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Da Redação

Homicídios de jovens caem um terço no Brasil entre 2014 e 2024

A taxa de homicídios de jovens entre 15 e 29 anos no Brasil caiu 33,9% entre 2014 e 2024, mostra o Atlas da Violência 2026, divulgado nesta terça-feira (26) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Leia em TVT News.

Nesses 10 anos, o país teve 301.825 jovens assassinados nessa faixa etária, o que equivale a 75 por dia e representa 46,5% das vítimas de homicídios no país.

As maiores reduções na taxa de homicídios de jovens foram no Distrito Federal (-79,6%), Goiás (-67,8%) e São Paulo (-58,0%), sendo que alguns estados registraram aumento, como Amapá (+45,2%), Pernambuco (+7,5%) e Bahia (+6,4%).

Quando observados apenas os homens jovens, a taxa caiu 39,1% entre 2014 e 2024. A maior queda foi registrada no Distrito Federal (81,7%).

Segundo o Atlas da Violência, em 2024, 19.801 jovens foram assassinados, com taxa de 42,2 homicídios por 100 mil habitantes. 

A pesquisa aponta ainda que, se forem considerados os homicídios ocultos, que são casos prováveis de assassinato que não foram oficialmente registrados, a taxa estimada sobe para 46,1 homicídios por 100 mil pessoas. 

A menor taxa de homicídio por 100 mil jovens no país, em 2024, foi encontrada no estado de São Paulo (10,7), com os maiores índices no Amapá e na Bahia, onde houve 114,7 e 101,8 homicídios por 100 mil jovens, respectivamente.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam que, a cada ano, cerca de 193 mil jovens morrem violentamente no mundo. Os homicídios de jovens entre 15 e 29 anos respondem por cerca de 40% das mortes violentas globais. 

A OMS acrescenta que, para cada jovem morto, muitos sobrevivem apresentando ferimentos graves que afetam seu desenvolvimento psicológico, educacional e social, além de graves sequelas.

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Violência armada e masculina

Do total de 19,8 mil jovens assassinados em 2024, 18.545 eram homens, o que representa uma taxa de homicídios de 78 por 100 mil, quase o dobro da taxa geral.

O estudo ressalta que a violência letal é predominantemente masculina e armada, resultante de fatores estruturais e concentrada, em grande parte, em regiões pobres e periféricas. 

Dos 54 jovens mortos diariamente em 2024, 51 eram homens. Entre adolescentes de 15 a 19 anos, as armas de fogo foram utilizadas em 84,1% dos homicídios.

O coordenador do Atlas da Violência, Daniel Cerqueira, técnico de planejamento e pesquisa do Ipea, afirmou à Agência Brasil que uma questão central é que, antes da morte física do indivíduo, existiu um ciclo de violência em sua vida, desde o nascimento.

“É um grito de alerta para tentar decidir o que a gente quer fazer com as nossas crianças, adolescentes e jovens, que são o futuro da nação”, alertou.

Rio de Janeiro (RJ), 07/09/2025 – Ana Paula Oliveira, mãe de Jonatha jovem negro morto por um policial militar em 2014 e cofundadora do Movimento Mães de Manguinhos, participa do Grito dos Excluídos e Excluídas na região central da cidade. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Ana Paula Oliveira, mãe de Jonatha jovem negro morto por um policial militar em 2014 e cofundadora do Movimento Mães de Manguinhos, participa do Grito dos Excluídos e Excluídas na região central da cidade. Fernando Frazão/Agência Brasil

Crianças e adolescentes

O Atlas da Violência 2026 também informa a violência contra crianças e adolescentes. Em 2024, ocorreram 179 homicídios de infantes (0 a 4 anos), uma taxa de 1,4 morte a cada 100 mil vivos. 

Entre 2014 e 2024, houve redução de 14,8% no número de assassinados nessa faixa etária, embora a taxa tenha permanecido estável.

Entre crianças e adolescentes de 5 a 14 anos, foram registrados 320 homicídios em 2024, ou 1,1 morte por 100 mil. 

No período de 2014 a 2024, o número de homicídios nessa faixa etária caiu 63,2%, e a taxa por 100 mil habitantes recuou 60,7%.

