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Da Redação

Onda de calor coloca regiões de São Paulo em alerta vermelho; veja previsão

Uma forte onda de calor deve atingir o estado de São Paulo entre esta quinta-feira (13) e a próxima quarta-feira (19). Diante da previsão de temperaturas elevadas e baixa umidade do ar, a Defesa Civil colocou em alerta vermelho municípios das regiões Norte, Noroeste e Oeste do estado. Leia em TVT News.

O calor é provocado por uma massa de ar seco que atravessa o estado paulista. Além de elevar as temperaturas, a condição reduz a umidade relativa do ar e aumenta o risco de incêndios em áreas de vegetação. No extremo norte paulista, os índices de umidade podem ficar abaixo de 30% nos períodos mais quentes do dia.

Nas regiões de Presidente Prudente, Araçatuba, São José do Rio Preto, Barretos, Franca e Ribeirão Preto, os termômetros podem registrar temperaturas até 7°C acima da média para o período. Em alguns momentos, as máximas podem chegar a 40°C.

Já as áreas de Marília, Bauru, Araraquara, Itapeva, Sorocaba, Campinas, São José dos Campos e Grande São Paulo devem enfrentar temperaturas entre 3°C e 5°C acima da média de agosto. Nesses locais, as máximas podem alcançar 33°C no início da próxima semana.

Capital paulista terá máximas de 32°C

Calor intenso em São Paulo, 18/02/2024 – Foto: Emanuela Godoy/ TVT News

Na cidade de São Paulo, a previsão indica aumento gradual das temperaturas ao longo da próxima semana. Entre segunda-feira (17) e sábado (22), os termômetros devem alternar entre manhãs mais amenas e tardes quentes.

Na segunda-feira, a previsão aponta mínima de 15°C e máxima de 30°C, com muitas nuvens e sem expectativa de chuva. Na terça (18), as temperaturas devem variar entre 14°C e 31°C, com possibilidade de nevoeiro durante a manhã e aumento de nebulosidade à tarde.

Os dias mais quentes devem ser quarta (19) e quinta-feira (20), quando as máximas podem chegar a 32°C. As mínimas permanecem em torno de 15°C e a previsão indica tempo ensolarado.

Na sexta-feira (21), há previsão de queda temporária da temperatura, com máxima de 27°C e mínima de 16°C. No sábado (22), os termômetros voltam a subir, chegando a 29°C, com mínima prevista de 13°C.

Litoral terá temperaturas mais amenas

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Cariocas e turistas vão à praia em dia de forte calor no Rio – Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

A Baixada Santista, o Litoral Norte e a região de Registro devem sentir os efeitos da massa de ar seco de maneira menos intensa. A proximidade do oceano contribui para manter maior umidade nessas áreas.

A previsão indica temperaturas cerca de 3°C acima da média, com máximas de até 27°C até quarta-feira (19).

Nesta sexta-feira (14), enquanto o interior terá predomínio de tempo quente e seco, as regiões Sul e Leste do estado poderão registrar pancadas isoladas de chuva, acompanhadas de raios e rajadas de vento. Itapeva e o Vale do Ribeira exigem atenção devido à possibilidade de chuva forte e temporais isolados.

No Oeste, Noroeste e Centro-Norte, a previsão é de calor, com máximas entre 30°C e 34°C. A umidade relativa mínima pode variar de 20% a 35%.

No Centro-Sul e Leste paulista, as temperaturas devem ficar entre 20°C e 27°C, com aumento da umidade em direção ao Vale do Ribeira, Vale do Paraíba, Região Metropolitana de São Paulo e litoral. Nessas áreas, os índices de umidade podem superar 80%.

Defesa Civil recomenda cuidados com o calor

Com o aumento das temperaturas e a redução da umidade, a Defesa Civil orienta a população a reforçar a hidratação, evitar exposição prolongada ao sol nos horários mais quentes e manter os ambientes umidificados.

O órgão também recomenda o uso de chapéus e protetor solar durante a exposição ao sol. Crianças, idosos e animais estão entre os grupos mais vulneráveis aos efeitos do calor intenso e do ar seco.

Outro ponto de atenção é o risco de incêndios em vegetação. A combinação de altas temperaturas, baixa umidade e vegetação seca facilita a propagação das chamas.

A orientação é não realizar queimadas e não utilizar fogo para limpeza de terrenos. A população também deve evitar o descarte de bitucas de cigarro às margens de rodovias ou em áreas com vegetação seca. Em regiões rurais, a recomendação é redobrar os cuidados.

A previsão de tempo seco também exige atenção aos efeitos da baixa umidade sobre a saúde e sobre as condições ambientais. A Defesa Civil reforça a necessidade de acompanhamento dos alertas meteorológicos durante o período de calor.

Lula lança campanha de reeleição na Vila Euclides: onde tudo começou

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) inicia oficialmente neste domingo (16) sua campanha pela reeleição à Presidência da República. O primeiro grande ato popular da disputa de 2026 será realizado a partir das 9h, no Estádio Municipal 1º de Maio, em São Bernardo do Campo (SP), espaço histórico conhecido como Vila Euclides. Saiba mais na TVT News.

A escolha do local carrega forte significado político e histórico. Foi naquele gramado, no fim da década de 1970 e início dos anos 1980, que Lula ganhou projeção nacional como uma das principais lideranças do movimento sindical brasileiro. As grandes assembleias dos metalúrgicos do ABC durante a ditadura militar transformaram o estádio em símbolo da organização dos trabalhadores, da resistência ao regime e da luta pela redemocratização.

Mais de quatro décadas depois, Lula retorna ao mesmo espaço para dar início a uma nova caminhada eleitoral. A mobilização do Partido dos Trabalhadores foi batizada de “Lula: onde tudo começou” e pretende reunir trabalhadores, militantes, famílias e apoiadores de diferentes gerações no estádio que marcou a origem política do atual presidente.

O ato ocorre após a oficialização da chapa Lula-Alckmin, formada pelo presidente e pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, e apoiada por sete partidos: PT, PCdoB, PV, PSB, PDT, PSOL e Rede.

Na Convenção Nacional do PT, realizada em 2 de agosto, Lula já havia convocado a militância para o encontro deste domingo. “Dia 16 é o grande dia. Lá vocês vão ver o começo da grande vitória”, afirmou o presidente.

