educação e da segurança pública, o enfrentamento às desigualdades raciais que afetam os moradores de quilombos e das periferias urbanas é conduzido por mecanismos institucionais como a Lei de Cotas (Lei nº 12.711). A legislação assegura a reserva de, no mínimo, 50% das vagas em universidades e institutos federais para estudantes oriundos de escolas públicas, distribuídas com base em critérios de renda, raça e deficiência.

Em paralelo, o governo acompanha a implementação do Plano Juventude Negra Viva, que completou dois anos de vigência. A estratégia interministerial conta com mais de 200 ações integradas em execução pelo território nacional. As frentes de trabalho envolvem segurança, saúde, assistência social, esporte e meio ambiente, focando na redução da violência e na ampliação de oportunidades estruturais para a juventude negra.

Relação entre o racismo estrutural e o mundo do trabalho

As pautas de igualdade racial também se interceptam com as demandas do mundo do trabalho, com destaque para o debate sobre a redução da escala 6×1. A proposta prevê a alteração da jornada laboral para cinco dias de trabalho por dois de descanso, mantendo o patamar salarial dos trabalhadores.

O tema guarda relação direta com as desigualdades que atingem a população negra e as comunidades de quilombos. Devido ao racismo estrutural, esses grupos são majoritariamente inseridos em postos de trabalho precarizados, caracterizados por rotinas exaustivas e remunerações reduzidas. A readequação da jornada é apresentada como medida para assegurar maior tempo de convívio familiar e lazer, gerando impactos diretos na saúde mental e na qualidade de vida da classe trabalhadora.

Corrupção, inflação e economia em queda desafiam Milei na Argentina

O governo do ultraliberal Javier Milei enfrenta o pior momento à frente da Argentina em meio a escândalos de corrupção, queda nos índices de popularidade e na atividade econômica e industrial. Saiba mais na TVT News.

A inflação, até então principal vitrine política da Casa Rosada, voltou a acelerar. Após reduzir a inflação mensal de dois dígitos, no final de 2023, para cerca de 2% ao mês, ao longo de 2025, os índices de preços voltaram a subir entre o final do ano passado e o início de 2026, chegando a 3,4% em março deste ano.

A aceleração recente fez Milei reconhecer dificuldades econômicas publicamente. “O dado é ruim”, disse em uma rede social.

Ao mesmo tempo, a atividade econômica na Argentina apresentou uma retração de 2,6% em fevereiro, se comparado a janeiro, com uma queda acumulada de 2,1% nos últimos 12 meses.

Talvez a situação mais preocupante seja a queda na produção industrial, que registrou baixa de 4% em fevereiro, acumulando uma queda de 8,7% nos últimos 12 meses.  

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Plano econômico

O professor de economia da Fundação Getulio Vargas de São Paulo (FGV-SP) Paulo Gala comentou que o plano econômico de Milei é “simplista” e não tem dado conta de reverter completamente à situação econômica que herdou.

“As pessoas não confiam mais no peso [moeda argentina]. Elas dolarizam [cotam em dólar] os contratos, um pouco parecido com o que aconteceu com o Brasil antes do Plano Real. Com isso, com qualquer coisa a inflação volta a acelerar. Reduzir o tamanho do Estado não resolve nada”, disse.

O governo de Milei prega a redução do tamanho do Estado, com corte de gastos e austeridade fiscal, como medidas para conter a inflação e recuperar a economia.

O economista Gala avalia que o plano de Milei não deve ir muito longe, argumentando que seriam necessárias outras medidas, como instituir uma nova moeda. 

Ele destacou ainda que o peso argentino está sobrevalorizado, o que tem, segundo ele, destruído a indústria do país.

“Esse mergulho da atividade manufatureira é fatal para o país porque esse setor é responsável por aumento de produtividade, por ganhos tecnológicos. Esse dado da indústria é muito ruim. Essa abertura comercial violenta que o Milei tem feito também destrói o pouco que restou de indústria na Argentina”, completou.

Para o especialista, a tendência é a Argentina se desindustrializar cada vez mais, focando a economia apenas no setor agroexportador de matérias-primas. 

“Não está descartado um cenário de recessão e, possivelmente, nova crise cambial com enorme dívida em dólares”, analisa Paulo Gala.

A Argentina tem contraído novos empréstimos com bancos internacionais, em dólares, para segurar o valor do peso.

Popularidade

Além da situação econômica difícil, recentes casos de corrupção têm contribuído para a queda nos índices de popularidade do governo.

Um dos exemplos é a investigação sobre suposto enriquecimento ilícito do chefe de gabinete de Milei, Manuel Adorni, que tem tido que se explicar sobre viagens de luxo e compra e reforma de imóveis supostamente incompatíveis com sua renda.

As pesquisas de opinião têm registrado índices de desaprovação superiores a 60%, marcando os piores números desde que assumiu a Casa Rosada, em dezembro de 2023. 

A da Atlas Intel do final de abril indicou uma reprovação de 63% da figura do Milei, com uma aprovação de 35%.

A corrupção e o desempenho econômico são os fatores determinantes para a queda na popularidade. 

Segundo a consultoria Zentrix, 66,6% da população avaliam que se “quebrou” a promessa “anti-casta” de combate à corrupção de Milei.  

