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Da Redação

A campanha começou há 15 dias e a primeira sabatina já aconteceu

Por Edson Panes de Oliveira Filho 

Quinze dias de campanha e a sabatina, o primeiro teste sem ilha de edição, já passou.

De 24 a 29 de agosto, o Jornal Nacional sabatinou, ao vivo e por cerca de 40 minutos, cada um dos seis mais bem colocados na pesquisa Genial/Quaest de 14/8: Romeu Zema, Ronaldo Caiado, Renan Santos, Luiz Inácio Lula da Silva, Flávio Bolsonaro e Augusto Cury, nesta ordem, por sorteio.

É importante registrar que Marçal não entrou na rodada, por estar com seu registro sub judice. Quem ocupou a sexta cadeira foi Cury. 

Para ler a semana sem achismo, o termômetro vem da pesquisa Nexus/BTG (TSE BR-08900/2026), que foi a  campo de 28 a 30/8, com 2.005 entrevistados e margem de erro de 2 pontos percentuais, coletada durante as entrevistas.

E ela conta uma história dura: os dois líderes estão consolidados e travados (rejeição perto de 50%, teto curto), e quem tem espaço para crescer é exatamente quem foi mal na TV. 

Os âncoras: No 1º turno, Lula 39, Flávio 33, Cury 11, Caiado 5-6, Renan 3, Zema 1-2. Já no 2º turno Lula 46 x Flávio 45; Lula 45 x Caiado 44; Lula 46 x Zema 41; Lula 47 x Renan 38.

A Rejeição se apresenta com Flávio 50, Lula 49, Marçal 47, Zema 41, Renan 40, Caiado 37.

Tendo como informação primordial o Teto (“votaria, mas também em outro”), Caiado 32, Zema 30, Marçal 29, Renan 22, Flávio 20, Lula 14. A sabatina foi o teste que separa produto de embalagem. Então, vejamos o desempenho de cada um. 

Análise de cada sabatina

Romeu Zema (Novo). Abriu a série e saiu machucado: divagou na dívida de Minas, foi rebatido com números, defendeu vacina como “escolha individual”, relativizou o 8 de Janeiro e escorregou ao falar de mulheres. O gestor eficiente foi desmentido pelo próprio improviso e ainda entregou munição pronta (privatizar Petrobras). Está em 1%, com 26% de desconhecimento.

O movimento: escolher duas bandeiras vendáveis (gastos, segurança), aposentar as tóxicas que só geram rejeição, blindar o flanco feminino e parar de jogar sem preparo factual no formato que não edita. O jogo dele é ocupar o nicho liberal-raiz, não disputar o centro no ao vivo. 

Ronaldo Caiado (PSD). O paradoxo da rodada: o melhor case, o pior mensageiro. Tem o maior teto (32%), a menor rejeição (37%) e empata com Lula no 2º turno (45 x 44), mas entregou uma sabatina grosseira (“não estamos em uma banca examinadora”), com cerca de 40 interrupções, evasivas e uma afirmação falsa (Lula “anistiado”). Pior: defendeu anistia a Bolsonaro, contaminando o discurso de alternativa com pauta bolsonarista. Virou chacota, com 25% ainda sem conhecê-lo.

O movimento: reposicionar tom com urgência do coronel que interroga ao gestor que entrega, media training pesado, roteiro em cima de duas provas concretas e largar a anistia. Enquanto for pouco conhecido, precisa de repetição controlada, não de improviso. O teto de 32% é ouro que ele está queimando. 

Renan Santos (Missão). A melhor comunicação, o pior produto. Foi o mais à vontade na TV (nota 2,6, à frente de Zema e Caiado), mas o conteúdo assustou: arma nuclear e “banho de sangue”. Os números o prendem ao nicho e 35% não o conhecem, 3% de intenção, o pior 2º turno (47 x 38), passivo de misoginia.

O movimento: aceitar que 2026 não é a Presidência, é a construção de marca e partido. Usar a boa oratória para consolidar e monetizar um núcleo fiel, moderar o indefensável em massa (nuclear e “banho de sangue” fecham o centro e as mulheres) e sair da eleição maior do que entrou. 

Lula (PT). Sobreviveu ao pior enquadramento possível: metade da entrevista sobre corrupção (Lulinha/Marcola, INSS, Master). Manteve a calma, controlou a narrativa e colheu elogios por vigor cognitivo (mata o etarismo) e o fato, sublinhado no colunismo, de ser o único a quem não se perguntou sobre democracia. Lidera o 1º turno (39%) e está em todos os cenários de 2º. Mas segue travado: rejeição 49%, teto de 14%.

