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Da Redação

Os vários tipos de vitória na política

Por João Henrique Faria *

Há uma frase, que eu disse recentemente em minha palestra no COMPOL Brasil, em Florianópolis (SC), que deveria ser pregada na parede de toda sala de guerra eleitoral: “vencer ou perder é apenas um detalhe”. Numa profissão obcecada por placares — quem subiu, quem caiu, quem “ganhou o debate” —, a afirmação soa quase como heresia.

Mas é precisamente essa contradição aparente que revela algo mais maduro sobre o ofício de fazer política: o resultado da urna é o produto mais visível de uma campanha, não o seu propósito mais profundo.

O eleitor mente, e a pesquisa sabe disso

Comece pelo dado, já que é nele que a política moderna deposita sua fé. As pesquisas quantitativas e qualitativas são hoje o esqueleto de qualquer campanha minimamente organizada. No entanto, os próprios profissionais que vivem de números sabem de uma verdade incômoda: o eleitor mente.

Não por má-fé, mas por dois mecanismos psicológicos bem documentados — o medo, que aparece com mais força em disputas acirradas, e a vergonha de parecer “desinformado”, que faz a pessoa responder sobre temas que sequer domina. Some-se a isso a Espiral do Silêncio, aquele reflexo humano de esconder a opinião que se sente minoritária, e o retrato fica completo: pesquisa é bússola, não mapa.

É por isso que a experiência ainda pesa — e aqui vale uma correção de rota importante: experiência não é sinônimo de idade. O que separa um estrategista maduro de um iniciante não é o número de aniversários, mas o volume de repertório acumulado. No Brasil, um profissional de comunicação política pode atravessar três ciclos eleitorais inteiros — 2022, 2024, 2026, por exemplo — em apenas quatro anos.

É como comparar dois pilotos: um voou o mesmo trajeto por vinte anos, o outro cruzou vinte trajetos diferentes em dois. A quilometragem de voo pode ser equivalente; o que muda é o tipo de turbulência que cada um aprendeu a reconhecer.

Isso explica também por que o salto de “estrategista digital” para “estrategista de campanha” é traiçoeiro. Dominar métricas de engajamento não ensina a conduzir uma operação inteira — a lógica é inversa: a operação de campanha contém o digital, não o contrário. Quem pula essa hierarquia corre o risco de, nas palavras do próprio ofício, “ficar queimado já na largada”.

O aperto de mão só mudou de tela

Existe um mito confortável de que as redes sociais mataram a política de proximidade, aquela do comício, do cafezinho, do aperto de mão. Não é bem assim. O que aconteceu foi uma tradução, não uma substituição.

Toda campanha bem estruturada ainda segue três fases clássicas: sensibilização (apresentar o candidato, inseri-lo no cotidiano do eleitor), motivação (conectar essa presença a uma causa maior) e mobilização (transformar quem apenas segue em quem efetivamente milita, o “seguidor-embaixador”).

A metáfora mais precisa talvez seja esta: hoje, a política tem duas gramáticas de contato — o aperto de tecla, no ambiente virtual, e o aperto de mão, nos “momentos de realidade” da rua. Uma não substitui a outra; elas se alimentam mutuamente, como maré que empurra a rede para a rua e a rua de volta para a rede, agora como prova social do resultado alcançado.

Sucesso não é sinônimo de vitória

Aqui mora a ideia mais desconfortável — e mais honesta — de toda a conversa. Existem candidatos que sabem perder. Que entendem a política como projeto de médio e longo prazos e recomeçam a campanha seguinte no dia posterior à derrota, num gesto de respeito à vontade popular. E existem os que não sabem, e que, por atitude inconsequente, arrastam tudo para um abismo do qual a saída é sempre mais demorada do que a queda.

A régua de sucesso proposta é simples de enunciar e difícil de praticar: uma candidatura é vitoriosa quando o candidato sai da disputa politicamente maior do que entrou — independentemente do resultado nas urnas. É a diferença entre medir uma campanha pelo termômetro (a temperatura do dia da eleição) e medir pelo relógio (o acúmulo de reputação ao longo do tempo).

Não existe fórmula, existe um mix

Se há algo que décadas de campanhas ensinaram, é desconfiar de fórmulas fechadas. Não existe um ingrediente que garanta vitória — existe sempre um mix: rua e digital, online e offline, estratégia e comunicação, a depender do momento e do terreno.

O que se pode, isso sim, é montar um roteiro de método: entender identidade, imagem e reputação do candidato; mapear com precisão o perfil do eleitorado; ler o contexto político, social e econômico da disputa; apoiar-se em diagnóstico robusto, combinando pesquisa quanti e quali; monitorar redes com tecnologia; e — ponto cada vez mais central — usar inteligência artificial sem nunca terceirizar a ela o comando da estratégia. A IA sugere; quem decide continua sendo humano. Checagem, nesse novo tabuleiro, deixou de ser burocracia e virou palavra de ordem.

