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Da Redação

51% dos empreendedores não preveem impacto com fim da 6×1

O estudo do Sebrae revela que 51% dos proprietários de micro e pequenas empresas, além de microempreendedores individuais (MEI), acreditam que fim da escala 6×1 não afetará seus negócios. Já 11% acreditam que a medida impactará positivamente seus negócios. Leia em TVT News.

O debate sobre a alteração na jornada de trabalho no Brasil apresenta novos dados que indicam uma mudança na percepção do setor produtivo. De acordo com a 12ª edição da Pesquisa Pulso dos Pequenos Negócios, realizada pelo Sebrae, cresceu o número de empreendedores que avaliam que o fim da escala 6×1 não trará impactos negativos para o funcionamento de suas empresas.

Este índice demonstra um avanço em relação ao levantamento anterior, feito em 2024, quando 47% dos entrevistados compartilhavam dessa visão. O levantamento atual foi realizado entre os dias 19 de fevereiro e 18 de março de 2026, contando com a participação de 8.273 respondentes de todos os estados brasileiros e do Distrito Federal.

Veja André Spinola do SEBRAE falando na Câmara sobre o fim da 6×1

Número de empreendedores que acredita que fim da 6×1 não afetará negócios cresceu

Em comparação a pesquisa anterior, o número de donos de pequenos negócios que conhece a proposta diminuiu, mesmo assim a quantidade de empreendedores que acreditam que fim da 6×1 não afetrá seus negócios aumentou.

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Empreendedores acreditam que fim da escala 6×1 não irá afetar seus negócios – Fonte: Sebrae

Menos empreendedores enxergam proposta de forma negativa

A pesquisa também aponta uma redução na resistência à proposta.

O grupo de empreendedores que visualiza um impacto negativo na mudança recuou de 32% em 2024 para 27% em 2026. Em contrapartida, a parcela que acredita em benefícios reais com o fim da escala 6×1 subiu de 9% para 11%. Veja gráfico acima.

Perfil de empreendedores

Dentro dos segmentos específicos de atuação, a Economia Criativa lidera a percepção de ganhos com a nova jornada, com 24% de respostas positivas. Na sequência, aparecem os setores de Logística e Transporte (17%) e a Indústria Alimentícia (16%). Outros ramos como academias, beleza e agronegócio também figuram entre os que não preveem prejuízos em suas atividades operacionais.

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Perfil de empreendedores – Fonte: Sebrae

Empresas de pequeno porte têm visão mais negativa sobre medida

É maior entre as EPP a proporção de empresários que entendem que o impacto será negativo. Em relação a ação para reduzir o impacto negativo, ME e EPP apresentam resultados semelhantes. Desses empresários de pequeno porte, 52% acreditam que fim da 6×1 afetará negativamente negócios, enquanto 35% não acreditam que afetará.

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Micro empresas e empresas de pequeno porte sobre fim da 6×1 – Fonte: Sebrae

Fim da escala 6×1: uma oportunidade de modernização

Para o presidente do Sebrae, Rodrigo Soares, a Pesquisa Pulso funciona como um termômetro essencial para a formulação de políticas de apoio. Ele ressalta que as alterações na jornada de trabalho devem ser pautadas pelo diálogo amplo com a sociedade para garantir sustentabilidade tanto para as empresas quanto para os trabalhadores.

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A instituição defende que a produtividade e a inovação, incluindo o uso de Inteligência Artificial e novas metodologias de gestão, são caminhos para que as empresas absorvam a mudança de forma eficiente.

“Os nossos esforços agora são no sentido de apoiar essas empresas para as mudanças na prática”, afirma Soares. O objetivo é transformar o desafio da escala 6×1 em uma oportunidade de modernização organizacional.

Fim da escala 6×1 está em debate na Câmara dos Deputados

A pauta ganhou força principalmente após o crescimento das denúncias sobre adoecimento físico e mental provocado por jornadas extensas, baixos salários e dificuldade de convivência familiar.

A chamada escala 6×1, modelo em que a pessoa trabalha seis dias consecutivos e descansa apenas um, é bastante comum em setores como comércio, telemarketing, supermercados, logística, segurança privada, limpeza urbana e serviços terceirizados. Trabalhadores desses segmentos frequentemente relatam exaustão, dificuldade para estudar, falta de tempo para cuidados pessoais e redução do convívio social.

A comissão especial criada na Câmara vai analisar propostas que alteram a Constituição e a legislação trabalhista para permitir uma redução da jornada semanal sem redução salarial. O debate também dialoga com experiências internacionais de semana de quatro dias de trabalho e reorganização do tempo produtivo.

Estudos do Instituto de Pesquisa e Estatística Aplicada (Ipea) indicam que a economia brasileira tem condições de absorver a redução da jornada. No entanto, o Ipea alerta para desafios em empresas muito pequenas, com até quatro funcionários, que podem enfrentar dificuldades na organização das escalas e aumento de custos. Para mitigar esses riscos, discute-se a implementação de incentivos fiscais, linhas de crédito facilitadas e programas de capacitação.

Qualidade de vida

Além da visão dos empreendedores, a opinião pública demonstra forte apoio à medida. Segundo dados do Instituto Nexus, 73% dos brasileiros são favoráveis ao fim da escala 6×1, sob a condição de que não ocorra redução nos salários.

O presidente do Sebrae reforça que a mudança pode proporcionar avanços na oferta de emprego e na dignidade do trabalhador. A expectativa é que, com mais tempo de descanso e melhores condições de vida, os profissionais possam produzir com mais qualidade, gerando um ciclo positivo de cidadania e renda no ambiente laboral brasileiro.

