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Da Redação

Desembargadora atropela MP do governo e autoriza volta de três bets ao Brasil

Volta das Bets? A decisão da desembargadora federal Adriana Pileggi, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3), passou por cima da Medida Provisória (MP) do governo Lula e permitiu que três plataformas de apostas online retomassem suas atividades no Brasil. Leia em TVT News.

A magistrada suspendeu, em caráter provisório, as restrições impostas pela Medida Provisória (MP) 1.394/26 à empresa CDA Gaming, responsável pelas marcas Casa de Apostas, Betsul e Jogo Online.

A Advocacia-Geral da União (AGU), no entanto, já anunciou nesta sexta (6) que vai recorrer da decisão que permitiu o retorno dessas 3 bets.

Com a decisão, os três sites voltaram a ficar disponíveis e receberam autorização para restabelecer os serviços operacionais e financeiros necessários à realização de apostas. A medida, no entanto, não representa uma liberação geral para o mercado de apostas: seus efeitos beneficiam especificamente a empresa que entrou com a ação judicial.

A decisão reacende o debate sobre os limites da atuação do poder público na regulamentação das bets e sobre a proteção dos consumidores diante da expansão das apostas online.

Embora a desembargadora tenha fundamentado o entendimento na segurança jurídica e no pagamento feito pela empresa para obter a licença federal, a decisão contraria, na prática, as restrições estabelecidas pela medida provisória para o caso da CDA Gaming.

>> Relembre: Abras: Famílias compraram mais arroz, óleo, macarrão e café após proibição das bets

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Foto: Valter Campanato/Agência Brasil


Por que as três bets voltaram a funcionar?

A retomada das operações ocorreu depois que a CDA Gaming recorreu ao TRF-3 para contestar os efeitos da MP 1.394/26. A empresa argumentou que havia desembolsado R$ 30 milhões ao governo federal para conseguir autorização para explorar apostas de quota fixa e jogos online por meio das três marcas.

A licença adquirida pela companhia tinha validade até 31 de dezembro de 2029. Por isso, a CDA sustentou que a interrupção das atividades antes do prazo previsto, sem devolução do valor pago ou indenização, representaria prejuízo aos seus direitos.

A desembargadora Adriana Pileggi acolheu esse argumento ao analisar o recurso. Para ela, impedir o funcionamento das plataformas depois do pagamento pela autorização, sem estabelecer qualquer forma de compensação financeira, violaria princípios jurídicos que orientam a relação entre o Estado e os agentes privados.

Entre os fundamentos apresentados estão a segurança jurídica, a confiança legítima, a proporcionalidade, a razoabilidade e a boa-fé. A magistrada avaliou que o poder público não poderia encerrar de maneira repentina uma autorização concedida anteriormente sem considerar as consequências para a empresa que realizou o pagamento.

Em um dos trechos da decisão, Pileggi classificou a ausência de ressarcimento como um “verdadeiro confisco”. A desembargadora também afirmou que a invocação do interesse público não permite que a Administração Pública altere de forma abrupta compromissos assumidos.

“Em suma, é o princípio garantidor do Estado Democrático de Direito, base da confiança que o cidadão deposita no Poder Público. É o princípio da não-surpresa”, escreveu a magistrada.

Decisão contraria entendimento da primeira instância

Antes de recorrer ao TRF-3, a CDA Gaming havia solicitado uma liminar à 26ª Vara Cível Federal de São Paulo. O pedido, porém, foi negado.

Na avaliação da primeira instância, o interesse público relacionado à proteção dos consumidores e das famílias deveria prevalecer sobre os argumentos apresentados pela empresa a respeito da segurança jurídica e dos valores investidos na licença.

O entendimento considerou os possíveis impactos sociais das apostas online e a necessidade de proteger a população dos efeitos negativos associados à atividade. A decisão da desembargadora, por outro lado, deu maior peso à autorização concedida pelo governo e ao pagamento realizado pela companhia.

Com o recurso acolhido, Pileggi suspendeu os efeitos das restrições previstas no artigo 7º da MP em relação à CDA Gaming. A autorização para as três plataformas funcionarem permanece válida até o julgamento definitivo do processo.

A medida libera todas as bets?

Não. A decisão não significa que todas as empresas de apostas estão autorizadas a retomar atividades no país. A determinação judicial alcança a CDA Gaming e as três marcas vinculadas à companhia: Casa de Apostas, Betsul e Jogo Online.

O restabelecimento dos domínios e dos serviços permite que essas plataformas voltem a receber apostas enquanto a disputa judicial não tem uma conclusão definitiva. As demais empresas do setor não são beneficiadas automaticamente pelo entendimento da desembargadora.

Também é importante diferenciar a suspensão provisória de uma decisão definitiva sobre a validade das restrições estabelecidas pelo governo. O tribunal ainda deverá analisar o mérito do processo, e o funcionamento das três marcas está amparado, neste momento, pela decisão liminar.

