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Da Redação

“A Odisseia”: Nolan transforma poema épico de Homero em espetáculo cinematográfico

Poucos cineastas contemporâneos teriam condições de assumir o desafio de adaptar A Odisseia, um dos textos fundadores da literatura ocidental. Menos ainda conseguiriam fazê-lo sem reduzir a epopeia de Homero a um simples espetáculo de efeitos especiais ou a um blockbuster de fantasia. Christopher Nolan, vencedor do Oscar por Oppenheimer, demonstra que pertence a esse grupo raro. Saiba mais na TVT News.

Seu novo longa-metragem, que estreou nesta quinta-feira (16) nos cinemas brasileiros, é ao mesmo tempo uma superprodução de aproximadamente US$ 250 milhões e uma reflexão profundamente humana sobre guerra, culpa, memória, poder e sobrevivência.

O filme acompanha a longa jornada de Odisseu (Ulisses, na tradição latina), interpretado por Matt Damon, tentando retornar ao reino de Ítaca após dez anos lutando na Guerra de Troia. Entre monstros, deuses, tempestades, sereias, ciclopes e feiticeiras, Nolan preserva aquilo que tornou o poema imortal: a aventura exterior é também uma viagem interior.

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Para o jornalista e crítico de cinema Luiz Zanin, que comentou o lançamento no Jornal TVT News Primeira Edição, trata-se de uma das maiores experiências cinematográficas dos últimos anos.

Zanin lembra que Nolan já vinha de uma sequência impressionante de obras como Dunkirk e Oppenheimer, nas quais demonstrou domínio absoluto da linguagem cinematográfica. Segundo ele, a adaptação de A Odisseia leva essa maturidade artística ao limite.

“O filme convoca toda a potencialidade do cinema”, afirmou o crítico, destacando o uso das câmeras IMAX de 70 mm, a fotografia monumental, o desenho de som e a trilha composta por Ludwig Göransson como elementos fundamentais da experiência.

Por que ‘A Odisseia’ continua atual quase três mil anos depois

Mais do que um filme para ser visto, A Odisseia é um filme para ser vivido dentro da sala de cinema.

Essa talvez seja sua maior qualidade.

Nolan entende que determinadas histórias exigem escala. Sua adaptação jamais seria a mesma em uma televisão ou em uma plataforma de streaming. O impacto da fotografia assinada por Hoyte van Hoytema, os enquadramentos gigantescos, o uso integral da película IMAX e o desenho sonoro transformam cada batalha, cada tempestade e cada encontro sobrenatural em uma experiência física.

A Odisseia Nolan Homero

Ao contrário de muitas superproduções recentes, Nolan prefere locações reais, embarcações construídas em tamanho natural e efeitos práticos sempre que possível. Essa escolha produz uma sensação rara de autenticidade, mesmo quando a narrativa mergulha completamente na mitologia.

Mas reduzir A Odisseia à excelência técnica seria cometer uma injustiça.

O verdadeiro mérito do filme está na maneira como ele compreende o espírito do poema atribuído a Homero. Como lembram historiadores e especialistas em literatura clássica, a obra atravessou cerca de 2.700 anos justamente porque nunca deixou de ser reinterpretada. Nolan compreende essa tradição e realiza uma adaptação que respeita o texto original sem transformá-lo em peça de museu.

Crítica: fotografia em IMAX, som e direção fazem do filme uma experiência única

O aspecto técnico impressiona desde os primeiros minutos. Filmado integralmente com câmeras IMAX, em um processo inédito para um longa dessa dimensão, o filme leva às últimas consequências a busca de Nolan por imagens de enorme definição e profundidade.

A fotografia de Hoyte van Hoytema transforma paisagens da Grécia, Marrocos, Itália, Escócia e Islândia em cenários de beleza monumental. A trilha sonora de Ludwig Göransson amplia a sensação épica sem sufocar os momentos de introspecção do protagonista.

O desenho de som merece destaque especial. As tempestades, o rugido do mar, os urros do ciclope Polifemo e o inquietante canto das sereias produzem uma imersão que dificilmente pode ser reproduzida fora da sala de cinema.

Como observou Luiz Zanin, trata-se de um filme pensado para a tela grande. Mesmo quem não conseguir assisti-lo em uma sala IMAX encontrará uma experiência audiovisual rara na produção hollywoodiana contemporânea.

Odisseu é um herói imperfeito, inteligente e marcado pela culpa

A Odisseia Nolan Homero

Odisseu jamais foi um herói convencional.

Sua principal arma nunca foi a força física, mas a inteligência.

Foi ele quem idealizou o famoso Cavalo de Troia. É ele quem derrota o ciclope Polifemo usando a astúcia. É ele quem ordena que seus marinheiros tampem os ouvidos com cera enquanto pede para ser amarrado ao mastro apenas para ouvir o irresistível canto das sereias sem sucumbir à tentação.

Como destacou Luiz Zanin, trata-se de um personagem profundamente humano: curioso, contraditório, imperfeito e permanentemente dividido entre prudência e desejo.

Nolan amplia ainda mais essa dimensão psicológica ao apresentar um Odisseu traumatizado pelo massacre cometido em Troia.

A vitória dos gregos deixa de ser glorificada para tornar-se um peso moral.

O protagonista carrega a culpa pelo extermínio de homens, mulheres e crianças, transformando sua viagem de retorno também em uma busca por redenção.

Filme estabelece paralelos entre Guerra de Troia, genocídio e mundo contemporâneo

É justamente nesse ponto que A Odisseia ultrapassa o entretenimento.

Durante sua participação na TVT News, Luiz Zanin chamou atenção para a dimensão política da adaptação.

Segundo ele, Nolan evidencia que a destruição de Troia configura um verdadeiro genocídio. Não se trata apenas da conquista militar de uma cidade, mas da eliminação sistemática de um povo inteiro.

Essa culpa acompanha Odisseu durante toda a narrativa.

O paralelo com conflitos contemporâneos surge naturalmente.

O filme convida o espectador a refletir sobre guerras, massacres de civis, deslocamentos populacionais e violência contra povos inteiros.

