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Da Redação

Isolado politicamente, Flávio Bolsonaro deve anunciar Rogério Marinho como vice

Com isolamento político de Flávio Bolsonaro (PL), seu vice para as eleições de 2026 deve ser um nome do próprio partido: o senador Rogério Marinho (PL-RN). O anúncio oficial é esperado para esta quarta-feira (5), durante coletiva de imprensa em Brasília, depois de dias de negociações internas. Leia em TVT News.

Caso a escolha seja confirmada, o partido recorrerá a uma chapa formada exclusivamente por integrantes da própria sigla. A composição é resultado da dificuldade de Flávio em negociar com partidos do chamado Centrão, como PP, União Brasil e Republicanos, para uma coligação.

Nos bastidores, dirigentes do PL avaliavam que uma aliança ampliaria o tempo destinado ao candidato no horário eleitoral gratuito e fortaleceria a campanha em diferentes regiões do país. Como as negociações não avançaram, a direção da legenda passou a concentrar esforços na definição de um nome interno para a vice-presidência.

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A prioridade inicial da campanha era escolher uma mulher para ocupar a vaga. A estratégia buscava reduzir a rejeição do candidato entre o eleitorado feminino e ampliar o alcance da chapa. Mas isso não foi possível.

Rogério Marinho reuniu apoio dentro do partido

Nesse cenário, Rogério Marinho passou a reunir maior apoio entre dirigentes e integrantes da campanha. Atual coordenador político da candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, o senador também conta com respaldo do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, que teria ampliado sua influência nas decisões estratégicas da campanha nas últimas semanas.

Segundo relatos divulgados pela imprensa, a chegada do marqueteiro Duda Lima para comandar a comunicação eleitoral também fortaleceu o peso político de Valdemar nas definições sobre a composição da chapa, o que encaminhou a decisão de definir Rogério Marinho, ex-ministro de Bolsonaro, como vice.

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A ex-ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, participa da cerimônia de despedida dos ministros de Estado, 2022 – Agência Brasil

Quem foram as mulheres cogitadas para compor a chapa

A possibilidade de Michelle Bolsonaro integrar a chapa presidencial chegou a ser cogitada em alguns momentos, mas interlocutores da ex-primeira-dama descartaram essa hipótese. A tendência consolidada no partido passou a ser sua candidatura ao Senado pelo Distrito Federal, oficializada durante a convenção do PL.

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Outros nomes femininos também foram avaliados, como a vereadora de Fortaleza Priscilla Costa (PL), a deputada Júlia Zanatta (PL-SC), Simone Marquetto, Daniella Marques e Renata Abreu.

No entanto, parte dessas alternativas perdeu força em razão da neutralidade adotada por seus respectivos partidos ou por avaliações internas sobre os impactos eleitorais de determinadas candidaturas.

Lula e Alcolumbre se encontram após silêncio de 3 meses, diz colunista

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), voltaram a conversar após cerca de três meses de afastamento político. Segundo informação publicada pela colunista Bela Megale, os dois participaram, na noite de terça-feira (4), de uma reunião na residência do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, em Brasília. Saiba mais na TVT News.

Também participou do encontro o ministro do STF Cristiano Zanin. De acordo com a coluna, Moraes e Zanin foram os principais articuladores da reaproximação entre Lula e Alcolumbre, em uma tentativa de restabelecer o diálogo entre o Palácio do Planalto e o comando do Senado.

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Segundo pessoas que acompanharam a reunião, o encontro teve como principal objetivo “quebrar o gelo” entre os dois líderes políticos. Nenhuma pauta específica teria dominado a conversa, que durou cerca de duas horas e serviu para reconstruir um canal de interlocução após meses de tensão.

O afastamento entre Lula e Alcolumbre começou no fim de abril, quando o Senado rejeitou a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal. Nos bastidores, a articulação pela derrota do indicado do governo foi atribuída ao presidente do Senado, que defendia outro nome para a Corte e passou a protagonizar um dos maiores desgastes institucionais da relação entre Executivo e Legislativo neste terceiro mandato de Lula.

Derrota de Jorge Messias abriu crise

A rejeição de Jorge Messias representou uma derrota política de grande peso para o governo federal e marcou uma inflexão na relação entre Lula e Alcolumbre. A partir daquele episódio, interlocutores do Planalto passaram a relatar dificuldades para estabelecer diálogo direto com o presidente do Senado.

