Agora

Da Redação

Lula protocola autorização no TSE para abrir sigilos e desafia Flávio Bolsonaro

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) protocolou nesta terça-feira (20) no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma autorização para a abertura de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico, além dos dados da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, e dos cinco filhos. A iniciativa formaliza o desafio feito ao senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula no segundo turno, para que também autorize a divulgação de informações pessoais e financeiras de sua família. Leia em TVT News.

O pedido abrange os últimos oito anos e ocorre após os candidatos trocarem acusações durante o debate presidencial de domingo (18). Lula defende que os dados sejam divulgados antes da votação, marcada para 25 de outubro, para que os eleitores possam comparar as informações dos dois candidatos.

documento-apresentado-ao-tse-preve-divulgacao-de-dados-bancarios-fiscais-e-telefonicos-dos-ultimos-oito-anos-do-presidente-e-de-familiares-iniciativa-depende-de-medida-equivalente-do-adversario-foto-reproducao
Documento apresentado ao TSE prevê divulgação de dados bancários, fiscais e telefônicos dos últimos oito anos do presidente e de familiares; iniciativa depende de medida equivalente do adversário. Foto: Reprodução
foto-reproducao
Foto: Reprodução

>> Siga o grupo da TVT News no WhatsApp

Divulgação depende de autorização de Flávio Bolsonaro

A petição condiciona a divulgação pública dos dados de Lula à adoção de uma medida equivalente por Flávio Bolsonaro. O pedido inclui informações do senador, do pai dele, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), da mãe, Rogéria Bolsonaro, dos irmãos Carlos, Eduardo e Jair Renan Bolsonaro e da esposa, Fernanda Antunes.

O documento solicita que as informações sejam disponibilizadas no sistema DivulgaCandContas ou em outra plataforma de acesso público. A proposta também prevê a abertura de dados de empresas e contas bancárias nas quais os candidatos sejam sócios, administradores ou responsáveis financeiros.

Até a publicação da reportagem original, Flávio não havia confirmado se autorizaria a divulgação dos próprios dados e dos familiares incluídos no pedido. O senador havia declarado anteriormente que não tinha “absolutamente nada a esconder”.

Pedido inclui empresas ligadas aos candidatos

No caso de Lula, a petição menciona a L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações Ltda., empresa fundada em 2011 com o empresário Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula.

Para Flávio Bolsonaro, o documento cita o escritório individual de advocacia do senador e as empresas All In One Corretora de Seguros, Bravo Grafeno Tecnologia e Inovação, Bolsonaro Digital e Alcazar Holdings.

A Alcazar é uma empresa offshore registrada na Ilha da Madeira, em Portugal. Informações divulgadas pela imprensa a partir de investigações da Polícia Federal apontam que Flávio teria figurado como usuário master de uma conta bancária vinculada à empresa, administrada pelo advogado Willer Tomaz. Flávio e Willer negam ser sócios.

Ao defender a abertura dos sigilos, Lula afirmou que decidiu incluir os cinco filhos para responder a acusações e especulações sobre sua família. O presidente sustenta que a divulgação das informações permitiria aos eleitores avaliar a situação financeira dos candidatos e de seus parentes.

A iniciativa ocorre na reta final da campanha presidencial, marcada por ataques e acusações entre os dois concorrentes. O segundo turno ocorre no domingo, dia 25.

Lula amplia isenção do Imposto de Renda para R$ 5 mil após anos sem reajuste na gestão Bolsonaro

A faixa de renda mensal isenta do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) passou de R$ 1.903,98, valor mantido durante boa parte do governo Jair Bolsonaro (PL), para R$ 5 mil em 2026, no terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A mudança representa uma ampliação de aproximadamente 163% no limite de isenção efetiva e altera a tributação sobre os rendimentos de trabalhadores, aposentados e pensionistas. Leia em TVT News.

A diferença entre os dois governos está na política adotada para corrigir a tabela do imposto. Durante a gestão Bolsonaro, entre 2019 e 2022, a faixa de isenção permaneceu congelada no valor estabelecido em 2015. A ausência de atualização fez com que a inflação reduzisse o poder de compra dos rendimentos e ampliasse, na prática, o número de pessoas sujeitas à cobrança do tributo.

