Da Redação
Lula abre o sigilo e desafia Flávio Bolsonaro a fazer o mesmo
Lula apresenta documentos que entregará ao STF e TSE para acesso aos sigilos bancário e telefônico dele e de seus cinco filhos e cobrou que o adversário, Flávio Bolsonaro, faça o mesmo. Saiba mais sobre o desafio de Lula com a TVT News.
Sigilo de Lula e Flávio Bolsonaro: entenda os principais pontos
- Qual foi o desafio de Lula: o presidente cobrou que Flávio Bolsonaro também autorize o acesso aos seus sigilos bancário e telefônico, além dos dados de familiares e empresas.
- O que Lula pretende entregar à Justiça: documentos para formalizar a autorização de acesso aos próprios dados bancários e telefônicos e aos de seus cinco filhos, com encaminhamento ao STF e ao TSE.
- Quais casos colocam Flávio sob questionamento: o financiamento do filme Dark Horse, as relações com o advogado Willer Tomaz, as viagens em aeronaves privadas e outros episódios envolvendo patrimônio e movimentações financeiras.
- Dark Horse, Willer Tomaz, rachadinha, INSS, loja de chocolate: quais os sigilos de Flávio Bolsonaro: o senador é alvo de investigações que envolvem um inquérito sobre o financiamento do filme Dark Horse com recursos do banqueiro Daniel Vorcaro, outro sobre suposta lavagem de dinheiro na relação com o advogado Willer Tomaz (ligado a fraudes no INSS), além do histórico caso da “rachadinha” em seu antigo gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
Lula desafia Flávio Bolsonaro a abrir os sigilos
Durante o debate da Band, Lula foi direto ao propor a abertura mútua dos sigilos.
“Eu vou fazer uma proposta para você para amanhã abrirmos a nossa conta bancária e o nosso sigilo bancário para que o povo brasileiro saiba quem é ladrão nesse país. Eu abro da minha família e você abre da sua. Nós entregamos para o presidente da Suprema Corte e do Tribunal Superior Eleitoral o seu documento e o meu para avaliarem antes das eleições, para que o povo saiba quem é corrupto e ladrão, porque, senão, eles vão ser enganados de novo”.
No dia seguinte, em vídeo publicado no Instagram, o presidente repetiu o desafio e acrescentou a cobrança para que Flávio também abra os sigilos do pai e dos irmãos.
“Eu fiz o desafio porque vou preparar uma procuração de todos os meus filhos, a minha, para autorizar quebrar meu sigilo bancário, desde que ele se disponha a fazer o mesmo. Dele, dos pais dele, dos irmãos dele. Para a gente saber quem é que rouba quem nesse País. Para ele explicar como comprou uma casa de milhões, sendo que ganha o mesmo salário que eu ganho”.
“Eu estou cansado de ver ladrões acusando gente honesta. Eu estou cansado de ver milicianos acusando gente honesta”.
Ainda segundo Lula, o objetivo é que a Justiça Eleitoral faça a avaliação patrimonial dos envolvidos e divulgue o resultado. “A única coisa que eu estou pedindo é que ele tenha coragem de provar que é honesto, que faça como estou fazendo. E eu quero que a Justiça investigue e divulgue para o povo brasileiro saber quem é ladrão e quem não é ladrão”.
Qual o desafio de Lula para Flávio Bolsonaro
O desafio lançado por Lula tem contornos práticos. O presidente afirmou que o documento com a autorização para a quebra de seu sigilo e do de seus cinco filhos será entregue pessoalmente ao presidente do TSE, ministro Kássio Nunes Marques, nesta terça-feira (20).
A expectativa é de que Flávio Bolsonaro apresente documento equivalente, abrangendo suas empresas e seus familiares, para que ambos sejam submetidos ao mesmo escrutínio antes do segundo turno.
A cobrança também foi direcionada ao patrimônio do senador. Lula questionou publicamente como Flávio comprou uma mansão avaliada em R$ 10 milhões, recebvendo o mesmo valor de salário do presidente da República.
Nesta segunda-feira (19), em Porto Alegre (RS), Lula desafiou o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) a adotar a mesma medida, incluindo informações de empresas e familiares. A iniciativa ocorre após o confronto entre os dois no debate presidencial da Band e em meio a questionamentos sobre o patrimônio do senador e as investigações envolvendo o financiamento do filme Dark Horse.
“Eu não posso admitir que fui presidente três vezes, moro em um apartamento comprado em 1998, e não posso aceitar que um cidadão que ganha o mesmo salário que o presidente da República possa comprar uma casa de R$ 10 milhões à vista sem explicar de onde vem o dinheiro”.
Quem não deve, não teme: estou abrindo meus sigilos e desafio Flávio Bolsonaro a fazer o mesmo, incluindo suas empresas e sua família.
— Lula (@LulaOficial) October 19, 2026
O Brasil merece transparência. Na hora de votar, é preciso saber quem está do outro lado.
Essa é uma luta pela minha honra, pela minha família… pic.twitter.com/eS9pWq0ETX
Flávio Bolsonaro reagiu com ironia no debate. Disse que Lula “nem tem celular” e que suas contas “sempre estiveram abertas” e declaradas à Receita Federal. Não respondeu, porém, se aceitaria ou não o desafio de abrir os sigilos bancário e telefônico.
Vorcaro, Dark Horse, Willer Tomaz, rachadinha, INSS, avião, loja de chocolate: quais os sigilos de Flávio Bolsonaro?
O desafio de Lula ganha peso quando se observa o histórico de investigações que recaem sobre Flávio Bolsonaro. O senador é alvo de pelo menos dois inquéritos em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF).
O primeiro apura o pedido de recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para o financiamento do filme Dark Horse. Vorcaro é apontado como pivô do escândalo do Banco Master, e a investigação tramita sob relatoria do ministro André Mendonça.
O segundo inquérito, distribuído ao ministro Alexandre de Moraes, investiga suspeitas de lavagem de dinheiro na relação entre Flávio e o advogado Willer Tomaz.
A Polícia Federal identificou vínculos entre o advogado e o senador após analisar a quebra do sigilo da nuvem do celular de Tomaz, que também é investigado por fraudes no INSS.