Vila Euclides: de campo de futebol a símbolo da democracia

Antes de se tornar um dos locais mais emblemáticos da história política brasileira, a Vila Euclides era um campo de futebol construído pela Fiação e Tecelagem Elni para a recreação dos funcionários. Depois do fechamento da fábrica, o terreno passou para a Prefeitura de São Bernardo do Campo e foi transformado em estádio municipal.

A inauguração oficial ocorreu em 1968, durante a ditadura militar, com o nome de Arthur da Costa e Silva, general que ocupava a Presidência da República naquele período. A denominação, entretanto, não se consolidou entre os moradores, que continuaram chamando o espaço de Vila Euclides, referência ao bairro onde está localizado.

No fim dos anos 1970, o estádio ganhou outro significado. Em meio à inflação, à deterioração dos salários e à repressão política, o local passou a receber grandes assembleias dos metalúrgicos do ABC.

Em março de 1979, uma greve mobilizou cerca de 200 mil trabalhadores de São Bernardo do Campo, Diadema, Santo André e São Caetano do Sul. A paralisação atingiu grandes montadoras instaladas na região e colocou o ABC no centro do debate político nacional.

A sede do Sindicato dos Metalúrgicos já não comportava o tamanho das assembleias. Por isso, os trabalhadores passaram a ocupar a Vila Euclides. Em uma das primeiras grandes reuniões, aproximadamente 60 mil pessoas tomaram o gramado e as arquibancadas.

Sem um palanque estruturado e sem sistema de som, Lula discursava de cima de uma mesa de escritório, utilizando um megafone. As palavras eram repetidas pelos trabalhadores que estavam mais próximos até alcançarem as pessoas espalhadas pelo estádio.

O cenário se repetiria em outras assembleias. Em uma delas, cerca de 80 mil metalúrgicos, acompanhados em muitos casos por familiares, decidiram pela continuidade da paralisação. No 1º de Maio daquele ano, aproximadamente 150 mil pessoas participaram de um grande ato no estádio.

Ao longo das greves de 1979 e 1980, pelo menos 18 grandes assembleias foram realizadas na Vila Euclides. As imagens de milhares de trabalhadores ocupando o gramado e as arquibancadas ultrapassaram as fronteiras do ABC e se tornaram registros da mobilização popular contra a ditadura.

A greve que projetou Lula nacionalmente

A mobilização dos metalúrgicos enfrentou forte repressão do regime militar. A Justiça do Trabalho declarou a greve ilegal e forças policiais ocuparam as ruas da região.

Em março de 1979, o governo interveio nos sindicatos dos metalúrgicos do ABC, afastando Lula e outros dirigentes. Mesmo fora da direção sindical, os trabalhadores continuaram organizados e realizaram novas mobilizações.

O movimento contribuiu para fortalecer o chamado novo sindicalismo e para ampliar a participação política dos trabalhadores. A experiência acumulada nas greves do ABC também esteve entre os processos que levaram à fundação do Partido dos Trabalhadores, em 1980.

Lula, então presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema, tornou-se uma liderança nacional. A partir dali, sua trajetória política se expandiria do movimento sindical para as disputas eleitorais e, posteriormente, para a Presidência da República.

Depois das greves, o estádio passou a se chamar oficialmente Estádio 1º de Maio, em referência ao Dia do Trabalhador e à história de mobilização operária construída naquele espaço.

“O Brasil pronto para mais”

Lula Vila Euclides

O retorno de Lula à Vila Euclides também marca a apresentação pública de uma nova etapa da comunicação da campanha. O slogan escolhido para a disputa presidencial de 2026 é “O Brasil pronto para mais”.

A mensagem procura associar a candidatura à continuidade das políticas desenvolvidas durante o atual governo e à perspectiva de novos avanços econômicos e sociais. A estratégia de comunicação também busca apresentar a chapa como uma alternativa de continuidade e expansão das conquistas reivindicadas pela campanha.

A identidade visual de Lula e Alckmin incorpora, além do vermelho tradicionalmente associado ao PT, as cores verde, amarelo e azul da bandeira brasileira. A escolha amplia o uso de símbolos nacionais na comunicação eleitoral da chapa.

O slogan também dá nome à coligação formada para a disputa presidencial. A aliança reúne a Federação PT-PCdoB-PV, além de PSB, PDT e a Federação PSOL-Rede.

A chapa Lula-Alckmin já foi apresentada à Justiça Eleitoral, incluindo as fotografias oficiais que serão utilizadas nas urnas eletrônicas. O primeiro turno das eleições de 2026 está marcado para 4 de outubro. Caso seja necessário, o segundo turno ocorrerá em 25 de outubro.

Lula vila Euclides

Um reencontro entre passado e futuro

A campanha “Lula: onde tudo começou” aposta justamente na ligação entre a trajetória política do presidente e a história do movimento dos trabalhadores. A mobilização procura reunir gerações diferentes em um espaço que, décadas atrás, foi ocupado por milhares de metalúrgicos em defesa de melhores salários, direitos e liberdade.

Para quem acompanhou as greves do ABC, o ato representa o reencontro com um dos capítulos mais importantes da trajetória de Lula. Para as gerações mais jovens, a atividade também pretende recuperar a memória de um período em que a organização dos trabalhadores contribuiu para enfraquecer a ditadura e fortalecer o processo de redemocratização.

A escolha da Vila Euclides, portanto, transforma o lançamento da campanha em uma atividade carregada de simbolismo. O mesmo gramado que recebeu grandes assembleias de trabalhadores será novamente ocupado por uma mobilização política, agora no início da disputa presidencial de 2026.

A campanha de Lula começa, assim, retomando um dos principais marcos de sua trajetória: o movimento sindical do ABC. Mais de 40 anos depois das greves que ajudaram a projetar o então líder metalúrgico para o cenário nacional, o presidente volta à Vila Euclides para iniciar a busca por um novo mandato.

Serviço

Lançamento da campanha Lula 2026
Data: domingo, 16 de agosto
Horário: a partir das 9h
Local: Estádio Municipal 1º de Maio, Vila Euclides, São Bernardo do Campo (SP)
Chapa: Lula e Geraldo Alckmin
Slogan: “O Brasil pronto para mais”

Lula Vila Euclides

Militantes organizam caravanas por todo o país para ver 1º ato de campanha de Lula

A militância do Partido dos Trabalhadores e movimentos sociais se mobilizam em todo o país para participar do momento histórico, no domingo, dia 16: o primeiro ato de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição. A festa de largada da campanha presidencial de 2026 será no Estádio 1º de Maio, na Vila Euclides, em São Bernardo do Campo (SP), o local onde teve início a trajetória do maior líder popular do Brasil. Saiba mais na TVT News.