A partir de 2023, o governo Lula iniciou uma sequência de mudanças para elevar o limite de isenção. Em maio daquele ano, a faixa efetiva chegou a R$ 2.640 mensais, considerando o desconto simplificado. Em fevereiro de 2024, passou para R$ 2.824 e, em maio de 2025, alcançou R$ 3.036.

A alteração mais abrangente começou a valer em janeiro de 2026. Com a nova regra, aprovada em 2025, quem recebe até R$ 5 mil por mês em rendimentos tributáveis passou a ter isenção integral do IRPF. Para quem ganha entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350 mensais, a legislação prevê uma redução gradual do imposto devido.

Congelamento no governo Bolsonaro: faixa de isenção não acompanhou inflação

A manutenção da tabela durante boa parte do governo Bolsonaro contrastou com as mudanças implementadas a partir de 2023. Como a faixa de isenção não acompanhou a inflação, rendimentos que antes estavam livres da cobrança puderam passar a ser tributados, mesmo sem representar um aumento real do poder de compra.

A política tributária faz parte de uma discussão mais ampla sobre a distribuição de renda e o papel do Estado. A forma como os impostos são cobrados determina quem contribui proporcionalmente mais para o financiamento das políticas públicas e quem dispõe de maior renda depois do pagamento dos tributos.

A comparação entre os governos também precisa considerar os diferentes contextos econômicos. A gestão Bolsonaro enfrentou os efeitos da pandemia de Covid-19, enquanto o terceiro mandato de Lula começou diante de um cenário de insegurança alimentar, baixo investimento público e desestruturação de políticas sociais. Ainda assim, os dados apresentados pela economista Juliane Furno apontam diferenças entre as escolhas econômicas das duas administrações.

Isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil é um avanço do governo Lula

Em artigo publicado no especial Lula × Bolsonaro 2026, do Le Monde Diplomatique Brasil, a economista Juliane Furno analisa os resultados do terceiro governo Lula e os compara às políticas adotadas na gestão anterior.

Para a pesquisadora, a ampliação da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil representa um avanço na tentativa de reduzir o caráter regressivo da tributação brasileira.

A medida foi acompanhada pela criação de uma tributação mínima sobre as altas rendas, que ajuda a financiar a ampliação da isenção. Na avaliação de Furno, essa mudança constitui um movimento concreto para tornar o sistema tributário menos desigual, ao aliviar a cobrança sobre rendimentos menores e ampliar a contribuição das faixas mais elevadas de renda.

A economista também destaca outros resultados do atual governo relacionados ao trabalho e à renda. Entre eles estão a retomada da política de valorização real do salário mínimo, a recomposição do Bolsa Família e a redução do desemprego. Segundo os dados citados por ela, a taxa de desocupação chegou a 5,3% no trimestre encerrado em agosto de 2026, enquanto a população ocupada alcançou 103,5 milhões de pessoas.

Furno, porém, aponta limites na política econômica de Lula. O governo manteve regras fiscais que subordinam despesas sociais e investimentos públicos às metas de resultado primário.

A pesquisadora também chama atenção para os juros elevados e o endividamento das famílias, fatores que dificultam a transformação dos avanços no emprego e na renda em uma melhora mais perceptível das condições de vida.

A análise indica que a ampliação da isenção do IRPF é uma mudança relevante, mas não resolve, por si só, os problemas relacionados à desigualdade, ao custo do crédito e à distribuição dos rendimentos.

Diferenças na renda e no papel do Estado

No governo Bolsonaro, o Brasil conviveu com taxas de desemprego de dois dígitos durante grande parte do mandato, chegando a 14,9% no auge da pandemia. A recuperação do mercado de trabalho ocorreu, em parte, por meio da informalidade e de vínculos precários.

O país terminou 2022 com mais de 33 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar grave, segundo a Rede Penssan. No mesmo período, o salário mínimo teve ganhos reais praticamente nulos ao longo dos quatro anos de governo Bolsonaro.

