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Da Redação

Ancine pode multar produtora de “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro, em até R$ 100 mil

A produtora Go Up Enterteniment, responsável pelo filme sobre Jair Bolsonaro, “Dark Horse”, pode pagar até R$ 100 mil em multa após Ancine abrir investigação sobre os meios de financiamento do filme. O caso ganhou destaque após o jornal The Intercept divulgar áudio de Flávio Bolsonaro pedindo R$ 134 milhões de reais para o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, sob a justificativa de pagar as depesas do filme sobre o pai. Leia em TVT News.

Bolsomaster

Após o vazamento do áudio de Flávio e de mensagens revelando que Vorcaro transferiu ao menos US$ 10,6 milhões, aproximadamente R$ 61 milhões conforme a cotação do período, entre fevereiro e maio de 2025 em seis operações destinadas ao projeto cinematográfico ligado à família Bolsonaro. 

Em um primeiro momento, tanto a produtora Karina Ferreira da Gama como Mário Frias, que está envolvido no projeto, negaram haver recebido dinheiro de Vorcaro para a produção, mesmo após Flávio admitir que as mensagens eram verdadeiras.

Posteriormente, no entanto, Karina assumiu que 90% do filme havia sido financiado com dinheiro do Banco Master e que o orçamento já realizado do filme está em cerca de 13 milhões de dólares.

A Agência Nacional de Cinema (Ancine) investiga a conduta da empresa Go Up Entertainment, produtora nacional responsável pelo filme sobre Bolsonaro.

A Go Up Enterteniment está sujeita à aplicação de uma sanção financeira que varia de R$ 2.000,00 a R$ 100.000,00 devido à ausência de prestação de informações obrigatórias sobre a realização das filmagens em território brasileiro.

A fiscalização da Ancine busca esclarecer o nível de participação da Go Up Entertainment na execução do projeto cinematográfico, cuja estreia nas salas de cinema comerciais está programada para o mês de setembro deste ano.

O órgão regulador visa determinar se a empresa nacional atuou na condição de produtora principal do longa-metragem ou se figurou apenas como prestadora de serviços contratada por uma corporação sediada no exterior.

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Reprodução da conversa com o pedido de dinheiro de Flávio Bolsonaro para Daniel Vorcaro, do Banco Master, obtida pelo Intercet. Reprodução / Intercept

Diretrizes da Ancine

As diretrizes regulamentares da agência determinam de forma expressa que toda atividade de filmagem de produções de caráter internacional executada no perímetro geográfico brasileiro deve ocorrer sob a estrita tutela e responsabilidade de uma empresa comercial devidamente registrada nos quadros da Ancine.

A legislação estipula que a firma parceira local possui a obrigação legal de notificar formalmente a agência sobre o cronograma de atividades, além de submeter um conjunto de documentos administrativos obrigatórios, incluindo cópias dos contratos de prestação de serviços, o planejamento logístico detalhado das filmagens e a documentação migratória e passaportes dos profissionais estrangeiros alocados na produção.

“Dark horse”, biografia de Bolsonaro, descumpriu regras da Ancine

A despeito do fato de que as gravações de “Dark Horse” ocorreram na cidade de São Paulo no decorrer do ano passado e alcançaram ampla repercussão nos meios de comunicação, a Go Up Entertainment não remeteu nenhum dos documentos exigidos até o momento.

A Superintendência de Fiscalização da Ancine emitiu notificações e ofícios formais direcionados à sede da produtora nos meses de fevereiro e março deste ano, exigindo a comprovação imediata da regularidade do projeto.

Os documentos oficiais expedidos pelo órgão de fiscalização estipularam que a comprovação da comunicação prévia acerca de obras estrangeiras constitui uma obrigação administrativa compulsória.

A norma em questão encontra-se respaldada por uma instrução normativa editada pela própria Ancine que vigora desde o ano de 2008, instituindo os parâmetros legais para o desenvolvimento de produções audiovisuais estrangeiras no espaço geográfico brasileiro.

Omissão da produtora

A Go Up Entertainment manteve-se em silêncio e deixou de responder aos questionamentos enviados pelas autoridades governamentais nos prazos assinalados.

As notificações emitidas pela Ancine alertavam explicitamente a direção da empresa de que a persistência da omissão documental resultaria na lavratura de um auto de infração, culminando nas penalidades financeiras previstas na regulamentação do setor de radiodifusão e cinema.

O silêncio institucional da produtora antecedeu a divulgação midiática de arquivos de áudio nos quais o senador Flávio Bolsonaro realiza cobranças financeiras expressivas destinadas ao financiamento do filme para o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

Emendas parlamentares na mira da justiça

Produtora de filme de Bolsonaro, “Dark Horse”, nunca produziu um filme

Os registros documentais da agência de cinema revelam que a Go Up Entertainment apresenta uma trajetória atípica no segmento de mercado em que atua, uma vez que a empresa privada nunca assinou a realização de nenhuma outra produção cinematográfica anterior ao projeto sobre o ex-presidente.

A entrada da responsável pela firma, Karina Gama, na coordenação de “Dark Horse” ocorreu por intermédio do deputado federal Mário Frias (PL-SP), político que desempenhou as funções de secretário especial de Cultura no governo anterior e que assina formalmente o roteiro técnico do longa-metragem.

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Foco principal está em cerca de R$ 61 milhões que teriam sido transferidos para o fundo offshore Havengate, que financiou o filme “Dark Horse”. Foto: Divulgação

Karina Gama também exerce o cargo de presidente do Instituto Conhecer Brasil, entidade que passou a ser investigada no âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF).

