Agora
Da Redação
FUP repudia violência contra Manuela D’Àvila
O Coletivo Nacional de Mulheres Petroleiras da Federação Única dos Petroleiros (FUP) manifesta seu mais firme repúdio ao ato de violência política de gênero praticado pelo candidato bolsonarista ao Governo do Rio Grande do Sul, Zucco, que exibiu um adesivo com o rosto da candidata ao Senado Manuela D’Ávila (PSOL-RS) riscado em vermelho, como se ela fosse um alvo.
Não se trata de uma provocação, de uma divergência política ou de uma “brincadeira” de campanha. Trata-se de um gesto carregado de ódio, que busca intimidar, silenciar e ameaçar mulheres que ocupam espaços de poder e de decisão. Transformar o rosto de uma mulher em alvo é um símbolo de violência que extrapola os limites da disputa política e atinge diretamente a democracia.
Nós, mulheres petroleiras, conhecemos de perto o peso da misoginia. Sabemos o que significa atuar em ambientes historicamente masculinos, enfrentar o questionamento permanente de nossa capacidade e lutar diariamente para que nossa voz seja respeitada. A violência dirigida à Manuela D’Ávila atinge todas as mulheres que ousam ocupar espaços historicamente negados a nós.
“Não admitimos que o ódio contra as mulheres seja tratado como estratégia política. Exibir o rosto de uma mulher como um alvo incentiva a violência, legitima a misoginia e afronta a democracia. Nossa solidariedade a Manuela D’Ávila é também um compromisso com todas as mulheres que enfrentam, diariamente, a violência por ousarem existir, liderar e participar da vida pública”, afirma a coordenadora do Coletivo Nacional de Mulheres Petroleiras e diretora da FUP, Nalva Faleiro.
“A violência política de gênero é uma tentativa de impor o medo e afastar as mulheres dos espaços de decisão. Não aceitaremos que esse tipo de prática seja naturalizado ou utilizado como instrumento de disputa eleitoral. Seguiremos denunciando toda forma de violência, misoginia e intolerância. Nenhuma mulher deve ser transformada em alvo por exercer seu direito de existir, de se posicionar e de disputar os rumos do nosso país”, ressaltou a coordenadora-geral da FUP, Cibele Vieira.
Unesco reconhece Teatros da Amazônia como Patrimônio Mundial Cultural
O Theatro da Paz, em Belém (PA), e o Teatro Amazonas, em Manaus (AM), receberam o título de Patrimônio Mundial Cultural da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). A candidatura conjunta foi aprovada na madrugada desta segunda-feira (27).

Inaugurados no final do século XIX, quando a Amazônia vivia um intenso desenvolvimento econômico em função da extração do látex e comercialização da borracha, os dois teatros reúnem estruturas com materiais europeus e propósitos culturais similares, embora 18 anos separem a inauguração das duas casas.
Pela proximidade histórica, a candidatura dos dois espaços culturais foi apresentada em conjunto, sob a designação de Teatros da Amazônia.
Patrimônios brasileiros
A inscrição é a 26ª inserção de bens culturais, naturais ou mistos brasileiros na lista internacional da Unesco.
Também receberam esse reconhecimento as cidades Brasília e Ouro Preto, centros históricos como os de Salvador e São Luís, bens naturais como o Complexo de Conservação da Amazônia Central e bens mistos como as culturas e biodiversidades de Paraty e Ilha Grande.
Theatro da Paz
Localizado em Belém, capital do Pará, o Theatro da Paz foi inaugurado em 1878, a partir do projeto arquitetônico do engenheiro José Tibúrcio Pereira Magalhães. Sua principal inspiração foi o Teatro alla Scala, de Milão, na Itália.
A construção se deu entre os anos de 1869 e 1874, mas, devido a denúncias envolvendo custos e governos, o espaço cultural só pôde ser inaugurado ao final do inquérito que investigava as irregularidades.

