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Da Redação

Datafolha: Lula aparece à frente em MG e diminui a distância em SP

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece numericamente à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL) em Minas Gerais e reduziu a diferença para o adversário em São Paulo, segundo pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (22). Os dois estados estão entre os maiores colégios eleitorais do país e são considerados estratégicos para a disputa presidencial de 2026. Leia em TVT News.

Em Minas Gerais, Lula registra 46% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro, que soma 42%. Como a margem de erro da pesquisa no estado é de três pontos percentuais, os dois estão tecnicamente empatados.

Já em São Paulo, Flávio aparece com 47%, enquanto Lula tem 42%. Apesar da vantagem de cinco pontos do senador, o resultado representa uma redução da distância entre os dois em comparação com levantamentos anteriores.

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Minas Gerais: Lula lidera no segundo turno

O desempenho de Lula em Minas Gerais chama atenção pela importância estratégica do estado para as eleições presidenciais. No cenário de segundo turno testado pelo Datafolha, o cenário é mais favorável ao presidente, que alcança 46%, quatro pontos a mais que Flávio Bolsonaro. A distância, entretanto, fica dentro da margem de erro.

No primeiro turno, Lula também aparece à frente no estado. O petista registra 37% das intenções de voto, contra 31% de Flávio Bolsonaro. O Datafolha aponta que, nesse caso, em que “as taxas de intenção dos candidatos estão no limite da margem de erro da pesquisa, de 3 pontos percentuais para mais ou para menos, […] o Datafolha avalia a situação de empate como estatisticamente pouco provável, e por isso, considera que o candidato com o maior percentual está de fato à frente.”

>> Quem ganha em Minas ganha no Brasil? Entenda a importância do estado nas eleições

São Paulo: Flávio mantém vantagem, mas diferença diminui

Em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, Flávio Bolsonaro continua à frente de Lula em um eventual segundo turno. O senador aparece com 47%, contra 42% do presidente.

O resultado mostra a mesma vantagem em relação à pesquisa anterior, que apontava 48% para Flávio e 43% para Lula.

O cenário paulista é particularmente relevante para a campanha presidencial porque o estado concentra uma parcela significativa do eleitorado brasileiro. A disputa entre Lula e Flávio também apresenta diferenças importantes entre as regiões do país, com o petista tendo desempenho mais forte no Nordeste e vantagem numérica em Minas Gerais, enquanto o senador se destaca em São Paulo.

Minas Gerais, termômetro das eleições presidenciais

Segundo maior colégio eleitoral do país, Minas Gerais tem mais de 16 milhões de eleitores, o equivalente a cerca de 10% do eleitorado brasileiro. O peso do estado, no entanto, vai além do número de votos. Desde 1989, com exceção de 1994, o candidato que venceu em Minas também terminou eleito presidente do Brasil. O histórico deu origem à expressão “quem ganha em Minas, ganha no Brasil”.

O estado também é considerado uma espécie de retrato da diversidade brasileira. Seus 853 municípios estão distribuídos por regiões com características econômicas e sociais distintas, que vão do agronegócio no Triângulo Mineiro à indústria e aos serviços na Região Metropolitana de Belo Horizonte, passando pela produção de café no Sul e por áreas com características semelhantes às do Nordeste no Norte de Minas e no Vale do Jequitinhonha.

O desempenho dos candidatos em Minas é acompanhado de perto pelas campanhas. Em 2022, Lula venceu em Minas no segundo turno por uma margem estreita e também terminou vitorioso na disputa presidencial.

TVT comemora 16 anos e chega nas TVs da Samsung em setembro

A partir de setembro, a TVT News amplia a sua transmissão, com a entrada do sinal nas TVs Samsung, via modelo FAST Channels. Além de parcerias regionais, este é a quinta distribuição de sinal da empresa, ampliando seu potencial de audiência e do sinal da TV dos Trabalhadores

Para acessar a TVT nas TVs da Samsung, basta abrir o aplicativo da Samsung TV Plus e digitar o canal 2044. 