A violência letal foi mais intensa entre adolescentes (15 a 19 anos), embora tenha havido redução de 55,8% no número de homicídios, que passaram de 10.348, em 2014, para 4.570, em 2024. Já a taxa caiu de 60,3 homicídios por 100 mil para 30,5.

O Atlas aponta que, no total, cerca de 14 crianças e adolescentes, entre 0 e 19 anos, foram assassinados por dia no Brasil, em 2024.

Armas de fogo

O Atlas revela forte predominância do uso de armas de fogo nos homicídios de adolescentes de 15 a 19 anos (84,1% dos casos), sugerindo dinâmicas típicas da violência interpessoal de contextos urbanos.

Já entre crianças de 5 a 14 anos, embora a maior parte dos óbitos esteja relacionado a armas de fogo (69,5%), há participação também de meios contundentes (6,6%) e perfurantes (12,7%), além de registros com instrumento desconhecido (4,1%), o que dificulta a classificação do homicídio.

Entre infantes de 0 a 4 anos, há maior dispersão dos meios de agressão, com menor predominância de armas de fogo (20,3%) e participação expressiva de instrumentos classificados como desconhecidos (36,7%) e contundentes (19,3%).

O Atlas sustenta que a violência se torna mais letal e associada diretamente ao uso de armas de fogo à medida que a idade avança. Por isso, é destacada a importância de políticas de controle de armas, visando à redução dos homicídios nessa faixa etária.

A violência doméstica liderou os tipos de violência praticados contra crianças e adolescentes entre 2014 e 2024, com 676.282 casos registrados, sendo:

  • 253.199 na fase de 0 a 4 anos,
  • 279.542 em crianças de 5 a 14 anos,
  • 143.541 em adolescentes de 15 a 19 anos.

Em relação às crianças menores, a sugestão é a adoção de estratégias que protejam o infante no ambiente doméstico, bem como a prevenção de maus tratos e identificação de situações de risco antes que elas possam ocorrer.

Alana Gandra – repórter da Agência Brasil

Flávio visitou Vorcaro “para ver se conseguia o restante do dinheiro”, diz Valdemar

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, admitiu publicamente nesta segunda-feira (25) que o senador Flávio Bolsonaro procurou o banqueiro Daniel Vorcaro após a prisão domiciliar do empresário para tentar garantir a continuidade do financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro. Leia em TVT News.

Presidente do PL diz que Flávio Bolsonaro foi pedir mais dinheiro para Vorcaro

A declaração foi dada durante entrevista ao programa Estúdio i, da GloboNews, e aprofunda ainda mais o desgaste político em torno da produção cinematográfica que já se tornou alvo de investigações, decisões do Supremo Tribunal Federal e sucessivas reportagens do The Intercept Brasil.

Segundo Valdemar, Flávio Bolsonaro foi pessoalmente à casa de Vorcaro depois que o ex-controlador do Banco Master passou a cumprir prisão domiciliar, no fim de 2025, para tentar recuperar o restante dos recursos prometidos ao longa-metragem.

“Foi visitar depois para ver se conseguia o restante do dinheiro. [Vorcaro] estava sendo investigado, não foi condenado a nada”, afirmou o dirigente partidário.

A fala tem peso político porque confirma de maneira explícita que o encontro entre o senador e o banqueiro — até então tratado por aliados como uma reunião casual ou tentativa de encerramento do assunto — ocorreu em meio a negociações financeiras relacionadas ao filme sobre Jair Bolsonaro.

Na semana passada, o próprio Flávio Bolsonaro havia dado uma versão diferente sobre a visita. Segundo o senador, ele teria procurado Vorcaro apenas para “botar um ponto final” na relação envolvendo o financiamento do filme “Dark Horse”.

Eu fui, sim, para o encontro dele, para botar um ponto final nessa história, é dizer que, se ele tivesse me avisado que a situação era grave como essa, eu já teria ido atrás de outro investidor há muito mais tempo, e o filme não correria risco”, declarou Flávio a jornalistas.

Agora, a declaração de Valdemar Costa Neto altera substancialmente o entendimento sobre a reunião ao admitir que o senador buscava, na prática, a liberação do “restante do dinheiro” prometido por Vorcaro para a produção.

