Flávio Bolsonaro não assina carta contra o trabalho escravo; Lula, Caiado e Cury aderem

Documento apresentado aos candidatos reúne 14 compromissos para combater a exploração, fortalecer a fiscalização e garantir atendimento aos resgatados
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Um dos objetivos do Ministério do Trabalho e Emprego é erradicar o trabalho escravo e degradante, por meio de ações fiscais coordenadas pela Secretaria de Inspeção do Trabalho Foto: Pexels

O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) não assinou a Carta-Compromisso contra o Trabalho Escravo, iniciativa articulada pela Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo (Conatrae). Leia em TVT News.

O documento reúne 14 compromissos destinados ao enfrentamento do trabalho escravo contemporâneo e do tráfico de pessoas, além de medidas de proteção aos trabalhadores submetidos a essas formas de exploração.

Até o prazo inicialmente estabelecido pela comissão, Flávio Bolsonaro, Renan Santos (Missão), Romeu Zema (Novo) e outros candidatos convidados não haviam aderido ao documento nem respondido ao convite. A carta permanece aberta para novas assinaturas.

Entre os candidatos que aderiram estão Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante). Ao assinar o documento, os três assumiram publicamente o compromisso de incluir o combate ao trabalho escravo contemporâneo e ao tráfico de pessoas entre as prioridades de seus eventuais governos.

A Conatrae realiza a iniciativa durante períodos eleitorais desde 2003. A proposta é registrar publicamente a posição dos candidatos sobre o tema e permitir que a sociedade acompanhe posteriormente os compromissos assumidos por aqueles que aderirem.

O que a carta propõe

A Carta-Compromisso estabelece medidas relacionadas à fiscalização, prevenção, responsabilização de empregadores e atendimento às pessoas resgatadas de condições análogas à escravidão.

Um dos compromissos prevê que o combate ao trabalho escravo contemporâneo e ao tráfico de pessoas seja tratado como prioridade de governo. O documento também propõe garantir recursos e apoio político para as ações de fiscalização das condições de trabalho.

A carta estabelece ainda o compromisso de reconhecer a definição prevista no artigo 149 do Código Penal. Pela legislação brasileira, o trabalho análogo à escravidão pode ser caracterizado pela submissão a trabalho forçado, servidão por dívida, condições degradantes ou jornadas exaustivas.

Outro ponto determina que os signatários não promovam empresas que tenham utilizado trabalho escravo ou infantil. O documento também propõe apoiar empresas na criação de medidas para prevenir esse tipo de exploração em suas cadeias produtivas.

Entre as medidas previstas está o apoio a projetos de lei relacionados à erradicação do trabalho análogo à escravidão e a proteção de defensores dos direitos humanos e lideranças sociais que atuam no enfrentamento desse tipo de crime.

Proteção e atendimento aos trabalhadores resgatados

A carta também apresenta propostas voltadas aos trabalhadores depois do resgate. O documento defende a implementação de políticas de atendimento com assistência psicossocial, educação básica e profissionalizante e medidas de reintegração socioeconômica.

Outro compromisso trata da criação e ampliação de estruturas de atendimento jurídico e social para trabalhadores migrantes, tanto brasileiros quanto estrangeiros.

A Conatrae também propõe a divulgação de informações sobre direitos trabalhistas por meio de campanhas e programas públicos. O documento inclui ainda a defesa da inserção da temática do trabalho escravo contemporâneo nos parâmetros curriculares da rede pública de ensino.

Entre os compromissos está a implementação do Fluxo Nacional para Atendimento às Vítimas de Trabalho Escravo, com articulação entre redes municipais, estaduais e distrital para garantir atendimento integrado às pessoas resgatadas.

‘Lista suja’ está entre os compromissos

A Carta-Compromisso também prevê apoio ao Cadastro de Empregadores que tenham submetido trabalhadores a condições análogas à escravidão, conhecido como “lista suja”, mantido pelo governo federal.

O documento estabelece ainda o compromisso de apoiar propostas que condicionem contratos com órgãos e entidades da administração pública à declaração, pelas empresas contratadas, de que não utilizam trabalho análogo à escravidão na produção de bens e serviços.

A iniciativa da Conatrae também busca assegurar que decisões políticas não impeçam a aprovação de leis ou a execução de medidas destinadas à erradicação do trabalho escravo. O texto menciona ainda a implementação do 3º Plano Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo e o fortalecimento de fóruns e comissões voltados ao tema.

A carta permanece disponível para novas adesões. Até os prazos citados nos textos de base, Flávio Bolsonaro estava entre os candidatos que não haviam assinado o documento.

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