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Da Redação

A imprensa diante da ameaça à democracia

O Instituto Vladimir Herzog (IVH) deve seu nome e sua existência ao trabalho de jornalistas que se empenharam para conquistar liberdade e democracia em nosso país. A defesa dos Direitos Humanos, na perspectiva do IVH, decorre dos ideais do jornalismo: a missão de informar a sociedade e de criticar o poder em público supõe o repúdio incondicional a toda forma de censura, de arbítrio e de violação da dignidade humana. Leia em TVT News.

A lembrança desses princípios adquire ainda mais relevo quando notamos que, na campanha eleitoral deste ano, em que a liberdade de imprensa, a liberdade de expressão e os Direitos Humanos estão sob ameaça, a sociedade não tem sido devidamente informada sobre os riscos que enfrenta. Terá o jornalismo faltado ao seu encontro com a História?

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O IVH, uma organização apartidária, tem se preocupado com a forma como algumas das melhores redações brasileiras vêm naturalizando a candidatura de Flávio Bolsonaro, que nada tem de natural, ameno ou trivial. Ao contrário, essa campanha só faz alardear seu propósito de desmoralizar e desmantelar o processo penal que condenou os autores da tentativa de golpe de Estado desfechada em 8 de janeiro de 2023.

Aquele atentado foi um crime da maior gravidade, que incluiu até um plano para assassinar o presidente da República, seu vice e o então presidente do Tribunal Superior Eleitoral. Dizer que tais acontecimentos são irrelevantes é o mesmo que dizer que a democracia não deve respeito a si mesma.

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Maioria reprova proposta articulada no Congresso para livrar condenados por golpe de Estado. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil |

Os perigos que espreitam a sociedade brasileira são evidentes. Caso se confirme, em segundo turno, a vitória da extrema-direita, a primeira consequência será o início da corrosão das garantias constitucionais, do império da lei e de políticas públicas essenciais, como as dedicadas à proteção do meio ambiente, da saúde, da ciência e da educação. Paralelamente, crescerá a chance de que desmandos venham a favorecer múltiplas facções criminosas, fragilizando os mecanismos de transparência e de combate à corrupção.

Vejamos um pouco mais de perto os mecanismos pelos quais vem se dando a naturalização dessa anomalia. Para começar, observemos como boa parte da imprensa vem lançando mão do substantivo “direita” para nomear o que, na verdade, é extrema-direita.

Segundo as definições convencionais, “direita” e “esquerda” são agrupamentos partidários que, embora sustentem projetos distintos, convivem pacificamente dentro do campo democrático. No entanto, a candidatura extremista já deu todas as provas de que não se apraz em conviver com a diferença. Mais ainda, deu provas de que abomina os ritos da urbanidade democrática. Essa candidatura sequer pode ser qualificada como “conservadora”, posto que renega o espírito conservador, professa a ruptura institucional e desfralda bandeiras que ofendem a tradição do liberalismo.

Isso nos leva a um segundo indício da naturalização dessa anormalidade política: as simetrias retóricas que surgem nas páginas dos diários ou nos telejornais e levam leitores e espectadores a crer que as duas chapas seriam equivalentes. Por vezes, o discurso jornalístico parece equipará-las num espelhamento automático, como se ambas fossem análogas.

Ocorre que as coisas não são assim. As duas candidaturas são radicalmente diversas quanto aos métodos com que buscam alcançar seus objetivos. Enquanto uma delas traz, de longa data, o compromisso com as regras da ordem democrática, a outra tem uma trajetória de sucessivas afrontas contra o Estado Democrático de Direito. A dessemelhança, que é estrutural e chocante, não transparece na cobertura diária.

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O grupo é composto por dez acusados: nove militares das Forças Armadas (kids pretos) e um agente da Polícia Federal Foto: Joédson Alves/Agencia Brasil

Se recorrermos à memória, veremos que o mesmo desajuste de enfoque jornalístico apareceu nas eleições de 2018 e de 2022. Quanto à primeira, de 2018, é preciso considerar que o país ainda não tinha passado por um governo conduzido pelo bolsonarismo. Portanto, não havia elementos que nos permitissem antecipar o que estava por vir. Havia, sim, nas falas do então candidato Jair Bolsonaro, indícios enfáticos de que uma onda de autoritarismo estava em gestação, mas não tínhamos, ainda, a experiência prática.