Outro elemento ressaltado por Zanin é a lei da hospitalidade de Zeus. Na tradição grega, receber o estrangeiro era um dever sagrado. Hostilizá-lo significava romper a ordem moral.

Em um mundo marcado pelo crescimento da xenofobia, pela perseguição a migrantes e pela crise global dos refugiados, Nolan recupera um princípio ético formulado há quase três mil anos e demonstra sua impressionante atualidade.

As personagens femininas moldam toda a jornada de Odisseu

Embora a epopeia acompanhe o retorno de Odisseu, são as mulheres que frequentemente determinam os rumos da narrativa.

Penélope (Anne Hathaway) deixa de ser apenas a esposa que espera o marido e aparece como uma figura politicamente habilidosa, capaz de preservar o reino durante anos utilizando inteligência e estratégia.

Atena (Zendaya) atua como a grande conselheira do herói, simbolizando sabedoria e racionalidade.

Circe (Samantha Morton), Calipso (Charlize Theron) e as sereias representam diferentes formas de sedução, conhecimento e poder. Elas desafiam Odisseu constantemente, obrigando-o a enfrentar tanto monstros exteriores quanto seus próprios limites.

Nolan preserva essa riqueza simbólica sem reduzir essas personagens a simples interesses românticos ou obstáculos narrativos.

Adaptação respeita Homero sem abrir mão da linguagem contemporânea

Antes mesmo da estreia, o filme foi alvo de críticas nas redes sociais por escolhas de elenco, figurino e representação dos personagens mitológicos.

Essas discussões ignoram um aspecto essencial das grandes adaptações literárias.

Nenhuma obra atravessa quase três mil anos permanecendo inalterada.

Especialistas em adaptação lembram que fidelidade absoluta é impossível. O verdadeiro desafio consiste em preservar o espírito da obra original enquanto ela dialoga com o público de seu tempo.

Nolan compreende perfeitamente esse princípio.

Sua A Odisseia permanece profundamente homérica sem abrir mão de sua identidade autoral.

Vale a pena assistir ‘A Odisseia’?

Naturalmente, existem pequenas limitações.

Matt Damon entrega uma atuação segura, embora sua personalidade cinematográfica permaneça bastante reconhecível. Alguns diálogos assumem um tom excessivamente teatral e o grande número de estrelas às vezes dificulta uma imersão ainda maior.

Por outro lado, Robert Pattinson oferece uma das melhores interpretações do filme como Antínoo, enquanto Tom Holland surpreende ao construir um Telêmaco emocionalmente complexo e muito mais maduro do que aparenta à primeira vista.

No conjunto, porém, as qualidades superam amplamente quaisquer pequenas ressalvas.

Fotografia, montagem, direção de arte, desenho de som e trilha sonora alcançam um nível raramente visto no cinema comercial contemporâneo.

Não por acaso, A Odisseia estreou com aprovação quase unânime da crítica internacional e já figura entre os filmes mais elogiados da carreira de Christopher Nolan.

Mais importante, porém, é perceber que Nolan realiza algo extremamente raro: transforma um dos maiores monumentos da literatura mundial em uma obra cinematográfica grandiosa sem abrir mão de sua densidade ética, filosófica e política.

Como sintetizou Luiz Zanin, trata-se da “aventura das aventuras”. Mas é também uma reflexão sobre culpa, guerra, inteligência, hospitalidade, poder e humanidade.

Três mil anos depois de Homero, a viagem de Odisseu continua perguntando às sociedades contemporâneas que tipo de vitória realmente merece ser celebrada. E Christopher Nolan responde com um filme que honra a tradição do épico sem perder de vista os dilemas do presente.

Espanha x Argentina fazem duelo do espanhol na final da Copa 2026

Espanha x Argentina entram em campo para decidir a Copa do Mundo de 2026, mas a disputa também coloca em destaque um patrimônio cultural compartilhado por mais de 500 milhões de pessoas. Pela primeira vez desde 1930, a final da Copa do Mundo reúne duas seleções que têm o espanhol como idioma oficial.

Da origem da língua às diferenças entre o castelhano europeu e o espanhol rioplatense, passando pela literatura, pela música e pelo tango, o confronto também oferece um panorama da riqueza cultural do universo hispânico.

No dia 19 de julho de 2026, Espanha e Argentina decidirão a Copa do Mundo da FIFA em uma partida que, antes mesmo de a bola rolar, já consagra um idioma como grande protagonista: o espanhol.

A final representa um confronto entre a raiz europeia e a ramificação americana de uma língua falada em mais de 20 países, carregando em cada sotaque e em cada conjugação verbal as marcas de cada cultura.

Trata-se de um duelo entre a seleção que carrega a tradição do berço do idioma, a Espanha de Castela, e a Argentina, nação que forjou uma das variantes mais vibrantes e musicalmente distintas do espanhol, o castelhano rio-platense.

Enquanto os times se preparam taticamente, as arquibancadas virtuais e reais já se transformam em uma imensa sala de aula viva, onde o “tú” madrilenho e o “vos” portenho se enfrentam em uma batalha de pronomes e fonemas, tão acirrada quanto a disputa taça da Copa do Mundo.

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Yamal e Messi se reencontram 19 anos depois, na final da Copa do Mundo. Imagem: Instagram oficial da FIFA

Qual a língua mais campeã da história da Copa do Mundo

De 1930 a 2022, apenas oito países diferentes venceram uma Copa do Mundo. Mas se, em vez de bandeiras, agruparmos os títulos pelo idioma oficial de cada país campeão, o domínio é do espanhol : Uruguai, Argentina e Espanha somam 6 conquistas. E para 2026, como a grande final será disputada entre duas seleções de fala hispânica, já pode ser considerado mais um troféu para o idioma, elevando a contagem para 7 títulos.

O português vem logo atrás com a hegemonia do Brasil (5 taças), seguido de perto por alemão e italiano. O ranking revela não apenas a força do futebol sul-americano, mas também a influência cultural da cultura latina no esporte mais popular do planeta.

🏆 Ranking das Línguas Mais Campeãs da Copa

Número de títulos por idioma (incluída a previsão para 2026, com campeão de fala espanhola)

🇪🇸 Espanhol 7
🇧🇷 Português 5
🇩🇪 Alemão 4
🇮🇹 Italiano 4
🇫🇷 Francês 2
🇬🇧 Inglês 1

* Considerando que a final da Copa de 2026 terá dois países de língua espanhola, atribuímos mais um título ao espanhol.