Disputa expõe tensão entre interesses empresariais e proteção dos consumidores

O caso coloca em evidência duas questões que aparecem no debate sobre a regulamentação das apostas online: de um lado, os direitos de empresas que receberam autorização do Estado e realizaram pagamentos para operar; de outro, a responsabilidade do poder público de estabelecer regras para uma atividade que pode produzir impactos sobre consumidores e famílias.

Antes da MP do governo que proibiu as bets, pesquisas recentes apontaram o aumento da participação da população nas plataformas, crescimento dos casos de comportamento de risco e maior procura por atendimento médico e psicológico relacionado aos jogos.

1,4 milhão de brasileiros desenvolveram dependência em apostas

O III Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (LENAD III) estima que 7,3% da população brasileira, equivalente a 10,9 milhões de pessoas, apresenta padrão de jogo de risco ou problemático. O levantamento aponta ainda que aproximadamente 1,4 milhão de brasileiros desenvolveram dependência relacionada às apostas.

Entre as modalidades de jogo mais utilizadas aparecem as loterias, citadas por 71,3% dos entrevistados, seguidas pelos sites de apostas online, com 32,1%, e pelo jogo do bicho, com 28,9%.

Procura por atendimento médico e psicológioco relacionados às apostas cresce 104% entre 2018 e 2025

Segundo o Guia de cuidados para pessoas com problemas relacionados a jogos de apostas, do Ministério da Saúde, foram registrados 10.553 atendimentos relacionados a jogo patológico e mania de jogo e aposta entre janeiro de 2018 e maio de 2025.

No período analisado, houve crescimento de 104% nos atendimentos. Do total, 4.316 foram realizados em regime ambulatorial, incluindo atendimentos nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps).

O Ministério da Saúde ressalva que os registros não especificam se o jogo patológico ou a mania de jogo e aposta estavam relacionados especificamente às bets. A pasta também alerta para a possibilidade de subnotificação e projeta que a demanda por atendimento continue crescendo.

Em março deste ano, o governo federal criou uma estratégia específica de teleatendimento para pessoas com problemas relacionados a jogos e apostas. O serviço começou com capacidade de 600 atendimentos mensais, mas, diante da procura, foi ampliado para até 100 mil teleatendimentos por mês.

Desde o fim de março, 27.703 pessoas se cadastraram no serviço, segundo o Ministério da Saúde.

Outro indicador é a procura pela ferramenta de autoexclusão das plataformas de apostas, disponibilizada pelo governo federal em dezembro do ano passado. De acordo com informações da Agência Brasil, mais de 1 milhão de pessoas já se inscreveram no serviço.

R$ 62,5 bilhões saíram do orçamento das famílias por conta das apostas online

Um levantamento do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz), em parceria com o Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento (Cicef), calculou o volume de recursos que deixou o orçamento dos apostadores.

Segundo a terceira edição do Boletim Fiscal dos Estados Brasileiros, as bets provocaram uma saída líquida de R$ 62,5 bilhões das famílias brasileiras em 2025.

A chamada saída líquida corresponde à diferença entre o dinheiro colocado pelos apostadores nas plataformas e os valores que retornaram na forma de prêmios. O cálculo, portanto, procura medir quanto permaneceu no setor depois de considerados os pagamentos aos jogadores.

Entre outubro de 2024 e março de 2026, o estudo estimou uma perda média de R$ 4,7 bilhões por mês. Em 2025, os R$ 62,5 bilhões representaram aproximadamente 0,68% da renda disponível das famílias.

O levantamento foi elaborado a partir de dados do Banco Central, das Estatísticas de Pagamentos por Atividade Econômica (Epae) e de análises próprias.

A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), que representa empresas do setor, contestou os resultados. Em nota, a entidade afirmou que o estudo contém “erros graves”, desconsidera fatores macroeconômicos e apresentou como contraponto uma receita bruta oficial de R$ 37 bilhões em 2025.

Bets e as finanças domésticas: 53% dos apostadores já atrasaram alguma conta para apostar

A pesquisa Pulso Apostas 2026, realizada pelo instituto Hibou com 2.470 brasileiros maiores de idade das classes ABCD, aponta que 53% dos apostadores já atrasaram alguma conta para priorizar o dinheiro destinado às bets.

Entre eles, 25% disseram ter atrasado contas uma vez e 28% afirmaram que isso ocorreu algumas vezes.

O estudo também mostra que 59% dos jogadores já cortaram gastos domésticos para financiar apostas. Nesse grupo, 14% disseram ter feito isso uma vez e 45% relataram que o comportamento ocorreu algumas vezes.

Os valores apostados podem parecer pequenos quando considerados isoladamente. Cerca de 36% dos entrevistados disseram gastar entre R$ 21 e R$ 50 por aposta, enquanto 24% afirmaram utilizar até R$ 20.

O problema aparece quando a prática se torna frequente e passa a disputar espaço com despesas básicas. O dinheiro destinado à alimentação, contas da casa, transporte, educação ou outras necessidades pode ser redirecionado para as plataformas quando o jogo passa a ocupar uma parcela crescente do orçamento.

