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Da Redação

Quem é Lucas Kallas e qual a ligação com André Mendonça e Vorcaro

O empresário mineiro Lucas Prado Kallas passou a ser citado em reportagens e apurações relacionadas ao caso Banco Master por vínculos empresariais com Daniel Vorcaro e de uma operação financeira envolvendo o Instituto Iter, fundado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça. Leia em TVT News.

A Cedro Participações, empresa controlada por Kallas, repassou R$ 5,2 milhões ao instituto por meio de um contrato de mútuo conversível firmado em abril de 2024.

Lucas Kallas também manteve negócios com empresas que tiveram participação de Vorcaro. A Cedro detinha 8% da Biomm no fim de 2023, enquanto uma gestora ligada a Vorcaro e ao empresário Nelson Tanure passou a comprar ações da companhia em fevereiro de 2024. A participação desse grupo chegou a 25% em janeiro de 2025. Kallas também chegou a deter 33% da gestora Latache Capital.

A relação com Mendonça aparece por meio do Instituto Iter: o contrato com a Cedro previa R$ 5,9 milhões, dos quais R$ 5,2 milhões foram efetivamente repassados. O acordo foi encerrado em janeiro de 2026, quando o instituto iniciou a devolução dos recursos. No mês seguinte, Mendonça foi sorteado relator das investigações relacionadas ao Banco Master no STF.

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Cedro repassou R$ 5,2 milhões ao Instituto Iter

Em abril de 2024, a Cedro Participações firmou com o Instituto Iter um contrato de mútuo conversível que previa repasses de R$ 5,9 milhões. Desse total, R$ 5,2 milhões foram efetivamente transferidos ao instituto, fundado por André Mendonça, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

O contrato estabelecia que os recursos seriam destinados à estruturação e às atividades do Iter. A negociação foi conduzida pelo presidente do instituto, Victor Godoy Veiga, e por dois representantes da Cedro, Carlos Adel de Freitas e Eduardo Soares de Couto.

Segundo o Iter, Mendonça e Kallas não participaram das discussões sobre os termos do contrato. O instituto também afirmou que os recursos foram depositados em sua conta e utilizados exclusivamente nas atividades previstas no acordo.

Em janeiro de 2026, o Iter decidiu interromper o contrato e iniciar a devolução dos recursos à Cedro. O instituto afirmou que a decisão ocorreu porque já havia alcançado uma situação de sustentabilidade financeira.

Relação empresarial com Daniel Vorcaro

A Cedro de Kallas tinha 8% da empresa de biotecnologia Biomm no fim de 2023. Em fevereiro de 2024, a gestora WNT, ligada a Vorcaro e ao empresário Nelson Tanure, começou a comprar ações da companhia. A participação do grupo de Vorcaro chegou a 25% em janeiro de 2025.

Kallas também investiu na Latache Capital. Em 2025, chegou a deter 33% da gestora. A Latache era acionista da Oncoclínicas, empresa que mantinha R$ 478 milhões aplicados em Certificados de Depósito Bancário (CDBs) do Banco Master.

A Cedro deixou de integrar o quadro societário da Biomm e da Latache em abril de 2026. Segundo a empresa, a decisão teve como objetivo concentrar os investimentos no setor de mineração.

Viagem de Kallas e Vorcaro à Venezuela

Mensagens e e-mails encontrados pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro registraram uma viagem dele com Lucas Kallas para Caracas, na Venezuela, no fim de novembro de 2023. Segundo os documentos, os dois viajaram para prospectar negócios relacionados ao setor de petróleo.

Os registros apontam que Vorcaro pagou US$ 23 mil, cerca de R$ 121 mil à época, por duas suítes em um hotel de Caracas. Os dois ficaram no local entre 27 de novembro e 1º de dezembro.

Registros de entrada do Palácio do Planalto também mostram que Kallas e Vorcaro estiveram na sede do governo brasileiro em 4 de dezembro de 2023. Os dois tiveram suas entradas registradas no mesmo minuto, às 15h43.

Segundo apuração do UOL, Kallas não é investigado na Operação Compliance Zero, que apura fraudes bancárias envolvendo Vorcaro e o Banco Master. A Cedro Participações também não é citada nos inquéritos sobre as fraudes bancárias.

Relação com o Instituto Iter

André Mendonça deixou a sociedade do Instituto Iter no início de setembro de 2026. O instituto informou que o ministro nunca recebeu dividendos, distribuição de lucros ou participação nos resultados da entidade e que sua atuação era restrita à área acadêmica, como professor.

