O retorno das condições do El Niño já tem janela definida: entre maio e julho de 2026. A informação foi confirmada pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), que aponta uma mudança consistente no comportamento do Pacífico equatorial, com aquecimento acelerado da superfície do mar — um dos principais indicadores do fenômeno. A tendência acende o alerta para impactos no clima global e, sobretudo, para consequências diretas no Brasil, que costuma experimentar extremos de chuva e seca durante esses episódios. Saiba mais na TVT News.
Segundo a OMM, após um período de neutralidade climática no início do ano, os modelos meteorológicos convergem para o início do El Niño nas próximas semanas. “Há grande confiança no início do El Niño, seguido por uma maior intensificação nos meses seguintes”, afirmou Wilfran Moufouma Okia, chefe de previsão climática da entidade, em comunicado obtido pela agência Reuters. Ainda assim, a organização pondera que o grau de intensidade do fenômeno — se moderado ou forte — só poderá ser definido com mais segurança após abril.
O El Niño é conhecido por provocar um efeito de aquecimento adicional no planeta, potencializando os impactos das mudanças climáticas. Esse cenário preocupa porque ocorre em um contexto de aquecimento global já acelerado pela ação humana. A combinação tende a intensificar eventos extremos, como ondas de calor, secas prolongadas e chuvas intensas.
>> Siga o grupo da TVT News no WhatsApp
No Brasil, os efeitos seguem um padrão relativamente conhecido, embora variem conforme a intensidade do fenômeno. Regiões Norte e Nordeste costumam enfrentar períodos de estiagem, com impactos diretos na agricultura e no abastecimento de água. Já o Sul tende a registrar chuvas acima da média, o que eleva o risco de enchentes — como as que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024, durante o último ciclo do fenômeno.
Além disso, há reflexos sobre a saúde pública e a economia. O aumento das temperaturas e da umidade pode favorecer doenças respiratórias e agravar crises alérgicas, enquanto eventos extremos impactam cadeias produtivas, sobretudo no campo.
Outro ponto de atenção é a possibilidade — ainda incerta — de um evento mais intenso, popularmente chamado de “super El Niño”. Embora o termo tenha ganhado espaço nas manchetes, especialistas recomendam cautela.
Super El Niño?
De acordo com reportagem da BBC Brasil, cientistas climáticos alertam que não há base sólida, neste momento, para classificar o fenômeno como extremo. A cientista atmosférica Kimberley Reid, da Universidade de Melbourne, classificou a expressão “El Niño Godzilla” como “um absurdo”. Segundo ela, o uso de termos alarmistas pode gerar pânico desnecessário, especialmente entre populações mais vulneráveis. “Essa expressão pode ser muito alarmante para pessoas que podem ser seriamente afetadas pelo impacto do El Niño”, disse à BBC.
Ainda segundo a BBC, o meteorologista Tim Stockdale, do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo, explicou que o termo “super El Niño” não é uma categoria científica formal, sendo usado de maneira informal para descrever eventos muito intensos, como os registrados em 1997-1998 e 2015-2016, quando o aquecimento das águas do Pacífico ultrapassou 2 °C.
As projeções atuais indicam maior probabilidade de um evento moderado, embora exista cerca de 25% de chance de que ele seja mais forte. Mesmo assim, especialistas reforçam que previsões feitas entre março e maio enfrentam a chamada “barreira de previsibilidade”, um período em que a margem de erro é maior.
O histórico recente mostra que nem sempre as previsões se confirmam. Em 2017, por exemplo, havia expectativa de El Niño, mas o que se consolidou foi um episódio de La Niña. Esse tipo de reversão, embora raro, reforça a necessidade de cautela na interpretação dos modelos climáticos.
Apesar das incertezas, há consenso de que o fenômeno deve influenciar o clima global ao longo de 2026. O último El Niño ocorreu entre 2023 e 2024, enquanto a La Niña mais recente se encerrou em 2025. Esses eventos fazem parte de um ciclo natural, que se repete a cada dois a sete anos, mas que tem sido intensificado pelas mudanças climáticas.
O que é o El Niño?
O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico central e oriental. Ele faz parte de um sistema maior chamado Oscilação Sul — que também inclui a La Niña, seu oposto, marcado pelo resfriamento dessas águas.
Esses eventos não seguem um padrão rígido, mas costumam ocorrer em intervalos de dois a sete anos e durar entre nove e doze meses. Durante o El Niño, a alteração na temperatura do oceano modifica a circulação atmosférica, afetando o regime de chuvas e temperaturas em diversas partes do planeta.
Em geral, regiões próximas ao Pacífico, como Peru e Equador, enfrentam chuvas intensas e enchentes. Já países como Austrália e Indonésia tendem a registrar secas severas. No Brasil, o impacto varia regionalmente, com tendência de seca no Norte e Nordeste e aumento de chuvas no Sul.
Embora seja um fenômeno natural, seus efeitos têm sido amplificados pelo aquecimento global, o que aumenta a frequência e a intensidade de eventos climáticos extremos.

