Agora

Da Redação

Irã chega à Turquia para se preparar para Copa do Mundo e tratar dos vistos

A seleção do Irã chegou nesta segunda-feira (18) à Turquia para disputar um amistoso e concluir as solicitações de visto para viajar aos Estados Unidos para a Copa do Mundo de 2026, em um contexto complexo devido ao frágil cessar-fogo da guerra entre ambos os países, que teve início no final de fevereiro. Leia em TVT News.

Os jogadores iranianos deixaram o aeroporto de Antalya (sul) pouco antes das 13h00 GMT (10h00 em Brasília), constataram dois correspondentes da AFP.

A equipe, composta por 22 jogadores e pela comissão técnica, segundo a agência de notícias iraniana Tasnim, havia partido de Teerã na manhã desta segunda-feira.

A participação da equipe na Copa do Mundo de 2026, organizada por Estados Unidos, México e Canadá, ocorre em meio a um frágil cessar-fogo que colocou em pausa 40 dias de guerra iniciados em 28 de fevereiro.

Os Estados Unidos romperam relações diplomáticas com o Irã em 1980, após a Revolução Islâmica e a crise dos reféns na embaixada americana.

Em Antalya, o Irã espera disputar dois amistosos, embora até agora só tenha sido confirmado um confronto contra a Gâmbia, previsto para 29 de maio.

>> Siga o grupo da TVT News no WhatsApp

A equipe aproveitará sua estadia no país para concluir os pedidos de visto necessários para entrar nos Estados Unidos. “Os vistos ainda não foram emitidos”, declarou Mehdi Taj, presidente da federação iraniana de futebol, à imprensa iraniana na última quinta-feira.

Taj disse que era esperado que os jogadores se submetessem à coleta de impressões digitais na Turquia como parte do processo de visto, mas que queriam evitar uma viagem de mais de 380 quilômetros de Antalya até Ancara.

No sábado, o secretário-geral da Fifa, Mattias Grafstrom, teve uma reunião no país com a federação iraniana, classificando-a como excelente e construtiva.

O dirigente da seleção também descreveu a conversa como “positiva e construtiva”, sem entrar em detalhes.

Quando a seleção chegar aos Estados Unidos, o Irã deve estabelecer sua base em Tucson, no Arizona.

A equipe, que está no Grupo G, inicia sua campanha na Copa do Mundo contra a Nova Zelândia em Los Angeles, em 15 de junho. Em seguida, enfrenta a Bélgica na mesma cidade, no dia 21, e posteriormente o Egito em Seattle, no dia 26.

sorteio-da-copa-do-mundo-2026-guia-para-acompanhar-o-caminho-do-brasil-para-o-hexa-tvt-news
Cidades em que acontecerão os jogos da Copa do Mundo 2026. Arte: TVT News

Teerã, Irã, com informações da AFP

Presidente da Fifa: “O Irã tem que vir”

Durante um evento sobre investimentos, Infantino foi enfático ao falar sobre a participação iraniana no Mundial. Para o dirigente, a presença da seleção é uma questão de mérito esportivo e representatividade, devendo ser isolada dos conflitos diplomáticos vigentes.

“A equipe iraniana está vindo com certeza. Esperamos que até lá a situação seja pacífica. Como eu disse, isso com certeza ajudaria. Mas o Irã tem que vir. Eles representam seu povo. Eles se classificaram. Os jogadores querem jogar. Eles também são uma boa equipe. Eles querem competir. Deveriam jogar.”, disse o presidente da Fifa.

Tabela da Copa do Mundo 2026

Quais são os grupos da Copa do Mundo 2026

Grupos da Copa do Mundo da FIFA 2026

  • GRUPO A: México, África do Sul, Coreia do Sul e Dinamarca;

  • GRUPO B: Canadá, Bósnia, Catar e Suíça;

  • GRUPO C: Brasil, Marrocos, Haiti e Escócia;

  • GRUPO D: Estados Unidos, Paraguai, Austrália e Turquia;

  • GRUPO E: Alemanha, Curaçao, Costa do Marfim e Equador;

  • GRUPO F: Holanda, Japão, Suécia e Tunísia;

  • GRUPO G: Bélgica, Egito, Irã e Nova Zelândia;

  • GRUPO H: Espanha, Cabo Verde, Arábia Saudita e Uruguai;

  • GRUPO I: França, Senegal, Iraque e Noruega;

  • GRUPO J: Argentina, Argélia, Áustria e Jordânia;

  • GRUPO K: Portugal, RD Congo, Uzbequistão e Colômbia;

  • GRUPO L: Inglaterra, Croácia, Gana e Panamá.

copa-do-mundo-da-fifa-copa-do-mundo-2026-tvt-news
Os 12 grupos da Copa do Mundo da FIFA 2026. Arte: TVT News

Financiamento de carros e motos cresce 11,8% em abril, indica Trillia

O financiamento de veículos no Brasil registrou alta de 11,8% em abril, na comparação com o mesmo mês de 2025, ao somar 634.587 mil unidades entre novos e usados, incluindo automóveis leves, motocicletas e pesados, que foram compradas com crédito. Saiba mais na TVT News.