Esta nova opção para assistir à TV soma-se o canal 44.1 em TV aberta para a Grande São Paulo; ao canal 555 para todo o país via parabólica digital;  à TV a cabo para o ABC Paulista (512) e ao YouTube (@redetvt). 

“A chegada da TVT News à plataforma Samsung TV Plus representa um passo estratégico para ampliar o acesso a um jornalismo comprometido com a democracia, os direitos sociais e a perspectiva da classe trabalhadora, levando o conteúdo da TVT para milhões de televisores conectados em todo o Brasil”, diz afirma Maurício Junior, presidente da TVT. 

Na FAST Channel da Samsung será possível ver toda a programação 24h da emissora, independentemente de assinatura, sinal de TV ou antena parabólica. 

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A TV dos Trabalhadores completa 16 anos e comemora a chegada nas TVs Samsung e crescimento nas redes sociais

“Mais do que expandir audiência, essa nova janela de distribuição fortalece a presença de uma comunicação popular, plural e acessível no ambiente digital, aproximando novos públicos e garantindo espaço para narrativas que dialogam diretamente com a realidade do povo brasileiro”, afirma Junior. 

A Samsung, há quase 20 anos é uma das principais marcas de TVs do mundo. Segundo levantamento das empresas de mercado Counterpoint Research e Omdia, a Samsung lidera as vendas com mais de 29% do mercado de televisores globais. 

Crescimento da TVT em 2026 

A chegada da TVT nos apps da Samsung deve aumentar ainda mais a audiência da TV dos Trabalhadores. Na contagem dos sete primeiros meses de 2026, a TVT já superou os números alcançados no ano passado. 

Desde a reformulação da programação, em 2025, a TVT segue o aumento de audiência nas redes sociais puxada pelo forte crescimento de conteúdos ao vivo, como o carro-chefe dos dois jornais: TVT News Primeira e Segunda Edições e pelos programas Juca Kfouri Entrevista e Conversa Sem Curva.   

“Nossos telejornais estão em crescimento constante. Agora no YouTube, por exemplo, atingimos uma marca inédita: meio bilhão de visualizações na história do canal”, explica Ricardo Negrão, diretor de conteúdo da TVT.   

Em 2025, a TVT teve uma alta de 640% da audiência em redes sociais, e além disso, expandiu seu sinal de TV para a parabólica digital, pelo canal 555 em todo o país. 

Novos programas em agosto 

Em agosto, a TVT News lançou dois novos programas.   

Aos sábados, a partir das 17h, a TVT exibe o “Eleições 2026 em resenha“, com análises aprofundadas das eleições 2026, em parceria com a Opera Mundi e apoio Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), do Instituto Democracia em Xeque (DX) e da Fundação Friedrich Ebert Brasil (FES Brasil) 

Outro programa é a série Jovens Criativos, que acompanha jovens artistas paulistas que transformam diversas formas de arte em caminhos de expressão e geração de renda, com exibição às quintas, às 18h30.  

Parabéns para a Rede TVT

Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região parabeniza a Rede TVT pelos 16 anos de existência e pela marca histórica de 500 milhões de visualizações no YouTube.

Como sintonizar a TVT 

É possível acessar ao conteúdo da TVT de várias formas: pela TV e internet. 

  • Pelo aplicativo Samsung Plus TV, canal 2044 
  • Na TV, na Grande São Paulo, basta sintonizar com antena digital no Canal 44.1 ou no Canal 512 da TV por assinatura para o ABC Paulista.  
  • Em todo o Brasil, na TV parabólica digital (banda Ku) canal 555. 
  • A TVT também pode ser sintonizada em parceria com a TV comunitária do estado da Bahia 

Além do sinal em TV aberta digital, a TVT também pode ser vista no YouTube, no Facebook, no TikTok e no Instagram e Kwai. Na Internet, também está no site tvtnews.com.br 

Rede TVT: quem somos

A TVT é uma emissora educativa outorgada à Fundação Sociedade Comunicação Cultura e Trabalho, entidade cultural sem fins lucrativos, mantida pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e pelo Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região.  

