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Da Redação

Morre aos 56 anos Marjane Satrapi, autora de Persépolis

A artista franco-iraniana Marjane Satrapi morreu aos 56 anos de idade, segundo informações divulgadas, nesta quinta-feira (3), pela agência de notícias France-Presse (AFP), e logo confirmadas por pessoas próximas e autoridades francesas. Saiba mais na TVT News.

Nascida em 1969, na cidade de Rasht, no Irã, Marjane se tornou mundialmente conhecida pelo sucesso de seu romance gráfico autobiográfico Persépolis, que ela escreveu e ilustrou. Lançada na França em 2000, a história narra como sua juventude em Teerã foi marcada pela revolução que, em 1979, transformou o Irã de uma monarquia autocrática em uma república islâmica teocrática, aprofundando as desigualdades de gênero.

Além de mais dois volumes com o mesmo título e críticas à teocracia iraniana, Marjane publicou outros romances gráficos com boa aceitação de público e de crítica. BordadosFrango com Ameixas e MulherVidaLiberdade, estão à venda no Brasil.

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Em 2007, Marjane dirigiu a adaptação de Persépolis para o cinema, em parceria com Vincent Paronnaud. A animação francesa recebeu o prêmio do júri do Festival de Cannes e foi indicado ao prêmio de melhor filme de animação do Oscar, concedido a Ratatouille, do estúdio Pixar. Em 2024, o jornal The New York Times elegeu Persépolis como um dos 100 melhores livros já publicados no século 21.

Em 2025, como forma de denunciar o que considerava “uma atitude hipócrita da França em relação ao Irã”, Marjane recusou-se a receber a Legião de Honra, a mais alta ordem de mérito francesa.

Desgosto

Segundo veículos de imprensa franceses, incluindo a EuroNews, a família de Marjane divulgou uma nota informando que a artista “morreu de tristeza, pouco mais de um ano após a morte de Mattias Ripa, seu marido e o amor de sua vida”.

Produtor, ator e argumentista, Ripa morreu em 8 de abril de 2025. A dor pela perda está manifesta no perfil de Marjane no Instagram: as poucas interações públicas aludem à morte de Ripa. “Perdi o amor da minha vida”, escreveu a franco-iraniana.

Tristeza

Professor associado do Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o psiquiatra Octávio Domont de Serpa Júnior destacou que, apesar de, popularmente, as pessoas se referirem à tristeza, o que pode levar à morte é a depressão, que pode ser tratada.

“A tristeza é um sentimento básico que todos experimentamos algumas vezes ao longo da vida. O problema é quando esta tristeza se aprofunda e se estende por um longo tempo, tornando-se uma depressão”, disse Domont à Agência Brasil.

De acordo com as notícias, Domont avalia que o processo de luto pelo companheiro, que Marjane parece ter vivenciado de forma “bastante complicada”, pode ter-lhe afetado a disposição de viver.

“Nestes casos, a depressão, a falta de perspectiva em relação ao futuro, vai, pouco a pouco, tirando o entusiasmo da pessoa pela vida e afetando a saúde física e mental, comprometendo o autocuidado. É muito mais por aí do que meramente pela tristeza, que não é um sentimento que resulte em um desfecho tão trágico quanto este”, acrescentou Domont.  

Segundo o Ministério da Saúde, a depressão é um problema médico grave, principalmente quando não é tratado. Pode ser causado por questões genéticas, bioquímicas e/ou por eventos estressores.

Entre os sintomas mais comuns estão a sensação de tristeza, autodesvalorização e sentimento de culpa; falta de energia, preguiça ou cansaço excessivo, lentificação do pensamento, falta de concentração, queixas de falta de memória, de vontade e de iniciativa; redução do interesse sexual e mudanças de apetite. O diagnóstico, contudo, leva em consideração a persistência e a intensidade de tais sintomas e só pode ser feito por um médico especialista, responsável por prescrever os remédios e terapia adequada.

Bolsas

Em fevereiro deste ano, Marjane criou uma fundação para apoiar estudantes de cinema estrangeiros em Paris. A Fundação de Cinema Mattias e Marjane Ripa-Satrapi estava ligada à Academia de Belas Artes francesa, que, hoje, lamentou a morte da artista.

