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Da Redação

Assista ao desfile de 7 de setembro de 2026

Nesta segunda (7), a TV Brasil transmite o tradicional desfile de 7 de setembro, o Desfile Cívico-Militar na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. 

A programação da TV Brasil começa logo cedo, às 8h, com as informações sobre a expectativa para a cerimônia e a chegada do público. Além de Brasília, haverá entradas ao vivo também do Rio de Janeiro e de São Paulo. 

Neste ano são esperadas 30 mil pessoas para assistir o desfile. O início está previsto para 9h, com encerramento por volta das 11h.

As arquibancadas serão abertas às 6h. O público terá cinco pontos de acesso à área do desfile, todos com linhas de revistas pessoais, que serão feitas por policiais militares.

O acesso à Esplanada ocorre pela via S1 (lateral da Catedral) e escadarias dos ministérios – as duas primeiras no lado Sul (blocos A e C) e as duas primeiras do Norte (blocos J e M). Pessoas com deficiência terão acesso pelo túnel do Bloco J, que possui rampa de ligação com o espaço reservado entre o ministério e a Via N1.

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No Governo Lula, as Forças Armadas cumprem o papel constitucional. Foto: Ricardo Stuckert

Confira a transmissão do desfile de 7 de setembro

A transmissão especial contará com a participação de especialistas, em estúdio, que vão explicar os símbolos da festa e o significado histórico do 7 de setembro.

https://play.ebc.com.br/tvs

Assista ao pronuciamento do presidente Lula para o dia 7 de setembro

7 de setembro: Lula defende soberania e riquezas do Brasil para os brasileiros

Em pronunciamento em rede de rádio e TV neste domingo (6.09), véspera das comemorações da Independência do Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou a importância da defesa da soberania e da democracia no país, para que as riquezas nacionais promovam o desenvolvimento econômico e social dentro das nossas fronteiras.

No contexto de guerras, tarifas comerciais unilaterais e tentativas de interferências externas, o presidente reforçou o caráter pacífico do povo brasileiro, o que não significa “abaixar a cabeça diante de potências estrangeiras que querem transformar o Brasil novamente em colônia”.

Lula lembrou que o Brasil tem a segunda maior reserva de terras raras do mundo e a maior fonte de água doce do planeta e, no último mês, foi descoberta uma nova reserva de petróleo na costa do Amapá. O presidente tem trabalhado para que essas riquezas se revertam em benefício para o país, como é o caso da aprovação do marco legal que permitirá ao país “transformar as enormes reservas de minerais críticos e terras raras em desenvolvimento e riqueza para o povo brasileiro”.

O presidente ainda reforçou a importância do livre comércio, frisou que um país soberano é capaz de defender seu território, suas fronteiras, seu meio ambiente, suas riquezas e seu povo. É também um país que cria oportunidades para as pessoas terem a própria independência, finalizou o presidente, que ainda exaltou o orgulho de ser brasileiro.

Confira íntegra do pronunciamento do presidente Lula

Minhas amigas e meus amigos,

amanhã, 7 de setembro, é dia de comemorar a Independência do Brasil.

Para além do grito de Dom Pedro I às margens do Rio Ipiranga, a Independência do Brasil foi uma dura conquista de homens e mulheres que deram suas vidas nas batalhas contra a tirania, a escravidão e a injustiça social.

De Tiradentes, herói da Inconfidência Mineira, a Maria Quitéria, Maria Felipa e Joana Angélica, heroínas do 2 de julho na Bahia.

Defender a Independência do Brasil é defender nossa soberania e nossa democracia.

Mais do que nunca, é preciso lutar pelo que é nosso.

Temos a segunda maior reserva de terras raras do mundo, e a maior fonte de água doce.

No último mês, descobrimos uma nova e rica reserva de petróleo.

Nossas riquezas devem servir ao futuro do povo brasileiro.

Foi aprovado no Congresso Nacional o marco legal que permitirá ao Brasil transformar as enormes reservas de minerais críticos e terras raras em desenvolvimento e riqueza para o povo brasileiro.

Recursos naturais que, da mesma forma que o nosso petróleo, devem ser usados para o desenvolvimento de tecnologia de ponta e geração de empregos de qualidade no Brasil.

Por isso, não podemos baixar a cabeça diante de potências estrangeiras que querem transformar o Brasil novamente em colônia.

Não somos colônia e não seremos colônia de ninguém.

Minhas amigas e meus amigos,

um país soberano é aquele capaz de defender seu território, suas fronteiras, seu meio ambiente, suas riquezas e seu povo de quaisquer interesses estrangeiros.

Um país soberano é aquele capaz de criar as oportunidades que o seu povo precisa para conquistar a própria independência.

A independência financeira, a independência de poder estudar e pensar livremente, escolher a melhor profissão e o melhor emprego.

Ter mais tempo para si mesmo e para sua família.

A independência de contar, como previsto na Constituição Federal, com saúde pública de qualidade e a melhor educação gratuita para seus filhos.

E de viver em um país livre da fome, da pobreza e de todas as formas de desigualdade, com direitos para todos, em vez de privilégios para poucos.

Minhas amigas e meus amigos,

o Brasil trabalha pela paz mundial e a harmonia entre as nações.

Defendemos o livre comércio. Nenhum governante estrangeiro tem o direito de dizer de quem podemos comprar e para quem podemos vender.

Somos um país soberano, e nossas decisões pertencem a nós e a mais ninguém.

Temos motivos de sobra para nos orgulharmos do nosso país.

Temos na Amazônia uma das maiores biodiversidades do planeta.

Somos exemplo na defesa do meio ambiente.

Nossa riqueza cultural encanta o mundo.

Somos referência mundial em transição energética e no enfrentamento da emergência climática que ameaça o futuro da humanidade.

