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Da Redação

Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Alerj, é preso novamente

(Atualização)

Rodrigo Bacellar, ex-deputado e ex-presidente da Alerj, é preso novamente pela Polícia Federal. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a prisão de Rodrigo Bacellar, parlamentar afastado em decisão anterior pelo STF e cassado pelo Superior Tribunal Eleitoral (TSE). A ordem foi cumprida em Teresópolis, nesta sexta-feira, pela Polícia Federal. Leia mais sobre a sucessão no Rio com a TVT News.

Justiça derruba eleição na Alerj e trava sucessão no RJ

Com a ampla vacância no governo do Rio de Janeiro, coube à Assembleia Legislativa (Alerj) decidir quem será o próximo governador. A eleição foi realizada nesta quinta-feira (26), quando os deputados elegeram Douglas Ruas (PL) como presidente da Casa e, por consequência, o parlamentar se tornou governador interino do estado.

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O deputado estadual Douglas Ruas (PL) foi eleito presidente da Alerj. Foto: Redes Sociais/Reprodução

Horas depois, porém, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro anulou a sessão, sob o argumento de que a Assembleia não observou a legislação eleitoral. Como o mandato do então presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, havia sido cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a decisão anulou também os quase 100 mil votos obtidos por ele em 2022. Nesse caso, cabe à Justiça Eleitoral refazer o cálculo do quociente eleitoral para definir a composição atual da Assembleia.

Somente após esse processo os deputados poderão realizar novas eleições indiretas.

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A Mesa Diretora da Alerj buscou cumprir a legislação estadual, que prevê a realização de eleições indiretas, em caso de vacância simultânea, em até 48 horas após a renúncia do governador Cláudio Castro (PL), que deixou o cargo no início da semana.

Castro já não contava com o vice, Thiago Pampolha (MDB), que também deixou o governo em maio de 2025 para assumir uma vaga como conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ). Restava, portanto, ao presidente da Alerj assumir o cargo. No entanto, o então presidente Rodrigo Bacellar (União) teve o mandato de deputado estadual cassado pelo TSE em março deste ano. Ele foi apontado em investigações da Polícia Federal por suposto envolvimento com organização criminosa, obstrução de Justiça e vazamento de informações sigilosas para favorecer aliados ligados ao crime organizado.

Diante desse cenário, quem assumiu interinamente o governo do estado foi o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto de Castro. Na última quarta-feira (25), ele encaminhou um ofício ao TSE solicitando orientação para a realização de eleições. No documento, destacou dúvidas sobre o tipo de pleito a ser realizado, já que a vacância decorre não de um processo eleitoral, mas de renúncias, o que abre margem para interpretações divergentes sobre a realização de eleições diretas ou indiretas.

Segundo o governador interino, quando a vacância ocorre por motivos não eleitorais — como a renúncia do governador e, anteriormente, do vice — aplica-se a regra constitucional que prevê eleição indireta nos dois últimos anos de mandato. Nesse cenário, a tendência seria a realização de eleição indireta pela Alerj.

Por outro lado, o próprio ofício enviado ao TSE levanta uma divergência: no caso de vacância decorrente de decisão da Justiça Eleitoral, como a cassação de mandato, pode-se aplicar a legislação eleitoral, que, em regra, prevê eleições diretas.

Anulação da eleição

A presidente em exercício do TJ-RJ, desembargadora Suely Lopes Magalhães, decidiu, em caráter liminar, pela anulação do pleito. Segundo a magistrada, a recomposição da Alerj é necessária para assegurar que a “vontade das urnas” esteja refletida na atual formação da Casa.

O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) agendou a retotalização dos votos para a próxima terça-feira (31). O procedimento vai anular os 97.822 votos recebidos por Bacellar em 2022.

Bancada governista apresenta relatório de contraponto na CPMI do INSS

A bancada do Partido dos Trabalhadores no Congresso Nacional apresenta relatório da maioria para contestar o relatório da oposição, que não mencionou figuras do governo Bolsonaro envolvidas em denúncias com os crimes no INSS. Leia em TVT News.