Em termos arquitetônicos, foi concebido para misturar o estilo neoclássico com elementos amazônicos, em uma estrutura pensada para ser um teatro de ópera, com a presença de um fosso para a orquestra capaz de permitir uma perfeita equalização da música tocada ao vivo com a voz dos cantores da ópera.
Passou por reformas para corrigir problemas estruturais para aproximar mais o projeto inicial ao estilo neoclássico e a inserção de uma caixa d´água de 40 mil litros abaixo do fosso, que servia tanto para abastecer o sistema de resfriamento do local como para melhorar a acústica da sala de espetáculos..
É considerado o primeiro teatro de ópera da Amazônia e um dos primeiros teatros líricos do Brasil. Tem o título de teatro-monumento e patrimônio histórico, dado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Teatro Amazonas
Inaugurado em 1896, no Centro Histórico de Manaus, o Teatro Amazonas partiu do projeto arquitetônico do deputado provincial Antônio José Fernandes Júnior, escolhido pelo Gabinete Português de Engenharia e Arquitetura de Lisboa, em 1883.

O projeto também demorou a sair do papel devido aos altos custos da obra e a um impasse sobre o terreno escolhido para abrigar o espaço cultural. O trabalho de construção foi coordenado pelo arquiteto italiano Celestial Sacardim.
O teatro tem estilo arquitetônico renascentista e a maior parte do material usado em sua estrutura foi importado da Europa. A exemplo das 36 mil peças nas cores da bandeira brasileira, importadas da Alsácia, na França, para compor a cúpula central no topo do prédio.
Internamente, o decorador pernambucano Crispim Amaral optou pelo uso de elementos neoclássicos associados a outros estilos, atribuindo uma arquitetura eclética ao local. O italiano Domenico de Angelis foi responsável pela decoração do Salão Nobre, inclusive pelo afresco denominado A Glorificação das Bellas Artes na Amazônia.
O Teatro Amazonas preserva até os dias de hoje grande parte dos elementos arquitetônicos e a decoração original e é tombado pelo Iphan como Patrimônio Histórico Nacional desde 1966.
Por Fabíola Sinimbú – Repórter da Agência Brasil
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Mercado reduz para 5,12% expectativa de inflação em 2026
* Pedro Peduzzi – Repórter da Agência Brasil
Pela quarta semana consecutiva, o mercado financeiro reduz as expectativas de inflação para 2026 no Brasil. De acordo com o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (27) pelo Banco Central, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país, deve fechar o ano em 5,12%.
Leia em TVT News.
Na semana passada, a inflação projetada para o ano estava em 5,15%. Há quatro semanas, as projeções para este índice estava em 5,33%.
Para os anos subsequentes (2027 e 2028), as expectativas inflacionárias do mercado financeiro são, respectivamente, de 4,22% e 3,80%.
Nos demais indicadores (PIB, Câmbio e Selic), as projeções do mercado se mantêm estáveis há, pelo menos, quatro semanas.
PIB e dólar

No caso do Produto Interno Bruto – soma de todos os bens e serviços produzidos no país –, as projeções do mercado financeiro permanecem em 1,99% em 2026. Para 2027 e 2028, o mercado projeta, para a economia, crescimentos de 1,60% e 2%, respectivamente.
>> Brasil recebe maior quantidade de dólares desde início de 2018
Segundo o Boletim Focus, as projeções para o câmbio ao final de 2026 estão estáveis há seis semanas, com cotação de R$ 5,20 para o dólar ao final do ano. Para os anos subsequentes, são esperadas cotações de R$ 5,28 em 2027; e de R$ 5,30 em 2028.
Taxa Selic
A projeção da taxa básica de juros (Selic) para 2026 se manteve em 14% pela quinta semana consecutiva.
A taxa atual, estabelecida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC em 17 de junho, é 14,25%. Com isso, há expectativa de, pelo menos, uma redução na atual taxa até o final de 2026.
A próxima reunião do Copom está prevista para os dias 4 e 5 de agosto.