E temos cada um e cada uma de vocês, que formam o extraordinário povo brasileiro, um dos mais admirados em todo o planeta.

Um feliz Dia da Independência, e que Deus continue abençoando o nosso Brasil.

Qual a participação do presidente Lula no desfile de 7 setembro

Confira a agenda do presidente Lula no dia 7 de setembro:

  • 09h – Chegada à Tribuna Presidencial – Esplanada dos Ministérios, Brasília
  • 09h05 – Execução do Hino Nacional e do Hino da Independência – Esplanada dos Ministérios, Brasília
  • 09h10 – Permissão presidencial para o início do Desfile – Esplanada dos Ministérios, Brasília
  • 09h15 – Desfile Cívico-Militar de 7 de Setembro – Esplanada dos Ministérios, Brasília
  • 11h00 – Encerramento do Desfile de 7 de Setembro – Esplanada dos Ministérios,
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7 de setembro é dia de lembrar a Independência do Brasil – Foto: Ricardo Stuckert/PR

Conheça a história do 7 de setembro

Todos os anos, o 7 de Setembro é celebrado pelos brasileiros com desfiles, cerimônias cívicas e referências ao famoso “grito do Ipiranga”. Mas a Independência do Brasil foi um processo muito mais longo e complexo do que a cena protagonizada por Dom Pedro I às margens do riacho do Ipiranga, em São Paulo, capital. Conheça a história do 7 de setembro com a TVT News.

O que o presidente Lula falou sobre o 7 de setembro

Com informações da Agência Brasil

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7 de setembro: a história da Independência do Brasil

Todos os anos, o 7 de Setembro é celebrado pelos brasileiros com desfiles, cerimônias cívicas e referências ao famoso “grito do Ipiranga”. Mas a Independência do Brasil foi um processo muito mais longo e complexo do que a cena protagonizada por Dom Pedro I às margens do riacho do Ipiranga, em São Paulo, capital. Conheça a história do 7 de setembro com a TVT News.

Qual a história do 7 de setembro

A separação política de Portugal foi resultado de transformações que começaram anos antes, envolveram interesses econômicos e políticos, disputas entre diferentes grupos da sociedade e até conflitos armados que tiveram reflexos e continuaram depois de 1822.

Segundo historiadores, a própria ideia de que o Brasil já era uma nação unificada antes da Independência também precisa ser relativizada. No início do século XIX, as diferentes capitanias que compunham o território nacional tinham relações limitadas entre si e muitos habitantes se identificavam mais com suas regiões de origem do que com uma identidade brasileira.

A construção do Brasil como Estado independente, portanto, não terminou com o anúncio de Dom Pedro: ela continuou nos anos seguintes, em meio à criação de novas instituições, disputas políticas, guerras e à manutenção de estruturas sociais herdadas do período colonial.
 

Como era o Brasil antes da Independência?
 

Segundo Adriana Schimidt, professora de história do Brazilian International School – BIS, de São Paulo (SP), para entender como e por que o Brasil se tornou independente, é preciso voltar ao período em que o território ainda fazia parte do Império Português. A sociedade era profundamente desigual e organizada em torno de uma economia agroexportadora e do trabalho escravizado.

A escravidão de africanos e seus descendentes era parte central da estrutura econômica e social, enquanto o poder político estava concentrado nas mãos de grupos ligados à propriedade da terra, ao comércio e à administração colonial.

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Obra “Navio negreiro” do pintor alemão Johann Moritz Rugendas, de 1830, que narra o tráfico de escravizados, com os negros sequestrados e transportados em condições degradantes nos navios negreiros após a captura na costa da África. A coletânea de obras do autor denunciou as condições desumanas e insalubres dos negros, sendo apontado, inclusive, como propaganda abolicionista, que estava em pauta na época.


 

A chegada da família real portuguesa ao Rio de Janeiro, em 1808, alterou profundamente esse cenário. A transferência da Corte ocorreu após a invasão de Portugal pelas tropas de Napoleão Bonaparte e transformou o Rio de Janeiro no centro do Império Português. A abertura dos portos às nações amigas, a criação de instituições culturais e científicas e a instalação de estruturas administrativas em solo brasileiro fizeram com que a colônia ganhasse importância política e econômica dentro do próprio Império.
 

“Uma das grandes mudanças provocadas pela chegada da Corte foi fazer com que o Brasil deixasse de ocupar uma posição exclusivamente colonial. A presença da monarquia trouxe instituições, circulação de pessoas, investimentos e novas relações comerciais. Ao mesmo tempo, aumentou a percepção, entre setores da elite local, de que o território tinha condições de exercer maior autonomia política”, explica Adriana.
 

Apesar dessas transformações, não existia ainda uma identidade brasileira homogênea. Por exemplo: habitantes do Pará, Pernambuco, São Paulo, Bahia ou Rio de Janeiro podiam ter vínculos muito mais fortes com suas próprias regiões ou com Portugal do que com uma ideia de “Brasil” como nação. “O próprio projeto de independência, portanto, precisou construir uma unidade territorial e política que não existia até então”, acrescenta a docente do BIS.
 

O cenário que levou à Independência
 

A Independência do Brasil foi resultado de um processo político que se intensificou ao longo dos anos que antecederam 1822. “É importante não imaginar a Independência como uma decisão tomada de repente por Dom Pedro. Quando chegamos a 1822, já existia uma conjuntura de tensão política e diferentes interesses em disputa. O que acontece naquele ano é a aceleração de um processo que vinha sendo construído anteriormente”, explica Roberto Carlos Simões, professor de história do Progresso Bilíngue, de Vinhedo (SP).

O professor explica, abaixo, a sequência de acontecimentos que levaram ao rompimento com Portugal:
 

1808 – Chegada da família real portuguesa ao Brasil: diante das invasões napoleônicas, D. João e a Corte portuguesa transferiram-se para o Rio de Janeiro. A abertura dos portos às nações amigas e a instalação de instituições administrativas, econômicas e culturais ampliaram a importância política do Brasil dentro do Império português.
 

