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Da Redação
Portela exalta personagem central de culto afro do Rio Grande do Sul
Uma das escolas de samba mais tradicionais do Rio de Janeiro, a Portela vai contar na avenida as origens e a tradição do batuque, reconhecida como principal religião de matriz africana praticada no sul do Brasil. A história será contada no enredo O Mistério do Príncipe do Bará — A oração do negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande.
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O batuque (ou nação) forma com o candomblé (na Bahia), a Jurema Sagrada (Alagoas, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte), o tambor de mina (Maranhão), a umbanda (Rio de Janeiro) e o Xangô de Pernambuco o altar das principais religiões afrobrasileiras.
Conforme o enredo do Grêmio Recreativo Escola de Samba Portela, o Principe do Bará seria o nobre Osuanlele Okizi Erupê, um líder religioso que no Brasil adotou o nome Custódio Joaquim de Almeida. Osuanlele ou Custódio nasceu no Século 19 no golfo da Guiné (litoral ocidental da África) e morreu em Porto Alegre, capital gaúcha, na década de 30 do século passado.
As datas exatas de nascimento e morte, e a própria origem nobre do Principe do Bará, são objeto de discussão entre historiadores e antropólogos, como indica estudo publicado pelo Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul.
Sul negro
A despeito da controvérsia acadêmica, o samba-enredo da Portela quer “resgatar a tradição/ onde a África assenta”. O desfile da Portela lançará luz sobre dados que apresentam um Brasil que contesta o senso comum: conforme o Censo Populacional do IBGE (2022), há proporcionalmente mais pessoas praticantes ou devotas de religiões de matriz africana no Rio Grande do Sul (3,2%) do que no Rio de Janeiro (2,6%) ou na Bahia (1%)
“Nossa proposta é debater a descentralização da historicidade negra do Brasil, focando na formação do Rio Grande do Sul”, detalha André Rodrigues carnavalesco da Portela em material distribuído pela escola.
Atribui-se ao Principe Custódio um papel fundamental de mediação entre a população negra e as elites políticas gaúchas, como uma liderança religiosa protetora e depositária de conhecimentos e liturgias de cultos africanos.
“Ele era uma das pessoas que possibilitou a consolidação dessa religião, deixando-a mais visível. Ela estava lá em Porto Alegre, mesmo que muitas vezes escondida nos bairros mais afastados. Ele serviu para legitimar de forma transparente uma realidade que existia dentro da cidade e que era mascarada por conta do grande fluxo de migração branca”, assinala a antropóloga Maria Helena Nunes da Silva em dissertação citada na publicação do Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul.
Estreante portelense
O samba-enredo sobre o Príncipe Custódio terá como principal intérprete Zé Paulo Sierra, um portelense estreante realizando seu “sonho de infância”.
“Meu pai era portelense. Eu morava num bairro chamado Abolição, onde minha mãe mora até hoje, e a maioria das pessoas eram portelenses ou imperianos. Nos anos 1980, quando eu comecei a me interessar por samba-enredo, me apaixono por um samba da Portela, que é o Das Maravilhas do Mar Fez-se o Esplendor de Uma Noite, do David Correia e Jorge Macedo”, rememora.
Foram inscritos 36 candidatos no concurso da Portela para escolha do samba com o qual a escola desfilará. Ganhou a composição assinada por Valtinho Botafogo, Raphael Gravino, Gabriel Simões, Braga, Cacau Oliveira, Miguel Cunha e Dona Madalena. Zé Paulo Sierra defendeu o samba na fase das eliminatórias. “Eu sei cada detalhezinho desse samba”, diz confiante na sua participação no desfile da maior campeã do carnaval carioca que ocorrerá na noite de domingo, 15 de fevereiro.
Conheça os enredos e a ordem dos desfiles do Grupo Especial do Rio de Janeiro
1º dia – domingo (15/2)
- Acadêmicos de Niterói – Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil;
- Imperatriz Leopoldinense – Camaleônico;
- Portela – O Mistério do Príncipe do Bará;
- Estação Primeira de Mangueira – Mestre Sacacá do Encanto Tucuju – o Guardião da Amazônia Negra.
