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Da Redação
Guerra no Oriente Médio depende do “fôlego” do Irã, diz analista militar
A evolução da guerra entre Estados Unidos, Irã e Israel dependerá principalmente da capacidade iraniana de sustentar o conflito por semanas. A avaliação é do analista militar e comentarista de geopolítica Robinson Farinazzo, capitão de fragata da reserva da Marinha do Brasil, em entrevista ao Jornal TVT News Primeira Edição. Leia em TVT News.
Segundo ele, apesar da superioridade aérea e naval dos Estados Unidos, o fator decisivo no conflito moderno não é apenas o controle do ar ou do mar, mas a capacidade de manter ataques constantes com mísseis e drones. Caso o Irã consiga prolongar os combates, afirma Farinazzo, o impacto econômico global pode gerar pressão política sobre Washington.
“O que vai ser determinante é o fôlego de cada um. Se o Irã tiver capacidade de arrastar essa guerra por algumas semanas, ele pode arrebentar com a economia da Europa e do Japão”, disse. “E aí o governo dos Estados Unidos vai sentir a pressão.”
Guerra de mísseis e drones
Durante a entrevista, Farinazzo criticou análises que apontam uma suposta queda de 80% nos ataques iranianos como sinal de enfraquecimento militar.
Para ele, esse tipo de comparação ignora fatores estratégicos e operacionais. “É uma comparação bizarra. No primeiro dia o Irã lançou 100 mísseis, o que é natural numa reação inicial. Se depois lança 20, isso não significa que perdeu capacidade”, afirmou.
O analista destaca que boa parte do arsenal iraniano é operada a partir de plataformas móveis espalhadas pelo território do país — que tem cerca de 1,4 milhão de quilômetros quadrados.
“Falar que os Estados Unidos têm superioridade aérea sobre o Irã não muda nada no número de ataques de mísseis”, explicou. “A maioria desses sistemas está em lançadores móveis que se deslocam por todo o país. São muito difíceis de destruir.”
Para Farinazzo, a guerra contemporânea tem cada vez mais como eixo central os sistemas de ataque remoto. “A guerra hoje é de mísseis e drones. O Irã tem muita maestria nisso”, afirmou.
Pressão econômica
Na avaliação do analista, um dos principais efeitos da continuidade do conflito será o impacto nos mercados de energia e nas economias globais.
Ele citou o aumento recente do preço do petróleo Brent e a disparada do gás na Europa como sinais de que a guerra já começa a afetar o sistema econômico internacional.
“O Brent já está subindo e o gás europeu disparou. Que economia aguenta isso por semanas?”, questionou.
Farinazzo avalia que, caso a pressão econômica se intensifique, o próprio governo dos Estados Unidos poderá buscar uma saída política para o conflito.
“Se o impacto nas bolsas e no petróleo crescer, o presidente pode simplesmente dizer que venceu e sair da guerra”, afirmou.
Sobrevivência do regime
Para o comandante da reserva, o resultado político da guerra não depende necessariamente de uma vitória militar total. A própria sobrevivência do regime iraniano já representaria um revés para Washington.
“O Irã ganha se não perder. Se o regime continuar ali, os Estados Unidos terão que explicar para o eleitor por que gastam mais de um trilhão de dólares por ano em defesa e não conseguem submeter um país que está sob sanções há quase 50 anos”, afirmou.
Ele lembra que derrotas ou impasses militares já tiveram consequências políticas para governos norte-americanos no passado, como ocorreu após a tentativa fracassada de resgate de reféns no Irã em 1980, durante o governo de Jimmy Carter.
Risco de escalada nuclear
Outro ponto abordado na entrevista foi a possibilidade de escalada extrema do conflito, incluindo o uso de armas nucleares.
Farinazzo disse que não considera essa hipótese impossível caso a guerra se prolongue e os Estados Unidos se vejam pressionados militarmente.
“O único país que já usou armas nucleares em guerra foi justamente o que está envolvido agora”, afirmou. “Se a situação chegar ao limite, eu não duvido que isso possa acontecer.”