A série de revelações envolvendo o filme “Dark Horse” começou após reportagens do Intercept Brasil divulgarem mensagens, contratos, áudios e documentos que mostram uma intensa articulação financeira do núcleo bolsonarista para viabilizar a cinebiografia.

Segundo o material obtido pelo site, Vorcaro teria prometido US$ 24 milhões — cerca de R$ 134 milhões na cotação da época — para financiar o longa. Pelo menos US$ 10,6 milhões já teriam sido transferidos entre fevereiro e maio de 2025 em operações ligadas ao projeto cinematográfico.

As reportagens apontam ainda a participação direta de Flávio Bolsonaro, do deputado cassado Eduardo Bolsonaro e do deputado Mario Frias na estrutura financeira e executiva do filme.

Em áudios divulgados pelo Intercept, Flávio aparece pressionando pela liberação de recursos para evitar a paralisação das filmagens. Já documentos revelados pelo site mostram Eduardo Bolsonaro assinando contratos como produtor-executivo da obra, com atribuições ligadas à gestão financeira e captação de investimentos.

Mario Frias também passou a ser alvo de questionamentos após o ministro Flávio Dino abrir uma apuração preliminar sobre o direcionamento de R$ 2 milhões em emendas parlamentares para o Instituto Conhecer Brasil, entidade ligada à produtora do longa.

Durante a entrevista desta segunda-feira, Valdemar tentou minimizar a gravidade da relação entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro, argumentando que o problema existiria apenas se recursos públicos fossem utilizados.

“Eu acho que se o Flávio tivesse pedido o dinheiro para o Banco do Brasil, para a Caixa Econômica Federal, teria problema, porque seriam órgãos públicos”, afirmou.

A declaração, porém, ocorre em meio a investigações da Polícia Federal e do STF justamente sobre possíveis conexões entre o financiamento privado do filme, repasses internacionais e o uso indireto de estruturas políticas ligadas ao bolsonarismo.

Além disso, a defesa pública feita por Valdemar expõe o desconforto do PL diante do impacto político do caso. Pesquisas divulgadas nos últimos dias já começaram a registrar aumento da rejeição de Flávio Bolsonaro após a explosão do escândalo envolvendo Vorcaro e “Dark Horse”.

Mesmo assim, o dirigente partidário reforçou que o senador continua sendo o nome prioritário do bolsonarismo para a disputa presidencial.

“Ele é o candidato do Bolsonaro e nós vamos até o fim nessa história porque ele vai ganhar as eleições”, declarou Valdemar. O presidente do PL também descartou qualquer possibilidade de candidatura da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro ao Palácio do Planalto.

Outro ponto que chamou atenção na entrevista foi a afirmação de Valdemar de que o partido só tomou conhecimento da relação entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro pela imprensa.

Segundo ele, o senador nunca havia informado oficialmente à direção do PL sobre as negociações envolvendo o banqueiro e o financiamento do filme.

“No dia em que estourou, nós fizemos uma reunião para ver como é que ele ia responder, e aí ele disse que teve [a reunião] porque tinha necessidade de arrecadar dinheiro para o filme do pai”, afirmou.

A declaração reforça o cenário de crise política dentro do entorno bolsonarista, já que o caso passou de uma simples produção cinematográfica para um episódio que envolve suspeitas sobre repasses milionários, relações com investigados por crimes financeiros e possível uso político da estrutura partidária e parlamentar ligada ao PL.

Com a nova fala de Valdemar Costa Neto, o próprio comando nacional do partido acaba confirmando publicamente aquilo que aliados de Flávio Bolsonaro tentavam relativizar desde o início: a reunião com Daniel Vorcaro ocorreu, de fato, para tentar assegurar a continuidade financeira do projeto cinematográfico sobre Jair Bolsonaro.

Brasil tem menor taxa de homicídios da série histórica

A taxa de homicídios no Brasil chegou, em 2024, ao menor patamar desde o início da série histórica do Atlas da Violência, iniciada em 2014. A pesquisa é realizada anualmente pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e foi divulgada nesta terça-feira (26). Leia em TVT News.