O Iter também afirmou que Daniel Vorcaro não participou das negociações do contrato com a Cedro e que a instituição não tinha conhecimento de eventuais relações societárias ou empresariais mantidas pela Cedro ou por Kallas.

A Cedro declarou que Vorcaro jamais teve relação societária ou vínculo empresarial com os negócios da holding ou de suas controladas. A empresa afirmou ainda que a participação em companhias abertas não configura sociedade comercial com outros acionistas.

Sobre suas viagens, Kallas afirmou que elas fazem parte da agenda de prospecção internacional da holding. A assessoria do empresário declarou que ele esteve em mais de 17 países em compromissos comerciais e institucionais no ano anterior.

Presente (em memória de Amelinha Teles)


Crônica de Carlos Alberto José de Carvalho

Na foto, um menino descalço em cima de um caminhão de brinquedo, de calção, o torso nu, um pé afundado no vão da carroceria de lata, o outro apoiado na cabine. Segura na mão esquerda uma bola. A mão direita está apoiada no muro, os dedos unidos em pinça, num gesto que não se sabe se é de equilíbrio ou de recusa. A testa franzida, a boca contraída para baixo.

Atrás dele, uma parede caiada, descascada em placas irregulares, e o degrau de uma soleira que separa o piso claro de um chão mais escuro, talvez terra batida. Não há sorriso. Não há ninguém mais no enquadramento. A imagem foi tirada na altura dos olhos, o que faz o menino parecer maior do que era.

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O presente de Carlos Alberto José de Carvalho para Amelinha Teles

Não se pode extrair de uma fotografia aquilo que ela não contém: nem o nome da rua, nem a hora do dia, nem a razão de estar ali sozinho sobre um caminhão de lata amassada, nem se a testa franzida era contra o sol ou contra o fotógrafo. O que a foto dá é um inventário: uma criança, um calção puído na cintura, um muro pobre, um degrau, um objeto redondo numa das mãos.

É a um inventário desses que se recorre quando não se tem lembrança própria de um lugar — e eu não tenho nenhuma lembrança de Jacarepaguá, da casa perto da Praça Seca, dos dois ou três anos que ali passei. O que tenho são fotos como esta e frases de terceiros, repetidas depois por décadas, que ocupam o lugar onde deveria estar a memória.

Uma dessas frases é de Amelinha: que teria sido, ali, minha babá. Ditas com exagero — ela mesma reconhecia o exagero ao dizê-las — mas plausíveis, dado o resto: meus pais viviam isolados naquela casa do sertão carioca, a família em São Paulo, longe; as únicas visitas eram de militantes que se reuniam ali para planejar a Revolução, palavra que na época não precisava de aspas nem de maiúscula reticente como precisa agora.

Nesses encontros é provável — o verbo certo é este, provável, não certo — que alguém precisasse, nos intervalos das reuniões, cuidar da criança. Amelinha, ajudante entre uma pauta e outra. Não há foto disso. Há apenas a mesma lógica que atribui à foto do menino no caminhão um sentido que ela sozinha não tem: a lógica de quem organiza, depois, os fragmentos que sobraram.

Outras frases também vieram daquela casa e sobreviveram sem imagem que as sustente. Que minha mãe aprendeu ali, com Clara Charf, a fazer purê, prato que se tornaria, sem que ela então soubesse, o predileto do filho. Que João Amazonas dizia que passaria por avô do menino.

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Clara Charf e Carlos Marighella – Militantes perseguidos pela ditadura. Imagem: Wikimedia Commons / Arte Rebeca de Ávila

Que Danielli achava isso impossível, e o argumento de Danielli não era sobre parecença, mas sobre justiça: o menino era bonito, Amazonas era feio, logo o parentesco não podia se sustentar. Frases de sobremesa, ditas entre uma tarefa clandestina e outra, guardadas por quem as repetiu depois em outras décadas, noutras casas, quando já não havia mais nada a planejar.

Passaram-se, entre a foto do caminhão e o dia em que volto a escrever sobre Amelinha, quase sessenta anos. A última vez que a vi foi em 4 de novembro do ano passado, na Alameda Casa Branca, quase esquina com a Lorena, diante do pequeno monumento de granito que marca onde Carlos Marighella foi morto numa noite de 1969.