A linha de apuração foca na destinação de R$ 2 milhões em verbas de emendas parlamentares federais enviadas pelo deputado Mário Frias com a justificativa de financiar o filme “Dark Horse”.

Os dados cadastrais demonstram que o Instituto Conhecer Brasil detém registro ativo na Ancine desde o ano de 2020, contudo, a organização não governamental jamais efetuou o lançamento de nenhuma produção audiovisual no mercado nacional ou no exterior sem ser o filme “Dark Horse”.

Financiamento internacional

O circuito de financiamento econômico por trás de “Dark Horse” exibe ramificações que operam fora das fronteiras nacionais.

Investigações jornalísticas publicadas pelo veículo Intercept Brasil indicaram que o senador Flávio Bolsonaro admitiu ter captado o montante de R$ 61 milhões junto ao empresário Daniel Vorcaro.

Daria para fazer dois “O Agente Secreto” com R$ 61 milhões

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Meme sobre financiamento de “Dark Horse” Foto: Reprodução

O valor de R$ 134 milhões solicitado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar a obra sobre seu pai é quase o dobro de orçamentos de “Ainda Estou Aqui” e “O Agente Secreto” juntos. Já o valor que, de fato, teria sido recebido, os R$ 61 milhões, daria para fazer dois Agentes Secretos

O fluxo do capital financeiro de “Dark Horse” deu-se por meio de uma pessoa jurídica vinculada ao ex-banqueiro, com destino final direcionado a um fundo de investimentos privado com sede em território estrangeiro.

O fundo de investimentos em questão possui a gestão sob a responsabilidade direta do advogado de imigração que atende Eduardo Bolsonaro em solo norte-americano.

As autoridades que acompanham o caso apontam suspeitas de que os aportes financeiros intermediados pelo fundo tenham servido para a manutenção financeira do deputado federal e filho do ex-presidente em sua estadia nos Estados Unidos.

Nenhuma justificativa técnica foi apresentada pelos envolvidos para fundamentar a necessidade de triangulação financeira internacional em uma produção “Dark Horse” filmada no Brasil.

Havengate: qual é o fundo que liga Vorcaro, Flávio e Eduardo Bolsonaro

O fundo offshore Havengate Development Fund LP, registrado no estado do Texas, nos Estados Unidos, tornou-se um dos principais focos das investigações que apuram a relação entre o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e a família Bolsonaro.

O veículo financeiro aparece no centro das suspeitas sobre a transferência de recursos destinados oficialmente ao filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, mas que agora também levantam questionamentos sobre eventual financiamento indireto da permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

A nova linha investigativa da Polícia Federal ganhou força após reportagens do site The Intercept Brasil revelarem documentos, contratos, comprovantes de pagamento e trocas de mensagens envolvendo o senador Flávio Bolsonaro, Vorcaro, empresas ligadas ao grupo Entre Investimentos e o fundo americano Havengate.

Flávio Bolsonaro nega qualquer desvio de finalidade dos R$ 60 milhões obtidos com Daniel Vorcaro. Em entrevista à GloboNews, o senador afirmou que todo o dinheiro recebido foi destinado exclusivamente à produção cinematográfica.

“Todos os recursos que foram aportados neste fundo, que é específico para a produção do filme, foram usados integralmente para fazer o filme”, declarou o parlamentar.

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Reprodução da conversa com o pedido de dinheiro de Flávio Bolsonaro para Daniel Vorcaro, do Banco Master, obtida pelo Intercet. O dinheiro seria para a produção do filme sobre seu pai, Jair Bolsonaro, “Dark Horse” Reprodução / Intercept

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A declaração, porém, passou a ser confrontada por novos documentos revelados posteriormente pelo Intercept. Segundo a reportagem, Eduardo Bolsonaro assinou contratos ligados diretamente à produção de “Dark Horse” e exerceu funções executivas na estrutura do projeto, contrariando declarações públicas anteriores em que afirmava ter apenas cedido seus direitos de imagem.

O contrato citado pela reportagem, datado de novembro de 2023 e assinado digitalmente em janeiro de 2024, aponta a empresa GoUp Entertainment como produtora da obra e coloca Eduardo Bolsonaro e o deputado Mario Frias como produtores-executivos do filme.

Os documentos ampliaram as suspeitas sobre a verdadeira função do Havengate dentro da engrenagem financeira que sustentou a produção de “Dark Horse”. Segundo os documentos obtidos pelo Intercept Brasil, os recursos ligados a Vorcaro teriam sido enviados inicialmente pela empresa Entre Investimentos e Participações, comandada pelo empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”.

A empresa aparece no radar da Polícia Federal em investigações sobre lavagem de dinheiro, fraudes financeiras e operações consideradas suspeitas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Relatórios do Coaf classificaram movimentações da Entre como indicativas de “conta de passagem”, expressão utilizada para descrever estruturas usadas para circular dinheiro sem relação clara com a atividade econômica declarada.

A PF investiga se a Entre foi utilizada como intermediária para remeter valores ao exterior após dificuldades operacionais enfrentadas pelo próprio Banco Master para executar transferências internacionais.

Mensagens obtidas pelos investigadores indicam que Vorcaro teria orientado operadores financeiros a realizar os pagamentos “via Entre”, o que acabou direcionando os recursos para o fundo Havengate nos Estados Unidos.

