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Da Redação
Lula contra bets: governo prepara MP e presidente chama apostas de doença
Lula subiu o tom contra as bets e transformou o enfrentamento às apostas on-line em uma meta de governo. Após semanas defendendo pessoalmente o fim das plataformas, Lula cobrou medidas concretas de ministros, classificou o jogo como “doença” e prometeu que, se depender de sua vontade, as apostas não terão mais vez no Brasil.
O Palácio do Planalto discute uma Medida Provisória para restringir cassinos on-line e endurecer as regras do setor, enquanto torcidas se mobilizam nas redes em apoio ao fim das bets. Leia mais sobre Lula contra bets com a TVT News.
Lula contra bets: o que está em jogo
- O que o governo Lula estuda: uma Medida Provisória para proibir cassinos online (como o “Tigrinho” e o “Aviator”) e restringir a publicidade de apostas esportivas, sem necessariamente acabar com os patrocínios de clubes.
- Por que clubes dizem depender das bets: 13 clubes da Série A têm casas de apostas como patrocinadoras máster, em contratos que somam cerca de R$ 1 bilhão por ano.
- Como as torcidas reagiram: manifestações contrárias ao posicionamento dos clubes dominaram as redes sociais, com índices de rejeição que chegaram a 90% em alguns perfis.
- O que as bets causam nas famílias: endividamento, comprometimento do orçamento doméstico, casos de jogo compulsivo e impactos na saúde mental, com relatos de pessoas que perderam patrimônio e enfrentaram crises familiares.
- O que são bets: plataformas de apostas de quota fixa, regulamentadas no Brasil desde 2025, que incluem apostas esportivas e jogos de resultado instantâneo.
O que o governo estuda sobre o mercado de bets
O desenho da medida ainda não está fechado, mas diferentes frentes aparecem nas discussões do Palácio do Planalto.
A proposta mais avançada é uma Medida Provisória para proibir os cassinos online — jogos de resultado instantâneo, como os chamados “tigrinho” e “Aviator” — e endurecer as regras do mercado de apostas. A extensão das restrições às apostas esportivas, à publicidade e aos patrocínios ainda é objeto de discussão dentro do governo.
Ao tratar do tema, Lula deixou claro que sua preocupação não está apenas na existência das plataformas, mas na dimensão que elas alcançaram na vida cotidiana dos brasileiros e na rede de interesses econômicos construída em torno delas. O setor bilionário passou a movimentar clubes de futebol, empresas de comunicação, influenciadores e publicidade, enquanto o endividamento e a dependência recaem sobre os apostadores e suas famílias.
“Faz uns dois meses que estou discutindo o papel dessa jogatina eletrônica através das redes digitais, que está levando muita gente a se endividar. Tenho certeza que aqui nesse público tem gente endividada que já não pode pagar a dívida, e quando a pessoa está endividada, mente. Mulher mente para o marido, marido mente para a mulher, filho e filha mentem para a mãe e o pai”, disse.
O ponto mais adiantado é o veto aos cassinos on-line. Segundo informações que circulam entre integrantes do governo, a proposta pode preservar, ao menos inicialmente, os patrocínios de clubes. A decisão final, porém, depende de Lula, que tem repetido publicamente uma posição mais ampla: se depender de sua vontade pessoal, as bets acabam.
“Eu vou defender o fim disso, porque não há arrecadação que justifique o mal que está fazendo para o brasileiro”, afirmou Lula.
Haddad classificou o cenário como uma “epidemia de bet” e disse que as apostas representam “um grande perigo”. O ministro também dimensionou o tamanho econômico do setor, que movimenta muito dinheiro mas quase não gera empregos. “Nós podemos estar falando alguma coisa entre 0,5% e 1% do PIB, é muito dinheiro para uma coisa que não está gerando bem-estar algum”, declarou Haddad.
A cautela dentro do governo tem razões jurídicas e fiscais. As empresas atualmente autorizadas pagaram outorgas para explorar apostas esportivas e jogos online. Uma mudança abrupta pode provocar judicialização e pedidos de ressarcimento. Ao mesmo tempo, o governo perderia parte da arrecadação gerada pelo setor.
O que as bets causam nas famílias brasileiras
O impacto das apostas online sobre o endividamento das famílias e a saúde mental dos brasileiros tem sido tema de debates no Senado. Psiquiatras destacam o aumento de casos de jogo compulsivo, principalmente entre jovens, pessoas de baixa renda e pouca escolaridade.
Dados da Confederação Nacional do Comércio apontam que, de janeiro de 2023 a março de 2026, a inadimplência das famílias causada pelas apostas online retirou R$ 143 bilhões do comércio varejista. Estudo do Senado mostra que 40% dos entrevistados afirmam que familiares contraíram dívidas por causa das apostas, e 45% dos endividados relatam impacto direto na qualidade de vida.
O presidente Lula relatou casos de pessoas que acumularam dívidas e enfrentaram situações extremas por causa dos jogos. Ele classificou a prática como “uma doença” e citou brasileiros que venderam bens, esconderam dívidas da família e chegaram a tentar tirar a própria vida por causa dos prejuízos.
- Veja o vídeo com depoimentos de pessoas viciadas em bets:
O vício nas BETs está destruindo famílias inteiras.
— Lula (@LulaOficial) September 20, 2026
Tenho ouvido muitas brasileiras e brasileiros impactados por essas plataformas que estão na palma da mão.
Se depender de mim, os jogos de aposta não terão mais vez no nosso país. pic.twitter.com/LJEYnal0cu
O que o presidente pode fazer sobre as bets
Post de Lula no X (antigo Twitter):
“O vício nas BETs está destruindo famílias inteiras. Tenho ouvido muitas brasileiras e brasileiros impactados por essas plataformas que estão na palma da mão. Se depender de mim, os jogos de aposta não terão mais vez no nosso país.”
A publicação do presidente nas redes sociais resume a posição que ele tem defendido em discursos e reuniões. Lula afirmou que pretende chamar os clubes de futebol para conversar sobre o tema e criticou a relação entre as casas de apostas e o esporte brasileiro.
Pesquisas citadas pelo governo indicam que 70% da população apoia algum tipo de restrição às bets. Estudos internos mostram que a principal causa do endividamento das famílias está nos jogos.
Por que clubes de futebol dizem depender de bets
Clubes e federações de futebol divulgaram um manifesto intitulado “O fim do futebol brasileiro”, criticando as propostas. As entidades alegam risco de “insolvência” financeira e perdas de até R$ 1 bilhão em patrocínios.
O argumento central é a dependência financeira criada nos últimos anos. Segundo o manifesto, 13 clubes da Série A possuem contratos de patrocínio máster com empresas do segmento, movimentando aproximadamente R$ 1 bilhão em receitas de patrocínio. Mais de dois terços das equipes das séries A e B estampam patrocínios de casas de apostas no uniforme.