Hoje, a situação é outra. Não apenas o Brasil já viveu o trauma de ter o extremismo chefiando o Poder Executivo, como as declarações dos representantes desse grupo recrudesceram e não cessam de anunciar que medidas desumanas serão tomadas, sobretudo contra os mais pobres.

Por fim, é preciso levar em conta que o cenário internacional dos nossos dias, comparado ao de 2018, é muito mais favorável a governos truculentos. Não por acaso, o extremismo que se organizou no Brasil mantém uma relação de subalternidade com a extrema-direita dos Estados Unidos.

Em numerosos episódios, ficou patente sua subserviência aos interesses da Casa Branca. Não podemos ter dúvidas: a soberania do Brasil também está em perigo. Na Europa, no Oriente Médio e na América do Sul, o mesmo grupo cultiva ligações com autocracias que banalizaram as investidas contra a imprensa, a Justiça, a ciência e os Direitos Humanos.

Para concluir, sejamos precisos. Entre a ordem democrática e o jugo da tirania, o jornalismo não é equidistante, mas tem um lado. No momento presente, a objetividade exige que a imprensa aponte as diferenças factuais entre quem tem compromisso com a democracia e quem não tem. O futuro do Brasil, bem como o futuro da própria imprensa, depende disso. A cidadania brasileira tem o direito de conhecer e de compreender os fatos que demonstram como e por que os Direitos Humanos e as liberdades democráticas estão sob ameaça.

Ministério da Justiça pede investigação da PF sobre ameaças de morte e estupro contra Ana Elisa

A deputada federal eleita por Minas Gerais Ana Elisa Santos Silva (PT), de 21 anos, passou a receber ameaças de morte e violência sexual nas redes sociais e por e-mail após o primeiro turno. Diante da gravidade dos relatos, o Ministério da Justiça e Segurança Pública solicitou à Polícia Federal (PF), nesta sexta-feira (9), a abertura de um inquérito para investigar os ataques e identificar os responsáveis. Leia em TVT News.

O pedido foi encaminhado ao diretor-geral da PF, Andrei Augusto Passos Rodrigues, após a parlamentar relatar as ameaças e desativar sua conta na rede social X. Segundo Ana Elisa, as mensagens chegavam a cada dois minutos, o que levou sua equipe a retirar o perfil do ar.

>> Conheça Ana Elisa: sucesso nas redes sociais e o novo rosto da esquerda brasileira

Em um vídeo publicado no Instagram, a deputada eleita afirmou que o envolvimento político não pode servir de justificativa para ataques contra sua integridade física. “Eu acredito que ninguém mereça sofrer ameaça de morte por estar politicamente engajado e tentando defender o que acha melhor para o país”, declarou.

O Ministério da Justiça também solicitou providências junto às plataformas X e Meta para interromper as práticas denunciadas e colaborar na identificação dos autores. O documento aponta que as ameaças podem configurar crimes motivados por misoginia e relacionados à atuação política da parlamentar.

Ministério aponta possível rede de ataques

O ofício enviado à Polícia Federal foi assinado pela secretária nacional de Acesso à Justiça, Sheila Santana de Carvalho. Em manifestação sobre o caso, ela afirmou que há indícios de uma articulação que ultrapassa as fronteiras de Minas Gerais e teria como objetivo silenciar a deputada eleita.

“Violência contra as mulheres não pode jamais ser tolerada. Temos indícios fortes de uma rede para além das fronteiras de Minas Gerais atuando para silenciar a Deputada Ana Elisa”, afirmou a secretária. Ela defendeu uma investigação capaz de responsabilizar todas as pessoas envolvidas nas ameaças.

A Polícia Civil de Minas Gerais já havia sido acionada durante a campanha eleitoral, quando Ana Elisa começou a denunciar mensagens com ameaças de morte e estupro. Segundo as informações divulgadas, a investigação estadual continua em andamento.

Membro de grupo supremacista branco ameaça Ana Elisa

Um dos episódios relatados envolve um e-mail enviado em 5 de setembro. Na mensagem, o remetente se identificava como integrante de um grupo supremacista branco, mencionava dados pessoais da parlamentar e ameaçava também seus familiares. A equipe de Ana Elisa informou que medidas policiais e judiciais já haviam sido adotadas para tentar identificar o responsável.