“Este é o desaparecimento de uma mulher admirável, luminosa, de absoluta integridade, cuja primeira intenção desde a sua eleição para a Academia de Belas Artes foi criar uma fundação para ajudar jovens cineastas”, afirmou o secretário perpétuo da academia, Laurent Petitgirard.

Alex Rodrigues – Repórter da Agência Brasil

Ovnis, Pix e tarifaço: governo brinca com alienígenas para ironizar ameaça de Trump

Se existem vida inteligente fora da Terra, o governo brasileiro tem um recado: quem pousar por aqui vai descobrir rapidamente que o Pix é gratuito, funciona e não está à venda. Saiba mais na TVT News.

Em uma das ações de comunicação mais inusitadas desde o início da crise comercial com os Estados Unidos, o governo federal aproveitou a repercussão de um vídeo viral sobre um suposto objeto voador não identificado (OVNI) avistado no Paraná para transformar extraterrestres em aliados da soberania nacional e da defesa do Pix.

Publicada nas redes sociais oficiais do governo, a peça mistura humor, ficção científica e geopolítica para responder às ameaças de novas tarifas anunciadas pelo governo de Donald Trump contra produtos brasileiros.

A narrativa começa como um clássico episódio de Arquivo X.

“Algo estranho apareceu no sul do país. Um ponto de luz… um movimento difícil de explicar. Seriam visitantes de outro planeta ou galáxia? Não sabemos…”

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Mas o suspense dura pouco.

“Mas algo ainda mais estranho veio do norte da América.”

A partir daí, o vídeo abandona os alienígenas e passa a mirar diretamente o tarifaço norte-americano e os ataques ao sistema brasileiro de pagamentos instantâneos.

“ETs podem assustar, mas a ameaça real agora é de novas tarifas, prejuízos e até ataques ao nosso Pix.”

A publicação termina reforçando a principal mensagem que o governo vem repetindo desde que o sistema entrou na mira das autoridades norte-americanas.

“O Pix é do Brasil, gratuito, usado todos os dias por milhões e milhões de brasileiros, e o governo do Brasil está do lado do povo brasileiro, na defesa do que é nosso.”

Na legenda, o tom descontraído foi mantido.

“Será possível? Dá pra acreditar? Não sabemos, mas uma coisa é certa: venha de onde for, quem pousa no Brasil aprende rapidinho que o Pix é nosso, é gratuito e não vai mudar.”

De OVNI a tarifaço

A iniciativa aproveitou a enorme repercussão obtida por vídeos divulgados pelo influenciador Mayk Leão, que afirmava ter registrado um suposto objeto misterioso sobrevoando o céu do Paraná.

O tema rapidamente dominou redes sociais, grupos de mensagens e páginas de humor. O governo então decidiu embarcar na brincadeira e conectar o fenômeno viral a uma discussão muito mais terrestre: a disputa comercial entre Brasília e Washington.

Nos últimos dias, a administração Trump anunciou a conclusão preliminar da investigação da Seção 301 contra o Brasil e propôs novas tarifas de 25% sobre produtos brasileiros.

Entre as justificativas apresentadas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) está justamente o Pix, apontado pelos norte-americanos como uma suposta prática que prejudicaria empresas privadas do setor de pagamentos.

A acusação provocou reações de economistas, especialistas em tecnologia financeira e integrantes do governo brasileiro, que consideram a medida uma tentativa de proteger interesses de grandes operadoras de cartão de crédito e empresas financeiras dos Estados Unidos.

O Pix virou símbolo da disputa

O tom bem-humorado do vídeo esconde um debate que ganhou dimensão estratégica.

Criado pelo Banco Central em 2020, o Pix se transformou em um dos sistemas de pagamento mais utilizados do mundo. Atualmente, bilhões de transações são realizadas mensalmente por meio da plataforma, sem cobrança para pessoas físicas.

Nas últimas semanas, o sistema passou a ocupar posição central no embate entre Brasil e Estados Unidos.