Segundo o levantamento da Trillia, entre os automóveis leves, o crescimento foi 13,3% na comparação anual. O destaque ficou com os modelos zero quilômetro, que tiveram alta de 21,9% nos financiamentos. Já os usados também cresceram e atingiram 10,9%.

De acordo com o levantamento, o financiamento de motocicletas teve alta 9,8% em abril, com os modelos novos puxando o resultado, com aumento de 12% nas vendas financiadas. As motos usadas avançaram 9,1%. No segmento de veículos pesados, o crescimento foi 3,9%. O desempenho foi sustentado pelos modelos novos, que avançaram 10,9%. Já os usados recuaram 4,6%.

A Região Sudeste concentrou 42,2% das operações. Em seguida aparecem a Sul, com 20,8%, a Nordeste, com 19,7%, o Centro-Oeste, com 10,7% e a Norte, com 7,3%.

>> Siga o grupo da TVT News no WhatsApp

Preços de transação

Em abril, os veículos zero quilômetro apresentaram alta média de 0,7% nos preços de transação. O avanço foi observado em três dos sete segmentos: picapes derivadas de automóveis, picapes médias e sedans. As picapes compactas se destacaram como o modelo que teve a maior queda de preço no período.

No mercado de usados, abril foi marcado por uma queda média de aproximadamente 1,55% nos preços de transação, com retração observada em todos os segmentos analisados. As maiores quedas foram registradas em picapes compactas, picapes médias e carros compactos.

Acumulado do ano

Segundo a Trillia, o número de veículos financiados chegou a 2,5 milhões de unidades no acumulado de janeiro a abril. As motocicletas lideram o ritmo de expansão no ano, com crescimento de 16%, seguidas pelos automóveis (12,7%) e pelos veículos pesados (3,9%).

“Os dados indicam um cenário de crédito mais disponível, contribuindo para a manutenção do ritmo positivo do mercado automotivo, mesmo em um contexto de juros elevados. Na prática, o avanço do financiamento mostra que o consumidor tem acessado crédito para aquisição de veículos”, analisou o superintendente de Relacionamento com Clientes e Relações Institucionais na Trillia, Thiago Gaspar.

Flávia Albuquerque – Repórter da Agência Brasil

Master: operação da PF contra fraude bilionária completa seis meses

Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF), completa seis meses nesta segunda-feira (18). As seis fases executadas até 14 de maio trouxeram à luz o que pode ser a maior fraude contra o Sistema Financeiro Nacional já registrada no Brasil, causadora de potencial prejuízo de dezenas de bilhões de dólares. Saiba mais na TVT News.

A operação também revelou a intrincada teia de relações que o principal alvo da apuração, o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, estabeleceu com políticos; criminosos e servidores públicos de alto escalão. Na lista, figuram diretores do Banco Central (BC), órgão responsável por fiscalizar o sistema bancário, e agentes da própria PF.

As investigações acerca do esquema que, segundo a PF, era chefiado por Vorcaro, começou no início de 2024, a pedido do Ministério Público Federal (MPF). 

Desde então, as provas reunidas motivaram o Poder Judiciário, sobretudo o Supremo Tribunal Federal (STF), a decretar 21 prisões temporárias (de até cinco dias, prorrogáveis pelo mesmo período) ou preventivas (sem prazo para ser revogada), incluindo a do próprio banqueiro. 

>> Siga o grupo da TVT News no WhatsApp

Também foram expedidos 116 mandados de busca e apreensão de provas e autorizações judiciais para o bloqueio e o sequestro de bens em valores próximos a R$ 27,71 bilhões. 

Os mandados foram cumpridos em sete unidades da Federação:

  • Bahia;
  • Minas Gerais;
  • Piauí;
  • Rio de Janeiro;
  • Rio Grande do Sul;
  • São Paulo;
  • Distrito Federal. 

Primeira fase

Na primeira etapa da Compliance Zero, em 18 de novembro de 2025, Daniel Vorcaro, 42 anos, foi um dos sete presos. Os agentes federais já vinham investigando os indícios de “fabricação de carteiras de crédito sem lastro financeiro” há quase um ano. Concluíram que tais títulos tinham sido vendidos a outro banco, o Banco de Brasília (BRB), e que após fiscalização do BC, foram substituídos por outros ativos sem avaliação técnica adequada.

