Agora

Da Redação

Mário Frias se enrola em versões sobre viagem

O deputado federal Mário Frias (PL-SP) passou a enfrentar questionamentos sobre contradições e falta de clareza nas explicações dadas para sua viagem internacional ao Bahrein e aos Estados Unidos. O caso ganhou dimensão após o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinar que a Câmara dos Deputados esclareça, em até 48 horas, a situação funcional do parlamentar fora do país. Saiba mais na TVT News.

A crise se agravou porque Frias é alvo de uma apuração preliminar no STF relacionada ao envio de R$ 2 milhões em emendas parlamentares ao Instituto Conhecer Brasil, entidade ligada à produtora do filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro.

Além disso, oficiais de Justiça tentam há mais de um mês intimar o parlamentar para que ele apresente esclarecimentos no processo, mas não conseguiram localizá-lo nem no gabinete da Câmara nem nos endereços fornecidos oficialmente.

“Agenda oficial” virou múltiplas versões

Horas depois da decisão de Flávio Dino, Mário Frias publicou mensagem nas redes sociais afirmando que estava em “agenda oficial” no exterior, com conhecimento do presidente da Câmara, Hugo Motta.

“Estou em agenda oficial, com conhecimento do meu presidente Hugo Motta. Chegarei ao Brasil dia 25 de maio”, escreveu o deputado.

A declaração, porém, foi colocada em dúvida após informações divulgadas pela própria Câmara. Segundo a Casa, Frias apenas apresentou pedidos de afastamento para missões internacionais “sem ônus” ao Legislativo, mas nenhum deles havia sido formalmente autorizado até o momento.

>> Siga o grupo da TVT News no WhatsApp

Um dos pedidos tratava de viagem ao Bahrein entre os dias 12 e 18 de maio. O segundo previa deslocamento para Dallas, no Texas, entre 19 e 21 de maio.

Na prática, o procedimento apresentado pelo parlamentar corresponde inicialmente apenas a uma comunicação administrativa. A autorização depende de deliberação posterior da Câmara, o que ainda não ocorreu.

A própria nota oficial evitou confirmar que Frias estivesse efetivamente em missão oficial autorizada.

Diferença de datas amplia dúvidas

Outro ponto que passou a chamar atenção foi a divergência entre as datas divulgadas pela Câmara e aquelas anunciadas pelo próprio deputado.

Enquanto a Casa Legislativa informou que a agenda nos Estados Unidos ocorreria até 21 de maio, Frias afirmou publicamente que retornaria apenas no dia 25.

A coincidência da permanência nos EUA com a viagem do senador Flávio Bolsonaro ao país levantou questionamentos sobre possíveis compromissos políticos paralelos não informados oficialmente.

O cenário aumentou a pressão porque Mário Frias aparece no centro das investigações relacionadas ao financiamento do filme “Dark Horse”, alvo de reportagens da série “Vaza Flávio”, publicada pelo The Intercept Brasil.

As reportagens revelaram mensagens, contratos e negociações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, apontado como principal financiador do longa-metragem sobre Bolsonaro.

Segurança pública, investimentos e Bahrein

À medida que aumentavam os questionamentos sobre a viagem, Mário Frias passou a apresentar justificativas diferentes para sua permanência no exterior.

Em entrevista ao SBT News, o parlamentar afirmou que esteve no Bahrein para “propor investimentos no Brasil” e que, posteriormente, seguiu para os Estados Unidos para “prospecção de investimento em segurança pública”.

“Como deputado, estive agora no Bahrein propondo alguns investimentos no Brasil e agora estou nos Estados Unidos para fazer também uma prospecção de um investimento em segurança pública”, declarou.

As novas versões passaram a ser confrontadas com a justificativa inicialmente apresentada à Câmara, segundo a qual a viagem aos EUA ocorreu a convite do grupo Yes Brazil USA.

A organização é conhecida pela atuação política junto à comunidade bolsonarista nos Estados Unidos e já promoveu eventos com Jair Bolsonaro na Flórida.

O perfil do grupo passou a gerar dúvidas sobre a coerência da justificativa apresentada por Frias. Isso porque o Yes Brazil USA não possui histórico institucional ligado a segurança pública, relações diplomáticas ou desenvolvimento econômico.

STF tenta intimar deputado há mais de um mês

As inconsistências sobre a viagem surgem paralelamente à dificuldade do STF em localizar o deputado Mário Frias para notificações judiciais.

Segundo registros do processo, oficiais de Justiça fizeram ao menos cinco tentativas de contato com Mário Frias.

