Datafolha divulga nova pesquisa nesta sexta após áudios de Vorcaro

Nova amostragem do Datafolha avalia o cenário presidencial e a aprovação do governo após repercussões do caso Dark Horse
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Datafolha divulga nesta sexta como estão os pré-candidatos a presidência: Lula, Flávio, Caiado e Zema

Nesta sexta-feira (22), é divulgado o novo levantamento realizado pelo instituto Datafolha. A pesquisa de opinião pública mapeia as intenções de voto dos eleitores brasileiros tanto para o primeiro quanto para o segundo turno da corrida presidencial. O estudo também colheu dados atualizados após o vazamento do áudio de Flávio Bolsonaro pedindo R$ 134 milhões a Daniel Vorcaro, ex-banqueiro dono do Banco Master. Leia em TVT News.

Esse levantamento do Datafolha será o primeiro após as denúncias sobre as transções financeiras envolvendo o pré-candidato Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. A reportagem do The Intercept revelou que Vorcaro transferiu ao menos US$ 10,6 milhões, aproximadamente R$ 61 milhões conforme a cotação do período, entre fevereiro e maio de 2025 em seis operações destinadas ao projeto cinematográfico “Dark Horse” ligado à família Bolsonaro. 

O episódio gerou repercussões diretas no planejamento das pré-campanhas, sobretudo no bloco político de oposição ao governo federal, tensionando as relações entre diferentes partidos e pré-candidatos do campo conservador. As denúncias e investigações envolvendo o caso “BolsoMaster” não param de repercutir na imprensa.

Nesta quarta, publicamos que a Ancine pode multar produtora de “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro, em até R$ 100 mil reais por descumprimento de regras da agência. Segundo a produtora Karina Ferreira da Gam, o orçamento já realizado de “Dark Horse” está em cerca de 13 milhões de dólares, dos quais 90% viriam de Vorcaro.

Contradições e mentiras de Flávio podem ter impacto no Datafolha desta sexta

Embora Flávio dissesse nunca ter tido relações com Vorcaro, após o vazamento do áudio pedindo dinheiro ao dono do Master, ele voltou atrás e assumiu manter relações apenas com intuito de “financiar um projeto audiovisual privado com recursos privados”.

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Quando a coluna da Mônica Bergamo divulgou que seu número estava na agenda de contatos do ex-banqueiro, – que está preso por fraude financeira e lavagem de dinheiro, organização criminosa, além de táticas de intimidaçãocoerção e invasão de dispositivos informáticos, entre outros crimes – Flávio havia dito que qualquer um pode ter o número de alguém, que isso não significaria nada.

Nesta semana, no entanto, Flávio se viu obrigado a recuar novamente. Após o jornal Metrópoles divulgar que o senador havia até mesmo visitado o ex-banqueiro quando ele já estava em prisão domiciliar com tronozeleira eletrônica, Flávio teve que assumir que, de fato, realizou uma viagem inter-estadual para se encontrar com o criminoso, um dia antes de lançar pré-candidatura.

Segundo Flávio, o motivo do encontro foi apenas para dizer a Vorcaro que não gostaria mais de fazer negócios com ele após os escândalos envolvendo seu nome.

As revelações jornalísticas apontaram não apenas que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) manteve conversas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, como uma sucessão de contradições e mentiras propagadas por Flávio que de “nunca haver tido contato com Vorcaro” foi de “Deus te abençoe meu Brother” em mensagem ao banqueiro.

Outras pesquisas que investigaram o efeito do vazamento de áudios e mensagens

Antes desse Datafolha, outras pesquisas, como a Atlas e a Futura/Apex, já haviam investigado o efeito dos escândalos envolvendo o Banco Master e a família Bolsonaro. Em ambas as pesquisas, o desempenho de Flávio, que aparecia até mesmo na frente de Lula em cenários de segundo turno, despencou.

Na Futura/Apex divulgada nesta sexta (25), o principal cenário de segundo turno que opõe os dois campos políticos, o presidente Lula contabiliza 47,7% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro com 42,2% da preferência dos entrevistados.

O jogo virou

No levantamento passado da Futura/Apex, o senador Flávio Bolsonaro detinha a liderança numérica da disputa com 46,9% das intenções de voto, enquanto o presidente Lula somava 44,4%.

Flávio caiu quase 5 pontos em 10 dias

Em um período de dez dias, Flávio sofreu uma queda de 4,7 pontos percentuais, enquanto o atual chefe do Executivo federal registrou uma oscilação positiva de 3,3 pontos.