O relatório que fundamenta o tarifaço afirma que o Banco Central favoreceria o Pix em detrimento de empresas privadas de pagamentos. O governo brasileiro rebate a acusação, argumentando que o sistema é uma infraestrutura pública aberta a instituições nacionais e estrangeiras e que não existe qualquer discriminação contra empresas norte-americanas.

A defesa do Pix acabou se transformando em uma bandeira política e simbólica da atual crise.

Não por acaso, uma das hashtags mais compartilhadas após o anúncio do tarifaço foi “O Pix é nosso”, que alcançou os assuntos mais comentados das redes sociais.

Humor como ferramenta política

A publicação também mostra uma mudança na estratégia de comunicação do governo federal, que tem recorrido com frequência a linguagens típicas da cultura digital para disputar narrativas em temas econômicos e políticos.

Em vez de responder às críticas por meio de notas técnicas ou discursos institucionais tradicionais, a equipe de comunicação apostou em uma estética de memes, referências virais e humor de internet.

A escolha não é casual.

Pesquisas recentes mostram que a repercussão do tarifaço gerou forte mobilização digital. Levantamento da AtivaWeb DataLab identificou mais de 15 milhões de interações sobre o tema, com ampla maioria das manifestações posicionando-se contra as medidas norte-americanas e em defesa da soberania nacional.

Nesse contexto, transformar um suposto OVNI em comentarista da política comercial internacional parece ter sido apenas mais um capítulo da batalha travada nas redes.

Alienígenas são bem-vindos. Tarifas, nem tanto.

A ironia central do vídeo é justamente inverter os papéis tradicionais da ficção científica.

Normalmente, a ameaça vem do espaço.

Desta vez, segundo a narrativa construída pelo governo, os visitantes interplanetários não representam perigo algum. O problema estaria mais ao norte, em Washington.

Se a estratégia conseguiu ou não convencer os extraterrestres ainda é impossível saber.

Mas uma coisa parece certa: depois de semanas de ataques ao Pix, acusações envolvendo o STF, críticas ao comércio brasileiro e ameaças de sanções, o governo decidiu responder ao tarifaço de Trump da forma mais brasileira possível — com uma mistura de humor, meme e uma boa dose de provocação.

Neymar não viaja com seleção para Cleveland; segue em tratamento

O atacante Neymar não viajará junto com a seleção brasileira para Cleveland (Estados Unidos) onde a Amarelinha enfrenta o Egito no sábado (6), no último amistoso preparatório antes da estreia na Copa do Mundo. De acordo com a CBF afirmou que o jogador seguirá em tratamento para se recuperar da lesão muscular grau 2 na panturrilha direita. Saiba mais na TVT News.

“O atleta Neymar não viajará com a delegação para Cleveland. Ele ficará em Nova Jersey, em tratamento de fisioterapia e intensificando a programação de recuperação física”, informou a entidade em comunicado na manhã desta quinta-feira (4).

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A comissão técnica aguarda a recuperação do atleta para a primeira fase do Mundial. No último sábado (30), o treinador italiano Carlo Ancelotti afirmou que não planeja fazer cortes na lista final de 26 convocados.

“Pensamos que ele [Neymar] pode se recuperar para o primeiro jogo. Se não puder, para o segundo jogo. Não temos nenhuma dúvida de que não vamos trocar ninguém”, enfatizou o técnico.

O Brasil encara o Egito às 19h (horário de Brasília) no sábado (6), no estádio Huntington Bank Field, na Cleveland, no estado de Ohio. A abertura da Copa do Mundo será na próxima quinta (11), às 16h, no México. A seleção anfitriã medirá forças com a África do Sul, no estádio Azteca, no primeiro duelo do Grupo A, que inclui ainda República Tcheca e Coreia do Sul.

A seleção brasileira estreará contra Marrocoas, em 13 de junho (um sábado), às 19h, no MetLife Stadium, em Nova Jersey. O Brasil está no Grupo C, que tem ainda Haiti e Escócia.

Agência Brasil

Trump sofre revés em votação no Congresso dos EUA

A política externa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sofreu nesta quarta-feira (3) um importante revés no Congresso norte-americano. A Câmara dos Representantes aprovou uma resolução que busca limitar os poderes do chefe da Casa Branca para conduzir operações militares contra o Irã sem autorização legislativa, em uma votação que expôs divisões dentro do próprio Partido Republicano e refletiu o aumento da insatisfação com a guerra iniciada em fevereiro. Saiba mais na TVT News.