2º dia – segunda-feira (16/2)
- Mocidade Independente de Padre Miguel – Rita Lee, a Padroeira da Liberdade;
- Beija‑Flor de Nilópolis – Bembé do Mercado;
- Acadêmicos do Viradouro – Pra Cima, Ciça;
- Unidos da Tijuca – Carolina Maria de Jesus.
3º dia – terça-feira (17/2)
- Paraíso do Tuiuti – Lonã Ifá Lukumi;
- Unidos de Vila Isabel – Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um Sambista Sonhou a África;
- Acadêmicos do Grande Rio – A Nação do Mangue;
- Acadêmicos do Salgueiro – A delirante jornada carnavalesca da professora que não tinha medo de bruxa, de bacalhau e nem do pirata da perna-de-pau.
Gilberto Costa – Repórter da Agência Brasil
Imperatriz vai levar universo transgressor de Ney para a avenida
Como levar para a Marquês de Sapucaí o universo extenso que representa o artista Ney Matogrosso? Para o carnavalesco da Imperatriz Leopoldinense, Leandro Vieira, autor do enredo que homenageia o cantor, a resposta é reconhecer que Ney entendeu o visual como um manifesto.
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Com título Camaleônico, o enredo da escola verde e branca de Ramos não escolheu o caminho biográfico e vai levar para a avenida o universo autêntico e transgressor que marcou a obra de Ney Matogrosso.
“É exclusivamente baseado na obra, entendendo a obra como o que ele cantou, mais o universo estético em que ele mergulhou”, disse Leandro Vieira em entrevista à Agência Brasil.
“Todo mundo conhece alguma coisa do Ney Matogrosso. O Ney conseguiu uma coisa que poucos artistas conseguiram. Além das músicas que ficam no imaginário, conseguiu que imagens ficassem no imaginário popular”, relatou.
A agremiação da região da Leopoldina, na zona norte do Rio, vai apresentar ao público as diversas representações de um artista múltiplo. O que ele escolheu vestir e os personagens que incorporou não foram escolhas inocentes, reforçou o carnavalesco, que acrescentou que a escola vai mostrar o universo desse artista que assumiu diversas personalidades e entendeu o corpo como manifesto político, e o que veste, como manifesto estético.
“Isso somado a uma trajetória de mais de 50 anos repleta de canções, de sucessos eternos na história da música popular brasileira, que ancoram o enredo da Imperatriz Leopoldinense”, informou.
Para Leandro Vieira, o que tem de mais forte no Ney e o que mais o interessa nessa história é justamente ele ter se colocado contrário à ideia de definição única e de ter permanecido assim por mais de 50 anos.
“O Ney é uma bandeira do direito a ser quem se é. É uma bandeira do direito de ser quem se quer ser. Ao assumir essa personalidade, ele assumiu-se bicho selvagem, homem, mulher, andrógeno, bandido, ser sexualizado”.
“Ao assumir isso, se transformou em manifesto estético e transformou o seu ambiente criativo nessa bandeira”, apontou Leandro Vieira.
Bandido, sensual, neandertal
A Imperatriz vai percorrer os caminhos de Ney como na fase em que lançou o disco Bandido, em 1976. “Ele não é um bandido qualquer. É um bandido andrógeno, sexual, que faz strip-tease no palco”, disse o carnavalesco.
Um ano antes, o cantor tinha trazido outro personagem, o homem neandertal, criado para o show e o disco de 1975.
“Ele resolveu contrariar o aspecto normativo social da ditadura militar. Diante da possibilidade de ser enquadrado dentro de um traço, ele escolheu ser bicho. Ser uma criatura mitológica, ser um fauno para se apresentar”.
“Quando a ditadura militar estava mais endurecida, ele resolveu lançar um disco chamado Pecado. Depois, resolveu se deixar fotografar seminu para o encarte de um LP que foi censurado e coberto com um plástico preto. Ele foi assumindo diversas personalidades, todas transgressoras, todas manifestos políticos e manifestos públicos de liberdade”, pontuou. “O Ney do universo hedonista, das canções de prazer, o Ney sexualizado, sensualizado, me interessa. Isso tudo está presente”.
Leandro lembrou que, enquanto tudo isso acontecia, não havia reação contrária do público, que é bastante diversificado, com homens e mulheres de diferentes idades, pessoas LGBTQIA+ e jovens.
