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Da Redação

Datafolha pesquisa para presidente no 2º turno: empate nos votos válidos

O Datafolha divulga nesta quinta-feira (22/10) nova pesquisa para presidente no 2º turno das eleições de 2026, medindo a intenção de voto na disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).

Este é o primeiro levantamento do instituto após o debate promovido pela Band no domingo (18) e chega a três dias da votação marcada para domingo (25). Confira os números da pesquisa Datafolha com a TVT News.

Lula X Flávio Bolsonaro: votos totais

  • Flávio Bolsonaro: 47% (eram 47% na pesquisa do dia 15 e 49% na pesquisa do dia 8)
  • Lula: 46% (eram 45% nas duas pesquisas)
  • Brancos e nulos:  5% (eram 6% no dia 15 e 5% no dia 8)
  • Indecisos: 2% (eram 2% no dia 15 e 1% no dia 8)

  • Pequisa Datafolha: votos totais

Lula X Flávio Bolsonaro: votos válidos

  • Lula: 50%
  • Flávio Bolsonaro 50%

  • Pesquisa Datafolha: votos válidos

Aprovação supera reprovação pela primeira vez

Nova pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira mostra que a desaprovação do governo Lula recuou dois pontos e a aprovação oscilou um ponto para cima.

  • Aprova: 49% (eram 48%)
  • Reprova: 48% (eram 50% na pesquisa anterior)
  • Não sabe: 2% (eram 3%)

Rejeição Lula x Flávio Bolsonaro

  • Rejeitam Flávio Bolsonaro: 46% (eram 44% na pesquisa anterior)
  • Rejeitam Lula: 45% (eram 46%)
  • Rejeitam ambos: 3%
  • Não rejeitam nenhum: 6%

A rejeição de Lula recuou 1 ponto e a de Flávio Bolsonaro subiu 2 pontos.

Avaliação do governo Lula

  • Ruim/péssimo: 39% (eram 41%)
  • Ótimo/bom: 36% (eram 35%)
  • Regular: 24% (eram 23%)
  • Não sabe: 1% (era 1%)

Motivação do voto

  • Voto em Lula:
    • 81% por considerá-lo o melhor candidato
    • 13% dizem que é para derrotar Flávio Bolsonaro
  • Voto em Flávio Bolsonaro
    • 65% por ser a melhor opção
    • 23% votam para derrotar Lula.

Expectativa de vitória

Para 53%, Flávio Bolsonaro tem mais chances de vencer (eram 54% na pesquisa anterior), e 39% consideram Lula favorito (eram 37%).

Novo Datafolha para presidente no 2º turno

  • Datafolha do 2º turno entre Lula x Flávio Bolsonaro: levantamento ouviu 2.520 eleitores entre 20 e 22 de outubro, com margem de erro de 2 pontos percentuais e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-09709/2026.
  • Primeiro Datafolha depois do debate na Band e do desafio dos sigilos: o embate de domingo (18) foi marcado pelo desafio de Lula para que Flávio abrisse seus sigilos bancário e telefônico.
  • O que o Datafolha perguntou aos eleitores: além da intenção de voto, o instituto mediu rejeição, grau de decisão do voto e os efeitos do debate e da aprovação do fim da escala 6×1.

Datafolha divulga nesta quinta (22/10) pesquisa do 2º turno entre Lula x Flávio Bolsonaro

A nova pesquisa Datafolha para presidente no 2º turno é divulgada no início da noite desta quinta-feira (22), a partir das 19h. O levantamento é o penúltimo do instituto antes da votação de domingo (25) e foi encomendado pela Globo e pela Folha de S.Paulo.

Registro da pesquisa Datafolha no TSE

BR-09709/2026 — Pesquisa registrada no Tribunal Superior Eleitoral, com 2.520 entrevistados, margem de erro de 2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

Quais os números da pesquisa Datafolha para presidente desde o resultado do 1º turno?

Na rodada anterior do Datafolha, divulgada em 15 de outubro, Flávio Bolsonaro apareceu com 47% das intenções de voto totais, contra 45% de Lula — um empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos. Nos votos válidos, que excluem brancos, nulos e indecisos, o senador registrou 51%, e Lula, 49%.

A pesquisa de 8 de outubro, primeira do 2º turno, havia mostrado Flávio com 49% e Lula com 45% das intenções totais, e 52% a 48% nos votos válidos. A distância entre os candidatos, portanto, diminuiu de quatro para dois pontos percentuais na comparação entre as duas rodadas.

Primeira pesquisa Datafolha para presidente depois do debate na Band e do desafio dos sigilos

O debate da Band, realizado no domingo (18), foi marcado pelo desafio do presidente Lula para que Flávio Bolsonaro abrisse seus sigilos bancário e telefônico, além dos sigilos de familiares. Lula repetiu a provocação nas redes sociais na segunda-feira (19), enquanto aliados de Flávio sinalizaram que o senador não pretende aceitar a proposta.

A pesquisa Datafolha de hoje é a primeira do instituto realizada integralmente após esse embate, incorporando os efeitos do debate na intenção de voto.

Quais os números da pesquisa Quaest de 21 de outubro?

A Quaest divulgou em 21 de outubro sua penúltima pesquisa para presidente no 2º turno. O levantamento mostrou Flávio Bolsonaro com 45% das intenções de voto totais, contra 44% de Lula — empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.

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Rejeição medida pela pesquisa Quaest em 21 de outubro – Reprodução / Globo

Nos votos válidos, os números ficaram em 51% para Flávio e 49% para Lula. A pesquisa ouviu 2.154 eleitores entre 17 e 20 de outubro e está registrada no TSE sob o número BR-08535/2026.

O que diz a pesquisa para presidente PoderData/Aya de 22 de outubro?

