EUA suspendem tarifas de importação de carne bovina em operação chamada de ‘salva-hambúrguer’

Medida busca segurar preço da carne, cuja alta pressiona consumidores nos EUA
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EUA reduzem tarifa de importação de carne bovina por 90 dias em operação "salva-hambúrguer". Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

O presidente dos Estados Unidos Donald Trump oficializou nesta quarta (26) uma ampliação na importação de carne bovina com menores taxas de importação. A medida vale por 90 dias a partir de 1º de setembro. Leia em TVT News.

O objetivo da medida é aumentar a oferta de carnes consideradas magras e que são usadas na produção de carne moída e para preparar hambúrgueres. Com isso, o governo americano pretende segurar os preços de carne para os consumidores norteamericanos.

Por isso, a movimentação foi apelidada de “Operação Salva-Hambúrguer”.

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Medida espera reduzir em 25% o preço da carne nos EUA

A Casa Branca afirmou que a medida tributária irá promover uma queda de 25% no preço da carne no mercado americano, além de aumentar em 10% a oferta do produto.

A ampliação não modifica acordos de livre-comércio com os EUA e não é aplicável a países que possuem cotas específicas de carne bovina a serem comercializadas com o país.

Carne em alta pressiona consumidores nos EUA

A suspensão das tarifas ocorre em meio à alta dos preços da carne bovina nos Estados Unidos. Segundo o Bureau of Labor Statistics, a libra de carne moída, equivalente a 453,59 gramas, chegou a US$ 6,82 em junho, valor 79% maior que o registrado no início de 2019.

A alta está relacionada principalmente à redução do rebanho de bovinos nos Estados Unidos e à redução da produção, enquanto a demanda continua elevada. O rebanho norte-americano está no menor nível em 75 anos, e o preço do gado atingiu níveis recordes.

A oferta também foi afetada pela suspensão, em 2025, da maior parte das importações de gado mexicano, devido a preocupações com a bicheira-do-Novo-Mundo, praga que atinge o gado.

Apesar de grandes produtores, os EUA ainda dependem de importações para atender ao consumo interno, mantendo os preços pressionados.

Trump também afirmou em entrevista nesta quarta que irá verificar se as regulamentações para fábricas de processamento de carne bovina são excessivas.

A medida pode ampliar a oferta de carne no mercado norte-americano, mas seu impacto sobre o consumidor dependerá da estratégia das indústrias locais, e ainda é difícil afirmar que o preço do hambúrguer vai cair de fato.

Brasil pode ampliar espaço no mercado dos EUA

O Brasil pode ser um dos países beneficiados pela decisão de Donald Trump de ampliar temporariamente a entrada de carne bovina nos Estados Unidos. O país já é um dos principais fornecedores de carne bovina para o mercado norte-americano e, com a abertura de uma cota adicional, poderá aumentar os embarques para atender à demanda americana.

No entanto, o impacto positivo deve ser limitado, já que a medida determina que os produtos sejam comercializados no mercado americano a preços 25% inferiores aos praticados atualmente.

De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes, a Abiec, isso de saída limita ganhos imediatos de margem para a indústria.

A medida anunciada por Trump acrescenta 300 mil toneladas de carne bovina à cota de importação sem tarifas, no total pelo seu período de vigência.

A movimentação é considerada uma oportunidade para os frigoríficos brasileiros, especialmente porque a nova cota é destinada à carne bovina magra. Estimativas apontam que o Brasil poderia responder por até 120 mil toneladas desse volume adicional.

O Brasil já havia esgotado rapidamente, em janeiro, a cota anual de 52 mil toneladas com isenção tarifária para exportação de carne bovina aos EUA. Com a nova janela, os exportadores brasileiros podem ampliar a participação em um mercado que busca aumentar a oferta para conter os preços da carne moída.

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