“O público gostava cada vez mais”, contou. “O Ney Matogrosso dos Secos e Molhados, da canção Vira, fez um sucesso tremendo com o público infantil. Aquela criatura mascarada, dançando enfeitada, com coreografia que misturava música portuguesa, aquilo fez um sucesso enorme com as crianças”, comentou.
Para o carnavalesco, o sucesso com o público vem da autenticidade do artista, que também deve encantar o sambódromo do Rio de Janeiro. “O Ney Matogrosso não é o estereótipo da liberdade. Ele não é o estereótipo da fantasia. Ele é a liberdade e a fantasia em pessoa. Ele não estereotipou isso para ser aceito, para ser palatável”.

Fantasias representam latinidade de Ney Matogrosso (esquerda) e personagem Homem Neandertal, vivido pelo cantor em álbum na década de 1970. Foto: Raphael Figueiredo/Imperatriz Leopoldinense
Enredo de fã
Tantos elogios não deixam dúvidas de que Leandro é fã do artista, o que ele assumiu, contando que esse era um enredo que já queria realizar na avenida há um tempo.
“É uma personalidade que une tudo que eu gosto. Une a transgressão estética, visual exuberante, discurso político, corpo como manifesto. Gosto, porque isso é carnaval. O Ney Matogrosso, para mim, é o carnaval em pessoa”, completou.
Desde que o enredo foi lançado, em maio do ano passado, Ney tem se envolvido com a vida da escola. Foi a ensaios na quadra, onde foi muito bem recebido pela comunidade, e foi ao barracão ver de perto como é feito o trabalho.
Leandro destacou que uma das coisas mais bacanas de fazer um enredo em homenagem a uma personalidade viva é a contribuição que ela pode dar na realização do trabalho.
“Por se emocionarem diante daquilo que você apresenta, por reconhecerem-se naquilo. É bom quando apresento um figurino, que é parte da história ou representa uma canção para a pessoa que viveu aquilo, e a pessoa se emociona. É o que eu tenho vivido com o Ney aqui”.

Ney no barracão
Ser enredo de uma escola de samba nunca passou pela cabeça de Ney Matogrosso e nem era uma vontade que tinha. Inclusive, já havia até sido sondado outras vezes e não aceitou.
“Inicialmente, eu nunca pretendi ser enredo de escola de samba e nem fui muito ligado. Já desfilei, quando a Mangueira ganhou com [enredo sobre] o Chico [Buarque]. Quando Cazuza foi homenageado em uma escola do segundo grupo, eu fui lá. Mas nunca foi uma questão para mim a necessidade de estar no carnaval, desfilando”, confidenciou à Agência Brasil.
Agora, depois de tanto tempo, resolveu aceitar. “Recebi esta proposta do Leandro e, não sei porque, achei que era hora de aceitar uma coisa dessas. Desde os anos 70 me convidavam. Aí, achei que deveria aceitar dentro do contexto deles”.
Ney não só aceitou, como tem se envolvido bastante no desenvolvimento do enredo e gostado muito do que presencia.
“[Estou] o mais próximo possível. Tudo que me pedem, eu faço e estou ficando muito satisfeito com o que estou vendo. Já fui várias vezes no barracão e estou vendo as maravilhas que o Leandro está fazendo”.
“É claro que na hora do desfile é que vou sentir o baque, mas estou muito feliz com o que estou vendo. É tudo muito caprichado. Enfim, nunca aceitei fazer isso, mas estou gostando da experiência”, explicou.
A presença do artista por perto tem favorecido muito o trabalho do carnavalesco, que apontou que é diferente aceitar ser enredo e participar da construção do desfile.
“Além do universo musical, ele é um cara também do universo estético”, contou, acrescentando que, quando vai ao barracão, por exemplo, o cantor quer ver os figurinos e faz comentários.
“Desde que esse enredo se tornou realidade, eu estou voando em céu de brigadeiro dentro do processo criativo. Estou feliz, alegre pra caramba”, concluiu satisfeito.
Conheça os enredos e a ordem dos desfiles do Grupo Especial do Rio de Janeiro
1º dia – domingo (15/2)
- Acadêmicos de Niterói – Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil;
- Imperatriz Leopoldinense – Camaleônico;
- Portela – O Mistério do Príncipe do Bará;
- Estação Primeira de Mangueira – Mestre Sacacá do Encanto Tucuju – o Guardião da Amazônia Negra.