O movimento: virar a chave da defesa para a agenda propositiva, levar de forma controlada o enquadramento “sabatina-interrogatório” como quem foi tratado de réu e tem o que mostrar, blindar corrupção com transparência e mudar o terreno para custo de vida e entregas. A eleição dele é de 2º turno; o jogo é consolidar e mobilizar, não conquistar. 

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Lula na sabatina da TV Globo – Foto: Ricardo Stuckert

Flávio Bolsonaro (PL). Venceu na bolha, tropeçou fora dela. Cercado pelo Master e por Vorcaro, protagonizou o pior momento da semana, negou e depois confirmou ter pedido dinheiro para o filme sobre o pai, não explicou os US$ 61 milhões no Texas e citou Lula cerca de 17 vezes para escapar. Nas redes, o campo pró venceu em volume; retirados os hiperativos, virou empate. Empata com Lula no 2º turno (45 x 46), mas carrega a maior rejeição do país (50%) e teto de 20%.

O movimento: parar de usar Lula como muleta (não amplia), enfrentar o Master com uma versão única e documentada e migrar da herança para a pauta econômica de classe média. Estruturalmente, depende de polarizar para garantir o 2º turno e de consolidar a direita antes que Caiado ou a terceira via o ultrapassem. 

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Flávio Bolsonaro na sabatina da TV Globo – Imagem: Manoella Melo / TV Globo

Augusto Cury (Avante). O dado que quase ninguém está olhando: 11% de terceira via, num tom de esperança que destoa do ambiente de raiva. Mas a sabatina expôs o risco insegurança, excesso de autoajuda e o segundo maior índice de alegações falsas da rodada (dívida “de R$ 50 mil por criança”, bets, neurodivergência). Sob escrutínio, a marca “coach” desmonta.

O movimento: profissionalizar o conteúdo (cada dado errado corrói a autoridade de sábio), converter emoção em proposta verificável e ocupar o vácuo de terceira via que Caiado (autoritário) e Zema (impopular) deixaram aberto. É quem mais tem a ganhar e a perder na reta final. 

E o Marçal? Fora do circuito. Enquanto os seis disputavam credibilidade no horário nobre, ele disputava sobrevivência jurídica. Resta-lhe a economia da atenção e a judicialização como narrativa. Mas ficar de fora do debate “sério” reforça o teto baixo (3%, rejeição 47%). Atenção não é legitimidade, e a reta final cobra as duas. 

A leitura que fica. A semana passada confirmou a pesquisa e inverteu as expectativas de imagem. Quem tinha fama de gestor (Caiado, Zema) se queimou no improviso; quem tinha comunicação (Renan) travou no conteúdo; quem lidera (Lula) aguentou o pior enquadramento; quem herda (Flávio) escancarou a dependência da bolha; e a terceira via (Cury) provou que existe e que é frágil. 

O topo está consolidado, mas a eleição se decide no 2º turno, onde Lula empata tecnicamente com Flávio e com Caiado. O espaço de crescimento está em quem foi mal na TV e converter percepção em intenção virou, para o pelotão de trás, questão de sobrevivência. 

Fica ainda o recado de método: a TV ao vivo é implacável com a campanha digital-first. Quem vive de conteúdo editado precisa aprender a jogar onde não há corte na ilha. 

Primeiro capítulo encerrado. Cada campanha entregou, sem retoque, a matéria-prima das próximas semanas. Quem lê a sabatina ao lado da pesquisa já sabe quem terá que corrigir a rota, quem vai consolidar e quem está apenas jogando para 2030

Sobre o autor

Edson Panes de Oliveira Filho


Edson Panes de Oliveira Filho é advogado e estrategista politico, Especialista em Direito Eleitoral, com MBA em Direito Empresarial, MBA em Gestão de Pessoas e MBA em Comunicação Governamental e Marketing Político, proprietário da CRIA Marketing Digital e Politico e cofundador do Alcateia Política.