Acompanhe o lançamento da campanha de Lula na Vila Euclides

Mais de quatro décadas depois, Lula retorna ao mesmo espaço para dar início a uma nova caminhada eleitoral. A mobilização do Partido dos Trabalhadores foi batizada de Lula: onde tudo começou e pretende reunir trabalhadores, militantes, famílias e apoiadores de diferentes gerações no estádio que marcou a origem política do atual presidente.

O que é a Vila Euclides

Palco das grandes manifestações sindicais e das greves no final dos anos 1970 e início dos 1980, a Vila Euclides se tornou um marco na história de Lula e do Partido dos Trabalhadores, além de ser símbolo do sindicalismo combativo em plena vigência da ditadura militar.

A mobilização da militância e de dirigentes petistas para esse grande ato político passa pela organização de caravanas saindo de várias partes do país rumo a São Paulo. Estão previstos comboios de ônibus, vans e veículos particulares de todo o estado de São Paulo e outras regiões do país, com militantes, dirigentes do PT, e também de partidos da Coligação Brasil Pronto Pra Mais (PDT, PSB, PT/PC do B/PV, PSOL/ REDE), e apoiadores da chapa Lula-Alckmin.

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Lula: 1978 – 2026, da Vila Euclides, em SBC, à campanha de reeleição em 2026. Fotos: Acervo Instituto Lula e Ricardo Stuckert

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O secretário nacional de Organização do PT, Laércio Ribeiro, é o responsável pela articulação e mobilização entre os diretórios do PT. O partido prevê a participação de cerca de 20 mil pessoas durante o ato no Estádio 1º de Maio.

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Vila Euclides, palco histórico das greves do ABC, recebe no domingo (16) o primeiro ato da campanha de Lula à reeleição. Foto: PT/Divulgação.

Em São Paulo, a direção do PT paulista trabalha para que todas as regiões do estado estejam representadas na Vila Euclides. Para isso, está sendo feita uma ampla articulação juntos aos diretórios regionais e municipais, com partida de centenas de ônibus das macrorregiões do estado rumo a São Bernardo.

Segundo a secretária estadual de Finanças do PT-SP, Cilene Óbice, somente das sete cidades da região do ABC está prevista a saída de 150 ônibus para o estádio. “Estamos trabalhando em conjunto com a coordenação nacional, juntamente com o secretário Laércio Ribeiro, para trazer o maior número possível de militantes petistas para essa grande festa na Vila Euclides”, destaca Cilene, que também espera a vinda de caravanas de militantes dos partidos que fazem parte da Coligação “Brasil Pronto Pra Mais!”

O PT do Rio de Janeiro também está se mobilizando na capital e nos municípios do interior. A secretária estadual de Comunicação e integrante do Diretório Nacional, Brenda Pereira, destaca o envolvimento dos dirigentes municipais na mobilização.

“Estamos organizando uma grande mobilização da militância do PT do Rio de Janeiro para o lançamento do presidente Lula em São Paulo. A expectativa é levarmos uma caravana, com participação de companheiros e companheiras de diferentes regiões do estado. Os presidentes municipais estão diretamente envolvidos nessa articulação, mobilizando suas cidades para que o Rio esteja presente com muita força no ato do dia 16 de agosto”, destaca.

Também no Paraná, a direção do PT estadual articula a ida de caravanas, com uma movimentação especial das cidades de Londrina, Maringá e Região Metropolitana de Curitiba.

De acordo com o PT-PR, a militância também está se organizando para contratar vans e ir por conta própria para o evento no dia 16. O presidente do PT-PR, Arilson Chiorato, reforça a expectativa de participação da militância. “Estaremos com o presidente Lula no estádio da Vila Euclides, local emblemático onde ele liderou os primeiros grandes movimentos populares em defesa dos direitos trabalhistas e da justiça social. É de suma importância a nossa presença neste ato, e estamos mobilizando nossa equipe com dedicação. Companheiros e companheiras do Paraná já confirmaram participação, seja por meio de caravanas ou de formas alternativas de deslocamento. O objetivo é celebrar o lançamento da campanha para que o Brasil siga em um caminho de decência, sob a condução de quem sempre priorizou o bem-estar do povo brasileiro”.

Além das caravanas, muitos apoiadores da candidatura de Lula para lutar contra a ascensão da extrema direita organizam grupos particulares para viajar rumo a São Paulo e presenciar mais uma página da história do Brasil.

Com Partido dos Trabalhadores

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Alcolumbre destrava fim da escala 6×1 após encontro com Lula

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), deu andamento nesta sexta-feira (14) à proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1. A decisão ocorreu após um novo encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no Palácio da Alvorada, em Brasília. Foi a terceira reunião entre os dois em uma semana e marca a retomada do diálogo político entre o Palácio do Planalto e o comando do Senado. Saiba mais na TVT News.

Além da PEC que trata da jornada de trabalho, Alcolumbre determinou o encaminhamento para as comissões do Senado da PEC da Segurança Pública e do projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. As três propostas estão entre as prioridades apresentadas pelo governo federal ao Congresso Nacional.

Alcolumbre confirma em nota a votação do fim da escala 6×1

Confira a nota oficial do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, sobre o encaminhamento de três propostas consideradas prioritárias para análise das comissões: o fim da escala de trabalho 6×1, a chamada PEC da Segurança Pública e a criação da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (terras raras).

NOTA À IMPRENSA

Na última quarta-feira (12), tive uma importante conversa institucional com o presidente Lula. Foi um diálogo maduro, franco e republicano, fundamental para compreender as prioridades do Governo e tratar da agenda legislativa de interesse do nosso país.

Na função de presidente do Congresso Nacional, tenho a responsabilidade de assegurar que as matérias submetidas ao Parlamento tenham o devido encaminhamento, com absoluto respeito às prerrogativas do Poder Legislativo e ao papel de cada senadora e senador.

Nesse sentido, determinei o encaminhamento às comissões competentes de três propostas prioritárias: a PEC 221/2019, que prevê o fim da escala 6×1, a PEC 18/2025, a PEC da Segurança Pública, e o PL 2780/2024, que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. São matérias de alta complexidade que seguirão o rito ordinário e regimental no Senado, com a análise e o aprofundamento necessários.