A PoderData/Aya divulgou nesta quinta-feira (22) levantamento que mostra Flávio Bolsonaro com 51% dos votos válidos, contra 49% de Lula. A pesquisa foi realizada entre 19 e 21 de outubro, com 4.000 entrevistas e margem de erro de 1,6 ponto percentual.

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Reprodução Poder360 – Pesquisa PoderData/Aya de 22 de outubro

O percentual do senador oscilou um ponto para baixo em três dias, enquanto o do petista avançou na mesma proporção. As variações ficaram dentro da margem de erro, configurando empate técnico.

Super Sábado: quando serão as próximas pesquisas para presidente?

As últimas pesquisas para presidente no 2º turno antes da votação serão divulgadas no sábado (24), véspera do pleito. A Quaest ouvirá 3.702 pessoas nos dias 23 e 24 de outubro, com registro no TSE sob o número BR-09158/2026.

O Datafolha também divulgará sua rodada final no sábado (24), com 4.050 entrevistas realizadas nos dias 23 e 24. Parte da coleta ocorrerá após o debate da TV Globo, marcado para a sexta-feira (23), e o levantamento vai investigar se o confronto mudou a intenção de voto dos eleitores. A pesquisa está registrada no TSE sob o número BR-09540/2026.

Qual o contexto da pesquisa Datafolha para presidente de hoje

A nova pesquisa Datafolha mede as percepções dos eleitores diante dos acontecimentos da semana que envolvem Flávio Bolsonaro e Lula.

  • Debate na Band: o embate de domingo (18) entre Lula e Flávio Bolsonaro foi marcado por ataques e provocações, com o presidente defendendo seu legado e o senador tentando se posicionar como alternativa. A pesquisa Datafolha é a primeira do instituto a medir os efeitos do confronto.

Reportagem Aos Fatos verifica afirmações do debate da band doi domingo (18) – Foto: Reprodução

  • Desafio de abrir o sigilo: Lula desafiou Flávio a abrir os sigilos bancário e telefônico de ambos e de seus familiares durante o debate, e a campanha do senador indicou que ele não deve aceitar a proposta. O tema dominou o noticiário político nos dias seguintes.

  • Vídeo do Porchat sobre Wiiler Tomaz: na terça-feira (20), o humorista Fábio Porchat lançou um novo episódio da série “Revelando”, que aponta supostas conexões entre Flávio Bolsonaro, o advogado Wiiler Tomaz e o banqueiro Daniel Vorcaro em uma rede de empresas e movimentações financeiras. Flávio Bolsonaro se tornou alvo de um novo inquérito para apurar suspeitas de lavagem de dinheiro.

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Flávio Bolsonaro ganhou a própria versão do powerpoint (PPT) com as conexões entre ele, Vorcaro, Banco Master, Willer Tomaz, INSS, etc, etc – Imagem: Reprodução / Revelando

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Cerimônia de Promulgação das Propostas de Emenda à Constituição que Põem Fim à Escala de Trabalho 6×1 e Estabelecem a Aposentadoria Diferenciada para Agentes – Foto: Ricardo Stuckert

Qual a metodologia da pesquisa Datafolha para presidente no 2º turno

A pesquisa Datafolha ouviu 2.520 eleitores de 16 anos ou mais em todo o território nacional, entre os dias 20 e 22 de outubro de 2026. As entrevistas foram realizadas de forma presencial. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O levantamento foi contratado pela Globo Comunicação e Participações e pelo jornal Folha de S.Paulo.

O instituto utiliza dados do TSE, do Censo 2022 e da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, do IBGE, para montar o desenho amostral.

Consulte as pesquisas para presidente registradas no TSE

Todas as pesquisas de intenção de voto para as eleições de 2026 precisam ser registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) antes de sua divulgação. No portal do TSE, é possível consultar as pesquisas registradas, verificando informações como o número de protocolo, o instituto responsável, a contratante, a metodologia e o período de coleta dos dados.

33 milhões não foram votar: o que a política não entendeu

Por Christian Jauch – Estrategista político e eleitoral, e especialista em comunicação, política e tecnologia

Mais do que um indicador eleitoral, a abstenção apresenta um desafio estratégico: compreender por que parte da sociedade não transforma interesse, preferência ou insatisfação em participação. Investigar esse comportamento exige escuta e cuidado para não atribuir a milhões de pessoas uma única motivação.

A abstenção nas eleições de 2026 merece atenção para além da disputa entre os candidatos: aproximadamente um em cada cinco eleitores aptos não compareceu às urnas. Foram cerca de 33,4 milhões de ausentes no primeiro turno, segundo dados do TSE reproduzidos pela Rádio Senado. No balanço publicado pelo TRE-PI, a taxa nacional aparece como 21,08%.

Esse contingente representa um público amplo, diverso e ainda pouco compreendido. Sua ausência merece espaço na análise eleitoral e no planejamento de quem pretende construir uma relação com a sociedade.

A primeira questão estratégica é reconhecer que o número, sozinho, não explica o comportamento.

Os ausentes não formam necessariamente um bloco de rejeição ou um grupo ideológico. A falta pode resultar de desinteresse, frustração, obstáculos práticos, baixa percepção de diferença entre candidaturas ou de uma situação circunstancial.

Para o marketing político, compreender essas diferenças é fundamental. Antes de definir uma mensagem, precisamos investigar quais problemas, percepções e barreiras participam da decisão de cada pessoa.

A pergunta, portanto, é mais ampla do que “por que essas pessoas não votaram?”. Precisamos perguntar também o que impediu que a participação fosse possível ou parecesse relevante para elas.

Abstenção não é uma mensagem única

Abster-se significa não comparecer. Votar em branco ou anular o voto pressupõe participação na votação. Embora esses comportamentos possam expressar insatisfação, não devemos interpretá-los como manifestações equivalentes.