Relatório do PT aponta 170 envolvidos em fraudes do INSS na gestão Bolsonaro

A bancada do Partido dos Trabalhadores (PT) na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS apresentou o Relatório da Maioria, um documento contundente que aponta o envolvimento de cerca de 170 pessoas em um esquema bilionário de fraudes contra aposentados e pensionistas.

A CPMI está em sua fase final. A bancada governista vai apresentar um outro relatório em contraponto ao texto do relator da comissão, por acreditar que há parcialidade e claro intuito da oposição em transformar as investigações em instrumento político no ano eleitoral.

O documento sustenta que a engrenagem criminosa se estruturou e se expandiu durante governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a partir de mudanças normativas, omissões deliberadas e da ocupação de cargos estratégicos por agentes ligados ao esquema, permitindo descontos ilegais em benefícios previdenciários por anos. 

O esquema só foi desmontado durante o Governo Lula, que inclusive está ressarcindo os aposentados que foram prejudicados.

Segundo o relatório, que será protocolado pelo partido na CPMI, nesta sexta-feira, 27, as fraudes não foram pontuais, mas resultado de uma política de desmonte de controles que abriu caminho para a atuação de entidades de fachada, operadores financeiros e servidores públicos.

A investigação identificou que o esquema se baseava na falsificação de autorizações, uso indevido de dados de beneficiários e inserção automática de descontos nos contracheques de aposentados e pensionistas, muitas vezes sem qualquer consentimento.

A linha do tempo apresentada pela bancada do PT reforça que o Estado já tinha conhecimento das irregularidades desde 2016, mas foi a partir de 2019, sob Bolsonaro, que o esquema ganhou escala. O relatório aponta que medidas adotadas pelo governo bolsonarista, como a flexibilização de regras para acordos com entidades, o fim da revalidação anual de autorizações e a ampliação dos descontos para novos públicos, criaram um ambiente favorável para a explosão das fraudes.

Além disso, o documento destaca indícios de captura institucional do INSS, com a presença de figuras-chave em posições estratégicas que teriam facilitado a entrada e atuação de entidades fraudulentas. O resultado foi a consolidação de uma estrutura organizada, com divisão de tarefas, fluxo financeiro estruturado e forte articulação com agentes públicos e políticos.

Principais nomes e seus papéis no esquema do INSS:

O relatório detalha a atuação de personagens centrais na engrenagem das fraudes:

– Jair Bolsonaro (ex-presidente)
Apontado como responsável político pelas mudanças normativas que fragilizaram o sistema de controle. Durante seu governo, foram editadas regras que facilitaram o acesso de entidades ao INSS, ampliaram os descontos e eliminaram mecanismos de verificação, criando o ambiente para a expansão do esquema.

– José Carlos Oliveira (ex-presidente do INSS e ex-ministro)
Considerado pela Polícia Federal (PF) como um “pilar institucional” da fraude. Ocupou cargos estratégicos entre 2021 e 2022 e teria autorizado a entrada de entidades sem estrutura real, viabilizando o funcionamento do esquema dentro do INSS.

– Onyx Lorenzoni (ex-ministro da Previdência)
Recebeu doação de campanha de dirigente de entidade investigada e foi questionado sobre a atuação de seu filho como advogado de uma das organizações envolvidas. Lorenzoni assinou portarias e MPs entre 2019 e 2021 que removeram barreiras de controle, permitindo a explosão das fraudes

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Onyx Lorenzoni, ex-ministro da Previdência do governo Bolsonaro. Foto:
José Cruz/Agência Brasil

– João Roma (ex-ministro da Cidadania de Bolsonaro)
João Roma, que foi quem assinou a liberação do consignado do Auxílio-Brasil, quem operou o credenciamento do Master no auxílio emergencial de Bolsonaro.