Já na gestão Lula, a retomada da valorização real do salário mínimo e a recomposição de políticas sociais foram acompanhadas pela ampliação da isenção do Imposto de Renda. Para Furno, essas decisões indicam uma concepção diferente sobre a atuação do Estado na redução das desigualdades.

Outra diferença está na política econômica voltada ao setor produtivo. Enquanto o governo Bolsonaro privatizou a Eletrobras e vendeu refinarias e subsidiárias da Petrobras, a administração Lula voltou a defender o planejamento estatal e a participação pública no desenvolvimento econômico, embora, na avaliação da pesquisadora, ainda existam limitações nos investimentos.

A economista também alerta para as propostas econômicas associadas a Flávio Bolsonaro. Segundo sua análise, um programa baseado em cortes de gastos, redução de impostos e flexibilização de direitos trabalhistas pode pressionar os serviços públicos e transferir custos para a população de menor renda.

Ela ressalta que uma eventual revisão da tributação mínima sobre as altas rendas poderia comprometer o financiamento da isenção do IRPF para quem recebe até R$ 5 mil.

A comparação evidencia, portanto, duas orientações distintas para a política tributária. Durante boa parte do governo Bolsonaro, a faixa de isenção permaneceu congelada. Sob Lula, ela foi ampliada progressivamente até alcançar R$ 5 mil mensais em 2026, acompanhada de uma mudança na tributação das rendas mais altas.

Fuvest antecipa em um dia a divulgação dos locais das provas

A Fuvest antecipa em um dia a divulgação dos locais das provas da 1ª Fase do Vestibular 2027. A partir das 12h de hoje, 20 de outubro, os candidatos podem consultar a lista no site da fundação. Leia em TVT News.

Nesta edição do processo seletivo, 106.165 candidatos disputam as 8.147 vagas disponíveis nos cursos de graduação da Universidade de São Paulo. Desse total, 12.337 farão as provas na modalidade de treinamento, ou seja, sem ter concluído o Ensino Médio. Já os candidatos que concorrem efetivamente às vagas são 93.828.

>> Siga o grupo da TVT News no WhatsApp

A prova será realizada no dia 1º de novembro em 30 cidades da Região Metropolitana de São Paulo, do interior e do litoral paulista, além de Fortaleza, no Ceará. Ao todo, 88 locais receberão os vestibulandos. A abertura dos portões das escolas acontecerá às 12h, com fechamento dos portões e início da aplicação da prova às 13h.

Para evitar atrasos no dia e estresse na chegada, a Fuvest recomenda que o candidato conheça com antecedência o trajeto até o local da realização da prova. A sugestão é fazer isso no domingo anterior a fim de calcular a distância e o acesso por transporte coletivo, carro de aplicativo ou veículo particular. Para aqueles que forem realizar a 1ª Fase em outra cidade, a Fuvest também recomenda que viajem com antecedência, evitando, assim, imprevistos.

Mais informações sobre o Vestibular 2027 estão disponíveis em www.fuvest.br/vestibular-da-usp.

Principais datas do Vestibular 2027

1º de novembro – Prova da 1ª Fase
23 de novembro – Divulgação dos convocados e dos locais da prova da 2ª Fase
6 e 7 de dezembro – Provas da 2ª Fase
8 a 11 de dezembro – Provas de Competências Específicas
26 de janeiro de 2027 – Divulgação da 1ª Chamada para matrícula

Inquérito da PF sobre lavagem de dinheiro de Flávio Bolsonaro alcança Cláudio Castro e Ramagem

O inquérito da Polícia Federal (PF) que apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e o advogado Willer Tomaz também investiga possíveis irregularidades relacionadas ao ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) e ao ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ). A apuração reúne suspeitas sobre movimentações financeiras, contratos ligados ao mercado de apostas e pagamentos que teriam beneficiado o ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Leia em TVT News.

A investigação começou a partir de transações relacionadas ao setor de apostas. Após o nome de Flávio Bolsonaro aparecer no caso, o inquérito foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes. Willer Tomaz, apontado como amigo do senador, é o principal foco da apuração. Ele também é investigado em um inquérito sobre suspeitas de fraudes relacionadas ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

>> Siga o grupo da TVT News no WhatsApp

PF apura licitação da Loterj e relação com Cláudio Castro

A investigação examina possíveis irregularidades em uma licitação de 2022 da Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj), vencida pela Pixs Cobrança, atualmente denominada RioPag. Segundo a PF, registros de mensagens e viagens encontrados nos arquivos de Willer indicam proximidade entre o advogado e Cláudio Castro, que governou o estado de maio de 2021 a março de 2026.