A placa de bronze que o acompanhava não existe mais: foi arrancada, repuseram, arrancaram de novo, e desta vez desistiram de repor, porque sabiam que seria arrancada outra vez. Um monumento sem sua legenda é uma fotografia sem sua legenda: a pedra continua ali, dizendo que algo aconteceu naquele ponto exato da calçada, mas sem dizer mais nada — como o menino do caminhão, que continua sobre a lata amassada dizendo apenas que existiu, sem dizer onde, nem quando ao certo, nem por quê.

Depois dos discursos — uns quarenta companheiros ouvindo, meu irmão Ernesto um dos últimos a falar — subimos a alameda abraçados com Amelinha. Nos despedimos na altura da Alameda Franca. Ela mandou um abraço para minha mãe. Eu disse: até ano que vem.

No próximo 4 de novembro, na Alameda Casa Branca, alguém vai gritar o nome de Amelinha, e os presentes vão responder: presente. É o ritual que ela ouviu tantas vezes ser feito para Marighella, (para Clara, no ano passado) ali mesmo, diante do granito sem placa.

Naquela manhã ela subiu a alameda conosco, abraçada a mim e ao Ernesto, e nos despedimos na altura da Alameda Franca, e o nome dela não estava em nenhuma lista. Amelinha morreu ontem, aos 81 anos. A frase “até ano que vem”, que eu disse sem pensar, entra agora para o mesmo arquivo do menino sobre o caminhão de lata: um enunciado que na hora não pedia licença para se tornar depois, para alguém, prova de alguma coisa.

 

Os artigos dos colunistas expressam as opiniões individuais da autora ou do autor e não, necessariamente, refletem a opinião da TVT News

Frente de Evangélicos declara apoio a Lula já no primeiro turno

A Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito formalizou apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já no primeiro turno das eleições. O posicionamento representa uma mudança em relação a 2022, quando o grupo declarou apoio ao presidente apenas na segunda etapa da disputa. Leia em TVT News.

Criado em 2016, o movimento se apresenta como uma organização de caráter progressista e também lançou um jingle para marcar o apoio à candidatura de Lula. A música tem como mote a frase “Crente pode em Lula votar”, reforçando a defesa de que a fé evangélica não determina uma posição política única entre seus integrantes.

Frente de Evangélicos se reúne com Lula

A formalização do apoio ocorreu após uma reunião entre Lula, a primeira-dama Janja e pastores e lideranças evangélicas no Palácio do Planalto. Participaram do encontro Nilza Valeria Oliveira, coordenadora-executiva da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito; Jorge Messias, ministro da Advocacia-Geral da União (AGU); e Eliziane Gama (PT-MA), senadora.

Em publicação nas redes sociais, a Frente afirmou que a presença no Palácio do Planalto não teve como objetivo buscar benefícios ou privilégios. Segundo o grupo, o encontro fez parte de sua atuação em defesa da justiça, da esperança e da atenção às pessoas em situação de vulnerabilidade.

“Não fomos ao Palácio em busca de privilégios. Fomos cumprir nossa missão profética: anunciar a esperança, defender a justiça e lembrar que governar é, antes de tudo, cuidar das pessoas, sobretudo daquelas que foram empurradas para as margens”, afirmou o movimento.

O grupo também destacou que a comunidade evangélica brasileira não deve ser identificada exclusivamente com posições defendidas por determinadas lideranças religiosas. Na avaliação apresentada pela Frente, há diversidade de opiniões políticas entre os fiéis.

Grupo defende separação entre fé e campanha eleitoral

Outro ponto destacado pela Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito foi a relação entre religião e disputa eleitoral. Segundo o movimento, Lula reafirmou durante a reunião seu respeito à fé e disse que não pretende fazer campanha dentro de igrejas.

Na publicação, a Frente defendeu que os templos permaneçam como espaços de oração, convivência e acolhimento. O grupo considera legítima a discussão política entre cristãos, mas faz uma distinção entre o debate sobre política e a utilização dos espaços religiosos como locais de campanha.

“A política pode e deve ser discutida pelos cristãos, mas o púlpito não pode ser transformado em palanque, nem a consciência dos crentes pode ser negociada”, afirmou a entidade.

O posicionamento ocorre em um cenário no qual diferentes lideranças evangélicas assumem posições políticas distintas. A Frente sustenta que manifestações de apoio de determinados líderes a outros candidatos não podem ser tomadas como representação de toda a população evangélica.

Movimento já havia levado críticas aos Estados Unidos

No mês anterior, representantes do movimento estiveram em Washington, nos Estados Unidos, para entregar uma carta a congressistas norte-americanos sobre o processo eleitoral brasileiro.