Entre os princípios estão a luta pelos valores democráticos, o combate à desinformação, ao ódio e à intolerância das redes sociais que corroem a democracia. O foco é na valorização do interesse dos trabalhadores e na informação de acontecimentos que afetam a vida das pessoas, no Brasil e no mundo. 

Lula: “Não sou presidente que tenta proibir investigação”

Em entrevista à TV Record veiculada neste domingo (23/08), o presidente Lula reforçou que qualquer cidadão tem direito a defender sua inocência, ao mesmo tempo que disse que ninguém está acima da lei. Leia em TVT News.

Questionado sobre a investigação da Polícia Federal sobre seu filho Fábio Luiz, o candidato à reeleição à presidência afirmou que todos devem agir corretamente e, se não for dessa maneira, têm que responder pelos atos, independentemente de quem for. 

“Ninguém está impune se cometer erro. Eu digo para qualquer pessoa: todos somos obrigados a agir corretamente. Se alguém está agindo de forma equivocada, de forma errada, vai ter que ser investigado. E eu não sou um presidente que tenta proibir investigação. Eu não ameaço mandar ministro embora. Eu não ameaço punir delegado. Investiga-se”, comparou.

Bolsonaro já interveio na Polícia Federal durante investigação do filho

A resposta de Lula vai na contramão da postura do antigo presidente, Jair Bolsonaro, que durante sua gestão ameaçou o chefe da Polícia Federal e o ministro da Justiça se investigassem o filho e atual candidato à presidência, Flávio Bolsonaro (na época, sob denúncias de rachadinha), ou qualquer outro integrante de sua família ou amigo. 

Lula ressaltou que seu filho não tem o “direito de errar”. Isso porque, segundo Lula, a mãe de Fábio e ex-esposa do presidente, Marisa Letícia, teria sido uma das vítimas do uso político da Operação Lava Jato contra o líder brasileiro e sua família, e que Fábio teria presenciado os efeitos desse tipo de episódio dentro de casa.  

Ele sabe o que vivi. Ele conviveu comigo 40 anos, sabe que a mãe dele morreu por causa da Lava Jato. Então, é o seguinte: só ele sabe a verdade. Então, que diga publicamente, que se defenda”. E completou:

Todo mundo tem o direito de provar que é inocente. Se isso acontecer, as pessoas serão perdoadas. Mas se alguém cometer o erro, e esse erro trouxe prejuízo aos cofres públicos, essas pessoas terão que pagar”, prosseguiu o presidente, que fez a ressalva que seu filho é alvo de boatos em toda eleição e que os vazamentos das investigações ocorrem usualmente em momento de disputa eleitoral.

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“Nós temos que tomar cuidado. Ou seja, quando começa a vazar, e você sabe que eu sou vítima disso desde 1989, você não pode perder o equilíbrio”.

Autonomia dos órgãos de fiscalização

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23.08.2026 – O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante entrevista cedida à TV Record, no Palácio da Alvorada, em Brasília (DF). Foto: Ricardo Stuckert.

O presidente recordou que em todos os seus mandatos os órgãos de fiscalização, controle e transparência foram reforçados e tiveram autonomia para cumprir as funções.

A corrupção tem em qualquer lugar. Tem na empresa, no governo, no judiciário, em qualquer lugar. Tem no time de futebol. Agora, o que temos é uma capacidade de investigação como jamais teve esse país. Porque a Polícia Federal está preparada, o Ministério da Justiça sabe que tem de investigar”. 