Na época da licitação, a Loterj era presidida por Hazenclever Lopes, nomeado por Castro. Os investigadores apontam que Hazenclever já mantinha vínculos profissionais e pessoais com Willer antes de assumir o cargo e levantam a suspeita de que o advogado seria o proprietário de fato da empresa vencedora.

De acordo com a apuração, a Pixs ofereceu repassar à Loterj 20% de sua remuneração, enquanto a concorrente propôs 26%. A empresa rival foi desclassificada por apresentar o percentual com duas casas decimais, em vez das três exigidas pelo edital. Sem concorrência, a Pixs negociou diretamente com a autarquia e elevou a proposta para 26,455%.

Willer Tomaz afirmou que não teve acesso ao inquérito e que soube da investigação pela imprensa. Disse que sua relação com Flávio Bolsonaro é de amizade entre famílias e negou manter sócios ocultos, contas não declaradas ou patrimônio escondido. Também declarou que a exclusão da concorrente decorreu do descumprimento de exigências formais do edital, sem ordem ou intervenção direta da Polícia Federal atribuída a ele.

A assessoria de Cláudio Castro confirmou que o ex-governador conhece Willer desde 2020 e mantém uma relação de amizade com o advogado, que teria atuado em processos de sua defesa sem cobrar honorários. Castro também confirmou que fizeram viagens juntos, mas afirmou que cada um pagava suas próprias despesas e as de seus familiares.

O ex-governador negou conhecer eventual vínculo de Willer com a Pixs/RioPag na época da contratação e disse desconhecer a relação entre o advogado e Hazenclever. Afirmou ainda que não participou da licitação, da contratação da empresa nem de tratativas envolvendo os envolvidos. Segundo sua assessoria, Hazenclever foi uma indicação política do PL para a presidência da Loterj, que possui gestão própria.

Investigação inclui pagamentos de R$ 270 mil ligados a Ramagem

No caso de Alexandre Ramagem, a PF investiga três pagamentos de R$ 90 mil, que totalizam R$ 270 mil, feitos à empresa Torre Comunicação Estratégica. Os investigadores suspeitam que o beneficiário final dos recursos seria o ex-deputado, que dirigiu a Abin durante o governo Jair Bolsonaro (PL). As transferências, no entanto, não foram realizadas diretamente a Ramagem: a Torre aparece como favorecida formal dos pagamentos.

A empresa afirmou que prestou serviços de assessoria de imprensa ao escritório de Willer Tomaz e Eugênio de Aragão. Segundo a Torre, o escritório contratou planejamento estratégico, monitoramento e treinamento de mídia para Ramagem, então pré-candidato à Prefeitura do Rio de Janeiro. A empresa declarou que o trabalho durou três meses, com três pagamentos de R$ 90 mil e emissão regular de notas fiscais.

Ramagem teve o mandato de deputado cassado em dezembro de 2025, após ser condenado pelo STF a 16 anos e um mês de prisão por participação na tentativa de golpe de Estado. Segundo a reportagem do ICL Notícias, ele estava nos Estados Unidos desde setembro de 2026. A defesa do ex-deputado e a de Hazenclever Lopes foram procuradas, mas não responderam até a publicação da matéria.

Empresa de Willer pagou viagens de Flávio à Europa

A apuração também investiga viagens de caráter pessoal de Flávio Bolsonaro à Europa, em 2025, custeadas por meio de uma empresa do setor de apostas pertencente a Willer Tomaz. Segundo a investigação, a empresa atuou como intermediária na compra das passagens e teria sido utilizada para pagar deslocamentos envolvendo familiares do advogado e do senador.

A PF aponta ainda que Flávio tinha acesso operacional relevante, como usuário master, a uma conta bancária da offshore Alcazar Holding, da qual Willer é sócio. Em maio de 2025, foi solicitada a retirada do acesso do parlamentar. Os registros encontrados pelos investigadores também incluem referências a festas, encontros e reuniões entre o senador e o advogado.