Os artigos dos colunistas expressam as opiniões individuais da autora ou do autor e não, necessariamente, refletem a opinião da TVT News

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Dia 2 tem nova pesquisa Quaest para presidente

A Quaest vai divulgar na próxima quarta-feira, 2 de setembro, uma nova pesquisa de intenção de voto para presidente. O levantamento é o primeiro a captar os efeitos das sabatinas dos principais candidatos na TV Globo e do início do horário eleitoral gratuito, que começou na sexta (28). A coleta de dados ocorre entre domingo (30) e terça-feira (1º), com 2.004 eleitores de 16 anos ou mais.

Nova pesquisa Quaest para presidente inclui Augusto Cury em cenário de 2º turno

A nova pesquisa Quaest, com divulgação prevista para esta quarta-feira, 2 de setembro, chega em um momento decisivo da campanha eleitoral de 2026. Este será o primeiro levantamento do instituto realizado após a repercussão das sabatinas dos candidatos à Presidência no Jornal Nacional e dos primeiros debates televisionados.

A destaque da rodada é a inclusão do escritor Augusto Cury (Avante) nos cenários simulados de segundo turno contra o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

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Cury será testado no cenário de 2° turno. Foto: Divulgação/Avante

Próxima pesquisa Quaest será publicada em 2 de setembro

  • Data de divulgação: quarta-feira, 2 de setembro
  • Período de coleta: de 30 de agosto a 1º de setembro
  • Amostra: 2.004 eleitores com 16 anos ou mais
  • Diferencial: primeira pesquisa após as sabatinas da Globo e o início do horário eleitoral
  • Temas do questionário: intenção de voto, rejeição, avaliação do governo Lula, economia, influência da propaganda e dos debates, além de perguntas específicas sobre os casos Dark Horse e Lulinha
  • Cenários: primeiro turno com 13 nomes e segundo turno com cinco simulações envolvendo Lula e adversários.

Quando será divulgada a próxima pesquisa Quaest para presidente

A próxima pesquisa nacional da Quaest sobre a corrida presidencial será divulgada na quarta-feira, 2 de setembro. O levantamento chega a pouco mais de um mês do primeiro turno, marcado para 4 de outubro, e promete trazer um retrato atualizado da disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), além de testar outros cenários.

Esta será a décima pesquisa presidencial da Quaest realizada em 2026, mas apenas a segunda da série encomendada pelo grupo Globo (O GLOBO e TV Globo). A coleta de dados acontece entre domingo, 30 de agosto, e terça-feira, 1º de setembro, com 2.004 eleitores de 16 anos ou mais, entrevistados presencialmente.

O que a nova pesquisa Quaest vai perguntar aos eleitores?

O questionário da Quaest começa com uma pergunta espontânea para saber se o eleitor já definiu seu voto. Em seguida, são apresentados dois cenários estimulados para o primeiro turno.

No primeiro, constam 13 nomes: Lula, Flávio Bolsonaro, Pablo Marçal, Renan Santos, Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Augusto Cury, Clariana Barão, Edmilson Costa, Hertz Dias, Rui Costa Pimenta, Samara e Wilson Grassi. O segundo cenário mantém os mesmos nomes, mas exclui Marçal.

Quem escolher um candidato no primeiro cenário é questionado sobre a firmeza da decisão – se o voto é definitivo ou pode mudar até a eleição. A pesquisa também mede separadamente o potencial de voto e a rejeição dos 13 nomes, perguntando se o eleitor conhece cada candidato, se votaria nele ou se não votaria “de jeito nenhum”.

Para o segundo turno, a Quaest testa cinco cenários. O principal confronto é entre Lula e Flávio Bolsonaro, mas o presidente também é colocado diante de Augusto Cury, Renan Santos, Ronaldo Caiado e Romeu Zema. Em todas as simulações, o entrevistado pode optar por um dos dois candidatos, declarar voto branco ou nulo, dizer que não votaria ou afirmar que ainda está indeciso.

Além da intenção de voto, o questionário inclui temas como rejeição, aprovação do governo Lula, percepção sobre a economia, influência da propaganda eleitoral e dos debates. Há ainda perguntas específicas sobre a imagem de Lula e Flávio, além dos casos Dark Horse e Lulinha.

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Lula na Globo participa da série de entrevistas com os candidatos – Imagem: TV Globo

Como as sabatinas da Globo podem influenciar os resultados da pesquisa Quaest?

A nova pesquisa Quaest chega em um momento importante da campanha. Ela é a primeira a captar os efeitos das sabatinas dos candidatos na TV Globo e do início do horário eleitoral gratuito, que começou na sexta, 28 de agosto.

