O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) abordou temas econômicos, trabalhistas e institucionais em entrevistas concedidas à imprensa neste fim de semana. Entre os assuntos tratados estão a proposta de redução da jornada e fim da escala 6×1, possíveis indicações para o Supremo Tribunal Federal (STF), a participação do ex-presidente Jair Bolsonaro em um eventual governo e os recursos destinados à cinebiografia do pai. Leia em TVT News.
As declarações foram dadas principalmente em entrevista ao programa Domingo Espetacular, da Record, e em conversa com o UOL. Flávio também apresentou posições sobre segurança pública, política fiscal e organização do governo.
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Escala 6×1 e direitos trabalhistas
Flávio Bolsonaro evitou antecipar como pretende votar no Senado sobre a proposta que prevê o fim da escala 6×1. O texto deve ser analisado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) nesta semana e prevê mudanças na jornada semanal de trabalho.
Em vez de apoiar ou rejeitar diretamente a proposta, o candidato defendeu que empregados e empregadores tenham liberdade para negociar a quantidade de horas trabalhadas e a distribuição da jornada. Segundo ele, o trabalhador deveria poder escolher sua escala e receber de acordo com as horas trabalhadas.
Flávio afirmou ainda que os direitos trabalhistas previstos na Constituição seriam mantidos em seu modelo. A proposta apresentada pelo senador também contempla a possibilidade de trabalhadores optarem por jornadas maiores mediante remuneração proporcional.
A posição difere do texto atualmente em discussão no Congresso, que busca reduzir a jornada e eliminar a escala de seis dias de trabalho por um de descanso.
Jair Bolsonaro poderia ser ministro
Questionado sobre a possibilidade de Jair Bolsonaro ocupar um ministério em um eventual governo, Flávio afirmou que a decisão dependeria do próprio ex-presidente.
O candidato disse que considera o pai seu principal conselheiro e que gostaria de contar com sua participação na administração. Ao mesmo tempo, afirmou não saber se Jair Bolsonaro teria interesse em assumir formalmente um cargo no Executivo.
Flávio também declarou que pretende trabalhar com o Congresso pela aprovação de uma anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro. Caso a proposta não avance no Legislativo, afirmou que poderá conceder indulto aos condenados.
Jair Bolsonaro está em prisão domiciliar e foi condenado pelo STF a 27 anos e três meses de prisão pela participação na trama golpista.
Perfil dos ministros do STF
Flávio também falou sobre os critérios que pretende adotar para futuras indicações ao Supremo. O candidato afirmou que escolheria nomes contrários ao aborto e às drogas e que, segundo ele, tenham compromisso com a chamada segurança jurídica.
O senador não apresentou nomes específicos. Disse que pretende evitar a antecipação das indicações e descreveu o perfil desejado como de pessoas “patriotas”, que contribuam, em sua avaliação, para recuperar a credibilidade da Corte.
As declarações colocam questões de costumes e a orientação política dos futuros indicados entre os critérios mencionados pelo candidato para a composição do tribunal.
Financiamento da cinebiografia de Bolsonaro
Outro tema abordado foi o financiamento da cinebiografia de Jair Bolsonaro, projeto chamado de “Dark Horse”. Flávio afirmou que não vê irregularidades na captação dos recursos e disse que a produtora apresentou informações sobre os valores recebidos.
O caso envolve o banqueiro Daniel Vorcaro, que destinou R$ 61 milhões ao projeto. Questionado sobre a transparência dos contratos, Flávio afirmou que se tratava de uma relação entre empresas privadas e negou a utilização de dinheiro público.
Segundo o candidato, a produtora teria prestado contas à Justiça e não teria sido identificada irregularidade. Flávio também afirmou que não manteve novas relações com Vorcaro após o financiamento.
O senador já havia se comprometido a apresentar informações sobre os recursos destinados à produção.