O gabinete do parlamentar informou inicialmente que ele estava em “missão internacional” e sem previsão de retorno. Em outra diligência, um porteiro do prédio indicado como residência do deputado afirmou que Frias não mora no local há cerca de dois anos.

Diante da situação, Flávio Dino determinou que a Câmara esclareça detalhes da viagem de Mário Frias, incluindo duração, custos, pagamentos e situação funcional do parlamentar durante o período no exterior.

Emendas e filme de Bolsonaro

Mário Frias é apontado como produtor-executivo do filme “Dark Horse”, produção cinematográfica sobre Jair Bolsonaro financiada com recursos articulados junto a Daniel Vorcaro, segundo documentos e mensagens divulgados pelo Intercept.

As investigações também apuram o envio de R$ 2 milhões em emendas parlamentares destinadas ao Instituto Conhecer Brasil, presidido pela empresária Karina Ferreira da Gama.

A entidade está ligada à Go Up Entertainment, responsável pelo longa-metragem.

O caso chegou ao STF após representação da deputada Tabata Amaral, que pediu investigação sobre possível desvio de finalidade no uso das emendas.

Na última semana, Flávio Dino determinou abertura de apuração preliminar sobre repasses parlamentares a organizações relacionadas à produção do filme.

Enquanto isso, o deputado bolsonarista Mário Frias mantém o discurso de que não há irregularidades nas emendas enviadas à ONG e afirma estar “à disposição da Justiça” para prestar esclarecimentos.

Conmebol decide que Flamengo venceu Independiente Medellín por W.O. após confusão

A Comissão Disciplinar da Conmebol anunciou, nesta quinta-feira, a aplicação de punição institucional ao Independiente Medellín em decorrência dos graves episódios de violência provocados por torcedores locais no dia 7 de maio. Leia em TVT News.

O confronto, válido pela quarta rodada da fase de grupos da Copa Libertadores da América, acabou cancelado em território colombiano por absoluta falta de garantias de segurança. Com a decisão jurídica fundamentada nos regulamentos do torneio, a entidade sul-americana decretou a vitória do Flamengo por W.O.

Em seu perfil oficial, o Flamengo já até mesmo anunciou a venda dos ingressos da nova etapa do campeonato da copa Conmebol Libertadores:

A aplicação do dispositivo legal modificou de forma direta a tabela de classificação do torneio continental. Ao somar os três pontos decorrentes da punição do adversário, o time rubro-negro atingiu a marca de 13 pontos conquistados, assegurando matematicamente a liderança isolada do Grupo A.

O clube brasileiro já havia consolidado a vaga nas oitavas de final na última quarta-feira, ao derrotar o Estudiantes de La Plata pelo placar de 1 a 0 em partida realizada no Estádio do Maracanã.

O encerramento da fase inicial para o elenco carioca ocorrerá na próxima terça-feira, no Rio de Janeiro, em partida diante do Cusco, agremiação que não possui mais chances de classificação. Enquanto o time brasileiro cumpre tabela na liderança, as equipes do Independiente Medellín e do Estudiantes medirão forças no confronto direto pela obtenção da segunda vaga do grupo para a fase de mata-mata.

Sanções financeiras ao clube colombiano

Na condição de equipe mandante e organizadora do evento esportivo, o Independiente Medellín recebeu a responsabilização direta pela integridade física dos atletas, comissões técnicas e equipes de arbitragem. O descumprimento do dever de proteção motivou a imposição de um pacote de sanções punitivas por parte da Conmebol:

  • Perda do direito de receber público em seu estádio por cinco confrontos consecutivos em competições organizadas pela confederação continental;
  • Proibição de venda de ingressos e trânsito de seus torcedores em duas partidas disputadas na condição de visitante;
  • Imposição de sanção pecuniária com multa administrativa fixada no valor de US$ 116 mil, montante equivalente a R$ 582 mil na conversão cambial.

A deliberação oficial amparou-se no artigo 24.2 do Código Disciplinar da Conmebol. O texto normativo determina expressamente que, sempre que um clube for apontado como o agente “responsável pela suspensão definitiva, cancelamento ou abandono da partida”, a sanção regulamentar prevê a definição compulsória do placar final. Conforme o regulamento, o time que não deu causa à interrupção, que no caso foi o Flamengo, é declarado vencedor da disputa pelo placar oficial de 3 a 0.

Crise institucional do Independiente Medellín

O ambiente de hostilidade registrado no Estádio Atanasio Girardot decorreu de uma profunda crise política e técnica enfrentada pelo Independiente Medellín. Os protestos das facções organizadas de torcedores locais vinham sendo articulados de forma pública por meio de plataformas digitais e redes sociais nos dias anteriores ao compromisso contra o time brasileiro.