📊 Total de títulos por idioma (atualizado até 2022 + projeção 2026).

Como Espanha e Argentina têm o espanhol como língua oficial, a conquista do torneio já está garantida para o idioma antes mesmo da decisão. Com isso, o espanhol alcança sete títulos: o da edição 2026, e o resultado da soma das conquistas de Argentina (1978, 1986 e 2022), Uruguai (1930 e 1950), Espanha (2010).

PosiçãoLínguaPaíses campeõesTotal de títulos
🥇EspanholArgentina (3), Uruguai (2), Espanha (1) + campeão de 2026 (1)7
🥈PortuguêsBrasil (5)5
🥉AlemãoAlemanha (4)4
ItalianoItália (4)4
FrancêsFrança (2)2
InglêsInglaterra (1)1

7 títulos em espanhol

  • Argentina: 3 (1978, 1986 e 2022)
  • Uruguai: 2 (1930 e 1950)
  • Espanha: 1 (2010)
  • 🏆 Final da Copa do Mundo de 2026: +1 (Espanha ou Argentina)

Total: 7 títulos

Segunda língua mais falada na Copa, espanhol é o idioma da final

A classificação de “La Roja” e “La Albiceleste” para a final da Copa do Mundo coroa o espanhol, que foi a segunda língua mais falada na Copa do Mundo 2026, de acordo com dados levantados pela reportagem da TVT News.

Empatado com o francês e o árabe, é o segundo idioma mais presente entre os países classificados, ficando atrás somente do inglês. Das 48 seleções participantes do mundial, oito adotam o espanhol como forma oficial ou majoritária de comunicação: Argentina, Colômbia, Equador, Espanha, México, Panamá, Paraguai e Uruguai.

Essa representatividade não é mero acaso. Com aproximadamente 500 milhões de falantes nativos no planeta, o idioma perde apenas para o chinês mandarim em números absolutos de pessoas que o têm como língua materna. No contexto do esporte, e mais especificamente no futebol, essa presença ganha contornos de paixão e fervor, ditando o ritmo vibrante das arquibancadas e os gritos de gol que ecoam de Madri a Buenos Aires, de Montevidéu à Cidade do México.

A predominância de nações latino-americanas nessa lista ilustra a expansão histórica do idioma e a apropriação do esporte bretão por essas populações, que transformaram o jogo técnico inventado pelos ingleses em uma genuína forma de arte e expressão identitária regional.

Quais as diferenças do espanhol na Argentina e na Espanha?

A unidade do espanhol permite que um madrilenho e um portenho conversem sem necessidade de um tradutor. As diferenças, no entanto, são a alma do idioma e se manifestam com vigor em três pilares: pronúncia, pronomes e vocabulário.

A diferença fonética mais imediata está no som das letras “c” (antes de “e” e “i”) e “z”. Na maior parte da Espanha, essas letras são pronunciadas com um som interdental, semelhante ao “th” surdo do inglês em “think”. Assim, “caza” (caça) e “casa” (lar) são palavras distintas na fala. Na Argentina, como em toda a América Latina, ambas soam como um “s”, neutralizando a distinção. Esse fenômeno se chama seseo.

Outro ponto marcante é o som do “y” e do “ll”. Enquanto na Espanha a tendência é um som mais suave, na região do Rio da Prata, que abrange Buenos Aires e arredores, ocorre o fenômeno do yeísmo rehilado, uma forte vibração que transforma “yo” (eu) em algo como “sho” ou “zho”, e “calle” (rua) em “cashe” ou “cazhe”.

A divergência gramatical mais interessante é o uso do pronome “vos” em vez de “tú”. O voseo é o espelho linguístico da identidade argentina. Ele não altera apenas o pronome, mas toda a conjugação verbal, que guarda resquícios do espanhol antigo.

O “tú eres” se torna “vos sos”; o “tú tienes”, “vos tenés”; e o imperativo “di tú” vira “decí vos”. Essa forma de tratamento cria uma distância do “tú” peninsular e se tornou um símbolo de pertencimento nacional.

Exemplos de palavras em espanhol na Argentina e na Espanha

  • Automóvel = Coche (Espanha) / Auto (Argentina)
  • Aparelho celular = Móvil (Espanha) / Celular (Argentina)
  • Ônibus urbano = Autobús (Espanha) / Colectivo (Argentina)
  • Apartamento = Piso (Espanha) / Departamento (Argentina)
  • Camiseta de time = Camiseta (Espanha) / Remera (Argentina)
  • Morango (fruta) = Fresa (Espanha) / Frutilla (Argentina)
  • Computador = Ordenador (Espanha) / Computadora (Argentina)

As escalações de Espanha x Argentina

Entre Dom Quixote e Ficciones, entre Mediterráneo e Gracias a la Vida, a melhor torcida talvez seja pela permanência dessa riqueza cultural, que faz da língua espanhola muito mais do que um meio de comunicação: um patrimônio compartilhado por centenas de milhões de pessoas.

Seleção da Espanha

  • Defesa (Literatura): Miguel de Cervantes, Federico García Lorca, RosaMontero e Irene Vallejo.
  • Ataque (Música): Julio Iglesias, Enrique Iglesias, Rosalía e Joan Manuel Serrat.

Seleção da Argentina

  • Defesa (Literatura): José Hernández, Jorge Luis Borges, Julio Cortázar, Ernesto Sabato e Rita Segato.
  • Ataque (Música): Mercedes Sosa, Fito Páez, Charly García e Soledad Pastorutti.

Espanha x Argentina na Literatura

O confronto no gramado é, também, um embate de bibliotecas. Conheça os principais nomes da literatura em espanhl de Espanha e Argentina.