Até a publicação da reportagem original, a campanha de Flávio Bolsonaro não havia se manifestado sobre os novos desdobramentos. Em manifestação anterior, afirmou que a relação entre o senador e Willer era exclusivamente de amizade.

Flávio Bolsonaro quer acabar com o SUS? O que disse o indicado para ministro da Saúde

O médico Claudio Lottenberg, anunciado por Flávio Bolsonaro (PL) como seu futuro ministro da Saúde caso seja eleito, declarou em 2019 que não destinaria mais recursos ao Sistema Único de Saúde (SUS) antes de “melhorar a utilização do dinheiro já disponível”. Entenda na TVT News qual o risco do SUS acabar com os planos de Flávio Bolsonaro.

A fala, registrada durante o debate “O Futuro do SUS: Desafios e Mudanças Necessárias”, da Fundação FHC, voltou a circular nas redes sociais nesta semana e acendeu o alerta sobre os rumos da saúde pública em um eventual governo do candidato do PL.

Lottenberg também defendeu que “quanto mais planos privados, melhor, porque o SUS pode ficar menor”. A proposta de Flávio de levar o “padrão Einstein” ao SUS foi rebatida por Lula no debate da Band, que questionou se o adversário pretende privatizar o sistema público.

Resumo dos principais pontos

  • O que disse Claudio Lottenberg: o indicado de Flávio para a Saúde afirmou que “não colocaria nada mais” no SUS antes de mudar a forma de alocar os recursos existentes, e defendeu a expansão de planos privados e parcerias com o setor privado como caminho para reduzir o tamanho do sistema público.

  • Quais os riscos para o SUS com os planos de Flávio Bolsonaro: especialistas apontam que a retração de investimentos e a transferência de responsabilidade para o setor privado podem aprofundar desigualdades e deixar desamparada a parcela da população que depende exclusivamente do SUS.

  • Comparação do que pensa sobre o SUS: Lula x Flávio Bolsonaro: enquanto Flávio aposta em parcerias privadas e contratação da rede privada em horários ociosos, Lula defende a ampliação da rede própria, o fortalecimento do programa Agora Tem Especialistas e a continuidade do Mais Médicos.

Depois de acabar com o Bolsa Família, o SUS é o novo alvo de Flávio Bolsonaro?

A indicação de Claudio Lottenberg para o Ministério da Saúde ocorre em um momento em que a campanha de Flávio Bolsonaro já enfrenta desgaste por propostas de transição e corte no Bolsa Família.

Agora, o foco das atenções se volta para o SUS, com a sinalização de que a saúde pública pode ser o próximo alvo de uma agenda de redução do papel do Estado.

Lottenberg chega à campanha com uma trajetória construída majoritariamente no setor privado: presidiu o Hospital Israelita Albert Einstein e comandou a UnitedHealth Group no Brasil.

Desde 1º de setembro, está licenciado da presidência do Conselho Deliberativo do Einstein para preservar sua neutralidade política diante da indicação. A experiência no setor privado, no entanto, é justamente o que levanta suspeitas sobre um possível desmonte do SUS em favor de planos de saúde e empresas do ramo.

O que disse o indicado de Flávio Bolsonaro para futuro ministro da Saúde

Em suas manifestações públicas, Claudio Lottenberg tem sido consistente em duas teses: a de que o SUS não precisa de mais dinheiro, mas de melhor gestão, e a de que a expansão do setor privado beneficia indiretamente o sistema público.

“Eu acho que a gente gasta bastante e gasta mal, tanto na esfera privada quanto na esfera pública. O mantra de que está faltando dinheiro é, na minha interpretação, um mantra equivocado”, afirmou no debate da Fundação FHC em 2019.

Veja a declaração do indicado de Flávio Bolsonaro para a saúde

Veja o vídeo aqui

Na sequência, foi taxativo: “Eu não colocaria nada mais, a não ser que a gente esgotasse, ou pelo menos evoluísse, a forma de alocar os recursos de que já dispomos”.