As entrevistas dos principais postulantes ao Palácio do Planalto na emissora podem ter influenciado a percepção do eleitorado, assim como a exposição proporcionada pelo horário eleitoral, que entra no ar a partir deste sábado para a Presidência.

A sabatina do presidente Lula na Globo foi duramente criticada. O comentarista do Jornal TVT News Primeira Edição, Eduardo Castro, analisa a postura do Jornal Nacional na entrevista com o presidente Lula. O comentarista aponta a omissão de pautas econômicas e sociais decisivas ao longo dos 40 minutos de conversa, como o fim da escala 6×1, as tarifas de Trump e a exploração de terras raras na mina de Serra Verde.

O levantamento também será importante para medir o impacto dos casos Lulinha e Dark Horse sobre a candidatura de Lula. A pesquisa inclui perguntas específicas sobre esses episódios, o que deve dar pistas sobre como o eleitorado está assimilando as denúncias e se elas afetam a intenção de voto.

A última pesquisa Quaest, divulgada em 14 de agosto, mostrou Lula na liderança isolada no primeiro turno, com 38%, contra 31% de Flávio Bolsonaro. No segundo turno, Lula venceria Flávio por 43% a 40%. Em ambos os cenários, a diferença entre os dois havia diminuído em relação à pesquisa anterior. A nova rodada de entrevistas vai mostrar se essa tendência se manteve, se inverteu ou se foi ampliada após as sabatinas e o início da propaganda eleitoral.

Horário eleitoral gratuito já está no ar

O horário eleitoral gratuito para a Presidência da República começou na sexta, 28 de agosto. A partir dessa data, os candidatos passam a ter espaço diário na televisão e no rádio para apresentar suas propostas e tentar convencer os eleitores.

A nova pesquisa Quaest, cuja coleta começa no domingo (30) e vai até terça-feira (1º), será a primeira a captar a repercussão inicial dessa exposição.

Com as sabatinas da TV Globo já realizadas e o horário eleitoral em andamento, o cenário político entra em uma nova fase. A pesquisa de quarta-feira (2) promete ser um termômetro importante para medir a força dos candidatos após esses eventos e para antecipar as tendências que podem definir o resultado do primeiro turno, marcado para 4 de outubro.

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Omar Aziz recebe centrais sindicais antes de votação da PEC do fim da escala 6×1

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que pode colocar fim à escala 6×1 entra em uma semana decisiva no Senado. Nesta terça-feira (1º), véspera da votação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o relator da matéria, senador Omar Aziz (PSD-AM), recebeu representantes de centrais sindicais e de setores empresariais para discutir o texto aprovado pela Câmara dos Deputados.

A TVT acompanhou a reunião e os passos da mobilização que antecede a votação da PEC 221/2019, que prevê a redução da carga de trabalho de 44 para 40 horas semanais, com dois dias de descanso remunerado e sem redução salarial.

Segundo informações divulgadas pela Agência O Globo, Aziz reservou a maior parte desta terça-feira para receber representantes de diferentes setores. Entre os participantes estavam centrais sindicais, a Confederação Nacional do Comércio (CNC), Confederação Nacional dos Transportes (CNT), Fecomércio-SP, representantes de terminais portuários e companhias aéreas.

O relator já apresentou parecer favorável à PEC e decidiu manter o texto aprovado pela Câmara. A medida evita que uma eventual alteração faça a proposta retornar aos deputados para nova votação. Aziz acredita na aprovação da PEC na CCJ e no plenário do Senado.

Relator chama a PEC do fim da escala 6×1 de PEC da empatia

O relator da PEC do fim da escala 6×1, senador Omar Aziz (PSD) declarou nesta terça-feira (1º) que o texto deve ser aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado nesta quarta (2).

Depois da aprovação na CCJ, o texto deve passar pelo plenário do Senado. O presidente da casa, Davi Alcolumbre (União Brasil), no entanto, ainda não sinalizou que a votação deve ocorrer antes das eleições

Para Aziz, a PEC do fim da 6×1 é a “PEC da empatia”. O senador cita a melhoria na saúde mental dos trabalhadores, possibilidade de convívio dos trabalhadores com a família e aprimoramento da qualidade do trabalho. Confira o que disse o senador para o repórter da TVT em Brasília, Ricardo Pacheco.

