Confira a entrevista com o Presidente Lula

Fim da escala 6x1, eleições e economia estão na pauta
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Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante a abertura da 2º Conferência Nacional do Trabalho, no Teatro Celso Furtado. São Paulo - SP. Foto: Ricardo Stuckert / PR

Acompanhe a entrevista do Presidente Lula ao canal ICL. Confira a entrevista com informações da TVT News.

Veja como foi a entrevista do presidente Lula ao ICL

ACOMPANHE OS PRINCIPAIS TEMAS DA ENTREVISTA DO PRESIDENTE LULA

“Nós precisamos defender a democracia, tendo como significado todo mundo ter o direito de ser cidadão nesse país”, disse Lula

Na entrevista esta manhã (8), Lula vincula defesa da democracia ao bem-estar social e critica “ultradireita”. Para ele, existe a “tentativa de consolidação de um esquema de ultradireita” voltado a desestabilizar o funcionamento democrático do país.

O embate político das próximas eleições terá como eixo central a proteção do regime democrático, segundo Lula, mas que essa proteção deve estar atrela a garantia de direitos sociais e qualidade de vida.

“E a democracia, quando a gente fala, não é só votar; a gente quer votar e ter direito, quero ter uma escala de trabalho menor… quero o fim da escala 6×1. Agora mesmo sancionamos uma lei que o homem vai ter direito a ficar 20 dias com a criança… As pessoas querem ter mais tempo para estudar e ficar em casa”, disse o presidente.

“A democracia é tão importante que fez com que um metalúrgico virasse Presidente da República”

Para Lula, democracia é mais que uma palavra, e entre todos os candidatos ele diz que a democracia está em sua vida desde sempre:

“(…) a democracia está na minha origem, está na minha vida. A democracia é tão importante que fez com que um metalúrgico virasse Presidente da República; fez com que um índio se tornasse presidente na Bolívia; que o Chávez fosse na Venezuela; fez com que o Kirchner fosse na Argentina; fez com que uma mulher fosse a primeira no Brasil… Então, a democracia tem um valor inestimável”.

Panorama de reconstrução: “Nós pegamos esse país como um país de terra arrasada efetivamente”

Ao descrever o cenário herdado no início de seu mandato, o presidente Lula afirmou que o governo assumiu um Brasil em situação de “terra arrasada”, citando o desmonte de pastas estratégicas, como o Minstério da Cultura, do Trabalho e dos Direitos Humanos, além da redução do quadro funcional de órgãos do Ibama.

Segundo o presidente, a sua gestão enfrentou o desafio de retomar cerca de 6 mil obras paralisadas na saúde e educação, além de 87 mil unidades habitacionais do programa Minha Casa, Minha Vida, em um esforço que classificou como um “trabalho muito árduo para que o país se reconstruísse”.

Demonstrando otimismo com a maturação desses projetos e com o ritmo das entregas federais, o presidente projetou que o ciclo atual de investimentos atingirá seu auge em breve, declarando que “o ano de 2026 é um ano de colheita”.

“Mas eu digo para vocês: para que eu preciso de um quarto mandato? Quer dizer, eu acho, na verdade, que é importante que a gente dê um salto de qualidade, porque a gente discute muito os efeitos e não as causas. Acho que está na hora de a gente discutir as causas para conseguir mudar. Na educação nós começamos a mudar: nós vamos terminar nosso mandato com 780 Institutos Federais no nosso país. Até 2003 tinham 150, e nós vamos deixar 780 institutos federais. A gente sozinho, no nosso governo do PT, fizemos mais universidades federais nesse país que nos outros, e isso é um legado que já começa a aparecer.”, disse Lula.

Lula sobre o orçamento secreto: “É preciso acabar com a promiscuidade política deste país”

Ao projetar o futuro da administração pública, o presidente Lula defendeu uma reformulação na relação entre os poderes, afirmando que é necessário definir “que Estado queremos daqui para a frente”. Na entrevista, ele criticou os mecanismos de distribuição de verbas controlados pelo Congresso.

“Eu não quero um Estado em que fiquemos subordinados ao orçamento secreto — todo mundo sabe que eu não concordo. Isso não é correto”.

Para Lula, a atual dinâmica orçamentária gera uma distorção democrática que precisa ser enfrentada para garantir a governabilidade e a transparência. O presidente classificou o modelo vigente como uma forma de “promiscuidade política” e enviou um recado direto às legendas partidárias, afirmando que “alguns partidos vão ter que entender que não é possível a gente continuar” com esse formato.

“Quero criar Ministério da Segurança Pública”

Lula defendeu a criação do Ministério da Segurança Pública e a aprovação da PEC para ampliar a atuação federal no setor. Lula argumentou que o modelo da Constituição de 1988, que atribuiu a responsabilidade da segurança majoritariamente aos estados, limita o papel da União.

Lula detalhou que a sua proposta para segurança pública inclui o aumento do efetivo da Polícia Federal e a criação de uma Guarda Nacional para “pronta intervenção em caso de bloqueio ou em caso de uma facção querer tomar uma cidade”.

O presidente utilizou a investigação do caso Marielle Franco para justificar a necessidade de autonomia federal, pois se não fosse a polícia federal, o caso não teria sido resolvido. Para Lula, a atual dependência das polícias estaduais deixa o país vulnerável: “A sociedade está precisando que o governo federal entre em ação (…) hoje a responsabilidade é toda dos estados”.

Diante de ameaças de Trump na América Latina, Lula afirma: “Daqui a pouco nós temos um cidadão no mundo que pensa que é imperador, e o Brasil não pode ficar vulnerável”

Para o presidente, um país que possui a nossa fronteira não pode ficar desprotegido. “Nós somos um país muito grande, com um potencial extraordinário”.

