Agora
Da Redação
Para além dos entregadores: plataformização já é realidade em diversas profissões
Reportagem de Girrana T. Rodrigues e Sônia Xavier
A imagem mais comum do trabalhador plataformizado é a de um entregador com uma mochila nas costas, ou a de um motorista de aplicativo, mas eles estão em mais lugares da chamada plataformização do trabalho. Psicólogos, cuidadores e até escritores recorrem às plataformas como meio de entrada no mercado de trabalho ou reinserção profissional.
Dados do IBGE apontam que no 3º trimestre de 2024 o Brasil tinha 1,7 milhão de pessoas que trabalhavam por meio de plataformas digitais e aplicativos de serviços, incluindo aplicativos de transporte de pessoas, de entrega de comida e produtos e de prestação de serviços gerais ou profissionais, o equivalente a 1,9% da população ocupada no setor privado. Em relação a 2022, quando havia 1,3 milhão pessoas nessas ocupações, houve crescimento de mais 335 mil pessoas (25,4%).
Ana Cláudia Moreira Cardoso pesquisadora e pós-doutora em sociologia do trabalho acompanha a plataformização dos trabalhadores nos setores bancário, de saúde e educação. Para ela, a entrada das plataformas nessas profissões foi reforçada pelo cenário da pandemia. “Para as plataformas, isso foi maravilhoso. Porque as pessoas foram naturalizando. Da mesma forma que eu compro uma camiseta pela internet, eu faço um pedido de comida, o pedido de uma aula de inglês para o meu filho ou vou começar a fazer minha terapia pela internet”, avaliou.
O número de desempregados durante a pandemia atingiu seu pico em 2021, quando bateu a marca de 15,2 milhões de desocupados no primeiro trimestre do ano, uma taxa de 14,9%.
Como se estrutura o trabalho plataformizado?
Apesar dos setores terem especificidades, o trabalho plataformizado tem algumas diretrizes. A primeira é a mediação digital. “Essas empresas são o que a gente chama de empresas digitais nativas. Ou seja, elas nascem digitalizadas”. Cardoso explica que é essa estrutura digital que possibilita manter os trabalhadores dispersos e mesmo assim controlados.
Um outro ponto, é que os dados são usados para a empresa rentabilizar, isso pode acontecer por meio da venda de produtos direcionados por informações, ou até com a venda de dados para outras empresas.
A terceira característica comum é que todas as empresas plataformizadas têm uma gestão de metas por meio de algoritmos. “Vai substituindo uma parte da remuneração fixa e ampliando a remuneração variável, que depende das metas dos trabalhadores. Isso já existia, mas, no caso das empresas de plataforma, até por elas terem essa infraestrutura digital, elas fazem essa gestão por metas por meio dos algoritmos, que é muito mais eficaz.”, explica a socióloga. Há ainda um quarto ponto que é a desconsideração da legislação trabalhista.
Pietro Borsari, pesquisador de pós-doutorado da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) no Cesit (Centro de Estudos Sindicais e do Trabalho do Instituto de Economia) também atribui o crescimento do trabalho precarizado a estrutura produtiva do mercado de trabalho brasileiro, ou seja, o que o Brasil vende e compra do resto do mundo.
“Tem alguns polos de alta complexidade, alto valor agregado, geralmente associado à indústria, mas também pode ser uma indústria extrativa de alto valor agregado, a cadeia de petróleo e gás, produção de equipamentos, maquinários […] do outro lado, que é predominante, você tem uma série de outras formas de se produzir em que se predomina o baixo salário, a baixa qualificação, a falta de profissionalização, de direitos associados, uma certa incerteza em relação aos rendimentos”, avalia o professor.
Para ele, além da conjuntura de aprovação da Reforma Trabalhista em 2017, as plataformas ganham força em um terreno em que a desindustrialização persiste. “Tem algumas teias industriais que se formavam e vão perdendo densidade, outras desaparecem, outras desnacionalizam e são justamente elas que promovem os circuitos produtivos de maior formalidade”, explicou.
Plataformização no cuidado: ausência de dados e invisibilização de gênero
Enquanto no mundo, o trabalho de cuidado abrange o maior número de trabalhadores em empresas-plataforma, no Brasil se sabe pouco sobre essas pessoas. Um trabalho que, historicamente, é atribuído de forma natural às mulheres assume uma nova faceta de invisibilização com a plataformização.