Além desses casos, o histórico de Flávio Bolsonaro inclui o esquema conhecido como “rachadinha”, ocorrido quando era deputado estadual no Rio de Janeiro, e a aquisição de uma mansão avaliada em R$ 6 milhões quitada em apenas três anos, com financiamento do BRB em condições abaixo do mercado.
Rachadinha e loja de chocolates
Flávio Bolsonaro também foi investigado no caso conhecido como rachadinha, relacionado à suspeita de recolhimento de parte dos salários de servidores de seu gabinete quando era deputado estadual no Rio de Janeiro.
O Ministério Público do Rio de Janeiro apontou indícios de movimentações financeiras suspeitas e questionou operações imobiliárias e transações de uma franquia de chocolates da qual o senador foi sócio. Segundo a investigação, a loja poderia ter sido utilizada para movimentar recursos do suposto esquema.
O caso foi encerrado após decisões judiciais que invalidaram provas obtidas por meio de quebras de sigilo consideradas ilegais. O encerramento não deve ser apresentado como condenação, tampouco como comprovação das acusações. Flávio nega irregularidades
Daniel Vorcaro e o financiamento de Dark Horse
Um dos principais assuntos da disputa é o financiamento de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro. Documentos analisados pela Polícia Federal apontaram que Flávio atuou como interlocutor nas negociações de recursos com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