1815 – Brasil é elevado a Reino Unido: o território deixou oficialmente a condição de colônia com a criação do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. A mudança reforçou o peso político do Brasil, que passou a ocupar posição mais próxima à de Portugal dentro da monarquia.
 

1817 – Revolução Pernambucana: uma revolta de caráter republicano e separatista tomou conta de Pernambuco e chegou a estabelecer um governo provisório. Apesar de ter sido reprimido, o movimento demonstrou a existência de projetos políticos que questionavam o domínio português e a própria monarquia.
 

1820 – Revolução do Porto: um movimento liberal iniciado em Portugal exigiu o retorno da Corte, a convocação de Cortes Constituintes e mudanças na organização política do Império. As decisões tomadas pelos revolucionários também colocaram em discussão a autonomia que o Brasil havia adquirido desde a chegada da família real.
 

1821 – Retorno de D. João VI a Portugal: pressionado pela Revolução do Porto, o rei deixou o Brasil e retornou a Lisboa, deixando seu filho, Pedro de Alcântara, aos 23 anos, como príncipe regente. As Cortes portuguesas passaram a exigir também o retorno de Pedro, aumentando a tensão política.
 

9 de janeiro de 1822 – Dia do Fico: diante da pressão para retornar a Portugal, Pedro decidiu permanecer no Brasil. A decisão tornou-se um marco da ruptura política e fortaleceu os grupos que defendiam maior autonomia em relação às Cortes portuguesas.
 

Junho de 1822 – Convocação de assembleias: Pedro convocou uma Assembleia Geral Constituinte e Legislativa para elaborar uma Constituição para o Brasil, aprofundando o processo de autonomia política.
 

Agosto de 1822 – Manifesto às nações: Pedro publicou um manifesto dirigido às nações estrangeiras no qual apresentava sua posição diante dos conflitos com Portugal e defendia a autonomia brasileira.
 

Simões destaca, ainda, que o Brasil também estava inserido em um cenário internacional de profundas transformações. A Independência dos Estados Unidos (1776), a Revolução Francesa (1789 a 1799), a Revolução Haitiana (1791 e 1804) e, sobretudo, os movimentos de independência que se espalharam pela América espanhola a partir de 1810 contribuíram para colocar em circulação novas ideias sobre autonomia, soberania e organização política.
 

Na década que antecedeu 1822, territórios como Argentina, Chile, Venezuela, Colômbia e México avançaram em seus processos de ruptura com as metrópoles europeias. “A Independência do Brasil não foi um fenômeno isolado. Ela aconteceu em meio a uma onda de revoluções liberais e processos de emancipação que transformavam o mundo atlântico e colocavam em xeque a ordem colonial”.
 

Essa sequência de fatos tornou cada vez mais difícil a manutenção dos vínculos políticos com Portugal. “O 7 de Setembro representa o momento simbólico dessa ruptura, mas ele só pode ser compreendido quando olhamos para todo o caminho percorrido nos anos anteriores”, acrescenta o professor do Progresso.
 

O que realmente aconteceu às margens do Ipiranga?
 

Em 7 de setembro de 1822, Dom Pedro estava voltando de Santos para São Paulo quando recebeu diferentes correspondências que revelavam a gravidade da crise política entre Brasil e Portugal: as Cortes de Lisboa exigiam seu retorno imediato a Portugal e determinavam a prisão de José Bonifácio, então ministro e um dos principais defensores da autonomia brasileira.

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Quadro Independência ou Morte! (O Grito do Ipiranga), de Pedro Américo: versão idealizada do grito de independência de D. Pedro. Imagem – Coleção Museu Paulista da USP (Museu do Ipiranga)

Dom João VI, pai de Dom Pedro e rei de Portugal, recomendava que o filho obedecesse às determinações das Cortes; Maria Leopoldina, esposa de Dom Pedro e então princesa regente do Brasil, enviava uma mensagem em sentido oposto, defendendo uma reação firme diante das pressões portuguesas; enquanto José Bonifácio, por sua vez, também escreveu ao príncipe, alertando para a gravidade do momento e defendendo que ele permanecesse no Brasil.
 

“As correspondências ainda traziam informações de que a própria posição de Dom Pedro na sucessão portuguesa estava ameaçada. O episódio do Ipiranga, portanto, aconteceu em meio a uma intensa disputa política e foi resultado de um processo que vinha se desenrolando havia meses, e não de uma decisão tomada de forma isolada naquele instante”, explica Glenda Cândido, professora da Escola Internacional de Alphaville – EIA, de Barueri (SP).
 

A história oficial conta que, às margens do riacho do Ipiranga, Dom Pedro teria proclamado a separação do Brasil com a frase “Independência ou Morte!”. A realidade, porém, pode ter sido bem diferente: não existem registros históricos que confirmem categoricamente a veracidade do “brado retumbante”, grito forte e estrondoso que teria ecoado na região no momento.
 

Além disso, outro aspecto interessante é a representação histórica mais famosa do momento da independência. A pintura “Independência ou Morte”, de Pedro Américo, foi concluída apenas em 1888, 66 anos depois do episódio retratado. O quadro apresenta uma série de elementos idealizados, como as roupas de gala, a postura dos personagens e a grandiosidade da comitiva, montados em imponentes cavalos. Contudo, historiadores contestam o meio de transporte: o deslocamento pela Serra do Mar era difícil à época, e é bem possível que a viagem tenha sido feita em mulas, animais que eram utilizados por terem resistência ao terreno.
 