No artigo “Plataformas de trabalho de cuidado: um olhar interseccional necessário”, da Revista da Faculdade do Dieese de Ciências dos Trabalho, as pesquisadoras insistem que é importante considerar os marcadores de classe, gênero, étnico-racial, geracional, de sexualidade e de territorialidade na análise do trabalho também em plataformas digitais.
Técnica de enfermagem, Gislene Espessoto iniciou a sua jornada com as plataformas em 2023, quando decidiu finalizar o curso de auxiliar de enfermagem, na época com 37 anos. O primeiro contato com a empresa veio por meio da indicação de uma amiga.
“Eu já queria entrar na área para pegar uma experiência, uma colega minha me chamou para fazer home care. Minha primeira indicação, uma cliente de 82 anos”, lembrou.
Gislene conta que, depois que se cadastrou na plataforma indicada pela amiga, foi chamada para uma entrevista com o responsável e, posteriormente, colocada em contato com a filha da paciente. Como ainda estava no processo de graduação, ela fazia plantões de 12 horas aos fins de semana.
O pagamento, na época, era repassado por esse “gestor” de forma quinzenal. “Então nessa que eu trabalhava, ele recebia R$300 no plantão e quando ele me pagava era R$140, o restante era dele”.
Ao longo dos anos ela passou por outras plataformas, mas conseguiu um emprego celetista de técnica de enfermagem em um hospital, e deixou de atender regularmente pelas plataformas, aceitando propostas esporadicamente.
“Foi o que me ajudou a pagar minhas contas, fazer minhas coisas e até pagar meus cursos, porque realmente ganha muito dinheiro. Eu tirei uns R$5.000,00, R$6.000,00 em pouco tempo”, conclui.

A plataformização também foi o caminho encontrado por João Paulo Cobaixo Ajaj, 41, psicólogo, que concluiu sua segunda graduação em 2024 e precisava se reinserir no mercado de trabalho. “Eu saí da faculdade com dois pacientes da clínica escola, depois de seis meses eu decidi que precisava encher a minha clínica e aí foi que eu fui atrás do Psymeet e de outras plataformas”.
A Psymeet é uma empresa de atendimento psicológico que conecta pacientes e profissionais do campo da saúde mental. O cadastro funciona como uma assinatura, que pode ser mensal, trimestral ou variável. O pacote mantém o perfil ativo para divulgação e para o recebimento de fluxo de pacientes.
João começou a trabalhar com a plataforma no início deste ano e pagou R$534,90 para se cadastrar. “O cadastro é fácil, se tem vaga ou não, aí já é outra história […] se eles não têm vagas, eles te deixam num banco e quando surgem [as vagas], eles entram em contato através do WhatsApp, pelo número que você deixou cadastrado”.
O psicólogo explica que esse mecanismo de lista de espera é para que os profissionais já cadastrados consigam ser divulgados e receber fluxo de pacientes. Os atendimentos psicológicos na Psymeet custam R$30,00. Para atendimentos com médicos de psiquiatria, cada atendimento custa R$70,00, segundo site da plataforma.
Uma vez que o tratamento esteja em curso, é possível que paciente e profissional negociem um novo valor de acordo com a realidade financeira do paciente.
“Acho que é legal democratizar o acesso à saúde mental, mas essa democratização [vem] precarizando os profissionais”, finaliza.
Cat sitter: mais uma ponta do novelo de lã
As raízes do trabalho plataformizado já ultrapassam os cuidados com humanos e chega nos pets. Juliana Nakamura, cat sitter – profissional que assume os cuidados com os felinos enquanto o tutor do animal viaja ou passa o dia fora – há 11 anos também já esteve dentro das plataformas.
O contato com a profissão começou a partir de amigos. “Eu comecei com meu círculo social, como é uma profissão que a gente entra na casa das pessoas, pensei que seria mais seguro eu começar com gente que eu já conhecia. Então, eu comecei primeiro com meu círculo social com amigas e aí as amigas indicaram amigas e aí foi aumentando”.