Uma pessoa pode faltar porque nenhum candidato a convenceu. Outra pode ter preferência definida e não conseguir chegar à seção por motivo de saúde, deslocamento ou emergência familiar. Uma terceira pode apoiar uma candidatura, mas considerar sua presença dispensável.

São possibilidades que produzem o mesmo registro de ausência, mas exigem explicações diferentes.

Por isso, afirmar que nenhum candidato conseguiu se conectar com os ausentes vai além do que a apuração demonstra. A conexão pode ter faltado em parte dos casos. Em outros, pode ter existido sem resultar em comparecimento.

Uma campanha que classifica todos como “despolitizados” ou “decepcionados” corre o risco de substituir investigação por uma interpretação conveniente.

O ponto de partida deveria ser conhecer essas pessoas: o que acompanhavam, se pretendiam votar, quais dúvidas tinham e o que aconteceu no dia da eleição. A comunicação ganha uma base mais consistente quando essas respostas orientam o diagnóstico.

O que mudou por trás de uma taxa quase estável?

No primeiro turno de 2022, o TSE registrou 20,95% de ausentes. Comparado aos 21,08% informados no balanço de 2026, o aumento foi de 0,13 ponto percentual.

A diferença é pequena e não sustenta, sozinha, a ideia de uma ruptura no comportamento eleitoral. O dado mais relevante talvez seja a persistência de um nível elevado de ausência.

Taxas semelhantes, porém, não significam que as mesmas pessoas deixaram de votar.

O percentual agregado pode esconder movimentos diferentes: eleitores que participaram em 2022 e faltaram em 2026, pessoas que fizeram o percurso inverso e mudanças relacionadas a circunstâncias pessoais ou ao contexto da disputa.

Essa é uma questão importante para a estratégia eleitoral. Trabalhar apenas com médias pode deixar de fora justamente as mudanças que merecem atenção.

Além de perguntar qual é o tamanho da abstenção, precisamos investigar quem deixou de comparecer, quais obstáculos encontrou e se sua relação com a política mudou. Sem essas respostas, a tentativa de aproximação tende a partir de suposições.

Quem são os eleitores que não compareceram?

Até a análise realizada em 6 de outubro, as fontes consultadas não ofereciam um retrato nacional consolidado dos ausentes de 2026 por idade, escolaridade e sexo. Não seria correto preencher essa lacuna com dados de quatro anos antes.

A pesquisa histórica ajuda a formular perguntas. No estudo “Afinal, quem foi votar em 2022”, Jairo Nicolau analisou dados da Justiça Eleitoral e identificou menor comparecimento entre pessoas com menos escolaridade.

Entre as faixas sujeitas ao voto obrigatório, os eleitores de 18 a 29 anos apresentaram a menor participação. Entre aqueles com 70 anos ou mais, menos da metade compareceu nos dois turnos. Esses achados dizem respeito a 2022.

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Transferência de votos medida pela Quaest em 21 de outubro – Reprodução / Globo

O estudo também aponta limitações, como a possibilidade de desatualização da escolaridade registrada no cadastro eleitoral.

Características demográficas ajudam a descrever padrões, mas não explicam sozinhas as motivações. Conhecer a idade de alguém não revela o que essa pessoa espera da política nem por que deixou de votar.

Na comunicação, reconhecer diferenças deve servir para melhorar as perguntas, sem transformar pessoas em estereótipos.

São Paulo e Minas: o território precisa entrar na análise

Em São Paulo, o TRE-SP informou abstenção de 22,5%, aproximadamente 7,6 milhões de eleitores. Na capital, o índice chegou a 23,4%. Em Minas Gerais, o TRE-MG registrou 22,82%, ante 22,29% no primeiro turno de 2022.

Os dois estados ficaram acima dos cerca de 21% nacionais. No Piauí, o tribunal regional registrou 17,15%.

Essas diferenças mostram que o comparecimento varia entre os territórios. Suas causas, contudo, precisam ser investigadas.

Uma média estadual reúne regiões metropolitanas, cidades pequenas e áreas rurais. Condições de transporte, distância até a seção, vínculos comunitários e características das disputas locais podem participar dessa explicação.

Para a comunicação política, o lugar onde o cidadão vive também merece atenção. É ali que ele encontra serviços públicos, conversa com outras pessoas e acumula experiências com instituições e representantes.

Ainda assim, seria um erro atribuir preferência política aos ausentes porque determinado candidato venceu onde eles vivem. O resultado do município descreve os votos registrados. Não revela como votariam aqueles que ficaram de fora.

Uma mensagem pode chegar sem fazer sentido

Uma hipótese importante para compreender parte da abstenção é a falta de relevância percebida.

Uma campanha pode apresentar propostas, ocupar espaços de mídia e alcançar muitas pessoas sem que elas reconheçam uma relação com suas próprias preocupações. Ter contato com uma mensagem não significa necessariamente compreendê-la, confiar nela ou agir a partir dela.

Dizer que saúde é prioridade não esclarece como a fila de atendimento será reduzida. Defender emprego não responde, por si só, à insegurança de quem não sabe como fechar as contas. Falar em mudança também exige explicar o que mudará e com quais consequências.

Para avaliar uma comunicação, vale perguntar se a mensagem foi percebida, compreendida e considerada relevante. São questões diferentes, que não podem ser respondidas apenas pelo número de visualizações.

O desafio estratégico está em tornar os compromissos suficientemente claros para que o cidadão consiga examiná-los. Isso inclui explicar o que depende do cargo disputado, quais são os limites da proposta e como acompanhar seus resultados.

Essa orientação não comprova que a falta de clareza tenha causado a abstenção de 2026. Ela oferece um caminho para investigar a qualidade da relação entre campanhas e sociedade.

Entre ter preferência e comparecer existe uma distância

Uma pessoa pode acompanhar a disputa e não votar. Pode ter preferência e enfrentar um impedimento. Pode concordar com uma proposta e não considerar sua participação relevante.