As previsões da Selic para 2027 e 2028 se mantiveram estáveis, em 12% e 10,5%, respectivamente.
De junho de 2025 até março de 2026, a Selic estava em 15% ao ano – o maior nível desde julho de 2006, quando foi fixada em 15,25% ao ano.
De setembro de 2024 a junho de 2025, a taxa foi elevada sete vezes.
Marielle faria 47 anos e encontro marca a data
Em uma data marcada por memória, afeto e resistência, o Instituto Marielle Franco e a Fundação Rosa Luxemburgo promoveram nesta segunda-feira (27) um almoço especial que reuniu as famílias de Marielle e a filósofa e ativista norte-americana Angela Davis. O encontro ocorreu no Rio de Janeiro exatamente no dia em que a vereadora e defensora dos direitos humanos, assassinada em março de 2018, completaria 47 anos.
O evento se consolida como um marco internacional de articulação antirracista, feminista e em defesa da democracia, conectando o legado de Marielle à tradição global das lutas do movimento negro internacional representadas por Davis. Entre as personalidades presentes no almoço, destacaram-se a ex-ministra da Igualdade Racial, pré-candidata a deputada federal e irmã de Marielle, Anielle Franco; a deputada e pré-candidata ao Senado pelo Rio de Janeiro, Benedita da Silva; e a vereadora do Rio, viúva de Marielle e pré-candidata ao Senado pelo PSOL, Mônica Benício.
“A presença da Angela Davis neste dia tão emblemático reforça que o legado da minha irmã não é apenas uma lembrança, mas um motor de transformação global. Celebrar os 47 anos da Marielle ao lado de quem abriu os caminhos para o feminismo negro no mundo nos dá ainda mais força para seguir ocupando os espaços de poder e defendendo a vida do nosso povo”, disse Anielle Franco
A passagem de Angela Davis pelo Brasil reafirma o vínculo histórico da intelectual com as causas sociais do país. Autora de obras fundamentais como Mulheres, Raça e Classe, Davis tem sido uma das vozes internacionais mais contundentes na cobrança por justiça no caso Marielle e Anderson, apontando a violência política de gênero e o racismo estrutural como desafios centrais enfrentados pelas democracias contemporâneas no Sul Global.
O encontro também simbolizou a força da aliança entre gerações de mulheres negras na política brasileira. A presença de Benedita da Silva, pioneira na Assembleia Nacional Constituinte de 1988 e referência histórica do parlamento brasileiro, ao lado da nova ocupação institucional liderada por Anielle Franco, evidencia a continuidade e o fortalecimento de um projeto político pautado pela igualdade e pelos direitos humanos no Estado do Rio de Janeiro e no Brasil.

O almoço contou ainda com a parceria da Fundação Rosa Luxemburgo, instituição alemã que atua globalmente na formação política e no apoio a movimentos sociais antirracistas e feministas, reforçando a relevância do legado de Marielle Franco como patrimônio imaterial da luta internacional por justiça social.
Anielle Franco e Angela Davis visitam quilombo durante a Flip
Anielle Franco, e a filósofa e ativista norte-americana Angela Davis visitaram neste sábado (25) o Quilombo do Campinho da Independência, em Paraty (RJ), durante a programação da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip).
Primeira comunidade quilombola titulada do estado do Rio de Janeiro, o território recebeu as duas lideranças no Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, em uma agenda voltada ao fortalecimento da memória, da ancestralidade e da luta pela igualdade racial.
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Angela Davis também participou da mesa “América e África: uma conversa Atlântica”, realizada no Sesc Caborê e mediada pela jornalista Flávia Oliveira.

O encontro, que precisou ser transferido para um espaço maior devido à grande procura por ingressos, reuniu centenas de pessoas para discutir racismo, democracia, cultura, feminismo, justiça social e os desafios políticos da atualidade.
Logo na abertura da conversa, Davis destacou o papel da produção intelectual negra na construção de sociedades mais democráticas. Ao comentar a presença do escritor nigeriano Wole Soyinka e da escritora Conceição Evaristo na programação da Flip, afirmou que ambos representam uma tradição de resistência construída por meio da literatura e da arte.