A partir daí, investigadores passaram a questionar quem seriam os verdadeiros beneficiários finais da estrutura financeira.

Eduardo no centro das suspeitas

Eduardo Bolsonaro nega ter recebido recursos do fundo ou ter exercido controle sobre a estrutura financeira utilizada no projeto do filme “Dark Horse”. Em manifestações públicas, afirmou que apenas participou do início da produção do filme e posteriormente deixou a gestão da obra.

“Passei então a ser somente uma pessoa que assinou sua cessão de direitos autorais”, afirmou.

As investigações sobre o filme “Dark Horse”, no entanto, ocorrem paralelamente ao acompanhamento da permanência de Eduardo nos Estados Unidos.

O ex-deputado vive no país desde fevereiro de 2025. Na semana passada, a Procuradoria-Geral da República pediu sua condenação por coação no curso do processo, acusando-o de articular, do exterior, ações para pressionar autoridades brasileiras e interferir no julgamento envolvendo Jair Bolsonaro.

Em 2025, o próprio Jair Bolsonaro transferiu R$ 2 milhões ao filho nos Estados Unidos, movimentação que o Supremo Tribunal Federal considerou indício relevante da articulação política e financeira entre pai e filho.

Agora, investigadores tentam esclarecer se parte dos recursos ligados ao Havengate também pode ter servido para sustentar despesas pessoais ou políticas de Eduardo Bolsonaro em território americano.

Cooperação internacional e dificuldades de rastreamento

Especialistas ouvidos por veículos de imprensa destacam que fundos offshore como o Havengate são estruturas complexas justamente porque dificultam a identificação dos beneficiários reais dos recursos.

Os Estados Unidos não aderiram ao sistema internacional CRS, mecanismo da OCDE que prevê troca automática de informações financeiras entre países. Isso torna mais difícil para autoridades brasileiras acessarem dados bancários de estrangeiros que movimentam recursos em solo americano.

Para avançar nas investigações, o Supremo Tribunal Federal poderá depender de pedidos formais de cooperação internacional entre Brasil e Estados Unidos, via Departamento de Justiça americano (DOJ), utilizando os mecanismos previstos no tratado MLAT.

A eventual quebra de sigilo bancário do Havengate dependeria de autorização judicial nos dois países.

Enquanto isso, a crise política provocada pelas revelações continua ampliando o desgaste da pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. Pesquisas recentes já apontam queda nas intenções de voto do senador após a divulgação dos áudios e documentos envolvendo Daniel Vorcaro, o Banco Master e o financiamento do filme “Dark Horse”.

O trailer do filme “Dark Horse”

O material de divulgação de “Dark Horse” exibe cenas captadas em locações em território nacional, porém estruturadas com diálogos falados na língua inglesa e sustentadas por um corpo de profissionais e atores predominantemente estrangeiros.

O papel principal de Jair Bolsonaro é interpretado pelo ator de nacionalidade norte-americana Jim Caviezel, conhecido no mercado de cinema por sua atuação no filme “A Paixão de Cristo”.

A análise preliminar efetuada pelas áreas técnicas de fiscalização identificou a inserção da logomarca institucional da Go Up Entertainment nos créditos iniciais do trailer de divulgação de “Dark Horse”. Essa configuração visual serve como indício técnico de que a operação se enquadra na modalidade de filmagem de produção estrangeira executada com o suporte de uma produtora local cadastrada, atraindo a obrigatoriedade de sujeição total às regras de controle editadas pela Ancine.

A agência governamental pontuou que os resultados das apurações administrativas em curso serão levados ao conhecimento público e que as punições cabíveis serão adotadas em caso de confirmação das irregularidades.

Notícias do dia com o Jornal TVT News Segunda Edição | 21-05-2026

Acompanhe o Jornal TVT News Segunda Edição desta quinta-feira, 21 de maio de 2026. Veja quais são as notícias do dia com a equipe do jornal TVT News.

O que é notícia neste 21 de maio de 2026 no Jornal TVT News Segunda Edição

  • Governo Lula propõe fim da escala 6×1 com jornada de 40h
  • Deolane Bezerra presa por ligação com o PCC em Alphaville
  • STF forma maioria para tornar réus 3 policiais do caso Marielle
  • Anac bloqueia avião de Ciro Nogueira por ordem de Mendonça
  • PGR mantém negociação com Vorcaro apesar da rejeição da PF
  • Juiz do MA investigado por usar IA para produzir 968 sentenças em 1 mês
  • 4 brasileiros retidos por Israel na flotilha começam a ser liberados
  • SC bate recorde de frio com -5,6 graus em Bom Jardim da Serra

TVT News Segunda Edição: serviços nas telas da TVT

O jornal TVT News Segunda Edição é comandado por Don Ernesto, apresentador do programa de entrevistas da TVT, Conversa sem Curva.  Além das notícias da tarde, o telejornal trará o cotidiano das cidades e comentaristas.

“O jornal TVT News Segunda Edição comenta o que foi notícia no dia, traz serviços de utilidade pública, entrevistas com analistas da política, da cultura e da economia e repercute os fatos que estão em alta nas redes sociais”, conta o apresentador Don Ernesto.

O jornal TVT News Segunda Edição pode ser acompanhado na TV aberta digital, canal 44.1 na capital paulista e grande São Paulo, pelo YouTube da TVT: https://www.youtube.com/@redetvt com cortes nas redes sociais da TVT News (Instagram, Tik Tok, Kawai, Facebook e Linkedin).

