A campanha Maio Roxo procura conscientizar a população sobre doenças inflamatórias intestinais (DIIs), condições crônicas que atingem aproximadamente 10 milhões de pessoas em todo o mundo, segundo dados do Ministério da Saúde. Caracterizadas por uma inflamação contínua no trato digestivo, essas patologias impactam severamente a qualidade de vida dos pacientes e apresentam um cenário de crescimento estatístico no território brasileiro. Leia em TVT News.
De acordo com levantamento realizado pela Sociedade Brasileira de Coloproctologia, as internações decorrentes de complicações de doenças inflamatórias intestinais registraram uma alta de 61% na última década. Especialistas apontam que a tendência de aumento nos diagnósticos é mais visível em áreas urbanizadas.
Esse fenômeno pode estar vinculado a transformações no estilo de vida da população, além da ampliação do acesso a exames laboratoriais e de imagem que permitem a identificação correta das patologias.
Principais tipos e sintomas das doenças intestinais
As doenças inflamatórias intestinais manifestam-se principalmente por meio de duas condições: a Doença de Crohn e a retocolite ulcerativa. Embora compartilhem semelhanças, elas possuem características clínicas distintas quanto à localização e profundidade da inflamação.
- Doença de Crohn: A inflamação tem potencial para se manifestar em qualquer trecho do trato gastrointestinal. No entanto, sua incidência é mais frequente na parte final do intestino delgado e no cólon. Os sintomas predominantes nesta condição são diarreia e dor abdominal.
- Retocolite Ulcerativa: Diferente da Doença de Crohn, esta condição limita-se ao cólon e ao reto. A inflamação atinge a camada superficial da parede intestinal, provocando frequentemente sangramento nas fezes e episódios de diarreia.
Os sinais de alerta comuns a ambos os tipos incluem a presença de muco ou sangue nas excreções, urgência para evacuar (especialmente no período noturno), perda de peso sem causa aparente, fraqueza e dor abdominal crônica. Segundo o Dr. Álvaro Faria, cirurgião do aparelho digestivo, a origem exata dessas condições permanece desconhecida pela ciência, mas o desenvolvimento das doenças está atrelado a fatores genéticos, imunológicos e a desequilíbrios na flora intestinal.

Diagnóstico, faixas etárias e controle de doenças inflamatórias intestinais
A manifestação das doenças inflamatórias intestionais pode ocorrer em qualquer fase da vida. Contudo, os dados epidemiológicos demonstram dois picos de incidência mais frequentes: em jovens adultos, entre os 15 e 35 anos, e em pessoas na faixa dos 50 aos 60 anos.
A identificação das doenças é realizada por médicos gastroenterologistas por meio de uma investigação diagnóstica que utiliza:
- Exames laboratoriais de sangue e fezes;
- Colonoscopia e endoscopia;
- Tomografia computadorizada e ressonância magnética.
Embora não exista cura definitiva para as doenças inflamatórias intestinais, o controle clínico é viável e necessário para evitar o agravamento do quadro. As estratégias de tratamento são personalizadas conforme o perfil do paciente, o tipo da doença e a gravidade das lesões. Os protocolos podem envolver o uso de medicamentos específicos, ajustes na rotina alimentar e, em situações de maior complexidade, intervenções cirúrgicas para a retirada de segmentos danificados do intestino.
A importância do acompanhamento contínuo
Um dos desafios no manejo das doenças intestinais é a manutenção do tratamento durante os períodos de remissão. O especialista Álvaro Faria alerta que a ausência de sintomas aparentes não significa a interrupção da inflamação, que pode prosseguir de maneira silenciosa. O abandono da terapia fora das crises aumenta o risco de recidivas graves.
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A iniciativa Maio Roxo reforça que o reconhecimento precoce dos sinais emitidos pelo corpo e a busca por auxílio médico especializado são passos necessários para garantir a estabilidade da saúde digestiva. Para quem já possui o diagnóstico, o acompanhamento regular é a medida fundamental para a gestão da doença a longo prazo.