Dados da Pesquisa Pulso (12ª Edição)

Abaixo, os detalhes sobre o perfil dos participantes do levantamento realizado pelo Sebrae:

Microempreendedores Individuais (MEI)

Correspondem a 53% dos respondentes da pesquisa.

Microempresas (ME)

Representam 40% do total de participantes do estudo.

Empresas de Pequeno Porte (EPP)

Somam 7% dos empreendedores que responderam ao formulário.

Com queda do dólar, comércio cresce 0,5% em março e amplia recorde

O dólar mais baixo impulsionou as vendas de produtos importados e contribuiu para o comércio brasileiro crescer 0,5% na passagem de fevereiro para março. Esse desempenho – terceira alta seguida – fez o setor alcançar seu maior patamar. Saiba mais na TVT News.

Na comparação com março do ano passado, o comércio avançou 4%. Já no acumulado de 12 meses, há expansão de 1,8%.

As informações fazem parte da Pesquisa Mensal de Comércio, divulgada nesta quarta-feira (13) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)

Veja a variação do comércio nos últimos meses:

  • Outubro: 0,5%
  • Novembro: 1%
  • Dezembro: -0,3%
  • Janeiro: 0,5%
  • Fevereiro: 0,7%
  • Março: 0,5%

O analista da pesquisa, Cristiano Santos, ressalta que desde outubro de 2025 o setor apresenta tendência de alta, não apagada pelo desempenho de dezembro.

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Atividades

Dos oito grupos de atividades pesquisadas pelo IBGE, cinco apresentaram alta na comparação mês e mês:

  1. Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação: 5,7%
  2. Combustíveis e lubrificantes: 2,9%
  3. Outros artigos de uso pessoal e doméstico: 2,9%
  4. Livros, jornais, revistas e papelaria: 0,7%
  5. Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria: 0,1%
  6. Tecidos, vestuário e calçados ficou estável: 0%
  7. Móveis e eletrodomésticos: -0,9%
  8. Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo: -1,4%

O especialista explica que o crescimento na atividade de equipamentos para escritório, informática e comunicação, de 5,7%, está relacionada ao comportamento do dólar, que se desvalorizou em relação ao real e fez com que produtos importados ficassem mais baratos.

Em março, o valor médio da moeda américa era R$ 5,23. Um ano antes, R$ 5,75.

“As empresas aproveitam para compor estoque com a redução do dólar e, depois, em momentos oportunos, fazem promoções. O mês de março foi importante por causa dessas promoções. Equipamentos de informática têm essa característica de ligação com o dólar.”

Santos ressalta que a atividade de combustíveis e lubrificantes avançou 2,9%, mesmo com aumento de preço dos combustíveis, provocado pela guerra no Oriente Médio. “A demanda não caiu.”

O aumento de preço fez com que as receitas da atividade crescessem 11,4% no mês.

Supermercados

O analista apontou que o recuo de 1,4% na atividade de hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo ─ que responde por mais da metade do setor de comércio ─ pode ser explicado pela inflação, que desestimulou o consumo no período.  

Mas ele pondera que o resultado negativo dos supermercados em março não representa trajetória de regressão, uma vez que a atividade cresceu 0,3% em janeiro e 1,4% em março.

Atacado

No comércio varejista ampliado, que inclui atividades de atacado – veículos, motos, partes e peças; material de construção; e produtos alimentícios, bebidas e fumo – o indicador subiu 0,3% de fevereiro para março e marca crescimento de 0,2% no acumulado de 12 meses.

Bruno de Freitas Moura – Repórter da Agência Brasil

Debate pelo Fim da escala 6×1 na Câmara dos Deputados ouve Boulos, VAT e Dieese

Acompanhe os debates sobre o fim da escala 6×1 na comissão especial na Câmara dos Deputados. A sessão da tarde de 13 de maio tem como tema: aspectos sociais e a importância do diálogo social para a redução da jornada de trabalho no Brasil. Confira os próximos passos para a votação do fim da escala 6×1 com a TVT News.

Ao vivo: Comissão especial debate a redução da jornada de trabalho

O tema da Comissão Especial é  “Aspectos sociais e a importância do Diálogo Social para a redução da jornada de trabalho no Brasil”. Acompanhe a sessão:

Com o tema “Aspectos sociais e a importância do Diálogo Social para a redução da jornada de trabalho no Brasil”, a Comissão Especial que analisa a redução da jornada de trabalho ouve, nesta tarde de 13 de maio:

  • Guilherme Boulos, ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República
  • Bob Everson Carvalho Machado, Presidente do Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais do Trabalho – SINAIT
  • Adriana Marcolino, diretora técnica do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos – DIEESE
  • Rick Azevedo, Fundador do VAT – Movimento Vida Além do Trabalho

Datas importantes para a votação do fim da escala 6×1

  • 13/05 – 14h – 4ª Audiência Pública: Aspectos sociais e a importância do Diálogo Social para a redução da jornada de trabalho no Brasil

Secretaria Geral da Presidência da República – Guilherme Boulos

Representante da Inspeção do Trabalho (SINAIT)

Representante do DIEESE

VAT – Movimento Vida Além do Trabalho

  • 14/05 – Seminário São Paulo – Palácio do trabalhador – força sindical – 09h30
  • 15/05 – Seminário Rio Grande do Sul – 10h  
  • 16/05Seminário Maranhão
  • 18/05 – 5ª Audiência Pública: Limites e Possibilidades para a redução da jornada de Trabalhoperspectiva dos empregadores – Confederações patronais – 16h
  • 19/05 – 6ª Audiência Pública: Impacto sobre a vida das Mulheres e na Saúde de quem trabalha – 10h