Brasília (DF),  09/03/2026 - Fotografia do banqueiro Daniel Vorcaro.Foto: Secretaria da Administração Penitenciária-SP
Banqueiro Daniel Vorcaro é preso no âmbito da Operação Compliance – SAP-SP

Além de Vorcaro, outros seis investigados foram presos, incluindo o ex-CEO e sócio no Banco Master Augusto Ferreira Lima. Na ocasião, a 10ª Vara Federal de Brasília também determinou o afastamento dos cargos do então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa (PHC), e do então diretor financeiro do banco estatal do Distrito Federal, Dario Oswaldo Garcia.
 
A primeira fase da operação foi deflagrada um dia após a Fictor Holding Financeira anunciar a intenção de comprar o Banco Master em conjunto com investidores dos Emirados Árabes Unidos. 
Sete meses antes, a diretoria do BRB tentou comprar o Master por cerca de R$ 2 bilhões, mas o Banco Central (BC) barrou o negócio no início de setembro – dois meses antes de a PF e o Poder Judiciário exporem o que analistas do mercado financeiro já comentavam há tempos: a falta de lastro do Master.

Em meio a essas revelações, o BC oficializou a liquidação extrajudicial de instituições financeiras do conglomerado Master, como os bancos Master de Investimento, Letsbank, a Master Corretora de Câmbio, Will Financeira e o Banco Pleno. O BC também decretou indisponíveis os bens dos controladores e ex-administradores do grupo e o Regime Especial de Administração Temporária (Raet) do banco Master Múltiplo S/A. 

Até o momento, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) gastou aproximadamente R$ 49,5 bilhões para ressarcir clientes do Grupo Master, do Will Bank e do Banco Pleno. Mantido por contribuições obrigatórias das entidades financeiras associadas, o FGC tem o propósito de proteger o sistema financeiro, prevenir crises e resguardar os clientes, garantindo o pagamento de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ em caso de intervenção ou liquidação pelo Banco Central. 

Segunda

Em 14 de janeiro, o Supremo Tribunal Federal (STF) expediu 42 mandados judiciais de busca e apreensão, durante a segunda fase da Compliance Zero. As autoridades também buscavam provas de lavagem de dinheiro.
 
Com autorização do ministro Dias Toffoli, do STF, mais de R$5,7 bilhões dos investigados foram bloqueados. O pastor da igreja Lagoinha de Belo Horizonte Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, chegou a ser detido quando tentava embarcar em um voo para os Emirados Árabes, mas foi liberado na sequência.
 
Entre os alvos dos mandados de busca e apreensão estavam o empresário Nelson Tanure e o ex-presidente da gestora de fundos Reag Investimentos João Carlos Mansur, entre outros.

Terceira

Solto após determinação do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região dez dias após ter sido preso, na primeira fase da operação, Vorcaro voltou a ser detido em 4 de março, na terceira etapa da Compliance Zero. A PF encontrou no celular apreendido de Vorcaro mensagens em que ele discute com interlocutores a possibilidade de simularem um assalto contra o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, e outras ações violentas contra ex-empregados.

Segundo a corporação, o dono do Master controlava uma milícia particular para intimidar e coagir seus desafetos. “A Turma”, como Vorcaro se referia ao grupo, era chefiada por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário”. 

Detido em Belo Horizonte, Mourão foi levado à Superintendência da PF. Horas depois, foi encontrado desacordado na cela onde foi deixado sozinho. A PF afirma que Sicário tentou se suicidar e, embora tenha sido encontrado com vida e recebido os primeiros socorros no local, antes de ser levado às pressas para um hospital, não resistiu e morreu.  

Além das prisões de Vorcaro e de Mourão, foram cumpridos outros dois mandados de prisão preventiva (contra o cunhado do banqueiro, Zettel, e contra o policial aposentado Marilson Silva); 15 de busca e apreensão e o sequestro e bloqueio de cerca de R$ 22 bilhões em bens e contas de pessoas investigadas. 

O STF também determinou que o Banco Central afastasse o ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária da Diretoria de Fiscalização, Belline Santana, e o ex-chefe adjunto do mesmo departamento, Paulo Sérgio Neves de Sousa. De acordo com o BC, os dois são suspeitos de atuar ilegalmente em favor dos interesses do Banco Master. 

Seis meses da Operação Compliance Zero

Arte: EBC

Quarta

A quarta fase da operação ocorreu em 16 de abril, principalmente para aprofundar as investigações sobre a corrupção de agentes públicos. Com autorização do STF, os agentes federais prenderam, preventivamente, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, e o advogado de Vorcaro Daniel Monteiro. Também foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão. 

De acordo com as investigações, Costa teria combinado com o banqueiro Daniel Vorcaro o recebimento de R$ 146,5 milhões em propina. O valor seria repassado por meio de imóveis. A PF garante ter provas de que ao menos R$ 74 milhões foram pagos – o que Costa nega.