A publicidade de apostas é alvo de críticas por causa da exposição excessiva, do risco de dependência e do alcance sobre públicos vulneráveis. As propostas em análise incluem restrições de horário, linguagem e presença das marcas em ambientes esportivos.
Como as torcidas reagiram à manifestação dos clubes
A reação das torcidas foi dura. Levantamento do Portal 91 mostrou que 88% das interações analisadas nas redes sociais criticaram o manifesto divulgado pelos clubes. Em alguns perfis, a rejeição chegou a 90%.
Os torcedores encheram as redes com posts lembrando que os clubes existem há décadas sem o dinheiro das bets e questionando a dependência financeira dos dirigentes e o descaso quanto aos problemas de vício e endividamento. “Mico”, “vergonha nacional”, “canalhice” e “nota ridícula” foram algumas das palavras usadas pelos torcedores dos grandes times.
O Flamengo registrou 86% de comentários negativos, enquanto o post conjunto de Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo teve 85% de rejeição. O Vasco chegou a 90% de críticas. Lideranças de torcidas organizadas e outras associações ligadas aos times também repudiaram o tom alarmista das diretorias e defenderam o fim das apostas no esporte.
Brasil foi campeão antes das bets
Lula questionou a ideia de que o futebol brasileiro ou outros setores dependam das apostas para sobreviver. “Disseram que se eu acabar com as bets, vou acabar com o futebol. Essa gente está mentindo, porque o São Paulo foi três vezes campeão do mundo sem ter bet, o Flamengo foi campeão do mundo sem ter bet, o Santos foi campeão do mundo sem ter bet, o Corinthians foi campeão do mundo sem ter bet”, elencou.
O presidente recorreu à própria história da Seleção para contestar a associação entre apostas e o sucesso do futebol. “A Seleção foi campeã em 58 sem bet. Foi campeã do mundo em 62 sem bet. Foi campeã do mundo em 70 sem bet. Foi tetra em 94 sem bet. E foi penta em 2002 sem bet. Depois que começou a bet, nós não ganhamos mais nenhuma Copa do Mundo”.
São Paulo, Santos, Grêmio, Flamengo, Internacional e Corinthians foram campeões do mundo antes das bets.
— Lula (@LulaOficial) September 19, 2026
Bet não é futebol. É vício, endividamento e sofrimento para muitas famílias. Se depender de mim, vamos acabar com as bets e combater a lavagem de dinheiro e a roubalheira.… pic.twitter.com/5wPvdgY75V
Campanha contra bets toma conta das redes sociais
O presidente Lula estuda medidas contra a publicidade de bets, e o tema ganhou força nas redes sociais. A palavra de ordem “BORA LULA CONTRA AS BETS” se espalhou entre apoiadores, que mobilizaram perfis para defender a ofensiva do governo contra as plataformas de apostas.
Os clubes de futebol reagiram com uma nota conjunta contra as restrições, mas foram duramente criticados pelas torcidas. Levantamentos mostram que a rejeição aos posts dos clubes chegou a 90% em alguns casos, com torcedores questionando a dependência financeira das diretorias e defendendo o fim das apostas no esporte.
O que são bets
O termo “bet” é a palavra em inglês para “aposta”. No contexto de jogos de azar, refere-se a qualquer tipo de aposta feita em eventos cujo resultado é incerto, como partidas esportivas ou jogos de cassino.
No Brasil, o segmento de apostas de quota fixa e jogos online foi regulamentado em janeiro de 2025. A Lei 14.790/2023, conhecida como Lei das Bets, dispõe sobre a modalidade lotérica denominada apostas de quota fixa, em que o apostador sabe exatamente qual é a taxa de retorno no momento da aposta.
As plataformas abrangem apostas esportivas, apostas virtuais, eventos reais e jogos de resultado instantâneo. O mercado de apostas esportivas de quota fixa foi autorizado em 2018, no governo Michel Temer, pela Lei 13.756.
As apostas esportivas foram legalizadas pela Lei 13.756, de 2018, durante o governo Michel Temer, mas a regulamentação prevista não foi concluída. Na gestão Bolsonaro, não houve avanços e o setor correu solto. Em 2023, já no governo Lula, foi editada a MP 1.182 e, posteriormente, aprovada a Lei 14.790, que estabeleceu o marco regulatório das apostas de quota fixa e incluiu os jogos on-line na regulamentação.
Desde 1º de janeiro de 2025, somente empresas autorizadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda podem operar nacionalmente. A regulamentação estabeleceu regras para autorização, fiscalização, tributação, publicidade e proteção de apostadores.
Em julho, o governo ampliou as exigências para a publicidade do setor: novas regras passaram a exigir, nas peças publicitárias, advertências como “Apostar pode causar dependência”, “Apostar faz você perder dinheiro” e “Aposta não é investimento”. As medidas entraram em vigor em julho.

A regulamentação também deixou explícita a dimensão econômica da cadeia formada em torno das bets. Segundo o Ministério da Fazenda, as empresas devem pagar 12% sobre a receita bruta para destinações previstas em lei, entre elas contrapartidas relacionadas ao uso de denominações, imagens, marcas, emblemas e símbolos de organizações esportivas, clubes e atletas.
O próprio governo esclarece que esses recursos têm natureza privada e decorrem do uso desses direitos pelas operadoras.
Na publicidade, os valores também mostram a dimensão dos negócios que se formaram em torno das apostas. Segundo levantamento da Folha a partir do balanço da Blaze, a empresa destinou R$ 330 milhões à publicidade externa entre janeiro e novembro de 2025.
É essa engrenagem que Lula passou a colocar em xeque. Para o presidente, não basta olhar para o dinheiro que circula. É preciso olhar para o dinheiro que sai do bolso de quem aposta e para as consequências quando a aposta deixa de ser entretenimento e passa a ocupar o lugar da renda familiar.
“A única dívida que nos dá orgulho é quando a gente faz uma dívida para aumentar o patrimônio da gente, para melhorar a vida da gente, mas dívida de jogo não é uma coisa que a gente possa aceitar”, afirmou.
Fim do futebol? Premier League restringe patrocínio de bets e clubes buscam novas fontes de receita
A Premier League iniciou uma nova fase em sua relação com as casas de apostas. Na atual temporada 2026/27, nenhum clube da primeira divisão inglesa pode exibir nome ou logotipo de uma empresa de apostas esportivas na parte frontal da camisa. A mudança foi aprovada voluntariamente pelos 20 clubes da competição em 2023 e passou a valer agora. Leia em TVT News.
A medida encerra um modelo comercial que durante anos teve forte presença no futebol inglês. Na temporada anterior, 11 dos 20 clubes da Premier League exibiam marcas de casas de apostas no peito, em contratos que movimentavam até 100 milhões de libras em conjunto. Entre os acordos, mesmo os de menor valor, firmados principalmente por equipes recém-promovidas, costumavam alcançar cerca de 6 milhões de libras por ano.