Para a ativista, intelectuais negros preservam a memória de seus povos e ajudam a imaginar novos caminhos para a liberdade e a justiça social.
Em sua décima visita ao Brasil, Angela Davis voltou a declarar o carinho que sente pelo país. “Tenho que admitir que o Brasil é meu lugar favorito no mundo”, afirmou. A filósofa disse se sentir especialmente honrada por participar de atividades em Paraty, cidade cuja história reúne as marcas da escravidão, mas também da resistência da população negra.
Marielle Franco, presente
Marielle Franco nasceu em 27 de julho de 1979 no Rio de Janeiro. Criada no Complexo da Maré, um dos maiores conjuntos de favelas da cidade, ela viveu desde cedo as desigualdades que marcariam sua atuação política. Mulher negra, LGBTQ, mãe e cria da favela, Marielle construiu uma trajetória que a levou da periferia à Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro, onde exerceu mandato de 1º de janeiro de 2017 até sua morte.

Marielle era filha de Marinete da Silva e Antônio Francisco da Silva Neto. Aos 19 anos, teve sua única filha, Luyara Franco.
Em 2002, ingressou no curso de Ciências Sociais da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) com uma bolsa integral do Programa Universidade para Todos (Prouni). Antes disso, havia sido aluna do Pré-Vestibular Comunitário da Maré. Concluída a graduação, cursou mestrado em Administração Pública pela Universidade Federal Fluminense (UFF), defendendo em 2014 uma dissertação sobre as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) e a política de segurança pública do estado.
A entrada de Marielle na militância pelos direitos humanos ocorreu após a morte de uma amiga próxima, vítima de bala perdida. Trabalhou em organizações da sociedade civil, como a Brasil Foundation e o Centro de Ações Solidárias da Maré (Ceasm). Em 2006, integrou a equipe da Comunidade da Maré que apoiou a campanha do deputado Marcelo Freixo, que se tornou seu padrinho político.
O assassinato
Na noite de 14 de março de 2018, Marielle Franco voltava de um evento na região do Estácio, bairro central do Rio de Janeiro. O carro em que estava, dirigido por Anderson Pedro Gomes, foi alvo de disparos de uma metralhadora. Treze tiros atingiram o veículo. Marielle e Anderson morreram no local. Marielle tinha 38 anos.
O crime ocorreu em um contexto de disputa territorial envolvendo milícias na Zona Oeste do Rio. A investigação apontou que Marielle havia se posicionado contra projetos de regularização fundiária na região que beneficiavam grupos milicianos. Ela teria pedido à população local que não aderisse aos loteamentos irregulares.
Os executores do crime foram identificados como Ronnie Lessa e Élcio Vieira de Queiroz, ambos ex-policiais militares. Foram presos e condenados pelo tribunal do júri em outubro de 2024: Lessa a 78 anos e 9 meses de prisão, e Queiroz a 59 anos e 8 meses.
Os mandantes, julgados pelo Supremo Tribunal Federal por terem foro privilegiado, foram condenados em 2025. Os irmãos Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, e Chiquinho Brazão, deputado federal, receberam penas de 76 anos e 3 meses cada. Ronald Alves, ex-chefe da Polícia Civil do Rio, foi condenado a 56 anos de prisão.

A investigação da Polícia Federal apontou que o plano para matar Marielle surgiu após uma reação de Chiquinho Brazão à atuação da vereadora contra seus interesses na Zona Oeste. Os Brazão eram apontados como envolvidos com grilagem de terras e exploração econômica de áreas na região.
Legado de Marielle Franco
O assassinato de Marielle Franco gerou comoção nacional e internacional. O dia 14 de março tornou-se um marco na história recente do Brasil. Sua irmã, Anielle Franco, e sua companheira, a arquiteta Mônica Benício, fundaram o Instituto Marielle Franco para manter vivo seu legado e lutar por justiça. Anielle Franco assumiu o Ministério da Igualdade Racial no governo Lula a partir de 2023.