Impacto negativo no PIB: Bets retiraram entre R$ 120 bilhões e R$ 141 bilhões da atividade econômica brasileira em 2025

Um estudo do economista Guilherme Klein, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pesquisador do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades da Universidade de São Paulo (Made-USP), calculou os possíveis efeitos das apostas sobre o Produto Interno Bruto, a arrecadação pública e a desigualdade.

Segundo a pesquisa, as bets teriam retirado entre R$ 120 bilhões e R$ 141 bilhões da atividade econômica brasileira em 2025, o equivalente a aproximadamente 0,9% a 1,1% do PIB.

O estudo estima que esse montante corresponda a entre 40% e 50% de todo o crescimento da economia brasileira naquele ano, calculado em 2,3%.

Dinheiro de apostas deixava de circular em outras atividades de consumo e investimento, prejudicando a economia

A lógica apresentada é que o dinheiro direcionado às apostas deixa de circular em outras atividades de consumo e investimento. Assim, além da perda financeira dos jogadores, o estudo procura dimensionar possíveis efeitos sobre o conjunto da economia.

Klein também comparou a estimativa com os impactos projetados para o chamado tarifaço norte-americano sobre produtos brasileiros. Segundo o estudo, o impacto econômico estimado das bets seria aproximadamente cinco vezes maior que a estimativa citada para as tarifas.

As entidades que representam o setor de apostas, porém, afirmam que os resultados precisam ser analisados com cautela e defendem o aprofundamento da discussão sobre os impactos econômicos e sociais da atividade.

R$ 220,6 bilhões foram destinados a plataformas de bets em 2025

Os brasileiros depositaram R$ 220,6 bilhões nas plataformas de bets em 2025. Desse total, aproximadamente R$ 36,9 bilhões corresponderam às perdas dos apostadores convertidas em receita bruta.

Outros R$ 183,7 bilhões foram destinados ao pagamento de prêmios e à oferta de bônus sacáveis.

Decisão da desembargadora não é definitiva

Até que o processo seja julgado em definitivo, as três plataformas poderão operar com base na autorização restabelecida pelo TRF-3. O desfecho da disputa deverá definir se a empresa poderá manter suas atividades diante das restrições questionadas ou se a medida provisória voltará a produzir efeitos sobre suas operações.

Explode: Janones e Lula fazem “Live da Vitória” com Exército do Lula

Depois da vitória de 25 de outubro, Lula e Janones reencontram o Exército do Lula na Live da Vitória. O público poderá participar com perguntas para o presidente. Assista com a TVT News.

Live do Lula e Janones ao vivo

O deputado federal André Janones (Rede-MG) anunciou uma transmissão ao vivo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta quinta-feira (5), às 19h. Batizada de “Live da Vitória”, a iniciativa pretende celebrar a reeleição de Lula para o quarto mandato e mobilizar a base de apoiadores do governo após a vitória nas urnas. A transmissão será realizada no canal oficial do presidente no YouTube. Leia em TVT News.

O anúncio foi feito por Janones nas redes sociais. O parlamentar convocou integrantes do chamado “Exército do Lula” a compartilhar a divulgação e participar da transmissão. O objetivo, segundo ele, é alcançar a maior audiência da história de uma live política no Brasil.

“A extrema direita está nas cordas. Agora é hora da gente ir para cima e nocautear”, afirmou o deputado, ao convocar a militância para o encontro virtual.

A transmissão também deve abordar o cenário político após a eleição e a mobilização dos apoiadores para o novo mandato presidencial. Na primeira live com Lula após o primeiro turno, realizada em 22 de outubro, a transmissão registrou 1.183.488 aparelhos conectados simultaneamente.

Mobilização digital após a eleição

André Janones ganhou protagonismo na campanha de reeleição de Lula ao organizar o chamado “Exército do Lula”, rede de mobilização digital que utiliza principalmente o WhatsApp para distribuir conteúdos, convocar apoiadores e ampliar o alcance das mensagens da campanha. O grupo cresceu durante o segundo turno e ultrapassou 10 milhões de seguidores, segundo informações divulgadas pelo parlamentar.

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Estratégia de André Janones inspira canais de WhatsApp no exterior

A estratégia de mobilização pela internet foi uma das frentes de atuação da campanha petista na disputa contra o senador Flávio Bolsonaro (PL). Após a vitória, Lula também pediu que os apoiadores mantenham a organização digital e continuem mobilizados durante o novo governo.

Janones afirmou que está recuperado da arritmia cardíaca que provocou sua internação em outubro, depois do debate presidencial da TV Bandeirantes. O deputado recebeu alta hospitalar dois dias após ser internado e declarou que está pronto para retomar as atividades políticas.

Reeleito para o terceiro mandato na Câmara dos Deputados, Janones também afirmou que pretende atuar na sustentação política do governo no Legislativo, sem assumir um ministério.