O indicado de Flávio também defendeu que “quanto mais o setor privado crescer, quanto mais houver emprego e seguro-saúde, melhor é para o Sistema Único de Saúde”.

Para ele, o aumento do emprego formal e do acesso a planos de saúde particulares reduziria a pressão sobre a infraestrutura estatal. A linha mestra de suas propostas inclui a ampliação massiva de Parcerias Público-Privadas (PPPs) e a transferência da gestão de unidades públicas para Organizações Sociais de Saúde (OSS), modelo que ajudou a consolidar na capital paulista em 2005, quando foi secretário municipal de Saúde na gestão de José Serra.

Entre as propostas detalhadas por Lottenberg para a campanha de Flávio estão a contratação de exames e serviços da rede privada em horários ociosos, a criação de um prontuário eletrônico único vinculado ao CPF (oque já existe) e a revisão do modelo de remuneração de hospitais e clínicas pelo SUS, com pagamento por resultado entregue ao paciente, e não por procedimento isolado.

O conjunto de medidas aponta para uma mudança estrutural no papel do Estado na saúde, com o setor privado assumindo protagonismo crescente.

O que pensam Lula e Flávio Bolsonaro sobre o SUS

A comparação entre as propostas dos dois candidatos para a saúde pública revela visões opostas sobre o papel do Estado e do setor privado. De um lado, Flávio Bolsonaro aposta na ampliação da contratação de serviços da iniciativa privada, na correção da tabela SUS e na digitalização do sistema, com ênfase em parcerias e no uso de tecnologia para “desafogar” a rede pública.

Do outro, Lula defende o fortalecimento do SUS como sistema universal, a ampliação da infraestrutura própria, o aumento do financiamento da atenção básica e a continuidade de programas como o Mais Médicos e o Agora Tem Especialistas.

A tabela abaixo sintetiza as principais diferenças:

TemaFlávio Bolsonaro (PL)Lula (PT)
Financiamento do SUSNão ampliaria recursos antes de “melhorar a gestão”;Defende ampliação do financiamento da atenção básica e investimentos na rede pública
Papel do setor privadoAmpliação de PPPs, OSS e contratação da rede privada em horários ociosos; defende que “quanto mais planos privados, melhor”Prioriza a rede própria, mas mantém o programa Agora Tem Especialistas, que permite troca de dívidas de hospitais privados por atendimento no SUS
Visão sobre o SUSSistema precisa ser “aperfeiçoado”, com redução de seu tamanho por meio do crescimento do setor privado“Tenho muito orgulho do SUS”; defende a recuperação e o fortalecimento do sistema público universal

A leitura atenta das propostas e das declarações de Claudio Lottenberg, o indicado de Flávio Bolsonaro para a Saúde, indica que o SUS pode estar diante de um projeto de encolhimento institucional em favor da iniciativa privada.

Para os defensores da saúde pública, a combinação de congelamento de investimentos com a expansão de planos e parcerias privadas representa um risco concreto de aprofundamento das desigualdades no acesso à saúde.

O sistema que atende de forma exclusiva 75% da população brasileira e é reconhecido internacionalmente como uma das maiores redes públicas de saúde do mundo pode perder centralidade em um eventual governo do PL.

A resposta das urnas dirá se o SUS continuará a ser tratado como direito universal e dever do Estado.

Depois do Bolsa Família, o SUS é o novo alvo de Flávio Bolsonaro?

A declaração do indicado de Flávio Bolsonaro para a Saúde colocou o financiamento do SUS no centro do debate eleitoral. O questionamento é se a proposta de priorizar a eficiência dos gastos públicos, associada à expansão dos serviços privados, pode reduzir o espaço de investimento direto na rede pública.

vacinacao-dia-d-vacina-sus
Vacinação é realizada por profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS). Foto: Rafael Nascimento/MS

O SUS é uma política de Estado garantida pela Constituição Federal de 1988. O artigo 196 estabelece que a saúde é direito de todos e dever do Estado, assegurado por políticas que busquem reduzir riscos e garantir acesso universal e igualitário às ações e aos serviços de saúde. A Constituição Federal, disponível no portal do Planalto, estabelece a base legal desse direito.