O país registrou 20,1 assassinatos para cada 100 mil habitantes, uma taxa 7,4% menor que a de 2023. Em números absolutos, foram 42.590 homicídios em 2024, o que representa uma queda de 6,9%.

O estudo foi produzido a partir de dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde (MS).

A análise do período 2014-2024 revela que a taxa nacional de homicídios apresentou queda de 33,4%, com o número de homicídios diminuindo 29,6%. 

Nesses 10 anos, o Amapá foi a única unidade da Federação que apresentou aumento expressivo tanto da taxa (+30,2%) quanto do número de homicídios (+41,8%).

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O estudo aponta para um aumento significativo da subnotificação desses crimes. Da mesma maneira, a percepção de insegurança da população segue em alta.

Na avaliação do coordenador do Atlas da Violência, Daniel Cerqueira, técnico de Planejamento e Pesquisa do Ipea, o Brasil está passando por uma transição forte. Ao mesmo tempo em que vive a redução de homicídios, o país registra aumento da insegurança e manutenção ou crescimento das desigualdades que afetam populações minoritárias.

Em entrevista à Agência Brasil, Daniel Cerqueira disse que a taxa de homicídios, além de ser a menor da série histórica da pesquisa, também é a mais baixa desde 1998. Apesar disso, ele destacou que a piora da qualidade dos dados em 2024 surpreendeu os pesquisadores.

“Esperávamos que houvesse menos ou, pelo menos, o mesmo número de mortes violentas por causa indeterminada. Isso não ocorreu. Pelo contrário, o número aumentou muito em 2024 e fez sombra a essa queda histórica”.

O diretor de Políticas, Instituições e Democracia do IPEA, Daniel Cerqueira,  durante apresentação dos livros Pensamento Estratégico, Planejamento Governamental e Desenvolvimento no Brasil(Marcelo Camargo/Agência Brasil)
O pesquisador do Ipea Daniel Cerqueira, durante apresentação dos livros Pensamento Estratégico, Planejamento Governamental e Desenvolvimento no Brasil – Marcelo Camargo/Agência Brasil

Desigualdades regionais

O Atlas da Violência 2026 mostra que a melhora da taxa de homicídios em 2024 foi relativamente disseminada em todo o país. Entre as taxas estaduais, apenas Maranhão e Ceará apresentaram aumentos relevantes entre 2023 e 2024, de 7,6% e 5,2%, respectivamente, enquanto São Paulo permaneceu estável.

As quedas mais intensas ocorreram no Amapá (-30,0%), Tocantins (-26,7%), Sergipe (-24,8%), Roraima (-22,8%) e Acre (-20,5%). Quando se observa o número absoluto de homicídios, as maiores diminuições foram no Rio de Janeiro (-772 casos), na Bahia (-555), no Rio Grande do Sul (-280), em Goiás (-229) e no Amazonas (-229).

A publicação confirma a manutenção da tendência de redução da violência letal no país, embora de forma heterogênea entre os estados. Em 2024, as menores taxas oficiais de homicídios foram registradas em São Paulo (6,6 por 100 mil habitantes), Santa Catarina (8,1), Distrito Federal (10,3), Minas Gerais (12,8) e Rio Grande do Sul (15,2).

Já as maiores taxas ocorreram no Amapá (45,7), Bahia (40,9), Pernambuco (37,3), Alagoas (35,9) e Ceará (34,3). 

Entre os municípios com mais de 100 mil habitantes, 17 dos 20 mais violentos estão localizados no Nordeste, enquanto as 20 cidades menos violentas estão concentradas exclusivamente nas regiões Sul e Sudeste.

Diferenças históricas de desenvolvimento econômico, capacidade institucional, dinâmica demográfica e presença do crime organizado explicariam essas desigualdades de territórios, segundo o Atlas.

Homicídios ocultos

Os casos em que o Estado não consegue identificar a causa básica do óbito como decorrente de acidentes, suicídios ou assassinatos são classificados como Mortes Violentas por Causa Indeterminada (MVCI). Essas mortes somaram 3.311 casos em 2024, com expansão de 23,8%, em relação a 2023.

O Atlas sinaliza que 17.207 pessoas morreram de morte violenta, em 2024, sem que a motivação básica do óbito tivesse sido identificada. De acordo com o Ipea, quase metade (41%) desses casos sem causa definida corresponde, na verdade, a homicídios subnotificados. 

