Aniversário de 20 anos do Pagode da 27 teve Criolo como atração surpresa

O evento de aniversário do Pagode da 27 reuniu mais de 10 mil pessoas em uma celebração gratuita, plural e aberta
Pagode da 27 recebe um público de 10 mil pessoas em aniversário de 20 anos no Vila Lobos – Foto: @cidadecinza23

Muito samba e cerveja, assim foi o show de aniversário do Pagode da 27, um dos mais tradicionais de São Paulo e que ocorre todos os domingos no Grajaú. Com atrações da cultura negra popular, o domingo de festa começou 13 horas, mas as pessoas apenas começaram a deixar o local por volta das 23 horas. Kl Jay, Dexter, Preta Batuque e Fabiana Cozza essas foram algumas atrações da festa, que segurou para o fim uma carta surpresa: o cantor de rap, Criolo. Leia em TVT News.

O samba carrega o nome 27, pois a rua do encontro dos bambas, antes de ter um nome era conhecida por número, 27, e pela violência. O grupo musical, dessa forma, transformou o árduo cotidiano da rua em batuque, palma na mão, e cantoria. A festa realizada aos fins de semana é hoje patrimônio imaterial da cidade de São Paulo.

Neste dia 31 de maio, o grupo do Pagode da 27 celebrou 20 anos de existência e, pela primeira vez, comemoraram o aniversário fora de casa, o Grajaú. Domingo, o parque Vila-Lobos foi palco da festa, com uma mega estrutura de dois palcos, bares, carrinhos de comida, como hambúrguer, espetinhos e banheiros.

O evento reuniu mais de 10 mil pessoas em uma celebração gratuita, plural e aberta, com shows de Criolo, Fabiana Cozza, Dexter, Preta Batuque e KL Jay. Subiram ao palco também o poeta Sergio Vaz, que recitou um texto autor, e a presidenta do Sindicato dos Bancários, Neiva Ribeiro, que fez uma fala em defesa do fim da escala 6×1 e da importância da cultura popular no cotidiano dos trabalhadores. Os ingressos gratuitos foram esgotados em menos de duas horas.

Preta Batuque no show de aniversário de 20 anos do Pagode da 27 – Foto: Kl Jay no aniversário do Pagode da 27 – Foto: @cidadecinza23

Quem abriu o evento foi o grupo de samba Preta Batuque, formado apenas por mulheres negras. O grupo cantou músicas tradicionais, como os clássicos de Alcione, e encerrou sua participação por volta das 15h, quando Neiva fez sua fala e chamou a plateia para a apresentação do dj dos Racionais MC’s, Kl Jay, no segundo palco.

A discotecagem do mestre Kl Jay fez a plateia improvisar passos, piruetas e vira-voltas enquanto o grupo do Pagode da 27 se preparava para subir ao palco. Com um extenso repertório que foi do rei absoluto Michael Jackson até a geração atual do rap feminino brasileiro, com nomes como Duquesa e Tasha e Tracie. Ao fim de sua apresentação, o público foi a loucura ao som de Nego Drama, canção do grupo de rap do qual Kl Jay faz parte:

Nego drama
Entre o sucesso e a lama
Dinheiro, problemas, invejas, luxo, fama

Nego drama
Cabelo crespo e a pele escura
A ferida, a chaga, à procura da cura
…”

Kl Jay no aniversário do Pagode da 27 – Foto: @cidadecinza23

Às 17h, enfim, o grupo do Pagode da 27 já estava no palco. Jovelina Pérola Negra, Beth Carvalho, Grupo Katinguelê, Fundo de Quintal, Almir Guineto, Príncipe do Pagode, Zeca Pagodinho, Jorge Aragão por aí vai, um repertório que foi do samba dos anos 80 ao pagode paulista dos anos 90.

Sergio Vaz no palco do aniversário do Pagode da 27 – Foto: Preta Batuque no show de aniversário de 20 anos do Pagode da 27 – Foto: Kl Jay no aniversário do Pagode da 27 – Foto: @cidadecinza23

Sergio Vaz apareceu ao palco um pouco depois que o grupo foi ao palco, recitou seu poema e se despediu. Em seguida, por volta das 18h, Dexter apresentou uma breve sequeência de três músicas, duas do Almir Guineto e uma do Reinaldo, o príncipe do Pagode, a famosa “Retrato cantado de um amor”.

É que o teu calor tem grande fulgor
E excita o meu corpo
Tem lampejo de inspiração
E conduz ao espaço, seduzindo a razão
E além do mais, me julgo incapaz
De viver um desamor
Pra finalizar, resumindo essa história
Este é o retrato cantado
Que vem ratificar um grande amor
“.

“Mãos” de Guineto, escolhida por Dexter para a apresentação, é uma composição de Almir em parceria com Carlos Senna e Simões PQD dos anos 80, mas em meados dos anos 200, a música ganhou uma nova participação: Mano Brown. Cantado em rap, o trecho de Brown entrou no meio do samba, imortalizando a canção. Essa foi a versão escolhida por Dexter no aniversário do Pagode da 27.

A próxima a subir ao palco foi a cantora Fabiana Cozza, que emocionou ao cantar a música autoral do grupo do Pagode da 27: “Minha Paz Meu Acalanto”.

Por volta das 20h, quem não ficou para ver, perdeu, pois a última carta foi lançada à mesa, veio ao palco a tão esperada atração surpresa: Criolo.

Em um dos momentos mais emocionantes do dia, Criolo, que também é do Grajaú, exaltou a importância do P27. “O Pagode da 27 revolucionou o bairro e marcou a vida de muitas pessoas”.

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