Lula citou o exemplo que deu aos seus ministros:

“Quando fiz a primeira reunião com os ministros, falei o seguinte: ‘Olha, todo mundo aqui tem o direito de trabalhar com a maior liberdade possível. Somos obrigados a fazer as coisas certas. Se alguém fizer a coisa errada, pagará pelo que fez’. Não existe uma relação de amizade, sabe? Existe uma relação de confiança e que as pessoas precisam cumpri-la. Quem não cumprir, qualquer pessoa, será julgada e tem direito à defesa. E se for inocente, ótimo. Se for culpado, paga o preço da culpa”, finalizou.

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Fernando Cerimedo, guru de Flávio Bolsonaro, é preso na Bolívia por atentado contra ex-companheira

O estrategista argentino Fernando Cerimedo, apontado como guru da extrema direita latino-americana e aliado da família Bolsonaro, foi detido na madrugada de 18 de agosto no aeroporto de Viru Viru, em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, sob acusação de tentativa de feminicídio contra sua ex-companheira, a advogada boliviana Nadia Beller.

Beller foi baleada três vezes na noite anterior por dois homens disfarçados de entregadores em frente a um hotel próximo ao Canal Isuto e segue internada. A prisão ocorreu horas depois do atentado, quando Cerimedo tentava embarcar para a Argentina.

A detenção expõe a teia de influência de um operador político que atuou em campanhas eleitorais no Brasil, na Argentina e na Bolívia, construindo uma carreira baseada na disseminação de desinformação sobre sistemas eleitorais, na organização de milícias digitais e na assessoria a governos de extrema direita no continente.

Quem é Fernando Cerimedo e por que ele ganhou influência na extrema direita?

  • Quem é Fernando Cerimedo? Argentino, consultor político, estrategista digital, fundador da agência Numen e ligado ao portal ultradireitista La Derecha Diario. Sua atuação se expandiu por campanhas e disputas políticas na Argentina, Brasil, Chile e Bolívia.
  • Por que Fernando Cerimedo foi preso na Bolívia? Cerimedo foi detido durante a investigação sobre o ataque a tiros contra Nadia Beller. O Ministério Público boliviano passou a investigá-lo por suspeita de tentativa de feminicídio. A defesa nega que ele tenha ordenado ou participado do atentado.
  • Qual a relação de Fernando Cerimedo com a campanha de Flávio Bolsonaro: Cerimedo mantém uma relação política de longa data com a família Bolsonaro e, em julho de 2026, participou de uma live com Eduardo Bolsonaro, dois dias depois de Flávio Bolsonaro ter atacado a credibilidade das urnas em uma reunião com representantes diplomáticos. O Intercept Brasil afirma que Cerimedo voltou a atuar como parceiro da estratégia bolsonarista de questionamento do sistema eleitoral.

Por que Fernando Cerimedo foi preso

Cerimedo foi detido pela Força Especial de Combate ao Crime (FELCC) da Bolívia na madrugada de 18 de agosto, no aeroporto de Viru Viru, em Santa Cruz de la Sierra. A prisão ocorreu poucas horas depois de sua ex-companheira, a advogada e analista política boliviana Nadia Beller, ser atingida por três disparos em frente a um hotel.

Segundo relatos da imprensa boliviana e argentina, a vítima recebeu uma mensagem que a levou ao local do atentado. Ela afirma que Cerimedo a convenceu a comparecer. Beller foi surpreendida por dois homens que usavam roupas semelhantes às de entregadores — um deles atirou três vezes contra ela.

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Policiais transferem Fernando Cerimedo, assessor argentino próximo do presidente Rodrigo Paz, do Palácio da Justiça para a prisão de Palmasola, em Santa Cruz, Bolívia, em 21 de agosto de 2026. Cerimedo foi preso pela polícia boliviana em 18 de agosto de 2026 por um ataque a tiros contra sua ex-companheira. (Foto de RODRIGO URZAGASTI / AFP)

O Ministério Público boliviano acusa Cerimedo de tentativa de feminicídio e pediu à Justiça uma prisão preventiva de 180 dias. A defesa de Cerimedo nega que ele tenha participado do ataque.