Centrais defendem aprovação do texto aprovado pela Câmara

As centrais sindicais chegaram à reunião com Omar Aziz para reforçar a defesa do texto aprovado pelos deputados. A posição das entidades é pela redução da carga máxima de 44 para 40 horas semanais, pela garantia de dois dias de descanso remunerado e pela manutenção dos salários.

A proposta aprovada pela Câmara estabelece uma mudança gradual. Depois da promulgação, a carga máxima passa para 42 horas semanais após 60 dias. Depois de mais 12 meses, chega às 40 horas. O texto também estabelece dois dias de descanso remunerado por semana, sendo um deles, preferencialmente, aos domingos.

A defesa das centrais é para que o Senado não altere o conteúdo aprovado pelos deputados. Caso os senadores modifiquem a PEC, o texto precisará retornar à Câmara, o que pode prolongar a tramitação.

Como é a tramitação da PEC do fim da escala 6×1 no Senado

A PEC 221/2019 chegou ao Senado depois de ser aprovada pela Câmara dos Deputados em maio. O texto foi encaminhado à CCJ em 21 de agosto, e Omar Aziz foi escolhido como relator.

Em 27 de agosto, Aziz apresentou parecer favorável e manteve o texto aprovado pelos deputados. Inicialmente, ele rejeitou as 12 emendas apresentadas até 26 de agosto. Outras emendas foram protocoladas posteriormente e ainda precisam ser analisadas.

A votação na CCJ está marcada para esta quarta-feira (2), às 9h. A PEC é o primeiro item da pauta da comissão.

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PEC do fim da escala 6×1 foi aprovado na Câmara dos Deputados em maio. Foto: Bruno Spada/ Câmara dos Deputados

Se o relatório for aprovado, o próximo passo será o Plenário do Senado. Por se tratar de uma PEC, são necessários pelo menos 49 votos favoráveis, em dois turnos de votação.

A aprovação no Senado sem alterações é importante porque permite que a proposta siga para a promulgação. Se houver mudanças no texto, a matéria volta para a Câmara.

O relator já afirmou esperar uma ampla maioria no Senado. Antes da apresentação do relatório, Aziz estimava que a proposta poderia alcançar mais de 65 votos, acima dos 49 necessários.

A campanha Brasil Quer Mais mantém um placar que acompanha o posicionamento dos senadores em relação ao fim da escala 6×1. A ferramenta permite consultar os parlamentares por estado e identificar aqueles que já declararam apoio, oposição ou ainda não tornaram público seu posicionamento.

Confira o placar do fim da escala 6×1 no Senado

A disputa, portanto, não termina com a votação na CCJ. Depois da comissão, será necessário garantir que a proposta entre na pauta do Plenário e obtenha os 49 votos necessários em cada turno.

Como pressionar os senadores pelo fim da escala 6×1

A pressão sobre os senadores pode ser feita diretamente pela campanha Brasil Quer Mais, que mantém uma plataforma de mobilização para cobrar dos parlamentares o voto favorável à PEC.

Participe da pressão pelo fim da escala 6×1

A campanha defende que o Senado aprove a proposta sem redução salarial e cobra dos parlamentares uma posição pública sobre o tema.

Outra ferramenta de acompanhamento é o placar dos senadores. O eleitor pode verificar como os representantes de seu estado estão se posicionando e cobrar aqueles que ainda não declararam voto.

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Reprodução do site O Brasil Quer Mais que pressiona parlamentares pelo fim da escala 6×1

A mobilização também pode ocorrer nos canais oficiais do Senado e dos próprios parlamentares. A cobrança pode ser feita por meio de mensagens, redes sociais, contatos institucionais e atividades presenciais.

A pressão ganhou força justamente porque a aprovação na CCJ não encerra o processo. Mesmo que o parecer de Omar Aziz seja aprovado nesta quarta-feira, ainda será necessário garantir a votação no Plenário.

Fim da escala 6×1 é possível, mostram estudos

A redução da carga de trabalho não é apenas uma discussão política. Estudos econômicos e análises de instituições de pesquisa indicam que o Brasil tem condições de reduzir o tempo de trabalho sem necessariamente provocar desemprego ou queda da atividade econômica.

Levantamento produzido pelo Dieese sobre a redução da carga de trabalho e o fim da escala 6×1 aponta que uma mudança para 40 horas semanais pode ser acompanhada por ganhos econômicos e sociais. O estudo destaca possíveis efeitos sobre produtividade, redução do adoecimento, diminuição do absenteísmo e menor rotatividade dos trabalhadores.