Coerência é o novo carisma da política

Por fim, um alerta que vale para qualquer figura pública, não só para políticos: a imagem projetada nas redes precisa resistir ao encontro real com o eleitor. Não adianta construir uma identidade digital que desmorona, no primeiro contato, com o histórico de condutas do candidato. A comunicação política ficou mais horizontal, mais ágil, mais exposta — e, por isso mesmo, mais dependente de coerência entre o que se diz online e o que se é offline. Criatividade sem essa coerência não é ousadia, é risco.

O futuro é mais pergunta que resposta

Sobre o que vem a seguir, a honestidade intelectual, mais rara em qualquer área técnica, também aparece aqui: mais vale um bom questionamento do que uma certeza absoluta. As ferramentas tecnológicas caminham para mais previsibilidade, mas a política — feita por seres humanos falhos e criativos — sempre guardará uma margem de imprevisibilidade. E talvez seja exatamente essa margem, essa fresta de incerteza, o que ainda torna a política um ofício humano, e não apenas um exercício de otimização de algoritmos.

No fim, a lição que atravessa toda essa reflexão é simples de enunciar, difícil de sustentar na pressa do dia a dia eleitoral: dados orientam, mas não decidem; redes aproximam, mas não substituem o encontro; e vitória, por mais que seja o que todos buscam, nunca deveria ser a única métrica de uma campanha bem-feita.

Sobre o autor

João Henrique Faria é estrategista político, jornalista e professor. Membro do CAMP – Clube Associativo dos Profissionais de Marketing Político. Cofundador da Alcateia Política. Experiência em mais de 100 campanhas para o Executivo e Legislativo. Professor da pós-graduação em Comunicação Pública e Governamental da PUC-Minas. Criou e coordenou a primeira Pós-Graduação em Marketing Político do Brasil, na Escola do Legislativo da ALMG. É proprietário, desde 2003, da Fator Inteligência e Marketing.

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Os artigos dos colunistas expressam as opiniões individuais da autora ou do autor e não, necessariamente, refletem a opinião da TVT News

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Lula: Rubio é bolsonarista que não gosta do Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a criticar o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, durante visita ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) em São José dos Campos (SP) nesta sexta-feira (7). Lula classificou Rubio como um “latino-americano frustrado” e afirmou que ele “odeia o Brasil”.

“Ele [Trump] tem um cidadão que não gosta do Brasil, que não gosta da América Latina e que é um bolsonarista, que é o secretário de Estado, que é o Marco Rubio”, declarou o presidente. “Ele é um descendente cubano de Miami, então ele odeia. Odeia Cuba, odeia a Colômbia, odeia o Brasil”.

As declarações ocorrem em meio à escalada de tensões entre os dois países. O governo americano anunciou novas tarifas sobre produtos brasileiros, e o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti, foi suspenso. Rubio usou as redes sociais no mês passado para criticar Lula, dizendo que suas políticas econômicas “são prejudiciais tanto para os americanos quanto para os brasileiros”.

Lula quer enviar foto do desmatamento a Trump

O presidente afirmou que pretende enviar a Donald Trump uma fotografia com os gráficos do INPE que comprovam a queda do desmatamento no Brasil. “Depois eu preciso colocar aqueles gráficos que vocês colocaram, que eu quero tirar uma fotografia para mandar para o Trump”, disse Lula.

A iniciativa busca responder a um dos argumentos usados pelos EUA para justificar o tarifaço: a suposta competitividade de produtos brasileiros como madeira e carne por serem produzidos em áreas associadas a crimes ambientais.

Dados do INPE mostram queda histórica

Os números apresentados no INPE indicam que a Amazônia registrou a menor área sob alertas de desmatamento da série histórica — 2.874,38 km² no período de agosto de 2025 a julho de 2026, uma redução de 36% em relação ao período anterior. O Cerrado também atingiu o menor patamar dos últimos cinco anos, com 5.119,46 km² e queda de 7,8%.

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Presidente afirma que EUA usam informações defasadas para justificar tarifas contra produtos brasileiros. Foto: Ricardo Stuckert/PR

O INPE, que completou 65 anos em 3 de agosto, monitora todos os biomas brasileiros por meio dos sistemas Deter (alertas diários para fiscalização) e Prodes (mapeamento anual consolidado).

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Itaú Cultural recebe espetáculo que confronta racismo estrutural e disputas por representação

De 6 a 16 de agosto (quinta-feira a domingo), o Itaú Cultural apresenta o espetáculo As Armas Milagrosas: seis personagens à procura da existência, idealizado por Anderson Negreiro, que assina a direção ao lado da diretora colombiana Daniela Manrique. A montagem faz uma reflexão sobre racismo estrutural, representação e o direito à existência e à autoria no Brasil contemporâneo. Saiba mais na TVT News.