A investigação ganhou novos elementos depois que o advogado de Beller apresentou às autoridades uma imagem atribuída ao celular de Cerimedo. Segundo o ICL, a anotação fazia referência à possibilidade de “eliminar” a ex-companheira. A defesa contesta a acusação e nega que Cerimedo tenha participado do atentado.

Além da investigação sobre o ataque, as autoridades bolivianas abriram uma apuração por suposto enriquecimento ilícito após encontrarem dinheiro, documentos e equipamentos em imóveis relacionados ao consultor.

O ICL informou que foram encontrados mais de US$ 44 mil, além de valores em moeda boliviana e euros, e equipamentos descritos pelas autoridades como possível estrutura para operação coordenada de contas nas redes sociais. A defesa contesta também essa acusação.

Mensagens sobre “eliminar” a ex e investigação por enriquecimento

O advogado de Nadia Beller entregou às autoridades uma captura de tela do bloco de notas do celular de Fernando Cerimedo com anotações que faziam referência a “eliminar” a ex-companheira. Uma das frases atribuídas ao conteúdo diz: “Ou a eliminamos ou estamos ferrados”.

Além da acusação de tentativa de feminicídio, Cerimedo também é investigado por suposto enriquecimento ilícito. Durante operações de busca em imóveis ligados ao consultor, as autoridades encontraram cerca de US$ 44 mil, além de outros valores em moeda boliviana e euros.

Também foram localizados equipamentos descritos como uma possível “granja de bots” — estrutura usada para operar ou coordenar grande quantidade de contas nas redes sociais.

Quem é Fernando Cerimedo

Cerimedo é um consultor político e estrategista digital argentino que ganhou projeção nos últimos anos como um dos nomes ligados à comunicação da extrema direita latino-americana. Sua trajetória, no entanto, não começou na direita: antes de se aproximar do bolsonarismo e do movimento de Javier Milei, atuou na organização da militância digital do peronismo em La Matanza, ajudando a estruturar estratégias para redes sociais, segmentação de usuários e posicionamento de conteúdos.

Fundador da agência Numen e do portal La Derecha Diario, sua especialidade passou a ser a operação política no ambiente digital, combinando comunicação, mobilização de públicos e estratégias para ampliar o alcance de determinadas narrativas. Trabalhou para nomes como Patricia Bullrich, Jair Bolsonaro e Javier Milei.

O que Cerimedo fez na campanha de 2022 no Brasil

Em outubro de 2022, às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais, Cerimedo recebeu Eduardo Bolsonaro em Buenos Aires e organizou encontros do deputado com lideranças da extrema direita argentina, incluindo Javier Milei e Victoria Villarruel. A agenda foi apresentada como uma iniciativa para aproximar grupos da direita na região e fortalecer a campanha de Jair Bolsonaro.

Poucas semanas depois da derrota de Bolsonaro, Cerimedo transmitiu pelo La Derecha Diario a live “Brazil Was Stolen” (O Brasil Foi Roubado), vista por mais de 400 mil pessoas, na qual apresentou um dossiê anônimo com alegações falsas sobre as urnas eletrônicas.

A tese foi refutada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que afirmou que todos os equipamentos utilizados nas eleições haviam passado por auditoria e fiscalização.

Cerimedo procurou apresentar sua atuação como independente do bolsonarismo, afirmando que “nem os militares nem ninguém do partido” havia entrado em contato com ele antes da transmissão. As declarações, porém, contrastam com a proximidade registrada entre o consultor e o grupo político.

Qual a relação de Fernando Cerimedo com Eduardo Bolsonaro

A relação de Cerimedo com Eduardo Bolsonaro ganhou força durante a campanha de 2022. O argentino foi apontado como responsável por organizar a viagem de Eduardo à Argentina, e o próprio La Derecha Diario afirmou que o consultor havia “patrocinado” a agenda.