– Ronaldo Vieira Bento (ex-ministro da Cidadania de Bolsonar)
Sucessor de João Roma, que também atuou na implementação do Auxílio Brasil, quando 93% dos consignados vinculados ao programa foram firmados (daso da CGU) e quando deixou o governo Bolsonaro virou Diretor do Banco Pleno, que pertence ao Augusto Lima, sócio do Vorcaro no Master. Banco Pleno também foi liquidado pelo BACEN junto com o Master.

– Paulo Gudes (ex-ministro da economia de Bolsonaro)
Paulo Guedes que foi quem forneceu a “retaguarda política” para a flexibilização das normas que favoreceram as fraudes bilionárias. E atuou, junto com o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto para liberar a atuação do Banco Maser e transferi-lo a Daniel Vorcaro.

– Edson Yamada (ex-diretor de Benefícios do INSS)
Atuou diretamente na autorização de entidades que movimentaram cerca de R$ 2 bilhões. Também aparece ligado a empresas em parceria com José Carlos Oliveira.

– Virgílio Oliveira (ex-procurador do INSS)
Responsável por dar aval jurídico aos acordos firmados com entidades, permitindo a formalização de contratos que viabilizaram os descontos.

– André Fidélis (ex-diretor de Benefícios do INSS)
Participou de processos de autorização de entidades e foi posteriormente exonerado após denúncias de irregularidades.

– Alexandre Guimarães (ex-diretor do INSS)
Admitiu ter recebido valores milionários de empresas ligadas ao núcleo central da fraude.

– Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”
Apontado como operador central do esquema, responsável por articular diferentes núcleos e controlar fluxos financeiros.

– Maurício Camisotti (empresário)
Atuava na articulação empresarial e financeira, controlando entidades que firmaram acordos mesmo sem base real de associados.

– Grupo “Golden Boys”
Jovens dirigentes que comandavam entidades fraudulentas e enriqueceram com os descontos ilegais, ostentando patrimônio de alto padrão.

– Lideranças de entidades como Conafer e CBPA
Responsáveis pela operacionalização dos descontos e pela movimentação de recursos milionários, muitas vezes com vínculos políticos.

Governo Lula desmontou esquema e iniciou ressarcimento

O documento destaca que a resposta efetiva só ocorreu no atual governo, com a atuação coordenada da Polícia Federal, da Controladoria-Geral da União (CGU) e de outros órgãos de controle, já no governo do presidente Lula. A Operação Sem Desconto, da PF, levou ao afastamento e prisão de envolvidos, à suspensão dos descontos e ao início do ressarcimento em massa.

Até agora, mais de 4,3 milhões de beneficiários já foram reembolsados, com cerca de R$ 2,9 bilhões devolvidos.

Proteção ao INSS e punições mais duras

A bancada do PT conclui que houve a prática de crimes como estelionato contra idosos, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa, além de uma clara infiltração no Estado. O relatório pede o indiciamento dos envolvidos, o aprofundamento das investigações e o envio das conclusões ao Ministério Público e à Polícia Federal.

Também propõe medidas para fortalecer o INSS, proteger os dados dos beneficiários, combater o superendividamento e endurecer punições para fraudes desse tipo.

Para os parlamentares, o caso revela como decisões políticas e o enfraquecimento de mecanismos de controle durante o Governo Bolsonaro abriram caminho para um dos maiores esquemas de exploração de aposentados já registrados no país e reforça a importância de reconstruir o Estado para proteger quem mais precisa.

Fonte: Partido dos Trabalhadores

Carlo Ancelotti convoca o zagueiro Vitor Reis, do Girona

O zagueiro Vitor Reis, do Girona (Espanha), foi convocado pelo técnico italiano Carlo Ancelotti para defender a seleção brasileira no amistoso com a Croácia, que será disputado no Camping World Stadium, em Orlando, a partir das 21h (horário de Brasília) da próxima terça-feira (31). Mais informações em TVT News.

A convocação foi realizada, na noite da última quinta-feira (26), após a derrota de 2 a 1 para a França em amistoso preparatório para a Copa do Mundo, que será disputada no Canadá, no México e nos Estados Unidos.