                 Ministra das Mulheres  – Ministério da Saúde

  • 19/05 – 7ª Audiência Pública: Limites e Possibilidades para a redução da jornada de Trabalhoperspectiva da classe trabalhadora Nereu Ramos – Centrais Sindicais e Confederações Setoriais – 14h
  • 20/05 – Apresentação do Parecer – Pedido de Vista + 2 sessões
  • 21/05 – Seminário Belo Horizonte – 10h
  • 22/05 – Seminário Manaus
  • 25/05 – 8ª Audiência Pública: Impacto sobre o trabalho rural           
  • 26/05 – Votação do Parecer –10h

Agenda da votação do fim da escala 6×1 na Câmara

Comissão especial da Câmara realiza audiências públicas, seminários regionais e prepara votação da PEC do fim da escala 6×1, confira:

PEC 221 e PEC 8/2025 — Redução da Jornada de Trabalho

PEC 221 e PEC 8/2025 discutem redução da jornada de trabalho

Comissão especial da Câmara realiza audiências públicas, seminários e debates sobre o fim da escala 6×1 e possíveis mudanças na jornada de trabalho no Brasil.

📌 O que está em debate?

As propostas tratam da redução da jornada de trabalho no Brasil e discutem impactos sociais, econômicos e trabalhistas da escala 6×1.

🏛️ PECs analisadas

  • PEC 221/2019 — Deputado Reginaldo Lopes
  • PEC 8/2025 — Deputada Erika Hilton

📅 Prazo para emendas

O prazo começou em 30 de abril e pode terminar em 15 de maio, caso haja sessões todos os dias.

Linha do tempo da comissão

05/05

Apresentação do plano de trabalho

Deliberação de requerimentos da comissão especial.

06/05

1ª Audiência Pública

Tema: Diagnósticos sobre o uso do tempo para o trabalho.

Participantes:
Luiz Marinho (Ministro do Trabalho), OIT, Ministério Público do Trabalho e representantes da magistratura trabalhista.
12/05

2ª Audiência Pública

Tema: Aspectos econômicos sobre a redução da jornada.

Participantes:
Ministério da Fazenda, IPEA, CESIT/UNICAMP e OCDE.
13/05

Negociações espontâneas e casos concretos

Debate sobre experiências de redução de jornada e semana de quatro dias.

13/05

Aspectos sociais e diálogo social

Participantes:
Secretaria-Geral da Presidência, SINAIT, DIEESE e Movimento Vida Além do Trabalho.
14/05

Seminário em São Paulo

Evento no Palácio do Trabalhador com participação de entidades sindicais.

18/05

Perspectiva dos empregadores

Audiência pública com confederações patronais.

19/05

Impactos sobre mulheres e saúde

Participantes:
Ministério das Mulheres, Ministério da Saúde, Fenatrad e Fundacentro.
19/05

Perspectiva da classe trabalhadora

Debate com centrais sindicais e confederações setoriais.

20/05

Apresentação do parecer

Relatório da comissão será apresentado com possibilidade de pedido de vista.

26/05

Votação do parecer

Comissão deve votar o texto final das propostas.

PEC do fim da escala 6×1 avança na Câmara

A pauta ganhou força principalmente após o crescimento das denúncias sobre adoecimento físico e mental provocado por jornadas extensas, baixos salários e dificuldade de convivência familiar.

A chamada escala 6×1, modelo em que a pessoa trabalha seis dias consecutivos e descansa apenas um, é bastante comum em setores como comércio, telemarketing, supermercados, logística, segurança privada, limpeza urbana e serviços terceirizados. Trabalhadores desses segmentos frequentemente relatam exaustão, dificuldade para estudar, falta de tempo para cuidados pessoais e redução do convívio social.

A comissão especial criada na Câmara vai analisar propostas que alteram a Constituição e a legislação trabalhista para permitir uma redução da jornada semanal sem redução salarial. O debate também dialoga com experiências internacionais de semana de quatro dias de trabalho e reorganização do tempo produtivo.

Os próximos dias serão decisivos para o avanço das propostas. O calendário da comissão prevê audiências públicas, seminários em diferentes estados e votação do parecer ainda em maio.

O que são PEC 221/2019 e o PL 1838/26

Entenda as diferenças entre a PEC e o PL do fim da escala 6×1.

A PEC 221/2019 é uma Proposta de Emenda à Constituição apresentada pelo deputado federal Reginaldo Lopes. O texto propõe mudanças constitucionais para reduzir a jornada máxima semanal de trabalho no país.

A medida dialoga com debates históricos sobre distribuição do tempo de trabalho, geração de empregos e melhoria das condições de vida da população trabalhadora.

Já a PEC 8/2025, apresentada pela deputada Erika Hilton, também trata da redução da jornada e do enfrentamento da escala 6×1.

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Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) e bancada de parlamentares que pedem o fim da escala 6×1, deputada Erika Hilton (PSOL-SP); senador Rogerio Carvalho (PT-SE) e senador Paulo Paim (PT-RS). Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

A proposta ganhou grande repercussão nas redes sociais e em mobilizações organizadas pelo movimento VAT — Vida Além do Trabalho, que reúne trabalhadores em defesa de melhores condições laborais e equilíbrio entre trabalho e vida pessoal.

O PL 1838/26, por sua vez, busca regulamentar mecanismos de reorganização das jornadas e estabelecer parâmetros para adaptação das empresas. O projeto integra o conjunto de iniciativas que tratam do fim da escala 6×1 e da construção de modelos com maior proteção social.

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As propostas têm como argumento central a necessidade de atualizar a legislação trabalhista diante das mudanças tecnológicas e produtivas ocorridas nas últimas décadas. Defensores das medidas afirmam que a produtividade cresceu, mas isso não se refletiu em melhoria proporcional da qualidade de vida da classe trabalhadora.