A narrativa parte da mescla de Seis Personagens à Procura de um Autor, de Luigi Pirandello, e Os Cães se Calavam, tragédia de Aimé Césaire presente na coletânea de poemas As Armas Milagrosas, que inspira o título da montagem. 

Como todas as atividades do Itaú Cultural, as apresentações são gratuitas. As sessões acontecem de quinta-feira a sábado às 20h, e nos domingos e feriados às 18h.Os ingressos devem ser reservados a partir da terça-feira da semana da apresentação, às 12h, na plataforma INTI – acesso pelo site do Itaú Cultural www.itaucultural.org.br.

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As Armas Milagrosas: seis personagens à procura da existência começa como um ensaio convencional da obra de Pirandello. A dinâmica é interrompida quando funcionários do próprio teatro – o porteiro/rebelde, a mãe, a assistente e o ponto – entram em cena para reivindicar o direito de narrar suas próprias histórias. Eles não representam personagens ficcionais. São personagens sociais produzidos pela branquitude e expõem o drama da existência negra no período pós-abolição.

A partir desse encontro, instala-se um embate entre duas formas de compreender o teatro. De um lado, a busca por uma representação controlada, baseada em cenários, figurinos e interpretações convencionais. Do outro, a urgência de experiências marcadas pela violência histórica, pela invisibilização e pela necessidade de ocupar o centro da narrativa. Ao longo da montagem, essas tensões transformam o palco em um espaço de confronto simbólico, no qual novas vozes rompem com as hierarquias tradicionais da representação.

As Armas Milagrosas: seis personagens à procura da existência é inspirada em obras do dramaturgo italiano Luigi Pirandello e do poeta, ensaísta e político martinicano Aimé Césaire. Foto: Marcelle Cerutti

Diálogo 

O projeto do espetáculo teve início em 2021, quando o diretor Anderson Negreiro trabalhou com Os Cães se Calavam, texto do escritor Aimé Césaire. Posteriormente, o contato com a obra do autor foi retomado a partir de uma releitura de Seis Personagens à Procura de um Autor, clássico de Luigi Pirandello.

Embora pertençam a contextos históricos e culturais distintos, os dois autores são aproximados pela montagem por compartilharem questões relacionadas à existência, à autoria e às disputas em torno de quem pode ocupar o espaço da representação. Dessa aproximação nasce uma metaficção que atualiza esses debates para refletir sobre o racismo estrutural no Brasil contemporâneo.

Luz, espaço e visibilidade

Sem cenário fixo, As Armas Milagrosas: seis personagens à procura da existência utiliza poucos adereços cênicos, fazendo da iluminação seu principal elemento dramatúrgico e visual. O desenho de luz, criado por Matheus Brant, indicado ao Prêmio Shell de Teatro na categoria Iluminação pelo trabalho desenvolvido para a montagem, organiza o espaço a partir de um cubo central iluminado, dividindo o centro e a margem.

No interior desse espaço permanecem representantes alegóricos da branquitude. Fora dele estão os funcionários negros do teatro, que operam o espaço cênico e buscam atravessar essa fronteira luminosa. “A luz é a dramaturgia que revela a separação dos corpos. É por meio dela que a gente torna visível uma estrutura que normalmente não se vê: o racismo que organiza quem está no centro e quem fica à margem”, afirma Negreiro.

Ao longo da encenação, a iluminação evidencia essas relações de poder e reforça o deslocamento das hierarquias tradicionais da cena. Assim, o espetáculo transforma o fazer teatral em objeto de reflexão, expondo mecanismos de invisibilização que atravessam a sociedade brasileira.

SERVIÇO

Espetáculo As Armas Milagrosas: seis personagens à procura da existência

De 6 a 16 de agosto (quintas-feiras a sábados, às 20h, e domingos e feriados, às 18h)

No Itaú Cultural

Auditório (piso térreo)

Capacidade: 224 lugares

Duração: 95 minutos

Classificação indicativa: 14 anos

Entrada gratuita. Reservas de ingressos a partir da terça-feira da semana da apresentação, às 12h, na plataforma INTI – acesso pelo site do Itaú Cultural

TVT News não esquece: 3 meses do escândalo dos áudios de Flávio Bolsonaro para Vorcaro

Em 13 de maio, o cenário político brasileiro foi abalado por uma das mais contundentes revelações jornalísticas da década. O The Intercept Brasil publicou a reportagem que expôs a negociação direta entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, para financiar o filme Dark Horse — cinebiografia sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Três meses depois, o escândalo Dark Horse não apenas se mantém em evidência como se multiplicou em desdobramentos judiciais, investigações da Polícia Federal, novas revelações que aprofundam o emaranhado de suspeitas em torno da relação entre a família Bolsonaro e o banqueiro preso.