“Campeão pela seleção brasileira do Sul-Americano sub-17 de 2023, Vitor Reis tem 20 anos e é um dos destaques da posição no Campeonato Espanhol. O jogador irá se apresentar na noite desta sexta-feira (27), no hotel Four Seasons, e já participará do treino de sábado (28)”, informou a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) por meio de nota.

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Após o amistoso com a croácia, o Brasil ainda terá dois compromissos antes do início da Copa do Mundo. O primeiro será um jogo de despedida da torcida brasileira. A seleção enfrentará o Panamá no dia 31 de maio no estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro. Por fim, no dia 6 de junho, uma semana antes da estreia do Brasil no Mundial, a seleção enfrenta o Egito em seu último amistoso antes da estreia. A partida será disputada no Huntington Bank Field, em Cleveland.

Brasil na Copa

O Brasil está no Grupo C do Mundial de 2026. A estreia será contra Marrocos, no dia 13 de junho no MetLife Stadium, em Nova Jersey, às 19h (horário de Brasília). Na segunda rodada, o Brasil encara o Haiti no Lincoln Financial Field, na Filadélfia, às 22h. Já o encerramento da primeira fase está marcado para o dia 24 de junho, contra a Escócia, no Hard Rock Stadium, em Miami, às 19h.

Agência Brasil

Mostra Universitária de Cinema reúne mais de 100 filmes; confira programação

A Mostra Universitária de Cinema e Audiovisual (MUCA) anuncia a sua segunda edição ampliando o diálogo e projeção da nova geração de realizadores. O evento, que nasceu da iniciativa de professores universitários para suprir a carência de espaços de exibição para trabalhos acadêmicos, expande suas fronteiras em 2026 após o sucesso surpreendente de sua estreia. Leia em TVT News.

Programe-se para conhecer a produção audiovisual de estudantes universitários

A segunda edição da Mostra Universitária de Cinema, a MUCA26, acontece entre os dias 6 e 12 de abril de 2026 no Campus Mooca da Universidade Anhembi Morumbi e em outros locais parceiros na cidade de São Paulo.

O que é a Mostra Universitária de Cinema

Idealizada por Juliana Monteiro e dirigida por Lucas Lespier, a primeira edição da MUCA, realizada em 2025, superou todas as expectativas iniciais. O que foi planejado originalmente para ser uma mostra local com cerca de 30 filmes transformou-se em um fenômeno de adesão, recebendo mais de 350 inscrições de todo o Brasil e de mais de 15 países.

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A edição de estreia culminou em:

*   Seleção rigorosa: 83 obras foram exibidas, abrangendo ficção, não ficção, animação e videoclipe.

Parcerias estratégicas: O encerramento foi realizado no Cine Olido, em parceria com a SPCine, onde ocorreu a premiação dos destaques da edição.

Espaço de diálogo: Além das nove sessões de exibição, a mostra promoveu debates essenciais sobre a estética e as narrativas do filme universitário entre alunos, professores e o público em geral.

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Seleção recebeu inscrições de mais de 15 países. Foto: Divulgação

MUCA 2026: Expansão e Novos Horizontes

A segunda edição da mostra, a MUCA26, acontece entre os dias 6 e 12 de abril de 2026 no Campus Mooca da Universidade Anhembi Morumbi e parceiros. Refletindo o crescimento do projeto, o volume de inscrições saltou para mais de 600 filmes, resultando em uma seleção de 119 projetos que serão apresentados em 21 sessões.

Novas Parcerias e Locais de Exibição

Com uma dinâmica mais diversa de exibição, a MUCA26 amplia sua presença geográfica e institucional levando o cinema universitário para dentro e fora de São Paulo através de novos parceiros:

Cine Segall (Museu Lasar Segall): Sede das sessões de abertura e encerramento.

*   Rede de Cineclubes: A programação contará com três sessões exclusivas em parceria com o Cineclube Sol y Sombra, o Lacine (Liga Acadêmica de Cinema da UFBA) e o Cineclube AMUNNF (Associação de Mulheres do Norte e Noroeste Fluminense).