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Brasil define 27 minerais críticos e estratégicos e estabelece prioridades para o setor

O governo federal definiu uma lista de 27 minerais críticos e estratégicos que deverá orientar as políticas públicas para o setor mineral, a concessão de incentivos e a avaliação de investimentos no país. As substâncias foram distribuídas em três níveis de prioridade, conforme sua importância econômica, os riscos de abastecimento e a posição brasileira nas cadeias produtivas internacionais. Leia em TVT News.

A classificação foi apresentada nesta quinta-feira (5), durante a primeira reunião do Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE), realizada no Palácio do Planalto, em Brasília.

Entre os materiais classificados na faixa de maior prioridade estão terras raras, lítio, grafita e cobre, insumos utilizados em atividades relacionadas à transição energética, à tecnologia, à indústria automotiva e à defesa.

A medida integra a estruturação de uma política nacional voltada a ampliar a participação do Brasil no mercado internacional de minerais estratégicos.

O objetivo é fortalecer a capacidade produtiva do país e estimular investimentos que não se limitem à extração de matérias-primas, mas alcancem também etapas de beneficiamento, processamento e transformação industrial.

A divisão foi estabelecida após a publicação do Decreto nº 13.146, na quarta-feira (4). A norma define os parâmetros que serão utilizados para classificar as substâncias e orientar o trabalho do conselho responsável pela coordenação da política mineral.

Como os minerais foram classificados

A lista está organizada em três categorias. A primeira reúne os materiais considerados prioritários para a atuação estatal, enquanto as demais contemplam substâncias que demandam ações de fortalecimento industrial ou acompanhamento do mercado.

A Classe I, de prioridade alta, reúne nove minerais: terras raras, grafita, lítio, níquel, cobalto, cobre, manganês, silício e urânio. Segundo os critérios apresentados pelo governo, são materiais que combinam riscos geopolíticos elevados, concentração da oferta mundial e poucas possibilidades de substituição por outros insumos.

A classificação indica que essas substâncias deverão receber atenção prioritária nos instrumentos de fomento previstos pela política mineral. A concentração da produção internacional em poucos países pode deixar o abastecimento vulnerável a conflitos, sanções, restrições comerciais e dificuldades logísticas. Por isso, ampliar a capacidade brasileira de produção e processamento desses materiais é considerado estratégico.

Na Classe II, de prioridade média, foram incluídos tungstênio, cromo, vanádio, tântalo, titânio, fosfato, potássio e enxofre. O grupo reúne oito substâncias para as quais o governo prevê medidas de desenvolvimento das cadeias produtivas e redução de vulnerabilidades no abastecimento.

A presença de fosfato e potássio nessa categoria está relacionada à produção de fertilizantes, insumos importantes para a atividade agrícola. A classificação considera, portanto, não apenas as oportunidades industriais e comerciais, mas também a necessidade de garantir o fornecimento de materiais relevantes para setores essenciais da economia brasileira.

Já a Classe III, de prioridade baixa, reúne dez substâncias: nióbio, estanho, ferro, zinco, ouro, magnésio, molibdênio, tório, alumínio e metais do grupo da platina. Esses minerais continuarão sob acompanhamento do governo e poderão passar por reavaliações periódicas.

A presença do nióbio e do minério de ferro nessa faixa não significa perda de importância econômica ou exclusão do interesse estratégico nacional.

A classificação considera também a posição do Brasil na produção mundial e o grau de dependência em relação a fornecedores externos. O país tem participação relevante na produção dessas duas substâncias, enquanto enfrenta desafios em outras cadeias, especialmente nas etapas de processamento e transformação industrial.

Critérios consideram riscos externos e capacidade produtiva

O decreto estabelece cinco parâmetros principais para orientar a classificação: risco geopolítico, concentração da oferta mundial, possibilidade de substituição por outros materiais, posição do Brasil nas cadeias produtivas e vulnerabilidade do abastecimento nacional.

Na avaliação dos riscos geopolíticos, o governo deverá considerar a exposição do fornecimento a conflitos internacionais, sanções, barreiras comerciais, controles de exportação e problemas logísticos. A dependência de poucos países fornecedores também será observada, assim como a capacidade brasileira de desenvolver etapas industriais que reduzam essa vulnerabilidade.

A norma diferencia ainda os conceitos de minerais críticos e estratégicos. Para que uma substância seja considerada crítica, deve ter relevância para a economia nacional e apresentar risco de falta no mercado interno. Entre as áreas consideradas estão a transição energética, a segurança alimentar e nutricional e a segurança e soberania nacionais.

No caso dos minerais estratégicos, a análise também considera a existência de reservas expressivas no Brasil e o potencial de exploração para ampliar as exportações e gerar superávit na balança comercial. A possibilidade de agregar valor à cadeia mineral dentro do território nacional integra essa avaliação.

Os estudos técnicos deverão observar, ainda, questões ambientais e condições das regiões de extração. Entre os aspectos previstos estão a disponibilidade de água, a exposição a eventos climáticos extremos e as possibilidades de reciclagem e reaproveitamento de materiais e resíduos da atividade mineral.