Marielle Franco deixou uma trajetória que transformou a política brasileira. Vereadora, socióloga, feminista, defensora dos direitos humanos e das causas LGBTI, ela se tornou símbolo da luta contra o racismo, o machismo e a violência de Estado. Sua vida e sua morte seguem como referência para movimentos sociais no Brasil e no mundo.
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Jingle de Lula adapta clássico do funk dos anos 1990 e resgata trajetória do presidente
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) divulgou neste domingo (26) um novo jingle para sua campanha à reeleição. Publicada em seu perfil oficial no Instagram, a música é inspirada em Rap do Silva, um dos maiores sucessos do funk brasileiro da década de 1990, interpretado por MC Bob Rum. A adaptação utiliza a estrutura da canção original para apresentar a trajetória pessoal e política do presidente, associando sua história à de milhões de trabalhadores brasileiros. Leia em TVT News.
A escolha da música não é casual. Lançada em 1995, Rap do Silva tornou-se um marco da cultura popular ao retratar a realidade das periferias urbanas e denunciar o preconceito enfrentado por jovens trabalhadores moradores das favelas. Ao recorrer a esse repertório, a campanha de Lula procura estabelecer uma conexão com um símbolo da música brasileira que permaneceu presente em diferentes gerações.
Na nova versão, a letra acompanha a trajetória do presidente desde a infância no sertão nordestino até sua chegada à Presidência da República. O texto faz referência à migração para São Paulo, ao trabalho como metalúrgico, à atuação no movimento sindical e à construção de sua carreira política.
O jingle apresenta Lula como “brasileiro, trabalhador e família”, destacando sua origem popular e sua identificação com trabalhadores de diferentes regiões do país. Ao longo da música, também são mencionadas políticas públicas relacionadas à geração de empregos, moradia e combate à fome, temas frequentemente associados aos governos do petista.
Outro trecho faz referência ao período em que Lula esteve preso em Curitiba. A composição afirma que tentaram “derrubá-lo e silenciá-lo”, incorporando esse episódio como parte da narrativa construída pela campanha.
O refrão também foi adaptado. No lugar da frase que tornou conhecida a música de MC Bob Rum, a campanha apresenta o verso:
“É o Lula da Silva, é a estrela que brilha, ele é trabalhador e família.”
A letra procura aproximar o presidente da figura de um cidadão comum, utilizando uma linguagem simples e referências à sua origem operária. A estratégia busca reforçar uma identidade construída desde as primeiras campanhas eleitorais de Lula, baseada na valorização do trabalho, da trajetória sindical e da ascensão política de alguém que nasceu em uma família de baixa renda.

Vídeo associa Lula à defesa do Brasil
Além da adaptação musical, o vídeo publicado nas redes sociais utiliza imagens de diferentes momentos da trajetória do presidente. Entre elas aparecem registros da infância, da atuação no movimento sindical, de campanhas eleitorais, encontros internacionais e eventos oficiais.
Em um dos trechos, quando a música afirma que Lula “não abaixa a cabeça, sempre defende a nação”, são exibidas imagens do presidente em reuniões com autoridades internacionais, incluindo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A montagem procura associar a narrativa da música à atuação recente de Lula na política internacional, especialmente em temas relacionados à defesa dos interesses brasileiros e ao fortalecimento das relações diplomáticas com outros países.

A divulgação do jingle ocorre em um momento em que a campanha busca ampliar sua presença nas redes sociais por meio de conteúdos audiovisuais e referências culturais conhecidas pelo público. A estratégia aposta em músicas populares para ampliar o alcance das mensagens e reforçar elementos da identidade política construída ao longo da trajetória de Lula.
