Agora
Da Redação
Adeus Oscar? Projeto do PL que prevê extinção da Ancine volta ao debate após eleição e Variety alerta para riscos ao cinema brasileiro
Um projeto de lei apresentado pelo deputado Capitão Augusto (PL-SP) que prevê a extinção da Agência Nacional do Cinema (Ancine) voltou a repercutir após o primeiro turno das eleições de 2026. A proposta, protocolada em março, determina que as atribuições da agência sejam transferidas para o Ministério da Cultura. Leia em TVT News.
A discussão ocorre no momento em que o cinema brasileiro ganhou projeção internacional, com o Oscar de melhor filme internacional para “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, em 2025, e os prêmios conquistados por “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, no Festival de Cannes.
A retomada do debate também foi acompanhada por uma reportagem da revista americana Variety, publicada nesta quarta-feira (7). O texto trata das preocupações de profissionais do audiovisual com uma eventual mudança nas políticas públicas para o setor caso Flávio Bolsonaro (PL) seja eleito presidente.
>> Siga o grupo da TVT News no WhatsApp
Projeto prevê transferência das funções da Ancine
O PL 994/2026 foi apresentado por Capitão Augusto em 6 de março e atualmente aguarda despacho do presidente da Câmara dos Deputados. O texto determina a extinção da Ancine e prevê que suas competências regulatórias sejam assumidas pelo Ministério da Cultura, por meio de uma secretaria específica.
Pela proposta, o patrimônio, os contratos, os convênios, os direitos e as obrigações da agência seriam transferidos para a União. Os servidores e empregados públicos da Ancine seriam redistribuídos para outros órgãos da administração federal.
O projeto também prevê que a gestão dos recursos destinados ao audiovisual atualmente administrados no âmbito da Ancine passe para o Ministério da Cultura.
Na justificativa, Capitão Augusto argumenta que a mudança teria como objetivo reduzir despesas administrativas e manter as funções de regulação e fomento do setor sob responsabilidade do governo federal. O deputado também apresentou outros projetos com propostas de extinção ou mudança de estrutura de órgãos públicos.
O que a Ancine faz
Criada em 2001, a Ancine atua na regulação, fiscalização e no fomento do setor audiovisual brasileiro. Entre suas atribuições estão mecanismos de financiamento direto e indireto de produções, além da gestão de programas relacionados ao desenvolvimento da cadeia cinematográfica.
Segundo informações da própria agência, o Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) financia diferentes etapas do setor, incluindo produção, distribuição, comercialização, exibição e infraestrutura. Os recursos podem ser utilizados por meio de investimentos, financiamentos e apoio não reembolsável.
A estrutura de fomento da Ancine também envolve editais e chamadas públicas, acompanhamento de projetos, contratação de agentes financeiros e análise da prestação de contas dos recursos empregados.
Parte dos recursos do FSA tem origem na Condecine, contribuição destinada ao financiamento de programas de desenvolvimento do cinema e do audiovisual brasileiros.
Caso o projeto seja aprovado, essas atividades passariam a ser organizadas dentro do Ministério da Cultura, conforme o desenho previsto no texto apresentado à Câmara.
Variety relaciona retomada do cinema a políticas públicas
A discussão sobre o futuro do setor também chegou à imprensa internacional. Em reportagem publicada nesta semana, a Variety analisou o momento do cinema brasileiro e relacionou a retomada da produção às políticas públicas de financiamento e incentivo ao audiovisual.
A publicação destacou os resultados recentes obtidos por filmes brasileiros no exterior e mencionou o anúncio de R$ 1,6 bilhão em investimentos para o audiovisual durante o governo Lula. A reportagem também citou mecanismos como incentivos fiscais, subsídios e políticas de proteção à produção nacional.
A revista também recuperou medidas adotadas durante o governo Jair Bolsonaro, incluindo a redução de recursos destinados à Ancine e ao Fundo Setorial do Audiovisual. Segundo a Variety, a diminuição teria sido de cerca de 43% nos orçamentos desses mecanismos, além de um período de represamento de recursos.
Profissionais ouvidos pela publicação manifestaram preocupação com a possibilidade de alteração das políticas de financiamento do setor em um eventual novo governo.