No documento, a Frente manifestou preocupação com uma possível interferência dos Estados Unidos nas eleições presidenciais brasileiras. O grupo mencionou reportagens sobre um plano da administração de Donald Trump para enviar funcionários a Brasília com o objetivo de questionar a integridade do sistema eleitoral brasileiro.

A carta também criticou as medidas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos que atingem exportações brasileiras. Para a Frente, decisões dessa natureza deveriam estar baseadas em critérios econômicos e técnicos, sem influência de disputas políticas internas.

Os signatários ainda destacaram a diversidade existente entre os evangélicos brasileiros. Embora algumas lideranças religiosas tenham declarado apoio público ao senador Flávio Bolsonaro, o movimento afirmou que essas posições não representam o conjunto da comunidade evangélica do país.

A decisão de apoiar Lula desde o primeiro turno, portanto, passa a integrar a atuação política da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito durante a eleição. O grupo mantém a defesa de que a participação política de cristãos pode ocorrer sem transformar igrejas e púlpitos em espaços de campanha eleitoral.

O que é a Rockbridge e quais são as suspeitas de interferência nas eleições brasileiras

A Rockbridge Network, organização criada nos Estados Unidos e ligada ao atual vice-presidente americano J.D. Vance, passou a ser citada em denúncias sobre uma possível atuação estrangeira na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) nas eleições de 2026. O caso ganhou novos elementos após reportagens apontarem que o empresário Pedro Sang, ligado à rede, atua dentro do comitê do candidato em São Paulo. Leia em TVT News.

As suspeitas envolvem duas questões principais: a possibilidade de recursos ou apoio material estrangeiro à candidatura e a existência de interesses relacionados à exploração de minerais críticos e terras raras no Brasil. Até o momento, não há comprovação pública de que dinheiro da Rockbridge tenha sido transferido para a campanha de Flávio.

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O que é a Rockbridge

A Rockbridge foi criada em 2019 por J.D. Vance, antes de ele assumir a vice-presidência dos Estados Unidos, e pelo empresário Chris Buskirk. A organização reúne empresários, investidores e apoiadores ligados à direita americana e ganhou relevância no ambiente político conservador dos EUA.

A rede também passou a ser associada a interesses em tecnologia e infraestrutura para inteligência artificial, incluindo o acesso a minerais considerados estratégicos para essas cadeias produtivas. No Brasil, o grupo passou a ser mencionado especialmente nas discussões sobre terras raras e outros minerais críticos.

A relação com a campanha de Flávio Bolsonaro ganhou visibilidade após declarações do candidato Renan Santos (Missão), que acusou a Rockbridge de financiar indiretamente a candidatura. Renan não apresentou, até o momento, provas públicas que comprovem a acusação. Empresários citados nas declarações negaram participação em financiamento eleitoral.

Empresário ligado ao grupo atua no comitê de Flávio

Uma reportagem do site Amado Mundo identificou Pedro Sang, apontado como ligado à Rockbridge, atuando no comitê de campanha de Flávio Bolsonaro em São Paulo. Segundo o site, Sang participou da montagem da estrutura física do QG e mantinha contato com integrantes próximos da campanha para as eleições de 2026.

Sang reconheceu ter contato com a Rockbridge, mas negou ser intermediário de recursos para a campanha. Ele também afirmou que desconhece qualquer financiamento da organização à candidatura de Flávio.

Outro empresário citado no caso, Tallis Gomes, confirmou ser membro da Rockbridge, mas negou exercer função de direção ou representação da organização e afirmou não participar da campanha de Flávio nem ter doado recursos a candidatos ou partidos.

Terras raras entram no centro das suspeitas

As suspeitas também envolvem um documento elaborado por André Marinho, candidato ao governo do Rio de Janeiro pelo Novo e aliado de Flávio. O material, intitulado “Prosperity Partnership”, apresenta propostas de cooperação entre Brasil e Estados Unidos para a exploração de minerais críticos e terras raras.

O documento tinha na capa a identificação “Flávio Bolsonaro | 2026 Campaign” e defendia uma aproximação entre os dois países nesse setor. Marinho confirmou ser o autor, mas negou que o material tenha sido produzido oficialmente para a campanha ou apresentado a autoridades americanas.

A conexão entre o documento, a Rockbridge e a campanha passou a ser questionada porque terras raras são consideradas estratégicas para setores como tecnologia, energia e indústria. O interesse americano e chinês por esses minerais aumentou nos últimos anos, em razão da importância das matérias-primas para cadeias industriais e tecnológicas.

