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Da Redação

Lula sanciona lei de incentivos fiscais para datacenters no Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta terça-feira (15) a lei que cria o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata). O programa estabelece incentivos fiscais para empresas que instalarem, ampliarem ou modernizarem centros de processamento de dados no Brasil. Leia em TVT News.

A principal medida é a suspensão, por até cinco anos, de tributos federais incidentes sobre equipamentos de tecnologia da informação e comunicação utilizados nesses empreendimentos. O benefício vale para produtos nacionais e, em determinadas situações, para itens importados sem equivalente produzido no país.

Segundo estimativas divulgadas durante a tramitação da proposta, a medida representa uma renúncia fiscal de cerca de R$ 5,2 bilhões em 2026. O programa foi aprovado pelo Congresso antes da sanção presidencial.

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Empresas terão de cumprir contrapartidas

Para receber os incentivos, as empresas deverão atender a uma série de exigências. Uma delas é destinar pelo menos 2% do valor dos produtos adquiridos com os benefícios a projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação relacionados à economia digital e à cadeia produtiva nacional.

Outra condição é disponibilizar no mercado brasileiro ao menos 10% da capacidade de processamento, armazenamento e tratamento de dados dos empreendimentos beneficiados. Parte dessa capacidade também poderá ser cedida a instituições de pesquisa ou ao poder público.

Projetos instalados nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste terão redução de 20% nessas duas contrapartidas. A legislação prevê ainda critérios relacionados ao consumo de energia e água.

Energia renovável e uso de água

Os empreendimentos beneficiados deverão utilizar energia proveniente de fontes renováveis ou de baixa emissão. Também terão de cumprir requisitos de eficiência no uso da água empregada nos sistemas de refrigeração.

A exigência está relacionada ao alto consumo de recursos dos datacenters, que precisam manter servidores em funcionamento contínuo e utilizar sistemas de resfriamento para controlar a temperatura dos equipamentos.

Os critérios técnicos e os procedimentos para adesão ao programa ainda dependem de regulamentação do governo federal.

Disputa por infraestrutura digital

O governo afirma que cerca de 60% das cargas digitais brasileiras são processadas atualmente no exterior. A ampliação da infraestrutura nacional pode aumentar a capacidade disponível para serviços de computação em nuvem, inteligência artificial e armazenamento de dados.

A instalação de datacenters no país também significa que parte das informações processadas ficará submetida à legislação brasileira. O setor, porém, já recebe investimentos privados e disputa projetos com outros países que também oferecem incentivos para atrair grandes centros de processamento.

O Redata busca reduzir o custo de implantação desses empreendimentos por meio da desoneração tributária. A efetividade da medida dependerá, entre outros fatores, do volume de investimentos efetivamente atraído e das contrapartidas cumpridas pelas empresas.

Impacto fiscal

A renúncia de receitas é um dos principais pontos de atenção do programa. A estimativa de R$ 5,2 bilhões para 2026 considera os benefícios tributários concedidos às empresas habilitadas. Durante a tramitação, também foram apresentadas projeções de impacto superior a R$ 7 bilhões acumulados até 2028.

Com a sanção, a próxima etapa é a regulamentação das regras de funcionamento do Redata. O governo deverá definir os procedimentos para habilitação das empresas, os critérios técnicos e as condições para aplicação dos incentivos.

Propostas para educação: Lula põe escola integral no centro da campanha, promete ampliar Pé-de-Meia e vagas federais

O presidente Lula, candidato à reeleição, colocou a universalização da escola em tempo integral no centro de suas propostas para a educação. O plano de campanha também prevê ampliar o Pé-de-Meia para todos os estudantes do ensino médio público, criar vagas universitárias em áreas consideradas estratégicas e retomar o Ciência sem Fronteiras. Mais informações em TVT News.

“Em um quarto mandato, quero definir a educação”, afirmou Lula nesta quarta-feira (16), durante participação no podcast Desce a Letra Show, ao defender que crianças e adolescentes permaneçam o dia inteiro na escola. A proposta aparece no programa de campanha, entitulado “Educação do Futuro” e promete combinar as disciplinas tradicionais com atividades culturais, esportivas, científicas e formação profissional.