“Esta é a segunda estreia da TVT News no mês de abril. Com os dois telejornais, pela manhã e pela tarde, a TVT está ainda mais próxima do público e dos principais acontecimentos do Brasil e do mundo”, conta o presidente da TVT, Maurício Junior.

Jornal TVT News: manhã e tarde com os trabalhadores

TVT News tem, a partir de agora, dois telejornais, o jornal TVT News Primeira Edição, das 10h30 às 13h e o Jornal TVT News Segunda Edição, das 16h às 18h. Os dois noticiários fazem parte das transformações de programação e na linguagem que começaram em agosto de 2024 quando o site TVT News foi lançado.

“Nossa estratégia de unificar a redação e diversificar conteúdos vem se mostrando acertada. Agora nossos esforços estão concentrados em aumentar a audiência e estrear novos produtos”, explica o Diretor de Conteúdo da TVT News, Ricardo Negrão.

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Talita Galli e Don Ernesto, apresentadores dos novos telejornais da TVT News: o dia todo com os trabalhadores. Foto: Vitória Machado/TVT News

Veja também: as notícias mais lidas da TVT News

Veja quais são as notícias mais lidas do último mês na TVT News

“A gente nunca usou Lei Daniel Vorcaro”, diz Lula em evento sobre cultura

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ministra da Cultura, Margareth Menezes, participaram, nesta manhã de quinta-feira (21), da cerimônia da 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura, no município de Aracruz, no Espírito Santo. “A educação nos ensina, mas a cultura nos faz revolucionários”, frisou. Saiba mais na TVT News.

Nunca usei Lei Vorcaro, diz Lula durante evento sobre pontos de Cultura

“Como a verdade não falha, a gente nunca foi atrás da lei Daniel Vorcaro para financiar artistas brasileiros”, disse Lula durante evento. Veja o vídeo:

Lula anuncia ações para fortalecer culturas tradicionais e populares

Na ocasião, foram assinados pelo governo federal o decreto de reestruturação do Conselho Nacional de Política Cultural (CNPC) e a criação da Política Nacional para as Culturas Tradicionais e Populares.

Foram assinadas também as portarias que regulamentam a Rede Nacional de Mestras e Mestres das Culturas Tradicionais e Populares e o Programa Festejos Populares do Brasil. 

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“É uma alegria imensa ver de perto a força e a resistência dessa teia tecida a tantas mãos. Essa teia tecida com tanto esmero pelos ancestrais, pelos mestres e pelas mestras da cultura popular que vieram depois, e por todas e todos vocês que acrescentam mais e mais fios a esse novelo de tantas linhas e tantas cores. Uma teia que reverencia o passado, abraça o presente e aponta para o futuro do Brasil que estamos tecendo juntos todos os dias, fio por fio”, disse o presidente, ao auditório lotado do Sesc Formosa.

O local, que tem capacidade para mais de 2 mil pessoas, foi ocupado por representantes das culturas de todas as regiões do país. No palco, junto às autoridades de governo e de entidades culturais, estavam os grupos Guerreiros Tupinikim Aguidavi do Jeje, que participaram do início da cerimônia com manifestações artísticas. 

O hino nacional foi entoado pela cantora Luedji Luna, com acompanhamento instrumental dos grupos.

Além disso, uma apresentação das bandas de congo da região, como as de São Sebastião da Barra do Riacho e São Benedito de Itaparica, antecedeu a cerimônia. 

Culturas indígenas

A ministra Margareth Menezes anunciou a instauração do comitê que vai tratar do Plano Nacional de Culturas Indígenas. 

“Uma importante entrega que faremos e que está sendo construída coletivamente com as organizações indígenas, a fim de que as políticas culturais alcancem da melhor forma aqueles que mantêm a floresta em pé, que preservam os biomas e que combatem no dia a dia o desastre climático”, anunciou.

Na cerimônia, houve ainda a distribuição de placas de identificação aos pontos de cultura cujos representantes estavam presentes. Posteriormente, as placas serão enviadas a todos os cerca de 16 mil pontos de cultura certificados no país, no contexto da Política Nacional de Cultura Viva.

“Dezesseis mil pontos de cultura espalhados por mais de 2,2 mil municípios, 16 mil pontos de luz pulsando nas periferias, favelas, assentamentos rurais, quilombos e territórios indígenas. São 16 mil pontos de representações culturais que vão da matriz africana ao hip hop e demais expressões contemporâneas”, destacou Lula sobre os pontos de cultura.

Aracruz (ES), 21/05/2026 – Estandartes dos estados são apresentados durante abertura oficial da 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura, em Aracruz (ES). Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Estandartes dos estados são apresentados durante abertura oficial da 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura, em Aracruz (ES). Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil – Tomaz Silva/Agência Brasil

Cultura Viva

Há 22 anos, foi criado o Programa Cultura Viva, com o objetivo de apoiar e fortalecer iniciativas culturais de base comunitária, tornando-se política nacional ao ser instituído por lei em 2014. Os Pontos e Pontões de Cultura, espalhados por todo o país, fazem parte dessa política. 

Segundo o governo federal, as ações da atual gestão têm o objetivo de fortalecer as políticas públicas do setor e possibilitar a continuidade das ações culturais desenvolvidas nas comunidades. 

“Cada centavo investido na cultura retorna em identidade, autoestima e memória. Retorna também em oportunidade de trabalho e geração de renda. O investimento em cultura movimenta uma indústria potente, estimula a economia, transforma vidas e cidades”, acrescentou Lula. 