O que começou como um áudio vazado transformou-se em um dos maiores casos de suspeita de corrupção e financiamento irregular da política brasileira contemporânea.

O nome de Vorcaro aparece ainda em outras investigações, enquanto Flávio Bolsonaro é alvo de apurações distintas, como a da CGU sobre uma emenda de R$ 4 milhões destinada ao Vasco da Gama

Documentos também indicam que US$ 2 milhões foram enviados pela Entre Investimentos ao Havengate Development Fund, estrutura administrada por pessoas ligadas ao advogado de Eduardo Bolsonaro nos EUA. Ao todo, US$ 10,6 milhões teriam chegado ao fundo..

O que é o escândalo Dark Horse e qual a relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro

O escândalo Dark Horse tem como ponto de partida a reportagem “ÁUDIO: Flávio Bolsonaro negociou com Daniel Vorcaro  R$ 134 milhões”  para a produção do filme Dark Horse.

O áudio e as mensagens obtidas com exclusividade pelo The Intercept Brasil mostram Flávio Bolsonaro em diálogo direto com Vorcaro. Em 16 de novembro de 2025, o senador enviou ao banqueiro a seguinte mensagem: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”.

Um dia depois, Vorcaro foi preso enquanto tentava fugir do país por operar um esquema de fraude que gerou um rombo de R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). No dia seguinte, o Banco Central liquidou o Banco Master.

Segundo a reportagem do Intercept, documentos e mensagens indicam que pelo menos US 10,6milhões foram transferidos entre fevereiro e maio de 2025 em seis operações para financiar o projeto cinematográfico. Os registros incluem um cronograma de desembolso, comprovante bancário e cobranças relacionadas às parcelas.

O envolvimento de Vorcaro foi negociado diretamente por Flávio Bolsonaro, mas contou com outros perosnagens, como o irmão e deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o deputado federal Mario Frias (PL-SP), ex-secretário da Cultura no governo Bolsonaro.

O que Flávio temia: em áudio obtido pelo Intercept, o senador expressou preocupação com o fracasso do projeto: “Imagina a gente dando calote num Jim Caviezel, num Cyrus [Nowrasteh, diretor do filme], os caras pô, renomadíssimos lá no cinema americano, mundial. Pô, ia ser muito ruim. Todo efeito positivo que a gente tem certeza que vai vir com esse filme pode ter o efeito elevado a menos um aí, cara.”

O financiamento chama atenção pelo tamanho. Documentos apontam custo declarado superior a R$ 75 milhões, enquanto a negociação com Vorcaro previa aproximadamente R$ 134 milhões. A Ancine também identificou irregularidades relacionadas à produção.

Flávio Bolsonaro amigão de Vorcaro do Banco Master

As revelações sobre a relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro vão muito além de um único encontro ou áudio. A investigação mostrou que os dois tiveram pelo menos dois encontros presenciais durante as negociações ligadas ao filme Dark Horse.

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Reprodução da conversa com o pedido de dinheiro de Flávio Bolsonaro para Daniel Vorcaro, do Banco Master, obtida pelo Intercet. Reprodução / Intercept

Encontros secretos e versões contraditórias

Até então, era conhecida apenas a reunião realizada no fim de novembro de 2025, quando Flávio Bolsonaro foi à residência de Vorcaro em São Paulo. O senador afirmou que o encontro tinha como objetivo “dar um ponto final” nas negociações. No entanto, o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, revelou que houve pelo menos outra reunião presencial entre os dois, ocorrida no primeiro semestre de 2025, em uma mansão alugada por Vorcaro em Brasília, sem testemunhas.

A versão de Flávio sobre o encontro em São Paulo também foi contestada. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, admitiu publicamente que o senador procurou Vorcaro após a prisão domiciliar do banqueiro para tentar garantir a continuidade do financiamento. Segundo Valdemar, Flávio foi “visitar depois para ver se conseguia o restante do dinheiro”.

A declaração de Valdemar contradiz frontalmente a versão anterior do próprio Flávio, que afirmou ter ido a São Paulo apenas para “botar um ponto final nessa história”.

Pressionou e priorizou: mensagens revelam empenho

Em 2 de junho de 2026, o Intercept Brasil publicou nova etapa da série Vaza Flávio, revelando que Vorcaro tratou os pagamentos do filme Dark Horse como prioridade absoluta após cobranças de Flávio.

As mensagens mostram que, em 20 de janeiro de 2025, o empresário Thiago Miranda — responsável por aproximar Flávio e Vorcaro — enviou uma mensagem ao banqueiro cobrando o primeiro aporte: “Cara, hoje é a data limite daquele primeiro aporte filme. Preciso acelerar. Estamos no laço.”.

Miranda encaminhou uma mensagem de Flávio pedindo que pressionasse o jurídico do investidor“Fala Thiago, te escrevo a pedido do pessoal do nosso filme pra vc dar um gás na resposta do jurídico do investidor”.

