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Da Redação

IA nas eleições: produzir ficou muito mais fácil, comunicar continua difícil

Por Christian Jauch – Estrategista político e especialista em comunicação, política e tecnologia

A inteligência artificial (IA) entrou de vez nas campanhas eleitorais. Em pouco tempo, ferramentas que antes pareciam restritas a grandes empresas, produtoras ou equipes especializadas passaram a fazer parte da rotina de candidatos, assessores e profissionais de comunicação.

Hoje, uma campanha consegue criar imagens, editar vídeos, desenvolver textos, produzir variações de peças, organizar informações e analisar grandes volumes de dados em uma velocidade que seria difícil imaginar há alguns anos atrás. É uma transformação importante e que tende a crescer ainda mais. O problema é que, em muitos casos, estamos utilizando uma tecnologia extremamente avançada para repetir práticas antigas de comunicação, apenas em uma escala muito maior.

Quem acompanha as eleições há algum tempo conhece bem a lógica que marcou muitas campanhas no passado. Era comum associar a presença política à quantidade de material espalhado pelas ruas. Milhões de santinhos, panfletos, adesivos, faixas e jornais eram produzidos porque existia a percepção de que ocupar fisicamente a cidade significava estar presente na cabeça do eleitor.

Em muitas eleições, principalmente na reta final, a disputa parecia ser também pela quantidade de papel colocado em circulação. A internet mudou completamente esse ambiente, mas nem sempre mudou a forma de pensar das campanhas. O papel diminuiu, mas a lógica do volume permaneceu. Em vez de inundar ruas e calçadas com santinhos, muitas campanhas passaram a inundar redes sociais, grupos de WhatsApp e feeds com cards, vídeos, montagens e conteúdos que, apesar de numerosos, pouco acrescentam à relação entre candidato e eleitor.

O santinho mudou de formato

Talvez uma das imagens mais claras dessa mudança seja o que podemos chamar de “santinho digital”. A estrutura é praticamente a mesma utilizada durante décadas: fotografia do candidato, nome, número, logotipo, slogan e alguma frase genérica. A diferença é que agora esse material aparece em uma tela e pode ser produzido em dezenas de versões em poucos minutos.

A inteligência artificial (IA) acelerou muito esse processo. Com poucos comandos, é possível trocar cenários, criar fundos, adicionar pessoas, gerar textos, modificar iluminação e produzir peças que antes exigiam horas de trabalho. Tecnicamente, é impressionante. Do ponto de vista da comunicação, entretanto, o resultado nem sempre acompanha a capacidade da ferramenta.

A facilidade de produção acabou criando um novo problema para muitas campanhas: a sensação de que produzir mais significa comunicar melhor. Equipes conseguem gerar dezenas de peças em uma tarde e, ao final do dia, existe a percepção de grande produtividade. Mas quantidade de publicação não significa necessariamente relevância.

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ChatGPT. Foto: Julio Bazanini/USP Imagens

Uma campanha pode aparecer várias vezes na tela de uma pessoa e continuar sem criar nenhum vínculo com ela. Pode alcançar milhares de pessoas sem conseguir explicar por que aquele candidato merece atenção. Pode publicar todos os dias e ainda assim não construir reconhecimento, confiança ou identificação. A tecnologia aumentou nossa capacidade de produzir conteúdo, mas não resolveu uma questão que sempre esteve no centro da comunicação política: por que alguém deveria parar para ouvir o que estamos dizendo?

Esse problema fica ainda mais evidente nas redes sociais. O eleitor entra no Instagram ou no TikTok esperando encontrar propaganda eleitoral. Ele está ali para conversar, buscar informação, acompanhar pessoas, assistir a vídeos ou simplesmente se distrair. No WhatsApp, a dinâmica é ainda mais pessoal: o ambiente é formado por familiares, amigos, grupos de trabalho e relações próximas.

Quando uma campanha entra nesses espaços com uma comunicação excessivamente publicitária, artificial ou repetitiva, ela passa a disputar atenção com conteúdos que possuem muito mais significado para aquela pessoa. Não basta estar presente. É necessário encontrar uma razão para que o eleitor queira prestar atenção.

Quando a tecnologia deixa a comunicação artificial

Outro ponto que começa a aparecer com frequência é o excesso de artificialidade na produção visual. A inteligência artificial permite melhorar fotografias, corrigir iluminação, ampliar imagens e criar composições com uma qualidade cada vez maior.

Mas também permite ultrapassar facilmente uma linha perigosa para a comunicação política. Já vemos candidatos com rostos modificados, expressões que não correspondem à fotografia original, pele excessivamente tratada, cenários artificiais e imagens que parecem pertencer mais a uma campanha publicitária fictícia do que à vida real. Em alguns casos, o rosto do candidato muda tanto de uma peça para outra que a própria identidade visual começa a perder consistência.