“A pintura ajudou a transformar o momento em um dos maiores símbolos da identidade nacional, mas não deve ser entendida como uma fotografia do acontecimento. É uma representação idealizada do episódio, que teve uma função de construção da memória nacional. Isso não significa que o episódio do Ipiranga não tenha acontecido, mas que a imagem que construímos dele é resultado também de uma interpretação artística e política posterior”, complementa Glenda.
 

O que mudou depois da Independência?
 

O 7 de setembro não significou o fim imediato dos conflitos. Entre 1822 e 1824, forças brasileiras e portuguesas entraram em confronto em diferentes regiões, especialmente na Bahia, no Maranhão, no Pará e no Piauí. A consolidação da independência exigiu campanhas militares e negociações políticas, e Portugal só reconheceu o Brasil como Império independente em 1825, com mediação britânica, por meio do Tratado de Paz e Aliança. O reconhecimento internacional também levou tempo e envolveu interesses econômicos e diplomáticos.


 

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Projeções no Museu Nacional da República em alusão às comemorações da Independência do Brasil, celebrada em 7 de Setembro. Museu Nacional da República, Brasília – DF. Fotos: Ricardo Stuckert / PR

A consolidação do novo país, contudo, continuaria ao longo das décadas seguintes, em meio a revoltas, disputas políticas e esforços para construir uma identidade nacional comum. “A Independência brasileira tem uma característica contraditória: ela foi, ao mesmo tempo, ruptura e continuidade. O Brasil deixou de ser parte do Império Português e passou a ter um Estado próprio, mas não rompeu imediatamente com estruturas fundamentais da sociedade colonial”.

“Por isso, estudar 1822 também significa compreender quem ganhou poder com a Independência e quem permaneceu excluído daquele novo projeto de nação”, afirma José Henrique Porto, professor de história da Escola Bilíngue Aubrick, de São Paulo (SP).
 

Com a criação de um Estado independente, o Brasil passou a organizar suas próprias instituições. A Constituição de 1824 estabeleceu uma monarquia, com Dom Pedro como primeiro imperador, mas a participação política continuou restrita. O poder político seguiu concentrado em grupos socialmente privilegiados, o direito ao voto estava condicionado à renda, as mulheres estavam excluídas do pleito eleitoral, e a escravidão continuou existindo até 1888.
 

Assim, a construção da cidadania brasileira ainda estava longe de ser concluída. “Mais do que um acontecimento encerrado em 7 de setembro de 1822, a Independência deve ser entendida como um processo de construção do Estado e da própria ideia de Brasil. A data é importante porque simboliza a ruptura com Portugal, mas compreender o que veio antes e depois permite perceber que uma nação não nasce pronta. Ela é construída por conflitos, escolhas políticas, disputas de memória e pela participação, ou exclusão, de diferentes grupos sociais”, completa Porto.
 

Assista ao pronuciamento do presidente Lula para o dia 7 de setembro

7 de setembro: Lula defende soberania e riquezas do Brasil para os brasileiros

Em pronunciamento em rede de rádio e TV neste domingo (6.09), véspera das comemorações da Independência do Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou a importância da defesa da soberania e da democracia no país, para que as riquezas nacionais promovam o desenvolvimento econômico e social dentro das nossas fronteiras.

No contexto de guerras, tarifas comerciais unilaterais e tentativas de interferências externas, o presidente reforçou o caráter pacífico do povo brasileiro, o que não significa “abaixar a cabeça diante de potências estrangeiras que querem transformar o Brasil novamente em colônia”.

Lula lembrou que o Brasil tem a segunda maior reserva de terras raras do mundo e a maior fonte de água doce do planeta e, no último mês, foi descoberta uma nova reserva de petróleo na costa do Amapá. O presidente tem trabalhado para que essas riquezas se revertam em benefício para o país, como é o caso da aprovação do marco legal que permitirá ao país “transformar as enormes reservas de minerais críticos e terras raras em desenvolvimento e riqueza para o povo brasileiro”.

O presidente ainda reforçou a importância do livre comércio, frisou que um país soberano é capaz de defender seu território, suas fronteiras, seu meio ambiente, suas riquezas e seu povo. É também um país que cria oportunidades para as pessoas terem a própria independência, finalizou o presidente, que ainda exaltou o orgulho de ser brasileiro.

Confira íntegra do pronunciamento do presidente Lula

Minhas amigas e meus amigos,

amanhã, 7 de setembro, é dia de comemorar a Independência do Brasil.

Para além do grito de Dom Pedro I às margens do Rio Ipiranga, a Independência do Brasil foi uma dura conquista de homens e mulheres que deram suas vidas nas batalhas contra a tirania, a escravidão e a injustiça social.

De Tiradentes, herói da Inconfidência Mineira, a Maria Quitéria, Maria Felipa e Joana Angélica, heroínas do 2 de julho na Bahia.

Defender a Independência do Brasil é defender nossa soberania e nossa democracia.

Mais do que nunca, é preciso lutar pelo que é nosso.

Temos a segunda maior reserva de terras raras do mundo, e a maior fonte de água doce.

No último mês, descobrimos uma nova e rica reserva de petróleo.

Nossas riquezas devem servir ao futuro do povo brasileiro.

Foi aprovado no Congresso Nacional o marco legal que permitirá ao Brasil transformar as enormes reservas de minerais críticos e terras raras em desenvolvimento e riqueza para o povo brasileiro.

Recursos naturais que, da mesma forma que o nosso petróleo, devem ser usados para o desenvolvimento de tecnologia de ponta e geração de empregos de qualidade no Brasil.

Por isso, não podemos baixar a cabeça diante de potências estrangeiras que querem transformar o Brasil novamente em colônia.

Não somos colônia e não seremos colônia de ninguém.

Minhas amigas e meus amigos,

um país soberano é aquele capaz de defender seu território, suas fronteiras, seu meio ambiente, suas riquezas e seu povo de quaisquer interesses estrangeiros.