Escalação da Espanha: Miguel de Cervantes, Federico García Lorca e Irene Vallejo

Miguel de Cervantes Saavedra (1547-1616) é a pedra angular. Sua vida foi um romance de aventuras e desventuras: soldado na Batalha de Lepanto, onde perdeu a mobilidade da mão esquerda, e cativo por cinco anos em Argel. De volta à Espanha, um funcionalismo público frustrante e a prisão foram o caldo de sua criação. Em 1605, publicou a primeira parte de “Dom Quixote de La Mancha”, uma obra que, ao parodiar os romances de cavalaria, fundou o romance moderno. A saga do fidalgo que enlouquece lendo e decide se tornar cavaleiro andante, ao lado do prosaico escudeiro Sancho Pança, é uma profunda meditação sobre realidade, idealismo e a própria condição humana. Cervantes deu ao espanhol o epíteto de “la lengua de Cervantes”.

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Dom Quixote, obra fundante da língua espanhola. Imagem: Reprodução

Federico García Lorca (1898-1936) é o poeta e dramaturgo que canalizou o duende, essa força telúrica e misteriosa da alma espanhola. Nascido em Fuente Vaqueros, Granada, foi farol da Geração de 27. Sua obra funde a tradição popular andaluza com uma vanguarda transbordante. No teatro, escreveu a trilogia das tragédias rurais espanholas, com “Bodas de Sangue”, “Yerma” e “A Casa de Bernarda Alba”, um retrato sufocante do patriarcado e da repressão. Sua poesia, com livros como “Romancero Gitano” e “Poeta en Nueva York”, transita do lirismo mais puro à denúncia social. Foi assassinado pela milícia franquista no início da Guerra Civil Espanhola, seu corpo permanecendo desaparecido, o que o transformou em um símbolo perene da memória histórica.

Irene Vallejo (n. 1979) é a voz contemporânea que fez a ponte entre a filologia clássica e o grande público. Doutora pela Universidade de Zaragoza, ela alcançou projeção internacional com o ensaio “O Infinito em um Junco” (2019), uma história da invenção dos livros na Antiguidade que se lê como uma epopeia de aventura. A obra narra a frágil sobrevivência dos textos desde os papiros de Alexandre, o Grande, até as fogueiras da censura, defendendo a leitura como um ato de resistência. Sua habilidade em tornar acessível a saga dos primeiros leitores a consagrou como uma das mais respeitadas pensadoras do humanismo em espanhol.

Rosa Montero: Nascida em Madri, em 1951, a jornalista e escritora é um dos grandes pilares da literatura hispânica contemporânea. Colaboradora do jornal El País desde 1976, Montero construiu uma vasta bibliografia que explora a psicologia e as complexidades das relações humanas. Suas obras, sempre aclamadas e multipremiadas, fundem perfeitamente memória, reflexão e reportagem, cativando leitores por todo o planeta e provando que, como ela mesma define, os livros são sonhos sonhados de olhos abertos.

Escalação da Argentina: José Hernández, Jorge Luis Borges, Julio Cortázar, Ernesto Sabato e Rita Segato

José Hernández: Autor essencial para a formação da identidade cultural do país, Hernández eternizou a figura do homem do campo através do poema épico O Gaúcho Martín Fierro (1872). A obra descreve as adversidades, a bravura e as injustiças sofridas por um trabalhador rural recrutado de maneira forçada para defender as fronteiras argentinas. Utilizando o vocabulário rústico e a cadência musical dos pampas, o autor transformou as dores de Fierro em um retrato profundo do espírito rioplatense, erguendo um pilar literário que influenciou praticamente todos os intelectuais que vieram a seguir.

Jorge Luis Borges: O cultuado gênio de Buenos Aires é a própria personificação intelectual da América Latina perante o mundo. Borges, que perdeu a visão ao longo da idade adulta mas liderou a Biblioteca Nacional da Argentina com vigor absoluto, ergueu uma obra na qual o conceito de tempo, a ilusão dos espelhos e os caminhos dos labirintos atuam como personagens principais de seus contos fantásticos. Coletâneas majestosas como Ficciones e O Aleph redefiniram a ficção latino-americana, provando ser possível construir mundos complexos inteiros utilizando apenas um punhado de páginas cirurgicamente escritas.

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Fotografia de Jorge Luis Borges por Eduardo Comesaña, doado ao Museu Nacional de Belas Artes, Buenos Aires. Wikimedia Commons

Julio Cortázar: Expoente maiúsculo do movimento internacional conhecido como “Boom Latino-americano”, Cortázar passou vastas décadas radicado em Paris, porém seus textos transbordam a melancolia, o humor e o compasso rítmico do homem rioplatense (sempre ao som de um disco de jazz). Ele subverteu a estrutura formal da prosa ao entregar O Jogo da Amarelinha (Rayuela), um antirromance genial que entrega ao leitor a opção ativa de selecionar a ordem de leitura dos capítulos, destruindo de forma proposital a linearidade clássica dos livros convencionais.

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Jogo da Amarelinha, obra mais conhecida de Cortázar. Imagem: Reprodução

Ernesto Sabato: Cientista com sólida formação em física que escolheu abdicar dos números exatos para se afogar no mar turvo das angústias existencialistas da alma, Sabato consolidou um legado crítico e fascinante. Ele foi o arquiteto de romances densos e carregados de tensão psicológica. O magistral trabalho O Túnel desponta como um estudo cirúrgico da obsessão, do isolamento urbano e da incomunicabilidade do sujeito moderno. Sabato explorou ainda as fraturas profundas da sociedade em Sobre Heróis e Tumbas.

Rita Segato: Antropóloga, pesquisadora atenta e intelectual de calibre internacional, Segato destaca-se como uma das pensadoras feministas com maior projeção na atualidade. Suas linhas de estudo decodificam incansavelmente os padrões de violência, o exercício do poder e as amarras coloniais que ainda regem diversas esferas na América Latina moderna. Em sua essencial obra As estruturas elementares da violência, a autora utiliza uma linguagem acadêmica densa e esclarecedora para apontar as raízes estruturais dos confrontos de gênero e da opressão institucional latino-americana.

Espanha x Argentina na música

As duas nações ofereceram ao mundo trilhas sonoras que definem a latinidade. Do flamenco pop à trova, do rock nacional ao folclore, a disputa é de igual para igual.