O que muda para as empresas de mineração

A classificação deverá orientar a aplicação dos instrumentos previstos na Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, sancionada em setembro deste ano. Entre as medidas estão mecanismos de financiamento, garantias para projetos e incentivos destinados ao beneficiamento, ao processamento e à industrialização das matérias-primas no Brasil.

A lista também será utilizada como referência para a análise de determinadas operações empresariais. O mecanismo de triagem de investimentos permitirá que o conselho avalie mudanças de controle acionário de empresas mineradoras e contratos de fornecimento relacionados a ativos considerados estratégicos.

A partir dessa análise, o governo poderá aprovar operações, estabelecer condições para sua realização ou negar a homologação de negócios avaliados como incompatíveis com os interesses estratégicos nacionais. As regras que vão determinar quais operações estarão sujeitas a esse procedimento ainda dependem de regulamentação.

A inclusão de uma substância em uma das classes, porém, não assegura automaticamente benefícios fiscais, acesso a financiamento ou habilitação de projetos. As empresas também deverão cumprir as exigências legais aplicáveis à atividade mineral.

Conselho vai coordenar a política de minerais estratégicos

A primeira reunião do CIMCE marca o início da implementação da estrutura responsável por coordenar as ações federais relacionadas ao setor. O conselho é presidido pela Casa Civil. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) coordena o Comitê Executivo e abriga a Secretaria-Executiva.

Entre as atribuições do colegiado estão a classificação dos minerais, a seleção de projetos prioritários, o estímulo à industrialização e a análise de determinadas operações empresariais. O Ministério de Minas e Energia ficará responsável pela elaboração dos estudos técnicos que fundamentarão a avaliação das substâncias.

A lista deverá passar por revisão ordinária a cada quatro anos. Também poderão ocorrer alterações extraordinárias diante de mudanças econômicas, tecnológicas e geopolíticas que modifiquem as condições de oferta, demanda ou relevância dos materiais.

Com a definição das prioridades, o governo estabelece uma referência para direcionar políticas de incentivo e investimentos em um mercado marcado pela disputa internacional por matérias-primas. O desafio colocado para o Brasil é transformar sua disponibilidade de recursos minerais em capacidade industrial, ampliar o processamento interno e fortalecer sua participação nas cadeias globais de energia, tecnologia, agricultura e defesa.

Filho de João Goulart lança livro sobre assassinato do pai pela ditadura

O que realmente causou a morte de João Goulart? Com o óbito declarado em 6 de dezembro de 1976, na Argentina, por infarto fulminante, mas sem comprovações ou evidências que corroborassem essa conclusão, o caso se tornou tema de uma investigação conduzida décadas depois por seu próprio filho, João Goulart Filho, em parceria com o jornalista Alex Solnik. Leia em TVT News.

Em As duas mortes de Jango – O crime que a ditadura tentou esconder, publicado pela Matrix Editora, os autores reconstituem a trajetória política do ex-presidente, o monitoramento a que foi submetido durante o exílio e os relatos que levantaram suspeitas de uma adulteração de remédio.

Após a morte de Jango, não houve autópsia nem exame toxicológico antes do sepultamento. Foi apenas no âmbito das investigações sobre violações de direitos humanos durante a Ditadura Militar, em 2013, que os restos mortais do ex-presidente foram exumados. Divulgado em 2014, o laudo pericial foi inconclusivo e insuficiente para descartar a hipótese de assassinato, o que instigou a busca de seu filho por fatos, esclarecimentos e justiça.

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Goulart Filho considera a trajetória política do pai “meteórica” e, neste livro, ajuda a reconstruir esse período histórico como uma investigação em movimento. Ao acompanhar os últimos dias de Jango, mostra de um lado a tentativa de encerrar rapidamente o caso sob a versão de um infarto; de outro, a memória de um presidente deposto que mobilizava multidões e dividia opiniões.

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Foto: Divulgação

Os autores percorrem a atuação política de Jango desde a aproximação com Getúlio Vargas e a participação na construção do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) até a Presidência da República, entre 1961 e 1964. As Reformas de Base, a crise política que antecedeu o golpe militar e a decisão do então presidente de não organizar uma resistência armada também são relatadas.

A obra também examina articulações políticas de Jango fora do Brasil, em prol da redemocratização, bem como o monitoramento a que ele e pessoas de seu círculo próximo teriam sido submetidos durante o exílio.

Os registros descritos no título apontam para uma rede de vigilância que envolvia agentes ligados aos serviços de inteligência do Brasil, do Uruguai e do Chile, além de referências à CIA, mostrando também os bastidores da chamada Operação Escorpião, articulada dentro da estrutura repressiva da Operação Condor.

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Transporte dos despojos do ex-presidente João Goulart (Jango) – Fotos: Tereza Sobreira/Ministério da Defesa

A hipótese de assassinato aparece nos relatos do ex-agente do serviço secreto uruguaio Mário Neira Barreiro. O depoimento explica a ação de troca de medicamentos, atribui a operação a integrantes dos serviços de inteligência e menciona a participação de um médico-legista.