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Mensagens obtidas pelo jornal The Intercept – Reprodução

No dia seguinte, Fabiano Zettel, cunhado e homem de confiança de Vorcaro, informou ao banqueiro que havia 55,5 milhões em pagamentos pendentes. Vorcaro perguntou se o filme estava incluído. A resposta foi negativa. Então o banqueiro determinou: “Esse é o mais importante disparado”, acrescentando que a operação “não pode falhar mais”.

Foto ao lado de capanga de Vorcaro

Em 30 de julho de 2026, Flávio Bolsonaro aparece em uma foto ao lado de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apelidado de “Sicário” — o homem encarregado por Vorcaro para praticar ameaças e ações violentas contra desafetos. A imagem teria sido tirada em 2022, em um hotel na zona sul do Rio de Janeiro.

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Imagem passou por ferramentas de detecção que não apontaram uso de IA. Foto: Divulgação/ICL

Em nota, Flávio afirmou que “como figura pública e extremamente popular, recebe todos os dias pedidos de dezenas de pessoas pelas ruas para fotos” e disse que não conhece Sicário. A foto passou por cinco ferramentas de detecção de inteligência artificial e análise do InVID, sem que fossem encontrados indícios de manipulação. Mourão cometeu suicídio ao ser preso em março de 2026.

Relembre as investigações sobre o dinheiro que Flávio Bolsonaro pediu a Vorcaro

O dinheiro negociado entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro para o filme Dark Horse tornou-se alvo de múltiplas frentes de investigação.

PF avalia inclusão de Flávio na lista da Interpol

Em 30 de julho de 2026, a TVT News revelou que a Polícia Federal avalia pedir a inclusão do senador Flávio Bolsonaro na chamada difusão prateada da Interpol, mecanismo internacional criado para auxiliar na localização de bens e ativos relacionados a investigações criminais. A suspeita é de que os valores tenham sido integralmente remetidos ao exterior e, eventualmente, possam ter sido utilizados para uma finalidade diferente da apresentada inicialmente.

O inquérito foi autorizado pelo ministro André Mendonça, do STF, depois de a PF solicitar a abertura da investigação e a Procuradoria-Geral da República (PGR) considerar que havia elementos suficientes.

Fundo Havengate: o elo entre Vorcaro, Flávio e Eduardo Bolsonaro

Os recursos destinados ao filme Dark Horse seriam canalizados por meio do fundo Havengate, responsável pela estrutura financeira da produção. O fundo era controlado por Paulo Calixto, advogado ligado ao deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro.

A notícia-crime que pede a investigação de Flávio Bolsonaro foi protocolada pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) e busca apurar a ligação entre os recursos do Dark Horse, as investigações da Operação Compliance Zero (que apura suspeitas envolvendo o Banco Master) e a atuação internacional de Eduardo Bolsonaro.

O presidente do STF, ministro Edson Fachin, definiu André Mendonça como relator do caso, seguindo parecer da área técnica e da PGR.

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Comprovante de transferência mostra que 2 milhões de dólares foram transferidos pela Entre Investimentos e Participações para o fundo Havengate. As marcações em preto foram inseridas pelo Intercept para não expor códigos e informações técnicas da operação bancária (Foto: Reprodução)

Fundo ligado a Vorcaro vendeu empreendimento inexistente

Investigações apontam que um fundo ligado a Daniel Vorcaro vendeu um empreendimento que, na realidade, não existia — mais um capítulo da teia de suspeitas que envolve o ex-banqueiro e sua relação com o financiamento do filme.

Flávio Bolsonaro visitou Vorcaro para ver se conseguia o restante do dinheiro

A declaração de Valdemar Costa Neto — de que Flávio foi a São Paulo “para ver se conseguia o restante do dinheiro” — aprofunda o desgaste político em torno da produção. O próprio Flávio havia negado inicialmente que Vorcaro tivesse injetado dinheiro na produção de Dark Horse, versão contestada após a divulgação dos áudios pelo Intercept.

Valores que Flávio pediu para Vorcaro são fora da realidade do cinema nacional

As planilhas indicam que o filme sobre Bolsonaro custou espantosos R$ 75 milhões, um valor que não encontra paralelo no mercado cinematográfico do país. Diante de tais cifras, a Agência Nacional do Cinema (Ancine) entrou no caso, viu irregularidade flagrante na estruturação financeira de Dark Horse e multou a produtora responsável.

Ancine vê irregularidade e multa produtora

A Agência Nacional do Cinema (Ancine) identificou irregularidades na produção de Dark Horse e aplicou multa à produtora, aprofundando as suspeitas sobre a gestão dos recursos.