Esse tipo de erro é especialmente relevante na política porque existe um elemento que não pode ser tratado apenas como estética: confiança. Uma marca comercial pode trabalhar com imagens altamente produzidas e ainda manter seu posicionamento. Um candidato depende do reconhecimento humano. O eleitor precisa olhar para aquela fotografia e reconhecer a mesma pessoa que encontrou em uma caminhada, que viu em uma entrevista, que apareceu em um vídeo ou que esteve em uma reunião no bairro. Quando a tecnologia começa a criar uma versão idealizada demais do candidato, o material pode até ficar mais bonito, mas também pode ficar menos verdadeiro. E, em política, a percepção de artificialidade pode criar justamente o efeito contrário ao desejado.

O mesmo vale para os textos produzidos por inteligência artificial. É cada vez mais comum encontrar legendas, discursos e mensagens com estruturas muito parecidas, palavras que dificilmente seriam usadas pelo candidato e uma formalidade que não existe na maneira como aquela pessoa fala. A ferramenta consegue escrever rapidamente, mas ela não conhece automaticamente o repertório, o ritmo, as expressões e a personalidade de quem vai assinar aquela mensagem. Sem direção, contexto e revisão humana, a campanha corre o risco de ganhar eficiência operacional e perder identidade.

A aplicação mais importante da IA pode não estar no post

Existe uma tendência de associar inteligência artificial nas eleições principalmente à geração de imagens, vídeos ou textos. É natural, porque são aplicações visíveis e fáceis de demonstrar. Mas algumas das possibilidades mais relevantes estão justamente nos bastidores.

Uma campanha recebe diariamente uma quantidade enorme de informações por WhatsApp, redes sociais, reuniões, pesquisas, formulários e contato direto com a população. Durante muitos anos, boa parte desse material acabava dispersa ou era analisada apenas de forma intuitiva. A inteligência artificial pode ajudar a organizar esse volume de informações, identificar padrões e transformar milhares de interações em conhecimento para orientar a estratégia.

Imagine uma campanha que recebe dez mil respostas de eleitores pelo WhatsApp. Em vez de simplesmente contabilizar mensagens, é possível identificar quais temas aparecem com maior frequência, quais problemas são diferentes entre determinadas cidades, quais dúvidas se repetem, que argumentos geram maior reação e quais públicos demonstram mais interesse em determinados assuntos.

A tecnologia também pode ajudar a comparar resultados, organizar discursos, resumir documentos, estruturar bases de conhecimento e adaptar informações para diferentes canais. Nesse cenário, a IA deixa de ser apenas uma máquina de gerar peças e passa a participar do processo de inteligência da campanha.

Esse talvez seja um dos usos mais interessantes porque permite algo que a política sempre precisou fazer melhor: ouvir. Durante muito tempo, campanhas tiveram enorme capacidade de falar e pouca capacidade de processar aquilo que recebiam de volta. Agora temos instrumentos capazes de ajudar a entender milhares de respostas em pouco tempo.

É possível perceber diferenças entre regiões, públicos e momentos da campanha e transformar essas informações em decisões mais precisas. Uma mesma mensagem não precisa ser enviada da mesma forma para todos. Uma pessoa que acompanha o candidato há anos não está no mesmo estágio de relacionamento de alguém que acabou de conhecê-lo.

Uma mãe que busca atendimento para o filho não reage necessariamente aos mesmos temas de um comerciante preocupado com segurança ou de um jovem buscando emprego. A tecnologia pode ajudar a entender essas diferenças, mas a decisão sobre como conversar com cada público continua sendo humana.

Mais estratégia e menos produção automática

Nas eleições que vêm pela frente, o acesso à inteligência artificial tende a se tornar cada vez mais comum. Em pouco tempo, praticamente todas as campanhas terão ferramentas capazes de gerar boas imagens, editar vídeos, produzir textos e automatizar uma parte relevante de suas rotinas. Isso significa que o simples fato de utilizar IA deixará de ser qualquer tipo de diferencial. O que vai separar campanhas mais preparadas das demais será a capacidade de integrar tecnologia, estratégia, criatividade, dados e conhecimento real sobre o eleitor.

Existe uma diferença importante entre produzir conteúdo e construir comunicação. Conteúdo é o que uma campanha publica. Comunicação é o que a outra pessoa entende, sente, lembra e eventualmente compartilha. Uma peça tecnicamente perfeita pode passar despercebida.

Um vídeo simples, gravado com linguagem natural e falando sobre um problema real, pode gerar muito mais identificação. Uma mensagem curta enviada no momento correto pode valer mais do que dezenas de posts. Uma história verdadeira pode ter mais força do que uma montagem sofisticada.

Durante muitos anos, vimos cidades amanheceram cobertas de papel depois de uma eleição. Era talvez a imagem mais evidente do excesso de uma determinada forma de fazer campanha. Hoje existe o risco de reproduzirmos esse mesmo comportamento no ambiente digital. Em vez de ruas tomadas por santinhos, teremos feeds, caixas de mensagem e grupos inundados por conteúdos que foram produzidos rapidamente, mas que poucas pessoas querem realmente consumir.