Por isso, interesse, preferência e comparecimento precisam aparecer como questões distintas na análise.

Uma pesquisa sobre esse comportamento deveria perguntar se a pessoa pretendia votar, se tinha uma escolha definida e o que ocorreu entre essa intenção e o dia da eleição. Sem essa sequência, é fácil atribuir à comunicação um problema que pode ter outra origem.

Também é possível que diferentes fatores se acumulem. Uma dificuldade de deslocamento pode coexistir com pouco interesse. Uma pessoa pode confiar em um candidato e, ao mesmo tempo, estar desanimada com o funcionamento das instituições.

A aproximação com esse público exige reconhecer essa complexidade. Não há fundamento para presumir que um anúncio de última hora resolveria todas essas situações.

Como ouvir quem se afastou

Uma investigação séria começaria com perguntas abertas:

O que aconteceu no dia da eleição?

A pessoa pretendia votar?

Tinha preferência por alguma candidatura?

Encontrou algum obstáculo?

Acompanhou a campanha?

O que esperava dos candidatos?

Que dúvidas permaneceram?

Perguntar apenas “por que você desistiu da política?” já pressupõe desistência. A pergunta pode induzir a resposta e esconder situações diferentes.

Também é insuficiente ouvir somente apoiadores, participantes de eventos e seguidores ativos. Esses interlocutores são importantes, mas não representam necessariamente quem mantém distância das campanhas.

A escuta precisa admitir dúvidas e críticas que contrariem a interpretação da equipe. Se todas as respostas servem apenas para confirmar a mensagem que já estava pronta, pouco se aprendeu.

Para a comunicação política, ouvir tem consequência quando permite revisar uma explicação, reconhecer um problema negligenciado ou perceber que uma promessa parece pouco crível. O resultado pode exigir mudanças mais profundas do que a troca de palavras numa publicação.

Ampliar o diálogo sem abandonar a base

Uma preocupação recorrente entre candidaturas é que conversar com pessoas mais distantes possa afastar quem já apoia.

Esse risco existe. Não há fórmula capaz de garantir novos apoios e preservar integralmente os anteriores. A política envolve escolhas, prioridades e conflitos reais.

Ainda assim, ampliar a conversa pode significar explicar melhor compromissos já assumidos. Uma candidatura pode manter suas posições e ouvir perguntas de quem não compartilha todas as suas referências.

Imagine uma proposta para reduzir a espera por consultas médicas. Apoiadores e cidadãos sem vínculo partidário podem avaliá-la por perspectivas diferentes. Ambos, porém, têm o direito de conhecer os critérios, os recursos necessários, o prazo e os mecanismos de acompanhamento.

A explicação precisa ser compreensível e manter o mesmo compromisso diante de todos.

Adaptar exemplos e linguagem não deveria produzir versões incompatíveis da candidatura. Se uma posição muda, a mudança precisa de justificativa pública. Se permanece, deve suportar perguntas que venham de fora do grupo de apoiadores.

A coerência oferece um critério para conduzir esse diálogo: quem já confia e quem está se aproximando precisam saber o que a candidatura defende e quais escolhas decorrem dessa posição.

A relação continua depois da eleição

Uma reflexão sobre conexão política ficaria incompleta se terminasse na propaganda.

Durante o mandato, o cidadão pode comparar o que ouviu com aquilo que aconteceu. Prestar contas inclui explicar uma entrega, mas também um atraso, uma limitação ou uma promessa que não avançou.

A comunicação de mandato precisa oferecer informação e possibilidade de acompanhamento. Mostrar atividades não esclarece, automaticamente, seus resultados.

Imagine alguém que apresenta uma demanda a um representante. Receber uma resposta clara, mesmo quando a solução não é imediata, oferece uma experiência diferente de encontrar silêncio até a eleição seguinte. É um exemplo hipotético, mas ajuda a pensar sobre a relação institucional.

Sentir-se representado talvez envolva perceber que sua presença importa mesmo quando você não está oferecendo um voto, um elogio ou um compartilhamento.

Essa continuidade merece fazer parte da reflexão sobre confiança. Não sabemos, com os dados aqui examinados, quanto ela explica a participação eleitoral. Mas podemos perguntar que tipo de relação a política oferece nos intervalos entre as campanhas.

O que a abstenção exige da comunicação política?

O primeiro cuidado é distinguir ausência de rejeição. O segundo é reconhecer que pessoas com o mesmo comportamento registrado podem ter chegado a ele por caminhos diferentes.

Também precisamos avaliar a comunicação além do alcance. Uma mensagem pode circular, ser lembrada e ainda deixar dúvidas sobre a proposta ou sobre quem a apresenta.

Para o planejamento, isso significa combinar pesquisa, clareza de compromissos e acompanhamento da relação com o cidadão. Significa também reconhecer quando o problema exige uma resposta institucional, e não apenas uma peça de comunicação.

Se alguém enfrentou uma barreira de acesso, é necessário compreender essa dificuldade. Se relata desconfiança, cabe investigar suas experiências. Se não percebe diferença entre as candidaturas, é preciso ouvir o que recebeu e como interpretou as mensagens.

São caminhos de investigação. Não constituem receitas comprovadas para transformar os ausentes em eleitores de determinado candidato.

O silêncio das urnas ainda precisa ser ouvido

Quem faltou em um turno não deve receber um rótulo permanente de eleitor ausente. Em 2022, a abstenção nacional caiu de 20,95% no primeiro turno para 20,59% no segundo. Essa variação mostra que o comparecimento pode mudar, embora não identifique, sozinha, quem voltou ou por quê.

No caso de 2026, ainda precisamos compreender quanto da ausência decorreu de impedimentos, quanto expressou afastamento e quanto reuniu motivos sobrepostos.

Tratar todos esses cidadãos como indiferentes seria tão precipitado quanto declarar que todos rejeitaram a política.