Com o passar do tempo, Juliana se interessou por uma plataforma que estava começando no mercado, a Pet Anjo. “O que eu achei interessante dessa plataforma, e foi por isso que eu me inscrevi, é que eles passavam um curso para você antes de entrar. Então tinha que fazer o curso, fazer uma prova e aí era qualificado”. A plataforma também oferecia suporte veterinário para casos de emergência com os animais que o trabalhador estivesse responsável.
Dentro da plataforma os tutores deixavam avaliações e comentários sobre o trabalho da profissional, assim novos interessados conseguiam entrar em contato com ela.
Juliana trabalhou por meio do site por dois anos. Decidiu sair quando notou excessos de descontos automáticos nas visitas diárias. ” Por exemplo, uma visita por dia era o valor que eu cobrava, eu ganhava só os 70%. Se a pessoa desejasse duas, três visitas por dia, automaticamente, entrava um desconto e eu ganhava R$ 30 por visita, o que é muito baixo. E não tinha como eu tirar essa opção, então eu tinha que falar para o cliente que eu não estava aceitando mais que uma visita, porque senão já caía muito o valor”.
Outro fator importante na decisão de Juliana foi a falta de flexibilidade para escolha da região onde ela iria atender. ” A região também era automática, não era eu que definia. Então eles me colocavam para uns lugares que eu não queria ir”.
Atualmente ela possui sua própria cartela de clientes. ” Hoje já é meio que automático. Como as pessoas já me conhecem, já vão indicando. Então, chega cliente por indicação e pelo Google, por causa do cadastro do Google Business”, contou.
Durante o período em que Juliana trabalhou na plataforma Pet Anjo a empresa ainda não era administrada pela Cobasi. A compra foi realizada em maio de 2021.
Entre livros e algoritmo
A plataformização também alcança setores como a literatura. A escritora, Bruna Paiva, 28 anos, conta que vende seu trabalho por meio da Amazon há 8 anos.
Na plataforma os escritores podem escolher modalidades de remuneração: ganhar 70% dos lucros da venda, com a condição de exclusividade da plataforma por meio do KDP Select – programa gratuito e opcional da Kindle Direct Publishing que ajuda autores a divulgarem seus e-books – ou um pagamento de royalties de 30%.
Uma outra forma é a disponibilização do livro no Kindle Unlimited – um serviço de assinatura de livros digitais da Amazon que funciona como biblioteca online, em que O autor recebe por página lida.
“Todo mês eles contabilizam a quantidade de assinantes e a partir da quantidade de assinantes, eles fazem uma conta que pagam por página lida, mas é menos de um centavo”.
A escritora aponta que apesar das baixas remunerações, a plataforma também possibilita a democratização do acesso à publicação.
Além da questão do lucro, outra questão sinalizada pela autora é dificuldade na divulgação e destaque do trabalho “você precisa dar uma batalhada para ser visto, você precisa aparecer ali dentro para se destacar no meio da multidão e fazer com que o seu livro tenha leitores suficientes para que você ganhe uma renda legal”.
Nós entramos em contato com a Amazon para saber a quantidade de autores plataformizados no site, entretanto a plataforma não disponibilizou os dados.
Futuro do mercado de trabalho com a plataformização
Borsari afirma que apesar da impressão de que tudo é trabalho plataformizado, a quantidade de pessoas nesse tipo de emprego pode ser mais baixa do que se imagina. ” Se a gente pegar esses outros casos é verdade, eles crescem, tem uma capilaridade, atinge cada vez mais outros setores. Por isso, pode ser que um dia seja significativo, mas a realidade concreta é que hoje, digamos, 12 anos depois do começo das plataformas, a gente tem menos de 1,6 milhão de pessoas, com um mercado de trabalho de 110 milhões de pessoas”, opinou.

Já a socióloga Cardoso acredita na regulamentação a partir da pressão dos trabalhadores. “As empresas é óbvio que vão se recusar […] nenhuma empresa quer que o trabalhador tenha direito, nem empresa digital nativa e nem empresa tradicional. Então, não adianta a gente esperar da empresa. Quem tem que ter essa ação é o Estado”, concluiu.