Giovanni Larosa, funcionário ligado a Cerimedo e correspondente do La Derecha Diario no Brasil, recebeu R$ 3,9 mil da campanha de reeleição de Eduardo Bolsonaro para atuar na divulgação de propaganda e no apoio à campanha.

Em 23 de julho de 2026, Cerimedo participou de uma transmissão no canal de Eduardo Bolsonaro no YouTube, na qual retomou alegações já utilizadas em 2022, como uma suposta concentração de votos após as 17h e diferenças entre urnas novas e antigas.

Ao ser questionado sobre a quantidade de equipamentos que precisariam ser adulterados para alterar uma eleição, Fernando Cerimedo respondeu que era necessário “de 5% ou 10% das máquinas para trocar o resultado, nada mais”.

Por que Fernando Cerimedo é considerado o Steve Bannon latino-americano

Cerimedo é frequentemente comparado a Steve Bannon, estrategista da extrema direita norte-americana e ex-assessor de Donald Trump. Assim como Bannon, Cerimedo é um especialista em criar estratégias políticas em ambiente digital sem se balizar por qualquer critério ético.

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Esta imagem, divulgada por democratas do Comitê de Supervisão da Câmara em 18 de dezembro de 2025, mostra o falecido criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein (à direita) conversando com o estrategista político americano Steve Bannon.
Parlamentares democratas divulgaram um novo conjunto de fotos e documentos em 18 de dezembro de 2025, provenientes do espólio de Jeffrey Epstein.

O argentino atua para desestabilizar democracias no continente sul-americano, combinando milícias digitais, violência e corrupção. Segundo o Intercept Brasil, Cerimedo “é um gangster internacional da extrema direita” e “um golpista profissional cuja missão é desestabilizar as democracias do continente e faturar com a corrupção de governos para os quais presta serviços obscuros”.

Fernando Cerimedo chegou a ser indiciado pela Polícia Federal em 2024 durante a investigação que apurou a tentativa de golpe de Estado no Brasil, mas acabou sendo poupado pela Procuradoria-Geral da República.

Brasil corre o risco de interferência estrangeira?

A prisão de Cerimedo expõe um problema mais amplo: a atuação de operadores políticos transnacionais que atuam em diferentes países da América Latina, levando consigo estratégias, métodos e conexões que influenciam processos eleitorais.

Cerimedo é a peça de um projeto internacional de desestabilização das democracias na América do Sul. Sua trajetória demonstra como a extrema direita latino-americana opera de forma integrada, compartilhando milícias digitais, fazendas de cliques e estratégias de desinformação.

O caso levanta perguntas sobre a interferência estrangeira nas eleições brasileiras. Cerimedo, um argentino, atuou diretamente na campanha de 2022 no Brasil e estava programado para ser parceiro importante da campanha de Flávio Bolsonaro em 2026. Sua prisão, portanto, não é apenas um fato policial na Bolívia — é um episódio que revela os riscos da influência externa sobre a democracia brasileira.

50% dos brasileiros acreditam em risco de interferência estrangeira

Pesquisa Datafolha divulgada em 23 de agosto de 2026 mostra que, para 50% dos eleitores brasileiros, há chance de outros países interferirem na eleição brasileira. Desse total:

  • 32% avaliam que há chance de interferência e que isso é um problema
  • 18% avaliam que há chance, mas que isso não é um problema
  • 43% acham que não há chance de interferência estrangeira
  • 8% não sabem ou não responderam

Entre os eleitores de Lula, 36% avaliam que há chance de interferência estrangeira e que isso é um problema; entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, esse percentual é de 25%.

A pesquisa ocorre em meio a conflitos diplomáticos abertos com Argentina e Estados Unidos. O governo Donald Trump revogou o visto da embaixadora do Brasil em Washington, e o Itamaraty reduziu o nível das relações com a Argentina após ataques de Javier Milei a Lula.