2º dia – segunda-feira (16/2)
- Mocidade Independente de Padre Miguel – Rita Lee, a Padroeira da Liberdade;
- Beija‑Flor de Nilópolis – Bembé do Mercado;
- Unidos do Viradouro – Pra Cima, Ciça;
- Unidos da Tijuca – Carolina Maria de Jesus.
3º dia – terça-feira (17/2)
- Paraíso do Tuiuti – Lonã Ifá Lukumi;
- Unidos de Vila Isabel – Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um Sambista Sonhou a África;
- Acadêmicos do Grande Rio – A Nação do Mangue;
- Acadêmicos do Salgueiro – A delirante jornada carnavalesca da professora que não tinha medo de bruxa, de bacalhau e nem do pirata da perna-de-pau.
Cristina Índio do Brasil – repórter da Agência Brasil
Notícias do dia com o Jornal TVT News Segunda Edição | 11-02-2026
Acompanhe o Jornal TVT News Segunda Edição desta quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026. Veja quais são as notícias do dia com a equipe do jornal TVT News.
O que é notícia neste 11 de fevereiro de 2026 no Jornal TVT News Segunda Edição
- Justiça mantém homenagem a Lula no Carnaval
- Mala com dinheiro é jogada pela janela durante operação da PF
- TSE aponta doações de pessoas mortas em campanha de 2022
- PF desmonta rede internacional de estupro e abuso online
- Anvisa amplia uso da vacina contra HPV para novos tipos de câncer
- Quaest mostra Lula à frente em cenários de 2º turno em 2026
- Brasil poderá ver raro alinhamento de seis planetas
TVT News Segunda Edição: serviços nas telas da TVT
O jornal TVT News Segunda Edição é comandado por Don Ernesto, apresentador do programa de entrevistas da TVT, Conversa sem Curva. Além das notícias da tarde, o telejornal trará o cotidiano das cidades e comentaristas.
“O jornal TVT News Segunda Edição comenta o que foi notícia no dia, traz serviços de utilidade pública, entrevistas com analistas da política, da cultura e da economia e repercute os fatos que estão em alta nas redes sociais”, conta o apresentador Don Ernesto.
O jornal TVT News Segunda Edição pode ser acompanhado na TV aberta digital, canal 44.1 na capital paulista e grande São Paulo, pelo YouTube da TVT: https://www.youtube.com/@redetvt com cortes nas redes sociais da TVT News (Instagram, Tik Tok, Kawai, Facebook e Linkedin).
“Esta é a segunda estreia da TVT News no mês de abril. Com os dois telejornais, pela manhã e pela tarde, a TVT está ainda mais próxima do público e dos principais acontecimentos do Brasil e do mundo”, conta o presidente da TVT, Maurício Junior.
Jornal TVT News: manhã e tarde com os trabalhadores
TVT News tem, a partir de agora, dois telejornais, o jornal TVT News Primeira Edição, das 10h30 às 13h e o Jornal TVT News Segunda Edição, das 16h às 18h. Os dois noticiários fazem parte das transformações de programação e na linguagem que começaram em agosto de 2024 quando o site TVT News foi lançado.
“Nossa estratégia de unificar a redação e diversificar conteúdos vem se mostrando acertada. Agora nossos esforços estão concentrados em aumentar a audiência e estrear novos produtos”, explica o Diretor de Conteúdo da TVT News, Ricardo Negrão.

Veja também: as notícias mais lidas da TVT News
Veja quais são as notícias mais lidas do último mês na TVT News:
- Reajuste piso professores: governo Lula anuncia aumento do piso salarial em 5,4%
- Arsenal x Corinthians: Arsenal supera Corinthians feminino na final do Mundial de Clubes
- 26 livros para ler em 2026
- Globo de Ouro 2026: Brasil conquista 2 prêmios; confira todos os vencedores
- Will Bank é liquidado pelo BC: o que fazer se você tem conta?
Caso de racismo em escola particular de Campinas expõe falhas institucionais
A Polícia Civil investiga uma denúncia de racismo feita pelo porteiro Rodnei Ferraz contra alunos de uma escola particular em Campinas (SP). O caso, ocorrido em 15 de dezembro de 2025, também é apurado pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), que abriu procedimento para analisar a conduta da instituição após o trabalhador relatar as ofensas e ser demitido dias depois.
