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Da Redação

Likely voter: como a Quaest calcula a abstenção nas eleições 2026

Os institutos de pesquisa estimam a abstenção dos eleitores combinando dados demográficos oficiais com o grau de interesse declarado pelo eleitor. Perguntar apenas “você vai votar?” não basta, pois a maioria diz que sim. Por isso, usam modelos de “eleitores prováveis” (likely voters) para filtrar quem tem mais chance de faltar.

O likely voter — ou eleitor provável —, é uma técnica utilizada para ajustar as projeções considerando a propensão de comparecimento às urnas.

O conceito, amplamente adotado nos Estados Unidos, ganha relevância no Brasil em um contexto de voto obrigatório, mas com taxas significativas de abstenção que distorcem as leituras das intenções de voto.

Como funciona o cálculo e a modelagem do likely voter

  • Cruzamento demográfico: o instituto pega o histórico real de abstenção do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por perfil (idade, gênero, escolaridade e região).
  • Grau de engajamento: no questionário, os pesquisadores medem o ânimo do eleitor, perguntando se tem certeza de que vai votar, se tem interesse na eleição ou se votaria caso o voto não fosse obrigatório.
  • Atribuição de peso: cada resposta ganha um peso estatístico. Quem demonstra desinteresse total recebe uma probabilidade menor de comparecimento.
  • Ajuste final: o resultado bruto da intenção de voto é filtrado por essa probabilidade de presença, dando mais peso aos eleitores engajados antes de divulgar os números finais.

Pesquisa eleitoral: como o likely voter calcula a abstenção e os votos

As pesquisas eleitorais buscam retratar o comportamento do eleitorado no momento da entrevista, mas uma questão permanece: quem efetivamente irá votar? É nesse ponto que entra o likely voter, modelo usado por institutos para estimar a probabilidade de comparecimento às urnas.

No segundo turno de 2022, a Quaest aplicou esse modelo e obteve uma redução de 1,4 ponto percentual na diferença estimada entre os candidatos, aproximando a projeção do resultado oficial. O ajuste demonstra que a técnica, embora não resolva todas as distorções, contribui para minimizar os erros.

O que é o likely voter e como ele é usado nas pesquisas dos EUA

Nos Estados Unidos, onde o voto é facultativo, pesquisas podem separar eleitores registrados daqueles considerados prováveis votantes. O modelo combina informações como intenção declarada de votar, histórico de participação e grau de envolvimento com a eleição.

A lógica é evitar que eleitores registrados, que provavelmente não comparecerão às urnas, tenham o mesmo peso daqueles com maior probabilidade de votar. Os critérios variam entre institutos.

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Nos EUA, a metodologia do Likely Voter é empregada para estimar comparecimento de eleitores. Foto: Casa Branca

No Brasil, a discussão ganha outra dimensão porque o voto é obrigatório e a abstenção ainda representa parcela relevante do eleitorado.

O artigo de Frederico Batista Pereira e Felipe Nunes destaca que pesquisas brasileiras podem precisar incorporar modelos capazes de identificar não apenas quem provavelmente votará, mas também quem poderá mudar de escolha na reta final.

Como a Quaest faz o cálculo de votos válidos nas pesquisas eleitorais

O cálculo de votos válidos exclui votos brancos e nulos e redistribui proporcionalmente as intenções atribuídas às candidaturas.

Já a estimativa de comparecimento é outra etapa: procura identificar quais entrevistados apresentam maior probabilidade de participar da votação.

Na modelagem, informações sociodemográficas e respostas sobre comportamento eleitoral podem ser combinadas para atribuir diferentes pesos aos entrevistados.

O estudo baseado em dados da Quaest mostra como modelos estatísticos podem estimar a propensão individual de escolha e reorganizar respostas de indecisos e eleitores estratégicos.

Pesquisas eleitorais e mudanças tardias na decisão do voto

Uma pesquisa eleitoral não fotografa necessariamente o resultado da urna. Ela registra preferências no período em que as entrevistas são realizadas. O estudo de Pereira e Nunes aponta dois mecanismos capazes de produzir mudanças nos últimos dias: o voto estratégico, conhecido no Brasil como “voto útil”, e o alinhamento tardio dos indecisos.

O eleitor estratégico pode abandonar seu candidato preferido para apoiar uma candidatura mais competitiva, enquanto o indeciso pode definir sua escolha apenas perto da votação. Em 2022, 50% dos eleitores de candidaturas da chamada terceira via diziam ainda poder mudar de escolha, segundo dados citados no estudo.