Antes do apito inicial, a entrada dos atletas locais em campo foi recebida com vaias generalizadas das arquibancadas. Demonstrando um alinhamento prévio, os integrantes das facções organizadas compareceram ao estádio vestindo roupas pretas e utilizando panos para cobrir os rostos, dificultando os procedimentos de identificação visual.

No instante exato em que a bola entraria em movimento para o início da partida, os manifestantes iniciaram o arremesso sequencial de artefatos explosivos, bombas e sinalizadores em direção ao gramado. Os incidentes geraram também focos de incêndio em diferentes pontos das arquibancadas do Atanasio Girardot.

Como a gerência de segurança do estádio já monitorava a insatisfação popular, uma estrutura de grades metálicas havia sido posicionada previamente no entorno do campo para conter possíveis invasões. Contudo, os manifestantes romperam os bloqueios, invadiram o gramado e passaram a arremessar as próprias grades de proteção em direção aos profissionais e policiais.

conmebol-decide-que-flamengo-venceu-independiente-medellin-por-w-o-apos-confusao-montagem-publicada-no-instagram-oficial-do-flamengo-reproducao-tvt-news
Montagem publicada no instagram oficial do Flamengo – Reprodução

Protocolo de segurança na partida do Flamengo x Independiente Medellín

Diante do risco iminente à integridade física, a equipe de arbitragem determinou a retirada imediata dos elencos do Independiente Medellín e do Flamengo de campo. A paralisação forçada ocorreu quando o cronômetro registrava pouco mais de cinco minutos de tempo corrido.

A coordenação da Conmebol adotou os procedimentos padrão previstos no manual de competições, acionando o “tempo prudencial de espera”, prazo de tolerância regulamentar fixado em 45 minutos para que as autoridades públicas de segurança restabeleçam a ordem no recinto esportivo. Durante o período de paralisação, os sistemas de som do Estádio Atanasio Girardot emitiram alertas solicitando que a torcida desocupasse os setores de arquibancada.

Após o esgotamento do prazo legal e a constatação da PM local de que não haveria condições de conter os distúrbios, a equipe de arbitragem formalizou a impossibilidade de reinício. Mais de uma hora após o horário previsto para o pontapé inicial, a confederação sul-americana decretou o cancelamento definitivo da partida, transferindo o caso para o julgamento da Comissão Disciplinar, que consolidou o resultado final nesta quinta-feira.

Ex-diretor da Globo diz que Vorcaro tinha mais poder em “Dark Horse” do emissora em “Ainda Estou Aqui”

O jornalista e executivo de mídia Erick Bretas comparou publicamente o grau de influência do banqueiro Daniel Vorcaro sobre o filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro, com a atuação da própria Globo em uma coprodução cinematográfica. A declaração foi feita após a divulgação de novas reportagens da série “Vaza Flávio”, publicada pelo The Intercept Brasil, que revelaram mensagens, contratos e articulações financeiras envolvendo a produção do longa-metragem ligado à família Bolsonaro. Saiba mais na TVT News.

Bretas, que foi diretor responsável pelo Globoplay, afirmou nas redes sociais que o poder atribuído a Vorcaro nas decisões sobre “Dark Horse” ultrapassaria o nível normalmente exercido por um coprodutor em grandes produções audiovisuais.

“Vou contar uma coisa pra vocês: quando estava no Globoplay, eu assinei o cheque da participação da Globo na coprodução do Ainda Estou Aqui. Eu e as pessoas do Globoplay não tínhamos o poder de decisão na estratégia de divulgação do filme do que o Vorcaro tinha no Dark Horse, pelo que essa troca de mensagens revela. Ele mandava mais que um coprodutor”, escreveu.

>> Siga o grupo da TVT News no WhatsApp

A comparação feita pelo ex-executivo da Globo ocorreu após a publicação de uma nova etapa da série investigativa do Intercept, que mostrou conversas entre Vorcaro e o empresário Thiago Miranda, sócio do Portal Leo Dias, discutindo o controle da divulgação pública do filme sobre Bolsonaro.

Mensagens revelam tentativa de controlar divulgação do filme

Segundo a reportagem do Intercept, Vorcaro demonstrou irritação após o Portal Leo Dias publicar, em agosto de 2025, uma reportagem antecipando detalhes da produção de “Dark Horse”, quando o projeto ainda era mantido sob sigilo.

Nas mensagens obtidas pelo veículo, o banqueiro questiona Thiago Miranda sobre a publicação: “Achei que divulgar que tá fazendo o filme muito ruim, não acha?”. Miranda responde dizendo que “tinham combinado de não divulgar nada” e afirma que pediria a retirada da matéria do ar.