O Ministério da Justiça considera que, em tese, as ameaças podem configurar crime cometido contra uma mulher em razão de sua atuação política. A pasta também apontou a possibilidade de investigação federal diante do conteúdo das mensagens e da suspeita de atuação coordenada entre pessoas de diferentes localidades.

Ataques incluem racismo, misoginia e violência sexual

Ana Elisa relatou que os ataques não se limitam a ameaças de morte. As mensagens também incluem conteúdo racista e machista, além de referências à violência sexual. A parlamentar afirmou estar vulnerável diante da situação e disse que ainda não contava com escolta de segurança.

A deputada eleita ganhou projeção nacional durante a campanha de 2026, ao produzir conteúdos sobre política, direitos sociais, racismo, feminismo e educação nas redes sociais. Sua atuação digital também a colocou no centro de disputas políticas, com publicações atribuídas a ela sendo compartilhadas por adversários.

Em outro episódio, Ana Elisa negou a autoria de uma suposta publicação defendendo o fechamento de igrejas, divulgada nas redes em meio à campanha presidencial. Após o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) compartilhar o conteúdo, a petista afirmou que pretendia recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), alegando disseminação de informação falsa.

A circulação de publicações atribuídas à deputada e os ataques direcionados a ela ocorreram em um contexto de forte polarização política. No entanto, as ameaças de morte e violência sexual relatadas constituem denúncias específicas que precisam ser apuradas pelas autoridades, independentemente das divergências políticas.

Ana Elisa foi a mulher mais votada para deputada federal em Minas Gerais

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Guilherme Cortez, Ana Elisa e Ana Júlia: juventude no Congresso – Foto: X /Guilherme Cortez

Natural de Divinópolis, na região Centro-Oeste de Minas Gerais, Ana Elisa tem 21 anos, estuda Direito e trabalhou como estagiária no Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais (TRT-MG). Ela conta que começou a se aproximar da política ao acompanhar a mãe em atividades sindicais.

Nas eleições de 2026, recebeu mais de 524 mil votos, resultado que a colocou entre as candidaturas mais votadas para a Câmara dos Deputados em Minas Gerais e fez dela a mulher mais votada da história do estado para o cargo, conforme os dados citados nos relatos sobre sua eleição. Também foi apontada como a deputada federal mais jovem eleita no país.

A projeção conquistada nas redes sociais ampliou seu alcance durante a campanha. Segundo as informações divulgadas, Ana Elisa chegou a reunir mais de 3 milhões de seguidores no Instagram, onde publicou conteúdos políticos e mobilizou apoiadores.

Violência contra Ana Elisa não é um caso isolado…

Dados do Tribunal Superior Eleitoral citados em levantamentos divulgados durante a campanha apontam crescimento expressivo desse tipo de violência entre 2022 e 2026. As denúncias incluem agressões físicas e verbais, ameaças de morte e intimidação sexual contra mulheres que disputam cargos públicos.

O pedido de investigação encaminhado à Polícia Federal busca apurar as ameaças contra Ana Elisa e identificar os responsáveis. A apuração também deverá considerar os indícios de que os ataques possam ter sido articulados por pessoas de diferentes regiões.

Como denunciar violência contra mulheres

Mulheres que sofram violência ou intimidação, assim como pessoas que tenham conhecimento de ameaças contra elas, podem procurar os canais oficiais de denúncia e orientação.

A Central de Atendimento à Mulher, pelo telefone 180, funciona gratuitamente, 24 horas por dia. Também é possível entrar em contato pelo WhatsApp (61) 9610-0180, pelo e-mail [email protected] ou por videochamada em Libras.

Outros canais incluem a Polícia Federal, as delegacias estaduais, o Ministério Público Eleitoral, a Ouvidoria das Mulheres do Conselho Nacional do Ministério Público e a Ouvidoria Nacional da Mulher do Conselho Nacional de Justiça. Em situações de emergência, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo telefone 190.