A crise ganhou novos capítulos nas semanas seguintes, quando uma série de projetos considerados prioritários pelo governo passou a depender diretamente de decisões de Alcolumbre para avançar na Casa.

Entre eles está a Proposta de Emenda à Constituição que reduz a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas e extingue a escala 6×1, uma das principais bandeiras do governo Lula e do movimento sindical.

PEC do fim da escala 6×1 virou novo foco de atrito

A tramitação da PEC passou a enfrentar resistência após chegar ao Senado. Em vez de seguir o rito tradicional, Davi Alcolumbre defendeu que a proposta fosse encaminhada para mais de uma comissão, possibilidade considerada inédita desde a promulgação da Constituição de 1988.

A mudança de procedimento foi interpretada por parlamentares governistas e por centrais sindicais como uma tentativa de retardar a votação de uma proposta que já havia sido amplamente debatida e aprovada pela Câmara dos Deputados.

Na ocasião, Alcolumbre afirmou que o Senado não poderia apenas “carimbar” a decisão tomada pelos deputados e defendeu uma tramitação “com calma”, chegando a sugerir que os senadores poderiam “melhorar” o texto aprovado pela Câmara.

A posição gerou críticas entre integrantes da base governista, que passaram a relacionar a demora na tramitação da PEC ao desgaste político decorrente da derrota da indicação de Jorge Messias ao STF.

Governo tenta reconstruir a relação

Nos últimos meses, ministros responsáveis pela articulação política buscaram reduzir a tensão com o comando do Senado, mas sem sucesso definitivo. O encontro promovido por Alexandre de Moraes representa a primeira conversa direta entre Lula e Alcolumbre desde o rompimento político.

Segundo Bela Megale, o objetivo imediato foi restabelecer a comunicação institucional entre os dois, considerada essencial para destravar votações de interesse do governo no segundo semestre.

Além da PEC do fim da escala 6×1, outras propostas prioritárias do Executivo dependem diretamente da definição da pauta do Senado, incluindo matérias econômicas e projetos ligados à agenda de desenvolvimento do governo.

Reaproximação pode destravar agenda legislativa

A retomada do diálogo ocorre em um momento estratégico para o governo, que busca acelerar a votação de projetos considerados prioritários antes do avanço do calendário eleitoral de 2026.

Nos bastidores do Congresso, parlamentares avaliam que uma relação mais estável entre Planalto e Senado poderá facilitar a negociação de pautas que permanecem paradas desde o agravamento da crise entre Lula e Alcolumbre.

Embora o encontro tenha sido descrito como cordial e tenha servido para reabrir o canal de comunicação entre os dois chefes de Poder, ainda não há indicação de acordos concretos sobre a tramitação da PEC do fim da escala 6×1 ou de outras matérias pendentes.

A expectativa agora é que a reaproximação reduza a tensão institucional acumulada desde abril e permita ao governo reconstruir sua base de sustentação no Senado, onde o presidente da Casa exerce papel decisivo na definição das prioridades legislativas.

CNJ afasta por dois anos substituta de Moro na Lava Jato

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) decidiu, por ampla maioria, aplicar a pena de disponibilidade por dois anos à juíza federal Gabriela Hardt, que ficou nacionalmente conhecida por substituir o então juiz Sergio Moro na condução dos processos da Operação Lava Jato na 13ª Vara Federal de Curitiba. A decisão foi tomada nesta terça-feira (4) durante julgamento de Processo Administrativo Disciplinar (PAD) que apurou a atuação da magistrada na homologação de um acordo bilionário que previa a criação de uma fundação privada abastecida com recursos recuperados pela operação. Saiba mais na TVT News.

A sanção de disponibilidade é a segunda mais grave prevista na Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman). Durante o período de dois anos, Hardt permanecerá afastada da magistratura, recebendo apenas vencimentos proporcionais ao tempo de serviço e impedida de exercer outras atividades públicas ou a advocacia.

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O colegiado acompanhou o voto do relator, conselheiro Rodrigo Badaró, por 10 votos. Outros quatro conselheiros defenderam que a punição fosse reduzida para um ano, posição acompanhada pelo presidente do CNJ e do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin.