Escalação da Espanha: Julio Iglesias, Enrique Iglesias, Rosalia e Joan Manuel Serrat

Julio Iglesias (n. 1943) é o arquétipo do crooner latino. Ex-goleiro do Real Madrid Castilla, um acidente de carro o afastou dos gramados e, durante a convalescença, uma enfermeira lhe deu um violão. Dali surgiu o fenômeno que, com “Hey” e “Me Olvidé de Vivir”, popularizou a balada romântica em espanhol no mundo. Sua gravação de “La Cumparsita” e a construção de uma carreira global multilíngue o tornaram um dos artistas recordistas de vendas da história, pavimentando o caminho da música latina nos mercados asiático e americano.

Enrique Iglesias (n. 1975) herdou o nome e reinventou a fórmula. Nascido em Madri e criado em Miami, fundiu o pop latino com batidas dançantes e R&B, tornando-se o rei do crossover global no fim dos anos 1990 e 2000. Sucessos como “Bailamos” e “Hero” dominaram paradas, mas foi com o reggaeton-pop de “Bailando” (2014), com Descemer Bueno e Gente de Zona, que ele estabeleceu um hino de alcance planetário, somando bilhões de visualizações. Sua carreira simboliza a desterritorialização do idioma, criando hits que unem as Américas e a Europa.

Rosalia (n. 1992) é a força disruptiva que pegou a tradição e a projetou no futuro. Nascida em Sant Esteve Sesrovires, Catalunha, sua formação é flamenca, mas sua cabeça é pop. Depois do álbum “Los Ángeles”, fiel ao cante jondo, ela lançou “El Mal Querer” (2018), um marco conceitual que mistura flamenco com batidas eletrônicas e trap. O single “Malamente” foi um choque cultural. Seu trabalho posterior, com “Motomami”, expandiu ainda mais esse universo sonoro com reggaeton, jazz e bachata, fazendo dela a artista mais influente da nova música em espanhol.

Joan Manuel Serrat (n. 1943)  Cantautor catalão, fez uma carreira bilíngue que é um manifesto de resistência cultural. Sua musicalização de poemas, especialmente os de Antonio Machado em “Dedicado a Antonio Machado, Poeta” (1969), popularizou a poesia entre o grande público. O álbum “Mediterráneo”, de 1971, é um dos discos mais importantes da história da música na Espanha, com a faixa-título sendo um hino à luz e à terra. Figura ética, seu exílio no México em 1975 por se opor ao franquismo cimentou sua imagem como a voz íntegra de uma Espanha democrática e plural.

Escalação da Argentina: Mercedes Sosa; Fito Páez, Charly García, Soledad Pastorutti

Mercedes Sosa (1935-2009) foi “La Negra”, a voz da terra. Nascida em San Miguel de Tucumán, sua poderosa contralto foi o veículo do movimento do “Nuevo Cancionero”, que fundiu o folclore argentino com letras de protesto social. Suas interpretações de “Alfonsina y el Mar”, “Gracias a la Vida” (de Violeta Parra) e “Solo le Pido a Dios” (de León Gieco) são versões definitivas. Perseguida e exilada pela ditadura militar argentina, retornou em 1982 para um concerto histórico no Teatro Ópera de Buenos Aires, que se transformou em um ato coletivo de cura e retorno à democracia.

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Retrato da cantora argentina Mercedes Sosa por Annemarie Heinrich.

Fito Páez (n. 1963) é o artífice do rock argentino como expressão sentimental e urbana. Nascido em Rosário, sua vida foi marcada por tragédias que transfigurou em arte. Seu álbum “El Amor Después del Amor” (1992) é o mais vendido da história do rock argentino, um tratado pop sobre recomeço e paixão com canções como “Tumbas de la Gloria”, “A Rodar mi Vida” e o dueto de “La Rueda Mágica” com Charly García. Seu talento como multi-instrumentista e letrista o coloca no centro do cânone roqueiro latino-americano.

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Fito Paez em Curico, Fiesta de la vendimia 2015. Foto: Wikimedia Commons

Charly García (n. 1951) é o gênio indomável, o músico que distorceu a música popular argentina. Tecladista, compositor e produtor, sua trajetória começa com o Sui Generis, banda folk-rock que cantou as angústias adolescentes. Sua fase com a superbanda Serú Girán elevou o rock a um patamar de sofisticação musical e complexidade lírica. Na carreira solo, discos como “Clics Modernos” (1983), influenciado pela new wave nova-iorquina, e “Piano Bar” trouxeram hits como “Nos Siguen Pegando Abajo” e “Demoliendo Hoteles”. Sua persona, um misto de enfant terrible e artista inovador, fez dele um ícone cultural de Buenos Aires.

Soledad Pastorutti (n. 1980), conhecida como “La Sole”, revitalizou o folclore para o século XXI. Nascida em Arequito, província de Santa Fé, irrompeu na cena musical argentina aos 16 anos no Festival de Cosquín, o maior palco do folclore nacional, com uma força cênica que contagiou o país. Com hits como “Tren del Cielo” e “A Don Ata”, ela trouxe as chacareras e zambas para as novas gerações, vendendo milhões de discos e estabelecendo uma ponte entre a tradição rural e a indústria do entretenimento, sem nunca abandonar a essência de sua mensagem.

Carlos Gardel e o tango

Falar de Argentina e música é mergulhar em um mito fonográfico que transcende nacionalidades. Carlos Gardel é o rosto e a voz do tango, mesmo que sua figura seja um quebra-cabeça biográfico. Ele próprio brincava: “Nasci em Buenos Aires aos dois anos e meio”. De origem disputada — para os uruguaios, nasceu em Tacuarembó; para os franceses, em Toulouse; para os argentinos, é portenho por adoção —, seu documento oficial francês o declara filho de uma lavadeira solteira, que o levou criança ao bairro do Abasto, em Buenos Aires.

Foi no Abasto que o menino Charles Romuald Gardès se tornou Carlitos, aprendendo o lunfardo e a melancolia do arrabalde. O tango nasceu nessa encruzilhada portuária do final do século XIX, filho híbrido de imigrantes europeus, ritmos africanos como o candombe, e a milonga dos pampas. Marginal e dançado entre homens nos prostíbulos, foi ganhando respeito até entrar nos salões de Paris nos anos 1910 e, então, ser aceito pela alta sociedade portenha.