Reportagens sobre a investigação mencionaram negociações de pelo menos US$ 24 milhões para a produção, dos quais uma parte teria sido efetivamente transferida. A apuração busca esclarecer a origem e o destino dos recursos, inclusive possíveis operações no exterior. A investigação não equivale a uma condenação do senador.
Patrimônio e compra de imóvel em Brasília
O patrimônio declarado por Flávio Bolsonaro também entrou no debate eleitoral. Segundo levantamento da Folha de S.Paulo, o senador declarou R$ 8,18 milhões em bens em 2026, valor superior ao informado em 2018, quando declarou R$ 2,63 milhões, em valores corrigidos pela inflação.
A declaração de bens inclui uma casa em Brasília avaliada em R$ 6,2 milhões. A campanha do senador informou que a aquisição foi quitada com recursos provenientes de sua atividade profissional e da venda de patrimônio. A origem dos recursos e as operações financeiras relacionadas ao imóvel passaram a ser objeto de questionamentos públicos.
Lula, ao anunciar a autorização para acesso aos próprios sigilos, cobrou que Flávio apresente explicações sobre a origem dos recursos usados na compra do imóvel e aceite que os dados sejam examinados pelas autoridades.
Leia também
Flávio Bolsonaro quer prazo de 2 anos para desligar Bolsa Família e 2 milhões podem perder benefício
A coordenadora de políticas econômicas da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), Daniella Marques, informou que o programa Bolsa Família passará por uma regra de transição de dois anos caso o candidato seja eleito. A declaração foi dada em entrevista à CBN Bahia, na qual Marques afirmou que os beneficiários terão um prazo de 24 meses para “abrir um negócio” ou “aceitar um emprego de carteira assinada”.
A medida, segundo a coordenadora, tem como objetivo “estimular a autonomia financeira das famílias”, mas levanta questionamentos sobre o futuro de milhões de brasileiros que dependem do auxílio. Entenda o que pode acontecer com o Bolsa Família na TVT News.
Bolsa Família: entenda o que está em jogo
- O que diz Daniella Marques: a coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro defende uma transição de dois anos para que beneficiários consigam emprego formal ou abram um negócio.
- Como funciona a regra de proteção: atualmente, sob o Governo Lula, o programa já permite que famílias que aumentam a renda continuem recebendo parte do auxílio por um período determinado.
- Quantas pessoas podem ser afetadas: a imagem de referência aponta cerca de 2,15 milhões de famílias na regra de proteção, o equivalente a aproximadamente 4 milhões de pessoas.
- O que Flávio Bolsonaro já disse: a proposta da equipe econômica contrasta com declarações públicas do candidato sobre a preservação dos benefícios sociais.
- Postagens sobre o Bolsa Família: publicações nas redes sociais apontam que Flávio apagou mensagens antigas em que criticava o programa
O que Daniella Marques disse sobre o Bolsa Família
Em entrevista à CBN Bahia, Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal, afirmou que a intenção é criar uma “regra de transição de dois anos” para os beneficiários do Bolsa Família. Segundo ela, o período serviria para que as pessoas pudessem “abrir seu negócio, ou aceitar emprego de carteira assinada”, com a garantia de “um retorno automático caso dê errado”.
Marques argumentou que “as pessoas não podem ficar presas para sempre no Bolsa Família” e classificou o programa como “o início de uma jornada” em busca de mais oportunidade e dignidade. A coordenadora também mencionou a criação de um “Ministério da Prosperidade”, que ofereceria crédito e capacitação para ajudar as famílias a deixarem o programa.
2 milhões de pessoas que recebem Bolsa Família correm risco, entenda
O risco de perda do benefício afeta diretamente um contingente significativo de famílias. De acordo com dados oficiais, cerca de 2,15 milhões de famílias (o equivalente a aproximadamente 11% do total de 19,29 milhões de beneficiários) estão atualmente sob a Regra de Proteção, recebendo 50% do valor do benefício.
Em termos de pessoas físicas, considerando que cada núcleo familiar costuma ter mais de um integrante cadastrado, esse mecanismo protege cerca de 4 milhões de brasileiros.

A proposta de Marques de estender a transição para dois anos, embora mantendo o benefício integral durante o período, impõe um prazo limite para a permanência no programa.
Atualmente, a Regra de Proteção permite que as famílias continuem recebendo 50% do valor por até 12 meses (com possibilidade de prorrogação para 18 meses em algumas situações), desde que a renda por pessoa não ultrapasse R$ 706.
A mudança sugerida por Flávio Bolsonaro, portanto, alteraria a dinâmica de permanência e a segurança financeira dessas famílias.
Não apaga, não: Flávio Bolsonaro começou a apagar postagens em que critica Bolsa Família
No mesmo dia em que Daniella Marques defendeu a regra de transição, o senador Flávio Bolsonaro apagou de seu perfil no X (antigo Twitter) uma série de publicações antigas em que atacava o Bolsa Família. Entre os posts excluídos, estavam frases como “eleitores votam em troca de alguma coisa” e “trocar voto por cesta básica e bolsa família”. Em outras publicações, o senador classificava o programa como de “caráter clientelista eleitoral” e o chamava de “bolsa-farelo”.
As postagens apagadas também revelam que Flávio Bolsonaro já defendeu abertamente a limitação do tempo de recebimento do benefício. Em 2011, quando era deputado estadual, ele afirmou ter apresentado emendas para “limitar em 2 anos” o recebimento de um programa social no Rio de Janeiro. A exclusão das mensagens ocorre em um momento eleitoral sensível, levantando questionamentos sobre a coerência de seu discurso atual em defesa do programa social.
Veja o que Flávio Bolsonaro já falou sobre o Bolsa Família
Flávio Bolsonaro chamava o benefício de Bolsa Farelo:



O vereador Nabil Bonduki (PT) fez um levantamento do que Flávio Bolsonaro já falou sobre o benefício.
Para quem não acredita que Flávio Bolsonaro quer LIMITAR o Bolsa Família a dois anos, vejam a emenda que fez ao programa social do RJ: limite de dois anos, inclusive não consecutivos. De quebra, quem recebe não poderia entrar em universidades por cotas de PCD, alunos da rede… https://t.co/8xpF1iTlF4 pic.twitter.com/aaqXBXnBaT
— Nabil Bonduki 🏡 (@NabilBondukiSP) October 19, 2026
Sem Bolsa Família, número de famílias em risco de insegurança alimentar grave seria o dobro
O número de famílias em risco de insegurança alimentar e nutricional seria o dobro caso não existisse o Bolsa Família. É o que mostra o Indicador de Risco de Insegurança Alimentar Grave Municipal (CadInsan). Sem o programa, o número de famílias do Cadastro Único em risco de insegurança alimentar e nutricional teria passado de 2,3 para 4,7 milhões, considerando dados de janeiro de 2025.