Os pesquisadores consideram que o avanço dessas Mortes Violentas por Causa Indeterminada, que ficam de fora das estatísticas oficiais de segurança pública, dificulta o combate à violência.

Para se debruçar sobre esse problema, os pesquisadores desenvolveram metodologia capaz de identificar, dentre as MVCI, quais têm maior probabilidade de corresponder a assassinatos. Esses casos passaram a ser chamados de homicídios ocultos aos números oficiais, e a soma deles com os números oficiais foram classificados como homicídios estimados.

Daniel Cerqueira informou que, a partir dessa metodologia, verificou-se que das 17.207 mortes violentas ocorridas em 2024 sem causa determinada, 7.083 foram homicídios não classificados como tal, ou que são chamados de homicídios ocultos.

“O modelo acha, probabilisticamente, padrões de letalidade (homicídio ou não homicídio), olhando as características das vítimas e das situações em que aconteceram os fatos”.

Entre as possíveis razões para essa subnotificação, ele aponta a falta de compartilhamento de informação entre a saúde e a polícia.

O Atlas da Violência 2026 mostra que, entre 2023 e 2024, os homicídios ocultos cresceram 88,6%, passando de 3.755 para 7.083, com a taxa evoluindo de 1,8 para 3,3 a cada 100 mil habitantes ─ uma expansão de 83,3%.

Em consequência, os homicídios ocultos responderam por 14,3% dos homicídios estimados em 2024, contra 7,6% em 2023.

Rio de Janeiro (RJ) 17/12/2024 – Familiares das vítimas da Chacina de Acari e advogados que os representam fazem a leitura pública da sentença de condenação do Estado brasileiro no caso, divulgada pela Corte Interamericana de Direitos Humanos. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
 Familiares das vítimas da Chacina de Acari e advogados que os representam fazem a leitura pública da sentença de condenação do Estado brasileiro no caso, divulgada pela Corte Interamericana de Direitos Humanos. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

No acumulado entre 2014 e 2024, o Brasil registrou em torno de 55.212 homicídios ocultos, com uma média anual de 5.019,3 casos. Já o total de homicídios estimados alcançou 638.805 no período.

Os homicídios estimados tiveram distribuição territorial desigual em 2024, com as maiores taxas observadas no Amapá (47,1), Ceará (43,7), Bahia (42,6), Alagoas (39,8) e Pernambuco (38,6).

Já os menores níveis ocorreram em Santa Catarina (8,8), que segue na posição de estado com menor letalidade no país. Em seguida, estão Distrito Federal (10,9), São Paulo (12,8), Rio Grande do Sul (15,9) e Minas Gerais (18,5). Ao todo, 16 UFs apresentaram taxa estimada acima da taxa nacional.

No período de 2014 a 2024, a taxa estimada nacional caiu 26,9%, indicando melhora relevante em relação ao início da série. Apesar disso, o Atlas indica que permanecem casos de agravamento ou de melhora insuficiente.

O Amapá foi o estado com maior aumento da taxa estimada no período (+24,3%), seguido por Pernambuco (+0,8%). No sentido inverso, as maiores reduções ocorreram no Distrito Federal (-64,8%), em Goiás (-56,9%), em Sergipe (-53,4%), no Rio Grande do Norte (-46,7%) e em Alagoas (-39,6%).

Alana Gandra – repórter da Agência Brasil

Anvisa aprova primeira caneta de semaglutida sintética análoga ao Ozempic

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou nesta terça-feira (26/5) o registro do medicamento Ozivy. O produto é a primeira caneta de semaglutida sintética análoga ao produto biológico liberado para comercialização no Brasil. Ou seja, o novo medicamento é uma versão sintética de um medicamento originalmente biológico registrado na Anvisa. Saiba mais na TVT News.

O medicamento usa o mesmo princípio ativo do Ozempic, que teve sua patente expirada em 20 de março. O pedido de registro do medicamento com semaglutida sintética chegou em 2023 e passou pelo processo técnico de comprovação de eficácia, segurança e qualidade feita por meio do registro na Anvisa.