Produzir ficou muito mais fácil. Comunicar continua difícil. E talvez essa seja justamente a questão que as campanhas precisam entender antes de abrir mais uma ferramenta de inteligência artificial e pedir que ela crie o próximo post.

A inteligência artificial oferece às campanhas uma oportunidade extraordinária de trabalhar melhor. Pode ajudar a conhecer o eleitor, organizar informações, testar mensagens, reduzir tarefas repetitivas, personalizar a comunicação e permitir que equipes pequenas tenham capacidades que antes estavam disponíveis apenas para grandes estruturas. Mas utilizar toda essa potência apenas para produzir mais cards seria repetir um erro antigo com uma ferramenta nova.

Sobre o autor


Christian Jauch é publicitário e estrategista político, com mais de 20 anos de experiência em campanhas eleitorais, mandatos e comunicação institucional. Atua na integração entre tecnologia, estratégia e comunicação, com destaque na aplicação tática de Inteligência Artificial para inteligência eleitoral, reputação e blindagem de mandatos.




Os artigos dos colunistas expressam as opiniões individuais da autora ou do autor e não, necessariamente, refletem a opinião da TVT News

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Datafolha divulga nova pesquisa para presidente nesta quinta (17)

O Instituto Datafolha divulga nesta quinta-feira (17) uma nova rodada da pesquisa de intenção de voto para a Presidência da República. Confira os números com a TVT News.

Datafolha 1° turno

  • Lula – 39% (antes 39%)
  • Flávio Bolsonaro – 36% (antes 35%)
  • Cury – 6% (eram 6%);
  • Caiado – 4% (eram 4%);
  • Renan – 3% (eram 3%);
  • Zema – 2% (eram 2%)
  • Em branco/nulo/nenhum: 6% (eram 6%)
  • Indecisos: 3% (eram 4%)

Datafolha 2° turno

  • Lula – 46%
  • Flávio Bolsonaro 44%

Aprovação do presidente Lula, de acordo com o Datafolha

  • Desaprovam: 50% (=)
  • Aprovam: 48% (era 47%)

Avaliação do governo Lula

  • Ruim ou péssimo: 42% (=)
  • Bom ou ótimo: 34% (era 32%)
  • Regular: 23%

Pesquisa espontânea

Nessa pesquisa, o eleitor fala o candidato sem a apresentação dos nomes

  • Lula (PT): 35% (eram 33%)
  • Flávio Bolsonaro (PL): 26% (eram 25%)
  • Escritor Augusto Cury (Avante): 3% (eram 3%)
  • Jair Bolsonaro (PL): 3% (eram 2%)
  • Ronaldo Caiado (PSD): 2% (era 1%)
  • Renan Santos (Missão): 1% (eram 2%)
  • Zema (Novo): 1% (era zero)
  • Outras respostas: 2% (eram 5%)
  • Em branco/nulo/nenhum: 6% (eram 6%)
  • Indecisos: 21% (eram 23%)

O levantamento, contratado pela Globo e pela Folha de S.Paulo, foi realizado entre os dias 15 e 17 de setembro e é o primeiro após a sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a suposta relação do ministro Alexandre de Moraes com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-04029/2026.

Pesquisa Datafolha para presidente em 17 de setembro

  • Faltam 17 dias para o primeiro turno, marcado para 4 de outubro.
  • O campo da pesquisa Datafolha foi realizado entre os dias 15 e 17 de setembro, com 2.002 entrevistados de 16 anos ou mais.
  • É a primeira pesquisa Datafolha após a sessão do STF do dia 15, que discutiu se investigaria o ministro Alexandre de Moraes.

Números da pesquisa Datafolha da semana anterior

Na rodada anterior, divulgada em 11 de setembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparecia com 39% das intenções de voto no primeiro turno, contra 35% do senador Flávio Bolsonaro (PL). Augusto Cury (Avante) registrava 6%.

Na sequência, vinham Ronaldo Caiado (PSD) com 4%, Renan Santos (Missão) com 3% e Romeu Zema (Novo) com 2%.

No cenário de segundo turno, Lula tinha 46% e Flávio Bolsonaro, 44%, resultado considerado empate técnico dentro da margem de erro.

Qual a metodologia da pesquisa Datafolha

A pesquisa, encomendada pela TV Globo e pelo jornal Folha de S.Paulo, ouviu 2.002 pessoas, em formato presencial, nas cinco regiões do país. A margem de erro estimada é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-04029/2026.

O que mostram as pesquisas para presidente divulgadas neste dia 17

Além do Datafolha, outros institutos divulgaram pesquisas para presidente nesta quinta-feira (17). Segundo a TVT News, a rodada da AtlasIntel/Bloomberg mostra Lula à frente no primeiro turno com 44,1%, contra 41,7% de Flávio Bolsonaro. No segundo turno, Flávio aparece numericamente à frente com 47,2%, contra 46,8% de Lula — empate técnico.