O diretor Marcelo Gomes afirmou à Variety que uma mudança nas políticas culturais poderia afetar os resultados recentes do audiovisual brasileiro. A produtora Paula Cosenza, da Trema, também falou sobre os efeitos que uma eventual mudança de orientação poderia provocar na cadeia produtiva.
Cinema brasileiro vive período de projeção internacional
Nos últimos anos, produções brasileiras alcançaram resultados inéditos em grandes premiações internacionais.
“Ainda Estou Aqui”, dirigido por Walter Salles, recebeu o Oscar de melhor filme internacional em 2025. No ano seguinte, “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, ampliou a presença brasileira no circuito internacional e recebeu reconhecimento no Festival de Cannes.
A Variety utilizou esse cenário para discutir a relação entre políticas de financiamento público e a capacidade de produção do cinema nacional. A reportagem também abordou as manifestações de profissionais do audiovisual durante o Festival do Rio e o debate sobre a continuidade dos mecanismos de incentivo.
A Ancine, por sua vez, afirma que suas políticas de fomento têm entre os objetivos ampliar a participação de conteúdos nacionais no mercado, estimular a atividade econômica do setor e aumentar a inserção internacional do audiovisual brasileiro.
Rede Nacional de Cursinhos Populares prepara estudantes em situação de vulnerabilidade para o Enem 2026
A Rede Nacional de Cursinhos Populares (CPOP) do Ministério da Educação beneficia, em 2026, mais de 58 mil estudantes, que realizam nos dias 8 e 15 de novembro mais uma edição Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). A iniciativa oferece suporte técnico e financeiro a 1.535 cursinhos populares e comunitários que atuam na preparação de alunos em situação de vulnerabilidade socioeconômica para o ingresso na educação superior, especialmente por meio do Enem. Leia em TVT News.
São mais de 21 mil educadores envolvidos nas atividades, voltadas prioritariamente a estudantes que cursaram a educação básica em escolas públicas, com atenção a pessoas negras, indígenas, quilombolas e pessoas com deficiência. O apoio inclui auxílio-permanência para estudantes, recursos para educadores e profissionais de apoio, além da aquisição de materiais necessários às atividades dos cursinhos.
>> Siga o grupo da TVT News no WhatsApp
Além da revisão de conteúdos, os cursinhos populares funcionam como espaços de acompanhamento pedagógico na preparação para o exame. As orientações são voltadas à organização de processos formativos que atendem às exigências do Enem e oferecem suporte aos estudantes, do período pré ao pós-Enem, com orientações sobre o acesso à educação superior, especialmente por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu).
Reta final – O Enem 2026 será em dois domingos, dias 8 e 15 de novembro. No primeiro dia, são provas de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias; Ciências Humanas e suas Tecnologias; e Redação (duração de 5h30). No segundo, as provas são de Ciências da Natureza e suas Tecnologias e Matemática e suas Tecnologias, com duração de 5 horas.
As notas do Enem podem ser usadas em processos de acesso à educação superior, como no Sistema de Seleção Unificada (Sisu) e no Programa Universidade para Todos (Prouni). O resultado também pode ser utilizado no Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).
CPOP – A Rede Nacional de Cursinhos Populares tem, entre seus objetivos, fortalecer cursinhos pré-vestibulares populares e comunitários, oferecer orientações específicas para o Enem e ampliar as possibilidades de acesso à educação superior para estudantes que enfrentam barreiras socioeconômicas.
A iniciativa também busca contribuir para a retomada do interesse dos jovens pelo Enem e para o acesso a cursos de graduação em instituições de educação superior, especialmente entre estudantes de grupos historicamente subrepresentados.
A edição de 2026 foi ampliada ao longo do processo de seleção. Inicialmente, o edital previa 514 iniciativas, número posteriormente ampliado para 858 propostas habilitadas. Com a seleção e a continuidade das iniciativas, a edição alcança, atualmente, 1.535 cursinhos.