As duas mortes de Jango é primeira obra a sustentar, com base no conjunto de indícios e registros examinados, a verdadeira causa da morte de João Goulart, em contraposição àquela oficialmente apresentada. Uma leitura indicada para quem se interessa por História e jornalismo investigativo, e para quem quer saber mais sobre crimes encobertos pela ditadura militar brasileira.

Ficha técnica
Título
: As duas mortes de Jango – O crime que a ditadura tentou esconder
Autoria: João Goulart Filho e Alex Solnik  
Editora: Matrix Editora
ISBN: 978-65-5616-716-9
Páginas: 160
Preço: R$ 56,00
Onde encontrar: Amazon, Matrix Editora e livrarias de todo o país

Sobre os autores

João Vicente Fontella Goulart (também conhecido como João Goulart Filho) é autor dos livros “Entre anjos e demônios: poemas do exílio” e “Jango e eu: memórias de um exílio sem volta”, indicado ao Prêmio Jabuti. Filho do ex-presidente João Goulart e de Maria Thereza Goulart, passou a infância e a adolescência no exílio, entre Uruguai e Inglaterra, após o golpe militar de 1964 que depôs seu pai. Formou-se em Filosofia pela PUC do Rio Grande do Sul. Foi um dos fundadores do Partido Democrático Trabalhista (PDT), ao lado do tio Leonel Brizola. Em 1982, elegeu-se deputado estadual pelo Rio Grande do Sul pelo PDT, cumprindo mandato de 1983 a 1987. Em 2018, candidatou-se à Presidência da República pelo Partido Pátria Livre (PPL). Filiou-se posteriormente ao PCdoB, do qual é o presidente em Brasília. Fundou e é o presidente do Instituto João Goulart, dedicado à pesquisa histórica e à defesa da soberania nacional.

Alex Solnik é natural de Drogobytch, na Ucrânia, e mora no Brasil desde 1958. É jornalista profissional desde 1977. Trabalhou nas revistas Isto É, Senhor, Careta, Status, Manchete, Interview, no Jornal da Tarde, Última Hora, Correio Braziliense, Folha da Tarde, Panorama e O Nacional. É autor de “Os Pais do Cruzado Contam por Que Não Deu Certo”, “O cofre do Adhemar”, “A guerra do apagão”, “A última batalha de Napoleão”, “O dia em que conheci Brilhante Ustra”, e coautor, com Paulo Caruso, dos quadrinhos da série “Bar Brasil”, nas revistas Careta e Senhor, e dos livros “Bar Brasil, Bar Brasil na Nova República” e “Ecos do Ipiranga”.

Sobre a Matrix Editora 

Apostar em novos talentos, formatos e leitores. Essa é a marca da Matrix Editora, desde a sua fundação em 1999. A Matrix é hoje uma das mais respeitadas editoras do país, com mais de 1.100 títulos publicados e oito novos lançamentos todos os meses. A editora se especializou em livros de não-ficção, como biografias e livros-reportagem, além de obras de negócios, motivacionais e livros infantis. Os títulos editados pela Matrix são distribuídos para livrarias de todo o Brasil e também são comercializados no site www.matrixeditora.com.br.  

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Presidência da COP30 lança Mapas para acelerar fim dos combustíveis fósseis e combater desmatamento

A Presidência brasileira da COP30 apresentou, na terça-feira (3), dois planos internacionais para acelerar o enfrentamento da crise climática. Os chamados Mapas do Caminho estabelecem diretrizes para a transição para longe dos combustíveis fósseis e para interromper e reverter o desmatamento e a degradação florestal até 2030. Leia em TVT News.

Os documentos foram apresentados pelo presidente da conferência, o embaixador André Corrêa do Lago, e pela diretora-executiva da COP30, Ana Toni, em Brasília. A iniciativa busca transformar compromissos assumidos em negociações climáticas anteriores em ações concretas, políticas nacionais e investimentos.

Os dois Mapas do Caminho foram elaborados a partir de consultas internacionais e são apresentados como contribuições voluntárias da Presidência da COP30. Não têm caráter obrigatório e não serão submetidos a negociação entre os países.

A iniciativa busca dar continuidade aos compromissos do Acordo de Paris e fortalecer a cooperação entre governos, empresas, investidores e sociedade civil. A Presidência brasileira também defende que as futuras conferências do clima mantenham o diálogo sobre a implementação das medidas propostas.

A publicação dos documentos ocorre enquanto a comunidade internacional se prepara para a COP31, prevista para Antália, na Turquia. A mensagem da Presidência brasileira é que os acordos climáticos precisam sair das declarações e se transformar em políticas, investimentos e resultados concretos.

Os dois temas escolhidos estão entre os principais fatores de emissão de gases de efeito estufa. Segundo os documentos, a produção e o consumo de energia respondem por cerca de 75% das emissões globais, enquanto a perda de florestas representa aproximadamente 11%.