Outro ponto frequentemente mencionado é o impacto da jornada extensa na saúde mental. Estudos citados durante os debates apontam crescimento de casos de ansiedade, depressão e síndrome de burnout entre trabalhadores submetidos a longos períodos de atividade e poucos momentos de descanso.

Além disso, especialistas defendem que a redução da jornada pode contribuir para geração de empregos. A lógica é que a divisão das horas de trabalho entre mais pessoas pode estimular novas contratações, especialmente em setores intensivos em mão de obra.

O tema também ganhou destaque internacionalmente após experiências de semana reduzida em países europeus. Em alguns casos, empresas relataram aumento de produtividade, redução do absenteísmo e melhora nos índices de satisfação dos trabalhadores.

Qual o calendário da comissão da PEC do fim da escala 6×1

A comissão especial da Câmara definiu um calendário de debates, audiências públicas e seminários regionais para discutir a PEC do fim da escala 6×1. O cronograma começou no final de abril e prevê votação do parecer em 26 de maio.

O prazo para apresentação de emendas começou em 30 de abril e deve seguir até 15 de maio, considerando sessões diárias na Câmara dos Deputados. O período permite que parlamentares proponham alterações ao texto analisado pela comissão.

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Trabalhadores e Centrais Sindicais pedem o fim da escala 6×1, redução da jornada de trabalho, sem reduzir salário. Foto: Ricardo Weber

No dia 5 de maio ocorreu a apresentação do plano de trabalho da comissão, além da deliberação de requerimentos. Já em 6 de maio foi realizada a primeira audiência pública com foco nos diagnósticos sobre o uso do tempo para o trabalho. Participaram representantes do Ministério do Trabalho, Organização Internacional do Trabalho (OIT), Ministério Público do Trabalho e magistratura trabalhista.

A programação também inclui seminários estaduais. A Paraíba recebeu atividades em 7 de maio, enquanto São Paulo sediará seminário em 14 de maio, no Palácio do Trabalhador, ligado à Força Sindical. Rio Grande do Sul, Maranhão, Belo Horizonte e Manaus também terão debates regionais.

Entre os principais eventos previstos está a audiência pública de 12 de maio sobre os aspectos econômicos da redução da jornada de trabalho. O encontro deve reunir representantes do Ministério da Fazenda, Ipea, Unicamp e OCDE.

No dia 13 de maio serão realizadas duas audiências. A primeira discutirá negociações espontâneas e experiências concretas de redução de jornada em empresas. A segunda tratará dos impactos sociais da medida e da importância do diálogo social.

Outra audiência importante ocorrerá em 19 de maio, abordando os impactos sobre a vida das mulheres e a saúde da população trabalhadora. O debate contará com representantes do Ministério das Mulheres, Ministério da Saúde, Fenatrad e Fundacentro.

Ainda em 19 de maio haverá audiência dedicada à perspectiva da classe trabalhadora, com participação de centrais sindicais e confederações setoriais.

O parecer da comissão está previsto para ser apresentado em 20 de maio. Após pedido de vista e sessões regimentais, a votação final deverá ocorrer em 26 de maio.

Debate sobre o uso do tempo para o trabalho

O primeiro eixo debatido pela comissão envolve o uso do tempo e os impactos das jornadas longas na vida cotidiana da população trabalhadora. Representantes da OIT, do Ministério Público do Trabalho e da magistratura trabalhista apresentaram análises sobre os efeitos da sobrecarga laboral.

A discussão considera que trabalhadores submetidos à escala 6×1 enfrentam maiores dificuldades para acessar lazer, cultura, educação continuada e cuidados de saúde. Mulheres trabalhadoras são apontadas como um dos grupos mais afetados, principalmente devido à dupla jornada envolvendo trabalho remunerado e tarefas domésticas.

O debate também inclui a necessidade de políticas públicas para garantir equilíbrio entre produtividade econômica e qualidade de vida.

Aspectos econômicos da redução da jornada

Outro tema presente no plano de trabalho da comissão são os impactos econômicos da redução da jornada semanal. Especialistas devem discutir efeitos sobre produtividade, emprego, renda e organização empresarial.

Setores empresariais argumentam que mudanças abruptas podem elevar custos operacionais. Já defensores da PEC afirmam que experiências internacionais mostram potencial de aumento da eficiência produtiva quando trabalhadores têm mais tempo de descanso.

Economistas ligados ao mundo do trabalho também destacam que jornadas menores podem reduzir afastamentos por adoecimento e diminuir a rotatividade de funcionários.

Experiências concretas de redução da jornada

A comissão também reservou espaço para apresentação de experiências já implementadas em empresas e organizações. Casos ligados ao modelo “4 day week” serão apresentados durante audiência pública.

Empresas que adotaram jornadas reduzidas relatam, em alguns casos, melhora no ambiente interno e aumento do engajamento das equipes. Os debates devem avaliar quais modelos podem ser adaptados à realidade brasileira.

Impactos sociais e diálogo social

O plano de trabalho destaca a importância do diálogo social na construção de mudanças trabalhistas. Representantes sindicais, movimentos sociais e órgãos governamentais participam das audiências para discutir formas de implementação das propostas.

A presença do movimento VAT — Vida Além do Trabalho — demonstra o crescimento da mobilização popular em torno do fim da escala 6×1. Nas redes sociais, trabalhadores compartilham relatos sobre exaustão física e dificuldades financeiras mesmo após jornadas extensas.

O debate também envolve a necessidade de fortalecimento da negociação coletiva e da participação sindical.

Perspectiva dos empregadores

A comissão reservou uma audiência específica para ouvir representantes patronais e confederações empresariais. O encontro deve ocorrer em 18 de maio e abordará os limites e possibilidades da redução da jornada sob a ótica dos empregadores.