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PF deve investigar cerca de R$ 61 milhões que teriam sido transferidos para o fundo offshore Havengate, que financiou o filme “Dark Horse”. Foto: Divulgação

Filme Dark Horse custou R$ 75 milhões, segundo produtora

Ainda assim, o valor declarado permanece inferior aos R$ 134 milhões que teriam sido discutidos nas negociações entre Vorcaro e Flávio Bolsonaro.

Ex-diretor da Globo diz que Vorcaro tinha mais poder em Dark Horse do que em “Ainda Estou Aqui”

A influência de Daniel Vorcaro no projeto Dark Horse foi tamanha que, segundo um ex-diretor da Globo, o banqueiro exercia mais poder sobre a produção do que a emissora teve sobre “Ainda Estou Aqui” — um dos filmes brasileiros de maior sucesso recente.

Os tentáculos de Vorcaro: a influência do banqueiro

A influência de Daniel Vorcaro não se limitou ao financiamento do filme Dark Horse. O ex-banqueiro do Banco Master estendeu seus tentáculos por diferentes esferas — da mídia ao Judiciário, da política à administração pública.

Léo Dias apagou matéria sobre Dark Horse após bronca de Vorcaro

O jornalista Léo Dias teria apagado uma matéria sobre Dark Horse após receber uma “bronca” de Vorcaro — evidência do poder de intimidação do banqueiro sobre veículos de imprensa.

Kassio Nunes suspende pesquisa que apontou queda de Flávio Bolsonaro

O ministro do STF, Kassio Nunes Marques, suspendeu uma pesquisa que apontava queda nas intenções de voto de Flávio Bolsonaro após o vazamento das conversas com Vorcaro — movimento que gerou questionamentos sobre a independência do Judiciário.

Emenda de Flávio Bolsonaro ao Vasco é alvo da CGU

Uma emenda parlamentar de Flávio Bolsonaro destinada ao Club de Regatas Vasco da Gama tornou-se alvo de investigação da Controladoria-Geral da União (CGU), ampliando o escrutínio sobre o uso de recursos públicos pelo senador.

Emenda de Flávio Bolsonaro ao Vasco é alvo da CGU por suspeitas
Pedrinho, presidente do Vasco, com o candidato Flávio Bolsonaro: emenda do senador é alvo de investigação na CGU. Foto: Reprodução / Redes Sociais

PF: Vorcaro planejou agressão para calar jornalista

A Polícia Federal investiga se Daniel Vorcaro planejou uma agressão contra um jornalista para silenciá-lo — mais um capítulo da atuação violenta do banqueiro contra quem ousasse expor suas atividades.

Suspeitas que ainda não foram respondidas da relação de Vorcaro com bolsonaristas

Apesar de três meses de investigações, múltiplas perguntas sobre a relação entre Daniel Vorcaro e o bolsonarismo permanecem sem resposta.

Distrito Federal contratou ONG produtora de Dark Horse

O Distrito Federal contratou uma ONG ligada à produtora do filme Dark Horse — o que levanta suspeitas sobre o uso de dinheiro público para financiar indiretamente a produção.

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Mário Frias também está no centro do escândalo do filme de Bolsonaro. Foto: Divulgação

Polícia Civil investiga desvio de verbas para Dark Horse

A Polícia Civil realiza operações para apurar supostos desvios de verbas públicas destinadas a projetos que teriam relação com a produção de Dark Horse.

Produtora Dark Horse emitiu R$ 165 milhões em notas irregulares

A produtora Go Up Entertainment teria emitido R$ 165 milhões em notas fiscais irregulares, segundo investigações — valor que supera em muito o custo declarado do filme.

Mario Frias agradeceu Vorcaro por apoio a Dark Horse

O deputado Mario Frias, que dizia não ter “nenhum centavo” do Banco Master no filme, foi flagrado em áudio agradecendo a Vorcaro pelo apoio. Na gravação, Frias chama o banqueiro de “meu brother” e afirma que o filme “vai mexer com o coração de muita gente”.

ONG ligada a filme de Bolsonaro cobrava o dobro em contrato de Wi-Fi com a Prefeitura de SP

Uma ONG ligada à produção de Dark Horse cobrava o dobro do valor de mercado em um contrato de Wi-Fi com a Prefeitura de São Paulo — mais um indício de que o filme serviu como “infraestrutura econômica e política do bolsonarismo”, como avaliou o cientista político Paulo Niccoli Ramirez.

Três meses após os áudios, origem e destino dos recursos seguem sob apuração

Três meses após a revelação do áudio de Flávio Bolsonaro para Daniel Vorcaro, o escândalo Dark Horse deixou de ser apenas um caso de financiamento suspeito de um filme para se transformar em um emblema das conexões entre poder político, grandes finanças e suspeitas de corrupção que marcam a política brasileira contemporânea.

Enquanto as investigações avançam — da PF ao STF, da Interpol à CGU —, as perguntas sobre o destino dos R$ 61 milhões, o papel da família Bolsonaro e os tentáculos de Vorcaro continuam a exigir respostas que ainda não vieram.