Pouco depois, a reportagem foi apagada do portal.

As conversas mostraram ainda referências diretas a Flávio Bolsonaro e ao deputado federal Mario Frias, apontados nas investigações como integrantes do núcleo de articulação do projeto cinematográfico.

Para Bretas, o conteúdo das mensagens sugere que Vorcaro não atuava apenas como financiador da produção, mas exercia influência direta sobre decisões estratégicas relacionadas à comunicação do filme.

Eduardo Bolsonaro no centro da gestão financeira

As novas revelações surgem após outra reportagem da série “Vaza Flávio” apontar que o deputado cassado Eduardo Bolsonaro teria exercido funções de produtor-executivo do longa-metragem.

Documentos obtidos pelo Intercept indicam que Eduardo assinou contratos que lhe atribuíam participação em decisões ligadas ao financiamento, orçamento e captação de investidores para o filme, inicialmente chamado de “O Capitão do Povo”.

O material contradiz declarações públicas do parlamentar, que havia afirmado nas redes sociais ter apenas cedido os direitos de imagem relacionados à própria participação na história da família Bolsonaro.

Segundo os contratos revelados, Eduardo e Mario Frias teriam responsabilidades conjuntas com a produtora Go Up Entertainment sobre estratégias financeiras da produção, incluindo busca de investidores, incentivos fiscais, patrocínios e organização dos aportes financeiros.

Mensagens divulgadas pelo Intercept também mostram Eduardo discutindo mecanismos para transferir recursos aos Estados Unidos. Em um dos diálogos, ele afirma que “o ideal seria haver os recursos já nos EUA” e sugere acelerar remessas internacionais para evitar entraves regulatórios.

PF investiga destino de recursos milionários

As reportagens do Intercept desencadearam novas frentes de apuração na Polícia Federal, no Supremo Tribunal Federal e no Tribunal de Contas da União.

Segundo as investigações, o banqueiro Daniel Vorcaro teria prometido US$ 24 milhões — cerca de R$ 134 milhões na cotação da época — para financiar “Dark Horse”. Parte desses recursos teria sido transferida para o fundo offshore Havengate Development Fund LP, sediado no Texas e administrado por aliados de Eduardo Bolsonaro.

A PF apura se parte do dinheiro utilizado para o filme também teria servido para custear despesas pessoais de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, onde o ex-deputado passou a viver após se licenciar do mandato.

As investigações também analisam o papel da empresa Entre Investimentos e Participações, apontada como intermediária nas remessas financeiras ligadas ao projeto cinematográfico.

Filme também é alvo de apuração sobre emendas e contrato de wi-fi

Outra frente de investigação envolve o Instituto Conhecer Brasil, comandado pela empresária Karina Ferreira da Gama, também sócia da Go Up Entertainment.

A ONG é investigada pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil por suspeitas de irregularidades em um contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo para instalação de pontos de wi-fi em periferias da capital paulista.

Além disso, o ministro Flávio Dino determinou abertura de apuração preliminar para investigar possível direcionamento de emendas parlamentares destinadas ao Instituto Conhecer Brasil e a projetos relacionados ao filme.

Mario Frias, que atua como produtor-executivo e roteirista de “Dark Horse”, destinou R$ 2 milhões em emendas parlamentares à entidade.

Comparação de Bretas amplia desgaste público

O comentário de Erick Bretas ganhou repercussão porque partiu de um executivo com experiência direta em grandes coproduções audiovisuais brasileiras. Ao citar sua atuação no filme Ainda Estou Aqui, Bretas procurou destacar que, em modelos tradicionais de mercado, investidores e coprodutores normalmente não exercem controle direto sobre estratégias editoriais e de divulgação pública.

A observação reforçou as suspeitas levantadas nas investigações e ampliou o desgaste político em torno do projeto cinematográfico ligado à família Bolsonaro e financiado pelo banqueiro investigado pela PF por supostos crimes financeiros, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Como vai ser a semana da Comissão da PEC do fim da escala 6×1

A próxima semana será decisiva para a tramitação da proposta que prevê o fim da escala 6×1 na Câmara dos Deputados. Após semanas de audiências públicas, negociações políticas e pressão de trabalhadores e empresários, a comissão especial responsável por analisar a proposta deve apresentar o relatório final na segunda-feira (25), com previsão de votação no colegiado já na terça-feira (26). Leia em TVT News.

O calendário foi confirmado pelo relator da proposta, o deputado Léo Prates (Republicanos-BA), após reunião com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), o presidente da comissão, Alencar Santana (PT-SP), o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) e o líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS).

