Entregadores de aplicativos e movimentos sociais organizam motociatas em diferentes regiões do Brasil para o dia 21 de outubro, em defesa da democracia, dos direitos dos trabalhadores e da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Leia em TVT News.
Em São Paulo, a mobilização está marcada para as 10h, na Praça Charles Miller, na região do Pacaembu.
A iniciativa é organizada pelos movimentos Trabalhadores Sem Direitos, VAT, MTST e Frente Povo Sem Medo, além da AMERJ, da AMADF e da Associação de Entregadores de Recife. A expectativa é reunir trabalhadores que utilizam motocicletas e bicicletas para trabalhar, além de apoiadores das pautas da classe trabalhadora.
Em entrevista à TVT News, J. R. Freitas, coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores sem Direitos, explicou para a jornalista Sônia Xavier que a mobilização pretende dar visibilidade às reivindicações dos entregadores e demonstrar que a categoria não se identifica integralmente com a direita.
Segundo ele, a iniciativa também busca fortalecer a participação política dos trabalhadores de plataformas digitais.
“É uma motociata propositiva, que é para conter o avanço do fascismo, o avanço da destruição dos nossos direitos, que hoje ameaça o nosso país”, afirmou.
Trabalhadores reivindicam melhores condições nas plataformas
Além do posicionamento político, a mobilização pretende pressionar pela implementação de medidas que melhorem as condições de trabalho dos entregadores.
Entre as principais reivindicações estão a remuneração mínima de R$ 10 por corrida, o pagamento adicional de R$ 2,50 por quilômetro rodado, a transparência dos algoritmos utilizados pelas plataformas e o pagamento integral das entregas agrupadas.
A categoria também defende direitos relacionados à saúde e à previdência, além da manutenção de canais de diálogo com o governo federal para discutir propostas de regulamentação do trabalho por aplicativos.
Freitas afirma que os trabalhadores enfrentam dificuldades para negociar diretamente com empresas como Uber, Rappi e iFood. Segundo ele, a comunicação automatizada e a falta de canais efetivos de interlocução dificultam a apresentação de reivindicações e a contestação de decisões das plataformas, incluindo bloqueios de contas.
Jr. Freitas critica a ideia defendida por Flávio Bolsonaro de negociação do empregador e empregado
Na avaliação do dirigente, o modelo de negociação direta entre trabalhadores e empresas, sem garantias coletivas, não oferece condições equilibradas para a definição das remunerações e das regras de trabalho.
“Quando a família Bolsonaro apresenta esse projeto que já existe e já deu errado, a gente precisa se levantar”, declarou Freitas, ao criticar as propostas que, segundo ele, ampliariam a exploração dos entregadores.
A mobilização também pretende cobrar a continuidade das negociações com o governo Lula. Freitas afirma que o apoio à reeleição está relacionado aos compromissos assumidos com a categoria, mas ressalta que a defesa dos direitos dos trabalhadores deve continuar independentemente de quem esteja na Presidência.
“Se esse compromisso não for cumprido pelo presidente, é claro que a gente também vai para as ruas para reivindicar nossos direitos, independente do governo”, disse.
Mobilização busca disputar espaço político entre entregadores


Durante anos, parte da categoria foi associada ao discurso do empreendedorismo individual, enquanto suas reivindicações por remuneração adequada e proteção social permaneceram no centro de mobilizações e paralisações.
Para Freitas, a dificuldade de aproximação entre setores da esquerda e os entregadores contribuiu para que a extrema-direita conquistasse espaço entre esses trabalhadores. Ele defende que a mobilização seja também uma oportunidade para ampliar o diálogo com a categoria e apresentar propostas concretas para o setor.
“A gente precisa fazer esse trabalho de base”, afirmou.
O coordenador também criticou a participação do senador Flávio Bolsonaro (PL), do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e do prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB), em uma atividade realizada em um ponto de apoio para entregadores.
Na ocasião, Flávio Bolsonaro simulou uma entrega utilizando uma mochila de aplicativo. O episódio foi criticado por Freitas, que questionou a ausência de compromissos concretos com as reivindicações dos trabalhadores.
O dirigente afirma ter denunciado a atividade por entender que um espaço público destinado ao atendimento dos entregadores não deveria ser utilizado para promoção política. Segundo ele, a categoria precisa de medidas efetivas para enfrentar problemas cotidianos, e não de ações pontuais de caráter simbólico.
Freitas também relatou que já se reuniu com o presidente Lula para tratar de iniciativas voltadas aos trabalhadores e que considera importante que encontros com representantes políticos resultem em compromissos e medidas concretas.
Motociatas querem ressignificar o uso das motos na política
A escolha das motocicletas como instrumento de mobilização tem também um significado simbólico para os organizadores. Tradicionalmente associadas às manifestações de apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro, as motociatas são reinterpretadas pelos movimentos como uma forma de dar visibilidade a trabalhadores que utilizam esses veículos para garantir sua renda.
Para Freitas, a proposta é colocar no centro do debate as pessoas que transportam alimentos, mercadorias e passageiros diariamente, mas que enfrentam dificuldades para obter remuneração adequada e proteção social.
“A nossa motociata é em prol do trabalhador”, afirmou.
O dirigente argumenta que a participação de entregadores nas manifestações pode ajudar a ampliar o reconhecimento público da categoria e mostrar que existem trabalhadores de diferentes posições políticas dispostos a se organizar em defesa de direitos.
A mobilização não será restrita a profissionais de aplicativos. Segundo Freitas, pessoas que utilizam motocicletas ou bicicletas também estão convidadas a participar do ato em São Paulo.
Lideranças de outros estados foram mobilizadas para organizar manifestações, com articulações mencionadas no Rio de Janeiro, Porto Alegre, Recife, Rio Branco, Juíz de Fora e em Brasília.
A coordenadora nacional do MTST, Ana Paula Perles, também destacou a importância da iniciativa para dar visibilidade aos trabalhadores precarizados e defender políticas públicas voltadas à população que depende do próprio trabalho para sobreviver.
A organização espera que os atos contribuam para fortalecer a participação política dos entregadores, ampliar o debate sobre a regulamentação do trabalho por aplicativos e demonstrar apoio à continuidade de políticas voltadas à classe trabalhadora.
Serviço São Paulo:
- Data: quarta-feira, 21 de outubro
- Horário: 10h
- Local em São Paulo: Praça Charles Miller, região do Pacaembu
- Mobilização: motociata em defesa da democracia, dos direitos dos trabalhadores e da reeleição de Lula