“Mesmo com a extinção do Ministério da Cultura e o desmonte das políticas culturais no governo passado, os pontos e pontões sempre se mantiveram firmes, ativos e cheios de vida”, lembrou a ministra Margareth Menezes. “A Teia é a materialização e o nosso compromisso com o potencial social e popular como elemento estruturante das nossas políticas públicas e do país que queremos”, acrescentou.

Após um hiato de 12 anos, a Teia Nacional dos Pontos de Cultura foi retomada, reunindo agentes culturais, coletivos, mestres e mestras das culturas populares, povos tradicionais, representantes da sociedade civil e gestores públicos. 

Além das apresentações artísticas e vivências culturais, o evento promove fóruns que discutem políticas de cultura, especialmente de base comunitária. A programação, que acontece até 24 de maio, está no site do evento.

Outras entregas 

O presidente realizou ainda a entrega de 89 unidades do MovCeus, equipamentos culturais itinerantes, adaptados com biblioteca, estúdio audiovisual, recursos tecnológicos, oficinas e cinema ao ar livre, levando infraestrutura cultural a localidades historicamente desassistidas.

O governo federal anunciou também, nessa passagem por Aracruz, a entrega de 12 micro-ônibus do Programa Agora Tem Especialistas – Caminhos da Saúde, e 11 vans do Programa Especial de Saúde do Rio Doce, do Ministério da Saúde.

Por Camila Boehm, repórter da Agência Brasil, enviada a convite do Ministério da Cultura

Analfabeto digitalizado: dados de conectividade e INAF revelam o impacto no eleitor

Artigo do publicitário, especialista em marketing político, Christian Jauch sobre conectividade e o impacto no eleitor.

Por Christian Jauch 

Vivemos um paradoxo silencioso e perigoso. Nunca tivemos tanto acesso à informação, estivemos tão conectados, e nunca foi tão fácil consumir conteúdo, opinar, compartilhar e reagir em tempo real.

Ao mesmo tempo, nunca foi tão difícil separar informação de interpretação, dado de narrativa, conhecimento de impressão.

A promessa da internet era clara: democratizar o acesso ao conhecimento. E, de fato, isso aconteceu. O problema é que o acesso cresceu em uma velocidade muito maior do que a capacidade de interpretação.

E é nesse descompasso que surge um fenômeno central para entender o cenário político atual: o analfabeto digitalizado.

O que é o analfabeto digitalizado

O termo não descreve alguém desconectado, descreve exatamente o oposto. O analfabeto digitalizado é alguém profundamente inserido no ambiente digital. Está nas redes sociais, consome vídeos, lê manchetes, participa de discussões, recebe informação o tempo todo. Mas não necessariamente consegue interpretar o que consome.

Essa é a diferença central.

  • Consumir não é compreender.
  • Estar exposto não é entender.
  • Receber informação não é formar pensamento crítico.

E quando essa diferença escala para milhões de pessoas, o problema deixa de ser individual e passa a ser estrutural.

Os números mostram um país hiperconectado

Se olharmos apenas para conectividade, o Brasil parece um caso de sucesso. Os dados de 2024 mostram um cenário robusto:

MétricaDado (2024)Contexto
População Total203 milhõesBase para o consumo digital
Brasileiros acima de 16 anos160 milhõesPúblico-alvo para informação política
Linhas com acesso à internet270 milhõesInfraestrutura de conectividade
Pessoas conectadas168 milhõesUsuários ativos da internet
Presentes em redes sociais144 milhõesEngajamento em plataformas
Acesso via celular90%Principal meio de consumo de conteúdo

Além disso, o Brasil aparece entre os países mais conectados do mundo:

  • 2º lugar em tempo médio de uso da internet (9h13 por dia)
  • 3º lugar em presença em redes sociais
  • 5º lugar em número de usuários de internet

Se pararmos aqui, a leitura é otimista. Um país conectado, ativo, participativo. Mas essa é só metade da história.

Conectividade não é conhecimento

O erro está em assumir que acesso gera entendimento. Não gera. “A conectividade amplia a exposição. Mas não garante interpretação.” E é exatamente aí que entra o segundo conjunto de dados — muito mais incômodo.

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O acesso cresceu em uma velocidade muito maior do que a capacidade de interpretação. Foto: Pexels

O INAF 2024 revela o problema oculto

O Indicador de Alfabetismo Funcional (INAF) de 2024 mostra que a capacidade de interpretação no Brasil é extremamente desigual. E, mais importante, revela que o problema não está apenas no analfabetismo tradicional. Existe uma camada muito maior de limitação cognitiva funcional, que impacta diretamente a forma como a informação digital é processada.

INAF: Distribuição de Capacidade de Interpretação

FaixaPercentualCapacidadeImpacto DigitalRisco Político
Analfabetos7%Não conseguem ler ou escrever frases simples.Extremamente vulneráveis a desinformação visual e áudio.Manipulação por conteúdo simplificado e emocional.
Rudimentares22%Identificam informações básicas em textos simples.Dificuldade em discernir fontes e contextos complexos.Formação de opinião baseada em manchetes e fragmentos.
Elementares36%Compreendem textos médios, com limitações de inferência.Podem ser enganados por narrativas bem construídas, mas superficiais.Vulneráveis a polarização por falta de análise aprofundada.
Intermediários25%Interpretam textos mais complexos, mas com dificuldade em abstrações.Capazes de filtrar parte da desinformação, mas ainda suscetíveis a vieses.Podem ser influenciados por argumentos emocionais ou populistas.
Proficientes10%Analisam, comparam e interpretam com profundidade e criticidade.Resistentes à desinformação, buscam fontes e análises diversas.Tomada de decisão mais informada e menos suscetível a manipulação.