A estimativa apresentada pelo jornal britânico The Guardian é de que os clubes possam deixar de arrecadar até 80 milhões de libras, cerca de R$ 542 milhões, com a retirada das casas de apostas do principal espaço comercial das camisas.
A proibição, entretanto, não eliminou completamente a presença das empresas de apostas no futebol inglês. A restrição se aplica ao espaço frontal dos uniformes. Patrocínios nas mangas, materiais promocionais, placas à beira do campo e outras formas de exposição continuam permitidos.
Clubes ingleses buscam alternativas no mercado
A mudança obrigou metade dos clubes da Premier League a procurar novos parceiros comerciais. Seis equipes chegaram a lançar seus uniformes para a nova temporada sem patrocinador definido, e o Nottingham Forest foi um dos últimos clubes a encontrar uma empresa para substituir sua antiga parceria com uma casa de apostas.
O mercado financeiro passou a ocupar parte desse espaço. Seis clubes agora contam com empresas do setor como patrocinadoras. Entre elas estão Liverpool, com a Standard Chartered; Tottenham, com a AIA; Brighton, com a American Express; Everton, que fechou parceria com a CMC Markets; e Nottingham Forest, que passou a trabalhar com a Marex.
Outro setor que avançou foi o de tecnologia e inteligência artificial. O Fulham passou a ter a ClickHouse, especializada em análise de dados e inteligência artificial, como principal patrocinadora. O Crystal Palace, por sua vez, fechou acordo com a Temporal, empresa de software voltada ao desenvolvimento de tecnologias de inteligência artificial.
A presença de marcas ligadas a países africanos também aumentou. O Aston Villa firmou acordo com a Visit Rwanda, que anteriormente patrocinava a manga da camisa do Arsenal. O Sunderland também negocia uma parceria com a Visit Ghana, embora o acordo ainda não tenha sido confirmado.
A mudança de patrocinadores não ocorreu sem controvérsias. No caso do Aston Villa, organizações e ativistas criticaram a parceria com Ruanda. Segundo a Anistia Internacional do Reino Unido, citada no texto de apoio, críticos acusam o país de utilizar parcerias esportivas para melhorar sua imagem internacional diante de questionamentos relacionados aos direitos humanos.
Estratégia dos clubes também envolve o retorno de antigos patrocinadores

Uma das principais soluções encontradas pelos clubes foi ampliar acordos que já existiam. O Newcastle United, por exemplo, tinha a empresa sul-africana Knox Hydrate como patrocinadora de seu centro de treinamento. O contrato, inicialmente de 6 milhões de libras por ano, foi ampliado e a empresa passou a ocupar o espaço principal da camisa em um acordo de 60 milhões de libras por três anos.
O Bournemouth adotou estratégia semelhante ao promover a Vitality, empresa que já dava nome ao estádio do clube, para o espaço principal da camisa. O Brentford também ampliou sua parceria com a Indeed, que anteriormente estampava os uniformes de treinamento.
Para os clubes, a substituição dos contratos não ocorreu sem perda de receita. Uma estimativa apresentada antes da temporada apontava para uma possível redução líquida de 20% nas receitas relacionadas aos patrocínios. Ao mesmo tempo, representantes do mercado de publicidade esportiva avaliaram que vários acordos foram fechados em valores considerados relevantes, reduzindo o impacto financeiro inicialmente projetado.
O Aston Villa conseguiu um dos maiores contratos entre os clubes fora do chamado Big Six. A parceria com a Visit Rwanda foi estimada em 17 milhões de libras por ano, podendo chegar a 20 milhões com bônus. O clube recebia anteriormente 14 milhões de libras anuais da Betano, que passou a ocupar o espaço da manga da camisa.
Quais outras ligas têm restrições de bets?
A Premier League não é a primeira competição a restringir a publicidade de bets no futebol. Itália, Espanha e Países Baixos adotaram regras mais abrangentes, enquanto Bélgica e Austrália seguiram caminhos com diferentes níveis de restrição.
Itália proibe a publicidade de bets no futebol
Na Itália, as medidas começaram em 2018, com o chamado Decreto Dignità. A legislação proibiu publicidade, inclusive indireta, de jogos e apostas com dinheiro, além de contratos de patrocínio relacionados a eventos esportivos. A partir de 2019, as regras passaram a alcançar também acordos de patrocínio de eventos, atividades e manifestações.
Apesar da legislação, o texto de apoio aponta que empresas ligadas ao setor continuam encontrando formas de aparecer no futebol italiano. A Inter de Milão, por exemplo, tem desde 2024 a Betsson.sport como patrocinadora principal. A marca se apresenta como plataforma de informação e entretenimento esportivo, embora pertença ao grupo Betsson, que atua com apostas esportivas e cassino online.
Desde 2020 a LaLiga proibe o patrocínio de bets em camisas e competições
Na Espanha, o governo aprovou em 2020 o Real Decreto 958/2020, que proibiu o patrocínio de casas de apostas em camisas e equipamentos esportivos. As regras também estabeleceram limitações à presença dessas empresas em equipes, competições e instalações esportivas.
Nos Países Baixos, as restrições são ainda mais amplas. Desde 1º de julho de 2025, operadores de apostas online não podem patrocinar clubes, equipes ou competições esportivas. A mudança foi precedida por medidas adotadas a partir de 2023 para limitar a publicidade não direcionada de jogos de azar.
A Bélgica adotou uma transição gradual. Desde janeiro de 2025, empresas de apostas não podem ocupar a parte frontal dos uniformes esportivos. A legislação prevê uma etapa posterior: a partir de 2028, operadores do setor não poderão patrocinar organizações esportivas profissionais.
Na Austrália, por outro lado, as mudanças ainda estão em discussão. O Parlamento analisa uma proposta que prevê a retirada da publicidade de apostas dos uniformes e dos locais esportivos, além de novas limitações à publicidade online e em outros meios de comunicação.
>> Entenda o caso brasileiro:
Lula defende integração de forças de segurança contra crime organizado em agenda no Rio
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta sexta-feira (18) uma atuação integrada das forças de segurança para combater organizações criminosas no Rio de Janeiro. Durante visita ao Complexo da Polícia Rodoviária Federal (PRF), o presidente acompanhou as Ações Integradas para o Enfrentamento ao Crime Organizado e apresentou o estado como ponto de partida de uma estratégia que pretende ampliar para outras regiões do país. Leia em TVT News.
A proposta está relacionada à PEC da Segurança Pública, enviada pelo governo ao Congresso e que aguarda votação no Senado. Segundo Lula, a integração entre Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Federal, PRF e municípios é necessária para enfrentar grupos criminosos que não seguem as divisões administrativas entre estados e cidades.