Homologação de fundo bilionário motivou punição

O procedimento disciplinar foi instaurado em 2024 após inspeção realizada pela Corregedoria Nacional de Justiça identificar possíveis irregularidades na homologação, feita por Gabriela Hardt em 2019, de um acordo firmado entre o Ministério Público Federal, a Petrobras e autoridades norte-americanas.

O entendimento previa a destinação de cerca de R$ 2 bilhões — algumas estimativas apontam valores superiores a R$ 2,5 bilhões — para uma fundação privada que administraria recursos provenientes de multas e acordos firmados no âmbito da Lava Jato.

A iniciativa acabou sendo suspensa e posteriormente considerada incompatível com a Constituição pelo Supremo Tribunal Federal, impedindo que os recursos fossem transferidos.

Segundo Rodrigo Badaró, a magistrada homologou o acordo em menos de 48 horas, sem adotar as cautelas necessárias diante da complexidade jurídica e institucional da medida.

“Este Conselho reafirma que a independência judicial não autoriza atuação desprovida de cautelas elementares”, afirmou o relator durante o julgamento.

Apesar da punição, Badaró ressaltou que não há qualquer elemento indicando enriquecimento ilícito, desvio de recursos ou benefício pessoal por parte da magistrada.

“Ninguém quer demonizar o interesse de recuperar dinheiro para o Brasil, mas nossa obrigação é verificar se a juíza deveria ter tido mais cuidado”, afirmou.

Fachin: “Os fins não justificam os meios”

Ao encerrar a votação, o presidente do CNJ, ministro Edson Fachin, fez questão de separar a responsabilização disciplinar da magistrada do combate à corrupção promovido pela Lava Jato.

Segundo ele, o julgamento não colocava em dúvida a existência dos crimes investigados pela operação, mas sim a forma como determinados atos foram praticados.

“Não está em discussão a grossa corrupção que houve e foi apurada pela operação Lava Jato. O que está em discussão é que não se combate irregularidade cometendo irregularidade. Os fins não justificam os meios.”

Embora tenha defendido punição mais branda, de um ano de disponibilidade, Fachin destacou que juízes também respondem por seus erros administrativos.

“Nenhum juiz ou juíza é infalível. Juízes erram, ainda que pontualmente, e precisam responder por isso”, afirmou.

Defesa nega irregularidades

Durante o julgamento, a defesa de Gabriela Hardt sustentou que a magistrada apenas homologou o acordo apresentado pelo Ministério Público Federal e pela Petrobras, sem participar de sua elaboração ou da futura gestão dos recursos.

A advogada Ana Luísa Vogado de Oliveira afirmou que a decisão representou apenas uma interpretação jurisdicional e negou qualquer atuação motivada por interesses pessoais ou políticos.

Segundo a defesa, eventual erro judicial deveria ser discutido exclusivamente por meio dos recursos previstos na legislação, e não por processo disciplinar.

O subprocurador-geral da República José Adônis Callou de Araújo Sá também defendeu o arquivamento do PAD, argumentando que a fundação jamais chegou a existir e que nenhum recurso foi movimentado em decorrência da homologação feita por Hardt.

A juíza que sucedeu Sergio Moro na Lava Jato

Gabriela Hardt ganhou projeção nacional em 2018, quando assumiu temporariamente os processos da Lava Jato após Sergio Moro deixar a magistratura para integrar o governo do então presidente Jair Bolsonaro como ministro da Justiça.

Foi Hardt quem proferiu a sentença que condenou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no processo do sítio de Atibaia, impondo pena de 12 anos e 11 meses de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro. Posteriormente, todas as condenações impostas a Lula pela força-tarefa da Lava Jato foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal, que reconheceu a incompetência da 13ª Vara Federal de Curitiba e a suspeição de Sergio Moro em processos envolvendo o atual presidente da República.

Também durante sua atuação à frente da Vara da Lava Jato, Gabriela Hardt protagonizou um episódio que ganhou grande repercussão nacional durante o interrogatório de Lula, em novembro de 2018.

Logo no início da audiência, após o então ex-presidente questionar a acusação referente ao sítio de Atibaia, a magistrada interrompeu sua fala e afirmou a frase que marcaria aquele depoimento:

“Se começar nesse tom comigo, a gente vai ter problema.”

Na sequência, Hardt reforçou que conduzia o interrogatório e que cabia a ela formular as perguntas necessárias ao esclarecimento dos fatos. O episódio tornou-se um dos momentos mais lembrados da condução dos processos da Lava Jato e foi amplamente repercutido pela imprensa na época.