Ele também citou o histórico de uso de armas controversas pelos Estados Unidos em conflitos anteriores, como o napalm e o agente laranja na Guerra do Vietnã.
Estratégia do Irã
Segundo o analista, uma das ações mais eficazes do Irã até agora foi atacar bases militares americanas no Golfo Pérsico, reduzindo a capacidade operacional da marinha dos Estados Unidos na região.
“Quando o Irã atingiu essas bases, ele praticamente manteve a marinha americana fora do estreito de Ormuz”, disse.
O estreito é uma das principais rotas marítimas de transporte de petróleo no mundo. Farinazzo explicou que o bloqueio dessa passagem não depende necessariamente de ocupação militar direta.
“O fechamento do estreito acontece pelo medo. Basta afundar um ou dois navios para as seguradoras elevarem o preço a níveis proibitivos. A partir daí, ninguém navega”, afirmou.
Papel do Brasil
Questionado sobre a posição do governo brasileiro diante do conflito, Farinazzo avaliou que o país tem capacidade limitada de interferir diretamente na crise.
Para ele, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva atua de forma pragmática ao manter cautela diplomática.
“O Brasil não tem condições de fazer muito nesse momento. O máximo é manter uma posição equilibrada e evitar legitimar a guerra”, afirmou.
Apesar das incertezas, Farinazzo conclui que o conflito ainda está em fase inicial e que qualquer previsão definitiva é arriscada.
“Tudo depende do fôlego. Se o Irã conseguir manter a pressão com mísseis por semanas, o cenário pode mudar completamente. A partir daí, qualquer coisa pode acontecer”, disse.
PGR pede arquivamento de inquérito sobre desvio de joias por Bolsonaro
A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu nesta quinta-feira (5) o arquivamento da investigação sobre o suposto desvio de joias sauditas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. O pedido foi encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF). Saiba mais na TVT News.
As joias em questão foram entregues a Bolsonaro como presente pelos mandatários da Arábia Saudita. Esses e outros itens, como dois relógios de luxo, foram subtraídos do acervo presidencial e vendidos nos Estados Unidos, segundo delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens da Presidência da República.
Para a PGR, porém, as regras existentes não deixam claro se os presentes recebidos durante o mandato são do ocupante do cargo ou do Estado, motivo pelo qual não se poderia falar em crime cometido por Bolsonaro.
“A propriedade dos bens recebidos pelo Presidente da República durante o exercício do mandato é marcada por persistente indeterminação normativa, em que se sucedem aproximações infralegais fragmentárias e oscilantes”, diz o parecer do órgão acusador.
A manifestação contraria relatório da Polícia Federal (PF), que em julho de 2024 indiciou Bolsonaro e mais 11 investigados pelo desvio de presentes de alto valor do acervo presidencial para serem vendidos em proveito pessoal do ex-presidente.
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A PF disse ter identificado uma associação criminosa cujo objetivo seria, especificamente, desviar e vender objetos de valor recebidos por Bolsonaro como presente oficial. O valor somado dos itens desviados, segundo o relatório policial, teria chegado a R$ 6,8 milhões.
“Identificou-se ainda que os valores obtidos dessas vendas eram convertidos em dinheiro em espécie e ingressavam no patrimônio pessoal do ex-presidente da República, por meio de pessoas interpostas e sem utilizar o sistema bancário formal, com o objetivo de ocultar a origem localização e propriedade dos valores”, aponta o relatório da PF.
Entre os itens que foram desviados estão esculturas de um barco e de uma palmeira folhados a ouro, recebidos por Bolsonaro durante viagem ao Bahrein, em 2021, por exemplo.
A defesa de Jair Bolsonaro sempre afirmou que o ex-presidente não tinha “qualquer ingerência” sobre os presentes recebidos durante as viagens presidenciais.