>> Siga o grupo da TVT News no WhatsApp

A expectativa da cúpula da Câmara é acelerar a tramitação para que a PEC do fim da escala 6×1 seja levada ao plenário ainda antes do fim de maio. Segundo Hugo Motta, há compromisso político para que a matéria avance rapidamente após a conclusão da etapa na comissão especial.

O principal eixo da proposta já está praticamente consolidado: redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem redução salarial, além da garantia de dois dias de descanso remunerado. A mudança representa, na prática, o fim da tradicional escala de seis dias consecutivos de trabalho para apenas um de folga.

Apesar do acordo em torno desses pontos centrais, ainda há forte disputa sobre a regra de transição para o fim da escala 6×1. O relatório que deveria ter sido apresentado nesta semana acabou adiado justamente porque governo, centrão e representantes empresariais não chegaram a consenso sobre o prazo de implementação das mudanças.

A pressão mais intensa parte de parlamentares ligados ao empresariado e a partidos da oposição e do centrão, que defendem um período de transição de até dez anos. Uma das emendas protocoladas pelo deputado Sérgio Turra (PP-RS), com apoio de 176 deputados, prevê justamente esse prazo dilatado.

Além da demora para entrada em vigor da nova jornada, a proposta defendida por setores conservadores também abre exceções para categorias consideradas “essenciais”, que poderiam continuar submetidas à jornada de 44 horas semanais. Entre os critérios mencionados estão atividades ligadas à saúde, segurança, abastecimento, mobilidade e infraestrutura crítica.

A emenda à PEC do fim da escala 6×1 ainda propõe reduzir pela metade a contribuição patronal ao FGTS, de 8% para 4%, além de prever desoneração temporária da contribuição previdenciária patronal. As medidas provocaram reação de parlamentares governistas e de entidades sindicais, que acusam setores empresariais de tentar descaracterizar a proposta original.

O governo federal, por sua vez, resiste à ideia de uma transição longa para o fim da escala 6×1. Segundo informações divulgadas pela Agência Brasil, o Palácio do Planalto trabalha para aprovar uma redução da jornada sem perda salarial e sem postergação excessiva da medida. O relator Léo Prates teria sinalizado uma alternativa intermediária, com prazo de adaptação entre dois e quatro anos.

A Comissão pelo fim da escala 6×1

A comissão especial que prevê o fim da escala 6×1 foi instalada oficialmente no fim de abril pela Câmara dos Deputados para analisar conjuntamente duas propostas: a PEC 221/2019, apresentada por Reginaldo Lopes, e a PEC 8/2025, da deputada Erika Hilton (PSOL-SP).

Enquanto a PEC de Reginaldo Lopes prevê redução gradual da jornada para 36 horas semanais ao longo de dez anos, a proposta de Erika Hilton estabelece semana de quatro dias de trabalho, com implementação em até 360 dias.

Ao longo de maio, a comissão realizou uma série de audiências públicas com representantes do governo federal, sindicatos, economistas e empresários. O cronograma oficial apresentado pelo relator previa justamente a apresentação do parecer entre os dias 20 e 21 de maio e a votação no colegiado em 26 de maio.

O debate ocorre em meio à crescente pressão social pelo fim da escala 6×1, considerada por movimentos sindicais e especialistas em saúde do trabalho como um modelo exaustivo e incompatível com qualidade de vida. Ao mesmo tempo, entidades empresariais afirmam que a redução da jornada pode elevar custos operacionais, pressionar pequenos negócios e afetar a competitividade.

Economistas ouvidos em diferentes audiências públicas também apontaram que a discussão sobre redução da jornada tende a exigir medidas complementares voltadas ao aumento da produtividade, incluindo qualificação profissional, inovação tecnológica e investimentos em infraestrutura.

Se aprovada na comissão especial na terça-feira, a PEC seguirá para análise do plenário da Câmara, onde precisará obter apoio de pelo menos 308 deputados em dois turnos de votação. Caso avance, o texto ainda precisará passar pelo Senado Federal.

Nos bastidores, lideranças governistas e da Câmara trabalham para transformar a pauta em uma das principais vitrines políticas do Congresso neste primeiro semestre de 2026.

Inep divulga edital do Enem 2026; confira datas de inscrição e da prova

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) publicou as diretrizes oficiais para a realização do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2026. O documento define os prazos regulamentares, os procedimentos de inscrição e as datas de aplicação dos exames em âmbito nacional. Leia em TVT News.

O Enem consolidou-se como o principal mecanismo de acesso democrático à educação superior pública no Brasil, sendo utilizado por programas governamentais de democratização do ensino e por instituições federais e estaduais para a seleção de novos estudantes. Por essa razão, a estruturação do edital busca assegurar o cumprimento de preceitos de cidadania e universalização do direito à educação formal.