Na prática, o sistema público financia e oferece vacinação, atendimento de urgência, transplantes, vigilância sanitária, assistência farmacêutica e consultas e procedimentos de diferentes níveis de complexidade. Mesmo quem tem plano de saúde utiliza serviços e estruturas públicas em diversas situações.

Vera Magalhães: Flávio não consegue prometer nada sem usar marcas privadas para nomear as instituições e empresas públicas

A crítica ao “padrão Einstein” prometido por Flávio Bolsonaro para o SUS ganhou eco entre analistas políticos. Em publicação no X (antigo Twitter) durante o debate da Band, a colunista Vera Magalhães, do jornal O Globo, resumiu o estilo do candidato:

“Flávio não consegue prometer nada sem usar marcas privadas para nomear as instituições e empresas públicas. O SUS vai ser ‘padrão Einstein’. A Caixa vai ser o ‘Itaú das favelas’. Não tem consistência…”

Amigo de Flávio Bolsonaro, Willer Tomaz foi o maior apostador do Brasil em 2025, informa UOL

O advogado Willer Tomaz, amigo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), foi apontado como a pessoa física que mais movimentou dinheiro em empresas de apostas no Brasil em 2025, segundo nota técnica do Ministério da Fazenda obtida pelo UOL. Conforme a reportagem dos jornalistas Natália Portinari e Fabio Serapião, Willer Tomaz depositou mais R$ 258 milhões a empresa dona da Blaze e apostou cerca de R$ 5 bilhões ao longo do ano.

A Polícia Federal investiga se as movimentações configuram lavagem de dinheiro e se o advogado atua como sócio oculto da plataforma de apostas. Entenda a relação de Willer Tomaz com Flávio Bolsonaro na TVT News.

Willer Tomaz, amigo de Flávio:

  • O que diz a reportagem do UOL: Willer Tomaz foi o maior apostador pessoa física do país em 2025

  • Quais as novas suspeitas: A Polícia Federal investiga se as apostas eram simuladas para lavar dinheiro e se Willer Tomaz é sócio oculto da Blaze; a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) apontou que a empresa não analisou as operações do advogado.

Conheça Willer Tomaz

Fábio Porchat conta quem é o amigo de Flávio Bolsonaro, Willer Tomaz, neste vídeo:

Apostador, ludopatia ou lavagem de dinheiro? Quais as suspeitas sobre Willer Tomaz

A defesa de Willer Tomaz sustenta que ele é viciado em jogo (ludopatia) e que as movimentações milionárias decorrem de “reapostas sucessivas de um mesmo montante”, não representando dinheiro novo. O advogado chegou a entrar na Justiça contra a Blaze para tentar reaver R$ 163 milhões que diz ter perdido na plataforma por causa do vício e de falhas do site.

No entanto, a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda concluiu, em nota técnica, que a Blaze nunca analisou as operações de Willer Tomaz para prevenir lavagem de dinheiro. Segundo o documento, os valores movimentados “claramente enquadrariam” as operações entre as que precisam ser monitoradas, e seria “praticamente impossível” que a empresa não percebesse transações “na ordem dos bilhões de reais”.

A SPA apontou padrões suspeitos, como fracionamento de depósitos e saques e possível uso de ferramenta automatizada para apostar:

  • em um único dia (30 de outubro de 2025), Willer depositou R$ 7 milhões em transferências de R$ 500 mil;
  • no dia seguinte, sacou R$ 6 milhões em 18 minutos e,
  • 11 de novembro, fez 12 apostas que somam mais de R$ 5 milhões, em 5 minutos

Além da Blaze, Willer Tomaz também movimentou recursos na plataforma 7K, do grupo Ana Gaming, que é alvo da Operação Narco Bet e investigado por suspeita de lavar dinheiro proveniente do tráfico de drogas, com possível envolvimento do PCC (Primeiro Comando da Capital).

agu-acao-bets-dividas-sus-apostadores-tvt-news-lula-mp-bets
PF investiga Willer Tomaz, amigo de Flávio, por lavagem em bets – Foto de Riccardo Milani / Hans Lucas / Hans Lucas via AFP

Amigo de Flávio Bolsonaro envolvido com cassinos on-line

A proximidade entre Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro não é recente. Os dois são amigos há anos, viajaram juntos para o exterior em diversas ocasiões e mantêm convívio familiar.