Com Agência Brasil
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Final do Baianão terá clássico BaVi, com transmissão da TVT
Bahia e Vitória decidem o Campeonato Baiano – o Baianão – neste sábado, às 17h, com transmissão a partir das 16h30 pela TVT, no canal 44.1 em São Paulo, e pelo YouTube da TVE Bahia. Leia em TVT News.
O Campeonato Baiano 2026 chega ao momento decisivo neste sábado com o clássico entre Esporte Clube Bahia e Esporte Clube Vitória. A final do estadual será disputada às 17h, com transmissão ao vivo pela TVT a partir das 16h30, em parceria com a TVE da Bahia.
A decisão coloca frente a frente os dois clubes após campanhas que passaram por semifinais intensas no último fim de semana. O Bahia garantiu a vaga na final ao vencer a Sociedade Desportiva Juazeirense por 4 a 2, na Arena Fonte Nova, em Salvador.
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Os gols do Tricolor foram marcados por William José, Erick Pulga, Cristian Oliveira e Sanabria, enquanto Bino e Vitinho descontaram para a equipe visitante. O resultado confirmou o favoritismo do Bahia na semifinal e colocou o clube em sua quarta final consecutiva do Campeonato Baiano.
Apesar da vitória convincente, o início da partida teve clima de cobrança por parte da torcida tricolor, especialmente após a eliminação precoce da equipe na Copa Libertadores. Dentro de campo, porém, o time respondeu com postura ofensiva e controle do jogo durante o primeiro tempo, criando diversas oportunidades e limitando as ações da Juazeirense.
Na etapa final, com vantagem de 3 a 0 no placar, o Bahia viu o adversário reagir e diminuir a diferença com dois gols. A tentativa de reação, no entanto, foi interrompida quando Sanabria marcou o quarto gol tricolor, fechando o placar em 4 a 2 e confirmando a classificação para a decisão.
Do outro lado do clássico, o Vitória conquistou a vaga na final após uma semifinal dramática contra o Esporte Clube Jacuipense. A partida terminou empatada por 1 a 1 no tempo regulamentar e foi decidida nos pênaltis, com vitória rubro-negra por 4 a 2.
O destaque da classificação foi o goleiro Lucas Arcanjo, que defendeu duas cobranças na disputa de penalidades e se tornou o herói da partida. O Vitória converteu todas as suas cobranças e confirmou presença na final do estadual.
Durante o tempo normal, o Rubro-Negro abriu o placar com Renato Kayzer, mas enfrentou dificuldades após a expulsão do volante Caíque Gonçalves ainda na primeira etapa. Com um jogador a mais, o Jacuipense pressionou e chegou ao empate no segundo tempo com Pedro Henrique, levando a decisão para as penalidades.
A classificação rubro-negra mantém viva a disputa pelo título estadual e prepara o cenário para mais um capítulo do tradicional clássico baiano na decisão da competição.
A final do Baianão terá transmissão da TVT para São Paulo pelo canal 44.1 da TV digital, além da exibição nacional pelo YouTube da TVE Bahia. A parceria entre as emissoras amplia o alcance do futebol baiano e permite que torcedores de diferentes regiões acompanhem o confronto decisivo.
Com campanhas marcadas por jogos movimentados e semifinais emocionantes, Bahia e Vitória chegam à final em busca do troféu estadual. O clássico deste sábado promete reunir rivalidade histórica, expectativa das torcidas e a disputa direta pelo título do Campeonato Baiano 2026.
São Paulo tem mais de 12 mil trabalhadores ambulantes; maioria atua sem autorização
Uma pesquisa inédita realizada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) traça um amplo retrato do comércio ambulante na cidade de São Paulo. O levantamento identificou 12.337 bancas de vendas e 12.671 trabalhadores nas principais áreas de concentração da atividade na capital paulista, revelando um setor marcado pela informalidade, jornadas extensas e uma diversidade social que inclui grande número de imigrantes. Leia em TVT News.