A medida foi aprovada por 215 votos a 208. Embora os democratas tenham liderado a iniciativa, o resultado só foi possível graças ao apoio de quatro parlamentares republicanos — Thomas Massie, Brian Fitzpatrick, Tom Barrett e Warren Davidson — que romperam com a orientação do governo e votaram ao lado da oposição.

O texto determina que o presidente retire as forças armadas norte-americanas das hostilidades contra a República Islâmica do Irã e reafirma o papel constitucional do Congresso na autorização de conflitos armados. Na prática, a resolução busca impedir que Trump ordene novos ataques sem o aval dos parlamentares.

A aprovação representa uma derrota política significativa para a Casa Branca. Trata-se da quarta tentativa do Congresso de impor restrições à condução da guerra pelo governo, mas desta vez a iniciativa conseguiu superar a resistência republicana na Câmara.

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Embora a resolução ainda precise ser analisada pelo Senado, onde os republicanos mantêm maioria, o resultado da votação foi interpretado como um sinal de crescente desgaste da estratégia militar de Washington no Oriente Médio. O conflito, que começou após ataques coordenados dos Estados Unidos e de Israel contra o território iraniano em 28 de fevereiro, tornou-se cada vez mais impopular entre a população norte-americana.

Cresce a oposição à guerra

Nos últimos meses, parlamentares de ambos os partidos passaram a manifestar preocupação com os custos políticos, econômicos e humanos da escalada militar.

O deputado republicano Tom Barrett, um dos integrantes da base governista que apoiaram a resolução, justificou seu voto afirmando que a prerrogativa de declarar guerra pertence ao Congresso.

“Somente o Congresso declara guerra, isso é algo que certamente precisamos proteger”, declarou.

Questionado sobre possíveis represálias por parte de Trump, Barrett respondeu que vota de acordo com sua consciência e está disposto a assumir as consequências de sua decisão.

Do lado democrata, as críticas foram ainda mais contundentes. O deputado Gregory Meeks, principal integrante democrata do Comitê de Relações Exteriores da Câmara e autor da resolução, classificou o resultado como uma “repreensão bipartidária significativa” à condução da guerra.

Segundo Meeks, Trump não alcançou os objetivos anunciados pelo governo, enquanto contribuiu para o aumento dos preços dos combustíveis e dificultou uma solução diplomática para as divergências relacionadas ao programa nuclear iraniano.

“Cada vez mais republicanos estão ouvindo seus eleitores, que não querem outra guerra sem fim no Oriente Médio”, afirmou o parlamentar.

Integrantes democratas da Comissão de Relações Exteriores também celebraram o resultado, classificando a votação como uma mensagem clara de rejeição à guerra e defendendo o encerramento imediato das operações militares.

Guerra gera preocupações econômicas

Além das questões constitucionais envolvendo os poderes presidenciais, a ofensiva contra o Irã vem produzindo efeitos econômicos que preocupam congressistas de diferentes correntes políticas.

O fechamento do Estreito de Ormuz por Teerã, após os primeiros ataques norte-americanos e israelenses, provocou turbulências nos mercados internacionais de energia e contribuiu para a alta dos combustíveis.

Nos Estados Unidos, parlamentares vêm relatando crescente pressão de eleitores diante do aumento do custo de vida. Gregory Meeks chegou a afirmar que diversos republicanos enfrentam desgaste em seus estados devido à elevação dos preços da gasolina e dos alimentos.

O tema ganhou ainda mais relevância porque o país se aproxima das eleições legislativas de novembro, quando quase todas as cadeiras da Câmara e parte do Senado serão renovadas. Entre republicanos moderados, existe o temor de que a impopularidade da guerra se transforme em um passivo eleitoral para o partido de Trump.

Casa Branca tenta conter danos

Antes da votação, o presidente da Câmara, Mike Johnson, tentou convencer os parlamentares a rejeitar a proposta. Segundo ele, a resolução poderia enfraquecer a posição negociadora dos Estados Unidos e comprometer as conversas em andamento para encerrar o conflito.