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Reprodução da pesquisa para presidente do instituto AtlasIntel em 17 de setembro

A pesquisa PoderData/Aya aponta Lula com 37% no primeiro turno e Flávio com 36%. No segundo turno, Flávio tem 46% e Lula soma 44%.

Já a pesquisa GERP mostra Flávio Bolsonaro liderando no primeiro turno com 40%, ante 37% de Lula. No segundo turno, Flávio atinge 50% contra 43% do atual presidente.

Números da pesquisa Quaest divulgada no dia 14/09

A pesquisa Quaest, divulgada em 14 de setembro, mostrou o presidente Lula liderando o primeiro turno com 36% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro aparecia com 31% e Augusto Cury (Avante) com 7%.

Na simulação de segundo turno, Flávio Bolsonaro aparecia numericamente à frente, com 42%, contra 40% de Lula — empate técnico dentro da margem de erro.

A rejeição também indicou forte polarização: tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro tinham 55% de rejeição. A Quaest entrevistou 2.004 pessoas entre 10 e 13 de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais. A pesquisa foi registrada no TSE sob o número BR-03607/2026

Lula propõe ampliar limite de faturamento do MEI e fim da escala 6×1

O programa apresentado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para um futuro mandato reúne propostas voltadas ao mercado de trabalho, aos microempreendedores individuais (MEIs), à política industrial e à transição energética. Entre as medidas estão a ampliação do limite anual de faturamento do MEI, o aumento das contratações de pequenos fornecedores pelo poder público e a redução da jornada máxima de trabalho. Leia em TVT News.

O documento das propostas de Lula também prevê ações para estimular setores considerados estratégicos pelo governo, como indústria naval, minerais críticos, energia e tecnologias relacionadas à Defesa. As medidas fazem parte do conjunto de propostas divulgado pela campanha.

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Proposta prevê mudanças na jornada de trabalho

Uma das principais propostas de Lula é o fim da escala 6×1, com redução da jornada máxima semanal de 44 para 40 horas, sem redução salarial. O texto também prevê dois dias de repouso semanal remunerado.

A mudança já está em discussão no Congresso. A PEC 221/2019 foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado em 2 de setembro e agora aguarda análise do Plenário. O texto aprovado prevê uma implementação gradual: a jornada máxima passaria para 42 horas semanais dois meses após a promulgação e chegaria a 40 horas depois de outros 12 meses.

A proposta mantém a possibilidade de acordos e convenções coletivas para organizar a distribuição das horas de trabalho e prevê regras específicas para determinados regimes profissionais. A PEC também estabelece que a mudança não poderá resultar em redução dos salários.

Limite do MEI pode subir para R$ 140 mil

Para os microempreendedores individuais, o programa de Lula propõe elevar de R$ 81 mil para R$ 140 mil o limite anual de faturamento permitido para enquadramento na categoria.

A proposta também prevê ampliar o acesso a crédito e o programa Contrata+Brasil, mecanismo que permite a participação de pequenos empreendedores e outros fornecedores em contratações realizadas pelo poder público.

Segundo levantamento do Sebrae de 2025 registrou a abertura de 2,5 milhões de MEIs por pessoas que haviam ingressado no Cadastro Único. O projeto de um futuro mandato de Lula também inclui o Programa Acredita no Primeiro Passo, voltado à oferta de crédito orientado para pessoas inscritas no CadÚnico.

Indústria naval e minerais críticos

Na área industrial, o programa propõe a continuidade de políticas de reindustrialização e a retomada da indústria naval. Outra frente prevista é o processamento, no país, de minerais considerados críticos, com o objetivo de ampliar a participação brasileira nas etapas de maior valor agregado dessas cadeias produtivas.

O programa de governo propõe ainda R$ 860 bilhões disponibilizados pelo Plano Mais Produção, ligado à Nova Indústria Brasil, entre 2023 e 2026.

Transição energética e geração de empregos

Outra área destacada é a transição energética. O programa prevê investimentos em fontes renováveis, biocombustíveis, hidrogênio e infraestrutura relacionada à geração e transmissão de energia.

A indústria naval também aparece associada à geração de empregos. O documento cita dados segundo os quais o setor chegou a aproximadamente 90 mil trabalhadores contratados em junho de 2026, após um período de retração. O programa relaciona essa retomada à construção de embarcações e módulos para plataformas da Petrobras e a investimentos da Transpetro.

Na área de formação profissional, a proposta prevê ampliar a articulação entre a expansão do ensino técnico e superior federal e as demandas dos setores industriais e tecnológicos considerados estratégicos.