Todos os trabalhadores entrevistados contribuem pela Previdência por meio do MEI (Microempreendedor Individual) e se preocupam com a aposentadoria. A contribuição com a Previdência nesta modalidade dá direito a uma aposentadoria por idade, sendo 62 anos para mulheres e 65 anos para homens, com exigência de 15 anos de contribuição. O valor dessa aposentadoria é de uma salário mínimo, atualmente, R$1512.
Campanha de Lula pede inelegibilidade de Flávio Bolsonaro
A coligação Brasil Pronto Pra Mais, que apoia a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de 2026, apresentou à Justiça Eleitoral uma ação na pedindo a cassação do registro de candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República e de seu vice, Alfredo Gaspar, além da declaração de inelegibilidade dos dois por oito anos. Leia em TVT News.
A representação questiona a participação do senador na Festa do Peão de Barretos, em São Paulo, e sustenta que o evento teria sido utilizado para promover sua candidatura.
Segundo a ação da campanha, a participação de Flávio Bolsonaro na 71ª edição da Festa do Peão, realizada entre 20 e 30 de agosto, teria ultrapassado os limites de uma participação institucional ou artística e adquirido características de ato eleitoral. A coligação afirma que houve pedido de votos e apresentação do senador como candidato à Presidência durante a programação.
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Participação no palco ao lado de Tarcísio está entre fundamentos
O episódio ocorreu durante a programação do evento, quando o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também candidato à reeleição, chamou Flávio Bolsonaro ao palco principal. De acordo com a representação, o senador foi apresentado ao público como candidato à Presidência e fez um discurso com referências a temas de sua campanha.
A ação afirma que a estrutura utilizada na apresentação, incluindo palco, equipamentos de som e iluminação e a presença de grande público, teria sido colocada à disposição do candidato sem que os custos correspondentes fossem contabilizados como despesas eleitorais.
Para os advogados da coligação, a participação teria sido previamente articulada e inserida na programação da festa. A representação pede que a Justiça avalie se a utilização da estrutura do evento caracterizou abuso de poder econômico e eventual financiamento irregular de campanha.
Uso eleitoral da festa é apontado por coligação que apoia Lula
A Festa do Peão de Barretos é um dos principais eventos do calendário de entretenimento e agropecuária do país. A edição de 2026 ocorreu no Parque do Peão e reuniu atrações musicais, atividades ligadas ao rodeio e programação comercial.
Na ação, a coligação argumenta que a dimensão do evento e sua estrutura poderiam ter ampliado a exposição eleitoral de Flávio Bolsonaro de maneira não disponível aos demais candidatos. A defesa da tese apresentada à Justiça Eleitoral é de que o episódio teria transformado parte de uma programação aberta ao público em uma atividade de promoção eleitoral.
A representação também questiona a eventual participação de empresas e órgãos públicos na estrutura do evento. A legislação eleitoral proíbe doações empresariais para campanhas, inclusive de forma indireta, e estabelece regras para a utilização de bens e serviços em atividades eleitorais.
Pedido à Justiça Eleitoral
A ação da coligação Brasil Pronto Pra Mais ainda pede que o Ministério Público Eleitoral seja comunicado para avaliar a existência de eventuais ilícitos eleitorais ou criminais.
A representação solicita que organizadores e empresas relacionadas ao evento sejam chamados a prestar esclarecimentos e que sejam analisadas as circunstâncias da participação do candidato na festa.
O pedido ainda será analisado pela Justiça Eleitoral. A apresentação da ação não significa que as irregularidades apontadas tenham sido reconhecidas pela Justiça, que deverá avaliar as provas e os argumentos apresentados pelas partes.
TSE suspende campanha de Renan Santos à Presidência por irregularidades em redes sociais
O ministro Dias Toffoli, do STF e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), suspendeu neste domingo (30) a campanha digital de Renan Santos (Missão) à Presidência da República. A decisão, divulgada nesta segunda-feira (31), determina a interrupção da propaganda eleitoral, o bloqueio de repasses do Fundo Eleitoral e a proibição de participação em debates em rádio, televisão, podcasts e outros meios de comunicação. Entenda com a TVT News.
A medida atinge também o candidato a vice-presidente, Aroldo Medina, e foi motivada pela omissão de informações sobre perfis em redes sociais usados pela campanha. Toffoli, que é o relator do pedido de registro de candidatura de Renan, já havia adiado o julgamento do processo no último fim de semana, após apontar indícios de irregularidades.