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Redução de jornada de 44 para 40 horas semanais está prevista na PEC. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

O Dieese também chama atenção para o tamanho da população potencialmente atingida pela mudança. Dados do Ministério do Trabalho e Emprego utilizados pelo instituto indicam que cerca de um terço dos vínculos formais contratados para 44 horas semanais está submetido à escala 6×1, o equivalente a aproximadamente 15 milhões de trabalhadores.

Estudo aponta possibilidade de criação de empregos

Pesquisa da economista Marilane Teixeira, do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit) da Unicamp, citada pela TVT News, estima que uma redução de 44 para 36 horas semanais poderia gerar até 4,5 milhões de novos empregos e elevar a produtividade em cerca de 4%.

O levantamento integra o chamado Dossiê 6×1, elaborado por 63 autores e com 37 artigos sobre os efeitos econômicos e sociais da redução do tempo de trabalho.

A pesquisa também aponta que aproximadamente 45 milhões de trabalhadores poderiam ser beneficiados pela adoção de 40 horas semanais em uma escala 5×2.

Ipea aponta impacto limitado nos custos

Outro estudo citado pela TVT News é uma nota técnica do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). A análise aponta que a redução para 40 horas semanais elevaria o custo do trabalho celetista, mas o impacto seria diluído quando considerado o peso da mão de obra no custo total das empresas.

Nos setores de indústria e comércio, o estudo citado pela TVT estima impacto operacional inferior a 1%. A análise também ressalta que uma elevação do custo do trabalho não significa automaticamente queda da produção ou aumento do desemprego.

Pequenos negócios também mostram espaço para a mudança

A pesquisa Pulso dos Pequenos Negócios, do Sebrae, reforça que parte significativa dos pequenos empresários não prevê impacto negativo com o fim da escala 6×1.

Segundo o levantamento citado pela TVT News, 51% dos proprietários de micro e pequenas empresas e microempreendedores individuais afirmaram que a mudança não afetaria seus negócios. Outros 11% avaliaram que o impacto poderia ser positivo.

Os dados ajudam a colocar em perspectiva um dos principais argumentos utilizados pelos setores contrários à PEC: o de que a redução do tempo de trabalho necessariamente provocaria fechamento de empresas e desemprego.

Os estudos apontam que os efeitos dependem de fatores como produtividade, organização da produção, rotatividade, adoecimento e distribuição das horas trabalhadas.

O que muda com o fim da escala 6×1?

Se o texto aprovado pela Câmara for mantido pelo Senado e posteriormente promulgado, a mudança será feita de forma progressiva.

A primeira alteração ocorre 60 dias após a promulgação, quando o limite máximo passa de 44 para 42 horas semanais. Ao mesmo tempo, fica assegurado o direito a dois dias de descanso remunerado por semana.

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Fim da escala 6×1: redução da jornada de trabalho, sem reduzir salários é a principal pauta da classe trabalhadora. Foto: Joca Duarte/ CUT

Depois de 12 meses, o limite chega a 40 horas semanais. O salário não poderá ser reduzido em razão da diminuição da carga de trabalho.

Na prática, o modelo aprovado pela Câmara substitui a lógica de seis dias de trabalho por um dia de descanso pela garantia de dois dias de descanso para cada cinco dias trabalhados.

A proposta ainda permite negociação coletiva sobre escalas e compensações, desde que sejam respeitados os limites constitucionais previstos no texto.

Por que a votação da 6×1 é histórica para os trabalhadores?

A votação que começa nesta quarta-feira representa uma etapa decisiva de uma reivindicação que mobiliza centrais sindicais, movimentos sociais e trabalhadores em todo o país.

A mudança em discussão não trata apenas do número de horas trabalhadas. O debate envolve a distribuição do tempo entre trabalho, descanso, convivência familiar, estudo, cuidados e lazer.

Para as entidades sindicais, a redução da carga de trabalho é uma atualização das relações trabalhistas diante das transformações ocorridas na economia e na produtividade brasileira.

O próprio relatório de Omar Aziz destaca que o limite constitucional de 44 horas semanais foi estabelecido em 1988 e permaneceu inalterado desde então, apesar das mudanças na produtividade, na tecnologia e na organização da produção.