O diálogo entre os Poderes é fundamental para o Brasil. Cabe ao Executivo apresentar suas prioridades e ao Congresso Nacional analisá-las com independência e a responsabilidade de construir os melhores caminhos para o país.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

O despacho representa um avanço na tramitação do fim da escala 6×1, mas não significa que a proposta será votada imediatamente. O texto ainda precisa passar pela análise das comissões antes de chegar ao plenário. No Senado, a avaliação é de que a votação de matérias de maior complexidade pode ficar para depois das eleições de outubro, diante da redução das atividades legislativas durante o período eleitoral.

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A decisão, no entanto, atende à pressão do governo Lula para que a pauta trabalhista avance o mais rapidamente possível. A redução da jornada e o fim da escala 6×1 se transformaram em uma das principais bandeiras do governo na agenda relacionada ao mundo do trabalho e também ganharam importância no cenário eleitoral de 2026.

Lula e Alcolumbre retomam diálogo

O encontro desta sexta-feira (14) ocorreu dois dias depois de outra reunião entre Lula e Alcolumbre, também no Palácio da Alvorada. A reaproximação havia começado na semana anterior, em uma conversa intermediada pelos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin.

A relação entre Lula e o presidente do Senado havia sido marcada por um período de forte tensão. O rompimento ocorreu depois da rejeição, pelo Senado, da indicação de Jorge Messias, advogado-geral da União, para uma vaga no STF. Alcolumbre era contrário à indicação e não atuou para garantir os votos necessários à aprovação do nome escolhido por Lula.

O episódio provocou um distanciamento de aproximadamente três meses entre os dois. Nas últimas semanas, entretanto, o diálogo foi retomado, em um movimento que passou a ser considerado estratégico para o governo, especialmente diante da necessidade de destravar propostas que dependem da tramitação no Senado.

Depois da reunião de quarta-feira (12), o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou que a relação entre o governo e o presidente do Senado estava “destravada” e que seria necessário retomar o diálogo para definir o momento adequado para a tramitação das matérias.

Agora, Alcolumbre confirmou o avanço formal das propostas. Em declaração divulgada nesta sexta-feira, o presidente do Senado afirmou que o diálogo com Lula foi importante para compreender as prioridades do Executivo, mas ressaltou que as matérias seguirão o rito legislativo regular.

A PEC do fim da escala 6×1, portanto, passa a ter uma tramitação formal no Senado. A proposta já havia avançado na Câmara dos Deputados e prevê mudanças na jornada semanal de trabalho, com redução do limite de horas e alteração da atual organização baseada em seis dias de trabalho para um de descanso.

Fim da escala 6×1 ganha peso na campanha

A discussão sobre o fim da escala 6×1 ganhou espaço no debate político brasileiro nos últimos anos, especialmente entre trabalhadores e organizações sindicais que defendem uma redução da jornada como forma de melhorar a qualidade de vida, ampliar o tempo de descanso e equilibrar as relações entre trabalho e vida pessoal.

O governo Lula passou a defender publicamente a aprovação da proposta. Com o início oficial da campanha eleitoral previsto para este fim de semana, a expectativa de setores do Planalto era conseguir acelerar a tramitação no Congresso.

O ministro da Educação, Camilo Santana, afirmou nesta sexta que a orientação do governo é viabilizar o avanço da PEC da escala 6×1, da PEC da Segurança Pública e do projeto sobre minerais críticos “o mais rápido possível” e antes das eleições.

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Fim da escala 6×1 é prioridade do governo Lula. Foto: Ricardo Stuckert

O calendário, porém, impõe dificuldades. O Congresso terá apenas um período de esforço concentrado previsto para o início de setembro, entre os dias 31 de agosto e 3 de setembro. Com o avanço da campanha eleitoral, deputados e senadores tendem a dedicar mais tempo às atividades nos estados, reduzindo o espaço para votações em Brasília.

Na quarta-feira, Alcolumbre havia evitado estabelecer uma data para a votação da PEC. Segundo ele, não havia calendário definido e a prioridade naquele momento era restabelecer a interlocução institucional entre o Executivo e o Legislativo.

O encaminhamento para as comissões altera esse cenário ao retirar a proposta da situação de paralisação. A partir de agora, o texto poderá ser analisado formalmente pelos senadores, ainda que não exista garantia de votação antes do primeiro turno.

PEC da Segurança também avança

A PEC da Segurança Pública é outra das prioridades do governo que ganhou andamento nesta sexta-feira. A proposta amplia a participação da União na coordenação das políticas de segurança e está relacionada ao projeto do governo de fortalecer a atuação federal no setor.

Lula tem associado a aprovação da PEC à criação de um Ministério da Segurança Pública, uma promessa apresentada durante a campanha presidencial de 2022. A proposta já passou pela Câmara e agora terá de cumprir o rito de análise no Senado.

O terceiro texto encaminhado por Alcolumbre trata da política nacional para minerais críticos e estratégicos. O tema é considerado relevante para a política industrial e tecnológica brasileira, diante da importância de minerais e terras raras para setores como energia, indústria, tecnologia e transição energética.

Alcolumbre e Motta se reaproxima de Lula

A retomada da relação entre Lula e Alcolumbre também ocorre em um momento de reorganização das forças políticas para as eleições de 2026. O presidente do Senado busca viabilizar sua permanência no comando da Casa, cujo mandato termina no início do próximo ano.

Uma eventual aliança política com Lula pode ter peso nesse processo, especialmente diante da avaliação de que o presidente da República chega ao período eleitoral com apoio de diferentes setores do centro político.

O movimento ocorre paralelamente à aproximação de outras lideranças do Congresso com o governo. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), declarou apoio à candidatura de Lula à reeleição, enquanto partidos do chamado Centrão adotam estratégias próprias nos estados e, em muitos casos, evitam uma adesão formal à candidatura de Flávio Bolsonaro.

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Hugo Motta (Republicanos-PB) já declarou apoio a Lula e Alcolumbre destravou a pauta de projetos importantes para o Brasil. Foto: Agência Brasil

Nesse cenário, o destravamento da agenda no Senado representa uma sinalização de que o governo conseguiu reconstruir canais de negociação com o comando do Congresso.