Entenda o caso: o que foi investigado na campanha de Renan Santos
A suspensão da campanha de Renan Santos ocorreu por descumprimento das regras eleitorais que obrigam candidatos a informar à Justiça Eleitoral, no momento do registro de candidatura, todas as contas em redes sociais que serão utilizadas para propaganda eleitoral.
No pedido de registro apresentado ao TSE em 7 de agosto, Renan Santos e seu vice informaram apenas uma conta na rede social X e um site. Doze dias depois, em 19 de agosto, a chapa apresentou à Corte uma lista com 18 perfis em redes sociais.
Segundo o ministro Toffoli, essa “omissão estratégica” das informações sobre as redes sociais compromete a legitimidade da campanha digital. O magistrado afirmou que o candidato que omite informações sobre perfis de campanha e as apresenta depois do prazo comete desvio de finalidade.
A legislação prevê que as plataformas de redes sociais devem retirar páginas políticas dos algoritmos de recomendação durante o período eleitoral — medida que depende da identificação prévia das contas pela Justiça Eleitoral. Com a omissão dos perfis no registro inicial, esse controle ficou prejudicado.
Além da suspensão da propaganda, Toffoli determinou a suspensão de repasses de recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) à chapa majoritária e a proibição de participar de debates. A decisão também prevê multa de R$ 10.000 por hora e por perfil em caso de descumprimento, além da exigência de que as plataformas excluam os perfis irregulares dos sistemas de recomendação e forneçam dados de postagens e impulsionamentos.
A campanha de Renan Santos ainda poderá se manifestar sobre o caso. Depois disso, o TSE poderá retomar a análise do pedido de registro de candidatura.

Quais são as regras do TSE sobre redes sociais
As normas eleitorais estabelecem que os candidatos devem informar à Justiça Eleitoral os endereços eletrônicos das páginas, perfis e contas utilizadas durante a campanha.
Uma resolução do TSE determina ainda que endereços eletrônicos preexistentes que não tenham sido informados no registro da candidatura só podem ser utilizados para propaganda eleitoral 48 horas depois de serem registrados na Justiça Eleitoral.
Quem é Renan Santos
Esta é a primeira eleição presidencial disputada por Renan Santos, que representa o Missão, partido criado em 2025 e levado às urnas pela primeira vez. O Missão é um desobrando do MBL, fundado por Renan Satnos no contexto das manifestações pelo impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT), em 2015 e 2016.
Entre as propostas de Renan Santos está a substituição da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) por acordos negociados diretamente entre trabalhadores e empregadores e acabar com a Justiça do Trabalho. No programa, o candidato ainda inclui a formação de uma reserva nacional baseada em criptomoedas.
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Bruno Dantas renuncia ao TCU e deve ser substituído por Rodrigo Pacheco
O ministro Bruno Dantas comunicou nesta segunda-feira (31) sua renúncia ao cargo no Tribunal de Contas da União (TCU). A vaga deverá ser ocupada pelo senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que já conta com o apoio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e deve ter seu nome analisado pelo Congresso Nacional nas próximas semanas. Leia em TVT News.
Dantas encaminhou ao presidente do TCU, Vital do Rêgo Filho, um pedido de renúncia em caráter “irretratável”. Ele solicitou que a vacância e sua exoneração tenham efeito a partir de 9 de setembro de 2026.
A saída abre espaço para uma nova indicação ao tribunal. Pelo modelo de composição do TCU, cabe ao Congresso Nacional escolher parte dos ministros da Corte. Pacheco é o nome já escolhido para a vaga e deve passar pelo processo de aprovação dos parlamentares.
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Pacheco tem apoio de Alcolumbre
A indicação de Rodrigo Pacheco para o TCU ocorre em meio a uma articulação política que já havia colocado o senador como candidato a uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).
Davi Alcolumbre trabalhou neste ano para que Pacheco fosse indicado ao Supremo para ocupar o posto deixado por Luís Roberto Barroso. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, entretanto, escolheu o advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga.
A indicação de Messias acabou não sendo aprovada pelos senadores, e o posto no STF continua aberto.