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Transição energética exige redução dos combustíveis fósseis

Um dos mapas apresenta caminhos para reduzir progressivamente a dependência de petróleo, carvão e gás natural nos sistemas energéticos. A proposta prevê uma transição justa, ordenada e equitativa, com expansão das fontes de baixa emissão, eletrificação e ganhos de eficiência energética.

O documento defende que a redução da produção de combustíveis fósseis acompanhe a diminuição da demanda, evitando tanto a manutenção de uma dependência prolongada quanto possíveis problemas de abastecimento e aumento dos preços da energia.

A Presidência da COP30 também propõe a criação de um índice para avaliar o grau de dependência dos países em relação aos combustíveis fósseis e sua capacidade de realizar a transição. A ferramenta considera três dimensões: demanda energética, oferta de energia e estrutura econômica.

O plano ainda sugere um esforço coletivo internacional para acelerar a transição até 2033, destacando a necessidade de proteger trabalhadores e comunidades afetadas pelas mudanças no setor energético de forma a atender as especificidades de cada país.

Plano prevê interromper desmatamento até 2030

O segundo documento reúne propostas para conservar, restaurar e promover o uso sustentável das florestas. As medidas abrangem diferentes biomas e ecossistemas, incluindo florestas tropicais, subtropicais, temperadas e boreais, além de manguezais e turfeiras.

De acordo com dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) citados no documento, o desmatamento anual caiu de 17,6 milhões de hectares entre 1990 e 2000 para 10,9 milhões de hectares entre 2015 e 2025. Apesar da redução, o ritmo de destruição continua elevado. As florestas tropicais concentram 88% do desmatamento registrado entre 1990 e 2025.

O plano estabelece cinco frentes de atuação: conservação, manejo florestal sustentável, agrofloresta e bioeconomia, combate à degradação, enfrentamento do desmatamento e restauração de áreas florestais.

O documento chama atenção para a degradação florestal, que ocorre quando a vegetação permanece em pé, mas perde capacidade de armazenar carbono, regular o ciclo da água e sustentar a biodiversidade. Na Amazônia, o avanço do calor, das secas e dos incêndios aumenta os riscos para o equilíbrio do ecossistema.

Financiamento é apontado como um dos principais obstáculos

A ampliação dos recursos destinados à proteção das florestas aparece como um dos principais desafios. Segundo dados do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) apresentados no mapa, o financiamento florestal anual precisa crescer de US$ 84,5 bilhões, em 2023, para mais de US$ 300 bilhões até 2030.

Em 2023, os orçamentos públicos nacionais responderam por 88,3% do financiamento registrado, enquanto os recursos públicos internacionais representaram apenas 3,4%. A Presidência da COP30 defende ampliar os mecanismos de financiamento e facilitar o acesso de países e comunidades aos recursos destinados à conservação.

Os documentos também apontam a necessidade de fortalecer o monitoramento ambiental, a assistência técnica e o combate ao crime ambiental transnacional, além de criar incentivos para cadeias produtivas livres de desmatamento.

Presidente do Paraguai renuncia; vice assume e pedido de impeachment segue

Presidente do Paraguai, Santiago Peña, renuncia em meio à crise bancária. Entenda a crise no Paraguai na TVT News, com informações da AFP em Assunção.

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou nesta quinta-feira (5) em meio a uma crise bancária que congelou os depósitos de quase três milhões de poupadores, enquanto o Congresso debatia a abertura de um processo de impeachment contra ele, anunciou em um vídeo em sua conta no X.

“Tomei a decisão de apresentar minha renúncia à presidência da República (…). Quero pedir desculpas ao povo se, em algum momento, falhei”, disse Peña, ressaltando que sua prioridade é “a tranquilidade dos paraguaios que confiaram suas economias ao nosso sistema financeiro”.

Peña anunciou sua renúncia depois que seu próprio partido retirou o apoio a ele no Congresso.

Processo de impeachment segue no congresso paraguaio; vice assumirá

Minutos mais tarde, os deputados votaram, por unanimidade, pela abertura de um processo de impeachment contra ele, mas rejeitaram abrir um processo semelhante contra o vice-presidente Pedro Alliana, de 52 anos, a quem cabe, portanto, sucedê-lo.

Vídeo: veja o pedido de renúncia de Santiago Peña, presidente do Paraguai

Entenda o que está acontecendo no Paraguai

O Ueno Bank, um dos maiores bancos digitais do Paraguai (atendendo a cerca de 3 milhões de pessoas, quase metade da população do país), entrou em colapso financeiro, levando o Banco Central do Paraguai (BCP) a decretar sua intervenção e fechamento em 3 de novembro de 2026.