Outros magistrados também foram julgados

Na mesma sessão, o CNJ analisou processos disciplinares envolvendo desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4).

Os desembargadores Carlos Eduardo Thompson Flores Lenz e Loraci Flores de Lima receberam punição de disponibilidade por 60 dias em razão do descumprimento de decisões do Supremo Tribunal Federal relacionadas aos processos do juiz Eduardo Appio. Como ambos já haviam permanecido afastados cautelarmente por período superior à punição aplicada, a sanção foi considerada cumprida.

Já o processo disciplinar contra o juiz federal convocado Danilo Pereira Júnior foi arquivado por falta de provas suficientes para individualizar eventual responsabilidade funcional.

A decisão do CNJ representa mais um capítulo da revisão institucional dos procedimentos adotados durante a Operação Lava Jato, especialmente em relação à gestão de recursos, à observância das garantias processuais e aos limites da atuação de magistrados e integrantes do Ministério Público Federal. O julgamento reforça o entendimento manifestado pelo Conselho de que a independência judicial deve caminhar ao lado da estrita observância da legalidade e dos deveres funcionais da magistratura.

Brasil rebaixa relação com Argentina após novos ataques de Milei

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu rebaixar o nível das relações diplomáticas entre Brasil e Argentina após uma nova escalada de ataques do presidente argentino, Javier Milei, contra Lula e autoridades brasileiras. A medida, considerada uma das mais severas já adotadas entre os dois países desde a redemocratização, estabelece que a representação bilateral passe a funcionar apenas no nível de encarregado de negócios, enquanto persistirem as declarações ofensivas do mandatário argentino. Saiba mais na TVT News.

A decisão foi comunicada oficialmente pelo Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) ao embaixador da Argentina em Brasília, Guillermo Daniel Raimondi, por meio de uma nota de protesto. Ao mesmo tempo, o governo brasileiro confirmou que o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, permanecerá em Brasília por tempo indeterminado e não retornará ao posto diplomático na capital argentina enquanto a crise não for superada.

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Segundo o Itamaraty, a medida responde diretamente à repetição de ataques de Milei ao presidente Lula, ao Supremo Tribunal Federal (STF) e às instituições democráticas brasileiras. O governo considera que houve um rompimento dos parâmetros mínimos de convivência diplomática entre chefes de Estado.

Relação passa ao nível de encarregado de negócios

Na prática, o rebaixamento significa que as embaixadas continuam funcionando, mas deixam de operar sob a direção de embaixadores. As atividades passam a ser conduzidas por encarregados de negócios, diplomatas responsáveis pela administração cotidiana da representação diplomática em momentos de crise política.

Apesar da gravidade da decisão, o Brasil não declarou o embaixador argentino persona non grata nem determinou sua expulsão do território nacional. Raimondi poderá permanecer em Brasília, mas deixará de ser o principal interlocutor político do governo brasileiro.

Da mesma forma, Julio Bitelli continuará no Brasil. O diplomata havia sido convocado para consultas logo após os primeiros ataques de Milei durante a convenção do PL, realizada em São Paulo no fim de julho, e agora recebeu orientação para permanecer em Brasília por tempo indeterminado.

Fontes do Itamaraty classificam a medida como um instrumento diplomático de pressão, destinado a sinalizar a gravidade da crise sem romper formalmente as relações entre os dois países.

Novas declarações agravaram a crise

A decisão brasileira foi tomada após Milei voltar a atacar Lula durante entrevista concedida ao canal argentino LN+, ligado ao jornal La Nación.

Na entrevista, o presidente argentino repetiu acusações já feitas anteriormente e voltou a chamar Lula de “ladrão”, “corrupto” e “presidiário”. Milei também questionou, sem apresentar provas, as decisões do Judiciário brasileiro que anularam as condenações da Operação Lava Jato.

Ao justificar suas declarações, afirmou que seria “menos grave chamar um ladrão de ladrão do que cometer o ato de roubar”. Também acusou o governo brasileiro, sem apresentar evidências, de interferir na política argentina e de financiar campanhas contra seu governo.

Para o Itamaraty, as novas manifestações demonstraram que não havia qualquer sinal de distensão diplomática após os episódios registrados na semana anterior.