Gardel formou uma dupla histórica com o violonista uruguaio José Razzano e, mais tarde, consolidou-se como solista, padronizando a canção de tango que antes era apenas instrumental. Sua voz de barítono aveludada deu forma a clássicos imortais como “Mi Noche Triste” (primeiro tango-canção com letra), “El Día que me Quieras”, “Volver” e “Por una Cabeza”.

Ao atuar em filmes da Paramount, tornou-se uma estrela continental. Sua morte trágica em um acidente aéreo em Medellín, Colômbia, em 1935, interrompeu sua vida aos 44 anos, mas selou sua lenda. “Cada vez canta mejor” (“Cada vez canta melhor”), diz o dito popular que mantém sua voz viva, ecoando em cada esquina onde um bandoneón chora.

Flamenco x Tango: o embate dos ritmos

Embora possuam origens culturais diferentes, o flamenco e o tango dividem uma profunda carga emocional e uma forte natureza expressiva.

Se a final da Copa do Mundo de 2026 coloca frente a frente duas potências do futebol, ela também reúne dois dos maiores símbolos da cultura hispânica. Do lado espanhol está o flamenco, expressão artística nascida na Andaluzia que combina música, canto e dança marcados pelo violão, pelas palmas e pelo sapateado.

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Flamenco. Foto: Holger Uwe Schmitt / Wikimedia Commons

Do lado argentino aparece o tango, surgido na região do Rio da Prata, entre Buenos Aires e Montevidéu, caracterizado pelo abraço dos dançarinos, pela presença do bandoneón e por melodias que retratam amor, saudade e a vida urbana. Embora tenham origens, ritmos e estilos diferentes, as duas manifestações compartilham a intensidade da interpretação e o papel de representar a identidade de seus povos.

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O tango em Buenos Aires. Foto: Manticora87/ Wikimedia Commons

Quais países na Copa do Mundo falam espanhol

A força do idioma espanhol no mundial de 2026 se deve, quase que inteiramente, ao continente americano. Das oito seleções que falam espanhol, sete estão nas Américas, demonstrando o peso da região na competição:

  • Espanha: O berço europeu do idioma, campeã mundial em 2010 e uma das grandes potências do futebol moderno.
  • Argentina: a atual campeã do mundo entrou em campo defendendo o título conquistado no Catar, trazendo o sotaque portenho e uma legião apaixonada de fãs.
  • México: um dos países-sede de 2026 e a nação com o maior número de falantes nativos de espanhol no planeta.
  • Uruguai: a primeira nação a sediar e vencer uma Copa do Mundo (em 1930), mantendo uma tradição esportiva gigante para um país de proporções territoriais menores.
  • Colômbia: uma das forças sul-americanas, famosa pelo talento de seus jogadores e pela vibração constante de sua torcida.
  • Equador: país sul-americano que tem o espanhol como idioma principal de comunicação, dividindo espaço com línguas indígenas como o Quéchua para relações interculturais.
  • Paraguai: Uma nação bilíngue: o espanhol é idioma oficial ao lado do Guarani, língua nativa falada por grande parte da população.
  • Panamá: representante da América Central que usa o espanhol como sua língua oficial e base de sua identidade cultural.

Línguas mais faladas na Copa do Mundo 2026: espanhol, francês, árabe e inglês lideram

As línguas mais faladas na Copa do Mundo 2026 revelam a diversidade dos 48 países classificados para o torneio que será disputado em junho e julho nos Estados Unidos, México e Canadá.

A lista de seleções reúne idiomas de quatro continentes — do guarani indígena do Paraguai ao uzbeque da Ásia Central — em um mapa linguístico que mostra tanto a diversidade como a marca da história.

A liderança de idiomas de origem europeia, como inglês, francês e espanhol é sinal dos processos de colonização e imperialismo de Espanha, Inglaterra e Portugal (o português está presente em países de 3 continentes na Copa do Mundo). Por outro lado, também mostra a expansão do império árabe, que da península arábica, chegou até o norte da África.

Línguas Mais Faladas na Copa do Mundo 2026

Inglês (9 países)
Espanhol (8 países)
Francês (8 países)
Árabe (8 países)
Alemão (4 países)
Holandês (3 países)
Português (3 países)

Ranking das línguas mais faladas na Copa do Mundo

Considerando o status de língua oficial ou o idioma majoritário de comunicação de cada nação classificada, este é o ranking dos idiomas mais presentes na Copa do Mundo da FIFA 2026:

PosiçãoIdiomaNúmero de PaísesPaíses Representantes
Inglês9África do Sul, Canadá, Escócia, Estados Unidos, Austrália, Curaçao, Nova Zelândia, Inglaterra, Gana
Espanhol8México, Paraguai, Equador, Espanha, Uruguai, Argentina, Colômbia, Panamá
Francês8Canadá, Suíça, Haiti, Costa do Marfim, Bélgica, França, Senegal, RD Congo
Árabe8Catar, Marrocos, Tunísia, Egito, Arábia Saudita, Iraque, Argélia, Jordânia
Alemão4Suíça, Alemanha, Bélgica, Áustria
Holandês3Curaçao, Holanda, Bélgica
Português3Brasil, Cabo Verde, Portugal
Croata2Bósnia, Croácia

Em países com mais de um idioma oficial, foi considerado o id

Para quem é a sua torcida nessa final do espanhol?

Agora, queremos saber: seu coração linguístico bate mais forte pelo seseio doce e o calor das castanholas, ou pelo sotaque vibrante do “vos” e a poesia do tango?

A partida em Nova Iorque coroará apenas um campeão no futebol, mas o idioma espanhol — essa força viva, moldada em lados opostos do oceano — já saiu vitorioso. A sua torcida é pelo realismo mágico e Buenos Aires, ou pela tradição de La Mancha e Al-Andalus? Que comece o jogo das palavras.

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Milton Nascimento é internado com pneumonia

O cantor e compositor Milton Nascimento, de 83 anos, está internado desde esta quinta-feira (16) por causa de uma pneumonia. Na nota publicada nas redes sociais do cantor, não há informação em que hospital é a internação. Saiba mais na TVT News.