Entre as principais medidas apresentadas estão:

  • Fim da escala 6×1: redução gradual da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, com dois dias de repouso remunerado e sem redução salarial;
  • Novo limite para MEIs: aumento do teto anual de faturamento de R$ 81 mil para R$ 140 mil;
  • Contrata+Brasil: ampliação da participação de pequenos empreendedores e fornecedores nas compras públicas;
  • Indústria naval: continuidade das políticas de estímulo ao setor;
  • Minerais críticos: expansão do processamento desses recursos no território nacional;
  • Transição energética: investimentos em fontes renováveis, biocombustíveis e novas tecnologias;
  • Formação profissional: ampliação do ensino técnico e superior em áreas relacionadas às novas demandas industriais.

Supermercado que fazia escala 9×1 é condenado pela justiça do trabalho

A Justiça do Trabalho condenou a rede de supermercados Baratão da Carne, em Manaus, após reconhecer que um funcionário era submetido a uma escala de até nove dias consecutivos de trabalho para apenas um de folga. A decisão foi tomada pela 9ª Vara do Trabalho de Manaus e determinou o pagamento de horas extras, verbas rescisórias, multas e R$ 10 mil por danos morais. A sentença ainda pode ser contestada por meio de recurso. Leia em TVT News.

O processo envolve um trabalhador contratado em julho de 2021 para exercer as funções de operador de caixa e empacotador. O contrato previa inicialmente a escala 6×1. Entre janeiro e outubro de 2025, porém, ele relatou ter passado a cumprir jornadas com períodos maiores sem descanso.

Ao analisar os registros de ponto e os depoimentos apresentados no processo, o juiz Diego Enrique Linares Troncoso identificou jornadas nos formatos 7×1, 8×1 e 9×1. Segundo a decisão, a prática recorrente de trabalhar nove dias para ter apenas um dia de folga caracterizou descumprimento das obrigações previstas no contrato.

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Empresa terá de pagar 594 horas extras

A decisão reconheceu o direito ao pagamento das horas trabalhadas além do limite regular. Foram contabilizadas 594 horas extras, referentes aos períodos correspondentes ao sétimo, oitavo e nono dias de cada ciclo de trabalho, com adicional de 100%.

A condenação também inclui aviso-prévio de 42 dias, 13º salário, férias proporcionais e depósitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), com a respectiva multa de 40%. O cálculo das verbas deve considerar o período entre julho de 2021 e março de 2026 e a média das remunerações recebidas pelo trabalhador nos 12 meses anteriores.

O juiz também reconheceu o pedido de rescisão indireta, mecanismo que permite ao trabalhador encerrar o vínculo empregatício quando o empregador comete uma falta grave. Com a decisão, o encerramento do contrato produz efeitos semelhantes aos de uma demissão sem justa causa.

Processo também relata problemas de higiene e alimentação

Além da jornada de trabalho, o processo reuniu relatos sobre as condições oferecidas ao funcionário durante o expediente. O trabalhador afirmou que precisava permanecer em pé mesmo quando havia cadeiras disponíveis e que superiores diziam que permanecer sentado poderia causar uma impressão negativa diante dos proprietários e dos clientes.

Também foram relatadas dificuldades para utilizar o refeitório aos domingos. Segundo os depoimentos analisados pela Justiça, funcionários precisavam fazer as refeições em corredores ou sentados no chão.

Outro ponto considerado na sentença foi o fornecimento de alimentos que apresentariam sinais de deterioração ou mau cheiro. Uma testemunha relatou ter passado mal após consumir um dos lanches oferecidos. O processo também menciona o uso de panos empregados no manuseio de carnes para a limpeza dos caixas.

Diante dos relatos e das provas analisadas, o magistrado determinou o pagamento de R$ 10 mil por danos morais. A decisão considerou que o fornecimento de alimentos sem condições adequadas de consumo e higiene poderia colocar a saúde do trabalhador em risco.

Supermercado nega irregularidades

Durante o processo, a empresa contestou as acusações apresentadas pelo funcionário. O Baratão da Carne negou que adotasse a escala 9×1 e questionou os documentos apresentados pelo trabalhador. A empresa também afirmou que os cartões de ponto eram válidos e pediu que os pedidos feitos na ação fossem rejeitados.

A Justiça, no entanto, reconheceu a ocorrência das jornadas prolongadas com base nos registros e nos depoimentos analisados no processo. Além das verbas trabalhistas e da indenização, a sentença determina a atualização dos registros funcionais do trabalhador e o pagamento de multa relacionada ao atraso das verbas rescisórias.

A decisão foi proferida em julho pelo juiz Diego Enrique Linares Troncoso, da 9ª Vara do Trabalho de Manaus, vinculada ao Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT-11), referente aos estados do Amazonas e de Roraima.

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Brasileiros avançam às semifinais da Libertadores e da Sul-Americana; veja os confrontos

A reta final das competições continentais tem forte presença brasileira. Na Libertadores e Copa Sul-Americana, quatro clubes do país já asseguraram lugar nas semifinais: Fluminense e Palmeiras na principal competição da Conmebol, e Vasco e Atlético-MG no segundo torneio continental. Leia em TVT News.