Especialistas apontam que os Estados Unidos vêm exercendo pressão sobre a América Latina, com a classificação de facções brasileiras como organizações terroristas e o cerco a governos progressistas.

O contexto torna ainda mais relevante o debate sobre interferência estrangeira nas eleições brasileiras — e a prisão de Cerimedo é um alerta sobre como essa interferência pode se dar por meio de operadores políticos que atuam nas sombras, conectando governos, campanhas e milícias digitais em vários países do continente.

Com informações do ICL, Agência Pública e The Intercept Brasil

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Flávio Bolsonaro é contra o fim da escala 6×1

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, articula uma ofensiva para impedir o avanço da proposta que acaba com a escala de trabalho 6×1 antes das eleições. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) prevê a redução da jornada semanal e a garantia de dois dias de descanso aos trabalhadores. Leia em TVT News.

A PEC, cuja aprovação é considerada uma das prioridades do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), já foi aprovada pela Câmara dos Deputados e começou a tramitar no Senado. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre, deu início à análise da proposta na última semana, em meio à pressão do governo para que a votação ocorra antes do período eleitoral.

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Flávio tenta barrar votação antes das eleições

Segundo informações da Revista Fórum, Flávio Bolsonaro tem atuado para evitar que a PEC do fim da escala 6×1 seja votada no Senado antes das eleições. A estratégia ocorre justamente no momento em que o fim da escala 6×1 ganhou espaço na campanha presidencial e passou a ser apresentado pelo governo Lula como uma medida de ampliação dos direitos dos trabalhadores.

O posicionamento representa uma mudança em relação à postura adotada pelo senador meses atrás. Em abril, Flávio dizia que ainda não havia acompanhado de perto as discussões e que só definiria seu voto quando a proposta chegasse ao Senado. Na ocasião, afirmava também ter preocupação com possíveis impactos para empresas e empregos.

Agora, porém, o senador passou a se movimentar diretamente contra o avanço da proposta. A ofensiva ocorre em meio à disputa eleitoral e à tentativa da oposição de impedir que o governo Lula transforme a redução da jornada em uma das principais bandeiras da campanha.

O que prevê o fim da escala 6×1

A proposta em discussão no Congresso altera as regras atuais de jornada de trabalho. O modelo defendido pelo governo prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas e a adoção de uma escala com dois dias de descanso por semana, preferencialmente aos domingos.

Na Câmara, a PEC do fim da escala 6×1 foi aprovada em maio com ampla maioria. No Senado, entretanto, a matéria precisa passar pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e, posteriormente, pelo plenário em dois turnos. Para ser aprovada, uma PEC necessita de três quintos dos votos dos senadores em cada turno.

A discussão também provocou reação de entidades empresariais, que defendem mais tempo para analisar os impactos da mudança sobre diferentes setores da economia. Fiesp e Fecomercio-SP estão entre as organizações que se posicionaram contra uma tramitação acelerada.

Alcolumbre destravou PEC do fim da escala 6×1 e enviou proposta à CCJ

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), assinou despacho para encaminhar à Comissão de Constituição e Justiça a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1, na semana passada. O movimento destrava a tramitação da matéria na Casa e ocorre em meio à retomada do diálogo entre Alcolumbre e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). 

O encaminhamento à CCJ representou uma nova etapa para a proposta que busca alterar as regras de jornada de trabalho e acabar com a escala em que o trabalhador atua por seis dias consecutivos e tem apenas um dia de descanso.

A decisão também ocorre em um contexto de reaproximação entre Alcolumbre e o governo Lula. O presidente do Senado retomou a interlocução com o Palácio do Planalto após um período de atritos entre o Congresso e o Executivo.