O processo de cadastramento dos estudantes interessados em participar da avaliação nacional, Enem, começará na próxima segunda-feira, 25 de maio, permanecendo aberto até o dia 5 de junho. A aplicação dos exames ocorrerá em dois domingos consecutivos, agendados para os dias 8 e 15 de novembro.

Enem: inscrição automática para a rede pública busca

A principal inovação implementada pelo Ministério da Educação e pelo Inep na edição de 2026 consiste na pré-inscrição automática de todos os estudantes concluintes do ensino médio matriculados em escolas da rede pública de ensino do país.

A medida administrativa visa desburocratizar o acesso à prova, reduzir os índices históricos de abstenção causados por falhas no preenchimento de dados cadastrais e garantir que os jovens das classes trabalhadoras tenham assegurada a oportunidade de concorrer às vagas universitárias.

Apesar de o sistema governamental realizar o pré-cadastro desse grupo de estudantes de forma direta, o edital alerta que os alunos da rede pública não estão dispensados de acessar o sistema eletrônico. É obrigatório que o estudante acesse a Página do Participante do Enem durante o período oficial estabelecido pelo cronograma para complementar as informações individuais.

nota-enem-treineiro-confira-o-resultado-do-enem-para-treineiros-tvt-news
Página do Participante no Enem. Imagem: reprodução

Nesse acesso complementar, o estudante de escola pública deverá realizar a escolha da localidade geográfica onde deseja realizar o exame, selecionar a opção de idioma estrangeiro para a prova de linguagens, entre as alternativas de inglês ou espanhol, e formalizar pedidos de atendimento especializado ou acessibilidade física e cognitiva, caso haja necessidade comprovada de recursos adaptados.

Isenção de taxa

Para os candidatos que não se enquadram nos critérios de isenção da taxa de inscrição do Enem ou que tiveram os seus pedidos de gratuidade indeferidos nas etapas preliminares, o Inep estipulou a manutenção do valor de R$ 85 para a participação no certame. O recolhimento dessa quantia deve ser feito por meio dos canais bancários oficiais até a data limite de 10 de junho.

O órgão ministerial disponibilizou diferentes modalidades de pagamento para facilitar a quitação da taxa, incluindo a emissão de boleto bancário tradicional, transações eletrônicas via Pix, além da liquidação por meio de cartões de crédito e de débito. Os estudantes que obtiveram a aprovação do pedido de isenção total da taxa também devem cumprir obrigatoriamente a etapa de inscrição na plataforma digital no mesmo prazo regulamentar.

80% dos estudantes de escolas públicas farão exames no próprio colégio

A reestruturação logística desenvolvida pelo Inep para a edição de 2026 prevê uma ampliação significativa na malha de estabelecimentos de ensino credenciados para receber a aplicação das provas.

A meta institucional traçada pelo órgão visa descentralizar a distribuição dos candidatos, diminuindo o tempo de deslocamento urbano de transporte público e reduzindo as despesas financeiras das famílias dos estudantes no deslocamento até o local do exame.

>> Siga o grupo da TVT News no WhatsApp

Com a expansão da capilaridade do exame, a estimativa do Inep é elevar para aproximadamente 10 mil o número total de escolas públicas e particulares mobilizadas como centros de aplicação em todo o território nacional.

A modelagem estatística aplicada na distribuição dos candidatos indica que a medida permitirá que 80% dos participantes oriundos das escolas públicas realizem o exame dentro das dependências da própria instituição de ensino onde já cumprem a rotina escolar regular.

resultado-enem-2025-confira-as-notas-e-como-acessar-a-pagina-do-participante-inep-ministerio-da-educacao-exame-nacional-do-ensino-medio-prouni-sisu-tvt-news
O Enem é uma das principais políticas públicas do governo Lula que abre as portas do ensino superior pelo Sisu, pelo Prouni e pelo FIES. Fotos: Luis Fortes/MEC

Essa diretriz atende a uma demanda histórica de movimentos sociais e de defesa do direito à educação, que apontavam a longa distância e as falhas de infraestrutura de transporte nos finais de semana como fatores que aprofundavam as desigualdades de concorrência e impulsionavam os índices de ausência entre estudantes das periferias e de regiões interioranas.

Diversidade e uso de nome social no Enem

O edital do Enem assegura a manutenção de instrumentos de inclusão e respeito à diversidade e aos direitos humanos.

Os candidatos que necessitarem de atendimento especializado, como pessoas com deficiência, gestantes, lactantes, idosos ou estudantes com condições médicas específicas, deverão submeter a solicitação formal juntamente com a documentação comprobatória correspondente entre os dias 25 de maio e 5 de junho, utilizando o canal da Página do Participante.