O estudo, intitulado Mapeamento das Trabalhadoras e dos Trabalhadores Ambulantes da Cidade de São Paulo, foi realizado com apoio de entidades representativas da categoria. As entrevistas ocorreram entre julho e agosto de 2025 em 70 das 244 áreas da cidade que concentram comércio de rua.
Entre os locais pesquisados estão estações de metrô e trem, terminais de ônibus, centralidades comerciais, hospitais e Unidades de Pronto Atendimento, unidades do Poupatempo, parques, universidades e regiões que se tornaram polos de compras informais. O levantamento focou apenas nos trabalhadores que atuam em pontos fixos.
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Os dados indicam que o comércio ambulante não é apenas uma atividade temporária ou de sobrevivência. Para grande parte dos trabalhadores, trata-se de uma ocupação consolidada ao longo do tempo. Segundo o estudo, 43% atuam na atividade há 11 anos ou mais.
Perfil social dos ambulantes
A pesquisa mostra que os homens predominam no setor: representam 63% dos ambulantes entrevistados. A idade média é de 40 anos e quase metade da categoria — 45% — é formada por pessoas pretas e pardas.
Outro dado relevante é a presença significativa de imigrantes. Cerca de 31% dos trabalhadores vêm de mais de 30 países, abrangendo quase todos os continentes. Os sul-americanos representam aproximadamente um quarto do total de ambulantes da cidade, e os bolivianos constituem o principal grupo entre os estrangeiros, correspondendo a cerca de um quinto dos imigrantes.
Além disso, mais de três quartos dos trabalhadores (76%) são proprietários das bancas em que atuam. A principal mercadoria vendida no comércio ambulante é o vestuário, responsável por 55% das vendas.
Falta de autorização e insegurança
Um dos principais desafios enfrentados pela categoria é a ausência de autorização para trabalhar nas vias públicas. O estudo revela que apenas uma parcela minoritária possui permissão do poder público.
De acordo com o levantamento, 56% dos ambulantes atuam sem licença para exercer a atividade. Entre esses trabalhadores, 80% afirmam ter interesse em regularizar a situação e obter autorização oficial.
A falta de regularização expõe os trabalhadores a riscos constantes. Quase metade dos entrevistados relatou conviver há mais de seis anos com a possibilidade de sofrer punições ou apreensão de mercadorias.
A violência também aparece como problema recorrente. Cerca de 24% dos ambulantes disseram ter sofrido ao menos um tipo de agressão ou abuso no exercício do trabalho. Entre as ocorrências relatadas estão confisco de mercadorias pelo chamado “rapa” ou pela polícia, extorsão e violência física ou verbal.
O confisco de produtos foi o episódio mais comum, vivenciado por 38% dos trabalhadores. Já extorsões ou pedidos de propina e casos de violência policial foram relatados por 18% dos entrevistados.
Jornadas extensas e renda inferior
O levantamento mostra que os ambulantes enfrentam jornadas mais longas do que a média dos trabalhadores da capital paulista.
Enquanto cerca de 74% dos ocupados da cidade trabalham até 44 horas semanais — limite estabelecido pela legislação trabalhista — entre os ambulantes esse percentual é menor, de 56%. Por outro lado, 44% trabalham mais do que esse limite. Entre esses, quase 30% chegam a cumprir jornadas superiores a 51 horas semanais.
Mesmo com carga de trabalho elevada, a renda média da categoria é significativamente menor. Os ambulantes ganham, em média, R$ 3 mil por mês. O valor corresponde a pouco mais da metade da renda média dos trabalhadores ocupados na capital paulista, estimada em R$ 5.323,04.
Baixa proteção social
A informalidade também se reflete no acesso à proteção social. Entre os ambulantes que possuem licença para trabalhar, apenas 24% contribuem para a Previdência Social. Já entre os que não têm autorização, o percentual cai para 18%.
A formalização como microempreendedor também é limitada. Segundo a pesquisa, 52% dos trabalhadores afirmaram não possuir registro como Microempreendedor Individual (MEI).