O Flamengo ainda disputa uma vaga na Libertadores, enquanto o último semifinalista da Sul-Americana será conhecido após o confronto entre Cienciano e Montevideo City Torque.

Na Libertadores, o Fluminense foi o primeiro brasileiro a confirmar a classificação. O time carioca eliminou o Platense após vencer por 2 a 0 no Rio de Janeiro e perder por 2 a 1 na Argentina. Com o resultado agregado, o Tricolor avançou para a próxima fase e terá o Palmeiras como adversário.

>> Libertadores e Sul-Americana: veja os classificados e os confrontos das semifinais

O clube paulista chegou às semifinais depois de uma classificação decidida nos pênaltis diante da LDU. O Palmeiras havia vencido o primeiro jogo por 1 a 0, em São Paulo, mas perdeu por 3 a 2 em Quito. Na disputa por penalidades, venceu por 4 a 3, com o goleiro Carlos Miguel defendendo duas cobranças.

Flamengo enfrenta Independiente del Valle no Maracanã no jogo de volta da Libertadores e define adversário do Estudiantes nesta quinta

Com a vitória construída em Quito, o Flamengo chega ao Maracanã em uma situação favorável no confronto. A partida está marcada para às 21h30 (horário de Brasília) e terá transmissão pela ESPN/Disney+.

O resultado por 2 a 0 permite ao time de Leonardo Jardim atuar com maior margem de segurança, enquanto o Independiente del Valle precisa buscar uma reação desde o início para equilibrar a disputa. Um gol dos equatorianos recoloca a equipe no confronto, mas ainda obrigaria o adversário a marcar novamente para levar a decisão aos pênaltis.

A derrota em Quito deixou o Independiente del Valle em uma situação na qual qualquer gol sofrido no Maracanã aumenta a dificuldade da missão. A equipe terá de encontrar alternativas ofensivas, especialmente após perder Carlos González, referência no ataque durante a temporada.

Bruno Henrique chega ao confronto em evidência após participar de momentos decisivos nos dois últimos jogos do Flamengo. A manutenção do atacante entre os titulares reforça a estratégia de Leonardo Jardim para a partida, principalmente pela experiência do jogador em partidas eliminatórias e pela capacidade de aproveitar espaços na defesa adversária.

No meio-campo, Arrascaeta aparece novamente entre as opções para iniciar a partida, ao lado de Pulgar e Jorginho. A formação também conta com Samuel Lino e Carrascal ou Plata, enquanto a definição da defesa depende da condição física de Léo Pereira.

O zagueiro é a principal dúvida do Flamengo. Preservado diante do Corinthians por causa de um desconforto muscular, Léo Pereira participou dos treinamentos realizados antes da partida e passará por novos testes. Caso não tenha condições de atuar, Danilo aparece como alternativa para formar a defesa ao lado de Léo Ortiz.

Fluminense x Palmeiras na semifinal da Libertadores

O confronto entre os dois brasileiros será uma das semifinais da Libertadores. O Fluminense chega à terceira semifinal de sua história na competição. Nas duas participações anteriores nessa fase, o clube conseguiu avançar.

Palmeiras avança com drama nos pênaltis

O Palmeiras também garantiu presença nas semifinais da Libertadores, mas precisou passar por uma disputa apertada diante da LDU. Depois de vencer por 1 a 0 em São Paulo, o time paulista perdeu por 3 a 2 no jogo de volta, em Quito, levando a decisão para os pênaltis. Na cobrança das penalidades, o Palmeiras venceu por 4 a 3 e confirmou a classificação.

Palmeiras é o clube brasileiro que mais chegou a semifinais de Libertadores

O Palmeiras, por sua vez, alcançou a 13ª semifinal de Libertadores. O número coloca o clube como o brasileiro com mais participações nessa etapa da competição, à frente de Grêmio e São Paulo, que somam dez cada.

O time comandado por Abel Ferreira também disputa a sétima semifinal nas últimas nove edições da Libertadores. Nesse período, ficou fora dessa fase apenas em 2019 e 2024. O Palmeiras conquistou os títulos de 2020 e 2021.

Fluminense resiste à pressão e volta à semifinal

A classificação do Fluminense teve contornos dramáticos em Buenos Aires.

Depois de construir uma vantagem de 2 a 0 no Maracanã, o Tricolor sofreu dois gols ainda no primeiro tempo diante do Platense e viu a disputa ficar novamente aberta. O time brasileiro teve dificuldades para controlar o meio-campo e encontrou problemas principalmente pelo lado esquerdo da defesa, onde os argentinos conseguiram criar boa parte das jogadas ofensivas.

A reação veio no início da segunda etapa. Hulk encontrou Canobbio dentro da área, e o uruguaio driblou o marcador antes de finalizar para fazer 2 a 1.

O gol devolveu ao Fluminense a vantagem no placar agregado e obrigou o Platense a buscar mais uma vez o ataque para levar a decisão aos pênaltis.