História do Rap do Silva
Lançada em 1995 por MC Bob Rum, a canção tornou-se um dos maiores clássicos do funk nacional ao retratar a vida de um trabalhador da periferia, pai de família, que é vítima da violência ao retornar de um baile. Ao longo dos anos, a obra passou a simbolizar a realidade de milhares de brasileiros marcados pela desigualdade, pelo preconceito e pela exclusão social.
Na adaptação divulgada pela campanha de Lula, a narrativa muda de foco, mas preserva elementos centrais da composição original. O personagem deixa de ser um trabalhador anônimo para representar a própria trajetória do presidente, apresentada como a de alguém que saiu do sertão nordestino, migrou para São Paulo, atuou no movimento sindical e chegou ao Palácio do Planalto. O refrão também foi reformulado para reforçar essa associação: “É o Lula da Silva, é a estrela que brilha, ele é trabalhador e família”.
A letra ainda faz referências a momentos marcantes da trajetória política do presidente. O jingle menciona sua prisão em Curitiba, apresenta o episódio como uma tentativa de interromper sua atuação política e destaca que Lula “não abaixa a cabeça”. Paralelamente, o vídeo divulgado nas redes sociais intercala imagens de programas sociais, encontros com trabalhadores e compromissos internacionais, incluindo reuniões com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e outros chefes de Estado.
Veja vídeo do jingle:
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ADPF das favelas altera modelo de combate ao crime no Rio de Janeiro
A Arguição por Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635, conhecida como “ADPF das favelas”, julgada no Supremo Tribunal Federal (STF), transformou a forma como o crime organizado é combatido no estado do Rio de Janeiro, avaliam especialistas em segurança pública e direito penal.

A diretora executiva do Instituto Fogo Cruzado, Cecília Olliveira, afirma que a ADPF motivou uma “revolução silenciosa” no Rio ao forçar uma mudança no foco do combate ao crime das operações em favelas contra o varejo do tráfico para ações voltadas a desmontar a “engrenagem” que mantém o crime no estado.
“Pela 1ª vez em muito tempo, as investigações parecem atacar os três pilares do crime organizado de uma só vez. O primeiro é o braço armado, facções e milícias. O segundo é o braço econômico, combustíveis, contrabando, lavagem de dinheiro e jogo do bicho. E o terceiro é o braço institucional, agentes públicos, autoridades e políticos que, segundo as investigações, garantiriam proteção e informação aos esquemas”, afirmou a jornalista, em uma rede social.
A especialista da The Global Initiative Against Transnational Organized Crime avalia que a mudança ocorreu após o julgamento da ADPF das favelas, concluído em abril de 2025, quando o STF determinou que a Polícia Federal (PF) abrisse uma investigação permanente, com dedicação exclusiva, contra o crime organizado no Rio de Janeiro.
“Deve a União garantir o incremento necessário da capacidade orçamentária do órgão e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras [Coaf], a Receita Federal e a Secretaria de Estado da Fazenda do Rio de Janeiro darem máxima prioridade às diligências relativas às investigações”, determinou o Supremo, por unanimidade.
A fundadora do Fogo Cruzado, Cecilia Olliveira, acrescentou que, durante décadas, o combate ao crime no Rio foi praticamente focado em operações em favelas.
“Sempre do mesmo jeito. Operação policial, troca de tiro, apreensão de armas, prisão de alguns traficantes e, poucos dias depois, tudo voltava ao normal. Era um eterno enxugar gelo”, completou.
A jornalista Cecilia Olliveira cita, como exemplo dessa “revolução”, a prisão de altas autoridades do estado nos últimos meses, como um desembargador, parlamentares, policiais, ex-prefeitos, entre outros.
“Surgiu uma sequência de operações que parecem diferentes, mas fazem parte da mesma estratégia. A Operação Zargun investigou lideranças do Comando Vermelho e suas conexões com agentes públicos. Segundo a PF, havia uma rede que facilitava o vazamento de informações, até a importação de armas do Paraguai e equipamentos da China. Caíram naquela investigação um delegado da PF, policiais militares, um secretário estadual e o deputado TH Joias”, explicou a especialista.