Ataques começaram durante convenção do PL

O atual impasse teve início em 25 de julho, quando Milei participou, em São Paulo, da convenção nacional do Partido Liberal (PL), que oficializou a candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro.

Durante o evento político, o presidente argentino fez um discurso em defesa do liberalismo econômico, criticou governos de esquerda e direcionou ataques pessoais ao presidente brasileiro.

Na ocasião, chamou Lula de “presidiário”, “corrupto” e “ladrão”. Também atacou o ministro do STF Alexandre de Moraes, a quem se referiu como “lixo careca”, depois de ter sido impedido de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar.

Após o discurso, Milei ainda compartilhou nas redes sociais publicações que reforçavam os ataques ao governo brasileiro.

A resposta do Brasil foi imediata. O Itamaraty convocou o embaixador argentino para prestar esclarecimentos e chamou Julio Bitelli de volta a Brasília para consultas, procedimento considerado um gesto diplomático de forte desaprovação.

Lula evita confronto direto, mas critica postura do presidente argentino

Inicialmente, Lula evitou ampliar a crise. Questionado por jornalistas sobre as declarações de Milei, respondeu de forma irônica:

“Quem é esse cara?”

Dias depois, porém, endureceu o tom ao comentar a participação do presidente argentino no evento do PL.

Durante ato político do PSB, Lula classificou a visita como uma “patacoada” e afirmou que não pretende transformar divergências entre governos em conflitos permanentes entre os povos dos dois países.

O presidente também declarou que mantém respeito pelo povo argentino e que continuará tratando as relações bilaterais como uma questão de Estado, independentemente das posições adotadas por Milei.

Itamaraty classifica episódio como sem precedentes

Em nota divulgada após os ataques feitos em território brasileiro, o Ministério das Relações Exteriores afirmou não haver precedentes para que um presidente estrangeiro visite o Brasil e utilize o espaço para ofender o chefe de Estado brasileiro, instituições democráticas e autoridades nacionais.

O chanceler Mauro Vieira classificou o episódio como extremamente grave e afirmou que o governo avaliaria permanentemente a evolução da crise.

Com as novas declarações feitas na televisão argentina, o governo concluiu que não havia ambiente político para normalizar as relações diplomáticas.

Argentina reage e acusa Brasil de isolamento

Horas após o anúncio brasileiro, a chancelaria argentina divulgou comunicado criticando a decisão do governo Lula.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores argentino, o Brasil estaria “se isolando do resto da região por questões puramente ideológicas”. O governo de Milei afirmou ainda que nunca respondeu a divergências políticas por meio de medidas institucionais semelhantes.

Apesar da resposta oficial, integrantes do governo argentino já haviam declarado anteriormente que não pretendiam romper relações diplomáticas com o Brasil.

Parceiros históricos enfrentam maior crise diplomática em décadas

Brasil e Argentina mantêm uma das mais importantes relações políticas e econômicas da América do Sul. Os dois países são sócios fundadores do Mercosul e figuram entre os principais parceiros comerciais um do outro.

O atual rebaixamento diplomático representa o momento de maior tensão bilateral em décadas e rompe uma tradição de diálogo institucional preservada mesmo durante períodos de forte divergência ideológica entre governos.

Por enquanto, o governo brasileiro mantém aberta a possibilidade de normalização das relações. No entanto, a orientação do Itamaraty é de que o retorno do embaixador Julio Bitelli a Buenos Aires somente ocorrerá quando cessarem os ataques públicos do presidente Javier Milei contra Lula, as instituições democráticas e autoridades brasileiras.

Quais os números da Pesquisa Quaest de 5 de agosto

Pesquisa Quaest divulgada em 5 de agosto mostra o presidente Lula liderando em todos os cenários de primeiro e segundo turnos, apesar de perder pontos. Lula oscilou para baixo, enquanto Flávio Bolsonaro cresceu acima da margem de erro. Confira os resultados da Pesquisa Quaest de 5 de agosto com a TVT News.

Realizada entre os dias 31 de julho e 03 de agosto de 2026, a pesquisa utilizou a metodologia de entrevistas domiciliares e presenciais.

Os números confirmam a liderança de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro e no segundo turno, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) se consolida na segunda posição, mostrando um encurtamento na distância em relação à rodada anterior.