Um país soberano é aquele capaz de criar as oportunidades que o seu povo precisa para conquistar a própria independência.

A independência financeira, a independência de poder estudar e pensar livremente, escolher a melhor profissão e o melhor emprego.

Ter mais tempo para si mesmo e para sua família.

A independência de contar, como previsto na Constituição Federal, com saúde pública de qualidade e a melhor educação gratuita para seus filhos.

E de viver em um país livre da fome, da pobreza e de todas as formas de desigualdade, com direitos para todos, em vez de privilégios para poucos.

Minhas amigas e meus amigos,

o Brasil trabalha pela paz mundial e a harmonia entre as nações.

Defendemos o livre comércio. Nenhum governante estrangeiro tem o direito de dizer de quem podemos comprar e para quem podemos vender.

Somos um país soberano, e nossas decisões pertencem a nós e a mais ninguém.

Temos motivos de sobra para nos orgulharmos do nosso país.

Temos na Amazônia uma das maiores biodiversidades do planeta.

Somos exemplo na defesa do meio ambiente.

Nossa riqueza cultural encanta o mundo.

Somos referência mundial em transição energética e no enfrentamento da emergência climática que ameaça o futuro da humanidade.

E temos cada um e cada uma de vocês, que formam o extraordinário povo brasileiro, um dos mais admirados em todo o planeta.

Um feliz Dia da Independência, e que Deus continue abençoando o nosso Brasil.

O que o presidente Lula falou sobre o 7 de setembro

“Caosfonia” eleitoral: pesquisas medem o cenário ou influenciam a disputa?

O levantamento mais recente do Datafolha mostra um empate técnico entre os candidatos à Presidência da República Lula e Flávio Bolsonaro. O resultado ocorre em meio a acontecimentos que movimentaram o cenário político, como as investigações envolvendo Lulinha, filho do presidente; as revelações sobre o caso do Banco Master; e, mais recentemente, a crise instaurada no Supremo Tribunal Federal (STF). Mais informações em TVT News.

A cada novo fato político, envolvendo direta ou indiretamente os candidatos, as pesquisas ajudam a indicar como o eleitorado recebe essas informações e de que maneira elas podem repercutir na decisão de voto.

Afinal, o que os levantamentos de intenção de voto revelam sobre a corrida eleitoral deste ano? A TVT News conversou com Franciel Cruz, jornalista, cronista e apresentador da irreverente Live das Canjebrinas. Para ele, a grande quantidade de pesquisas, em vez de apenas medir a temperatura da disputa ou retratar o cenário do momento, tem produzido aquilo que costuma chamar de “caosfonia”: uma mistura de caos com cacofonia.

Entrevista

TVT: No levantamento mais recente do Datafolha, o candidato do Avante, Augusto Cury, foi a grande surpresa, ao subir de 2% para 8%. A que você atribui esse avanço?

Franciel Cruz: Essa semana nós tivemos a Quest também. Na Quest, o candidato, o Cury, sobe oito pontos. Acontece que, desses oito pontos, sete ele tira do balaio da extrema direita ou da direita, ele tira três de Caiado na Quest, três de Flávio, um de Renan, um de Zema. Então, quando você vai ver todo e, enfim, sai um também dos indecisos, nulos e tal.

TVT: E quanto à queda de Lula?

Franciel Cruz: Então, eu vi muita gente alvoroçada, mas se você for pegar, tanto no Datafolha quanto na Quest, que são as duas últimas pesquisas, o Lula oscila, que é uma oscilação normal de um ponto. Então, se alguém ganha seis em uma pesquisa ou oito, tem que saber de onde vieram esses votos, se vieram do mesmo balaio. Estou vendo muito alvoroço em relação a isso, é um alvoroço que eu entendo como descabido, porque, se ele estivesse tirando votos de Lula, aí tudo bem, aí seria um motivo, mas não há. Não se considera em pesquisa nem em queda, porque a pesquisa que tem menos margem de erro, que era a Atlas, por exemplo, é 1% ou 2%.

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Composição de imagens com os três candidatos à frente nas pesquisas de intenção de voto – (Lula Marcelo Camargo /Agência Brasil – Cury – Reprodução / Insagram – Flávio Bolsonaro – Agência Senado)

TVT: Pesquisas como as da AtlasIntel e da Quaest também apresentam cenários regionalizados e apontam para uma polarização ainda muito presente, com Lula vencendo com folga no Nordeste, por exemplo, e Flávio em vantagem no Sul e no Sudeste. Que conclusão podemos tirar desses resultados? O cenário político ainda é semelhante ao de 2018 ou ao de 2022?

Franciel Cruz: Então, eu acho que do ponto de vista estritamente eleitoral, sim, há um quadro parecido, apesar de ter uma recuperação de Lula, especialmente na região sudeste, por enquanto, pelo menos é o que demonstram as pesquisas. Então, Lula tem o melhor desempenho hoje em São Paulo do que teve em 2022, pelo menos até agora. Mas é o seguinte: esta é a eleição que Lula tem a maior possibilidade de ganhar no primeiro turno, apesar de ser uma eleição muito dura não pelo adversário, porque Flávio é muito fraco do ponto de vista de carisma, de qualquer coisa. Só que não é Flávio que está jogando. Quem está jogando é uma naco grande do PIB, é as organizações Globo e o restante da mídia hereditária, mas especialmente capitaneada pela Rede Globo, como nunca fez na história, né?

TVT: Franciel, como você avalia a metodologia das pesquisas? Você citou a AtlasIntel, que, em junho, questionou os eleitores sobre o áudio de uma conversa entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. A abordagem gerou uma série de dúvidas sobre se a pergunta havia sido formulada de maneira adequada.