O caso do 1º turno das eleições de 2022

O primeiro turno de 2022 tornou esse debate especialmente relevante. A última pesquisa Quaest analisada no estudo apontava Bolsonaro com 33,5% e Lula com 43,5%; o resultado oficial foi de 41,3% e 46,3%, respectivamente.

Segundo os pesquisadores, parte da diferença pode estar associada a mudanças tardias. Entre eleitores que se informavam principalmente pela internet, a vantagem de Bolsonaro sobre Lula passou de seis pontos na intenção para mais de 13 pontos no voto posteriormente declarado.

A explicação mais imediata para a divergência foi a de que os institutos teriam cometido erros técnicos — vieses de amostragem, recusas de respondentes ou incapacidade de captar a abstenção. Porém, duas observações enfraquecem essa hipótese.

Primeiro, as mesmas metodologias foram aplicadas no segundo turno e produziram estimativas muito mais próximas do resultado. Segundo, a discrepância não foi isolada: fenômenos semelhantes ocorreram em 2014 e 2018.

Uma explicação alternativa, explorada por Frederico Batista Pereira e Felipe Nunes em artigo publicado na Revista do CESOP, é a de que mudanças reais na distribuição das intenções de voto ocorreram entre a última pesquisa e a votação.

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Quaest adotou a técnica do likely voter após os resultados do 1° turno de 2022. Fotos: Wiki Commons

Os autores argumentam que os mecanismos de voto estratégico e alinhamento de indecisos atuaram de forma intensa nos dias finais da campanha, beneficiando desproporcionalmente Bolsonaro.

Evidências empíricas reforçam essa tese. Um experimento conduzido uma semana antes do primeiro turno mostrou que eleitores da “terceira via” e indecisos apresentavam alta propensão a mudar o voto após assistir a vídeos de campanha.

Os efeitos foram mais pronunciados entre os que receberam mensagens de apelo ao “voto útil”. Além disso, dados da pesquisa Quaest revelaram que eleitores que se informavam principalmente pela internet e eleitores evangélicos alteraram substancialmente sua decisão entre a véspera e o dia da votação.

Eleitores pendulares, que não conseguem ordenar claramente suas preferências, protelam a decisão até o último momento. As campanhas intensificam seus esforços de persuasão na reta final, e a exposição a informações — muitas vezes por meio de redes sociais e aplicativos de mensagem — pode influenciar esses eleitores de forma decisiva.

Como os institutos definem quem será entrevistado?

Institutos definem amostras para representar características do eleitorado e aplicam questionários padronizados. Os resultados passam por ponderações estatísticas para corrigir diferenças entre a composição da amostra e a população.

Por isso, interpretar uma pesquisa eleitoral exige observar metodologia, período de coleta, tamanho da amostra, margem de erro, nível de confiança e critérios utilizados para definir os votos considerados. O likely voter acrescenta outra camada: a estimativa de quem efetivamente deverá comparecer às urnas.

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O método do Likely Voter cruza dados do TSE com informações do IBGE Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Em 2026, portanto, a leitura das pesquisas deve considerar dois movimentos distintos: a abstenção, que pode alterar a composição do eleitorado efetivamente presente, e os chamados changing voters, eleitores cuja decisão ainda pode mudar. O estudo do CESOP sustenta que as pesquisas precisam avançar justamente na identificação dessas duas dimensões.

Como as pesquisas calculam os votos válidos?

A Quaest, um dos principais institutos do país, adota uma abordagem específica para calcular os votos válidos e ajustar suas estimativas. O processo combina dados demográficos oficiais do TSE com perguntas de engajamento incluídas nos questionários.

O primeiro passo é o cruzamento demográfico. O instituto utiliza o histórico real de abstenção por perfil — idade, gênero, escolaridade e região — para estabelecer uma base de comparação. Em seguida, no questionário aplicado aos entrevistados, são incluídas perguntas que medem o grau de interesse e a certeza de comparecimento.

Perguntas como “Você tem certeza de que vai votar?” e “Você votaria se o voto não fosse obrigatório?” ajudam a identificar os respondentes com menor engajamento.

Cada resposta recebe um peso estatístico. Quem demonstra desinteresse total ou incerteza sobre o comparecimento recebe uma probabilidade menor de presença. O resultado bruto da intenção de voto é então filtrado por essa probabilidade, dando mais peso aos eleitores engajados antes da divulgação dos números finais.