O pedido de registro foi feito pelo laboratório EMS/SA e seguiu a ordem cronológica e de prioridade para medicamentos do tipo GLP-1, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras. As prioridades, que incluem a semaglutida, foram definidas nos termos do Edital de Chamamento12/2025 . Atualmente, outros cinco medicamentos de origem sintética e um de origem biológica da semaglutida seguem em análise na Agência, além de outros processos que estão na fila.

Indicação aprovada

Ozivy poderá ser usado para o tratamento de adultos com diabetes mellitus tipo 2 insuficientemente controlado, como adjuvante à dieta e exercício:
– em monoterapia, quando a metformina é considerada inapropriada devido a intolerância ou contraindicações;
– em adição a outros medicamentos para o tratamento do diabetes.

O produto será apresentado como solução injetável, em caneta preenchida para administração semanal. A forma de conservação do novo produto é diferente do medicamento originador (Ozempic). Ele deve ficar armazenado em geladeira (em temperaturas de 2 °C a 8 °C) antes e depois de iniciado o tratamento.

A conservação do Ozempic é diferente e exige esse armazenamento refrigerado apenas antes do uso, podendo ficar até 30ºC por até seis semanas após o paciente iniciar as doses.

Veja as opções de apresentações aprovadas e que poderão ser oferecidas pelo laboratório:

  • Solução injetável de semaglutida 1,34 mg/mL em sistema de aplicação preenchido (multidose e descartável) com 1,5 ml + 1 caneta + 6 agulhas
  • Solução injetável de semaglutida 1,34 mg/mL em sistema de aplicação preenchido (multidose e descartável) com 3 ml + 2 canetas +10 agulhas
  • Solução injetável de semaglutida 1,34 mg/mL em sistema de aplicação preenchido (multidose e descartável) com 1,5 ml + 1 caneta + 4 agulhas
  • Solução injetável de semaglutida 1,34 mg/mL em sistema de aplicação preenchido (multidose e descartável) com 3 ml + 2 canetas + 8 agulhas

Como todos os medicamentos do tipo GLP-1, a semaglutida sintética está sujeita à prescrição de receita médica em duas vias.

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Desafio técnico

A avaliação dos análogos sintéticos de semaglutida é tratada como um desafio técnico para as agências reguladoras em todo o mundo. A Anvisa é uma das primeiras a registrar esse tipo de produto.

Até então, os medicamentos de semaglutida registrados no Brasil eram todos biológicos, elaborados a partir de insumo farmacêutico ativo (IFA) biológico. Os medicamentos biológicos são moléculas complexas e podem ser obtidas a partir de fluidos biológicos, tecidos de origem animal ou ainda de procedimentos biotecnológicos, por meio de manipulação ou inserção de outro material genético (DNA recombinante) ou alteração dos genes.

Essa categoria inclui, entre outros, vacinas, soros hiperimunes, hemoderivados, anticorpos monoclonais e análogos de GLP-1 feitos por processo biológico, como é o caso da semaglutida. Eles costumam ser aplicados por via injetável (endovenosa ou subcutânea) para garantir a integridade estrutural e funcional das substâncias. Mas também é possível o seu uso pela forma oral.

Já os análogos sintéticos são feitos por síntese química, o que resulta em moléculas menores e mais estáveis que podem ser reproduzidas de forma idêntica. São comumente utilizados por diversas vias, como oral, injetável, inalatória e oftálmica.

Esses produtos são considerados de alta complexidade, pois compartilham características típicas de medicamentos sintéticos (por exemplo, resíduos de solventes no processo, resíduos de catalisadores metálicos, impurezas com estrutura química semelhante) e também de biológicos, como risco de imunogenicidade, formação de agregados, entre outros.

Ozivy é um medicamento genérico?

É importante destacar que o Ozivy não é um medicamento genérico, já que não há genérico de produtos biológicos conforme regulação brasileira. O produto é classificado como medicamento novo, sendo um análogo sintético de produto biológico.

Quando o medicamento estará disponível no mercado?

Após o registro na Anvisa, o medicamento pode ser comercializado após a aprovação do preço máximo pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). A empresa que possui o registro, porém, é que decide quando o medicamento será colocado à venda.