TSE anula votos de Garotinho e eleição no RJ pode acabar no 1° turno
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu nesta quinta-feira (8) anular os 274.411 votos recebidos por Anthony Garotinho (Republicanos) no primeiro turno da eleição para o governo do Rio de Janeiro. Por 5 votos a 2, os ministros determinaram que os votos sejam retirados definitivamente da contagem e que o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) faça uma nova totalização. Leia em TVT News.
Com a retirada dos votos de Garotinho, Douglas Ruas (PL), que havia terminado o primeiro turno com 49,27% dos votos válidos, passa a superar a marca de 50%. Na apuração original, Ruas recebeu 4.271.199 votos, enquanto Eduardo Paes (PSD) teve 3.706.984. Garotinho ficou com 274.411 votos, equivalentes a 3,17%.
A nova contagem pode resultar na eleição de Ruas já no primeiro turno, sem a necessidade da segunda votação prevista inicialmente para 25 de outubro. A formalização, porém, depende da retotalização realizada pelo TRE-RJ.
>> Siga o grupo da TVT News no WhatsApp
Paes anuncia que vai recorrer ao STF
Após a decisão do TSE, Eduardo Paes afirmou que pretende recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar manter a realização do segundo turno no estado.
A defesa de Paes questiona a retirada dos votos de Garotinho do cálculo da eleição e sustenta que a votação deveria considerar os votos recebidos pelo candidato no primeiro turno. Com a manutenção desses votos na apuração, Ruas não alcançaria a maioria absoluta necessária para vencer a eleição na primeira etapa.
A decisão do TSE teve dois entendimentos diferentes sobre o destino dos votos de Garotinho. Os ministros Ricardo Villas Bôas Cueva e Sebastião Reis Júnior defenderam que os votos permanecessem na contagem, enquanto a maioria, formada por cinco ministros, decidiu pela anulação.
Douglas Ruas diz aguardar decisão da Justiça
Após o julgamento, Douglas Ruas afirmou que aguarda os próximos passos da Justiça Eleitoral para a confirmação do resultado.
A nova totalização será feita pelo TRE-RJ, que deverá recalcular o percentual dos candidatos excluindo os votos de Garotinho. Segundo a legislação eleitoral, cabe à Justiça Eleitoral formalizar o resultado após a conclusão desse procedimento.
Sem os votos de Garotinho, Ruas passa de 49,27% para aproximadamente 50,88% dos votos válidos. O percentual supera a maioria absoluta exigida para a eleição de governador em primeiro turno.
A decisão desta quinta-feira encerra o julgamento sobre o destino dos votos de Garotinho no TSE, mas um eventual recurso de Paes ao STF ainda pode levar a novas decisões sobre o processo eleitoral no Rio.
Leia também
Site distribui criptomoeda em troca de divulgação de conteúdo de campanha de Flávio Bolsonaro
Um site criado para comercializar uma criptomoeda passou a oferecer tokens a usuários que compartilham nas redes sociais conteúdos que pedem votos para Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República. A iniciativa utiliza o nome B22, em referência ao número de urna do senador. Leia em TVT News.
O funcionamento divulgado pelo próprio site prevê a distribuição da moeda digital a pessoas que promovam o projeto nas redes. Entre os conteúdos utilizados para divulgação estão vídeos que associam a compra ou o compartilhamento do token ao apoio eleitoral ao candidato.
A operação também é promovida pelo perfil HypersKids Africa no Instagram, que possui cerca de 12,9 milhões de seguidores. Um dos vídeos publicados mostra crianças em Uganda usando camisetas com a identificação da B22 e repetindo mensagens de apoio ao número 22. A publicação alcançou mais de 1 milhão de visualizações.
>> Siga o grupo da TVT News no WhatsApp
Token é associado a campanha eleitoral
De acordo com as informações divulgadas pelo site, os participantes precisam compartilhar conteúdos sobre a B22 para receber os tokens. A página apresenta a iniciativa como uma comunidade que combina o apoio ao voto 22 com a arrecadação de recursos para projetos sociais voltados a crianças em Uganda.
O site afirma que parte do dinheiro obtido com a venda da criptomoeda seria destinada à construção de uma casa em Kampala. Apesar disso, a divulgação do token é acompanhada de mensagens que fazem referência direta ao candidato e pedem voto em Flávio Bolsonaro.