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Calcular os votos válidos exige cruzamento de dados e estatísticas. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

O cálculo dos votos válidos também envolve a exclusão de votos nulos e brancos da amostra. A pesquisa apresenta os percentuais de intenção de voto sobre o total de votos válidos, ou seja, desconsiderando os que declararam voto nulo, branco ou indecisão.

Essa prática é padrão no setor, mas tem implicações importantes: ao ignorar os indecisos, assume-se que seus votos, caso compareçam, se distribuirão de forma proporcional aos demais eleitores — uma premissa questionável, como mostram os estudos sobre comportamento eleitoral.

Como são feitas as pesquisas eleitorais?

As pesquisas eleitorais seguem um rigor metodológico que combina estatística, demografia e psicologia do eleitor. O processo começa com a definição do tamanho da amostra, que depende do tamanho da população, do nível de confiança desejado e da margem de erro aceitável.

Para um nível de confiança de 95% e uma margem de erro de 2 pontos percentuais, o tamanho da amostra necessário é calculado por uma fórumula que envolve o valor da distribuição normal para o nível de confiança (aproximadamente 1,96 para 95%), a proporção estimada do fenômeno (adota-se 0,5 para garantir a máxima variância) e a margem de erro em formato decimal.

Para uma margem de 2%, o cálculo resulta em cerca de 2.400 entrevistas.

A margem de erro indica o desvio máximo que o resultado pode apresentar em relação à realidade. Um candidato com 30% das intenções e margem de 2 pontos pode ter entre 28% e 32%. O nível de confiança de 95% significa que, se a pesquisa fosse repetida 100 vezes, em 95 delas o resultado estaria dentro da margem estipulada.

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Cenário testado pelo Instituto Quaest – Reprodução Quaest

Além do cálculo amostral, os institutos aplicam questionários estruturados para coletar informações sobre intenção de voto, avaliação de governo, conhecimento dos candidatos e características sociodemográficas.

As entrevistas podem ser presenciais, por telefone ou online, dependendo da metodologia adotada.

Cada modalidade apresenta vantagens e limitações: o presencial permite melhor controle da amostra, mas é mais caro; o online alcança maior número de respondentes, mas pode introduzir vieses de seleção.

Após a coleta, os dados passam por ponderação estatística para corrigir distorções amostrais. Por exemplo, se a amostra tem mais mulheres do que a população real, o peso das respostas masculinas é ajustado para refletir a distribuição correta.

Em seguida, são aplicados os modelos de likely voter e outros ajustes, como a exclusão de votos nulos e brancos para o cálculo de votos válidos.

Por fim, os resultados são divulgados com a margem de erro e o nível de confiança, para que o público possa interpretar as estimativas com a devida cautela. O objetivo não é prever o resultado com exatidão, mas sim fornecer um retrato da opinião pública no momento da coleta, com todas as limitações inerentes à metodologia.

Lula aperfeiçoa o Contrata+Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou nesta segunda-feira (24) de reunião sobre o Contrata+Brasil, plataforma do governo federal voltada à contratação de pequenos negócios. O encontro ocorre no Palácio do Planalto e conta com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin. Leia em TVT News.

A iniciativa busca aproximar micro e pequenos empreendedores das oportunidades oferecidas pelo poder público, facilitando a participação em contratações e licitações.

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A reunião ocorreu às 15h e integra a agenda do governo para ampliar o acesso de pequenos negócios às compras públicas.

Veja a íntegra da reunião de Lula no Contrata+Brasil

Leia também as últimas notícias da TVT News

Oscar 2027: 15 filmes brasileiros podem disputar vaga

A corrida brasileira por uma vaga no Oscar 2027 começou oficialmente. A Academia Brasileira de Cinema divulgou nesta segunda-feira (24) a lista com 15 filmes habilitados a concorrer à indicação brasileira na categoria de Melhor Filme Internacional da premiação. Leia em TVT News.

A seleção reúne produções de diferentes gêneros e estilos, realizadas por cineastas de trajetórias diversas no cinema brasileiro. Entre os títulos estão obras como 100 Dias, de Carlos Saldanha; Malês, de Antonio Pitanga; Nosso Segredo, de Grace Passô; e Vicentina Pede Desculpas, de Gabriel Martins.

A lista inicial não significa que os 15 filmes disputarão diretamente uma indicação ao Oscar. Eles cumprem os critérios estabelecidos para participar do processo de seleção da Academia Brasileira de Cinema, que terá novas etapas até a definição do representante do país.