Empresários de setores intensivos em mão de obra argumentam que a adaptação pode exigir reorganização de turnos e contratação adicional. Já entidades sindicais defendem que a medida pode estimular geração de empregos e circulação de renda.

Mulheres trabalhadoras e saúde

Um dos pontos centrais da comissão será o debate sobre o impacto da escala 6×1 na vida das mulheres. O encontro de 19 de maio deve abordar desigualdades de gênero no mundo do trabalho e os efeitos da sobrecarga sobre a saúde física e mental.

Entidades ligadas às trabalhadoras domésticas e pesquisadores da saúde do trabalhador apontam que jornadas extensas dificultam acesso ao descanso, à convivência familiar e ao acompanhamento médico regular.

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Pesquisa mostra que mulheres são as mais favoráveis ao fim da escala 6×1. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Também devem ser discutidas políticas de proteção à maternidade e divisão mais equilibrada das responsabilidades domésticas.

Trabalho rural também entra no debate

A programação da comissão inclui uma audiência pública sobre os impactos da redução da jornada no trabalho rural. O encontro ocorrerá em 25 de maio.

O objetivo é discutir as particularidades do setor agrícola e ouvir representantes patronais e trabalhadores rurais. A discussão considera diferenças regionais e características sazonais do trabalho no campo.

Votação do parecer está prevista para 26 de maio

A votação do parecer final da comissão especial está prevista para 26 de maio, às 10h. Após essa etapa, a PEC ainda precisará tramitar em outras fases na Câmara e no Senado antes de eventual promulgação.

O avanço do debate sobre o fim da escala 6×1 demonstra o fortalecimento da discussão sobre qualidade de vida, saúde laboral e reorganização do tempo de trabalho no Brasil. A expectativa de sindicatos e movimentos sociais é que o tema permaneça em destaque nos próximos meses.

Fim da escala 6×1 é possível: tire suas dúvidas sobre o tema

O que é o fim da escala 6×1?

O debate sobre o fim da escala 6×1 — modelo em que o trabalhador atua seis dias consecutivos para folgar apenas um — está no centro da discussão nacional.

A proposta é uma bandeira histórica da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e demais centrais sindicais, que apontam ganhos concretos:

  • Melhoria na qualidade de vida
  • Redução do adoecimento e do absenteísmo
  • Aumento da produtividade
  • Estímulo ao consumo
  • Possível geração de novos empregos

Levantamento da Nexus, Pesquisa e Inteligência de Dados, mostra que 73% dos brasileiros são favoráveis ao fim da escala 6×1, desde que não haja redução salarial. Ou seja: a sociedade entende que trabalhar para viver é diferente de viver para trabalhar.

Quais os impactos do fim da escala 6×1?

De acordo com nota técnica do Institto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), o impacto econômico do fima da escala 6×1 é mínimo:

  • Na indústria e no comércio, o custo operacional adicional seria inferior a 1%.
  • redução da jornada para 40 horas semanais elevaria o custo do trabalho celetista em média 7,84%, mas, considerando o peso da mão de obra no custo total dos setores, o impacto se dilui.
  • Mesmo em setores com alta dependência de mão de obra, como vigilância e limpeza, o impacto é administrável e pode ser enfrentado com políticas de transição.

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Protesto pelo fim da escala 6×1. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

O próprio Ipea destaca que aumento de custo do trabalho não significa automaticamente queda na produção ou aumento do desemprego.

Fim da escala 6×1 gera mais empregos, aponta estudo do Diesse

Um estudo do Dieese, encomendado pela Contraf-CUT, aponta que a implementação da jornada de quatro dias, entre os bancários que hoje realizam a jornada média de 37 horas semanais, teria o potencial de criar mais de 108 mil vagas no setor, ou 25% do total de vagas que existem atualmente.

“O fim da escala 6×1 pode gerar mais empregos e garantir ao trabalhador tempo para estudar, cuidar da saúde e ter lazer”, afirmou o secretário-geral da CUT, Renato Zulato

Para ele, reduzir jornadas exaustivas é uma medida concreta para abrir vagas e permitir que trabalhadores tenham tempo para qualificação e convivência familiar. “Não se trata apenas de tecnologia, mas de qualidade de vida”, afirmou, ao defender mudanças estruturais.

Fim da escala 6×1: estudo aponta que redução da jornada pode gerar 4,5 milhões de empregos

Um levantamento da economista Marilane Teixeira, pesquisadora do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), mostra que a redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 36 horas, com o fim da escala 6×1, tem potencial de gerar até 4,5 milhões de novos empregos no Brasil e elevar em cerca de 4% os níveis de produtividade no país.

O estudo faz parte do Dossiê 6×1, documento elaborado por 63 autores — entre professores, pesquisadores, auditores fiscais do Trabalho e representantes sindicais — que reúne 37 artigos sobre os impactos econômicos e sociais da medida.

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Fima da escala 6×1: redução da jornada de trabalho, sem reduzir salários é a principal pauta da classe trabalhadora. Foto: Joca Duarte/ CUT

A conclusão central do dossiê é direta: o Brasil está pronto para trabalhar menos. O diagnóstico contraria projeções pessimistas do mercado e derruba o argumento de que a mudança poderia provocar queda no PIB ou agravar a insolvência das empresas.

“Não vai ser agora, com avanços tecnológicos, num contexto de pleno emprego, com crescimento econômico e o nível de tecnologia que temos, que não vai ser possível no Brasil reduzir para 40 horas”, afirma Marilane Teixeira.