Para que o produto esteja disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), ele precisa ser avaliado e recomendado pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) e aprovado pelo Ministério da Saúde. Vale lembrar que nem todos os medicamentos registrados na Anvisa passam pela avaliação da Conitec ou são incorporados ao SUS.

Leia a Resolução 2.122/2026 no Diário Oficial da União (DOU) .

Com Agência Gov

Copa do Brasil define confrontos das oitavas de final

Os confrontos das oitavas de final da Copa do Brasil 2026 estão definidos. Há clássicos como Corinthians x Internacional e Fluminense x Vasco da Gama. Leia sobre a Copa do Brasil com a TVT News.

Confira os jogos das oitavas de final da Copa do Brasil

  • Fluminense x Vasco (Fluminense decide em casa)
  • Corinthians x Inter (Corinthians decide em casa)
  • Grêmio x Mirassol (Grêmio decide em casa)
  • Vitória x Athletico-PR (Vitória decide em casa)
  • Juventude x Atlético-MG (Juventude decide em casa)
  • Remo x Santos (Remo decide em casa)
  • Cruzeiro x Chapecoense (Cruzeiro decide em casa)
  • Fortaleza x Palmeiras (Fortaleza decide em casa)

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Taça da Copa do Brasil. Foto; Lucas Figueiredo/CBF

Sorteio define confrontos da Copa do Brasil

A fase de oitavas de final da Copa do Brasil 2026 terá clássicos e rivalidade em campo. Os jogos estão previstos para acontecer na mesma semana:

  • Jogos de ida da Copa do Brasil: dias 1º e 2 de agosto
  • Jogos da volta da Copa do Brasil 5 e 6 (volta).

Premiação da Copa do Brasil

  • Oitavas de final: R$ 3 milhões
  • Quartas de final: R$ 4 milhões
  • Semifinal: R$ 9 milhões
  • Vice-campeão: R$ 34 milhões
  • Campeão: R$ 78 milhões

Fonte: Confederação Brasileira de Futebol

Lula envia ajuda humanitária para Bolívia em meio a crise política

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou na segunda-feira (25) o envio de ajuda humanitária à Bolívia após conversa telefônica com o presidente boliviano Rodrigo Paz. O país enfrenta uma grave crise política e social marcada por quase um mês de protestos, bloqueios de rodovias e escassez de alimentos, medicamentos e combustíveis em cidades como La Paz e El Alto. Saiba mais na TVT News.

Segundo o governo brasileiro, a assistência incluirá apoio logístico com aeronaves para a realização de “pontes aéreas” internas e o envio de alimentos não perecíveis para as regiões mais afetadas. A operação começou a ser planejada após um pedido formal do governo boliviano, que também solicitou apoio político do Brasil em defesa do diálogo institucional.

Durante a conversa, Lula afirmou que o Brasil acompanha a situação e destacou a necessidade de preservação das instituições democráticas e do Estado de Direito na Bolívia. O presidente brasileiro defendeu uma saída negociada para a crise e disse que o diálogo é “o único caminho para garantir a paz social”.

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Crise política e econômica

A onda de manifestações na Bolívia reúne sindicatos, movimentos camponeses e grupos ligados ao ex-presidente Evo Morales, que acusam o governo de Rodrigo Paz de promover medidas econômicas e reformas prejudiciais à população.

O estopim da crise foi a aprovação da chamada Lei 1720, que permitiria a transformação de pequenas propriedades rurais em médias propriedades para facilitar acesso ao crédito. Organizações camponesas interpretaram a medida como uma tentativa de favorecer grandes produtores rurais e ampliar a concentração fundiária. Mesmo após a revogação da lei pelo governo, os protestos continuaram.

A situação também foi agravada pela alta da inflação, que chegou a 20% em 2025, além do aumento dos preços dos combustíveis após cortes de subsídios. Greves de professores e denúncias sobre gasolina fora dos padrões de qualidade ampliaram o desgaste do governo.

Outro foco de tensão é a proposta de reforma parcial da Constituição boliviana, anunciada neste mês. Movimentos sociais acusam o governo de abrir caminho para a privatização de recursos naturais estratégicos, como mineração e hidrocarbonetos, o que é negado pelo Palácio presidencial.