Agora, Pacheco aparece como candidato à vaga no TCU deixada por Bruno Dantas. O senador é filiado ao PSD de Minas Gerais e presidiu o Senado Federal entre 2021 e 2025.
Saída de Dantas ocorre após quase três décadas no serviço público
Bruno Dantas, de 48 anos, afirmou que sua decisão de deixar o TCU foi pessoal e amadurecida nos últimos meses. O ministro está no serviço público desde 1998 e já exerceu a presidência do Tribunal de Contas da União.
Na carta encaminhada ao TCU, Dantas afirmou que pretende iniciar uma nova etapa profissional. Entre os planos está a criação de uma empresa voltada à estruturação de projetos de investimentos.
Ele também solicitou à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) a reativação de sua carteira para voltar a exercer a advocacia. Segundo interlocutores, o ex-ministro mantém conversas com o escritório nova-iorquino White & Case.
A renúncia terá efeito a partir de 9 de setembro, conforme o pedido apresentado ao TCU. A partir da formalização da vacância, o Congresso deverá avançar no processo de escolha do novo ministro.
Para assumir o posto, Pacheco ainda precisará ser submetido aos procedimentos previstos para a indicação de ministros do TCU no Legislativo.
Na manifestação em que anunciou sua saída, Dantas agradeceu aos colegas, servidores, colaboradores, ao Senado Federal e à família. “Encerro este ciclo com a serenidade de quem cumpriu, com lealdade e dedicação, todos os mandatos que me foram confiados”, declarou.
Programa Pé-de-Meia pode gerar R$ 184,6 bilhões em benefícios ao Brasil, aponta estudo
O programa Pé-de-Meia pode gerar um benefício econômico estimado em R$ 184,6 bilhões para o Brasil ao longo da vida dos estudantes atendidos, segundo estudo do Núcleo de Estudos Raciais do Insper. O valor corresponde a cerca de 15 vezes o custo anual da política, atualmente estimado em R$ 12 bilhões. Leia em TVT News.
A pesquisa foi realizada pelos economistas Daniel Duque e Michael França e calcula os impactos econômicos associados ao aumento da permanência e da conclusão do ensino médio entre jovens de baixa renda. O estudo ainda será submetido à revisão por pares.
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Estudo estima 372 mil conclusões adicionais por ano
Para chegar à estimativa, os pesquisadores consideraram cerca de 15,87 milhões de jovens de 15 a 24 anos inscritos no Cadastro Único. A partir dos efeitos estimados do Pé-de-Meia sobre a permanência escolar, a pesquisa projeta que aproximadamente 372 mil jovens adicionais concluam o ensino médio a cada ano.
Desse total, cerca de 145,6 mil estudantes têm entre 15 e 19 anos, enquanto outros 226,1 mil estão na faixa de 20 a 24 anos.
O estudo atribui um valor econômico às conclusões adicionais considerando efeitos que se estendem pela vida dos estudantes. Entre eles estão o aumento da renda, ganhos de produtividade, maior longevidade, qualidade de vida e impactos associados à chamada cultura de paz.
O presidente Lula comentou o estudo divulgado em sua conta na rede social X:
O Pé-de-Meia é uma resposta a uma distorção inaceitável. Anualmente, cerca de 500 mil estudantes das camadas mais vulneráveis deixavam o ensino médio antes de concluir os estudos, muitos para ajudar na renda familiar.
— Lula (@LulaOficial) August 31, 2026
Uma situação que costuma significar, no médio prazo,… pic.twitter.com/DjuEUSdT1f
Benefício não significa retorno direto aos cofres públicos
Os R$ 184,6 bilhões calculados pelo Insper não representam uma arrecadação imediata nem um valor que será recuperado diretamente pelo governo. Trata-se de uma estimativa do valor presente dos benefícios econômicos e sociais associados às pessoas que, devido ao programa, poderão concluir o ensino médio.
Para o cálculo, os pesquisadores utilizaram como referência estudos anteriores sobre o impacto econômico da conclusão da educação básica. Cada conclusão do ensino médio foi estimada em aproximadamente R$ 537,2 mil, em valores de 2025. Para estudantes de 20 a 24 anos, o valor considerado foi menor, de R$ 470,7 mil, devido ao desconto aplicado às conclusões tardias.