* Sessão Panorama em Streaming: Com uma seleção de filmes nacionais pensados para reverberar a multiplicidade de realizadores ao redor do país, a Mostra terá uma exibição de filmes no IC (Itaú Cultural) Play ainda em abril.

* Internacionalização: Além de produções da França, Espanha, Chile, Colômbia e Argentina, a edição conta com uma Curadoria Parceira internacional com professores da Universidad Politécnica de Valência (Espanha) e da Universidad de Sevilla (Espanha), responsáveis por uma sessão exclusiva de videoarte e videoclipes.

Serviço

II Mostra Universitária de Cinema e Audiovisual (MUCA26)

*   Data: 6 a 12 de abril de 2026

*   Locais: Universidade Anhembi Morumbi, Cine Segall, SESC e Cineclubes parceiros.

*   Ingressos gratuitos disponíveis no Sympla

*   Informações e Contato: [email protected] | @mostrauniversitaria |

Samba do Cruz pode acabar após decisão de despejo em SP

O tradicional Samba do Cruz, realizado na zona norte de São Paulo, corre o risco de acabar. Isso porque o espaço, que abriga tanto a roda de samba quanto a sede do Grêmio Esportivo Recreativo Cruz da Esperança (GRE), time fundado em 1958 e um dos mais tradicionais da cidade, recebeu uma ordem de reintegração de posse para dar lugar ao futuro Parque Campo de Marte. Mais informações em TVT News.

A Justiça de São Paulo autorizou a ação nesta quinta-feira (26). O juiz Bruno Santos Montenegro, da 9ª Vara da Fazenda Pública, deu decisão favorável à Prefeitura de São Paulo, sob a gestão de Ricardo Nunes, sob o argumento de que o clube não tem direito ao terreno, que teria sido ocupado de forma irregular. Segundo o magistrado, “a ocupação é precária e não gera posse legítima”.

A área, próxima ao Campo de Marte, no bairro da Casa Verde, possui 385.883 m². De acordo com a prefeitura, o local abriga mata ciliar ao longo dos córregos Tenente Rocha e Baruel, o que justificaria a criação do parque para preservar a biodiversidade.

Segundo apuração do portal Alma Preta, a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente firmou acordo com a concessionária Campo de Marte SPE S/A para a gestão do parque, no valor de R$ 614,4 mil.

O terreno já pertenceu à União, mas, após disputa judicial, passou à posse da prefeitura, que desde então tenta retirar o GRE do local.

Samba do Cruz teve suas atividades limitadas pela prefeitura

A pressão se intensificou com exigências do poder público para limitar as atividades do clube. Aos finais de semana, o espaço recebe eventos de samba, campeonatos e partidas de futebol de várzea. No entanto, ao ajustar o planejamento da concessão, a prefeitura restringiu o uso dos campos de futebol a horários específicos e transferiu a administração do espaço à empresa responsável.

A limitação de horários impactou diretamente o Samba do Cruz, realizado aos fins de semana, no período noturno.

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Apoiadores iniciaram campanha nas redes para defender a permanência do Samba do Cruz. Foto: Reprodução/ Instagram

O evento, que existe desde 2011, tornou-se um símbolo da história cultural da região, já chamada de “Pequena África” — referência à expressão cunhada pelo compositor, cantor e pintor Heitor dos Prazeres para designar a antiga zona portuária do Rio de Janeiro, marcada pela presença da população negra ao longo de décadas. Com a roda de samba, cerca de 15 mil a 20 mil pessoas passam pelo local a cada fim de semana.

O cerceamento do uso do espaço pela gestão Ricardo Nunes integra um processo gradual de retirada de atividades esportivas e culturais do local. Segundo a prefeitura, o clube foi comunicado previamente sobre a desocupação, mas teria se recusado a receber as notificações e a negociar uma saída amigável.

A defesa do clube, por sua vez, afirma que a associação não foi ouvida e que já recorreu da decisão.