Forte terremoto de magnitude 7,7 gera pânico no Panamá

Com informações da AFP na Cidade do Panamá, Panamá – Um terremoto de magnitude 7,7 atingiu o Panamá nesta sexta-feira (9), segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), e provocou pânico na capital conhecida por seus arranha-céus. Até o momento, não houve relatos de vítimas, embora tenham sido registrados alguns danos materiais.

O terremoto ocorreu às 12h56 locais (14h56 no horário de Brasília), com epicentro a 10 km de Pitaloza Arriba, na província de Herrera (centro-sul do país), e foi sentido com intensidade na Cidade do Panamá, onde milhares de pessoas saíram dos prédios tomadas pelo medo, constatou a AFP.

O USGS revisou a magnitude do terremoto para 7,7, após uma estimativa inicial de 8 e uma segunda de 7,6.

Terremotos na capital são incomuns e ocorrem principalmente na província de Chiriquí.

Várias réplicas significativas, incluindo uma de magnitude 6, foram registradas após o forte tremor. As autoridades avaliam os danos, sobretudo nas áreas centrais de Herrera, Azuero, Veraguas, Los Santos e outras regiões.

Segundo informações preliminares, o tremor foi sentido em todo o país. As autoridades pediram calma à população.

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Esta vista aérea mostra a Baía do Panamá após um forte terremoto de magnitude 7,6 atingir o país, na Cidade do Panamá, em 9 de outubro de 2026. (Foto de MARTIN BERNETTI / AFP)

© Agence France-Presse

Aeroporto Internacional da Cidade do Panamá suspende voos após terremoto

O Aeroporto Internacional de Tocumen, na Cidade do Panamá, suspendeu as operações após o terremoto de magnitude 7,7 que atingiu o país nesta sexta-feira (9).

Leia a nota completa sobre o fechamento do aeroporto no Panamá:

“O Aeroporto Internacional de Tocumen informa que, após o terremoto registrado, os protocolos de segurança foram acionados e as operações aéreas foram suspensas. Como medida de precaução, determinou-se o fechamento temporário do aeroporto e está sendo realizada a evacuação preventiva dos passageiros, conforme o plano estabelecido.

As áreas administrativas foram evacuadas e a equipe do aeroporto está orientando os passageiros durante esse processo. Solicitamos que sigam as orientações recebidas.

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Quais as chances de Lula virar no 2o turno?

Os Pesquisadores da FESPSP fizeram uso de um modelo matemático para estimar chances de virada na eleição com dados da pesquisa desta quinta-feira. Segundo o modelo matemático RPA, desenvolvido pelo professor da FESPSP Jairo Pimentel em parceria com Guilherme Russo e George Avelino, é possível estimar as chances de virada no segundo turno a partir dos dados do último Datafolha. Leia em TVT News.

Os resultados da pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (8/10) não surpreenderam de todo os pesquisadores do Labop FESPSP (Laboratório de Opinião Pública e Mídias Digitais da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo). Os números ainda mostram empate técnico no limite da margem de erro entre os candidatos à Presidência, apesar do favoritismo de Flávio Bolsonaro neste primeiro momento.

Além de as campanhas para o 2º turno terem começado somente nesta sexta-feira e a agenda de debates televisivos seguir em aberto, os brasileiros que votaram sem grande convicção no primeiro turno, anularam seu voto ou se abstiveram de votar estão à espera de algo que os convença a depositar seus votos nas urnas no dia 25 de outubro. Quem acertar mais no noticiário positivo e, sobretudo, errar menos terá maior chance de sair do empate técnico vencedor das eleições, avaliam os analistas políticos Beto Vasques e Jairo Pimentel.

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Rua e redes sociais juntas: trabalhadores vão e voltam com o celular ns mãos, lembra a deputada eleita Ana Elisa

No cenário de votos válidos para o segundo turno, o levantamento do Datafolha aponta Flávio Bolsonaro com 52% e Lula com 48%. No quesito rejeição, o atual presidente marca 46%, enquanto o senador registra 43%. A avaliação do governo Lula aponta que 40% dos entrevistados consideram a gestão ruim ou péssima, 35% a classificam como ótima ou boa e 24% a veem como regular.