O avanço da PEC do fim da escala 6×1 ocorre, portanto, em meio a uma tentativa de reconstrução da relação política entre Alcolumbre e o Palácio do Planalto. A tramitação da proposta na CCJ será o próximo teste para medir o espaço que o tema terá na agenda do Senado.

TRE-SP mantém inelegibilidade de Pablo Marçal até 2032

O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) rejeitou o recurso apresentado pela defesa de Pablo Marçal (PRTB) e manteve a condenação que torna o empresário inelegível até 2032. A decisão também preserva a multa de R$ 420 mil aplicada pela Justiça Eleitoral por uso indevido dos meios de comunicação durante a campanha de Marçal à Prefeitura de São Paulo, em 2024. Leia em TVT News.

A decisão foi tomada pelo presidente do TRE-SP, José Antonio Encinas Manfré, que analisou o recurso apresentado pela defesa do empresário. O caso envolve a estratégia conhecida como “campeonato de cortes”, pela qual influenciadores digitais eram estimulados a produzir vídeos com trechos da campanha de Marçal.

>> TSE proíbe Pablo Marçal de participar de debates e acessar Fundo Eleitoral

Segundo o tribunal, as provas reunidas no processo demonstraram a existência de uma “verdadeira estrutura empresarial” destinada a remunerar influenciadores pela produção e divulgação dos vídeos. Para a Justiça Eleitoral paulista, a estrutura utilizada durante a campanha caracterizou uso indevido dos meios de comunicação.

>> MPE pede ao TSE rejeição da candidatura de Pablo Marçal à Presidência

Marçal disputou a eleição municipal de 2024 e terminou a primeira fase da votação em terceiro lugar, ficando fora do segundo turno. A disputa pela Prefeitura de São Paulo foi vencida por Ricardo Nunes (MDB), que enfrentou Guilherme Boulos (PSOL) no segundo turno.

Justiça mantém multa de R$ 420 mil

Além da inelegibilidade, a decisão mantém a multa de R$ 420 mil determinada anteriormente pela Justiça Eleitoral. A defesa de Marçal buscava reverter a condenação, mas o recurso não foi acolhido.

O presidente do TRE-SP também analisou um recurso apresentado pelo Ministério Público Eleitoral (MPE), que pretendia ampliar a condenação para incluir acusações de abuso de poder econômico e captação e gastos ilícitos de recursos.

Nesse ponto, a decisão foi desfavorável ao pedido do Ministério Público. Segundo Encinas Manfré, não havia provas suficientes de que Marçal ou terceiros tenham efetivamente realizado o pagamento dos prêmios em dinheiro de forma que pudesse caracterizar abuso de poder econômico.

O magistrado também apontou que acolher o recurso do MPE exigiria uma nova análise das provas que já haviam sido examinadas pelo colegiado do tribunal. Segundo a decisão, essa revisão não é permitida nessa etapa do processo.

Decisão do TRE mantém cenário desfavorável para Marçal

A manutenção da condenação representa mais um revés para Marçal na Justiça Eleitoral. Em 5 de agosto, o plenário do TRE-SP já havia rejeitado, por 7 votos a 0, os embargos apresentados pela defesa e mantido a decisão que determinou sua inelegibilidade.

A situação do empresário também passou a ser analisada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), onde tramita o processo relacionado ao registro de sua candidatura à Presidência da República nas eleições de 2026.

Na quinta-feira (20), o TSE determinou, em caráter cautelar, que Marçal fique sem acesso aos recursos dos fundos eleitoral e partidário. A decisão também o impede de participar de programas eleitorais no rádio e na televisão e de debates enquanto a Corte analisa o registro de sua candidatura.

A medida cautelar impõe restrições à atuação eleitoral de Marçal antes da decisão definitiva sobre sua situação jurídica. O caso ainda será analisado pelo TSE.

Em nota, a assessoria do empresário informou que a equipe jurídica avalia a decisão da Corte superior e os argumentos apresentados pelo Ministério Público Eleitoral para definir as próximas medidas.