Nesta quinta (25), o presidente Lula assinou contratos para a retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III) na cidade de Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul. A fábrica é da Petrobras. Veja mais em TVT News.
As obras do empreendimento serão retomadas após 11 anos paradas, e estão inseridas no plano do governo de expansão da produção de fertilizantes no país.
O presidente afirmou não ter explicação sobre a obra ter ficado tanto tempo parada, dado que, segundo Lula, o Brasil paga “preços absurdos para importar fertilizantes que poderiam ser produzidos no país”.
“Estou orgulhoso porque ainda sonho que a gente vai ter acima de 70% de todo o fertilizante que nós precisamos nesse país. Porque um país jamais será soberano se ele não for dono das coisas principais que ele produz”, afirmou o presidente.
Fábrica vai gerar empregos e atender demanda do centro-oeste do país
No evento, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que o investimento será de mais de 5 bilhões de reais e que as obras serão reiniciadas em julho e a unidade deve entrar em operação em 2029.
Espera-se também a criação de 8 mil vagas de emprego.
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“Estamos garantindo 8 mil postos de trabalho, entre diretos e indiretos, num lugar pequeno. Isso significa que temos que treinar pessoas. Aprovamos o projeto Autonomia e Renda Três Lagoas, para que essa qualificação seja feita”, afirmou Chambriard.
Ela anunciou a abertura de 1,4 mil vagas para cursos de formação e qualificação profissional voltados exclusivamente para atuação na UFN-III, oferecidos através de parcerias com o Sesi, o Senai e institutos federais.
Quando implementada, a fábrica deverá produzir cerca de 1,2 milhão de toneladas de ureia e 70 mil toneladas de amônia por ano, e, por sua localização, deverá facilitar o suprimento da grande demanda de fertilizantes dos produtores de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná e São Paulo.
Obras na fábrica de fertilizantes foi interrompida por descumprimento contratual
Depois de iniciadas em 2011, as obras da fábrica foram interrompidas em 2014, quando a Petrobras rompeu o contrato após o consórcio responsável descumprir suas obrigações.
Em 2017, a Petrobras anunciou a venda da UFN-III e da fábrica Araucária Nitrogenados S.A., fábrica de amônia localizada em Araucária, no Paraná, como parte de um plano de desinvestimentos e saída da área de produção de fertilizantes.
Em 2018, houve tratativas para uma possível venda para o grupo russo Acron, mas o processo de venda acabou suspenso por uma decisão liminar de Ricardo Lewandowski, então ministro do Supremo Tribunal Federal.
A decisão proibiu a venda de empresas estatais sem autorização do Congresso, mas, meses depois, o STF liberou a venda de subsidiárias.
A venda para o grupo russo acabou não ocorrendo, por dificuldades de abastecimento de gás natural que viria da Bolívia.
A UFN-III tem como escopo a produção de ureia e amônia para o agronegócio.
Hoje, o Brasil importa quase totalmente seu abastecimento de ureia, a principal fonte de nitrogênio usada no segor agrícola. O fertilizante é usado em plantações como milho, cana-de-açúcar, trigo, arroz e café.
Presidente questionou privatizações no evento
Durante o evento, o presidente Lula questionou os benefícios da privatização da BR Distribuidora para o Brasil, bem como a venda da Liquigás e da Eletrobrás.
“Gostaria que alguém me explicasse por que privatizar a Eletrobras, qual foi o ganho do Brasil. A qualidade da energia melhorou?”, indagou o presidente.
“Vira e mexe aparece um governante neste país que quer vender a Petrobras. Quando eles percebem que não vão poder vender a estatal, começam a vender pedaços”, disse. “O cara não sabe governar, não tem competência, então decide vender. Se ele quer ser um vendedor e não um governante, que procure outra profissão. Governar é para quem sabe governar”,
Lula também citou o abalo que a operação Lava Jato causou às construtoras no país. “Em 2014, as empresas que estavam com a responsabilidade de fazer deviam estar com processo na Lava Jato; elas fraquejaram e as obras ficaram paradas”.
À época, as empresas responsáveis pela fábrica de fertilizantes eram a Petrobras, a Sinopec (estatal chinesa de energia) e a Galvão Engenharia, e a Petrobras rescindiu o contrato por falta de pagamento a fornecedores e trabalhadores.