Agora junta os dois mundos

Aqui está o ponto que pouca gente encara de frente:

  • o Brasil é altamente conectado (dados de 2024)
  • mas majoritariamente com limitações de interpretação (dados do INAF 2024)

Isso significa que temos milhões de pessoas:

  • expostas a um volume massivo de informação
  • consumindo conteúdo constantemente
  • participando do debate público

Mas sem necessariamente ter repertório crítico para filtrar, comparar e interpretar.

É isso que define o analfabeto digitalizado.

Contraste: Conectividade vs. Capacidade de Interpretação

AspectoRealidade (2024)Consequência
Acesso à Informação168 milhões de pessoas conectadas.Volume massivo de dados disponível a todo momento.
Capacidade de Interpretação65% da população com alfabetismo funcional rudimentar ou elementar (INAF 2024).Dificuldade em filtrar, analisar e contextualizar informações complexas.
Comportamento DigitalConsumo acelerado, fragmentado e via celular.Formação de opinião baseada em estímulos curtos e emocionais.

A ilusão do entendimento

O ambiente digital cria uma sensação de domínio. A pessoa vê um vídeo, lê uma manchete, acompanha um corte e rapidamente forma uma opinião. Mas essa opinião não vem de análise. Vem de exposição. Esse é um dos efeitos mais perigosos da hiperconectividade: a ilusão de que ver é entender.

E isso muda completamente a dinâmica do debate público.

O impacto direto da conectividade na política

Esse cenário altera o comportamento do eleitor. O consumo de informação deixa de ser linear e passa a ser fragmentado. O eleitor não acompanha processos completos, ele reage a estímulos, isso muda o jogo.

A disputa política deixa de ser apenas:

  • quem tem a melhor proposta
  • quem tem mais preparo
  • quem tem melhor histórico

E passa a ser também:

  • quem simplifica melhor
  • quem comunica mais rápido
  • quem gera mais identificação imediata

A ascensão da reação sobre a reflexão

O ambiente digital favorece a velocidade. E a velocidade favorece a reação.

Isso cria um cenário onde:

  • conteúdos curtos ganham espaço
  • interpretações rápidas se espalham
  • emoções têm mais peso que análise

Não porque as pessoas não sejam capazes de pensar, mas porque o ambiente não estimula esse tipo de comportamento.

O terreno perfeito para narrativas

Quando você combina:

  • alta conectividade
  • baixa capacidade média de interpretação (INAF 2024)
  • consumo fragmentado de conteúdo

Você cria o ambiente ideal para a circulação de narrativas simplificadas.

Narrativas que não precisam ser completas. Precisam apenas ser compreensíveis e replicáveis.

E é aqui que entra a inteligência artificial

Se já existe dificuldade de interpretação em um ambiente saturado de informação, o que acontece quando ferramentas passam a produzir conteúdo em escala, com aparência de autoridade?

A inteligência artificial não cria esse cenário, ela potencializa. Mas antes de tratá-la como solução, é necessário entender sua natureza. Porque existe um erro conceitual que precisa ser corrigido: a inteligência artificial não pensa.

E entender isso muda completamente a forma como as campanhas devem usar a tecnologia.

Eu aprofundo esse ponto no próximo artigo da série

Leia também: Inteligência Artificial não pensa: por que ela só amplifica quem a comanda

Conclusão

O problema não é falta de informação. É excesso sem filtro.

O desafio não é o acesso. É interpretação.

E, no centro desse cenário, está um eleitor que participa, consome, reage — mas nem sempre compreende em profundidade o que está diante dele.

Isso não simplifica a política. Complica.

Porque exige não apenas comunicação, mas entendimento do ambiente em que essa comunicação acontece.

Reflexão

Se o Brasil nunca esteve tão conectado, por que a sensação de confusão só aumenta?

estamos formando uma sociedade mais informada…
ou apenas mais exposta?

E mais:

no ambiente digital, estamos estimulando o pensamento…
ou apenas acelerando a reação?


Sobre o autor

Christian Jauch é um publicitário com mais de 20 anos de experiência, especializado em branding, design, inovação, tecnologia, inteligência artificial, automação de processos, marketing político e comunicação governamental.

Estrategista político com duas décadas de experiência na integração entre tecnologia e comunicação em campanhas de todas as esferas (municipal, estadual e federal).

Atualmente, é especialista na aplicação tática de Inteligência Artificial para blindagem e estratégia eleitoral.

Há 12 anos, também lidera campanhas para a OAB. Membro do CAMP (Clube Associativo dos Profissionais de Marketing Político) e co-fundador da Alcateia Política. Mais artigos:

Outras reflexões sobre o tema podem ser lidas no blog: www.christianjauch.com.br


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Com Erika Hilton, seminário nacional discute empregabilidade de pessoas LGBTQIA+ sem teto

A cidade de São Paulo cediará um debate voltado para os direitos humanos e a justiça social no início do mês de junho. Nos dias 2 e 3 de junho de 2026, ocorre o Seminário Nacional “Empregabilidade de Pessoas LGBTQIA+ em Situação de Rua: Direitos, Dignidade e Inclusão Produtiva”. O encontro, que conta com o apoio da deputada federal Erika Hilton, será realizado no Casarão Brasil, localizado na região central da capital paulista. Leia em TVT News.