O CadInsan é desenvolvido pela Secretaria Extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome (SECF) do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS). Ele permite simular cenários e medir o impacto das políticas públicas. Para se chegar no indicador, é feito o cruzamento de dados socioeconômicos do Cadastro Único.
A partir das informações sociais e econômicas das famílias, são feitas análises estatísticas daquelas em insegurança alimentar grave apontadas pela Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (Ebia) nas pesquisas domiciliares do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Risco de morte materna cai até 31% entre quem recebe o Bolsa Família
Estudos desenvolvidos ao longo da última década por pesquisadores do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs), da Fiocruz Bahia, associam a participação no Programa Bolsa Família à redução da mortalidade materna e infantil. Saiba mais na TVT News.
Também foi observada queda na incidência de doenças infecciosas e de internações relacionadas a transtornos mentais.
Uma das evidências consideradas mais robustas pelos pesquisadores está relacionada à saúde materna e infantil. Entre as mulheres beneficiárias do programa, o risco de morte por causas relacionadas à gravidez e ao parto foi até 31% menor em comparação com aquelas que não recebiam o benefício.

Segundo os pesquisadores, o resultado está associado, entre outros fatores, ao maior acesso ao pré-natal e aos serviços de saúde estimulados pelas condicionalidades do programa.
Os efeitos também aparecem no início da vida. Em estudo que analisou mais de 4 milhões de nascimentos, as gestantes beneficiárias apresentaram menor probabilidade de dar à luz crianças com baixo peso ao nascer. O impacto foi ainda mais expressivo entre mães pretas e indígenas.
Outras pesquisas identificaram redução na ocorrência de partos prematuros e queda de 16% na mortalidade de crianças menores de cinco anos entre famílias atendidas pelo Bolsa Família.
Leia também
Aliado de Bolsonaro integra empresa que diz ter direitos a mineração de urânio no Brasil
O almirante Flávio Augusto Viana Rocha, que atuou como secretário de Assuntos Estratégicos durante o governo Jair Bolsonaro (PL), passou a integrar o Conselho de Administração da Atlas Lithium, mineradora com sede na Flórida, nos Estados Unidos. A empresa anunciou sua nomeação em abril e estabeleceu remuneração mensal de R$ 50 mil pelo cargo. Leia em TVT News.
Segundo reportagem do observatório De Olho nos Ruralistas, a companhia informou a investidores norte-americanos, em agosto, possuir 39 direitos minerários associados a urânio, distribuídos por seis estados brasileiros e abrangendo 143,7 mil hectares. A Agência Nacional de Mineração (ANM), porém, não reconhece direitos de pesquisa de urânio nesses registros. De acordo com a reportagem, os processos aparecem formalmente associados a outros minerais, como cobre, grafite, fosfato e terras raras.
A Atlas Lithium tem como principal projeto a exploração de lítio no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais. Por meio de empresas controladas, também atua em áreas de interesse para minerais considerados estratégicos para a indústria tecnológica, a transição energética e a produção de equipamentos militares.
>> Siga o grupo da TVT News no WhatsApp
Almirante atuou no governo Bolsonaro
Flávio Rocha assumiu a Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República em março de 2021. Durante o governo Bolsonaro, participou de iniciativas relacionadas à mineração, à energia e ao Plano Nacional de Fertilizantes, além de atuar em contatos diplomáticos com outros países.
Conhecido como “sombra” do ex-presidente pela presença frequente em reuniões reservadas, o almirante também participou da reunião de Jair Bolsonaro com embaixadores estrangeiros em 2022, quando o então presidente fez ataques ao sistema eleitoral brasileiro. Segundo informações citadas pelo observatório, Rocha ajudou a elaborar o discurso apresentado naquele encontro.
Em 2023, durante o governo Lula, o militar foi indicado pela Marinha para assumir a Secretaria Naval de Segurança Nuclear e Qualidade, mas sua indicação foi barrada após pressão do Ministério das Relações Exteriores.
Empresa tem projeto de lítio no Vale do Jequitinhonha
A Atlas Lithium desenvolve o Projeto Neves, voltado à exploração de lítio em Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha. O projeto foi apresentado durante um fórum sobre minerais críticos promovido pelos Estados Unidos em São Paulo, em março.
O observatório relata que o governo norte-americano anunciou, em parceria com o Japão, um acordo de investimentos que prevê recursos para atividades da empresa em Minas Gerais. A japonesa Mitsui está entre os principais acionistas da Atlas Lithium.
O interesse internacional por minerais críticos está relacionado à disputa por cadeias de fornecimento de matérias-primas utilizadas em baterias, tecnologias avançadas e equipamentos de defesa. Atualmente, a China ocupa posição de destaque nesse mercado.
Plano de Flávio Bolsonaro prevê ampliar participação privada na mineração
Durante discurso na Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), no Texas, em abril, Flávio Bolsonaro afirmou que o Brasil poderia se tornar um fornecedor de minerais críticos para os Estados Unidos.