No artigo anterior, propus a reflexão de que, em alguma medida, o eleitor vota em si mesmo: no que acredita, no que precisa e no futuro que deseja. A ausência acrescenta uma pergunta: quem não votou deixou de se reconhecer nas opções ou encontrou dificuldades para transformar sua preferência em participação?

O desafio de quem pretende representar mais pessoas começa por levar essas diferenças a sério. A aproximação precisa fazer sentido para quem está distante e ser coerente com os compromissos assumidos diante de quem já confia.

Antes de perguntar como conquistar os ausentes, precisamos perguntar o que os afastou. E estar dispostos a ouvir algo diferente do que esperávamos.

Fontes e referências


Sobre o autor


Christian Jauch é publicitário e estrategista político, com mais de 20 anos de experiência em campanhas eleitorais, mandatos e comunicação institucional. Atua na integração entre tecnologia, estratégia e comunicação, com destaque na aplicação tática de Inteligência Artificial para inteligência eleitoral, reputação e blindagem de mandatos.




Os artigos dos colunistas expressam as opiniões individuais da autora ou do autor e não, necessariamente, refletem a opinião da TVT News

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Além do caso Ana Clara, Flávio Bolsonaro advogou para livrar PMs acusados de matar outros inocentes

A atuação do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) na defesa de policiais militares acusados de homicídio não se limita ao caso da menina Ana Clara Gomes Machado, de cinco anos, morta em Niterói, em 2021. O parlamentar também integrou a equipe jurídica de quatro PMs denunciados pelas mortes de quatro homens no Morro do Vidigal, na zona sul do Rio de Janeiro, em 2020. Leia em TVT News.

Em 2025, Flávio participou de um recurso apresentado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar impedir que os policiais fossem submetidos a júri popular. A 5ª Turma da Corte decidiu por unanimidade a favor dos agentes. O Ministério Público recorreu, e o processo segue em tramitação no tribunal, com os quatro policiais respondendo em liberdade.

As vítimas eram Cláudio Henrique Nascimento de Oliveira, de 24 anos, porteiro; Marcos Guimarães da Silva, de 51, entregador de supermercado; Ivanildo Moura de Souza, de 22; e Douglas Rafael Barros Assunção, de 18. Os dois primeiros foram apontados pela investigação como inocentes. Familiares dos outros dois disseram que eles tinham envolvimento com o tráfico de drogas.

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Investigação apontou disparos de dentro de prédio

Os policiais afirmaram que houve troca de tiros com criminosos em um beco e que, após o confronto, encontraram os quatro homens feridos. As vítimas foram levadas ao Hospital Municipal Miguel Couto, mas chegaram mortas.

A investigação da Polícia Civil apresentou outra versão. Segundo a apuração, os agentes teriam se posicionado dentro de um apartamento e disparado contra os homens de cima para baixo. O laudo cadavérico identificou ferimentos provocados por tiros de fuzil nessa direção.

Uma moradora também relatou que os policiais entraram pela manhã em um imóvel situado acima do local onde os homens foram mortos, à tarde, e permaneceram escondidos até o momento dos disparos. A perícia identificou o ponto de onde os tiros teriam partido.

Após a conclusão do inquérito, a Delegacia de Homicídios pediu o afastamento dos agentes do policiamento nas ruas. O caso foi encaminhado ao Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), que denunciou os quatro policiais.

Em maio de 2022, a Justiça determinou que os agentes fossem julgados pelo Tribunal do Júri. A defesa recorreu, e a decisão foi revertida em janeiro de 2023 pela 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. O Ministério Público levou o caso ao STJ.

Caso Ana Clara também envolve atuação no STJ

Flávio Bolsonaro também integrou a defesa do cabo Bruno Dias Delaroli, acusado pela morte de Ana Clara Gomes Machado, de cinco anos. A menina foi atingida por um disparo de fuzil quando brincava na porta de casa, na comunidade Monan Pequeno, em Niterói, em fevereiro de 2021.

O senador assinou um recurso no STJ que buscava reverter a decisão de levar o policial a júri popular. O pedido foi negado, e o julgamento foi remarcado para 5 de maio de 2027.

A defesa sustenta que o policial reagiu a criminosos. Já a perícia encontrou vestígios compatíveis com o fuzil utilizado pelo agente e, segundo a reportagem, não comprovou a existência de uma troca de tiros.

A atuação de Flávio nos dois casos ganhou repercussão durante a campanha presidencial. No debate promovido pela Band no domingo (18), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) questionou o adversário sobre sua participação na defesa do policial acusado pela morte de Ana Clara. Flávio respondeu que não se pode criminalizar o exercício da advocacia antes do julgamento do réu.

Abraji denuncia assédio judicial de Willer Tomaz contra jornalistas

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) denunciou o uso abusivo do sistema de Justiça pelo advogado Willer Tomaz para intimidar jornalistas e tentar impedir a divulgação de reportagens de interesse público. Leia em TVT News.

Segundo a entidade, as práticas incluem processos judiciais, ameaças antes da publicação de matérias e notificações extrajudiciais que exigem a retirada de conteúdos.

Investigado pela Polícia Federal por suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro, Tomaz é alvo de ao menos 13 processos contra publicações jornalísticas ao longo da última década, segundo levantamento da Abraji. A associação identificou que, em casos anteriores, o advogado desistiu das ações depois de perder decisões ou deixou de comparecer à Justiça pouco tempo após iniciar os processos.

Somente em 2026, foram identificadas quatro ações, entre processos criminais e pedidos de censura acompanhados de solicitações de indenização por danos morais contra jornalistas.

Ações contra jornalistas e veículos de comunicação

Em outubro, o jornalista Demétrio Vecchioli e o portal Metrópoles foram alvo de uma ação em que Tomaz pediu a retirada de uma reportagem sobre sua relação com a empresa Riopag. O processo tramita em segredo de Justiça e foi apresentado no Espírito Santo, estado onde o advogado afirma residir, embora o jornalista, o veículo e as ações anteriores de Tomaz estejam vinculados a Brasília.