Terras Raras e Soberania: “O Flávio Bolsonaro quer vender para os Estados Unidos uma coisa que é tão importante para o Brasil“, disse Lula

Na entrevista, o presidente Lula defendeu a soberania brasileira sobre as reservas de terras raras, minerais estratégicos para a fabricação de semicondutores, e criticou tentativas de exploração por empresas estrangeiras.]

Lula explicou o que são terras raras: “As terras raras têm componentes químicos que permitem que criemos chips de celular… um resíduo químico que tem na terra, e o Brasil só tem 30% pesquisado e, nesses 30%, nós somos o segundo país do mundo. E os países desenvolvidos querem isso“.

“Essa gente vai vender o Brasil e nós não podemos permitir”, disse Lula

“(…) depois de levarem nosso ouro, depois de levarem nossa prata, depois de levarem nosso diamante, depois de levarem nossa floresta, o que que eles querem mais?, Lula critou os EUA e brasileiros com complexo de vira-lata ao abordar o tema das terras raras.

Projeto de Lula de um Novo Brasil: “Na medida que o povo tem mais crédito, o povo vai comprando; na medida que o povo compra, o mercado cresce; na medida que o mercado cresce, gera emprego”

O presidente Lula destacou o crescimento dos setores farmacêutico e automobilístico como pilares de um novo projeto de desenvolvimento econômico focado no consumo interno e na reindustrialização. Ao citar que as vendas de veículos saltaram de 1,6 milhão em 2023 para os atuais 2 milhões, o presidente atribuiu o dinamismo do mercado à entrada de empresas chinesas e à expansão do crédito para a população.

Lula defendeu um ciclo de crescimento baseado no poder de compra.

Sobre Trump, Lula disse “Não tem nenhum país do mundo que tenha o direito de levantar quaisquer suspeitas sobre o processo eleitoral brasileiro

O presidente Lula afirmou que a diplomacia brasileira prioriza o respeito mútuo e a cooperação, descartando o interesse em conflitos com parceiros internacionais, incluindo os Estados Unidos e vizinhos sul-americanos.

Ao abordar o combate ao crime organizado, Lula mencionou ter sinalizado a Donald Trump a disposição de colaborar, destacando que a Polícia Federal está preparada para atuar inclusive contra criminosos radicados em solo americano.

“O Brasil não quer briga com ninguém. O Brasil quer respeito porque nós gostamos de respeitar”, declarou o presidente, enfatizando que o foco do governo é garantir a “revolução do século XXI” e o desenvolvimento econômico sem se desgastar com “discussões inócuas” que possam comprometer o futuro do país.

Lula diz que quer governar para todos, e não para 35% da população: “Eu quero saber de você governar enxergando os invisíveis (…) É isso que nós fazemos”

O presidente defendeu que já provou que é possível governar esse país, mas que acredita que o verdadeiro desafio seja governar para toda a população, e não apenas para uma elite econômica.

Lula criticou aqueles que ignoram as minorias e as camadas mais pobres: “é mais fácil governar esse país se você quiser tornar os pobres invisíveis”, mas seu compromisso é “governar enxergando aquelas pessoas que você só enxerga nas épocas das eleições.

Ao relembrar sua trajetória, Lula também lamentou o tratamento dado às classes pobres na história do Brasil, pontuando que “os pobres nunca foram respeitados nesse país, nunca, nunca!”.

“Se você quiser tornar os pobres invisíveis, se você não quiser enxergar os quilombolas, os indígenas, os camponeses, você governa para 35 milhões e vai muito bem. Agora, eu quero saber é governar para 215 milhões. Eu quero saber de você governar enxergando os invisíveis, declarou.

Lula sobre o fundo eleioral: “eu acho que isso levou à promiscuidade política nesse país

Para Lula, o Fundo Eleitoral, como está posto hoje em dia, gera uma “promiscuidade política” e transforma partidos em “presidentes de bancos”.

Outra crítica feita é que o custo excessivo das campanhas trava a renovação e dificulta a eleição de jovens e movimentos sociais.

“É muito mais difícil hoje porque está tudo marcado (…) vira uma coisa carimbada”, alertou.

Lula vinculou a reforma política à possibilidade de o Brasil se tornar uma economia desenvolvida, sinalizando que a revisão do fundo deve ser prioridade em um eventual novo mandato.

O presidente ressaltou que, embora o país tenha condições técnicas para avançar, as mudanças dependem de superar a resistência no Congresso.

“Se a gente não mudar isso, a gente não vai nunca discutir a causa dos problemas brasileiros”, concluiu.

Sobre o endividamento do povo brasileiro: “Por que a gente não proíbe as bets?

O presidente Lula manifestou forte preocupação com o impacto das apostas online, questionando a viabilidade de manter o setor diante do endividamento das famílias.

“Por que a gente não proíbe as bets? Se as bets causam mal, por que não acabamos com elas? Ou a gente regula”, indagou.

O foco da crítica recaiu sobre a facilidade de acesso digital, que leva o jogo para dentro do ambiente familiar. “Hoje o cassino está dentro da sua casa com seu filho de 10 anos (…) gastando dinheiro desnecessário e enriquecendo as bets”, alertou.

Para o presidente, o tema deve ser tratado com urgência, visto que o vício tem levado a perdas patrimoniais severas e tragédias pessoais. Lula defendeu que o governo trate o assunto como uma crise de saúde pública.

“Nós temos que tratar isso como uma questão de saúde, conheço pessoas que perderam carro, que perderam casa e que se matam, declarou, reforçando que o Estado precisa ter “coragem de dizer” a verdade sobre os danos causados pelas apostas no país.

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