Em publicações nas redes sociais, perfis ligados à divulgação da B22 também relacionaram o desempenho da criptomoeda ao apoio ao candidato.
A empresa responsável pelo site afirma não possuir vínculo oficial com nenhum político. A campanha de Flávio Bolsonaro foi procurada pela Folha, mas não havia se manifestado até a publicação da reportagem.

Especialistas apontam possíveis irregularidades
Especialistas em direito eleitoral ouvidos pela Folha avaliam que a iniciativa pode levantar questionamentos sobre propaganda eleitoral e financiamento de campanha. Uma das possibilidades apontadas é a caracterização de doação irregular de pessoa jurídica, caso fique demonstrado que a estrutura foi utilizada para beneficiar eleitoralmente um candidato.
A legislação eleitoral estabelece regras específicas para propaganda e financiamento de campanhas, inclusive sobre a origem dos recursos utilizados para promover candidaturas.
Os especialistas também apontaram semelhanças entre a estratégia e mecanismos de divulgação utilizados anteriormente em campanhas de cortes de vídeos associados ao ex-candidato Pablo Marçal. No caso atual, porém, eventuais responsabilidades dependeriam da apuração sobre quem criou a estrutura, quem a financia e qual é a relação efetiva entre o projeto e a candidatura.
Crianças de Uganda aparecem em vídeos
A divulgação internacional da B22 ganhou alcance por meio do perfil HypersKids Africa, dedicado a ações sociais com crianças em Uganda.
Em um dos vídeos utilizados na promoção do token, crianças aparecem dançando com camisetas identificadas como B22 e participam de uma mensagem que associa a criptomoeda ao voto no número 22. O conteúdo também menciona nomes de políticos e pede que os usuários comprem e compartilhem a moeda.
A utilização de conteúdo com crianças e de uma proposta de assistência social ocorre paralelamente à divulgação de uma mensagem de natureza eleitoral. Pesquisadores ouvidos pela Folha apontaram que a combinação entre a finalidade financeira, a ação humanitária e a promoção política merece atenção das autoridades eleitorais.
Como funciona a B22
Criptomoedas são ativos digitais registrados em redes blockchain. No caso da B22, os usuários recebem unidades do token como incentivo para divulgar o projeto.
O mecanismo pode gerar ganho financeiro para quem possui a moeda caso seu preço aumente. A própria operação, portanto, combina o incentivo econômico decorrente da valorização do ativo com a divulgação de conteúdo eleitoral favorável ao candidato.
A iniciativa foi lançada na terça-feira (6), poucos dias após o início do segundo turno da eleição presidencial.
Luana Piovani expõe projeto de Flávio que pode mudar acesso às praias
O quarto episódio da série de reportagens especiais Revelando aborda os interesses e os possíveis impactos do projeto que ficou conhecido como “PEC das Praias”. Apresentado pela atriz Luana Piovani, o episódio “Quem quer roubar sua praia?” mostra detalhes da proposta e aponta o senador Flávio Bolsonaro como um dos principais articuladores do projeto. Leia em TVT News.
O episódio foi ao ar às 20h desta quarta-feira (7) e trata das consequências que a proposta defendida por Flávio Bolsonaro pode provocar no acesso às praias brasileiras. Mudanças previstas pelo projeto poderiam alterar a relação da população com áreas atualmente utilizadas de forma pública.
Na abertura, Luana Piovani retoma a discussão que manteve com o jogador Neymar sobre a possibilidade de privatização das praias. A atriz afirma que, ao longo do debate, percebeu que a questão era mais ampla do que a participação do jogador.
“Há dois anos, eu arrumei uma briga com o Neymar. Porque eu achei que ele queria privatizar as nossas praias. E o meu erro não foi brigar com ele. Foi brigar só com ele. Porque eu não sabia que essa história era bem maior do que o Neymar”, afirma.
Assista ao episódio
Projeto pode mudar acesso às praias
Ao apresentar o episódio, Piovani alerta que a proposta pode modificar a forma como as pessoas frequentam determinadas áreas do litoral brasileiro. A atriz chama atenção para a possibilidade de restrições ao acesso à areia e ao mar.