Para a proposta que prevê o fim da escala 6×1, contudo, o principal desafio agora é transformar o encaminhamento para as comissões em votação efetiva. A decisão de Alcolumbre abre o caminho para a tramitação, mas o calendário eleitoral e o rito constitucional ainda podem empurrar a análise definitiva para depois das eleições.

A retomada do diálogo entre Lula e Alcolumbre, portanto, recoloca a redução da jornada de trabalho no centro da agenda do Senado. Para trabalhadores que defendem o fim da escala 6×1, o próximo passo será acompanhar a tramitação nas comissões e a definição do calendário de votação da proposta.

Leia também sobre o fim da escala 6×1

Estudos e números mostram que é possível acabar com a escala 6×1. A Câmara dos Deputados já aprovou, agora, é a vez do Senado

Fim da escala 6×1 é possível: tire suas dúvidas sobre o tema

O debate sobre o fim da escala 6×1 — modelo em que o trabalhador atua seis dias consecutivos para folgar apenas um — está no centro da discussão nacional.

A proposta é uma bandeira histórica da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e demais centrais sindicais e traz ganhos concretos:

  • Melhoria na qualidade de vida
  • Redução do adoecimento e do absenteísmo
  • Aumento da produtividade
  • Estímulo ao consumo
  • Possível geração de novos empregos

Levantamento da Nexus, Pesquisa e Inteligência de Dados, mostra que 73% dos brasileiros são favoráveis ao fim da escala 6×1, desde que não haja redução salarial. Ou seja: a sociedade entende que trabalhar para viver é diferente de viver para trabalhar. A rodada de julho da Pesquisa Quaest, mostra que 69% dos brasileiros são a favor do fim da escala 6×1.

Quais os impactos do fim da escala 6×1?

De acordo com nota técnica do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), o impacto econômico do fima da escala 6×1 é mínimo:

  • Na indústria e no comércio, o custo operacional adicional seria inferior a 1%.
  • redução da jornada para 40 horas semanais elevaria o custo do trabalho celetista em média 7,84%, mas, considerando o peso da mão de obra no custo total dos setores, o impacto se dilui.
  • Mesmo em setores com alta dependência de mão de obra, como vigilância e limpeza, o impacto é administrável e pode ser enfrentado com políticas de transição.

O próprio Ipea destaca que aumento de custo do trabalho não significa automaticamente queda na produção ou aumento do desemprego.

Um levantamento da economista Marilane Teixeira, pesquisadora do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), mostra que a redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 36 horas, com o fim da escala 6×1, tem potencial de gerar até 4,5 milhões de novos empregos no Brasil e elevar em cerca de 4% os níveis de produtividade no país.

Pesquisa Sebrae diz que 51% dos empreendedores não preveem impacto com fim da 6×1

O estudo do Sebrae revela que 51% dos proprietários de micro e pequenas empresas, além de microempreendedores individuais (MEI), acreditam que fim da escala 6×1 não afetará seus negócios. Já 11% acreditam que a medida impactará positivamente seus negócios.

De acordo com a 12ª edição da Pesquisa Pulso dos Pequenos Negócios, realizada pelo Sebrae, cresceu o número de empreendedores que avaliam que o fim da escala 6×1 não trará impactos negativos para o funcionamento de suas empresas.

51%-dos-empreendedores-nao-preveem-impacto-com-fim-da-6x1-empreendedores-acreditam-que-fim-da-escala-6x1-nao-ira-afetar-seus-negocios-fonte-sebrae-tvt-news
Empreendedores acreditam que fim da escala 6×1 não irá afetar seus negócios – Fonte: Sebrae

Qual foi a proposta do fim da escala 6×1 aprovada na Câmara dos Deputados

TVT NEWS | Trabalho e direitos
PEC APROVADA NA CÂMARA |
✅ PROPOSTA DE EMENDA À CONSTITUIÇÃO (PEC 221/19) — AGORA NO SENADO

FIM DA ESCALA 6×1
e redução da jornada sem corte de salário

📅 Jornada máxima cai de 44h para 40h semanais • Escala 5×2 garantida

Nova jornada

44h → 40h semanais sem redução salarial.

📌 Fim da possibilidade de trabalhar 6 dias seguidos: regime obrigatório de 5 dias de trabalho e 2 dias de descanso (escala 5×2).

🛡️ “Proibida qualquer redução salarial nominal ou proporcional”

⚙️ Implementação progressiva

📆 60 dias após publicação → jornada reduz para 42 horas semanais + escala 5×2 imediata.

⏩ Após 12 meses → jornada atinge 40 horas semanais definitivas.

✅ Direito a dois dias de folga remunerada por semana, preferencialmente um aos domingos.

⚖️ Regras e exceções

🧑‍⚖️ Empregados hipersuficientes: nível superior e remuneração > 2,5x teto RGPS (~R$ 21 mil) não se aplicam regras de controle de jornada.

📄 Negociação coletiva: acordos ou convenções podem ajustar escalas e compensações, sempre respeitando o novo limite de 40h e os dois dias de folga.

🚫 Fim de cláusulas coletivas incompatíveis em até 60 dias após a promulgação.

🏢 Pequenas empresas & transição

✅ Lei complementar poderá mitigar impactos sobre micro e pequenas empresas, condicionada à manutenção dos níveis de emprego.

✅ Contratos públicos com mão de obra terceirizada terão regra de transição: aditamento para reequilíbrio econômico-financeiro em até 12 meses.

✍️ O que muda na prática?
  • Fim definitivo da escala 6×1 (trabalhar seis dias, folgar um).
  • Dois dias de descanso por semana, remunerados.
  • Salário integral mantido mesmo com jornada reduzida.
  • Jornada de 40 horas semanais (antes 44h).
📢 Próximos passos

A PEC 221/19 foi aprovada na Câmara dos Deputados e agora segue para o Senado Federal. Se aprovada em dois turnos por 49 senadores, será promulgada e entrará em vigor conforme cronograma.

🔜 Fique atento à votação no Senado

📌 Esclarecimento importante:

O texto aprovado pela Câmara determina redução gradual: em 60 dias → 42h semanais com escala 5×2; após 12 meses → 40h semanais. Salários mantidos integralmente e proibição de qualquer redução. Medida atinge milhões de trabalhadores do comércio, serviços e indústria que atuam na escala 6×1.