No plano de governo apresentado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o candidato do PL defende parcerias internacionais para a exploração desses recursos e propõe que o Estado atue como regulador, em vez de empresário. O documento também prevê acelerar o licenciamento ambiental e os processos relacionados aos direitos minerários.
Segundo a reportagem, a proposta abre caminho para ampliar a participação de empresas privadas na exploração de urânio, atividade submetida ao monopólio estatal no Brasil.
Conselheiro da Atlas tem ligação com o bolsonarismo
Outro integrante do conselho da Atlas Lithium é Roger Noriega, ex-embaixador dos Estados Unidos na Organização dos Estados Americanos (OEA) durante o governo de George W. Bush. Ele preside o comitê de remuneração da companhia, responsável por recomendar o pagamento mensal de R$ 50 mil a Flávio Rocha.
Noriega tem histórico de aproximação com integrantes do bolsonarismo. Em artigo publicado em 2020, defendeu uma aliança regional entre Brasil e Estados Unidos e apontou Jair Bolsonaro como parceiro para a agenda norte-americana na América Latina.
O observatório também relata que Noriega se reuniu com Eduardo Bolsonaro e Marco Rubio em Washington, em 2018. Rubio, que atualmente ocupa o cargo de secretário de Estado dos Estados Unidos no governo Donald Trump, é apontado pela reportagem como um dos aliados de Eduardo Bolsonaro na articulação de sanções contra o Brasil.
EUA emitem ordem para prender Raul Castro
A Justiça dos Estados Unidos emitiu uma ordem de prisão contra o ex-presidente de Cuba Raúl Castro. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (19) pelo procurador-geral da Flórida, James Uthmeier, em um processo relacionado à derrubada de duas aeronaves em fevereiro de 1996. Leia em TVT News.
Castro é acusado de conspiração para cometer homicídio em primeiro grau. O caso envolve a morte de quatro pessoas que estavam a bordo de aviões da organização Hermanos al Rescate (Irmãos ao Resgate), formada por cubanos exilados nos EUA.
>> Siga o grupo da TVT News no WhatsApp
Acusações envolvem derrubada de aviões em 1996
O episódio ocorreu em 24 de fevereiro de 1996, quando duas aeronaves da organização foram abatidas por caças MiG das Forças Armadas cubanas. Os aviões realizavam operações relacionadas ao monitoramento e ao auxílio de cubanos que tentavam deixar a ilha por via marítima em direção aos EUA.
Segundo a acusação norte-americana, as aeronaves estavam desarmadas e foram interceptadas antes de serem derrubadas sobre águas internacionais, no Estreito da Flórida. Quatro pessoas morreram. Uma terceira aeronave, que transportava José Basulto, fundador e líder da organização, conseguiu escapar.
Na época do episódio, Raúl Castro ocupava o cargo de ministro da Defesa no governo de seu irmão, Fidel Castro.
Governo cubano ainda não havia se pronunciado
Até a última atualização da reportagem, o governo cubano, atualmente comandado por Miguel Díaz-Canel, não havia se manifestado sobre a ordem de prisão.
A decisão foi anunciada em meio à pressão dos Estados Unidos sobre Cuba e às negociações entre os dois países.
Marcelo Aguiar: quem é o deputado bolsonarista preso em SP
O deputado estadual Marcelo Aguiar (PL-SP), que se apresenta publicamente como um político de “valores cristãos” e cantor gospel, foi preso na madrugada desta segunda-feira (19) após disparar uma arma de fogo, em estado de embriaguez, dentro do bar Santo Cupido, no Itaim Bibi, zona sul de São Paulo. Saiba detalhes com a TVT News.
O tiro atingiu de raspão o pé do apresentador Fred Bruno, do Globo Esporte, que se manifestou nas redes sociais e afirmou que “poderia ter acontecido algo muito pior”. Horas antes do episódio, o deputado bolsonarista havia participado de um ato de campanha de Flávio Bolsonaro (PL) na Avenida Paulista e publicado fotos da presença no evento.
A contradição entre a imagem de cristão dedicado à família e a conduta na noite paulistana expõe o fosso entre o discurso e a prática de um parlamentar que tentou a reeleição em 2026, mas não conseguiu se eleger.
Resumo do caso: o que se sabe sobre Marcelo Aguiar
- Deputado bolsonarista que se diz cristão é preso depois de fazer disparo em bar
- Quem é Marcelo Aguiar
- Testemunhas dizem que deputado bolsonarista estava mexendo com mulheres e estava bêbado
- Tiro acertou Fred Bruno, do Globo Esporte
- O apresentador foi atingido de raspão no pé. O disparo atingiu o tênis que ele calçava, rasgou o calçado e provocou inchaço. Fred Bruno disse que o caso é “muito sério” e que ouviu o disparo e sentiu um “impacto muito grande”.
- Carro usado por deputado bêbado tinha placa oficial adulterada
- O veículo BYD preto dirigido por Aguiar usava a placa AL103, da Alesp. No entanto, o registro oficial da Assembleia vincula essa placa a um Toyota Corolla, e não ao carro do deputado. A Alesp abriu apuração interna.
Marcelo Aguiar se diz cristão, mas foi preso, bêbado, em bar
A biografia oficial de Marcelo Aguiar na Alesp o descreve como alguém que “construiu uma trajetória marcada pelo compromisso com valores cristãos, pela defesa da família e, especialmente, pela proteção das crianças e adolescentes”.
Cantor gospel desde os anos 2000, ele integrou o grupo Renascer Praise e construiu uma carreira artística voltada ao público evangélico antes de se dedicar à política.