Em recuo, Toffoli libera campanha de Renan Santos nas redes sociais

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta terça-feira (1º) a retomada da campanha eleitoral de Renan Santos, candidato à Presidência pelo partido Missão, nas redes sociais. A decisão também permite novamente o repasse de recursos de campanha à chapa e a participação de Renan em debates de rádio e televisão. Leia em TVT News.

Após a determinação judicial, a Meta havia removido ou suspendido os perfis de Renan Santos que estavam abrangidos pela decisão de Toffoli. A empresa também tinha retirado essas contas dos sistemas de recomendação do Facebook e do Instagram. A decisão alcançou ainda perfis do candidato em outras plataformas.

As medidas haviam sido determinadas pelo próprio Toffoli após a constatação de que a candidatura não havia informado inicialmente à Justiça Eleitoral todos os perfis utilizados durante a campanha. Segundo a decisão, a omissão permitiu que algumas das contas permanecessem sujeitas aos mecanismos de recomendação das plataformas, enquanto os perfis declarados pelos demais candidatos estavam submetidos às regras de controle previstas pela Justiça Eleitoral.

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Perfis não foram informados no registro

No registro da candidatura, realizado em 7 de agosto, Renan Santos informou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apenas um perfil no X e um site. Outros perfis utilizados pelo candidato foram apresentados posteriormente à Justiça Eleitoral.

A regra do TSE determina que os candidatos informem suas contas oficiais nas redes sociais. A medida permite que as plataformas adotem mecanismos para impedir que esses perfis sejam recomendados a usuários que não os seguem, buscando garantir condições semelhantes entre as campanhas.

A Folha de S.Paulo revelou que Renan havia deixado de informar diversas contas no momento do registro. A campanha posteriormente apresentou os dados dos perfis que não haviam sido incluídos inicialmente.

Toffoli havia suspendido propaganda e recursos

Diante da situação, Toffoli havia determinado a suspensão da propaganda eleitoral digital da chapa de Renan Santos e Aroldo Medina. A decisão também atingiu os repasses do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) e proibiu a utilização de recursos que já tivessem sido recebidos.

A determinação ainda impedia a participação da chapa em debates e entrevistas. O entendimento adotado na decisão inicial considerava que a ausência dos perfis poderia ter criado uma diferença em relação aos demais candidatos, já que as contas não declaradas continuavam sujeitas à recomendação algorítmica das plataformas.

Na nova decisão, o ministro voltou atrás nas restrições e autorizou a retomada da propaganda eleitoral de Renan Santos nos endereços digitais já informados à Justiça Eleitoral. O ministro também liberou novamente o recebimento de recursos para a campanha e a participação do candidato em debates de rádio e televisão.

A decisão ocorre após a medida inicial provocar questionamentos entre integrantes do próprio TSE. Ministros da Corte defenderam que a controvérsia fosse discutida pelo plenário, em vez de permanecer sob análise individual.

Com a reconsideração, a campanha de Renan volta a ter autorização para utilizar as redes sociais que foram formalmente informadas à Justiça Eleitoral, além de recuperar o acesso aos recursos de campanha e aos debates.

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Campanha de Lula recorre ao TSE pelo bloqueio de R$ 134 milhões do PL

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pediu nesta segunda-feira (31) ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o bloqueio do fundo partidário do PL, partido do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro. A ação aponta um suposto desvio de R$ 134 milhões. Leia em TVT News.

Segundo a representação apresentada pela coligação “Brasil Pronto Pra Mais”, formada pelo PT, PDT e outras siglas, o PL e o Instituto Álvaro Valle (IAV) teriam criado um esquema para desviar recursos do Fundo Partidário que, por lei, deveriam ser destinados à fundação e utilizados em campanhas eleitorais.

A campanha solicita ao TSE uma decisão urgente para impedir que o PL desvie, transfira ou utilize os R$ 134 milhões mencionados na ação.

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Valores questionados

De acordo com uma análise financeira apresentada pela campanha, R$ 77 milhões do montante apontado constam como investidos nos anos de 2024, 2025 e 2026.

A nota técnica contábil citada na ação também aponta que, desse total, R$ 68 milhões teriam sido desviados do IAV em 2025 e 2026. A campanha considera que não houve eleição ordinária nesses dois anos e afirma que os valores movimentados em 2024 poderiam ter sido utilizados naquele pleito.

O partido também informou a movimentação de dez contas bancárias durante o exercício.

Pedidos ao TSE

Além do bloqueio dos recursos, a campanha de Lula pede que o tribunal desaprove as contas do Diretório Nacional do PL referentes a 2022.