Caso chegou ao STF

Diante das acusações, o PT pediu ao Supremo Tribunal Federal a investigação de uma possível participação estrangeira na campanha de Flávio Bolsonaro nessas eleições. A representação menciona a Rockbridge, Pedro Sang e Tallis Gomes e solicita apuração sobre eventual financiamento, prestação de serviços ou apoio material vindo do exterior.

O pedido também cita a possibilidade de relação entre eventual apoio à candidatura e interesses econômicos envolvendo terras raras nas eleições desse ano. O partido solicitou diligências, incluindo análise de movimentações financeiras e eventual cooperação internacional.

A legislação eleitoral brasileira proíbe o recebimento, por campanhas, de recursos de origem estrangeira.

Banco Central muda regras do Pix e autoriza modalidade automática em conta-salário

O Banco Central (BC) atualizou as regras do Pix e autorizou o funcionamento do Pix Automático em contas-salário. A mudança está prevista para entrar em vigor em 1º de julho de 2027. A modalidade permite autorizar previamente pagamentos recorrentes, como contas e mensalidades, sem a necessidade de realizar uma nova operação a cada cobrança. Leia em TVT News.

Pelas novas regras, o Pix Automático será a única modalidade do sistema disponível para transferências realizadas a partir de contas-salário. As demais operações continuarão sujeitas às restrições próprias desse tipo de conta.

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Pix Automático chega às contas-salário

A alteração amplia o uso do Pix Automático para trabalhadores que recebem seus salários por meio de contas desse tipo. A autorização para os pagamentos recorrentes poderá ser dada previamente pelo titular da conta.

A mudança faz parte de uma atualização das normas que regulamentam o sistema de pagamentos instantâneos.

Sistema de avisos terá novas regras para marcação de fraude

A regulamentação também modifica os procedimentos para identificar usuários e chaves Pix associados a suspeitas de fraude. As instituições financeiras poderão registrar notificações de infração no Diretório de Identificadores de Contas Transacionais (DICT), sistema usado para armazenar informações relacionadas às chaves Pix.

A partir de fevereiro de 2027, a instituição que fizer ou aceitar uma marcação de fundada suspeita de fraude será responsável pelo registro e deverá avisar o cliente. Também terá de disponibilizar canais para que a pessoa possa contestar a anotação e solicitar uma revisão.

Depois do pedido de revisão, o banco terá até sete dias para analisar o caso. Se concluir que não existem elementos para sustentar a suspeita, deverá retirar a marcação e manter documentadas as razões que levaram à decisão.

As novas regras também estabelecem procedimentos para operações envolvendo chaves ou usuários marcados por fraude, com o objetivo de impedir que o sistema seja utilizado para novas transações associadas a esses registros.

Cobranças poderão reunir Pix e boleto

O BC também regulamentou a chamada cobrança híbrida, que permite oferecer Pix e boleto como formas alternativas de pagamento para uma mesma cobrança.

A modalidade poderá ser utilizada em boletos comuns e boletos dinâmicos que não estejam vinculados a ativos financeiros. A previsão é que essas regras também passem a valer em fevereiro de 2027.

A regulamentação estabelece procedimentos para evitar pagamentos duplicados. Quando uma cobrança já tiver sido quitada por boleto, por exemplo, a operação correspondente de Pix deverá ser cancelada.

Caso uma falha operacional resulte na liquidação duplicada de uma cobrança, a instituição responsável deverá corrigir a situação com recursos próprios, conforme as regras estabelecidas pelo BC.

Mudanças também atingem instituições financeiras

O novo regulamento modifica ainda os critérios para entrada, permanência e saída de instituições do sistema Pix.

Entre as alterações, o BC poderá dispensar da participação obrigatória instituições que tenham mais de 500 mil contas transacionais ativas quando as características de seu negócio não justificarem a participação direta no sistema.

Também foram modificados os procedimentos para instituições que apresentem informações falsas ou omitam dados relevantes durante o processo de adesão. Em determinadas situações, a autorização poderá ser anulada.

Instituições submetidas à liquidação extrajudicial terão a participação no Pix suspensa imediatamente. Já nos casos de exclusão decorrente de penalidade definitiva, o desligamento também deverá ocorrer sem o prazo de 30 dias previsto anteriormente.

As alterações serão implementadas em diferentes etapas, com parte das novas regras entrando em vigor imediatamente e outras previstas para 2027.