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Lula concedeu entrevista ao Desce a Letra Show nesta quarta-feira (16). Foto: Reprodução/ Youtube

O principal compromisso é levar o ensino em tempo integral a toda a rede pública. A ampliação deverá começar pela educação infantil e alcançar progressivamente os demais níveis de ensino. O projeto, no entanto, deve exigir articulação com estados e municípios, de acodo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação.

Outro entrave são os investimentos em infraestrutura, alimentação, transporte, contratação de profissionais e adequação dos espaços escolares. A campanha ainda não estimou fontes de financiamento ou um cronograma detalhado para atingir a universalização, frente aos desafios para ampliar o orçamento para educação, impostos por medidas como o Teto de Gastos, aprovado em 2016 e que não pôde ser totalmente superado com o novo Arcabouço Fiscal.

Em seu programa eleitoral, Lula afirmou que o número de alunos matriculados em escolas de tempo integral cresceu quase 40% durante seu terceiro mandato. O candidato agora promete transformar a ampliação em uma política para toda a rede pública. Segundo o PT, o objetivo é preparar os estudantes para as transformações tecnológicas e produtivas.

Pé-de-Meia para todos

Outra proposta é estender o Pé-de-Meia a todos os estudantes do ensino médio público. Atualmente, o programa atende prioritariamente jovens de famílias inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais do governo federal.

Criado para combater o abandono escolar, o Pé-de-Meia funciona como uma poupança vinculada à frequência e à conclusão dos estudos. O aluno recebe parcelas durante o ano letivo e valores adicionais ao concluir cada série e participar do Exame Nacional do Ensino Médio.

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Estudantes beneficiárias do programa Pé-de-Meia. Foto: Ângelo Miguel/MEC

A campanha afirma que o programa já alcançou mais de 7 milhões de estudantes e que a universalização deverá reduzir a evasão provocada pela necessidade de trabalhar ou complementar a renda familiar. A expansão para todos os alunos, porém, também dependerá de espaço no Orçamento da União e de aprovação dos recursos necessários pelo Congresso Nacional.

Institutos federais voltados às novas tecnologias

O programa prevê ainda a expansão da rede de institutos federais, com cursos técnicos direcionados a áreas como inteligência artificial, robótica, tecnologia da informação e transição energética.

Lula afirma que serão construídos 111 novos institutos federais, com prioridade para cidades e regiões que ainda não possuem unidades próximas. A intenção é oferecer formação técnica gratuita sem obrigar os estudantes a se deslocarem para grandes centros urbanos.

Além da infraestrutura, o projeto ainda depende da abertura de concursos, contratação de professores e técnicos, definição dos cursos e garantia de recursos permanentes para o funcionamento das novas unidades.

Mais vagas nas universidades

No ensino superior, Lula promete criar 120 mil vagas em universidades, concentradas em cursos ligados às áreas de saúde, cuidados e às chamadas profissões do futuro.

A lista divulgada pela campanha inclui inteligência artificial, computação, engenharias e transição energética. A proposta, chamada de “Universidades Transformadoras”, busca adequar a formação acadêmica às demandas sociais, como o envelhecimento da população, a plataformização do sistema financeiro e da economia e mudanças climáticas.

Ciência sem Fronteiras voltado à inteligência artificial

Lula também promete retomar o Ciência sem Fronteiras, programa criado em 2011 para financiar bolsas de graduação e pesquisa no exterior.

Na nova versão, o intercâmbio deverá ser direcionado principalmente às áreas tecnológicas e estratégicas, como inteligência artificial, tecnologia da informação, transição energética e pesquisa sobre minerais críticos e terras raras.

Ainda de acordo com o plano de governo, o objetivo é formar uma geração preparada para os setores que devem ganhar importância econômica nas próximas décadas.

Valorização dos professores

As propostas ainda incluem o fortalecimento do programa Mais Professores, voltado à formação, atração e permanência de profissionais no magistério.

A campanha também promete atuar para garantir o pagamento do piso nacional dos professores em todos os estados e municípios. Embora o piso seja definido nacionalmente, governadores e prefeitos são responsáveis pelos salários das redes locais, o que exige negociação federativa e mecanismos de financiamento.

A valorização docente é uma das bandeiras do PT, considerada indispensável para a expansão da jornada escolar. A escola em tempo integral demanda mais professores, equipes pedagógicas, profissionais de apoio e formação continuada. Sem essas medidas, o aumento do número de horas pode ampliar a sobrecarga dos trabalhadores sem necessariamente melhorar a qualidade do ensino.

