Lula lança campanha à reeleição no Estádio da Vila Euclides, berço do sindicalismo no ABC

Presidente escolhe o Estádio 1º de Maio, em São Bernardo, palco das greves dos metalúrgicos, para o lançamento da campanha contra o projeto bolsonarista
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Lula: 1978 - 2026, da Vila Euclides, em SBC, à campanha de reeleição em 2026. Fotos: Acervo Instituto Lula e Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) dará início oficial à sua campanha de reeleição em 16 de agosto de 2026, no Estádio 1º de Maio, na Vila Euclides, em São Bernardo do Campo (SBC).

A escolha do local, o berço político de Lula e do PT, resgata o espaço onde o líder sindical construiu sua trajetória política nas décadas de 1970 e 1980. O primeiro dia de campanha nas ruas, conforme o calendário eleitoral, terá como palco o mesmo chão que viu a emergência de um movimento operário que marcou a resistência à ditadura militar.

“O Estádio 1º de Maio, a histórica Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, foi escolhido para o lançamento da campanha de Lula em 2026. Não é só uma questão de local. É história, é memória, é o mesmo chão onde Lula se projetou como liderança sindical antes de virar liderança nacional”, afirma o presidente do Diretório do PT da Lapa, o sociólogo Pedro Alem Santinho.

A data do evento, que ainda depende da formalização contratual com o estádio, ocorre em um cenário eleitoral competitivo. Pesquisa Datafolha divulgada em julho aponta Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL) empatados em intenções de voto no estado de São Paulo. A campanha de Lula tem intensificado agendas no estado para reduzir a vantagem da direita.

O que é Estádio da Vila Euclides

O Estádio 1º de Maio, popularmente conhecido como Estádio da Vila Euclides, está localizado em São Bernardo do Campo, no coração do ABC paulista. O espaço se tornou um símbolo da luta operária no Brasil. Durante o regime militar, o estádio chegou a carregar oficialmente o nome do general Costa e Silva, presidente do período mais duro da ditadura. Foi ali, porém, que os trabalhadores ressignificaram o lugar, transformando-o em tribuna para reivindicações por direitos e democracia.

O sociólogo Pedro Alem Santinho explica o contexto daquela época.

Em maio de 1978, os trabalhadores da fábrica da Scania entraram, bateram o cartão, vestiram o uniforme, mas não ligaram as máquinas. Aquele gesto simples tinha uma força enorme. As máquinas dependiam do trabalho humano. Quando os trabalhadores cruzaram os braços, mostraram que a produção, a riqueza e o funcionamento da sociedade dependiam deles.

A mobilização se espalhou pelas fábricas da Ford, Mercedes-Benz, Volkswagen e por dezenas de empresas do ABC. Em março de 1979, cerca de 200 mil metalúrgicos entraram em greve. A sede do sindicato não comportava mais as assembleias, e foi assim que os trabalhadores passaram a se reunir no Estádio de Vila Euclides, como registram o Instituto Lula e o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.

Ali, sem grandes estruturas, sem palco adequado e, em alguns momentos, debaixo de chuva, Lula falava de cima de uma mesa para milhares de trabalhadores. Mas a importância da Vila Euclides não vem só dos discursos de uma liderança. Aquelas assembleias transformaram trabalhadores tratados apenas como mão de obra em sujeitos políticos, capazes de discutir salários, direitos, democracia e o futuro do país.

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Foto: Acervo do Sindicato dos Metalúrgicos

O que aconteceu no Estádio da Vila Euclides, durante as greves do final dos anos 70

No final da década de 1970, o Brasil vivia sob uma ditadura militar. Não havia liberdade política plena, os sindicatos sofriam intervenção do governo e as greves eram duramente reprimidas. Os trabalhadores enfrentavam salários corroídos pela inflação, jornadas pesadas e pouca participação nas decisões que afetavam suas vidas.

Foi nesse contexto que os metalúrgicos do ABC começaram a se organizar. Em maio de 1978, trabalhadores da fábrica da Scania cruzaram os braços. A mobilização se espalhou pelas fábricas da Ford, Mercedes-Benz, Volkswagen e dezenas de outras empresas do ABC. Em março de 1979, cerca de 200 mil metalúrgicos entraram em greve.