“Informação é poder e ninguém quer repartir o poder”, afirmou o presidente ao defender o compartilhamento de dados entre os órgãos de segurança. Para Lula, a existência de centenas de comandos e estruturas separadas dificulta a construção de respostas conjuntas ao crime organizado.
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Reocupação de territórios
A estratégia apresentada no Rio está organizada em três frentes: reocupação territorial, proteção dos corredores logísticos e fortalecimento da atuação municipal na segurança pública.
Dois acordos de cooperação técnica entre o Ministério da Justiça e Segurança Pública e o governo do Rio preveem ações de inteligência territorial, integração de dados, apoio tático-operacional e inteligência financeira e patrimonial. A cooperação poderá envolver a Força Nacional, PF, PRF e Polícia Penal Federal.
A proposta também prevê maior intercâmbio de informações entre os sistemas penitenciários federal e estadual, com o objetivo de dificultar a comunicação de presos com organizações criminosas que atuam fora das unidades.
Para Lula, a retomada dos territórios deve continuar depois das operações policiais. Os Planos Táticos de Reocupação Territorial preveem a combinação de segurança com infraestrutura, desenvolvimento social e econômico, acesso à Justiça, documentação civil, atendimento às vítimas e oferta de serviços públicos.
“Não tem sentido bandido mandar numa favela. Tomar conta do clube do bairro”, afirmou Lula. Segundo o presidente, as diferentes forças de segurança e os municípios precisam atuar “irmanados com o mesmo objetivo”: “Dar tranquilidade ao povo que mora na periferia”.
Combate ao dinheiro das facções
Além da ocupação territorial, Lula defendeu ações voltadas ao financiamento das organizações criminosas. Para o presidente, é necessário identificar quem organiza e lucra com as atividades ilegais, e não apenas prender pessoas que atuam diretamente nos territórios.
“É que nem garimpo. Nós nunca conseguimos pegar o dono do garimpo”, disse. Lula também afirmou que os chefes das organizações criminosas podem estar distantes das áreas onde as atividades são executadas.
Nesse eixo, a estratégia prevê a participação da Receita Federal, do Coaf, do Banco Central e de agências reguladoras. Esses órgãos poderão atuar na identificação de redes empresariais, beneficiários finais e estruturas societárias, além de medidas de bloqueio, apreensão e recuperação de patrimônio.
Proteção das rotas
A terceira frente envolve o monitoramento das principais entradas e saídas do estado. A estratégia concentra ações nas divisas do Rio com São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo e em corredores da Região Metropolitana, como Avenida Brasil, Linha Vermelha e Linha Amarela, além dos acessos ao Porto e ao Aeroporto Internacional Tom Jobim.
Entre as ferramentas previstas estão leitores automáticos de placas, drones, sistemas antidrones, monitoramento aéreo e centros integrados de comando e controle. A PF poderá atuar em investigações relacionadas a patrimônio, lavagem de dinheiro e receptação, enquanto a PRF participará do policiamento e da fiscalização dos corredores.
Uma das operações recentes citadas como exemplo dessa estratégia é a Extraordinária Protetor das Divisas. Em 15 dias de setembro, a ação conjunta entre Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo, com apoio da PRF, abordou 12.246 pessoas e 8.772 veículos.
Foram realizados 486 bloqueios, barreiras e blitz. A operação resultou em 93 prisões de adultos, quatro apreensões de menores, 12 armas retiradas de circulação, 28 veículos apreendidos ou recuperados e uma tonelada de drogas apreendida. O prejuízo estimado ao crime organizado foi de R$ 3,58 milhões.
PEC da Segurança Pública
Para Lula, a experiência no Rio pode antecipar uma mudança nacional na política de segurança por meio da PEC da Segurança Pública. A proposta busca ampliar a coordenação entre os diferentes níveis de governo e dar status constitucional ao Sistema Único de Segurança Pública (Susp).
O presidente voltou a defender a criação de um Ministério da Segurança Pública após a aprovação da PEC, mas afirmou que a nova estrutura precisará contar com recursos para funcionar. “Criar o ministério não é para fazer enfeite, porque se não tiver dinheiro, o ministério não vai fazer nada.”
A estratégia também prevê participação dos municípios. No Rio, 300 agentes estão em formação para integrar a Força Municipal. Somados às turmas anteriores, o contingente chega a aproximadamente 900 agentes.
Ao apresentar a proposta, Lula afirmou que o Rio representa o início de uma mudança no modelo de segurança pública que pretende levar ao restante do país.
Lula vai à ONU: quando e qual será o tema do discurso de abertura
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva viajará a Nova York entre domingo (20) e terça-feira (22) para participar da 81ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU). O principal compromisso será o discurso de abertura do Debate Geral, marcado para terça-feira (22). Leia em TVT News.
Tradicionalmente, o Brasil é o primeiro país a discursar no Debate Geral desde 1955. Neste ano, Lula deverá defender a importância do multilateralismo diante da multiplicação de conflitos internacionais e apresentar a posição brasileira sobre os principais temas da agenda internacional.
O discurso ainda está em elaboração, mas auxiliares do presidente afirmam que Lula deverá dedicar parte da fala à defesa da soberania brasileira e fazer referências indiretas ao que o governo considera tentativas externas de interferência no processo eleitoral do país.
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Lula deve fazer críticas indiretas aos EUA
Segundo informações de auxiliares, Lula não deverá citar diretamente os Estados Unidos nem o presidente Donald Trump. Ainda assim, a expectativa é de que haja recados aos EUA e a outros países que, na avaliação do governo brasileiro, tentam influenciar as eleições do Brasil.
Além dos Estados Unidos, Argentina e Israel são citados pela equipe de Lula nesse contexto. Para os auxiliares do presidente, os EUA representam a maior ameaça à reeleição de Lula, principalmente pelo peso das grandes empresas de tecnologia, as chamadas big techs, e pela atuação norte-americana na geopolítica.
Apesar das referências ao cenário eleitoral, o processo eleitoral brasileiro não deverá ser o tema central da fala. Segundo a diplomacia brasileira, o assunto ganhou relevância diante da avaliação de que a democracia e o multilateralismo estão sob ataque.
Nos últimos dias, Lula tem afirmado que pretende deixar claro a Trump que não aceita interferência norte-americana nas eleições brasileiras.
Multilateralismo e reforma da ONU estarão na agenda
Outro eixo previsto para o discurso é a defesa do multilateralismo, uma das linhas centrais da política externa brasileira. Lula deverá defender a negociação como caminho para solucionar disputas entre países, além do respeito ao direito internacional humanitário e ao princípio de não interferência em assuntos internos de outros Estados.
A reforma das Nações Unidas, especialmente do Conselho de Segurança, também deverá ser abordada. O Brasil defende há anos mudanças na composição e no funcionamento do órgão e critica sua dificuldade de responder aos conflitos internacionais.