Quinta

Em 7 de maio, a quinta etapa da Compliance Zero atingiu o senador Ciro Nogueira (PP-PI); o primo de Daniel Vorcaro, Felipe Cançado Vorcaro, e outros investigados no Distrito Federal, Minas Gerais, Piauí e São Paulo. No total, foram executados dez mandados de busca e apreensão e um de prisão temporária. 

O presidente do PP e ex-ministro do governo Bolsonaro, senador Ciro Nogueira, foi alvo de mandados de busca e apreensão. Ele é suspeito de atuar politicamente em prol de interesses de Daniel Vorcaro. Em troca, segundo a PF, o senador teria recebido entre R$ 300 mil e R$ 500 mil mensais, além de outras vantagens, como o custeio de viagens internacionais, hospedagens e despesas em restaurantes. 

Em agosto de 2024, Nogueira apresentou acréscimo à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 65/2023, que discute a autonomia do Banco Central (BC). O texto, que ficou conhecido como Emenda Master, defende a ampliação da garantia ordinária do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) dos atuais R$ 250 mil para R$ 1 milhão – o que, segundo especialistas, colocaria em risco a sustentabilidade do fundo. De acordo com a PF, a emenda foi elaborada por assessores do Banco Master e entregue a Nogueira para que ele a apresentasse ao Congresso Nacional como sendo de sua autoria.

O primo Felipe Cançado era um dos alvos da segunda fase da operação, em janeiro, mas escapou em um carrinho de golfe pouco antes dos policiais federais chegarem a casa onde estava, em Trancoso, na Bahia. Na quinta fase, ele foi detido em caráter temporário, sob a suspeita de ser um dos operadores financeiros do esquema montado por seu primo. 

No total, o ministro André Mendonça expediu dez mandados de busca e apreensão. Ele também determinou o bloqueio de bens, de direitos e de valores dos investigados no valor de R$18,85 milhões. E decretou que o irmão do senador Ciro Nogueira, o empresário Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, um dos alvos desta fase, passasse a usar tornozeleira eletrônica, entregasse seu passaporte à PF e se abstivesse de deixar Teresina (PI) e de contatar outros investigados ou testemunhas.  

Sexta

Seis mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão foram cumpridos no dia 14 de maio, na sexta fase da operação. Um sétimo mandado de prisão foi executado dois dias depois, com a detenção de Victor Lima Sedlmaier, capturado em Dubai, nos Emirados Árabas, em uma ação conjunta da PF, da Interpol e da polícia local. 

Entre os demais alvos, estava o empresário Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro. Segundo a PF, Henrique participava do gerenciamento de “A Turma”, grupo revelado na terceira fase e apontado como milícia pessoal do banqueiro. 

Também foi detido o policial federal Anderson da Silva Lima, suspeito de repassar a Daniel Vorcaro dados sigilosos sobre investigações policiais em curso. Além disso, o ministro André Mendonça determinou a transferência do policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva, detido desde a terceira fase, para um presídio federal – determinação cumprida na última sexta-feira (15). 

Dark Horse

Na última semana, reportagens do portal The Intercept Brasil revelaram gravações em que o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro pede dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro. Nos áudios, o parlamentar justifica o pedido como financiamento para a cinebiografia de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. 

São Paulo (SP), 04/03/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Ex-banqueiro Daniel Vorcaro, CEO do Banco Master e o senador Flávio Bolsonaro. Foto: Banco Master/Divulgação e Lula Marques/Agência Brasil
The Intercept Brasil divulga áudios do senador Flávio Bolsonaro a Vorcaro  Banco Master/Divulgação e Lula Marques/Agência Brasil

O próprio senador admitiu a veracidade dos áudios e o teor da conversa vazada, mas negou ter cometido qualquer irregularidade, assegurando que todo o dinheiro fornecido por Vorcaro foi usado para custear a realização do filme Dark Horse

Segundo o The Intercept Brasil, o banqueiro teria acordado destinar R$134 milhões à produção, dos quais ao menos R$61 milhões foram efetivamente liberados. O que motivou vários parlamentares a pedirem que a origem e o uso dos recursos sejam investigados.   

Nesse domingo (17), o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, disse que o orçamento do filme sobre seu pai “não é caro para os padrões de Hollywood”, uma vez que é dirigido pelo diretor estadunidense Cyrus Nowrasteh e tem, no elenco, diversos atores estrangeiros, incluindo Jim Caviezel, que interpreta o ex-presidente. 