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O levantamento mostra ainda um alto grau de cristalização do eleitorado, com apenas 6% dos cidadãos afirmando que ainda podem mudar o voto. A pesquisa foi contratada pela Rede Globo e pelo jornal “Folha de S.Paulo”, tendo ouvido 2.520 eleitores em 153 municípios entre os dias 6 e 7 de outubro de 2026. O nível de confiança estabelecido é de 95%, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, sob o número de registro BR-02949/2026 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

“Aplicando o modelo aos resultados deste ano, já incorporando a dimensão ideológica, chegamos a uma probabilidade de aproximadamente 19% de virada de Lula. Em termos de votação, o modelo estima 52,2% dos votos válidos para Flávio Bolsonaro e 47,8% para Lula, praticamente os mesmos números apontados pelo Datafolha: 52% a 48%”, afirma Jairo Pimentel. Isso não significa, segundo o cientista político, que a eleição esteja decidida. “A abstenção, que passou de 21% no primeiro turno, e a capacidade de mobilização dos candidatos ainda podem fazer diferença”, destaca.

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Canal Exército de Lula no dia 7 de outubro, às 18h

O coordenador do Labop, Beto Vasques, reforça essa leitura. “Flávio virou o resultado que as pesquisas apontavam, conseguiu apoios dos candidatos nanicos enquanto a campanha de Lula fazia um freio de arrumação. Mesmo assim, não conseguiu descolar. Mantém-se à frente numericamente, mas em situação de empate técnico, no limite da margem de erro, com o presidente.”

Vasques destaca que esse movimento também se reflete na rejeição dos candidatos. “A rejeição de Flávio oscilou dois pontos para baixo, enquanto a de Lula oscilou um ponto para cima. Depois de apresentarem empate numérico nas últimas quatro rodadas antes do primeiro turno, o senador agora aparece com uma diferença de três pontos percentuais, também dentro da margem de erro, em sentido inverso ao observado na intenção de voto.”

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Site “Onde dá para Conversar” mostra abstenção, nulos e brancos por bairros e escolas./ Foto: Reprodução

Os professores concordam que o senador aparece como favorito, mas ressaltam que a disputa segue em situação de empate técnico, no limite da margem. Para Pimentel, “no Brasil, nunca um candidato que terminou em segundo lugar no primeiro turno conseguiu virar uma eleição presidencial no segundo”.

Ele pondera, contudo, que há poucos casos de eleições presidenciais no Brasil, o que limita os cálculos de probabilidade. “Mas, quando ampliamos a análise para mais de 200 eleições mundo afora e quase 300 disputas em dois turnos no Brasil, conseguimos identificar padrões importantes”, explica.

Vasques recorda, por sua vez, que, em outra eleição acirrada, em 2014, Dilma Rousseff começou o segundo turno atrás de Aécio Neves na primeira pesquisa e terminou vencedora. “O segundo turno mal começou. Propaganda eleitoral, performance dos candidatos nos debates e capacidade de mobilização das militâncias, nas ruas e nas redes, serão fundamentais para definir o vencedor. Numa eleição tão disputada, quem errar menos poderá sagrar-se vencedor no dia 25 de outubro”, complementa o coordenador do Labop.

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Endividamento das famílias cai pela primeira vez no ano

O endividamento das famílias brasileiras caiu pela primeira vez desde dezem bro de 2025, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Leia em TVT News.

O percentual de famílias com dívidas passou de 82% em agosto para 81,7% em setembro. Apesar da redução, os dados mostram que o orçamento doméstico continua comprometido e que muitas famílias ainda enfrentam dificuldades para quitar suas contas.

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A pesquisa também identificou uma redução da inadimplência, que passou de 29,9% para 29,6% entre agosto e setembro. O resultado ficou abaixo do registrado no mesmo período de 2025, quando 30,5% das famílias tinham dívidas em atraso. A melhora, porém, não ocorreu de maneira uniforme entre as faixas de renda.

Entre as famílias que recebem até três salários mínimos, a inadimplência caiu de 38,8% para 38,5%. Já no grupo com renda superior a dez salários mínimos, o indicador subiu de 14,9% para 15%. Essa foi a única das quatro faixas de renda analisadas pela pesquisa em que houve aumento no período.

O levantamento mostra, portanto, um cenário de melhora moderada, sem que isso represente o fim das dificuldades financeiras enfrentadas pelos consumidores. O percentual de famílias muito endividadas diminuiu de 17,9% para 17,3%, mas o tempo médio de atraso das contas aumentou pelo segundo mês consecutivo.

