Entregadores fazem motociatas em defesa da democracia pelo Brasil nesta quarta (21)

Trabalhadores pedem a reeleição de Lula, além de reivindicar remuneração mínima, transparência nos aplicativos e proteção social
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Breque dos Apps – Abril/2021 na Praça Charles Miller, SP – Foto: Emanuela Godoy/TVT News

Entregadores de aplicativos e movimentos sociais organizam motociatas em diferentes regiões do Brasil para o dia 21 de outubro, em defesa da democracia, dos direitos dos trabalhadores e da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Leia em TVT News.

Em São Paulo, a mobilização está marcada para as 10h, na Praça Charles Miller, na região do Pacaembu.

A iniciativa é organizada pelos movimentos Trabalhadores Sem Direitos, VAT, MTST e Frente Povo Sem Medo, além da AMERJ, da AMADF e da Associação de Entregadores de Recife. A expectativa é reunir trabalhadores que utilizam motocicletas e bicicletas para trabalhar, além de apoiadores das pautas da classe trabalhadora.

Em entrevista à TVT News, J. R. Freitas, coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores sem Direitos, explicou para a jornalista Sônia Xavier que a mobilização pretende dar visibilidade às reivindicações dos entregadores e demonstrar que a categoria não se identifica integralmente com a direita.

Segundo ele, a iniciativa também busca fortalecer a participação política dos trabalhadores de plataformas digitais.

“É uma motociata propositiva, que é para conter o avanço do fascismo, o avanço da destruição dos nossos direitos, que hoje ameaça o nosso país”, afirmou.

Trabalhadores reivindicam melhores condições nas plataformas

Além do posicionamento político, a mobilização pretende pressionar pela implementação de medidas que melhorem as condições de trabalho dos entregadores.

Entre as principais reivindicações estão a remuneração mínima de R$ 10 por corrida, o pagamento adicional de R$ 2,50 por quilômetro rodado, a transparência dos algoritmos utilizados pelas plataformas e o pagamento integral das entregas agrupadas.

A categoria também defende direitos relacionados à saúde e à previdência, além da manutenção de canais de diálogo com o governo federal para discutir propostas de regulamentação do trabalho por aplicativos.

Freitas afirma que os trabalhadores enfrentam dificuldades para negociar diretamente com empresas como Uber, Rappi e iFood. Segundo ele, a comunicação automatizada e a falta de canais efetivos de interlocução dificultam a apresentação de reivindicações e a contestação de decisões das plataformas, incluindo bloqueios de contas.

Jr. Freitas critica a ideia defendida por Flávio Bolsonaro de negociação do empregador e empregado

Na avaliação do dirigente, o modelo de negociação direta entre trabalhadores e empresas, sem garantias coletivas, não oferece condições equilibradas para a definição das remunerações e das regras de trabalho.

“Quando a família Bolsonaro apresenta esse projeto que já existe e já deu errado, a gente precisa se levantar”, declarou Freitas, ao criticar as propostas que, segundo ele, ampliariam a exploração dos entregadores.

A mobilização também pretende cobrar a continuidade das negociações com o governo Lula. Freitas afirma que o apoio à reeleição está relacionado aos compromissos assumidos com a categoria, mas ressalta que a defesa dos direitos dos trabalhadores deve continuar independentemente de quem esteja na Presidência.

“Se esse compromisso não for cumprido pelo presidente, é claro que a gente também vai para as ruas para reivindicar nossos direitos, independente do governo”, disse.

Mobilização busca disputar espaço político entre entregadores

Breque dos Apps – Abril/2021 na Praça Charles Miller, SP – Foto: Emanuela Godoy/TVT News
Breque dos Apps – Abril/2021 na Praça Charles Miller, SP – Foto: Emanuela Godoy/TVT News

Durante anos, parte da categoria foi associada ao discurso do empreendedorismo individual, enquanto suas reivindicações por remuneração adequada e proteção social permaneceram no centro de mobilizações e paralisações.

Para Freitas, a dificuldade de aproximação entre setores da esquerda e os entregadores contribuiu para que a extrema-direita conquistasse espaço entre esses trabalhadores. Ele defende que a mobilização seja também uma oportunidade para ampliar o diálogo com a categoria e apresentar propostas concretas para o setor.

“A gente precisa fazer esse trabalho de base”, afirmou.

O coordenador também criticou a participação do senador Flávio Bolsonaro (PL), do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e do prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB), em uma atividade realizada em um ponto de apoio para entregadores.

Na ocasião, Flávio Bolsonaro simulou uma entrega utilizando uma mochila de aplicativo. O episódio foi criticado por Freitas, que questionou a ausência de compromissos concretos com as reivindicações dos trabalhadores.

O dirigente afirma ter denunciado a atividade por entender que um espaço público destinado ao atendimento dos entregadores não deveria ser utilizado para promoção política. Segundo ele, a categoria precisa de medidas efetivas para enfrentar problemas cotidianos, e não de ações pontuais de caráter simbólico.

Freitas também relatou que já se reuniu com o presidente Lula para tratar de iniciativas voltadas aos trabalhadores e que considera importante que encontros com representantes políticos resultem em compromissos e medidas concretas.

Motociatas querem ressignificar o uso das motos na política

A escolha das motocicletas como instrumento de mobilização tem também um significado simbólico para os organizadores. Tradicionalmente associadas às manifestações de apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro, as motociatas são reinterpretadas pelos movimentos como uma forma de dar visibilidade a trabalhadores que utilizam esses veículos para garantir sua renda.

Para Freitas, a proposta é colocar no centro do debate as pessoas que transportam alimentos, mercadorias e passageiros diariamente, mas que enfrentam dificuldades para obter remuneração adequada e proteção social.

“A nossa motociata é em prol do trabalhador”, afirmou.

O dirigente argumenta que a participação de entregadores nas manifestações pode ajudar a ampliar o reconhecimento público da categoria e mostrar que existem trabalhadores de diferentes posições políticas dispostos a se organizar em defesa de direitos.

A mobilização não será restrita a profissionais de aplicativos. Segundo Freitas, pessoas que utilizam motocicletas ou bicicletas também estão convidadas a participar do ato em São Paulo.

Lideranças de outros estados foram mobilizadas para organizar manifestações, com articulações mencionadas no Rio de Janeiro, Porto Alegre, Recife, Rio Branco, Juíz de Fora e em Brasília.

A coordenadora nacional do MTST, Ana Paula Perles, também destacou a importância da iniciativa para dar visibilidade aos trabalhadores precarizados e defender políticas públicas voltadas à população que depende do próprio trabalho para sobreviver.

A organização espera que os atos contribuam para fortalecer a participação política dos entregadores, ampliar o debate sobre a regulamentação do trabalho por aplicativos e demonstrar apoio à continuidade de políticas voltadas à classe trabalhadora.

Serviço São Paulo:

  • Data: quarta-feira, 21 de outubro
  • Horário: 10h
  • Local em São Paulo: Praça Charles Miller, região do Pacaembu
  • Mobilização: motociata em defesa da democracia, dos direitos dos trabalhadores e da reeleição de Lula

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