Em julho, Vecchioli e o Metrópoles já haviam sido acionados judicialmente pelo advogado. Na ocasião, Tomaz pediu a desistência do processo pouco depois de sua abertura.

Para a Abraji, esses episódios apresentam características de assédio judicial reconhecidas pela Recomendação nº 159, de 23 de outubro de 2024, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

A entidade ressalta que recorrer à Justiça para solicitar a correção de informações é legítimo, mas aponta que o abandono de ações logo após sua abertura pode indicar ausência de uma intenção efetiva de reparação. A escolha de um foro distante do domicílio dos réus também pode dificultar a defesa.

Além dos custos financeiros e jurídicos, esse tipo de estratégia pode intimidar profissionais e veículos de comunicação mesmo quando os processos não avançam. Jornalistas que publicam reportagens baseadas em documentos, fontes oficiais e informações de interesse público passam a enfrentar despesas e demandas judiciais que podem se prolongar por anos.

Pressão antes da publicação de reportagens

A associação também relata tentativas de intimidação antes da divulgação de matérias. Recentemente, Tomaz enviou mensagens idênticas a diferentes veículos que apuravam informações sobre sua atuação. No texto, advertiu:

“Qualquer publicação que omita, distorça ou sugira algo diferente do que consta desta nota e das anteriores será objeto das medidas judiciais cabíveis contra o veículo e os responsáveis.”

Para a Abraji, a conduta transforma o procedimento jornalístico de ouvir as partes citadas – uma etapa fundamental para a apuração – em instrumento de pressão contra profissionais que investigam assuntos de interesse público.

Outra frente envolve notificações extrajudiciais encaminhadas pelo escritório de advocacia do próprio Tomaz, com pedidos de remoção de conteúdos mesmo sem a abertura de processos judiciais.

Em setembro, os jornalistas Paulo Motoryn e Alice Maciel receberam uma notificação desse tipo relacionada a uma reportagem publicada no ICL Notícias sobre empresas comandadas pelo advogado. O conteúdo não foi retirado e continua disponível. Até o momento descrito pela associação, o veículo não havia sido notificado de uma ação judicial referente ao caso.

A revista piauí também foi alvo de ameaças judiciais em torno de uma reportagem sobre empresas offshore em nome de Tomaz. Em nota divulgada por sua assessoria de imprensa, o advogado classificou como “desinformação” suspeitas mencionadas em documentos da investigação da Polícia Federal utilizados como fonte da matéria. Também afirmou que a revista já respondia judicialmente pela divulgação de informações falsas e que voltaria a acionar o veículo e responsáveis pela reprodução do conteúdo, antes mesmo da publicação da reportagem.

Abraji cobra providências para proteger a liberdade de imprensa

A entidade avalia que essas práticas ameaçam a liberdade de imprensa e o direito da população de ter acesso a informações de interesse público. Na avaliação da associação, em vez de buscar correções ou reparações legítimas, o uso abusivo da Justiça pode servir para pressionar jornalistas e dificultar a circulação de informações.

A Abraji manifestou solidariedade aos profissionais e veículos atingidos e cobrou uma atuação célere da Justiça e das autoridades competentes para identificar e coibir abusos judiciais que restrinjam o direito à informação.

Desde 2021, a associação mantém um Programa de Proteção Legal para Jornalistas, que oferece assistência jurídica a jornalistas e comunicadores submetidos a tentativas de silenciamento ou constrangimento judicial em razão de seu trabalho. O programa também pode acolher profissionais que enfrentam assédio, ameaças e perseguição e tenham interesse em processar civilmente os responsáveis.

Os critérios para atendimento estão disponíveis neste documento. Os profissionais que atendam aos requisitos podem apresentar seus casos pelo formulário do programa ou pelo e-mail [email protected].

Após denúncia, Ouvidoria pede afastamento de PMs envolvidos em ação em Piracicaba

A Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo pediu o afastamento imediato do serviço operacional dos policiais militares (PMs) envolvidos na ação em Piracicaba denunciada pela deputada estadual Professora Bebel (PT). Acompanhe o caso com a TVT News.

Em resposta encaminhada à equipe da parlamentar nesta quinta-feira (22), o órgão informou que abriu protocolo e oficiou a Corregedoria da PM para cobrar informações sobre a abordagem e solicitar que os agentes identificados permaneçam afastados das ruas até a conclusão das apurações.

A medida foi solicitada após denúncias de que policiais agrediram militantes que faziam campanha pela reeleição do presidente Lula, retiraram suas camisetas e obrigaram três jovens detidos, entre eles um adolescente de 17 anos, a vestir peças do mesmo modelo. A Ouvidoria também pediu que a Corregedoria encaminhe os relatórios de conclusão dos procedimentos instaurados. O pedido de afastamento ainda depende de cumprimento pelas autoridades responsáveis.

Veja o que aconteceu com a PM de Piracicaba

No documento, assinado a Ouvidoria afirma ter recebido com “extrema preocupação” a denúncia de Bebel e os relatos divulgados publicamente, incluindo o depoimento da mãe do adolescente, Edna Souza Barbosa.

A manifestação aponta possíveis violações de direitos fundamentais, como violência policial, abuso de autoridade e constrangimento ilegal, além de condutas que, caso confirmadas, podem configurar tortura ou tratamento cruel, desumano ou degradante.

“A polícia não pertence a partidos, governos ou correntes ideológicas. Sua missão é servir à sociedade e garantir o cumprimento da lei, com absoluta neutralidade político-partidária”, afirma em nota a Ouvidoria. O órgão também cobra uma investigação rápida e independente, com coleta de depoimentos, imagens e registros operacionais.