A sede do sindicato não comportava mais as assembleias. Foi assim que os trabalhadores passaram a se reunir no Estádio da Vila Euclides. Ali, Lula falava para milhares de trabalhadores. O que tornou aquele lugar histórico foi a presença organizada dos trabalhadores.

Em 1980, a repressão aumentou. O sindicato sofreu intervenção, Lula e outras lideranças foram presos com base na Lei de Segurança Nacional. Mesmo assim, mais de cem mil pessoas foram às manifestações daquele período.

Ainda em 1979, o mesmo estádio foi palco do lançamento da “Carta de Princípios” do PT, na presença de 130 mil pessoas. Um ano depois, o partido foi fundado.

O que representa Lula lançar a campanha para presidente em no estádio 1° de maio

Lançar a campanha à reeleição na Vila Euclides não é uma escolha apenas geográfica. É a decisão de iniciar a disputa de 2026 onde a trajetória política de Lula nasceu.

Para integrantes da campanha, o objetivo é começar a campanha deste ano, que pode ser a última do presidente, onde tudo começou. O estádio que foi palco da resistência contra a ditadura e do nascimento do PT agora recebe o candidato à reeleição em um momento em que o país volta a enfrentar desafios democráticos.

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Lula, o metalúrgico. Presidente Lula recebe carteirinha de dirigente do Sindicato dos Metalúrgico do ABC, do atual presidente do sindicato. Foto: Ricardo Stuckert / PR

A escolha também tem peso eleitoral. O estado de São Paulo é um dos mais importantes na disputa presidencial, e Lula tem intensificado agendas na região para tentar diminuir a vantagem da direita. A convenção nacional do PT, que deve oficializar o nome de Lula como candidato, ocorre em 2 de agosto em São Paulo. O candidato a vice na chapa será o atual vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB).

Onde fica o Estádio da Vila Euclides

O Estádio 1º de Maio está localizado na Vila Euclides, um bairro de São Bernardo do Campo, na região do ABC paulista. A cidade é um dos principais polos industriais do país e berço do movimento sindical que marcou a resistência à ditadura militar.

A campanha e a corrida que começam no estádio da Vila Euclides

Desde 2023, o governo Lula tem devolvido ao país políticas que o bolsonarismo tentou desmontar: a valorização real do salário mínimo, o fortalecimento do SUS depois de anos de sucateamento, a retomada de programas de habitação e transferência de renda, a reconstrução de uma política de proteção ao trabalhador.

Nenhuma dessas conquistas está garantida para sempre. Todas dependem de disputa permanente, inclusive nas urnas. É por isso que o lançamento da campanha de reeleição de Lula em 2026 vai acontecer justamente na Vila Euclides.

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Presidente Lula e vice-presidente Alckminin com candidatas e candidatos da Federação Brasil da Esperança: soberania diante do tarifaço e interferência de Trump nas eleições brasileiras. Foto: Ricardo Stuckert

“Não é coincidência de calendário. É o mesmo território onde o povo aprendeu que direito não é presente de governante, é conquista que se defende organizada. A disputa de 2026 não é entre dois projetos de governo quaisquer. É entre quem foi condenado pelo próprio Supremo por tentar derrubar a democracia à força e quem defende que o povo continue decidindo, no voto, o destino do país”, afirma o sociólogo Pedro Alem Santinho

“Começar a campanha na Vila Euclides significa lembrar que direitos não foram dados de graça pelos poderosos, foram conquistados na organização, na solidariedade, na luta coletiva. E significa dizer que política não é propriedade dos ricos, dos grandes grupos econômicos, de quem usa o Estado para defender privilégio”, analisa o sociólogo.

“Em 1979, os trabalhadores entraram naquele estádio para defender salários e direitos, e acabaram ajudando a mudar a história do Brasil. Derrotar o bolsonarismo em 2026 não é sobre reeleger uma pessoa. É sobre repetir, na urna, o que os metalúrgicos do ABC fizeram quando pararam as máquinas: mostrar que o poder não é dos que tentam tomá-lo pela força, é do povo que se organiza para decidir seu próprio destino”, conclui o dirigente do PT.

Galeria de imagens de Lula no estádio 1° de maio

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Foto: Acervo do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC

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