Veja a lista dos presos em cada fase da Compliance Zero:

1ª Fase 

  1. Daniel Vorcaro, presidente do Banco Master (Preventiva);
  2. Augusto Ferreira Lima, ex-CEO e sócio do Banco Master (Preventiva);
  3. Luiz Antônio Bull, diretor de Riscos, Compliance e Operações do Master (Preventiva);
  4. Alberto Felix de Oliveira Neto, superintendente executivo do Master (Preventiva);
  5. Ângelo Antônio Ribeiro da Silva, sócio do Master (Preventiva);
  6. André Felipe de Oliveira Seixas Maia (Temporária) 
  7. Henrique Souza e Silva Peretto (Temporária) 

 
3ª Fase

  1. Daniel Vorcaro (Preventiva)
  2. Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e pastor da igreja Lagoinha de Belo Horizonte (MG) (Preventiva), 
  3.  Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o Sicário (Preventiva)
  4.  Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado (Preventiva) 

4ª Fase

  1.  Paulo Henrique Costa (PHC), ex-presidente do BRB (Preventiva),
  2.  Daniel Monteiro, advogado do Banco Master (Preventiva)

 
5ª Fase

  1.  Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro e sócio de empresas investigadas no âmbito da operação (Temporária) 

6ª Fase

  1.  Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro (Preventiva),
  2.  David Henrique Alves, especialista em tecnologia, apontado como líder do núcleo tecnológico de “A Turma” (Preventiva)
  3.  Victor Lima Sedlmaier, especialista em tecnologia (Preventiva),
  4.  Sebastião Monteiro Júnior, policial federal aposentado (Preventiva),
  5.  Anderson Wander da Silva Lima, policial federal em atividade (Preventiva), 
  6.  Rodrigo Pimenta Franco Avelar Campos (Preventiva),
  7.  Manoel Mendes Rodrigues, apontado como “empresário do jogo” do bicho no Rio de Janeiro (Preventiva)

Alex Rodrigues – Repórter da Agência Brasil

Quase R$ 8 mi em emendas abasteceram entidades ligadas a filme de Bolsonaro

A crise envolvendo o financiamento de “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, ganhou uma nova dimensão após denúncias revelarem que deputados federais, estaduais e vereadores de São Paulo destinaram ao menos R$ 7,7 milhões em emendas parlamentares para entidades ligadas à produtora do filme. O caso levou o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, a determinar abertura de apuração preliminar para investigar possíveis irregularidades na destinação dos recursos. Saiba mais na TVT News.

As informações foram reunidas a partir de denúncias apresentadas pelos deputados federais Tabata Amaral (PSB-SP) e Pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ), além de levantamentos publicados pelos portais Metrópoles, Folha de S.Paulo e The Intercept Brasil com base em dados de transparência do governo federal, do Governo de São Paulo e da Prefeitura da capital paulista.

O foco das investigações é um conjunto de organizações ligadas à empresária Karina Ferreira da Gama, sócia da Go Up Entertainment, produtora responsável pelo filme sobre Bolsonaro. Entre as entidades citadas estão o Instituto Conhecer Brasil (ICB), a Academia Nacional de Cultura (ANC) e a Conhecer Brasil Assessoria.

>> Siga o grupo da TVT News no WhatsApp

Segundo as denúncias, parlamentares ligados ao bolsonarismo direcionaram recursos públicos para projetos administrados por essas organizações enquanto integrantes do próprio grupo político atuavam diretamente na produção de “Dark Horse”.

Mario Frias (PL-SP) no centro da investigação

O principal caso apontado pelas denúncias envolve o deputado federal Mario Frias (PL-SP), que acumula as funções de produtor-executivo e roteirista do filme.

De acordo com os documentos encaminhados ao STF, Frias destinou R$ 2 milhões em emendas parlamentares ao Instituto Conhecer Brasil — sendo R$ 1 milhão para um projeto de “letramento digital” e outro R$ 1 milhão para iniciativas esportivas.

Desde abril, oficiais de Justiça tentam intimar o parlamentar para prestar esclarecimentos sobre os repasses. Diante da dificuldade em localizá-lo, Flávio Dino determinou que a Câmara dos Deputados informe os endereços residenciais de Frias em Brasília e São Paulo.

A assessoria do deputado negou qualquer irregularidade e afirmou que os recursos foram destinados dentro da legalidade.

Rede de repasses em São Paulo

O levantamento também identificou uma rede mais ampla de destinação de emendas envolvendo deputados estaduais e vereadores paulistanos ligados ao campo bolsonarista.

Na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, a deputada estadual Valéria Bolsonaro (PL-SP) destinou R$ 100 mil ao Instituto Conhecer Brasil para aquisição de equipamentos.

O deputado estadual Lucas Bove (PL-SP) indicou R$ 213 mil para um projeto esportivo ligado à entidade, mas o repasse acabou barrado por impedimentos técnicos. Segundo o parlamentar, a verba foi redirecionada após problemas documentais apresentados pela instituição.

Outro aliado próximo da família Bolsonaro, o deputado estadual Gil Diniz (PL-SP) destinou R$ 200 mil à Academia Nacional de Cultura para custear parte da série documental “Heróis Nacionais — filhos do Brasil que não se rende”.