“A corrupção surge como o principal desafio do país, mesmo entre aqueles que votaram no partido governante em 2025, superando o desemprego, a inflação ou os salários”, diz a empresa de pesquisas de opinião.

O cientista político argentino Leandro Gabiati explicou à Agência Brasil que Milei foi eleito muito em cima do discurso de combate à corrupção, o que tem sido desconstruído ao longo do mandato.

“Esse governo colocou a pauta da corrupção como uma política de Estado. Quando se observa que há casos envolvendo alguns funcionários do governo, como é o caso do chefe de gabinete, que seria uma espécie de primeiro-ministro, isso aí afeta a imagem do governo, desgasta o governo e cria problemas”, explicou.

Ao mesmo tempo, Gabiati diz que a população reconhece a conquista do governo de reduzir a inflação, porém, pondera que os preços continuam subindo.

“Obviamente, essa inflação, que dá uns 30% a 40% ao ano, é uma inflação importante. Reduzir demandaria mais esforço, tanto da sociedade, quanto do governo”, diz o especialista.

Mas o que tem jogado à favor do governo Milei é a desorganização e a desaprovação da população em relação à oposição ao governo da Argentina.

“Isso aí quer dizer que o governo terá problemas na eleição presidencial de 2027? Isso é algo que ainda está muito longe no radar. O governo tem alguns problemas que terá que resolver agora, mas a oposição ainda permanece desorganizada e sem ser uma opção política clara para o eleitor argentino”, avalia.

Em uma notícia positiva para o governo, a consultoria de riscos Fitch Rating elevou a nota de crédito da Argentina de CCC+ para B-, com perspectiva de estabilidade, ao reconhecer as melhorias na “situação fiscal” e na balança externa do país. 

Em consequência, a bolsa de Buenos Aires opera em alta nesta quarta-feira (6). Porém, para o economista Paulo Gala, isso não muda o quadro geral da economia argentina.

Imprensa

Em meio a esse contexto, o governo Milei tem escolhido a imprensa como um dos seus alvos. No final de abril, o governo proibiu a entrada de jornalistas na Casa Rosada, prejudicando cerca de 60 profissionais que cobriam o Poder Executivo, em Buenos Aires.

Algumas emissoras foram acusadas de filmarem áreas do edifício sem autorização, o que foi negado pelas empresas de mídia.

Após críticas contra a medida, apontada como uma violação à liberdade de imprensa na Argentina, o governo reabriu a Casa Rosada para imprensa nesta segunda-feira (3), mantendo ainda restrições à circulação na sede do poder do país vizinho.

Lucas Pordeus León – Repórter da Agência Brasil

Conselho de Ética suspende três deputados por motim na Câmara

O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados suspendeu por 60 dias os mandatos dos deputados Marcos Pollon (PL-MS), Marcel van Hattem (Novo-RS) e Zé Trovão (PL-SC), por quebra de decoro. Saiba mais na TVT News.

A suspensão foi motivada pelo motim realizado pelos parlamentares no plenário da Casa em favor da anistia aos golpistas condenados no contexto do 8 de janeiro de 2023.

O resultado da votação do Conselho de Ética ainda precisa ser confirmado, em plenário, por pelo menos 257 votos. Os deputados alvos das representações ainda podem recorrer da decisão à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

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Relembro o caso

Em agosto de 2025, deputados e senadores da oposição pernoitaram nos plenários do Congresso Nacional, impedindo a realização das sessões, em protesto contra a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, e exigindo a votação do projeto de lei da anistia aos golpistas.

Em resposta, o presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), pediu o afastamento de 14 deputados envolvidos no motim.

Já o corregedor da Câmara, deputado Diego Coronel (PSD-BA), sugeriu ao Conselho de Ética a suspensão dos mandatos dos três parlamentares que tiveram os processos analisados.

Votação

Após nove horas de debates, o Conselho de Ética aprovou, nesta terça-feira (5), os pareceres apresentados contra os deputados alvos das representações.

No caso do deputado Pollon, foram 13 votos contra quatro. Já Van Hattem e Zé Trovão tiveram a suspensão aprovada por 15 votos contra quatro.  

O deputado Zé Trovão classificou a decisão como perseguição, dizendo que tomaria novamente a Mesa

“E digo mais, se for preciso tomar a Mesa novamente, em algum momento da história, para defender quem me elegeu, assim eu o farei.”

Já o deputado Marcos Pollon destacou que nunca teria quebrado o decoro durante seu mandato.

“Sempre mantive um debate de alto nível. Só que a humanidade grita mais alto para quem tem sangue correndo nas veias. O grau de injustiça que nós estamos vendo no nosso país é absurdo”, lamentou.

Por sua vez, o deputado Marcel van Hattem destacou que o motim no plenário da Câmara teria sido uma manifestação pacífica.

“Assim como foi feito no Senado – Senador Girão, Senador Sergio Moro esteve aqui conosco dando solidariedade também –, onde nada aconteceu. Nós vimos lá, sim, bom senso, respeito à democracia, respeito à oposição. Aqui nós estamos vendo a mais pura e simples perseguição”, destacou em sua defesa.

Agência Brasil