🏛️ Fonte: Proposta de Emenda à Constituição PEC 221/2019 – tramitação na Câmara dos Deputados. Dados baseados no texto aprovado em Plenário (maio/2025). Informações consolidadas para fins jornalísticos
📢 Compartilhe: conquista histórica pela redução da jornada sem perda salarial | #FimDaEscala6x1

Conheça as 13 diretrizes do programa de governo de Lula – Diretriz 9: Segurança alimentar e produção agrícola

A nona diretriz do programa de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva estabelece o combate à fome e o fortalecimento da produção de alimentos como prioridades. O texto destaca a saída do Brasil do Mapa da Fome e propõe ampliar políticas de renda, alimentação escolar, agricultura familiar e crédito rural.

A proposta busca combinar segurança alimentar com aumento da produtividade, sustentabilidade ambiental e adaptação às mudanças climáticas. Para isso, prevê ações que vão desde o apoio a pequenos produtores até investimentos em tecnologia e expansão da produção agropecuária.

Combate à fome e acesso à alimentação

A diretriz do programa estabelece como objetivo consolidar os avanços no combate à insegurança alimentar e ampliar o acesso da população a alimentos saudáveis. Entre as políticas apontadas estão o Bolsa Família, a valorização do salário mínimo, o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o fortalecimento da alimentação escolar.

A proposta prevê manter a participação da agricultura familiar no fornecimento de alimentos para escolas. O programa afirma que o percentual destinado à compra desses produtos chegou a 45%, enquanto a parcela de alimentos in natura ou minimamente processados na merenda escolar alcançou 80%.

A diretriz também defende políticas para reduzir o consumo de produtos considerados nocivos à saúde. Entre as medidas está o uso do Imposto Seletivo, previsto na reforma tributária, para desestimular determinados produtos.

O documento ainda prevê fortalecer a participação social na formulação das políticas de segurança alimentar e ampliar a atuação internacional do Brasil no enfrentamento à fome. A proposta é dar continuidade à Aliança Global contra a Fome e a Pobreza e à cooperação com países da África e da América Latina.

Agricultura familiar e desenvolvimento no campo

O fortalecimento da agricultura familiar ocupa espaço central na diretriz. O programa prevê ampliar o Plano Safra da Agricultura Familiar e oferecer crédito com condições adequadas para diferentes perfis de produtores, com prioridade para alimentos que compõem a cesta básica.

Também estão previstas na diretriz linhas específicas para agroecologia, produção orgânica, sociobiodiversidade, inovação e aquisição de máquinas adaptadas às pequenas propriedades. Jovens, mulheres, cooperativas e associações deverão contar com mecanismos diferenciados de financiamento.

O texto propõe ainda simplificar o acesso ao crédito por meio de ferramentas digitais e ampliar a assistência técnica e extensão rural. A continuidade do PAA deverá priorizar a compra de alimentos frescos e diversificados para equipamentos públicos e famílias em situação de vulnerabilidade.

A adaptação às mudanças climáticas também deverá fazer parte das políticas para a agricultura familiar, com reforço do Garantia-Safra e ampliação do seguro rural. O programa prevê incentivar sistemas agroflorestais, recuperar áreas degradadas e conservar nascentes, além de ampliar o uso de bioinsumos para diminuir a dependência de fertilizantes químicos.

A política fundiária aparece associada ao desenvolvimento rural. A proposta prevê avançar na reforma agrária, regularização fundiária e titulação de territórios quilombolas e comunidades tradicionais. Também estão previstas ações de educação, acesso à água, saneamento e energia renovável no campo.

Agronegócio, tecnologia e adaptação climática

O programa reconhece o agronegócio como importante para a economia brasileira e defende a combinação entre produtividade, inovação e sustentabilidade. A proposta é ampliar o crédito rural para financiar máquinas, equipamentos, irrigação e tecnologias capazes de aumentar a eficiência das propriedades.

A adaptação às mudanças climáticas é tratada como uma questão estratégica. O texto prevê um programa nacional de resiliência climática no campo, com expansão da irrigação, conservação dos solos, agricultura de precisão, plantio direto e aprimoramento dos sistemas de monitoramento meteorológico.

Também está prevista a ampliação de sistemas integrados, como a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), capazes de melhorar o aproveitamento da água, reduzir impactos do calor e aumentar a resistência da produção a eventos extremos.

O seguro rural deverá ser fortalecido para proteger produtores de perdas provocadas por eventos climáticos severos. O programa também propõe mecanismos para lidar com quebras sistêmicas de safra e ampliar a educação dos produtores sobre gestão de riscos.

Na área tecnológica, a Embrapa deverá ser fortalecida para desenvolver pesquisas em biotecnologia, edição genômica e variedades mais resistentes a pragas e secas. A expansão da conectividade no meio rural também aparece como instrumento para melhorar a produtividade e a gestão das propriedades.

Exportações, bioeconomia e fertilizantes

A expansão dos mercados externos é outro eixo da proposta. O programa afirma que o Brasil abriu 656 novos mercados para produtos agrícolas e pecuários durante o atual mandato e prevê continuidade da diplomacia comercial, com ampliação das missões empresariais e atuação dos adidos agrícolas em mercados estratégicos.

A estratégia inclui agregar mais valor às exportações e reduzir a dependência da venda de produtos primários. O texto também prevê fortalecer a pecuária sustentável por meio da recuperação de pastagens degradadas, melhoramento genético, nutrição de precisão e rastreabilidade individual dos rebanhos.

A produção de biocombustíveis deverá ser ampliada, incluindo etanol, biodiesel e combustível sustentável de aviação (SAF). O aproveitamento de resíduos da agroindústria para produzir biogás e bioenergia também é apontado como parte da estratégia de expansão da bioeconomia.

Outro desafio destacado é a dependência externa de fertilizantes. O programa prevê acelerar a produção nacional desses insumos, citando a retomada de unidades de fertilizantes pela Petrobras e a continuidade das obras de uma fábrica em Mato Grosso do Sul.

A diretriz, portanto, busca aproximar segurança alimentar, produção agrícola e sustentabilidade. A proposta é ampliar a oferta de alimentos a preços acessíveis sem abandonar a competitividade do agronegócio, ao mesmo tempo em que políticas de crédito, tecnologia, infraestrutura e proteção ambiental são utilizadas para enfrentar os desafios do campo brasileiro.