Johnson argumentou que os objetivos militares da operação já teriam sido alcançados e que Trump precisa de liberdade para concluir um eventual acordo de paz.

A Casa Branca também sustenta que iniciativas para restringir os poderes do presidente na condução de operações militares seriam inconstitucionais, sinalizando que poderá recorrer ao Judiciário caso o Congresso avance com a medida.

Paralelamente, inspetores-gerais do Pentágono, do Departamento de Estado e da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional iniciaram uma revisão conjunta das operações militares. A investigação foi aberta porque a legislação norte-americana determina fiscalização específica quando conflitos ultrapassam 60 dias sem autorização formal do Congresso.

Negociações seguem em meio ao conflito

Apesar da derrota política sofrida na Câmara, Trump afirmou nesta quarta-feira que as negociações com o Irã avançam e podem produzir resultados nos próximos dias.

“Pode ser que aconteça no fim de semana”, declarou o presidente ao comentar a possibilidade de um acordo.

O governo norte-americano também sustenta que houve avanços nas discussões sobre o programa nuclear iraniano. Segundo Trump, Teerã teria demonstrado disposição para abrir mão da produção de armas nucleares, um dos principais pontos de tensão entre os dois países.

Ainda assim, a aprovação da resolução evidencia que cresce dentro do próprio Congresso a percepção de que a estratégia militar adotada pela Casa Branca carece de legitimidade política e constitucional. Mesmo que a proposta enfrente obstáculos no Senado ou venha a ser contestada judicialmente, a votação marca um momento importante de desgaste para Trump e sinaliza que parte de sua base já não acompanha de forma automática as decisões do governo na política externa.

O resultado também reforça o debate sobre os limites do poder presidencial em tempos de guerra e demonstra que a ofensiva contra o Irã, longe de consolidar apoio interno, passou a alimentar questionamentos cada vez mais amplos dentro das instituições norte-americanas.

Kassio Nunes será o relator do caso Dark Horse no TSE

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, foi sorteado como relator de três ações que colocam no centro do debate eleitoral o financiamento do filme Dark Horse, produção que narra a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro e que se tornou alvo de questionamentos após as revelações da série Vaza Flávio, publicada pelo Intercept Brasil. Saiba mais na TVT News.

As ações tratam de diferentes aspectos do caso, mas convergem para um mesmo núcleo: a relação entre o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República, o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e os recursos destinados à produção cinematográfica.

A definição da relatoria ocorreu por sorteio, mas chama atenção pelo contexto. Em maio, o próprio Nunes Marques editou resolução estabelecendo que ele, André Mendonça e Estela Aranha seriam os responsáveis pelas ações relacionadas à propaganda eleitoral durante o período do pleito.

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Indicado ao Supremo Tribunal Federal por Bolsonaro em 2020, Nunes Marques agora terá a tarefa de conduzir processos que podem ter impacto direto sobre a disputa presidencial de 2026.

Três ações sob análise envolvendo Dark Horse e Vorcaro

A primeira representação foi apresentada pelo PL e questiona uma pesquisa eleitoral realizada pelo instituto AtlasIntel. O partido sustenta que o levantamento teria influenciado negativamente os entrevistados ao reproduzir um áudio em que Flávio Bolsonaro aparece negociando recursos para o filme junto a Vorcaro.

A gravação se tornou pública após as reportagens da série Vaza Flávio revelarem bastidores da negociação para financiar o projeto cinematográfico. O AtlasIntel nega qualquer irregularidade e afirma que a pesquisa seguiu critérios técnicos.

A segunda ação foi apresentada pelo deputado federal Rogério Correia em conjunto com integrantes do Grupo Prerrogativas. O pedido solicita que o TSE impeça a exibição, divulgação e promoção do filme durante o período eleitoral.

Os autores argumentam que uma produção de grande alcance dedicada a Bolsonaro, lançada às vésperas da eleição presidencial, poderia funcionar como instrumento de propaganda política paralela, comprometendo a igualdade de condições entre os candidatos.