Franciel Cruz: Olha que eu não sou negacionista de pesquisa, não é essa história. É de saber que os jornais, os portais passaram a ser dominados por instituições financeiras e atualmente não são mais. As pesquisas agora estão coladas ao sistema financeiro. Você tinha o Ibope, que era contratado pela Rede Globo, tinha o Datafolha, que era contratado pelo Jornal Folha de São Paulo. Você tem a pesquisa Real Time, Btg Pactual, banco. Você tem a pesquisa são pesquisas ligadas ao sistema financeiro. Em relação à Atlas, mas essa pesquisa específica, eu não a colocaria como enviesada, porque essa pergunta, ela é só foi feita depois de todas as outras perguntas, como eles colocaram depois, não tem como estar induzindo o entrevistado desse ponto de vista. Outra questão é que Ah, pesquisa não é só retrato, é uma tendência. Você tem que olhar a tendência e tem que olhar o retrato daquele momento tal e analisando a tendência. Então não é como eh burramente o presidente do do TSE, né? Cássio Concá Nunes queria premiar as pesquisas que mais acertasse. Isso é uma idiotice fora do comum.

TVT: E quanto ao caso do Banco Master? Houve diversas tentativas de associá-lo a Lula. Você acredita que esse escândalo ainda pode prejudicar a campanha?

Franciel Cruz: Eu costumo brincar que eu trabalho de pedreiro, então eu entendo que tudo é construção na vida. (O caso Master) foi tratado de uma forma extremamente leviana num dos canais das organizações Globo (Globonews), que foi a história do PowerPoint que as pessoas já esqueceram. Colocaram a foto de Vorcaro e a sigla do PT, Galípolo, Guido Mantega e Lula. Não tem Flávio lá, não tem Bolsonaro lá. A única figurinha que está sobreposta é de Lula. Que não tinha e não tem nada a ver com a história. E aí a campanha seguia polarizada eleitoralmente, Lula um pouquinho na frente, no primeiro turno e empatado, no segundo. Até que, até que chega o Intercept e diz: “Ó, nós temos aqui uma brincadeirinha de Flávio”. Pronto. Mas agora isso tudo foi esquecido. Agora resta à campanha de Lula saber como agir e ir para o enfrentamento.

TVT: Agora vamos falar de outro candidato que também tem ganhado destaque: Renan Santos, do Missão. Ele desempenha um papel semelhante ao do Padre Kelmon em 2022, como uma figura jocosa da disputa?

Franciel Cruz: Eu vou discordar um pouco de ti para dizer que ele não é uma figura engraçada, porque o Padre Kelmon seria uma figura folclórica apenas, por mais barbaridade que dissesse, não era tão perigosa quanto esse cidadão. Porque esse cidadão, ele vocaliza o que há de mais nefasto na sociedade. São pautas de uma crueldade fora do comum. Porque a partir do momento que ele diz que vai dar um banho de sangue e aponta para a favela, ele está pregando uma guerra contra os pobres literalmente, mas não para o crime organizado. O crime organizado tá na Faria Lima, em nenhum momento ele disse que ia chegar atirando na Faria Lima. O projeto dele é de desestabilização. Então, eu acho de uma gravidade muito maior do que o padre Kelmon.

TVT: E quanto à recusa de Lula e Flávio em participar dos debates do primeiro turno? Como você avalia essa estratégia?

Franciel: Não é uma novidade. Fernando Henrique não participou, Lula não participou de debates nas eleições passadas. Do ponto de vista da história das eleições no Brasil, ele (debate) perdeu muito a relevância, porque a gente ficava esperando, o país ficava esperando o debate para saber o que ia acontecer. Só que o debate virou uma esculhambação para dizer o mínimo, né? Você tem cadeiras voando, você tem padre fantasiado, não sei o quê. Então virou uma desmoralização desse instituto do debate. Então eu não vejo que tenha prejudicado em nada não (a ausência de Lula), mas eu acho que no último debate que é o da Rede Globo, eu creio que todos irão, porque quem não for, pode perder a possibilidade de ganhar, no caso de Lula, no primeiro turno, ou no caso perder no primeiro turno se Flávio por acaso não for, né? Então eu continuo afirmando: o governo Lula está num momento ruim, mas ainda falta um mês, exatamente um mês para a eleição. Muita coisa ocorre nesse período e as pessoas têm que parar de se guiar pelo que eu chamo de Esquerda Ibis. Ibis, para quem não sabe, é um time de Pernambuco que fica louvando toda vez que perde. “Oh, que maravilha, a gente perdeu”. Aí eu digo que tem Esquerda Ibis, que é aquela que tem tesão pela derrota. Não pode ser uma pesquisa com a situação de um ponto que diz: “Ai meu Deus, o mundo acabou, não tem mais jeito “. Se você pegar no último ano ou até nos últimos 6 meses, é esse o quadro, não houve grandes modificações. Tá a mesma coisa e Lula continua ali com índice de intenção de voto espontâneo muito alto, com quase 10 pontos de frente. E uma coisa que eu queria sublinhar é o seguinte também: mas e o segundo turno? Não existe segundo turno, se não existir o primeiro. E quem ganha no primeiro desde a maldita redemocratização não é o segundo.

Duda Salabert sofre tentativa de homicídio durante fiscalização de extração ilegal de minério na Grande BH

A deputada federal Duda Salabert (PSOL-MG) e Felipe Gomes sofreram uma tentativa de homicídio na noite desta quinta-feira (3), enquanto fiscalizavam uma denúncia de extração ilegal de minério na divisa entre Belo Horizonte e Nova Lima, nas proximidades do BH Shopping.

Ao chegarem ao local, foram surpreendidos e rendidos por três homens, um deles armado, que tentaram levá-los para dentro da área de mineração. Os dois reagiram e conseguiram escapar. Felipe foi espancado e Duda saltou de um barranco para chegar à avenida e pedir socorro. A deputada sofreu deslocamento no ombro e outros ferimentos e precisou ser hospitalizada.