Protagonismo dos goleiros

A partir daí, Fábio assumiu papel importante na classificação. O goleiro evitou que o time argentino ampliasse o placar e, já na reta final, fez duas defesas consecutivas em chutes dentro da área. Com o Fluminense recuado e o Platense acumulando escanteios, o goleiro sustentou o resultado até o apito final.

O retorno do Fluminense à semifinal acontece três anos depois da última presença nessa fase. A equipe chega entre os quatro melhores mesmo depois de uma campanha marcada por momentos de dificuldade e com apenas três vitórias na competição. Na próxima fase, terá pela frente o Palmeiras, em mais um confronto entre clubes brasileiros.

A outra semifinal da Libertadores terá o Estudiantes contra Flamengo ou Independiente del Valle. O Flamengo ainda precisa confirmar sua classificação no confronto diante dos equatorianos.

A possibilidade de uma semifinal totalmente brasileira foi interrompida pelo Estudiantes. A equipe argentina empatou com o Corinthians no primeiro jogo e depois venceu o time paulista por 1 a 0 na Neo Química Arena. O Corinthians ainda teve a oportunidade de buscar o empate no último lance, mas Memphis Depay desperdiçou um pênalti.

Corinthians cai em casa e se despede da Libertadores

Enquanto Fluminense e Palmeiras avançaram às semifinais, o Corinthians deixou a Libertadores diante de sua torcida. A derrota por 1 a 0 para o Estudiantes, na Neo Química Arena, diante de mais de 47 mil pessoas, encerrou a participação corintiana em um confronto no qual o time precisava transformar o apoio das arquibancadas em vantagem dentro de campo.

Memphis Depay perdeu um pênalti decisivo nos acréscimos do segundo tempo

Memphis Depay teve a oportunidade de empatar a partida e levar a decisão para os pênaltis, mas mandou a cobrança para fora. O erro encerrou a esperança de classificação e deixou o Corinthians sem a possibilidade de disputar a vaga nas penalidades.

>> RELEMBRE: Memphis fica no Corinthians após reviravolta nas negociações

A equipe teve dificuldades para criar oportunidades durante praticamente toda a partida. Mesmo com os titulares descansados, que foram poupados no último jogo do Brasileirão contra o Flamengo, o Corinthians encontrou problemas para produzir no ataque e pouco incomodou o goleiro do Estudiantes. A chance da classificação apareceu apenas no fim, a partir de um erro do adversário, mas não foi aproveitada.

O sistema ofensivo formado por Kaio César, Rodrigo Garro e Memphis Depay parece não funcionar. O time acumula cinco derrotas consecutivas no Campeonato Brasileiro e já havia sido eliminado em casa na Copa do Brasil para o Internacional que está na zona de rebaixamento.

Vasco e Boca Juniors fazem semifinal da Sul-Americana

Na Copa Sul-Americana, Vasco e Boca Juniors já têm encontro marcado na semifinal. O time carioca confirmou a classificação diante do Independiente Santa Fe, após vencer por 2 a 0 em São Januário. Na partida de ida, disputada na Colômbia, as equipes haviam empatado sem gols.

O Vasco chega à semifinal depois de atravessar a competição utilizando uma estratégia de rotação do elenco. Na fase de grupos, o clube não utilizou sua equipe titular em nenhuma partida. O time terminou em segundo lugar e contou principalmente com reservas e jogadores formados nas categorias de base.

Com a chegada de Pedro Emanuel, a equipe passou a trabalhar com uma formação-base e uma rotação de jogadores. Segundo a análise apresentada no material, o treinador conseguiu elevar o nível do time principal e também recuperar atletas que estavam em baixa, dando mais opções ao elenco nas competições de mata-mata.

A classificação sobre o Santa Fe veio com gols de Bruno Duarte e David. O sistema defensivo também teve participação importante no resultado, enquanto jogadores que saíram do banco contribuíram para o desempenho da equipe.

São Paulo foi eliminado no Morumbi em pelo Boca Juniors em placar de 1 a 1

O adversário será o Boca Juniors, que eliminou o São Paulo. Depois de vencer por 1 a 0 na Argentina, o time argentino empatou por 1 a 1 no MorumBIS e garantiu a classificação.

O primeiro jogo da semifinal será disputado em La Bombonera, em Buenos Aires. A partida de volta será no Rio de Janeiro, em estádio ainda a ser confirmado.

Atlético-MG elimina Santos nos pênaltis

O Atlético-MG também está entre os quatro semifinalistas da Sul-Americana. O Galo precisou reverter uma desvantagem de dois gols contra o Santos e levou a decisão para os pênaltis.

Depois de perder por 2 a 0 na Vila Belmiro, o Atlético venceu por 4 a 2 no tempo regulamentar, na Arena MRV. Bernard, Cuello e Reinier, duas vezes, marcaram para os mineiros. Pelo Santos, Lyanco, contra, e Gabigol fizeram os gols.