Ações federais pontuais
O ex-policial federal e doutorando na área de segurança pública Roberto Uchôa, concorda “integralmente” com a avaliação de Cecilia, acrescentando que, antes da decisão do Supremo, as operações da PF no Rio eram pontuais.
“Para você enfrentar o crime organizado da forma como está sendo feito, você precisa ter um suporte muito forte atrás e politicamente, para um poder Executivo em um sistema presidencialista de coalizão como a gente tem, é quase impossível dar essa força e esse mandato à PF para exercer isso”, comentou.
Uchôa acrescentou que a decisão do STF deu um suporte maior para PF, Justiça Federal e Ministério Público desempenharem esse papel.
“É uma chance ímpar que o Rio de Janeiro tem de enfrentar esses problemas. Isso porque é evidente, já há muito tempo, que o Estado do Rio não tem condições de combater, sozinho, as diversas organizações criminosas que capturaram instituições, seja através da corrupção, do contrabando, do jogo ilegal e do financiamento ilícito de campanhas”, afirmou à Agência Brasil.
Estima-se que cerca de 4 milhões de pessoas viviam, em 2024, em regiões sob controle ou influência de grupos armados na região metropolitana do Rio de Janeiro, calcula pesquisa do Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos (GENI) da Universidade Federal Fluminense (UFF) em parceria com o Instituto Fogo Cruzado.
“Entre 2007 e 2024, a área submetida a algum tipo de domínio armado cresceu 130,4%, enquanto a população nessa condição aumentou 59,4%”, diz o estudo.
Andar de cima
O advogado criminalista Cristiano Maronna, doutor pela Universidade de São Paulo (USP), concorda que a ADPF das favelas alterou a lógica de combate ao crime organizado no Rio de Janeiro ao produzir um deslocamento do foco das operações com imposição de restrições às operações em favelas, exigência de planos de redução da letalidade policial e maior transparência, além da federalização de investigações.
“Em vez de focar apenas no topo dos morros, o foco passou a ser a estrutura financeira, política e institucional que sustenta o crime organizado no Rio de Janeiro e que acabou atingindo a cúpula das forças de segurança, agentes políticos com foro de prerrogativa. Pessoas com muita influência no estado”, comentou.
Por outro lado, Maronna aponta que a dependência “de inquéritos extraordinários” pode trazer problemas. “Essa atuação protagonista do STF expõe uma fragilidade das instituições e do sistema de justiça, da capacidade de investigação que o Estado tem, gerando tensões”.
ADFP das Favelas
Em novembro de 2019, o Partido Socialista Brasileiro (PSB) ingressou com uma ADPF no Supremo pedindo que a Corte reconhecesse as graves violações a direitos fundamentais causadas pela política de segurança pública do Rio de Janeiro, focada em ações policiais em favelas com alta letalidade.
A legenda argumentou que a política comprometia os direitos fundamentais à vida, à dignidade da pessoa humana, à segurança, à inviolabilidade do domicílio, entre outros.
Durante a pandemia da covid-19, uma liminar do ministro Edson Fachin restringiu operações policiais a situações excepcionais e justificadas. A medida foi alvo de críticas de atores políticos e grupos de comunicação que acusavam o Supremo de “interferir” no trabalho da polícia.
Em abril de 2025, o julgamento da ADPF 635 foi concluído e, por unanimidade, a Corte determinou uma série de medidas ao estado do Rio e ao governo federal para o combate à criminalidade e redução da letalidade policial.
A jornalista Cecilia Olliveira destaca que a ação no Supremo foi resultado da luta de “dezenas de pessoas” que perderam familiares para violência no Rio de Janeiro, vítimas de facções, milícias e policiais.
“Elas ajudaram a fazer a ADPF das favelas acontecer. É graças a elas e a ação [no STF], que começou lá em 2020, que a gente está vendo essa revolução hoje”, concluiu em postagem da organização Instituto Fogo Cruzado.
Com Agência Brasil

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