O que os dados mostram sobre o fim da escala 6×1

Com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) do IBGE, o dossiê revela que aproximadamente 21 milhões de trabalhadores brasileiros cumprem jornada superior às 44 horas previstas na CLT. Outros 76,3% das pessoas ocupadas no país trabalham mais de 40 horas por semana — o que derruba a narrativa de que o brasileiro trabalha pouco.

A pesquisadora também chama atenção para os custos humanos da sobrecarga: em 2024, o Brasil registrou meio milhão de afastamentos por doenças psicossociais decorrentes de condições desfavoráveis no trabalho — apenas no emprego formal.

A redução da jornada atingiria diretamente 76 milhões de trabalhadores caso a escala 4×3 seja adotada, e beneficiaria cerca de 45 milhões na hipótese de migração para a jornada de 40 horas semanais em escala 5×2. 

Ipea diz que é possível acabar com a escala 6×1

O estudo da Unicamp se soma a outras análises que sustentam tecnicamente a posição do governo. Uma nota técnica do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), publicada em fevereiro de 2026, concluiu que os custos da redução da jornada para 40 horas seriam comparáveis aos de reajustes históricos do salário mínimo — medidas que não geraram desemprego. Nos grandes setores empregadores, como indústria e comércio, o impacto no custo operacional seria inferior a 1%.

Servidores de SP voltam a protestar contra reajuste abaixo da inflação e ataques à Educação

Servidores municipais de São Paulo voltam às ruas nesta quarta-feira (13) para protestar contra o Projeto de Lei 354/2026, enviado pelo prefeito Ricardo Nunes à Câmara Municipal de São Paulo. A proposta prevê reajuste salarial considerado insuficiente pelas entidades representativas do funcionalismo e inclui mudanças duramente criticadas por trabalhadores da rede municipal de ensino, que denunciam ataques à carreira e avanço da precarização. Saiba mais na TVT News.

A nova jornada de mobilização começa às 14h, com concentração dos servidores da Educação em frente à Prefeitura de São Paulo, no centro da capital. Ao mesmo tempo, servidores de outras áreas se dirigem à Câmara Municipal, onde está marcada para as 15h a votação em segundo turno do projeto. Caso aprovado novamente pelos vereadores, o texto seguirá para sanção do prefeito.

A manifestação ocorre após dias de tensão entre a gestão municipal e o funcionalismo. Trabalhadores da Educação estão em greve e afirmam que a proposta apresentada pelo governo não recompõe as perdas salariais acumuladas e ainda aproveita a tramitação do reajuste anual para inserir alterações estruturais rejeitadas pela categoria.

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O PL 354/2026 divide a revisão salarial em duas parcelas: 2% a partir de maio deste ano e 1,48% somente em maio de 2027. A Prefeitura sustenta que o índice segue a inflação medida pelo IPC-Fipe e calcula impacto anual de R$ 1,1 bilhão nas contas públicas. Já sindicatos e entidades contestam os números e afirmam que o percentual está abaixo da inflação real, além de ser parcelado.

Estudo elaborado pelo Dieese, a pedido do Sindsep, aponta que a recomposição deveria considerar perdas acumuladas desde abril de 2025, o que elevaria o índice necessário para cerca de 3,93%, sem contar eventual aumento real. Para os trabalhadores, o parcelamento impõe mais um período de arrocho ao funcionalismo em uma cidade com custo de vida elevado.

Durante reportagem exibida pela TVT News em assembleia realizada em frente à Câmara nesta terça (12), servidores denunciaram que o projeto também embute mudanças consideradas “jabutis” por não terem relação direta com a revisão salarial. Entre os pontos criticados está a ampliação do limite de contratações temporárias na Educação, que pode passar de 15% para 30% dos cargos disponíveis.

Para os sindicatos, a medida amplia a rotatividade nas escolas e fragiliza vínculos pedagógicos fundamentais para o desenvolvimento das crianças. Trabalhadores afirmam que famílias já sentem os efeitos da falta de estabilidade quando professores são constantemente substituídos.

Outro item questionado é a possibilidade de transformação de cargos de Professor de Educação Infantil em Professor de Educação Infantil e Ensino Fundamental I. Entidades sindicais argumentam que a mudança pode reduzir salários, esvaziar unidades voltadas à primeira infância e abrir caminho para novas terceirizações e convênios privados.

Também há críticas a dispositivos que atingem profissionais readaptados e regras da Jornada Especial Integral de Formação (JEIF), além da ausência de medidas concretas para enfrentar a falta de servidores, o adoecimento da categoria e os problemas estruturais nas escolas municipais.

O presidente do Sindsep, João Gabriel Guimarães, afirmou que o texto surpreendeu os trabalhadores ao incluir ataques à educação pública sem diálogo prévio. Segundo ele, a cidade tem condições financeiras de apresentar proposta melhor e valorizar quem mantém os serviços públicos funcionando.

Na audiência pública realizada nesta terça-feira (12), representantes de diferentes entidades reforçaram a cobrança por concursos públicos, melhoria das condições de trabalho, incorporação de abonos complementares e valorização das carreiras. Lideranças sindicais relataram sobrecarga nas unidades escolares, carência de funcionários, salas cheias e aumento de afastamentos por problemas de saúde.

Parlamentares de oposição também criticaram a proposta. Vereadores do PSOL e do PT anunciaram obstrução e defesa de substitutivo com reajuste compatível com a inflação e retirada dos pontos considerados prejudiciais à Educação. Já representantes da base governista defenderam a importância do debate e o impacto fiscal da revisão salarial.

Para os servidores, no entanto, a disputa ultrapassa a questão remuneratória. O movimento sustenta que está em jogo o modelo de serviço público oferecido à população paulistana. De um lado, trabalhadores defendem concursos, carreira estável e investimento direto na escola pública. De outro, denunciam a expansão da terceirização e o enfraquecimento das estruturas permanentes do município.