A 81ª sessão da Assembleia Geral tem como tema “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas”. A sessão é presidida pelo ministro das Relações Exteriores de Bangladesh, Khalilur Rahman.
Encontro com António Guterres
Além do discurso, Lula terá uma reunião com o secretário-geral da ONU, António Guterres. Será a última Semana de Alto Nível da Assembleia Geral com Guterres no cargo, já que seu segundo mandato termina em 31 de dezembro de 2026.
A agenda presidencial prevê a chegada de Lula a Nova York na noite de domingo (20). Na segunda-feira (21), estão previstos encontros bilaterais, ainda em definição. Na terça-feira, além do discurso na Assembleia Geral e da reunião com Guterres, o presidente retornará ao Brasil.
Esta será a 11ª participação de Lula na Assembleia Geral da ONU como presidente da República. Ao longo de seus três mandatos, ele não participou apenas da edição de 2010.
Lula e Trump podem se encontrar em Nova York
Lula e Trump podem se cruzar durante o intervalo entre os discursos de abertura da Assembleia Geral. Até o momento, não há movimentação dos dois governos para uma reunião bilateral às margens do evento.
A expectativa é que os presidentes se encontrem nos corredores da Assembleia, como ocorreu no ano passado. Na ocasião, Trump afirmou que havia existido uma “química” entre os dois.
O possível encontro ocorre em um momento de tensão nas relações entre Brasil e Estados Unidos, marcadas pela imposição de novas tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros e por declarações de Trump relacionadas à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Mauro Vieira participa de reuniões ministeriais
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, permanecerá em Nova York durante toda a semana e participará de reuniões ministeriais de diferentes grupos e organizações, incluindo BRICS, IBAS, G77, G4, L69 e CPLP.
Também estão previstas reuniões da CELAC e do Consenso de Brasília. Vieira presidirá, ainda, dois encontros ministeriais: o da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, em 23 de setembro, e o da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (ZOPACAS), no dia 24.
O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, também participará de atividades em Nova York, entre os dias 21 e 23, relacionadas a segurança alimentar, proteção social, financiamento para o desenvolvimento e cooperação internacional.
Presidente Lula viaja a Nova York entre 20 e 22 de setembro e fará a abertura da assembleia geral da ONU na terça-feira; soberania, multilateralismo e reforma da ONU devem estar entre os temas
A delegação brasileira participará ainda de reuniões do Conselho de Segurança da ONU e de encontros sobre a situação da Palestina e a solução de dois Estados, combate à desigualdade, consolidação da paz e direito internacional humanitário.
Além de Mauro Vieira e Wellington Dias, estão previstas atividades com a ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck; o ministro dos Povos Indígenas, Luiz Eloy Terena; e a ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros.
Eleições não serão tema central
Apesar das referências à interferência externa, o processo eleitoral brasileiro não deverá ocupar o centro do discurso de Lula. A avaliação do governo é que o assunto ganhou relevância diante do entendimento da diplomacia brasileira de que a democracia e o multilateralismo estão sob ataque.
Nos últimos dias, Lula tem afirmado que pretende reforçar a Trump que não aceita interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras. A manifestação deve ocorrer em meio às discussões sobre a relação entre os dois países.
Lula e Trump podem se encontrar na ONU
Lula e Trump podem se cruzar durante o intervalo entre os discursos de abertura da 81ª sessão da Assembleia Geral da ONU. Até o momento, não há movimentação entre os dois governos para a realização de uma reunião bilateral durante o evento.
A expectativa é que os presidentes se encontrem nos corredores da Assembleia, como ocorreu no ano passado. Na ocasião, Trump afirmou que havia existido uma “química” entre os dois.
A relação entre Brasil e Estados Unidos tem sido marcada recentemente pela imposição de novas tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros e por declarações de Trump relacionadas à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Artistas se engajam na campanha de Lula e lançam mobilizações nas redes
Artistas de diferentes áreas da cultura brasileira passaram a ocupar as redes sociais e os palcos com manifestações públicas de apoio à candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição. Nas últimas semanas, nomes como Maria Bethânia, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Malu Mader declararam voto no presidente repetindo a frase “Bora, Lula”.
A movimentação reúne nomes da música, televisão, cinema e teatro e ocorre a menos de três semanas do primeiro turno das eleições de 2026. Também há mobilizações voltadas a candidaturas ao Senado e ações relacionadas ao debate sobre as apostas online, tema que ganhou espaço nas redes sociais após o governo federal discutir novas restrições às bets.
Artistas que apoiam Lula: veja os principais pontos
- Artistas declararam voto em Lula: Maria Bethânia, Caetano Veloso, Malu Mader e outros nomes da cultura manifestaram publicamente apoio ao presidente. Bethânia declarou durante um show: “Eu voto Lula presidente”.
- O que os artistas falaram: as manifestações abordam temas como democracia, cultura, produção audiovisual, geração de empregos e valorização da produção cultural brasileira.
- A estratégia de vira voto voltou ao debate: a campanha “Vira Voto”, com artistas em apoio a Lula, voltou às redes.
- Apostas online também entraram no debate: artistas e movimentos culturais já haviam se mobilizado contra as bets, enquanto o governo Lula discute novas medidas para restringir jogos e publicidade do setor.
Artistas ampliam os apoios a Lula
A mobilização mais recente ganhou força com vídeos publicados pelo perfil 342 Artes. Em uma das gravações, artistas aparecem individualmente repetindo a frase “Bora, Lula”, em uma manifestação coletiva de apoio à candidatura à reeleição.
Participam do vídeo Xamã, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Sophie Charlotte, Jota.pê, Malu Mader, Leona Cavalli, Giovanna Nader, Paulinho da Viola, Zezé Polessa, Maria Flor, Betty Gofman, Fernanda Abreu, Duda Beat, Paula Burlamaqui, Tony Bellotto e Enrique Díaz.
A iniciativa reúne artistas de diferentes gerações e segmentos da cultura brasileira. O coletivo 342 Artes é associado a mobilizações políticas envolvendo integrantes da classe artística e também participou da campanha “Vira Voto” nas eleições de 2022 e, recentemente, levou o povo às ruas contra PEC da Blindagem.
Além do vídeo coletivo, artistas fizeram manifestações individuais. Maria Bethânia declarou voto em Lula durante apresentação no Coala Festival, em São Paulo, no dia 12 de setembro. A cantora fez o gesto de “L” com a mão e disse: “Eu voto Lula presidente”.
No dia seguinte, Caetano Veloso também fez o gesto de “L” durante um show no Distrito Federal e declarou apoio ao presidente.
Malu Mader relaciona voto em Lula à política cultural
A atriz Malu Mader também declarou voto em Lula em um vídeo publicado nas redes sociais em 17 de setembro.