Endividamento recua após meses de alta

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Presidente Lula cria novo programa de negociação de dívidas – Foto: Ricardo Stuckert

A redução registrada em setembro interrompe uma sequência de crescimento que começou em dezembro de 2025, quando o endividamento atingia 80,9% das famílias brasileiras. O indicador chegou a 82,2% em abril e maio, os maiores patamares da série apresentada no levantamento.

Com a queda observada em setembro, a CNC projeta que o endividamento termine 2026 relativamente estável, próximo de 81,5%.

É importante diferenciar endividamento de inadimplência. O primeiro indicador considera famílias que possuem compromissos financeiros a vencer, como parcelas de cartão de crédito, financiamentos, empréstimos pessoais, cheque especial e carnês de lojas. Ter uma dívida, portanto, não significa necessariamente estar com dificuldades para pagá-la.

A inadimplência, por sua vez, corresponde às dívidas que não foram quitadas dentro do prazo acordado. Uma família pode estar endividada e manter seus pagamentos em dia. Quando deixa uma conta vencer, passa a integrar o grupo de consumidores inadimplentes.

Essa distinção ajuda a compreender os resultados de setembro: embora a proporção de famílias com compromissos financeiros tenha diminuído, uma parcela significativa dos consumidores continua enfrentando atrasos e restrições no orçamento.

Famílias de menor renda registram redução da inadimplência

A queda da inadimplência entre as famílias que recebem até três salários mínimos foi de 0,3 ponto percentual, passando de 38,8% em agosto para 38,5% em setembro.

Mesmo com a melhora, o indicador permanece elevado nessa faixa de renda, demonstrando que os consumidores com menor capacidade financeira continuam mais expostos às dificuldades para pagar suas contas.

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Na faixa de renda superior a dez salários mínimos, o movimento foi contrário. A inadimplência aumentou de 14,9% para 15% no período.

A pesquisa também identificou estabilidade na parcela de famílias que afirmam não ter condições de pagar as dívidas atrasadas. O indicador permaneceu em 12,5% em setembro, abaixo dos 13% registrados no mesmo mês de 2025.

Outro dado positivo foi a redução da proporção de famílias que se consideram muito endividadas, de 17,9% para 17,3%.

Apesar disso, a melhora dos indicadores precisa ser observada em conjunto com o tempo necessário para quitar os compromissos financeiros. Em setembro, as dívidas estavam atrasadas, em média, havia 65,3 dias, o maior período desde novembro de 2024, quando a média chegou a 65,5 dias.

Além disso, 48,9% das dívidas em atraso acumulavam vencimentos superiores a 90 dias. O dado indica que uma parcela expressiva dos consumidores permanece com débitos pendentes por períodos prolongados.

Comprometimento da renda mantém pressão sobre o orçamento

A pesquisa da CNC também aponta crescimento da parcela de famílias sem dívidas a vencer. O percentual passou de 17,4% em agosto para 18,1% em setembro.

Ao mesmo tempo, o comprometimento da renda com o pagamento de dívidas continua elevado. Em média, as famílias destinam 29,6% dos rendimentos mensais a esses compromissos.

Para 19,4% dos consumidores, mais da metade da renda está comprometida com dívidas. Esse é o maior percentual desde fevereiro, quando o indicador havia atingido 19,5%.

O levantamento ainda identificou aumento na participação das dívidas com vencimento superior a um ano, que passaram a representar 33,8% do total em setembro.

Prazos mais longos podem reduzir o valor das parcelas mensais e dar algum fôlego ao orçamento doméstico. Por outro lado, prolongam o período em que os rendimentos ficam comprometidos com pagamentos, o que pode limitar a capacidade das famílias de lidar com despesas inesperadas ou realizar novas compras.

Assim, a renegociação pode aliviar a pressão imediata sobre o orçamento sem necessariamente reduzir o valor total devido. A diminuição da parcela mensal não significa, por si só, que a dívida foi resolvida.

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Cresce mobilização para virar votos e levar quem não votou às urnas  

Após um 1° turno, em que, Flávio Bolsonaro (PL) ficou à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com uma diferença de 2.224.965, em um país, em que, mais de 33 milhões de brasileiros não foram votar, diversas iniciativas buscam mobilizar as pessoas para não deixaram de comparecer às urnas e para virar votos a favor do candidato Lula. Saiba mais em TVT News.