Discriminação e reivindicações
O estudo aponta ainda que o preconceito faz parte da realidade do comércio ambulante. Cerca de 31% dos trabalhadores disseram já ter sofrido algum tipo de discriminação.
Entre os que relataram episódios discriminatórios, 81% atribuem o problema ao fato de serem ambulantes. Casos de racismo foram citados por 14% dos trabalhadores negros ou pardos, enquanto 13% das mulheres relataram ter sofrido misoginia. Entre os imigrantes, 25% afirmaram ter sido vítimas de xenofobia.
Diante desse cenário, a principal reivindicação da categoria ao poder público é a regularização dos pontos de venda. Essa demanda foi mencionada por 66% dos entrevistados.
Outras reivindicações incluem o fim das apreensões de mercadorias, a flexibilização das regras para funcionamento das bancas, melhores condições de infraestrutura — como acesso a água, energia e internet — e a disponibilização de banheiros públicos.
Apesar das dificuldades, a maioria dos trabalhadores afirma permanecer na atividade por escolha. Segundo o levantamento, 73% disseram que não gostariam de mudar de profissão.
Para viabilizar o mapeamento, os movimentos de ambulantes buscaram financiamento por meio de emendas parlamentares de vereadores e de deputados estaduais e federais comprometidos com a pauta do trabalho. O Dieese também contribuiu com recursos obtidos por emenda parlamentar federal para custear a pesquisa.
Aliado de Bolsonaro, Ciro Nogueira é citado como “amigo” de Vorcaro
Mensagens atribuídas ao empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, indicam uma relação de proximidade com o senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro da Casa Civil do governo Jair Bolsonaro. Em conversas privadas obtidas por veículos de imprensa, Vorcaro se refere ao parlamentar como “um dos meus grandes amigos de vida” e celebra uma emenda apresentada pelo senador que poderia beneficiar o banco. Leia em TVT News.
Os diálogos fazem parte de um conjunto de mensagens reunidas em investigações e analisadas por parlamentares e autoridades no contexto do escândalo financeiro envolvendo o Banco Master, instituição que foi liquidada pelo Banco Central após suspeitas de fraudes bilionárias e irregularidades no sistema financeiro.
Segundo as mensagens reveladas, Vorcaro comentou com sua namorada, a blogueira Martha Graeff, sobre uma proposta legislativa apresentada por Ciro Nogueira durante a tramitação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que tratava da autonomia orçamentária do Banco Central.
Na conversa, o banqueiro afirma que a iniciativa do senador teria grande impacto no setor financeiro. “Ciro soltou um projeto de lei agora que é uma bomba atômica no mercado financeiro!”, escreveu. Em seguida, acrescentou: “Ajuda os bancos médios e diminui poder dos grandes! Está todo mundo louco”.
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A proposta mencionada era uma emenda que pretendia elevar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) — espécie de seguro para depósitos bancários — dos atuais R$ 250 mil para até R$ 1 milhão por depositante. A mudança poderia beneficiar especialmente bancos de médio porte, como o Master, que ofereciam aplicações com rendimentos elevados para atrair investidores.
Os certificados de depósito bancário (CDBs) do Banco Master chegaram a oferecer rentabilidade de até 140% do CDI, um patamar acima da média do mercado. Nas campanhas de marketing, a instituição frequentemente destacava a proteção do FGC como garantia para os investidores.
No entanto, a emenda apresentada por Ciro Nogueira enfrentou resistência de entidades do sistema financeiro e acabou não sendo incorporada ao texto final aprovado pelo Congresso.
As mensagens também mostram que Vorcaro acompanhava de perto a repercussão da proposta. Em determinado momento, ele afirma que estava recebendo diversas ligações após a apresentação da emenda. “Todo mundo me ligando. Sentiram o golpe”, escreveu, sugerindo que a medida havia provocado reação imediata no mercado financeiro.