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Clientes do Ueno Bank participam de um protesto após a intervenção do Banco Central do Paraguai na instituição, em Assunção, no dia 3 de novembro de 2026. No dia 3 de novembro, o Banco Central do Paraguai assumiu o controle de uma importante instituição financeira ligada ao presidente Santiago Peña, deixando milhões de depositantes — incluindo aposentados — sem acesso ao seu dinheiro. (Foto de DANIEL DUARTE / AFP)

“Nem quero mais falar; não vale a pena, porque fiquei sem dinheiro”, lamentou Reinaldo Gómez, de 48 anos, vendedor ambulante de frutas no centro de Assunção.

“Agora é preciso esperar quatro horas para que nos indiquem a qual banco devemos ir para recuperar o fruto do nosso esforço”, disse ele.

Com cartazes que pediam o “Impeachment de Santi Peña”, os correntistas exigiam poder sacar seu dinheiro após o colapso do Ueno Bank, um dos principais bancos do país, que deixou quase três milhões de clientes sem acesso aos seus depósitos.

Principais acontecimentos com o Ueno Bank

  • Insolvência e Bloqueio de Recursos: O BCP interveio na instituição após constatar que o índice de solvência do Ueno caiu abaixo do mínimo legal, congelando o dinheiro de milhões de correntistas e gerando protestos em Assunção.
  • Prisões e Investigações: A Justiça determinou a prisão preventiva de oito executivos e dirigentes do banco e do Grupo Vázquez (controlador da instituição), incluindo o presidente do Ueno Bank, Juan Manuel Gustale, e o fundador e vice-presidente, Miguel Vázquez. Também foi ordenado o bloqueio de cerca de US$ 70 milhões em bens dos envolvidos.
  • Repercussão Política e Renúncias:
    • O presidente do Banco Central do Paraguai, Carlos Carvallo, renunciou ao cargo.
    • O vice-presidente do país, Pedro Alliana, suspendeu temporariamente sua pré-candidatura à Presidência.
    • Partidos de oposição articularam um pedido de impeachment contra o presidente paraguaio Santiago Peña, devido a antigos laços e supostas ligações políticas com o grupo controlador do banco.
    • Partidos da situação disseram que iriam apoiar o pedido de impeachment.

  • Garantia aos Depositantes: O Banco Central anunciou que os correntistas terão acesso a uma antecipação do Fundo de Garantia de Depósitos (com pagamentos iniciais de até 10 milhões de guaranis, cerca de R$ 9.200), enquanto a agência de classificação de risco Fitch rebaixou a nota do banco para “D” (default/falência técnica)

Qual a relação do presidente do Paraguai com o Ueno Bank

A relação do presidente do Paraguai, Santiago Peña, com o Ueno Bank é direta, comercial e política, sendo o principal fator que desencadeou o pedido de seu impeachment por parte da oposição.

Os principais pontos que conectam o presidente à instituição incluem:

1. Participação societária (Ex-acionista)

Santiago Peña foi acionista da Ueno Holding, o grupo empresarial que controla o Ueno Bank. Ele possuía mais de 6,1 bilhões de guaranis (cerca de R$ 5,6 milhões) em ações. O presidente se desvinculou oficialmente da holding em março de 2025, mas a oposição alega que ele manteve forte influência nos bastidores e se omitiu diante de irregularidades subsequentes.

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Banco Central do Paraguai identificou grave insuficiência de capital no Ueno Bank, ligado ao presidente Santiago Peña; bloqueio dos depósitos levou clientes às ruas e provocou renúncia do chefe da autoridade monetária. Foto: Ricardo Stuckert/PR

2. Conflito de interesses no Banco Central

Ao assumir a presidência em 2023, Peña nomeou Carlos Carvallo para comandar o Banco Central do Paraguai (BCP). Acontece que Carvallo era, até a véspera da nomeação, o presidente-executivo do próprio Ueno Bank. Críticos apontam que essa indicação gerou um claro conflito de interesses, sugerindo que o Banco Central afrouxou regras de fiscalização para favorecer e acobertar os problemas financeiros do banco digital.

3. Ueno Bank, o Master do Paraguai

Durante o governo de Peña, o Ueno Bank registrou uma expansão agressiva e passou a concentrar cerca de US$ 850 milhões em recursos do Estado. Isso incluiu verbas do Ministério da Economia e, principalmente, fundos previdenciários do Instituto de Previdência Social (IPS). A oposição o acusa de manipulação regulatória e favorecimento indevido para inflar o caixa do banco privado com dinheiro público.

4. Empréstimos pessoais e evolução patrimonial

Investigações e declarações juradas do próprio presidente apontam que, enquanto o banco captava dinheiro do Estado, Peña obteve um crédito financeiro de 3,5 bilhões de guaranis (cerca de R$ 3,2 milhões) junto à instituição para financiar projetos pessoais, incluindo a construção de uma mansão de veraneio.

Os opositores utilizam essa transação e o enriquecimento de Peña entre 2017 e 2023 para sustentar as acusações de “benefício patrimonial” e “tráfico de influência”.

O presidente nega qualquer irregularidade e afirma que o colapso é um “caso isolado”. No entanto, a proximidade com os executivos presos e o impacto sobre as economias de milhões de paraguaios destruíram a confiança política em sua gestão.

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