O evento tem como objetivo central discutir propostas e articular caminhos estruturais para combater a exclusão que afeta essa parcela da população no mercado de trabalho.

A organização prevê a participação presencial de cerca de 150 pessoas LGBTQIA+, reunindo integrantes do governo federal, militantes de movimentos sociais, especialistas do setor privado, lideranças comunitárias e representantes de organizações da sociedade civil que atuam diretamente com a população que vive em situação de vulnerabilidade extrema nas ruas.

Para assegurar o acesso público e a transparência dos debates, toda a programação terá transmissão ao vivo pela internet. Os interessados poderão acompanhar as mesas e painéis por meio do canal oficial do YouTube do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.

Enfrentamento à exclusão histórica LGBTQIA+

A abertura oficial dos trabalhos trará como eixo de discussão o tema “Empregabilidade como direito: enfrentar a exclusão histórica da população LGBTQIA+ em situação de rua”.

Essa mesa inicial contará com a presença da ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello, além de representantes do Fundo Positivo, do Comitê Intersetorial de Acompanhamento e Monitoramento da Política Nacional para a População em Situação de Rua (CIAMP-Rua) e de outras lideranças dedicadas à defesa dos direitos civis.

O seminário propõe uma abordagem multidimensional sobre as barreiras que impedem o acesso dessa população ao trabalho formal e à geração de renda. Entre as temáticas integradas aos painéis de debate estão a aporofobia (preconceito contra pessoas pobres), a LGBTfobia, o racismo estrutural, a falta de documentação civil básica, os baixos índices de escolaridade formal, a violência praticada por instituições, as deficiências nas políticas públicas vigentes e as formas de acesso aos mecanismos de justiça.

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Harley Henriques, presidente e diretor do Fundo Positivo, destaca que as discussões sobre o ingresso no mercado de trabalho para este segmento populacional envolvem necessidades fundamentais de subsistência e reparação. Conforme pontua o dirigente, as ações integradas devem romper com o ciclo de marginalização que empurra esses cidadãos para fora das redes tradicionais de proteção e assistência.

“Não existe inclusão real quando uma pessoa LGBTQIA+ em situação de rua continua sendo empurrada para fora da escola, do trabalho, da saúde, da moradia e da cidadania. O emprego digno não pode ser visto como favor ou exceção. Ele é um direito. O que precisamos construir, junto com o Estado, empresas e sociedade civil, são caminhos reais para que essas pessoas sejam reconhecidas, protegidas e incluídas”, afirma Harley Henriques.

Inclusão LGBTQIA+

A programação do primeiro dia reserva espaço para a análise e o aperfeiçoamento das ferramentas estatais existentes. O debate sobre as respostas institucionais de caráter estrutural passará pela avaliação de programas e planos já formulados pelas esferas governamentais.

Estão inseridas na pauta as discussões acerca da regulamentação da Política Nacional do Trabalho Digno, as diretrizes do Plano Nacional Ruas Visíveis, as ações do programa Cidadania PopRua e as metas do Programa Empodera + LGBT.

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29ª Parada do Orgulho LGBTQIA+ reuniu luta e cultura na Avenida Paulista, em São Paulo – Reprodução

O seminário também abrirá espaço para o compartilhamento de iniciativas executadas em âmbito municipal que apresentam resultados práticos positivos, como é o caso do programa Transcidadania, desenvolvido na cidade de São Paulo para promover a elevação da escolaridade e a qualificação profissional de travestis e transexuais.

No segundo dia de atividades, o foco do evento será expandido para avaliar o papel e o nível de responsabilidade do setor empresarial privado.

As mesas de debate tratarão de temas como gestão da diversidade nas empresas, implementação de políticas de contratação afirmativa, desenvolvimento de ambientes laborais seguros, estratégias de combate à discriminação e à LGBTfobia nos locais de trabalho, além das diretrizes gerais de responsabilidade social corporativa.

Oficinas temáticas

Além dos painéis teóricos de debate, o Seminário Nacional promoverá a realização de oficinas de caráter técnico e prático. Essas atividades serão direcionadas para temas como qualificação profissional, fomento à economia solidária, organização de cooperativas, incentivo ao empreendedorismo popular, técnicas de incidência política e os mecanismos de controle social sobre o orçamento e as políticas públicas para LGBTQIA+.

Ao término dos dois dias de discussões e formulações coletivas, os participantes produzirão a Carta de Recomendações do Seminário Nacional sobre Empregabilidade de Pessoas LGBTQIA+ em Situação de Rua.

Este documento conterá um conjunto de propostas formais e compromissos firmados de maneira intersetorial, servindo como guia para subsidiar a criação e o fortalecimento de políticas públicas voltadas ao trabalho, à distribuição de renda, à consolidação da proteção social e à inclusão produtiva.

A conclusão das atividades reforça o entendimento de que a conquista de uma ocupação profissional digna atua como um elemento transformador que ultrapassa a barreira financeira, incidindo diretamente na cidadania e na integridade física e psicológica dos sujeitos afetados pela vulnerabilidade social.