“Esse projeto pode mudar a praia que você frequenta. E impedir que você chegue até a areia e mergulhe no mar. Que poste a sua foto bonita de biquíni. Pode criar a praia com área VIP”, afirma.
A série trata a proposta como uma questão que ultrapassa a discussão sobre propriedade e envolve o acesso da população às praias. O episódio também apresenta os interesses econômicos relacionados ao projeto, descritos como bilionários, e as consequências que a mudança poderia produzir.
Piovani tem se manifestado publicamente contra a possibilidade de privatização de praias brasileiras e utiliza o episódio para ampliar o debate sobre o tema.
Série reúne jornalismo e participação de artistas
Revelando é uma iniciativa da equipe do podcast Calma Urgente, com apoio do ICL, Mídia Ninja, 342 Artes e Intercept Brasil. A produção é realizada pela produtora Peri.
A série combina reportagens especiais com a participação de artistas conhecidos. Além de Luana Piovani, episódios anteriores tiveram apresentação de Fábio Porchat, Camila Pitanga e Samara Felippo.
O episódio Grandes Igrejas, Master Negócios, apresentado por Fábio Porchat, chegou a mais de 14 milhões de visualizações no YouTube e teve repercussão nacional. Já O julgamento que nunca aconteceu, com Camila Pitanga, apresentou uma entrevista inédita com a mãe de Ana Clara, menina de 5 anos assassinada pelo policial que teve Flávio Bolsonaro como advogado de defesa.
A série estreou com uma reportagem sobre eugenia no Brasil. Apresentado por Samara Felippo, o primeiro episódio abordou casos de esterilização de mulheres sem consentimento e relacionou o tema ao debate político surgido durante a campanha eleitoral de Raquel Lyra, eleita governadora de Pernambuco.
Produção alcança milhões de visualizações
Desde a estreia, Revelando acumulou mais de 70 milhões de visualizações nas redes digitais. O projeto também chegou ao TOP 5 do YouTube, com quase 18 milhões de visualizações acumuladas na plataforma.
No Instagram, o perfil da série soma 1,8 milhão de inscritos. O alcance dos episódios anteriores ajudou a levar os temas abordados pela produção para além das plataformas digitais e para o debate público.
>> Acesse o instagram do Revelando aqui

Leia também:
Flávio Bolsonaro quer limitar ganho real do INSS e BPC; entenda como isso te afeta
Com Flávio Bolsonaro brasileiro poderá trabalhar mais de 8h por dia e não terá valor fixo de salário
O plano de governo de Flávio Bolsonaro diz que o custo de um trabalhador formal chega a cerca de duas vezes o salário recebido e promete “reduzir gradualmente o custo do trabalho, sem retirar direitos, para que mais brasileiros tenham carteira assinada”.
Uma das propostas é criar para os jovens entre 18 e 24 anos um contrato de trabalho com menor custo na folha e um contrato “mais atrativo” para pessoas com 50 anos ou desempregadas há pelo menos 12 meses. Ele também defende a jornada flexível e, que o trabalhador combine individualmente com a empresa as condições de trabalho. A TVT News ouviu advogados trabalhistas para entender como essas propostas de Flávio podem retirar direitos.
- Leia também sobre eleições:
- Flávio Bolsonaro quer limitar ganho real do INSS e BPC; entenda na prática como isso te afeta
- Incêndio na UFPE: após ameaças de bolsonaristas, deputados pedem investigação
- Flávio Bolsonaro X Lula: calendário de debates do 2º turno é atualizado
- Luana Piovani expõe projeto de Flávio que pode mudar acesso às praias
- Site distribui criptomoeda em troca de divulgação de conteúdo de campanha de Flávio Bolsonaro
Negociar direto com o patrão
O advogado trabalhista Ronaldo Tambelini Pagotto, integrante da ABJD (Associação Brasileira de Juristas pela Democracia), relembra que a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) foi construída por um pacto nacional, em 1943. Esse pacto é sustentado por duas pernas, uma delas é o reconhecimento de que o trabalhador é hipossuficiente, ou seja, não tem condições de negociar com o patrão. O outro ponto, é o princípio da liberdade, de valorizar a iniciativa privada e estimular as negociações.