A mesma produção também recebeu R$ 1 milhão em emenda da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP).

Na Câmara Municipal de São Paulo, o ex-vereador Atílio Francisco (Republicanos-SP) aparece como responsável por quase R$ 3,6 milhões em emendas destinadas a projetos ligados às entidades investigadas, incluindo eventos literários gospel e atividades culturais.

O vereador André Santos (Republicanos-SP) destinou R$ 750 mil para realização de um congresso de inovação em educação promovido pela Conhecer Brasil.

Já a vereadora Cris Monteiro (Novo-SP) liberou R$ 100 mil para oficinas tecnológicas voltadas à juventude. Em nota, ela afirmou desconhecer qualquer vínculo entre a entidade beneficiada e a produtora do filme.

A investigação também cita parlamentares federais bolsonaristas como Bia Kicis (PL-DF), Marcos Pollon (PL-MS) e o ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ).

Investigação envolve dinheiro público e privado

A nova frente de investigação se soma às denúncias já reveladas pela série “VAZA FLÁVIO”, do The Intercept Brasil, sobre o financiamento privado de “Dark Horse”.

Reportagens publicadas pelo site mostraram que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria articulado junto ao banqueiro Daniel Vorcaro um aporte de US$ 24 milhões — cerca de R$ 134 milhões na cotação da época — para viabilizar a produção cinematográfica.

Até o momento, documentos revelados indicariam transferências de aproximadamente R$ 61 milhões para contas ligadas aos realizadores do filme no exterior.

As investigações da Polícia Federal buscam esclarecer se parte desses recursos teria sido enviada por meio de estruturas financeiras nos Estados Unidos e se valores ligados ao projeto foram utilizados para custear despesas do deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) no exterior.

Eduardo nega as acusações.

STF mira possível desvio de finalidade

A decisão de Flávio Dino ocorre diante de suspeitas de que recursos públicos destinados formalmente a projetos culturais, esportivos e educacionais possam ter alimentado um ecossistema de organizações ligadas à produção do filme sobre Jair Bolsonaro.

Segundo os parlamentares autores das denúncias, há indícios de desvio de finalidade na aplicação das emendas parlamentares.

A apuração tramita sob sigilo no STF e deverá analisar documentos, contratos, fluxos financeiros e vínculos societários entre as entidades investigadas e a Go Up Entertainment.

Com o avanço das investigações, cresce a pressão sobre parlamentares do PL e aliados bolsonaristas envolvidos tanto no financiamento público quanto nas negociações privadas relacionadas à cinebiografia do ex-presidente.

Deputados de SP repassaram R$ 700 mil empresas ligadas a “Dark Horse”

Um levantamento realizado no portal de transparência do estado de São Paulo revelou que deputados estaduais destinaram emendas parlamentares que somam R$ 700 mil para empresas e entidades que possuem vínculos diretos com a produtora do filme “Dark Horse”. Leia em TVT News.

A obra cinematográfica consiste em uma homenagem ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O fluxo de recursos públicos direcionados a essa rede empresarial ocorreu no período compreendido entre os anos de 2023 e 2026.

As conexões financeiras e políticas em torno da produção ganharam repercussão após revelações do site Intercept Brasil. A apuração jornalística indicou que o senador Flávio Bolsonaro manteve contatos com Daniel Vorcaro, então proprietário do Banco Master, para solicitar apoio financeiro destinado a viabilizar a realização do longa-metragem.

Conforme as informações publicadas, mensagens eletrônicas enviadas pelo senador cobravam o pagamento de parcelas de R$ 134 milhões até a véspera da prisão do ex-banqueiro, ocorrida em novembro de 2025.

A produtora responsável pelo filme é a empresa Go Up, que possui como sócia-administradora Karina Gama. Além da produtora, Karina controla outras firmas e entidades do setor cultural que recebem repasses de verbas públicas.

A empresária nega a existência de aportes financeiros de investidores nacionais, do Banco Master ou de Vorcaro na produção cinematográfica. Paralelamente, a Polícia Federal abriu uma linha de investigação para apurar se os valores solicitados foram movimentados por meio de um fundo sediado nos Estados Unidos, denominado Havengate, e se tais recursos custearam despesas de Eduardo Bolsonaro em território norte-americano.

Parlamentares bolsonaristas repassaram emendas para filme “Dark Horse”

No âmbito da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), três parlamentares de perfil bolsonarista direcionaram verbas orçamentárias para a estrutura controlada por Karina Gama, que produz o filme. O Instituto Conhecer Brasil, entidade presidida pela empresária, foi o destinatário principal de indicações de emendas impositivas, cuja execução é obrigatória por parte do poder executivo estadual.