A expectativa desta quarta-feira é de forte presença popular tanto na Prefeitura quanto na Câmara. Sindicatos avaliam que a pressão das ruas pode influenciar a votação e forçar a reabertura das negociações com a gestão Ricardo Nunes.

“Produziremos uma verdadeira asfixia financeira contra o crime organizado”, afirma ministro

Ao comentar nesta quarta-feira (13) um dos pontos mais relevantes do Programa Brasil Contra o Crime Organizado, o que visa fechar as fontes de financiamento das organizações criminosas no Brasil, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Lima, foi categórico: “Nós produziremos uma verdadeira asfixia financeira, tirando o oxigênio do crime organizado”, afirmou, em entrevista ao Bom Dia, Ministro. Saiba mais na TVT News.

Lançado nesta terça-feira (12) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Brasil Contra o Crime Organizado é baseado em quatro eixos. Um deles visa exatamente atingir os fluxos de recursos que sustentam o crime organizado. Wellington Lima explicou que esse pilar específico tem como referências a Operação Carbono Oculto e a Lei Antifacção.

Deflagrada em agosto do ano passado, a Carbono Oculto foi a maior operação contra o crime organizado da história do Brasil em termos de cooperação institucional e amplitude, resultado de ampla integração entre equipes da Polícia Federal, Receita Federal, COAF, Ministérios Públicos e órgãos estaduais. A ação atingiu organização responsável por sonegação e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis. A investigação identificou que cerca de 1.000 postos de combustíveis vinculados ao grupo movimentaram R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024 e revelou que pelo menos 40 fundos de investimentos foram utilizados como estruturas de ocultação de patrimônio.

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“Nós temos duas referências muito sólidas e claras, que serão objeto de réplica nessas iniciativas (do programa). A que diz respeito à asfixia financeira é exatamente a Operação Carbono Oculto. Nós temos um padrão para identificar e saber como vão se desenrolar essas iniciativas”, explicou o ministro.

LEI ANTIFACÇÃO – Em vigor desde março deste ano, a Lei Antifacção complementa o marco legal do combate ao crime organizado e fortalece a capacidade de atuação do Estado contra organizações criminosas. A norma estabelece penas mais severas para líderes de facções, com reclusão de 20 a 40 anos, e cria mecanismos de asfixia financeira, logística e material dos grupos. A lei amplia as formas de bloqueio e apreensão de bens usados pelo crime organizado, como dinheiro, imóveis, participação em empresas e ativos digitais, como criptomoedas. Também permite que órgãos de controle compartilhem informações para localizar esses bens e autoriza a perda do patrimônio mesmo sem condenação criminal em alguns casos.

“Com a Lei Antifacção, nós teremos a possibilidade de leilões antecipados. Eu não quero ser muito técnico aqui. Eu quero simplesmente explicar o seguinte: nós vamos fazer um trabalho que envolve todos os órgãos de inteligência financeira para identificar os alvos, estabelecer o diagnóstico e adotar as medidas imediatas necessárias para repelir essa prática”, frisou o ministro.

QUESTÕES JURÍDICAS – Indagado sobre os limites de atuação entre as operações realizadas contra o crime organizado e as questões jurídicas que se seguem, em que muitas vezes os suspeitos são libertados pela Justiça, Wellington Lima disse que o governo está atento e os órgãos competentes trabalham para coibir as brechas que permitem essas solturas.

“Nós estamos endurecendo as disposições legais no que diz respeito ao combate ao crime organizado. O Ministério Público também está engajado neste movimento. Junto ao Judiciário, junto ao Ministério Público, nós estaremos em contato permanente para aperfeiçoar e cobrir essas brechas”, afirmou Wellington César Lima e Silva.

“Nós estamos num momento de articulação e de diálogo permanente com diversas instâncias da cartografia institucional brasileira. Uma delas é exatamente o Colégio de Presidentes dos Tribunais de Justiça. Vamos dialogar com eles para sempre refinar esses procedimentos. Obviamente que tudo isso tem que ser feito com respaldo da lei, obedecendo a lei. Mas hoje nós temos a possibilidade de lançarmos mão de instrumentos mais severos, inclusive em face do advento da Lei Antifacção”, prosseguiu o ministro.

QUEM PARTICIPOU — O “Bom Dia, Ministro” é uma coprodução da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom/PR) e da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Participaram do programa desta quarta-feira a Rádio Bandnews, de Salvador (BA); a Rádio Liga FM, de Manaus (AM); a Rádio Bandeirantes, de São Paulo (SP); a Rádio Antena Esportiva, de Niterói (RJ); a Rádio Diário de Itabira, de Itabira (MG); o Jornal O Hoje, de Goiânia (GO); o Jornal Tradição Regional, de Pelotas (RS); e a Rádio Verdinha, de Fortaleza (CE).

Via Secom

Motta defende jornada de 40h e quer votar PL do Governo Lula do fim da escala 6×1

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou nesta quarta-feira (13) um acordo com representantes do governo federal para avançar nas propostas que reduzem a jornada semanal de trabalho no país e colocam fim à escala 6×1. Pelo entendimento fechado entre Câmara e Palácio do Planalto, a nova regra geral deverá estabelecer jornada máxima de 40 horas semanais, dois dias de descanso e manutenção integral dos salários. Saiba mais na TVT News.

A negociação ocorreu em reunião na residência oficial da presidência da Câmara e contou com a presença do ministro do Trabalho, Luiz Marinho; do ministro das Relações Institucionais, José Guimarães; do ministro do Planejamento, Bruno Moretti; além de deputados que integram a comissão especial que discute o fim da escala 6×1.