Segundo boletim de ocorrência registrado por Ferraz, três estudantes do ensino médio que estavam na unidade para realizar provas de recuperação passaram a fazer tumulto nas dependências da escola, localizada no distrito de Barão Geraldo. Ao pedir que cessassem a confusão, o porteiro afirma ter sido alvo de ataques racistas.
“Mas aí ele chegou e falou: ‘eu pago o seu salário, você é um sub-raça, um negro sujo e um macaco’”, relatou Rodnei Ferraz ao g1. Em outro trecho da entrevista, ele descreveu o impacto da agressão: “É revoltante, porque você se sente frágil, e impotente com essa situação ridícula que aconteceu comigo”.
Ferraz trabalhava na unidade desde 1º de agosto de 2025, conforme confirmou o próprio colégio em nota. Ele afirma que, após comunicar o episódio à direção, foi desligado da função. Para o trabalhador, a demissão ocorreu em retaliação à denúncia. A escola, por sua vez, nega qualquer vínculo entre os fatos.
Em nota oficial, o Colégio Objetivo Barão Geraldo declarou que “repudia qualquer ato de racismo e todo tipo de preconceito” e que seus valores estão “respaldados na formação humana, tratada como um importante pilar no desenvolvimento dos alunos”. A instituição afirmou ainda que desenvolve trabalhos contínuos, da Educação Infantil ao Ensino Médio, para fortalecer princípios como respeito, empatia e responsabilidade social.
Sobre o episódio específico, a escola informou que o caso foi tratado “com extrema cautela, profunda atenção e seriedade uma vez que envolve menores de idade” e que houve contato com alunos, colaboradores e famílias. Segundo o comunicado, “a acusação do funcionário foi apurada internamente, tendo os alunos negado a prática de qualquer ato racista”. O colégio também sustenta que “o desligamento do funcionário não teve qualquer ligação com os fatos” e declarou estar colaborando com as autoridades competentes.
A Polícia Civil instaurou procedimento para apurar possível ato infracional, uma vez que os envolvidos são menores de idade. O caso poderá ser encaminhado à Vara da Infância e Juventude. Paralelamente, o MPT investiga se houve falha da instituição na adoção de medidas adequadas diante da denúncia e se a demissão pode configurar retaliação a um trabalhador que comunicou prática discriminatória.
Fepesp repudia caso de racismo
Entidades ligadas à educação reagiram ao episódio. A Federação dos Professores do Estado de São Paulo (Fepesp) manifestou repúdio ao caso, classificando-o como “grave e inaceitável, especialmente por ter ocorrido em ambiente educacional”. Em nota, a federação ressaltou que “racismo é crime e constitui violação dos direitos humanos” e afirmou que nenhum trabalhador pode sofrer retaliação por denunciar práticas discriminatórias. A entidade também destacou que instituições de ensino têm responsabilidade na prevenção e no enfrentamento desse tipo de conduta e defendeu “a apuração rigorosa dos fatos”.
O caso reacende o debate sobre racismo estrutural no ambiente escolar e a responsabilidade institucional diante de denúncias envolvendo trabalhadores. Enquanto a investigação policial e o procedimento no MPT seguem em curso, a apuração dos fatos deverá esclarecer se houve crime de racismo e se a dispensa do porteiro teve relação com a denúncia apresentada.
Lula ganharia de Flávio em eventual 2º turno, diz Quaest
A mais nova rodada da pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira, confirma a força política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) diante do cenário eleitoral de 2026. O levantamento, realizado entre os dias 5 e 9 de fevereiro com 2.004 eleitores em 120 municípios, mostra o petista vencendo todos os sete cenários simulados para um eventual segundo turno – um desempenho que atesta sua resiliência. Leia em TVT News.
No confronto mais provável, contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Lula aparece com 43% das intenções de voto, contra 38% do filho do ex-presidente. A vantagem de cinco pontos, dentro da margem de erro de dois pontos, mantém o presidente em posição confortável. Brancos e nulos somam 17%, e indecisos são 2%.