“Cada trabalhador vai negociar com o patrão, de acordo com sua capacidade. Isso é uma tragédia. Em nenhum lugar do mundo isso funcionou. Então, embora, ele diga na retórica, que ele não quer retirar direitos, o que ele está propondo na prática é a mudança da estrutura que vai permitir praticamente tudo”, avaliou Pagotto.
Para Hugo Pontes, advogado especialista em direito do trabalho, Flávio Bolsonaro deseja acabar não só com a CLT, mas também com a Justiça do Trabalho, direitos trabalhistas e sindicatos.
“Fica muito claro esse desejo nas declarações hostis ao ecossistema protetivo do trabalho, nos posicionamentos sempre alinhados ao empresariado, no discurso ultraliberal, individualista, no ataque aos sindicatos que ele faz no próprio plano de governo dele”, afirmou.
Pontes entende que as medidas serão feitas aos poucos. “É a conta gotas e isso é mais perigoso ainda, porque a conta gotas ninguém percebe e as pessoas não vão para rua, não se mobilizam […] todo mundo sabe que não existe negociação com o patrão, com a empresa. Ou você aceita, ou você fica sem emprego. Nenhum patrão vai aceitar você folgar um dia a mais toda semana sem redução do salário”, disse.
Pagotto explica que o pagamento pelo mês é o que dá previsibilidade para o trabalhador. Atualmente, nos contratos CLT, o pagamento no final do mês não é a soma dos dias trabalhados é o pagamento no mês. “Entende-se que vai trabalhar de 20 a 22 dias úteis e quem trabalha na 6×1, isso vai para 26. […] imagina pedreiro, trabalhador de uma padaria, atendimento do mercado. Vai trabalhar e não consegue pegar outro emprego, vai ficar vinculada a um contrato, tem dia que vai ser 3h, tem dia que vai ser 5h, tem dia que pode ser 7h, não tem previsibilidade, o trabalhador não sabe quanto ele vai receber.”
Para Carvalho, a CLT é um contrato previamente escrito pelo Estado para que a relação de emprego seja regida por esse contrato. Se fica para o trabalhador o papel de negociar as cláusulas desse contrato, ele deixa de ter utilidade. A proposta do negociado sobre o legislado desconfigura um elemento primordial do contrato de trabalho que é o respeito a uma carga horária limite.
“Um dos um dos pilares da CLT é o respeito ao horário de trabalho. Se você está flexibilizando isso, você tem CLT para quê? Ou o trabalhador vai topar aquilo que o empregador quer, ou a quantidade de trabalho para ser prestado naquela naquele vínculo, ou ele vai ou ele não vai ser contratado, se o empregador quiser um contrato de 60 horas semanais, o empregado ou aceita ou recusa”, explicou.
Jovens e idosos na mira

Para o advogado trabalhista Antônio Carlos Souza de Carvalho, o programa de Flávio para baratear a contratação de jovens de 18 a 24 anos para o empresariado é superficial, porque o candidato à Presidência não fala de que local vai cortar custos.
“Ele é super contraditório, porque ele fala em não cortar direitos, só que ao mesmo tempo, ele fala que o trabalhador custa duas vezes o valor que recebe no salário. A pergunta que fica é: esse custo vem do quê? Esse custo vem de direitos e vem de carga tributária [..] o imposto de renda sai do salário bruto do trabalhador. No caso da empresa, é o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Ele vai cortar INSS? FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço)? São direitos”.
Já para Pontes, além de não falar como vai reduzir o valor da contratação, esse valor não será compensado pelo Estado, porque podemos esperar um “tesouraço nas contas públicas.
“Ele não fala de onde esse custo vai ser reduzido, porque ele não pode falar. Esse custo vai ser reduzido quando o trabalhador tiver que abrir mão dos direitos dele numa negociação com o patrão. Só que o Flávio, não pode falar abertamente no plano de governo dele que quer acabar com a CLT. O que ele faz é abrir caminho para isso.”