Eu vou votar no 2° turno

A iniciativa “Eu vou votar no 2° turno” traz um planejamento para as pessoas que não participaram do primeiro pleito, mas pretendem comparecer no segundo. Pelas regras do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), cada eleição é um turno independente, portanto, mesmo quem não compareceu às urnas, pode votar no dia 25.

Ao entrar no site “Eu vou votar no 2° turno”, o eleitor é direcionado para uma página que pergunta “onde você vota?”, ao preencher os dados, o eleitor é direcionado para a segunda pergunta “que horas você vai?” e, por último, responde a “como você vai?”, se a pé, de transporte público ou de carro. Logo em seguida, ele é direcionado a uma interface que te direciona para o site do TSE para conferir o local de exato de votação, ou caso você já tenha essa informação, para o Google Maps para ver as rotas de como chegar.

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Plataforma faz eleitor colocar na agenda do celular que horário pretende votar e se pretende ir a pé ou de transporte público. / Foto: reprodução

O criador é Eduardo Derrico, comunicador em organizações internacionais de trabalhadores. Ele afirma ter ficado assustado com o número de pessoas que não foram votar no 1° turno. “Eu fui entender como outros países já fizeram campanhas para trazer as pessoas para as urnas e, dos estudos que eu encontrei, é que você fazendo esse planejamento aumentam as chances de da pessoa considerar ir votar no dia”, contou.

No aplicativo, ao selecionar o dia e o horário de votação, automaticamente fica salvo no calendário do celular o compromisso com um alarme. “As pessoas estão abordando as outras no bairro, no mercado, para tentar convencer da importância de votar. E, a ideia é que você abra o celular junto com a pessoa e ajude ela a fazer o plano. Se for uma pessoa mais idosa, uma pessoa que não tem muita intimidade com a tecnologia, ajude ela a fazer os poucos passos, deixa salvo no calendário dela, que todo celular tem de fábrica o aplicativo de calendário e apita na hora alarme”, sugeriu.

Para ele, o que levou ao alto número de abstenção é não acreditar na força do próprio voto. “Achar que o voto não faz diferença, que tanto faz quem ganhar, quem perder, achar que a vida dela não vai influenciar. É um absurdo, porque a política está aí, justamente, para influenciar a vida de todo mundo […] se você mudar o seu pensamento, de repente, 33 milhões de pessoas podem estar mudando juntos, vai fazer diferença e pode mudar o resultado de uma eleição, “.

Dá para virar

A plataforma “Dá para Virar” mostra que a diferença de votos por urnas entre Flávio Bolsonaro e Lula é de menos de cinco em cada uma. A iniciativa individual não tem cadastro, nem vínculo com partidos e mostra os votos ainda em disputa: 33,5 pessoas que não foram votar, 9,3 milhões que votaram em outros e 6 milhões de brancos e nulos.

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Site quer tirar peso de 2 milhões de votos do eleitor e trazer vira voto para a realidade do bairro./ Foto: Reprodução

A ideia é que cada pessoa escolha outras três e converse com elas 15 minutos por dia. É possível ver no site na aba “por perto” quantos eleitores faltaram em cada local de votação, quantos votaram em outros candidatos e quantos votaram branco e nulo.

Daniel Sobreira, criador do site, é sociólogo e gestor especialista em análise de dados. “Durante a campanha, eu fiz um agregador de pesquisas eleitorais, fazia algumas análises para mim, para os meus amigos. Então, eu usei esse agregador como base de partida, ele já tinha toda uma base de dados consolidada, incorporei nele os dados eleitorais do resultado do 1° turno e, incorporei, também, alguns dados demográficos especialmente do Censo de 2022 […] é um site para não convertidos. É um site para quem votou no Cury, no Zema”. 

O site tem roteiros com sugestões de conversas. Entre as pautas que a plataforma apresenta para serem discutidas estão assuntos de economia, segurança pública, moradia e aposentadoria.  