Promessas ainda dependem de detalhamento

Diferente dos demais planos apresentados por candidatos à presidência, as propostas de Lula apresentam a educação como instrumento essencial de desenvolvimento econômico e redução das desigualdades. O programa relaciona a permanência dos jovens na escola à preparação para a chamada economia do século 21, marcada pela inteligência artificial, automação e transição energética.

O plano reúne programas já existentes, como o Pé-de-Meia e o Mais Professores, e recupera iniciativas de governos anteriores do PT, como o Ciência sem Fronteiras e a expansão da rede federal.

O desafio será colocar todas essas promessas em prática. A universalização do ensino integral, a criação de 120 mil vagas universitárias e a abertura de novos institutos vão exigir não só mais recursos, mas também uma grande articulação com o próximo congresso, que ainda não se sabe se será tão conservador quanto o último, eleito em 2022 e que “deu de ombros” para a educação, em detrimento de pautas de cunho moral e religioso.

Campanha contra publicidade de combustíveis fósseis chega a seis cidades brasileiras

Seis municípios brasileiros já receberam projetos de lei que restringem a publicidade de combustíveis fósseis em espaços públicos. As propostas foram protocoladas em São Paulo, Piracicaba, Niterói, Belo Horizonte, Florianópolis e Fortaleza. A mobilização também chegou à Assembleia Legislativa do Paraná. Leia em TVT News.

As iniciativas fazem parte da campanha Fora Publicidade Fóssil, co-realizada pelo Instituto Clima de Política e a Rede A Ponte, com apoio de mais 12 organizações da sociedade civil, incluindo o Observatório do Clima, O Tempo Virou e a 350.org. Os textos seguem uma proposta-base, adaptada às competências de cada casa legislativa, e buscam restringir anúncios relacionados ao petróleo, ao carvão mineral e ao gás natural em locais como pontos de ônibus, terminais de transporte, painéis digitais, mobiliário urbano e outros espaços administrados ou autorizados pelo poder público.

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A mobilização ocorre diante do peso dos combustíveis fósseis na emergência climática. A queima de carvão, petróleo e gás responde por mais de 75% das emissões globais de gases de efeito estufa, segundo a Organização das Nações Unidas. Já a poluição do ar está associada a aproximadamente 7 milhões de mortes por ano em todo o mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde. A OMS aponta a queima de combustíveis fósseis e de biomassa entre as principais fontes dessa poluição.

Os projetos municipais não proíbem a venda nem o consumo de combustíveis. O objetivo é impedir que espaços sob responsabilidade das prefeituras sejam usados para construir uma imagem positiva de produtos e atividades que ameaçam a saúde, agravam a crise climática e precisam ser progressivamente superados durante a transição energética.

“Não faz sentido discutir a redução da dependência de petróleo, carvão e gás enquanto o espaço público continua sendo usado para promovê-los. A publicidade influencia escolhas, normaliza comportamentos e ajuda a apresentar como inevitável uma dependência que já sabemos ser perigosa. Assim como o Brasil restringiu a propaganda do cigarro para proteger a saúde pública, precisamos enfrentar a publicidade fóssil. Não dá mais para anunciar o que precisamos superar”, afirma Guilherme Tampieri, coordenador de Projetos e Programas do Instituto Clima de Política.

A campanha também alerta para o uso da publicidade como estratégia de greenwashing, quando empresas associam suas marcas à sustentabilidade sem apresentar de forma transparente os impactos ambientais de suas atividades. Para as organizações, restringir essa comunicação ajuda a desnaturalizar a dependência dos combustíveis fósseis e fortalece a coerência das políticas de transição energética justa.

No Congresso Nacional, a mobilização tem como referência o Projeto de Lei 1.748/2026, apresentado pelo deputado federal Nilto Tatto (PT-SP). O texto propõe incluir os combustíveis fósseis na legislação que já estabelece restrições a nível nacional à propaganda de produtos nocivos à saúde, como cigarros, bebidas alcoólicas e agrotóxicos. Atualmente, a proposta aguarda a designação de relatoria na Comissão de Comunicação da Câmara dos Deputados.