Aposentadoria ameaçada

Sobre as consequência da proposta para os jovens, Pagotto lembra que os percentuais descontados do trabalho são as contribuições para a sustentação da Previdência em que os da ativa contribuem para sustentar os inativos, os que estão aposentados ou afastados, caso esses recursos parem de ser cobrandos a aposentadoria ficará ameaçada.
“Ele quer uma folha desonerada. Ele quer fazer o contrato, vou te pagar 1.700 reais e vou e no final do mês eu vou pagar só 1.700 reais. Esse é o primeiro impacto […] ele vai retirando formas de custeio da Previdência para daqui a pouco ele fazer uma declaração dizendo que a Previdência do Brasil é insustentável, porque o que ele pretende é transformar a aposentadoria numa renda complementar. Ele quer fazer uma nova reforma da Previdência”, avalia Pagotto.
Para Pontes, o real plano é fazer outras reformas. “Você vai ter em tese menos recolhimento previdenciário e fica insustentável, mas do meu ponto de vista, o que ele pretende fazer, é, concomitantemente a essas reformas trabalhistas e a própria reforma da Previdência. Então, fazer o trabalhador trabalhar por mais tempo e assim talvez tentar é fechar essa conta, mas não vai fechar […] essa lógica vai enfraquecer o financiamento da Previdência, vai dificultar a aposentadoria”.
Outro problema é como seria feito o cálculo da aposentadoria com os empregos sendo substituídos por contratos de renda menor ou descontínuo.
‘Sem empregos com com remuneração estável, eles estão sendo substituídos por contratos de renda menor ou descontínuo, essa base sobre a qual incidem as contribuições vai diminuir e o efeito total vai ser quase a quebra do INSS, não só do aposentado, mas questão de pensão, auxílio maternidade, acidente”.
Ataque aos sindicatos
No plano de governo, Flávio fala que o país precisa se posicionar contra a “República Sindical, em que os interesses de dirigentes das entidades se sobrepõem ao interesse dos trabalhadores”.
O advogado Carvalho avalia que o sindicalismo faz parte da sociedade civil brasileira e Flavio ataca esse setor.
“A palavra é atacar, ele ataca o sistema sindical. Ele não propõe uma mudança de regime. Ele propõe tirar de cena o sindicalismo que existe hoje no Brasil. Essa é a proposta que está colocada no programa de governo dele. Ele não usa a palavra reforma, ele diz que o Brasil precisa botar um fim. Isso que ele chama de República Sindical [..] ele chega a mencionar a existência de associações que segundo ele teriam mais representatividade que os sindicatos de alguns ramos do serviço público brasileiro. Ou seja, ele insinua claramente que vai poder negociar com esse pessoal, vai poder negociar com essas associações”.
No sistema atual os sindicatos são responsáveis pelas negociações coletivas, e negociam com os empresários, direitos válidos para cada categorias. Esses direitos vão além dos que já estão previstos na CLT como o piso salarial, o valor do vale-refeição, licença-maternidade estendida, entre outros.

Rede Nacional de Cursinhos Populares prepara estudantes em situação de vulnerabilidade para o Enem 2026
Iniciativa é voltada a estudantes que cursaram a educação básica em escolas públicas, em especial as pessoas negras, indígenas, quilombolas e pessoas com deficiência

Incêndio na UFPE: após ameaças de bolsonaristas, deputados pedem investigação
Estudantes relataram ameaças com menção a “explodir o departamento”

Centrais sindicais defendem mobilização pela aprovação do fim da escala 6×1
Sérgio Nobre, da CUT, e Miguel Torres, da Força Sindical, falaram à TVT sobre a redução da jornada de trabalho

Flávio Bolsonaro X Lula: calendário de debates do 2º turno é atualizado
Primeiro encontro está previsto para domingo (11), na Record; Band realiza debate no dia 18 e Globo programa fechar ciclo de debates em 23 de outubro

Alcolumbre adia votação da PEC do fim da escala 6×1
PEC do fim da escala 6×1 será discutida no plenário nesta semana e pode passar pelo primeiro turno na próxima terça

ITA abre vagas para estudantes indígenas e quilombolas
Estudantes contam como as mudanças aproximam o sonho de ingressar em uma das instituições mais disputadas do país