O resultado adquire ainda mais relevância quando considerado o contexto: Flávio Bolsonaro, que há apenas três meses ensaiava consolidar seu nome como herdeiro político do pai, segue numericamente atrás do presidente, sem conseguir reverter a dianteira petista. Em janeiro, Lula tinha 45% no mesmo confronto. A oscilação para 43% é tecnicamente irrelevante e mantém o presidente como franco favorito.
Nos demais cenários de segundo turno, a distância de Lula para seus adversários é ainda mais expressiva. Contra Ratinho Júnior (PSD), o presidente registra 43% a 35%. Diante de Ronaldo Caiado (PSD), são 42% a 32%. Frente a Romeu Zema (Novo), Lula pontua 43% a 32%. E no embate com Eduardo Leite (PSD), o petista alcança 42% contra 28% do governador gaúcho.

1º turno: Lula consolida vantagem
No primeiro turno, a liderança de Lula segue inabalada. No cenário mais competitivo, que inclui Lula, Flávio Bolsonaro, Romeu Zema, Ronaldo Caiado, Aldo Rebelo (DC) e Renan Santos (Missão), o presidente tem 35% das intenções, contra 29% de Flávio. Os demais candidatos pontuam entre 1% e 8%, escancarando a fragmentação da direita e a ausência de um nome capaz de unificar o campo adversário.
Os números mostram que, mesmo após três anos de mandato, com todas as dificuldades herdadas e os desafios impostos pela conjuntura internacional, Lula segue como o nome mais lembrado e preferido por parcela expressiva do eleitorado. O índice de desconhecimento dos demais pré-candidatos é altíssimo: nomes como Ratinho Júnior, Caiado e Zema são desconhecidos por mais da metade da população, o que evidencia a falta de capilaridade da oposição fora do núcleo bolsonarista radicalizado.

Atualmente, 45% dos brasileiros aprovam o trabalho do presidente Lula, enquanto 49% desaprovam. A diferença de quatro pontos estável em relação ao mês anterior e reflete muito mais o cenário conjuntural do que um julgamento definitivo sobre o mandato. Especialistas apontam que o número tende a reagir à medida que os efeitos das políticas de estabilização de preços e geração de emprego comecem a fazer efeito.
Sobre a permanência do presidente no cargo, 39% defendem que Lula merece continuar por mais quatro anos. O índice, embora minoritário no momento, supera a taxa de eleitores que declararam voto em Lula no primeiro turno (35%), indicando que há um contingente expressivo de brasileiros que reconhecem a importância de dar continuidade ao projeto em curso – mesmo que, por ora, ainda estejam indecisos ou cogitem outras alternativas.
Medo da volta de Bolsonaro ainda predomina
Um dos dados mais reveladores da pesquisa diz respeito ao sentimento do eleitorado em relação aos cenários futuros. Para 44% dos brasileiros, o que mais assusta é a volta de Jair Bolsonaro ao poder. Apenas 41% temem mais quatro anos de Lula. O percentual de quem teme a volta do ex-presidente, mesmo diante de sua atual inelegibilidade, supera o índice de quem rejeita a permanência do atual mandatário.

O dado sugere que, para parcela relevante da população, o período Bolsonaro deixou marcas profundas – e o fantasma de seu retorno ainda ronda o imaginário nacional. A polarização, nesse sentido, segue favorável a Lula: enquanto o petista representa para muitos a estabilidade democrática e a retomada de políticas sociais, a família Bolsonaro carrega o peso da rejeição acumulada nos quatro anos do governo anterior.
Indicação de Flávio divide opiniões
Sobre a decisão de Jair Bolsonaro de lançar o filho como candidato, o país está dividido. Quase metade dos eleitores (44%) considera que o ex-presidente acertou na escolha. Outros 42% acreditam que ele errou. O equilíbrio reflete o caráter ainda experimental da candidatura de Flávio, que não conseguiu, até o momento, ampliar seu eleitorado para além da base bolsonarista mais fiel.

Um indicador chama a atenção: 49% dos eleitores afirmam que não votariam no candidato indicado por Bolsonaro. Apenas 22% dizem que votariam em qualquer nome escolhido por ele. Os números revelam os limites do capital político do ex-presidente e sugerem que Flávio terá enormes dificuldades para conquistar o eleitorado moderado.