No Não Inviabilize, Lula defende diálogo com Trump

Em entrevista aos podcasts As Cunhãs e Não Inviabilize, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abordou nesta sexta (14) temas centrais de sua gestão, desde a postura do Brasil no cenário global até os desafios da segurança pública e o combate à violência de gênero. Saiba mais na TVT News.

Confira os principais trechos da entrevista do presidente Lula

Com jabuticabas do Palácio do Planalto, Lula foi de tarifaço ao Minha Casa, Minha Vida na entrevista aos canais Não Inviabilize e As Cunhãs. Durante a conversa, Lula relembrou os 580 dias de sua prisão em Curitiba, falando sobre sua convicção na inocência e no reconhecimento do povo foi o que o sustentou até a vitória eleitoral.

Confira, a seguir, os principais trechos da entrevista.

Lula diz que Ciro Gomes é ‘personalista’ e afirma sobre eleição no Ceará: ‘Elmano vai ganhar’

O presidente também tratou da eleição no Ceará, Minha Casa Minha Vida, os prejuízos do vício em bets, e as mudanças que seu governo fez no Brasil. Em entrevista aos podcasts As Cunhãs e Não Inviabilize, Lula falou sobre Trump, Rubio, segurança pública, combate à violência contra a mulher, igualdade de gênero nas escolas, Minha Casa, Minha Vida, educação, bets e proteção animal.

Ao defender políticas voltadas à população mais pobre, Lula criticou a elite brasileira por, segundo ele, ter historicamente restringido oportunidades e afirmou que esse grupo deveria ter feito antes o que hoje seu governo busca ampliar.

“Eu tenho orgulho porque estou fazendo tudo que a elite brasileira deveria ter feito e não fez aqui. A elite brasileira queria que o Brasil fosse governado para 35% da população. Quando você pensa colocar todo mundo no bolo, aí é mais difícil”, afirmou o presidente.

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Lula defende diálogo com Trump, mas rejeita tarifas dos EUA

Lula afirmou às entrevistadas que pretende manter o diálogo com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apesar das divergências provocadas pelas tarifas impostas a produtos brasileiros. O presidente classificou como falsas as justificativas utilizadas pelo governo norte-americano para sobretaxar o Brasil e disse que pretende responder às acusações com dados.

Sobre a relação com Trump, Lula disse que Brasil e Estados Unidos têm interesse em manter uma relação estável, apesar das divergências. Lula também afirmou que não pretende transformar o conflito comercial em uma disputa entre os povos. Para ele, o Brasil deve continuar buscando boas relações com diferentes países, mas sem abrir mão de sua autonomia.

O presidente citou dados sobre a redução do desmatamento e disse que pretende apresentar a Trump informações que, segundo ele, contradizem as acusações feitas contra o Brasil.

Ao abordar as tensões diplomáticas, Lula citou o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio. O presidente afirmou que há movimentações que considera relacionadas a uma tentativa de interferência nos assuntos internos brasileiros, especialmente no processo eleitoral.

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Lula durante entrevista aos podcasts As Cunhãs e Não Inviabilize, em que falou sobre a relação com os Estados Unidos, segurança pública e combate à violência contra a mulher. Foto: Não Inviabilize/YouTube/Reprodução

Lula mencionou a decisão brasileira de adotar a chamada lei da reciprocidade e criticou a indicação de um novo embaixador norte-americano para o Brasil próximo às eleições. Segundo ele, o país deve tratar seus parceiros internacionais com respeito, mas exigir o mesmo tratamento.

“Eu só quero isso: não se meta nos negócios do Brasil. Quem vier dar palpite na eleição aqui desse país vai perder, porque esse país não abre mão. Apesar dos negacionistas, apesar dos traidores da pátria, apesar do meu adversário, tem um irmão lá falando mal do Brasil, falando inverdades contra o Brasil, pode vir para cá quem quiser, nós vamos derrotá-los e vamos fazer esse país ter muito orgulho da soberania.”

Lula destaca expansão do Minha Casa, Minha Vida e novas faixas de renda

Ao falar sobre o Minha Casa, Minha Vida, Lula defendeu que os projetos habitacionais considerem as necessidades reais das famílias, incluindo espaço para animais e áreas de convivência.

Durante a conversa, a entrevistadora Deia Freitas se emocionou, e contou que, assim como a mãe de Lula, sua mãe também morreu sem ter casa própria.

Lula fez coro às críticas de Deia Freitas a moradias muito pequenas, e contou que passou a defender a inclusão de varandas nos projetos após visitar unidades do programa – o que ele batizou de “varanda do pum”.

“Sabe qual foi a grande ideia minha depois de fazer a casa? Foi criar a varanda do pum. Eu fui nas casas e notei que nenhuma tinha uma varandinha. Eu falei: ‘Gente, vocês já perceberam que se põe quatro ou cinco pessoas numa sala pequena e alguém pode não estar bem? E alguém precisa soltar o pum, vai soltar onde? Na varanda. Tem que ter uma varandinha, cara.’ Então eu tenho orgulho de dizer, não tenho vergonha: eu sou o criador da varanda do pum no projeto Minha Casa, Minha Vida, porque respeita o ser humano”, disse o presidente.

Lula também defendeu que os projetos do Minha Casa, Minha Vida incluam bibliotecas, espaços de lazer e áreas de convivência, para que os conjuntos habitacionais não sejam pensados apenas como unidades de moradia. A proposta é criar ambientes que favoreçam o acesso à cultura, ao esporte e à convivência entre moradores, especialmente crianças e jovens.

Sobre Segurança Pública, Lula cita PEC que prevê mais participação da União

Na área da segurança pública, Lula explicou que a Constituição de 1988 estabeleceu os estados como responsáveis pelas polícias Civil e Militar. Na avaliação do presidente, a estrutura atual dificulta o enfrentamento de organizações criminosas que atuam em diferentes estados e possuem ramificações nacionais.

O governo apresentou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que está em análise no Senado e pretende definir as responsabilidades da União, estados e municípios no combate ao crime organizado.

Lula afirmou que a aprovação da PEC abrirá caminho para a criação do Ministério da Segurança Pública. A nova estrutura deverá ser acompanhada de recursos para ampliar a capacidade da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal e da Força Nacional.

“Nós fizemos então uma PEC da segurança pública. Esta PEC está no Senado para ser votada, definindo qual é o papel da União, qual é o papel do Estado, qual é o papel da prefeitura, porque a prefeitura não tem que entrar também. Nós vamos ter que criar uma verba especial para que a gente possa preparar mais a Polícia Federal, mais a Polícia Rodoviária Federal, mais a Força Nacional, que nós temos que criar e saber como é que a gente vai agir, em que parte o governo federal vai agir.”