Na petição, os advogados sustentam que a obra pode produzir uma “vantagem comunicacional incompatível com a igualdade de chances” e apontam preocupação com a origem dos recursos empregados no projeto.

Já a terceira ação foi protocolada pelo deputado federal Arlindo Chinaglia. O parlamentar pede a abertura de investigação para apurar possível abuso de poder econômico e político na produção e no financiamento do filme.

Revelações ampliaram pressão sobre o projeto

O caso ganhou dimensão nacional após a divulgação de documentos, mensagens e áudios pela série Vaza Flávio.

As primeiras reportagens mostraram que Flávio Bolsonaro participou diretamente das negociações para obtenção de recursos destinados à produção. Em gravações divulgadas pelo Intercept Brasil, o senador aparece solicitando apoio financeiro de Vorcaro para viabilizar o projeto.

Posteriormente, novas revelações indicaram que o então banqueiro teria se comprometido a investir até R$ 134 milhões na obra por meio de estruturas financeiras ligadas ao projeto.

Outra reportagem mostrou que Flávio viajou a São Paulo para reuniões relacionadas à produção cinematográfica em um período em que Vorcaro já enfrentava crescente pressão de órgãos reguladores e investigações sobre o Banco Master.

Na mais recente revelação da série, mensagens atribuídas ao ex-banqueiro mostraram que ele tratava os repasses ao filme como prioridade absoluta.

Em conversa com seu cunhado e operador financeiro, Fabiano Zettel, Vorcaro foi informado sobre dezenas de milhões em pagamentos pendentes. Ao descobrir que o filme não estava entre as prioridades de desembolso, respondeu de forma enfática: “Esse é o mais importante disparado” e determinou que o pagamento não poderia falhar novamente.

As mensagens sugerem que os aportes para a produção receberam tratamento privilegiado mesmo em um momento de dificuldades financeiras enfrentadas pelo grupo econômico ligado ao Banco Master.

Delação de Vorcaro aumenta tensão

A pressão sobre o caso aumentou ainda mais nesta semana após a CNN Brasil informar que Vorcaro incluiu o episódio do financiamento do filme em uma nova proposta de colaboração premiada apresentada à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República.

Segundo a emissora, o ex-banqueiro teria relatado pedidos e cobranças feitos por Flávio Bolsonaro para a liberação dos recursos, além de detalhar transferências milionárias destinadas à produção.

A inclusão do tema na nova versão da delação amplia a relevância jurídica e política do caso e pode reforçar os pedidos para que o TSE investigue a origem e o uso dos recursos empregados na cinebiografia.

Julgamentos podem influenciar debate eleitoral

Com a relatoria concentrada nas mãos de Kassio Nunes Marques, o TSE passa a ser um dos principais palcos institucionais da controvérsia envolvendo o filme.

As decisões do ministro poderão definir desde a manutenção ou não da circulação da obra durante a campanha até a abertura de investigações sobre eventual abuso de poder econômico.

Em um cenário em que o financiamento do Dark Horse já é alvo de questionamentos judiciais, investigações jornalísticas e apurações envolvendo Daniel Vorcaro, a escolha do relator coloca sob os holofotes um dos temas mais sensíveis da pré-campanha presidencial de 2026.

Alcolumbre cria obstáculo inédito e pode atrasar fim da escala 6×1 no Senado

A tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6×1 e reduz a jornada semanal para 40 horas sem redução salarial entrou em uma nova disputa política no Senado. Após a histórica aprovação na Câmara dos Deputados, com apoio de ampla maioria dos parlamentares e forte mobilização popular, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), passou a defender um caminho inédito para a proposta, abrindo a possibilidade de que ela seja analisada por mais de uma comissão antes de chegar ao plenário. Saiba mais na TVT News.

A iniciativa acendeu o sinal de alerta entre parlamentares governistas, centrais sindicais e movimentos sociais, que veem na medida uma tentativa de retardar a votação de uma das principais bandeiras do governo do presidente Lula e da classe trabalhadora.

Durante sessão plenária, Alcolumbre afirmou que pretende ouvir os líderes partidários para definir o rito da proposta e sugeriu que a PEC passe por “comissões”, no plural, além de admitir a criação de uma comissão especial.