Diante da falta de diálogo, o clube lançou um abaixo-assinado em defesa do Samba do Cruz. A petição “Salve o Cruz da Esperança” já reúne mais de 20 mil assinaturas e conta com o apoio de entidades culturais, frequentadores, artistas e apoiadores, que têm divulgado a iniciativa nas redes sociais. O documento deve ser finalizado e entregue ao poder público nos próximos dias.

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A atriz Alessandra Negrini também se posicionou em defesa do Samba do Cruz. Foto: Reprodução/ Instagram

Pé-de-Meia ajuda a manter estudantes na escola, diz estudo

Um estudo do Centro de Evidências da Educação Integral – parceria entre Insper, Instituto Sonho Grande e Instituto Natura – aponta que o programa Pé-de-Meia, do Governo do Brasil, tem impacto direto na permanência escolar: a cada quatro estudantes que pensavam em abandonar o ensino médio, um decide continuar os estudos graças ao incentivo. A iniciativa integra a política pública de combate à evasão e de promoção da inclusão educacional entre jovens em situação de vulnerabilidade. Mais informações em TVT News.

Na prática, os resultados já são percebidos no cotidiano de escolas públicas. A adolescência é uma fase de construção de sonhos, e as amigas Láiza Castro e Emanuela Teixeira, do 3º ano do ensino médio no Centro Educacional 04 de Taguatinga, região administrativa do Distrito Federal, são exemplos de como o incentivo financeiro pode apoiar projetos de vida.

Moradoras do assentamento 26 de Setembro e beneficiárias do Pé-de-Meia, as duas enxergam na educação o caminho para transformar suas realidades. Láiza tem 17 anos, mora com a mãe enfermeira e o padrasto que trabalha como pedreiro. A jovem é muito articulada e se interessa por geopolítica, além de estudar francês no Centro Interescolar de Línguas de Taguatinga (CILT). A faculdade de Relações Internacionais é a primeira opção de curso.

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“Eu quero fazer Relações Internacionais e pretendo fazer concurso para diplomata ou na área de chancelaria. Além disso, quero fazer muitos intercâmbios para complementar o currículo e para trabalhar, principalmente, na área de importação e exportação”, afirma.

Para ela, o incentivo mensal de R$ 200 tem sido essencial e ainda proporciona a primeira lição sobre educação financeira. “Minha mãe nem me dá mais dinheiro porque o auxílio é como se fosse meu salário, então tenho que saber administrar e minha mãe mandou anotar no caderninho todos os meus gastos”.

O recurso é usado para transporte, alimentação e lazer. Já os valores anuais de R$ 1.000, acumulados ao longo do ensino médio, Láiza revela que serão a poupança para iniciar a vida adulta.

EMPREENDEDORISMO — Assim como Láiza, Emanuela sempre encontrou na escola um espaço de aprendizado e convivência. Ela mora com a mãe, o pai e seis irmãos, e seu maior desejo é ter estabilidade financeira. A mãe é empregada doméstica e o pai, pedreiro. Ambos sempre incentivaram a jovem a estudar para ter um futuro melhor.

Com perfil empreendedor, Emanuela investiu o benefício do programa na própria qualificação: fez um curso na área da beleza e comprou materiais para trabalhar com design de sobrancelhas. “Eu acho que o Pé de Meia é um programa que deveria continuar em todos os governos porque ajuda bastante”. Emanuela quer estudar terapia ocupacional na Universidade de Brasília (UnB) e fazer mestrado em fisioterapia ou saúde coletiva.

VULNERABILIDADE SOCIAL — Segundo o diretor do Centro Educacional 04, Herberth Milanez, a escola atende muitos estudantes do assentamento 26 de Setembro, região marcada por vulnerabilidade social. Nesse contexto, o programa tem papel relevante tanto na permanência quanto nas condições básicas dos alunos.

“O Pé-de-Meia serve muitas vezes para ajudar a família a subsistir mesmo, para comprar comida, roupas, livros, e observei que contribui sim para diminuir a evasão escolar. Até porque o programa está condicionado à frequência. Se o aluno não tem frequência, perde o benefício. E o estudante que está na escola todos os dias, fazendo as atividades, terá um desempenho pedagógico e na vida muito melhor”, afirma Milanez. 