Na gravação, a atriz relacionou sua posição política à retomada da produção audiovisual brasileira. Ela afirmou que voltou a ver filmes sendo produzidos e empregos sendo gerados no setor cultural.
Malu também relatou ter vivido um período em que, segundo sua avaliação, artistas foram tratados como “inimigos” e projetos culturais ficaram parados. Para a atriz, a produção cultural está relacionada ao trabalho, à economia e à identidade do país.
Artistas também apoiam candidaturas ao Senado
A mobilização do 342 Artes não se restringe à disputa presidencial. Gilberto Gil, Caetano Veloso e Paulinho da Viola participaram de vídeos de apoio a candidaturas femininas ao Senado.
Entre os nomes apoiados estão Marina Silva, candidata ao Senado por São Paulo, Eliziane GAma, candidata pelo Maranhão e Manuela d’Avila pelo Rio Grande do Sul. Nos vídeos divulgados nas redes sociais, os três artistas destacam a trajetória da candidata e defendem maior presença de mulheres na política.
A participação de artistas em campanhas eleitorais amplia uma prática que já esteve presente em diferentes eleições, quando nomes conhecidos da música, do cinema e da televisão utilizaram suas redes e apresentações públicas para declarar suas preferências políticas.
Artistas fazem campanha de vira voto
Nas redes sociais, o engajamento foi além das declarações formais de voto. Os artistas têm usado suas plataformas e sua influência para participar ativamente do movimento “vira voto”. O objetivo é alcançar eleitores indecisos e promover o diálogo sobre a importância da participação popular e da defesa da cultura.
Todo mundo virando voto por menos armas e mais educação.
— Sandroka13 (@sandraselmasr) September 17, 2026
LULA NO PRIMEIRO TURNO pic.twitter.com/uZ79IpuApZ
Campanha contra bets toma conta das redes sociais
A campanha contra a publicidade de casas de apostas, conhecidas como bets, ganhou destaque nas redes sociais após o presidente Lula defender medidas de restrição ao setor.
Lula falou sobre o impacto das bets e alertou para o endividamento causado pelas apostas. “É como se fosse uma droga. As bets não podem ser tratadas como diversão quando estão levando pessoas ao endividamento”, declarou o presidente.
Os clubes de futebol reagiram com uma nota conjunta, afirmando que as medidas representariam um “golpe fatal” no esporte. Entre os clubes que aderiram ao manifesto estão Grêmio, Santos, Palmeiras, São Paulo, Corinthians, Flamengo, Cruzeiro, Fluminense, Vasco, Botafogo e Chapecoense.
A reação dos torcedores foi dura. Uma análise de 90.123 interações (X + Instagram) sobre o posicionamento dos clubes mostrou que 88% criticaram a defesa das bets, enquanto apenas 5,1% manifestaram apoio. Cerca de 19,6% das respostas mencionaram a dependência financeira ou o interesse econômico dos clubes, e 13,5% fizeram referência aos impactos sociais das apostas, como vício, endividamento e efeitos sobre famílias.
A possibilidade de restrição gerou forte reação no meio esportivo. Os principais clubes de futebol do país lançaram uma nota conjunta em defesa dos patrocínios milionários das casas de apostas. No entanto, a posição dos dirigentes esportivos foi duramente criticada pelas próprias torcidas.
Nas redes sociais, o cenário se inverteu: torcedores e influenciadores digitais demonstraram forte apoio às medidas estudadas por Lula contra as bets. O público tem apontado os graves problemas financeiros e sociais causados pelo vício em jogos de azar, reforçando que a saúde pública e a economia popular devem estar acima dos interesses de patrocínio das equipes.
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Fim do futebol? Torcidas reagem à postura dos clubes sobre bets
Nesta noite de quinta-feira (17), clubes brasileiros da série A se uniram para defender a não proibição das bets que, segundo a nota divulgada em conjunto, seria equivalente ao “fim do futebol brasileiro”. A manifestação dos times ocorreu após a divulgação da notícia de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva estaria preparando uma Medida Provisória para proibir cassinos online e bets. Leia em TVT News.
A MP do governo Lula, no entanto, deixa de fora o patrocínio de clubes, campeonatos esportivos e apostas esportivas, o que significa que a medida não afetaria os times. Além disso, a proposta ainda precisaria ser aprovada no Congresso e, se aprovada, existe ainda a cláusula de vigência de 180 dias na medida, que é o tempo para que ela passe a valer.
Mesmo que a MP não afete os times, a nota em conjunto saiu no mesmo dia da notícia relacionada ao projeto do Ministério da Fazenda, antecipando a defesa para que o patrocínio de bets em clubes esportivos mantido. O texto divulgado pelos times de futebol defendem que, sem as bets, os impactos financeiros seriam tão grandes que poderia resultar no fim do futebol.
Entre os clubes que divulgaram a nota a favor da permanência do mercado das bets estão Flamengo, Fluminense, Botafogo, Vasco, Palmeiras, São Paulo, Santos, Cruzeiro e Corinthians. Federações estaduais também aderiram à mobilização, como a Federação Paulista de Futebol.
Os clubes reconheceram os impactos sociais relacionados às apostas, mas defendem mesmo assim a permanência desse mercado com medidas de “redução de dano”, como o fortalecimento da fiscalização e de medidas de prevenção.
A nota da Federação Paulista de Futebol argumenta que o dinheiro das bets é fundamental para manter estruturas administrativas, centros de treinamento, jogadores, projetos sociais, futebol feminino e formação de futuros talentos. E termina de forma apelativa:
“O torcedor não pode pagar essa conta. Se acabar com o mercado regulado, as apostas não acabam. O que acaba é o futebol!”.
Alguns clubes fizeram notas oficiais em seus sites ou para a imprensa, então: Apenas 5 clubes do Brasileirão não participaram da campanha contra a proibição das bets no futebol brasileiro:
— DataFut (@DataFutebol) September 18, 2026
Internacional
Bahia
Remo
Athletico Paranaense
Coritiba pic.twitter.com/3xpFkI4qGw
Em vez de apoio nas redes, a maioria dos torcedores receberam a nota dos clubes de forma negativa
A nota divulgada pelos clubes repercutiu bastante nas redes sociais entre os torcedores, que questionaram o argumento sobre a dependência que o futebol brasileiro teria das bets e que, sem elas, seria o fim.
O Portal 91 de ciência de dados no futebol analisa as estatísticas e sentimento das torcidas nas redes. Ao analisar a repercussão da declaração dos clubes em apoio as bets, o portal identificou 90.123 interações (X + Instagram) sobre o assunto.