Pesquisa Atlas divulgada terça (19)

Já a pesquisa Atlas revelou que o vazamento de áudios derrubou Flávio Bolsonaro e ampliou vantagem de Lula.Na pesquisa Atlas divulgada em 25 de março de 2026, a disputa entre Lula e Flávio era acirrada. O petista aparecia com 46,6% de intenção de voto no segundo turno, enquanto Flávio aparecia com 1 ponto a mais, registrando 47,6%. Agora, a roda virou. Lula subiu. Flávio desceu. Entre os dois? Um espaço de 7 pontos de distância.

Rodada anterior do Datafolha aponta empate técnico entre Lula e Bolsonaro

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Foto: Ricardo Stuckert/PR/Rodrigues Pozzebom/ABR

O novo relatório do Datafolha servirá para medir se as recentes denúncias provocaram oscilações nas tendências observadas no levantamento passado.

Na rodada anterior do Datafolha, cujos resultados foram publicados em 16 de maio, o cenário para um eventual segundo turno mostrava a consolidação da divisão do eleitorado.

No embate direto simulado entre as duas forças que lideram as pesquisas, Lula e Flávio apareciam empatados, registrando 45% das intenções de voto cada um.

Dentro do mesmo quadro comparativo divulgado no dia 16, a parcela de eleitores que manifestaram a intenção de anular o voto ou votar em branco somava 9% do total da amostragem nacional.

O contingente de cidadãos entrevistados que afirmaram não saber em quem votar ou preferiram não responder aos pesquisadores se estabeleceu no patamar de 1%.

Os analistas sublinham que as pesquisas eleitorais como Datafolha funcionam como um registro das opiniões no exato período da coleta de dados, não devendo ser interpretadas como prognósticos definitivos ou previsões matemáticas do resultado das urnas.

Flávio Bolsonaro deve reestruturar campanha após escândalo do “Dark Horse”

A gravidade do quadro gerado pelo caso Dark Horse provocou repercussões administrativas na estrutura organizacional da pré-campanha de Flávio Bolsonaro.

Diante do desgaste acumulado na opinião pública, a coordenação política determinou o afastamento do marqueteiro Marcello Lopes, profissional que possui histórico de atuação como ex-policial e mantém laços de amizade de longa data com o próprio pré-candidato.

A substituição do comando de comunicação visa conter os efeitos negativos na exposição midiática do parlamentar.

A direita criticou Flávio

O episódio também gerou manifestações públicas de distanciamento e críticas abertas vindas de lideranças que disputam o mesmo eleitorado de oposição.

O governador de Minas Gerais e pré-candidato pelo partido Novo, Romeu Zema, manifestou-se de forma contundente ao classificar a situação do senador como “imperdoável”.

Por sua vez, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), adotou uma linha de posicionamento firme. Sem fazer menção nominal direta ao pré-candidato do PL, Caiado afirmou publicamente que uma pessoa que se encontra contaminada por episódios dessa natureza não possui a estatura política necessária para ocupar o cargo da Presidência da República.

Temas abordados neste Datafolha

O questionário aplicado pelos pesquisadores do Datafolha nas ruas busca abranger o conjunto das forças políticas que manifestaram a intenção de apresentar candidaturas ao Palácio do Planalto.

A pesquisa Datafolha oferece aos entrevistados cartelas com os nomes de lideranças de diferentes matizes ideológicas e partidos políticos registrados no Tribunal Superior Eleitoral.

Além de Lula e de Flávio Bolsonaro, o levantamento mensura a viabilidade eleitoral de nomes que buscam se estabelecer como alternativas à polarização.

Estão inseridos no rol de pré-candidatos avaliados o governador Romeu Zema (Novo), o governador Ronaldo Caiado (PSD) e o dirigente Renan Santos (Missão).

O espectro de candidatos inclui ainda figuras com participações históricas em pleitos nacionais e representantes de legendas com forte atuação programática no debate nacional, a exemplo de Cabo Daciolo (Mobiliza), Rui Costa Pimenta (PCO), Samara Martins (Unidade Popular), o escritor Augusto Cury (Avante), Aldo Rebelo (Democracia Cristã) e Hertz Dias (PSTU).

A coleta de dados do Datafolha desempenha o papel de termômetro das insatisfações e preferências populares no momento em que as articulações partidárias se intensificam para a definição das coligações e convenções oficiais.

A aferição simultânea da aprovação e desaprovação do governo Lula recolhidos pelo Datafolha fornece parâmetros para compreender como a população avalia os reflexos das políticas econômicas e sociais no cotidiano do país, servindo de contrapeso analítico para as variações observadas nas intenções de voto estimuladas nos cenários presidenciais.

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