R$ 100 mil emendas parlamentares desviadas pela deputada Valéria Bolsonaro

Em 2023, a deputada estadual Valéria Bolsonaro, que ocupou o cargo de secretária da Mulher na administração do governador Tarcísio de Freitas, destinou R$ 100 mil à instituição. A verba pública, cuja finalidade declarada era a aquisição de equipamentos, teve o seu pagamento efetuado em dezembro daquele mesmo ano.

Deputado Lucas Bove desviou R$ 213 mil de projeto esportivo para crianças

Outro integrante da bancada de apoio ao ex-presidente, o deputado estadual Lucas Bove, formalizou a indicação de R$ 213 mil para o Instituto Conhecer Brasil em 2025.

>> Siga o grupo da TVT News no WhatsApp

O objetivo do recurso era o desenvolvimento de um projeto esportivo voltado para o atendimento de crianças. Contudo, o Governo de São Paulo barrou o pagamento do montante devido a impedimentos de ordem técnica.

De acordo com a gestão estadual, entraves dessa natureza ocorrem em função de ausência de documentos, descumprimento de prazos regimentais ou falta de licenças ambientais e projetos de engenharia. O parlamentar declarou em nota que redirecionou a verba após constatar a falta de documentação por parte da entidade proponente.

Gil Diniz desviou R$ 200 mil para financiar outra série de produtora do filme de Bolsonaro

A rede de entidades gerida pela administradora da produtora também recebeu recursos de Gil Diniz, deputado estadual e ex-assessor de Eduardo Bolsonaro. Em 2025, o parlamentar destinou uma emenda no valor de R$ 200 mil para financiar a produção de uma série documental intitulada “Heróis Nacionais – filhos do Brasil que não se rende”.

O montante foi depositado em agosto de 2025 para a Academia Nacional de Cultura (ANC), instituição também presidida por Karina Gama. Os deputados Gil Diniz e Valéria Bolsonaro não encaminharam respostas aos questionamentos enviados sobre as destinações orçamentárias.

flavio-bolsonaro-pediu-dinheiro-a-vorcaro-para-financiar-filme-do-pai-revela-the-intercept-flavio-teria-recebido-pelo-menos-10-milhoes-de-dolares-do-dono-do-master-foto-ton-molina-agencia-senado-tvt-news
Flávio teria recebido pelo menos 10 milhões de dólares do dono do Master. Foto: Ton Molina /Agência Senado

A transparência pública registrou ainda a indicação de R$ 190 mil realizada pelo deputado estadual Luiz Fernando, integrante da bancada do PT, destinada a projetos culturais do mesmo Instituto Conhecer Brasil.

O valor aguarda empenho por parte do estado. Interrogada sobre o repasse, a assessoria do parlamentar comunicou que a emenda atende a um pedido formulado por um grupo de teatro de São Bernardo do Campo.

A nota ressalta que o montante será aplicado de forma estrita em aulas de teatro no município e que a organização não governamental em questão foi indicada pelos próprios artistas locais que buscavam o fomento.

Contratos municipais

A apuração dos dados financeiros demonstra que os repasses à estrutura ligada à produtora do documentário não se limitaram à esfera do legislativo paulista. O Instituto Conhecer Brasil expandiu sua atuação na administração pública por meio de contratos com o poder executivo municipal e verbas do orçamento federal.

Na capital paulista, a entidade firmou um termo de colaboração com a Prefeitura de São Paulo, sob a gestão do prefeito Ricardo Nunes, após participar de um chamamento público realizado em 2024. O termo prevê o recebimento de R$ 108 milhões com a finalidade de implantar o fornecimento de sinal de internet wi-fi em comunidades de baixa renda da cidade.

No Congresso Nacional, o deputado federal Mario Frias destinou, no ano de 2025, emendas parlamentares no valor total de R$ 2,04 milhões para o Instituto Conhecer Brasil, direcionados a programas de letramento digital e práticas esportivas.

Ademais, a série documental produzida pela Academia Nacional de Cultura captou recursos federais significativos em 2024. Os deputados federais Marcos Pollon, Bia Kicis, Carla Zambelli e Alexandre Ramagem destinaram, em conjunto, R$ 2,6 milhões por meio do mecanismo conhecido como “emenda Pix”. O repasse financeiro teve o estado de São Paulo como intermediário antes de chegar ao caixa da entidade cultural privada.

Fim da escala 6×1 tem apoio de 7 em cada 10, diz Quaest

A proposta de redução da jornada de trabalho e do fim da escala 6×1 conta com amplo apoio da população brasileira, segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta segunda-feira (18). O levantamento aponta que 68% dos brasileiros são favoráveis ao modelo que reduz a semana de trabalho para cinco dias, com dois dias de descanso, sem diminuição salarial. Outros 22% se declararam contrários à mudança, enquanto 10% não souberam responder ou disseram não ter posição definida. Saiba mais na TVT News.