A campanha do Instituto Clima de Política acompanha um movimento internacional pela restrição desse tipo de publicidade. O secretário-geral da ONU, António Guterres, já convocou os países a proibirem anúncios de empresas de combustíveis fósseis e pediu que veículos de comunicação e empresas de tecnologia deixem de atuar como canais para essa propaganda.

Sobre a campanha
A Fora Publicidade Fóssil é realizada pelo Instituto Clima de Política em parceria com a Rede A Ponte e mobiliza parlamentares, organizações e movimentos sociais para restringir a publicidade de carvão, petróleo e gás, no âmbito municipal e estadual, e a propaganda, no âmbito federal. A campanha defende que não há transição energética justa enquanto os produtos responsáveis pela crise climática continuam sendo promovidos e naturalizados no cotidiano da população.

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SUS realiza 7,5 milhões de cirurgias eletivas no primeiro semestre de 2026

O Sistema Único de Saúde (SUS) realizou 7,5 milhões de cirurgias eletivas no primeiro semestre de 2026, segundo os dados apresentados pelo Ministério da Saúde. O número representa um aumento de 608 mil procedimentos em relação ao mesmo período do ano passado e mantém a sequência de crescimento registrada nos últimos anos. Leia em TVT News.

Do total de cirurgias realizadas até julho, 2,92 milhões, o equivalente a 40%, foram feitas por meio do programa Agora Tem Especialistas. A iniciativa reúne ações voltadas à ampliação do acesso a consultas, exames, cirurgias e tratamentos especializados na rede pública.

O resultado ocorre depois de o país registrar, em 2025, o maior número de cirurgias eletivas da série apresentada pelo governo, com 14,9 milhões de procedimentos. Para 2026, a projeção é ultrapassar a marca de 15 milhões e estabelecer um novo recorde anual.

SUS: Agora Tem Especialistas responde por 40% dos procedimentos

Criado no governo Lula, o Agora Tem Especialistas busca ampliar e agilizar o atendimento especializado no SUS. O programa reúne 1,5 mil profissionais de 16 especialidades, distribuídos por 332 municípios. Mais da metade dessas cidades, 53%, está localizada no interior do país.

A estratégia prevê ações em diferentes etapas do atendimento, com o objetivo de reduzir o tempo de espera e aumentar a capacidade de atendimento da rede pública. Entre as medidas estão mutirões nacionais, ampliação do número de especialistas, carretas de saúde, transporte de pacientes e expansão da assistência oncológica.

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Saúde Alexandre Padilha entregam um acelerador linear de alta tecnologia ao Hospital Santa Marcelina, na Zona Leste de São Paulo. Entregas de aceleradores amplia radioterapia pelo SUS. Foto: Ricardo Weber/TVT

O programa também criou mecanismos para utilizar a estrutura de hospitais privados e filantrópicos na prestação de serviços ao SUS. Ao todo, 117 hospitais aderiram à iniciativa que permite a troca de dívidas por atendimentos destinados a usuários da rede pública.

Para as cirurgias que fazem parte do escopo do Agora Tem Especialistas, a projeção do Ministério da Saúde é chegar a 6,1 milhões de procedimentos em 2026, acima dos 5,7 milhões registrados em 2025.

Cuidados integrados ampliam atendimento

Outra frente destacada pelos dados é a expansão das chamadas Ofertas de Cuidados Integrados (OCIs). Até agosto de 2026, foram realizadas mais de 1,31 milhão de OCIs em todo o país. O volume corresponde a um crescimento de 54% em comparação com todo o ano de 2025, quando foram registradas 857,7 mil ofertas.

O modelo do SUS organiza diferentes etapas do atendimento de acordo com as necessidades de cada paciente. Em um mesmo fluxo assistencial, podem ser reunidos consulta com especialista, exames, diagnóstico e outras ações de cuidado.

A proposta é diminuir a necessidade de deslocamentos sucessivos entre diferentes unidades de saúde e evitar que o paciente precise retornar diversas vezes ao sistema para completar etapas de investigação ou tratamento.

Número de OCIs cresce mais de 1.100%

Entre janeiro e agosto de 2026, as Ofertas de Cuidados Integrados executadas por componentes do Agora Tem Especialistas registraram crescimento superior a 1.100% em relação ao ano anterior.

O resultado inclui ações realizadas por carretas voltadas à saúde da mulher, exames de imagem e oftalmologia, atendimento de pacientes do SUS em hospitais privados e filantrópicos por meio da troca de créditos financeiros e atendimentos itinerantes.