“Ele segue estável e em boa evolução clínica, como todo o suporte necessário, e assistido por uma excelente equipe de profissionais. A previsão é que ele receba alta nos próximos dias e siga o tratamento em casa, visando o seu conforto”, diz a nota assinada por sua equipe.

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Milton foi diagnosticado com a doença de Parkinson e com a demência por corpos de Lewy. Esta demência é uma doença sem cura, mas os medicamentos adequados podem atenuar os sintomas e retardar as perdas cognitivas. Essa é a terceira forma mais comum das chamadas síndromes demenciais, atrás do Alzheimer e da demência vascular.

Carreira

Milton Nascimento nasceu no Rio de Janeiro, mas mudou-se ainda bebê para Minas Gerais, onde cresceu e se tornou artista, ainda na adolescência.

Na década de 60, o cantor e compositor passou a integrar o histórico movimento do Clube da Esquina e alcançou visibilidade nacional ao participar do Festival Internacional da Canção.

Ao longo de sua carreira, Milton gravou quase 50 álbuns.

O músico foi agraciado com o título de Doutor Honoris Causa por instituições como a Universidade Federal de Minas Gerais, a Universidade Estadual de Campinas e a Berklee College of Music, nos Estados Unidos. Mais recentemente, recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Ana Cristina Campos – Repórter da Agência Brasil

Terremoto de magnitude 7,4 atinge Puerto Madero, no México

Um terremoto de magnitude 7,4 atingiu Puerto Madero, no México, na manhã desta sexta-feira, informou o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês). Saiba mais na TVT News.

O terremoto ocorreu a uma profundidade de 10 quilômetros (km), com epicentro em Chiapa informou o USGS.

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De acordo com veículos de imprensa locais, o sismo levou à evacuação de emergência de centenas de trabalhadores de vários edifícios emblemáticos públicos e privados em Villahermosa, bem como à ativação imediata de protocolos de segurança e verificação por parte das autoridades estaduais.

Além disso, relatos nas redes sociais citam que o terremoto também foi sentido na Guatemala e El Salvador (imagem em destaque).

Matéria em ampliação

Agência Brasil

Carreta da Saúde da Mulher: saiba como funciona o programa que amplia o acesso a consultas e exames pelo SUS

A Carreta da Saúde da Mulher é uma iniciativa do Ministério da Saúde que busca ampliar o acesso de mulheres a consultas, exames e procedimentos especializados por meio de unidades móveis equipadas para atender diferentes regiões do país. Integrada ao programa Agora Tem Especialistas, a ação tem como principal objetivo reduzir filas de espera no Sistema Único de Saúde (SUS), fortalecer a prevenção e facilitar o diagnóstico precoce de doenças, especialmente o câncer de mama e o câncer do colo do útero. Leia em TVT News.

O programa foi desenvolvido para levar atendimento especializado a municípios e regiões onde há maior demanda reprimida ou dificuldade de acesso aos serviços de média complexidade. Em vez de as pacientes precisarem percorrer longas distâncias em busca de consultas e exames, a estrutura é instalada temporariamente em um município e recebe mulheres encaminhadas pela rede pública de saúde.

A estratégia também busca fortalecer a atenção integral à saúde da mulher, aproximando os serviços especializados da população e articulando o atendimento entre as unidades básicas de saúde, os serviços especializados e a rede hospitalar do SUS.

Como funciona a Carreta da Saúde da Mulher

As unidades móveis permanecem instaladas por um período determinado em cada município antes de seguirem para outras cidades. Durante esse tempo, realizam consultas com ginecologistas, exames de imagem, procedimentos diagnósticos e orientações voltadas à prevenção de doenças.

Os atendimentos, em regra, são organizados pelas secretarias municipais de Saúde. As pacientes são chamadas a partir das filas de espera já existentes na rede pública, principalmente aquelas encaminhadas pelas equipes da atenção primária.

O objetivo é acelerar o acesso aos procedimentos especializados sem interromper o acompanhamento realizado pelas unidades de saúde dos municípios. Após os exames, os resultados retornam à rede do SUS para que cada paciente continue recebendo acompanhamento, tratamento ou novos encaminhamentos quando necessário.

Em algumas mobilizações específicas promovidas pelo Ministério da Saúde, determinados exames podem ser disponibilizados sem necessidade de agendamento prévio para grupos definidos por critérios técnicos, como ocorreu em campanhas voltadas à prevenção do câncer de mama.

Para ser atendida, normalmente é necessário apresentar documento oficial com foto e o encaminhamento médico para o procedimento solicitado, conforme as regras estabelecidas pela secretaria de saúde responsável pela organização local.

Quais serviços são oferecidos

A estrutura da Carreta da Saúde da Mulher foi planejada para concentrar diferentes serviços especializados em um mesmo espaço.

Entre os principais atendimentos estão:

  • consultas com médicos ginecologistas;
  • exames de mamografia;
  • ultrassonografia das mamas;
  • ultrassonografia transvaginal;
  • ultrassonografia pélvica;
  • coleta de material para biópsia quando houver indicação médica;
  • pequenos procedimentos ginecológicos;
  • orientações sobre prevenção e promoção da saúde da mulher.

Esses exames permitem investigar alterações que podem indicar diferentes doenças, além de contribuir para o acompanhamento ginecológico de rotina.

Estrutura busca oferecer acolhimento e atendimento especializado

Além dos equipamentos para exames, as carretas contam com uma estrutura voltada ao acolhimento das pacientes.

As unidades costumam reunir consultório ginecológico equipado com aparelhos para diagnóstico, sala de mamografia, espaço para ultrassonografia, sala de acolhimento, ambiente de espera climatizado e Central de Material Esterilizado, responsável pela segurança dos procedimentos realizados.

Em algumas unidades também estão disponíveis equipamentos como colposcópio, mamógrafo digital, bisturi elétrico, cauterizador e instrumentos utilizados em biópsias.

O atendimento é realizado por equipes multiprofissionais compostas por médicos ginecologistas, enfermeiros, técnicos de enfermagem, agentes do cuidado e profissionais responsáveis pela recepção, limpeza, logística e funcionamento da unidade móvel.