Gabriel Delfim fechou o gol do Galo

O resultado deixou o confronto empatado no placar agregado e levou a decisão para as penalidades. Gabriel Delfim foi decisivo para o Atlético e defendeu cobranças que ajudaram a equipe a vencer por 3 a 1 e avançar.

A partida teve início com gol de Bernard aos 17 segundos. Reinier ampliou pouco depois, mas o Santos descontou em uma bola parada que desviou em Lyanco. Ainda no primeiro tempo, Reinier marcou novamente.

Na etapa final, Gabigol colocou o Santos novamente em vantagem no confronto agregado. O Atlético pressionou nos minutos finais e conseguiu o empate com Cuello, de cabeça, já nos acréscimos.

O Galo não perdoa: a brincadeira não termina…

Cienciano e Montevideo City Torque disputam última vaga da Sul-Americana

A última vaga nas semifinais da Sul-Americana será definida entre Cienciano e Montevideo City Torque. O time peruano venceu o primeiro confronto por 2 a 0 e agora vai ao Uruguai para disputar a partida de volta.

O duelo está marcado para esta quinta-feira (17), às 21h30, no Estádio Centenario, em Montevidéu. O vencedor enfrentará o Atlético-MG na próxima fase.

Com isso, a Sul-Americana já tem uma semifinal definida entre Vasco e Boca Juniors, enquanto Atlético-MG aguarda a definição do adversário.

Entre os brasileiros, portanto, a Libertadores terá Fluminense e Palmeiras em confronto direto por uma vaga na decisão. Na Sul-Americana, Vasco e Atlético-MG representam o país entre os quatro semifinalistas já confirmados, mantendo o futebol brasileiro presente nas duas principais competições continentais de clubes.

Daniel Vorcaro e o pai são chamados pela PF para prestar depoimento

A Polícia Federal marcou para 30 de setembro os depoimentos de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e de seu pai, Henrique Vorcaro. Os dois foram convocados a prestar esclarecimentos no âmbito de uma investigação que apura a atuação de um grupo suspeito de realizar ameaças e ações de intimidação. As oitivas estão entre as últimas diligências previstas nesta etapa do inquérito. Leia em TVT News.

Os depoimentos já haviam sido programados anteriormente, mas acabaram adiados após um pedido apresentado pelas defesas. Daniel e Henrique estão presos em unidades diferentes. Com a nova data estabelecida pelos investigadores, a PF deverá avançar para a conclusão das medidas previstas nesta fase da apuração.

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Investigação mira suposto esquema de intimidação

A investigação conduzida pela PF identificou um grupo que teria atuado para intimidar pessoas consideradas adversárias de Vorcaro e de seus interesses. A apuração menciona a existência de um núcleo chamado “A Turma”, apontado pelos investigadores como ligado a essas ações.

Outro grupo identificado durante as diligências é denominado “Os Meninos”. Segundo a investigação, o núcleo seria formado por hackers e teria sido utilizado em operações contra pessoas que estavam no radar do grupo. Entre as ações investigadas estão invasões de contas e derrubadas de perfis em redes sociais.

A suspeita é de que as atividades tenham sido empregadas como mecanismo de pressão e intimidação. A Polícia Federal ainda reúne elementos para esclarecer a estrutura, o funcionamento e a eventual participação de cada investigado.

Caso faz parte da Operação Compliance Zero

A apuração está inserida na terceira fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas relacionadas ao Banco Master e a pessoas ligadas à instituição. A operação já resultou em outras frentes de investigação e na análise de documentos, equipamentos eletrônicos e mensagens obtidas pelos investigadores.

O material encontrado no celular de Daniel Vorcaro também passou a ser utilizado em diferentes procedimentos. As informações extraídas do aparelho deram origem a novas linhas de apuração e provocaram questionamentos envolvendo autoridades e integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF).

Os diferentes inquéritos têm objetos específicos e não se confundem. A investigação sobre o suposto grupo de intimidação é uma das frentes conduzidas pela Polícia Federal a partir dos elementos reunidos durante a operação.

Vorcaro já prestou depoimento

Daniel Vorcaro já foi ouvido anteriormente pela Polícia Federal. Em depoimento realizado em agosto, o empresário respondeu a questionamentos relacionados às suspeitas investigadas no caso Banco Master.

Na ocasião, ele negou ter oferecido vantagens indevidas a servidores do Banco Central. O empresário também apresentou sua versão sobre as acusações que envolvem a instituição financeira e sua atuação à frente do banco.

Agora, a PF pretende ouvir novamente Daniel, desta vez no contexto específico da investigação sobre o grupo apontado como responsável por ações de intimidação. Henrique Vorcaro também deverá prestar esclarecimentos aos investigadores.

Após os depoimentos, a Polícia Federal deverá avaliar as informações obtidas juntamente com os demais elementos reunidos ao longo das diligências. A análise poderá subsidiar as próximas decisões no inquérito e a eventual conclusão desta fase da investigação.