Na madrugada de segunda-feira, porém, a versão pública do deputado bolsonarista foi confrontada com a realidade dos fatos: testemunhas relataram que ele estava visivelmente embriagado, “mal podia caminhar” e se envolveu em uma confusão dentro do bar após importunar mulheres.
Segundo o boletim de ocorrência, o parlamentar estava em “estado de exaltação” e representava “fundado receio de risco à integridade física própria ou de terceiros”. Após o disparo, ele foi algemado, levado à delegacia e chorou na unidade policial.
Veja imagens da prisão do deputado bolsonarista
Quem é Marcelo Aguiar
Marcelo Theodoro de Aguiar, de 53 anos, é um político com longa passagem pelo Legislativo. Ele começou a carreira artística na música sertaneja, converteu-se ao cristianismo em 2000 e migrou para o segmento gospel, alcançando projeção nacional como integrante do Renascer Praise. Na política, foi eleito vereador de São Paulo em 2008 pelo PSC, com 41.506 votos, e deputado federal em 2010, com 98.842 votos.
Em 2022, disputou uma vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo e ficou na suplência, com 42.898 votos. Assumiu o mandato em janeiro de 2025, após o titular, Helinho Zanatta (PSD), deixar a cadeira para assumir a Prefeitura de Piracicaba. Na Alesp, integrou a Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJ) e presidiu a CPI da Pedofilia. Filiou-se ao PL em março de 2026, em evento que contou com a presença de Valdemar Costa Neto.
Marcelo foi candidato à reeleição pelo PL, em dobrada com outro pastor evangélico e ambos não se elegeram
Nas eleições de 2026, Marcelo Aguiar tentou renovar o mandato na Alesp pelo PL, mas não obteve votos suficientes. Ele recebeu 37.585 votos e ficou como 12º suplente para a próxima legislatura. A candidatura foi feita em conjunto com outro pastor evangélico, mas nenhum dos dois conseguiu se eleger.