Em janeiro de 2025, Flávio viajou em uma aeronave executiva que tinha Willer Tomaz como um dos proprietários; o senador afirmou que o avião pertencia ao amigo, e não ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, embora a aeronave fosse administrada por uma empresa ligada a Vorcaro.

flavio-bolsonaro-viajou-no-aviao-de-daniel-vorcaro-do-banco-master-jato-de-vorcaro-tvt-news-revista-piaui
Reprodução da capa da reportagem da revista piauí, que mostra Flávio Bolsonaro viajando no avião de Vorcaro

A Polícia Federal também encontrou e-mails que indicam que Flávio Bolsonaro foi cadastrado como “usuário master” de uma conta bancária de uma empresa de Willer Tomaz, a Alcazar Holdings, o que, segundo os investigadores, sugeria “acesso operacional relevante” e reforçava a hipótese de participação econômica ou societária de fato. Ambos negam ter negócios juntos e afirmam que a relação é apenas de amizade.

investigado-roubo-inss-pagou-voos-de-flavio-tvt-news
Foto de Flávio recuperada pela PF no ICloud de Willer Tomaz e passagens reservadas da viagem de Flávio com o investigado por roubos no INSS – Reprodução

Quem é Willer Tomaz

Willer Tomaz é um advogado criminalista e empresário com forte atuação em Brasília. Sócio-fundador de um escritório que leva seu nome, ele atua em causas no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e no Supremo Tribunal Federal (STF). Conhecido nos bastidores do poder, construiu uma carreira marcada pela proximidade com políticos e magistrados.

willer-tomaz-amigo-flavio-bolsonaro-inss-bets-apostas-safari-inss-lavagem-de-dinheiro
Amizades suspeitas: da esquerda para a direita: o advogado Willer Tomaz, o empresário Carlos Alberto de Sá e os senadores Weverton Rocha e Flávio Bolsonaro – Crédito: Reprodução / Redes Sociais

Em 2017, chegou a ser preso preventivamente durante a Operação Lava Jato após ser citado por executivos da J&F, mas a denúncia foi posteriormente rejeitada pela Justiça por falta de provas.

Atualmente, é investigado pela Polícia Federal sob a suspeita de ser o “hub financeiro” de uma organização criminosa especializada em fraudes no INSS, que teria movimentado cifras bilionárias entre 2019 e 2022. A PF também apura o seu envolvimento em um suposto esquema de lavagem de dinheiro ao lado de Flávio Bolsonaro, investigação que tramita no STF sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.

Lista de suspeitas sobre Flávio Bolsonaro aumenta, cadê a quebra do sigilo?

A situação de Flávio Bolsonaro torna-se cada vez mais complexa. Além da investigação sobre as apostas de Willer Tomaz, o senador acumula uma série de apurações e escândalos que incluem:

  • Vorcaro e o avião: Flávio viajou em um jatinho administrado por uma empresa ligada ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. O senador alegou que a aeronave era de Willer Tomaz, mas a PF investiga a participação de Vorcaro.
  • Dark Horse: O senador pediu R$ 134 milhões para Daniel Vorcaro e argumentou que era para financiar a produção de um filme sobre Jair Bolsonaro. A PF suspeita que o dinheiro foi desviado para financiar Eduardo Bolsonaro nos EUA.
  • Rachadinha: Flávio Bolsonaro já foi denunciado e investigado por suposto esquema de “rachadinha” (confisco de parte do salário de servidores) quando era deputado estadual na Alerj.
  • Loja de chocolate: A loja de chocolates de Flávio Bolsonaro em um shopping do Rio de Janeiro também já foi alvo de questionamentos sobre movimentações financeiras suspeitas.

Diante de tantas frentes de investigação, cresce a cobrança para que a quebra do sigilo bancário e telemático de Flávio Bolsonaro seja efetivamente analisada pelas autoridades, a fim de esclarecer a extensão de sua relação com Willer Tomaz e com os demais personagens citados.