A pesquisa ouviu 2.004 brasileiros com 16 anos ou mais entre os dias 8 e 11 de maio, em todas as regiões do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

O tema ganhou centralidade no debate político e trabalhista nos últimos meses e passou a ser tratado pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como uma das prioridades no Congresso Nacional. Atualmente, uma comissão especial da Câmara dos Deputados discute propostas de emenda à Constituição (PECs) e um projeto de lei que alteram a duração máxima da jornada semanal no país.

O apoio registrado pela Quaest permanece elevado, embora tenha oscilado levemente em relação a dezembro de 2025, quando 72% dos entrevistados defendiam o fim da escala 6×1. Ainda assim, os números confirmam tendência semelhante à detectada por outros levantamentos recentes, como pesquisa Datafolha realizada em março, que apontou 71% de apoio à redução da jornada.

>> Siga o grupo da TVT News no WhatsApp

O modelo em debate prevê a diminuição da carga horária semanal de 44 para 40 horas, mantendo a remuneração atual dos trabalhadores e substituindo a escala 6×1 pela 5×2. O relatório do deputado Leo Prates deve consolidar mudanças em três pontos do artigo 7º da Constituição Federal.

Entre as alterações propostas está a redefinição do limite máximo da jornada semanal, a garantia de dois dias de descanso remunerado por semana — um deles preferencialmente aos domingos — e a proibição de redução salarial como consequência da mudança. A proposta também prevê punições para empresas que descumprirem as novas regras durante eventual período de transição.

As discussões ocorrem a partir da tramitação de duas PECs: uma apresentada pela deputada Erika Hilton, em articulação com o movimento VAT (Vida Além do Trabalho), e outra do deputado Reginaldo Lopes. Os textos foram apensados e servem de base para as negociações conduzidas entre governo, Câmara e centrais sindicais.

Fim da escala 6×1 nas regiões

A pesquisa mostra que o apoio ao fim da escala 6×1 atravessa diferentes regiões do país e perfis sociais, embora seja mais forte entre trabalhadores de menor renda e setores identificados com a esquerda.

No Nordeste, 72% dos entrevistados defendem a mudança, índice mais alto entre as regiões brasileiras. No Sudeste, o percentual é de 66%; no Centro-Oeste e Norte, também de 66%; e no Sul, 63%.

Entre os brasileiros com renda familiar de até dois salários mínimos, 70% apoiam a proposta. O índice cai para 68% entre aqueles que recebem entre dois e cinco salários mínimos e para 62% na faixa acima de cinco salários mínimos.

A divisão política também aparece de forma clara nos resultados. Entre os entrevistados que se identificam como lulistas, 76% defendem o fim da escala 6×1, enquanto 17% são contrários. Na esquerda não lulista, o apoio chega a 88%.

Já entre os bolsonaristas, há divisão mais equilibrada: 44% se dizem favoráveis à redução da jornada e 42% contrários. Entre eleitores da direita não bolsonarista, 55% apoiam a mudança e 37% rejeitam a proposta.

O levantamento também mediu o nível de conhecimento da população sobre o debate. Segundo a Quaest, 43% afirmam acompanhar de perto as discussões sobre o tema, enquanto 29% disseram ter apenas ouvido falar do assunto. Outros 27% afirmaram não acompanhar o debate.

O interesse é maior entre pessoas com ensino superior: 59% desse grupo dizem acompanhar a discussão de perto. Entre os entrevistados com ensino fundamental, o percentual cai para 30%.

Apesar do apoio expressivo ao fim da escala 6×1, a pesquisa mostra mudança importante quando a possibilidade de redução salarial entra no debate. Nesse cenário, a maioria da população passa a rejeitar a proposta.

Segundo a Quaest, 56% dos entrevistados disseram ser contra a redução da jornada caso ela implique diminuição de salários. Apenas 39% afirmaram continuar favoráveis nesse contexto. Outros 4% não souberam responder.

A rejeição ao corte salarial aparece de forma relativamente homogênea entre diferentes grupos sociais, faixas etárias e regiões do país. No Sul, por exemplo, 64% rejeitam a hipótese de reduzir salários para compensar a diminuição da jornada. Entre eleitores de Jair Bolsonaro, o índice chega a 62%.

A proposta de redução da jornada se consolidou nos últimos meses como uma das pautas trabalhistas de maior repercussão nacional. Pesquisa Quaest divulgada em 2025 já apontava que o fim da escala 6×1 era um dos temas mais conhecidos entre os brasileiros, superando iniciativas do próprio governo federal, como a ampliação do Vale Gás e a proposta de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.

O avanço do debate também foi impulsionado pela mobilização nas redes sociais e pela atuação do movimento VAT, que transformou a discussão sobre qualidade de vida, saúde mental e tempo livre dos trabalhadores em um dos principais temas do cenário político nacional em 2026.