Tiro atingiu apresentador do Globo Esporte
O disparo efetuado por Marcelo Aguiar atingiu de raspão o pé do apresentador Fred Bruno, do Globo Esporte São Paulo. Em vídeo publicado nas redes sociais, Fred contou que o tiro atingiu seu tênis, rasgou o calçado e provocou um inchaço no pé. “Eu ouvi o disparo e senti um impacto muito grande no meu pé. Começou a latejar, a queimar. […] Poderia ter acontecido algo muito pior comigo ou com outra pessoa”, declarou.
O apresentador afirmou que não tinha envolvimento com a discussão que antecedeu o disparo e que o caso é “muito sério”. Ele tranquilizou os fãs e anunciou que retornaria ao trabalho no dia seguinte.
Fred Bruno, apresentador do Globo Esporte SP e da Globo, se manifestou sobre o tiro em que acabou sendo atingido durante uma festa na madrugada desta segunda-feira, no bairro do Itaim Bibi, Zona Sul de São Paulo.
— ge (@geglobo) October 19, 2026
Segundo reportagem do G1, o tiro teria vindo da arma do deputado… pic.twitter.com/sqzzTWQvnS
Carro do deputado do PL preso por disparar arma em balada de SP tinha placa oficial da Alesp que não consta no registro do Poder Legislativo
Além do disparo, Marcelo Aguiar enfrenta outra suspeita grave. O veículo BYD preto que ele dirigia na noite do ocorrido usava a placa oficial AL103, da Assembleia Legislativa de São Paulo. No entanto, o portal de transparência da Alesp mostra que essa placa está registrada em um Toyota Corolla, carro oficial da Casa e pago com dinheiro público — e não no BYD do deputado.
A Alesp informou que “o veículo apontado pela reportagem não faz parte da frota da Assembleia” e que acompanhará o caso. A Casa abriu apuração interna para investigar a presença das placas oficiais em um carro que não integra sua frota. Segundo o Código Penal Brasileiro, andar com placa falsa configura o crime de adulteração de sinal identificador de veículo, com pena de reclusão de 3 a 6 anos, além de multa.
Deputado Marcelo Aguiar estava ‘xavecando’, ‘pegando na mão’ e ‘encostando’ em mulheres antes de disparo, dizem testemunhas do bar
Testemunhas ouvidas pela polícia relataram que Marcelo Aguiar estava importunando mulheres dentro do Santo Cupido Bar antes da confusão que terminou no disparo. Segundo uma das pessoas que presenciaram a cena, o deputado bolsonarista estava “absurdamente bêbado”, “pegava na mão das clientes, tocava seus cabelos e não parava de incomodá-las”.

O parlamentar teria abordado uma mulher que estava acompanhada de amigos. O grupo pediu que ele se afastasse, mas a situação evoluiu para um confronto com outros homens. Durante a briga, Aguiar caiu e a arma disparou — versão que a Polícia Civil investiga como acidental. Uma testemunha afirmou ainda que ele foi “convidado” a se retirar do local e que o confronto começou justamente porque ele não parava de assediar as mulheres presentes.
O deputado é casado e tem dois filhos.
Leia também
Ato em São Paulo denuncia interferência da Meta nas eleições brasileiras
Organizações da sociedade civil e movimentos sociais realizam nesta segunda-feira (19), em frente à sede da Meta, em São Paulo, um ato público para denunciar supostas interferências da empresa no processo eleitoral brasileiro. Leia em TVT News.
Com o lema “Meta, não se meta na nossa eleição”, a mobilização cobra transparência na moderação de conteúdos, o fim de restrições consideradas arbitrárias e a reparação de prejuízos atribuídos à plataforma durante a campanha eleitoral de 2026.

A manifestação é organizada por CTRL+Z, Código Não Binário, Artigo 19, Diracom, Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) e Sleeping Giants Brasil. A concentração está marcada para as 16h, com ato previsto das 17h às 20h, no prédio da Baleia (B32), na avenida Brigadeiro Faria Lima, 3732, no Itaim Bibi, zona oeste da capital paulista.
As entidades afirmam que, nas semanas anteriores à mobilização, foram registradas denúncias de suspensões de perfis, remoção de publicações, redução repentina de alcance e restrições de funcionalidades sem explicações claras. Também apontam a veiculação de anúncios eleitorais irregulares pagos com recursos do exterior.
Segundo as organizações, os episódios atingiram especialmente perfis e publicações ligados ao campo progressista e à candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Para os movimentos, a distribuição desigual de conteúdos nas redes sociais pode comprometer o equilíbrio da disputa eleitoral e limitar o acesso da população a informações políticas.
Levantamento aponta denúncias contra a plataforma
A plataforma De Olho na Meta, que reúne informações públicas sobre a atuação da empresa durante as eleições, compilou 430 notícias publicadas por mais de 200 veículos de comunicação. Desse total, 97 apontam possíveis interferências eleitorais e 46 tratam de desinformação.
O levantamento também indica que nenhum dos dez compromissos assumidos pela Meta perante o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estaria sendo cumprido integralmente, segundo a avaliação divulgada pelas organizações responsáveis pela mobilização.