O ataque aconteceu durante a fiscalização de uma atividade que ocorre a poucos quilômetros do centro de Belo Horizonte e escancara a gravidade da atuação criminosa em torno da mineração na região.

Estão roubando minério, moendo nossas montanhas e comprometendo nossa água a cinco quilômetros do centro de Belo Horizonte. Isso não acontece escondido. Todos sabem. Essa máfia da mineração movimenta muito dinheiro, corrompe agentes públicos e age com a certeza da impunidade. É essa rede de crime, dinheiro e corrupção que permite que nossas montanhas sejam destruídas diante dos olhos do poder público. Muitos fecham os olhos. Nós não vamos fechar os nossos.”

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O ataque aconteceu durante a fiscalização de uma atividade que ocorre a poucos quilômetros do centro de Belo Horizonte e escancara a gravidade da atuação criminosa em torno da mineração na região – Fotos: Cadu Passos

Como está a deputada Duda Salabert

A deputada Duda recebeu atendimento no Hospital Mater Dei e já teve alta. O caso será levado às autoridades estaduais e federais, com pedido de investigação rigorosa e identificação dos responsáveis.

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Obras do Cinturão das Águas do Ceará avançam para garantir mais segurança hídrica ao estado

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, visitou, nesta sexta-feira (4/9), o lote 3 das obras do Cinturão das Águas do Ceará. Acompanharam o presidente durante a visita, os ministros da Casa Civil, Miriam Belchior; da Integração e Desenvolvimento Regional, Waldez Góes; e da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães; entre outras autoridades. Leia em TVT News.

O sistema possui 145,3 km de extensão, composto por canais a céu aberto, túneis e sifões. Sua função é conduzir a água proveniente da Barragem Jati, localizada no município de Jati e integrante do Eixo Norte do Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF), até as nascentes do Rio Cariús, em Nova Olinda, na região do Alto Jaguaribe.

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Atualmente com 93,2% de execução das obras, o projeto – com recursos de R$ 1,8 bilhão da União e R$ 660 milhões no Novo PAC – traz segurança hídrica para diversos usos, obedecendo à seguinte ordem de prioridade: abastecimento humano, indústria, turismo, dessedentação animal e agricultura irrigada, além de contribuir para a segurança hídrica da Região Metropolitana de Fortaleza.

As obras do empreendimento capta água do Eixo Norte do Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF), no Reservatório Jati, e segue até o Rio Cariús, em Nova Olinda (CE), totalizando 145 quilômetros de extensão. A área de influência do empreendimento, após o Trecho I construído e em operação, abastecerá 24 municípios entre Jati e o rio Cariús, beneficiando 561 mil pessoas no estado do Ceará.

Além disso, o Trecho Emergencial pode contribuir com o abastecimento da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), por meio do sistema existente do Eixão das Águas, beneficiando mais de 4 milhões de habitantes da região. Esse trecho também já foi liberado.

LOTES – O projeto dos 145 quilômetros do canal foi dividido em lotes. O primeiro lote de obras, concluído em 2021, vai de Jati até o quilômetro 39. O segundo lote, concluído em 2022, abrange o percurso dos quilômetros 39 a 75. No terceiro lote, o trecho que vai dos quilômetros 75 a 90 foi concluído em junho deste ano e contou com a mobilização de 531 trabalhadores e 152 equipamentos.

Para março de 2027, estão previstas a conclusão das obras dos quilômetros 90 a 111, no lote 3; e dos quilômetros 111 a 145, do lote 4. A implantação dos túneis, que compreende o lote 5 do projeto, foi concluída em 2022.

O Cinturão das Águas do Ceará conecta-se a outros projetos de segurança hídrica em curso na região:

PROGRAMA ÁGUA DOCE – O Programa Água Doce (PAD) é uma iniciativa do Governo Federal, coordenada pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), em parceria com o Governo do Estado do Ceará, por meio da Secretaria dos Recursos Hídricos (SRH). O objetivo das obras é ampliar o acesso à água potável para populações do semiárido.

No Ceará, já são 277 sistemas de dessalinização instalados, beneficiando 277 comunidades, em 49 municípios, com valor total investido de R$ 69,8 milhões. Além disso, 17 novos sistemas serão instalados através do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), além de outros 31 pelo Ministério das Cidades.

Os sistemas implantados utilizam tecnologia de dessalinização da água de poços subterrâneos salobros, garantindo água própria para o consumo humano e contribuindo para a melhoria da qualidade de vida das comunidades atendidas. Entre 2023 e 2026, foram contemplados 13 municípios, somando 4.524 famílias beneficiadas no período. São eles: Acopiara, Apuiarés, Aracoiaba, Araripe, Aurora, Barreira, Chorozinho, Morada Nova, Ocara, Solonópole, Quixadá, Quixeramobim e Umirim.

PROJETO MALHA D’ÁGUA – O Projeto Malha D’água prevê uma rede de 33 sistemas adutores que irão captar água diretamente de mananciais estratégicos, tratá-la em Estações de Tratamento de Água (ETAs) e distribuí-la a cidades e distritos. Quando totalmente pronto, beneficiará 178 municípios e 697 distritos, atendendo a mais de 5,5 milhões de cearenses — 63% da população estadual.

A primeira etapa, em andamento, é o Sistema Banabuiú–Sertão Central, com 688 km de extensão, que atenderá nove municípios e 38 distritos. Com investimento superior a R$ 5 bilhões, o projeto garantirá água tratada, reduzirá a dependência de carros-pipa e promoverá desenvolvimento regional. O primeiro sistema adutor encontra-se com mais de 86% executado.