O presidente também anunciou a intenção de financiar a transformação de 138 delegacias estaduais em unidades prisionais de segurança máxima. A medida, segundo Lula, faz parte da estratégia de ampliar a capacidade de enfrentamento das organizações criminosas.

Ele defendeu ainda que as operações policiais e de inteligência tenham como alvo os responsáveis pelo comando e pelo financiamento das estruturas criminosas.

Para o presidente, violência contra a mulher exige mudança cultural

A violência contra a mulher também foi tema da entrevista. Lula defendeu o endurecimento das ações contra agressores, mas afirmou que a resposta ao problema não pode se limitar à punição depois que o crime acontece.

O presidente destacou a necessidade de prevenir a violência e promover mudanças culturais que reduzam comportamentos machistas e relações baseadas em desigualdade.

Ao comentar o tema, Lula fez uma afirmação direcionada aos homens que praticam violência contra mulheres e defendeu que o assunto seja tratado também no processo de formação das crianças e adolescentes.

“Homem que bate em mulher não precisa votar em mim. Eu acho que nós temos que fazer uma coisa muito mais forte. A gente pode ter lei, pode ter uma lei muito dura, mas a lei não vai resolver se a gente não mudar a cabeça das pessoas. É preciso começar a ensinar desde criança o respeito, a convivência e a igualdade entre homens e mulheres.”

A defesa da educação como ferramenta de prevenção amplia o debate para além da responsabilização dos agressores. A proposta é que a discussão sobre igualdade de gênero e respeito seja incorporada à formação das novas gerações, contribuindo para combater a naturalização da violência doméstica e de comportamentos machistas.

Para Lula, o enfrentamento da violência contra a mulher depende da atuação conjunta do poder público e da sociedade, combinando políticas de proteção, punição aos agressores e ações preventivas capazes de mudar comportamentos antes que a violência aconteça.

Lula critica impacto das bets sobre famílias

Outro tema abordado nas entrevistas foi o avanço das apostas online. Lula relatou preocupação com pessoas que comprometem recursos destinados a despesas básicas para apostar e comparou a situação com os antigos bingos.

O presidente afirmou que o governo estuda novas medidas para restringir os impactos das bets e citou a atuação dos ministérios da Fazenda, do Planejamento e da Justiça no tema. Ele também mencionou mecanismos relacionados ao Desenrola, que impediram participantes do programa de continuar apostando durante determinado período.

Lula disse que pretende ampliar as dificuldades impostas às plataformas caso não sejam encontradas justificativas que demonstrem benefícios sociais para a atividade, e falou sobre o bloqueio para participantes do Desenrola, programa de quitação de dívidas do governo federal, que não podem apostar em sites com essa finalidade no período de um ano.

“Não é possível você saber que um homem ou uma mulher está normalmente gastando o dinheiro do leite do filho, sabe? Uma aposta. Está gastando o dinheiro da manteiga, o dinheiro do feijão. Não tem sentido isso.”

O presidente ainda contou que o governo sofreu muita resistência quando o bingo foi proibido no país. Ele comentou que foi visitado pela humorista Dercy Gonçalves, que reclamou que o bingo era sua única diversão.

Investigações e defesa de apuração sobre o próprio filho

Durante a conversa, Lula também foi questionado sobre investigações que envolvem aliados e integrantes de sua família. O presidente afirmou que não pretende interferir em investigações judiciais e disse que não fará juízo sobre decisões tomadas pelo Supremo Tribunal Federal.

Ao falar especificamente sobre seu filho, Lula afirmou acreditar na declaração de inocência dele, mas disse que não pretende pedir o encerramento ou impedir qualquer investigação. Segundo o presidente, eventuais acusações devem ser esclarecidas pelos instrumentos legais.

“Eu quero que ele seja investigado, não tem problema nenhum. Eu só quero que ele faça como eu fiz. […] Se não fez, então brigue. Não se acovarde, brigue.”

Lula afirmou ainda que, caso algum integrante de sua família seja responsabilizado por irregularidades, deverá responder pelos próprios atos.

Política, cuidados pessoais e proteção animal

A entrevista também passou por assuntos mais leves, em meio aos temas políticos. Lula comentou a influência da estética coreana em sua rotina e brincou ao ser questionado pelas apresentadoras sobre cuidados pessoais e a possibilidade de ter feito procedimentos estéticos. O presidente contou que passou a usar hidratantes por influência da primeira-dama, Janja, e negou ter feito botox, explicando que havia passado por uma cirurgia na cabeça.

O assunto surgiu após a visita de uma autoridade coreana, que, segundo Lula, levou produtos de cuidados pessoais. Em tom descontraído, o presidente contou que nunca havia tido o hábito de usar cremes, mas acabou incorporando a prática à rotina.

A conversa também chegou à proteção dos animais. Uma das apresentadoras questionou Lula sobre políticas públicas de castração, tema que, segundo ela, enfrenta dificuldades em diversos estados. O presidente afirmou que o governo já desenvolve ações voltadas à causa animal, mas reconheceu a necessidade de ampliar os investimentos.

“Tudo que nós fizemos de animal, para Patinhas, eu amo. Não tem nada aqui. Então, nós precisamos investir mais, presidente, em castração de animais. Fazer.”

O trecho acabou quebrando o tom mais sério da entrevista, que havia passado por temas como segurança pública, violência contra a mulher, desigualdade, educação e as eleições de 2026.

Lula ao vivo no Não Inviabilize

O “Não Inviabilize” recebeu o presidente Lula em seu canal no YouTube. O programa, criado em 2020 por Déia Freitas, é atualmente o maior podcast da sua categoria no Brasil, com mais de 500 milhões de reproduções e mais de 1 mil histórias disponibilizadas gratuitamente. Déia Freitas é considerada a mais importante e premiada contadora de histórias da podosfera brasileira.

Veja Lula ao vivo no As Cunhãs

O podcast “As Cunhãs” também transmite ao vivo a entrevista do Lula em seu canal no YouTube. O programa é comandado pelas jornalistas Inês Aparecida, Hébely Rebouças e Kamila Fernandes e tem como foco a política local, nacional e internacional, com atenção especial à política cearense.

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