O mesmo intervalo cronológico foi destinado para a recepção de pedidos de tratamento pelo nome social, garantindo o direito à identidade de gênero para estudantes travestis, transexuais e pessoas não-binárias.

O processo de validação dos pedidos de atendimento especializado passará por análise técnica da banca examinadora do Inep, que divulgará o resultado preliminar em 19 de junho. Em casos de indeferimento, o prazo para a interposição de recursos administrativos estará aberto de 22 a 26 de junho, com a publicação do veredicto final prevista para ocorrer no dia 3 de julho.

Cronograma completo das etapas do Enem 2026

A organização e a transparência do Enem dependem do cumprimento estrito das datas limites indicadas pelas autoridades educacionais. Abaixo constam os prazos oficiais estabelecidos no edital do exame:

  • Inscrições: de 25 de maio a 5 de junho
  • Pagamento da taxa de inscrição: de 25 de maio a 10 de junho
  • Solicitação de tratamento por nome social: de 25 de maio a 5 de junho
  • Solicitação de atendimento especializado: de 25 de maio a 5 de junho
  • Resultado do atendimento especializado: 19 de junho
  • Recurso do atendimento especializado: de 22 a 26 de junho
  • Resultado do recurso: 3 de julho
  • Aplicação das provas: 8 e 15 de novembro

A aplicação da prova do Enem respeitará o modelo tradicional de divisão de áreas de conhecimento em dois períodos distintos. No primeiro domingo de aplicação (8 de novembro), os estudantes responderão às questões correspondentes aos blocos de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, Ciências Humanas e suas Tecnologias, além da produção de um texto dissertativo-argumentativo na etapa de Redação.

No segundo domingo (15 de novembro), o exame abrangerá os cadernos de provas focados nas áreas de Ciências da Natureza e suas Tecnologias, juntamente com Matemática e suas Tecnologias.

MEC prorroga prazo para pedir isenção da taxa de inscrição do Enem

O Ministério da Educação (MEC) e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) prorrogaram o prazo para o pedido de isenção de pagamento da taxa de inscrição do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2026. 

Inicialmente, os estudantes interessados deveriam solicitar o benefício até esta sexta-feira (24), mas agora o prazo segue aberto até o dia 30 deste mês.

A solicitação deve ser feita na Página do Participante do Enem, por meio do login único da plataforma de serviços digitais do governo federal, o Gov.br. 

A gratuidade na taxa de inscrição do Enem é prevista nos seguintes casos: 

  • matriculados no 3º ano do ensino médio em escola pública, em 2026; 
  • estudantes de todo o ensino médio em escola pública ou bolsistas integrais em escola privada e que tenham renda igual ou inferior a um salário mínimo e meio; 
  • pessoas de baixa renda com registro ativo no Cadastro Único para Programas Sociais do governo federal (CadÚnico); 
  • beneficiários do programa Pé-de-Meia, do Ministério da Educação (MEC); 

A isenção não é automática, portanto os candidatos que se encaixam em um desses requisitos devem solicitar a dispensa do pagamento. 

Ausência em 2025 

O participante que obteve a isenção do pagamento da taxa no Enem de 2025, mas não compareceu às provas nos dois dias de aplicação, deve justificar a ausência caso queira solicitar o benefício novamente em 2026.  

Entre os documentos previstos no edital para justificar a falta, estão o boletim de ocorrência policial para casos de assaltos ou acidente de trânsito; atestado médico; certidão de óbito de familiares, dentre outros. Confira as especificações para o envio no edital.  

A justificativa da ausência no Enem 2025 também deve ser feita pela Página do Participante. 

Resultado 

Os resultados das solicitações de isenção da taxa de inscrição serão divulgados pelo Inep em 8 de maio. 

Os solicitantes com pedidos de isenção negados poderão entrar com recurso administrativo entre 11 a 15 de maio. Os resultados definitivos dos recursos serão conhecidos em 22 de maio. 

Ainda não foi divulgado o início do período de inscrição para as provas. 

O Enem 

O Enem é a principal prova para entrada no ensino superior brasileiro, por meio de iniciativas como o Sistema de Seleção Unificada (Sisu); o Programa Universidade para Todos (Prouni) e o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). 

Desde a edição de 2025, o Enem voltou a certificar a conclusão do ensino médio para os candidatos que têm 18 anos completos e alcançam a pontuação mínima em cada área do conhecimento das provas e na redação. 