A ação solicita ainda a restituição aos cofres públicos de R$ 20,5 milhões e o recolhimento de R$ 46,2 milhões recebidos de origem não identificada.

Votação do fim da taxa das blusinhas é adiada para quarta

Atualização sobre a MP do fim da taxa das blusinhas: a comissão mista que analisa a chamada MP das blusinhas volta a se reunir nesta quarta-feira (2), às 10h. A reunião marcada para a tarde desta terça-feira (1) foi suspensa.

O presidente da comissão, deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), e a relatora da MP 1.357/2026, senadora Leila Barros (PDT-DF), ainda buscam um acordo sobre ajustes para o texto final da medida provisória, que tem validade apenas até o próximo dia 8.

Fonte: Agência Senado

MP das blusinhas: em busca de acordo, comissão se reúne nesta quarta

A Comissão mista que analisa a medida provisória do fim da “taxa das blusinhas” adiou de ontem (31) quarta (2) a votação do relatório da Medida Provisória 1.357/2026, que permite zerar o imposto de importação para compras internacionais de até 50 dólares, a chamada popularmente de “taxa das blusinhas”.  

Confira a votação do fim da taxa das blusinhas com a TVT News.

Acompanhe a comissão que vota o fim da taxa das blusinhas

Governo inclui monitoramento da indústria na MP que zera taxa das blusinhas; votação vai para terça

A principal novidade do relatório da senadora Leila Barros (PDT-DF) à Medida Provisória 1.357/2026 é a criação de um mecanismo de avaliação periódica dos efeitos da desoneração sobre o setor produtivo brasileiro. Pelo desenho apresentado, o Ministério da Fazenda fará um acompanhamento trimestral no início e, depois, semestral. 

Os dados coletados darão transparência aos impactos da medida e poderão embasar futuras ações do governo, caso sejam identificados efeitos relevantes sobre a indústria nacional.

O dispositivo atende parcialmente às preocupações da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que divulgou estudo apontando risco para mais de 100 mil empregos caso a isenção seja mantida. O presidente da comissão mista, deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), afirmou que o texto está sendo construído com diálogo. “Estamos estudando esses dados e se é necessária alguma medida para reduzir os impactos econômicos”, disse o parlamentar.

A senadora Leila Barros acertou a versão do relatório em reunião no Palácio do Planalto com membros do governo. “Vamos manter o texto-base da MP e incluir, a partir de uma demanda do setor produtivo, um mecanismo para que o Ministério da Fazenda avalie periodicamente os impactos da medida, dê transparência a esses dados e, caso sejam identificados efeitos relevantes, possa propor futuramente medidas de mitigação”, afirmou Leila.

O que é a MP do fim da taxa das blusinhas

A Medida Provisória 1.357/2026, publicada em maio deste ano, zera o Imposto de Importação sobre compras internacionais por remessas de até 50 dólares. Para compras acima desse valor e até 3 mil dólares, a taxa é de 30% com um desconto fixo de 20 dólares.

O imposto de importação sobre compras internacionais de até 50 dólares passou a valer em 2024, com apoio da indústria, que alegava concorrência desleal dos produtos importados, especialmente calçados e têxteis. Com a MP, o governo reverteu a cobrança.

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Lula defende o fim da taxa das blusinhas. Foto: Ricardo Stuckert / PR

A proposta recebeu 112 emendas de parlamentares. Entre elas, há as que aumentam a isenção para 100 dólares, as que permitem a isenção apenas para produtos sem similar nacional, e as que criam regimes de compensação para a indústria nacional. 

Para o presidente da comissão, deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), a isenção representa justiça tributária. Ele comparou a medida à isenção para compras feitas em viagens ao exterior: “Os brasileiros com maior poder econômico têm direito a US$ 1.000 nas compras internacionais”, afirmou. “Será que esses brasileiros e brasileiras não têm o direito também de ter acesso a compras internacionais, ampliação de acesso para o consumo até 50 dólares, sendo que a média é em torno de menos de 20 dólares?”

A expectativa é que, após a votação na comissão mista na terça-feira, a matéria seja apreciada nos plenários da Câmara e do Senado ainda nesta semana, antes que a MP perca a validade em 8 de setembro. As medidas provisórias entram em vigor imediatamente, mas precisam ser aprovadas pelo Congresso para continuar valendo.

Fonte: Agência Câmara de Notícias

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