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“Quero dizer, como presidente do Senado, que essa proposta vai ter que tramitar nas comissões porque as cobranças de todos os senadores sobre a presidência são que todas as matérias possam passar, no mínimo, por uma comissão”, declarou.

A fala surpreendeu parlamentares experientes da própria Casa. Segundo nota oficial encaminhada pelo Senado, não há precedentes para esse tipo de procedimento. A própria instituição reconheceu que, desde a promulgação da Constituição Federal de 1988, nenhuma PEC aprovada pelo Senado tramitou em outra comissão além da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Pelas regras atuais do Senado, uma PEC deve ser analisada pela CCJ, responsável tanto pela admissibilidade quanto pelo mérito da proposta. Depois disso, segue diretamente para votação em plenário. Diferentemente da Câmara dos Deputados, onde existe uma comissão especial para analisar o mérito, o Senado tradicionalmente concentra toda essa etapa na CCJ.

Escala 6×1 enfrenta resistência

O reconhecimento oficial de que não existem precedentes reforçou as suspeitas de que a movimentação tem motivação política.

O senador Paulo Paim (PT-RS), uma das principais referências da pauta trabalhista no Congresso Nacional, reagiu com preocupação.

“Desde que eu estou no Senado, cinco mandatos, nunca vi uma PEC passar por outras comissões”, afirmou.

A apreensão dos governistas aumenta porque qualquer mudança no texto aprovado pela Câmara obrigaria a proposta a retornar para nova votação entre os deputados, atrasando a promulgação e empurrando a entrada em vigor do novo regime de trabalho.

Nos bastidores, lideranças ligadas ao governo avaliam que Alcolumbre tenta construir uma demonstração de força institucional ao afirmar que o Senado não será um simples “carimbador” das decisões da Câmara.

“Não é razoável que a Câmara dos Deputados passe cinco meses debatendo um assunto muito relevante para o Brasil, para o povo brasileiro, para a nação e também para os trabalhadores e para os empreendedores, e o Senado seja obrigado a carimbar um texto aprovado na Câmara”, disse o presidente da Casa.

A declaração ocorre em meio à ofensiva da oposição liderada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), autor de uma PEC alternativa que mantém a jornada atual e cria um modelo de contratação por hora trabalhada, permitindo maior flexibilização das relações de trabalho.

Como mostrou a TVT News nos últimos dias, a proposta alternativa apresentada pela oposição vai além do debate sobre a jornada e altera aspectos centrais da legislação trabalhista, fortalecendo contratos individuais e relativizando direitos históricos garantidos pela CLT.

A movimentação de Alcolumbre ocorre justamente quando centrais sindicais intensificam a pressão para que a PEC seja aprovada rapidamente. O governo trabalha com a expectativa de promulgar a medida ainda antes do período eleitoral, permitindo que os efeitos da nova jornada comecem a ser sentidos pelos trabalhadores ainda este ano.

O texto aprovado pela Câmara prevê que as novas regras entrem em vigor 60 dias após a promulgação.

Para dirigentes sindicais, o discurso de que o Senado precisa “debater mais” um tema amplamente discutido ao longo de meses no Congresso e na sociedade serve como justificativa para protelar uma decisão que já demonstrou amplo apoio popular.

Nos corredores do Congresso também circula a avaliação de que Alcolumbre busca se aproximar de setores conservadores e empresariais que atuaram contra a aprovação da proposta na Câmara. Há ainda quem relacione a postura do presidente do Senado às articulações políticas visando a eleição para a presidência da Casa em 2027, quando ele poderá tentar a recondução ao cargo e dependerá de apoio de setores da oposição.

Enquanto isso, sindicatos e movimentos sociais prometem ampliar a mobilização. A estratégia é repetir no Senado a pressão popular que garantiu a aprovação por ampla maioria na Câmara e impedir que uma manobra regimental transforme uma conquista histórica dos trabalhadores em uma tramitação longa e sujeita a mudanças de conteúdo.

A decisão final sobre o rito da PEC deverá ser tomada após reunião de líderes convocada por Alcolumbre. Até lá, a batalha política pelo fim da escala 6×1 continua, agora concentrada no Senado Federal.