Lula participa do Sem Censura nesta sexta (22)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa nesta sexta-feira (22) de uma edição especial do programa Sem Censura, exibido ao vivo às 16h na TV Brasil, com retransmissão no Youtube da TVT. Será a primeira vez que um presidente da República em exercício participa da atração, criada em 1985 e considerada um dos programas mais tradicionais da televisão pública brasileira. Saiba mais na TVT News.

A entrevista será conduzida pela apresentadora Cissa Guimarães e contará ainda com a participação da influenciadora Nath Finanças, da jornalista Luciana Barreto e do produtor de conteúdo Muka, que integrarão a bancada da conversa com o chefe do Executivo.

Segundo informações antecipadas pela reportagem do Metrópoles, Lula deve abordar durante a entrevista temas como fé, o debate sobre o fim da escala de trabalho 6×1, o ECA Digital e políticas de enfrentamento à violência contra as mulheres. A publicação também informou que o programa exibirá vídeos do quadro “povo fala”, com perguntas e comentários de espectadores sobre segurança pública, Copa do Mundo e condições de trabalho.

>> Siga o grupo da TVT News no WhatsApp

De acordo com a direção do programa, a entrevista terá foco em assuntos ligados ao cotidiano da população brasileira. Educação, violência, economia doméstica e finanças pessoais estão entre os temas previstos para o bate-papo. O público poderá participar ao vivo por meio das redes sociais e do WhatsApp da atração.

A presidenta da EBC, Antonia Pellegrino, destacou o significado político e simbólico da presença de Lula no programa e afirmou que a retomada do Sem Censura consolidou a relevância da comunicação pública no país.

“Pela primeira vez, um presidente da República em exercício participa do programa. A retomada do Sem Censura, em 2024, nasceu da convicção de que a comunicação pública pode ser relevante, competitiva, contemporânea e profundamente conectada à vida das pessoas. Hoje, o programa voltou ao centro do debate público, conquistou prêmios, lidera engajamento nas redes e reafirma a potência da TV pública brasileira”, declarou.

Em entrevista, Antonia também relacionou a presença do presidente ao fortalecimento da TV pública e ao reposicionamento editorial da emissora desde a retomada do programa, em 2024.

“Quando trabalhamos pela retomada do Sem Censura, em 2024, ainda na minha passagem pela Diretoria de Conteúdo e Programação da EBC, existia uma convicção muito clara: a de que a TV pública pode produzir conteúdo relevante, contemporâneo, competitivo e conectado com a vida real das pessoas. A presença do presidente Lula no Sem Censura de amanhã é a confirmação dessa aposta”, afirmou.

O diretor-geral do programa, Bruno Barros, também ressaltou o papel histórico da atração na aproximação entre temas nacionais e o cotidiano da população brasileira.

“O Sem Censura sempre buscou aproximar temas nacionais do cotidiano das pessoas. Receber o presidente Lula está em sintonia com essa missão de promover diálogo e informação de interesse público”, declarou.

Criado em 1985 pelo jornalista Fernando Barbosa Lima, o Sem Censura estreou na então TVE/RJ e se consolidou como um espaço de debates e entrevistas na televisão brasileira. Ao longo das décadas, foi apresentado por nomes como Leda Nagle e Lúcia Leme. Desde 2024, voltou ao formato original de roda de conversa sob comando de Cissa Guimarães.

Nos últimos anos, o programa voltou a ganhar protagonismo nas redes sociais e no debate público. Segundo levantamento da Fundação Getulio Vargas citado pelo Metrópoles, o engajamento do Sem Censura nas redes sociais cresceu 90% entre 2024 e 2025, passando de 24,3 milhões para 46,4 milhões de interações.

A atração também acumulou reconhecimento institucional. Em 2024, venceu o Prêmio APCA na categoria melhor programa de televisão. O Sem Censura ainda conquistou, por dois anos consecutivos, o prêmio Melhores do Ano NaTelinha na categoria Melhor Programa de Entrevistas.

As edições especiais de sexta-feira já receberam artistas e personalidades como Zeca Pagodinho, Adriana Calcanhotto, Fernanda Abreu, Roberta Sá, Nathalia Timberg e Reginaldo Faria, além de homenagens a nomes históricos da cultura brasileira, como Beth Carvalho e Moraes Moreira.

O programa é transmitido simultaneamente pela TV Brasil, pelo aplicativo TV Brasil Play e pelo canal oficial da emissora no YouTube. As entrevistas também ficam disponíveis posteriormente em formato de podcast no Spotify.

Serviço: Lula no Sem Censura

Sem Censura – Segunda a sexta, às 16h, na TV Brasil

Sem Censura (reprise) – Segunda a sexta, às 23h30, na TV Brasil

Sem Censura – Spotify – https://open.spotify.com/show/09O9CTA1nHctKJ2AdII0JZ