A preocupação dos movimentos está relacionada ao alcance dos serviços da companhia, que controla plataformas como Instagram, Facebook, WhatsApp, Threads e Meta AI. Conforme os dados apresentados pelas entidades, 70% da população brasileira utiliza o Instagram como principal meio para se informar, enquanto 91% dos brasileiros usam o WhatsApp diariamente.
Nesse cenário, as organizações argumentam que decisões sobre remoção de publicações, suspensão de contas e distribuição de conteúdo têm efeitos que ultrapassam as relações entre usuários e empresas privadas. A atuação das plataformas, afirmam, interfere nas condições de circulação de informações e no debate público durante as eleições.
Organizações cobram transparência e reparação
Além do protesto, as entidades entregaram uma notificação extrajudicial a Conrado Leister, diretor-geral da Meta no Brasil. O documento reúne dez reivindicações relacionadas à moderação de conteúdo, à publicidade eleitoral e à responsabilização da empresa por falhas apontadas durante o processo eleitoral.
Entre as exigências está a publicação de um comunicado no Instagram, em formato de anúncio direcionado a todos os usuários brasileiros, reconhecendo que falhas na distribuição e na disponibilidade de conteúdos durante as eleições prejudicaram usuários e campanhas, especialmente a candidatura de Lula. As organizações também pedem um pedido público de desculpas.
Outro ponto é o bloqueio imediato de anúncios eleitorais ilegais pagos do exterior, acompanhado da divulgação dos valores arrecadados com esse tipo de publicidade e da destinação dos recursos.
As entidades reivindicam ainda a criação de um painel público de transparência, atualizado em tempo real, com informações sobre contas suspensas, publicações removidas e anúncios aprovados ou recusados. Também solicitam um canal de revisão conduzido por pessoas, com respostas rápidas durante o período eleitoral e possibilidade de recuperar contas e conteúdos retirados por manifestações políticas legítimas.
A lista inclui o fim de práticas de redução seletiva de alcance, conhecidas como shadowban, e a exigência de que eventuais restrições sejam acompanhadas de justificativas específicas e mecanismos de contestação.
As organizações também pedem uma auditoria independente dos algoritmos de recomendação, o fim das remoções em massa sem possibilidade de recurso e medidas especiais de proteção a jornalistas, veículos de comunicação, movimentos sociais e entidades da sociedade civil.
Por fim, a notificação solicita que a empresa preserve registros de moderação e dados sobre a distribuição de conteúdos para permitir auditorias pelo TSE, pelo Ministério Público e pela sociedade civil. As entidades defendem ainda uma investigação interna das falhas denunciadas, com divulgação dos resultados e das medidas adotadas.
Entidades questionam atuação do TSE
A mobilização também critica a capacidade de fiscalização das autoridades eleitorais. Segundo as organizações, as resoluções do TSE para as eleições de 2026 estabelecem deveres de cooperação das plataformas para garantir condições equilibradas entre candidaturas.
As entidades afirmam que o tribunal determinou que a Meta não discrimine os candidatos, sob pena de multa diária de R$ 500 mil. Na avaliação dos movimentos, porém, o valor não seria suficiente para produzir um efeito dissuasório diante do faturamento da empresa.
Os dados citados pelas organizações indicam que a Meta recebeu R$ 282 milhões em pagamentos diretos de candidaturas durante as eleições, o maior valor entre as empresas, conforme informações atribuídas ao TSE.
Para os convocantes, a concentração de recursos e de poder de comunicação nas mãos de grandes empresas de tecnologia exige mecanismos de fiscalização capazes de assegurar transparência e igualdade de condições no debate político.

Flávio Bolsonaro quer prazo de 2 anos para desligar Bolsa Família e 2 milhões podem perder benefício
Coordenadora de Flávio Bolsonaro diz que beneficiários terão 24 meses para abrir negócio ou aceitar emprego com carteira assinada

Bolsa Família sobe para R$ 691: saiba quem tem direito e como contestar erros
Os pagamentos do Bolsa Família com novos valores começam nesta segunda-feira (19), com o reajuste de 15,04% anunciado pelo governo federal. O valor mínimo garantido

Fuvest divulga a relação de candidatos por vaga
Mesmo sendo a carreira mais procurada na Fuvest, Medicina apresentou queda de 14,4 candidatos por vaga em relação ao ano anterior

Flávio Bolsonaro pagou R$ 600 mil a empresa que manipula eleições, revela The Intercept
Documentos obtidos pelo Intercept revelam que a Elytron ofereceu operação clandestina com IA para mapear eleitores e espalhar desinformação

TSE rejeita tentativa de Flávio Bolsonaro de restringir atuação de sindicatos
Ministro deu prazo para campanha apresentar mais detalhes; Federação Única dos Petroleiros emitiu nota celebrando a decisão

Governo Federal monitora a assistência em saúde à população no Amazonas
Visitas técnicas e apoio à gestão integram o monitoramento da disponibilidade de insumos de saúde na região do Amazonas