A proposta é garantir que todo o atendimento aconteça em ambiente preparado para oferecer conforto, privacidade e segurança às pacientes.

Prevenção e diagnóstico precoce

Um dos principais focos da Carreta da Saúde da Mulher é ampliar o acesso aos exames preventivos capazes de identificar alterações ainda nas fases iniciais.

No caso do câncer de mama, a mamografia é considerada um dos principais instrumentos para detectar lesões antes mesmo do surgimento de sintomas, aumentando as possibilidades de tratamento.

Já na prevenção do câncer do colo do útero, consultas ginecológicas, exames e procedimentos diagnósticos permitem identificar alterações que podem ser acompanhadas ou tratadas precocemente.

Além da realização dos exames, as pacientes recebem orientações sobre cuidados com a saúde, acompanhamento médico e continuidade do tratamento dentro da rede pública, quando necessário.

Atendimento integrado ao SUS

A Carreta da Saúde da Mulher não funciona de forma isolada. O programa integra uma estratégia do SUS voltada à organização do atendimento especializado.

Após a realização das consultas e exames, cada mulher continua sendo acompanhada pelos serviços públicos de saúde de seu município. Quando os resultados indicam necessidade de novos procedimentos, tratamento ou acompanhamento especializado, os encaminhamentos são realizados dentro da própria rede.

Essa integração busca reduzir o tempo de espera entre o diagnóstico e o início do tratamento, além de evitar que pacientes precisem reiniciar todo o processo de encaminhamento.

Em diferentes estados, o programa também atende mulheres de municípios vizinhos referenciados para centros regionais de saúde, ampliando o alcance da iniciativa.

Programa percorre diferentes regiões do país

As unidades móveis são instaladas temporariamente em municípios selecionados e permanecem no local durante algumas semanas antes de seguir para novas cidades.

Exemplos recentes incluem ações desenvolvidas em Santos, no litoral paulista, e em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, onde a carreta recebeu pacientes encaminhadas pelas redes municipais e regionais de saúde.

Em Pernambuco, iniciativa semelhante, denominada Carreta da Mulher Pernambucana, também leva consultas, exames e orientações para diferentes regiões do estado, aproximando os serviços de saúde das mulheres e reduzindo barreiras de acesso.

Embora cada estado possa adaptar a organização dos atendimentos de acordo com a estrutura local, o objetivo permanece o mesmo: ampliar o acesso aos serviços especializados, fortalecer a prevenção e garantir atendimento mais próximo da população feminina.

Ao integrar unidades móveis à estrutura permanente do SUS, a Carreta da Saúde da Mulher representa uma alternativa para enfrentar filas por exames especializados e ampliar o diagnóstico precoce de doenças que afetam milhares de brasileiras todos os anos. A proposta também reforça a importância da atenção integral à saúde da mulher, aproximando consultas, exames e acompanhamento médico dos territórios onde vivem as pacientes.

Mega-Sena deixa de ter sorteios aos sábados; Caixa transfere para domingo

A Caixa Econômica Federal alterou o calendário dos sorteios das Loterias Caixa e, a partir deste fim de semana, a Mega-Sena deixará de ter concursos realizados aos sábados. A mudança entra em vigor no domingo (19) e transfere para as manhãs de domingo, às 11h, todos os sorteios que tradicionalmente aconteciam nas noites de sábado. Saiba mais na TVT News.

Além da Mega-Sena, a alteração também vale para a Lotofácil, Quina, Loteria Federal, Timemania, Dia de Sorte e +Milionária. Os concursos continuarão sendo realizados no Espaço da Sorte, na Avenida Paulista, em São Paulo, com transmissão ao vivo pelos canais oficiais da Caixa.

Segundo a instituição financeira, a mudança atinge apenas o dia e o horário dos sorteios. Não haverá alterações nas modalidades oferecidas, na mecânica das apostas, nos preços dos jogos, nas probabilidades de premiação nem na forma de distribuição dos prêmios.

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Com o novo cronograma, os apostadores poderão registrar apostas simples para os concursos de domingo até as 22h de sábado, tanto nas casas lotéricas quanto pelo Portal Loterias Caixa e pelo aplicativo oficial da instituição.

Já os bolões realizados pelos canais eletrônicos poderão ser adquiridos até as 10h45 de domingo, quinze minutos antes do início dos sorteios.

A Caixa também esclareceu que a alteração não afeta os demais concursos realizados durante a semana. No caso da Mega-Sena, por exemplo, os sorteios de quarta-feira permanecem inalterados, assim como os concursos das outras modalidades realizados entre segunda e sexta-feira, que continuam seguindo o calendário habitual.

Como apostar na Mega-Sena

A aposta mínima da Mega-Sena continua custando R$ 6 e permite a escolha de seis dezenas. Além do prêmio principal para quem acerta os seis números, também recebem premiação os apostadores que acertam cinco (quina) ou quatro (quadra) dezenas.

As apostas podem ser feitas em qualquer casa lotérica credenciada ou pelos canais digitais da Caixa. No ambiente online, o pagamento pode ser realizado por PIX, cartão de crédito ou internet banking, no caso de correntistas da instituição. É necessário ter 18 anos ou mais para participar.

A Caixa também mantém a modalidade de Bolão Caixa, que permite apostas em grupo. Na Mega-Sena, o valor mínimo do bolão é de R$ 18, com cotas individuais a partir de R$ 6.

Segundo a instituição, a mudança de calendário busca reorganizar os concursos de fim de semana, mas não altera a experiência dos apostadores nem as características das modalidades lotéricas.

A probabilidade de conquistar o prêmio principal permanece a mesma. Em uma aposta simples de seis dezenas, as chances de acertar os seis números são de uma em 50.063.860. Já uma aposta com 20 dezenas — o limite máximo permitido — eleva significativamente as chances de vitória, embora o custo também aumente.

Os sorteios de domingo seguirão sendo realizados às 11h, diretamente do Espaço da Sorte, em São Paulo, com transmissão ao vivo pelos canais oficiais da Caixa na internet. Com isso, os tradicionais concursos das noites de sábado passam definitivamente a integrar a programação das manhãs de domingo, sem mudanças nas regras que regem as loterias federais.

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