Entre essas iniciativas também estão ações direcionadas a regiões indígenas, ampliando a presença dos serviços especializados em áreas onde o acesso pode depender de deslocamentos maiores.

A projeção do Ministério da Saúde é alcançar aproximadamente 3,1 milhões de Ofertas de Cuidados Integrados realizadas desde o início do modelo, em janeiro de 2025.

Anvisa proíbe caneta emagrecedora vinda do Paraguai

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu a importação, o armazenamento, a distribuição, a comercialização, a propaganda e o uso do medicamento T36, da classe de agonistas do receptor GLP 1, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras. Leia em TVT News.

A resolução da Anvisa foi publicada nesta quarta-feira (16) no Diário Oficial da União. Em nota, a agência informou que o medicamento não possui registro sanitário e não teve segurança e eficácia avaliadas no Brasil.

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Site de vendas

No último dia 8, a Anvisa proibiu a comercialização de canetas emagrecedoras por meio do site www.gopharma.shop. Segundo a agência, o site anunciava medicamentos sem registro no Brasil à base de tirzepatida ou que alegavam ter como princípio ativo a retatrutida, substância ainda sem registro em nenhum país do mundo. 

Alguns dos produtos anunciados, como T.G. 15 miligramas (mg), Tirzec 15 mg e Lipoless MD 15 mg, já possuíam proibição expressa de ingresso no Brasil.  Além de proibir a comercialização, a distribuição, a importação, a propaganda e o uso dos produtos anunciados pelo site, a Anvisa determinou ainda que eles sejam apreendidos. 

“É importante esclarecer que sites em geral não podem vender medicamentos para qualquer indicação, em nenhuma hipótese. Isso não é novidade: a comercialização de medicamentos no Brasil é privativa de farmácias e drogarias regularizadas, por meio de suas lojas físicas ou sites e canais digitais oficiais”, reforçou a agência no comunicado. 

“Além da comercialização de medicamentos ser proibida fora dos ambientes e canais oficiais de farmácias e drogarias, o risco é grande: qualquer produto adquirido fora desses ambientes não tem qualquer garantia de procedência, composição ou conservação, o que compromete a qualidade, a segurança e a própria eficácia dos medicamentos”, concluiu.

Paula Laboissière – Repórter da Agência Brasil

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Flávio Bolsonaro mira modelo econômico de Milei apesar de crise e desemprego na Argentina

A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) para a Presidência da República pretende buscar referências na política econômica adotada pelo presidente argentino Javier Milei, apesar dos efeitos sociais e econômicos negativos provocados pelo processo de ajuste adotado no país vizinho. Leia em TVT News.

A estratégia que inclui redução de gastos públicos, desregulamentação, revisão de impostos e uma forte redução da máquina pública, foi apresentada por Daniella Marques, coordenadora econômica da campanha e ex-presidente da Caixa Econômica Federal durante o governo Jair Bolsonaro.

Segundo ela, o modelo implementado na Argentina serve de inspiração para propostas que o grupo pretende levar ao Brasil.

Durante evento do grupo Esfera, na segunda-feira (14), Daniella afirmou que a equipe de Flávio trabalha na elaboração de medidas para revogar normas e reduzir impostos criados ou elevados durante a gestão do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad. De acordo com a assessora, já foram identificadas mais de mil normas que poderiam ser retiradas.

“Flávio fez uma orientação para a equipe, para a gente trabalhar na revogação e voltar atrás em todos os impostos criados ou elevados pelo Haddad. Já temos mais de mil normas mapeadas para revogar, usando um pouco de inspiração no que foi feito no governo Milei na Argentina”, afirmou.

A assessora também classificou a experiência argentina como referência para a redução da burocracia e dos impostos. “Milei é um ótimo exemplo em termos de voltar a ter capacidade de investimento e redução de burocracia e impostos”, declarou.

Modelo argentino combina queda da inflação e aumento do desemprego

Javier Milei assumiu a Presidência da Argentina em dezembro de 2023 e colocou em prática uma agenda econômica baseada em reformas liberais, redução do gasto público, desregulamentação, abertura comercial e redução de subsídios.