O principal ponto ainda sem resposta é a destinação completa dos recursos: quanto efetivamente foi usado no filme, quem foram os beneficiários finais e se alguma parcela teve finalidade diferente da produção cinematográfica. Flávio Bolsonaro afirma que os recursos foram usados integralmente no filme.

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Composição de imagens de Flávio Bolsonaro e reprodução de conversa com Vorcaro, do Banco Master divulgadas pelo The Intecetp Brasil – Imagens: Foto de Flávio Bolsonaro por Maura Martins/TV Brasil

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Boulos se reúne com centrais sindicais e afirma: fim da 6×1 é prioridade do governo no Congresso

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, se reúne nesta sexta-feira (7), em São Paulo, com representantes de centrais sindicais, sindicatos e movimentos populares para discutir a mobilização pelo fim da escala 6×1. Saiba mais na TVT News.

O encontro acontece às 10h, no escritório da Presidência da República, na Avenida Paulista, e terá como principal pauta a proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê a redução da jornada de trabalho e o encerramento do modelo em que o trabalhador atua por seis dias consecutivos e folga apenas um.

Participam da reunião as sete centrais sindicais, além de organizações como Povo Sem Medo, Frente Brasil Popular, Movimento Vida Além do Trabalho (VAT), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). A agenda faz parte da articulação entre governo, sindicatos e movimentos sociais para ampliar a pressão sobre o Congresso Nacional pela votação da PEC da 6×1.

Segundo Boulos, o fim da escala 6×1 foi definido como prioridade do governo federal para o segundo semestre de trabalhos no Congresso. O ministro destacou que a decisão não é individual, mas resultado de uma definição tomada em reunião de governo e respaldada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“O governo terá como pauta prioritária. Isso não é apenas a minha opinião, a minha vontade. Isso foi tirado em reunião de governo. Tá chancelado pelo presidente Lula”, afirmou.

Boulos citou outras propostas consideradas relevantes pelo governo, como a discussão sobre minerais críticos e a PEC da Segurança, mas ressaltou que a principal prioridade é a mudança na jornada de trabalho.

Governo quer votação da 6×1 antes das eleições

A estratégia defendida pelo governo e pelas entidades sindicais é evitar que a discussão seja adiada para depois das eleições. Para Boulos, o Congresso precisa votar a proposta para que os trabalhadores possam conhecer a posição de cada parlamentar sobre o tema antes de decidir seus votos nas urnas.

“Ninguém tem o direito de engavetar a liberdade do trabalhador brasileiro. Ninguém tem o direito de engavetar o direito de descanso do trabalhador brasileiro”, afirmou o ministro sobre o fim da 6×1.

Segundo ele, a defesa da votação antes das eleições não é apenas uma posição do governo Lula, mas também dos movimentos sociais e do conjunto do movimento sindical. Boulos ressaltou que senadores e senadoras têm direito de defender posições favoráveis ou contrárias à proposta, mas devem se posicionar publicamente.

Para o ministro, deixar a discussão para depois das eleições pode abrir espaço para alterações no texto. Ele argumentou que uma proposta apoiada por mais de 70% da população poderia sofrer mudanças que prejudiquem os trabalhadores durante o período posterior ao pleito.

“Não se pode empurrar isso com a barriga”, disse Boulos, ao defender que o Senado coloque o tema em votação.

Mobilizações começam na próxima semana

Após a reunião, Boulos afirmou que as organizações apresentaram um calendário de mobilização para pressionar os parlamentares. A primeira etapa está prevista para os dias 10 e 11 de agosto.

No dia 10, as centrais sindicais devem realizar ações descentralizadas em diferentes categorias profissionais. Estão previstas atividades nas portas de fábricas, locais de trabalho, panfletagens e mobilizações nas redes sociais. A proposta é levar a discussão da 6×1 diretamente às bases dos trabalhadores, em vez de concentrar os atos em uma única manifestação.

No dia 11, Dia do Estudante, movimentos estudantis devem promover atividades em universidades, institutos federais e escolas. A intenção é ampliar o debate para além do movimento sindical e envolver estudantes na defesa da redução da jornada.

Uma nova mobilização nacional está prevista para 30 de agosto, domingo que antecede a última semana indicada para a votação da proposta. A expectativa é reunir movimentos sociais e entidades sindicais em ações pelo fim da escala 6×1 em todo o país.

Centrais defendem redução da jornada

Para Adilson Araújo, presidente nacional da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), a atual escala beneficia principalmente os empregadores. O dirigente defendeu que o Brasil acompanhe transformações nas relações de trabalho observadas em outros países.