DUPLICAÇÃO DO EIXÃO DAS ÁGUAS – O Eixão das Águas é uma das obras mais emblemáticas do Ceará, com 255 km de extensão, ligando o Açude Castanhão à Região Metropolitana de Fortaleza. Ele integra diferentes bacias hidrográficas e abastece cerca de 4 milhões de habitantes, além do Complexo Industrial e Portuário do Pecém. Sua estrutura envolve canais, sifões, adutoras e estações de bombeamento.

Atualmente, o Eixão passa por obras de duplicação que vão dobrar sua capacidade de 11 m³/s para 22 m³/s. Isso ampliará a segurança hídrica da capital e do interior, fortalecendo a economia, a indústria e a qualidade de vida de 50% da população do Estado. É um pilar da garantia hídrica do Ceará no presente e no futuro com R$ 1,2 bilhão de investimentos. O projeto encontra-se com mais de 81,57% executado.

RAMAL DO SALGADO – Obra de execução federal, o Ramal do Salgado integra o Eixo Norte da Transposição do São Francisco e levará água do Ramal do Apodi até o rio Salgado, importante afluente do Jaguaribe. São 35 km de canais, aquedutos, túneis e galerias, passando por municípios como Ipaumirim e Lavras da Mangabeira. A obra, orçada em R$ 357 milhões, vai conectar as águas do São Francisco ao Castanhão, o maior reservatório do Ceará.

Com ele, cerca de 5 milhões de pessoas em 54 municípios terão maior garantia de abastecimento, inclusive na Região Metropolitana de Fortaleza. O Ramal do Salgado fortalece a rede de integração hídrica nacional e estadual, assegurando água para consumo humano e atividades produtivas. O projeto encontra-se com 64,16% executado.

Nikolas Ferreira divulga documento falso da PF que o inocentaria sobre teor de conversas com Vorcaro

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) compartilhou nas redes sociais um documento falso atribuído à Polícia Federal (PF) que supostamente afastaria a existência de indícios de crimes nas conversas mantidas por ele com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A falsificação foi identificada pelo UOL Confere, que verificou o uso de inteligência artificial na elaboração do arquivo. Leia em TVT News.

O documento apresentava uma suposta análise das conversas entre o parlamentar e Vorcaro e afirmava que as interações teriam ocorrido em contexto “pessoal e profissional”. A PF, porém, negou ser responsável pelo material.

A publicação também provocou uma reação na Câmara. A deputada Erika Hilton (PSOL-SP) afirmou que denunciou Nikolas à Justiça Eleitoral pela divulgação do documento falsificado. Segundo Erika, que fez a denúncia em conjunto com as candidatas candidatas Ana Elisa e Bella Gonçalves, Nikolas teria utilizado um arquivo produzido com inteligência artificial para se apresentar como inocente após a divulgação de informações sobre sua relação com Vorcaro.

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Documento tinha sinais de falsificação

Um dos principais indícios de que o arquivo não era autêntico está na presença de uma marca d’água associada a uma ferramenta de geração de conteúdo da OpenAI. A análise realizada pelo UOL Confere identificou que o documento havia sido produzido com auxílio de inteligência artificial.

O texto também continha erros de português e informações incompatíveis com os registros conhecidos sobre o caso. Entre eles estava a expressão “contato salvado como Nikolas Dep”, utilizada na descrição de um dos supostos elementos analisados.

Outro problema estava na data apresentada no arquivo. O documento indicava 18 de novembro de 2025 como a data da extração dos dados, embora afirmasse tratar de informações obtidas a partir do celular de Vorcaro.

A data, contudo, não corresponde ao dia da prisão do banqueiro. Vorcaro foi preso em 17 de novembro de 2025, durante uma ação da Polícia Federal. Assim, caso a extração mencionada no documento tivesse ocorrido de fato, ela seria posterior à prisão, no dia seguinte. A inconsistência reforça os indícios de que o arquivo não corresponde a um relatório oficial da PF.

Erika denuncia publicação à Justiça Eleitoral

Em publicação nas redes sociais, Erika Hilton classificou o arquivo como um “laudo fraudado” e afirmou que ela e as deputadas Ana Elisa e Bella Gonçalves acionaram a Justiça Eleitoral contra Nikolas.

A deputada argumentou que a divulgação de um documento falso atribuído a uma instituição pública não pode ser utilizada para influenciar o debate durante o período eleitoral. Erika também afirmou que a produção do material por inteligência artificial agrava a situação.

PF nega autoria do arquivo

Procurada pelo UOL Confere, a Polícia Federal afirmou que o documento não foi produzido pela instituição.

Mesmo assim, o arquivo foi divulgado por Nikolas Ferreira em seus stories no Instagram, onde permaneceu disponível por algum tempo antes de ser retirado. A publicação alcançou potencialmente um grande público, já que o deputado possui cerca de 22 milhões de seguidores na plataforma.

A assessoria do parlamentar afirmou ao UOL Confere que Nikolas apenas republicou o conteúdo encontrado em um portal e que o retirou depois de descobrir que se tratava de um material falso.

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Áudios levantam questionamentos sobre relação com Vorcaro

A circulação do documento ocorreu depois da divulgação de gravações que mostram Nikolas Ferreira pedindo ajuda a Vorcaro para tratar de um assunto relacionado a um amigo e ex-assessor.

O áudio foi divulgado pelo ICL Notícias e mostra o deputado solicitando ao banqueiro auxílio para a liberação de um ativo minerário. A existência da gravação contrasta com a tentativa do documento falso de apresentar as conversas entre os dois como interações sem indícios de irregularidades.

O episódio ocorre em meio às investigações envolvendo Vorcaro e o Banco Master e à divulgação de diferentes documentos e mensagens relacionados ao ex-banqueiro. A falsificação atribuída à PF, entretanto, não constitui documento oficial da investigação e não pode ser utilizada como prova sobre a relação entre Nikolas Ferreira e Vorcaro.