Selic subiu 48% em ano eleitoral de Bolsonaro e caiu 8% no governo Lula

A trajetória da taxa básica de juros em anos de eleição presidencial apresenta movimentos diferentes nos governos de Jair Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em 2022, ano em que Bolsonaro disputou a reeleição, a Selic passou de 9,25% para 13,75% ao ano. Já em 2026, ano da tentativa de reeleição de Lula, a taxa começou em 15% e chegou a 13,75% após cinco cortes consecutivos. Leia em TVT News.

A comparação considera os movimentos da taxa básica ao longo dos dois anos eleitorais. Em 2022, houve uma elevação de 4,5 pontos percentuais, equivalente a uma alta de 48,6%. Em 2026, a redução acumulada foi de 1,25 ponto percentual, correspondente a uma queda de 8,3% em relação aos 15% registrados no início do ano.

As decisões sobre a Selic são tomadas pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. Em 2026, a taxa chegou a 13,75% após uma nova redução anunciada nesta quarta-feira (16).

Em 2026, com Lula, Selic caiu de 15% para 13,75%

O ano de 2026 começou com a Selic em 15% ao ano. Desde então, o Copom realizou cinco reduções na taxa básica.

Em março, a Selic passou para 14,75%. No mês seguinte, em abril, houve nova redução, para 14,50%. Em junho, a taxa caiu para 14,25%. Em agosto, chegou a 14% e, em setembro, foi reduzida novamente, para 13,75%.

A decisão mais recente representou o quinto corte consecutivo no ano e levou a uma redução acumulada de 1,25 ponto percentual desde janeiro.

Considerando a variação proporcional, a Selic recuou 8,3% em 2026. O movimento ocorre em um ano de eleição presidencial, no qual Lula busca a reeleição.

A taxa básica de juros influencia as condições de crédito e financiamento na economia. No período analisado, porém, os dados apresentados no levantamento permitem observar principalmente a diferença entre a trajetória da Selic em 2022 e em 2026.

Em 2022, com Bolsonaro, taxa subiu 48,6% durante o ano eleitoral

A trajetória foi diferente no último ano eleitoral em que Jair Bolsonaro disputou a Presidência da República.

Em janeiro de 2022, a Selic estava em 9,25% ao ano. A taxa passou para 10,75% em fevereiro e chegou a 11,75% em março. Em maio, alcançou 12,75%, seguida por nova elevação em junho, quando atingiu 13,25%.

Em agosto, a taxa chegou a 13,75% ao ano e permaneceu nesse patamar em setembro.

Ao longo do ano, portanto, a Selic aumentou 4,5 pontos percentuais, saindo de 9,25% e chegando a 13,75%. Em termos proporcionais, a alta foi de 48,6%.

Em janeiro daquele ano não houve reunião do Copom. A taxa havia sido elevada de 7,75% para 9,25% em dezembro de 2021, movimento que definiu o patamar inicial utilizado para a comparação com o restante de 2022.

Naquele período, o Copom era presidido por Roberto Campos Neto.

Comparação entre os dois anos eleitorais

Os números apresentados mostram trajetórias opostas da taxa básica de juros nos dois anos eleitorais.

AnoPresidenteSelic no início do anoSelic no período final citadoVariação
2022Jair Bolsonaro9,25%13,75%+48,6%
2026Luiz Inácio Lula da Silva15%13,75%-8,3%

Em 2022, a taxa subiu 4,5 pontos percentuais ao longo do ano. Em 2026, até a decisão mais recente mencionada nos dados, houve redução de 1,25 ponto percentual.

Assim, enquanto o último ano eleitoral de Bolsonaro foi marcado por uma sequência de elevações da Selic, o ano eleitoral de Lula registra uma sequência de cortes desde março.

A comparação também evidencia que os dois anos partiram de níveis diferentes. A Selic iniciou 2022 em 9,25% e 2026 em 15%. Apesar dessa diferença no ponto de partida, a taxa chegou a 13,75% nos dois períodos considerados.

Decisões são tomadas pelo Copom

A definição da Selic cabe ao Copom, órgão responsável pelas decisões sobre a taxa básica de juros. Em 2022, durante a presidência de Roberto Campos Neto no Banco Central, o comitê elevou a taxa de 9,25% para 13,75% ao longo do ano.

Em 2026, o Copom realizou cinco cortes consecutivos, levando a taxa de 15% para 13,75%.

Os dados, portanto, permitem comparar a evolução da Selic nos dois anos em que os presidentes disputaram ou disputam a reeleição: a alta de 48,6% registrada em 2022 e a queda de 8,3% acumulada em 2026.