Para Bebel, o encaminhamento reforça a necessidade de esclarecer tanto a atuação dos agentes quanto o uso político das imagens dos detidos. A deputada critica o governador Tarcísio de Freitas e o senador eleito Guilherme Derrite, ex-secretário da Segurança Pública, por compartilharem, a publicação difundida pelo vereador de Piracicaba Renan Paes sem verificar as denúncias sobre as circunstâncias da abordagem.

“O mínimo que se espera de autoridades como eles é a checagem dos fatos. A postura deles tem o claro objetivo de atacar a campanha do presidente Lula e se assemelha ao episódio do sequestro de Abílio Diniz, em 1989. É inaceitável o que fizeram”, afirma Bebel.

Entenda o caso de violência e falsidade eleitoral de PMs em Piracicaba

Tanto a ação violenta, quanto a interferência eleitoral aconteceram na manhã de quarta-feira (21), na comunidade Vitória Pantanal, na região do Jardim Monte Líbano, em Piracicaba. Bebel esteve no local após receber relatos de duas mulheres que faziam campanha pela reeleição de Lula e denunciaram ter sido intimidadas, agredidas e obrigadas por policiais a entregar as camisetas que vestiam.

Na mesma manhã, um adolescente de 17 anos foi apreendido e dois homens foram detidos por suspeita de tráfico de drogas. Imagens dos três algemados, usando camisetas idênticas de apoio a Lula, passaram a circular nas redes sociais. A mãe do adolescente e um dos adultos detidos afirmaram que os agentes os obrigaram a trocar de roupa após a abordagem. Também foram denunciadas agressões durante a ocorrência.

Bebel levou o caso à Ouvidoria, e a coligação Brasil Pronto pra Mais acionou o Tribunal Superior Eleitoral para pedir a retirada de publicações que utilizam as imagens para associar Lula ao crime organizado. A parlamentar cobra o esclarecimento dos fatos e a responsabilização dos envolvidos nas irregularidades que forem comprovadas.

Bebel classificou o episódio como violência política e ideológica e disse que cobrará providências para que os agentes envolvidos respondam por sua atuação.

PMs teriam colocado camisetas em menores apreendidos

As camisetas do Lula teriam sido retiradas das mulheres para serem colocadas em menores que foram apreendidos pela polícia. As informações são da TV TODODIA, de Piracicaba.

Em depoimento à TVT TODODIA, “a mãe de um adolescente de 17 anos detido durante uma ocorrência relacionada a entorpecentes em Piracicaba afirma que policiais teriam colocado camisetas alusivas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nos três detidos após a abordagem nesta quarta-feira (21”).

Edna Souza Barbosa, de 33 anos, disse à TV TODODIA que “o filho não usava a camiseta no momento em que foi abordado. Segundo ela, os três detidos teriam recebido peças iguais posteriormente”.

De acordo com a reportagem da TV TODODIA, A versão apresentada pela mãe diverge do registro inicial da ocorrência, que descreve “três homens de camiseta branca do Lula”.

“Eles não estavam com as camisetas. Colocaram as três blusas iguais”, afirmou Edna à TV. De acordom com a reportagme, “a mulher também acusa policiais de agredirem o filho durante a ação e afirma que uma filha de 14 anos teria sido empurrada no peito ao tentar se aproximar do irmão. Segundo Edna, familiares também teriam sido ameaçados caso acompanhassem a abordagem.”

Caso lembra a falsificação com os sequestradores do empresário Abílio Diniz

O caso dos sequestradores do empresário Abílio Diniz, em 1989, é um dos episódios mais sujos da história política brasileira, especialmente pela tentativa de associar o sequestro à campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva, o Lula, que disputava a Presidência naquele ano.

O que aconteceu em dezembro de 1989?

  • 11 de dezembro de 1989: Abílio Diniz, então proprietário do Grupo Pão de Açúcar, foi sequestrado em São Paulo.
  • 16 de dezembro: a polícia localizou o cativeiro, libertou o empresário e prendeu os envolvidos. A operação ocorreu na véspera do segundo turno da eleição presidencial, disputado por Lula e Fernando Collor de Mello.
  • A repercussão política: imagens dos sequestradores usando camisetas do PT foram divulgadas pela imprensa, e a polícia informou ter encontrado materiais de campanha de Lula nos imóveis ligados ao grupo.

As camisetas foram colocadas pela polícia?

Essa foi a denúncia feita pelos próprios sequestradores e pelo PT na época. O caso ganhou uma dimensão política porque a associação entre o partido e o crime surgiu às vésperas da votação presidencial.

Em depoimento à Justiça, o líder do grupo, o argentino Humberto Paz, afirmou que policiais haviam tirado suas roupas e colocado nele uma camiseta do PT. O relato foi publicado pela Folha de S.Paulo em janeiro de 1990. A PM, na época negou as acusações de tortura e de que tivesse vestido os presos com camisetas do partido.

A investigação sobre a suspeita de que os presos teriam sido fotografados com as camisetas por iniciativa da polícia foi arquivada dois anos depois, por falta de provas, segundo reportagem da Folha.

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Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz: investigação aponta conexões financeiras, viagens e negócios

A relação entre o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, e o advogado e empresário Willer Tomaz é alvo de questionamentos em diferentes frentes de investigação. Documentos reunidos em reportagem da Folha de S.Paulo apontam que os dois compartilharam viagens em jatos executivos, vínculos bancários e conexões empresariais ligadas ao mercado de apostas on-line. Leia em TVT News.

Ambos negam irregularidades. Flávio afirma que mantém uma relação de amizade com Tomaz, enquanto o advogado sustenta que seus negócios são legais.

A Polícia Federal investiga suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o setor de apostas e apura possíveis irregularidades no processo de licenciamento de empresas do ramo no Rio de Janeiro. Flávio, Tomaz e o governador Cláudio Castro (PL) estão entre os investigados nesse contexto.