Em 31.761 dessas interações foi possível identificar uma posição clara sobre o posicionamento dos clubes:
- 88,0% dos usuários nas redes sociais criticaram o posicionamento
- 6,9% adotaram uma posição intermediária
- 5,1% manifestaram apoio
- 19,6% das respostas mencionaram a dependência financeira ou o interesse econômico dos clubes
- 13,5% fizeram referência aos impactos sociais das apostas, como vício, endividamento e efeitos sobre famílias
- 10,5% recorreram a um argumento histórico: o futebol brasileiro existia antes da expansão das bets. A própria expressão “fim do futebol brasileiro”, utilizada para dimensionar os possíveis impactos econômicos das restrições, passou a ser apropriada de forma irônica nas redes.
Alguns jornalistas e comentaristas esportivos usaram as redes para se posicionar. Gian Oddi, da Espn, disse ter dificuldade para acietar o argumento de que, sem as bets, os apostadores migrariam para a clandestinidade, já que esse tipo de aposta já existem há décadas no Brasil.
“Facilidade para se apostar e o estímulo constante para que se aposte são as causas”
Oddi aponta que, mesmo que as apostas clandestinas já existiam, o cenário “caótico de vidas ceifadas e famílias destruídas é um fenômeno recente”. O jornalista argumenta que a facilidade para se apostar e o estímulo constante para que se aposte é o principal fator para a epidemia de viciados em jogos de apostas que vivemos.
“A morte do futebol brasileiro? Se vier a ocorrer porque a incompetência dos clubes os fez depender do vício alheio para sobreviver, que assim seja”, disse Oddi.
Tenho dificuldade para aceitar o argumento de que, sem as bets regularizadas, os apostadores migrariam para a clandestinidade.
— Gian Oddi (@gianoddi) September 18, 2026
Apostas de futebol clandestinas existem há décadas no Brasil (vide Máfia do Apito), mas o cenário caótico de vidas ceifadas e famílias destruídas é…
Futebol precisa da miséria do torcedor para existir?
O avanço das apostas online, conhecidas como bets, atingem diretamente o orçamento das famílias brasileiras, a saúde mental e a atividade econômica.
Pesquisas recentes apontam aumento da participação da população nas plataformas, crescimento dos casos de comportamento de risco e maior procura por atendimento médico e psicológico relacionado aos jogos.
1,4 milhão de brasileiros desenvolveram dependência em apostas
O III Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (LENAD III) estima que 7,3% da população brasileira, equivalente a 10,9 milhões de pessoas, apresenta padrão de jogo de risco ou problemático. O levantamento aponta ainda que aproximadamente 1,4 milhão de brasileiros desenvolveram dependência relacionada às apostas.
Entre as modalidades de jogo mais utilizadas aparecem as loterias, citadas por 71,3% dos entrevistados, seguidas pelos sites de apostas online, com 32,1%, e pelo jogo do bicho, com 28,9%.
Procura por atendimento médico e psicológioco relacionados às apostas cresce 104% entre 2018 e 2025
Segundo o Guia de cuidados para pessoas com problemas relacionados a jogos de apostas, do Ministério da Saúde, foram registrados 10.553 atendimentos relacionados a jogo patológico e mania de jogo e aposta entre janeiro de 2018 e maio de 2025.
No período analisado, houve crescimento de 104% nos atendimentos. Do total, 4.316 foram realizados em regime ambulatorial, incluindo atendimentos nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps).
O Ministério da Saúde ressalva que os registros não especificam se o jogo patológico ou a mania de jogo e aposta estavam relacionados especificamente às bets. A pasta também alerta para a possibilidade de subnotificação e projeta que a demanda por atendimento continue crescendo.
Em março deste ano, o governo federal criou uma estratégia específica de teleatendimento para pessoas com problemas relacionados a jogos e apostas. O serviço começou com capacidade de 600 atendimentos mensais, mas, diante da procura, foi ampliado para até 100 mil teleatendimentos por mês.
Desde o fim de março, 27.703 pessoas se cadastraram no serviço, segundo o Ministério da Saúde.
Outro indicador é a procura pela ferramenta de autoexclusão das plataformas de apostas, disponibilizada pelo governo federal em dezembro do ano passado. De acordo com informações da Agência Brasil, mais de 1 milhão de pessoas já se inscreveram no serviço.
R$ 62,5 bilhões saíram do orçamento das famílias por conta das apostas online
Um levantamento do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz), em parceria com o Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento (Cicef), calculou o volume de recursos que deixou o orçamento dos apostadores.
Segundo a terceira edição do Boletim Fiscal dos Estados Brasileiros, as bets provocaram uma saída líquida de R$ 62,5 bilhões das famílias brasileiras em 2025.
A chamada saída líquida corresponde à diferença entre o dinheiro colocado pelos apostadores nas plataformas e os valores que retornaram na forma de prêmios. O cálculo, portanto, procura medir quanto permaneceu no setor depois de considerados os pagamentos aos jogadores.
Entre outubro de 2024 e março de 2026, o estudo estimou uma perda média de R$ 4,7 bilhões por mês. Em 2025, os R$ 62,5 bilhões representaram aproximadamente 0,68% da renda disponível das famílias.
O levantamento foi elaborado a partir de dados do Banco Central, das Estatísticas de Pagamentos por Atividade Econômica (Epae) e de análises próprias.
A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), que representa empresas do setor, contestou os resultados. Em nota, a entidade afirmou que o estudo contém “erros graves”, desconsidera fatores macroeconômicos e apresentou como contraponto uma receita bruta oficial de R$ 37 bilhões em 2025.
Bets e as finanças domésticas: 53% dos apostadores já atrasaram alguma conta para apostar
A pesquisa Pulso Apostas 2026, realizada pelo instituto Hibou com 2.470 brasileiros maiores de idade das classes ABCD, aponta que 53% dos apostadores já atrasaram alguma conta para priorizar o dinheiro destinado às bets.
Entre eles, 25% disseram ter atrasado contas uma vez e 28% afirmaram que isso ocorreu algumas vezes.
O estudo também mostra que 59% dos jogadores já cortaram gastos domésticos para financiar apostas. Nesse grupo, 14% disseram ter feito isso uma vez e 45% relataram que o comportamento ocorreu algumas vezes.
Os valores apostados podem parecer pequenos quando considerados isoladamente. Cerca de 36% dos entrevistados disseram gastar entre R$ 21 e R$ 50 por aposta, enquanto 24% afirmaram utilizar até R$ 20.
O problema aparece quando a prática se torna frequente e passa a disputar espaço com despesas básicas. O dinheiro destinado à alimentação, contas da casa, transporte, educação ou outras necessidades pode ser redirecionado para as plataformas quando o jogo passa a ocupar uma parcela crescente do orçamento.
Apostas já fazem parte da rotina de 38% dos brasileiros
A mesma pesquisa indica que as apostas online já fazem parte da rotina de 38% dos brasileiros entrevistados.
Entre os que apostam, 39% afirmaram jogar algumas vezes por mês, 22% semanalmente e 11% várias vezes por semana.