Segundo ele, os estudantes que persistem tendem a apresentar melhor desempenho acadêmico e maiores oportunidades, como aprovação no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), ingresso no ensino superior e aprovação em concursos públicos.

DESAFIOS — O professor Matheus Coimbra, coordenador do ensino médio da escola, destaca que, além das dificuldades socioeconômicas, a permanência dos jovens na escola enfrenta novos desafios relacionados às transformações tecnológicas. 

“Mantê-los interessados na escola como meio de mudança social é um desafio por conta dessas novas profissões que estão surgindo. A gente explica que mesmo pra ser influencer precisa entender, por exemplo, de administração financeira, de produção de conteúdo, porque senão o empreendimento corre o risco de fracassar”, adverte o professor. Para ele, o incentivo do Pé-de-Meia fortalece o vínculo do estudante com a escola e contribui para que a educação seja percebida como trilha de mobilidade social.

IMPACTO SOCIAL — Os resultados do estudo do Centro de Evidências da Educação Integral, publicados no livro Bolsas de estudo e evasão: avaliação de impacto ex-ante, reforçam a percepção de educadores e famílias e apontam que os efeitos do programa tendem a ser maiores entre estudantes mais vulneráveis, contribuindo para reduzir desigualdades educacionais no país.

De acordo com a mestre em Economia Aplicada Laura Muller, professora do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper) e uma das autoras do livro, um jovem que conclui a Educação Básica no Brasil gera um retorno social de cerca de R$ 364 mil ao longo da vida.

“A reversão da decisão de um jovem já gera um benefício enorme para ele e para sociedade. Ao aliviar a pobreza, a transferência de renda promove melhores condições para que o aluno possa frequentar e permanecer na escola”, afirma Muller. 

Pé-de-Meia: Sala de informática de unidade escolar
Sala de informática do Centro Educacional 04 de Taguatinga, no Distrito Federal. Foto: Diego Campos/Secom

O estudo quantifica o impacto do Pé-de-Meia na redução da evasão escolar. Entre estudantes de famílias em situação de vulnerabilidade, a taxa de abandono no ensino médio, considerando as três séries, seria de 26,4% sem o Pé-de-Meia. Com a política, cai para 19,9%, redução média de 6,5 pontos percentuais no país. A análise mostra que os resultados variam entre os estados. No Ceará, por exemplo, a queda na evasão chega a 10 pontos percentuais, enquanto no Paraná a redução estimada é de 4,4 pontos percentuais.

Os dados indicam que o impacto tende a ser maior em contextos de maior vulnerabilidade social. Ao mesmo tempo, o estudo aponta que estados com taxas mais elevadas de evasão antes da implementação do programa não necessariamente registram as maiores reduções, o que revela dinâmicas regionais distintas.

Apesar das variações, todos os estados apresentam resultados acima do patamar mínimo considerado necessário para que os benefícios do programa supere seus custos, estimado em 2,5 pontos percentuais de redução na evasão.

O Pé-de-Meia

É um programa de incentivo financeiro-educacional voltado a estudantes matriculados no ensino médio público beneficiários do Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico). Funciona como uma poupança para promover a permanência e a conclusão escolar de estudantes nessa etapa de ensino. Seu objetivo é democratizar o acesso e reduzir a desigualdade social entre os jovens, além de fomentar a inclusão educacional e estimular a mobilidade social. 

Ao comprovar matrícula e frequência, o estudante do ensino regular recebe o pagamento de incentivos mensais no valor de R$ 200, que podem ser sacados em qualquer momento. No caso da educação de jovens e adultos, ao comprovar matrícula, o estudante recebe um incentivo de R$ 200, além de incentivos de R$ 225 pela frequência, ambos disponíveis para saque. O beneficiário do Pé-de-Meia ainda recebe R$ 1.000 ao final de cada ano concluído, que só podem ser retirados da poupança após a formatura no ensino médio.