A pesquisa também adota critérios considerados conservadores. Os autores não contabilizaram outros possíveis efeitos positivos do programa, como a redução das reprovações e eventuais melhorias na aprendizagem.
Pé-de-Meia e permanência na escola
O estudo amplia uma análise anterior sobre os efeitos do programa na permanência escolar. Uma pesquisa divulgada pelo Insper em março apontou que, entre jovens de famílias vulneráveis, a taxa estimada de evasão ao longo dos três anos do ensino médio cairia de 26,4% sem o Pé-de-Meia para 19,9% com o programa.
Criado pelo governo federal em 2024, o Pé-de-Meia oferece incentivos financeiros a estudantes do ensino médio público com o objetivo de estimular a matrícula, a frequência e a conclusão dos estudos. O programa inclui pagamentos ao longo da trajetória escolar e uma poupança vinculada à conclusão do ensino médio.
A análise mais recente reforça a avaliação de que os efeitos do programa podem ultrapassar o período em que os estudantes recebem os incentivos. Segundo os pesquisadores, a permanência na escola e a conclusão da educação básica podem produzir ganhos econômicos e sociais acumulados ao longo da vida.
Bancários conquistam aumento real para 2026 e 2027 após 13 rodadas de negociação
Após mais de dois meses de negociações, o Comando Nacional dos Bancários e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) chegaram a uma proposta para a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT). O acordo prevê reposição integral da inflação medida pelo INPC, acrescida de 0,6% de aumento real em 2026 e 2027. Leia em TVT News.
O índice será aplicado aos salários e às demais verbas previstas na convenção, incluindo a Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e os vales-refeição e alimentação. O percentual total de reajuste para 2026, no entanto, ainda depende da divulgação do INPC referente à data-base da categoria, em 1º de setembro. O índice será divulgado em 11 de setembro.
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A proposta foi construída após 13 rodadas de negociação, oito delas encerradas com propostas rejeitadas pelos trabalhadores. A última reunião começou na sexta-feira (28) e terminou apenas na noite de sábado (29), após cerca de 32 horas de negociações.
Proposta será votada pelos trabalhadores
A proposta negociada com os bancos será submetida à avaliação da categoria em assembleias marcadas para os dias 3 e 4 de setembro. A aprovação ainda depende da votação dos trabalhadores.
Além do reajuste, o acordo mantém as cláusulas da Convenção Coletiva de Trabalho e estabelece novas medidas relacionadas às condições de trabalho. Entre elas estão a participação dos sindicatos no gerenciamento de riscos psicossociais, regras para o uso de ferramentas de monitoramento digital e a garantia do direito à desconexão fora do horário de expediente.
Também foi prevista a ampliação dos canais de denúncia contra assédio. O mecanismo, que já recebe relatos de assédio moral e sexual, deverá contemplar também situações praticadas por clientes contra funcionários dos bancos.
Outro ponto do acordo envolve trabalhadores demitidos em razão do fechamento de agências. A proposta prevê um programa de requalificação e recolocação profissional, além de uma indenização adicional à prevista atualmente na convenção.
Segundo o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, entre janeiro de 2015 e maio de 2026, os maiores bancos fecharam 9,5 mil agências. Apenas no primeiro semestre deste ano, foram encerradas 669 unidades.
Negociações ocorreram em meio a impasses
Durante a campanha salarial, os representantes dos trabalhadores rejeitaram propostas que, segundo o sindicato, previam reajustes abaixo da inflação, mudanças na estrutura de negociação e redução de benefícios.
A negociação também ocorreu em um contexto de ausência da chamada ultratividade, mecanismo que mantém as regras de um acordo coletivo em vigor até a assinatura de um novo instrumento. A CCT dos bancários reúne 85% de cláusulas que, segundo o sindicato, garantem condições superiores às previstas na legislação trabalhista.
Caso a proposta seja aprovada, o sindicato calcula que a categoria terá acumulado, entre 2004 e 2027, reajuste nominal de 286,5%, correspondente a 25% de ganho real. Para o piso salarial, o ganho real acumulado chegaria a 47,1%.
As negociações específicas para a renovação dos acordos coletivos dos funcionários do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal ainda estão em andamento.

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