Na discussão da economia está o fato de que inflação está sob controle e que o compromisso do governo é manter a inflação baixa. Outra sugestão é dizer que o governo Lula segue atuando para que altas internacionais do petróleo não causem aumento aqui no país da gasolina e do gás de cozinha. Na discussão sobre aposentadoria, o site sugere abordar o fato de que o governo Lula está reduzindo a espera por benefícios e pretende voltar a avisar por carta quem já tem o direito de se aposentar. 

Sobreira cita o exemplo da cidade de Mococa no interior de São Paulo que teve uma alta votação para Flávio Bolsonaro. “As pessoas que votaram em Bolsonaro lá são muito convictas do seu voto. Virar o voto delas, eu diria que é esforço perdido. Porém, tem outras pessoas que votaram em Cury. Essas pessoas têm uma abertura maior para conversar. O site permite localizar, inclusive, em que seções eleitorais esses candidatos tiveram mais votação. Por exemplo, se eu moro em Mococa, eu vejo que na seção eleitoral do meu bairro, teve muita gente que votou no Cury, eu sei que, aqui, eu tenho conversa. Então, eu vou procurar as pessoas que eu conheço que votaram no Cury aqui no meu bairro. A ideia do site é criar estratégias descentralizadas, individuais”, explicou. 

Para o sociólogo é necessário tirar o peso de dois milhões de votos das costas de cada pessoa. “Eu tenho que olhar para o meu contexto local, para onde eu estou, meu círculo de amizades, conhecidos, colegas de trabalho. É nessa a escala de atuação que eu consigo fazer diferença”, concluiu.

Outras iniciativas 

O site “Onde dá para Conversar” mostra quantos votos Lula teve em cada região, além de quantos brancos, nulos e pessoas que não foram votar. É possível conferir quantos votos estão em disputa em cada escola. Também traz propostas de conversas com quem não foi votar, anulou, ou, votou em outro candidato. 

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Site “Onde dá para Conversar” mostra abstenção, nulos e brancos por bairros e escolas./ Foto: Reprodução

O site sinaliza, por exemplo, o que tem de igual nas propostas de Lula e Augusto Cury, como o fato dos dois proporem escola de tempo integral e enfrentar o crime organizado.  A plataforma disponibiliza a consulta das propostas do petista em temas como saúde, emprego, mulheres e juventude. 

Já o site Radar da Virada traz quais são os temas que estão em alta nas redes sociais e atualiza o eleitor sobre os temas que estão sendo mais tratados pelos apoiadores de Lula e de Flávio Bolsonaro.  

O eleitor ainda pode baixar os vídeos favoráveis a Lula que estão em alta para compartilhar, além de trazer abordagens de temas que viram voto como o fim da escala 6×1, a defesa da Constituição e da democracia — após as declarações de Flávio de que pretende mudar a carta magna — além da importância de falar sobre salário, imposto e custo de vida. 

Quem não votou no 1º turno pode votar no 2º

Não votei no 1º turno… E agora? Calma, se você não conseguiu votar no dia 4 nada te impede de comparecer às urnas no dia 25 de outubro.

Todos que não compareceram às urnas, no entanto, podem votar no 2º turno. O único requisito é estar com o título eleitoral regularizado.

A Justiça Eleitoral entende que o 2º turno é independente do 1º e por isso um não afeta o outro. Nada impede, por exemplo, que o eleitor mude de candiato no dia 25.

Prazos para justificar ausência

Caso você não tenha votado neste domingo, é preciso justificar o que motivou a ausência.

Quem não compareceu ao 1º turno e também não puder votar no 2º deverá apresentar uma justificativa para cada ausência, respeitando os prazos.

O procedimento pode ser feito pelo aplicativo e-Título, pelo Autoatendimento Eleitoral – Título Net ou presencialmente, em qualquer cartório eleitoral, de acordo com os seguintes prazos: 

  • 1º turno: até 3 de dezembro de 2026, para quem não votou em 4 de outubro; e 
  • 2º turno: até 8 de janeiro de 2027, para quem não votar em 25 de outubro. 

Já as mesárias e os mesários que não atuaram durante a votação do 1º turno das Eleições Gerais de 2026 têm até hoje (7) para apresentar justificativa à Justiça Eleitoral. 

Vote!

Mas, ei, não deixe de votar no fim de outubro! Faça parte das decisões do país e, se puder, vote!

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Eleições definem os representantes do povo por mais 4 anos – Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

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