Economia: desafios e expectativas
Na área econômica, a pesquisa captura as dificuldades do momento, mas também aponta espaço para recuperação da confiança. Embora 49% avaliem que a economia piorou nos últimos 12 meses e 77% relatem alta nos preços dos alimentos, a expectativa em relação ao futuro apresenta sinais de reação.
Quando questionados sobre os próximos 12 meses, 42% dos entrevistados acreditam que a economia vai melhorar – um índice expressivo diante do atual quadro. O número reforça a percepção de que, apesar das turbulências, o eleitorado preserva certa dose de esperança e reconhece que o governo tem condições de reverter o cenário.

Sobre a direção do país, 31% avaliam que o Brasil segue no caminho certo. Embora minoritário, o índice supera a taxa de intenção de voto dos principais adversários de Lula e revela que a base de sustentação do projeto petista segue fiel e mobilizada.
Direita quer impedir desfile da Acadêmicos de Niterói
Partidos e políticos da direita querem impedir o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói. A escola trará o samba-enredo “Lula, o operário do Brasil”, narrado em primeira pessoa por uma retirante nordestina: Dona Lindu, mãe do presidente. Especialista diz que ações contra o desfile podem configurar censura à liberdade artística. Leia em TVT News.
Samba-enredo de Acadêmicos de Niterói vira alvo da direta
Ações de políticos e partidos de direita querem impedir e punir a escola de samba Acadêmicos de Niteró, que vai homenagear a história de Dona Lindu, a mãe do presidente Lula, no samba-enredo “Do alto do mulungu surge a esperança:Lula, o operário do Brasil“.
A Acadêmicos de Niterói abre o desfile do grupo especial do carnaval do Rio de Janeiro, no domingo, dia 15.
Para a advogada Hevelin Agostinelli, essas ações podem se configurar como censura à liberdade artística no Carnaval.
Desfile seria propaganda eleitoral? Advogada diz que não e aponta riscos de censura
Para analisar os limites legais da questão, a TVT News conversou com a advogada Hevelin Agostinelli. Segundo ela, a tentativa de barrar previamente o desfile pode configurar censura, prática vedada pela Constituição Federal.
Para Hevelin, “o que confira propaganda antecipada seria o pedido explício de voto no candidato Lula”. A menção ou homenagem a uma autoridade não caracteriza, por si só, infração legal. “Não há como o presidente Lula apagar a história dele”, disse a advogada
De acordo com juristas, a liberdade artística é protegida pelo artigo 5º da Constituição, que garante a livre manifestação do pensamento e a expressão intelectual, artística e cultural, independentemente de censura ou licença.
Durante a entrevista com Hevelin Agostinelli, os comentaristas do Jornal TVT News primeira edição, destacaram que o Carnaval é, historicamente, um espaço de crítica social e de representação simbólica da realidade brasileira. Para eles, classificar automaticamente o enredo como propaganda pode desconsiderar o caráter artístico da obra.
Especialistas lembram que a legislação eleitoral estabelece regras específicas para propaganda política, especialmente em período de campanha. No entanto, fora desse contexto, manifestações culturais que abordem figuras públicas não são automaticamente enquadradas como propaganda irregular.
Partido Novo quer classificar samba-enredo como propaganda eleitoral
O partido Novo entrou na terça-feira, 10, com representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o presidente Lula, o Partido dos Trabalhadores e a escola de samba Acadêmicos de Niterói.
A sigla argumenta que há propaganda eleitoral antecipada por causa do samba-enredo escolhido pela Acadêmicos de Niterói para o Carnaval de 2026.
O que diz a ação do Novo no TSE:
- o partido diz que o enredo e a divulgação do samba-enredo nas redes sociais teriam conteúdo eleitoral, citando, entre outros pontos:
- referência à polarização de 2022;
- uso de jingles ligados a campanhas petistas;
- menção ao número do PT;
- expressões que, segundo o partido, equivaleriam a pedido de voto.
- o Novo argumenta que o desfile extrapola os limites de uma homenagem cultural e passa a funcionar como peça de pré-campanha
Damares Alves aciona MP Eleitoral
A senadora Dameares Alves (Republicanos-DF) entrou com pedido ao Ministério Público Eleitoral afirmando que o samba-enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o Operário do Brasil” seria propaganda eleitoral antecipada e cita trechos da letra que, segundo ela, fazem promoção pessoal do presidente Lula.