Principais resultados da Genial/Quaest

Flávio Bolsonaro mostra recuperação nos dois turnos. No 2o turno, vantagem de Lula encolhe 3 pontos percentuais

  • No cenário mais provável, Lula venceria por 44% a 39% no 2o turno
  • Escolha de voto em Flávio é definitiva para 68% dos entrevistados, contra 62%
    em julho. Na direita não bolsonarista, o candidato do PL recupera terreno e
    sobe de 74% para 81% na intenção de voto
  • Para 59% a reconciliação entre Flávio e Michelle foi positiva e eleva sua chance
    de vitória para 46%
  • 52% consideram errada a decisão do STF de proibir visitas de Flávio a Jair
    Bolsonaro
  • Percepção de melhora na renda com Desenrola e isenção de IR até R$ 5 mil é
    menor em relação a julho
  • Reação de Lula ao tarifaço é mal avaliada por 43% (36% em julho)

Série histórica da pesquisa Quaest – 1° turno

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Intenção de voto no segundo turno entre Lula e Flávio: cenário 1

No cenário 1 de segundo turno da Pesquisa Quaest de agosto, Lula aparece com 44% das intenções de voto, contra 39% de Flávio Bolsonaro. Outros 13% afirmam que votariam em branco, nulo ou não votariam, enquanto 4% estão indecisos.

O resultado indica vantagem de cinco pontos percentuais para Lula na simulação apresentada pela pesquisa.

A análise da série histórica da Pesquisa Quaest de agosto demonstra uma ligeira aproximação entre os candidatos. Em julho de 2026, Lula registrava 45% (oscilando um ponto para baixo neste mês), enquanto Flávio Bolsonaro contabilizava 37% (crescendo dois pontos percentuais no atual levantamento).

O levantamento foi registrado no TSE sob o número BR-06591/2026 e ouviu 2.004 brasileiros com 16 anos ou mais entre 31 de julho e 3 de agosto de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

Série histórica da pesquisa Quaest – 2° turno

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No principal cenário de segundo turno simulado pela pesquisa, o presidente Lula aparece com 44% das intenções de voto. O senador Flávio Bolsonaro (PL) vem logo na sequência, somando 39% da preferência do eleitorado.

Os eleitores que pretendem votar em branco, anular ou que não vão votar representam 13%. Os indecisos somam 4%.

Aprovação do governo Lula

A avaliação da gestão do atual presidente demonstra um cenário de estabilidade e polarização. Segundo os dados, 48% dos brasileiros aprovam o trabalho que Lula está fazendo. Em contrapartida, 47% desaprovam a gestão. Aqueles que não sabem ou não responderam somam 5%. Os índices são idênticos aos do mês de julho.

Voto espontâneo

Na pergunta espontânea, quando os entrevistados não recebem uma lista de candidatos, Lula aparece com 25%, seguido por Flávio Bolsonaro, com 18%.

O levantamento registra ainda 51% de indecisos. Outros nomes aparecem com percentuais menores.

Lula merece continuar

Indagados de forma independente sobre o futuro político do país, 55% dos eleitores afirmam que o presidente Lula não merece continuar por mais quatro anos como presidente. Já 41% avaliam que ele merece a reeleição. Não sabem ou não responderam somam 4%.

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O que dá mais medo, Lula continuar ou Bolsonaro voltar

O levantamento mediu a percepção de risco e rejeição da população.

Para 44% dos entrevistados, a volta da família Bolsonaro ao poder é o que causa mais medo. Por outro lado, 41% dizem ter mais medo de que o governo Lula continue. Cerca de 7% dizem ter medo dos dois cenários, 3% não têm medo de nenhum dos dois e 5% não souberam responder.

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Resposta de Lula ao tarifaço

A Pesquisa Quaest de agosto mostra que 43% dos entrevistados avaliam como ruim a resposta do presidente Lula e de seu governo às tarifas de importação impostas pelo governo de Donald Trump.

O percentual é superior aos 38% que consideram a reação boa, enquanto 4% avaliam que a resposta não foi nem boa nem ruim. Outros 15% não souberam ou não responderam.

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O resultado representa uma mudança em relação à rodada anterior. Em maio, 39% avaliavam positivamente a resposta do governo, contra 36% que a consideravam ruim. Na pesquisa de agosto, a avaliação negativa passou a superar a positiva por cinco pontos percentuais. O levantamento perguntou aos entrevistados se Lula e seu governo estavam respondendo bem ou mal às tarifas de importação impostas por Trump.