Além da comemoração da iniciativa legislativa, os diálogos revelam que o empresário tratava o senador como um amigo próximo. Em uma conversa de maio de 2024, Vorcaro diz à namorada que gostaria de apresentá-la ao parlamentar. “Quero te apresentar. Um dos meus grandes amigos de vida”, escreveu.
Em outras mensagens, o banqueiro comenta sobre o casamento da filha do senador, Duda Nogueira, e demonstra interesse em participar da cerimônia acompanhado da namorada, o que reforça o tom pessoal da relação descrita nas conversas.
Ciro Nogueira desdenha do “amigo” Vorcaro
Procurado pela imprensa, Ciro Nogueira afirmou, por meio de sua assessoria, que troca mensagens com muitas pessoas e que isso não significa proximidade pessoal.
“O senador mantém diálogos por mensagens com centenas de pessoas, o que não o torna próximo apenas por, eventualmente, interagir com elas”, disse a nota enviada pela equipe do parlamentar.
A assessoria também afirmou que o senador está tranquilo em relação às investigações envolvendo Vorcaro. Segundo o comunicado, Nogueira “não mantém nem nunca manteve qualquer conduta inadequada relacionada ao caso em apuração”.
O escândalo envolvendo o Banco Master ganhou dimensão nacional a partir de 2025, quando investigações da Polícia Federal e de órgãos reguladores apontaram suspeitas de fraudes financeiras, corrupção e lavagem de dinheiro ligadas à instituição.
O banco havia experimentado crescimento acelerado nos últimos anos, impulsionado principalmente pela oferta de aplicações com rentabilidade elevada. Esse modelo de expansão chamou a atenção de reguladores e do mercado após surgirem indícios de irregularidades nas operações financeiras da instituição.
Em novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master, e Vorcaro passou a ser alvo de investigações criminais que apuram fraudes bilionárias, corrupção e até ameaças contra jornalistas e autoridades.
O caso também chegou ao Congresso Nacional, onde parlamentares discutem a criação de comissões parlamentares de inquérito para investigar o funcionamento do banco e possíveis conexões políticas.
Nesse contexto, as mensagens que citam Ciro Nogueira reforçam a linha de apuração sobre as relações do banqueiro com figuras influentes do cenário político e econômico brasileiro — um dos pontos centrais das investigações em curso sobre o escândalo do Banco Master.
Senado aprova acordo entre Mercosul e União Europeia
O Senado Federal aprovou nesta quarta-feira (4), em votação unânime, o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia.
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Com o tratado, o bloco sul-americano, composto por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, vai zerar tarifas sobre 91% dos bens europeus em até 15 anos. Já União Europeia eliminará tarifas sobre 95% dos bens vendidos pelo Mercosul em até 12 anos.
O Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 41/2026, que ratifica o acordo, ainda precisa ser promulgado pelo presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (União-AP), ato que concluirá a internalização do pacto comercial pelo Parlamento brasileiro. Esta era a última etapa para a entrada em vigor dos termos do tratado.
Na prática, o acordo estabelece a maior zona de livre comércio do mundo, com mais de 720 milhões de habitantes.
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A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) estima que a implementação do acordo pode incrementar as exportações brasileiras em cerca de US$ 7 bilhões e ampliar a diversificação das vendas internacionais brasileiras, beneficiando inclusive à indústria nacional. Os parlamentos de Argentina e Uruguai já haviam aprovado o acordo na semana passada.
Do lado da União Europeia, o Parlamento Europeu pediu, em janeiro, que o Tribunal de Justiça do bloco faça uma avaliação jurídica sobre o acordo. Porém, na última semana, a presidente da Comissão Europeia, Usrula von der Leyen, afirmou que a UE aplicará o acordo de forma provisória a partir de maio, mesmo com a pendência de análise judicial.
O tratado conta com forte apoio de países como Alemanha e Espanha, mas enfrenta resistências principalmente da França, que teme perda de concorrência no setor agropecuário.
Pedro Rafael Vilela – Repórter da Agência Brasil

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O que é notícia no Jornal TVT News Primeira Edição | 05-03-2026
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