O MP Eleitoral e a o TSE ainda não se pronunciaram sobre essas ações.
Em outra ação, Justiça Federal rejeita ações de Damares e Kataguiri contra Acadêmicos de Niterói
A Justiça Federal rejeitou, na quarta-feira (11), duas ações promovidas pela senadora Damares Alves e pelo deputado federal Kim Kataguiri (União-SP) contra o presidente Lula e a escola Acadêmicos de Niterói, do Rio de Janeiro, por conta do enredo sobre a história do presidente.
Sapucaí é avenida de questionamentos
O Sambódromo da Marquês de Sapucaí já foi palco de desfiles que questionaram desigualdades sociais, denunciaram racismo estrutural e exaltaram lideranças políticas e culturais. Em diferentes momentos, escolas trataram de presidentes, intelectuais, movimentos sociais e episódios históricos.
O Carnaval, além de festa popular, funciona como espaço de elaboração simbólica da memória coletiva. Ao levar à avenida personagens e conflitos, as escolas contribuem para o debate público.
Conheça o samba-enredo da Acadêmicos de Niterói
A Acadêmicos de Niterói prepara uma estreia histórica no Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro em 2026 com uma homenagem a Luiz Inácio Lula da Silva. Campeã da Série Ouro em 2025 com o enredo “Vixe Maria”, a escola será a primeira a desfilar no domingo de Carnaval, trazendo a trajetória de Lula para a avenida.
Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil na Sapucaí
O enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil” foi desenvolvido pelo carnavalesco Tiago Martins e pelo enredista Igor Ricardo.
A proposta é transformar a história de vida do presidente, da infância humilde no agreste pernambucano à ascensão como líder sindical e chefe de Estado, em um símbolo coletivo de superação e esperança.

O samba-enredo da Acadêmicos de Niterói percorre momentos-chave da biografia de Lula, destacando sua infância em Garanhuns, a migração para São Paulo com a mãe, Dona Lindu, e os irmãos; sua militância sindical no ABC paulista e a luta contra a ditadura militar. A árvore do mulungu, citada no título, remete às raízes nordestinas do presidente.
A composição é assinada por um time de nove artistas: Teresa Cristina, André Diniz, Paulo Cesar Feital, Fred Camacho, Junior Fionda, Arlindinho, Lequinho, Thiago Oliveira e Tem-tem Jr. O samba se diferencia pela conotação política e poética, resgatando personagens históricos como Zuzu Angel, Henfil, Wladimir Herzog e Rubens Paiva.
O clipe oficial, produzido pela Leme Filmes, intercala imagens de arquivo de Lula e de programas sociais, como o Bolsa Família. Chico Buarque chegou a ser convidado para participar da composição, mas optou por indicar artistas da comunidade.
Às vésperas do lançamento oficial, Lula recebeu a diretoria da escola e parte dos compositores em Brasília para ouvir o samba-enredo em primeira mão. Ele ganhou uma camisa oficial da agremiação das mãos do presidente Wallace Palhares.
Assista ao clipe do samba-enredo sobre Lula
Conheça os enredos e a ordem dos desfiles do Grupo Especial do Rio de Janeiro
1º dia – domingo (15/2)
- Acadêmicos de Niterói – Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil;
- Imperatriz Leopoldinense – Camaleônico;
- Portela – O Mistério do Príncipe do Bará;
- Estação Primeira de Mangueira – Mestre Sacacá do Encanto Tucuju – o Guardião da Amazônia Negra
2º dia – segunda-feira (16/2)
- Mocidade Independente de Padre Miguel – Rita Lee, a Padroeira da Liberdade;
- Beija‑Flor de Nilópolis – Bembé do Mercado;
- Unidos do Viradouro – Pra Cima, Ciça;
- Unidos da Tijuca – Carolina Maria de Jesus.
3º dia – terça-feira (17/2)
- Paraíso do Tuiuti – Lonã Ifá Lukumi;
- Unidos de Vila Isabel – Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um Sambista Sonhou a África;
- Acadêmicos do Grande Rio – A Nação do Mangue;
- Acadêmicos do Salgueiro – A delirante jornada carnavalesca da professora que não tinha medo de bruxa, de bacalhau e nem do pirata da perna-de-pau.

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Notícias do dia com o Jornal TVT News Segunda Edição | 11-02-2026
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