“Quando uma pessoa LGBTQIA+ em situação de rua consegue acessar trabalho digno, não estamos falando apenas de renda. Estamos falando de reconstrução de vínculos, autoestima, autonomia, segurança e vida. Esse seminário nasce para transformar escuta em proposta, diagnóstico em ação e urgência em compromisso público”, completa Harley Henriques.

Serviço

  • Data: 2 e 3 de junho de 2026
  • Local: Casarão Brasil, centro de São Paulo
  • Transmissão: YouTube do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania

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Anac bloqueia avião de Ciro Nogueira por ordem do STF

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) registrou o bloqueio judicial de uma aeronave vinculada ao senador Ciro Nogueira por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A medida faz parte das investigações da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal (PF), que apura um suposto esquema de favorecimento político ao Banco Master em troca de vantagens financeiras indevidas. Saiba mais na TVT News.

O avião bloqueado é um bimotor executivo Beech Aircraft, modelo B200, avaliado em cerca de R$ 10 milhões. A decisão judicial determinou o “sequestro e indisponibilidade” da aeronave enquanto durarem as investigações. O bloqueio foi inscrito oficialmente nos registros da Anac no último dia 8 de maio, um dia após a deflagração da quinta fase da Operação Compliance Zero.

Segundo documentos da Anac citados por veículos de imprensa, a aeronave continua registrada em nome de Ciro Nogueira e de sua ex-esposa, Iracema Nogueira, apesar de ter sido negociada em 2023. A venda teria ocorrido por aproximadamente US$ 2 milhões, equivalente a cerca de R$ 10 milhões, para o cantor de forró Luan Estilizado e uma empresa ligada ao empresário Netinho Lins, do setor de eventos.

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A transação, no entanto, ainda não teria sido concluída integralmente. Conforme os registros oficiais, o contrato foi firmado com cláusula de reserva de domínio, mecanismo que mantém a posse formal do bem com o vendedor até a quitação total do valor negociado. Dessa forma, o avião permaneceu legalmente vinculado ao senador e acabou alcançado pela decisão judicial do STF.

A ofensiva da PF contra Ciro Nogueira ocorreu no último dia 7 de maio, quando agentes cumpriram mandados de busca e apreensão autorizados por André Mendonça. O senador do PP foi apontado pelos investigadores como um dos principais alvos da operação que investiga fraudes financeiras, corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo o Banco Master e seu controlador, o empresário Daniel Vorcaro.

De acordo com relatório da Polícia Federal encaminhado ao STF, Ciro Nogueira teria atuado politicamente em favor dos interesses do Banco Master no Congresso Nacional em troca de vantagens econômicas e patrimoniais. A investigação afirma que o parlamentar seria o “destinatário central” de benefícios oferecidos por Vorcaro.

Entre os indícios reunidos pela PF estão pagamentos mensais que variariam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil, além do custeio de viagens internacionais, hospedagens em hotéis de luxo, restaurantes, voos privados e uso de patrimônio ligado ao banqueiro. Os investigadores também apontam a aquisição de participação societária com forte deságio: ações avaliadas em R$ 13 milhões teriam sido adquiridas por apenas R$ 1 milhão.

As suspeitas ganharam força após a análise de mensagens extraídas de celulares apreendidos em fases anteriores da investigação. Conversas atribuídas a Daniel Vorcaro mostram o banqueiro tratando Ciro Nogueira como “grande amigo de vida” e comemorando iniciativas legislativas patrocinadas pelo senador.

Segundo a PF, uma das medidas consideradas mais sensíveis foi a apresentação de uma emenda que ampliava a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. A proposta beneficiaria diretamente bancos médios como o Master, ampliando a capacidade de captação financeira dessas instituições.

As investigações apontam ainda que a redação da emenda legislativa teria sido elaborada dentro do próprio Banco Master, reforçando a suspeita de captura da atividade parlamentar por interesses privados do setor financeiro.

Como mostrou anteriormente reportagem da TVT News, diálogos revelados em março já indicavam a proximidade entre Vorcaro e Ciro Nogueira. Em uma das mensagens, o banqueiro afirmou à influenciadora Martha Graeff que o senador havia apresentado “uma bomba atômica no mercado financeiro”, em referência ao projeto legislativo que favoreceria bancos médios.

A nova decisão envolvendo o bloqueio da aeronave aprofunda o avanço patrimonial das medidas cautelares autorizadas pelo STF. Além das buscas e apreensões, a Justiça já havia determinado o bloqueio de bens e valores que somam aproximadamente R$ 18,85 milhões.

A Operação Compliance Zero também resultou na prisão temporária de Felipe Cançado Vorcaro, apontado pela PF como integrante do núcleo financeiro-operacional do esquema investigado. Ele é suspeito de participação em operações de ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro.

Em nota divulgada após a operação, a defesa de Ciro Nogueira negou irregularidades e afirmou repudiar “qualquer ilação de ilicitude” sobre a atuação parlamentar do senador. Os advogados declararam ainda que o parlamentar pretende colaborar com as investigações para demonstrar que não participou de atividades criminosas.

Dias depois, o próprio senador utilizou as redes sociais para classificar as acusações como um “roteiro absurdo de ficção” e alegou ser alvo de perseguição política. “Nunca recebi qualquer valor ilícito ou cometi irregularidade”, afirmou.

O caso amplia a pressão sobre um dos principais aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro no Congresso Nacional e aprofunda o desgaste político em torno do escândalo financeiro envolvendo o Banco Master, instituição que entrou na mira das autoridades após suspeitas de fraudes bilionárias e irregularidades no sistema financeiro nacional.