Quais filmes podem representar o Brasil no Oscar

Os 15 filmes habilitados pela Academia Brasileira de Cinema são:

  • 100 Dias, de Carlos Saldanha;
  • A Conspiração Condor, de André Sturm;
  • A Fabulosa Máquina do Tempo, de Eliza Capai;
  • A Natureza das Coisas Invisíveis, de Rafaela Camelo;
  • Ato Noturno, de Marcio Reolon e Filipe Matzembacher;
  • Cinco Tipos de Medo, de Bruno Bini;
  • Dolores, de Maria Clara Escobar e Marcelo Gomes;
  • Feito Pipa, de Allan Deberton;
  • Herança de Narcisa, de Clarissa Appelt e Daniel Dias;
  • Nosso Segredo, de Grace Passô;
  • O Rei da Internet, de Fabrício Bittar;
  • Quando Vira a Esquina, de Chris Alcazar;
  • Malês, de Antonio Pitanga;
  • Papagaios, de Douglas Soares;
  • Vicentina Pede Desculpas, de Gabriel Martins.

A relação contempla produções com diferentes abordagens e propostas narrativas. A definição do representante brasileiro será feita por uma comissão formada especificamente para o processo.

Critérios para participar da seleção

Para integrar a lista de habilitados, os filmes precisaram atender às regras estabelecidas pela Academia Brasileira de Cinema. Um dos critérios é o período de lançamento comercial: as produções devem ter estreado em salas de cinema entre 1º de outubro de 2025 e 30 de setembro de 2026.

Também é necessário que os filmes tenham permanecido em cartaz por pelo menos sete dias consecutivos em cinemas comerciais com fins lucrativos, seguindo as condições estabelecidas para a participação na disputa.

A exigência busca delimitar quais produções brasileiras podem entrar no processo de escolha do filme que será submetido à Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, responsável pelo Oscar.

Comissão vai reduzir lista até a escolha do representante

A próxima etapa do processo ocorrerá em setembro. A Comissão de Seleção deste ano será formada por 15 membros titulares. Do total, 12 foram escolhidos por meio de votação entre os associados da Academia Brasileira de Cinema, enquanto outros três foram indicados pela diretoria da instituição.

O grupo se reunirá no dia 9 de setembro para reduzir a relação inicial de 15 produções para seis títulos. Depois dessa etapa, os filmes selecionados passarão por uma nova avaliação.

A escolha do representante brasileiro para a categoria de Melhor Filme Internacional está prevista para ser anunciada em 16 de setembro.

Assim, o filme escolhido pela Academia Brasileira de Cinema será o responsável por representar o Brasil no processo internacional de seleção do Oscar 2027. A produção ainda precisará passar pelas etapas conduzidas pela Academia de Hollywood antes de uma eventual confirmação entre os indicados da premiação.

Cinema brasileiro busca espaço no Oscar

A definição do representante brasileiro ocorre em um momento de atenção internacional ao cinema produzido no país. A presença de uma obra brasileira entre os indicados depende de uma série de etapas, mas a seleção nacional já coloca os 15 títulos no centro da discussão sobre quais produções poderão levar o cinema brasileiro à principal premiação da indústria cinematográfica.

A partir da decisão de setembro, o filme escolhido seguirá para o processo internacional da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. A seleção dos indicados ao Oscar envolve posteriormente uma avaliação dos filmes enviados por diferentes países.

O Oscar 2027, portanto, terá uma etapa brasileira definida antes da divulgação dos concorrentes internacionais. Até lá, os 15 filmes habilitados concentram a disputa pela indicação nacional.

Após grande paralisação dos bancários, tem início a nona negociação com os banqueiros

Teve início na manhã desta segunda-feira, 24 de agosto, a nona negociação entre o Comando Nacional dos Bancários e a Fenaban (federação dos bancos), no âmbito da Campanha Nacional Unificada dos Bancários 2026. A mesa de negociação é a primeira após a grande paralisação nacional da categoria, realizada no dia 20 de agosto.

Os bancários e bancárias de todo o Brasil, de bancos públicos e privados, cobram dos bancos a apresentação de uma proposta global que contemple, entre outros pontos, aumento real para salários e demais verbas; valorização da PLR; aumento do piso; e reajuste maior para os vales alimentação e refeição.

Na negociação anterior, em 18 de agosto, os banqueiros recuaram da proposta de um novo modelo de reajuste por faixas salariais, que seria válido também para o VA e VR, e congelamento do piso de ingresso na categoria.