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Após o encontro, Motta afirmou que há convergência para aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) com regras centrais do fim da escala 6×1 e, paralelamente, votar o Projeto de Lei enviado pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para detalhar a aplicação prática das novas normas.

Segundo o presidente da Câmara, a PEC deverá assegurar a redução da jornada de 44 horas para 40 horas semanais, com dois dias de descanso e sem corte salarial. Também deverá reforçar o papel das convenções coletivas, permitindo que categorias econômicas negociem particularidades de seus setores.

“A mudança representa mais qualidade de vida para milhões de famílias brasileiras e o fortalecimento das relações de trabalho”, declarou Motta em manifestação pública após o acordo.

Fim da escala 6×1 ganha força no Congresso

A escala 6×1, comum em setores como comércio, serviços e atendimento, prevê seis dias consecutivos de trabalho para apenas um dia de descanso. Movimentos sindicais e entidades de trabalhadores defendem há anos sua superação, argumentando que o regime provoca desgaste físico e mental, dificulta a convivência familiar e reduz a qualidade de vida.

A proposta em discussão estabelece, na prática, a adoção predominante da escala 5×2, com cinco dias de trabalho e dois de folga, sem redução de salários.

Nos bastidores, o acordo também resolve um impasse político entre Câmara e governo. Até então, Motta demonstrava preferência por priorizar a PEC, que possui tramitação mais lenta e exige quórum qualificado. Já o governo defendia o avanço simultâneo do projeto de lei enviado em regime de urgência.

O PL do fim da escala 6×1 poderia trancar a pauta da Câmara caso não fosse apreciado dentro do prazo constitucional, o que aumentou a pressão por entendimento entre os dois lados.

PEC fixa regra geral; projeto de lei detalha categorias

Pelo arranjo costurado nesta semana, a PEC do fim da escala 6×1 ficará responsável por estabelecer os princípios gerais da mudança: redução da jornada, dois dias de descanso e preservação dos salários.

Já o projeto de lei deverá regulamentar situações específicas de categorias que operam sob regimes diferenciados. Entre os exemplos citados por parlamentares estão trabalhadores embarcados, profissionais da saúde, segurança pública, telemarketing e serviços essenciais.

Hoje, há categorias submetidas a escalas como 12×36 (12 horas de trabalho por 36 de descanso) ou jornadas reduzidas específicas. A intenção do Congresso é evitar insegurança jurídica e permitir adequações negociadas entre empresas e trabalhadores.

Relatório deve sair no dia 20

O relator da comissão especial, deputado Léo Prates, deverá apresentar parecer sobre a PEC do fim da escala 6×1 no próximo dia 20. A expectativa do comando da Câmara é votar o texto rapidamente na comissão e levar a matéria ao plenário ainda neste mês.

Outro ponto ainda sem consenso é a regra de transição. Parte dos parlamentares e representantes empresariais defende implantação gradual da jornada de 40 horas ao longo de alguns anos. Já setores governistas e sindicatos preferem mudança mais rápida.

Há também divergências sobre como distribuir as 40 horas semanais. Uma das hipóteses discutidas é permitir jornadas diárias superiores a oito horas em alguns casos, desde que respeitado o limite semanal e mediante negociação coletiva. Isso abriria espaço, por exemplo, para escalas 4×3, com quatro dias trabalhados e três de descanso.

Apoio popular impulsiona debate

O fim da escala 6×1 ganhou centralidade política por contar com forte apoio social. Levantamento da Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados indica que 73% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6×1, desde que não haja redução salarial.

Centrais sindicais, entre elas a Central Única dos Trabalhadores, sustentam que a medida pode gerar benefícios econômicos e sociais, como redução do adoecimento ocupacional, aumento da produtividade, estímulo ao consumo e possível abertura de novas vagas de emprego.

Para o governo Lula, a proposta também se tornou uma agenda estratégica por combinar apelo popular e valorização do trabalho.

Retranca — Entenda a diferença entre as PECs e o PL do fim da escala 6×1

O Congresso discute atualmente duas PECs apensadas e um projeto de lei do governo federal.

O que são as PECs?

As Propostas de Emenda à Constituição alteram diretamente a Constituição Federal. Por isso, possuem tramitação mais rigorosa e, se aprovadas, criam regras mais estáveis e difíceis de modificar no futuro.

Estão em debate:

  • Reginaldo Lopes, autor da PEC 221/19, que propõe jornada de 36 horas semanais, sem escala fixa, com transição de até 10 anos;
  • Erika Hilton, autora da PEC 8/25, que propõe 36 horas semanais em escala 4×3, com implementação em até 360 dias.

Para serem aprovadas, PECs precisam passar por comissão especial e receber apoio de três quintos dos deputados e senadores em dois turnos de votação em cada Casa. Não dependem de sanção presidencial.

O que prevê o PL do governo?

O Projeto de Lei 1838/26 altera a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), sem mexer na Constituição. O texto reduz a jornada de 44 para 40 horas semanais, assegura dois dias de descanso remunerado e proíbe redução salarial.

Por tramitar em regime de urgência, o PL tem rito mais rápido. Basta maioria simples no Congresso e, após aprovação, segue para sanção presidencial.

Qual a diferença prática?

Enquanto as PECs promovem uma mudança estrutural e permanente na Constituição, o PL permite implementação mais rápida por meio da legislação trabalhista. O acordo costurado entre Câmara e governo aponta para a combinação dos dois caminhos: a Constituição fixa princípios gerais e a lei regulamenta detalhes da aplicação.

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Motta converge com a abordagem do governo para colocar fim à escala 6×1. Foto: SEAD/PR