Conta bancária e apostas on-line

Uma das conexões identificadas pela investigação envolve a Alcazar Holdings, empresa de Tomaz registrada na Ilha da Madeira, território português. Segundo informações divulgadas pelo UOL e confirmadas pela Folha, Flávio figurava como usuário master da conta bancária da companhia, condição que permitia acesso à conta.

A empresa pode ter financiado a Cathedral, apontada como acionista do conglomerado de apostas Rede Loto, que operava o site BestBet. A Rede Loto foi constituída em fevereiro de 2023, cerca de dois meses antes de o governo fluminense iniciar o licenciamento de plataformas de apostas.

Em abril daquele ano, a empresa apresentou documentos à Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj), responsável pelo processo. Na época, as regras estaduais não exigiam a identificação dos beneficiários finais nos mesmos moldes da legislação federal. Por isso, a documentação não informava os acionistas da Cathedral, entre eles Tomaz.

O processo de licenciamento também envolve o então presidente da Loterj, Hazenclever Cançado, nomeado por Cláudio Castro por indicação de Flávio. Cançado foi colega de advocacia de Tomaz. Os envolvidos negam irregularidades.

Tomaz também aparece como beneficiário final da RioPag, empresa responsável pelo processamento de pagamentos do setor de apostas fluminenses desde maio de 2023. Dados da Loterj indicam que a companhia faturou quase R$ 188 milhões entre junho de 2023 e agosto de 2026.

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Parte da receita deveria ser destinada aos cofres públicos do estado. A autarquia cobra da empresa R$ 9,4 milhões por valores que considera não repassados integralmente, além de uma multa de R$ 4,8 milhões. A RioPag contesta a cobrança na Justiça, enquanto Tomaz afirma não responder pela administração da companhia.

Viagens internacionais pagas por empresas ligadas a Tomaz

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Foto de Flávio recuperada pela PF no ICloud de Willer Tomaz e passagens reservadas da viagem de Flávio com o investigado por roubos no INSS – Reprodução
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Reservas do jatinho com Willer, Flávio Bolsonaro e familiares na Europa – Foto: Reprodução

As apurações da Polícia Federal também identificaram viagens de Flávio e Tomaz em aeronaves executivas, acompanhados de familiares, para destinos nos Estados Unidos e na Europa.

Em janeiro de 2025, Flávio, a esposa e as duas filhas viajaram com Tomaz de Fort Lauderdale, nos Estados Unidos, para Brasília. O deslocamento foi feito em um jato Legacy 650, pertencente à Fraction 024 Administração de Bem Próprio, sociedade controlada pela Prime You, fundada por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Segundo Tomaz, o trajeto foi pago com horas de voo de sua própria cota, e os passageiros eram seus convidados. Para quitar R$ 8,72 milhões referentes à aeronave, o advogado utilizou recursos da Alcazar Holdings, empresa na qual Flávio figurava como usuário master da conta bancária.

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A partir de abril de 2025, a Cathedral, ligada ao conglomerado de apostas Rede Loto, passou a custear deslocamentos. No dia 11 daquele mês, Flávio e Tomaz viajaram de Lisboa para Nice, na França. Em maio, voltaram a voar juntos, desta vez de Cascais para Nice, acompanhados de familiares, seguindo depois para Paris. A apuração aponta que a Cathedral pagou pelo menos três trechos aéreos na Europa para o senador.

Disputa por imóvel de luxo em Angra dos Reis

A ligação entre os dois também aparece em uma disputa judicial envolvendo uma propriedade de luxo em Angra dos Reis, no litoral do Rio de Janeiro, avaliada em R$ 10 milhões. Flávio é testemunha no processo entre Tomaz e o jogador Richarlison, que afirma ter comprado o imóvel em 2020.

A propriedade teve seus direitos de posse cedidos, em 2022, à WT Administração, empresa de gestão de ativos imobiliários de Tomaz. Naquele ano, uma liminar reconheceu o direito de uso do espaço em favor do advogado. Richarlison e moradores da região, no entanto, afirmam que Flávio é quem mais frequenta o local.

No dia 17 de outubro, o jogador e um grupo de advogados pediram que a Polícia Federal investigasse a participação do senador na disputa. Richarlison sustenta que o imóvel foi tomado por meio de manobras judiciais. Flávio nega atuação irregular, e Tomaz afirma ter adquirido legalmente os direitos sobre o terreno e desembolsado R$ 5 milhões para regularizar pendências fiscais.

A aproximação entre Flávio e o advogado começou em 2019, quando Tomaz defendeu Marcelo Álvaro Antônio, então ministro do Turismo do governo Jair Bolsonaro, em uma denúncia relacionada ao uso de candidaturas laranjas. Dois anos depois, durante a CPI da Covid, Flávio se referiu publicamente a Tomaz como amigo.

Endereços comerciais e conexões com investigados do INSS

Outra frente de questionamentos envolve empresas associadas a Flávio e a Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, investigado em apurações sobre fraudes contra aposentados e pensionistas. Segundo informações divulgadas pelo site ICL, a Bravo Grafeno, empresa de capacetes de grafeno da qual Flávio e Jair Bolsonaro são sócios, funciona no mesmo endereço comercial que a construtora RPLD, ligada a Camilo.

O principal sócio de Camilo é Alexandre Caetano dos Reis. A irmã dele, Letícia Caetano dos Reis, ocupa o cargo de diretora estatutária no escritório de advocacia de Flávio, que funciona em uma casa avaliada em R$ 6 milhões. O senador quitou o imóvel após antecipar R$ 3,4 milhões ao Banco de Brasília (BRB), segundo reportagem da Folha.

O escritório emitiu ao menos R$ 13,7 milhões em notas fiscais entre janeiro de 2023 e julho de 2026, de acordo com informações divulgadas pelo UOL. Metade das notas foi emitida para pagamentos de outros advogados.

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