O recuo ocorreu após o Comando Nacional dos Bancários apresentar os resultados de assembleias em todo Brasil, realizadas em 17 de agosto, quando a categoria rejeitou de forma quase unânime a proposta da Fenaban e aprovou a paralisação ocorrida em 20 de agosto.

Veja links para as notícias de negociações anteriores do sindicato

Datafolha: 50% dos brasileiros vê risco de interferência estrangeira nas eleições

Metade dos eleitores brasileiros acredita que existe possibilidade de outros países interferirem nas eleições de 2026. É o que aponta um novo recorte de pesquisa Datafolha divulgado neste sábado (22). Leia em TVT News.

Segundo a pesquisa Datafolha, 50% dos entrevistados veem algum risco de interferência estrangeira no processo eleitoral, enquanto 43% não acreditam nessa possibilidade. Outros 8% não souberam ou não responderam.

Entre aqueles que identificam risco de interferência, há uma divisão sobre os possíveis efeitos dessa atuação estrangeira. 32% consideram que uma eventual interferência seria um problema para as eleições brasileiras, enquanto 18% dizem que não enxergariam problema nesse tipo de atuação.

O levantamento foi realizado em meio a declarações e medidas de autoridades estrangeiras relacionadas ao processo eleitoral brasileiro. A pesquisa pediu aos entrevistados que considerassem manifestações de líderes de outros países sobre as eleições de outubro.

Percepção muda entre eleitores de Lula e Flávio Bolsonaro

A avaliação sobre a possibilidade de interferência estrangeira varia de acordo com a preferência eleitoral dos entrevistados.

Entre os eleitores que declaram intenção de votar no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 36% dizem acreditar que existe risco de interferência estrangeira e consideram que isso seria um problema. O percentual é maior do que o registrado entre os eleitores de Flávio Bolsonaro (PL), principal adversário de Lula na disputa presidencial, entre os quais 24% fazem essa avaliação.

A diferença também aparece entre aqueles que não considerariam problemática uma eventual interferência. Essa posição é manifestada por 9% dos eleitores de Lula e por 32% dos que pretendem votar em Flávio Bolsonaro.

Já a parcela que não acredita que haverá interferência estrangeira representa 46% entre os eleitores de Lula e 39% entre os de Flávio.

Os números mostram, portanto, que a percepção sobre a atuação de governos estrangeiros no processo eleitoral não é homogênea e acompanha, em parte, a divisão política existente entre os grupos que apoiam os principais candidatos à Presidência.

Tensão com os Estados Unidos

O levantamento foi realizado em um período de tensão nas relações entre o governo brasileiro e a administração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Nos últimos meses, o governo norte-americano adotou medidas comerciais contra produtos brasileiros e voltou a discutir possíveis sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O cenário também envolveu o processo eleitoral brasileiro. Segundo informações citadas no material de divulgação da pesquisa, o jornal The Washington Post informou que Trump planejava enviar auxiliares ao Brasil para levantar questionamentos sobre a integridade e a transparência das eleições brasileiras.

O governo brasileiro também adotou medidas diplomáticas. O Itamaraty recusou vistos a dois funcionários do Departamento de Estado dos Estados Unidos.

Na sexta-feira (21), Lula conversou por telefone com Trump. Segundo as informações apresentadas no levantamento, o presidente brasileiro afirmou que as medidas tarifárias norte-americanas tinham como base alegações que considerou infundadas relacionadas ao Pix, ao etanol brasileiro e a importações com trabalho forçado.

Javier Milei também é visto com desconfiança

A percepção sobre influência estrangeira também ocorre em meio às manifestações do presidente da Argentina, Javier Milei, sobre a política brasileira.

O presidente argentino fez críticas a Lula e ao ministro Alexandre de Moraes e, durante a campanha eleitoral brasileira, participou da convenção do PL que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República.

A participação de Milei no evento aproximou ainda mais o debate sobre as relações internacionais da disputa eleitoral brasileira. O levantamento do Datafolha foi realizado justamente no período em que declarações de autoridades estrangeiras passaram a receber maior atenção dentro do debate político nacional.

Primeiro Datafolha após registro das candidaturas

Este é o primeiro levantamento do Datafolha realizado depois da conclusão do processo de registro das candidaturas e do início oficial da campanha eleitoral.

O dado sobre interferência estrangeira aparece em um cenário de forte polarização política e de atenção crescente às relações do Brasil com outros governos. A percepção registrada pelo instituto também apresenta diferenças importantes entre os grupos de eleitores, especialmente entre aqueles que apoiam Lula e Flávio Bolsonaro.