Entre os resultados apontados no material divulgado sobre o período estão a desaceleração da inflação e a redução da taxa de pobreza. A pobreza teria recuado de 42% em 2023 para 32%. Ao mesmo tempo, porém, a economia argentina passou por um período de estagnação e o desemprego aumentou.

Os efeitos das medidas também aparecem no setor produtivo. A indústria argentina enfrenta maior concorrência internacional após a abertura comercial, enquanto a redução da demanda interna afeta empresas e trabalhadores.

O segundo texto-base descreve uma situação de forte pressão sobre a economia real. A queda da inflação, embora tenha sido apresentada como resultado positivo da política econômica, ocorre em meio à retração do consumo. Empresários locais, segundo o material, resumem a situação com a afirmação de que “não há inflação porque não há compras”.

A redução do consumo teria alcançado até produtos básicos de higiene, enquanto a perda de postos de trabalho passou a ocupar espaço entre as principais preocupações da população.

Austeridade atinge mercado de trabalho e indústria

A política de ajuste fiscal implementada pelo governo Milei também é associada, no material-base, à redução de subsídios e à abertura da economia para produtos estrangeiros. O processo trouxe impactos para a indústria argentina, com empresas reduzindo turnos de produção ou encerrando atividades.

Desde o início do ciclo de ajustes, mais de 240 mil postos de trabalho com carteira assinada teriam sido eliminados no setor privado, com forte impacto sobre a indústria manufatureira.

O governo argentino mantém a defesa do superávit fiscal como eixo da política econômica. A equipe liderada pelo ministro da Economia, Luis Caputo, sustenta que o equilíbrio das contas públicas deve ser preservado e que o custo do ajuste atual seria necessário para a construção de uma economia mais estável no futuro.

A estratégia, entretanto, produz efeitos distintos entre os indicadores macroeconômicos e as condições enfrentadas por trabalhadores e consumidores. A desaceleração dos preços convive com menor consumo, fechamento de empresas e aumento do desemprego.

Pobreza e serviços públicos pressionam a população

Os efeitos sociais do ajuste também são destacados no material. Dados referentes ao primeiro semestre apontam que aproximadamente um terço da população urbana argentina permanecia em situação de pobreza, enquanto quase 1 milhão de pessoas teriam sido levadas à indigência.

Entre os fatores citados está o aumento das tarifas de serviços públicos, como energia elétrica, água e transporte. O reajuste desses serviços pesa diretamente sobre o orçamento das famílias e ocorre em paralelo às mudanças promovidas pelo governo na estrutura de subsídios.

O próprio Milei teria classificado o cenário social recente como “horrível”, embora mantenha a defesa de que as mudanças adotadas apontam para uma recuperação estrutural da economia.

Flávio também defende redução de gastos no Brasil

A proposta apresentada pela campanha de Flávio Bolsonaro prevê, segundo Daniella Marques, um ajuste fiscal que permita a redução dos juros no Brasil. A equipe pretende enxugar a máquina pública e reduzir privilégios tributários, mas afirma que os programas sociais não seriam alvo de cortes.

A assessora disse que os técnicos da campanha apresentarão alternativas ao Congresso Nacional, a quem caberia discutir e decidir sobre as medidas.

Entre as propostas mencionadas estão a retomada do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) ao patamar de 2022 e o fim do imposto de exportação sobre petróleo.

Flávio também já apresentou a ideia de um amplo processo de revisão de normas, chamado pela campanha de “revogaço”, além de defender um programa de privatizações. Entre as empresas citadas está os Correios. O pacote de redução de despesas públicas foi associado ao termo “tesouraço”, em referência à “motosserra” utilizada por Milei como símbolo de seu programa de cortes.

Em discursos realizados em junho, Flávio chegou a afirmar que os brasileiros teriam a “esperança de terminar como a Argentina está hoje”.

Experiência argentina divide indicadores econômicos e realidade social

A experiência argentina apresentada como referência pela campanha de Flávio combina resultados distintos. De um lado, a inflação apresentou forte desaceleração e houve redução da taxa de pobreza em determinados períodos. De outro, o país enfrenta problemas relacionados ao emprego, ao consumo, à atividade industrial e às condições de vida de parte da população.

O material-base também aponta desgaste político de Milei. Pesquisas de opinião mencionadas nos textos indicam desaprovação de cerca de 60% ao desempenho do governo argentino, em um contexto de pressão sobre a população trabalhadora.