Metodologia da Pesquisa Quaest de agosto

A Pesquisa Quaest de agosto foi realizada pela Quaest para a Genial Investimentos com 2.004 entrevistas presenciais e domiciliares, entre 31 de julho e 3 de agosto. O público-alvo é formado por brasileiros com 16 anos ou mais.

O registro da pesquisa no Tribunal Superior Eleitoral é BR-06591/2026.

O levantamento tem margem de erro estimada em dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. A amostra foi construída em três estágios, com seleção de municípios, setores censitários e entrevistados, considerando região, sexo, idade, escolaridade e renda familia.

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Eduardo Bolsonaro esteve em Washington pouco antes da retirada do visto da embaixadora, diz colunista

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), que atualmente vive no Texas, esteve em Washington na semana passada para participar de reuniões com integrantes do governo do presidente Donald Trump poucos dias antes de os Estados Unidos revogarem o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. A informação foi publicada pela colunista Bela Megale, do jornal O Globo. Saiba mais na TVT News.

De acordo com a reportagem, Eduardo manteve conversas com autoridades da administração norte-americana em meio ao agravamento das tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos. Ainda segundo a coluna, o ex-apresentador da Jovem Pan Paulo Figueiredo, um dos principais aliados de Eduardo Bolsonaro nos EUA, não participou dos encontros, mas já havia sido informado previamente sobre a decisão de cancelar o visto da diplomata brasileira.

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Em publicação nas redes sociais, Paulo Figueiredo afirmou que integrou um grupo restrito de jornalistas que recebeu a informação diretamente de um alto funcionário do Departamento de Estado dos Estados Unidos. Segundo ele, o representante do governo norte-americano confirmou a revogação do visto de Maria Luiza Viotti e sinalizou que novas medidas contra autoridades brasileiras não estão descartadas.

A decisão dos Estados Unidos foi apresentada como uma resposta à recusa do governo brasileiro em conceder o agrément — a aceitação diplomática necessária para o exercício da função — ao indicado pela Casa Branca para assumir a embaixada norte-americana em Brasília, Daniel Perez.

Ainda conforme a coluna, integrantes do grupo político de Eduardo Bolsonaro comemoraram a iniciativa do governo Trump e avaliam que uma escalada da crise diplomática pode trazer efeitos eleitorais favoráveis ao senador Flávio Bolsonaro (PL), que aparece atrás do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas pesquisas de intenção de voto para a eleição presidencial de 2026.

Segundo essa avaliação relatada pela jornalista, qualquer desfecho da disputa poderia trazer custos políticos ao governo brasileiro. Caso Lula aceitasse a pressão norte-americana e concedesse o agrément ao indicado de Washington, poderia sofrer desgaste em relação ao discurso de defesa da soberania nacional. Por outro lado, manter a negativa poderia aprofundar a crise bilateral, com possíveis impactos diplomáticos e administrativos para brasileiros residentes nos Estados Unidos que dependem dos serviços da embaixada.

A reportagem também relata que, durante a reunião com jornalistas, o representante da gestão Trump mencionou outro episódio recente de atrito entre os dois países: a negativa do Itamaraty em conceder vistos a dois funcionários do Departamento de Estado que pretendiam viajar ao Brasil.

Segundo o governo brasileiro, os servidores norte-americanos tinham como objetivo discutir e questionar o sistema eleitoral brasileiro, motivo pelo qual os pedidos de visto foram negados. O episódio ampliou as divergências entre Brasília e Washington em um momento de crescente tensão diplomática.

A revogação do visto da embaixadora Maria Luiza Viotti representa mais um capítulo da deterioração das relações entre os dois países desde o início do segundo mandato de Donald Trump. O episódio ocorre em meio a sucessivas trocas de críticas entre autoridades brasileiras e norte-americanas sobre temas relacionados à política externa, ao processo eleitoral brasileiro e às relações institucionais entre os dois governos.

Até o momento, o governo brasileiro mantém a posição de que a concessão de agrément é uma prerrogativa soberana do Estado brasileiro e não comentou oficialmente as informações sobre a participação de Eduardo Bolsonaro nas reuniões realizadas em Washington antes da decisão do Departamento de Estado. Também não há confirmação oficial do governo dos Estados Unidos sobre eventual participação do ex-deputado nas discussões mencionadas pela coluna.