Apesar de metade dos entrevistados enxergar alguma possibilidade de interferência externa, menos pessoas entendem que isso representaria necessariamente um problema: são 32% do total, contra 18% que identificam a possibilidade, mas não consideram a situação problemática.

Metodologia

A pesquisa Datafolha foi contratada pelos jornais Folha de S.Paulo e O Globo. O instituto entrevistou 2.058 eleitores brasileiros entre os dias 18 e 20 de agosto.

As entrevistas foram realizadas presencialmente em pontos de fluxo populacional. A margem de erro máxima é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, considerando um nível de confiança de 95%.

O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o código BR-04496/2026.

Dino libera acesso da PF a dados de operação contra produtora de Dark Horse

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal (PF) a acessar dados apreendidos pela Polícia Civil de São Paulo em uma operação que investigou a produtora do filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. A decisão permite que o material seja compartilhado com o inquérito que apura a possível utilização de recursos públicos no financiamento da produção. Leia em TVT News.

A informação foi divulgada nesta segunda-feira (24) pela coluna da jornalista Bela Megale, no jornal O Globo. Segundo a publicação, os dados obtidos pela polícia paulista poderão ser incorporados à investigação conduzida pela PF sobre a origem dos recursos utilizados no longa.

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Operação da Polícia Civil investigou produtora do filme

A operação da Polícia Civil de São Paulo ocorreu em junho e teve como alvo Karina Ferreira da Gama, responsável pela produtora Go Up Entertainment, ligada à produção de Dark Horse. A empresária também é ligada ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), organização que entrou no radar das autoridades por suspeitas de fraudes e desvios de recursos públicos em contratos firmados com a Prefeitura de São Paulo.

Durante a operação, foram realizadas buscas em endereços ligados ao instituto, à produtora responsável pelo filme e à própria Karina. Os investigadores apreenderam documentos e equipamentos que agora poderão ser analisados pela Polícia Federal.

Embora a investigação paulista tenha um objeto diferente do inquérito federal, o compartilhamento dos dados pode ajudar a PF a esclarecer a origem do dinheiro utilizado na produção do filme sobre Bolsonaro.

A apuração federal investiga especificamente a possibilidade de recursos públicos, incluindo emendas parlamentares, terem sido empregados no financiamento do longa.

>> Página não foi virada: perito de Dark Horse não sabe destino final do dinheiro de Vorcaro

>> TVT News não esquece: 100 dias do escândalo dos áudios de Flávio Bolsonaro para Vorcaro

PF investiga recursos públicos ligados ao filme

A relação entre Dark Horse e recursos públicos já havia levado Dino a determinar, meses atrás, a abertura de um procedimento específico para apurar possíveis irregularidades na destinação de emendas parlamentares a entidades ligadas à produção do filme.

Documentos sobre os repasses foram retirados de uma investigação mais ampla sobre o chamado orçamento secreto e passaram a tramitar em procedimento separado. Na ocasião, o ministro determinou que a apuração permanecesse sob sigilo.

A Polícia Federal também abriu investigação para verificar a origem e a destinação dos recursos empregados na produção do longa. O objetivo é identificar se houve irregularidades nos repasses destinados a entidades relacionadas ao projeto.

A decisão mais recente de Dino permite que informações obtidas pela Polícia Civil sejam incorporadas à investigação federal. Com isso, documentos e outros materiais apreendidos na operação paulista poderão contribuir para esclarecer as movimentações financeiras relacionadas à produção.

Filme é ligado à campanha de Bolsonaro

Dark Horse retrata a trajetória política de Jair Bolsonaro e sua campanha presidencial de 2018. O ator norte-americano Jim Caviezel interpreta o ex-presidente, enquanto o roteiro é assinado pelo ex-secretário de Cultura e deputado federal Mário Frias.

A produção ganhou destaque político durante a pré-campanha presidencial de 2026, especialmente após a divulgação de informações sobre sua estrutura de financiamento. O senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PL, também passou a ser associado às discussões sobre os recursos utilizados no filme.

Flávio afirmou recentemente que o caso estaria encerrado e que a prestação de contas da produção teria sido realizada. As investigações da PF, entretanto, permanecem em andamento.

O compartilhamento das informações apreendidas pela Polícia Civil amplia o material disponível aos investigadores e pode trazer novos elementos para a apuração sobre a origem dos recursos destinados à produção de Dark Horse.