O levantamento também identificou diferentes formas de relação com as apostas. Cerca de 46% dos entrevistados se classificaram como apostadores casuais. Outros 30% não souberam definir o próprio perfil, enquanto 18% disseram concentrar-se em mercados simples e 6% afirmaram atuar como analistas de probabilidades.
A busca por dinheiro fácil aparece como principal motivação, citada por 47% dos entrevistados.
Ao mesmo tempo, 80% dos participantes concordaram que a atividade pode causar dependência.
A pesquisa identificou sinais de descontrole financeiro ou emocional em 15% dos apostadores. Para 6%, esses impactos negativos ocorrem com frequência; para outros 9%, aparecem de maneira esporádica.
O estudo foi realizado digitalmente entre 28 e 31 de agosto deste ano e tem margem de erro de 1,9 ponto percentual.
Impacto negativo no PIB: Bets retiraram entre R$ 120 bilhões e R$ 141 bilhões da atividade econômica brasileira em 2025
Um estudo do economista Guilherme Klein, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pesquisador do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades da Universidade de São Paulo (Made-USP), calculou os possíveis efeitos das apostas sobre o Produto Interno Bruto, a arrecadação pública e a desigualdade.
Segundo a pesquisa, as bets teriam retirado entre R$ 120 bilhões e R$ 141 bilhões da atividade econômica brasileira em 2025, o equivalente a aproximadamente 0,9% a 1,1% do PIB.
O estudo estima que esse montante corresponda a entre 40% e 50% de todo o crescimento da economia brasileira naquele ano, calculado em 2,3%.
Dinheiro de apostas deixa de circular em outras atividades de consumo e investimento, prejudicando a economia
A lógica apresentada é que o dinheiro direcionado às apostas deixa de circular em outras atividades de consumo e investimento. Assim, além da perda financeira dos jogadores, o estudo procura dimensionar possíveis efeitos sobre o conjunto da economia.
Klein também comparou a estimativa com os impactos projetados para o chamado tarifaço norte-americano sobre produtos brasileiros. Segundo o estudo, o impacto econômico estimado das bets seria aproximadamente cinco vezes maior que a estimativa citada para as tarifas.
As entidades que representam o setor de apostas, porém, afirmam que os resultados precisam ser analisados com cautela e defendem o aprofundamento da discussão sobre os impactos econômicos e sociais da atividade.
R$ 220,6 bilhões foram destinados a plataformas de bets em 2025
Os brasileiros depositaram R$ 220,6 bilhões nas plataformas de bets em 2025. Desse total, aproximadamente R$ 36,9 bilhões corresponderam às perdas dos apostadores convertidas em receita bruta.
Outros R$ 183,7 bilhões foram destinados ao pagamento de prêmios e à oferta de bônus sacáveis.
Leia o comunicado na íntegra
“O FIM DO FUTEBOL BRASILEIRO
O futebol acompanha com atenção as discussões sobre o mercado de apostas no Brasil e reconhece os desafios que sua expansão traz. Os impactos sociais, especialmente sobre as pessoas mais vulneráveis, exigem atenção permanente do Poder Público, das empresas e de todos os setores envolvidos.
Por isso, é fundamental aprimorar as medidas de proteção, fiscalização, educação e prevenção, para reduzir riscos e garantir um mercado responsável.
O Brasil escolheu enfrentar esse desafio pela regulamentação. A regulamentação estabeleceu regras rígidas para as empresas autorizadas a atuar no país, com regras claras que permitem ao Estado fiscalizar o mercado, responsabilizar quem descumpre a lei e combater a atuação de plataformas clandestinas.
Importante ressaltar que, nos últimos anos, o investimento das empresas de apostas autorizadas tornou-se uma das principais fontes de receita do esporte. Este investimento impulsionou o futebol brasileiro de tal forma a dominar o cenário sul-americano em competições como a CONMEBOL Libertadores e a CONMEBOL Sul Americana e a colocar clubes brasileiros em posição de protagonismo.
Essa presença não se limita aos maiores clubes. Os recursos também alcançam equipes de menor expressão, divisões de acesso e competições com menor exposição comercial. Para muitos destas agremiações, especialmente aquelas localizadas no interior do país, não existe hoje outro segmento econômico capaz de substituir imediatamente esse investimento.
Essas receitas são fundamentais para manter estruturas administrativas, centros de treinamento, profissionais, projetos sociais e departamentos que não gerem recursos suficientes para se sustentar de maneira independente, como parte do futebol feminino e a formação de futuros talentos, os primeiros investimentos ameaçados quando a receita cai de forma abrupta.
Assim, os rumores sobre mudanças abruptas na regulamentação do mercado de apostas têm gerado enorme preocupação em todos os clubes, federações e entidades de administração do esporte.Uma mudança abrupta nas regras reduziria a capacidade de investimento dos clubes e criaria desequilíbrios dentro e fora do país. Contratos regularmente firmados, planejamentos plurianuais e compromissos financeiros foram estabelecidos sob um marco regulatório construído pelo próprio Estado.
Para responder a um mercado que já existia e movimentava ilegalmente bilhões de reais, o país instituiu um ambiente regulado. Empresas foram autorizadas, passaram a recolher impostos e assumiram obrigações relacionadas à proteção do consumidor, ao bloqueio de menores, à prevenção de práticas abusivas e ao combate à lavagem de dinheiro e à manipulação de competições. Foi justamente a regulamentação do mercado que retirou o Brasil da liderança do ranking mundial de casos de manipulação.
Inviabilizar esse modelo não fará com que as apostas deixem de existir. Apenas abrirá o caminho para que os consumidores migrem integralmente para plataformas clandestinas, que não pagam impostos, não respeitam limites, não oferecem instrumentos de proteção e não colaboram com as autoridades.
A consequência não será apenas uma porta escancarada para as apostas clandestinas, mas um golpe fatal para o futebol brasileiro, levando muitos clubes à insolvência. Isso, sem falar na insegurança jurídica e profissional que a medida acarretaria, especialmente para contratos regularmente firmados e planejamentos construídos sob o marco regulatório aprovado pelo Congresso Nacional e estabelecido pelo próprio Estado.
O que o futebol entende que deve ser feito, com o máximo rigor, é combater a ilegalidade, fortalecer a fiscalização e aperfeiçoar os mecanismos de proteção, sem colocar em risco um mercado que foi regulamentado pelo próprio Estado. O futebol se coloca à disposição do Governo Federal, do Congresso Nacional, das Autoridades Estaduais e Municipais para colaborar em mecanismos mais eficientes de educação e conscientização.
O futebol está mobilizado, reconhece suas responsabilidades e quer participar da solução, de uma forma racional e consciente.
O TORCEDOR NÃO PODE PAGAR ESSA CONTA.
SE ACABAR COM O MERCADO REGULADO, AS APOSTAS NÃO ACABAM.
O FUTEBOL É QUE ACABA”
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