Araújo também relacionou a discussão ao aumento da precarização do trabalho e aos efeitos da reforma trabalhista de 2017. Para ele, reduzir a jornada não significa apenas ampliar o tempo disponível para atividades pessoais, mas garantir melhores condições de vida.

O dirigente sindical citou a possibilidade de os trabalhadores terem mais tempo para conviver com a família, estudar, buscar qualificação profissional, cuidar da saúde e descansar.

Na avaliação de Araújo, o Brasil precisa avançar na discussão sobre a jornada de trabalho e melhorar as condições de vida dos trabalhadores.

Ricardo Patah, presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), afirmou que a redução da jornada é uma reivindicação histórica do movimento sindical brasileiro. Segundo ele, a discussão existe há mais de um século e ganhou novos contornos com as transformações tecnológicas e econômicas.

Patah também afirmou que o fim da escala 6×1 se tornou uma pauta amplamente apoiada pela população e defendeu que o Senado se sensibilize diante da mobilização social.

Trabalhadores rurais também são afetados

A presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag), Vânia Marques, chamou atenção para os impactos da jornada sobre quem trabalha no campo, nas águas e nas florestas.

Segundo ela, trabalhadores responsáveis pela produção de alimentos enfrentam jornadas prolongadas e, em muitos casos, trabalham de domingo a domingo. Vânia também citou a permanência de situações de trabalho escravo e trabalho infantil como problemas que ainda atingem o meio rural brasileiro.

Para a dirigente, a redução da escala 6×1 está ligada à soberania alimentar e à dignidade dos trabalhadores que produzem os alimentos consumidos pela população.

“Queremos sim trabalho digno para essas pessoas”, afirmou Vânia, defendendo que o Senado trate a proposta com urgência.

Pressão sobre os senadores

A mobilização organizada pelas centrais e movimentos populares pretende aumentar a pressão sobre o Senado para que a proposta avance antes das eleições. A estratégia inclui manifestações nas bases, atividades em instituições de ensino, ações digitais e um dia nacional de mobilização.

O objetivo é fazer com que os parlamentares apresentem publicamente sua posição sobre o fim da escala 6×1. Para Boulos, o eleitor precisa ter conhecimento sobre como cada senador votará antes de chegar às urnas.

A reunião desta sexta-feira (7), portanto, marca uma nova etapa da articulação entre governo, sindicatos e movimentos sociais em torno da redução da jornada. A pressão deve continuar nas próximas semanas, com o calendário de mobilizações concentrado entre agosto e o início de setembro.

Amazônia tem menor desmatamento da série histórica; Cerrado, a menor em cinco anos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou nesta sexta-feira (7/8) a sede do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), unidade de pesquisa vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), em São José dos Campos (SP), no contexto da celebração dos 65 anos da instituição, criada em 3 de agosto de 1961. Na ocasião, foram apresentados os dados do Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter) referentes ao período de agosto de 2025 a julho de 2026, que indicam redução da área sob alertas de desmatamento na Amazônia e no Cerrado. Saiba mais na TVT News.

Na Amazônia, a área sob alertas foi de 2.874,38 km², o que representa uma redução de 36% em relação ao período anterior, o menor valor registrado na série histórica e um resultado 55,6% abaixo da média dos últimos dez anos (2015/2016 a 2024/2025). Já no Cerrado, a área sob alertas foi de 5.119,46 km², com redução de 7,8% em relação ao período anterior e o menor valor dos últimos cinco anos.

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CAATINGA, MATA ATLÂNTICA E PAMPA – Também foram divulgados os dados consolidados do Sistema Prodes referentes ao período de agosto de 2024 a julho de 2025. Na Caatinga, a área desmatada foi de 2.289,54 km², uma redução de 34,3% em relação ao período anterior. Na Mata Atlântica, a área desmatada foi de 402,36 km², uma redução de 15,32%. No Pampa, a área desmatada foi de 305,48 km², uma redução de 41,7%, e a maior queda proporcional entre os três biomas. Os dados de 2024-2025 do Sistema Prodes para Amazônia e Cerrado foram divulgados no fim do ano passado, antes da COP30.

DETER E PRODES – O Deter produz alertas diários para orientar as ações de fiscalização e controle do desmatamento. O Prodes realiza o mapeamento anual da supressão de vegetação nativa e produz dados consolidados utilizados no acompanhamento das políticas públicas de proteção dos biomas brasileiros.

INPE – O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais é unidade de pesquisa vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e atua em pesquisa científica e desenvolvimento tecnológico nas áreas espacial, atmosférica e ambiental. Desde 1988, o INPE produz estimativas anuais do desmatamento na Amazônia Legal. Atualmente, realiza também o monitoramento anual da supressão da vegetação nativa em todos os biomas brasileiros.

CONSULTE – Os dados e as apresentações técnicas do Deter e Prodes estão disponíveis na plataforma TerraBrasilis e nos canais oficiais do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e do INPE.

Via Secom